ISSN 2179-5568 – Revista Especialize On-line IPOG - Goiânia - 8ª Edição nº 009 Vol.01/2014 dezembro/2014
Briefing em projetos de iluminação residencial: Proposta de um
guia
Marina M. N. Zenun – [email protected] Iluminação e Design de Interiores
Instituto de Pós-Graduação e Graduação - IPOG São Paulo, SP, 19 de março de 2014
Resumo
Este artigo apresenta uma proposta de guia de briefing para projetos de iluminação residencial. Um briefing eficaz é fundamental para capturar corretamente as expectativas do cliente com relação a um determinado projeto. Porém, quais as informações devem resultar de um briefing eficaz em um projeto de iluminação residencial. Quais as perguntas devem ser feitas para capturar essas informações. O objetivo desta pesquisa é apresentar uma proposta de guia de briefing na busca da excelência em projetos de iluminação residencial. Este trabalho apresenta uma pesquisa bibliográfica sobre o assunto e baseado nos resultados desta pesquisa, apresenta uma proposta de guia de briefing. Esta proposta foi validada por meio de uma pesquisa-ação. Os resultados obtidos indicam que este trabalho esta na direção certa para a busca de um briefing eficaz, resultando em requisitos completos, primeiro passo para um bom projeto de iluminação residencial, que realmente atenda às expectativas do cliente.
Palavras-chave: Briefing. Projetos de Iluminação Residencial. Expectativas do Cliente.
1. Introdução
Este artigo apresenta uma proposta de briefing para ser utilizado em projetos de iluminação residencial, com foco na iluminação artificial, na busca da excelência neste tipo de projeto. Um processo de briefing eficaz é fundamental para o sucesso em projetos de construção civil (SHEN et al., 2004). Como o projeto de iluminação está inserido no contexto de projetos de construção civil, pode-se extrapolar afirmando-se que um processo de briefing eficaz é fundamental para o sucesso em projetos de iluminação residencial.
Enquanto muitos trabalhos tratam sobre o briefing em projetos de construção civil (SHEN et
al., 2004; YU, 2007), poucos trabalhos tratam especificamente sobre o tema na área de
iluminação residencial, restringindo-se em sua maioria na questão relacionada às soluções técnicas de projetos de iluminação (COSTA, 2006; IESNA, 2000).
Devido à importância de um briefing eficaz para o sucesso em projetos de iluminação residencial, este trabalho busca responder às seguintes perguntas: Quais informações devem resultar de um briefing eficaz em um projeto de iluminação residencial? Quais as perguntas devem ser feitas para capturar essas informações? Para responder a essas questões, este trabalho apresenta uma pesquisa exploratória e baseia-se na revisão da literatura para propor um guia para o briefing em projetos de iluminação residencial. O guia proposto foi validado por meio de uma pesquisa-ação. Os resultados obtidos indicam que o guia é um instrumento
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valioso que orienta e facilita a atividade de briefing, corroborando para a captura de um conjunto completo de informações, e que realmente representam as expectativas do cliente em projetos de iluminação residencial.
A pesquisa apresentada neste trabalho, com relação a abordagem do problema, é uma pesquisa qualitativa, pois de acordo com a classificação proposta por Silva e Menezes (2005:14), uma pesquisa qualitativa expressa a qualidade em detrimento da quantidade, o que é o caso deste trabalho.
Este artigo apresenta a definição de briefing (Seção 2), subsídios para um projeto de iluminação residencial (Seção 3), trabalhos relacionados (Seção 4), proposta de um guia para o briefing de um projeto de iluminação residencial (Seção 5), avaliação do guia de briefing proposto (Seção 6), Resultados e discussões (Seção 7) e finaliza com conclusões (Seção 8).
2. Definição de briefing
O dicionário Aurélio apresenta 2 definições para o termo briefing: “1. Conjunto de informações básicas, informações, diretrizes, etc., elaborado para a execução de um determinado trabalho. 2. Reunião onde se definem essas instruções, diretrizes, etc. (FERREIRA, 1999:332).”
Neste trabalho, considera-se briefing como a reunião presencial com o cliente, onde são levantadas informações que traduzem as expectativas do mesmo. As informações obtidas durante essa reunião irão compor o conjunto de informações necessárias para a execução de um determinado trabalho, neste caso, do projeto de iluminação residencial.
As informações obtidas durante o briefing somadas a outras informações necessárias à execução do projeto serão registradas em um documento denominado por Programa de necessidades (MOREIRA e KOWALTOWSKI, 2009).
O principal objetivo de determinar o que o cliente espera de um projeto/produto, ouvindo a voz do cliente, é descobrir os requisitos que realmente agradam e surpreendem favoravelmente o cliente, pois gera benefícios que o cliente não esperava. Esses requisitos que causam impacto no cliente agrupam características e qualidades do projeto/produto não-verbalizadas na maioria das vezes pelos clientes. Representam os desejos ocultos e desconhecidos, insatisfações toleradas, expectativas até agora não alcançadas, novas facetas de uso e aplicação, e aspectos de personalização do projeto para o cliente. Esse entendimento dos requisitos dos clientes vem confirmar que existem necessidades que nem mesmo o cliente conhece, ou caso conheça, não sabe expressar o suficiente (ROZENFELD et al., 2006:221). É durante o briefing que o lighting designer vai ouvir a voz do cliente e tentar capturar os requisitos que talvez o cliente não saiba expressar o suficiente. Isto dependerá da habilidade do lighting designer em enxergar esses “desejos ocultos” (BRANDSTON, 2005:122).
O briefing é uma das fases de um projeto e que apresenta importância relevante no processo como um todo, pois um adequado desenvolvimento do briefing é o que garante que as expectativas dos clientes e dos outros agentes envolvidos serão capturadas e estarão disponíveis ao desenvolvedor ao longo das atividades de desenvolvimento por meio do
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documento do Programa de necessidades. É nessa fase que se descrevem os problemas e se estabelecem as possíveis restrições para o encaminhamento das soluções (CARVALHO, 2012). Sendo assim, conclui-se que é durante o briefing que são levantados os subsídios que nortearão o lighting designer na tarefa do desenvolvimento de soluções para a iluminação residencial.
Para Brandston (2010:56), “a boa iluminação é definida no início de cada projeto com o cliente”, ou seja, uma boa iluminação é definida durante o briefing. O lighting designer precisa identificar as perguntas-chave para o projeto em questão. Ele pode apresentar três ou quatro exemplos, até que o cliente comece a ter uma compreensão sobre, por exemplo, do nível de iluminação que atenda suas expectativas.
A interação entre o entrevistador e o entrevistado (cliente), possibilitará ao entrevistador identificar as características que diferenciam as exigências do cliente das opiniões de outras pessoas. Na verdade, trata-se de uma depuração, através de idéias e exemplos, que proporciona às partes envolvidas a aproximar as decisões da solução final pretendida. As questões devem ser esmiuçadas adequadamente para se obter esse nível de entendimento (BRANDSTON, 2010:56).
3. Subsídios para um projeto de iluminação residencial
É durante o briefing que o lighting designer tem a oportunidade de interagir com o cliente e adquirir todas as informações necessárias ao desenvolvimento de um projeto que realmente satisfaça as expectativas do cliente. Então, faz-se necessário saber a priori quais devem ser estas informações.
Para o autor Costa (2006), em um projeto de iluminação residencial (total ou para recintos separados), o lighting designer deverá possuir os seguintes elementos e/ou informações:
a) Projeto arquitetônico, cortes e detalhes da edificação; b) Tipo do forro de cada ambiente;
c) Análise da tarefa visual executada nos diferentes recintos; d) Projeto de interiores;
e) Cor ou textura do teto, paredes e piso; f) Desejos do cliente;
g) Orçamento disponível do cliente.
Além dos itens acima, de acordo com a Sociedade de Engenharia de Iluminação da América do Norte (IESNA, 2000), durante o briefing é preciso avaliar as necessidades dos ocupantes da residência, suas capacidades visuais e físicas, sua idade e o seu estilo de vida. Pessoas mais velhas requerem muito mais luz do que pessoas mais jovens; uma pessoa de 55 anos de idade requer duas vezes mais luz do que uma pessoa de 20 anos para realizar a mesma tarefa.
Dos itens citados anteriormente, o mais subjetivo e talvez o mais difícil de capturar são os desejos do cliente.
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Para ajudar a entender como os desejos do cliente podem se manifestar relacionados a um projeto de iluminação residencial, este trabalho apresenta um paralelo entre questões técnicas relacionadas à iluminação (nível de iluminância, estilo, aparência da cor, sistemas de automação, a questão da reprodução de cor, e projeto sustentável) e suas variações percebidas pelo cliente. Finaliza este paralelo discorrendo sobre a questão do orçamento disponível para o projeto de iluminação residencial.
3.1 Nível de iluminância
A iluminância é a razão entre o fluxo luminoso incidente numa superfície por unidade de área. O símbolo da iluminância é E e a sua unidade de medida é lux (lx). A iluminância representa a densidade de luz necessária para a execução de uma determinada tarefa visual (COSTA, 2006:215).
A norma NBR ISO 8995 (ABNT, 2013) apresenta os valores mínimos requeridos de iluminância média de acordo com as tarefas visuais para uma condição visual normal. Para o estabelecimento desses valores mínimos, os elaboradores da norma consideraram os seguintes fatores:
- requisitos para a tarefa visual; - segurança;
- aspectos psico-fisiológicos assim como conforto visual e bem estar; - economia;
- experiência prática.
Ainda de acordo com a ABNT (2013), os valores de iluminância devem ser aumentados em pelo menos um nível na escala da iluminância quando:
- baixos contrastes fora do normal estão presentes na tarefa; - o trabalho visual é crítico;
- a correção dos erros é onerosa;
- é da maior importância a exatidão ou a alta produtividade; - a capacidade de visão dos trabalhadores está abaixo do normal. Porém, a iluminância mantida necessária pode ser reduzida quando:
- os detalhes são de um tamanho extraordinariamente grande ou de alto contraste; - a tarefa é realizada por um tempo excepcionalmente curto (ABNT, 2013).
3.2 Estilo
O estilo pessoal relaciona-se psicologicamente com a maneira como o usuário do espaço comunica ao seu grupo social (e a si mesmo) a posição dele perante o mundo: conservador,
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arrojado; esotérico, incrédulo; masculino, feminino; alegre, triste; entre outros (CIANCIARDI, 2013:19).
Pode-se dizer que o estilo é a resultante da composição harmônica entre cores, texturas, padronagens, formas e linhas; de um determinado período histórico, presentes em um ambiente (CIANCIARDI, 2013:19).
Os elementos da iluminação além de estarem de acordo com o estilo do ambiente, também devem estar de acordo com a cultura que rodeia o usuário – e que é o seu país, sua região ou mesmo o seu local de trabalho. O usuário está sujeito à influência do meio: pessoas e climas que afetam suas preferências, seus sentimentos. É responsabilidade do lighting designer despertar a sua sensibilidade para essas emoções, porque elas são parte da vida das pessoas. Exemplificando: em uma cozinha no México seria mais provável que ela fosse ocupada com louça colorida, pimentas ardidas e vozes apaixonadas à mesa de jantar, enquanto na Escandinávia a cozinha evocaria geralmente uma estética formal com cores e temperos suaves (BRANDSTON, 2010:123).
3.3 Aparência da cor
De acordo com a ABNT (2013), “a aparência da cor de uma lâmpada refere-se à cor aparente (cromaticidade da lâmpada) da luz que ela emite”. A aparência da cor pode ser classificada de acordo com a sua temperatura de cor correlata expressa em Kelvin (K).
O fato da temperatura de cor correlata ser expressa em Kelvin (K) surgiu da analogia entre a aparência da luz emitida por uma lâmpada e a aparência de um corpo sólido (corpo negro ou radiador absoluto) quando aquecido. Quando aquecemos um corpo sólido (corpo negro ou radiador absoluto), ele começará a emitir uma luz vermelha escura e quando a temperatura aumenta a cor mudará para vermelho claro, alaranjado, amarelo, branco e finalmente branco azulado (PHILIPS, 2014a).
A classificação das lâmpadas de acordo com a sua aparência de cor dada em Kelvin (K) geralmente é feita em três grupos (ABNT, 2013:12). A Figura 1 apresenta essa classificação.
Figura 1 – Classificação das lâmpadas quanto à aparência da cor Fonte: ABNT (2013)
Visualmente, lâmpadas que se encontram em um desses 3 grupos geram efeitos visuais diferentes e que podem ser ilustrados por meio de exemplos, como o exemplo apresentado na Figura 2.
ISSN 2179-5568 – Revista Especialize On-line IPOG - Goiânia - 8ª Edição nº 009 Vol.01/2014 dezembro/2014 Figura 2 – Exemplo dos efeitos visuais das lâmpadas em 3 grupos quanto à aparência da cor
Fonte: Loja Tudo (2013)
A escolha da aparência da cor é uma questão psicológica, estética e do que é considerado natural para o cliente. A escolha depende da iluminância, cores da sala e mobiliário, clima e a aplicação. Em climas quentes geralmente é preferencial a aparência da cor de uma luz mais fria, enquanto em climas frios é preferencial a aparência da cor de uma luz mais quente (ABNT, 2013:12).
Além da variação da cor da luz em torno da cor branca, atualmente, com a disseminação dos LEDs (Light Emitting Diode) RGB (Red Green Blue), pode-se obter uma infinidade de cores luz (PHILIPS, 2014b).
Para Costa (2006), o uso da cor em iluminação desempenha um papel preponderante para o indivíduo. O efeito das cores atua psicologicamente nos indivíduos quanto ao tamanho das superfícies, visto que objetos verdes e azuis parecem maiores que os vermelhos e amarelos. Superfícies verdes e azuis parecem mais afastadas, ao passo que vermelhas e amarelas parecem mais próximas, por uma questão do foco do cristalino. Vermelho, laranja e amarelo são consideradas cores quentes, pois desenvolvem dinamismo, vitalidade, excitação e movimento; já o verde, o azul e o violeta são cores frias, dando uma sensação de frescor, descanso, paz. Pessoas nervosas e as que apresentam um temperamento instável ou sujeitas à tensão emocional tendem a piorar em presença de cores quentes, por outro lado, estas mesmas cores são adequadas para os deprimidos, angustiados e tristes por natureza. Os valores claros das cores quentes são associados à feminilidade (rosa), delicadeza e amabilidade; os escuros sugerem riqueza e poder. Os valores escuros das cores frias criam a sensação de tristeza, mistério e melancolia.
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finalidade do ambiente (COSTA, 2006:64) e vá ao encontro da preferência do cliente. Utilizando-se combinações de cores e lâmpadas, e controlando a intensidade da iluminação é possível compor várias cenas. A Figura 3 apresenta um mesmo ambiente com cenas criadas utilizando diversos efeitos obtidos com a iluminação.
Figura 3 – Cenas diversas obtidas com diferentes iluminações Fonte: Gioda (2011)
3.4 Sistemas de Automação
Com sistemas de automação ou sistemas de gerenciamento da iluminação é possível detectar e controlar os níveis de iluminância e a mistura de cores, permitindo grande flexibilidade e dinamismo à iluminação (OSRAM, 2013a).
Ao permitir alterações automáticas nos níveis, cores e direcionamento da luz, os sistemas de iluminação podem ser controlados com base na demanda, desde a utilização de controles dependentes da luz do dia e de iluminação dinâmicas aplicadas com botões para diferentes cenas (OSRAM, 2013a).
3.5 A questão da reprodução de cor
A reprodução de cor obtida quando um objeto é iluminado por uma luz é dada pelo Índice de Reprodução de Cor (Ra ou IRC). O IRC de uma lâmpada é a medida de correspondência entre a cor real de um objeto ou superfície e sua aparência diante de uma fonte de luz. A luz artificial, como regra, deve permitir ao olho humano perceber as cores corretamente, ou o mais próximo possível da luz natural. Lâmpadas com índice de reprodução 100 apresentam as cores com total fidelidade e precisão. Quanto mais baixo o índice, mais deficiente é a reprodução de cor. Os índices variam conforme a natureza da luz e são indicados de acordo com o uso de cada ambiente (OSRAM, 2013b). Como regra geral, admite-se que:
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- IRC entre 50 e 80 reproduz moderadamente a cor; - IRC entre 80 e 90 reproduz bem a cor;
- IRC entre 90 e 100 reproduz muito bem a cor (COSTA, 2006).
3.6 Projeto sustentável
“O desenvolvimento sustentável é o desenvolvimento que encontra as necessidades atuais sem comprometer a habilidade das futuras gerações de atender suas próprias necessidades” (ONU, 2013).
Um projeto de iluminação sustentável seria, por exemplo, um projeto empregando LEDs. Ao considerar a sustentabilidade dos LEDs, o primeiro aspecto que geralmente vem à mente é o baixo consumo de energia, mas há muitos outros, incluindo a redução de resíduos, reciclagem, o uso de materiais e recursos verdes e os efeitos sobre a construção e o design (PHILIPS, 2014c).
3.7 Orçamento
Para Brandston (2010), o bom lighting designer é percebido, entre outros fatores, se ele respeita o orçamento do cliente. Por isto, é muito importante saber quanto o cliente está disposto a pagar ou gastar na instalação do sistema de iluminação. É interessante ressaltar que a questão do orçamento pode conflitar com outros itens, como, por exemplo, de um modo genérico, a instalação de LEDs e sistemas de automação, que atualmente ainda são considerados mais caros quando comparados a outras tecnologias.
4. Trabalhos relacionados
Muitos trabalhos abordam os assuntos técnicos relacionados a soluções de projeto de iluminação residencial (COSTA, 2006; IESNA, 2000), porém pouco se fala sobre os requisitos que representam as necessidades e desejos do cliente e que são capturados durante o briefing do projeto de iluminação (COSTA, 2006; IESNA, 2000).
Durante a pesquisa realizada neste trabalho, não foi encontrado nenhum guia ou checklist para a realização específica de brienfings em projetos de iluminação residencial. Porém, existem guias de briefings específicos para o projeto arquitetural, como o guia proposto por Moreira e Kowaltowski (2009) e guias específicos para o projeto de interiores como o guia proposto por Cianciardi (2013) e, como o projeto de iluminação muitas vezes está inserido no contexto de um projeto arquitetural ou até mesmo dentro de um projeto de interiores como um todo, esses guias podem ser considerados como exemplos de trabalhos relacionados.
Para Rozenfeld et al. (2006), a utilização de guias/checklists auxilia o trabalho sistemático e reduz as chances de que alguma informação importante seja desconsiderada.
Cianciardi (2013) propõe um guia/formulário para ser preenchido durante o briefing de projetos de interiores. Este guia é apresentado na Figura 4.
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1.0 CLIENTE
Nome Endereço E-mail
Telefone Residencial - Comercial - Celular -
2.0 USUÁRIO
Usuário Idade Profissão Outros
3.0 ROTINA DOMÉSTICA / SEMANA
Tempo para desfrutar da casa Manutenção Final de semana Convidados 4.0 ESPAÇOS Problemas estruturais Função Tempo de permanência
Metragem Armazenagem Nº de usuários
simultâneos Sala
Lavabo Copa
5.0 PREFERÊNCIAS PESSOAIS
Usuário Estilo Cor Textura Iluminação Hobby Lojas Revistas Animais Plantas
6.0 ELEMENTOS EXISTENTES
Usuário Coleções Quadros Mobiliário Outros
Figura 4 – Guia pra briefing de projetos de interiores Fonte: Cianciardi (2013)
5. Proposta de um guia para o briefing de um projeto de iluminação residencial
A proposta do guia para o briefing foi elaborado baseado na revisão da literatura apresentada, adaptando-se o guia de briefing apresentado por Cianciardi (2013).
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foi contratado separadamente dos demais projetos, por exemplo, o cliente contratou um profissional de arquitetura para o projeto arquitetônico e contratou separadamente, um
lighting designer para desenvolver soluções em iluminação artificial.
O guia para o briefing consta de uma lista de perguntas e do formulário a ser preenchido. O formulário deverá ser preenchido à medida que as perguntas forem realizadas. Os itens relacionados aos espaços serão preenchidos com as informações obtidas através do projeto arquitetônico e do projeto de interiores, com exceção dos itens Função e Tempo de permanência, que serão capturados durante o briefing.
As perguntas propostas para o briefing são:
1) Quem são as pessoas que vivem na casa? Qual a idade delas? 2) Qual a sua profissão?
3) Você trabalha em casa? Se sim, em qual cômodo?
4) Quais os seus hábitos, hobbies? Qual o tempo que se dedica a esses hábitos?
5) Como considera sua acuidade visual. Gosta de trabalhar em locais mais iluminados? 6) Aplicar as perguntas de 2 a 5 para as outras pessoas da casa.
7) Existe projeto de interiores? Solicitar cópia do projeto de interiores e o projeto arquitetônico. Se não houver projeto de interiores, solicitar que o cliente descreva como será a decoração dos interiores.
8) Tem o hábito de receber convidados para festas, reuniões? 9) Sondar estilos e preferências do cliente.
10) Sondar as preferências do cliente com relação à temperatura de cor. Mostrar figuras como as da Figura 2.
11) Qual a sua cor preferida.
12) Você gosta de tecnologias? Está disposto a pagar um preço mais alto para incorporar automação ao seu projeto? Mostrar cenas (ex. Figura 3) e fotos de dispositivos de automação.
13) Estaria disposto a gastar mais para ter um projeto de iluminação sustentável? 14) Qual o orçamento disponível?
O formulário para o briefing é um arquivo do MS-Word® e a Figura 5 apresenta esse formulário proposto.
1.0 CLIENTE
Nome Endereço E-mail
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Telefone Residencial - Comercial - Celular -
2.0 USUÁRIO
Usuário Idade Profissão Trabalha em casa Hobby Acuidade visual Estilo Temperatura Cor Cor Tecnologias 3.0 RESIDÊNCIA Projeto de interiores Projeto arquitetônico Convidados 4.0 ESPAÇOS
Restrições Função Tempo de
permanência
Metragem Tipo de forro Cor do teto,
parede, piso Sala Lavabo Copa 6.0 OUTROS DADOS Projeto sustentável Orçamento
Figura 5 – Formulário do briefing para projetos de iluminação residencial Fonte: Elaborado pelo autor
6. Avaliação do guia de briefing proposto
O guia de briefing proposto para projetos de iluminação foi avaliado por meio de uma pesquisa-ação. De acordo com Silva e Menezes (2005), a pesquisa-ação é uma pesquisa concebida e realizada em estreita associação com uma ação ou com a resolução de um pro-blema coletivo. Os pesquisadores e participantes representativos da situação ou do propro-blema estão envolvidos de modo cooperativo ou participativo.
O guia proposto foi aplicado pelo pesquisador que pode ser classificado como um lighting
designer em início de carreira. Foram realizados 2 briefings utilizando o guia. Os briefings
foram realizados no município de São José dos Campos, estado de São Paulo. Os 2 clientes que participaram da pesquisa-ação contrataram a elaboração de projetos de iluminação para suas novas residências, ambas consideradas residências de alto padrão, em condomínio fechado de casas.
Cada briefing durou aproximadamente 1 hora. Durante o briefing, foi preenchido o formulário apresentado na Figura 5. Após o briefing, as informações levantadas foram validadas com o cliente. Também após o briefing, foram feitas as seguintes perguntas ao entrevistado: Você acredita que suas necessidades ou desejos particulares foram capturados durante o briefing? Você acredita que suas preferências foram capturadas durante o briefing? Os entrevistados
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responderam positivamente a essas perguntas.
Na opinião do entrevistador/pesquisador os resultados obtidos durante o briefing foram considerados satisfatórios.
7. Resultados e discussões
Após o briefing, o formulário foi completamente preenchido. As informações relacionadas ao projeto arquitetural e de interiores foram preenchidas a posteriori no formulário. O fato do formulário ter sido completamente preenchido indica que todas as perguntas previamente elaboradas foram capturadas. As perguntas e o formulário contribuíram para um conjunto completo de informações que serão utilizadas para a execução de um Programa de necessidades.
Um bom desempenho de um briefing depende das habilidades do entrevistador em conduzi-lo e também da capacidade do entrevistado em responder as perguntas corretamente, porém as perguntas e o formulário trazem uma orientação para o entrevistador e corrobora para que nenhuma questão previamente levantada seja desconsiderada ou até mesmo esquecida.
O briefing é a primeira etapa na busca de um projeto que realmente atenda às necessidades do cliente. Os resultados indicam que o briefing realizado produziu conjuntos completos e corretos, com informações que realmente representam as expectativas dos 2 clientes.
8. Conclusão
Este trabalho apresentou uma proposta de guia de briefing para orientar o lighting designer na tarefa de conseguir um conjunto completo e correto de informações que serão utilizadas na confecção do Programa de necessidades, passo inicial de um projeto. Valendo-se da revisão da literatura e de trabalhos relacionados, este artigo produziu uma lista de informações que devem resultar de um briefing eficaz na área de iluminação residencial. Apresentou também uma lista de perguntas para serem feitas durante o briefing para resultar neste conjunto de informações necessárias. Os briefings realizados com o auxílio da proposta apresentada resultaram em conjuntos completos e corretos de informações. Porém, a pesquisa-ação realizada limita o número de casos e de participantes envolvidos, e também restringe a pesquisa a uma determinada região, resultando em uma generalização dos resultados. Uma sugestão de trabalho futuro é aplicar a mesma pesquisa com entrevistadores de diferentes níveis de experiência, outros entrevistados e em outras regiões para validar os resultados obtidos. Outra sugestão de trabalho futuro é adaptar o guia proposto para a sua utilização em projetos de retrofit incluindo-se, por exemplo, as seguintes perguntas ao cliente: Pretende seguir o estilo original ou quer mudar? Gostaria de mudar o que?
Referências
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BRANDSTON, H.M. Aprender a Ver: A Essência do Design da Iluminação. Trad. Paulo Sergio Scarazzato. 1ª ed. São Paulo: De Maio, 2010.
ISSN 2179-5568 – Revista Especialize On-line IPOG - Goiânia - 8ª Edição nº 009 Vol.01/2014 dezembro/2014
CARVALHO, K.C.G. Análise do processo de briefing aplicado a escritórios de projetos arquitetônicos de pequeno porte. 2012. 166 f. Dissertação (Mestrado em Engenharia Civil) - Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte.
CIANCIARDI, G. Design de Interiores. São Paulo: Instituto de Pós Graduação de Goiás (IPOG), 2013. Apostila de curso.
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FERREIRA, A.B. de H. Novo Aurélio Século XXI: o dicionário da língua portuguesa. 3ª ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999.
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<http://giodas.blogspot.com.br/2011/06/clareando-as-ideias.html>. Acesso em: 13/12/2013.
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<http://www.lojatudo.com.br/artigos/Voce_sabe_escolher_a_lampada_ou_luminaria_pela_te mperatura_de_cor_.html>. Acesso em: 20/12/2013.
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http://www.philipslumileds.com/technology/led-glossary>. Acesso em: 02/01/2014. PHILIPS. LEDs e sustentabilidade. 2014. Disponível em:
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