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TÍTULO: PERCEPÇÃO DE AUTOEFICÁCIA EM ATLETAS DO VOLEIBOL SENTADO TÍTULO:

CATEGORIA: CONCLUÍDO CATEGORIA:

ÁREA: CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E SAÚDE ÁREA:

SUBÁREA: EDUCAÇÃO FÍSICA SUBÁREA:

INSTITUIÇÃO: UNIVERSIDADE SÃO JUDAS TADEU INSTITUIÇÃO:

AUTOR(ES): CLAUDIANA GONÇALVES SOUSA AUTOR(ES):

ORIENTADOR(ES): GRACIELE MASSOLI RODRIGUES ORIENTADOR(ES):

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1. RESUMO

A percepção da autoeficácia pode ser entendida como percepção de capacidades que uma pessoa apresenta mediante tarefas desafiadoras. É um fator importante a ser considerado diante de diferentes contextos, inclusive no meio esportivo adaptado. Esse estudo de cunho exploratório teve como objetivo avaliar a crença de autoeficácia de jogares de vôlei sentado. Teve uma amostragem não probabilística que foi composta por 11 atletas de vôlei sentado do gênero masculino, com idades entre 23 e 50 anos que treinam na cidade de São Paulo. Foi aplicada uma escala de autoeficácia para o voleibol proposta por Carmo (2006) e uma entrevista semiestruturada com pergunta única e individual. A análise da escala foi realizada após o estabelecimento da média simples e das entrevistas a partir da análise de conteúdo. Os resultados apontaram que todos os atletas avaliados apresentaram um nível de autoeficácia elevada com a média do grupo em 8,33. Foi possível identificar que os jogadores foram apresentados à modalidade por atletas da modalidade, amigos e fisioterapeutas. Atribuem ao aporte da família a estrutura motivacional que possuem para se manter no esporte. O esporte possui significados ímpares mas apontam que foi por via da prática esportiva que se redescobriram com a possibilidade de reinserirem na sociedade. Pode-se inferir que a prática do vôlei colabora para que a crença de autoeficácia dos atletas com deficiência física seja potencializada não apenas pela maximização das capacidades funcionais, mas também por oportunizar uma reestrutura no cotidiano dos jogares e por expor os atletas a desafios pessoais e coletivos.

2. INTRODUÇÃO

É conhecida a ação do esporte como mecanismo e atividade de superação. Seixas et al (2012) realizaram um estudo para entender a influência do esporte na vida das pessoas e até que ponto o esporte é capaz de motivar um indivíduo a superar seus limites (esportivos, físicos, psicológicos, sociais). Verificaram que alguns fatores influenciam e moldam os hábitos dos indivíduos, dentre eles o esporte. Silva e Rubio (2003) apontam que a superação pode ser alcançada pela vivência com um conjunto de fatores técnicos, físicos, materiais e psicológicos que,

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se resgatados podem elevar a possibilidade de avançar os limites. É possível que por meio do esporte o atleta passe a compreender que é possível conviver com sua deficiência e busque encontrar um novo propósito de vida, assim elevando sua autoestima e acreditando em suas capacidades.

O esporte torna-se para os atletas com deficiência um sentido para vida, pois se entregam intensamente, e sua rotina pessoal acaba girando em seu entorno. O esporte também contribui com a inclusão dando um direcionamento a um novo estilo de vida. “O desempenho atlético é associado com ganhos significativos não só na capacidade física e manutenção de independência, mas também para a saúde mental, incluindo a percepção de competência e identidade pessoal” (BRAZUNA e MAUERBER-DE CASTRO, 2001, p.117).

O voleibol sentado é um dos esportes adaptados para pessoas com deficiência física e surgiu com embasamento no voleibol convencional (CARVALHO, GORLA e ARAÚJO 2013). Dele participam atletas com deficiência física, que são pessoas com amputação ou lês autres.

Existem algumas diferenças entre o voleibol sentado e o voleibol convencional. Pereira, Silva e Gioia (2008) mostram que existem diferenças nas regras, dimensões da quadra e caracterização dos atletas a partir de suas funções motoras. Contudo, o vôlei sentado permanece com a característica de ser um jogo coletivo que acontece por meio de contato com a bola em situações de ataque e defesa. A prática do voleibol sentado pode ser considerada um fator relevante para a percepção de autoeficácia dos atletas com deficiência física.

A autoeficácia é um termo explorado na Teoria Social Cognitiva desenvolvida por Albert Bandura que... “refere-se à crença ou expectativa de que é possível, através do esforço pessoal, realizar com sucesso uma determinada tarefa e alcançar um resultado desejado” (BANDURA, 1977, 1997, 2006 apud NEVES e FARIA, 2009, p. 208). Pode ser considerada como a crença da capacidade que o indivíduo tem em exercer determinada ação. Essa terminologia é especificada na Teoria Social Cognitiva como um fenômeno de caráter subjetivo e entendido por Bandura como um mecanismo chave para a composição de agência humana.

Bandura (1997 apud FERREIRA, 2008, p. 31)... “afirma que a autoeficácia [sic] está diretamente ligada à motivação, persistência e esforço de enfrentar desafios e obstáculos antes, durante e depois à realização da tarefa”. Nessa mesma direção, Barros e Santos (2010, p. 2) colocam também que “a autoeficácia é como

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um mecanismo-chave para a composição da agência humana”. Portanto, o indivíduo necessita de parâmetros positivos que desenvolva a crença de capacidade e é essa crença que determinará suas escolhas implicando em seu desempenho.

Barros e Iaochite (2012, p. 34) apoiados em Pajares e Olaz (2008) ressaltam que para a constituição da percepção da autoeficácia há uma influência de quatro fontes de mecanismo principais. A experiência direta que leva em consideração a interpretação de um comportamento anteriormente vivido. As experiências vicárias que tem como base a observação de outras pessoas. Os julgamentos verbais que são feitos por terceiros e os estados emocionais e fisiológicos que apontam informações sobre a própria crença de autoeficácia.

Ferreira (2008) enfatiza baseado em Bandura (1993) dois conceitos distintos de autoeficácia que são: expectativa de eficácia pessoal e expectativa de resultado. A expectativa de eficácia pessoal está relacionada à certeza e convicção que a pessoa consegue exercer determinadas tarefas independentemente do seu grau de dificuldade, assim se empenhando mais em busca do objetivo a ser conquistado.

Já a expectativa de resultado está relacionada à convicção pessoal de que a pessoa será beneficiada pelo seu desempenho, e isso é uma consequência do resultado que o indivíduo prevê, mas que não tem certeza se esse acontecimento vai suceder. A diferença entre as duas convicções é que a primeira está relacionada à convicção de que o indivíduo sabe o resultado, porque sabe que consegue exercer. E a segunda, o indivíduo sabe que pode alcançar o resultado esperado, mas não sabe se conseguirá executar.

Assim, a crença da pessoa sobre sua capacidade é de suma importância, uma vez que a crença é incentivadora para a realização da ação (NUNES, 2008). Para a constituição da crença da autoeficácia há um processamento cognitivo que com armazenamentos de informações que desenvolve habilidades de autorreflexão para avaliações das suas próprias capacidades. Ela influência no curso de ação, fazendo com que a pessoa se esforce e se empenhe dedicando parte do seu tempo em busca do seu objetivo (BARROS e SANTOS, 2010).

Na Teoria Social Cognitiva, Bandura (2008) coloca o indivíduo como ator e preconiza que sua base possui uma perspectiva de agência, ou seja, o indivíduo agente influencia o próprio funcionamento e as circunstâncias da vida de maneira intencional, não sendo apenas produto dentro da sociedade, mas construtor da própria história. Mas, o ser humano interdepende do relacionamento para viver em

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harmonia com seu semelhante, por isso procura fazer parte de um grupo, onde cada indivíduo do grupo tem a sua devida importância. Assim, a “Eficácia coletiva percebida não é simplesmente a soma das crenças de eficácia dos membros individuais. Pelo contrário, é uma propriedade emergente do nível do grupo que encara as dinâmicas coordenativas e interativas de funcionamento do grupo” (BANDURA, 2002, p. 271). A eficácia coletiva tem sua funcionalidade no objetivo que o grupo pretende atingir e não na eficácia individualizada. Com isso, em situação coletiva, o grupo alcança resultados ótimos de desempenho com esforços de cada integrante do grupo (BANDURA, 2002).

Assim, o estudo justifica-se por entender que o esporte, particularmente o vôlei sentado, esporte coletivo, faz parte da vida dos atletas, mas suas histórias de vida poderão ser fator decisivo também na vivência esportiva como atleta. Se buscarmos entender como a vivência esportiva e o histórico de vida influenciam na autoeficácia de um atleta com deficiência física, poderemos intervir enquanto educadores para uma atuação mais eficaz na vida esportiva desses.

3. OBJETIVO

Avaliar a crença da autoeficácia em pessoas com deficiência física atletas do voleibol sentado.

4. 5. MÉTODO

O estudo tem cunho exploratório e foi realizado com uma equipe masculina de voleibol sentado totalizando 11 atletas com deficiências físicas que treinam na cidade de São Paulo com idades entre 23 e 50 anos. Para coleta de dados foi utilizada a Escala de Autoeficácia para o Voleibol proposta por Carmo (2006) e uma entrevista semiestruturada com pergunta única e individual completada com dados pessoais do entrevistado. A análise de dados foi feita conforme proposta da própria Escala considerando a média simples dos valores sinalizados e as entrevistas foram transcritas e analisadas pela análise de conteúdo de Bardin (2011).

Os critérios de inclusão foram: atletas de voleibol sentado adultos com mais de 12 meses de prática da modalidade. Foram excluídos os atletas que não tinham participado de competição federada. Essa pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da Universidade São Judas Tadeu.

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6. RESULTADOS E DISCUSSÃO

Após a realização das entrevistas, todas foram transcritas na íntegra e posteriormente foram analisadas. Com base no método de análise de conteúdo foram extraídas as ideias centrais que geraram três categorias para serem discutidas que estão apresentadas a seguir.

A deficiência e o significado do esporte

Foi possível identificar a importância que o esporte adaptado tem nas vidas dos atletas. A prática esportiva aparece como mediadora da reabilitação, dos fatores psicológicos, dos ganhos de autoconfiança, independência, melhoria da aptidão física, melhora de autoestima e confiança, que pode ser visualizado nos depoimentos abaixo:

“Pensei depois do acidente parar com tudo. Foi através do esporte que eu vi que era capaz de ter uma vida normal como qualquer pessoa.”

“O esporte me ajudou na pratica de atividade física e conhecer outras pessoas com deficiência, vitória e superações diferentes”

Muitas vezes, a deficiência expõe as pessoas à depressão e a monotonia. O esporte quebrou isso e conduziu a crença de autoeficácia à elevação. Foi o meio de inserção social na condição com deficiência.

Houve destaque para a inserção novamente no meio social. Esses aspectos também são apontados por Santos et. al (2014) e Cardoso (2011 que ainda ressaltam que o esporte pode proporcionar a melhora da qualidade de vida e prevenir essa população de segundas enfermidades.

“O esporte foi o meio que encontrei de me reabilitar e me inserir de novo na sociedade.”

“O esporte melhorou muito minha vida. Faço tudo pra me manter no esporte.”

É possível inferir que através do esporte o atleta consegue desenvolver sua percepção de autoeficácia e exercer controle sobre possíveis situações onde ela precisa estar ativada colaborando com o desempenho nos momentos de decisões tanto em sua vida pessoal como esportiva. A autoeficácia percebida se torna um organizador e gerenciador dos aspectos de vida do atleta que se for desenvolvida de forma adequada trará consequências positivas de resultados de tarefas (PESCA, CRUZ e FILHO, 2011).

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Apoio Familiar

Todos os jogadores apontaram que a família é o suporte de vida. Foi sinalizado que o apoio para permanência no esporte veio, inicialmente, dos familiares e é potencializado pelos amigos.

“Fundamental é a família.”

“Minha família sempre me apoiou, se não fosse eles nem estaria aqui hoje.” “Com a família a gente leva as coisas por bem.”

Brazuna e Mauerberg-deCastro (2001) abordam que “... Os pais e parentes normalmente ficam orgulhosos de seus filhos atletas e de suas realizações.” Esses sentimentos são espontâneos porque os pais conhecem o potencial do filho e acreditam na superação na sua superação. Muitos desses atletas acabam se tronando modelos de exemplos para outras pessoas.

Como citado pelos próprios atletas a família tem um papel muito importante na superação dos obstáculos da vida e se torna fundamental em uma nova etapa. Com a presença familiar a percepção de autoeficácia pode ser ampliada porque é alimentada pelos entes, pois o atleta tendo apoio, passa acreditar que tem o potencial necessário para suprir suas expectativas em relação as suas capacidades de execução e autonomia. Com, isso o apoio familiar contribuirá para que o atleta desenvolva papel central de execução, de autorregulação e perspectiva de resultados atuando de forma agente para o alcance de metas estipuladas e desafiadoras. Por isso, a autoeficácia reflete sobre a conduta de ação e atua de forma determinante e direta na vida das pessoas (PESCA, CRUZ e FILHO, 2011).

Mediadores na inserção esportiva

A inserção do atleta com deficiência no meio esportivo ocorre muitas vezes por indicação de terceiros, por atletas que convidam ou porque no meio familiar há atletas ou pessoas praticantes de atividade física. Isso acaba sendo um grande aliado para as pessoas com deficiência se inserirem também em diferentes estruturas sociais, repercutindo diretamente na sua crença de autoeficácia.

Os diferentes atletas pesquisados foram instigados e motivados a participar e conhecer a prática do vôlei por pessoas diversas, tais como podemos verificar no que segue. Os Líberos foram apresentados por desconhecidos e fisioterapeuta. Já os Levantadores foram por meio de atletas da modalidade, assim como alguns dos

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Atacantes, além de terem a participação de amigos nesse processo e uma história esportiva pregressa ao acidente.

No caso dos que foram levados ao esporte por atletas, vê-se que a crença de autoeficácia nesse caso passa a ser construída por meio de um modelo. Os novos atletas passam a se espelhar em outras histórias de vida e comparar a sua com a do outro. Passam a creditar que também tem capacidade para atuar dentro de um meio social e encontram no esporte uma nova oportunidade de desenvolver outras capacidades. O modelo é muito influenciador. Podemos dizer que o indivíduo primeiro observa outra pessoa que realiza determinada tarefa, e ao observá-lo, o indivíduo vai se basear nesse modelo observado para construir crenças de eficácia. Dessa forma, identificamos as experiências vicárias que, como destacas por Ferreira et al (2008, p. 12) “atuam na formação de crenças através de modelos sociais que providenciem informações, e que quanto maior a similaridade entre modelo e observador, maior a influência”.

O ser humano interdepende do relacionamento para viver em harmonia com seu semelhante, por isso procura fazer parte de um grupo, onde cada indivíduo do grupo tem a sua devida importância. Neste contexto, pode-se identificar a eficácia coletiva, mencionada por Bandura (2002).

“O esporte se apresenta como um dos requisitos indispensáveis para que o indivíduo possa atingir a dimensão total de inclusão social.” (BARROSO et. al.,2012, p. 18). Além de o esporte estar relacionado com a qualidade social e desenvolvimento de relacionamentos saudáveis de diferentes grupos sociais.

Com relação à aplicação da escala para aferir o nível de autoeficácia dos atletas, todos apresentaram autoeficácia alta. A média dos atletas foi de 8,33, sendo que o atleta que apresentou a percepção mais baixa foi um Atacante com 6,5. É o jogador mais velho do grupo, tem grande experiência, possui uma história familiar de atletas e inicia seu desligamento da equipe em breve. Já o que apresentou a percepção mais alta foi é também atacante e na entrevista relata diversas conquistas com o esporte, nos campeonatos e fora dele. Pode ser salientado que os atletas que apresentaram níveis mais alto de percepção foram também os que citaram enfaticamente o aporte familiar para permanência no esporte, bem como o sentido e significado expressivo do esporte em suas vidas.

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7. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Podemos concluir que o grupo de atletas com deficiência física jogadores de voleibol sentado analisados nesta pesquisa apresentou alto nível de percepção de autoeficácia. Um único atleta da posição de Atacante obteve a média 6,5 e apresentou baixo nível de autoeficácia, levando em conta que é o atleta mais velho do grupo e encerra em breve sua carreira deixando uma grande experiência de vida no esporte. O atleta que apresentou um maior nível de percepção de autoeficácia é o atleta que vivenciou e teve grandes conquistas no esporte com o voleibol sentado. Fica evidente que a família tem um grande papel de influência nas conquistas e realizações desses atletas no meio esportivo e na vida atuando diretamente na construção e fortalecimento da percepção de autoeficácia.

8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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