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Topologia e cálculo no Rn

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(1)

N9 221

TOPOLOGIA E CÁLCULO NO Rn

Rubens Penha Cysne

Humberto Moreira

(2)

PREFÁCIO

Os autores objetivam, com este trabalho preliminar (críticas são

bem-vindas), bem como com aqueles que lhe darão continuidade, registrar as suas experiência ao longo dos últimos anos ministrando cadeiras de matemática nos cursos de pós-graduação em economia da Fundação Getúlio Vargas e da PUC-RJ.

Reveste-se de constante repetição em tais cursos a discussão sobre que pontos abordar, bem como com qual grau de profundidade, e em que ordem.

É

neste sentido que os autores esperam trazer

alguma

contribuição para o assunto. No texto, demostram-se apenas os resultados mais importantes e específicos, levando-se em consideração o tempo que um curso de pós-graduação em economia pode dedicar ao ensino de matemática. Para os demais resultados há inúmeras referências mais especializadas citadas no apêndice. Em contrapartida

à

omissão de

algumas

formalizações, os autores procuram propiciar ao leitor o domínio das técnicas apresentadas através da apresentação de vários exemplos e/ou exercícios propostos.

Rio de Janeiro Setembro de 1993 Rubens Penha Cysne Humberto Moreira

Os autores agradecem a Marcelo Navarro. José Eduardo da Rocha Velho e Guilherme Cortella Maroue pela revisIo de partes do texto.

(3)

TÓPICOS ABORDADOS

- Noções de Topologia e o Teorema de Weierstrass - Convexidade, Concavidade e

Quase

Concavidade - Diferenciabilidade e Regra de Cadeia

- Fonnas Quadráticas Definidas e Semi-Definidas

- Caracterização de Concavidade no Caso de Funções Diferenciáveis - O Teorema da Função Implícita e Aplicações à Economia

(4)

TOPOLOGIA E CÁLCULO NO

9l"

1. Noções de Topologia e o Teorema de Weierstrass

Valor Absoluto

Dado o número real a, utiliza-se a simbologia laI para denominar o maior dos valores entre a e - a. Lê-se laI = módulo de a. A regra de correspondência assim definida representa

uma função definida no corpo dos reais e com valores no mesmo. Evidentemente, tem-se

laI

=

max {a, -a} ~a (1.1)

laI

=

max

{a, -a}

~ -a (1.2)

Multiplicando-se (1.2) por -1 e utilizando-se (1.1) segue que

-Ial

S aS

lal

(1.3)

as duas igualdades valendo se, e somente se a

=

O. De forma alternativa,

{

-a se a < O

x= O sea =0

a sea >0

Proposição 1.1: As seguintes propriedades são equivalentes: dados a, b E 91 e E> O a) la-bl <E b)b-E<a<b+E Demonstrago: I 2 la-bl<E++E>a-b e E>-(a-b)++E>a-b e 3 4 -E<a-b++E+b>a e b-E<a++b-E<a<b+E Explicações para as passagem no sentido ( -+ ):

A passagem 1 utiliza a definição de la - bl como o máximo entre a - b e - (a - b). Assim, se E é maior do que o máximo entre

a -

b e -

(a -

b) entio E deve ser simultaneamente maior do que ambos. Na passagem 2 multiplica-se a segunda parte da sentença anterior por -1, tomando-se o cuidado de inverter o sentido de desigualdade. A

passagem 3 obtém-se somando-se b a ambos os membros das duas desigualdade. Finalmente a passagem 4 se dá por um simples reordenamento da sentença anterior.

As explicações para as passagens no sentido inverso (+-) devem ficar claras para o leitor. É claro também que a proposição 1.1 vale também para a desigualdade nio estrita S . •

(5)

Interpretação Gráfica da Proposição 1.1': Dado a € 91, o sentido de

la!

é a distância de aà origem.

~

I I I -3 O 3 (figura 1.1)

Assim,

la!

=

la -

01

mede a distância de

a

ao ponto O (origem). Da mesma forma, para b

E 9t, b :I; O,

la - bl

mede a distância de

a

ao ponto b. Assim, dado E> O a sentença

la - bl

< E

equivale a dizer que a distância de a ao ponto b é inferior a E

Graficamente, se fixarmos b, isto significa que a pode representar qualquer ponto entre b-E e b+E.

b-E & b(fixo) b+E

(figura 1.2)

Norma Euclidiana

Da forma mais abstrata possíve~ uma norma é uma função real definida num espaço vetorial V real ou complexo, satisfazendo às seguintes propriedades (

II

x

II

lê-se norma de x)

1)

Ilbcll

=

l,tlllxll

para qualquer escalar

,t

e qualquer x E V.

2) Se x :I; O, ~~I > O

3) Ilx+

JiI

s 11-'11 + ~JiI para quaisquer xe ye V.

Usualmente trabalhamos no espaço 9tD com a mesma norma euclidiana,

dada por:

Deixamos ao leitor o encargo de verificar que tal definição de norma (chamada norma euclidiana) satisfaz às três propriedades listadas acima.

Observações:

(6)

2) Tal como no caso da função valor absoluto, a idéia da função norma definida no ma e com valores em

m+

é de distância de um ponto à origem.

Exemplo: Seja x= (3,5). Então ~~I = (32 +52

)1/2

=

4.

x

(figura 1.3)

Observe-se que

Ilxll

é o cumprimento da hipotenusa do triângulo retângulo aqui desenhado, que equivale à distância do ponto (vetor) x à origem.

Duas normas em ma,

11.11,11.11'

são ditas equivalentes se existem a> O. b> O tais que a

Ilxll ~

Ilxll' e b Ilxl!' ~

Ilxll '

'V x e ma.

Exemplo: Define-se no ma duas outras normas importantes:

a) norma do máximo

II.IIM: Ilxt =

max~xil ~ i

=

l, ... ,n}, x

=

(XI , ... ,xa ) ema.

a

b)normadasoma

11-11. :llxll.=

L Ixil, x

=(X~'''''Xa) ema.

i=1

Não é dificil mostrar que a norma do máximo e a norma da soma são equivalentes. Basta observar que

Ilxll.

~ n

IlxllM

e

Ilxt

~

Ilxt ' "Ix

e ma

Não há de fato Denhuma particularidade nestas normas devido ao ponto seguinte:

Proposição 1.3: Quaisquer duas normas no 9ta são equivalentes.

Esta proposição é muito importante, pois para questões de limite e topologia Dio

importará com que norma nós vamos trabalhar, utilizando a que for mais conveniente em cada momento.

Topologia

(7)

Entre os vários teoremas que iremos ver (pelo menos o enunciado) destaca-se pela sua importância, o teorema de Weierstrass. Este teorema garante, sob certas condições, a existência de ótimo para um problema de maximização (ou minimização). Por exemplo, se quisermos maximizar a utilidade do consumidor sujeito a sua restrição orçamentária, veremos que este problema tem solução desde que a função utilidade seja contínua e o conjunto da restrição orçamentária seja compacto.

Vejamos agora algumas definições:

Definição: Sejam X um conjunto, 't uma coleção de subconjuntos de X que contenha

q,

e X

Diz se que 't é uma topologia sobre X se:

i) A() B E T, se A, B E T.

ü)

U

A.t

E T, se A à E T, Ti à E I, I um conjunto de Índices qualquer.

ÃEI

Neste caso, diz-se que o par (~ 't) é um espaço topológico e os elementos de 't são chamados de conjuntos abertos. Evidentemente, este nível de abstração não nos interessa no momento, embora seja importante conhecer a definição precisa. Na verdade, estamos interessados na topologia usual do 91 D. Vamos a sua descrição:

A bola aberta de centro num ponto a E 9tD e raio r> O é por definição o conjunto B(a,r) = {XE9tD~lIx-ali < r}, onde

11.1

é a norma euclidiana. Da mesma forma, a bola fechada B [a, ~

=

{x E9tD~llx-allsr}e a esfera S [a, lj

=

{xE9tD~llx-all=r} ambas com

centro a e raio r.

Um conjunto X c 9lD diz-se aberto quando todos os seus pontos sio interiores, isto é, quando int X

=

X

Agora é fácil verificar (segundo a definição dada acima) que a coleção de todos os conjuntos abertos definidos desta forma é uma topologia sobre 9tD, chamada topologia usual

do 9tD '

Dado um conjunto X c 9tD e um ponto a E 9tD, há três possibilidades mutuamente excludentes: ou a Eint X ou a Eint (9tD - X) ou então toda bola aberta de centro a contém pontos de X e pontos do complementar de X (9tD - X). Neste último caso, diz-se que ]C é um ponto da fronteira deX(fr(X».

Exemplo: Considere A={ x

e!l!:;

t.

P; x; ,;

+

Entio in! A={x

e!l!:.;t.

p;x; <r}; fr(A)

=

-{XE9t!~

xt

= O para algum i=l, ... ,n ou LPi~ = r} e int (9tD - A) = 9tD -(int

AU

tTA).

1'=1

Dados (X,'t) espaço topológico e Yc X, podemos definir a tQpolQgia relativa (ou

induzida) em Y simplesmente tomando como abertos desta topologia a interseção dos elementos de 't com Y. No caso particular da topologia usual do 91D, temos que se

Yc 91- , Ac Y é aberto em Y se, e somente se existe um aberto Bc 9lD tal que A= SI Y.

Um conjunto X c 91 D diz-se limitado quando existe um número real c> O tal que

I

Ai

~ c,

(8)

Proposição 1.4: Seja Xc91JJ.Então X é limitado se, e somente se xiX) c 91 é limitado para todo i=l, ... ,n, onde Xi :91n ~ 91 é tal que Xi (Xp ... 'Xi , ... , Xn )

=

Xi' i

=

1, ... , n.

Demonstração: Suponhamos inicialmente que X seja limitado. Logo existe r>O tal que Xc

B(o,r), isto é, Ixil ~ Ilxll ~ r, V'x

=

(xp- .. ,xn ) eX, i

=

1, ... n. Portanto

Ixd

=

l1l"i(X)1 ~ r, V'x eX,i

=

1, ... ,n, ou seja, x(x)c(-r,r), i=l, ... ,n. Por definição temos que xi(X) é limitado, i=l, ... ,n. Reciprocamente se xi(X) c 91 é limitado para todo i=I, ... ,n,

significa que x,{x) ~ lj, V' xe X, onde ri > O para cada i=I, ... ,n. Tome r= max{r.;} > O.

llOilOJJ '

D D JJ

Segue-se que 11~12

=

L

~

=

L

(x j (X»2

~

L

if

~

nr,

V' x e

x,

ou seja,

II~I ~

JD

r, V' x e X

i = 1 ; ' 1 i=1

Portanto X é limitado .•

D

Exemplo: Um dos conjuntos muito utilizados em economia A = {x e 91! ~

L

pjAj ~ r} é

Ji-l

limitado se pj >O, i=l, ... ,n e r~ O (este conjunto representa a restrição orcamentária de um consumidor, onde x e 91: representa uma cesta de n bens da economia, pj é o preço (positivo) do i-ésimo bem e r é a renda do consumidor). De fato, seja p= min {pj} .

llO'lOJJ Dado X E , A 0< _ X j _ <

~

~

J2.

Xi _ , <

~

\./. = v J 1 , ... , n VIS . t o que

J2.

> - 1

i=1 P P P

V'i

=

1, ... ,n onde X = (Xi , ... , xJJ). Pela proposição 1.4 A é limitado.

Seja X c 91D

um conjunto. Um ponto a e X chama-se interior a X se existe r> O tal

que IJ(a,r) c

x.

O interior de X é o conjunto int X

=

{a e X; a é interior a X}. Quando x e int X dizemos que o conjunto X é uma vizinhança do ponto x.

Definição: Seja f:X ~ 91m uma função definida no conjunto X c 91D

Diz-se que fé contínua

quando a imagem inversa

ri

(A) de todo aberto A

c mm

é um conjunto aberto em X (com a topologia relativa). Equivalentemente a esta definição diz-se que f é contínua se é contínua em

a para todo 11 e X e definimos continuidade de f em a da mesma forma: para qualquer & > O,

existe ô> O tal que se Ix - ai < Ô e X e X então If(x) - f(a)1 < &. Intuitivamente isto

significa que se x se aproxima suficientemente de a em

.x:

então a imagem de x por f se aproxima da imagem de a por

t:

tanto quanto se queira.

DefiDição: Dado X

c m

D

, uma função f: X ~

mm

diz-se LipschitzilM. quando existe K> O tal

que, para quaisquer x,y eX, Ilf(x)-f(y)11 ~ Kllx-yll. Neste caso fé contínua. De fato, dado 6>0 tome ô=

rx>O.

Exemplu. As projeções: 1l"i

m

D

~ 9t definidas por 1l"j( x) = Aj, i = 1, ... , n, onde x = (Aí,···, x,,),

são contínuas. (Tem-se que

IXi(.t)

-xiCnl

=

Ix,. -

~I s;

Ix- A,

ou seja, Xi é uma função

Lipschitziana (com K

=

1).

Exemplu. A função norma euclidiana é contínua, pois III~I - IIJilI ~

Ilx-

JiI,

i.e., é Lipschitziana com K= 1.

(9)

Teorema1.2: Sejam X c 9tft

e f, g: X ~ 9t m , a: X ~ 9t funções continuas. Então as seguintes funções são contínuas:

i) f+ g ü) a f ili) l/a (definida onde fizer sentido, isto é, em {XE X;a(x) ~O})

Exemplo: f:9t2 ~ 9t tal que f(x,y)=x4y2 é continua pois é a soma dos quadrados das

projeções, isto é, f

=

~ +

n;

e pelos resultados anteriores segue-se o afirmado.

Teorema 1.3: Sejam X c 9tft

, .tX~9tm tal que J7"x) = (~(x) •... ,fnlx)), onde fj:X~!1i,é

definida como fi

=

1fi of para i

=

1, ... m. Então f é continua se, e somente se f i é continua para todo i=l, ...• m

Observações:

i) A função

fi

do teorema anterior é dita ser a iésima função coordenada de f

ii) Todos os teoremas anteriores para continuidade global (em todo domínio de definição da função) podem ser traduzidos para continuidade pontual.

Existe uma outra caracterização de aplicação continua que é bastante útil, principalmente para mostrar que uma aplicação não é contínua em um determinado ponto e para isto precisamos definir o que é uma seqüência de pontos em 9tD

Uma següência em 9t D é uma função x: N ~ 9t D

onde N é o conjunto de números naturais. O valor que essa função assume no número keN é indicado por xk e chama-se o k-ésimo termo da seqüência. Usaremos a notação (Xk)(kEN) ou (xx) para indicar a seqüência.

Uma subseqjiência de (Xk)(kà() é a restrição da seqüência (como função) a um

subconjunto infinito~' c~. A subsequência é indicada pela notação (Xk)(kEN").

Diz-se que a seqüência (Xk) é limitada se o conjunto dos seus termos é limitado em 9tD•

Uma seqüência (Xk) em !RI! equivale a n sequências de números reais, a saber

(1fj (xk

»,

\fi

=

1, ... , n que são as coordenadas de X k para cada k eN.

Diz-se que um ponto a E!RI! é O ~ da seqüência de pontos (Xk) em !RI! se para todo

6 > O , existe

lo

e ~ tal que k > ko

=>

IIX

k - ali < 6. Neste caso, diz-se que (xk ) converge para a

ou tende para a, e escreve-se lim xk

=

a, ou xk ~ a. Quando existe o limite de (xk ) diz se que

(xk ) é convergente. Caso contrário, diz-se que (xk ) é divergente. Observamos também que quando o limite existe ele é único e que uma seqüência convergente é limitada.

Uma sequência

(x

k) em 9tD é chamada de Cauchy se \fs> O, 3no eN tal que

\f n, m>

4>

=>

11x. - x.11

< s. É fácil ver que toda sequência convergente é de Cauchy. A recíproca é verdadeira e é equivalente ao "axioma da completeza" que veremos abaixo.

(10)

Exemplo: Seja a e (-1,1) c 9t. Então lim an

=

O. De fato, lar+1 < laln para todo ne K Logo existe L

=

limlaln

=

inflaln. Assim L

=

limlal2n

=

limlaln laln

=

L2, ou seja, L2

=

1, donde L = 1

n<:1

ou L

=

O. Como (jaln) é decrescente, tal que laln < 1, V'n

e~,

L

=

O.

Teorema 1.4: Uma seqüência (xk ) em mn converge para o ponto a

=

(aI , ... ,an) se, e somente se para cada i = 1, ... , n tem-se lim 1ti (xk ) = ai.

Teorema 1.5: Uma seqüência é convergente se, e somente se toda subseqüência desta seqüência é convergente.

Exemplo: Considere xk = (I/k,(1/2)k) em2

para cada ke ~ então (xk ) é uma seqüência em 912 que converge para (0,0) pois lim XI (Xk)

=

lim

Yx=

O e 1im 1r2(Xk) = lim (~)k =

o.

Teorema 1.6: Sejam

(xJ, (yJ

seqüências convergentes em m e a e m. Então: a)

(x

n + Y

J

é seqüência convergente e lim

(x

n + Y

J

=

lim ~ + lim y".

b)

{a xJ

é seqüência convergente e lim

(a xJ =

alim ~.

Finalmente podemos enunciar o seguinte:

Teorema 1.7: Uma aplicação f: X ... 91D

, definida num subconjunto X c mn, é contínua no

ponto a e X se, e somente se para toda seqüência (xk ) em X com lim xk = a tem-se

lim f(Xk) = f(a).

Supremo e ínfimo.

Tomemos os conjuntos {1,2} e o intervalo (1,2). É claro que o maior elemento do primeiro conjunto é o elemento 2. O conjunto (1,2), entretanto, não possui um maior elemento. Para contornar este fato, substitui-se usualmente o conceito de maior elemento pelo conceito de menor superior.

Assim, o número 2 não é o maior elemento de (1,2), mas é o seu menor superior. Dá-se a este elemento o nome de supremo (sup) de conjunto. Usualmente, A c m não vazio é

(11)

2) se Y ~ X, 'VX E A então y ~ sup A (ou seja, sup A é a menor cota superior de A).

Da mesma, se A é não vazio e limitado inferiormente (i.e., 3 c E fIi tal que

c.:s

x. V X

E A. Novamente neste caso c é chamado de cota inferior de A) detine-se ínfimo de A (inf A)

como a maior cota inferior de A:

1) inf A ~ x, 'V x E A (ou seja, inf A é cota inferior)

2) se y~ x, 'V x E A então y ~ inf A (i.e., inf A é a maior cota inferior)

Precisamos de um resultado que será útil agora para demonstrar uma propriedade importante de supremo e ínfimo, embora ele seja útil em outras situações:

Teorema 1.8 (Sandwich): Sejam (xn), (yn)' (Zn) seqüências em 9t tais que xn ~ Yn ~ Zn e lim x"

=

lim z". Então existe lim Yn e lim Yn

=

lim xn.

Demonstração: Seja a

=

lim xn

=

lim Zn. Dado & > O, existe no E N tal que 'V n >

no,

Ix" -ai < & e IZn-al < &. Assim, 'V n> no, -&+a < Xn ~ Yn ~ Zn ~ &+a.

Logo -&< Yn-a < &, 'V n > no, ou seja, Iy" -ai < &, 'V n> no' Portanto lim Yn

=

a .•

Teorema 1.9: Dado A c fIi limitado, então sup A E A e inf A E A.

Demonstração: Para cada n E N sabemos que sup A -

1/

n não pode ser cota superior de A, pois sup A é a menor cota superior de A. Assim existe, para cada n E ~, xn E A tal que

sup A-lIn < xn ~ sup A. Como lim (sup A -I/n) = sup A = lim sup A, tem-se pelo

D-++CIO

teorema do Sandwich que lim xn = sup A, com xn E A, 'ti n E~. Portanto sup A E A. A

prova que inf A EA é análoga e fica a cargo do leitor .•

o

leitor deve perceber uma certa sutileza no que fizemos acima. Não existe necessariamente supremo de um conjunto limitado superiormente, estamos apenas definindo este conceito. Se o conjunto dos racionais fosse o conjunto que estivéssemos trabalhando ao invés dos reais teríamos problema com a existência de supremo. Por exemplo, não é dificil

mostrar que (-00,

J2)

embora limitado superiormente em não possui supremo neste conjunto.

Na verdade o conjunto dos reais é "construído" a partir das racionais exigindo-se exatamente que todo conjunto limitado superiormente possua supremo. Isto é o que diz:

Axioma da completeza:.

(12)

o

leitor atento pode verificar que este axioma é equivalente a um axioma análogo para ínfimo, uma vez que inf A=-sup(-A), para todo A c 9t limitado inferiormente, onde -A

=

{-x;x EA}.

Vamos agora demonstrar um resultado muito importante: Teorema de Bolzano-Weierstrass. Para isto precisamos de algumas definições e teoremas.

Definição: Seja (xn> seqüência em 9t.

i) (xn> é monótona não-crescente se xn ~ xm quando n > m. ü) (xn> é monótona não-decrescente se xn ~ xm quando n < m.

Diremos simplesmente que a seqüência é monótona caso não queiramos especificar se é

não-crescente ou não-decrescente.

Teorema 1.10 Toda sequência monótona limitada (xn> é convergente.

Demonstração: Suponhamos que (xn> é monótona não-decrescente (o outro caso é análogo). Seja A={ xn; nE ~ }. Sabemos que A é limitado superiormente, então pelo axioma da completeza existe s = sup A E 9t. Afirmamos que lim xn=s. De fato, dado E > O, S -& não

pode ser cota superior de A. Logo existe ~ E N tal que s -& < x"o < s. Como (xn> é

monótona não-decrescente temos que s-& <

x.o

~ xn < s < S + t, "ti n >~, i.e., Is-xnl < E.

"tIn > ~. como queríamos demonstrar .•

Precisamos ainda de umas propriedades..elementares de supremo e ínfimo:

i) Sejam A c B subconjuntos de 9t nio-vazios limitados superiormente. Então

supA~ supB.

ü) Sejam A c B subconjuntos de 9t não-vazios limitados inferiormente. Então inf A 2! inf B.

A prova dos resultados é pedida nos exercícios.

Teorema 1.11 (Bolzano - Weierstrass): Toda seqüência limitada possui uma subseqüência convergente.

Demonstra@o: Seja (xn> uma seqüência limitada. Para cada k E~. defina Ak = inf {xn;~}. É fácil verificar que {xn; n ~ k} :::> { Xn; n ~ k + I}. logo

4

~

4+1'

Temos dois casos possíveis:

(13)

i) Existe

ko

E ~ tal que A ko = Ak' ';I k~

ko.

Neste caso a seqüência deve ser constante a

partir do índice

lfo,

i.e., ~ = xko ' ';In ~

lfo.

Neste caso é fácil extrair a subseqüência convergente.

ü) Existe uma seqüência (kj ) crescente de índices tal que Akj < Akj+l' ';Ij E~. Pela

definição de Akj' para cadaj existe n ~ kj tal que Akj ~ xn < Akj+l. Chame nj ~ kj para cada

j, o menor índice tal que Ak ~ Xn < Ako • Pela definição dos nj's é fácil verificar que

J J ,.1 J

(xnj )(jà() é uma seqüência monótona não decrescente e limitada (por ser subseqüência de uma

seqüência limitada), logo é convergente pelo teorema

1.9.-Séries

Definição: Se (xn) é uma seqüência em 91 então a série gerada por (xn) é a seqüência (~) definida por:

SI =XI

S2. = SI +x2

Se (~) converge, nos referimos a lim~ como a soma da série. Os elementos xn' s são chamados de termos e os elementos ~ de somas parciais ou reduzidas da série.

Notação: Vamos denotar a série da definição acima por

ao

~)xJ; e lim sn

=

LXn

n=1

Teorema 1.12:

(a) Se as séries L{xJ e L{yJ convergem, então a série L{xn +yJ converge e

ao ao ao

L

(Xn + y n) =

L

Xn +

L

y n

11=1 n=1 n=1

(b) Se a série L{xn) converge e aE91, então a série L{axn) converge e converge para

Demonstracio:

Imediata a partir do teorema 1.6, uma vez que séries são

seqüências.-Teorema 1.13: Se L{xJ converge então lim Xn

=

O

Demonstracão: Basta observar que Xx = ~ - ~_I . Logo lilmite de (x0 existe pois limite de

(14)

0.-Teorem1l 1.14: Seja (xn> uma seqüência de números reais positivos. Então ~)xJ converge se, e somente se a sequência (s0 das reduzidas é limitada. Neste caso

'"

L

Xo

=

lim ~

=

sup {Xk ~ k ~

I}

0=1

Demonstra~ão: Como Xo ~ O, 'V n E~ temos que (Sk) é uma sequência monótona não-decrescente. Assim pelo teorema 1. 10 o resultado segue imediatamente .•

Teorema 1.15 (Critério de Cauchy): Seja L{xJ é convergente se, e somente se para cada &> O existe no E ~ tal que se m> n ~ no ISm - sol < &.

Demonstracão: Imediata a partir do fato que uma seqüência é convergente se, e só se é de Cauchy .•

Definição: Seja (Xn) uma seqüência em~. Diremos que a série L{xJ é absolutamente convergente se a série

L

(lxn

I)

é convergente. A série é dita ser condicionalmente convergente se ela é convergente mas não é absolutamente convergente.

T eorem1l 1.16: Se uma série

L

(xn) é absolutamente convergente então ela é convergente. Demonstrp: Basta observar que IXn+1+ ...

+xml~lxn+11+

... + Ixml se m>n e aplicar o critério de Cauchy primeiro para a série convergente

L

(lxn

I)

e depois com a desigualdade acima

concluir a sua validade para a série !: (xn) .•

Exemplos:

(a) (Série geométrica) Seja a E (0,1) e considere a sequência de números reais (an), que gera

k

a série geométrica (St), onde St

=

!: a n. Observe que (1-a) St

=

1-a

k+1,

assim se lal < 1

l_ak+1 1

então lim a k

=

O e portanto lim ~

=

lim

= --.

Logo a série geométrica converge

l-a l-a 1

para--.

l-a

(b) (Série harmônica): Considere a série harmônica !:(l/n). Afirmamos que esta série diverge, embora a sequência dos seus termos convirja a zero. De fato, considere a seguinte

(15)

Então 1 ~ =1+-I 2 1 1 1 1 1 (1) ~ =1+-+-+-=~ +-+->Sk +2 - =1+2 2 2 3 4 -1<1 3 4 I 4 Por indução temos:

. t(

I ) I i ~ >Sk +21

- - . =~

+-~I+-; H 21 ,-I 2 2

Portanto, a subseqüência

(~;

) iét não é limitada e a série hannônica não converge.

Seja X c

m

n

. Um ponto a E

m

n é dito de acumulação do conjunto X quando toda bola aberta de centro a contém algum ponto de X diferente de a. O conjunto dos pontos de acumulação de X será representado pela notação

.r.

Teorema 1.17: Dados X c

m

n

e a E

m

n , as seguintes afinnações são equivalentes: a) a é ponto de acumulação de X

b) Existe uma seqüência (xx) em X com lim xk

=

a e Xx

*

a para todo k E~.

c) Toda bola de centro a e nuo positivo contém uma infinidade de pontos de X

Exemplo: O é ponto de acumulação do conjunto {I/ n ; n E~}.

Se a E X não é ponto de acumulação de ~ diz-se que a é um ponto isolado de X Quando todo ponto a E X é isolado, dizemos que X é um conjunto discreto.

Seja f: x~mm uma função definida num conjunto

xcm

n ea EX'. Diz-se que b E

mm

é o limite de f(x) quando x tende para a (notação lim f(x)

=

b) quando 'V & > 0,35 > O

X~

tal que "Ix E X, O <Ix - al< 5 =>If(x) - bl< &. Observa-se que por esta definição, não é necessário que a E X.

Nestes termos a continuidade de f em

a

se expressa da seguinte forma: se

a

E X é

isolado, então toda função f: X ~

m

n

é contínua no ponto a. Se aE X' então f é contínua no ponto a se, e somente se lim f(x) = f(a).

X~

Um critério bastante útil para examinar a existência de limite é o seguinte: para que

exista lim f(x) é suficiente que exista lim f(xk ) seja qual for a seqüência de pontos

X~

(16)

Teorert1Jl 1.18. Sejam X e 9tD

, a E X' , f, g. X -+ 9tDl e

a,p

X -+ 91 tais que existem os limites

limf(x),limg(x), lima(x) e limAx)*O.

x...

x...

x...

...

Então:

i) lim(

z...

f(x)

+

g(x» = lim

z...

f(x)

+

lim

z

...

g(x) Ü)ümCL(X)

z...

f(x) =(limCL(x»).(üm f(x»)

Jt-+. Jt-+.

ili)lim(a(x) {( »)=lima(x)/limP(X)

x-+a

/P~ x

x...

x

...

Um ponto a E 9tn

é dito aderente a um conjunto X e 9tD

quando toda bola aberta de centro a contém algum ponto de ~ ou equivalentemente, existe uma seqüência de pontos em X que converge para a. A coleção de todos estes pontos é chamado de fecho de X é será denotado por X.

Observação: Se X e 9tD então

X e X, pois dado a E

.x:

a = lim Xk onde X k = a 'v'k E~.

Também vale X'eX o leitor pode verificar que X= X

U

X'. Exemplos:

a) Se X = [1,2], X = [1,2]

b) B(a,r) = B[a,r]

Um conjunto X é dito fechado quando X =

x.

isto é, se lim Xk = a e X k E X para todo k E~,então a E X

Proposição 1.5: Para todo X e 9tn, X é fechado.

Exemplu. B [a, Jj é

um

conjunto fechado do 91-. pois se Ilxkll S r 'v'k E~ e lim xk = b então

~~I

= limllxjoll S r(veja o exercicio resolvido 4 e

use

o fato que Illxjoll-11 b III S Ilxjo -

~I).

Assim se Xe9tD

é limitado então X é limitado.

Exemplu. S(a,r) e 91- é

um

conjunto fechado de 91- provando-se da mesma forma que o exemplo anterior.

(17)

i) 0 e 9lD são fechados.

k

ü) Se F." ... , Fk são fechados então

!J

F; é fechado.

1=1

iü)

n

F é fechado, se F'A. é fechado 'r;j Â. E I, onde I é um conjunto arbitrário de índices.

'A. e I

Observe que {x} é fechado com x E

m

D• Todo conjunto X c

m

n

é a reunião dos seus pontos, isto é, U {.t}=x. Como há conjuntos em

m

D

que não são fechados então a reunião

..eX

arbitrária de conjuntos fechados não é necessariamente fechada.

Teorema 1.21: Seja Xc 9lD

i) lI( X) = X n(.R" - X) ü) X=

XU

lI(X)

Da mesma que definimos aberto relativo podemos definir fechado relativo da seguinte

-forma: Seja X c

m

D

um conjunto e F c X. Diz-se que F é fechado em X se existe F c

m

D

fechado tal que F

=

F

n

X.

É racil ver que F é fechado em X se, e somente se X - F é aberto em X

Teorema 1.22. Seja f: X -+ 9I1D uma função, X

C 9lD

, continua se, e somente se rI (F) é

fechado em X para todo FC91D fechado.

Conjuntos Conexos

Dados dois conjuntos A e B contidos em

m

D

, diz-se que eles são disjuntos se possuem interseção vazia (A

n

B

=

0) e que são separáveis se a interseção de cada um deles com o fecho do outro é vazia (A nB

=

0) e A nB=0). Conjuntos separáveis são

sempre disjuntos, mas a recíproca não é verdadeira, como se atesta tomando-se, como exemplo: A=(O, 1) e B=(I,2). Um conjunto C c

m

n é dito conexo se não pode ser representado como união de dois conjuntos separáveis ambos não vazios. Em outras palavras, C é conexo se C= AUB com A(1B=0 e Af1B=0, implica A=0 ou B-0. Exemplos óbvios de conjuntos conexos sio os intervalos da reta. Visualmente, um conjunto não conexo E = EI U E2 podem ser apresentado na forma abaixo:

(18)

Teorema 1.23. Um subconjunto E da reta real é conexo se, e somente se para cada x E E e

y E E, com x < z< Y, Z E E (ou seja, se, e somente se E é um intervalo).

Demonstra@o: Necessidade: Suponhamos, por exemplo, que para x e y pertencentes a E, com x < Z < Y, tivéssemos z E E. Neste caso, E poderia ser escrito com E=E} UE2, onde E} = E n(-oo,z) e E2 = En(z,oo). Tanto E} quanto E2 são não vazios, pois contêm respectivamente x e y Decorre também do fato de E}c(-oo,z) e ~c(~+oo) que E;n~=0 e E;n~=0, ou seja, E} e E2 sio separáveis. Segue que E, não será conexo. Logo, Z E E.

Suficiência: Suponha que E não fosse conexo. Então existiriam dois conjuntos não vazios A e Btaisque AUB=E, com AnB=0 e AnB=0. Tomemos XE Aeye B com x<y

(evidentemente, isto não implica em perda de generalidade). Seja então z= sup (An[x,y]). Decorre do teorema 1.9 que z e A. Logo, z E _B. Pode-se então afirmar que x ~ z < y Se

z ~ A, x < z < y e z E E. Se z e A, z ~ B existe: ~ > z com x <;; < y e ~ E B (pois o complementar de B é um conjunto aberto e ~ E B ~ ~ E B). Então, x <~ < y e

~ E E. Como esta é uma contradição com a hipótese, segue que E é

conexo.-Teorema 1.24:. Seja f: X c 91.11 ~ 9I.IIJ contínua, com X conexo. Então: (X) é conexo. Demonstração: Suponha por absurdo que (X) seja desconexo, ou seja, (X) = AU B com AeBseparáveis e ambosniovazios. Seja c=Xn r-1(A) e D=Xn f-l(B). EntioX= CUD e nenhum dos dois é vazio. Como A c A, Cc f-I (A). Dada a continuidade de fe o

fato de A ser fechado, temos que r-1(A) é um conjunto fechado. Logo Cc C c f-l(A) e f(C) c A. Como ~lJ)=B e AnB é vazio, cnD é vazio. Uma mesma linha de raciocínio, mostra que

cn

D é vazio. Segue que C e D são separáveis. Mas este fato colide com a hipótese de E ser conexo. Segue que (X) é

conexo.-Exemplos.

a)

r

é conexo

(19)

Conjuntos Compactos

Diz-se que K c 91° é compacto quando K for limitado e fechado.

A definição acima de conjunto compacto não é geral, isto é, em espaços tológicos genéricos é necessário definir conjunto compacto de outra forma. Muito embora nos espaços euclidianos com a topologia usual estas definições são equivalentes. Isto é o que veremos abaixo.

Definição: Sejam A um subconjunto de 91° e C= {CJ).eI como coleção de subconjuntos de 91 ° , I conjunto de índices.

i) C é uma cobertura de A se Ac U ~

À.el

ü) Dizemos também que C é uma cobertura aberta de A se CÀ. é aberto para todo Âel.

iü) Uma subcobertura de C é uma coleção tB= {C).}).eJ tal que Jd. A subcobertura será finita se J for finito

Teorema 1.25 (Heine-Borol): Um subconjunto K de 91° é compacto se, e somente se toda cobertura aberta de K admite uma subcobertura finita.

Exemplos:

a) B[ a.r]. S(a,r) são compactos.

b)

{xem:~<p,X>ST}

écompactopara

pem:+

e

T~O.

Teorema 1.26:

a) Xi

u. ..

U

Km

é compacto, desde que Kj

c mo

seja compacto, j= l, ... ,lll.

b)

n

K À. é compacto,se K). c 9111 é compacto 'v' Â. e I, I conjunto de índices arbitrário.

À.E/

c) Seja Xi::::> ... ::::>

K.

::::> ... uma seqüência decrescente de conjuntos compactos em

mo

não

li)

vazios, entio K

=

n

K. é não vazio .

.-1

Devido ao teorema de Bolzano-Weierstrass um conjunto Kc9111

é compacto se, e somente se toda seqüência de pontos (xl') possui uma subsequência que converge para um ponto de K O que é importante nesta caracterização é que o conceito de conjunto compacto é intrínseco, ou seja, não depende de onde esteja contido.

De fato, suponhamos que K seja compacto. Dada uma (xn> seqüência em K, pelo teorema de Balzano Weierstrass e pelo fato de K ser limitado, existe (XJ(Dàt) subseqüência de

(xn> tal que lim X.

=

X, logo xe K=K. Reciprocamente, se vale a propriedade acima, dado xe

l/EN

(20)

seqüência convergente é convergente e converge para o mesmo limite, devemos ter que xeX.

Assim K é fechado. Se K fosse ilimitado teríamos para cada n e~, XII e K tal que

lixa

II

~ n. Agora é facil ver que toda subseqüência de (xIJ é ilimitada, logo não convergente, o que é uma contradição.

Teorema 1.27: Seja f: X ~ ~m continua no conjunto X C ~n. Se K c X é compacto então

f(K) é compacto.

Demonstração: Seja (Yk) seqüência em f{K). Então existe (x k) seqüência em K tal que f(x k) = Y k , 'v'k e~. Pela observação que antecede o teorema temos que existe (xk )(k~) subseqüência em K tal que lim (xk

)=

xeK. Como f é continua temos que (Yk)k~ é uma

keN

subseqüência de f{K) tal que lim (Yk) = ftx) e ftK). Novamente usando a caracterização keN

acima temos que f{K) deve ser compacto, uma vez que dada a seqüência

(y

k) existe uma subseqüência (Yk)(kât.) que converge para um ponto de ftK) .•

Corolário 1.28 (Teorema de WeienáasS): Seja f: K ~ 9t uma função continua, K c 9111 compacto, então f atinge seu máximo e seu mínimo em K

Demonstras;ão: Temos pelo teorema 1.27 que f(K) é compacto em 91, ou seja, f(K) é um conjunto limitado e fechado de 91. Assim existe a = inf f(x) e b = SUD f(x),

xeK xet

respectivamente o ínfimo e o supremo de f{K). Além disso, a,b ef(K) pelo teorema 1.9. Portanto aS yS b, ~ye f(K) com a,be f(K) (visto que f(K)

=

f(K)U f(K)'

=

f(K». Logo existem AQ, Xi e K tais que f(xo) = a S;; f(x) S;; b

=

f(xt ), vx eK.

Aplicação à economia

Sejam X c 91! um subconjunto não vazio convexo e fechado e::- uma relação em X

que satisfaz os seguintes axiomas:

i) 'v'~ye X, x>-youy>-x. (completeza)

-

-ü) 'v' X, Y, z e X, x'r Y e Y 'r Z ~x 'r z.( transitividade)

-

-

-fi) 'v' Y e X, {x e X; X 'r y} e {x eX; Do-y} são fechados (continuidade)

-

-iv) x ~ y(Le.,xi ~ Yi,i

=, ...

,n) e x =I; y ~ X 'ry. (monoticidade forte)

(onde x 'r y se Do-ye não é o caso que y 'r x)

-

-Neste caso temos a seguinte proposição:

Proposição 1.6: Seja X = ~:. Então existe uma função u 9t: ~ ~ que representa estas preferências, isto é, u (x) ~ u (y) se, e somente se x:: y.

(21)

mostra que sob certas condições (axiomas (i), (ü), (iü) e (iv» podemos determinar uma escala numérica para as preferências do consumidor.

Demonstracão: Seja 1

=

(1, ... 1) e9lD

• Então, dado xe X, sejam A

=

{I e9l+;ll>-x} e

B = {t e 9l + ; x >- ti}. Por ( i ) A e B são não vazios e por (iü) são ambos fechados, visto que a

função qT.I~ll é contínua e neste caso A={yeX;y~x} e B=9'-l({yeX;y::x}). Como X é convexo, então é racil ver que {I e 9l; 11 e X} é convexo e, portanto, conexo (ver exercicio proposto 6). Concluímos que existe le9l tal que 11-x. Usando (iv), temos que este I

é único. Defina u:X ~ 9l tal que u(x)

=

I. Além disso, u-1[lo,oo] = {x eX; u(x) ~ lo}={xeX; x ~u-l (to)} e u-1[0,lol = {x eX,x,:,u-1(lo)} são fechados o que mostra que u é contínua, visto que neste caso todo aberto em [O,ex:) será imagem inversa aberta (por

quê?)-o

problema básico do consumidor é o seguinte: seja r a renda do consumidor e

P= (Po. ... ·.PD) o vetor de preços dos bens 1, ... ,n. Dentro do contexto acima, definimos o conjunto factível como {x eX; < p, x > ~ r} . Se u: X ~ 9l contínua representa as preferências do consumidor, então o problema de maximização das preferências pode ser escrito como:

max u(x)

s.a<p,x>~r

xeX

Uma primeira observação importante é que se u é contínua e pe9l!+ (o que implicará que o conjunto factível neste caso seja compacto) então o problema acima tem solução pelo teorema de Weierstrass desde que exista uma cesta factível.

Diz-seque x,y€X sãoindiferentes (x-y) quando x~y e y~x. Umacesta x X é dita ser redundante (veja Simonsen (1989» quando existir y X tal que x 2 y, Y il

X, e x-y.

Considere ainda os seguintes axiomas:

(v) x,y X; X il Y, x,y não redundantes tais que x - y ~ (1-t) x + ty >- x, Vt e (0,1) (vi) VxeX,VE>O, 3yeX talque Ilx-yll<E e y>-x.

Definamos agora & função de utilidade indireta v(p,r) =

max

u(x)

S.&.< p,x > ~ r, x eX

Verifica-se sem dificuldade que a cesta que resolve o problema de maxirnização acima esgota a renda do consumidor, isto é, < p,x > = r, onde x é a solução do problema desde que (vi) seja satisfeita ou (iv) seja satisfeito para X = 9l:. Temos também que x é não 18

(22)

redundante. Com efeito, se x fosse redundante existiria X';t x tal que x' - X. X:J!. X'. Como os preços são todos positivos, <p, X~ < <p, x> = r. Mas então x' seria outro ponto de utilidade máxima e que não esgotaria a renda do consumidor, o que não é possível pelo que vimos acima.

Vamos mostrar agora que se além disso (v) for satisfeito tem-se que x é único. Com efeito, suponhamos que x' seja outra cesta factível com a mesma utilidade (máxima) de x'. Pelo que foi visto x e x' seriam não redundantes. Mas por (v)

X

(X + X') >-x com

X

(x + x') factível. Isto contradiz a hipótese de que x seja ponto de utilidade máxima.

Neste caso, chamaremos a única solução do problema acima dado P e r de vetor x{p, r) de demanda marshaliana. Mais especificamente, Xi (p, r) é a função demanda

marshaliana do i - ésimo bem.

Teorema 1.29 Suponha que as preferências de um consumidor satisfaçam (i)-(v). Então a função demanda marshaliana xj:9t:+ x 91++ ~ 91 é contínua, \fi

=

1, ... ,n.

Demonstracio: Considere n dada pela proposição. Sejam (Pn,rn) e9t::! tais que (p 11' rll ) ~ (p, r). Notemos inicialmente que a seqüência (X(PII , rll

»

II~! é limitada. Com efeito, tomando p' e9t:' tal que p'~ PII' \fn e~, e r'~ rll' \fn e~, é imediato que

<p',x(PII,rll»~<PII,x(PII,rll»=rll ~r'. Isto posto para provar que a função demanda marshaliana é contínua basta provar que qualquer subseqüência convergente de (X(PII' ~ »(lIát) converge para x(p, r) .

Seja então (X(Pni ,rn»iát subseqüência que converge para <Pn.,x(Pn.,rn.»=rn. segue-se passando ao limite, que I I 1 I <p, y> =r, isto é,

y. Como y é factível com respeito ao par (p, r) . Para provar que' y = x(p, r) basta então provar que, se y' é factível com respeito ao par (p, r), u(y) ~ u(y') .

SP.ia < p,y'> rn

-.1 J.1n = ,

-< Pn'y > r

Verifi ca-se IlILlatamente que < Pn' J.1nY . ed' , >= < p, y' > rn S rn r

Isso significa que J.1nY' é factível em relação ao par (Pn,rn). Logo, como x(p.,r.) é o ponto de equih'brio do consumidor com respeito ao par (P., r.) tem-se u(x(Pn,rn

»

~ u(J.1ny') e portanto U(X(Pni ,rni

»

~ U(J.1niY') e passando ao limite quando i ~ 00 e notando que J.1n ~ 1 quando n ~ 00 temos: u(y) ~ U(y') o que completa a prova .

Juntando estes resultados obtém-se facilmente que a função de demanda marshaljaoa é contínua quando definida em 91:+ x 91 •.

(23)

Exercícios Resolvidos - Seção 1 1) Dados a, b e x reais e E > O prove que

a) la-~ <E-+lal-E<I~ <lal+E

Solução:

lal

=

la-

b+~ ~ la-~+I~ -+Ial-I~ ~Ia-~

(1)

I~

= Ib-a

+al~ Ib-al+lal-+I~-Ial ~Ib-al

=

la-~

(2)

De (1) e (2), II~-Iallsla-~. De la-~<E segue que 11~-lall<E e que -E<I~-lal<E. Somando-se I ai a ambas as equações obtém-se a desigualdade procurada.

Solução:

Se x> 5 então f(x) > 2 pois Ix - 31> 2 e o termo Ix-~ é sempre positivo. Da mesma forma, se x< 3, f(x) > 2, pois Ix- 51> 2 e Ix- 31> O. Por último, para 3 s xs S teremos Ix-~

= 5-,0: elx-

31

= x-3 (pela definição da funçãc módulo). Soma..'ldo-se os termos obtém-se f (x)

=

5 - x+ x-3

=

2. Assim, em qualquer caso, f(x) ~ 2.

2) Encontre x e 91 (se existir) que satisfaça:

a) 12x- 21

=

14x+ 31

Caso 1: 2x-2~0

-+

x~I 4x+3>0

12x-21 =2x-2, 14x+31 =4x+3 2x - 2 = 4 x

+

3

-+

x = -5/2

Solução do caso 1: {-5/2}n[I,+oo) = (2)

Caso 2: 2x-2 <O

-+

x < 1

4x+3~0

-+

x~ -3/4

12x-21=-2x+2 14x+31 =4x+3 -2x+2 =4x+3

-+

x =-116

Solução do caso 2: {-1I6}n[-3/ 4,1) = {-116}

Caso 3: 2x-2 <O

-+

x < 1 4x+3<0

-+

x< -3/4

14x+31=-4x-3,12x-21 =-2x+2 -4x-3 = -2x+2

-+

x = -5/2

(24)

Solução do caso 3: {-5/2}n(-oo,-3/ 4)n{-oo, 1)

=

{-5/2}

Solução do Problema: {-1 /6, -5 / 2}

3) (Desigualdade de Cauchy - Schwarz) Seja Vum espaço vetorial real com produto interno. Então:

I(

x, y)1

~

Ilxllllyll onde II xii =

~(x,x)

Solução: Sejam A = Ilx112, B = l(x,y)1 e C = Ily112. Para todo real r, temos que

o

~ < x-ry, x-ry >

=

< x,x > -2r< x,y > + r2 < y,y >

Portanto, A-2Br+Cr2~O, 'Vregt. Se C=O,A~2Br,'Vregt, logoB=O pois caso contrário teríamos um absurdo fazendo r suficientemente grande (por exemplo r> A/2B).

Se C> O, tome r = B/C na expressão acima e obtendo então

li

S AC. Resumindo,

B2 ~ AC se C = O (pois neste caso B = O) e B2 ~ AC se C > O. Em qualquer caso, obtem-se a desigualdade de Cauchy-Schwarz.

4) Sejam (x.J e (y.J sequenClas reais convergentes tais que

x ... ~ Y ... , 'Vk e~. Então lim x ... ~ lim Y ....

... ~.. k~ ..

Solução: Sejam a = lim x... e b = lim y... Suponha por absurdo que pb. Seja

... ~.. ...~

..

s=(b-a)/2>O. Existe kõeN tal que para todo ke~,k~ko,lxt-al<&e IYt-bl<&. Seja k~kõ, então -&<Xj.-a e YJ:-b<&; Como a-s=(a+b)/2=b+& temos que YJ: <

a;

b

<~,

o que é absurdo. Portanto concluí-se que

a

~

b.

5) (a) Se X c F, F é fechado em 9lD, então X c F. Mostre também que X c Y com X e Y subconjuntos em gtD implica X c Y.

(b) Se A e B são conjuntos abertos em gtD então A n B e A u B são conjuntos abertos. (c) Seja

{AJ

lei uma fiunília de conjuntos abertos onde I é um conjunto arbitrário de

índices. Mostre que U Al é sempre um conjunto aberto, embora

n

Al nem sempre seja um

l&I lei

conjunto aberto. Dê um exemplo justificando a última afirmaçIo.

(25)

(b) Vamos provar que AnB c int(AnB). Se xeAnB então xeA e xeB. Como A e B são conjuntos abertos isso implica que existem e\ > O e e2 > O tais que B(x;e\)cA e B(x;e2)cB. Para e=miD{ep e2} tem-se B(x;e) c A e B(x;e)cB. Logo, B(x;e) cAnB e x e int(MB). Para x e AUB tem-se que x e int(A) ou x e int(B). Se x e int (A) então existe E>O tal que B(x;e) c A c AUB. Neste caso x e int(AUB). Da mesma forma prova-se que x e int (B) implica x e int (AUB). Em quaisquer dos dois casos tem-se xe int (AUB) e portanto, AUB c int (AUB).

(c) X eU Al implica que x eA,. para algum l' ELo Como Al é aberto, \1'ÂeI, existe

leI '"

E>O tal que B(x; e) CAl' . Daí, tem-se que B(x; e) c U Al e, portanto, x e int( U AJ.

l d l d

Exemplo: Seja An =

(-1/

n,

1/

n) para cada n e ~. Obviamente, An é um conjunto aberto para todo neK Todavia, {O} = n Ali'

IIEN

6) Mostre que int

(xny)

= int(x)n

int(Y)

e

int(XUY)

~

int(X)Uint(Y)

com X e Y subconjuntos de m n. Dê um exemplo onde a inclusão acima não é uma igualdade.

Demonstração:

(~) Como int (X) c X e int (Y) c Y tem-se que int(X)nint (Y) c Xny. Da parte (b) do exercício anterior obtém-se que int (X)n int (Y) é um conjunto aberto e, portanto,

int (x)nint

(Y)

c int

(xny).

(c) Obviamente,

int(xny)eX

e

int(xny)cY.

Como

int(xny)

é aberto vale que

int(xny)

c int (X) e

int(xny)

c int (Y). Logo,

int(xny)c

int (X) nint(Y). A provar

que int(XUY)~int(X) U

int(Y).

Como

int(X)cX

e

int(Y)cY

vale que

int

(X)

U int

(Y)

c

XUY.

Da parte (b) do exercício anterior tem-se que

int(X)Uint(Y)

é um conjunto aberto. Logo,

int(X)

U

int(Y)

c

int(XUY).

Exemplo: Sejam X=(O,I] e Y=[1,2]. Tem-se que

int

(X)

= (0,1),

int(Y)

= (1,2)

e

int(XUY)

= (0,2). Obviamente, int

(XUY)

~ int

(X)U

int

(Y),

já que I eint

(XUY)

e I Eint

(X)

U

int

(Y).

7) Para cada um dos conjuntos seguintes determine sua fronteira:

X = [0,1], Y = (O, 1)U(1,2), W

=~

e

A =

{x

em!;(p,x)~

m}

Solução: fr (X) = {O, I} , fr (Y) = {0,1,2}, fr

(W)

=~

e fr (A) = {x em:;(p,x) = m}

(26)

Max Xa XI-a

I 2 S.B.

PI XI + P2 X2 ~ m

onde ae(O,1),p=(PI,P2) e 91:+ e m>O

Justifique a existência de solução ótima para o problema acima. Sob que condições não se pode garantir a existência de solução ótima.

Solução: Seja U:9t: ~9t definidaporU(xl;x2)=xt x~-a com ae(O,l), Uéumafunção

contínua. A provar que para toda seqüência

((XI.,X2

.)).ét

e 91: com

(XI.,X2J~(XI,X2)

e 91: tem-se

U(XI.,X2J~U(XI,X2).

De

t a a l-a l-a D ··dad da

XI ~ XI e x2 ~ x2 em-se que XI ~ XI e X2 ~ x2 . a contmw e

• • • •

multiplicação de números reais tem-se que x~ x~-a ~ x~ x~-a . Seja

A = {(XI,X2) e9t:;PI XI + P2 X2

~

m}. Como (PI,P2) E 91:+

tem-~ ~ue

A é um conjunto

compacto. Pelo teorema de Weierstrass, U restrito a A atinge um valor máximo e um valor mínimo. Logo, existe (XI-,x;) EA tal que U(x; ,x;) ~ U(XI ,x2), V(XI ,x2) EA.

Se (PI' P2) E 91: então A não é necessariamente um conjunto compacto e, neste caso, não se pode garantir a existência de solução ótima. De fato, se Pi = O para algum i E{1,2} então A não é um conjunto limitado e o problema do consumidor não tem solução ótima.

9) Considere o problema de maxirnização de lucros da firma dado por:

onde f: 91: ~ 91 é uma função definida por

f(XI,X2) = UI +bx2 com (a,b) E 91:' , (WpW2) E 91:+ e P E9t_. Supondo que os

lucros sejam sempre positivos em qualquer solução ótima, mostre que o problema da firma

assim proposto nio possui solução ótima. Será que o mesmo resultado vale para uma função de produção f qualquer com retornos crescentes de escala?

Seja Y={(y,-xp-x2);f(xpX2)~Y} o conjunto de possibilidades de produção da firma. Supondo que Y seja um conjunto limitado, justifique a existência de solução para o problema de maximização de lucros tanto no caso f(XI,X2) = axl + bX2 quanto no caso

f(

XI' x2 ) uma função de produção com retornos crescentes de escala e contínua. Solução:

o

problema de maxirnização de lucros da firma pode ser escrito da seguinte forma alternativa:

(27)

Max P Y - W I XI - Wl Xl

s.a.

(y, - Xp - Xl) eY

onde Y =

{(y, -

xp - X2)~ a XI +b x2 ~

y}

Suponhamos por absurdo que este problema tenha solução, i.e., existe(y',-x:,-X;)eY talque PY·-WIX;-W2X;~Py-WIXI-W2Xz 'v'(Y,-~,-Xz)eY.

Como PY·-WIX;-W2X;>O e (ny·,-nx;,-nx;)eY, 'v'ne~ tem-se que, para n e~ suficientemente grande, pny· - wlnx; - wlnx; > py. - wlx: -w2x;

(Contradição I).

No caso da firma possuir uma tecnologia com retornos crescentes de escala, prova-se por argumento semelhante o mesmo resultado. Supondo que Y seja um conjunto limitado, tem-se tanto no caso f(xp x2 ) = aXI + bX2 quanto no caso em que f(xl'xJ é uma função de produção com retornos crescentes de escala e continua que Y é um conjunto fechado e, portanto, compacto. Pelo Teorema de Weiertrass, em ambos os casos garante-se a existência de solução ótima para o probrema da firma.

(28)

Exercícios propostos: Seção 1

1) Prove que, dadosce9l,de9le ee9l,tem-se: a) IC+dlslcl+ldl

b) Icdl

=

Iclldl

c) Se d ;é O, Icl di

=

Icl Ildl

d) Ic-elslc-dl+ld-el e) -Ic-dlslcl-Idlslc-dl

Sugestões:

a) Escreva as desigualdades 1.3 para

c,

para d, e em seguida some as desigualdades membro a membro (o que é permitido). Em seguida observe que, pela proporção 1.1', escrever-se -( 1~+Id!) S

c+

ds

(lq+Ia1)

é equivalente a escrever-se

Ic+a1

S 1~+Ia1·

b) Observe que

1001

2

= (cd)2e que tanto Icdl quanto Icl.ldl são não negativos. c) Repita b.

d) Ic-el = Ic-d+d-~ e) Icl=lc-d+dl

2) Denomina-se "Princípio da Indução" uma regra de demonstração de propriedades relativas aos números naturais. Este Princípio enuncia-se da seguinte forma: "Dada uma propriedade qualquer relativa aos números naturais verifique a) se ela é válida para o número natural 1; b) se, a partir da hipótese (chamada hipótese de indução) de que ela é válida para o número natural n pode-se provar que ela também é válida para o número natural n + 1. Caso (a) e (b)

se confirmem, então esta propriedade é válida para todos os números naturais".

Demonstre, usando o princípio da indução, que dado .lí,Aí' ... 'XJJ números reais (n e ~).

a) Ix) + ~+ ... +xnl s Ix)1 + I~I + ... + I~I b) Ix) x2 ••• xnl = Ix)II~I ... I~1

3) Seja Sn a soma dos n primeiros números naturais. Demonstre por indução que

s

=

n(n+1) D ...

4) Demonstre por indução a desigualdade de Beurnoulli: Se x e9l, n e~ e x~ -1, (l

+

X)D ?! 1

+

llX

(29)

a) Ix-31 <2 b) Ix-31+lx-21 < I c) Ix-31+lx-21

=

I d) Ix-31<lx-41 e) Ix-li <3 f) IX-Illx-21>5

Ix-21

6) Verifique que a nonna euclidiana definida nesta seção satisfaz as três propriedades listadas abaixo. Utilize em sua demonstração a desigualdade de Cauchy-Schwarz provada no exercício resolvido 3.

a) Se x;t 0, então IIxll >

°

b) para qualquer a e 9t, Ilaxll

=

lal II xii

c) para qualquer vetores x e y, Ilx + yll ~ Ilxll + Ilyll

7) Define-se a distância entre dois vetores do 9tD x e y como ~x,j)

=

Ilx - yll. Calcule a distância entre os vetores:

a) (1,2,3) e (5,6,7) b) (0,0,0) e (1,2,3)

Faz sentido falar na distância entre x= (0,0,1) e y= (1,0)?

8) Diga se os seguintes conjuntos são: a) aberto: b) fechado; c) limitado; d) compacto~ e) conexo.

D

i) {(x), ... ,xn ) e9t:; Lajxj S b}, onde aj' b e9t.,i = I, ... ,n

j.) ü) 9tD \B(a,r),a e9tD ,r> O. . D ili) B(0,I)U{xe9t!...IIL~<2}. ~l

iv) {(x,j) e9t2;~ +41 S3,x+ yS l,x~O ey~O}

v) {(x,j)e9t!;xySI}

9) Mostre que toda bola

em 91-

é convexa.

10) Prove que para todo conjunto X c 9t- , int X é um conjunto aberto.

(30)

a) um conjunto A c 91D

é aberto se, e somente se .tr(A)nA

=;.

b) o fecho da união de dois conjuntos é a união dos fechos destes conjuntos. c) o equivalente do item (b) para interseção.

d) um conjunto é convexo se, e somente se seu fecho é convexo. e) a interseção de dois conjuntos conexos é conexo.

t) toda função é contínua nos pontos isolados de seu domínio.

12) Mostre que se f:X ~ 91D

é contínua e Y c X então

!Iv

é contínua.

13) Seja {C~h .. EI uma coleção de conjuntos conexos, I conjunto de índices, tal que

n

CÃ:I: O.

ÃEI

Então U C Ã é conexo.

ÃEI

14) Um conjunto X c 911: é conexo por caminhos se para todo par de pontos x e y em X

existe a: [a, b] c 91 ~ X contínuo tal que a (a) = x e a (b) = y. Mostre que se X é conexo por caminho então X é conexo. (Sugestão: use o exercício anterior).

15) Mostre que toda transformação linear T: 91D

~ 91M

é Lipschitziana. (Decorre daí que toda transformação linear é contínua).

16) Usando o exercício anterior verifique se os conjuntos do exercício 8 são conexos.

17) Mostre que todo conjunto convexo é conexo. (Este exercício mostra que 91D

, B(a,r),

B[a,r] são de fato conexos como afirmado no texto).

18) Mostre que a norma euclidiana é equivalente à norma da soma e à norma do máximo, dando uma prova direta sem utilizar a proposição do texto.

(31)

2) CONVEXIDADE, CONCAVIDADE E QUASE CONCAVIDADE Convexidade e concavidade

a)Conjuntos Convexos

Dado um conjunto D c 1RD

, diz-se que D é convexo quando, dados dois quaisquer de

seus pontos x e y, o segmento que une x a yestá todo ele contido em D. Graficamente, no 912, temos:

conTeXO nio ConTa0

(figura 2.1)

Formalmente D e 1RD

é convexo quando para 'V x,ye D, a x + (1 - a) y e D para todo a tal que O ~ a ~ 1. Definem-se também como convexos o conjunto vazio e os conjuntos com um único ponto.

b) Funções Convexas

Dada uma função f: D-+ 91, De 91- , D convexo, diz-se que [convexa quando, dado quaisquer xcyeD e O~ 8 ~ 1, tem-se [(ax+(l-a) y) ~a [(x) +(1-8) [(y).

Simetricamente, diz-se que f é côncava quando - f é convexa, ou seja, quando dados quaisquer xeye D eOs a SI, f(ax+(I-a)y) ~af(x)+(l-a)f(y).

Observe que o termo convexo aplica-se tanto a conjuntos quanto a funções, embora com sentidos diferentes. O termo conjunto côncavo não é definido para conjuntos.

No que se segue, trabalharemos predominantemente com funções côncavas. A modificação dos resultados para o caso de funções convexas é imediata, ficando a cargo do leitor.

A visualizaçio de uma função côncava f: D -+ 91, D e 91 é apresentada abaixo, onde c = aa + (l-a) b para a e[O, 1].

(32)

f(b) f (c) L (c) - oc f(a) +(1 -oc) f(b) f(';' ----1f---~x1 b a c (figura 2.2)

No gráfico 2.1, a imagem do ponto c pela função [situa-se acima (na ordenada) da combinação a f(a)+(l-a) f(b), O que caracteriza a concavidade da função.

Observe ainda que a f (a) + (1-a) f (b) representa a ordenada de c correspondente à reta que passa pelos pontos (a, f(a» e (b, f{b». De fato, esta reta tem por equação:

L(x)=f(a)+ f(b)-f(a) (x-a)

b-a

Fazendo-se x = c = a a + (1-a) b, obtém - se:

L (c) = a f(a)+(I-a) f (b)

O gráfico 2.2 mostra que dados a,b eD e O ~ a'~ 1, se definirmos c = a a+ (l-a) b e f for côncava, teremos sempre:

f (c) = f (aa+ (l-a) b) ~ L (c) = a f(a)+(l-a)f(c)

Geometricamente, isto significa que o gráfico da função ao longo de qualquer segmento no domínio situa-se acima da secante correspondente.

Teorema

2.1: Sejam

Dum

conjunto convexo não vazio do 9111

e fi e f2 funções côncavas

fi e f2 definidas em D e com valores em 9t. Sejam ainda ai e ~ números reais não negativos e

f: D ~ 91 uma função definida por f = ai fi + ~

1;.

Então f é uma função côncava.

(33)

1 2 f(aa+(l-a)b)=(~ t; +~.t;) (aa+(l-a)b) =

~ t; (aa+(1-a)b)+~.t; (aa+(l-a)b)~ 3

4

~ (~(a)+(1-a)t; (b»+~

(a.t;

(a)+(l-a).t;(b»

=

s

a(~ t; (a)+~t; (a»+(1-a)(~ t; (b)+~t;(b»=

6

a(~ t; +~t;)(a) + (1-a)(~ t; +~t;) (b)=

af(a)+(l-a)f(b)

Na demonstração acima as passagens 1 e 6 utilizam a definição de fe as passagens 2 e,

5 a definição de (~t; +~.t;) (x) como ~t; (x)+~t; (x).A desigualdade 3 decorre da concavidade de

t;

e.t; e do fato de ~ e ~ serem número reais não negativos. A passagem (4)

corresponde a um simples reordenamento dos termos .•

o

teorema acima estende-se facilmente no caso de m números reais não negativos ~ , ~, ... , BlIJ' e m funções

t;

.t;, ... , fm . Se f é definida como ~

t;

+ ~ t; + ... + allJ fm e cada

uma das funções

t;

(i = 1,2, ... ,m) é côncava, então côncava.

Quase

concavidade

Definição.{ Quase cOI1cavidade): Seja: f: D ~ 9t, sendo D um conjunto do J('. Diz-se que

guase-CÔI1cava quando dado um número real ,a qualquer, o conjunto C = {x E D; f( x) ~ a}

for um conjunto convexo.

Para exemplificar esta definição, tomemos inicialmente a função de apenas uma variável

(D c 9t) f(x) = _x2, cujo gráfico desenhamos abaixo:

c

a

(34)

Observa-se facilmente que, qualquer que seja o número real a, o conjunto dos pontos x tais que - X2 ~ a é um conjunto convexo. Na exposição gráfica acima tomamos a < O. Para

a = O o conjunto C se resumiria a um conjunto formado por um único ponto (x= O), que por definição é convexo. Da mesma forma, se tivéssemos a> O o conjunto C seria vazio e, também por definição, convexo.

T ornemos agora a função de duas variáveis definida no 91:, U (XI ' ~) = (XI ~)1\3. Neste caso não desenharemos o gráfico da função (o que exigiria um diagrama em três dimensões, duas para o domínio e uma terceira para os valores assumidos pela função), mas apenas o lugar geométrico dos pontos de seu domínio tal que o valor da função seja igual a uma certa constante (curvas de nível da função):

Conjunto de valorel dafunçio

(figura 2.4)

Neste caso, o sentido da quase concavidade é que, dado Il e 91, O conjunto Z =

{(XI'~) e 9t!; (XI ~)1\3 ~ a} hachureado na parte esquerda da representaçio acima (para a >O)

é um conjunto convexo.

Nos dois exemplos acima apresentados as funções, além de quase côncavas, sIo também côncavas. Isto não precisa necessariamente ocorrer. Por exemplo, a função f: 91 -+ 91

definida por f (x) = x3 é quase côncava mas não é côncava. Observa-se facilmente pelo gráfico desta função que, dado o número real na ordenada, o conjunto {x; X3 ~ a} = [a 113, +00) (hachureado na figura abaixo) é um conjunto convexo.

Referências

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