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ESTILOS DE VIDA DOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE DA UNIDADE LOCAL DE SAÚDE DO NORDESTE

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ESTILOS DE VIDA DOS PROFISSIONAIS DE

SAÚDE DA UNIDADE LOCAL DE SAÚDE DO

NORDESTE

Carlos Manuel Gonçalves Martiniano

Relatório de Estágio apresentado ao Instituto Politécnico de Bragança,

Escola Superior de Saúde, para obtenção do grau de Mestre em

Enfermagem Comunitária

Orientadores

:

Professora Doutora Adília Maria Pires da Silva Fernandes

Professor Doutor Manuel Alberto Morais Brás

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ESTILOS DE VIDA DOS PROFISSIONAIS DE

SAÚDE DA UNIDADE LOCAL DE SAÚDE DO

NORDESTE

Carlos Manuel Gonçalves Martiniano

Relatório de Estágio apresentado ao Instituto Politécnico de Bragança,

Escola Superior de Saúde, para obtenção do grau de Mestre em

Enfermagem Comunitária

Orientadores

:

Professora Doutora Adília Maria Pires da Silva Fernandes

Professor Doutor Manuel Alberto Morais Brás

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Resumo

Os estilos de vida associados à saúde refletem os comportamentos que são empreendidos por indivíduos, grupos e comunidades. O presente trabalho tem como principal objetivo identificar os estilos de vida dos profissionais de saúde da ULSNE, tratando-se de um estudo de abordagem quantitativa, descritiva e analítica, de corte transversal. Participaram no presente estudo 305 profissionais de saúde de ambos os sexos, com idades compreendidas entre os 20 e os 65 anos, exercendo várias profissões ao nível da saúde. Preencheram um questionário constituído por questões sociodemográficas e o Questionário de Estilos de Vida Fantástico. Os principais resultados mostraram que, globalmente, os profissionais de saúde foram classificados

como detentores de um estilo de vida “Muito bom”, que se reflete positivamente nos

seus comportamentos. Não obstante, os resultados descritivos permitiram a identificação de um conjunto de comportamentos de risco associados à falta de exercício físico, alimentação pouco saudável, consumo de tabaco, álcool e outras drogas e fraca qualidade do sono. Os principais resultados inferenciais mostraram que os estilos de vida destes profissionais estão associados ao sexo, estado civil, escolaridade, profissão, anos de serviço e doenças crónicas. Investigações futuras devem ser conduzidas para se aprofundar quais os estilos de vida que caraterizam a realidade dos profissionais de saúde da ULSNE em específico e do país, em geral.

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Abstract

Lifestyles reflect the health-related behaviours that are carried out by individuals, groups and communities. The present work has as main objective to identify the prevalent lifestyles in health-care professionals of the ULSNE, through a quantitative, descriptive and analytical approach, with cross-cutting. Participated in this study, 305 health professionals of both sexes, aged between 20 and 65 years old in various health professions. Participants filled out a survey consisting of socio-demographic issues and the Fantastic Lifestyles Survey. The main results showed that, overall, health professionals have been classified as a "Very good" Lifestyle, which is reflected positively in their behaviours. However, the descriptive results allowed the identification of a set of risk behaviours associated with lack of exercise, unhealthy nutrition, tobacco and alcohol use, other drugs and poor sleep quality. The main results of the inferential statistics showed that lifestyles of these professionals are associated with sex, marital status, education, profession, years of service and chronic diseases. Future research should be conducted to deepen the knowledge about the lifestyles which characterizes the reality of the ULSNE health professionals in particular and the country in general.

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Lista de Abreviaturas, Acrónimos e Siglas

α Alfa de Cronbach % Frequências relativas

CDC Centers for Disease Control and Prevention cf. Confere

cit. por Citado por CS Centro de Saúde

DGS Direção Geral de Saúde Dp Desvio Padrão

EEEC Enfermeiro Especialista em Enfermagem Comunitária

e.g. Por exemplo et al. E colaboradores

EVF Estilo de Vida Fantástico F Anova One-Way

i.e. Isto é

KS Teste de Kolmogorov-Smirnov LSD Least Significant Difference

M Média

N, n Frequências absolutas p Nível de significância

p., pp Página, páginas

QdV Qualidade de Vida

r Coeficiente de Correlação de Pearson

SICAD Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências

SPSS Statistical Package for the Social Sciences t Teste de Student

TDT Técnicos de Diagnóstico e Terapêutica THC Tetraidrocanabinol

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Os homens perdem a saúde para juntar dinheiro e

depois perdem o dinheiro para recuperar a saúde.

Por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem

o presente, de tal forma que acabam por nem

viver no presente nem no futuro. Vivem como se

nunca fossem morrer e morrem como se nunca

tivessem vivido.

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Agradecimentos

Na elaboração deste trabalho, várias pessoas contribuíram para o seu desenvolvimento, sem as quais a sua concretização não teria sido possível. A todos queria expressar o meu grato reconhecimento.

À Professora Doutora Adília Fernandes e ao Professor Doutor Manuel Brás, pela orientação, disponibilidade e dedicação durante a concretização do estudo e pelo encorajamento persistente.

Aos Profissionais de Saúde da Unidade Local de Saúde do Nordeste, pela colaboração no preenchimento dos questionários.

A todas os colegas do Mestrado pela sua paciência e pelos momentos e experiências partilhadas.

À minha esposa e filha, aos meus pais, cunhada e cunhado e também à sobrinha Maria João pela força e compreensão durante este percurso de estudos, bem como pela compreensão das minhas ausências.

Aos meus amigos pelos momentos de ausência.

E a todos os que se preocuparam, colaboraram e contribuíram para a concretização do meu curso.

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Índice

Introdução ... 1

PARTE I - ENQUADRAMENTO TEÓRICO ... 4

Capítulo I - Estilos de Vida ... 5

1.1. Breve Enquadramento Histórico do Conceito ... 5

1.2. Definição e Conceptualização ... 7

1.3. Estilos de Vida e Saúde... 8

1.4. Determinantes da Saúde e dos Estilos de Vida ... 11

1.4.1. Família e Amigos... 15

1.4.2. Atividade Física e Associativismo ... 16

1.4.3. Nutrição ... 17

1.4.4. Tabaco ... 19

1.4.5. Álcool e Drogas ... 20

1.4.6. Sono e Stress ... 22

1.4.7. Trabalho e Tipo de Personalidade ... 26

1.4.8. Introspeção ... 27

1.4.9. Comportamento Sexual ... 27

1.4.10. Outros Comportamentos (Segurança e Proteção Rodoviária) ... 28

Capítulo II - Estilos de Vida dos Profissionais de Saúde ... 30

2.1. Profissionais de Saúde ... 30

2.2. Profissionais de Saúde: Resultados das Investigações ... 32

PARTE II - ESTUDO EMPÍRICO ... 40

Capítulo III - Metodologia ... 41

3.1. Tipo de Estudo ... 41

3.2. Questões de Investigação ... 41

3.3. Objetivos ... 42

3.4. Variáveis e Hipóteses ... 42

3.5. População/Amostra ... 43

3.6. Instrumentos de Recolha de Dados ... 45

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3.8. Análise e Tratamento dos Dados ... 47

Capítulo IV - Apresentação e Discussão dos Resultados ... 52

4.1. Estudo da Sensibilidade do Questionário Estilos de Vida Fantástico ... 52

4.2. Estudo da Fiabilidade do Questionário Estilos de Vida Fantástico ... 53

4.3. Apresentação dos Resultados Descritivos ... 53

4.4. Apresentação dos Resultados Inferenciais ... 61

4.5. Discussão dos Resultados ... 70

Conclusões/Sugestões ... 80

Referências Bibliográficas ... 84

Anexos ... 99

Anexo I - Instrumento de Recolha de Dados ... 100

Anexo II - Pedidos de Autorização ... 104

Anexo III - Autorizações Concedidas ... 108

Anexo IV - Projeto de Intervenção ... 112

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Índice de Tabelas

Tabela 1. Caraterização da amostra ... Erro! Marcador não definido.

Tabela 2. Sensibilidade do Questionário de Estilos de Vida Fantástico . Erro! Marcador não definido.

Tabela 3. Fiabilidade do Questionário de Estilos de Vida Fantástico ... Erro! Marcador não definido.

Tabela 4. Respostas aos itens da dimensão Atividade Física/Associativismo ... Erro! Marcador não definido.

Tabela 5. Respostas aos itens da dimensão Nutrição ... Erro! Marcador não definido.

Tabela 6. Respostas aos itens da dimensão Tabaco... Erro! Marcador não definido.

Tabela 7. Respostas aos itens da dimensão Álcool e outras drogas Erro! Marcador não

definido.

Tabela 8. Respostas aos itens da dimensão Sono/Stress . Erro! Marcador não definido.

Tabela 9. Respostas aos itens da dimensão Trabalho/Tipo de Personalidade ... 59

Tabela 10. Respostas aos itens da dimensão Introspeção Erro! Marcador não definido.

Tabela 11. Respostas aos itens da dimensão Comportamento de Saúde e Sexual .... Erro! Marcador não definido.

Tabela 12. Respostas aos itens da dimensão Outros Comportamentos ... Erro! Marcador

não definido.

Tabela 13. Estilos de vida dos profissionais de saúde e sexo ... Erro! Marcador não definido.

Tabela 14. Estilos de vida dos profissionais de saúde e idade ... Erro! Marcador não definido.

Tabela 15. Estilos de vida dos profissionais de saúde e estado civil Erro! Marcador não definido.

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Tabela 17. Estilos de vida dos profissionais de saúde e escolaridade ... Erro! Marcador não definido.

Tabela 18. Post Hoc LSD para a escolaridade ... Erro! Marcador não definido.

Tabela 19. Estilos de vida dos profissionais de saúde e profissão .. Erro! Marcador não definido.

Tabela 20. Post Hoc LSD para a profissão ... Erro! Marcador não definido.

Tabela 21. Estilos de vida dos profissionais de saúde e anos de serviço Erro! Marcador não definido.

Tabela 22. Estilos de vida dos profissionais de saúde e doença crónica . Erro! Marcador não definido.

Índice de Figuras

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Índice de Gráficos

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Introdução

Ao longo dos tempos tem-se verificado uma crescente preocupação com os estilos de vida dos indivíduos e das comunidades, enquanto indicador da saúde (Noar, Chabot, & Zimmerman, 2008). Essa preocupação é global, não radicando somente no âmbito da saúde, uma vez que diversas áreas transversais como a sociologia e a antropologia, se têm vindo a debruçar sobre este constructo (Álvarez, 2012).

Nessa sequência de interesse transversal é possível identificarem-se diversas definições dos estilos de vida, sucintamente se pode afirmar que eles dizem respeito a um padrão de comportamentos, hábitos, atitudes e valores relativamente estáveis, associados a determinados indivíduos e grupos de indivíduos (Matos, Simões, Canha, & Fonseca, 2000).

No âmbito específico da saúde, os estilos de vida refletem tomadas de decisão individuais, embora influenciadas por variáveis contextuais e extrínsecas ao indivíduo. No entanto, todas as decisões, refletem uma maior ou menor importância concedida à prevenção das doenças e uma maior promoção da saúde (Pais & Cabral, 2003). É igualmente reconhecido por parte das diversas investigações consultadas sobre a temática, que os comportamentos saudáveis se associam a determinadas caraterísticas sociodemográficas, normas sociais e culturais, bem como a aspetos da personalidade (Brannon & Fesist, 2001).

Existem, portanto, diversos determinantes associados aos estilos de vida, nomeadamente a rede social de suporte percecionada (família e amigos); a prática de exercício físico, a alimentação, o consumo de tabaco, álcool e outras drogas; a qualidade do sono, o stress e as estratégias de coping utilizadas; o tipo de personalidade; os comportamentos de saúde e sexuais, bem como outros comportamentos de segurança dos indivíduos, entre outros.

Neste contexto, os profissionais de saúde, pela natureza do trabalho que realizam, caraterizado por um conjunto de exigências, tensões e fontes múltiplas de stress, são

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Assim e apesar disso, um corpo crescente de investigações tem sublinhado que há uma deterioração dos comportamentos e da saúde destes profissionais, pelo facto de estes estarem expostos continuamente a fontes de stress, acarretando prejuízos para a sua saúde (e.g., Frank, 2004; Marcitelli, 2011). Por outro lado, estes profissionais realizam ações de prevenção na sua prática diária e recomendam, sistematicamente, um conjunto de comportamentos que visam a saúde dos seus doentes, esperando-se que haja uma congruência entre aquilo que eles recomendam e aquilo que eles próprios concretizam nas suas vidas (Sanabria-Ferrand, González, & Urrego 2007; Pasquier, 2015).

E é neste contexto que surge o presente trabalho, que se encontra inserido no âmbito da Unidade Curricular Estágio II e se inicia com a colocação de duas questões de investigação: “Os profissionais de saúde da ULSNE possuem estilos de vida saudáveis?” e “Quais as variáveis associadas aos estilos de vida destes profissionais?”. Assim, o presente estudo tem como principal objetivo identificar os estilos de vida dos profissionais de saúde que trabalham na Unidade Local de Saúde do Nordeste (ULSNE).

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e na consecução dos objetivos do Plano Nacional de Saúde e d) Realiza e coopera na vigilância epidemiológica de âmbito geodemográfico".

O presente estudo encontra-se estruturado em duas partes. A primeira integra o enquadramento teórico ao tema, nomeadamente os estilos de vida numa aceção mais global, histórica e associada à saúde e são referenciados os determinantes globais que são tidos em consideração na análise dos estilos de vida associados à saúde. Em seguida, particulariza-se a análise do conceito para os profissionais de saúde, fazendo-se um breve enquadramento da natureza do trabalho destes profissionais e apresentando-se estudos e investigações que espelham os comportamentos, as atitudes e os estilos de vida que são caraterizadores destes profissionais.

A segunda parte, apresenta o estudo empírico, descrevendo-se a metodologia, as questões de investigação, caraterizando-se o tipo de estudo, os principais objetivos e variáveis, a população e amostra, bem como o instrumento de recolha dos dados. São igualmente apresentados os procedimentos realizados, as considerações éticas subjacentes ao processo investigativo, a análise e o tratamento dos dados. Em seguida apresentam-se os principais resultados e a sua discussão ancorada na revisão teórica realizada.

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Capítulo I - Estilos de Vida

Estamos perante a globalização de um estilo de vida não saudável. As ações e a inércia devem ser substituídas por ações concretas.

Margaret Chan

1.1. Breve Enquadramento Histórico do Conceito

A importância dos estilos de vida e o seu impacto na saúde assume particular relevância quando se começa a assumir que as principais causas de morte ocorrem não só, devido aos processos infeciosos, mas também a fatores ambientais, que se influenciam reciprocamente (Sorenson & 0Steckler, 2002).

Com o despertar do interesse social sobre a temática dos estilos de vida, diversos estudos, investigações e publicações proliferaram, procurando enfatizar a importância dos estilos de vida enquanto indicador de saúde (Ory, Jordan, & Bazzarre, 2002; Coups, Gaba, & Orleans, 2004; Noar et al., 2008).

Muito embora o interesse sobre os estilos de vida seja crescente, este conceito não se constitui numa temática nova, pois as revisões históricas realizadas reconhecem que as suas origens remontam aos filósofos Karl Marx e Max Weber, que ofereceram uma visão sociológica do estilo de vida, enfatizando os determinantes socioeconómicos na sua adoção e manutenção (Atkins & Clancy, 2004; Goldstein, Whitlock, & DePue, 2004; Orleans, 2004).

No princípio do século XX aparece uma orientação personalista dos estilos de vida, proposta por Alfred Adler na sua Psicologia Individual, produzindo-se um alargamento do conceito para os fatores individuais (Kremers, de Bruijnm, Schaalma, & Brug, 2004). Assim, as investigações realizadas sob a égide da Psicologia Individual aportaram uma grande importância no refinamento e conceptualização do conceito de estilo de vida, bem como proporcionaram a adoção de técnicas terapêuticas para a sua modificação (Kremers et al., 2004).

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(e.g., Chrisman Freidson, & Suchman) introduziram-no nos seus trabalhos para designar o conjunto de atividades que podem ser desenvolvidas em grupo (Ory et al., 2002; Sorenson & Steckler, 2002; Coups et al., 2004; Noar et al., 2008). Todavia e contrariamente à definição proposta pelos sociólogos que enfatizam os determinantes socioeconómicos, os antropólogos colocam a tónica na própria cultura (Atkins & Clancy, 2004).

É precisamente na segunda metade do século XX que se começou a aplicar o conceito de estilo de vida na área da saúde. Nos anos 50 começaram as investigações sobre a saúde pública, com o intuito de encontrar uma explicação para os problemas de saúde emergentes das sociedades industrializadas (Solomon & Kington, 2002; Goldstein et al., 2004).

As primeiras investigações realizadas no campo da saúde adotaram uma perspetiva médico-epidemiológica, assente num paradigma biomédico que defendia que as pessoas recorriam a estilos de vida pouco salutares por vontade própria, ou seja, este modelo reconhecia a importância do contexto social e dos fatores psicológicos como condicionantes da aquisição dos estilos de vida e radicava a adoção a estilos de vida pouco salutares à responsabilidade dos próprios indivíduos, tendo por isso recebido inúmeras críticas (Pronk, Peek, & Goldstein, 2004; Prochaska, 2008).

Uma dessas críticas classifica o modelo como reducionista, todavia foi este modelo que contribuiu para que o estilo de vida se tornasse num tema de estudo e de investigação nas ciências da saúde, potenciando uma maior consciencialização das populações para as condutas de risco associadas à saúde (Whitlock, Orleans, Pender, & Allan, 2002; Pronk et al., 2004).

É nessa perspetiva que o modelo biomédico introduziu o conceito de estilo de vida saudável e conseguiu, de certa forma, que este se estendesse à linguagem do quotidiano e à literatura sobre a saúde no seu sentido mais positivista (Spring et al., 2004; Álvarez, 2012). Apesar disso assiste-se, amiudamente, ao uso dos conceitos de estilo de vida e de estilo de vida saudável como sinónimos, apesar dos esforços da World Health Organization (WHO, 2009) durante a década de 80, em diferenciá-los.

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emergir inúmeras investigações que procuram a sua conceptualização, apesar de não se encontrar ainda uma definição que seja consensual (Prochaska, 2008; Álvarez, 2012).

1.2. Definição e Conceptualização

Devido ao facto de o conceito de estilo de vida ser abordado em diferentes áreas do conhecimento, existem inúmeras definições e aplicações deste conceito. Segundo Matos et al. (2000), os estilos de vida referem-se a um padrão de comportamentos, hábitos, atitudes e valores que se apresentam como relativamente estáveis e se encontram associados a determinados grupos de indivíduos.

Pelo facto de não existir apenas um único estilo de vida, mas vários tipos que surgem em função do grupo no qual o indivíduo se insere e das suas próprias caraterísticas individuais (Matos, 2005). Milkkonen e Raphael (2010) sublinham que os estilos de vida se encontram associados a valores, motivações, oportunidades e questões específicas de natureza cultural, social e económica.

Neste contexto, os estilos de vida envolvem um conjunto de ações e pensamentos (e.g., relativos à educação, recreio/lazer, nutrição, família, higiene, segurança, hábitos, comportamentos de risco), que caraterizam cada indivíduo ou grupo de indivíduos e são tidos como elementos estruturadores e requisitos fundamentais para a obtenção do bem-estar físico, psicológico, mental e social (Gonçalves & Carvalho, 2007).

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Assim, por exemplo, no estudo realizado por Li, Ford, Mokdad, Jiles e Giles (2007) com 16 428 indivíduos com mais de 18 anos de idade e com diabetes mellitus, foi avaliada a QdV associada à saúde e a estilos de vida saudáveis (nomeadamente, consumo de tabaco, prática de atividade física e consumo diário de frutas e vegetais). Os autores concluíram que a presença de dois ou mais estilos de vida saudáveis se encontrava fortemente associada a uma melhor QdV nos pacientes com diabetes. A experiência dos indivíduos e os fatores associados ao envolvimento físico e social favorecem o desenvolvimento de comportamentos de risco ou atuam como fatores de proteção, pelo que o reforço de escolhas de vida saudáveis passa pela reorganização do ambiente físico, social, cultural e económico (Elias, 2006). Mas, nem sempre isso é possível, pois tal como Elias (2006) sugere, os indivíduos que se encontram em países social e economicamente mais privilegiados possuem uma maior escolha na procura de estilos de vida saudáveis, enquanto os outros têm que se debater com questões fundamentais de sobrevivência, de existência e de direitos humanos.

Apesar de habitualmente se utilizar o conceito de estilo de vida saudável, considera-se apropriado o uso do conceito estilo de vida relacionado com a saúde, uma vez que reúne melhor tanto os comportamentos associados à saúde, como também os comportamentos de risco (Whitlock et al., 2002; Pronk et al., 2004).

É neste sentido que o conceito de estilo de vida saudável tem em linha de conta os comportamentos de risco para a saúde, como também aqueles que a protegem, como é defendido por Elliot (1993, cit. por Solomon & Kington, 2002), que o entende com um padrão de comportamentos relacionados com a saúde e que são realizados de modo relativamente estável e duradouro.

1.3. Estilos de Vida e Saúde

Os estilos de vida encontram-se intimamente associados às questões de saúde, sendo importante fomentar padrões de comportamento individuais mais favoráveis, no sentido de prevenir doenças e promover a saúde (Pais & Cabral, 2003).

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um estado de bem-estar físico, mental e social e não apenas decorrente da ausência de doença ou incapacidade. Nesta definição, é ainda afirmado que estes são os aspetos considerados básicos para a felicidade, relações harmoniosas e seguras entre todas as pessoas e que a saúde de todos os povos é fundamental para se alcançar a paz e segurança (Pais-Ribeiro, 2005).

Todavia, na linha de pensamento de Chatterji, Ustun, Sadana, Mathers e Murria (2002, p. 2), esta definição coloca a ênfase nos estados de saúde ao invés das categorias de doença ou mortalidade, que ocupam um lugar importante nas estatísticas de saúde. Assim, os autores consideram que, sob o ponto de vista prático, esta definição é estéril e inócua, sem grandes efeitos práticos para a maioria dos profissionais de saúde, já que: (a) equipara a saúde a três domínios do bem-estar; (b) é o requisito para um bem-estar completo e assim, um ideal a que se deve aspirar e (c) não se apresenta suficiente para desenvolver indicadores operacionais de saúde.

Na verdade, tal como assinala Pais-Ribeiro (2005), esta definição de saúde afirma a presença de determinadas caraterísticas ao invés da ausência de outras, pelo que bastaria que uma pessoa fosse saudável se os resultados dos exames médicos fossem negativos, centrando-se no indivíduo de forma isolada e separada de outros indivíduos e do meio onde se insere. Esta aceção é igualmente contrária à própria ação do EEEC, que se orienta particularmente para o indivíduo, famílias e grupos, centrando a sua atenção não na doença, mas antes na promoção, manutenção e recuperação da saúde do ser humano, na perspetiva da sua família e comunidade, através da implementação de programas promotores de saúde, com vista à capacitação e empoderamento das comunidades. Assim sendo, o modelo biomédico deixa de fazer sentido e cede lugar ao modelo salutogénico de base social, cujo principal objetivo radica no bem-estar e na QdV do indivíduo, famílias, grupos e comunidade.

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É neste sentido que o estilo de vida se encontra associado à saúde, devendo ser compreendido como uma dimensão mais abrangente que engloba os diversos padrões de vida dos cidadãos e o contexto cultural onde as dinâmicas sociais, psicológicas e antropológicas ocorrem (Matos et al., 2000).

No âmbito da sociologia médica, Cockerham (2005) propôs o conceito de estilos de vida em saúde como um conjunto de padrões de comportamentos coletivos que se configuram a partir de diferentes eleições que os indivíduos fazem, condicionados pelas oportunidades de vida a partir do contexto onde se inserem. Assim, há uma relação dialética entre as opções de vida (life choices) e as oportunidades de vida (life chances). As oportunidades de vida associam-se a fatores como o sexo, a idade, a etnia, as circunstâncias de classe, as coletividades e as condições de vida, enquanto as opções de vida se associam à socialização e à experiência dos indivíduos.

As investigações sobre os estilos de vida circunscrevem-se, principalmente, em torno das doenças crónicas não transmissíveis e, particularmente nas patologias como obesidade, diabetes mellitus tipo 2, hipertensão arterial, síndrome metabólico e doença cardiovascular e, em menor número, investigações que relacionam os hábitos de sono, o consumo de álcool e tabaco e os hábitos alimentares com doença mental, depressão e suicídio (Álvarez, 2005).

Segundo o modelo de Crenças de Saúde, proposto por Hochbaum, Rosenstock e Kegels, na década de 50 do Século XX (Sanabria-Ferrand et al., 2007, p. 215), existem fatores básicos que reforçam que um indivíduo adote um comportamento saudável: (a) a perceção de ameaça de uma doença e (b) a perceção da eficácia do seu comportamento para combater a dita ameaça. A perceção de uma ameaça depende de outros fatores como a perceção de suscetibilidade perante a doença e a perceção da severidade das consequências da mesma. São estas variáveis, segundo este modelo, que determinam a probabilidade de seguir ou não ações associadas com a saúde.

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particular pesam mais do que os custos de não a colocar em prática (Brannon & Fesist, 2001).

Assim, a literatura divulga um conjunto de fatores ou determinantes que se encontram intimamente associados à saúde e aos estilos de vida, como a seguir são abordados.

1.4. Determinantes da Saúde e dos Estilos de Vida

Diversos são os fatores que se encontram associados aos estilos de vida (e.g., dieta alimentar, exercício físico, hábitos de consumo tabágico, de álcool e drogas, acidentes, comportamento sexual, entre outros), assumindo-se como integrados e afetando a probabilidade de uma pessoa sofrer uma doença e de sobreviver, caso se encontre doente (Matos, 2005).

Neste sentido é, cada vez mais necessário, o empoderamento (empowerment) dos indivíduos e das comunidades no controlo dos determinantes da saúde em prol de uma saúde melhor. O empoderamento tem como objetivo principal capacitar os indivíduos para que consigam, de forma autónoma, tomar decisões importantes ao nível da sua saúde. Esta capacitação pode ser realizada no indivíduo isoladamente, na organização e na própria comunidade, promovendo a sua saúde e concomitantemente a dos demais (Correia, Dias, Coelho, Page, & Vitorino, 2001). Por conseguinte, esta capacitação de indivíduos, grupos e comunidade encontra-se configurada nas competências específicas do EEEC, objetivada na consecução de projetos de saúde e no exercício da cidadania;

nos processos de mobilização e de participação comunitária e na gestão da informação em saúde aos grupos e comunidades.

O Programa Nacional de Intervenção Integrada sobre os Determinantes de Saúde relacionados com os estilos de vida refere que as doenças crónicas se associam a estilos de vida individuais, com especial enfoque para o consumo de tabaco, obesidade, erros alimentares, consumo excessivo de álcool, inatividade física e gestão não adequada do stress (DGS, 2003).

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tabaco, álcool, pressão arterial elevada, colesterol elevado, sobrepeso, reduzida ingestão de fruta e vegetais e inatividade física.

Posteriormente, o Relatório Europeu de Saúde (WHO, 2009) veio reforçar que os comportamentos e estilos de vida modernos continuam a ser responsáveis pelo crescimento de doenças crónicas como a obesidade, a hipertensão e a diabetes, acrescentando que, só na Europa de 2005, 60% das doenças se deveu a estilos de vida e fatores de risco.

Existem variáveis individuais que influenciam a adoção dos comportamentos salutares em matéria da saúde. Assim, de acordo com Pinn (2003), os comportamentos saudáveis variam de acordo com o sexo dos indivíduos. As mulheres padecem de consequências mais graves pelo menor consumo de álcool; possuem uma incidência de duas a três vezes mais da síndrome de cólon irritável e de doenças intestinais funcionais e possuem nove vezes mais probabilidade de contrair certas doenças hepáticas. Com o avançar da idade, tendem a apresentar mais reações adversas aos medicamentos do que os homens com a mesma idade e uma maior prevalência de incontinência urinária.

Lemus (2000) refere que 52% de todas as mortes por doença cardíaca e 61% de todas as mortes por acidentes cerebrovasculares ocorrem em mulheres. No entanto, são as mulheres que mais deixam de fumar, de consumir álcool, que começam a fazer algum exercício físico e a preocuparem-se mais com a sua alimentação, a tomar complexos vitamínicos e a melhorar a sua higiene dental, por comparação aos homens.

Todavia, o sexo não é apenas um fator determinante e distinto nos comportamentos de saúde. Também a idade, as experiências passadas do próprio ou do outro, a suscetibilidade e a severidade/benefícios percebidos por cada indivíduo, se assumem como determinantes da saúde. Outros fatores determinantes dos comportamentos saudáveis associam-se aos estados emocionais, à autoestima, ao acesso aos serviços médicos, aos fatores de personalidade e cognitivos (Lemus, 2000).

(25)

Na verdade, há um consenso entre os investigadores que aponta para o facto de as circunstâncias afetaram os hábitos e os conhecimentos em saúde, condicionando a probabilidade de transformar o conhecimento em ações concretas (Sanabria-Ferrand et al., 2007). Este passo, que marca a mudança de uma perspetiva individual para uma perspetiva mais social, constitui um avanço significativo na aceção dos estilos de vida associados à saúde, uma vez que não radica a responsabilidade apenas nas escolhas individuais, mas também no impacto das desigualdades sociais que afetam, globalmente, as populações mais desfavorecidas ou que carecem de poder económico e político (Álvarez, 2005).

Apesar das desigualdades sociais em matéria da saúde, diversos estudos têm sublinhado uma maior esperança de vida nas populações, uma perceção subjetiva do estado de saúde mais positiva, bem como um maior acesso aos serviços sanitários (Murphy, Bobak, Nicholson, Rose, & Marmot, 2006).

Por conseguinte, os múltiplos determinantes da saúde podem ser agrupados em cinco categorias, nas quais se encontram os elementos que fazem os indivíduos se manterem saudáveis (Añez, Reis, & Petroski, 2008, p. 103):

 Ambiente social e económico: salário, emprego, estatuto social, educação e fatores sociais no local de trabalho;

 Ambiente físico e natural ou construído pelo homem: como o clima e a sua casa (moradia);

 Atitudes pessoais: ou seja, comportamentos individuais que podem criar riscos ou benefícios para a saúde;

 Capacidades individuais: como a genética, a fisiologia, a competência pessoal, o sentido de controlo e as próprias habilidades individuais;

 Serviços de promoção, manutenção e restauração da saúde.

George (2014, p. 1) assinala que os determinantes da saúde dizem respeito a um conjunto de fatores que influenciam, afetam ou determinam a saúde dos indivíduos e das comunidades, agrupando-os nas seguintes categorias:

 Fixos ou biológicos (e.g., idade, sexo, fatores genéticos);

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 Ambientais (e.g., habitat, qualidade do ar, qualidade da água, ambiente social);

 Estilos de vida (e.g., alimentação, atividade física, tabagismo, álcool, comportamento sexual);

 Acesso aos serviços (e.g., educação, saúde, serviços sociais, transportes, lazer). Ainda segundo a visão do mesmo autor, estes determinantes influenciam-se e influenciam a saúde individual, familiar e comunitária, colocando os estilos de vida saudáveis num lugar de relevo, uma vez que apresentam uma aparente facilidade na obtenção de mais ganhos em saúde (George, 2014).

Como já anteriormente referido, dentro dos estilos de vida existem fatores de risco e fatores protetores da saúde, sendo este um processo dinâmico que não apenas se constitui em ações ou comportamentos individuais, mas também em ações de natureza social (Benavides et al., 2011). Neste sentido, os fatores protetores, ao serem assumidos de forma responsável, ajudam a prevenir os desajustes biológicos, psicossociais e espirituais e manter estilos de vida saudáveis para a satisfação das necessidades de desenvolvimento humano.

De entre os fatores protetores destaca-se: ter um sentido de vida, objetivos e planos de ação (projetos de vida); manter a autoestima, o sentido de pertença e de identidade; manter a autodecisão, a autogestão e o desejo de aprender; necessidade de afeto e manutenção da integração social e familiar; ter satisfação com a vida, com a convivência, solidariedade, tolerância e negociação; capacidade de autocuidado, segurança social na saúde e o controlo dos fatores de risco, como: a obesidade; sedentarismo; consumo de tabaco, álcool e outras drogas; gestão de stress e prevenção de algumas patologias como a hipertensão e diabetes; comportamentos sexuais pouco seguros; alimentação inadequada e pouco saudável, entre outros (Potter & Griffin, 2001, pp. 675-673).

A estratégia para desenvolver estilos de vida salutares passa pelo compromisso individual e social, sendo que só assim é possível satisfazerem-se as necessidades essenciais, para uma melhoria da QdV e alcance do desenvolvimento humano em termos de dignidade da pessoa (Monés, 2004).

(27)

prevenção de doenças (Matos et al., 2000; DGS, 2003; Matos, 2005), todavia, outros elementos devem ser tidos em consideração ao nível da saúde e do bem-estar, nomeadamente: consumo de tabaco, consumo de álcool e drogas, prática de sexo seguro, controlo do stress, bom relacionamento com família e amigos e visão otimista e positiva da vida (Añez et al., 2008), configurando a visão alargada das competências do EEEC nos seus diversos níveis de intervenção.

Tendo em linha de conta o instrumento que irá ser utilizado na parte empírica, para a recolha dos dados (FANTÁSTICO), em seguida apresentamos os determinantes que fazem parte dos estilos de vida aferidos através do mesmo.

1.4.1. Família e Amigos

A família e os amigos fazem parte do suporte social informal do indivíduo. O apoio social tem sido visto como fundamental no processo de controlo de doenças, existindo dois tipos ou fontes: a informal e a formal. A informal inclui familiares, amigos, vizinhos, grupos sociais (e.g., clubes, igreja), entre outros, que são passíveis de fornecer apoio nas atividades diárias em resposta a determinados acontecimentos. As redes de suporte social formais dizem respeito a hospitais, serviços de saúde, profissionais de saúde, entre outros que se encontram organizadas para conceder uma assistência ou ajuda aos indivíduos que delas necessitam (Pais-Ribeiro, 2011).

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A crença de que o suporte social possui efeitos mediadores na proteção da saúde encontra-se bem documentada na literatura. Diversos estudos têm sugerido que há uma relação entre o suporte social e a saúde nomeadamente: (a) o facto de o suporte social proteger contra as perturbações induzidas pelo stress, ou seja, impedindo que o stress afete negativamente o indivíduo ou a minimização das consequências do stress quando na presença de um rede de suporte social consistente; (b) a não existência de um suporte social é uma fonte de stress para o indivíduo; (c) a perda de suporte social é assumida como um stressor e (d) o suporte social é benéfico pois torna os indivíduos mais fortes e em melhor condição para enfrentar as vicissitudes da vida (Bolger & Amarel, 2007; Cacioppo, Hawkley, & Thisted, 2010; Shiovitz-Ezra & Ayalon, 2010).

1.4.2. Atividade Física e Associativismo

É cada vez mais aceite que a atividade física e a saúde se encontram interligadas. Segundo dados mundiais da WHO (2010), cerca de 2 milhões de mortes ocorrem associadas à inatividade física. Entre 10 a 16% das mortes relacionadas com casos de cancro de mama, cancro de cólon e diabetes, bem como aproximadamente 22% da doença isquémica cardíaca têm como principal causa a falta de atividade física.

Um estilo de vida sedentário tem vindo a enraizar-se nas sociedades desenvolvidas, com efeito negativo ao nível da saúde, refletindo-se na taxa de mortalidade e de morbilidade cardiovascular, bem como no risco acrescido de obesidade (DGS, 2012).

São diversos os autores que sublinham que a prática regular de atividade física é vital para a saúde dos adultos (Samulski & Noce, 2000; Li et al., 2007; WHO, 2010; Centers for Disease Control and Prevention, CDC, 2011; DGS, 2012), recomendando a DGS uma caminhada de cerca de 30 minutos diária (George, 2014).

A atividade física previne variadas doenças, nomeadamente cardiovasculares, metabólicas e músculo-esqueléticas, tendo um papel crucial na prevenção da osteoporose, obesidade, alguns tipos de cancro e depressão (WHO, 2010).

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enquanto fator que promove maior interação, envolvimento e participação. O CDC (2011) sugere que o exercício físico associado a uma alimentação saudável potencia a esperança de vida, a QdV e reduz o risco de variadas doenças crónicas, com especial impacto ao nível económico, na medida em que reduz os custos para a saúde.

1.4.3. Nutrição

Um outro aspeto que se associa à saúde e aos estilos de vida prende-se com a alimentação (nutrição). A alimentação baseada em comidas rápidas, ricas em gordura, açúcar com alta densidade energética, escassez de nutrientes e fibras levou a um aumento significativo de casos de obesidade e dislipidémias (designa todas as anomalias quantitativas ou qualitativas dos lípidos no sangue), bem como de diabetes tipo 2 e hipertensão (Samulski & Noce, 2000).

A Direção Geral de Saúde (DGS, 2012) refere que mais de 50% da população mundial será obesa em 2025, se a intervenção não for feita, já que ela é considerada uma epidemia do século XXI, devido a estilos de vida sedentários.

O Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável (Graça et al., 2016) refere que, em 2014, os hábitos alimentares inadequados foram o fator de risco que mais contribuiu para o total de anos de vida saudável perdidos pela população portuguesa, seguidos da hipertensão arterial e índice de massa corporal elevados. Paralelamente, o mesmo relatório divulga que há um consumo excessivo de sal pela população adulta, bem como por crianças e adolescentes, sendo este um dos maiores riscos de saúde pública.

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Uma dieta salutar deve ter presente: alimentos ricos em fibra (e.g., pão integral, frutas, verduras, legumes e frutos secos) e uma proporção global adequada de hidratos de carbono (50%), gorduras (30% no máximo, não devendo superar as saturadas em 8 a 10%) e proteínas (15%). Pinho et al. (2016) referem que a Roda dos Alimentos tem vindo a constituir-se num guia alimentar desde 1977, todavia, os aspetos associados à evolução dos padrões alimentares portugueses e à evolução do conhecimento científico na área, levaram à reformulação deste guia em 2003, que apresenta uma organização hierárquica dos alimentos e respetivas porções (Figura 1).

Figura 1. Nova Roda dos Alimentos

Fonte: http://esjciencias.blogspot.pt/2014/10/a-roda-dos-alimentos.html

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Figura 2. Pirâmide da Dieta Mediterrânica

Fonte: Pinho et al. (2016, p. 17)

Assim, uma dieta com excesso de calorias ou com excesso de gorduras ou hidratos de carbono conduz à obesidade, sobretudo na ausência de uma prática adequada e regular de exercício físico (CDC, 2011), estando este já presente na pirâmide da dieta mediterrânica.

1.4.4. Tabaco

O consumo de tabaco é a primeira causa evitável de doença, incapacidade e morte prematura nos países mais desenvolvidos, contribuindo para seis das oito primeiras causas de morte a nível mundial (WHO, 2008).

A nicotina é o principal constituinte do tabaco, sendo responsável pela dependência criada nos consumidores, assumida como uma substância psicoativa que cria dependência física e psicológica, semelhante à síndrome de abstinência de cocaína ou heroína (Martinet & Bohadana, 2003).

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quais cerca de 600 000 devido à exposição ao fumo ambiental do tabaco. De acordo com as estimativas para o ano de 2013, o tabaco foi responsável pela morte de mais de 12 000 pessoas residentes em Portugal, cerca de 11% do total. Uma em cada cinco mortes observadas em pessoas, de ambos os sexos, entre os 45 e os 64 anos, são atribuíveis ao consumo de tabaco. Para além do seu impacto na mortalidade, fumar contribui para a incapacidade e retira anos de vida saudável.

1.4.5. Álcool e Drogas

O consumo de bebidas alcoólicas, nomeadamente de vinho, é uma componente da região do Mediterrâneo, consumido tradicionalmente, em quantidade moderada e integrada no momento da refeição. A ingestão moderada de vinho tinto parece encontrar-se associada, em certas situações, à redução do risco de doenças cardiovasculares, particularmente devido a seu teor em compostos bioativos, responsáveis por uma ação antioxidante no organismo humano (Anderson & Baumberg, 2006).

Todavia, a par dos benefícios de consumo moderado de vinho tinto em certos grupos da população, o consumo de álcool possui efeitos nefastos para a saúde, quando ingerido em quantidades excessivas (Graça et al., 2016). As bebidas alcoólicas podem ser configuradas em dois tipos: as fermentadas e as destiladas. As primeiras obtêm-se através de fermentação alcoólica de sumos açucarados, por ação das leveduras (vinho e cerveja), enquanto as segundas resultam da destilação de álcool produzido no decurso da fermentação (gin, vodka, aguardente, whisky) (Anderson & Baumberg, 2006).

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De acordo com o Relatório Anual de 2014 do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependência (Graça et al., 2016), as prevalências de consumo de bebidas alcoólicas para a população portuguesa (dos 15 aos 64 anos), registaram um aumento de 2001 para 2007, tendo em 2012 decrescido para valores inferiores aos de 2001. A população jovem adulta (dos 20 aos 34 anos) apresenta a mesma tendência, exceto para a prevalência nos últimos 30 dias que não sofreu um aumento em 2007, mas uma diminuição desde 2001. Já em 2012 a prevalência do consumo de álcool ao longo da vida foi de 73,6% para a população total e de 72,1% para a população jovem adulta. Ainda com base neste relatório, o número de indivíduos internados com diagnóstico relacionado com o consumo de álcool (entre 2009 e 2014), foi marcadamente superior no sexo masculino. Entre 2013 e 2014 os resultados mostraram que o número de indivíduos internados aumentou para o sexo masculino (de 21 767 para 22 441 indivíduos) e diminuiu no sexo feminino (de 3 473 para 3 404 indivíduos).

Outros dados do Instituto da Droga e da Toxicodependência (2010) revelaram que a cirrose hepática, uma das consequências mais graves do alcoolismo, assume-se como a décima causa de morte em 2005, sendo que dois terços destas cirroses são de etiologia alcoólica. Também os dados decorrentes do estudo Global Burden of Disease (2015), relativos ao ano de 2013, mostram que a cirrose é a sétima causa de morte em Portugal, não se notando uma melhoria no panorama apresentado desde 1990.

Os dados decorrentes da WHO (2014) relativos ao período entre 2008 e 2010 em Portugal, espelham um consumo médio de etanol correspondente a 12,9 litros per capita, sendo este valor bastante superior ao obtido para o consumo mundial, correspondente a 6,2 litros per capita.

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As drogas atuam sobre o corpo na função cardíaca, respiratória, digestiva ou imunitária, e sobre a parte psíquica, ao nível do humor, da memória e do grau de ansiedade, por isso são também designadas de substâncias psicotrópicas, na medida em que manifestam um

“tropismo”, uma atração pelo psíquico (Parrott et al., 2004).

A tipologia mais habitual classifica as drogas em três categorias principais: depressoras, estimulantes e perturbadoras ou despersonalizantes - do sistema nervoso central. As drogas depressoras integram os sedativos ou substâncias depressoras do sistema nervoso central, tais como o álcool, os barbitúricos, as benzodiazepinas, os solventes voláteis e os analgésicos opiáceos e sintéticos. As drogas estimulantes caraterizam-se pelas suas propriedades excitantes ou ativadoras do sistema nervoso central. As mais problemáticas correspondem aos derivados da cocaína, mas esta gama engloba substâncias tão diferenciadas como a nicotina e as anfetaminas. As drogas

perturbadoras ou despersonalizantes englobam os cannabinóides, o LSD (Lysergsäurediethylamid) e os alucinogénios sintéticos e naturais. A cannabis é utilizada há milénios pelas suas propriedades psicotrópicas e medicinais. Dela é retirado o princípio ativo THC (Tetraidrocanabinol) que se encontra em vários derivados, como a erva ou a famosa marijuana e o haxixe (bloco acastanhado de resina), que é

geralmente misturado com o tabaco para ser fumado sob a forma de “charro” (Pérez, 2000; Parrott et al., 2004; Salazar & Arrivillaga, 2004).

Dados constantes no relatório do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD, 2015) mostraram que num estudo conduzido em 2012 na população geral (entre 15 a 64 anos) em Portugal, a cannabis, o ecstasy e a cocaína foram as substâncias ilícitas preferencialmente consumidas pelos portugueses, com uma prevalência de consumo ao longo da vida de 9,4%, 1,3% e 1,2%, respetivamente. Cerca de 0,7% da população apresentava sintomas de dependência do consumo de cannabis, mais prevalente no seio dos homens e nas regiões de Lisboa, Região Autónoma dos Açores e Alentejo. Estes valores são, no entanto, inferiores aos encontrados na Europa.

1.4.6. Sono e Stress

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ambiente. Ele integra uma complexa amálgama de processos fisiológicos e comportamentais (Carskadon & Dement, 2011). As principais caraterísticas que marcam o sono são a modificação do estado de consciência, as alterações posturais e a diminuição da sensibilidade aos estímulos externos (Gomes, Quinhones, & Engelhardt, 2010).

O sono faz parte do ritmo biológico e cobre cerca de um terço da vida dos seres humanos, sendo responsável pela restauração do corpo e da mente, pelo que é importante (ao nível da quantidade e qualidade) para que as diversas atividades diárias possam ser realizadas (Hill, Hogan, & Karmiloff-Smith, 2007).

Todos os indivíduos possuem uma duração de sono pessoal, estando esta associada a fatores genéticos e podendo variar entre um mínimo de três a um máximo de dezasseis horas. Sabe-se que um indivíduo dormiu o suficiente se acordar descansado e não tiver vontade de dormir durante o dia, permanecendo em alerta (Junior, 2007).

Assim, embora seja adequado dormir, para a maioria das pessoas, entre 7 a 8 horas por noite, é comum encontrar necessidades que variam entre 4 a 10 horas (Ambrósio & Geib, 2008). Rente e Pimentel (2004) referem que há indivíduos que necessitam de dormir entre 4 a 5 horas para se manterem produtivos e ativos (designados de short-sleepers) enquanto outros necessitam de dormir pelo menos 9 horas para fazerem a sua vida normal (designados de long-sleepers).

Estudos têm mostrado que o sono é uma função biológica fundamental na consolidação da memória, na visão binocular, na termorregulação, na conservação e restauração da energia (Müller & Guimarães, 2007), bem como na restauração do metabolismo energético cerebral (Ferrara & De Gennaro, 2001), sendo modulado por diversas variáveis, como a etnia, a cultura, o género, a idade, a profissão, fatores socioeconómicos e ambientais (Kabrita et al., 2014). Os fatores ambientais, como a temperatura, o ruído e a luz são igualmente tidos como influenciadores do sono (Okamoto-Mizuno & Mizuno, 2012).

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2012; Drabovicz, Salles, Drabovicz, & Fontes, 2012; Kabrita, Hajjar-Muça, & Duffy,

2014).

Diversas investigações têm mostrado o impacto das perturbações de sono na QdV e

noutros fatores relacionados com a saúde, padrões de sono e sistema imunitário, entre outros (Iáñez, Miró, Catena, & Buela-Casal, 2003). Nos referidos estudos ficou clara a influência da privação de sono como causa da sonolência diurna excessiva alterando múltiplas funções no indivíduo, nomeadamente o seu impacto nos fatores sociais e relacionais (Stepanski, 2002).

Diversas são as causas presentes na perturbação do sono, nomeadamente a má higiene do sono, doenças psicológicas, fatores comportamentais, isolamento social, alterações na personalidade e estados de saúde (Cheng et al., 2012; Drabovicz et al., 2012).

Estima-se que os diversos problemas de sono afetem um terço da população adulta mundial, havendo uma prevalência prevista entre 15% a 27%, assinalando que cerca de 70 milhões de pessoas sofre algum tipo de problema de sono só nos Estados Unidos

(Cardoso et al., 2009).

No relatório de Paixão, Branco e Contreiras (2006) sobre a prevalência de perturbações de sono em Portugal Continental no período entre 1999 e 2004, mostrou que a maioria dos respondentes referiu dormir entre seis ou mais horas de sono noturno em dias da semana; não possui hábito da sesta; a dificuldade em adormecer foi referida por 19% dos inquiridos; cerca de 71% (em 2004) referiu acordar durante a noite mais do que uma vez por semana; as sequelas de um sono não reparador, traduzidas em queixas de cansaço ao acordar e sonolência diurna, foram de 16% e 14%, respetivamente em 2004; as mulheres apresentaram sempre indicadores mais desfavoráveis e com maior toma de medicação para dormir e, verificou-se uma tendência crescente dos indicadores com a idade e decrescente com o nível de instrução.

(37)

diárias, associadas ao trabalho ou outra atividade, exigências do trabalho, clientes difíceis, trânsito, entre outras (Sonnentag & Frese, 2001).

Mas, nem todo o stress é negativo e, por esse motivo, ele é perspetivado sob duas formas: (i) eutress, que funciona como força poderosa que acrescenta excitação e desafio à vida, ou seja, é uma resposta positiva ao stress e (ii) distress, que corre quando existe uma tensão não aliviada que conduz à destruição, doença e morte, ou seja, é uma resposta negativa ao stress (Andrade, 2010).

Assim, as mudanças provocadas pelo stress podem suscitar uma simples disfunção, normalmente ultrapassável, enquanto o confronto prolongado com uma determinada fonte de stress ou com várias concomitantes, podem conduzir a uma desregulação do indivíduo e induzir processos patológicos (Cumbe, 2010).

O desenvolvimento de efeitos negativos no indivíduo encontra-se intimamente associado às estratégias de confronto (ou de coping) que são utilizadas e entendidas como um conjunto de esforços que são assumidos pelos indivíduos perante situações percecionadas como ameaçadoras e passíveis de gerar mal-estar (Ruíz & Ríos, 2004).

De entre os estilos de confronto, são identificados dois tipos: os centrados no evitamento das situações, que apresentam uma maior probabilidade de acarretarem problemas psicológicos, sintomas psicossomáticos e conflitos na relação família e trabalho (Haisch & Meyers, 2004) e, os centrados na resolução do problema, que representam formas mais ajustadas e saudáveis de adaptação às exigências laborais, principalmente nos casos em que o indivíduo tem possibilidade de alterar a situação na qual se encontra, isto é, que detém controlo sobre as fontes de tensão que o rodeiam (Cumbe, 2010).

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1.4.7. Trabalho e Tipo de Personalidade

O trabalho é visto como um fator protetor para a saúde, todavia, poderá ser um fator de risco, nomeadamente quando se encontra associado a condições precárias (Haisch &

Meyers, 2004). Neste sentido, se há indivíduos que pensam em deixar o seu trabalho,

outros permanecem no mesmo, sendo que a sua produtividade pode ficar aquém do real potencial que têm para dar, ocasionando problemas ao nível da qualidade do trabalho que desenvolvem (Cumbe, 2010).

Muitas profissões são tidas de risco, é o caso dos profissionais de saúde (nomeadamente médicos e enfermeiros), uma vez que se encontram expostos a um conjunto de fatores que influenciam (direta ou indiretamente) a sua saúde. Diversos são os fatores extrínsecos que influenciam a saúde física, psicológica e emocional dos indivíduos (Cox, Griffiths, & Rial-González, 2000; Palmer, Cooper, & Thomas, 2001), nomeadamente: (a) fatores intrínsecos ao trabalho, aspetos do trabalho em si e que se constituem como perigos psicossociais experimentados como fontes de stress que, de alguma forma, acarretam um dano potencial. Alguns destes fatores associam-se a condições precárias de trabalho, excesso de trabalho, pressões de tempo e perigo físico; (b) papel na organização, que remete para as questões de conflito e de ambiguidade de papéis, embora a responsabilidade por outras pessoas e os conflitos/barreiras organizacionais contribuam para o risco; (c) progressão na carreira, que se refere às oportunidades de promoções, falta de segurança e de outras oportunidades; (d) relações no trabalho, que se referem às relações com os superiores, com os colegas (pares) e com os subordinados. A ausência ou a presença diminuta de bons relacionamentos interpessoais encontra-se associada a uma elevada ansiedade, exaustão emocional, tensão no trabalho, baixa satisfação e aumento de doenças cardiovasculares (Cox et al.,

2000) e (e) clima e estrutura organizacional, que se refere à latitude de tomada de decisão no trabalho, às restrições no comportamento e às dificuldades financeiras.

(39)

tempo (Sonnentag & Frese, 2001), apresentando esta tipologia uma maior propensão para ataques cardíacos (Palmer et al., 2001).

1.4.8. Introspeção

A introspeção é um outro aspeto associado à saúde e aos estilos de vida, na medida em que se refere ao ato, através do qual, o indivíduo observa os conteúdos dos seus próprios estados mentais, estando por isso associado à sua saúde física e mental e não deve ser considerado um conceito meramente fisiológico, mas sim associado à consciência imediata (Dishman, Washburn, & Heath, 2004).

Os problemas associados aos afetos negativos (como a falta de otimismo, depressão, tristeza, desapontamento, apreensão, cansaço físico e emocional) encontram-se inseridos nos processos de introspeção (Añez et al., 2008).

1.4.9. Comportamento Sexual

Os comportamentos sexuais, são um outro aspeto da saúde e dos estilos de vida, uma vez que a estes se encontram associados determinados comportamentos de risco que podem perigar a saúde (Silva, 2008).

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1.4.10. Outros Comportamentos (Segurança e Proteção Rodoviária)

Outros comportamentos que se associam aos estilos de vida saudáveis passam pela segurança e proteção. Os acidentes rodoviários são um dos problemas de saúde pública mais preocupantes nos países ocidentais devido à magnitude do problema e ao facto de afetar uma grande proporção de pessoas em todas as idades, nomeadamente as mais jovens (Piédrola, 2008).

Estima-se que, no mundo, todos os anos existam mais de 750 000 mortes e mais de 20 milhões de feridos devido a acidentes rodoviários, sendo que 10 milhões padecem de incapacidades permanentes. Só na União Europeia, em cada ano, mais de 40 000 pessoas morrem devido a um acidente rodoviário, 1,1 milhões ficam feridas e mais de 150 000 destas, ficam incapacitadas para toda a vida. As lesões por acidentes rodoviários ocuparão, no ano de 2020, o terceiro lugar de entre as dez primeiras causas de morte em todo o mundo (WHO, 2015).

Em Portugal, o Relatório Anual de Segurança Interna (Direção Geral de Administração Interna, 2016) refere que no ano de 2015 houve 22 873 participações de crimes associados à segurança, nomeadamente 2 121 registos de condução de veículos com taxa de álcool igual ou superior a 1,2g/l e 635 registos de crime de condução sem habilitação legal. Durante esse período de tempo ocorreram 128 361 acidentes rodoviários que fizeram 486 vítimas mortais e 2 402 feridos graves.

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Em suma, neste capítulo apresentou-se uma visão mais ampla dos estilos de vida, nomeadamente o enquadramento histórico do conceito, interseção com várias áreas do conhecimento, sua definição, conceptualização e associação com a área da saúde, bem como o alinhamento com as competências específicas do EEEC. Neste campo foram referenciados os principais determinantes associados à saúde e aos estilos de vida, nomeadamente a presença de uma rede social de suporte, a realização de atividade física e associativismo, as questões de nutrição, o consumo de tabaco, álcool e outras drogas, a qualidade do sono e as estratégias para lidar com o stress, o trabalho em si e o tipo de personalidade do indivíduo, a perceção positiva de si e da vida realizada através da introspeção, a adoção de comportamentos sexuais seguros e de outros comportamentos associados à proteção e segurança rodoviária.

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Capítulo II - Estilos de Vida dos Profissionais de Saúde

Todo o mundo pensa em mudar o mundo, mas ninguém pensa em mudar a si mesmo.

Leon Tolstoi

2.1. Profissionais de Saúde

Os profissionais de saúde são um grupo diversificado que deve deter uma habilitação apropriada ao exercício da sua atividade. Segundo o Ministério da Saúde (2016) os profissionais de saúde integram enfermeiros, médicos, médicos dentistas, nutricionistas e psicólogos que devem encontrar-se inscritos nas respetivas ordens para poderem ser considerados como tal e exercerem a sua profissão. Paralelamente, um outro conjunto de profissionais de saúde enquadra, os Técnicos de Diagnóstico e Terapêutica (TDT), que são profissionais da área da saúde com formação de nível superior, utilizando técnicas de base científica com fins de promoção da saúde, de prevenção, diagnóstico e tratamento da doença ou de reabilitação. De entre estes profissionais encontram-se os técnicos de análises clínicas e de saúde pública; os técnicos de anatomia patológica; citologia e tanatológica; os técnicos de audiologia; os técnicos de cardiopneumologia; os técnicos de farmácia; os fisioterapeutas; higienista oral; técnicos de medicina nuclear; técnicos de neurofisiologia; ortoptistas; ortoprotésicos; técnicos de prótese dentária; técnicos de radiologia; técnicos de radioterapia; terapeutas da fala; terapeutas ocupacionais e técnicos de saúde ambiental.

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De uma forma genérica, pode-se dizer que, hoje em dia, qualquer que seja o “ato médico”, este pressupõe a existência de uma equipa multidisciplinar com elevado nível de especialização e todo o apoio logístico e administrativo que contribui para uma eficiente prestação de serviços ao nível da saúde (Nogueira, 2008).

Estas equipas, que trabalham em unidades de saúde, deparam-se diariamente com

múltiplas exigências ao nível físico, psicológico e mental (Sacadura-Leite & Sousa-Uva, 2005), sendo que muitas delas afetam as suas vidas enquanto pessoas e profissionais, com sérias implicações ao nível económico (Martin & Henderson, 2004). Os profissionais de saúde desenvolvem a sua atividade profissional nas designadas

“profissões de ajuda”, consideradas muito desgastantes pelo facto de lidarem diariamente com a doença, o sofrimento e a morte, para além de todos os fatores burocráticos associados às particularidades do serviço onde desenvolvem a sua atividade (Chizini & Joemar, 2004).

Segundo Steffen (2008), de entre esses fatores destacam-se os longos períodos de trabalho, o número insuficiente de pessoal, a falta de reconhecimento profissional, a alta exposição do profissional a riscos biológicos, químicos e físicos, entre outros. Nesta linha, Glina e Rocha (2000) aludem que o profissional de saúde, para a sua prática diária, necessita de dois requisitos fundamentais: estar saudável (física, psicológica e emocionalmente) e ter motivação e satisfação com o seu trabalho.

Sabe-se que a exposição contínua às fontes de stress acarreta uma deterioração da saúde, pelo que os profissionais de saúde se assumem como um grupo de risco (Gomes, Melo, & Cruz, 2000; Berg, Bell, & Tupin, 2001), podendo vivenciar inúmeras consequências caso não desenvolvam estratégias adaptativas adequadas para que a sua saúde física e mental permaneça íntegra (Estella et al., 2002).

Por outro lado, são os profissionais de saúde que promovem a saúde aos pacientes com quem interagem habitualmente (Marcitelli, 2011), através de intervenções preventivas e procurando fornecer recomendações em matéria da saúde que sejam seguidas por eles (Frank, Rothenberg, Lewis, & Belodoff, 2000a; Frank, Breyan, & Elon, 2000b; Frank, Biola, & Burnett, 2000c; Frank, 2004).

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etiologia das doenças e seu tratamento, pelo que se espera que sejam eles que evitem determinados comportamentos de risco para a saúde. No entanto, isto nem sempre se verifica, pois é frequente encontrarem-se médicos e enfermeiros fumadores, consumidores de álcool, sedentários, obesos, entre outros, sendo um problema para eles, recomendar hábitos de vida saudáveis que eles próprios não colocam em prática (Sanabria-Ferrand et al., 2007; Pasquier, 2015).

Neste contexto, os estudos realizados têm mostrado que os profissionais de saúde que cuidam da sua saúde e praticam estilos de vida saudáveis, possuem uma maior probabilidade de recomendar e de induzir os seus pacientes a hábitos igualmente saudáveis, tendo maior êxito na adesão às suas recomendações. Contrariamente, aqueles que não possuem hábitos de vida saudáveis, tendem a praticar intervenções curativas ao invés de preventivas e, provavelmente, são pouco ouvidos pelos seus utentes/doentes quando recomendam comportamentos que eles próprios não praticam (Frank et al., 2000a; Frank et al., 2000b; Frank et al., 2000c; Frank, 2004).

Tendo estes aspetos como pano de fundo, em seguida, apresentam-se alguns estudos que abordam o stress e o desgaste profissional (burnout) dos profissionais de saúde, a sua saúde e QdV, bem como os estilos de vida destes profissionais.

2.2. Profissionais de Saúde: Resultados das Investigações

Como anteriormente referido, os profissionais de saúde, pelo facto de desenvolverem uma atividade exigente, encontram-se expostos a variados fatores de risco, são diversos os estudos que têm mostrado que a deterioração da saúde também atinge estes profissionais (Ruíz & Ríos, 2004; Gil-Monte, 2005).

Assim, os profissionais de saúde encontram-se expostos a múltiplos fatores de risco (e.g., qualidade do sono, inatividade física, stress e burnout) que acarretam múltiplas consequências, que podem ser resumidas em três grupos (Maslach, Schaufeli, & Leiter, 2001; Gil-Monte, 2005):

(45)

respiratórias (e.g., asma), alterações de sono, dermatológicas, menstruais, disfunções sexuais e dores musculares ou articulatórias);

 Consequências que incidem sobre a saúde psicológica (e.g., alterações emocionais): ansiedade, depressão, irritabilidade, disforia, baixa autoestima, falta de motivação, baixa satisfação profissional, dificuldades de concentração, distanciamento emocional, sentimentos de frustração profissional e desejos de abandonar o trabalho;

 Consequências relacionadas com o âmbito laboral (e.g., alterações comportamentais): absentismo laboral, abuso de drogas, aumento de comportamentos violentos, comportamentos de elevado risco, alterações de comportamento alimentar, diminuição de produtividade, falta de competência e deterioração da qualidade do serviço.

Relativamente ao stress e ao burnout, num estudo conduzido com 130 médicos de oito hospitais de Madrid, Moreno-Jiménez, Seminotti, Hernández, Rodríguez-Carvajal e Benadero (2005) encontraram maiores níveis de realização pessoal e de negação no seio dos médicos homens, quando comparados com as mulheres médicas.

Prins et al. (2007) num estudo com 158 médicos constataram que 30% apresentaram burnout, sendo esta percentagem mais elevada nos médicos da especialidade de Psiquiatria, que apresentaram menores indicadores de realização pessoal. Verificaram que eram mais os homens que sofriam de burnout, por comparação às mulheres, mostrando menores indicadores de realização pessoal e altos níveis de exaustão emocional e de despersonalização. Os médicos obstetras e ginecologistas apresentaram mais realização pessoal do que os de Psiquiatria, Medicina Interna, Pediatria e Anestesiologistas.

Imagem

Figura 1. Nova Roda dos Alimentos
Figura 2. Pirâmide da Dieta Mediterrânica  Fonte: Pinho et al. (2016, p. 17)
Gráfico 1. Classificação dos estilos de vida dos profissionais de saúde
Figura 1. Centro de Saúde da Sé, Bragança

Referências

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