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Direito de informação do consumidor e rotulagem de alimentos

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Academic year: 2021

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UNIVERSIDADE REGIONAL DO NOROESTE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL – UNIJUÍ

PRISCILA QUIROGA GRUETZMANN

DIREITO DE INFORMAÇÃO DO CONSUMIDOR E ROTULAGEM DE ALIMENTOS

Santa Rosa (RS) 2015

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PRISCILA QUIROGA GRUETZMANN

DIREITO DE INFORMAÇÃO DO CONSUMIDOR E ROTULAGEM DE ALIMENTOS

Trabalho de Conclusão do Curso de Graduação em Direito objetivando a aprovação no componente curricular Trabalho de Curso - TC. Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul - UNIJUÍ. DCJS- Departamento de Ciências Jurídicas e Sociais.

Orientadora: MSc. Fernanda Serrer

Santa Rosa (RS) 2015

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Dedico este trabalho especialmente à minha mãe e família, por todo amor, incentivo e apoio durante toda a minha jornada.

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AGRADECIMENTOS

Primeiramente agradeço a Deus por sempre me conceder saúde, força e determinação.

À minha família, que sempre me incentivou a correr atrás dos meus sonhos e objetivos e que hoje comemoram comigo a cada etapa ultrapassada, minha eterna gratidão.

À minha orientadora Fernanda Serrer, que conheço desde o inicio da graduação e que sempre foi exemplo de sabedoria e conhecimento, da qual sinto muito orgulho de ter sido aluna.

Ao meu namorado que sempre esteve ao meu lado me ajudando quando precisei, e aos meus colegas de universidade que percorreram comigo esta trajetória de cinco anos, transmitindo e compartilhando muita alegria e aprendizagem.

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“Talvez não tenha conseguido fazer o melhor, mas lutei para que o melhor fosse feito. Não sou o que deveria ser, mas, Graças a Deus, não sou o que era antes”. Marthin Luther King

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RESUMO

O presente trabalho de conclusão de curso se propõe a explorar o direito a informação do consumidor frente às relações jurídicas de consumo, voltando-se mais especificamente para os produtos do ramo alimentício. Nesse sentido serão abordadas questões referentes ao Código de Defesa do Consumidor, princípios aplicáveis a essa relação, bem como o tratamento conferido pelas normativas internacionais acerca do tema direito humano e fundamental à alimentação adequada, discutindo a segurança alimentar a partir da compreensão do direito à informação previsto na legislação consumerista, em especial a regulamentação e controle da rotulagem de alimentos.

Palavras-Chave: Direito à informação, Direito à alimentação adequada, rotulagem de alimentos

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ABSTRACT

This course conclusion work aims to explore the right to forward user information to the legal relations of consumption, turning more specifically for products in the food industry. In this sense related issues will be addressed to the Consumer Protection Code, principles applicable to this relationship and enter the human right to adequate food and Fundamental briefly analyze the issue on food safety also being explored food labeling.

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SUMÁRIO

1 INFORMAÇÃO COMO DIREITO FUNDAMENTAL DO CONSUMIDOR ... 10

1.1 Origem e finalidade do Código de Defesa do Consumidor ... 11

1.2 Elementos da relação de consumo ... 15

1.3 Do direito à informação e o princípio da vulnerabilidade do consumidor: Princípios da Boa-fé objetiva e da transparência ... 19

1.4 Do direito fundamental à informação ... 23

1.5 O direito de informação: Classificação doutrinária ... 24

1.5.1 Do Direito de informar ... 25

1.5.2 Do Direito de se Informar ... 26

1.5.3 Do Direito a ser informado ... 26

2 O DIREITO DE INFORMAÇÃO E A ROTULAGEM DE ALIMENTOS ... 29

2.1 A alimentação adequada como direito humano e fundamental ... 29

2.2 Da segurança alimentar... 33

2.3 Direito do consumidor e a regulamentação da rotulagem ... 35

2.4 Da informação obrigatória ... 38

2.5 Informação nutricional obrigatória ... 42

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INTRODUÇÃO

Como se sabe, atualmente vivemos em um mundo que tem como característica principal o consumo desenfreado, e somado a isso têm-se ainda o fator do tempo que os consumidores despendem para efetuarem suas compras. Diante disso, pode-se afirmar que nos dias atuais os consumidores desejam que as relações de consumo sejam cada vez mais céleres, ou seja, estes indivíduos buscam otimizar o seu tempo com atividades que compreendem ser secundárias, porém necessárias.

O maior exemplo disso é a relação de consumo de produtos alimentícios, pois, ao julgar o ritmo acelerado do quotidiano dos consumidores, os quais trabalham, estudam, tem atividades e deveres diários, ao chegarem no mercado esperam que essa atividade ocorra de maneira mais breve possível.

Entretanto, para que a relação de consumo seja rápida e confiável, faz-se necessário que os consumidores tenham informações corretas e claras dos produtos que estão adquirindo e consumindo, até porque a alimentação é uma necessidade essencial a todos os seres humanos devendo ser prestada pelos fabricantes e fornecedores para que se estabeleça uma alimentação saudável e segura.

Nessa perspectiva, no primeiro capitulo foram abordadas questões relativas ao Código de Defesa do Consumidor e o Direito à devida informação, bem como foram estabelecidos conceitos acerca da relação jurídica de consumo, seus elementos e princípios aplicáveis, analisando-se também o reconhecimento do direito à informação como direito fundamental do consumido, finalizando desta forma com uma classificação doutrinária aos diferentes tipos de informações.

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9 No segundo capítulo foram tratados de temas referentes a alimentação e a rotulagem dos alimentos, iniciando o estudo com à alimentação adequada como direito humano e fundamental, e a segurança alimentar, para enfim chegar a temática da regulamentação e rotulagem dos alimentos.

Evidenciando-se desta maneira, como o Estado exerce a sua obrigação de assegurar a alimentação adequada a todos os cidadãos, o que o faz por meio da rotulagem dos alimentos impondo aos fabricantes o dever de informar de maneira pormenorizada aos consumidores acerca das características e demais informações dos produtos disponíveis no mercado de consumo.

Em síntese, a presente pesquisa foi elaborada de forma descritiva, tendo como finalidade o estudo, analise e exposição da matéria em questão, sendo que no seu delineamento foram coletados dados bibliográficos, de livros e artigos publicados na rede de computadores, bem como foram explorados dispositivos legais pertinentes ao tema.

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10 1 INFORMAÇÃO COMO DIREITO FUNDAMENTAL DO CONSUMIDOR

Com o advento do Estado democrático de direito, como garantidor e provedor de direitos, tem-se o entendimento de que a sociedade se modifica, mudam-se os hábitos, valores e necessidades, tornando-se óbvio que o direito acompanhe essa evolução para que consiga sempre satisfazer as imposições de uma sociedade em transformação.

Decorrentes dessas transformações surgem novos direitos, como por exemplo, o direito ambiental, espacial, biodireito, dentre outras modalidades que nasceram da exigência de adequação entre a sociedade e as leis que a regulam e protegem.

Entre os novos direitos, encontra-se o direito do consumidor, o qual sem dúvida possui extrema importância na atualidade, seja por sua finalidade, por sua amplitude e por sua abrangência.

Diante de tais considerações, a legislação de proteção ao consumidor parte do pressuposto de que os consumidores são vulneráveis nas relações de consumo. Conforme lecionam Cláudia Lima Marques, Antonio Hermann Benjamin e Leonardo Bessa (2010, p. 87) a vulnerabilidade do consumidor nada mais é do que, uma condição permanente ou momentânea “individual ou coletiva, que fragiliza, enfraquece o sujeito de direitos, desequilibrando a relação de consumo. Vulnerabilidade é [...] um estado do sujeito mais fraco, um sinal de necessidade e proteção”.

Nas relações de consumo, além da vulnerabilidade do consumidor deve-se ainda ressaltar que atualmente vivemos em uma sociedade predominantemente capitalista e consumista, sendo fortemente orientada e estimulada por mecanismos viciosos (marketing e publicidade), os quais moldam a sociedade fazendo com que cada vez mais os consumidores procurem e desejem consumir. Isso se dá, em decorrência do próprio desenvolvimento e expansão do comércio, o qual se encontra integralmente vinculado ao oferecimento de crédito fácil e acessível, visando à obtenção de lucro e o aumento desenfreado do consumo.

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11 Nesse sentido, objetiva-se com o presente trabalho analisar, conhecer, entender e explorar os dispositivos legais pertinentes que tutelam os consumidores nas relações jurídicas de consumo, em especial no ramo alimentício, no qual são frequentes os abusos ou violações de direito à informação.

1.1 Origem e finalidade do Código de Defesa do Consumidor

Em termos históricos, no ano de 1962, em um de seus discursos o ex-presidente norte-americano John F. Kennedy, reconheceu o consumidor como sujeito de direitos e o caracterizou como um novo desafio a ser observado pela sociedade da época, vindo a afirmar que os consumidores eram sujeitos necessários para o novo modelo de mercado.

Em consideração ao referido discurso do então presidente americano John Kennedy, Benjamin et al (2008, p. 24) preceituam:

O novo aqui foi considerar que “todos somos consumidores”, em algum momento de nossas vidas temos este status, este papel social e econômico, estes direitos ou interesses legítimos, que são individuais, mas também são os mesmos no grupo identificável (coletivo) ou não (difuso), que ocupa aquela posição de consumidor. Do seu aparecimento nos Estados Unidos levou certo tempo para “surgir” legislativamente no Brasil, apesar de ter conquistado facilmente a Europa e todos os países capitalistas da época. Isso porque o direito do consumidor é direito social típico das sociedades capitalistas industrializadas, onde os riscos do progresso devem ser compensados por uma legislação tutelar (protetiva) e subjetivamente especial (para aquele sujeito ou grupo de sujeitos).

A atenção à tutela dos consumidores, inicialmente tornou-se efetiva em meados do século XVIII, após a Revolução Industrial, de onde resultaram diversas e profundas mudanças nos meios de produção, influenciando e alterando diretamente a sociedade, bem como o modelo econômico daquela época.

Cumpre ressaltar, que anteriormente à era industrial todo e qualquer produto era produzido de forma manual, artesanal, e pertencia principalmente ao núcleo familiar. Entretanto, após a revolução industrial os produtos passaram a ser produzidos em massa e em grande quantidade, pretendendo acompanhar o aumento da demanda decorrente da revolução e expansão do mercado e comércio.

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12 Nesse período, verificou-se também que em decorrência dessas transformações tanto na produção como nas classes sociais, sobreveio à necessidade de utilização de equipamentos mecânicos, energia à vapor, e logo após o uso da energia elétrica, tudo isso devido a considerável exigência pelo aumento da produtividade decorrente da ampliação do comércio em escala regional e depois mundial.

Nesse mesmo sentido, e em virtude da Revolução Industrial de acordo com Sergio Cavalieri Filho (2002, p. 409):

Finalmente, esse novo mecanismo de produção e distribuição fez surgir novos instrumentos jurídicos – os contratos coletivos, contratos de massa, contratos de adesão-, cujas cláusulas gerais, sabemos todos, são preestabelecidas unilateralmente pelo fornecedor, sem qualquer participação do consumidor. Rapidamente, como dissemos, o direito material tradicional ficou ultrapassado; envelheceu aquele direito concebido à luz dos princípios romanistas, tais como a autonomia da vontade, a liberdade de contratar, o pacta sunt servanda e a própria responsabilidade fundada na culpa.

Tendo em vista que o Direito da época tornou-se falho, ineficaz e ultrapassado, não possuindo meios para proteger àqueles que eram frágeis nas novas relações de consumo, passou-se a operar através do pólo dominante diversas formas de injustiças, ou melhor, o fornecedor detendo seu poder de mando começou a praticar abusividades estabelecendo, a exemplo, cláusulas limitativas de responsabilidade nos contratos. Também as práticas comerciais monopolistas passaram a eliminar todo e qualquer concorrente, ocasionando desta forma, desigualdades sociais, econômicas e também jurídicas para toda a sociedade.

Como consequência, tornou-se necessária uma legislação protetiva aos consumidores ensejando, deste modo, uma reforma jurídica que abrangesse todas as relações de consumo. Foi assim que surgiu não só no Brasil como nos demais países em todo o mundo uma nova postura jurídica, moderna e eficaz, efetivada através da elaboração de leis especificas voltadas a promoção do equilíbrio nessa relação entre consumidor e fornecedor. Nessa perspectiva, e em relação à origem do Código de Defesa do Consumidor ensina Carlos Alberto Bittar (2003, p. 20):

A ideia de um corpo orgânico de normas de proteção ao consumidor foi lançada, em nosso País, em meados da década de 1970, tendo germinado sob a ação de inúmeras e ineficientes intervenções

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estatais na economia, as quais faziam, a cada passo, desnudar-se a fragilidade do regime então vigente, com o sucessivo atingimento – e sem resposta satisfatória- de inúmeros direitos dos consumidores, em ações de que resultaram falta de produtos no mercado, sonegação de mercadorias, formação de estoques especulativos e cobrança de ágio na comercialização, a par de outras práticas abusivas (principalmente no período de 1986- 1987).

Também nesse sentido a Constituição Federal de 1988 legitimou os consumidores como uma nova categoria de sujeitos de direitos, sendo esses coletivos ou individuais, e ainda garantiu-lhes tutela constitucional, protegendo-os como sujeitos titulares de direito fundamental, nos termos do art. 5º, XXXII, art. 170, V e art.48 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (BRASIL, 2015).

Nessa lógica, Cavalieri Filho (2002, p. 410) fundamenta:

O Código de Defesa do Consumidor veio a alume por expressa determinação constitucional. A carta de 1988, pela primeira vez em nossa história constitucional, inseriu a defesa do consumidor entre os seus direitos e garantias fundamentais ao determinar, em seu art. 5º, XXXII, que “o Estado promoverá, na forma da lei, a defesa do consumidor”. A seguir em seu art.170, V, a Constituição incluiu a defesa do consumidor entre os princípios gerais da ordem econômica, no mesmo status dos princípios de soberania nacional, da propriedade privada, da livre concorrência entre outros. Finalmente, no art. 48 do Ato das Disposições Transitórias ficou estabelecido o prazo de 120 dias, a contar da promulgação da Constituição, para que o Congresso Nacional elaborasse o Código de Defesa do Consumidor.

O Código de Defesa do Consumidor publicado no início da década de 90 teve como principal escopo a estruturação de um sistema legal único e constante, e que pudesse de uma só vez proteger tanto os direitos patrimoniais do consumidor, quanto seus interesses morais.

Ainda segundo a Carta Constitucional promover a defesa do consumidor significa reverter a situação de desequilíbrio existente entre as partes nas relações de consumo, ou tentar diminuí-la. Esse desequilíbrio existente entre o fornecedor e consumidor decorre da desigualdade em que estes se encontram posicionados na relação de fato, ao passo que, o primeiro estabelece as suas próprias regras, enquanto o segundo tem que se proteger das imposições do primeiro.

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14 Levando-se em consideração que o consumidor é vulnerável e hipossuficiente nas relações de consumo, necessitando de tutela do Estado para exercer seus direitos civis, há de se enfatizar que nem todos os consumidores têm acesso à informação e conhecimento de seus direitos, desta forma, para que o Estado consiga alcançá-los ele estende seu manto jurídico, protegendo-os e compensando a sua vulnerabilidade frente ao fornecedor.

O direito do consumidor pode então ser definido como um conjunto de normas e princípios destinado a promover a defesa dos consumidores (art. 5°, XXXII, CF), e também de assegurar-lhes como princípio geral e imperativo da ordem econômica, a necessária defesa, sendo reconhecido como sujeito de direito (art.170, e parágrafo V) (BRASIL, 2015).

Por fim, o direito do consumidor, tem ainda como objetivo a criação de um código de defesa que de forma sistematizada e organizada reúna normas tutelares e princípios, baseando-se na proteção do sujeito de direito, ou seja, do consumidor (art. 48 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição Federal de 1988) (BRASIL, 2015).

Segundo, Benjamin et al (2008, p. 25) promover a defesa do consumidor significa:

Assegurar afirmativamente que o juiz, que o Estado-executivo e o Estado-legislativo realizem positivamente a defesa, a tutela dos interesses destes consumidores. É um direito fundamental (direito humano de nova geração, social e econômico) a uma prestação protetiva do Estado, a uma atuação positiva do Estado, por todos os seus poderes: Judiciário, Executivo, Legislativo.

Cumpre salientar, que é de extrema relevância que o direito de proteção ao consumidor se encontre incluso no rol dos direitos e garantias fundamentais, uma vez que se torna altamente valoroso frente ao que isso representa: o reconhecimento do direito do consumidor como uma garantia fundamental à vida humana.

Para que todas as pessoas tenham dignidade humana também é necessário que tenham suas relações de consumo (quando consumidores) protegidas e tuteladas constitucionalmente, sendo ainda consideradas como cláusulas pétreas e

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15 imutáveis ao direito. Ademais, o direito do consumidor além de estar incluído nessa ordem, ainda se encontra positivado em norma expressa, não restando apenas implícito nas entrelinhas da Constituição.

1.2 Elementos da relação de consumo

Antes de definirmos os elementos da relação de consumo, é pertinente que saibamos o que é essa relação. A ideia de relação encontra-se integralmente vinculada ao conceito de convivência, e diz respeito à forma em que vivemos nos dias de hoje, quer dizer, do nosso dia-a-dia resultam várias relações entre pessoas, sendo que estas decorrem, em regra, de seus atos e vontades.

Nessa perspectiva é de entendimento de Cláudio Bonatto e Paulo Valério Dal Pai Moraes (2009, p. 59):

No campo fático e ordinário, são variadas e inúmeras as vezes em que as pessoas se inter-relacionam, na maior parte sendo irrelevantes para o convívio social, coletivamente considerado. As relações relevantes à sociedade são erigidas à condição de relações jurídicas, dado que servirão como paradigma de conduta para todos os integrantes do grupo social.

Isso quer dizer que as pessoas estão a todo o momento se inter-relacionando umas com as outras, e também, que essa relação pode ocorrer de forma meramente cotidiana gerando efeitos somente sociais e tornando-se irrelevantes para o convívio social, ou, que delas podem surgir relações que se tornem tão importantes a ponto de conceber mudanças na realidade de toda a coletividade.

Dessa forma, entre as relações essenciais à convivência social estão as denominadas relações jurídicas, e sua importância se deve ao fato de que com a sua ocorrência se tornam paradigmas de condutas a serem seguidos por todos os demais integrantes do grupo social, isto é, com a fluente relação jurídica entre as pessoas surgem determinados modelos de comportamentos que devem ser observados e seguidos por toda a sociedade.

Nessa lógica complementam Bonatto e Moraes (2009, p. 61):

Então, inúmeras são as relações do mundo fático e os processos de adaptação social, sendo aquelas transformadas em relações

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jurídicas, o mesmo acontecendo no campo do Direito do Consumidor, quando o legislador resolve destacar uma em especial, denominando-a Relação Jurídica de Consumo, na forma do que consta na “norma-objetivo” do artigo 4º do CDC.

Por sua vez, a relação jurídica de consumo pode ser definida como um vínculo existente entre dois sujeitos. De um lado temos uma pessoa física ou jurídica, aqui denominada de consumidor que pretende adquirir determinado bem ou que ainda deseja a prestação de algum serviço, e a outra parte, chamada de fornecedor, aquele que tem a função de corresponder a esta pretensão fornecendo o objeto ou prestando o serviço desejado. Segundo Bonatto e Moraes (2009, p. 63) a:

Relação Jurídica de consumo é o vínculo que se estabelece entre um consumidor, destinatário final, e entes a ele equiparados, e um fornecedor profissional, decorrente de um ato de consumo ou como um reflexo de um acidente de consumo, a qual sofre a incidência da norma jurídica especifica, com o objetivo de harmonizar as interações naturalmente desiguais da sociedade moderna de massa.

Da conceituação acima referida é interessante destacar que a mesma já associa a relação jurídica de consumo com a ideia de risco, ou melhor, menciona uma possível ameaça que pode vir a ocorrer naturalmente desta relação, por ter em um de seus pólos uma parte vulnerável.

Nesse contexto, e em temos de definição o próprio Código de Defesa do Consumidor tratou de definir os elementos e as partes das relações jurídicas de consumo, trazendo no pólo passivo da relação o fornecedor (art. 3º, CDC), sendo descrito como toda e qualquer pessoa física ou jurídica, privada ou pública, nacional ou estrangeira, e também os entes despersonalizados, que desenvolvam atividade de produção, fabricação, montagem, construção, importação, dentre outras atividades de comercialização (BRASIL, 2015).

Ainda quanto ao conceito de fornecedor, o que deve ser observado é que para que este seja devidamente caracterizado tem-se a necessidade do desempenho de uma atividade profissional, e que dela deva resultar uma ação que transforme ou modifique o estado das coisas, e que, além disso, seja remunerada.

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17 Outrossim, o fornecedor deve oferecer determinado bem ao consumidor, ou prestar-lhe algum serviço mediante remuneração, ou seja, essa ação tem que lhe proporcionar lucros diretos ou indiretos.

Já no pólo ativo da relação jurídica de consumo encontra-se o consumidor (art. 2º, CDC), sendo definido como toda ou qualquer pessoa que adquire ou utiliza serviços ou produtos como destinatário final, podendo este ser pessoa física ou jurídica.

Nesse ponto cabe lembrar, que como exposto anteriormente quando abordada a origem do Código de Defesa do Consumidor, as diretrizes e fundamentos da tutela e proteção do consumidor surgiram frente à necessidade de intervenção estatal de forma positiva nas relações jurídicas de consumo e tinha como objetivo refrear a desigualdade existente entre o mais forte sobre o mais fraco, e desta forma balancear essa relação.

Inevitavelmente, todo tipo de relação possui um objeto, que se torna o elo existente entre os dois sujeitos. Sendo assim, o Código de Defesa do Consumidor em seu artigo (art. 3º, §1º e 2º) delimitou o objeto das relações de consumo entre o consumidor e fornecedor, o qual será sempre um produto ou serviço a ser prestado (BRASIL, 2015).

Produto, segundo o Código “é qualquer bem, móvel ou imóvel, material ou imaterial” (art. 3, §1º), e serviço, “é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo mediante remuneração, inclusive de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista” (art. 3º, § 2º) (BRASIL, 2015).

Sendo assim, produto pode ser qualquer coisa que possua valor econômico, e que possa ser adquirido pelo consumidor, contudo, o pagamento pela coisa não é um requisito formal para que a relação seja reconhecida como relação jurídica de consumo.

Salienta-se, que atualmente vivemos em uma época onde possuímos muita facilidade de obtenção de crédito, fazendo com que as relações jurídicas de consumo se tornem cada vez mais frequentes em nosso quotidiano. Logo, tudo

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18 acontece de forma rápida e célere, fazendo com que muitas vezes os próprios consumidores visando aproveitar seu tempo façam suas escolhas sem conhecer ou ao menos entender que na verdade estão fazendo parte de uma relação jurídica tutelada pelo Estado.

Um forte exemplo disso é a relação jurídica de consumo no ramo dos produtos alimentícios. O consumidor ao fazer parte da relação jurídica de consumo alimentícia, presume estar adquirindo produtos confiáveis, e saudáveis, e deseja que essa relação ocorra da forma mais rápida possível, até porque, a celeridade é uma característica natural do homem moderno.

Nesse entendimento, Joaquim de Assis Úrsula Junior e Rafael Hendres Barros Feijó (2014, p. 141) estabelece:

Vive-se um momento da nossa história em que tudo ocorre de forma rápida, com transformações, que raramente faz-se possível acompanhar. Isso faz com que o indivíduo busque otimizar o seu tempo realizando certas atividades secundárias, porém necessárias, de forma automática [...] Um exemplo de atividade a qual se enquadra nesse tipo de situação é o consumo de gêneros alimentícios; atividade tida como secundária; porém essencial à vida humana [...] Para que a relação de consumo alimentícia ocorra de forma célere e confiável, os fornecedores do ramo devem oferecer mecanismos necessários para esse fim.

Assim, para que a relação jurídica de consumo alimentícia seja adequada, rápida e confiável, faz-se necessário que os fornecedores enquanto detentores originários dos produtos oferecidos disponibilizem recursos e meios de informações acerca de seus produtos aos consumidores, fazendo com que essa relação seja clara e precisa e atenda a todas as necessidades do destinatário final.

Por fim, essa relação em regra deve ser orientada pelos dispositivos legais do Código de Defesa do Consumidor, bem como pelos princípios constitucionais e consumeristas, visando proporcionar uma comunicação mais justa e efetiva ao próprio consumidor que como evidenciado é considerado vulnerável na relação jurídica de consumo.

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19 1.3 Do direito à informação e o princípio da vulnerabilidade do consumidor:

Princípios da Boa-fé objetiva e da transparência

Como afirmado anteriormente, a Constituição Federal de 1988 e o Código de Defesa do Consumidor nada mais fazem do que reconhecer um sujeito que necessitava de direitos especiais, e desenvolvem de forma estruturada um sistema de normas e princípios, visando protegê-lo em face das práticas abusivas.

O consumidor passa então a ser protegido constitucionalmente, e essa tutela torna-se concreta com o Código de Defesa do Consumidor. Nesse sentido, dentre os princípios basilares do Código de Defesa do Consumidor, cabe ressaltar os referentes ao direito fundamental à informação. São eles o princípio da vulnerabilidade, o princípio da transparência e o princípio da boa-fé objetiva, os quais, de maneira ampla tendem a defender os consumidores e a impor aos fornecedores o dever de informar e de serem transparentes em suas relações comerciais coibindo, desta forma, abusos e prejuízos a parte vulnerável.

Outrossim, o princípio da informação é decorrente da vulnerabilidade do consumidor, ao passo que, como definido preliminarmente, foi através dessa vulnerabilidade do consumidor nas relações de consumo que o Estado reconheceu a necessidade de intervir, e passou a proteger esse novo sujeito de direitos.

Nessa senda, Cavalieri (2002, p. 83), leciona que “a rigor, o direito à informação é um reflexo ou consequência do princípio da transparência e encontra-se umbilicalmente ligado ao princípio da vulnerabilidade”.

Por sua vez o artigo 4º, caput e parágrafo primeiro do Código de Defesa do Consumidor, evidenciou sua preocupação e proteção ao consumidor, determinando que o principal objetivo da Política Nacional das Relações de Consumo, é a de atender as necessidades dos consumidores, primando pelo respeito à dignidade, a saúde e a segurança do consumidor, considerado essencialmente vulnerável no mercado de consumo. Nesse sentido, o referido artigo 4° do Código de Defesa do Consumidor claramente estabelece:

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Art. 4º A Política Nacional das Relações de Consumo tem por objetivo o atendimento das necessidades dos consumidores, o respeito à sua dignidade, saúde e segurança, a proteção de seus interesses econômicos, a melhoria da sua qualidade de vida, bem como a transparência e harmonia das relações de consumo, atendidos os seguintes princípios: (Redação dada pela Lei nº 9.008, de 21.3.1995)

I - reconhecimento da vulnerabilidade do consumidor no mercado de consumo;

(...)

Isso ocorre, como já mencionado, porque o fornecedor detém todos os meios de produção fazendo com que o consumidor se submeta a ele para a realização de seus negócios, e como consequência dessa submissão, experimente prejuízos e danos advindos dessa desigualdade.

Conforme Benjamin et al (2008, p.67), o direito do consumidor é um direito para desiguais, forte, protetor, e assim tem um campo de aplicação subjetivamente especial.

Diante disso, o que se busca com a positivação da norma e também a observação dos princípios, é tratar a parte desigual da relação, no caso o consumidor, de forma desigual nas mesmas proporções e limites ao qual se encontra o fornecedor, objetivando desta forma, estabelecer a igualdade entre as partes, ou melhor, o que se pretende é tratar o consumidor de forma desigual concedendo-lhe prerrogativas a fim de obter a igualdade entre as partes na relação de consumo.

Frente a esse reconhecimento da vulnerabilidade do consumidor, com destaque para a relação jurídica de consumo de produtos alimentícios é prudente ressaltar que nesse tipo de relação a vulnerabilidade do consumidor resta destacada, pois essa ocorre de forma mais rápida e célere, sendo que o consumidor na maioria das vezes não presta a devida atenção no produto que está adquirindo.

Por outro lado, sendo que o fornecedor possui todos os meios de produção podendo a partir disso submeter e expor os consumidores a qualquer tipo de produto. Assim, faz-se necessário que haja obrigatoriedade de informações, claras, corretas, precisas e de fácil entendimento ao consumidor, ainda mais quando os produtos nas relações de consumo são de natureza alimentícia. Tome-se como

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21 exemplo o perigo de uma intolerância alimentar a determinado ingrediente, que caso não evitada pode resultar em severos riscos à saúde do consumidor.

Ao que se refere ao princípio da Boa-fé objetiva Bonatto e Moraes (2009, p. 36), conceitua:

A boa-fé objetiva traduz a necessidade de que as condutas sociais estejam adequadas a padrões aceitáveis de procedimento que não induzam a qualquer resultado danoso para o indivíduo, não sendo perquirido da existência de culpa ou de dolo, pois o relevante na abordagem do tema é a absoluta ausência de artifícios, atitudes comissivas ou omissivas, que possam alterar a justa e perfeita manifestação de vontade dos envolvidos em um negócio jurídico ou dos que sofram reflexos advindos de uma relação de consumo.

Como afirmado anteriormente, o princípio da boa-fé objetiva encontra-se fundamentalmente ligado ao direito do consumidor à informação, e também ao princípio da transparência, ao ponto em que estabelece que os fornecedores têm o dever de disponibilizar informações claras e diretas a respeito dos produtos que estão disponíveis no mercado aos consumidores, evitando deste modo, que ao utilizar determinados meios (como a publicidade, marketing, dentre outros) possa comprometer a percepção do consumidor no momento da compra, ou seja, o fornecedor tem a responsabilidade de passar aos consumidores informações claras e corretas acerca de seus produtos, evitando-lhes prejuízos ou danos.

Nesse mesmo sentido é de entendimento de Benjamin et al (2008, p.57) “é possível afirmar que a boa-fé é o princípio máximo orientador do CDC; [...] o princípio da transparência (art. 4º, caput) atua como um reflexo da boa fé exigida aos agentes contratuais”

Em síntese, o princípio da boa-fé objetiva deve ser analisado de maneira ampla, e a cada caso concreto, para que assim seja verificado se não houve violação dos direitos e princípios básicos do consumidor.

Por sua vez, o princípio da transparência, que assim como os demais princípios expostos anteriormente (princípio da vulnerabilidade e boa-fé objetiva) também é reconhecido como norteador das relações jurídicas de consumo, encaixando-se perfeitamente na questão do direito do consumidor à informação.

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22 Deste modo, transparência corresponde a uma determinada clareza, idoneidade, respeito e capacidade técnica que o fornecedor deve dispor em suas relações com o consumidor, isso significa que o princípio da transparência reivindica que além do dever de informar que recai sobre o fornecedor, estas informações prestadas devem impreterivelmente ser transparentes, claras e corretas, correspondendo também a idoneidade, lealdade e respeito nas relações jurídicas contratuais que ocorrem entre os sujeitos da relação jurídica de consumo (BENJAMIM; BESSA e MARQUES, 2008).

Ainda quanto ao princípio da transparência, cabe frisar, que nas relações comerciais anteriores a vigência do Código de Defesa do consumidor, a lógica que se adotava era de que se o consumidor necessitasse de alguma informação para a realização do negócio jurídico, ele próprio teria que buscá-la junto ao fornecedor, questionando a outra parte para que pudesse realizar uma boa negociação.

Após o surgimento do CDC e a consagração de seus princípios, especialmente ao da transparência, o consumidor que outrora era vulnerável nessa relação ganhou legitimidade e proteção, sendo-lhe resguardado seu direito subjetivo à devida e correta informação, em todas as relações jurídicas de consumo.

Em suma, para que o equilíbrio entre as partes pudesse ser imposto, de forma coercitiva, quer dizer, para que a vontade da lei prevalecesse sobre o arbítrio das partes, determinando como devem ocorrer as relações jurídicas de consumo, e também obrigando estes a uma relação orientada por princípios como o princípio à informação, boa-fé objetiva e transparência, originou-se o Código de Defesa do Consumidor, regulamentando também, que se caso tudo isso não ocorrer poderá tanto o Estado cobrar sua efetivação (lei), quanto o próprio consumidor terá legitimidade para executar seus direitos. Enfim, tais princípios, conjuntamente se comprometem a resguardar os direitos dos consumidores, e protegê-los nas relações jurídicas de consumo.

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23 1.4 Do direito fundamental à informação

Os Direitos Fundamentais são aqueles direitos inerentes ao ser humano, quer dizer, são direitos assegurados a todos e que podem ser conceituados como direitos necessários para usufruir de uma vida digna, respeitados e positivados pelo Estado, na forma como dispõe a Carta Constitucional.

Neste sentido, consoante afirma Joaquim José Gomes Canotilho (1998, p.359),

Direitos do homem são direitos válidos para todos os povos e em todos os tempos (dimensão jusnaturalista- universalista); Direitos fundamentais são os direitos do homem, jurídico-institucionalmente garantidos e limitados espacio-temporalmente.

Sendo assim, os direitos fundamentais não devem ser confundidos com os direitos humanos, sendo que estes (direitos humanos) possuem amplitude e validade universal, e que também são reconhecidos em âmbito de Direito Internacional mediante tratado, tendo, desta maneira, validade e eficácia independentemente de positivação constitucional.

Eis o que afirma Ingo Wolfgang Sarlet (2004, p. 35-36) acerca dos direitos fundamentais e humanos:

[...] o termo direitos fundamentais se aplica para aqueles direitos do ser humano reconhecidos e positivados na esfera do Direito Constitucional positivo de determinado Estado, ao passo que a expressão direitos humanos guardaria relação com os documentos de direito internacional, por referir-se àquelas posições jurídicas que se reconhecem ao ser humano como tal, independentemente de sua vinculação com determinada ordem constitucional, e que, portanto, aspiram à validade universal, para todos os povos e tempos, de tal sorte que revelam um inequívoco caráter supranacional.

Portanto, os direitos humanos são direitos válidos a todos os povos, em todo e qualquer tempo. Diferentemente disso, os direitos fundamentais são àqueles que da mesma maneira como aconteceu com o consumidor, passaram a ser tutelados positivamente e constitucionalmente pelo Estado, por algum motivo de relevância social.

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24 Sendo assim, à título de exemplo de direito fundamental tem-se o próprio Direito do Consumidor, ora estudado, que foi concretizado pela Constituição Federal, que explicitamente reconheceu o consumidor como vulnerável e tratou de protegê-lo constitucionalmente no rol dos direitos e garantias fundamentais, tendo ainda assegurado-lhes o direito e o acesso à devida informação.

Diante disso, pode-se então afirmar que o acesso à informação e demais direitos fundamentais, são prerrogativas resguardadas a todos os cidadãos, pois se trata de direito personalíssimo e que sem dúvidas decorre do princípio da dignidade da pessoa humana.

Nesse sentido, o direito à devida informação encontra-se integralmente vinculado as relações jurídicas de consumo no ramo de produtos alimentícios, uma vez que é requisito essencial e importantíssimo para que essa relação ocorra de modo saudável e correto.

Sob esse aspecto, cabe investigar o Direito à Informação e seus diferentes tipos, bem como dentro dele distinguir a sua importância para a relação jurídica de consumo no setor dos alimentos, tema que será estudado no próximo capítulo.

1.5 O direito de informação: Classificação doutrinária

Preliminarmente, quanto ao direito de informação, pode-se afirmar que este deve ser observado, sobre três espécies: a) O direito de informar; b) O direito de se informar; e c) O direito de ser informado.

Nesse entendimento, Luis Antonio Rizatto Nunes (2000, p. 43) complementa:

A informação, ou melhor, o direito de informação, na Constituição Federal pode ser contemplado em três espécies: a) o direito de informar; b) o direito de se informar; c) o direito de ser informado. O direito de informar é basicamente uma prerrogativa conferida pela Carta Magna; os outros dois são obrigações, e bastante relevantes para a questão do consumidor.

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25 Em resumo, o direito de informar encontra fundamentação na Constituição Federal sendo reconhecido como um privilégio constitucional, ou ainda uma permissão facultada a pessoas físicas ou jurídicas, já o direito de se informar e o direito de ser informado, são obrigações de extrema importância para o Direito do Consumidor.

Veremos então, brevemente, cada um dos conceitos e sua aplicabilidade.

1.5.1 Do Direito de informar

O direito de informar encontra fundamento no artigo 220, da Constituição Federal de 1988. E por intermédio do referido artigo, fica solidificado que a informação e demais formas de manifestações de pensamento não sofrerão qualquer tipo de restrições, tornando-se ainda mais concreta ao ser inserida no rol das garantias fundamentais e sendo também reconhecida como cláusula pétrea (art 5º, IX).

Nessa lógica Nunes (2000, p. 44) esclarece citando trechos da Carta Constitucional:

“A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição” [...] “É livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica, e de comunicação, independentemente de censura e licença”. Esses dispositivos, todavia, não são absolutos, uma vez que o direito de informar encontra limites no próprio texto constitucional.

Todavia, como destacou o autor acima citado, tais dispositivos não são absolutos, à medida que o direito de informar encontra limitação pelo próprio dispositivo constitucional (art. 5º X, CF), ao tornar invioláveis algumas condutas, dentre elas a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem, não podendo o direito a informação ultrapassar esses limites pessoais.

Nesse ponto, pode-se observar que o direito fundamental de informar encontra exceção ao se deparar com o direito do outro, ou seja, mesmo tratando-se de garantia constitucional, deve-se ter em mente que o seu direito vai até o direito de outrem, não podendo exceder-se.

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26

1.5.2 Do Direito de se Informar

Já o direito de se informar é uma prerrogativa atribuída a todas as pessoas, e deriva da existência da própria informação. Conforme preceitua o artigo 5º, XIV “é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional”. Trata-se então, de um direito subjetivo, e significa que uma pessoa tem o direito de se informar, podendo exigir informação de quem queira, contudo, por mais que exista essa possibilidade ela fica limitada pela inviolabilidade do direito alheio (BRASIL, 2015).

Desta forma, Nunes, (2000, p. 48) orienta:

Sabe-se que o exercício de um direito subjetivo significa a possibilidade da exigência de alguém. Isto é, a prerrogativa de um corresponde à obrigação de outro. Assim, quando a Constituição garante a todos o acesso à informação, tem-se de entender que essa informação deve estar com alguém que terá a obrigação de fornecê-la.

Enfim, pode-se afirmar que o direito de se informar é um direito subjetivo, e significa que uma pessoa tem o privilégio tutelado pela Constituição de se informar, podendo exigir informação de quem queira, contudo, por mais que exista essa possibilidade ela fica restrita ao exercício da liberdade do outro.

1.5.3 Do Direito a ser informado

Finalmente, e como ponto significativo para a presente pesquisa, o direito de ser informado, que surge de um direito/dever, isto é, aquele que nasce do dever que é atribuído a alguém em informar, e o direito de outrem de receber essas informações.

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27 Nesse sentido, a Constituição Federal em seus artigos 5° XXXIII e 37, trata do dever de informar que os órgãos públicos devem seguir. Assim, Nunes (2000, p. 50) argumenta:

No âmbito constitucional o direito de ser informado é menos amplo do que no sistema infraconstitucional de defesa do consumidor. O direito de ser informado nasce, sempre, do dever que alguém tem de informar. Basicamente, o texto magno estabelece o dever de informar que têm os órgãos públicos. No que tange ao dever de informar das pessoas jurídicas com natureza jurídica privada, é o Código de Defesa do Consumidor que estabelece tal obrigatoriedade ao fornecedor.

À vista disso, o direito de informar relativo às pessoas jurídicas de natureza privada, encontra-se regulamentado no Código de Defesa do Consumidor, o qual prescreve aos fornecedores de produtos e serviços nas relações jurídicas de consumo o dever de informar, observando ainda, que essa informação posta aos consumidores deve ser clara, correta e em língua portuguesa contendo todas as características dos produtos disponíveis no mercado de consumo.

Isto posto, o Código de Defesa do consumidor em seu artigo 6°, III, determina que:

São direitos básicos do Consumidor: a informação adequada e clara sobre os diferentes produtos e serviços, com especificação correta de quantidade, características, composição, qualidade, tributos incidentes e preço, bem como sobre os riscos que apresentem (BRASIL, 2015).

Assim sendo, o consumidor pode ser reconhecido como o titular da informação, ou melhor, como sujeito protegido pelo direito à informação.

Portanto, todos os produtos e serviços prestados ou disponíveis no mercado de consumo, devem obrigatoriamente conter informações claras e precisas disponibilizadas pelos fornecedores, devendo também, e de maneira correta informar todos os riscos que eventualmente possam decorrer do consumo daquele produto.

No que tange ao ramo alimentício e a complexidade desta relação jurídica de consumo, pode-se afirmar que essa imposição do Código de Defesa do Consumidor obrigando o fornecedor a informar os consumidores acerca de seus produtos, é de

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28 extrema importância, trazendo desta forma muitos benefícios a referida relação. Assim, a principal intenção do Legislador foi a de que se tenha à disposição no mercado de consumo, produtos seguros, confiáveis e que não apresentem riscos à saúde de seus consumidores.

Ainda como finalidade e importância do dever de informar nas relações jurídicas de consumo alimentício, seria prudente destacar que essa informação proveniente dos produtos é de considerável relevância, ao passo que, acaba possibilitando um maior conhecimento aos consumidores dos produtos que irão consumir, deixando ao seu critério e liberdade de escolha.

Enfim, pode-se compreender que o dever de informar além de garantir o direito do consumidor à devida informação também protege o seu direito a alimentação adequada, tema que será analisado no capitulo seguinte.

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29 2 O DIREITO DE INFORMAÇÃO E A ROTULAGEM DE ALIMENTOS

Na atualidade o tema referente à alimentação tem sofrido muitas transformações, pois com o decorrer do tempo a tecnologia foi tomando espaço e os produtos foram ficando cada vez mais industrializados, impedindo desta forma que o consumidor tenha acesso ao modo de fabricação, ou ao menos tenha informação correta e precisa do que contém o produto que está adquirindo, o que acaba se tornando perigoso, duvidoso e instável.

Nesse sentido no presente tópico iremos estabelecer um elo entre todo o exposto no primeiro capítulo, desde a aplicabilidade do CDC, os princípios e sujeitos das relações de consumo de produtos alimentícios, até chegarmos a questão do Direito fundamental à Alimentação adequada, onde iremos esclarecer o que é a Segurança Alimentar e o que um produto deve conter para que seja reconhecido como seguro, estável e inviolável.

Nessa perspectiva, diante da insegurança do consumidor frente aos fornecedores dos produtos alimentícios surgiu a regulamentação e a rotulagem dos alimentos, a qual iremos explorar visando identificar sua finalidade e aplicação, bem como sua regulamentação especifica, com destaque para as informações que devem estar presentes nos rótulos para que estes produtos sejam considerados seguros.

2.1 A alimentação adequada como direito humano e fundamental

Inicialmente, cumpre ressaltar que a questão dos alimentos sempre foi um tema que gerou grandes preocupações, e isso ocorre por tratar-se de uma necessidade de extrema importância a todos os seres vivos, exigindo proteção jurídica específica.

Assim sendo, o Direito Humano à Alimentação Adequada (DHAA) foi incluído na Declaração Universal dos Direitos Humanos em seu artigo 25°, e reconhecido como direito fundamental pela Constituição Federal em seu artigo 6°, passando então a ser declarado como direito fundamental e assegurado como direito social.

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30 Sendo assim, consoante afirma Caroline Erhardt (2015):

A alimentação, por atender a uma das necessidades básicas do homem, sempre foi objeto de preocupação. O Direito à Alimentação, como direito fundamental, foi incluído na Constituição Federal, passando a figurar como direito social no seu artigo 6°. O Direito Humano à Alimentação Adequada (DHAA) no art.25° da Declaração Universal dos Direitos Humanos é discutido no contexto da promoção do direito a um padrão adequado de vida.

A partir do momento em que a alimentação passou a encontrar previsão expressa no texto constitucional como um direito social, e não mais apenas nas Leis ordinárias das unidades da Federação, a preocupação com uma boa alimentação acaba por fazer parte de todo o programa de saúde pública dos governos federal, estadual e municipal (VAZ, 2012).

Contudo, mesmo que a carta constitucional tenha acrescentado expressamente em seu artigo 6° o direito a alimentação, já havia previsto em seu texto original o direito a saúde, o qual implicitamente já englobava o direito a alimentação, pois não há vida saudável sem alimentação adequada.

Da mesma forma a Constituição já trazia em seu artigo 1°, III, como fundamento geral de toda a República Federativa do Brasil a dignidade da pessoa humana, a qual compreende todos os direitos necessários para que os seus cidadãos possam viver de forma digna.

Ademais, em termos de conceituação o art. 2º da Lei 11.346 de 2006, estabelece que a alimentação adequada é direito fundamental:

[...] do ser humano, inerente à dignidade da pessoa humana e indispensável á realização dos direitos consagrados na Constituição Federal, devendo o poder público adotar as políticas e ações que se façam necessárias para promover e garantir a segurança alimentar e nutricional da população.

§1° A adoção dessas políticas e ações deverá levar em conta as dimensões ambientais, econômicas, regionais e sociais.

§3° É dever do poder publico respeitar, proteger, promover, prover, informar, monitorar, fiscalizar e avaliar a realização do direito humano à alimentação adequada, bem como garantir os mecanismos para sua exigibilidade (BRASIL, 2015).

Nessa mesma percepção, pode-se afirmar que o direito humano a alimentação adequada é inerente a todos os seres humanos, compreendendo desde

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31 o acesso aos alimentos, quantidade e qualidade até as condições de vida destes indivíduos.

Ao que se refere a conceituação do Direito Humano à Alimentação Adequada, há de se ressaltar o trazido em 2002, pelo Relator Especial das Nações Unidas para o Direito à Alimentação, Jean Ziegler, também citado no texto de Valéria Burity, Thaís Franceschini, Flávio Valente, Elisabetta Recine e Marília Leão (2010, p.15):

O direito à alimentação adequada é um direito humano inerente a todas as pessoas de ter acesso regular, permanente e irrestrito, quer diretamente ou por meio de aquisições financeiras, a alimentos seguros e saudáveis, em quantidade e qualidade adequadas e suficientes, correspondentes às tradições culturais do seu povo e que garanta uma vida livre do medo, digna e plena nas dimensões física e mental, individual e coletiva.

Assim para a garantia do direito fundamental a alimentação adequada consoante preceitua o relator das Nações Unidas, deve haver o acesso não somente ao básico para a subsistência, mas a todos os alimentos capazes de satisfazer nossas necessidades fisiológicas e nutricionais, os quais possibilitem viver com dignidade e nos tornem pessoas sadias e saudáveis.

Nesse diapasão, é de entendimento de Burity et al, (2010, p.16):

O DHAA começa pela luta contra a fome, mas caso se limite a isso, esse direito não estará sendo plenamente realizado. Os seres humanos necessitam muito mais do que atender suas necessidades de energia ou de ter uma alimentação nutricionalmente equilibrada. Na realidade, o DHAA não deve –e não pode – ser interpretado em sentido estrito ou restritivo, ou seja, que o condiciona ou o considera como “recomendações mínimas de energia ou nutrientes”. A alimentação para o ser humano deve ser entendida como processo de transformação da natureza em gente saudável e cidadã.

Esse também é o entendimento do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (2013, p.1), o qual defende que o DHAA possui duas dimensões distintas, onde de um lado encontra-se o direito de se estar livre da fome e do outro o próprio direito a alimentação adequada, afirmando que a realização de ambas as dimensões são essenciais para que ocorra a efetividade dos demais direitos humanos.

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32

O Direito Humano à Alimentação adequada tem duas dimensões: o direito de estar livre da fome e o direito à alimentação adequada. A realização destas duas dimensões é de crucial importância para a fruição de todos os direitos humanos. Os principais conceitos empregados na definição de Direito Humano à Alimentação Adequada são disponibilidade de alimentos, adequação, acessibilidade e estabilidade do acesso a alimentos produzidos e consumidos de forma soberana, sustentável, digna e emancipatória (2013).

E é exatamente nesse contexto que deve haver a intervenção do Estado para que seja respeitado, protegido, promovido e se necessário fornecido o indispensável para a efetividade desse direito que é crucial para todos os seres humanos.

Eis o que torna a afirmar o Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (2013, p.1):

Uma abordagem de direitos humanos também requer ações especificas, para contextos específicos. Assim, é fundamental a adoção de ações afirmativas e políticas que considerem a dimensão de gênero, raça, geração e etnia. A garantia do Direito Humano à Alimentação Adequada é uma obrigação do Estado e essa obrigação se desdobra nas seguintes dimensões: Obrigação de Respeitar, Obrigação de Proteger e Obrigação de Prover.

Isto posto é do Estado a obrigação de garantir a efetivação do direito à alimentação adequada, devendo promover ações especificas para que assegure esse direito de suma importância a todas as pessoas.

Nesse mesmo entendimento, pode-se afirmar que a efetivação do direito à alimentação, como direito fundamental, exige, em todos os níveis um olhar transdisciplinar, pois passa pela adoção de políticas sustentáveis de produção, distribuição, acesso e consumo de alimentos seguros e de qualidade, promovendo-se a saúde com uma alimentação saudável. Não é possível analisar o acesso à alimentação restrito a um só ponto de vista, motivo pelo qual o olhar transdisciplinar é essencial para contemplar o aspecto social, biológico, sanitário, jurídico e econômico envolvido na temática pertinente (ERHARDT, 2015).

Por conseguinte, é nesse ponto que o direito humano e fundamental à alimentação adequada e a questão do direito do consumidor à informação e a rotulagem de alimentos se encontram, uma vez que o Estado deverá promover

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33 mecanismos que se destinem a regulamentar o ramo alimentício, desde a sua produção até o destinatário final, ou seja, até a mesa de cada cidadão.

Em suma, para que o direito humano e fundamental à alimentação adequada seja efetivo o Estado terá que proporcionar a segurança alimentar a todos os cidadãos, estabelecendo diretrizes a serem seguidas visando à garantia deste direito.

2.2 Da segurança alimentar

Após analisarmos o direito humano e fundamental à alimentação adequada, faremos breves considerações acerca da segurança alimentar, e na sequência adentraremos mais ao tópico especifico da rotulagem de alimentos que é o tema proposto e que possui uma vasta regulamentação a ser examinada.

Em sede de conceituações, o artigo 3° da Lei 11.346 de 2006 é quem define a segurança alimentar:

Art. 3º A segurança alimentar e nutricional consiste na realização do direito de todos ao acesso regular e permanente a alimentos de qualidade, em quantidade suficiente, sem comprometer o acesso a outras necessidades essenciais, tendo como base práticas alimentares promotoras de saúde que respeitem a diversidade cultural e que sejam ambiental, cultural, econômica e socialmente sustentáveis (BRASIL, 2015).

Deste modo, a segurança alimentar possui aplicabilidade na concretização do direito fundamental à alimentação adequada, ou seja, é por meio dela que se realiza o devido acesso, regular e permanente de toda a população aos alimentos.

Deve-se ressaltar, entretanto, que o próprio conceito de segurança alimentar já trata da questão dos alimentos, alegando para tanto que estes devem ser de qualidade e quantidade suficiente a fim de não comprometer outras necessidades essenciais dos seus consumidores.

A segurança alimentar deve ainda promover práticas alimentares que favoreçam e desenvolvam a saúde de seus indivíduos, devendo preservar a

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34 diversidade cultural de todos os povos, bem como proceder dentro dos limites ambientais, econômicos e sustentáveis.

Nesse mesmo sentido, e consoante já mencionado, a Lei 11.346 de 2006, que criou o Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional – SISAN, tem como finalidade a garantia do direito humano à alimentação adequada, o qual conforme estabelecido pelo Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional- CONSEA (2007, p.4) é direito de todos os cidadãos, ou seja,

Todo mundo tem direito a uma alimentação saudável, acessível, de qualidade, em quantidade suficiente e de modo permanente. Isso é Segurança Alimentar e Nutricional. Ela deve ser totalmente baseada em práticas alimentares promotoras da saúde, sem nunca comprometer o acesso a outras necessidades essenciais. Esse é um direito do brasileiro, um direito de se alimentar devidamente, respeitando particularidades e características culturais de cada região.

Contudo, por mais que sejam estabelecidas tais práticas alimentares que visam promover a saúde de todos os seres humanos, sempre haverá inseguranças que surgem das mais variadas situações. A título de exemplo o Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional - CONSEA (2007, p.4) listou alguns tipos de inseguranças alimentares:

Situações de insegurança alimentar e nutricional podem ser detectadas a partir de diferentes tipos de problemas, tais como fome, obesidade, doenças associadas à má alimentação, consumo de alimentos de qualidade duvidosa ou prejudicial à saúde, estrutura de produção de alimentos predatória em relação ao ambiente e bens essenciais com preços abusivos e imposição de padrões alimentares que não respeitem a diversidade cultural.

Em geral entende-se que a questão relativa à alimentação é bem complexa possuindo diversas situações que como exposto geram inseguranças a todo o sistema alimentar, sendo muitas delas provenientes de problemáticas como a obesidade, doenças que resultam de uma alimentação deficiente, bem como a ingestão de produtos com qualidade duvidosa ou desconhecida.

Verifica-se por fim, que a segurança alimentar abrange todo um processo antes mesmo da própria alimentação, envolvendo desta forma desde o acesso dos indivíduos aos alimentos até a qualidade e quantidade necessária à alimentação

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35 adequada, tendo sempre como princípios básicos a saúde humana e a preservação ambiental, contemplando da mesma forma o direito à informação dos produtos alimentícios, que devem ser seguros e apropriados vindo a tratar disso através da regulamentação da rotulagem, tópico que abordaremos a seguir.

2.3 Direito do consumidor e a regulamentação da rotulagem

Atualmente, tem-se discutido muito a questão da segurança alimentar, e isso se deve, como vimos, a diversos fatores que devem ser contemplados cumulativamente, sendo estes à vulnerabilidade do consumidor na relação consumerista de produtos alimentícios, às inseguranças que podem acometer o direito humano à alimentação adequada, a deficiência na correta informação do produto ao consumidor, bem como a insuficiência na regulamentação e fiscalização dos rótulos dos alimentos.

Nesta senda, as normas provenientes da regulamentação e rotulagem dos alimentos são de crucial importância para a segurança alimentar, uma vez que têm o dever de informar aos consumidores o que estão adquirindo e consumindo.

Por conseguinte, o rótulo é o mecanismo intermediário entre o produto e a escolha do consumidor, devendo então realizar a sua obrigação de informar os consumidores.

Diante disso cumpre enfatizar que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) é o órgão encarregado de organizar e constituir toda a regulamentação da rotulagem dos alimentos no Brasil. E nesse sentido segundo a ANVISA (2008, p.5) “é o órgão responsável pela regulação da rotulagem de alimentos que estabelece as informações que um rótulo deve conter, visando a garantia de qualidade do produto e à saúde do consumidor”.

Teoricamente, foi a Lei 9.782, de 26 de janeiro de 1999 que tratou de definir o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária, vindo também a dar origem a Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Desta maneira, a referida lei instituiu em seu Capítulo I o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária, o qual segundo o art. 1º da Lei compreende

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36

[...] o conjunto de ações definido pelo §1° do Art. 6° e pelos arts. 15 à 18 da Lei 8.080, de 19 de setembro de 1990, executado por instituições da Administração Pública direta e indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, que exerçam atividades de regulação, normatização, controle e fiscalização na área de vigilância sanitária (BRASIL, 2015).

À vista disso, a Lei 8.080/1990 que regulamenta o Sistema Único de Saúde (SUS) estabelece em seu art. 6º o conceito de vigilância sanitária como sendo

[...] um conjunto de ações capaz de eliminar, diminuir ou prevenir riscos à saúde e de intervir nos problemas sanitários decorrentes do meio ambiente, da produção e circulação e da prestação de serviços de interesse da saúde, abrangendo: I- o controle de bens de consumo que, direta ou indiretamente, se relacionem com a saúde, compreendidas todas as etapas e processos, da produção ao consumo; e II- o controle da prestação de serviços que se relacionam direta ou indiretamente com a saúde (BRASIL, 2015).

Nesse sentido a ANVISA, tem como principal objetivo a proteção da saúde da população, devendo efetivamente exercer o controle sanitário da produção e comercialização de produtos e serviços, ou seja, sua função é promover a saúde adequada por meio de ações capazes de extinguir, minimizar ou prevenir os riscos à saúde dos consumidores, devendo intervir nessa relação não só como órgão regulamentador, mas também atuar na fiscalização e promoção deste direito fundamental de todos os cidadãos.

Neste diapasão, conforme determina o artigo da Lei 9.782/99:

Art.6°. A Agência terá por finalidade institucional promover a proteção da saúde da população, por intermédio do controle sanitário da produção e da comercialização de produtos e serviços submetidos à vigilância sanitária, inclusive dos ambientes, dos processos, dos insumos e das tecnologias a eles relacionados, bem como o controle de portos, aeroportos e de fronteiras (BRASIL, 2015).

Em sequência, a lei dispõe que incumbe à Agência, observando e respeitando a legislação em vigor, regulamentar, controlar e fiscalizar os produtos e serviços que envolvam risco à saúde pública. Afirmando ainda no §1° que consideram-se bens e produtos submetidos ao controle e fiscalização sanitária pela Agência os alimentos, inclusive bebidas, águas envasadas seus insumos, suas embalagens, aditivos alimentares, limites de contaminantes orgânicos, resíduos de agrotóxicos e de medicamentos veterinários ( Artigo 8° da Lei 9.782/99).

(38)

37 Por conseguinte, evidencia-se que é dever da ANVISA além de desenvolver a regulamentação controlar e fiscalizar todos os produtos e serviços que podem comprometer a saúde dos consumidores.

Obviamente, os alimentos encontram-se dependentes dessa regulamentação e nesse sentido os rótulos que se encontram dentro dos parâmetros legais determinados pela a ANVISA, podem ser aceitos como produtos aptos ao consumo, transmitindo ao consumidor mais segurança, além das demais informações necessárias, ou seja, informações importantes que podem vir desde a origem do alimento até referências aos ingredientes, período de validade, valores nutricionais e calóricos, bem como os referidos produtos devem ser armazenados e consumidos.

À vista disso, a ANVISA (2008, p.5) fundamenta que “os rótulos são elementos essenciais de comunicação entre produtos e consumidores. Daí a importância das informações serem claras e poderem ser utilizadas para orientar a escolha adequada de alimentos”.

De acordo com o já exposto, salienta-se que são os rótulos dos alimentos que fazem a ponte entre o fornecedor e o consumidor, e é exatamente esse aspecto que torna a rotulagem tão essencial ao ramo dos produtos alimentícios, uma vez que são eles que fornecem aos consumidores as informações necessárias para orientá-los na escolha dos alimentos adequados.

No entanto, mesmo que a regulamentação e a rotulagem dos alimentos possuam como objetivo a informação do consumidor acerca dos produtos que estão adquirindo e consumindo, nos deparamos com alguns aspectos negativos a respeito de alguns dados obtidos pela a ANVISA (2008, p.5) qual seja:

Dados recentes levantados junto à população que consulta o serviço DisqueSaúde do Ministério da Saúde demonstram que aproximadamente 70% das pessoas consultam os rótulos dos alimentos no momento da compra, no entanto, mais da metade não compreende adequadamente o significado das informações.

Nesse ponto, a informação acima mencionada traz um dado bastante significativo e muito importante para o tema em tela, pois ao indicar que 70% dos consumidores consultam os rótulos dos alimentos ao efetivar a compra demonstra que a população está consciente da efetivação deste direito que possuem, por outro

Referências

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