UNIVERSIDADE DE CAXIAS DO SUL CENTRO DE FILOSOFIA E EDUCAÇÃO
PROJETO NOSSA ESCOLA PESQUISA SUA OPINIÃO – PÓLO RS CURSO “ESCOLA E PESQUISA : UM ENCONTRO POSSÍVEL
HELOISA MARIA LESSA NILCE TONÚS
PROJETO DE PESQUISA
EDUCAÇÃO PRISIONAL : UM PANORAMA INTERNO
Projeto e pesquisa apresentado junto ao curso de Extensão “Escola e Pesquisa: um Encontro Possível”
Coordenadora: Nilda Stecanela
Autoras: Heloisa Maria Lessa e Nilce Tonús Orientadora: Fernanda Bertoldo
CAXIAS DO SUL 2010
SUMÁRIO
1. DADOS DE IDENTIFICAÇÃO …... 03
1.1 Dados dos Pesquisadores …... 03
2. PERFIL ...03 2.1 Instituição ... 03 3. TEMA... 03 3.1 Problema de pesquisa …... 04 4. JUSTIFICATIVA... 04 5. HIPÓTESES... 05 6. OBJETIVO... 05 6.1 Objetivos Geral... 05 6.2 Objetivos Específicos... 06 7. METODOLOGIA... 06 8. POPULAÇÃO/AMOSTRA... 06 9. RECURSOS ... 07 9.1 Recursos Humanos... 07 9.2 Recursos Materiais...07 10. CRONOGRAMA ... 07
11. REFERÊNCIAL TEÓRICO – METODOLÓGICO... 08
12. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS... 09
1. DADOS DE IDENTIFICAÇÃO UNIVERSIDADE DE CAXIAS DO SUL PRÓ-REITORIA DE EXTENSÃO
CURSO DE EXTENSÃO: “Escola e Pesquisa: um encontro possível” 10ª Edição Coordenadora: Drª Nilda Stecanela
Período: de março a agosto de 2010
Local de Desenvolvimento da Pesquisa de Opinião: Instituição Penal de Caxias do Sul Orientadora: Fernanda Bertoldo
1.1. Dados das pesquisadoras: Nome: Heloisa Maria Lessa
Rua: Dom José Barea, 1084 Aptº 31 Bairro: N. Srª. de Lourdes Fones: 30271680 - 91449057
Nome: Nilce Tonús
Endereço: Rua Guerino D’Agostini, 59 Bairro: Panazzolo Cidade: Caxias do Sul
Fones: 3213 2829 - 91390472
2. PERFIL
2.1 Instituição:
O referido estabelecimento está localizado nesta cidade. Atende aproximadamente 650 apenados e 50 apenadas, oriundos de Caxias do Sul e de outros municípios da serra gaúcha. Os homens se dividem em duas galerias, subdivididos em celas, já as mulheres cumprem pena juntas, no mesmo espaço, denominado pavilhão. É neste local que será desenvolvida a pesquisa
vinculada ao curso de extensão oferecido pela Universidade de Caxias do Sul “Escola e Pesquisa: um encontro possível”, coordenado pela professora Dr. Nilda Stecanela.
3. TEMA
Educação prisional 3.1 Problema de pesquisa:
Um estabelecimento educacional inserido num contexto incomum, ou seja, atrelado a uma instituição penal, despertou-nos o interesse em saber a opinião dos reclusos com a seguinte indagação: Na opinião dos apenados, estudantes ou não, qual a importância da escola num contexto prisional?
4. JUSTIFICATIVA:
A oferta de ensino no ambiente prisional iniciou em meados de 1985, com um professor que atuou aproximadamente por 3 anos, quando então desistiu. Em 1998 a Pastoral Carcerária retomou a questão educacional.
Hoje, as aulas ocorrem no turno da manhã para os estudantes das séries iniciais do ensino fundamenta, no turno da tarde para as séries finais e também ensino médio. Atualmente ocorrem atividades educacionais, porém não regulamentadas. Existe um processo em andamento junto ao órgão competente para viabilizar e regulamentar as ações educacionais existentes.
Nos encontros de professores emergiu a preocupação em pensar em metodologias mais atraentes para as aulas. Assim, passamos a nos perguntar sobre qual seria a opinião dos estudantes e ainda dos apenados que não fraquentam as aulas, sobre a escola. Optamos em realizar a pesquisa de opinião como metodologia para essa investigação. Julgamos que a opinião dos apenados, a cerca das aulas, auxiliaria na qualificação dos processos educacionais.
Segundo Scheibel e Lenhenbaner (2006, p. 103) “É preciso que encontremos alternativas para o sucesso de um ensino ainda tão desacreditado em nosso meio”. A educação de jovens e adultos visa a promoção do resgate da cidadania através de um ensino significativo para os envolvidos. Na realidade em questão, urge qualificar cada vez mais a oferta de ensino,
no que tange à atuação docente, para que o mesmo proporcione um verdadeiro processo de inclusão social.
Como profissionais da educação, preocupadas em aprimorar nossa prática docente, propomos a realização da pesquisa “EDUCAÇÃO PRISIONAL : UM PANORAMA INTERNO”, a fim de obtermos subsídios, elementos para promoção de práticas educativas coerentes com a realidade dos estudantes e que possibilitem ampliar o olhar dos mesmos para suas realidades. Acreditamos que a educação pode trazer um rencontro...com a liberdade dos reclusos, por isso buscamos conhecer suas opiniões para melhor gerenciar esta realidade educacional.
Como sistematização dos resultados da pesquisa, pretendemos elaborar um artigo e divulgar os achados da pesquisa junto a direção da instituição carcerária, ao corpo docente da escola, como também aos participantes da pesquisa.
5. HIPÓTESES
Referente ao tema lançamos mão de algumas hipóteses, baseadas nos nossos conhecimentos da realidade em questão:
• muitos não gostam de estudar,
• há quem prefira dormir a ir para a escola; • a escola é um passatempo para alguns;
• o contato com professores aproxima-os do mundo;
• se a escola oferecesse lanche o número de alunos aumentaria; • as mulheres não valorizam o ensino;
• os apenados ficam doentes seguidamente por isso faltam; • a baixa estima desmotiva-os (as) a estudar;
• eles (as) já são adultos (as) e como viveram até agora com baixa escolaridade não sentem necessidade de estudar;
• o espaço físico da mesma é pouco atrativo.
6.OBJETIVOS 6.1 Objetivo Geral:
Investigar os significados atribuídos pelos apenados à uma escola num ambiente prisional, para que sejam pensadas e implementadas ações que vão ao encontro de suas expectativas.
6.2 Objetivos Específicos:
perceber de que forma o estabelecimento pode se tornar mais atraente, ampliando assim o número de educandos;
buscar estratégias para aproximar da escola os apenados que ainda não estudam afim de que se envolvam nas ações efetivadas pela instituição;
perceber como cada um dos gêneros vê a escola, para confrontar semelhanças e diferenças de acordo suas visões;
analisar as diversas significações atribuídas à escola, a fim de compreender o ponto de vista a respeito da educação, dos (as) reclusos(as).
7. METODOLOGIA:
Neste projeto de pesquisa utilizaremos a pesquisa de opinião, para levantar dados referentes ao contexto explicitado anteriormente. Segundo Montenegro “A escolha da pesquisa de opinião como foco das propostas tem um significado especial: ao elaborar uma pesquisa de opinião sobre determinado tema, as pessoas necessariamente têm de se posicionar e com isso, estão participando do processo”. (Montenegro e Ribeiro, 2002, p.22). Nota-se, assim, como a pesquisa de opinião promove a participação dos envolvidos no processo. Nesse caso a pesquisa dar-se-á através de questionários que serão aplicados aos apenados dessa instituição penal, pela professora Nilce Tonús.
8. POPULAÇÃO/ AMOSTRA:
A população com a qual será realizada a pesquisa pertence à massa carcerária dessa instituição penal. Serão entrevistados apenados estudantes e também não estudantes.
A representação adequada do grupo consiste em garantir que a amostra contemple todos os diferentes tipos de indivíduos que fazem parte da população a ser pesquisada. (Montenegro e Ribeiro, 2002). Para que isso ocorra, a coleta se constituirá com 50% de estudantes e 50 % de apenados que não frequentam as aulas. Deve-se acrescentar que os questionários serão aplicados proporcionalmente em relação a homens e mulheres que fazem parte da população carcerária. Lembrando que a população feminina é composta de aproximadamente 10% do total. Vale lembrar ainda que atualmente o número de pessoas cumprindo pena é de aproximadamente 650 internos.
Então baseadas nesses dados entrevistaremos 66 pessoas, sendo que 33 estudantes e 33 não estudantes. Quanto ao público feminino serão 3 reclusas estudantes e 3 que ainda não estudam, enquanto o masculino serão 60 entrevistados, sendo 30 de cada galeria, 15 que estudam e 15 que ainda não estudam.
9. RECURSOS
9.1.Recursos humanos:
A professora Nilce aplicará os questionários, mas a interpretação dos dados ficará a cargo das duas docentes: Heloisa e Nilce; 66 entrevistados.
9.2. Recursos Materiais:
Os recursos materiais são: computador, folhas de ofício, materiais de uso escolar, livros para pesquisa, cartazes, etc.
10. CRONOGRAMA:
Período Descrição da ação Responsáveis Observações
Março / abril Elaboração do projeto de pesquisa Elaboração dos instrumentos de pesquisa
Heloisa e Nilce
Maio / junho Aplicação do pré-teste Aplicação dos questionários Tabulação, análise e interpretação dos dados
Heloisa e Nilce A professora Nilce aplicará os
pré-testes e questionários, pois
Heloisa está de licença.
Julho/ agosto Elaboração do artigo Heloisa e Nilce Agosto Divulgação dos resultados Heloisa e Nilce
11. REFERENCIAL TEORICO-METODOLÓGICO
A pesquisa de opinião proporciona a coleta de dados referente algum tema de interesse dos envolvidos. Para que a mesma seja significativa é importante partir de um assunto relevante na comunidade. Para Marquês (2001, p.92) “È condição para a pesquisa uma dúvida precisa e bem determinada...” De posse disso o êxito da mesma poderá ser obtido com maior facilidade. A pesquisa de opinião num ambiente prisional visa aproximar-nos de pessoas, que por terem executados crimes previstos no código penal, são negadas e excluídas da sociedade. Nesse ambiente os apenados não têm, geralmente, oportunidades de opinarem e de se manifestarem a respeito de assuntos que fazem parte da sociedade em que estão inseridos. Nesse contexto a massa carcerária é considerada a escória da sociedade.
Muitas pessoas acreditam que um preso jamais retornará para a sociedade e não compreendem que o ambiente prisional tem como objetivo recuperar o delinquente para que possa retornar a sociedade em condições de disputar e usufruir das mesmas condições que a sociedade oferece a todos seus cidadãos. Para Onofre (2007, p.11) “Fazer com que exista uma sociedade com um pouco mais de qualidade de vida é papel importante dos educadores”. Ainda, acrescenta que a educação escolar no interior das prisões, é considerada como esforço residual no âmbito das políticas públicas para a população carcerária. Pensar a educação a partir da inserção da mesma nas prisões é complexo. Para Onofre (apud Freire 1983) “E ao se pensar na educação do homem preso não se pode deixar de considerar que o homem é inacabado, incompleto, que se constitui ao longo de sua existência e que tem a vocação de ser mais, o poder de fazer e refazer, criar e recriar.” Pra atender bem esse público deve-se considerar duas principais premissas : professores que estejam preparados e capacitados em lidar com conflitos desta ordem e o estabelecimento de laços sinceros entre educadores e estudantes.
Para que isso possa ocorrer com êxito não podemos esquecer que de acordo com Onofre (apud Gadotti, 1993, p. 134), “...a liberdade é a única força que move o preso.” É importante ressaltar aqui que não se deve esperar da escola aquilo que ela não pode oferecer.
Desde 1984 a Lei de Execuções Penais (LEP) prevê no seu artigo 17 da seção V “Assistência educacional compreenderá a instrução escolar e a formação profissional do preso e do internado”. Em maio desde ano foi acrescentado a esta lei um artigo tornando obrigatória a oferta de ensino fundamental e médio na modalidade EJA, nas prisões.
A educação prisional tem como prática no Rio Grande do Sul, a remição pelo estudo, embora a LEP contempla basicamente a remição pelo trabalho. Cada Vara de Execução Criminal tem autonomia de deliberar sobre a remição dos estudantes.
Com este trabalho pretendemos buscar mais subsídios para qualificar e ampliar o trabalho educativo no ambiente prisional, oportunizando ao encarcerado a vez de se manifestar e contribuir para a melhoria das atividades educacionais existentes, ampliando o atendimento desta população, para que retorne a sociedade com melhores expectativas de vida.
12. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
Lei nº. 7.210, de julho de l984. Lei de Execuções Penais – LEP Disponível em : http://www.dji.com.br/leis-ordinárias. Acesso em: 30 de maio de 2010.
Marques, Mário. Escrever é Preciso: O Princípio da Pesquisa. 4ª ed. Ed. Ijuí, 2001.
Montenegro, Fábio; Ribeiro, Vera Masagão. Nossa escola pesquisa sua opinião: Manual do professor. São Paulo: Global, 2002.
Moraes, Roque. Participando de Jogos de Aprendizagem: A Sala de Aula com Pesquisa. Artigo.
Onofre, Eunice Maria Cammarosano. Educação escolar entre as grades. São Paulo: Edufscar,2007.
Scheibel, Maria Fani; Lenhenbauer, Silvana. Reflexões sobre a Educação de Jovens e Adultos. Porto Alegre: Pallotti, 2006.
Segmento: _________Questionário nº: __________Data:___________ UNIVERSIDADE DE CAXIAS DO SUL
CURSO DE EXTENSÃO: “ESCOLA E PESQUISA: UM ENCONTRO POSSÍVEL” PROGRAMA NOSSA ESCOLA PESQUISA SUA OPINIÃO
PROJETO DE PESQUISA
EDUCAÇÃO PRISIONAL : UM PANORAMA INTERNO APRESENTAÇÃO:
Sou professora e gostaria de fazer uma pesquisa sobre a escola num estabelecimento prisional. Posso contar com a sua colaboração?
PARTE I
Dados de identificação: 1. Sexo:
( )1.Masculino ( )2.Feminino
2. Qual a sua idade? ( )1. De 18 a 29 anos ( )2. De 30 a 39 anos ( )3. Mais de 40 anos
3. Qual seu nível de escolaridade? ( )1.nunca estudou
( )2. 1ª a 4ª série ( )3. 5ª a 8ª série
( )6.ensino superior completo ou incompleto PARTE II
4. Responda a essa pergunta se você já trabalhou fora daqui:
Em algum momento de sua vida você sentiu necessidade de ter mais estudo? ( )1.Sim
( )2.Não
5. Qual(is) o(s) motivo(s) que o(a) levou a abandonar os estudos na idade própria para estudar?
( )1. por falta de interesse ( )2. morava longe da escola
( )3. por falta de condições financeiras ( )4. envolvimento com drogas
( )5. necessidade de trabalhar
( )6. outros. Quais?_____________________________________________________________ 6.Você frequenta a escola nesse espaço?
( ) 1.Sim
( ) 2.Não. Por quê: _____________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ 7.Se respondeu que sim na pergunta 6, você costuma faltar as aulas?
( )1.Sim. Por quê?______________________________________________________________ ( )2 Não
8. A escola neste ambiente favorece a aprendizagem?
( )1.Sim. Por quê ?_____________________________________________________________ ( )2.Não. Por quê ?_____________________________________________________________ ( )3.Não sabe.
PARTE III
9.Dê sugestões sobre o que a escola poderia fazer para despertar o interesse de quem ainda não estuda? _____________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ 10. Dê uma nota de 0 a 10 para a escola ( 0 é pior e 10 é melhor): _____________________
11. Você gostaria de fazer algum comentário sobre o assunto?
_____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ MUITO OBRIGADO PELA SUA COLABORAÇÃO!