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2 Editorial. Sumário. Pág. 7

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Academic year: 2021

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Jornal Informativo de História Antiga

Sumário

2

Editorial Palavra, Narrativa Histórica e Discurso Político Alair Duarte

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Hérodoto e sua Obra

Katsuzo Koike

4

Entrevista Antiguidade na Argentina e a questão rural na Hélade

Julian Alejandro Gallego

6

Da Filosofia Antiga: os Pré-Socráticos

José Provetti Junior

7

Panegírico de Trajano

Alex Aparecido da Costa

8

Eventos

Conselho Editorial

Prof. Dr. Fábio Lessa - UFRJ Prof. Dr. Alexandre Carneiro - UFF Profª. Drª. Claudia Beltrão – UNIRIO Prof. Doutorando Deivid Valério Gaia - UFPel

Expediente

Coordenação e Direção

Profª. Drª. Maria Regina Candido

Coordenação de Publicações

Prof Mestrando Carlos E. Campos

Edição

Prof Mestrando Carlos E. Campos

Editoração Gráfica

Profª Mestre Tricia Carnevale

Revisora

Profª. Msª. Alessandra Serra Viegas Desde 1998 - Edições Trimestrais -

Damos destaque à obra de Plínio, o Jovem,

especificamente ao seu Panegírico de Trajano.

Discurso de agradecimento pronunciado por

Plínio em 100 d. C. ao então imperador

Trajano na ocasião da ascensão do autor ao

consulado. A obra oferece-nos informações

importantes

para

entendermos

as

ambiguidades do regime vigente durante o

Alto Império.

Pág. 7

"Plínio, o Jovem”. Estátua, na fachada da Catedral de Santa Maria Maggiore, Como, Itália. Foto: Wolfgang Sauber. Enciclopedia Britânica (http://www.britannica.com/EBchecked/media/129207/Pliny-the-Younger-statue-on-the-facade-of-the-Cathedral)

Ao estudante de Filosofia ou simpatizantes que almejam ser historiadores da Filosofia interessados em Filosofia, em especial, a Filosofia Antiga, faz-se necessário um preparo metodológico que assegure a apropriação das fontes e a clareza de pensamento.

Pág. 6

Detalhe dos pré-socráticos no afresco “Escola de Atenas” (1509), de Sanzio Raphael (1483-1520). Da esquerda para a direita: Zeno de Eleia, Parmênides de Eleia, Pitágoras de Samos, Tales de Mileto, Anaxagoras de Clazômenas, Arquealo de Messênia. Fonte: http://mv.vatican.va/3_EN/pages/x-Schede/SDRs/SDRs_03_02_020.html

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Para as sociedades antigas como as poleis gregas, a

palavra era um instrumento sagrado e tinha a finalidade deixar um ensinamento às gerações posteriores. Através da palavra memorizavam-se os atos dos ancestrais, dos deuses e as glórias do passado heroico dos gregos; refletia-se sobre o presente e as possibilidades futuras.

Como nos apresenta Marcel Detienne (Os mestres da verdade na Grécia Arcaica, 1988: 13-23), a palavra obtém eficácia pelo fato de ser inspirada pelas musas e evitar o

lether (esquecimento), tornando-se alétheia (verdade), fenômeno que mantém viva a memória humana. A inspiração divina das musas dá palavra dos poetas, um ritmo sonoro sedutor; são cânticos que embalam e

fascinam, trazendo a revelação dos deuses aos homens. Esses cânticos concomitantemente conduzem os desejos humanos às divindades, proporcionando a dialética que mantém o elo antropos / théos

(homens / deuses), mantendo a ordem social.

Na edição do Philía neste trimestre, o pesquisador Katsuzo Koiketrás a figura de Heródoto como um inegável marco da historiografia ocidental. Destacamos que Heródoto

encontrava-se em num período de transição entre verdade mítica e logos iconoclasta, na qual a poesia - inspiração das musas cantada por aedos e rapsodos - mantinha eficácia, mas sofria questionamentos. Daí se origina seu estilo em conduzir uma investigação (história) com escrita agradável e capaz de seduzir seu interlocutor, tal qual faziam os poetas, vejamos o que diz Koike a este propósito: “Não podemos negar que Heródoto tornou a história uma atividade interessante, não para quem a conta, mas para quem a escuta ou lê. Ao recolher tradições populares, ao descrever monumentos e narrar os feitos grandiosos de uma grande guerra, ele sabia como agradar o público” (Philia,Jul, Ago, Set, 2012: 3).

A respeito da análise historiográfica sobre os pensadores da História da Filosofia na Hélade, José Provetti Júnior abre

um debate acerca das metodologias a serem adotadas no

discurso filosófico. Destaca- se nessa conjuntura, “os pensadores que consolidaram a razão a partir do século VII a. C., buscando ressaltar-lhes a originalidade e, sobretudo, as implicações de suas teses”. Portanto, é necessário repensar a teoria de que no corte temporal citado, a racionalidade toma menor importância, na qual a mentalidade desenvolvida fica incipiente para a compreensão da Filosofia.

Por fim, Alex A. da Costa aborda o valor do elogia solene dirigido a uma personalidade. Através de suas abordagens pode-se verificar como Plínio, o Jovem, no período do

Principado Romano, se utiliza do discurso como recurso necessário a se obter a harmonia entre as inovações políticas e as antigas tradições republicanas. Assim: “O agrupamento dessas qualidades louvadas na obra de Plínio resume o ideal de vida pública, trata-se do respeito às tradições e leis da República, o que significava de forma pragmática a promoção dos interesses e o respeito à vida dos senadores por parte daquele que, antes de tudo, era um dentre eles apesar de ser o melhor, o princeps”.

As perspectivas abordadas pelos eminentes pesquisadores nessa edição do

Philía destacam como a palavra parte da esfera do divino se transforma em uma excelência das aptidões e atividades políticas. Tal fenômeno nos possibilita destacar a importância da História em suas diversas perspectivas e interseções entre saberes. Desejamos uma boa leitura a todos!

Alair Figueiredo Duarte

Mestre em História Comparada, pela

Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Licenciatura e bacharelado em Filosofia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Pesquisador do Núcleo de Estudos da Antiguidade (NEA/UERJ).

Prof. Ms. Alair Figueiredo Duarte

Marcel Detienne.

Fonte: http://classics.jhu.edu/directory/detienne-marcel

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- Informativo de História Antiga – Jul, Ago, Set de 2012 – Núcleo de Estudos da Antiguidade – UERJ 3

Resumo: Neste artigo pretendemos apontar a relevância da obra de Heródoto para um conhecimento sobre o mundo clássico, um inegável marco da historiografia ocidental. Palavras-chave: Heródoto, Histórias, historiografia.

Apesar de tudo o que foi escrito sobre Heródoto, da antiguidade até os nossos dias, seja em termos favoráveis ou desfavoráveis, sua obra inegavelmente continua a fascinar gerações. Conhecido geralmente como “pai da história”, Heródoto também já foi visto como mentiroso, foi comparado a um turista, ou ainda tido como um dos gênios da literatura universal. As pesquisas que seguramente ele realizou em muitas partes do mundo conhecido, legadas nos nove livros das suas Histórias, têm servido de base para lançarmos olhares multifacetados sobre o mundo antigo.

Não podemos negar que Heródoto tornou a história uma atividade interessante, não para quem a conta, mas para quem a escuta ou lê. Ao recolher tradições populares, ao descrever monumentos e narrar os feitos grandiosos de uma grande guerra, ele sabia como agradar o público. Um homem erudito como ele, educado na tradição aristocrática do século V a.C., que escrevia prosa em dialeto jônico, que conhecia a maioria das tradições gregas dos velhos poetas e logógrafos mais antigos, não se limitou a falar em guerras. Em seu projeto historiográfico, Heródoto se interessou também por tradições e costumes dos diversos povos, pelas características geográficas das regiões conhecidas da Europa, Ásia e África (então chamada Líbia).

Heródoto comporá sua obra pelo menos uma geração após o grande embate entre ocidente e oriente, provavelmente no intervalo entre 450 e 425 a.C. A noção de “helenos” já estava bem estabelecida, e os bárbaros eram muito mais conhecidos, naquela altura. Porém, o processo dolorido da guerra que uniu o mundo grego, também promoveu a criação de uma identidade helênica muito forte. No confronto ou na convivência com o “outro”, os gregos se deram conta deles mesmos, de seus próprios defeitos e qualidades, de sua força e fraqueza. Mas se Heródoto não escondeu sua preferência pelos gregos, ele também não se eximiu de ressaltar muitas qualidades do mundo exterior, dos povos que descreveu, como egípcios, lídios, babilônios, fenícios, etc.

Por fim, as Histórias continuam servindo de motivo para instigar muitos trabalhos modernos que versam acerca de confronto entre culturas e civilizações, exploração e viagens, antropologia histórica, geografia e política na Antiguidade, dentre muitas outras temáticas. É imprescindível, portanto,

para o estudante que pretende conhecer o mundo clássico em sua amplitude, a leitura da obra herodoteana, desde que ela representa um inegável marco da historiografia ocidental.

Referências Bibliográficas:

HARTOG, F. O Espelho de Heródoto. Trad. Jacyntho L. Brandão. Belo Horizonte: UFMG, 1999.

JACOB, C. Geógraphie et Etnographie em Gréce Ancienne. Paris : Armand Colin, 1991.

THOMAS, R. Herodotus in Context: Ethnography, Science and the Art of Persuasion. Cambridge: Cambridge Univ. Press, 2000.

WATERS, K.H. Heródoto, el historiador : sus problemas, métodos y originalidad. Trad. Eduardo G. Tapia. México: FCE, 1996.

Katsuzo Koike

Doutorando em Estudos Clássicos na Universidade de Coimbra. Mestre em História Antiga pela UFRJ. Bacharel em História pela UFPE.

Katsuzo Koike

Busto de Heródoto. Fonte:

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Entrevista concedida aos Pesquisadores Carlos Eduardo da Costa Campos e Luis Felipe Bantim – NEA/UERJ

Philía: Estimado Prof. Julian Gallego, gostaria de agradecer-lhe pela sua contribuição para com o nosso periódico, e tendo em vista a presente ocasião, o senhor poderia comentar acerca da sua carreira acadêmica?

Gallego: Actualmente, me desempeño como Profesor Asociado (a cargo de cátedra) del Departamento de Historia de la Facultad de Filosofía y Letras de la Universidad de Buenos Aires, donde dicto la asignatura: “Historia Antigua Clásica”. He realizado mi cursus honorum en dicho marco institucional ocupando previamente posiciones como Ayudante de Trabajos Prácticos (1988-2000), Jefe de Trabajos Prácticos (2000-2006) y Profesor Adjunto (2006-2010).

Asimismo, en las mismas Facultad y Universidad, dicto seminarios de grado y de doctorado sobre temas de mi especialidad y estoy a cargo desde 2008 del dictado de los seminarios de posgrado: “Economía y sociedad en la Antigüedad”, y “Problemáticas sociales en los textos griegos”, en el marco de la Maestría de Estudios Clásicos. Complementariamente, soy Investigador Independiente del Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas (CONICET), con lugar de trabajo en el Instituto de Historia Antigua y Medieval de la Universidad de Buenos Aires. Ingresé a esta institución en 2002 como Investigador Asistente; en 2007 fui promocionado a Investigador Adjunto; y en 2011 obtengo mi actual categoría.

He realizado mi formación académica en el marco de la mencionada Universidad, gracias a su sistema de becas de investigación, tanto en mi etapa final de estudiante de grado como durante el posgrado, gozando de tres ayudas que me han permitido realizar, primero, mi Tesina de Licenciatura: Las comunidades de periecos en el sistema social espartano (siglos VI-IV a.C.) (1990), y, posteriormente, mi Tesis de Doctorado: La asamblea y los discursos de la democracia. La conformación de un sujeto político en la Atenas de la segunda mitad del siglo V a.C. (1999), dirigida por el Prof. Dr. Domingo Plácido Suárez de la Universidad Complutense de Madrid. También he gozado de una beca externa de la Universidad de Buenos Aires para llevar cabo un trabajo posdoctoral en la Universidad Complutense de Madrid

(2002), centro de estudios con el que mantengo una vinculación permanente.

Integro actualmente un equipo de trabajo con investigadoras de la Universidad de Zaragoza y de la Universidad del País Vasco, ambas de España, y formo parte regularmente de los eventos del Groupe International de Recherches sur l’Esclavage dans l’Antiquité (GIREA, http://ista.univ-fcomte.fr/girea/index.html) con sede en la Université de Franche-Comté (Besançon).

He dictado conferencias y seminarios en diversas universidades españolas.

Philía: Atualmente, notamos uma ampliação dos estudos de História Antiga nos centros acadêmicos do Brasil. Na Argentina o estudo de Antiguidade Clássica é amplamente difundido, ou o senhor ainda lida com alguns entraves para o desenvolvimento do mesmo?

Gallego: Sin hallarnos en una situación óptima, la conformación de equipos de trabajo y el desarrollo de investigaciones doctorales sobre la Antigüedad Clásica, desde un punto de vista estrictamente histórico, ha permitido visibilizar en Argentina este campo de estudios. No podría decirse que su estudio está ampliamente difundido, pero se han desarrollo algunos centros que están operando como referentes de la investigación, con la posibilidad de realizar eventos con invitados internacionales. Entre estos centros y eventos, cabe destacar el Programa de Estudios sobre las Formas de Sociedad y las Configuraciones Estatales de la Antigüedad (PEFSCEA, www.pefscea.con.nr) que ha realizado tres coloquios internacionales, el último de ellos en colaboración con el GIREA. Asimismo, es de destacar los esfuerzos desde el Centro de Estudios Avanzados de la Universidad Nacional de Córdoba-CONICET, cuyos especialistas en Historia Antigua han realizado IV Jornadas Nacionales de Historia Antigua, que desde su segunda edición funciona también como Jornadas Internacionales a las que asisten colegas de Brasil, Chile y Europa. A partir de la obtención de becas para el desarrollo de investigaciones doctorales, distintas formas de inserción en Universidades o instituciones de investigación como el CONICET y subsidios para proyectos de trabajo en equipo, la situación de la Historia Antigua Clásica, sin ser un eje central dentro de los intereses institucionales, está adquiriendo un lugar que debe reforzarse a través de las acciones que a futuro tomemos los propios interesados.

Philía: Seria correto afirmar, tal como ocorre com a historiografia tradicional, que os grupos sociais hegemônicos da Hélade se organizaram em função dos seus servos e escravos?

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- Informativo de História Antiga – Jul, Ago, Set de 2012 – Núcleo de Estudos da Antiguidade – UERJ 5

Gallego: Es un problema debatido y la respuesta no es sencilla ni unívoca. La explotación de los esclavos ocupa un lugar destacado en la organización económica. En buena medida, la clase terrateniente basa su modo de vida en dichas relaciones de explotación. Si las circunstancias lo permiten, los grupos hegemónicas intentan, y en ciertos casos logran, extender la explotación a grupos sociales que forman parte de la ciudadanía, como los pobres sin tierras o campesinos con escasas recursos. Pero, en el contexto sociopolítico de una gran mayoría de póleis griegas, los labradores campesinos adquieren, como ya dijimos, una relevancia insoslayable. Esto se percibe tanto en el control de una parte relevante de la tierra de la ciudad como en la participación política y en el ejército hoplita. El modelo de la “pólis normal” planteado por Eberhard Ruschenbusch y desarrollado de manera más amplia por el arqueólogo John Bintliff da cuenta de este protagonismo de los agricultores autónomos en una parte sustancial de las ciudades de la Grecia egea.

Philía: No caso da sociedade de Esparta, em particular, como o senhor entenderia a relação entre esparciatas e periecos no V século a.C.?

Los recientes trabajos de Jean Ducat (“Le statut des périèques lacédémoniens” [2008]; “The ghost of the Lakedaimonian state” [2010]) han puesto otra vez en discusión precisamente el carácter de esta relación que había recibido varios estudios en los últimos años (1). Si bien debería tomar en cuenta de manera detallada sus aportes y algún otro publicados después de 2005, mi perspectiva no ha cambiado sustancialmente según lo publicado en mis trabajos recientes (“The Lakedaimonian Perioikoi: Military Subordination and Cultural Dependence” [2005]; “Períoikoi lacedemonios: ¿ciudadanos pasivos?” en Campesinos en la ciudad [2005]). El vínculo daría lugar a una relación de dependencia que, si bien podía expresarse a través de mecanismos de explotación económica, se construiría sobre todo en el plano militar, en la medida en que Esparta concentraba todo el poder de reclutar y movilizar los ejércitos. Asimismo había ciertas formas de dominación cultural que se manifestaban en la apropiación espartana de Lacedemon, la ciudad de Lacedemon, aun cuando es probable que en los orígenes étnicos no hubiera diferencias entre espartanos y periecos; sin embargo, el ejército lacedemonio incluía siempre a espartanos y periecos. De manera que entre una identidad más restringida como la de ciudad de Lacedemon y otra más abarcadora como la de ejército lacedemonio se concretaba la dominación cultural y política de Esparta, en el marco de un mismo étnico, sobre los periecos, que quedaban plenamente subordinados a aquello en el terreno militar.

Philía: Como podemos verificar, sobretudo pelos estudos realizados por Graham Shipley e do Laconian Rural Sites Project, que os indícios arqueológicos muito nos auxiliaram no processo de historicização dos periecos lacedemônios.

Nesse contexto, como poderíamos denominar os assentamentos periecos?

Gallego: Las comunidades de los periecos generalmente denominadas póleis en las fuentes, aunque también kômai, pueden ser entendidas como estados en cuanto a su funcionamiento interno, esto es, en tanto que comunidades políticamente organizadas aunque carentes de autonomía. Los periecos formaban parte de alguna de las numerosas póleis diseminadas por los territorios de Laconia y Mesenia, pero a la vez se encontraban integrados en una única pólis, Lacedemonia. Los periecos tenían sus propias identidades específicas, pero se integraban como partes constitutivas de un estado lacedemonio. Así, en su vínculo con Esparta estas póleis remodelarían su carácter asumiendo en la práctica funciones propias de las subdivisiones cívicas, aun cuando su vida política no estuviera ligada institucionalmente a la de Esparta. Este funcionamiento de las comunidades periecas como subdivisiones cívicas no significa que sus integrantes deban verse necesariamente como ciudadanos de pleno derecho en relación con la pólis lacedemonia en su conjunto. En este sentido, las comunidades periecas bien podrían definirse en sí mismas como estados-póleis con arreglo a las disquisiciones aportadas por el Copenhagen Polis Centre. Pero en sus relaciones sociales con la pólis dominante (políticas, militares, religiosas, etc.) operaban en la posición relativa de aldeas integradas en un estado que, al colocar a tales entidades en una situación de dependencia o subordinación, las redefinía como organizaciones que se comportaban como si fueran subdivisiones cívicas. Así pues, desde el punto de vista “interno” se las puede interpretar como estados-póleis, mientras que desde uno “externo” cabe pensarlas como distritos del estado que las incluye, de allí que a veces se las viera no sólo como póleis sino también como kômai.

(1) G. Shipley, “‘The Other Lakedaimonians’: The Dependent Perioikic Poleis of Laconia and Messenia” (1997); J.M. Hall, “Sparta, Lakedaimon and the Nature of Perioikic Dependency” (2000); N. Mertens, “οὐκ ὁμοῖοι, ἀγαθοὶ δέ. The Perioikoi in the Classical Lakedaimonian Polis” (2002); A. Eremin, “Settlements of Spartan

Perioikoi: poleis or komai?” (2002); M.H. Hansen, “The Perioikic Poleis of Lakedaimon” (2004); B. Wallner, Die Perioiken im Staat

Lakedaimon (2008).

Julian Alejandro Gallego

Doutor em História. Professor no Instituto de Historia Antigua y Medieval - "PRF.J.L.ROMERO", da Universidad de Buenos Aires. Membro do CONICET - Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas.

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Resumo: Pretende-se através desse artigo uma análise

historiográfica sobre pensadores da História da Filosofia na Hélade, intencionando proporcionar apresentação contextualizada de suas ilações, iniciando essa série pela apresentação da metodologia a ser adotada.

Palavras-chave: Filosofia Helênica, História Helênica Antiga e

Metodologia.

Nas graduações de Filosofia se discute sobre as origens do pensamento racional. Os mais puristas se esforçam por destacar o pensamento helênico das correntes de pensamento oriental, enquanto os mais flexíveis buscam suas pertinências.

Nesse artigo se verá os pensadores que consolidaram a razão a partir do século VII a. C., buscando ressaltar-lhes a originalidade e, sobretudo as implicações de suas teses. Procurar-se-á combater a prática pedagógica de passar por eles ou como pensadores menores, pois estão extremamente incipientes enquanto usuários da razão ou como pensadores-chave para compreensão da Filosofia.

Tal ocorre, pois os que a ministram as aulas ou os ignoram parcial/ totalmente, fazendo-os como se um tipo de ícones inatingíveis aos não falantes dos idiomas Grego e Alemão ou como personagens literários, verdadeiros modeláveis para deixarem fluir as teses dos filósofos contemporâneos que adotam em seus cursos, soterrando-os em “leituras próprias”, porém descontextualizadas, desconexas com as preocupações que lhes ocasionaram as teses numa vã esperança de serem cultos por falarem dos pré-socráticos.

Do que se depreende lança-se uma nuvem de poeira aos olhos dos iniciantes em Filosofia que almejam acessar os textos originários da razão, passando da mesma maneira sobre o pensamento Medieval e adentrando os umbrais das Filosofias Moderna e Contemporânea como um porto seguro aos atormentados professores não especialistas que ministram as disciplinas de História da Filosofia Antiga e Medieval.

No entanto, alguns podem objetar: - “Mas pouco resta de original desses pensadores e, em verdade, em Português pouco se encontra, o que vem a dificultar a acessibilidade e compreensão do que expressam os pré-socráticos, em especial, o problema da anacronia sepulta qualquer esperança de apropriação original!”

De fato, ainda pouco se encontra em Português textos confiáveis sobre o pensamento pré-socrático e o ideal seria conhecer a língua grega, porém, isso não faz parte da realidade educacional brasileira! Tem um longo caminho a percorrer enquanto professores e cidadãos para se estabelecer uma instrução pública, gratuita e de qualidade que proporcione tal formação. No entanto, isso não pode ser desculpa aos universitários que prestaram vestibular com ao menos um idioma estrangeiro para deixar de consultar a

internet e outras mídias que hoje possibilitam acessar livros em todos os idiomas gratuitamente.

A questão de serem poucos os resquícios textuais originais e quanto à confiabilidade historiográfica deles, acredita-se que após a popularização do análise do discurso e de o mínimo de preocupação histórica quanto à metodologia, tanto a fidelidade textual quanto o problema da anacronia são dirimidos.

Ora, o último bastião de resistência aos estudos dos pré-socráticos se baseia na problemática historiográfica da Filosofia com sua origem em Aristóteles que em diversas de suas obras antes de dar-se a exposição de suas teses procedia a uma revisão do campo e com isso, a sua maneira realizou História da Filosofia e, posteriormente, a abordagem filosófica romântica alemã no século XIX, em especial a realizada por Hegel que elaborou a História da Filosofia tal qual se conhece.

Ao estudante de Filosofia ou simpatizantes que almejam ser historiadores da Filosofia interessados em Filosofia, em especial, a Filosofia Antiga, faz-se necessário um preparo metodológico que assegure a apropriação das fontes e a clareza de pensamento que aprenda a desenvolver a sensibilidade historiográfica para discernir e apreender o que é produto das forças contextuais de seu ambiente contemporâneo ou do historiador anterior a ele, bem como a tentativa de uma leitura contextualizada do autor estudado na cultura dele.

Enquanto pesquisador, o estudante é fruto de seu tempo, provido dos recursos conceituais que lhe são próprios, podendo utilizar-se das experiências interpretativas de seus antecessores, no entanto, deve-se ater aos cuidados metodológicos propostos por Provetti Junior em seu artigo

Sobre a História das Mentalidades na Revista Fato&Versões (2009) que é uma síntese do método adotado no caso do estudo do conceito de alma (psyché) do período Minóico ao helênico e seu papel no desenvolvimento da Filosofia pré-socrática no livro A alma na Hélade: a origem da subjetividade Ocidental (2011).

Baseado no método compreensivo iniciado pelo sociólogo Max Weber (2004) e nas práticas historiográficas da História Psicológica depreendidas de Cardoso & Vainfas (1997), prioriza-se uma reconstrução ideal provável, tendo como base a margem de concepção mental linguística e conceitual que era própria à cultura à época, captadas da análise do discurso dos textos do autor em questão e de seus contemporâneos, delimitando-se assim, a margem de manobra mental e as implicações descritas em suas teses com vistas a um entendimento possivelmente desprovido dos atuais preconceitos teóricos.

Referências Bibliográficas:

CARDOSO, Ciro Flamarion & VAINFAS, Ronaldo (Orgs.) . Domínios da história: ensaios de teoria e metodologia . Rio de Janeiro: Campus, 1997.

PROVETTI JR, José . A alma na Hélade: a origem da subjetividade Ocidental . Umuarama: José Provetti Junior Editor, 2011.

__________ . Sobre a História das Mentalidades In FERREIRA, Eliane Schmaltz . Revista Fatos&Versões . Uberlândia: nº 2, v. 1, p. 97-113, 2009.

WEBER, Max . Economia e sociedade: fundamentos da sociologia compreensiva . São Paulo: UNB, 2004, v. 2.

José Provetti Junior

Mestre em Cognição e Linguagem pela UENF.

Mestrando em Filosofia Moderna e Contemporânea pela UNIOESTE, sob orientação do prof. Dr. Remi Schorn. Especialista em História, Arte e Cultura pela UEPG. Pesquisador do NEA/UERJ.

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- Informativo de História Antiga – Jul, Ago, Set de 2012 – Núcleo de Estudos da Antiguidade – UERJ 7

Resumo: Por meio da análise do Panegírico de Trajano, de Plínio, o Jovem, podemos lançar um pouco de luz sobre a época do Principado, período em que o novo regime buscava harmonia com as tradições republicanas.

Palavras-chave: Principado, Panegírico de Trajano, Plínio, o Jovem.

Nas últimas décadas as pesquisas acerca do Principado romano vêm ocupando o foco de interesse que antes recaia sobre o período republicano. Diante desse quadro de valorização damos destaque à obra de Plínio, o Jovem, especificamente ao seu Panegírico de Trajano. Discurso de agradecimento pronunciado por Plínio em 100 d. C. ao então imperador Trajano na ocasião da ascensão do autor ao consulado. A obra oferece-nos informações importantes para entendermos as ambigüidades do regime vigente durante o Alto Império.

As análises sobre a história de Roma explicam que a expansão territorial alcançada pelas conquistas romanas tornou incompatíveis com a nova realidade política as instituições republicanas. Em resumo, a concentração de poder nas mãos de uma parcela mínima da velha elite da cidade de Roma passou cada vez mais a ser desafiada pelo prestígio de generais vitoriosos nas campanhas militares, estes tomavam o partido dos chamados populares em oposição aos optimates, a aristocracia que dividia entre si o poder. Sob o verniz da luta por justiça social os embates declinaram para a busca do poder pessoal e após um século de guerras civis Augusto, o último vitorioso iniciou um período de paz entre os romanos. A centralização do poder em torno de uma única pessoa mostrou-se eficiente, evitando disputas e racionalizando a administração do império. Este período político que chamamos de Principado corresponde também à Pax Romama, no qual se observa um grande desenvolvimento de várias regiões para além das fronteiras de Roma e da Itália. Tal situação ofereceu condições para que nos últimos anos do século I a. C., Trajano, oriundo da Hispânia, se tornasse o primeiro provincial imperador.

Mas esta prosperidade demandava uma constante busca de equilíbrio entre o poder do príncipe e as tradições da velha ordem senatorial que defendia os valores da extinta República diante dos excessos de vários imperadores que sucederam Augusto. Neste contexto de ambigüidades políticas está situado o Panegírico de Trajano, escrito por Plínio, que era a um só tempo dirigente de um círculo político cultural de senadores e amigo íntimo de Trajano, em sua obra política ilustrou a ótica do imperador, sobretudo a ideologia de um grupo senatorial de conciliação permanente entre a cúria e o príncipe, buscando legitimar a política do

César e orientar os interesses da ordem senatorial. No

Panegírico temos nas palavras de Plínio o modelo de governante desejado pelos romanos, cuja construção na mentalidade senatorial transcende a realidade de Trajano em direção à idealização da instituição do Principado. As virtudes pensadas pelos romanos a partir da leitura do Panegírico

como inerentes ao príncipe ideal caracterizam uma postura de divindade, não no sentido literal, mas sim como representação terrena de ordenação e clemência, de respeito às leis e à vida, uma postura que atendesse às demandas da vida civil e religiosa do império em uma prática de desapego ao poder ao mesmo tempo em que ele é exercido sem abusos, com retidão e temperança. O agrupamento dessas qualidades louvadas na obra de Plínio resume o ideal de vida pública, trata-se do respeito às tradições e leis da República, o que significava de forma pragmática a promoção dos interesses e o respeito à vida dos senadores por parte daquele que, antes de tudo, era um dentre eles apesar de ser o melhor, o princeps.

Nossa análise sumária do Panegírico de Trajano não esgota os estudos do Principado, diferentes recortes e abordagens podem fazer emergir novas informações para aprofundar nosso entendimento em relação ao tema, seja no campo econômico, social, cultural, político ou religioso. Defendemos aqui, sobretudo a importância de uma fonte que como fotografia de uma época, nos traz em cores vivas idéias e personagens singulares de um período que não pode ser compreendido apenas por meio de suas instituições, nesse sentido interessa a observação e o profundo estudo das idéias que estavam em voga na mentalidade romana na época do Principado, tais idéias ora explícitas, ora implícitas estão ao alcance dos historiadores no discurso de Plínio que incorpora gratidão e conselhos à Trajano, que pelo sucesso de seu governo foi lembrado como um novo Augusto. Referências Bibliográficas

SECUNDUS, Caius Plinius Caecilius. Panégyrique de Trajan. Tradução e comentários de Marcel Durry. Paris: Les Belles Lettres, 1972. ALFÖLDY, Géza. A história social de Roma. Madrid: Alianza Editorial, 1987.

FUNARI, Pedro Paulo Abreu. Antiguidade Clássica: a história a partir dos documentos. Campinas: Unicamp, 1995.

Alex Aparecido da Costa

Mestrando pelo Programa de

Pós-Graduação em História da UEM. Pesquisador do LEAM – Laboratório de

Estudos Antigos e Medievais. Sob a orientação da Profª. Draª. Renata

Lopes Biazotto Venturini. Contato: [email protected]

(8)

www.nea.uerj.br

[email protected]

Apoio e Impressão Confira o restante da programação no site do NEA: www.nea.uerj.br - Programação sujeita à alterações.

Normas para Publicação:

- 800 palavras ou 5000 caracteres com espaço; - Biografia resumida do autor;

- Resumo (35 palavras ou 230 caracteres com espaço)

R454 Catalogação na Fonte UERJ/Rede Sirius/CCS/A

Philía: jornal informativo de história antiga. – vol.1, n.1 (1998) - . – Rio de Janeiro: UERJ/NEA, 1998 – v. : Il.

Trimestral. ISSN 1519-6917

1. História antiga – Peródicos. I. Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Núcleo de Estudos da Antiguidade.

CDU 931 (05)

Como citar o Philía:

POZZER, K. M. P. Banquetes, Recepções e Rituais na Mesopotâmia. Philía: Jornal Informativo de História Antiga, Rio de Janeiro, Ano XIII, n. 37, p. 5-6, jan./fev./mar. 2011.

Obs.: o destaque é para o título do periódico, o subtítulo nem o artigo são destacados.

- 03 palavras-chaves; - 02 Imagens com referência; - 01 Foto do autor de rosto;

- Fonte: Tahoma 9, espaçamento entre linhas simples; - 03 Referências bibliográficas.

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No dia 1º de junho, os pesquisadores do Núcleo de Estudos da

Antiguidade participaram da Mesa Redonda "Educação e Saberes

nas Sociedades do Mundo Antigo", no V Ciclo de Conferências

Internacionais, XVIII Jornada de Estudos do oriente

Antigo e II Jornada de Estudos Medievais.

O evento foi realizado na PUCRS e contou com a presença dos

pesquisadores Prof. Mestrando Carlos Eduardo Costa Campos,

com o tema "O saber mágico no discurso literário romano, no

período de Augustus" e Prof. Mestrando Luis Filipe Bantim, com o

tema "O discurso de Xenofonte e o processo de formação na

Esparta Clássica".

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O Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) faz saber aos interessados que, no período de 04 de Setembro à 08 de Novembro de 2012, estarão abertas as inscrições para o Curso de Especialização em História Antiga e Medieval para turma com início em 2013 / 1º semestre.

O curso destina-se, preferencialmente, aos portadores de diploma de curso de graduação plena ou de curso superior de formação específica em Ciências Humanas e Ciências Sociais emitido por Instituição de Ensino Superior (IES) oficial ou recomendada pelo Conselho Nacional de Educação (CNE).

Para mais informações, favor entrar em contato com o Núcleo de Estudos da Antiguidade: Tel. (21)

2334-0227 - E-mail:[email protected] ou pelo site do CEHAM.

Referências

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