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IMPLANTAÇÃO DO PROJETO DE ENERGIA E SUSTENTABILIDADE

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Academic year: 2021

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IMPLANTAÇÃO DO PROJETO DE ENERGIA E SUSTENTABILIDADE Magaiver Gabriel Lamp(1) ([email protected]), Kelly Roselaine Valadares (2)

([email protected]), Angela Beatrice Dewes Moura(3) ([email protected])

(1) Universidade Feevale; Instituto de Ciências Exatas e Tecnológicas

(2) Universidade Feevale; Mestrado Profissional em Tecnologia dos Materiais e Processos Industriais (3) Universidade Feevale; Instituto de Ciências Exatas e Tecnológicas

RESUMO: O crescimento das demandas mundiais e a escassez de recursos naturais para atendimento das

necessidades energéticas, impulsionam as industrias a buscarem alternativas que viabilizem a economia nos processos produtivos. Projetos envolvendo a economia de energia elétrica, com ações simples como substituição de lâmpadas, troca de sistemas de iluminação aproveitamento da luz natural geram uma expressiva economia. Por meio deste estudo, podemos observar que projetos como este, com ações simples, geram uma economia mensal superior a dez mil reais, equivalente a 0,11KW/h por peça/par.

PALAVRAS-CHAVE: Energia, sustentabilidade energética, gestão econômica.

IMPLEMENTATION OF ENERGY AND SUSTAINABILITY PROJECT

ABSTRACT: The growth of global demand and the scarcity of natural resources to meet energy needs boost

the industries to seek alternatives that enable the economy in production processes. Projects involving electricity saving with simple actions such as replacing light bulbs changing lighting use of daylight systems generate large savings . Through this study, we can see that projects like this, with simple actions , generate a higher monthly savings to ten thousand reais , equivalent to 0,11KW / h per piece / pair .

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1. INTRODUÇÃO

O crescimento das demandas mundiais e a escassez de recursos naturais para atendimento das necessidades energéticas, assim como a busca pelos padrões sustentáveis em respeito ao planeta, impulsionam as ações à procura da gestão aprimorada da energia e subsídios naturais.

Levando em consideração que a energia é necessária para movimentação e desenvolvimento da economia e que o meio ambiente é em todo tão fundamental quanto essa, uma vez que desrespeitando os ecossistemas, desperdiçamos energia e o resultado é a estagnação da economia, ser sustentável é mais que obrigação das gerações presentes com o intuito de ver nascerem às gerações futuras (CAVALCANTI, 2015).

Entende-se por sustentabilidade a utilização de recursos naturais de forma a não comprometer a herança das próximas gerações, assim como a capacidade do homem de interagir com o meio ambiente sem lhe causar danos. Outros conceitos, não menos importantes reforçam o escopo da sustentabilidade que leva em consideração pilares sociais, energéticos, econômicos e ambientais (PESSOA, 2008).

Os grandes avanços tecnológicos fortalecem ainda mais esta tendência, estimulando estruturas organizacionais a serem cada vez mais enxutas, equitativas e saudáveis, sendo esta uma das vertentes seguidas pela empresa em questão. O consumo energético impacta diretamente no custo do produto final.

Em vista do apresentado, cabe a pergunta essencial que norteou este trabalho: - O consumo energético desta empresa pode ser modificado?

2. MATERIAIS E MÉTODOS

A empresa que teve seu consumo energético estudado, conta com mais de dez mil funcionários nas treze unidades industriais localizadas no Brasil e na Argentina. Conta ainda com outsourcing na China, e unidades comercias em Buenos Aires, Santiago, Lima e Cidade do México.

Os levantamentos foram realizados em uma das unidades industriais localizadas no Brasil, no estado da Bahia, sendo o critério de escolha as características locais da unidade que conta com uma produção mensal de aproximadamente duzentas e setenta mil peças/pares.

A partir da escolha da unidade desenvolveu-se o projeto de iluminação piloto para implementação, o qual posteriormente será implantado em todas as unidades industrias da empresa.

Para desenvolvimento do estudo foi-se necessário a criação de comitês na unidade local para implantação do plano de ação, criação de ferramentas eletrônicas de controle corporativo, procedimento de coleta e envio de informações, análise de consumo da unidade, avaliação do sistema de iluminação, medição dos ganhos futuros e retorno dos investimentos bem como criação da ferramenta eletrônica para cálculo de pay-back na utilização de iluminação mais eficiente.

Criou-se um comitê no qual cada unidade tem um representante responsável pelas ações necessárias para desenvolvimento deste estudo, bem como o fluxo das informações.

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3. RESULTADOS E CONCLUSÕES

A partir desta estruturação inicial, foram formados comitês de Energia e Sustentabilidade locais, que têm por objetivo gerenciar todos os assuntos pertinentes, corroborando para o desenvolvimento de ações sustentáveis em sua unidade, assim como auxiliando na disseminação da cultura sustentável dentro da organização. Estes comitês também são responsáveis pelo levantamento de dados e análise dos mesmos, procurando identificar pontos de variação e propor planos de ação para melhoria contínua dos resultados obtidos. Todos estes itens sempre sendo monitorados pelo corporativo.

O comitê de cada unidade mantém agenda de reuniões mensais para discutir assuntos referentes a formas de economizar energia, o que pode ser melhorado na unidade, maneiras de reduzir a geração de resíduos, entre outros assuntos relacionados.

Após cada reunião é lavrada a ata com todos os assuntos discutidos e metas que foram propostas, esta é enviada para o grupo gestor que as analisa e dá retorno as unidades.

Criou-se uma ferramenta eletrônica corporativa para registrar todos os consumos de energia elétrica e a produção de pares de calçados ou peças de confecção. Todos estes valores são passados mensalmente para o grupo gestor pelos coordenadores dos comitês locais, desta forma são trabalhados os números e é feita a avaliação da unidade e sua evolução.

Os principal indicador é o KW por par ou KW por peça. Com estes números gerados é possível indicar se a unidade está atendendo às metas ou não.

O indicador KPI, utilizado para análise das metas, mede a quantidade de KW de energia necessários para a produção de um par de calçado ou uma peça de vestuário conforme o tipo de produção da unidade. Por exemplo, tem-se no Quadro 1 o gráfico mostrando a evolução do KPI, na unidade no estado da Bahia, a partir do ano de 2014 ( em azul mais escuro) com 2015 (azul mais claro).É visível a melhoria no consumo desta unidade.

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QUADRO 1. Gráfico Kw por par Santo Estevão 2014 x 2015

3.1 Energia Elétrica

A energia elétrica no país é proveniente de fontes geradoras como hídrica, eólica, carvão entre outras, é vendida e distribuída por concessionárias. Como se pode ver na Figura 1, o que chega para o consumo é apenas 72 % do que é gerado. Cada estado tem sua forma de cobrar a energia elétrica tanto em método na fatura como em valores, não mantendo um padrão nacional nem internacional. Nas unidades do Rio Grande do sul, a concessionária responsável é a AES SUL, Santa Catarina, SELESC, Bahia é a COELBA, Ceará é a COELCE e na Argentina é a CEEL.

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Além dos gastos com o consumo real a empresa ainda paga na fatura de energia, taxas como de distribuição de energia, iluminação pública, impostos, entre outros. Nas unidades do Brasil o valor da energia é dividido em 2 períodos chamados de Consumo Ponta e Consumo Fora de Ponta, onde o ponta geralmente é das 18 às 21 horas e o fora de ponta ficando com o restante do período de tempo do dia. O horário de ponta chega a custar em média 10 vezes mais do que o fora de ponta, isto justifica o uso dos geradores neste período.

3.1.1 Iluminações

Desenvolveu-se o estudo para troca de lâmpadas, como pode ser observado na Tabela 1, sendo considerada a diferença de custo entre a utilização de lâmpadas HO por LED, bem como os valores de consumo de cada tipo de lâmpada. As lâmpadas LED duram em média 50000 horas e as HO 10000 horas.

TABELA 1. Payback troca das lâmpadas, Santo Estevão

3.1.2 Utilizações da iluminação existente e motivação

Com o auxílio dos mecânicos da unidade de Ivoti, em uma lixa horizontal, Figura 2, foi cortada a parte superior da cabine e instalado um vidro para que fosse possível a utilização da luz do ambiente e seu interior foi pintado de branco, gerando melhor aproveitamento do recurso. O modelo utiliza uma lâmpada fluorescente compacta com reator que somados tem potência de 20 W. Como a iluminação que existia antes comparado com o consumo atual, percebe-se uma

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economia de menos de um real mensal, porém somando todas as lixadeiras das unidades, obteve-se um ganho considerável, e a partir deste equipamento, há iniciativas para adaptações de outros equipamentos das unidades industriais para que haja maior aproveitamento da luz ambiente e redução no consumo de energia elétrica.

FIGURA 2. Lixadeira horizontal (boneca) 3.1.3 Iluminações externa

Foram trocados todos os refletores e lâmpadas do tipo vapor metálico por econômicas, Figura 3. A potência das lâmpadas de vapor metálico é 500 W, considerando que temos 10 refletores de vapor metálico na unidade no estado da Bahia, temos um custo mensal de R$ 579,60, já com as lâmpadas econômicas de 45 W, o custo fica em R$ 51,90. Obteve-se o retorno do investimento em 40 dias de uso. Há também a economia energética quanto a substituição das lâmpadas, uma vez que as lâmpadas de vapor metálico é cerca de 5.000 horas e as econômicas de 10.000 horas .

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3.1.4 Trocas da iluminação noturna

Foi identificado que, no turno da noite, as lâmpadas fluorescentes ficavam ligadas nas unidades industriais, mesmo não havendo atividade fabril, apenas para acelerar as rondas. Em vista disto, a proposta foi a instalação de refletores nas tesouras dos pavilhões, conforme Figura 4, que são suficientes para a iluminação noturna nas rondas. Isto gerou uma economia de aproximadamente 1,37 kWh por pavilhão, o que representa em uma noite cerca de RS 3,00 e em um mês R$ 90,00. Sendo que são 8 pavilhões na unidade Santo Estevão, temos uma economia de R$ 720,00 mensais.

FIGURA 4. Iluminação noturna 3.1.5 Trocas de lâmpadas em máquinas

Nas máquinas de costura foram substituídas as lâmpadas do tipo convencional PL 9W por de LED 1W , de acordo com a FIGURA 5. Considerando-se um número aproximado de 200 máquinas nas unidades industrias, obtém-se uma economia de R$ 70,00 mensais.

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FIGURA 5. Iluminação máquina de costura

3.1.6 Instalações de luminárias com sensor nos banheiros

Em todos os banheiros foram instalados sensores de presença, conforme Figura 6, que mantém a iluminação por 5 minutos e reduz o consumo de energia, no caso de esquecimento.

FIGURA 6. Iluminação com sensor 4. CONCLUSÕES

Os resultados com a implantação do projeto de Energia e sustentabilidade foram positivos, obtendo uma economia de 0,11 KW por par ou peça produzidos. Isto equivale em torno de R$ 10.700,00 de economia na unidade no estado da Bahia em função da produção mensal, que é de aproximadamente 270 mil pares/peças.

A gestão de energia e sustentabilidade não é uma atividade estanque. As melhorias continuam a ser buscadas em cada uma das unidades e, à medida que novos equipamentos mais econômicos sejam lançados no mercado, sua viabilidade é analisada.

Visto os ganhos que tivemos com a implantação da iluminação mais eficiente, os próximos passos serão dados replicando este movimento as outras unidades industriais.

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4. REFERÊNCIAS

CAVALCANTE, Kleber. ENERGIA ELÉTRICA. BRASIL ESCOLA. Disponível em: <http://www.brasilescola.com/fisica/energia-eletrica.htm>. Acesso em: 8 jan. 2015.

MARTINS, Joaquim Francisco, Acionamentos Pnemáticos e Hidráulicos Fascículo 1, 2010. Disponível em: < http://pt.slideshare.net/jhurengo/62019973-pneuhidrfasciculo1>. Acesso em: 20 jan. 2015.

PESSOA, Sidney, UTILIZAÇÃO DA BIOMASSA NA INDÚSTRIA, 2008. Disponível em : <http://slideplayer.com.br/slide/1835709/>. Acesso em 28 jan 2015.

SANTOS, A.H.M, Conservação de energia: eficiência energética de equipamentos e instalações. 3ª ed., 2006.

6. DIREITOS AUTORAIS

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