KARINA ANDRESSA SPEROTTO
O RESSARCIMENTO DO FUNRURAL
IJUÍ (RS) 2011
KARINA ANDRESSA SPEROTTO
O RESSARCIMENTO DO FUNRURAL
Monografia Final do Curso de Graduação em Direito, objetivando a aprovação no componente curricular Monografia
UNIJUÍ – Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul
DCJS – Departamento de Ciências Jurídicas e Sociais
Orientador: MSc.Carlos Guilherme Probst
IJUÍ (RS) 2011
AGRADECIMENTOS
A Deus, acima de tudo, pela vida, força e coragem, pois, em alguns momentos de dificuldades com minha saúde, pensei em desistir.
A minha família, em especial meu pai
Clovis, e minha mãe Julieta, pela
compreensão, paciência e incentivo.
Ao meu orientador, Prof. Carlos
Guilherme Probst, pela sua dedicação e disponibilidade.
A todos que colaboraram de uma maneira ou outra durante a trajetória de construção deste trabalho, meu muito obrigada!
RESUMO
O presente trabalho aborda o tema: “O ressarcimento do FUNRURAL (Fundo de Assistência e Previdência do Trabalhador Rural)”, delimitando-se às ações que o Supremo Tribunal Federal julgou procedentes na isenção de empresas como, por exemplo, um frigorífico, em que abriu precedente para todos os produtores rurais, inclusive pessoa física, a solicitar isenção ou cancelamento do pagamento do FUNRURAL. Como objetivo geral, busca analisar de que forma se pode eximir o produtor rural da contribuição. Como específicos, estudar o conceito e a importância do FUNRURAL; compreender a natureza jurídica do FUNRURAL; verificar as hipóteses do seu ressarcimento. Assim, conclui-se que parte da atuação do STF, que está baseada nas pessoas jurídicas, abre precedentes para os produtores rurais pessoas física, bem como todos os que atuam na atividade rural.
Palavras-chave: FUNRURAL. Inconstitucionalidade. Produtor rural. Pagamento indevido.
ABSTRACT
This paper focuses on the theme: "The compensation of the FUNRURAL (Assistance andWelfare of Farm Worker)", delimited to the actions the Supreme Court upheld the exemption of companies, for example, a refrigerator, in whichopened precedent for all farmers, includingindividual, to request a waiver or cancellation of payment of FUNRURAL. As a general objective is to analyze how one can avoid the farmer's
contribution. And specifically, to study the conceptand importance
of FUNRURAL; understand thelegal nature of FUNRURAL; verify the hypotheses of
their compensation. Thus, we conclude that part of the performance of
the STF, which is based onlegal entities, a precedent for farmers
to physicalpersons, and all those involved in rural activities.
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO ...8
1 O FUNRURAL...10
1.1 Evolução histórica do FUNRURAL ...10
1.2 Conceito ...12
1.3 Quem são os contribuintes ...13
1.4 Cálculos, alíquotas e tributos ...18
2 RESSARCIMENTO...24
2.1 Hipóteses de ressarcimento...24
2.2 Prazo para pedir a restituição ...26
2.3 Decisões sobre o FUNRURAL...29
CONCLUSÃO ...36
INTRODUÇÃO
O Fundo de Assistência e Previdência do Trabalhador (FUNRURAL) foi criado no ano de 1963, pela Lei nº 4.212, que dispõe sobre o Estatuto do Trabalhador Rural. Em 1971, a Lei Complementar nº 11, de 25 de maio de 1963, instituiu o Programa de Assistência e Previdência do Trabalhador Rural.
A presente monografia, intitulada “O ressarcimento do FUNRURAL”, procura analisar os fundamentos e as situações em que os produtores rurais pessoas físicas poderão restituir os valores pagos indevidamente ao fundo, tomando por base algumas decisões judiciais. Desta forma, pretende-se verificar as hipóteses que podem instruir os produtores a buscar seus direitos, pois os trabalhadores rurais têm sua contribuição auferida através do FUNRURAL.
Nesse sentido, o que norteia a pesquisa em questão é justamente demonstrar a importância da contribuição do FUNRURAL para a sociedade em geral. Para isso, optou-se pela pesquisa bibliográfica e como instrumento de pesquisa utilizou-se da coleta de dados em livros, sites da internet e artigos, que subsidiaram a construção do trabalho monográfico.
O trabalhador do campo passa por um período turbulento em que as condições da natureza não favorecem a produção, o que deixa os produtores rurais numa situação instável. Assim, diminuir os encargos que dificultam as condições e, ainda, compensar através da restituição de alguns valores ameniza, de certa forma, as condições defasadas.
O objetivo geral da pesquisa é analisar de que forma se pode isentar o produtor rural do pagamento de 2,3% do FUNRURAL, sendo que 0,2% trata-se da contribuição do Serviço de Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), o que não faz parte do FUNRURAL. Quanto aos objetivos específicos, pretende-se: estudar o conceito e a importância do FUNRURAL; compreender a natureza jurídica do FUNRURAL; verificar as hipóteses de ressarcimento.
O trabalho está estruturado em dois capítulos. O primeiro capítulo aborda o conceito do FUNRURAL, um breve relato histórico, explicita a sua verdadeira função, bem como identifica quais são os contribuintes. Ainda, apresenta as questões de incidência da contribuição, buscando enfatizar o fato gerador, base de cálculo e alíquotas. O segundo capítulo trata do ressarcimento do FUNRURAL, destacando as hipóteses de ressarcimento e os prazos previstos em lei para tal operação e traz, ainda, uma análise das jurisprudências referentes ao assunto em questão.
1 FUNRURAL
O presente capítulo faz um breve relato histórico sobre o FUNRURAL, aborda alguns conceitos do tributo e sua função, e, por fim, identifica ainda os verdadeiros contribuintes e os valores percentuais estabelecidos.
1.1 Evolução histórica do FUNRURAL
A respeito disso, Maschietto e Farineli (2010, p. 41) asseveram que:
O Fundo de Previdência Rural foi criado pelo Governo em 1955, com objetivo de agasalhar esses trabalhadores do campo que não eram contribuintes do sistema previdenciário urbano, e não possuíam Carteira de Trabalho e Folha de Salário.
Para beneficiar os trabalhadores rurais, foi criado o FUNRURAL, em 1963, o qual prevê a seguridade, visando proteger o produtor rural, pessoa física e jurídica, com a sua contribuição, que é revertida para pagamento de benefícios do trabalhador rural incidindo sobre o faturamento da produção.
Hoje, o FUNRURAL é regido pela Lei nº 8.212/91, de 24 de julho de 1991, mas já esteve regulado pela Lei nº 8.812, de 10 de dezembro de 1991, e sofreu inúmeras alterações.
O art. 25 da Lei nº 8.212/91 previa a contribuição de 3% (três por cento) da receita bruta da comercialização da produção rural. Já em 1992, a Lei nº 8.540, de 11 de dezembro de 1992, alterou o art. 25 para reduzir os 3% da alíquota para 2% (dois por cento), no caso do produtor rural, e de 2,2% (dois vírgula dois por cento) para o segurado especial. (SANTOS; MANOEL; MORENO, 2010).
Em 1994, a Lei nº 8.870, de 15 de abril de 1994, foi editada novamente, alterando a forma de contribuição. Foi criado o FUNRURAL para pessoas jurídicas, o que, até então, era apenas para o produtor rural ou pessoas jurídicas que se dedicassem à produção rural. (SANTOS; MANOEL; MORENO, 2010).
Outras alterações aconteceram. A Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, foi alterada pela Lei nº 8.528, de 10 de dezembro de 1997, unificando para 2% (dois por cento) para o produtor rural pessoa física e o segurado especial, com o acréscimo de 0,1 % (zero vírgula um por cento) para o financiamento do seguro e acidente de trabalho. Após, passou a reger a Lei nº 8.812/91, a qual está em vigor até hoje. (SANTOS; MANOEL; MORENO, 2010).
Segundo Maschietto e Farineli (2010, p. 41),
[...] O Fundo da Previdência Rural foi criado pelo Governo em 1955, com objetivo de agasalhar esses trabalhadores do campo que não eram contribuintes no sistema previdenciário urbano, e não possuíam Carteira de Trabalho e Folha de Salário. Para o custeio da Previdência Rural, a Lei 2.613/55 estabeleceu uma contribuição obrigatória, com alíquota de 3% (três por cento), para as pessoas naturais e empresas (as urbanas e cooperativas, as quais desenvolviam uma das atividades industriais incluídas a 0,3%, ambos sobre a Folha de Salários, sendo que a receita arrecada era destinada ao Serviço Social Rural (SSR).
A ditadura militar terminou com as lutas do campo. Houve prisões e mortes de líderes camponeses. Mesmo assim, não se calaram os trabalhadores, que continuaram organizados, lutando por seus direitos, o que culminou com o surgimento da Lei Complementar nº 11, de 25 de maio de 1971, que institui o Programa de Assistência ao Trabalhador Rural (PRÓ-RURAL). Essa lei passou denominar o FUNRURAL de Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural.
Discorrendo sobre o referido tema, Gonçalves (2007, p. 4) diz que:
Em 1971, a Lei Complementar nº 11, de 25 de maio, instituiu o Programa de Assistência ao Trabalhador Rural – PRORURAL –, nova tentativa de equacionar o problema da proteção social dos trabalhadores do campo, que passou a ser administrado pelo FUNRURAL. Observa-se, portanto, que o
trabalhador rural ainda tinha um sistema de proteção diferenciado em relação ao trabalhador urbano.
Com o objetivo de proteger os trabalhadores do campo, não contribuintes do sistema previdenciário, trabalhadores sem carteira de trabalho e folha de salário, foi estabelecida uma contribuição previdenciária rural. Por meio de greves e lutas, os trabalhadores reivindicavam uma distribuição de renda mais justa, com terras suficientes para todos plantarem e, futuramente, colher o fruto do seu trabalho, além de uma aposentadoria ou beneficio previdenciário.
1.2 Conceito
O FUNRURAL é, segundo Santos, Manoel e Moreno (2010), uma contribuição social, no caso pessoa física ou jurídica, cobrado sobre o resultado bruto da comercialização rural. O valor do seu desconto na hora da venda é de 2,1% (dois vírgula um por cento). Porém, sendo uma contribuição feita por produtores rurais, ressalta-se a importância que representa na sociedade. Nesse sentido, os autores definem FUNRURAL como:
[...] O FUNRURAL é uma contribuição social destinada a custear a seguridade (INSS) geral. Este tributo é cobrado sobre o resultado bruto da comercialização rural (de 2,1% a 2,85%) e descontado, pelo adquirente da produção, no momento da comercialização. (SANTOS; MANOEL; MORENO, 2010, p. 19).
Os autores ao definir FUNRURAL demonstram o percentual cobrado. Seguin-do na mesma linha de pensamento, explicam o conceito:
Em outras palavras: o FUNRURAL é uma contribuição substitutiva da cota patronal do encargo previdenciário (20%) mais o percentual do RAT – Riscos Ambientais do Trabalho (3%) dos produtores rurais pessoas físicas, jurídicas e também das empresas agroindustriais. Para o segurado especial o FUNRURAL é o custeio de sua previdência, servindo para aposentadoria e outros benefícios junto ao INSS. (SANTOS; MANOEL; MORENO, 2010, p. 19, grifo dos autores).
Como se verifica no conceito atribuído pelos autores, o FUNRURAL trata-se de uma contribuição paga pelo produtor rural, pessoa física ou jurídica, sobre o resultado bruto de sua produção, com a finalidade de custear a seguridade (INSS) geral.
1.3 Quem são os contribuintes
O FUNRURAL é um imposto direcionado ao trabalhador rural, ou seja, para todos que exerçam alguma atividade vinculada à produção rural, seja ela pessoa física ou jurídica. Sendo assim, os contribuintes pertencem a qualquer classe de produtor ou quem comercializa os produtos.
Os produtores rurais, pessoas físicas e jurídicas, estão obrigados a recolher a contribuição previdenciária rural. Há que se destacar que o FUNRURAL é devido pela empresa solicitante na condição de adquirente de produtos rurais, se sub-roga nas obrigações dos produtores, passando a recolher a referida contribuição social na condição de substituto tributário, consoante expressa determinação dos arts. 128 e 131 do Código Tributário Nacional (CTN), que dispõe:
Art. 128 – Sem prejuízo do disposto neste Capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindo-a a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação.
O art. 12 da Lei nº 8.212/91 define produtor rural como pessoa física e jurídica. A Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, cuja redação dispõe sobre normas gerais de tributação previdenciária e de arrecadação das contribuições sociais destinadas à Previdência Social e as destinadas a outras entidades ou fundos, administradas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, trata de todos que estão obrigados a contribuir, seja pessoa física ou jurídica que explore atividade urbana ou rural.
De acordo com Santos, Manoel e Moreno (2010, p. 20-21), o produtor rural pessoa física é:
[...] o segurado especial, como proprietário, meeiro, comodatário, ou arrendatário, pescador artesanal ou a ele assemelhado, que exerce atividade individualmente ou em regime de economia familiar e que, com auxílio eventual de terceiros e seus respectivos cônjuges, ou companheiros, e filhos maiores de 16 anos, ou a ele equiparados, trabalham com o grupo familiar.
Ainda, segundo os autores,
[...] a pessoa física, proprietária ou não, que explora atividade agropecuária ou pesqueira, em caráter permanente ou temporário, diretamente ou por intermédio de prepostos e com auxílio de empregados, utilizados a qualquer título, ainda que de forma não contínua. (SANTOS; MANOEL; MORENO, 2010, p. 21).
Para os autores, produtor rural pessoa jurídica é
[...] o empregador rural que, constituído sob a forma de firma individual ou de empresário individual, assim considerado pelo art. 931 da Lei nº 10.406, de 2002 (Código Civil), ou sociedade mercantil, tem como fim apenas a atividade de produção rural. (SANTOS; MANOEL; MORENO, 2010, p. 21).
Santos, Manoel e Moreno (2010, p. 21), seguindo o conceito de produtor rural pessoa jurídica, incluem “a agroindústria que desenvolve as atividades de produção rural e de industrialização da produção rural própria e da adquirida de terceiros”, sendo que isso está observado no inciso IV dos parágrafos 2º e 3º do artigo 175 do Código Civil.
Os autores definem produção rural como “os produtos de origem animal ou vegetal, em estado natural ou submetidos a processos de beneficiamento ou de industrialização rudimentar, bem como os subprodutos e os resíduos obtidos por esses processos.” (SANTOS; MANOEL; MORENO, 2010, p. 21).
Quanto ao beneficiamento dos produtos Santos, Manoel e Moreno (2010, p. 21) dizem que trata-se da
[...] primeira modificação ou o preparo dos produtos de origem animal ou vegetal, realizado diretamente pelo próprio produtor rural pessoa física e desde que não esteja sujeito à incidência de Imposto sobre produtos Industrializados (IPI), por processos simples ou sofisticados, para posterior venda ou industrialização, sem lhes retirar a característica original, assim compreendidos, dentre outros, os processos de lavagem, limpeza, descaroçamento, pilagem, descascamento, debulhação, secagem, socagem e lenhamento.
Os autores justificaram todos os processos decorrentes das atividades de beneficiamento dos produtos sobre os quais estão inferidos o FUNRURAL. Dessa maneira, ficam explícitas as formas de beneficiar a produção rural.
Quanto à industrialização dos produtos, segundo os autores,
A industrialização rudimentar diz respeito ao processo de transformação do produto rural realizado pelo produtor rural, pessoa física ou pessoa jurídica alterando-lhe as características originais; tais como a pasteurização, o resfriamento, a fermentação, a embalagem, o carvoejamento, o cozimento, a destilação, a moagem, a torrefação, a cristalização, a fundição, dentre outros similares. (SANTOS; MANOEL; MORENO, 2010, p. 22).
Neste caso, os autores definiram todas as formas de industrialização da produção rural. Este conceito tem o objetivo de mostrar quais os campos que o FUNRURAL está inserido.
Existem outros agentes auferidos pela alíquota do FUNRURAL, dentre os quais, pode-se destacar o adquirente, o consignatário e o arrematante.
Adquirente é a pessoa física ou jurídica que adquire a produção rural para uso comercial, industrial ou para o uso comercial, ou qualquer finalidade econômica.
Consignatário é o comerciante a quem a produção rural é entregue para que seja comercializado, de acordo com as instruções do fornecedor; e consumidor, a pessoa física ou jurídica que adquire a produção rural no varejo ou diretamente do produtor rural, para uso ou consumo próprio. Arrematante é a pessoa física ou jurídica que arremata ou que adquire a produção rural em leilões ou praças; sub-rogado é a condição de que se
reveste a empresa adquirente, consumidora ou consignatária, ou a cooperativa que, por expressa disposição de lei , torna-se diretamente responsável pelo recolhimento das contribuições devidas pelo produtor rural pessoa física e pelo segurado especial. (SANTOS; MANOEL; MORENO, 2010, p. 22).
Os três destinatários elencados na citação são os responsáveis para que os produtos rurais cheguem ao consumidor final. Outra forma de produzir em propriedades rurais acontece por contratos com parceria rural.
Parceria rural se trata do contrato agrário pelo qual uma pessoa se obriga a ceder a outra, por tempo determinado ou não, o uso de imóvel rural, de parte ou partes de imóvel rural, incluindo ou não benefícios e outros bens, ou de embarcação, com o objetivo de nele exercer atividade agropecuária ou pesqueira ou lhe entregar animais para cria, invernagem, engorda ou extração de matéria-prima de origem animal ou vegetal, mediante partilha de risco. (SANTOS; MANOEL; MORENO, 2010, p. 23).
O contrato de parceria é uma forma de sociedade com a finalidade de produção rural, exposto pelos autores. Existem outras formas de produção quando o produtor não possui propriedade rural, como é o caso de pessoas físicas ou jurídicas que tem interesse de produzir, mas não possui propriedade para essa finalidade. Assim, podem fazê-lo através dos contratos de arrendamento, conforme definem Santos, Manoel e Moreno (2010, p. 23):
Arrendamento rural é o contrato pelo qual uma pessoa se obriga a ceder à outra, por tempo determinado ou não, o uso e o gozo e imóvel rural, de parte ou partes do imóvel rural, incluindo ou não outros bens e outra benfeitorias, ou embarcações, com o objetivo e nele exercer certa retribuição agropecuária ou pesqueira mediante certa retribuição ou aluguel.
Há ainda o arrendatário, o comodatário, o consórcio simplificado de produtores rurais, cooperativa de produção rural, a cooperativa de produtores rurais, atividade econômica autônoma, quer seja comercial, industrial ou de serviços, daquela exercida mediante estrutura operacional definida em estabelecimento específico ou não, com a utilização de mão-de-obra distinta daquela utilizada na atividade de produção rural ou agroindustrial, independente da atividade
preponderante do produtor rural ou da agroindústria. (SANTOS; MANOEL; MORENO, 2010).
De acordo com o art. 166, o fato gerador das contribuições sociais ocorre na comercialização da produção rural do produtor rural pessoa física e do segurado especial, realizado diretamente com o adquirente domiciliado no exterior, consumidor pessoa física no varejo, adquirente pessoa física, não-produtor rural para venda no varejo e consumidor pessoa física, outro produtor-rural, pessoa física; outro segurado especial; empresa adquirente, consumidora, consignatária ou com cooperativa; da produção rural do produtor rural pessoa jurídica, exceto daquele que, além da atividade rural, exerce atividade econômica autônoma do ramo comercial, industrial ou de serviços.
“O recebimento de produção agropecuária vinda de outro país ainda que o remetente seja o próprio destinatário do produto, não configura fato gerador de contribuições sociais.” (SANTOS; MANOEL; MORENO, 2010, p. 27).
Para o novo FUNRURAL, os contribuintes ou as contribuições sociais sobre a produção rural ou agroindustrial dividem-se em:
1) produtor rural pessoa física, subdividindo-se em segurado especial e pessoa física proprietária ou não que explora atividade agropecuária ou pes- queira;
2) produtor rural pessoa jurídica, empregador rural, a agroindústria. (SANTOS; MANOEL; MORENO, 2010).
Os contribuintes são, portanto, o segurado especial, pessoa física, o empregador rural e a agroindústria.
1.4 Cálculos, alíquotas e tributos
O fato gerador é a base inicial da ocorrência da tributação. É, portanto, o que define as alíquotas e os cálculos necessários para apurar o imposto devido resultante da comercialização.
O caput do artigo 166 da IN RFB nº 971/2009, citado por Santos, Manoel e Moreno(2010, p. 28) dispõe que: “Art. 166 - O fato gerador das contribuições sociais ocorre na comercialização”. O artigo trata das modalidades e com quem são comercializados os produtos, mas a base do conceito de fato gerador está no caput do artigo 166. O artigo menciona ainda o momento em que o fato é gerado, ou seja, na comercialização, que pode ser de diversas maneiras: exportação, venda para outro produtor rural pessoa física, pessoa física que não for produtor rural etc.
Ainda, a INB RFB 971/2009, conforme o artigo 171, define base de cálculo das contribuições sociais sobre a comercialização dos produtores rurais pessoas físicas ou agroindústrias. Assim,
A base de cálculo das contribuições sociais devidas pelo produtor rural é: I- o valor da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção e dos subprodutos dos resíduos se houver;
II – o valor do arremate da produção rural;
III – o preço de mercado da produção rural dada em pagamento, permuta, ressarcimento ou em compensação, entendendo-se por:
a) preço de mercado, a cotação do produto rural no dia e na localidade em que ocorrer o fato gerador;
b) preço a fixar, aquele que é definido posteriormente à comercialização da produção rural, sendo que a contribuição será devida nas competências e nas proporções dos pagamentos;
preço de pauta, o valor comercial mínimo fixado pela união, pelos Estados, pelo Distrito Federal ou pelos Municípios para fins tributários. (SANTOS; MANOEL; MORENO, 2010, p. 30).
Segundo o referido artigo, o fator principal, ou seja, a base de cálculo para apurar o imposto é a receita bruta da comercialização dos produtos. O valor específico que vai resultar na base cálculo pode variar de acordo com o preço de
mercado ou valor comercial do produto ou, ainda, de acordo com o local que este é comercializado.
Na mesma direção, deve-se salientar a importância ao artigo 172 da INB RFB 971/2009, que dispõe sobre a ocorrência da base de cálculo do FUNRURAL, decorrente dos contratos de parceria ou meação de parte de imóvel rural. Também refere o artigo que as atividades relacionadas com turismo na propriedade rural integram a base cálculo. (SANTOS; MANOEL; MORENO, 2010).
Os autores transcreveram todos os itens da lei que determina a apuração da base cálculo e destacou os pontos cujo o desdobramento das atividades extras da propriedade rural passam a integrar o imposto. A propriedade rural pode ter diversas finalidades, como a produção para comercialização ou a venda de serviços relacionados às atividades turísticas e lazer.
O artigo 173 da INB RFB nº 971/2009 define a base de cálculo das agroindústrias da seguinte forma:
Art.173. A partir de 1º de novembro de 2001, a base de cálculo das contribuições devidas pela agroindústria é o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção própria e da adquirida de terceiros, industrializada ou não, exceto para as agroindústrias de piscicultura, carcinicultura, suinocultura e avicultura e para as sociedades cooperativas. (SANTOS; MANOEL; MORENO, 2010, p. 31).
Os autores transcreveram o artigo tal como discrimina a base de cálculo das agroindústrias em suas atividades mais frequentes.
As alíquotas referentes aos produtores rurais pessoas físicas está discriminada na Lei nº 8.212/91, a qual denomina o valor da contribuição social, em seu art. 25,
Art. 25 - A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição á contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII
do art. 12 desta Lei, destinada a Seguridade Social; é de: (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001).
I- 2% da receita bruta, proveniente da comercialização da sua produção; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97).
II- 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97).
§1º - O segurado especial de trata este artigo, além da contribuição obrigatória referida no caput, poderá contribuir, facultativamente, na forma do art.. 21 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 8.540, de 22.12.92). (SANTOS; MANOEL; MORENO, 2010, p. 32-33).
O art. 25 define o percentual ao qual o produtor rural está inserido, de acordo com a redação da Lei nº 8.212/91. O artigo ainda discrimina, em seus parágrafos subsequentes, as diversas modalidades de aplicação das alíquotas.
Para melhor entendimento, Santos, Manoel e Moreno (2010, p. 36) resumem o art. 25 da seguinte forma:
O produtor rural pessoa física, proprietário ou não, que explora a atividade agropecuária, a qualquer título, em caráter permanente ou temporário, em área superior a 4 módulos fiscais; ou quando em área igual ou inferior a 4 módulos fiscais ou atividade pesqueira com auxilio de empregados ou por intermédio de prepostos; ou ainda nas hipóteses dos parágrafos 10 e 11 deste artigo.
Em relação às alíquotas referentes aos produtores rurais pessoas jurídicas, na agroindústria, os percentuais aplicados à base de cálculo estão definidos nos arts. 22A e 22B da Lei nº 8.212/91, com a seguinte redação:
Art. 22A. A contribuição devida pela agroindústria, definida para os efeitos desta lei, como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou a de produção própria e adquirida de terceiros, incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, em substituição ás previstas nos incisos I e II do art. 22 desta lei, é de: (Incluído pela Lei nº 20.256 de 2001).
I – dois vírgula cinco por cento destinado à Seguridade Social (Incluído pela Lei nº 20.256 de 2001).
II – zero vírgula um por cento para financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei 8.213 de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade para o trabalho decorrente dos riscos ambientais da atividade. (Incluído pela Lei nº 20.256 de 2001). (SANTOS; MANOEL; MORENO, 2010, p. 37-38).
O artigo 22A da lei define, em seus incisos, as alíquotas destinadas à Seguridade Social, bem como para os benefícios previstos na Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, a qual dispõe sobre a incapacidade para o trabalho em decorrência da atividade.
O art. 22B traz a seguinte redação:
Art. 22B. As contribuições de tratam os incisos I e II do art. 22 desta Lei são substituídas, em relação à remuneração paga, devida ou creditada ao trabalhador rural contratado pelo consórcio simplificado de produtores rurais de que trata o art. 25A, pela contribuição dos respectivos produtores rurais, calculada na forma do art. 25 desta lei. (Incluído pela Lei nº 20.256 de 2001). (SANTOS; MANOEL; MORENO, 2010, p. 39).
Entende-se, portanto, que o produtor rural pessoa jurídica, agroindústria, recolherá um percentual total de 2,6% (dois vírgula seis por cento), sendo 2,5% (dois vírgula cinco por cento) sobre a comercialização para a Seguridade Social e 0,1% (zero vírgula um por cento) para os benefícios de aposentadoria especial.
Conforme os arts. 175 e 176, deve haver a substituição das contribuições sociais incidentes sobre a folha de pagamento dos segurados empregados e trabalhadores avulsos pela contribuição sobre a produção rural dos produtores rurais pessoa física e jurídica e agroindústria, exceto a piscicultura, de carnicicultura, suinocultura e avicultura. Esta substituição ocorre quando os integrantes do consórcio simplificado de produtores rurais se utilizam dos serviços de segurados, empregados contratados pelo consórcio, exclusivamente para a prestação de serviços os seus consorciados, ou seja, no caso de produtores rurais formarem um consórcio para a produção e contratar empregados, ou ainda quando os cooperados filiados à cooperativa de produtores rurais se utilizam dos serviços de segurados empregados por ela contratados para realizarem a colheita da produção de seus cooperados.
Não se aplica a substituição prevista até 23% (vinte e três por cento) sobre a folha de pagamento às agroindústrias de piscicultores, de carnicicultura, suinocultura e avicultura e às sociedades cooperativas, exceto no caso do inciso II, parágrafo 1º;
e às indústrias que, mesmo desenvolvendo atividades relacionadas no art. 2º do Decreto-lei nº 1.146, de 31 de dezembro de 1970, não se enquadram como as agroindústrias, nos termos do art. 22-A da Lei nº 8.212/91, por não possuírem produção própria, e não se aplica também a substituição quando o produtor rural pessoa jurídica, além da atividade rural, prestar serviços a terceiros em condições que não se caracterize atividade econômica autônoma, exercer outra atividade econômica autônoma, definida como comercial, industrial ou de serviços, em relação à remuneração de todos os empregados e trabalhadores avulsos. (SANTOS; MANOEL; MORENO, 2010).
Em relação à empresa que se “dedique ao florestamento e reflorestamento como fonte de matéria-prima para industrialização própria”, serão observados os seguintes procedimentos: caberá a substituição prevista no art. 175 da IN em comento quando a atividade rural da empresa for exclusivamente de florestamento e reflorestamento e seja “utilizado processo industrial que não modifique a natureza química da madeira nem a transforme em pasta celulósica” (SANTOS; MANOEL; MORENO, 2010, p. 44), que significa o processo industrial utilizado para a modificação da natureza química da madeira ou sua transformação em pasta celulósica e, desde que a empresa comercialize resíduos vegetais, sobras ou partes da produção cuja receita bruta decorrente da comercialização desses produtos represente mais de 1% (um por cento) da receita bruta da comercialização da sua produção; explore outra atividade rural.
Os artigos 177 e 183 da Instrução Normativa RFB, de 13 de novembro de 2009, determinam que o “produtor rural, inclusive a agroindústria, deverá recolher as contribuições além daquelas incidentes sobre a comercialização” (SANTOS; MANOEL; MORENO, 2010, p. 48), descontadas dos segurados empregados e dos trabalhadores avulsos; o seu cargo, incidentes sobre o total das remunerações ou das restituições pagas ou creditadas no decorrer do mês; incidentes sobre o valor bruto da nota fiscal ou de fatura da prestação de serviços de cooperados emitida por cooperativa de trabalho a partir de março de 2000.
Quanto à responsabilidade tributária, a Lei nº 8.620, de 05 de janeiro de 1993, definiu, em seu art. 30, que a arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às normas.
A empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa, são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25 até o dia 2 do mês subsequente ao da operação de venda ou consignação da produção, independentemente de estas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com o intermediário pessoa física, na forma estabelecida em regulamento. Este ponto referiu-se à base cálculo para apurar o FUNRURAL, bem como as alíquotas referentes à contribuição.
2 RESSARCIMENTO
O presente capítulo aborda os casos pertinentes ao ressarcimento do FUNRURAL, bem como os prazos estipulados para tal procedimento e, ao final, analisa algumas decisões proferidas até o momento pelos Tribunais competentes.
2.1 Hipóteses de ressarcimento
O ressarcimento do FUNRURAL iniciou a partir do momento que foi declarada a inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal (STF) da contribuição que incide sobre o faturamento dos produtores rurais. Esta ação, provida pelo Frigorífico Mataboi S/A do Mato Grosso do Sul, foi o fator inicial da busca pelo ressarcimento do FUNRURAL (MASCHIETTO; FARINELI, 2010). Esta ação, mesmo que gere efeitos apenas para o Frigorifico, abre precedentes para os produtores rurais buscar o ressarcimento dos valores.
Salienta-se, porém, que somente os produtores rurais, na condição de pessoas físicas e com empregados, e que obtiverem decisão judicial em seu próprio favor, terão o direito à devolução dos valores da contribuição ao FUNRURAL.
Os produtores que se enquadrarem nesses requisitos, poderão propor a respectiva ação judicial individual, ou seja, cada um entrar com a ação, que deverá ser devidamente comprovada através das notas fiscais nas quais constem o imposto cobrado, além de Carteira do Trabalho e Folha de Pagamento dos seus empregados, visando provar o indébito e a condição de produtor com empregados.
Em relação a esse tema, Castagin (2010, p. 2) se posiciona da seguinte forma:
Analisando a decisão proferida pelo STF, entende-se que somente os produtores rurais que são empregadores rurais (mínimo 1 funcionário
registrado) ou aqueles produtores rurais que não são empregadores, mas que recolhem contribuição ao INSS pelo Carnê/Guia GPS mensalmente (contribuinte individual), podem pleitear a restituição e desoneração futura do Funrural.
O autor se refere aos produtores empregadores e destaca a importância de ter, no mínimo, um funcionário para se enquadrar na decisão do STF. Também, neste caso, abre-se precedente para os produtores que não possuem empregados, mas que recolhem através de guias aos cofres do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS). (CASTAGIN, 2010).
Por outro lado, as organizações (cooperativas, frigoríficos etc.) que adquirem a produção rural também têm legitimidade para buscar, judicialmente, a declaração da inconstitucionalidade do FUNRURAL, liberando-se do encargo, que é seu, de recolhê-lo, mas não podem postular restituição, porque quem sofre o desconto é o produtor.
Alfonsín (2010), advogado e presidente do Instituto de Estudos Jurídicos da Atividade Rural (IEJUR), explicita como se deve ingressar com a ação judicial. Segundo o autor, as ações devem ser individuais ou em grupos, mas não podem ser impetradas através de sindicatos, pois, ações coletivas não podem envolver questões tributárias ou previdenciárias.
Outro fator importante para solicitar o ressarcimento, bem como o cancelamento dos pagamentos, segundo Alfonsín (2010, p. 2), são os documentos para propor a ação. Nesse sentido, é preciso
Anexar nota de produtor contra nota da indústria, comprovando a retenção e o desconto. Deverá também juntar a GPS para provar que tem empregados. Para ingressar com a ação é necessário somente algumas notas, para provar que teve a retenção. Ao final da ação, tem que fazer a comprovação de todos os descontos nos últimos 10 anos. Para a União, se cobrar sobre a folha de salários a prescrição será de cinco anos.
O autor menciona todos os documentos necessários para ingressar com a ação via judicial, mas esclarece que não é necessária a documentação completa
para ingressar com a ação. Pode-se ingressar com uma parte e incorporar o restante durante o processo.
Os produtores rurais interessados em ressarcir os valores pagos deverão comprovar as retenções feitas. (MASCHIETTO; FARINELLI, 2010).
Neste sentido, além de buscar o ressarcimento, o produtor pode pedir o seu cancelamento, conforme adverte Maschietto e Farinelli (2010, p. 67):
Além do pedido de restituição, deverá buscar a declaração judicial de desobrigação de continuar sendo tributado a este título, além de resultar em importante redução direta na sua carga tributária, terá direito a receber a devolução de soma em dinheiro, ou compensar seu crédito em outros tributos.
Os autores demonstram, de forma clara, as consequências da ação judicial em benefício dos produtores rurais que se enquadram nesta modalidade, pois, além de restituição, também terão direito ao cancelamento dos pagamentos, ou, ainda, a substituição de tributos. No entanto, o prazo para pedir a restituição deverá ser observado, conforme será visto a seguir.
2.2 Prazo para pedir a restituição
Antes de adentrar especificamente na questão referente ao prazo para pedir a restituição do FUNRURAL, deve-se analisar, em primeiro lugar, o prazo prescricional, pois há uma divergência jurisprudencial em relação ao tempo da prescrição.
Conforme adverte Santos, Manoel e Moreno (2010, p. 147),
Considerando o entendimento majoritário da doutrina em consonância com o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, se os produtores rurais entrarem com ação até 09/06/2010, então o prazo prescricional é de dez
anos, caso contrário será de cinco anos, em virtude da aplicação do artigo 3º da Lei Complementar 118/2005.
O artigo 3º da Lei Complementar nº 118/2005, de 09 de fevereiro de 2005, traz a seguinte redação:
Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 da referida Lei.
No entendimento dos autores e, de acordo com o Superior Tribunal de Justiça (STJ), os produtores rurais têm o prazo prescricional de dez anos, ou seja, podem cobrar a restituição do FUNRURAL referente aos últimos dez anos. Caso contrário, se ajuizar a ação depois da referida data, o prazo prescricional passa a ser de cinco anos em virtude da aplicabilidade do artigo 3º da Lei Complementar nº 118/05.
De acordo com o CTN, art. 168:
Art. 168. O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados:
I - nas hipóteses dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário;
II - na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória.
No caso do entendimento jurisprudencial ter sido fixado no sentido de que o prazo para a restituição e compensação de indébitos tributários ser de dez anos, em face do advento da Lei Complementar nº 118/05, considera-se extinto o crédito tributário, para o fim de contagem do prazo de repetição/compensação nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado. O prazo, deste modo, é de cinco anos contados do pagamento indevido.
No ordenamento jurídico brasileiro, não se tem admitida a retroatividade da lei interpretativa quando contrariar a interpretação jurisprudencial sobre a matéria e agravar a situação do contribuinte. Nesses casos, mesmo a lei interpretativa só poderá dispor para o futuro, sendo que se adotar interpretação que implique a criação ou majoração de tributo, deverá ainda obedecer ao princípio da anterioridade (salvo nas exceções constitucionais ao princípio). (DIFINI, 2005).
Nesse sentido, Costa (2005, p. 100) explicita que:
O art. 3º da LC 118/2005 contrariou o disposto no próprio artigo art. 106, I do CTN em que pretendeu se fundamentar, por ser manifestamente incabível a edição de lei interpretativa tendo por objeto dispositivo legal que já fora exaustivamente interpretado pelo Poder Judiciário, em especial quando a suposta interpretação pretendida mostra-se contrária a jurisprudência atinente ao tema.
Portanto, pairava a dúvida sobre o prazo prescricional ser de cinco ou dez anos. Em 2005, a Lei Complementar nº 118 limitou em cinco anos, e havia, então, interpretações de que no momento que esta lei entrou em vigor retroagia os outros cinco anos. Assim, ter-se-ia de 2010 até 2005. A Lei, em seu art. 3°, determinava retroagir, o que foi declarado inconstitucional pelo próprio STJ. Com isso, se reuniram as duas turmas que trataram do assunto no STJ para formar o que se chama um incidente de uniformização de jurisprudência.
Quando há este conflito de decisões, o Tribunal se reúne para tomar uma posição. Então, a partir desta decisão, que foi publicada no final do mês de março de 2010, ficou definido pelo STJ que o produtor tem cinco anos anteriores à lei e mais cinco posteriores à lei, até junho de 2010, portanto. Assim, aquele que ingressar em juízo até 09 de junho de 2010, reivindicando o passado, terá dez anos de contribuição para ser restituída.
Quanto à finalidade da ação judicial para restituição do FUNRURAL, Maschietto e Farineli (2010, p. 67) referem que:
A ação, que pode ser ajuizada pelo produtor rural pessoa jurídica, produtor rural pessoa física (que tenha empregados) ou por cooperativa (como representante dos cooperados, desde que com a autorização expressa) visa obter a restituição dos valores pagos nos últimos 10 anos (até junho de 2010), e depois com a prescrição só será possível reaver os últimos 5 anos, corrigidos pela Taxa Selic.
Segundo os autores, as cooperativas poderão propor ação de restituição do FUNRURAL, desde que autorizadas pelos cooperados. No entendimento de Santos, Manoel e Moreno (2010, p. 148):
Assim, diante da grande discussão que gravita em torno dessas decisões, concluem os advogados Ricardo Alfonsín e Fábio Canazaro, a partir deste entendimento do Superior Tribunal de Justiça, que aqueles que ingressarem com ações até 09.06.2010 terão direito a devolução de tributos, cobrados indevidamente ou a maior, como o FUNRURAL, nos últimos dez anos.
Para finalizar a discussão, os autores mantêm a coerência em relação à decisão proferida pelo STJ, que estipula o prazo até 06 de junho de 2010 para quem pretende restituir os últimos dez anos.
2.3 Decisões sobre o FUNRURAL
A decisão mais importante referente ao FUNRURAL aconteceu no Plenário do STF, a qual julgou o Recurso Extraordinário de nº 363.852/MG, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei 8.540/1992. O INSS pediu para que não fosse aplicado o efeito da modulação na decisão proferida, ou seja, o efeito da decisão não retroagisse (ex nunc), para não haver devolução dos valores recolhidos indevidamente. O pedido foi negado pela maioria. (SANTOS; MANOEL; MORENO, 2010).
O pedido do INSS foi julgado juntamente com o Recurso Extraordinário de Inconstitucionalidade, pois, o governo federal, através da sua entidade previdenciária não estava de acordo com a hipótese de devolução dos valores cobrados de forma indevida nos últimos anos. Portanto, o STF assim decidiu:
O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator, conheceu e deu provimento ao recurso extraordinário para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrrogação sobre a "receita bruta proveniente da comercialização da produção rural" de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência. Em seguida, o Relator apresentou petição da União no sentido de modular os efeitos da decisão, que foi rejeitada por maioria, vencida a senhora ministra Ellen Gracie. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. (SANTOS; MANOEL; MORENO, 2010, p. 55-56).
A decisão do STF deu nova redação aos artigos 25 e 30 da Lei nº 8.540/92, juntamente com seus incisos. A redação dos artigos passou por outras alterações, em momentos anteriores, conforme se verifica na sua redação: “Art. 25. Contribui com 3% (três por centro) da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção o segurado especial referido no Inciso VII do Artigo 12.” (SANTOS; MANOEL; MORENO, 2010, p. 65).
Após, foi editada a Lei nº 8.540, de 22 de dezembro de 1992, alterando a redação do artigo 25, e tratando da mesma matéria: “Artigo 25. A contribuição da pessoa física e do segurado especial referidos respectivamente, na alínea a do inciso V e no Inciso VII do Artigo 12 desta lei destinada à Seguridade Social é de: [...]” (SANTOS; MANOEL; MORENO, 2010, p. 65).
A Lei nº 9.528, de 10 e dezembro de 1997, altera novamente a redação do artigo 25: “Art. 25. A contribuição do Empregador Rural Pessoa física e do segurado especial referidos respectivamente na alínea "a" do Inciso V e no Inciso VI do artigo 12 desta Lei, destinada a seguridade social é de: [...]” (SANTOS; MANOEL; MORENO, 2010, p. 66).
Em julho de 2001, foi publicada a Lei nº 10.256, de 9 de julho de 2001, que definiu a redação do art. 25 da seguinte forma:
Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado
especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de:
I - 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; II - 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho.
Deve-se observar que até o ano de 2001, quando foi editada a Lei nº 10.256, a base legal a instituir a referida cobrança estava com vício de constitucionalidade, porque o art. 195 explicitava que a contribuição do empregador seria sobre a folha de salários, naquilo que se referia ao empregado, do faturamento e do lucro.
Quanto à Responsabilidade Tributária, a própria Lei definiu, em seu artigo 30,
Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada ao "caput" pela Lei nº 8.620, de 05.01.1993)
[...];
III - a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o artigo 25, até o dia 2 do mês subseqüente ao da operação de venda ou consignação da produção, independentemente de estas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada ao inciso pela Lei nº 9.528, de 10.12.1997)
[...];
IV - a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam sub-rogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea a do inciso V do artigo 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do artigo 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada ao inciso pela Lei nº 9.528, de 10.12.1997). (SANTOS; MANOEL; MORENO, 2010, p. 73-74).
É preciso analisar as redações das leis anteriores até a inserção da Lei nº 8.870, de 15 de abril de 1994. Esta Lei alterou a Lei n° 8.212/91, a qual estendeu a exigência do FUNRURAL das pessoas físicas para as pessoas jurídicas empregadores rurais, eis que passariam a contribuir para a Seguridade Social com alíquota incidente sobre a receita bruta da comercialização. Na realidade, foi a maneira encontrada de aumentar a arrecadação. Ou seja, até a edição da Lei nº 8.870/94 somente era devido o FUNRURAL pelas pessoas físicas, enquanto o empregador rural pessoa jurídica estava fora do sistema.
Outras decisões foram tomadas em relação ao FUNRURAL pelo STF e STJ, que abrangem as diversas modalidades de pedidos.
O STF pacificou as decisões em relação às empresas urbanas da seguinte maneira:
AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. CONTRIBUIÇÃO AO INCRA E AO FUNRURAL. EMPRESA URBANA. 1. O Supremo Tribunal Federal fixou entendimento no sentido de que a contribuição destinada ao INCRA e ao FUNRURAL é devida por empresa urbana, porque destina-se a cobrir os riscos aos quais está sujeita toda a coletividade de trabalhadores. Precedentes. 2. Agravo regimental a que se nega provimento. AI-AgR 663176/MG Julgamento: 16/10/2007. (MASCHIETTO; FARINELI, 2010, p. 68).
O STF negou provimento do recurso no qual as empresas urbanas pretendiam isentar-se da contribuição do FUNRURAL, pois entendeu que tal contribuição tem o objetivo de amparar os trabalhadores que estão correndo riscos.
O STJ julgou recurso especial referente à contribuição incidente sobre comercialização rural provido por uma cooperativa arrozeira com a seguinte redação:
RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. PRORURAL. CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. LEI 8.213/91. EXTINÇÃO. REEXAME DE QUESTÕES CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 284/STF. MOMENTO DO FATO GERADOR. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL DEMONSTRADO. RECURSO PROVIDO EM PARTE. 1. No que tange à exigibilidade da contribuição incidente sobre a comercialização da produção rural, este Tribunal Superior consolidou entendimento segundo o qual a Lei 7.787/89 não suprimiu o inciso I do art. 15 da LC 11/71, e sim a contribuição prevista no II do mesmo artigo em referência, porque se trata de supressão da contribuição sobre a folha de salários .
2. Quanto à argumentação da recorrente no sentido da não-recepção, pela nova ordem constitucional, da contribuição incidente sobre a venda da produção rural (art.25 da Lei 8.212/91), bem como a relativa à ofensa aos arts.154, I. e 195, § 4° da Carta Magna, verifica-se a impossibilidade de análise, haja vista não ser o recurso especial a via adequada para o reexame de questões constitucionais. 3. No tocante à exclusão de insumos da base de cálculo da contribuição em comento, observa-se que a recorrente não demonstrou de maneira clara e precisa qual dispositivo de lei federal que teria sido violado pelo acórdão recorrido, ao entender pela impossibilidade dessa providência, aplicando-se in casu, o disposto na
Súmula 284/STF. Também não houve comprovação da divergência jurisprudencial nos termos exigidos pelo art.541, parágrafo único, do CPC, haja vista que a recorrente não realizou o cotejo analítico ente julgados relacionados, de modo a evidenciar a similitude entre os casos analisados e o diverso entendimento adotado. 4. Por outro lado, relativamente ao momento da ocorrência do fato gerador, o recurso merece ser conhecido pela alínea c do permissivo constitucional. Com efeito, esta Corte Superior firmou orientação no sentido de que “a comercialização do produto consignado ocorre quando pessoa estranha à cooperativa adquire a mercadoria do produtor rural por meio dessa associação, ocorrendo, nessa hipótese, o fato gerador do tributo. A hipótese de incidência da exação não se concretiza com a mera consignação da mercadoria à cooperativa com o fito de comercialização a terceiro” (REsp 585.175/TO, 2° Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 18.10.2006). No mesmo sentido: REsp 735.883/MG, 1° Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 22.5.2006; REsp. 382.291/RS, 1° Turma, REsp. Min. Humberto Gomes de Barros, DJ de 17.11.2003; REsp 248.073/RS, 2° Turma, Rel. Min. Francisco Peçanha Martins, DJ de 18.11.2002. 5. Recurso especial parcialmente provido. (MASCHIETTO; FARINELI, 2010, p. 69-70).
Neste o caso, o STJ julgou o recurso parcialmente provido, pois, quanto à matéria em que se refere à inconstitucionalidade da lei, o referido Tribunal não analisou por julgar não ser a via adequada para o assunto em questão. Quanto à exclusão de insumos da base de cálculo, o Tribunal negou o provimento por não haver de forma explícita qual a lei federal violada no acórdão recorrido.
EMENTA: TRIBUTÁRIO. FUNRURAL. REEXAME NECESSÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. MULTA. LEI SUPERVENIENTE MAIS BENÉFICA. ENCARGO LEGAL DO DECRETO-LEI N° 1.025.1. Configuradas as hipóteses dos §§ 2° e 3° do art. 475 do CPC, não se conhece do reexame necessário. 2. As fontes de custeio de PRORURAL foram recepcionados pela nova ordem constitucional de 1988 como formuladas na LC n° 11/71, (arts. 34 e 59 do ADCT) 3. A Lei 7.787/89, em seu art.3°§ 1°, ao estabelecer a contribuição das empresas sobre a folha de salários, destinada à Previdência social, suprimiu, entre outras, a contribuição para o FUNRURAL/PRORURAL, devida pelas empresas para custeio da Previdência Rural. 4. A contribuição ao FUNRURAL/PRORURAL incidente sobre a comercialização de produto agrícolas (art. 15,I, “a” e “b”, da LC n° 11/71), devida, até então, pelos produtores rurais, pessoas físicas ou jurídicas, permaneceu incólume até a vigência das Leis n° 8.212/91 e 8.213/91, quando se efetivou a unificação dos regimes de previdência do homem do campo e do trabalhador urbano, que passou a ser financiada por toda a sociedade, com recursos previstos no art. 195,I da CF. 5. Diante desse quadro, foram extintas a contribuição ao FUNRURAL/PRORURAL, incidente sobre a folha de salário e devida pelas empresas e a contribuição ao FUNRURAL/PRORURAL devida pelos produtores rurais pessoas jurídicas. Substitui, porem, a contribuição sobre a comercialização dos produtos rurais, devida pelo produtor rural pessoa física e pelo segurado especial, nos termos do art. 25 da Lei 8.212/91. 6. Lançamento que teve por base a omissão no recolhimento das contribuições incidentes sobre a receita proveniente da comercialização da produção do segurado especial ou produtor rural pessoa física, em relação à qual a embargante figurou com
cooperativa adquirente, nos termos dos incisos III r IV do art. 30 da Lei 8.212/91, sub-rogando-se na obrigação de recolhimento. 7. Situação de responsabilidade tributária configurada. A embargante não se desincumbiu da obrigação de proceder ao recolhimento do tributo devido pelo produtor rural pessoa física ou segurado especial, sendo legitima a execução que lhe é direcionada, para a cobrança dos valores correspondentes. 8. Não há bitributação ou bis in idem com o ICMS ou com a COFINS, tendo em conta que o produtor rural pessoa física não é sujeito passivo de tais obrigações tributárias, que alcançam apenas as pessoas jurídicas ou entidades equiparadas. 9. Para o produtor rural pessoa física empregador, a contribuição sobre a comercialização da produção rural é indevida de 25 de julho de 1991 (extinção do PRORURAL) até 22 de março de 1993 (prazo nonagesimal da Lei n° 8.540/92). Todavia, de 24 de outubro de 1991 até 22 março de 1993, a contribuição incidiu sobre a folha de salários, como para os demais empregadores. Desde 23/03/93, a contribuição sobre a comercialização da produção rural é valida e exigível. 10. No período de inexigibilidade frente ao produtor rural, não há falar em responsabilidade tributaria da embargante. 11. É inconstitucional o art. 25 da Lei 8870/94, que instituiu fonte nova de custeio, elegendo o produtor rural pessoa jurídica como contribuinte e fazendo incidir a contribuição à seguridade social sobre a receita da comercialização dos próprios produtos, em bis in idem vedado (art. 195§ 4°) com a COFINS e o PIS. (Argüição de Inconstitucionalidade na AMS 1999.71.00.021280-5). 12. Existindo norma legal posterior à ocorrência do fato gerador mais benéfica ao contribuinte, deve ser aplicada ao caso concreto, para reduzir o percentual da multa, nos termos do art. 106, II, c, do CTN. Percentual que resulta em montante adequado para entender ao caráter repressivo e preventivo da penalidade, descaracterizado o confisco. 13. Excluído da decisão de primeiro grau o encargo legal, por não se tratar de execução movida pela Fazenda Nacional, não contando do titulo executivo.
ACORDÃO
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, decide a Egrégia 1° Turma do Tribunal Regional Federal da 4° Região, por unanimidade, dar parcial provimento à apelação do INSS e à remessa oficial, nos termos do relatório, voto e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado.
Porto Alegre, 25 de julho de 2007. Juíza Federal Taís Schilling Ferraz Relatora
Documento eletrônico assinado digitalmente pelo(a) Juíza Federal Taís Schilling Ferraz, Relatora, conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001, que instituiu a Infra-estrutura de Chaves Públicas Brasileira – ICP-Brasil, e Portaria do TRF4R n° 195 de 16 de dezembro de 2004( DJU de4 24/12/2004 pg. 25). A autenticidade do documento pode ser conferida no site https//www.trf4.gov.br/trf4/processos/verifica.php informando o código verificador 1791278v20 e, se solicitado, o código CRC 536DA7A3. (MASCHIETTO; FARINELI, 2010, p. 71-74).
O acórdão julgado pela 1ª Turma do Tribunal Regional Federal (TRF), da 4ª Região, julgou parcial provimento à apelação do embargante com o fundamento de que extinto norma legal posterior ao fato gerador deve ser aplicado a mais benéfica ao contribuinte em caso de multa. E negou provimento à apelação do INSS.
Ao finalizar o estudo monográfico referente ao FUNRURAL, buscou-se enfatizar todos os pontos que tratam do assunto, desde a sua criação até os dias de hoje. Foram abordadas várias hipóteses referentes ao tema para enfatizar o objetivo pretendido com a pesquisa em questão. Entretanto, sem que se tenha uma palavra final a respeito, haja vista a jurisprudência ainda estar consolidada.
CONCLUSÃO
O desenvolvimento deste trabalho possibilitou a análise de diversas questões referentes ao ressarcimento do FUNRURAL. Constatou-se que a decisão proferida pelo STF em favor de uma pessoa jurídica abriu precedentes aos produtores rurais pessoa física para buscar seus direitos.
O FUNRURAL é um tributo que tem como objetivo amparar o homem do campo com benefícios previdenciários. Com a incidência da Lei nº 8212/91, a qual passou a legislar e identificar os produtores pessoa física e jurídica, denominou-se a pessoa física como contribuinte especial. Desta forma, a restituição dos valores pagos ao FUNRURAL por pessoa física somente é devido para quem possuir empregados, ou seja, ter, no mínimo, um funcionário. Sendo assim, o produtor rural que se enquadrar nos requisitos, poderá pleitear junto à justiça o direito de devolução e também a extinção do dever de continuar pagando.
O problema levantado demonstra uma certa divergência jurisprudencial em relação ao período que os produtores devem buscar o ressarcimento. Segundo o entendimento majoritário, o prazo está estipulado em dez anos para ingressarem com ação judicial até setembro de 2010. Caso contrário, o prazo seria de cinco anos retroativos.
Durante o estudo do trabalho monográfico se percebe que o produtor rural contribui com um percentual sobre os produtos comercializados para fins previdenciários. Foi constatado que nos dias atuais em se tratando de legislação previdenciária o FUNRURAL é um imposto que está ultrapassado sendo necessário
uma nova legislação mais atualizada. Portanto, pode-se afirmar que desde o início da criação do tributo já tinha muitas falhas que vinham sendo corrigidas com a aplicação de novas leis a cada ano. A declaração de inconstitucionalidade pelo STF, mesmo que, em razão de pessoa jurídica, liquidou com uma contribuição defasada.
A Previdência Social tenta anular as decisões favoráveis à restituição do FUNRURAL, alegando que os cofres públicos não possuem condições de ressarcir os contribuintes. Mas, se considerada como está, sendo que o valor cobrado era indevido, é perfeitamente legal o contribuinte buscar o seu direito conforme o estudo apresentado.
Assim, o produtor rural pessoa física ou jurídica deve buscar o seu direito ao ressarcimento do FUNRURAL, desde que faça de maneira correta e possua a comprovação dos valores pagos. As ações judiciais para restituição dos valores pagos indevidamente só poderá ser realizada de forma individual, ou seja, o sistema tributário não aceita ações coletivas. As decisões pelo ressarcimento do FUNRURAL até o momento está apenas no âmbito empresarial, ou seja, pessoa jurídica, mas toda a jurisprudência possui elementos para aludir a pessoa física.
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