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Superior Tribunal de Justiça

RECURSO ESPECIAL Nº 641.591 - SC (2004/0024474-5)

RELATOR : MINISTRO CASTRO MEIRA

RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL

PROCURADOR : DOLIZETE FÁTIMA MICHELIN E OUTRO(S) RECORRENTE : MÓVEIS REALEZA LTDA

ADVOGADO : LUIZ ROBERTO RECH E OUTRO RECORRIDO : OS MESMOS

EMENTA

TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. TESE RECURSAL. PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. IPI. AQUISIÇÃO DE MATÉRIA-PRIMA ISENTA, NÃO TRIBUTADA OU SUJEITA À ALÍQUOTA ZERO. CRÉDITO. PRESCRIÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. ART. 166 DO CTN.

1. A prescrição dos valores referentes ao benefício do crédito-prêmio do IPI é qüinqüenal, contada a partir do ajuizamento da ação.

2. A tese recursal no sentido de que admissível a compensação dos créditos do IPI com outros tributos federais, lastreada nas alterações da Lei nº 9.430/96 promovidas pela Lei nº 10.637/02, não foi objeto de debate pela Corte regional. Incidência da Súmula 211 deste Tribunal.

3. É inaplicável o disposto no artigo 166 do Código Tributário Nacional à hipótese de direito ao crédito-prêmio do IPI, por não se tratar de repetição de indébito ou compensação.

4. A Primeira Seção, ao apreciar os Embargos de Divergência 468.926/SC, Rel. Min. Teori Zavascki, publicado no DJU de 13.04.05, entendeu ser devida a correção monetária dos créditos de IPI decorrentes da aquisição de insumos e matéria-prima utilizados na fabricação de produtos sujeitos à alíquota zero, isentos ou não tributados, quando o ente público impõe resistência ao aproveitamento dos créditos.

5. Recurso especial de Móveis Realeza Ltda. provido em parte. Recurso especial da Fazenda Nacional não conhecido.

ACÓRDÃO

Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, dar parcial provimento ao recurso de Móveis Realeza Ltda. e não conhecer do recurso da Fazenda Nacional, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Humberto Martins, Herman Benjamin e Eliana Calmon votaram com o Sr. Ministro Relator.

Brasília, 04 de dezembro de 2007 (data do julgamento).

Ministro Castro Meira Relator

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Superior Tribunal de Justiça

RECURSO ESPECIAL Nº 641.591 - SC (2004/0024474-5)

RELATOR : MINISTRO CASTRO MEIRA

RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL

PROCURADOR : DOLIZETE FÁTIMA MICHELIN E OUTRO(S) RECORRENTE : MÓVEIS REALEZA LTDA

ADVOGADO : LUIZ ROBERTO RECH E OUTRO RECORRIDO : OS MESMOS

RELATÓRIO

O EXMO. SR. MINISTRO CASTRO MEIRA (Relator): Trata-se de recursos especiais interpostos contra acórdão prolatado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, nestes termos ementado:

"TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI. MATÉRIAS PRIMAS E INSUMOS ISENTOS OU SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. DIREITO DE CREDITAMENTO.

No caso de matérias-primas, insumos e demais produtos que ingressarem no estabelecimento fabril para serem utilizados no processo industrial sem que tenha sido pago IPI na operação anterior, cabe o creditamento para ser abatido do imposto devido sobre o produto transformado. Se não houver o creditamento, a imunidade, isenção ou tributação à alíquota zero de determinada operação anular-se-á na operação seguinte, quando o imposto incidirá sobre o valor total da mercadoria e não sobre o valor agregado. Teríamos, então, mero diferimento do imposto. Este efeito, além de violar o princípio da não-cumulatividade, compromete os objetivos extrafiscais pretendidos com o benefício da isenção ou taxação à alíquota zero, pois a carga fiscal apenas se transfere para uma etapa seguinte do processo produtivo.

Apelação da autora provida. Apelação da União e remessa oficial providas em parte" (fl. 101).

Opostos embargos de declaração, foram rejeitados (fls. 130/131-verso).

A Fazenda Nacional interpõe recurso especial com fulcro na alínea "a" da Constituição da República, em que sustenta negativa de vigência ao artigo 166 do CTN, sob o argumento de que o aproveitamento de créditos de IPI exige a comprovação de que não houve a transferência do encargo financeiro ao consumidor, uma vez que se trata se tributo indireto. Invoca a Súmula 546 do Supremo Tribunal Federal.

Foram apresentadas contra-razões às fls. 160-163, pugnando-se pelo improvimento do recurso, haja vista que o entendimento jurisprudencial desta Corte sobre a matéria é no mesmo sentido do acórdão recorrido.

Móveis Realeza Ltda., por seu turno, interpôs o apelo excepcional com base nas alíneas "a" e "c" do permissivo constitucional, em que alega violação dos artigos 74 da Lei nº 9.430/96, alterado pela Lei nº 10.637/02, 150, § 4º, 108, 173 do CTN e 11 da Lei nº 9.779/99. Invoca as Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal nºs 210/02, 323/03 e 360/03. Defende, em suma, a aplicação do prazo prescricional decenal, contado da data do ajuizamento da ação; a possibilidade de compensação não apenas com o próprio IPI, mas com outros tributos federais, vencidos e vincendos,

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bem como a incidência de correção monetária sobre os créditos extemporâneos de IPI, sob pena de afronta ao princípio da isonomia, ocasionando o enriquecimento do Fisco.

Não foram apresentadas contra-razões.

Admitidos ambos os recursos na origem, subiram os autos a esta Corte.

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RECURSO ESPECIAL Nº 641.591 - SC (2004/0024474-5)

EMENTA

TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. TESE RECURSAL. PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. IPI. AQUISIÇÃO DE MATÉRIA-PRIMA ISENTA, NÃO TRIBUTADA OU SUJEITA À ALÍQUOTA ZERO. CRÉDITO. PRESCRIÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. ART. 166 DO CTN.

1. A prescrição dos valores referentes ao benefício do crédito-prêmio do IPI é qüinqüenal, contada a partir do ajuizamento da ação.

2. A tese recursal no sentido de que admissível a compensação dos créditos do IPI com outros tributos federais, lastreada nas alterações da Lei nº 9.430/96 promovidas pela Lei nº 10.637/02, não foi objeto de debate pela Corte regional. Incidência da Súmula 211 deste Tribunal.

3. É inaplicável o disposto no artigo 166 do Código Tributário Nacional à hipótese de direito ao crédito-prêmio do IPI, por não se tratar de repetição de indébito ou compensação.

4. A Primeira Seção, ao apreciar os Embargos de Divergência 468.926/SC, Rel. Min. Teori Zavascki, publicado no DJU de 13.04.05, entendeu ser devida a correção monetária dos créditos de IPI decorrentes da aquisição de insumos e matéria-prima utilizados na fabricação de produtos sujeitos à alíquota zero, isentos ou não tributados, quando o ente público impõe resistência ao aproveitamento dos créditos.

5. Recurso especial de Móveis Realeza Ltda. provido em parte. Recurso especial da Fazenda Nacional não conhecido.

VOTO

O EXMO. SR. MINISTRO CASTRO MEIRA (Relator): Passo ao exame do apelo excepcional interposto pela contribuinte, porquanto o tema relativo à prescrição, além de preencher os requisitos de admissibilidade recursal, é prejudicial aos demais.

A Primeira Seção já pacificou o entendimento de que, em ações a versam sobre creditamento de IPI, é qüinqüenal o prazo prescricional, não sendo aplicável a regra do artigo 168 do CTN que prevê o prazo de cinco anos a contar da extinção do crédito tributário para pleitear a restituição, mas sim o previsto no Decreto nº 20.910/32, conforme os seguintes precedentes:

"TRIBUTÁRIO. IPI. CRÉDITO-PRÊMIO. DECRETOS-LEI N. 491/69, 1.724/79, 1.722/79, 1.658/79 E 1.894/81. MOMENTO. EXTINÇÃO. PRECEDENTES.

1. O Superior Tribunal de Justiça já pacificou o entendimento de que, declarada a inconstitucionalidade do Decreto-Lei n. 1.724/79, perderam a eficácia os Decretos-Lei n. 1.722/79 e 1.658/79.

2. É aplicável o Decreto-Lei n. 491/69, expressamente revigorado pelo Decreto-Lei n. 1.894/81, que restaurou o benefício do crédito-prêmio do IPI, sem definição do prazo de sua extinção.

3. A prescrição dos créditos fiscais decorrentes do crédito prêmio do IPI é qüinqüenal, contada a partir do ajuizamento da ação.

4. Precedentes iterativos, inclusive da Primeira Seção.

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de Noronha, DJU de 16.02.04);

"PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA ENTRE JULGADOS DO MESMO TRIBUNAL. SÚMULA N.º 13/STJ. INCIDÊNCIA. TRIBUTÁRIO. IPI. INSUMOS E MATÉRIAS-PRIMAS ISENTOS OU TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO. CREDITAMENTO. PRESCRIÇÃO QÜINQÜENAL. DECRETO N.° 20.910/32. PRINCÍPIO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. ARTIGO 49 DO CTN. CRÉDITOS ESCRITURAIS. NÃO INCIDÊNCIA DA CORREÇÃO MONETÁRIA. PRECEDENTES

JURISPRUDENCIAIS. INTELIGÊNCIA DAS DISPOSIÇÕES

CONSTITUCIONAIS E LEGAIS QUE REGULAM A NÃO-CUMULATIVIDADE E AS ISENÇÕES (ART. 153, § 3º, II, DA CF/88 E ARTIGO 49 DO CTN) DO IPI.

1. 'A divergência entre julgados do mesmo Tribunal não enseja recurso especial' (Súmula nº 13/STJ).

2. A interposição do recurso especial impõe que o dispositivo de Lei Federal tido por violado, como meio de se aferir a admissão da impugnação, tenha sido ventilado no acórdão recorrido, ao menos de maneira implícita, sob pena de padecer o recurso da imposição jurisprudencial do prequestionamento, requisito essencial à admissão do mesmo, o que atrai a incidência do enunciado n° 282 da Súmula do STF.

3. Nas ações que visam ao recebimento do crédito-prêmio do IPI, por não se referir às hipóteses de restituição, na qual se discute pagamento indevido ou a maior, mas sim, de reconhecimento de aproveitamento de crédito, decorrente da regra da não cumulatividade, estabelecida pelo texto constitucional, não há que se cogitar da aplicação do artigo 168, do CTN, sendo aplicável o Decreto nº 20.910/32, que estabelece o prazo prescricional de cinco anos, contados a partir do ajuizamento da ação.

4. A correção monetária incide sobre o crédito tributário devidamente constituído, ou quando recolhido em atraso. Diferencia-se do crédito escritural, técnica de contabilização para a equação entre débitos e créditos, a fim de fazer valer o princípio da não-cumulatividade.

5. Inexistindo previsão, falece ao aplicador da lei autorizar, ou mesmo aceitar, sejam os saldos de créditos relativos ao IPI corrigidos monetariamente. Se assim o fizesse, estaria a oficiar acima e além dos ditames legais que norteiam sua função pública.

6. O Supremo Tribunal Federal vem reiteradamente decidindo que a correção monetária não incide sobre os créditos escriturais.

7. Agravo Regimental improvido (AgREsp 491.294/RS, Rel. Min. Luiz Fux, DJ 02.06.03).

Dessarte, não há reparos no acórdão recorrido, nesse particular.

Infere-se que a tese recursal fundada nas alterações da Lei nº 9.430/96 promovidas pela Lei nº 10.637/02, a fim de demonstrar a possibilidade de compensação dos créditos do IPI com outros tributos federais não foi debatida pelo acórdão regional, o que esbarra no óbice da Súmula 211 desta Corte.

Por outro lado, conheço do apelo quanto à matéria atinente à correção monetária, porque foram preenchidos os requisitos de admissibilidade recursal.

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Quando o Fisco impõe resistência ao aproveitamento, a correção monetária deve incidir sobre os créditos do IPI decorrentes da aquisição de insumos e matéria-prima utilizados na fabricação de produtos sujeitos à alíquota zero, isentos ou não tributados. A Primeira Seção, ao julgar os Embargos de Divergência no Recurso Especial 468.926/SC, manifestou-se nesse sentido, tendo o aresto recebido a ementa a seguir transcrita:

"TRIBUTÁRIO. IPI. MATERIAIS UTILIZADOS NA FABRICAÇÃO DE PRODUTO ISENTO, NÃO TRIBUTADO OU SUJEITO À ALÍQUOTA ZERO. CRÉDITOS ESCRITURAIS. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA, JÁ QUE O APROVEITAMENTO DOS CRÉDITOS NA ÉPOCA PRÓPRIA FOI IMPEDIDO PELO FISCO.

1. A jurisprudência do STJ e do STF é no sentido de ser indevida a correção monetária dos créditos escriturais de IPI, relativos operações de compra de matérias-primas e insumos empregados na fabricação de produto isento ou beneficiado com alíquota zero.

2. Todavia, é devida a correção monetária de tais créditos quando o seu aproveitamento, pelo contribuinte, sofre demora em virtude resistência oposta por ilegítimo ato administrativo ou normativo do Fisco. É forma de se evitar o enriquecimento sem causa e de dar integral cumprimento ao princípio da não-cumulatividade. Não teria sentido, ademais, carregar ao contribuinte os ônus que a demora do processo acarreta sobre o valor real do seu crédito escritural. Precedentes do STJ e do STF.

3. Embargos de divergência a que se dá provimento, para autorizar a correção monetária dos créditos escriturais durante o período compreendido entre (a) a data em que o crédito poderia ter sido aproveitado e não o foi por óbice estatal e (b) a data do trânsito em julgado da decisão judicial, que afasta o referido óbice" (STJ - Primeira Seção, EREsp 468.926/SC, Rel. Min. Teori Zavascki, DJU de 02.05.05).

Esse entendimento não desborda da orientação firmada na Suprema Corte que, no julgamento do Recurso Extraordinário 282.120/PR, Min. Maurício Corrêa, entendeu ser devida a correção monetária de créditos de IPI quando houver impedimento do Fisco ao aproveitamento dos valores titularizados pelo contribuinte. A ementa do acórdão em destaque encontra-se assim vazada:

"RECURSO EXTRAORDINÁRIO. PREQUESTIONAMENTO. EXPORTAÇÃO. PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. ICMS. MATÉRIA-PRIMA E OUTROS INSUMOS. COMPENSAÇÃO. AUTORIZAÇÃO LEGAL.

SUSPENSÃO LIMINAR. CRÉDITO IMPOSSIBILITADO.

CONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA POSTERIORMENTE. RETORNO DA SITUAÇÃO AO STATUS QUO ANTE . CORREÇÃO MONETÁRIA. CABIMENTO.

1. Prequestionamento. Ausente o interesse de recorrer, por falta de sucumbência, basta para o atendimento do requisito que a tese jurídica suscitada como causa de pedir tenha sido objeto das contra-razões apresentadas pela parte por ocasião dos recursos de apelação e extraordinário, e também tratada nos embargos de declaração.

2. ICMS. Compensação autorizada pelo artigo 3º da Lei Complementar federal 65/91. Regra legal suspensa liminarmente. Julgamento de mérito superveniente que reconheceu a constitucionalidade do dispositivo (ADI 600, DJ 30/06/95). Efeitos ex-tunc

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da decisão.

3. Créditos escriturais não realizados no momento adequado por óbice do Fisco, em observância à suspensão cautelar da norma autorizadora. Retorno da situação ao status quo anterior. Garantia de eficácia da lei desde sua edição. Correção monetária devida, sob pena de enriquecimento sem causa da Fazenda Pública.

4. Atualização monetária que não advém da permissão legal de compensação, mas do impedimento causado pelo Estado para o lançamento na época própria. Hipótese diversa da mera pretensão de corrigir-se, sem previsão legal, créditos escriturais do ICMS. Acórdão mantido por fundamentos diversos. Recurso extraordinário não conhecido" (STF - Segunda Turma, RE 282.120/PR, Min. Maurício Corrêa, DJU de 06.12.02).

Passo ao exame da pretensão recursal da Fazenda Nacional.

Primeiramente, cabe esclarecer que o aresto recorrido se limitou a analisar a matéria referente ao artigo 166 do CTN nos seguintes termos:

"Outrossim, a alegação de que seria necessária a prova de transferência do encargo não prospera, pois, em se tratando de direito de crédito e não de repetição de indébito, é inaplicável a regra do art. 166 do CTN, conforme reiteradas decisões do STF (v.g. RE 114527-7)" – fl. 98-verso.

A análise de tal dispositivo, ante o óbice do conhecimento, deve ser restrita apenas a esse ponto.

Não merece reforma o acórdão recorrido no tocante à necessidade de prova de repasse do encargo. Na hipótese de direito ao creditamento do IPI, deve ser afastado o disposto no artigo 166 do Código Tributário Nacional, por não se tratar de repetição de indébito ou compensação. Não é outro o entendimento desta Corte:

"TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. IPI. AQUISIÇÃO DE MATÉRIA-PRIMA ISENTA, NÃO TRIBUTADA OU SUJEITA À ALÍQUOTA ZERO. CRÉDITO. CORREÇÃO MONETÁRIA. ART. 166 DO CTN. PREQUESTIONAMENTO. SÚMULAS 282 E 356/STF. ART. 255 DO RISTJ.

1. A ausência de prequestionamento dos dispositivos legais tidos como contrariados atraí o óbice das Súmulas 282 e 356/STF.

2. Para demonstração do dissídio, a parte deve observar o disposto no artigo 255 do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, sendo necessário a juntada de cópias integrais dos paradigmas apontados ou que sejam citados o repositório oficial de jurisprudência, assim como é imprescindível não só a transcrição de ementas para que esteja caracterizado o dissídio pretoriano, mas também há que se mencionar as circunstâncias que assemelhem ou identifiquem os julgados confrontados, tudo nos termos do citado dispositivo do RISTJ.

3. A Primeira Seção, ao apreciar os Embargos de Divergência nº 468.926/SC, relatados pelo Ministro Teori Zavascki, entendeu ser devida a correção monetária dos créditos de IPI decorrentes da aquisição de insumos e matéria-prima utilizados na fabricação de produtos sujeitos à alíquota zero, isentos ou não tributados, quando o ente público impõe resistência ao aproveitamento dos créditos.

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4. Esta Corte afastou o disposto no artigo 166 do Código Tributário Nacional na hipótese de direito ao creditamento do IPI, por não se tratar de repetição de indébito ou compensação.

5. Recurso especial de Blufix Indústria e Comércio Ltda. e Blufix Indústria de Elementos de Fixação Ltda. não conhecido. Recurso especial da Fazenda Nacional improvido" (REsp 677.257/SC, DJU de 27.03.06);

"RECURSO ESPECIAL - IPI - AQUISIÇÃO DE MATÉRIA-PRIMA ISENTA, NÃO TRIBUTADA OU SUJEITA À ALÍQUOTA ZERO - CRÉDITO - COMPENSAÇÃO - ART. 166 DO CTN - INAPLICABILIDADE À HIPÓTESE - DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO DEMONSTRADA.

Prevalece nesta Corte Superior de Justiça o entendimento de que, 'para o crédito decorrente da aquisição de insumos e matérias-primas isentas, não tributadas, ou com alíquota zero, não é necessária a comprovação da ausência de transferência do encargo financeiro' (REsp 416.247/SC, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 03.11.2003).

Com efeito, não incide na espécie o artigo 166 do Código Tributário Nacional porque não se trata de repetição de indébito tributário, mas de aproveitamento de crédito escritural de insumos imunes, não tributados ou de alíquota zero, hipótese em que nem sequer houve pagamento antecedente do tributo. Divergência jurisprudencial não demonstrada. Recurso especial não provido” (REsp 478.865/PR, Rel. Ministro Franciulli Netto, DJU de 17.05.04).

Portanto, incide o óbice, no particular, da Súmula 83 desta Corte.

Ante o exposto, dou provimento em parte ao recurso especial interposto por Móveis Realeza Ltda. e não conheço do recurso especial interposto da Fazenda Nacional.

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ERTIDÃO DE JULGAMENTO

SEGUNDA TURMA

Número Registro: 2004/0024474-5 REsp 641591 / SC

Números Origem: 200104010365222 9901059585

PAUTA: 04/12/2007 JULGADO: 04/12/2007

Relator

Exmo. Sr. Ministro CASTRO MEIRA Presidente da Sessão

Exmo. Sr. Ministro CASTRO MEIRA Subprocurador-Geral da República

Exmo. Sr. Dr. ANTÔNIO CARLOS FONSECA DA SILVA Secretária

Bela. VALÉRIA ALVIM DUSI

AUTUAÇÃO

RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL

PROCURADOR : DOLIZETE FÁTIMA MICHELIN E OUTRO(S)

RECORRENTE : MÓVEIS REALEZA LTDA

ADVOGADO : LUIZ ROBERTO RECH E OUTRO

RECORRIDO : OS MESMOS

ASSUNTO: Tributário - IPI - Imposto Sobre Produtos Industrializados

CERTIDÃO

Certifico que a egrégia SEGUNDA TURMA, ao apreciar o processo em epígrafe na sessão realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão:

"A Turma, por unanimidade, deu parcial provimento ao recurso de Móveis Realeza Ltda. e não conheceu do recurso da Fazenda Nacional, nos termos do voto do(a) Sr(a). Ministro(a)-Relator(a)."

Os Srs. Ministros Humberto Martins, Herman Benjamin e Eliana Calmon votaram com o Sr. Ministro Relator.

Brasília, 04 de dezembro de 2007

VALÉRIA ALVIM DUSI Secretária

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