Município de Vila Verde
AGREGAÇÃO DOS AGRUPAMENTOS DE ESCOLAS /
ESCOLA NÃO AGRUPADA
E
REDEFINIÇÃO DOS TERRITÓRIOS EDUCATIVOS
DOCUMENTO DE TRABALHO
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1- Enquadramento
O Ministério da Educação e Ciência, através das suas estruturas regionais, está a desenvolver um processo de agregação de escolas e agrupamentos de escolas e de redefinição dos respetivos territórios educativos integrado no âmbito do Despacho n.º 4463/2011, de 1 de junho, do Secretário de Estado da Educação (publicado no Diário da República, 2.ª série — N.º 50 — 11 de Março de 2011) e do Despacho n.º 5634-F/2012, de 26 de abril. Tal processo desenvolve-se ao abrigo do artigo 7.º do Decreto -Lei n.º 75/2008, de 22 de Abril, que estabelece:
Artigo 7.º
Agregação de agrupamentos
Para fins específicos, designadamente para efeitos da organização da gestão do currículo e de programas, da avaliação da aprendizagem, da orientação e acompanhamento dos alunos, da avaliação, formação e desenvolvimento profissional do pessoal docente, pode a administração educativa, por sua iniciativa ou sob proposta dos agrupamentos de escolas e escolas não agrupadas, constituir unidades administrativas de maior dimensão por agregação de agrupamentos de escolas e escolas não agrupadas.
Neste caso, a agregação de agrupamentos de escolas e de escolas não agrupadas e a redefinição dos novos territórios educativos decorre claramente de uma iniciativa do Ministério da Educação e Ciência e da Direção Regional de Educação do Norte (DREN) e apresenta-se como inevitável.
Foi neste âmbito que o Município de Vila Verde, os Diretores e a Diretora dos Agrupamentos de Escola e da Escola Secundária de Vila Verde e os Presidentes dos respetivos Conselhos Gerais foram convocados para uma reunião, realizada no passado dia 27 de abril, nas instalações da DREN. Para justificar esta iniciativa, no âmbito da referida reunião, a senhora Diretora Regional Adjunta, Dr.ª Isabel Cruz:
a) focou os imperativos subjacentes ao bom funcionamento dos Agrupamentos de Escolas;
b) ressalvou que nesta fase será apenas abordada a organização territorial e pedagógica das agregações;
c) rematou com a indicação de que as agregações de agrupamento podem contemplar algumas exceções - escolas TEIP, escolas profissionais e artísticas, escolas com contratos de autonomia e escolas com apoio a estabelecimentos prisionais, não obstante a possibilidade de se agregarem desde que manifestem vontade na agregação;
d) colocou, também, o enfoque na lógica da sequencialidade, tendo em conta os 12 anos de escolaridade, e no projeto educativo comum, princípios aliás, subjacentes ao reordenamento da rede escolar;
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e) apresentou, ainda, algumas informações relativas à revisão do Decreto-Lei n.º 75/2008, que reforçará a promoção destas iniciativas estabelecendo nomeadamente o número de elementos a integrar as CAP (Comissões Administrativas Provisórias) dos Agrupamentos de Escolas a agregar, em função da sua dimensão, bem como a possibilidade de se estabelecerem práticas de cooperação, redes de partilha e parcerias entre vários Agrupamentos de Escolas.
É evidente que no atual contexto socioeconómico este processo não se desvincula da necessidade, promovida pela ação governativa, de difundir medidas de racionalização do sistema educativo para «ganhar eficiência na gestão dos recursos humanos, pedagógicos e materiais» e garantir a sua própria sustentabilidade financeira.
Apesar de não ter surgido de forma natural e por vontade própria das instituições educativas envolvidas, do nosso ponto de vista, e seguindo Barroso, consideramos que devemos encarar a associação de escolas como um “dispositivo flexível” de constituição de redes e sistemas de escolas que possa contribuir para:
- “Permitir a emergência de territórios através de processos de identificação múltipla que dão sentido à relação das escolas com o espaço local;
- Garantir a coerência de um sistema educativo local, assegurando a continuidade entre diferentes níveis e estabelecimentos de ensino;
- Promover a complementaridade dos recursos educativos através da cooperação entre escolas, em diferentes domínios, nomeadamente, da gestão” (Barroso, 1998)1
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2- Situação atual
Atualmente (Ano Letivo 2011/2012) a rede escolar concelhia comporta os seguintes Agrupamentos de Escolas / Escola não agrupada:
AGRUPAMENTO DE ESCOLAS N.º DE ALUNOS
Agrupamento de Escolas de Ribeira do Neiva 629
Agrupamento de Escolas de Moure 1135
Agrupamento de Escolas de Prado 1412
Agrupamento de Escolas Monsenhor Elísio Araújo 1137
Agrupamento de Escolas de Vila Verde 1864
Escola Secundária/3 de Vila Verde 993
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Os territórios educativos dos atuais Agrupamentos de Escolas identificam-se no seguinte mapa.
Trata-se de territórios relativamente homogéneos e equilibrados do ponto de vista da sua integração socioeconómica e dos respetivos eixos de comunicação intra e extraterritorial. Cada um deles é constituído por um conjunto de lugares centrais e de vias de comunicação que os unem, caracterizando-se ainda pela capacidade de criar sinergias e campos de polarização que orientam os fluxos de pessoas, de bens e de informação em torno de formas hierarquizadas de povoamento e de habitat. Cada um deles dá conta do conjunto de vetores dinâmicos de intervenção prioritária em matéria de oferta educativa integrada na realidade e identidade locais, alicerçando o plano do desenvolvimento, pessoal e social, num quadro referencial de identidade e sentimento de pertença locais. E têm na sua génese a ideia de que o desenvolvimento, quer seja individual, quer seja dos grupos ou das instituições locais, só se fará adequadamente se tiverem em conta o cimento geracional que é constituído pelos referenciais de vivência
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comum, tradições, memória, em suma, identidade, numa perspetiva de sustentabilidade, harmonia e fomento de um crescimento firme e sabiamente enraizado nos pontos fortes da nossa região e das nossas gentes, procurando, através do conhecimento, da cultura, da formação e da informação ultrapassar os respetivos pontos fracos.
Neste contexto, o planeamento da rede educativa impõe uma responsabilidade acrescida e uma visão integrada e integradora da escola, não só no plano interno da organização, mas também ao nível da gestão de recursos e práticas, e das relações com a comunidade. A Carta Educativa de Vila Verde enuncia já nos seus propósitos uma resposta adequada às necessidades de redimensionamento da rede educativa, colocadas pela evolução da política educativa e pelas oscilações da procura da educação, nomeadamente, rentabilizando o parque escolar existente e promovendo o esbatimento das disparidades inter e intra-regionais e a igualdade do acesso ao ensino numa perspetiva de adequação da rede educativa às características locais.
3- Propostas de trabalho
Contextualizando a territorialização desenhada para o Concelho de Vila Verde, a Diretora Regional Ajunta sublinhou as respostas educativas de cada Agrupamento de Escolas e de Escolas não agrupadas, bem como as projeções demográficas calculadas a partir dos Censos 2011 e da evolução demográfica de cada território, cuja convergência com a metodologia aplicada culminou nas propostas de trabalho alvo de reflexão conjunta entre a DREN, a Autarquia e as Escolas.
No lastro do que se considerou de boas práticas do planeamento estratégico, apreciou-se a dispersão territorial dos territórios educativos do Concelho de Vila Verde e a respetiva geometria territorial, tendo surgido duas propostas de trabalho.
PROPOSTA DE TRABALHO A:
A Proposta de Trabalho A apresenta a seguinte configuração (tabela e mapa seguintes):
PROPOSTA DE TRABALHO A
AGREGAÇÕES PROPOSTAS N.º ALUNOS
AE de Ribeira do Neiva (629) +
AE Monsenhor Elísio Araújo (1137)
1766 AE de Moure ( 1135) + AE Prado (1412) 2547 AE Vila Verde (1864) + ES Vila Verde (993) 2857
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Ora, esta proposta apresenta, quanto a nós, algumas debilidades, uma vez que não tem em linha de conta as especificidades e afinidades territoriais existentes nas áreas de influência de pelo menos alguns dos atuais Agrupamentos de Escolas:
a) a junção do Agrupamento de Ribeira do Neiva com o Agrupamento Monsenhor Elísio de Araújo afigura-se problemática uma vez que estes dois territórios, além de muito vastos, apresentam um perfil montanhoso e uma configuração topográfica que os separa e não comunicam entre si através de uma rede viária coerente e eficaz. Por outro lado, integram as localidades concelhias de menor dinamismo demográfico evidenciado pelo progressivo decréscimo da população escolar e da população em geral nas freguesias da sua área de influência;
b) por sua vez, a zona de Ribeira do Neiva tem muito mais afinidades com o território abarcado pelo Agrupamento de Escolas de Moure, (duas das
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freguesias, nomeadamente Marrancos e Arcozelo, que integram atualmente o Agrupamento de Ribeira do Neiva já pertenceram ao Agrupamento de Moure): a rede de transportes públicos está organizada em função do território de Moure e Prado (seguindo o eixo estruturante da EN 201) e não do Vale do Homem; também do ponto de vista dos serviços de saúde e de cariz social estes territórios apresentam entre si maiores conexões uma vez que partilham as mesmas Unidades de Saúde Familiares e as mesmas infraestruturas de apoio social;
c) entretanto, é evidente que as localidades que integram o atual Agrupamento Monsenhor Elísio Araújo estão servidas por uma rede viária e de transportes estruturada em função dos núcleos urbanos de maior dimensão no Vale do Homem: a Vila de Pico de Regalados e a sede do concelho. Por isso, é patente uma maior contiguidade e integração geográfica entre os Agrupamentos Monsenhor Elísio Araújo e de Vila Verde asseguradas por um natural fluxo de pessoas e circulação de mercadorias, bens e serviços numa base territorial comum;
d) a Escola Secundária de Vila Verde, com a intervenção da Parque Escolar, disporá em breve de amplas e modernas instalações. Tal como tem feito ao longo dos seus 25 anos de existência, ela continuará a ser a garantia de um projeto educativo aberto e inclusivo e de uma oferta curricular ampla e abrangente promotora de uma escolaridade obrigatória de 12 anos de qualidade capaz de acolher ainda mais todos os alunos do Concelho;
e) no entanto, esta junção não promove o alargamento efetivo do ensino secundário à Vila de Prado.
PROPOSTA DE TRABALHO B:
Assim, depois de analisada criticamente esta proposta de trabalho e ponderados todos os prós e contras da mesma, numa atitude responsável e colaborativa consideramos pertinente a apresentação de uma segunda proposta, que designamos por PROPOSTA DE TRABALHO B, que, no nosso entender, contempla melhor todas as especificidades do território do Concelho de Vila Verde e que, por isso, poderá atender melhor às necessidades e anseios de todos os alunos e da população vilaverdense.
Nestes termos, através da PROPOSTA DE TRABALHO B propõe-se a seguinte agregação (tabela e mapa seguintes):
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PROPOSTA DE TRABALHO B
AGREGAÇÕES PROPOSTAS N.º ALUNOS
AE de Moure ( 1135) + AE de Ribeira do Neiva (629) 1764 AE Vila Verde (1864) +
AE Monsenhor Elísio Araújo (1137)
3031 AE Prado (1412)
+
ES Vila Verde (993)
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Ao contrário da proposta de trabalho anterior, esta proposta assegura melhor o encadeamento lógico das linhas de continuidade geográfica e de circulação entre os diferentes territórios educativos, facilitando, até, a fusão dos respetivos projetos educativos.
Ao estabelecermos a união dos territórios educativos do Agrupamento Monsenhor Elísio Araújo com o do Agrupamento de Escolas de Vila Verde e o Agrupamento de Ribeira do Neiva com o Agrupamento de Escolas de Moure promove-se a ligação entre territórios demograficamente deprimidos com outros de maior dinâmica demográfica criando-se, desta forma, uma maior perspetiva de sustentabilidade futura das novas unidades escolares.
Ultrapassando-se as fragilidades apontadas à PROPOSTA DE TRABALHO A, já devidamente explanadas, aproveita-se o atual processo de reconfiguração dos agrupamentos escolares para agregar a Escola Secundária ao Agrupamento de Escolas de Prado. Desta forma pretende-se evitar a saída de alunos para as escolas de Braga promovendo uma fidelização dos alunos à sua escola e ao seu território uma vez que o ensino secundário poderá funcionar efetivamente na escola da Vila de Prado. Desta forma, através de uma oferta de ensino secundário diferenciada e complementar que possa ir de encontro aos interesses dos alunos desta zona do concelho, assegura-se melhor a sua fixação no respetivo território e a consecução de um velho anseio das populações locais: o ensino secundário na Vila de Prado.