APO E AET: USO SIMULTÂNEO DE DOIS MÉTODOS E
TÉCNICAS PARA AVALIAÇÃO DE SALAS DE AULA E
LABORATÓRIOS
Ana Lúcia Saad11
Prof. Me. do curso Edifícios da FATEC-SP [email protected]
Resumo
Este artigo apresenta pesquisa desenvolvida na FATEC/SP, na qual foram realizadas avaliações em salas de aula e laboratórios sobre as condições de trabalho e das instalações de ensino, assim como sobre o grau de satisfação dos alunos quanto às condições das instalações encontradas.
Para o desenvolvimento da pesquisa foram utilizadas referências de dois métodos e técnicas diferentes: APO (Avaliação Pós-Ocupação) e AET (Análise Ergonômica do Trabalho).
O objetivo principal desta pesquisa foi traçar recomendações técnicas visando atingir bom grau de satisfação dos professores e alunos que utilizam as instalações desta Instituição de Ensino.
A metodologia aqui proposta pode ser utilizada em outras Instituições de Ensino, ou qualquer outro tipo de ambiente de trabalho para nortear análises próprias, considerando o repertório e anseios de seus usuários.
1. Introdução
Neste trabalho foi desenvolvida uma pesquisa contendo etapas teóricas e práticas, com a aplicação de conceitos de dois métodos e técnicas, diferentes, na avaliação das salas de aula e laboratórios utilizados pelo Departamento de Edifícios da FATEC/SP. Os dois métodos utilizados foram: APO (Avaliação Pós-Ocupação) e AET (Análise Ergonômica do Trabalho).
Para a análise das condições do ambiente físico construído, e para determinar a satisfação dos usuários, foram utilizadas referências da APO, que é um método que se distingue das avaliações de desempenho clássicas por, além de enfatizar a avaliação do desempenho físico, considerar fundamental a aferição do atendimento das necessidades ou o nível de satisfação do cliente (usuário) [1]. As avaliações realizadas com a APO cruzam dados do desempenho do ambiente construído, com o grau de satisfação do usuário [2].
Deste método foram adotados os seguintes procedimentos: aplicação de questionários aos usuários dos ambientes analisados, realização de entrevistas com professores das diferentes disciplinas do Departamento de Edifícios, entrevistas com os alunos, vistorias técnicas e medições in-loco [2] e [3].
Porém, mesmo sendo o ambiente analisado um local de trabalho, na APO não é realizada nenhuma análise da adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores naqueles locais. Por este motivo tornou-se imprescindível realizar, em
conjunto com o primeiro método, a AET (Análise Ergonômica do Trabalho).
A avaliação de um ambiente, onde é desenvolvido algum tipo de trabalho, deve ter a ergonomia como uma das ferramentas que pautam a sua análise [4], [5] e [6]. Cabe ressaltar que, para a ergonomia, a palavra trabalho possui um sentido mais amplo e geral, ou seja, o desenvolvimento de atividades, físicas e/ou intelectuais, necessárias à realização de qualquer tarefa, serviço ou empreendimento.
Da AET [7] foram adotados os seguintes procedimentos: observação das condições de conforto ambiental, observação dos trabalhos em andamento, observação dos fatores de risco presentes no trabalho, levantamento das exigências posturais, motoras e visuais impostas pelo mobiliário, pelos equipamentos e pela organização das aulas e entrevistas com os usuários. O objetivo principal da AET foi levantar os pontos críticos de acomodação, dos equipamentos, do mobiliário e das aulas. Os ambientes, o mobiliário e as situações reais encontrados foram registrados através de desenhos, fotografias e filmagens.
2. Metodologia Adotada
A metodologia adotada, para a execução da pesquisa, buscou referências nos métodos e nas técnicas da APO [2] e [3], e da AET [7]. Devido à especificidade da pesquisa e às características da Instituição de Ensino, foram selecionadas atividades de cada uma das análises e adaptadas às condições encontradas. Assim, além de um extenso levantamento bibliográfico, foram realizadas as seguintes atividades: levantamento preliminar; levantamento de campo; elaboração e validação do pré-teste; elaboração e aplicação do questionário definitivo; análise dos resultados; elaboração do relatório final.
3. Levantamento Preliminar
O horário e a grade curricular, oficiais da escola, das disciplinas ministradas regularmente pelos professores do Departamento de Edifícios, foram utilizados como base para o início das atividades de levantamento.
Na Tabela I é mostrada a distribuição das disciplinas do Departamento de Edifícios por Semestre do Curso.
Com este levantamento foi possível detectar quais as salas de aula que são destinadas ao Departamento de Edifícios, e quais os professores de cada uma das disciplinas. Foram separados os grupos de disciplinas e correlacionados às salas de aula que, geralmente, são
utilizadas. O resultado é apresentado na Tabela II. Para a pesquisa foi imprescindível detectar quais salas são utilizadas por cada grupo de disciplina, pois além das salas terem características físicas diferentes (mobiliário, arranjo físico e conforto ambiental), cada grupo de disciplinas possui necessidades particulares (adequação ao uso).
Tabela I – Distribuição das disciplinas por semestre.
Sem. Letivo Disciplinas
1º. Desenho Técnico
2º. Materiais para Construção Civil I 3º. Desenho de Construção Civil I
Materiais para Construção Civil II Construções Civis I 4º. Desenho de Construção Civil II
Estruturas I Instalações Prediais I Materiais para Construção Civil III
Construções Civis II 5º. Desenho de Construção Civil III
Estruturas II Instalações Prediais II
Construções Civis III Planejamento de Construção Civil I 6º. Desenho de Construção Civil IV
Estruturas III Instalações Prediais III
Construções Civis IV Planejamento de Construção Civil II Tabela II – Distribuição dos grupos de disciplinas por
salas de aula.
Grupos de Disciplinas Salas
Desenho de Construção Civil I, II, III e IV
23 B, 24 B, 26 B, 27 B Desenho Técnico 23 B, 31 S Estruturas I, II e III 13 B; 17 B, 18 B, 31 A Instalações Prediais I, II e III 18 B, 31 B Materiais para Construção
Civil I, II e III
14 B, 18 B, 21 B, 33 B, 37 B, 24 A, 27 A Construções Civis I, II, III
e IV 13 B, 14 B, 17 B, 18 B, 21 B, 33 B, 34 B, 37 B, 41 B, 21 A, 31 A Planejamento de Construção Civil I e II 14 B, 17 B, 23 B, 12 A, 21 A, 42 A
Em seguida, foram realizadas entrevistas informais com professores responsáveis por disciplinas, e também com aqueles professores que costumam ministrar as aulas das diversas disciplinas. Nestas entrevistas foi possível estabelecer quais são as necessidades básicas quanto às salas de aula, ao material e aos equipamentos utilizados, tanto pelos alunos quanto pelos professores. Também foi possível estabelecer, em linhas gerais, o projeto didático pedagógico adotado por cada uma das disciplinas ou professores.
Neste texto, entende-se o termo projeto didático e pedagógico como um plano geral que abrange
princípios e métodos de educação, visando tornar o ensino mais eficiente [8].
Constatou-se que, a maior parte dos professores, utiliza a aula expositiva como método de apresentação de conteúdos informativos durante as aulas. Associado à aula expositiva, foi detectado outro método: soluções de problemas propostos pelos professores. Embora se faça uso de aula expositiva, o projeto didático e pedagógico dos professores sofreu modificações ao longo do tempo. Hoje, além do quadro negro, em algumas aulas são utilizados diferenciados recursos audiovisuais e ferramentas de trabalho, para transmitir o conhecimento. Muitos professores apresentam o conteúdo em exposições de arquivos digitais, com o auxílio de computador (PC ou Notebook) e de projetor multimídia.
Não foi detectada nenhuma disciplina onde todo o conteúdo fosse transmitido apenas com o uso de equipamentos diferenciados. No geral, as disciplinas utilizam vários recursos ao longo do semestre, combinando aulas tradicionais com aulas onde ferramentas diferenciadas são utilizadas, tanto pelos professores quanto pelos alunos.
As aulas tradicionais são ministradas nas salas de aula convencionais usualmente utilizadas. Quando se faz necessário o uso de equipamentos diferenciados, os professores costumam solicitar as salas multimídia, ou os laboratórios de informática, geralmente o Laboratório de CAD, do Departamento de Edifícios.
Para as aulas expositivas tradicionais, foi constatado que as salas de aula convencionais podem suprir as necessidades das disciplinas. E, para as aulas em que são utilizados recursos tecnológicos, as salas multimídia e as salas do Laboratório de CAD apresentam condições e equipamentos adequados.
Algumas aulas em curso também foram observadas no levantamento preliminar, para poder quantificar os itens que deveriam ser abordados nos questionários, em especial no pré-teste, e com que grau de especificidade.
4. Levantamento de Campo
O levantamento de campo foi iniciado antes da elaboração do pré-teste, para poder subsidiar as questões que deveriam ser abordadas nos questionários definitivos.
A partir do momento que se tinha uma quantidade mínima de informações, foi possível trabalhar na elaboração e validação do pré-teste. Esta etapa só foi retornada, quando o questionário definitivo foi elaborado, ou seja, as atividades seguiram de maneira intercalada e não de forma seqüencial.
Como referência e base para inserção de dados, foi utilizado o desenho, em arquivo digital, A e B escala 1_200.dwg, fornecido pelo então Escritório Piloto [9].
No levantamento de campo foi feita uma relação dos móveis adotados em cada um dos ambientes que seriam analisados, além disso, todo o mobiliário foi fotografado e catalogado. Foi possível observar que, em várias salas, eram adotados móveis de diferentes tipos (Figura 1).
Figura 1 – Exemplo de diversidade de cadeiras encontradas em uma única sala.
Todo o mobiliário foi medido, para que, em etapas futuras pudesse ser verificado se o mesmo estava em conformidade com as especificações das normas técnicas, utilizadas como referência. Na figura 2 é mostrado um exemplo das medições realizadas.
Figura 2 – Exemplo de desenho com as dimensões de um modelo de carteira universitária. Em seguida, as salas que seriam analisadas foram medidas e foram feitos os desenhos dos respectivos arranjos físicos. Nestes desenhos, a preocupação foi mostrar a posição dos móveis e as principais dimensões da circulação (Figura 3).
Figura 3 – Exemplo de desenho do arranjo físico das salas multimídia.
Também foram determinados os modelos e a quantidade de luminárias e dos equipamentos instalados nas salas, assim como a posição de botões de acionamento e interruptores. Foi verificada a condição de manutenção geral dos ambientes.
Além das medidas, foi realizado um levantamento fotográfico das situações encontradas em campo (Figuras 4 e 5).
Durante o levantamento de campo observou-se que as salas possuem particularidades, e devido a estas particularidades foi possível separá-las em diferentes Tipos, para realizar as análises. O critério adotado foi o
de agrupar as salas que possuem as mesmas características físicas, com a mesma capacidade e com o mesmo tipo de mobiliário, os grupos são apresentados na Tabela III. Conforme as grades curriculares e os horários oficiais da escola, o Departamento de Edifícios costuma utilizar sempre as mesmas salas. Assim, as salas utilizadas foram separadas conforme a tipologia adotada na pesquisa (Tabela III). Esta separação foi muito importante, pois os questionários definitivos foram elaborados contendo temas específicos e direcionados para cada tipo de sala.
Figura 4 – Exemplo de situação de risco ao usuário.
Figura 5 – Exemplo da sinalização de segurança adotada.
Tabela III – Tipologia das Salas analisadas, associada àquelas utilizadas.
Sala Tipo
Características Numeração das Salas
1 sala auditório, carteiras universitárias, 90 alunos
21A, 31A, 41A, 21B, 31B, 41B 2 sala de aula convencional,
carteiras universitárias, 70 alunos
13B, 14B, 17B, 18B, 33B, 34B,
37B 3 sala de aula convencional,
carteiras universitárias, 40 alunos
12A, 24A
4 sala de aula convencional, conjuntos individuais de mesa e cadeira, 35 alunos
27A
5 sala de desenho, pranchetas e bancos, 24 alunos
42A, 23B, 24B 6 sala do Laboratório de
CAD, com mesas e cadeiras (com sistema de regulagem), 32 alunos
26B
7 sala do Laboratório de CAD, mesas e cadeiras
(com sistema de regulagem), 28 alunos
27B
8 sala multimídia, carteiras universitárias, 44 alunos
5. Questionário Pré-teste
Ao terminar de definir as necessidades das disciplinas analisadas, e realizar parte do levantamento de campo, onde foram verificados as condições ambientais e o tipo de mobiliário, foi possível elaborar um questionário de avaliação, denominado pré-teste.
No pré-teste, foram abordados os seguintes assuntos: salas de aula e laboratórios (adequação ao uso e às características dos usuários), conforto ambiental, mobiliário e acessibilidade.
Quanto às questões para saber a satisfação do usuário foram evitadas perguntas do tipo: “você gosta?” ou “é confortável?”, pois estes conceitos são subjetivos e dependentes do repertório de cada pessoa. Apenas para citar um exemplo, se um aluno, ao longo de sua vida escolar, só utilizou carteiras universitárias, para ele este é o mobiliário adequado e correto, pois não conhece outro. Quanto muito, este aluno pode achar que um modelo é melhor do que o outro, por permitir melhor acomodação.
Buscou-se utilizar questões genéricas e com possibilidade de checagens. Ao perguntar se o avaliador considera que a cadeira em que está sentado permite que ele adote uma boa postura, as respostas “sim” ou “não” são checadas com as perguntas seguintes, onde é questionado se aquele usuário sente algum tipo de dor do corpo enquanto permanece sentado, ou no final da aula. Foi considerado ser dependente do repertório do aluno saber se a cadeira permite a adoção de uma boa postura, a relevância desta pergunta não está nas quantidades de “sim” ou de “não”, mas sim em saber o que o aluno conhece. É possível saber se a cadeira permite a adoção de uma postura adequada nas questões seguintes, sobre a presença de dor em alguma parte do corpo do usuário.
Não foram elaboradas questões específicas sobre acessibilidade, pois, tanto no levantamento preliminar quanto no levantamento de campo, não foram localizadas pessoas (alunos ou professores do Departamento de Edifícios) em cadeira de rodas ou com mobilidade reduzida. Além disso, não foi identificado mobiliário específico e em conformidade com a NBR 9050:2004 – Acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos [10].
Alguns alunos foram escolhidos para responder ao pré-teste, estas respostas não foram utilizadas na tabulação final de avaliação dos ambientes.
Após terem respondido ao pré-teste, cada aluno foi entrevistado individualmente, para que o questionário fosse avaliado. A finalidade desta atividade era verificar se o conteúdo das perguntas estava claro, se a compreensão do texto era direta, se os itens abordados eram relevantes e se o questionário estava muito longo, o que cansaria os avaliadores, podendo comprometer a qualidade das respostas.
Ao concluir as entrevistas, algumas perguntas que não estavam claras foram adequadas, e também foram retiradas algumas perguntas de difícil compreensão, ou cujo conteúdo não fazia parte do repertório dos alunos.
E, como mais importante na validação do pré-teste, chegou-se a conclusão de que deveria ser acrescentado ao questionário um item específico sobre sinalização, apontado como sendo relevante pelos usuários, que foram entrevistados.
6. Questionário Definitivo
Ao término do levantamento de campo, foram incorporadas ao pré-teste as sugestões dos alunos e os ajustes que se fizeram necessários. E, os questionários definitivos foram formatados.
Os questionários definitivos foram elaborados com questões específicas e pertinentes para cada tipo de sala, conforme detectadas no levantamento de campo. Cada questionário possui cerca de quarenta questões, sobre os seguintes itens avaliados: dados sobre o avaliador, mobiliário, adequação ao uso, condições ambientais e sinalização.
Em seguida, foram selecionadas as salas onde os questionários deveriam ser aplicados e os professores das disciplinas, que têm aulas nas salas selecionadas, foram contatados.
Todos os professores colaboraram com o trabalho, abrindo um espaço para a explicação dos questionários e para que os alunos os respondessem, incentivando a participação dos mesmos. Além disso, permitiram que as aulas em curso fossem acompanhadas, e que as mesmas fossem registradas, fotografadas, para que as situações reais pudessem, posteriormente, ser analisadas (Figuras 6, 7 e 8).
Figura 6 – Exemplo de uso de sala com carteira.
Figura 7 – Exemplo de uso de sala com pranchetas.
7. Análise dos Resultados
A análise dos resultados foi feita com os dados do levantamento de campo, dos questionários e das imagens coletadas. É importante salientar que nenhum destes dados foi considerado isoladamente, pois foram realizadas comparações das análises técnicas de desempenho com a avaliação dos usuários, para cada item que foi estudado.
Todas as dimensões de mobiliário, arranjos físicos e demais resultados do levantamento de campo foram comparados com as normas e as recomendações selecionadas para os critérios de desempenho.
147 alunos responderam aos questionários, e todas as respostas foram tabuladas. A tabulação foi realizada, em primeiro lugar, por sala onde o questionário foi aplicado, e em seguida, os dados correlatos foram agrupados, por exemplo, para a análise de um tipo de carteira existente em mais de uma sala, todos os dados deste móvel foram analisados conjuntamente. Com isso, os dados utilizados nos relatórios finais dizem respeito a itens específicos, que podem ter sido analisados em diferentes salas.
Apenas para mostrar um exemplo, na tabela IV, é apresentada pequena parte (2 questões) da tabulação dos dados sobre a carteira universitária Tipo 1, 50 alunos responderam a estas questões.
Tabela IV – Exemplo de tabulação de dados.
Questão Quant. alunos
% das respostas
Quando você está sentado durante a aula: Não sente qualquer dor ou
pressão no corpo. Sente pressão na parte
inferior da coxa. Sente pressão na panturrilha
(batata da perna). Sente pressão na região lombar (região dos rins).
11 10 6 29 22% 20% 12% 58% Você considera o espaço para
escrever, durante a aula: Insuficiente. Suficiente. Amplo. 39 10 1 78% 20% 2%
8. Elaboração dos Relatórios Finais -
Resultados
Como a quantidade de informações obtidas foi muito grande, foram elaborados relatórios finais por assunto estudado.
Cada relatório foi redigido da mesma maneira, e contém os mesmos itens, que são:
• Introdução: explicação do conteúdo do volume em questão;
• Critérios de Desempenho: normas e publicações técnicas sobre os itens que são analisados naquele volume;
• Resultados do Levantamento de Campo: desenhos, medidas e fotografias com os resultados do levantamento de campo;
• Avaliação Técnica do Desempenho: análise e comparação dos resultados do levantamento de campo com os critérios de desempenho selecionados;
• Uso e Avaliação do Usuário: resultados dos dados tabulados, dos questionários, agrupados por item analisado;
• Avaliação Técnica x Avaliação do Usuário: comparação entre os resultados da avaliação técnica e a avaliação do usuário;
• Recomendações: recomendações sobre as características e condições gerais que devem ser mantidas e as que devem ser alteradas, visando corrigir os problemas ou minimizar as situações adversas encontradas.
O único relatório que não contém todos os itens citados acima é o Volume 5, sobre Acessibilidade, pois não foram encontrados usuários em cadeiras roda ou com mobilidade reduzida.
9. Conclusão
Os resultados obtidos podem ser utilizados para nortear projetos de expansão, revitalização e adequação do campus da FATEC/SP, uma vez que foram apontadas as características positivas (acertos) e negativas (erros) adotadas nesta Instituição de Ensino. Também foram apresentadas recomendações e normas técnicas a serem utilizados em projetos futuros.
Percebe-se que muitas das características negativas devem-se ao fato de que decisões são tomadas por pessoas que não são da área técnica. Embora estas pessoas tenham boa vontade, não têm o conhecimento técnico necessário para a escolha de determinado mobiliário, definição do número de carteiras em uma sala de aula, ou mesmo a especificação de um produto a ser comprado.
O critério determinante para a escolha de um produto, principalmente aquele utilizado em Instituições de Ensino, não deve apenas ser o preço, a adequação ao uso e às necessidades dos usuários são primordiais. Critérios de ordem técnica sempre devem ser determinantes, o valor de um produto deve ser comparado entre iguais, apenas para citar um exemplo ao se comprar uma mesa há diversas variáveis que podem encarecer o produto, mas que garantem qualidade e resistência de uso: material do tampo, revestimento do tampo, bordas revestidas e presença de calha elétrica, entre outros.
Além das questões específicas da FATEC/SP, talvez a maior contribuição deste trabalho seja a metodologia aqui proposta, que ao incorporar referências de dois métodos e técnicas tradicionais (APO e AET), permitiu uma análise detalhada no processo de avaliação das salas de aula e laboratórios, onde, além do desempenho físico da edificação, foram considerados: o nível de satisfação dos diversos usuários e a adequação das condições de trabalho às características
psicofisiológicas daqueles mesmos usuários. Assim, outras Instituições de Ensino, ou mesmo outros ambientes de trabalho, podem utilizar a metodologia aqui proposta para guiar suas próprias análises.
Agradecimentos
Aos Professores do Departamento de Edifícios da FATEC-SP pelo apoio, colaboração e participação na pesquisa.
E a todos os alunos que responderam aos questionários e àqueles que contribuíram na avaliação do pré-teste.
Referências Bibliográficas
[1] A. K. Abiko, S. W. Ornstein. Inserção urbana e
avaliação Pós-Ocupação (APO) da habitação de interesse social. São Paulo: FAUUSP, 2002.
(Coletânea Habitare, FINEP).
[2] M. A. Roméro, S. W. Ornstein. Avaliação
Pós-Ocupação: Métodos e técnicas aplicados à habitação social. Porto Alegre: ANTAC, 2003.
(Coleção Habitare).
[3] D. Kowaltowski, S. M. Pina. Avaliação da
funcionalidade de prédio escolar da rede pública: O caso de Campinas. In: VI Encontro Nacional e
III Encontro Latino-Americano sobre conforto no ambiente construído, p. 1-8, 2001, São Pedro. Anais. [4] E. Grandjean. Fitting the task to the man. A
textbook of Occupational Ergonomics. London:
Taylor & Francis, 1998, 4a. ed.
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transformá-lo – A prática da ergonomia. São
Paulo: Edgard Blücher, 2001.
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trabalho (AET) na empresa. Rio de Janeiro:
Editora Virtual Científica, 2003.
[8] H. G. Peterossi. Anotações sobre didática e prática
de ensino para o curso de formação de professores. São Paulo: CEETEPS, 1991.
[9] CEETPS / APCO. J. Moreira. Planta de
arquitetura existente, obra Blocos A e B, revisão
04, de abril de 2005. Arquivo digital: A e B escala 1_200.dwg.
[10] ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 9050 – Acessibilidade a
edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos. Rio de Janeiro, 2004.