Gestão Educacional
Gestão Financeira
UNIDADE 1 - CONCEITOS INTRODUTÓRIOS SOBRE GESTÃO
FINANCEIRA ... 8
1.1 As organizações e seus recursos ... 10
1.2 Departamento financeiro e administração financeira ... 11
1.3 Rentabilidade versus liquidez ... 13
1.4 Funções do departamento financeiro ... 15
1.5 Estrutura organizacional do departamento financeiro ... 16
1.6 Papel do administrador financeiro ... 20
1.7 Reflexão ... 24
1.8 Leitura recomendada ... 24
1.9 Referências ... 25
UNIDADE 2 - MERCADO FINANCEIRO ... 26
2.1 Conceito e características ... 28
2.2 Subdivisões do mercado financeiro ... 29
2.2.1 Mercado monetário ... 30
2.2.2 Mercado de crédito ... 32
2.2.3 Mercado de capitais ... 32
2.2.4 Mercado cambial ... 33
2.3 Sistema financeiro nacional ... 34
2.4 Subsistema Normativo ... 35
2.5 Subsistema de Apoio ... 36
2.6.2 Instituições Financeiras não Bancárias ... 38
2.6.3 Instituições Auxiliares ... 39
2.6.4 Instituições não Financeiras ... 39
2.7 Reflexão ... 41
2.8 Leitura recomendada ... 42
2.9 Referências ... 42
UNIDADE 3 - GESTÃO DO CAPITAL DE GIRO E DAS DISPONIBILIDADES ... 44
3.1 Relação entre capital de giro e balanço patrimonial ... 46
3.2 Conceito de capital de giro ... 48
3.3 Capital de giro líquido (CGL) ... 49
3.4 Manutenção de saldo de caixa ... 51
3.5 Gestão de contas bancárias ... 54
3.5.1 Concentração bancária ... 56
3.5.2 Linhas de crédito ... 56
3.5.3 Float ... 57
3.6 Gestão das aplicações financeiras de curto prazo ... 58
3.7 Reflexão ... 61
3.8 Leitura recomendada ... 62
3.9 Referências ... 62
UNIDADE 4 - FONTES DE FINANCIAMENTO PARA PESSOAS JURÍDICAS ... 63
4.1 Finalidades da captação de recursos financeiros ... 65
4.2 Tipos de fontes de financiamento ... 65
4.2.1 Fontes de Financiamento Próprio ... 66
4.4 Fontes de longo prazo via mercado de crédito ... 70
4.4.1 FUNDEF / FUNDEB ... 71
4.5 Recursos financeiros via mercado de capitais ... 73
4.6 Valores Mobiliários negociados no mercado de capitais ... 74
4.7 Reflexão ... 77
4.8 Leitura recomendada ... 77
4.9 Referências ... 78
UNIDADE 5 - GESTÃO DOS VALORES A RECEBER ... 79
5.1 Política de crédito ... 81
5.2 Elementos de uma política de crédito ... 82
5.3 Análise de crédito ... 85
5.4 Pontuação de crédito (Credit Score) ... 88
5.5 Classificação de créditos (Rating) ... 90
5.6 Política de cobrança ... 91
5.7 Reflexão ... 95
5.8 Leitura recomendada ... 96
5.9 Referências ... 96
UNIDADE 6 - ORÇAMENTO EMPRESARIAL ... 98
6.1 Conceito e características ... 99
6.2 Instrumento de planejamento ... 100
6.3 Instrumento de controle ... 102
6.4 Princípios para a implantação ... 105
6.5 Vantagens e limitações ... 106
6.6 Método de elaboração ... 109
6.7 Reflexão ... 112
6.9 Referências ... 113
UNIDADE 7 - ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS ... 115
7.1 Conceito ... 116
7.2 Objetivos da análise ... 117
7.3 Fontes de dados para análise ... 118
7.4 Balanço Patrimonial e Demonstração do Resultado do Exercício ... 119 7.5 Metodologia de análise ... 123 7.6 Usuários da análise ... 127 7.7 Reflexão ... 128 7.8 Leitura recomendada ... 129 7.9 Referências ... 129
UNIDADE 8 - CÁLCULO DO PONTO DE EQUILÍBRIO... 130
8.1 Conceito e tipos de pontos de equilíbrio ... 131
8.2 Fórmulas para se calcular os pontos de equilíbrio ... 132
8.3 Cálculos dos pontos de equilíbrio contábil e econômico ... 134
8.3.1 Cálculo do Ponto de Equilíbrio Contábil ... 136
8.3.2 Cálculo do Ponto de Equilíbrio Econômico ... 136
8.4 Ponto de equilíbrio de organizações com vários produtos ... 137
8.5 Cálculo do ponto de equilíbrio de organizações com vários produtos ... 139
8.6 Vantagens e limitações à utilização do ponto de equilíbrio .. 141
8.7 Reflexão ... 145
8.8 Leitura recomendada ... 145
Os conceitos básicos de finanças são muito úteis aos gestores de Entidades Educacionais. Mesmo que não pretendam ser especialistas no assunto, é importante que possuam alguns conhecimentos nesta importante área da gestão organizacional. O foco da disciplina Gestão Financeira é apresentar conceitos e técnicas financeiras
para que possam gerir de forma mais satisfatória as Entidades Educacionais das quais fazem parte.
A gestão dos recursos financeiros não é necessária apenas às empresas industriais e comerciais. Todos os segmentos empresariais, incluindo o setor de ensino, não podem mais deixar de utilizar instrumentos gerenciais capazes de garantir uma boa performance econômica e financeira, pois só assim, estará sendo assegurada a possibilidade de sucesso e, até mesmo, a sobrevivência e a continuidade da instituição.
A Gestão Financeira procura estabelecer um conjunto de conceitos que ajudam a organizar o pensamento das pessoas sobre como alocar recursos ao longo do tempo. Apresenta também um conjunto de modelos quantitativos para ajudar as pessoas a avaliarem alternativas, tomarem decisões e implementá-las na gestão dos empreendimentos.
O objetivo principal na aplicação da disciplina Gestão Financeira no curso de Gestão Educacional é adequar, na medida do possível, os conceitos básicos de Finanças para o setor de educação, com a finalidade de criar condições específicas ao gestor para as tomadas de decisões. Não fique apreensivo em começar a estudar esta disciplina, pois os conceitos matemáticos que utilizaremos são
Para abordarmos a Gestão Financeira de forma didática, dividimos o assunto em oito unidades. A primeira unidade tratará de conceitos introdutórios sobre a administração financeira, área da ciência da Administração que estuda os recursos financeiros. Dentre os conceitos que serão apresentados, podemos destacar as funções e a estrutura organizacional do departamento financeiro. Além disso, também trataremos do papel do administrador financeiro e da questão da agência.
A segunda unidade apresentará os conceitos, características e subdivisões do mercado financeiro. Também abordaremos os papéis exercidos pelas principais instituições que compõem o sistema financeiro nacional.
Na terceira unidade, você aprenderá que dinheiro parado no caixa representa perda de rentabilidade; portanto, as organizações devem exercer controle sobre este item, levando em conta uma série de fatores. Além disso, trataremos da importância de se efetuar negociações bem elaboradas com as instituições financeiras, como forma de aperfeiçoar a gestão das disponibilidades.
A quarta unidade foi destinada à apresentação das linhas de crédito disponíveis às Entidades Educacionais, tanto da rede pública quanto da rede privada. A estruturação e a importância das políticas de crédito e de cobrança serão apresentadas na unidade cinco, enquanto na unidade seis, mostraremos e explicaremos a importância de se elaborar um Orçamento Empresarial.
Na sétima unidade, trataremos de aspectos e conceitos relacionados à análise das demonstrações financeiras. Na última unidade da apostila, para finalizarmos o estudo da Gestão Financeira, apresentaremos o cálculo do ponto de equilíbrio como uma ferramenta que as organizações podem utilizar para elaborar seu planejamento e controle financeiro.
CONCEITOS
INTRODUTÓRIOS
SOBRE GESTÃO
FINANCEIRA
Na Unidade 1, relembraremos o conceito de organizações, assim como quais são os recursos necessários para que possam atingir seus objetivos. Posteriormente, detalharemos a importância dos recursos financeiros. Além disso, apresentaremos o conceito de administração financeira e explicaremos as funções exercidas pelo departamento financeiro. Na sequência, conheceremos a estrutura organizacional do departamento financeiro e o papel do administrador financeiro.
Objetivos da sua aprendizagem
Conhecer a importância de utilizar os recursos financeiros de forma eficiente para que as organizações sejam eficazes. Saber o que é administração financeira e conhecer as funções que devem ser executadas pelo departamento financeiro. Visualizar a estrutura organizacional do departamento financeiro de uma organização de grande porte e conhecer o papel do administrador financeiro em
Você se lembra?
Você se lembra de ter ouvido falar em gestão financeira? Será que sabe exatamente quais devem ser as funções do departamento financeiro? Já viu o organograma do departamento financeiro de uma empresa de grande porte? Conhece os papéis do administrador financeiro? Nesta unidade, você terá oportunidade de aprender estes e vários outros temas relacionados ao estudo da Gestão Financeira. Bons estudos!
1.1 As organizações e seus recursos
Antes de se começar o estudo da gestão financeira, é importante que se resgatem dois conceitos básicos: o que é uma organização e o que são os recursos empresariais.
Organização: é uma combinação de esforços individuais que têm
por finalidade realizar propósitos coletivos.
As empresas, que são um tipo de organização, utilizam diversos tipos de recursos para atingir seu propósito, que é o lucro. De acordo com Chiavenato (1994), existem cinco tipos diferentes de recursos
empresariais:
a) Recursos Materiais: são também denominados recursos físicos. Correspondem aos prédios, edifícios, máquinas, equipamentos, instalações, matérias-primas etc., enfim, todos os meios materiais ou físicos de produção;
b) Recursos Financeiros: são os meios financeiros que permitem financiar as operações de uma organização, como o próprio capital investido, o fluxo de caixa e os recebíveis (cheques pré-datados e duplicatas);
c) Recursos Humanos: são os indivíduos que trabalham na organização, como os diretores, os gerentes, os supervisores e os funcionários. São os únicos recursos vivos e inteligentes da organização e, portanto, aqueles que operam e dinamizam os demais recursos empresariais;
d) Recursos Mercadológicos: são os meios pelos quais a organização entra em contato com o seu ambiente externo, principalmente com a parcela do ambiente que constitui o seu mercado. São as vendas, a promoção, a propaganda, a distribuição dos produtos etc. Quando a
organização coloca seus produtos no mercado por meio de intermediários – como atacadistas ou varejistas – estes também podem ser catalogados como recursos mercadológicos;
e) Recursos Administrativos: constituem o esquema administrativo da empresa, como a direção, a gerência e a supervisão. Sua finalidade é integrar e coordenar todos os demais recursos empresariais.
1.2 Departamento financeiro e administração financeira
Para utilizar e administrar os cinco recursos empresariais da melhor maneira possível, as organizações agrupam indivíduos com conhecimentos técnicos específicos em cada área. Este processo é conhecido por departamentalização e tem como resultado final a definição de um organograma.FIGURA 1.ORGANOGRAMA ORGANIZACIONAL
Departamento Financeiro Departamento de RH Departamento de Produção Departamento Comercial Departamento Administrativo
Em cada um dos cinco principais departamentos de uma organização, são exercidas funções específicas, apresentadas na sequência:
a) Departamento Administrativo: são realizadas funções relacionadas à integração e sincronização de todos os recursos empresariais, isto é, com a administração de cúpula de todas as demais funções essenciais da organização;
b) Departamento Financeiro: são realizadas funções relacionadas à obtenção, utilização e aplicação dos recursos financeiros da organização;
c) Departamento de Recursos Humanos: são realizadas funções relacionadas à gestão dos recursos humanos da organização, isto é, com as pessoas, desde o diretor executivo até o faxineiro;
d) Departamento de Produção: são realizadas funções relacionadas à gestão dos recursos materiais, isto é, relacionadas à produção de bens ou à prestação de serviços oferecidos pela organização;
e) Departamento Comercial: são realizadas funções relacionadas à gestão dos recursos mercadológicos da organização, isto é, relacionadas com a venda ou a comercialização dos produtos ou serviços oferecidos pela organização. São as funções de relacionamento da organização com seu mercado.
Com o objetivo de se estudar e desenvolver técnicas e procedimentos para aumentar a eficiência na utilização dos recursos empresariais, a ciência da Administração possui cinco principais áreas de estudo.
QUADRO 1.ÁREAS DE ESTUDO DA ADMINISTRAÇÃO
Recursos Empresariais Áreas de Estudo da Administração
Administrativos Administração Geral
Financeiros Administração Financeira
Humanos Administração de Recursos Humanos
Materiais Administração da Produção
Mercadológicos Administração de Marketing
De forma simplificada, pode-se definir administração financeira como a área de estudo da Administração que se preocupa em estudar e desenvolver técnicas e procedimentos para aumentar a eficiência na utilização dos recursos financeiros.
1.3 Rentabilidade versus liquidez
O departamento financeiro pode ser definido como a área responsável pela gestão dos recursos financeiros de uma organização, proporcionando condições que garantam sua rentabilidade e liquidez.
Garantir a rentabilidade significa fazer com que a organização proporcione a maximização dos retornos dos investimentos feitos pelos proprietários, ou seja, fazer com que seja gerado o lucro máximo possível. Por outro lado, garantir a liquidez significa garantir que a organização tenha dinheiro em caixa para arcar com suas despesas.
Alguns autores afirmam que a maximização da rentabilidade e da liquidez ao mesmo tempo não é possível, por isso, um dos maiores desafios do departamento financeiro é mantê-las em um nível satisfatório. Para que você possa entender melhor tal desafio, acompanhe o exemplo simplificado apresentado na sequência.
Faturamento = R$ 10.000,00 (50 unidades vendidas por R$ 200,00)
Despesa Variável = R$ 5.000,00 (50 unidades adquiridas por R$
100,00) Lucro Bruto = R$ 5.000,00 (faturamento – despesa variável)
Imagine que o Sr. Tom Theira possuísse R$ 5.000,00 para investir no segmento de máquinas de calcular, que seriam adquiridas por R$ 100,00 e vendidas por R$ 200,00 a unidade. Em tal segmento, os produtos demoram em torno de 30 dias para “girarem”, ou seja, ficam mantidos estocados por 30 dias.
Caso o Sr. Tom Theira investisse todo seu dinheiro na compra de máquinas de calcular, conseguiria adquirir 50 unidades. Durante um mês, ao vendê-las, apuraria um lucro bruto de R$
5.000,00 (desconsiderando-se as despesas fixas que terá para manter o negócio).
Repare que, ao utilizar todo o dinheiro de que dispunha para obter a rentabilidade máxima possível, o Sr. Tom Theira ficou sem dinheiro no caixa, ou seja, sem liquidez. Ao ficar sem liquidez, não terá dinheiro para arcar com as despesas fixas do negócio. Por outro
lado, caso deixasse dinheiro em caixa para pagar as despesas fixas, não poderia investir os R$ 5.000,00 na compra das máquinas de calcular, fazendo com que sua rentabilidade fosse menor.
Ao analisar este exemplo simplificado, conclui-se
que realmente a maximização da rentabilidade e da liquidez ao mesmo tempo não é possível; portanto, um dos maiores desafios do departamento financeiro é mantê-las em um nível satisfatório, sempre buscando priorizar a rentabilidade, que é o grande propósito com o qual uma empresa é criada.
1.4 Funções do departamento financeiro
De acordo com Assaf Neto (2003), o departamento financeiro de uma organização possui quatro funções principais;
a) Planejamento Financeiro: procura evidenciar as necessidades de expansão da organização, assim como identificar eventuais desajustes futuros. Por meio do planejamento, ainda, é possível ao administrador financeiro selecionar, com maior margem de segurança, os ativos mais rentáveis e condizentes com os negócios da organização, de forma a estabelecer a mais satisfatória rentabilidade sobre os investimentos;
b) Controle Financeiro: dedica-se a acompanhar e a avaliar todo o desempenho financeiro da organização. Analisa desvios que venham a ocorrer entre os resultados previstos e realizados, assim como propostas de medidas corretivas necessárias, estas são algumas funções básicas da controladoria financeira;
c) Administração de Ativos: deve perseguir a melhor estrutura, em termos de risco e retorno, dos investimentos empresariais, e proceder a um gerenciamento eficiente de seus valores. A administração dos ativos acompanha também as defasagens que podem ocorrer entre entradas e saídas de dinheiro do caixa, o que é geralmente associado à gestão do capital de giro;
d) Administração de Passivos: obtenção de recursos financeiros e o gerenciamento de sua composição, procurando definir a estrutura mais adequada em termos de liquidez, redução de custos e risco financeiro.
organizações tem aumentado muito nas últimas décadas. Weston e Brigham (2000) afirmam que antes o gerente de marketing projetava as vendas, a equipe de engenharia e produção determinava os ativos necessários para atender a essas demandas e o departamento financeiro simplesmente levantava o capital para adquirir a fábrica, os equipamentos e os estoques requeridos. Tais autores comentam que essa situação não existe mais, já que as decisões são atualmente tomadas de uma forma bem mais coordenada, e o departamento financeiro, em geral, tem responsabilidade direta pelo processo de controle.
1.5 Estrutura organizacional do departamento financeiro
O número de áreas e de pessoas que compõem o departamento financeiro depende do tamanho da organização. Megliorini e Da Silva (2009) comentam que, em empresas de pequeno porte, a estrutura organizacional, muitas vezes, não comporta um departamento financeiro, e o próprio proprietário desempenha a atividade de administrador financeiro. Tais autores ressaltam que, à medida que a organização cresce, passa a ser necessária a definição de uma estrutura organizacional. Para organizações de grande porte, sugere-se a seguinte estrutura para o departamento financeiro:FIGURA 2.ORGANOGRAMA DO DEPARTAMENTO FINANCEIRO.
Na prática, o departamento financeiro de uma organização de grande porte é composto por duas áreas: controladoria e tesouraria. Na sequência, são apresentadas, de forma resumida, as funções de tais áreas, assim como dos órgãos que as compõem.
Controladoria: é a área que assessora a Tesouraria, fornecendo
controles e informações para seu funcionamento.
a) Contabilidade Geral: tem como função registrar os fatos já ocorridos para orientar as decisões financeiras que são projetadas para o futuro; Departamento Financeiro Controladoria Tesouraria Contabilidade Geral Orçamento Auditoria Contabilidade de Custos Relações Bancárias Contas a Pagar Caixa Contas a Receber
b) Orçamento: coordena a montagem dos orçamentos de gastos e receitas da organização. Por intermédio de relatórios, deve acompanhar, ao longo do exercício, se eles estão sendo realizados devidamente;
c) Auditoria: é um órgão de controle e de verificação dos procedimentos contábeis executados não só pela Contabilidade, mas por todos os órgãos da organização envolvidos nesses procedimentos; d) Contabilidade de Custos: analisa todos os gastos, classificando-os como custos e despesas (fixos e variáveis) e alocando-os pelos diversos departamentos da organização.
Tesouraria: é a área onde os recursos financeiros ingressam, são
utilizados por meio do pagamento das contas e aplicados em investimentos internos ou externos.
a) Relações Bancárias: mantêm relacionamento com Bancos e outras Instituições Financeiras;
b) Contas a Pagar: incumbido do planejamento e execução de todas as contas a serem pagas, a curto, médio e longos prazos;
c) Caixa: incumbido da operacionalização dos valores a receber e a pagar;
d) Contas a Receber: incumbido do controle das contas a receber. Também é responsável pela análise dos clientes que efetuarão compras a prazo (área de análise de crédito) e pelos recebimentos de créditos problemáticos (área de cobrança).
Contabilidade: é uma ciência que tem como
objeto de estudo o patrimônio das entidades, seus fenômenos e variações, tanto no aspecto quantitativo quanto no qualitativo, registrando os fatos e atos de natureza econômico-financeira que o afetam e estudando suas consequências na dinâmica financeira (http://pt.wikipedia.org).
Curiosidade: em organizações de pequeno porte,
normalmente, não existe um departamento contábil, pois tais funções são terceirizadas para escritórios de contabilidade.
FONTE: BANCO DE IMAGENS DA EDITORA COC - ID:172169.
O departamento financeiro de uma organização de grande porte é coordenado pelo Diretor Financeiro. Subordinados a ele estão o
Controller, responsável pela Controladoria, e o Gerente Financeiro
(também conhecido pelo nome de Tesoureiro), responsável pela Tesouraria.
A principal função do Controller é desenvolver e prover informações para mensurar o desempenho da organização. Os dados utilizados por ele provêm da contabilidade; portanto, seguem o princípio do regime de competência, ou seja, as receitas são contabilizadas quando ocorrem as vendas, e os gastos, quando ocorrem as compras.
Por outro lado, o Gerente Financeiro enfatiza o princípio do regime
de caixa, ou seja, as receitas são contabilizadas quando o dinheiro entra
efetivamente no caixa e os gastos, quando o dinheiro efetivamente sai. Ele mantém a liquidez da organização por intermédio da elaboração do fluxo de caixa (projeção das entradas e saídas efetivas de dinheiro).
Diante dessas considerações, Gitman (2001) ressalta que os Gerentes Financeiros devem olhar além das demonstrações contábeis para refletir sobre os problemas atuais ou potenciais de uma organização. Também lembra que os Controllers estão bem conscientes da importância de se analisar os fluxos de caixa. Contudo, a maior ênfase dos Controllers é o regime de competência, assim como a maior ênfase dos Gerentes Financeiros é o regime de caixa.
1.6 Papel do administrador financeiro
Você pôde observar no subitem anterior, que uma organização de grande porte possui três principais profissionais responsáveis por gerir seus recursos financeiros: diretor financeiro, gerente financeiro e
controller. Enquanto o gerente financeiro e o controller possuem funções
primordialmente operacionais, o diretor financeiro possui funções mais estratégicas e está diretamente ligado ao departamento administrativo (alta administração da organização: presidente e proprietários).
Como já foram apresentadas as principais funções do gerente financeiro e do controller, resta abordar quais são os papéis do principal administrador financeiro de uma organização, ou seja, do diretor financeiro. Tal profissional também é conhecido pela sigla “CFO”, que são as letras iniciais de tal cargo na língua inglesa: Chief Financial
Officer.
Quando uma empresa é constituída, o principal objetivo de seus proprietários é que ela gere lucro, ou seja, que haja um retorno sobre o capital que foi investido. Logicamente, o retorno deve ser maior do que o retorno que teriam caso mantivessem tal capital investido no mercado
Na língua inglesa, os proprietários ou acionistas de uma determinada organização
são chamados de
shareholders. financeiro (aplicações bancárias como poupança e fundos de investimento).
Como o diretor financeiro deve prestar contas diretamente aos proprietários, seu maior objetivo deve ser o de maximizar o retorno do investimento feito por eles. De forma simples e
objetiva, seu principal papel é fazer com que a empresa aumente seu lucro.
É importante destacar que, na busca por seu objetivo principal, o diretor financeiro também deve estar preocupado com os interesses dos stakeholders, pessoas físicas e jurídicas que
possuem algum tipo de interesse direto (clientes,
fornecedores, instituições financeiras, funcionários e governo) ou indireto (comunidades próximas e sociedade como um todo) com a organização.
O diretor financeiro deve buscar formas de maximizar o lucro da organização sem prejudicar os interesses dos
stakeholders. Caso sejam adotadas medidas que os prejudiquem, o lucro
pode até aumentar no curto, mas, com certeza, pode ficar comprometido no longo prazo.
Para comprovar tal afirmação, basta você imaginar uma situação em que o diretor financeiro decida aumentar o lucro da organização reduzindo os benefícios oferecidos aos funcionários (stakeholders diretos) e não lhes fornecendo condições dignas de segurança. Ao adotar tal estratégia, as despesas serão reduzidas e, consequentemente, o lucro será aumentado (no curto prazo).
Por outro lado, tal estratégia fará com que os funcionários trabalhem desmotivados e diminuam seu comprometimento, gerando um aumento na rotatividade (troca de funcionários) e, consequentemente, nos
gastos com recrutamento, seleção e treinamento de novos funcionários. Além disso, abre-se espaço para que os funcionários entrem com ações trabalhistas na justiça. Todas estas conseqüências, geradas pela busca do aumento no lucro prejudicando um dos stakeholders, farão com que a organização tenha uma redução do lucro no médio e longo prazo.
Logicamente, o diretor financeiro deve priorizar o aumento do lucro da empresa; portanto, Gitman (2001) sugere que sua meta não seja de maximizar o bem-estar dos stakeholders, mas sim de preservá-lo. Tal autor também lembra que a questão dos stakeholders não altera a meta de maximização da riqueza dos proprietários. Tal assunto é muitas vezes considerado parte da “responsabilidade social” da empresa. Espera-se que ela forneça benefícios em longo prazo para os proprietários por intermédio da manutenção de relações positivas com os stakeholders. Tais relações devem minimizar a rotatividade de stakeholders, conflitos e litígios. Claramente, a empresa pode atingir melhor sua meta de maximização da riqueza dos proprietários com a cooperação de – em vez do conflito com – seus outros stakeholders.
Tanto o exemplo citado de prejudicar os funcionários para reduzir despesas e aumentar o lucro, quanto outros que podem citados em relação a outros stakeholders (governo: sonegação de impostos; clientes: produtos fora das normas do Inmetro etc.), levantam a questão da ética (padrões de conduta ou julgamento moral). Gitman (2001) afirma que a comunidade de negócios em geral e a comunidade financeira em particular estão desenvolvendo e impondo padrões éticos. A meta desses padrões é motivar as empresas e os participantes do mercado a aderir tanto ao texto quanto ao espírito das leis e regulamentações que dizem respeito aos negócios e às práticas profissionais.
Responsabilidade Social: o quadro
de funcionários deve ser o primeiro
stakeholder com o qual o gestor
financeiro deve preocupar-se quando decide atuar com responsabilidade social. Exemplo: fornecendo benefícios além daqueles que a lei exige.
FONTE: BANCO DE IMAGENS DA EDITORA COC - ID: 905460.
Atividades
Para que você possa revisar os conceitos teóricos apresentados, responda às seguintes questões:
1ª) Em sua opinião, por que os “intermediários” também podem ser catalogados como recursos mercadológicos?
2ª) Em sua opinião, qual dos departamentos de uma organização deve ser considerado o mais importante? Por quê?
3ª) Pode-se afirmar que a importância do departamento financeiro tem aumentado nas últimas décadas? Por quê?
4ª) Qual a diferença entre regime de caixa e regime de competência? Descreva um “fato financeiro real” para exemplificar tal diferença. 5ª) Elabore um exemplo prático para mostrar que o lucro no curto
prazo pode ser aumentado caso o diretor financeiro deixe de preservar devidamente o bem-estar do cliente, um dos stakeholders de uma organização. Quais seriam os impactos desta atitude no longo prazo? Por quê?
1.7 Reflexão
Ao ler a primeira unidade da apostila, você iniciou seu estudo sobre Gestão Financeira. O foco de tal área de estudo é estudar e desenvolver técnicas e procedimentos para aumentar a eficiência na utilização dos recursos financeiros de uma organização.
Em organizações de grande porte, torna-se necessária a estruturação de um departamento financeiro para gerir de forma mais eficiente os recursos financeiros. O profissional responsável por tal departamento é chamado de diretor financeiro. Este profissional, na busca por atingir seu principal objetivo, que é contribuir para a maximização dos lucros dos proprietários da organização, enfrenta duas grandes dificuldades que podem ser resumidas por intermédio de duas indagações:
1) Como aumentar o lucro sem prejudicar a liquidez?
2) Como aumentar o lucro sem prejudicar o relacionamento com os
stakeholders?
Pode-se dizer que o administrador financeiro que conseguir contornar essas dificuldades exercerá seu papel com sucesso e contribuirá para que a organização onde esteja atuando consiga ter um crescimento sustentável.
1.8 Leitura recomendada
Sugere-se a leitura do artigo discriminado na sequência:
Título do artigo: A ética empresarial como diferencial competitivo
Autor: Juliana Lucas de Sousa Fonte: www.administradores.com.br
1.9 Referências
ASSAF NETO, Alexandre. Finanças corporativas e valor. São Paulo: Atlas, 2003.
BREALEY, Richard A., MYERS, Stewart C., MARCUS, Alan J.
Fundamentos da Administração Financeira. 3º ed. Rio de Janeiro:
McGraw-Hill Irwin, 2002.
GITMAN, Lawrence J. Princípios de administração financeira –
essencial. 2º ed. Porto Alegre: Bookman, 2001.
CHIAVENATO, Idalberto. Iniciação à Administração Geral. 2º ed. São Paulo: Makron Books, 1994.
MEGLIORINI, Evandir, DA SILVA, Marco Aurélio Vallim Reis.
Administração Financeira: uma abordagem prática. São Paulo:
Pearson Prentice Hall, 2009.
WESTON, J. Fred e BRIGHAM, Eugene F. Fundamentos da
MERCADO FINANCEIRO
Na Unidade 2, apresentaremos os conceitos e características do mercado financeiro, assim como das suas quatro subdivisões: mercado monetário, mercado de crédito, mercado de capitais e mercado cambial. Posteriormente, definiremos o que é e qual a importância do Sistema Financeiro Nacional. Na sequência, mostraremos que, didaticamente, o sistema financeiro nacional pode ser subdividido em três grandes subsistemas: normativo, apoio e intermediação financeira. No final da unidade 2, conheceremos as características e algumas curiosidades das principais instituições que compõem o sistema financeiro nacional.
Objetivos da sua aprendizagem
Aprender o conceito de mercado financeiro e visualizar suas características e subdivisões. Entender a importância de tal mercado para a eficiente gestão dos recursos financeiros de uma organização. Conhecer as principais características e algumas curiosidades sobre
Você se lembra?
Você sabe exatamente o que é mercado financeiro? Será que já ouviu dizer que ele pode ser subdividido em quatro outros mercados? Conhece a relação entre o mercado financeiro e o sistema financeiro nacional? Sabe quais são e qual a importância das instituições que compõem o sistema financeiro nacional? Nesta unidade, você terá oportunidade de aprender estes e vários outros temas relacionados ao estudo do mercado financeiro.
2.1 Conceito e características
Ao recorrermos ao dicionário, podemos encontrar diversas definições para a palavra “mercado”. Entre tais definições, a que melhor se adéqua ao sentido que utilizaremos em nosso estudo é: “oferta e procura de bens e/ou serviços e/ou capitais”. Dependendo do que será ofertado e procurado, podemos classificar os mercados em tipos diferentes.
No mercado financeiro, compra-se e vende-se “dinheiro” e também alguns tipos de “papéis” que podem ser facilmente convertidos em dinheiro neste mesmo mercado. Um dos papéis mais conhecidos são as ações ofertadas pelas Sociedades Anônimas (S/A) de capital aberto e compradas por investidores. Por meio da figura 1, você pode observar a dinâmica de funcionamento do mercado financeiro, que, segundo Rudge e Cavalcante (1993), é composto por três participantes:
Tomadores finais: são aqueles que se encontram em posição de
déficit financeiro, isto é, aqueles que pretendem gastar (em consumo e/ou investimento) mais do que sua renda. Eles precisam do complemento de poupanças de outros para executar seus planos, dispondo-se a pagar juros pelo capital que conseguirem;
Ofertadores finais: são aqueles que se encontram em posição de
superávit financeiro, isto é, aqueles que pretendem gastar (em consumo e/ou investimento) menos do que sua renda;
Sistema financeiro: é o conjunto de instituições e instrumentos
financeiros que possibilitam a transferência de recursos (dinheiro) dos ofertadores finais para os tomadores finais, e criam condições para que os “papéis” tenham liquidez no mercado financeiro.
FIGURA 1.PARTICIPANTES DO MERCADO FINANCEIRO
FONTE: RUDGE E CAVALCANTE (1993, P. 57)
Conforme você estudou no subitem 1.5 desta apostila, “Relações Bancárias” é um dos órgãos que compõem a Tesouraria de uma empresa de grande porte. Sua função é manter relacionamento com Bancos e outras Instituições Financeiras, tanto para obtenção de empréstimos ou financiamentos externos (quando a empresa apresenta déficit), como para utilização de contas bancárias, e ainda para aplicação de excedentes financeiros (quando a empresa apresenta superávit).
2.2 Subdivisões do mercado financeiro
Didaticamente, segundo Assaf Neto (2005), o mercado financeiro pode ser subdividido em quatro tipos de mercado: monetário, de crédito,
MERCADO FINANCEIRO Ofertador Final Sistema Financeiro Tomador Final Capital + juros Capital
referência para o estudo do mercado financeiro, essas subdivisões muitas vezes se confundem na prática, permitindo que as várias operações financeiras interajam por meio de um amplo sistema de comunicações. Na sequência, você poderá conhecer as características de cada uma das quatro subdivisões do mercado financeiro.
2.2.1 Mercado monetário
Neste mercado, são comprados e vendidos títulos privados e públicos. Tais títulos são negociados utilizando-se como parâmetro uma taxa de juros. Os títulos são “papéis” emitidos por instituições públicas (exemplo: Banco Central) ou instituições privadas (exemplo: Bancos Comerciais), que neste caso, atuam como tomadores, com o intuito de captar dinheiro das pessoas físicas ou jurídicas que estão com superávit de caixa, os ofertadores.
Títulos públicos: podem ser emitidos pelo Banco Central com o
objetivo de aumentar ou diminuir a liquidez do mercado [Exemplo: Letra do Banco Central (LBC)], ou pelos Governos Federal, Estadual ou Municipal, com o objetivo de antecipar receitas orçamentárias ou financiar déficits fiscais [Exemplo: Letra do Tesouro Nacional (LTN)];
Títulos privados: são emitidos por instituições financeiras
bancárias com o objetivo de levantar recursos financeiros para seu caixa. Exemplos: Certificado de Depósito Interfinanceiro (CDI), que é negociado somente entre instituições financeiras, e Certificado de Depósito Bancário (CDB), negociado entre as instituições financeiras e os ofertadores do mercado financeiro.
Os títulos estaduais e municipais, segundo Assaf Neto (2005), apresentam baixa liquidez no mercado, tendo uma circulação mais restrita, enquanto os títulos federais, ao contrário, possuem uma maior aceitação e liquidez.
Como a imensa maioria dos títulos públicos e privados são escriturais, ou seja, não são emitidos fisicamente, é imprescindível que as negociações que ocorrem no mercado monetário sejam registradas “em algum lugar”. Somente assim os investidores (ofertadores) terão confiabilidade em adquirir tais títulos. Diante dessa necessidade, foram criados dois sistemas de informática para registrar, controlar, custodiar e liquidar os títulos públicos e privados, conhecidos por Selic e Cetip.
Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic): foi
desenvolvido pelo Banco Central do Brasil e pela Associação Nacional das Instituições do Mercado Aberto (Andima) em 1979, tendo por finalidade registrar, controlar, custodiar e liquidar os títulos públicos de emissão do Banco Central e do Tesouro Nacional;
Central de Custódia e de Liquidação Financeira de Títulos Privados (Cetip): foi desenvolvido em 1986 como um sistema
bastante semelhante ao da Selic, porém, abrigando títulos privados. De acordo com Assaf Neto (2005), algumas vezes, o sistema opera também com títulos públicos que se encontram em poder do setor privado da economia.
Para controlar a utilização dos depósitos à vista, o Banco Central criou contas de depósito compulsório, ou seja, uma parcela do volume de recursos que os correntistas mantêm em depósito à vista deve ser depositada em uma conta que as instituições financeiras bancárias
pode ser alterado como forma de controlar a quantidade de dinheiro que existe na economia, estimulando ou inibindo, dessa forma, seu crescimento.
2.2.2 Mercado de crédito
Neste mercado, as instituições financeiras atuam como “ofertadoras”, pois “vendem”, por intermédio de contratos de empréstimos e financiamentos, recursos financeiros às pessoas físicas e jurídicas que se encontram em posição de déficit financeiro, atuando, neste caso, como “tomadoras”.
Na unidade 4 desta apostila, serão apresentadas algumas operações que as instituições financeiras disponibilizam para as Entidades Educacionais suprirem suas necessidades de recursos financeiros para capital de giro e para investimentos.
2.2.3 Mercado de capitais
Além das pessoas jurídicas conseguirem levantar recursos financeiros no mercado de crédito junto às instituições financeiras, também podem obter recursos de investidores via mercado de capitais, desde que sejam constituídas juridicamente como Sociedades Anônimas (S/A). O mercado de capitais pode ser definido como o “lugar” onde são comprados e vendidos títulos chamados de valores mobiliários (exemplos: debêntures, commercial papers e ações).
Quando os investidores, pessoas físicas ou jurídicas, direcionam seus recursos financeiros às Sociedades Anônimas que procuram o mercado de capitais, podem assumir dois tipos de papéis diferentes:
Credor: quando compra um título de crédito (debênture ou
commercial paper) emitido por uma Sociedade Anônima de capital
aberto ou de capital fechado. Nesse caso, a S/A passa a ter uma dívida com o investidor, com prazo de vencimento e incidência de juros, que é contabilizada no Passivo Circulante (quando o título é de curto prazo) ou no Exigível a Longo Prazo (quando o título é de longo prazo);
Sócio: quando compra uma ação emitida por uma Sociedade
Anônima de capital aberto. Nesse caso, a S/A também passa a ter uma dívida com o investidor, mas não há prazo de vencimento nem incidência de juros, pois, na verdade, ele se tornou sócio da empresa, com direito a receber dividendos caso a S/A obtenha lucro. Portanto, a “dívida” com o novo sócio é contabilizada no Patrimônio Líquido.
2.2.4 Mercado cambial
Neste mercado, são negociadas moedas internacionais conversíveis em moeda nacional [Real (R$)]. O mercado cambial reúne todos os agentes econômicos que tenham motivos para comprar ou vender moeda estrangeira. As empresas exportadoras, por exemplo, vendem seu produto para o exterior e recebem em moeda estrangeira; portanto, precisam vender a moeda estrangeira que receberam e comprar Reais, que é a moeda utilizada em nosso país. Por outro lado, as empresas
importadoras compram produtos do exterior; portanto, precisam
comprar moeda estrangeira para efetuar o pagamento à empresa que efetuou a venda.
O Banco Central atua no mercado cambial visando principalmente ao controle das reservas cambiais da economia e à manutenção do valor da moeda nacional em relação às
outras. A atuação do BC dá-se pela compra ou venda de moeda
estrangeira no mercado.
As operações de compra e venda de moeda estrangeira são realizadas pelo Banco Central por intermédio das corretoras de câmbio, que elaboram e intermediam todo o processo operacional envolvido na compra ou venda de moeda estrangeira pelos agentes econômicos (empresas importadoras ou exportadoras).
2.3 Sistema financeiro nacional
Conforme definido no subitem 2.1, o sistema financeiro é o conjunto de instituições e instrumentos financeiros que possibilitam a transferência de recursos (dinheiro) dos ofertadores finais para os tomadores finais, ecriam condições para que os “papéis” tenham liquidez no mercado financeiro.
É imprescindível que existam tais instituições no mercado financeiro, pois, do contrário, os ofertadores e os
tomadores não conseguiriam realizar sozinhos suas
transações de compra e venda de dinheiro e de títulos (papéis). Além disso, também é imprescindível que existam instrumentos financeiros, ou seja, regras e procedimentos para que tais transações sejam realizadas com segurança e transparência.
Didaticamente, o sistema financeiro nacional pode ser subdividido em três grandes subsistemas: normativo, apoio e intermediação financeira, conforme pode ser observado na figura 2.
FIGURA 2.ESTRUTURA DO SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL
FONTE: ADAPTADO DE ASSAF NETO (2005, P. 81)
2.4 Subsistema Normativo
Para que qualquer mercado possa funcionar de forma organizada e transparente, é imprescindível que exista “alguém” para ditar as “regras do jogo”. Além disso, também deve existir “alguém” para verificar se tais
Sistema Financeiro Nacional
Subsistema Normativo
Conselho Monetário Nacional
Banco Central do Brasil Monetário Nacional Comissão de Valores Mobiliários
Subsistema de Apoio
Subsistema de Intermediação
Instituições Financeiras Bancárias
Inst. Financeiras Não Bancárias
Instituições Auxiliares
Instituições Não Financeiras
Banco do Brasil Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social Caixa Econômica Federal
Box Conexão
As principais instituições que compõem o subsistema normativo brasileiro são o Conselho Monetário Nacional (CMN), o Banco
Central do Brasil (BACEN) e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Para maiores informações sobre tais instituições, consulte,
respectivamente, os seguintes sites: www.fazenda.gov.br/portugues/orgaos/cmn/cm
n.asp, www.bacen.gov.br e www.cvm.gov.br/. Para maiores informações sobre as instituições
que compõem o subsistema de apoio, consulte, respectivamente, os seguintes sites:
www.bb.com.br, www.bndes.gov.br e www.caixa.gov.br.
composto por instituições que ditam as
normas de funcionamento do mercado
financeiro e as controlam, ou seja, verificam se estão sendo cumpridas.
2.5 Subsistema de Apoio
Enquanto Assaf Neto (2005) chama de “especiais” as instituições do sistema financeiro que fazem parte deste grupo: Banco do Brasil (BB), Banco Nacional
de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Caixa Econômica Federal (CEF), Fortuna (1999) as chama de “autoridades de apoio”. Acredito que você deva concordar que o nome “autoridades de apoio” seja melhor, pois um dos principais objetivos dessas instituições é “apoiar” o Governo Federal a colocar em prática algumas de suas políticas.
O BB apoia o Governo Federal a colocar em prática sua política oficial de crédito rural (empréstimos a agricultores), enquanto o BNDES é responsável pela política de investimentos de longo prazo para aquisição de máquinas e equipamentos, exportação etc. Além deles, ainda existe a CEF, que é o principal agente do Sistema Financeiro de Habitação (SFH), atuando no financiamento da casa própria, principalmente no segmento de baixa renda.
2.6 Subsistema de Intermediação
Este subsistema é composto por instituições que atuam em operações de intermediação financeira, por isso, também é conhecido como subsistema operativo. Didaticamente, de acordo com características semelhantes que possuem, as instituições que compõem este subsistema podem ser classificadas em quatro categorias, apresentadas na sequência.
2.6.1 Instituições Financeiras Bancárias
Possuem como principal característica a possibilidade de abrirem contas correntes para seus clientes. Ao movimentarem tais contas, os clientes podem manter um saldo positivo, que é chamado de depósito a
vista. As instituições financeiras bancárias podem emprestar para outros
clientes, descontando-se o percentual do depósito compulsório (vide subitem 2.2.1), o montante que possuem em depósitos a vista. Nesta categoria, são classificadas três tipos de instituições:
Bancos Comerciais: executam operações de crédito
caracteristicamente de curto prazo (exemplo: cheque especial), atendendo, dessa maneira, às necessidades de recursos para capital de giro das pessoas físicas e jurídicas. Além disso, prestam diversos outros tipos de serviços, tais como: pagamento de cheques, transferência de fundos, cobranças diversas etc;
Bancos Múltiplos: na verdade, são várias instituições do mesmo
grupo econômico agrupadas em uma única instituição financeira com personalidade jurídica própria, visando à redução de custos operacionais;
Caixas Econômicas: são instituições públicas cujo principal
objetivo é conceder financiamentos para programas e projetos que contribuam com o desenvolvimento da sociedade. Além disso, também prestam os mesmo serviços que um banco comercial.
2.6.2 Instituições Financeiras não Bancárias
Ao contrário das instituições financeiras bancárias, as instituições classificadas nesta categoria não possuem permissão para abrir contas correntes para seus clientes, ficando impossibilitadas de utilizarem recursos provenientes de depósitos a vista.
Bancos de Investimentos: sua principal função é conceder
empréstimos e financiamentos para pessoas jurídicas, objetivando a aquisição de capital de giro (estoques) ou capital fixo (“imobilizado”: móveis, imóveis, veículos etc). Também são especializadas em preparar empresas para a abertura do capital junto à Bolsa de Valores (venda de ações);
Sociedades de Crédito, Financiamento e Investimento: são mais
conhecidas no mercado pelo nome de Financeiras e se dedicam ao financiamento de bens duráveis às pessoas físicas por intermédio de uma operação de crédito conhecida por Crédito Direto ao Consumidor (CDC). Também oferecem uma operação de empréstimos conhecida pelo nome de Crédito Pessoal;
Sociedades de Arrendamento Mercantil: são mais conhecidas
como empresas de Leasing e financiam, por intermédio de um contrato de arrendamento (aluguel), a compra de bens, como máquinas, equipamentos e veículos.
2.6.3 Instituições Auxiliares
São instituições que “auxiliam” e viabilizam a existência do mercado de capitais, ou seja, do mercado onde são negociados os valores mobiliários (debêntures, commercial papers e ações).
Bolsa de Valores: por intermédio de um acordo firmado em agosto
de 2000, todas as Bolsas brasileiras foram integradas em uma só: a Bolsa de Valores de São Paulo. Atualmente, a BOVESPA é o maior centro de negociação com ações da América Latina. Até agosto de 2007, era uma associação civil sem fins lucrativos. A partir de tal data, tornou-se uma Sociedade Anônima. Seu objetivo básico é o de manter um local em condições adequadas para a realização de operações de compra e venda de valores mobiliários;
Corretoras de Valores: são empresas cuja principal atividade é
intermediar a compra e a venda de valores mobiliários para seus clientes. A negociação é feita por “operadores”, que são funcionários das corretoras.
2.6.4 Instituições não Financeiras
São instituições que, apesar de não serem consideradas financeiras, exercem papel importante no mercado financeiro.
Sociedades de Fomento Comercial – Factorings: são empresas
comerciais (não financeiras) que adquirem recebíveis (duplicatas e cheques pré-datados) de pessoas jurídicas. A Factoring antecipa o montante do recebível para seu cliente, descontando um valor que é calculado por intermédio da cobrança de uma taxa de juros;
Companhias Seguradoras: estão consideradas no sistema
financeiro pelo fato de terem a obrigação de aplicar parte de suas reservas técnicas no mercado de capitais. São instituições que, mediante o recebimento de um valor cobrado dos segurados, garantem a cobertura financeira do objeto selecionado para o seguro;
Administradores de Cartão de Crédito: prestam serviços de
intermediação entre os consumidores e as empresas do setor varejista. O consumidor titular do cartão de crédito paga anuidade à Administradora e a empresa “varejista” paga uma comissão sobre os valores vendidos por intermédio do cartão de crédito.
Atividades
Para que você possa revisar os conceitos teóricos apresentados, responda às seguintes questões:
1ª) Atualmente, você se considera um tomador ou um ofertador no mercado financeiro? Por quê?
2ª) Caso possuísse uma quantia expressiva para investir no mercado monetário, você preferiria comprar um título público (LTN) ou um título privado (CDB)? Por quê?
3ª) Para uma Sociedade Anônima (S/A), quais as vantagens e as desvantagens de se captar dinheiro por intermédio da venda de ações ou por intermédio da venda de títulos de crédito?
4ª) Caso você fosse a Brasília, seria possível conhecer a sede do Conselho Monetário Nacional? Por quê?
5ª) Cite e comente a principal vantagem que as instituições financeiras bancárias possuem em relação às instituições financeiras não bancárias?
6ª) Caso uma empresa queira se “transformar” em uma Sociedade Anônima de capital aberto, visando à obtenção de recursos financeiros por intermédio da venda de ações, deve procurar qual instituição do sistema financeiro? Por quê?
2.7 Reflexão
No mercado financeiro, compra-se e vende-se “dinheiro”, e também alguns tipos de “papéis”. Didaticamente, podemos dividi-lo em quatro tipos de mercado: monetário, de crédito, de capitais e cambial. No mercado monetário, são comprados e vendidos títulos privados e públicos. No mercado de crédito, as pessoas físicas e jurídicas que se encontram em posição de déficit financeiro podem obter empréstimos e financiamentos. No mercado de capitais, as organizações constituídas juridicamente como Sociedades Anônimas (S/A) podem obter recursos de investidores por intermédio da venda de valores mobiliários. No mercado cambial, são negociadas moedas internacionais conversíveis em Real.
O sistema financeiro é o conjunto de instituições e instrumentos financeiros que possibilitam a transferência de recursos (dinheiro) dos ofertadores finais para os tomadores finais, e criam condições para que os “papéis” tenham liquidez no mercado financeiro. Didaticamente, o sistema financeiro nacional pode ser subdividido em três grandes subsistemas: normativo, apoio e intermediação financeira.
O subsistema normativo é composto por instituições que ditam as normas de funcionamento do mercado financeiro e as controlam, ou seja, verificam se estão sendo cumpridas. O subsistema de apoio é composto por instituições que “apoiam” o Governo Federal a colocar em prática algumas de suas políticas. O subsistema de intermediação é composto por instituições que atuam em operações de intermediação financeira, por isso, também é conhecido como subsistema operativo.
2.8 Leitura recomendada
Sugere-se a leitura do artigo discriminado na sequência:
Título do artigo: Avanço verde-amarelo Autor: Rodolfo C. Bonventti
Fonte: http://revistaensinosuperior.uol.com.br
2.9 Referências
ASSAF NETO, Alexandre. Finanças corporativas e valor. São Paulo: Atlas, 2003.
ASSAF NETO, Alexandre. Mercado Financeiro. São Paulo: Atlas, 2005.
FORTUNA, Eduardo. Mercado financeiro: produtos e serviços. 12º ed. Rio de Janeiro: Qualitymark, 1999.
GITMAN, Lawrence J. Princípios de administração financeira –
essencial. 2º ed. Porto Alegre: Bookman, 2001.
RUDGE, Luiz Fernando, CAVALCANTE, Francisco. Mercado de
Capitais. Belo Horizonte: CNBV, 1993.
WESTON, J. Fred e BRIGHAM, Eugene F. Fundamentos da
GESTÃO DO
CAPITAL DE GIRO E
DAS DISPONIBILIDADES
Na Unidade 3, apresentaremos o balanço patrimonial como uma fonte de dados para se obter o valor do capital de giro. Posteriormente, mostraremos como são calculados os valores do capital de giro líquido e do índice de liquidez corrente. Na sequência, mostraremos os motivos que levam as organizações a manterem determinado nível de saldo em caixa, assim como os fatores que afetam sua gestão. No final da unidade 3, conheceremos a forma pela qual deve ser feita a gestão de contas bancárias e de aplicações financeiras de curto prazo.
Objetivos da sua aprendizagem
Visualizar a estrutura do balanço patrimonial e aprender sua relação com os cálculos do capital de giro líquido e do índice de liquidez corrente. Conhecer os motivos que levam as organizações a manterem determinado saldo em seu caixa. Entender a importância de se gerir com eficácia as contas bancárias e as aplicações
Você se lembra?
Você sabe o que é capital de giro líquido? Será que já ouviu dizer que as organizações precisam manter determinado nível de saldo em seu caixa? Conhece a importância de se gerir com eficácia as contas bancárias e as aplicações financeiras de curto prazo? Nesta unidade, você terá oportunidade de aprender estes e vários outros temas relacionados à gestão do capital de giro e das disponibilidades.
3.1 Relação entre capital de giro e balanço patrimonial
Antes de se iniciar o estudo do Capital de Giro Líquido (CGL), é importante que sejam fornecidas algumas explicações sobre a fonte de dados utilizada para calculá-lo. Para se calcular o CGL de uma organização, devem ser extraídos dados de seu Balanço Patrimonial.
De acordo com Matarazzo (2003), Balanço Patrimonial é a demonstração contábil que apresenta todos os bens e direitos da empresa (chamados de ATIVOS), assim como todas as suas obrigações (chamadas de PASSIVOS), em uma determinada data. A diferença entre os bens e direitos e as obrigações com terceiros (bancos, fornecedores etc.) é chamada de Patrimônio Líquido e representa o capital investido pelos proprietários, quer por meio de recursos financeiros trazidos de fora da empresa, quer gerados por esta em suas operações e retidos internamente.
De forma simplificada, pode-se dizer que o Balanço Patrimonial permite que se identifique:
As fontes de recursos financeiros utilizados pela organização (deve-se olhar o valor total do PASSIVO, lembrando-(deve-se que o valor do Patrimônio Líquido representa o valor que foi investido pelos proprietários, e os valores do Passivo Circulante e do Exigível a Longo Prazo representam o valor que a organização pegou emprestado de terceiros, como Instituições Bancárias, por exemplo);
Os bens e direitos em que esses recursos financeiros se acham investidos. (Deve-se olhar o valor total do ATIVO, lembrando-se de que o valor do Ativo Permanente representa o montante de bens
que a empresa possui, enquanto os valores do Ativo Circulante e do Realizável a Longo Prazo representam seu total de direitos, como, por exemplo, o valor das vendas a prazo que têm a receber de seus clientes).
Para que você conheça a estrutura de um Balanço Patrimonial, apresentamos um exemplo fictício simplificado, ou seja, contendo poucas contas (vide Quadro 1). Em seguida, definimos o que são o ativo e o passivo circulante, pois tais itens do Balanço Patrimonial serão utilizados para se calcular o Capital de Giro Líquido de uma organização (vide subitem 3.3).
QUADRO 1.BALANÇO PATRIMONIAL FICTÍCIO DE UMA ORGANIZAÇÃO EM 31/12/2007
Valores (em $ milhões) 2007 Valores (em $ milhões) 2007
Ativo Circulante 164 Passivo Circulante 127
Disponibilidades 10 Fornecedores 57
Aplicações Financeiras 25 Empréstimos Bancários 26 Contas a Receber 72 Salários e Encargos Sociais 9
Estoques 57 Impostos e Contribuições 35
Realizável a Longo Prazo 44 Exigível de Longo Prazo 75
Contas a Receber 44 Empréstimos Bancários 75
Ativo Permanente 123 Patrimônio Líquido 129
Imobilizado 111 Capital Social 89
Investimentos 12 Lucros Acumulados 40
ATIVO TOTAL 331 PASSIVO TOTAL 331
Ativo Circulante: representa o somatório de todos os direitos que
para utilização imediata ou conversíveis em moeda corrente a qualquer momento;
Passivo Circulante: compreende os valores de todas as obrigações
da organização vencíveis no prazo de um ano. Essas obrigações devem ser tanto as conhecidas (por exemplo, as duplicatas a pagar), como as calculáveis com precisão (por exemplo, valores de juros e do 13º salário dos funcionários). Pode-se dizer que são as obrigações que se tem com “terceiros”, ou seja, com pessoas físicas ou jurídicas que não sejam os proprietários da organização.
3.2 Conceito de capital de giro
Após você ter conhecido a estrutura de um Balanço Patrimonial, retomamos o assunto inicial, que é o cálculo do Capital de Giro Líquido (CGL). Ao se utilizar o termo “líquido”, subentende-se que exista o Capital de Giro “Bruto”, ou, simplesmente, Capital de Giro.
Podemos definir Capital de Giro como o somatório das disponibilidades (“dinheiro”) que uma organização possui e todos os outros direitos que, no curto prazo, podem ser convertidos em disponibilidades. Diante desta definição, podemos concluir que o Capital de Giro, na prática, pode ser obtido ao se identificar o valor do Ativo Circulante, pois ele representa o somatório de todos os direitos que a organização possui no curto prazo, ou seja, os valores disponíveis para utilização imediata ou conversíveis em moeda corrente a qualquer momento. Caso utilizemos os dados apresentados no Quadro 1, podemos concluir que a organização possui um Capital de Giro de $ 164.000.000,00. Lembre-se: Capital de Giro = Ativo Circulante
Nos segmentos comerciais e industriais, a conta estoques representa um valor expressivo no
total do Capital de Giro de uma organização. No caso das Entidades
Educacionais, contabilizam-se na conta estoques somente os valores
dos estoques de materiais de escritório e limpeza; portanto, não se
tratam de valores expressivos.
O estudo do Capital de Giro é fundamental para a administração financeira, porque toda organização precisa recuperar os gastos envolvidos no processo produtivo e obter o lucro desejado, por meio da venda do produto ou da prestação do serviço.
O nome Capital de Giro é utilizado pelo fato dos recursos ficarem “girando” dentro da organização, transformando-se em itens diferentes e sofrendo acréscimos a cada etapa, até transformarem- se novamente em “dinheiro”, devendo estar
maior do que o valor original.
3.3 Capital de giro líquido
(CGL)
Após termos definido o que é Capital de Giro, podemos, finalmente, definir o que é Capital de Giro Líquido.
Tecnicamente, a circulação do capital de giro não fica restrita ao ativo circulante, pois ela também pode circular pelas contas do passivo circulante. Por exemplo, a organização pode adquirir matéria-prima e não pagar o fornecedor à vista, dessa forma, não haverá saída de dinheiro e passa-se a ter uma dívida com tal
fornecedor, que será contabilizada no passivo circulante. Consequentemente, o cálculo do Capital de Giro Líquido (CGL), também conhecido por Capital Circulante Líquido (CCL), é obtido por meio da seguinte fórmula:
Ao calcularmos o CGL de uma organização, também é importante que se calcule seu Índice de Liquidez Corrente (ILC), pois duas organizações podem possuir valores idênticos de CGL e realidades financeiras totalmente diferentes. Para que você entenda melhor tal afirmação, observe o Quadro 2.
QUADRO 2.VALORES DE CGL DE DUAS ORGANIZAÇÕES
Organizações Ativo Circulante Passivo Circulante CGL A $ 1.200.000,00 $ 1.100.000,00 $ 100.000,00 B $ 120.000,00 $ 20.000,00 $ 100.000,00
Ao observar o Quadro 2, você pode constatar que, apesar de possuírem valores idênticos de CGL, a empresa B possui uma situação muito mais confortável que a empresa A, ou seja, ela tem “direitos” de curto prazo ($ 120.000,00) seis vezes maiores que suas “obrigações” de curto prazo ($ 20.000,00).
Ao estabelecermos tal relação, na realidade, estamos calculando o Índice de Liquidez Corrente (ILC) da organização. Para se calcular o ILC, basta dividirmos o valor do Ativo Circulante pelo valor do Passivo Circulante (vide Quadro 3), ou seja, o ILC é obtido por meio da seguinte fórmula:
QUADRO 3.COMPARAÇÃO ENTRE OS VALORES DO CGL E DO ILC
Organizações CGL ILC
A $ 100.000,00 1,09
B $ 100.000,00 6
Para concluirmos o tema CGL, é importante lembrarmos que, ao calculá-lo, podemos encontrar três tipos de resultados:
CGL nulo (0) AC = PC (índice de liquidez corrente = 1);
CGL negativo (-) AC PC (índice de liquidez corrente 1);
CGL positivo (+) AC PC (índice de liquidez corrente 1). Caso utilizemos os dados apresentados no Quadro 1 (vide subitem 3.1), podemos concluir que a organização fictícia possui:
Capital de Giro Líquido de $ 37.000.000,00 ($ 164 MM - $ 127 MM);
Índice de Liquidez Corrente de 1,29 ($ 164 MM / $ 127 MM).
3.4 Manutenção de saldo de caixa
As disponibilidades de uma organização são o somatório de seu dinheiro, dos seus depósitos bancários à vista (saldos em contas correntes) e das suas aplicações financeiras bancárias. Portanto, a gestão
de disponibilidades envolve o controle dos saldos que a empresa possui
em seu próprio caixa (dinheiro) e dos saldos que mantém em instituições financeiras bancárias (depósitos à vista e aplicações financeiras).