UNIVERSIDADE REGIONAL DO NOROESTE DO ESTADO DO
RIO GRANDE DO SUL
DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS ADMINISTRATIVAS, CONTÁBEIS,
ECONÔMICAS E DA COMUNICAÇÃO
CURSO DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS
FRANCIELI GUARDA
ANÁLISE COMPARATIVA DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
BÁSICAS DA PETROBRAS NO PERÍODO 2011 – 2015.
IJUÍ (RS)
FRANCIELI GUARDA
ANÁLISE COMPARATIVA DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
BÁSICAS DA PETROBRAS NO PERÍODO 2011 – 2015.
Trabalho de conclusão do curso apresentado no curso de Ciências Contábeis da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul, para obtenção do título de bacharel em Ciências Contábeis.
Prof. Orientador: IRANI PAULO BASSO
AGRADECIMENTO
Acima de tudo agradeço a Deus, por estar ao meu lado, por ter me dado saúde, força e discernimento em todos os momentos.
Agradeço a todos que incentivaram a minha caminhada e também aqueles que fizeram parte dessa importante etapa de minha vida.
RESUMO
O presente trabalho utiliza-se da técnica contábil de análise de balanços para, com base nas demonstrações contábeis básicas da empresa Petróleo Brasileiro S.A. - Petrobras, evidenciar a sua situação econômica, patrimonial e financeira do período 2011 a 2015, objetivando constatar na prática se as técnicas de análise de demonstrações contábeis podem gerar indicadores que expressem informações que de fato possam retratar a realidade econômica e financeira de organizações quando aplicadas adequadamente; pois é sabido que a teoria da análise de balanços diz que da obtenção de informações que são interpretadas evidencia-se sua situação passada e presente, e pode-se tirar-se tendências para o futuro de determinado patrimônio, tanto no aspecto econômico como no financeiro. O estudo abordou, primeiramente, a fundamentação teórica embasada por obras de vários autores envolvendo conceitos, caracterização, princípios e normas da contabilidade, os demonstrativos contábeis, como também as técnicas de análise de balanços e seus principais indicadores, com relação a metodologia adotada, o estudo caracteriza-se por ser uma pesquisa aplicada, com o propósito de demonstrar a importância das técnicas de análise de balanços a partir dos indicadores de situações encontradas nas demonstrações contábeis, quanto à abordagem do problema é uma pesquisa qualitativa com a finalidade de interpretar os balanços e demonstrar a realidade patrimonial, financeira e econômica da empresa Petrobras. Quanto aos objetivos da pesquisa, a mesma é classificada como descritiva, com técnicas padronizadas de coletas de dados, voltada para fatores que geraram os indicadores, as técnicas utilizadas na coleta de dados são: a coleta documental, a de observação e a de análise de conteúdos. Para em seguida, apresentar os estudos práticos do trabalho, a partir dos balanços patrimoniais e das demonstrações do resultado de exercício dos últimos cinco anos, em que apurou-se os indicadores básicos que evidenciam a posição patrimonial, econômica e financeira da empresa, apenas para fins de estudos comprobatórios da eficácia das técnicas de análise de balanços na produção de informações úteis para usuários internos e ou externos das organizações em geral. Com as informações originais obtidas junto ao sitio da CVM do BCdB, os demonstrativos da Petrobras foram reestruturados e atualizados para realização das análises comparativas entre os exercícios sociais que compuseram a base de estudo. Assim, foram aplicadas as técnicas de análise de demonstrações contábeis em valores absolutos, de demonstrações contábeis em valores relativos: vertical e horizontal, do balanço de fundos, de índices econômicos e financeiros envolvendo: análise de indicadores de liquidez, análise de indicadores de endividamento, análise de indicadores da situação econômica, análise de indicadores de atividades, análise de indicadores de solvência e insolvência. Deste modo, foram demonstrados os aspectos da situação patrimonial, econômica e financeira da empresa objeto de estudo, com seus pontos favoráveis e desfavoráveis, seguida da conclusão proposta pelo trabalho.
PALAVRAS CHAVE: Análise de balanços. Demonstrações contábeis. Indicadores. Situação econômica. Situação financeira.
LISTA DE QUADROS
Quadro 1 - Capital Circulante Líquido ... 38
Quadro 2 - Coeficiente de Liquidez Circulante ... 39
Quadro 3 - Coeficiente de Liquidez Seca ... 40
Quadro 4 - Coeficiente de Liquidez Geral... 41
Quadro 5 - Coeficiente de Liquidez Imediata ... 42
Quadro 6 - Coeficiente de Dívidas Totais ... 44
Quadro 7 - Coeficiente de Dívidas Circulantes (Correntes) ... 44
Quadro 8 - Coeficiente de Dívidas de Longo Prazo ... 45
Quadro 9 - Coeficiente de Segurança Máxima ... 46
Quadro 10 - Coeficiente de Participação de Capitais de Terceiros ... 46
Quadro 11 - Coeficiente de Participação das Dívidas de Curto Prazo sobre as Dívidas Totais ... 47
Quadro 12 - Margem de Lucro Operacional Bruto ... 48
Quadro 13 - Margem de Lucro Operacional Líquido ... 49
Quadro 14 - Margem de Lucro Líquido do Exercício ... 50
Quadro 15 - Rentabilidade do Capital Social ... 51
Quadro 16 - Rentabilidade do Patrimônio Líquido ... 51
Quadro 17 - Remuneração do Ativo Total ... 52
Quadro 18 - Taxa de Retorno do Investimento Operacional ... 53
Quadro 19 - Grau de Imobilização do Patrimônio Líquido ... 54
Quadro 20 - Exame de Rotação dos Estoques ... 55
Quadro 21 - Exame do Prazo Médio de cobrança de Duplicatas ... 55
Quadro 22 - Exame do Prazo Médio de Pagamentos de Duplicatas ... 56
Quadro 23 - Prazo Relativo das Duplicatas ... 57
Quadro 24 - Coeficiente de Overtrading ... 58
Quadro 25 - Índice de insolvência de Kanitz ... 60
Quadro 26 - Balanço patrimonial da empresa Petrobras em valores absolutos originais em R$ milhões ... 69
Quadro 27 - Demonstração do resultado do exercício da empresa Petrobras em valores absolutos originais em R$ milhões ... 70
Quadro 29 - Balanço patrimonial da empresa Petrobras em valores absolutos atualizados em R$ milhões ... 71 Quadro 30 - Demonstração do resultado do exercício da empresa Petrobras em valores absolutos atualizados - R$ milhões ... 72 Quadro 31 - Comparativo dos balanços patrimoniais em valores absolutos atualizados da empresa Petrobras – R$ milhões ... 74 Quadro 32 - Comparativo das demonstrações dos resultados dos exercícios em valores absolutos atualizados da empresa Petrobras – R$ milhões ... 77 Quadro 33 - Balanço patrimonial da empresa Petrobras em valores relativos – análise vertical - percentual. ... 80 Quadro 34 - Comparativo da análise vertical do balanço patrimonial da empresa Petrobras em valores relativos – percentuais. ... 81 Quadro 35 - Demonstração do resultado do exercício da empresa Petrobras em valores relativos – análise vertical – percentual. ... 83 Quadro 36 - Comparativo da análise vertical da demonstração do resultado do exercício da empresa Petrobras em valores relativos – percentuais ... 84 Quadro 37 - Balanço patrimonial da empresa Petrobras em valores relativos – análise horizontal – nos índices ... 86 Quadro 38 - Comparativo da análise horizontal do balanço patrimonial da empresa Petrobras em valores relativos - nos índices ... 87 Quadro 39 - Demonstração do resultado do exercício da empresa Petrobras em valores relativos – análise horizontal – nos índices. ... 90 Quadro 40 - Comparativo da análise horizontal da demonstração do resultado do exercício da empresa Petrobras em valores relativos - nos índices... 91 Quadro 41 - Apuração do CCL da empresa Petrobras – em R$ milhões ... 94 Quadro 42 - Apuração da variação do CCL da empresa Petrobras – em R$ milhões ... 95 Quadro 43 - Demonstração das variações dos grupos de contas do não circulante da empesa Petrobras – em R$ milhões ... 96 Quadro 44 - Resumo do balanço de fundos da empresa Petrobras referente aos anos de 2011 e 2012 – em R$ milhões e em percentuais ... 97 Quadro 45 - Resumo do balanço de fundos da empresa Petrobras referente aos anos de 2012 e 2013 – em R$ milhões e em percentuais ... 97 Quadro 46 - Resumo do balanço de fundos da empresa Petrobras referente aos anos de 2013 e 2014 – em R$ milhões e em percentuais ... 98
Quadro 47 - Resumo do balanço de fundos da empresa Petrobras referente aos anos de 2014 e
2015 – em R$ milhões e em percentuais ... 98
Quadro 48 - Capital circulante líquido da empresa Petrobras ... 100
Quadro 49 - Coeficiente de liquidez circulante da empresa Petrobras ... 101
Quadro 50 - Coeficiente de liquidez seca da empresa Petrobras ... 102
Quadro 51 - Coeficiente de liquidez geral da empresa Petrobras ... 103
Quadro 52 - Coeficiente de liquidez imediata da empresa Petrobras ... 104
Quadro 53 - Coeficiente de dívidas totais da empresa Petrobras ... 105
Quadro 54 - Coeficiente de dívidas circulantes da empresa Petrobras... 107
Quadro 55 - Coeficiente de dívidas de longo prazo da empresa Petrobras ... 108
Quadro 56 - Coeficiente de segurança máxima da empresa Petrobras... 109
Quadro 57 - Coeficiente de participação de capitais de terceiros da empresa Petrobras ... 110
Quadro 58 - Coeficiente de participação das dívidas de curto prazo sobre as dívidas totais da empresa Petrobras ... 111
Quadro 59 - Taxa de margem de lucro operacional bruto da empresa Petrobras. ... 113
Quadro 60 - Taxa de margem de lucro operacional líquido da empresa Petrobras ... 114
Quadro 61 - Taxa de margem de lucro líquido do exercício da empresa Petrobras ... 115
Quadro 62 - Taxa de rentabilidade do capital social da empresa Petrobras ... 117
Quadro 63 - Taxa de rentabilidade do patrimônio líquido da empresa Petrobras ... 118
Quadro 64 - Taxa de rentabilidade do ativo total da empresa Petrobras ... 119
Quadro 65 - Taxa de rentabilidade do ativo operacional da empresa Petrobras ... 119
Quadro 66 - Tempo em anos para retorno do ativo operacional da empresa Petrobras ... 120
Quadro 67 - Grau de imobilização do patrimônio líquido da empresa Petrobras ... 122
Quadro 68 - Exame de rotação dos estoques da empresa Petrobras ... 123
Quadro 69 - Tempo em dias de giro dos estoques da empresa Petrobras ... 123
Quadro 70 - Tempo em dias para recebimento de clientes da empresa Petrobras ... 124
Quadro 71 - Tempo em dias para pagamento de fornecedor da empresa Petrobras ... 125
Quadro 72 - Prazo relativo das duplicatas da empresa Petrobras ... 126
Quadro 73 - Coeficiente de Overtrading da empresa Petrobras ... 127
Quadro 74 - Índice de Insolvência de Kanitz da empresa Petrobras ... 128
Quadro 75 - Média dos indicadores de liquidez da empresa Petrobras ... 129
Quadro 76 - Média dos coeficientes de margem de garantia de dívidas da empresa Petrobras ... 131
Quadro 78 - Média de duplicatas a pagar e a receber da empresa Petrobras ... 132 Quadro 79 - Média dos indicadores de Overtrading e de Insolvência de Kanitz da empresa Petrobras ... 133 Quadro 80 - Média dos indicadores de margem de lucro da empresa Petrobras... 134 Quadro 81 - Média da rentabilidade do capital próprio e do retorno do ativo operacional da empresa Petrobras ... 135
LISTA DE GRÁFICOS
Gráfico 1 - Composição do ativo ... 72
Gráfico 2 - Composição das fontes ... 72
Gráfico 3 - Demonstração das fases do resultado... 73
Gráfico 4 - Análise vertical – representação percentual dos grupos do ativo ... 82
Gráfico 5 - Análise vertical – representação percentual das fontes de recursos ... 82
Gráfico 6 - Análise vertical – representação percentual das fases do resultado ... 84
Gráfico 7 - Análise horizontal – evolução dos ativos em números índices ... 88
Gráfico 8 - Análise horizontal – evolução das fontes de recursos em números índices... 88
Gráfico 9 - Análise horizontal – evolução das fases do resultado em números índices. ... 91
Gráfico 10 - Balanço de fundos – CCL ... 95
Gráfico 11 - Capital circulante líquido da Petrobras ... 100
Gráfico 12 - Coeficiente de liquidez circulante da empresa Petrobras... 101
Gráfico 13: Coeficiente de liquidez seca da empresa Petrobras ... 102
Gráfico 14 - Coeficiente de liquidez geral da empresa Petrobras ... 103
Gráfico 15 - Coeficiente de liquidez imediata da empresa Petrobras ... 104
Gráfico 16 - Coeficiente de dívidas totais da empresa Petrobras ... 106
Gráfico 17 - Coeficiente de dívidas circulantes da empresa Petrobras ... 107
Gráfico 18 - Coeficiente de dívidas de longo prazo da empresa Petrobras ... 108
Gráfico 19 - Coeficiente de segurança máxima da empresa Petrobras ... 109
Gráfico 20 - Coeficientes de participação de capitais de terceiros da empresa Petrobras... 110
Gráfico 21 - Coeficiente de participação das dívidas de curto prazo sobre as dívidas totais da empresa Petrobras ... 112
Gráfico 22 - Taxa de margem de lucro operacional bruto da empresa Petrobras ... 114
Gráfico 23 - Taxa de margem de lucro operacional líquido da empresa Petrobras... 115
Gráfico 24 - Taxa de margem de lucro líquido do exercício da empresa Petrobras ... 116
Gráfico 25 - Taxa de rentabilidade do capital social da empresa Petrobras ... 117
Gráfico 26 - Taxa de rentabilidade do patrimônio líquido da empresa Petrobras ... 118
Gráfico 27 - Taxa de rentabilidade do ativo total da empresa Petrobras ... 119
Gráfico 28 - Taxa de rentabilidade do ativo operacional da empresa Petrobras ... 120
Gráfico 29 - Tempo em anos para retorno do ativo operacional da empresa Petrobras ... 120
Gráfico 31 - Exame de rotação dos estoques da empresa Petrobras ... 123
Gráfico 32 - Tempo em dias de giro dos estoques da empresa Petrobras ... 123
Gráfico 33 - Prazo médio de cobrança de duplicatas da empresa Petrobras ... 124
Gráfico 34 - Prazo médio de pagamento de duplicatas da empresa Petrobras ... 125
Gráfico 35 - Prazo relativo das duplicatas da empresa Petrobras... 126
Gráfico 36 - Coeficientes de overtrading da empresa Petrobras ... 127
Gráfico 37 - Índices de insolvência de Kanitz da empresa Petrobras ... 129
Gráfico 38 - Média dos indicadores de liquidez da empresa Petrobras... 130
Gráfico 39 - Média dos coeficientes de margem de garantia de dívidas da empresa Petrobras ... 131
Gráfico 40 - Média de tempo de giro dos estoques da empresa Petrobras ... 132
Gráfico 41 - Média dos prazos das duplicatas da empresa Petrobras ... 133
Gráfico 42 - Média dos Indicadores de Overtrading e Insolvência de kanitz da Petrobras ... 133
Gráfico 43 - Média dos indicadores de margens de lucro da empresa Petrobras ... 134
LISTAS DE SIGLAS E ABREVIATURAS
AC Ativo circulante
AH Análise horizontal
AP Ativo permanente
ARLP Ativo realizado a longo prazo ATUAL. Atualizado
AV Análise vertical
BP Balanço patrimonial
CCL Capital circulante líquido
CDC Coeficiente de dívidas circulantes CDLP Coeficiente de dívidas de longo prazo CDT Coeficiente de dívidas totais
CFC Conselho Federal de Contabilidade CLC Coeficiente de liquidez circulante CLG Coeficiente de liquidez geral CLI Coeficiente de liquidez imediata CLS Coeficiente de liquidez seca
CMV Custo da mercadoria vendida
COver Coeficiente de overtrading
CPCT Coeficiente de participação de capitais de terceiros
CPDCP Coeficiente de participação das dívidas de curto prazo sobre as dívidas totais
CPV Custo do produto vendido
CRAT Coeficiente de remuneração do ativo total CRCS Coeficiente de rentabilidade do capital social CRPL Coeficiente de rentabilidade do patrimônio líquido
CSM Coeficiente de segurança máxima
CVM Comissão de Valores Mobiliários
DC Demonstrações contábeis
DFC Demonstração de fluxo de caixa
DMPL Demonstração das mutações do patrimônio líquido DRE Demonstração do resultado do exercício
DVA Demonstração do valor adicionado
ERE Exame de rotação dos estoques
GIPL Grau de imobilização do patrimônio líquido IGP-M Índice geral de preço de mercado
IMB Índice margem bruta
IPR Índice de posicionamento relativo LDIR Lucro depois do imposto de renda LLE Lucro líquido do exercício
LOB Lucro operacional bruto
LOL Lucro operacional líquido
MLLE Margem do lucro líquido do exercício MLOB Margem do lucro operacional bruto MLOL Margem do lucro operacional líquido NBC Norma Brasileira de Contabilidade
Nos Números
PC Passivo circulante
PELP Passivo exigível a longo prazo
PL Patrimônio líquido
PMCD Prazo médio de cobrança de duplicatas
PMP Prazo médio de pagamento
PMPD Prazo médio de pagamento de duplicatas PNC Passivo não circulante
PRD Prazo relativo de duplicatas RAT Remuneração do ativo total RCS Rentabilidade do capital social
RES Resolução
ROL Receita operacional líquida
RPL Rentabilidade do patrimônio líquido
S.A. Sociedade anônima
TCC Trabalho de conclusão de curso TDGE Tempo em dias de giro dos estoques TMLB Taxa de margem de lucro bruto
TMLLE Taxa de margem de lucro líquido de exercício TMLOL Taxa de margem de lucro operacional líquido TRAT Taxa de retorno do ativo total
TRCS Taxa de retorno do capital social
TRIO Taxa de retorno do investimento operacional TRPL Taxa de retorno do patrimônio líquido
SUMÁRIO
LISTA DE QUADROS ... 5
LISTA DE GRÁFICOS ... 9
LISTAS DE SIGLAS E ABREVIATURAS ... 11
1 INTRODUÇÃO ... 16
1.1 CONTEXTUALIZAÇÃO DO ESTUDO ... 18
1.2 DEFINIÇÃO DO TEMA EM ESTUDO ... 18
1.3 CARACTERIZAÇÃO DA ENTIDADE ... 19 1.4 PROBLEMATIZAÇÃO DO TEMA ... 19 1.5 OBJETIVOS ... 20 1.5.1 Objetivo geral ... 20 1.5.2 Objetivos específicos ... 20 1.6 JUSTIFICATIVA ... 21 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ... 22 2.1 CONTABILIDADE ... 22
2.1.1 Conceituação e objeto da contabilidade ... 22
2.1.2 Finalidade básica da Contabilidade ... 23
2.1.3 Funções o objetivos da contabilidade... 23
2.1.4 Técnicas contábeis básicas da contabilidade ... 24
2.1.5 Princípios e normas de contabilidade ... 25
2.1.6 Demonstrações Contábeis (DC) ... 26
2.2 ANÁLISE DE BALANÇOS ... 31
2.2.1 Caracterização e finalidade da análise de demonstrações contábeis ... 32
2.2.2 Técnicas de análise de balanços ... 32
2.2.3 Reestruturação das demonstrações contábeis para análise de balanços ... 33
2.2.4 Atualização de valores para análise comparativa de balanços ... 33
2.2.5 Análise comparativa de balanços em valores absolutos ... 34
2.2.6 Análise de balanços em valores relativos ... 34
2.2.7 Análise do balanço de fundos ... 36
2.2.8 Análise de balanços por índices econômicos e financeiros ... 37
3 METODOLOGIA DO ESTUDO ... 61
3.1 CLASSIFICAÇÃO DA PESQUISA ... 61
3.1.2 Pesquisa quanto à abordagem do problema ... 62
3.1.3 A pesquisa quantos aos seus objetivos ... 63
3.1.4 A pesquisa quanto aos procedimentos técnicos ... 63
3.2 COLETA DE DADOS ... 64
3.2.1 Instrumentos de coleta de dados ... 65
3.3 ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS ... 66
4 ANÁLISE DOS RESULTADOS ... 67
4.1 OBTENÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS ... 67
4.2 REESTRUTURAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS PARA FINS DE ANÁLISE ... 67
4.2.1 Reestruturação do balanço patrimonial ... 68
4.2.2 Reestruturação da demonstração do resultado do exercício ... 69
4.3 ATUALIZAÇÃO DE VALORES DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS PARA FINS DE ANÁLISE ... 70
4.4 ANÁLISE COMPARATIVA DE DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS EM VALORES ABSOLUTOS ATUALIZADOS ... 73
4.4.1 Análise comparativa do balanço patrimonial em valores absolutos atualizados .... 73
4.4.2 Análise comparativa da demonstração do resultado do exercício em valores absolutos atualizados ... 77
4.5 ANÁLISE DE BALANÇOS EM VALORES RELATIVOS ... 79
4.5.1 Análise Vertical ... 79
4.5.2 Análise Horizontal ... 85
4.6 ANÁLISE DO BALANÇO DE FUNDOS ... 93
4.6.1 Fontes e aplicações de fundos nos valores circulantes ... 94
4.6.2 Fontes e aplicações de fundos nos valores não circulantes ... 96
4.7 ANÁLISE DE BALANÇOS POR ÍNDICES ECONÔMICOS E FINANCEIROS ... 99
4.7.1 Análise de demonstrações contábeis por índices financeiros ... 99
4.7.2 Análise de demonstrações contábeis por índices econômicos ... 112
4.8 INDICADORES DE SOLVÊNCIA OU INSOLVÊNCIA ... 127
4.8.1 Coeficiente de Overtrading (COver) ... 127
4.8.2 Índice de Insolvência de Kanitz ... 128
4.9 CONCLUSÕES DA ANÁLISE ECONÔMICO-FINANCEIRA DA EMPRESA PETROBRAS ... 129
1 INTRODUÇÃO
A Contabilidade é classificada como uma ciência social, para tal, tem como objeto de estudo o patrimônio das entidades. O patrimônio, por sua vez, é composto por bens, direitos e obrigações, e a Contabilidade promove, através de suas técnicas básicas, o registro, o controle e o estudo da ação do homem sobre o patrimônio das entidades em geral, e com isto, gera informações de sua situação patrimonial, econômica e financeira tanto para usuários internos como externos, referente às variações ocorridas; tais informações possibilitam que as tomadas de decisões sejam amparadas com maior grau de segurança.
A Contabilidade conta com quatro grandes técnicas contábeis: a técnica da estruturação, a técnica das demonstrações contábeis, a técnica da auditoria e a técnica da análise de balanços. A técnica contábil de análise de balanços, também chamada de análise de demonstrações contábeis, visa analisar a situação patrimonial passada da entidade através da extração de dados e informações que são interpretados para conhecer as partes que compõem sua riqueza, como também as variações ocorridas, e com base nesse estudo, demonstrar a real situação para melhor projetar cenários patrimoniais futuros.
A análise de balanços utiliza-se das demonstrações contábeis para extrair as informações e assim aplicar indicadores que serão interpretados e analisados, tanto em relação à posição econômica como financeira da entidade.
Com base no exposto, o presente estudo tem o intuito de analisar os indicadores obtidos das demonstrações contábeis básicas da empresa Petrobras, no aspecto econômico e financeiro, evidenciando sua situação patrimonial, simplesmente para fins de estudos da acadêmica. Foram utilizadas as técnicas de análise das demonstrações contábeis usualmente aceitas no mundo dos negócios, com a finalidade de evidenciar a importância de ter o conhecimento da real situação patrimonial, econômica e financeira, com informações que poderão contribuir para a tomada decisão dos gestores. As técnicas de análise de balanços demonstram que ter a noção do passado e do presente, é útil para traçar as tendências do futuro de determinado patrimônio, com base em suas informações.
Deste modo, apresenta-se no capítulo 1, a Contextualização do estudo, abrangendo a definição do tema, a caracterização da empresa Petrobras, a apresentação da problematização que envolve o estudo, os objetivos a serem alcançados com a realização do mesmo, concluindo-se com a apresentação das justificativas da proponente em realizar seus estudos de conclusão de curso na área escolhida.
Já no capítulo 2, é abordada a fundamentação teórica, onde foram explanados conhecimentos de contabilidade e de análise de balanços, tendo por base obras de vários autores, com sua respectiva visão sobre os temas que envolvem a área de conhecimento contemplada, no que diz respeito a conceitos e caracterização, princípios e normas, os demonstrativos contábeis, como também as técnicas de análise de balanços e seus indicadores.
Em continuação ao estudo, no capítulo 3, é descrita a metodologia de estudo, referente às técnicas e os métodos utilizados para a construção dos trabalhos e a obtenção do resultado almejado pela proponente. Contemplada por tópicos, aborda-se a classificação da pesquisa, a coleta de dados, a análise e interpretação destes dados.
No capítulo 4, apresentam-se os resultados dos estudos práticos do trabalho de conclusão de curso envolvendo o tema análise de balanços, aplicada sobre as demonstrações contábeis básicas da empresa Petrobras, bem como as conclusões do estudo e do trabalho de conclusão de curso.
1.1 CONTEXTUALIZAÇÃO DO ESTUDO
Neste capítulo, apresenta-se a contextualização do estudo referente ao trabalho de conclusão do Curso de Ciências Contábeis, com a definição do tema de estudo, seguida da caracterização da organização, abordagem do problema, a apresentação dos objetivos gerais e específicos a serem alcançados, logo após tem-se a justificativa da realização do estudo na área escolhida.
1.2 DEFINIÇÃO DO TEMA EM ESTUDO
A contabilidade é uma ciência social que estuda e controla o patrimônio das entidades em geral, com ênfase para a gestão econômica e financeira. Bruni (2011, p. 2), conceitua Contabilidade como, “[...] a ciência que tem como objetivo registrar todos os acontecimentos verificados no patrimônio de uma entidade”. Já para Basso (2005, p. 22) a Contabilidade é a:
[...] ciência que estuda, controla e observa o patrimônio das entidades nos seus aspectos quantitativo (monetário) e qualitativo (físico) e que, como conjunto de normas, preceitos e regras gerais, se constitui na técnica de coletar, catalogar e registrar os fatos que nele ocorrem, bem como acumular, resumir e revelar informações de suas variações e situação, especialmente de natureza econômico-financeira.
A Contabilidade tem como importante finalidade a geração de informações sobre o patrimônio e suas variações. Basso; Filipin; Enderli (2015, p. 21), resumem a finalidade da Contabilidade como sendo a “[...] de gerar informações de ordem física, econômica e financeira sobre o patrimônio e suas variações aos seus diferentes usuários, com ênfase no controle e no planejamento, ou seja, para as suas decisões”.
Neste sentido, a análise de demonstrações contábeis fornece indicadores e informações que possibilitam ao gestor tomar decisões com maior segurança. Neves; Vicenconti (2003, p. 449), salientam que a análise de balanços é o “[...] estudo da situação patrimonial da entidade, através da decomposição, comparação e interpretação do conteúdo das demonstrações contábeis, visando obter informações analíticas e preciosas sobre a situação geral da empresa”.
Portanto, o tema do presente estudo é a análise das demonstrações contábeis da empresa Petrobras, com o objetivo de extrair informações para a interpretação, análise e projeções econômico-financeiras da entidade objeto de estudo.
1.3 CARACTERIZAÇÃO DA ENTIDADE
A Petróleo Brasileiro S.A. – Petrobras, é uma sociedade de capital aberto, a qual tem como acionista majoritário a União Federal, sendo representada pela Secretaria do Tesouro Nacional. Está ligada ao ramo de energia, e sua atuação na indústria do petróleo e gás, nos seguintes setores: exploração, produção, refino, comercialização, transporte, petroquímica, distribuição de derivados, gás natural, energia elétrica, biocombustíveis, além de pesquisas e desenvolvimento de novas fontes energéticas.
Sua meta é estar entre as cinco maiores empresa do ramo de energia como também a preferência de seu público, atualmente atua em outros 18 países, com mais de 80 mil funcionários, possui 257 navios (54 próprios), 5 usinas de biodiesel (2 em parceria e 3 próprias), 10 usinas de etanol em parceria, 22 usinas termelétricas (16 utilizando gás natural), 4 usinas eólicas, 7.931 Postos de combustíveis no Brasil e 907 no exterior, 3 fábricas de fertilizantes e, 16 refinarias. (www.petrobras.com.br).
1.4 PROBLEMATIZAÇÃO DO TEMA
A Contabilidade é considerada uma ciência social a qual possui como objeto o patrimônio, com normas gerais e específicas para registrar, controlar, como também estudar seu objeto materializado nas entidades em geral e assim, disponibilizar os dados patrimoniais e acessórios, através de relatórios contábeis e/ou demonstrações gerenciais para os gestores em suas tomadas de decisões, que segundo Assaf Neto (2002, p. 48):
A análise de balanço visa relatar, com base nas informações contábeis fornecidas pelas empresas, a posição econômico-financeira atual, as causas que determinaram a evolução apresentada e as tendências futuras. Em outras palavras, pela análise de balanço extraem-se informações sobre a posição passada, presente e futura (projetada) de uma empresa.
Assim, a análise de balanço está ligada aos dados contábeis, que para Sá (2006, p. 37), “[...] depende da qualidade da informação que é prestada; se os dados não são confiáveis, a conclusão, também, não pode inspirar confiança”.
Deste modo, a pergunta básica que este estudo procurou dar resposta pode assim ser formulada: Como se apresentou a real situação econômica e financeira da empresa objeto de estudo nos últimos cinco anos e se de fato, a técnica contábil da análise de balanços gera indicadores que expressam informações que representam a realidade econômica e financeira das organizações?
1.5 OBJETIVOS
Os objetivos que foram buscados com a realização deste estudo se dividem em objetivos gerais e específicos e indicam os rumos dados pela proponente na elaboração do seu trabalho de conclusão de curso.
1.5.1 Objetivo geral
Analisar os dados quantitativos expressos nas demonstrações contábeis dos últimos cinco anos da empresa Petrobras, evidenciando sua situação e evolução patrimonial, econômica e financeira, com o intuito de demonstrar a importância das diferentes técnicas de análise de demonstrações contábeis para caracterizar a realidade patrimonial, econômica e financeira de entidades em geral.
1.5.2 Objetivos específicos
- Revisar e ampliar conhecimentos teóricos e técnicos sobre Contabilidade e a técnica de análise das demonstrações contábeis.
- Levantar as demonstrações contábeis básicas da empresa Petrobras e seus demais dados relevantes para os estudos.
- Gerar os indicadores usuais que evidenciam a situação patrimonial, econômica e financeira da empresa objeto de estudo.
- Analisar e interpretar os indicadores obtidos, demonstrando sua importância para os estudos econômicos e financeiros de entidades em geral.
1.6 JUSTIFICATIVA
O tema proposto como objeto de estudo para o trabalho de conclusão do Curso de Ciência Contábeis da proponente justifica-se por proporcionar condições de revisão dos conteúdos de Contabilidade como também sanar inesperadas dúvidas, em relação ao patrimônio e suas variações, analisados por meio das demonstrações contábeis assim como também, proporcionar a oportunidade de demonstrar a importância da técnica contábil da análise de balanço para a compreensão e gerenciamento das entidades em geral, como uma ferramenta indispensável para a compreensão da realidade patrimonial, econômica e financeira diagnosticada e na proposição de rumos a serem tomados pelos seus gestores.
Para as organizações em geral, o trabalho poderá trazer importantes subsídios no dia a dia do gerenciamento patrimonial, financeiro e econômico, que proporcionam indicadores de situações passadas, a fim de contribuir na compreensão da realidade, e assim ter melhores condições para traçar os rumos do futuro patrimonial, financeiro e econômico do empreendimento.
Para os acadêmicos do curso Ciências Contábeis, o presente trabalho pode ser utilizado como instrumento de pesquisa e estudos, tendo por base um caso prático de aplicação de conhecimentos proporcionados pelo Curso, contribuindo assim para a compreensão da aplicação prática de estudos envolvendo a área financeira de empresas.
Para a sociedade em geral, pode também trazer contribuições para a compreensão da realidade de uma empresa específica, compreendendo melhor a situação apresentada por uma empresa que indiretamente pertence a toda a sociedade brasileira, pois a mesma é uma economia mista, com capital público e privado e que opera no mercado de capitais brasileiro e mesmo internacional.
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
Na fundamentação teórica aborda-se de forma mais aprofundada o tema do estudo, a análise de balanços, no que diz respeito aos seus conceitos, objeto, finalidades, funções que desempenha, principais objetivos pretendidos por ela, assim como suas técnicas amparadas por seus fundamentos, além dos demonstrativos contábeis.
2.1 CONTABILIDADE
A contabilidade surgiu com a civilização, a partir do momento em que passaram a ter noção de que acumulavam riquezas e que poderiam utilizar-se dela. Assim deu-se origem a contabilidade, que se consagrou ao passar do tempo como uma ciência, passando por fases que foi do primitivo ao seu ápice.
A contabilidade evoluiu deixando de focar nas formas primitivas de registros contábeis e então encontrou de fato o seu objeto, o patrimônio.
Atualmente a contabilidade como uma ciência social está alinhada a questões sociais gerando informação referente às novas necessidades de seus usuários, evoluindo com o passar do tempo e cumprindo suas funções.
Segundo Basso (2005, p. 21), “Estamos hoje, se assim podemos dizer, numa nova fase da contabilidade: a fase da Contabilidade Gerencial ou Decisorial, cujas raízes remontam à Pré-história da humanidade”. Demonstrando- se assim, como uma ciência viva e útil para seus usuários.
2.1.1 Conceituação e objeto da contabilidade
A contabilidade é uma ciência social, que tem como objeto de estudo o patrimônio de determinada entidade, através de suas técnicas de coleta, registro e interpretação das variações ocorridas do patrimônio geram informações sobre a situação econômico-financeira da entidade.
Para Bruni (2011, p. 2), o patrimônio compreende “[...] todo conjunto de bens, direitos e obrigações da entidade”.
Segundo Basso (2005, p. 23), a contabilidade enfoca o patrimônio sob dois aspectos, qualitativo e quantitativo, assim caracterizados.
a) aspecto qualitativo – considera bens, direitos e obrigações do ponto de vista da natureza, como a composição física individual e natureza jurídica de cada elemento;
b) aspecto quantitativo – considera bens, direitos e obrigações do ponto de vista do valor monetário intrínseco, isto é, considera os elementos patrimoniais como expressão de valor econômico.
Assim, a contabilidade tem como o seu enfoque no patrimônio de determinada entidade, levando em conta os aspectos qualitativo e quantitativo, preocupando-se com o controle do patrimônio, através de registros dos fatos contábeis e interpretação das variações patrimoniais.
2.1.2 Finalidade básica da Contabilidade
A contabilidade tem como finalidade a geração de informação sobre o patrimônio tanto de ordem física como econômica e financeira para seus diferentes usuários, alinhando-se assim no processo de controle e planejamento.
Para Basso; Filipin; Enderli (2015, p. 21):
A gestão só é possível se ocorrer o controle dos elementos patrimoniais e de suas variações no dia e no tempo devido – finalidade da Contabilidade – assim como só é possível planejar-se com base em dados disponibilizados pela Contabilidade, podendo-se então, projetar o futuro, por meio de metodologias e ferramentas gestadas para o gerenciamento das organizações.
Assim, as informações geradas pela contabilidade, com seus dados relevantes sobre o patrimônio e suas variações demonstram situações importantes para o processo decisório das organizações.
2.1.3 Funções o objetivos da contabilidade
A contabilidade utiliza-se de determinadas ações para poder gerar as informações e assim atingir determinados objetivos.
Basso; Filipin; Enderli (2015, p. 22), destacam as principais funções da contabilidade, como sendo:
- coletar os documentos comprobatórios dos atos administrativos e econômicos que ocorrem na entidade;
- classificar os documentos de acordo com as alterações que provocam no patrimônio da entidade;
- registrar os fatos contábeis decorrentes das alterações patrimoniais nos livros de escrituração contábil da entidade;
- acumular informações quantitativas e qualitativas do patrimônio e suas variações ao longo do tempo;
- resumir informações do patrimônio e suas variações em demonstrativos contábeis; - revelar a situação patrimonial, econômica e financeira da entidade.
Através destas técnicas a contabilidade desempenha suas funções para que seus usuários possam utilizar-se dela no seu dia a dia.
Do mesmo modo, Basso; Filipin; Enderli (2015, p. 22), descrevem os objetivos da contabilidade, como sendo:
- controlar o patrimônio da entidade;
- apurar os resultados decorrentes das variações ocorridas no patrimônio da entidade;
- evidenciar a situação patrimonial, econômica e financeira da entidade;
- atentar para o cumprimento de normas, leis e demais dispositivos emergentes da legislação aplicável aos negócios da entidade;
- fornecer informações sobre o patrimônio aos seus usuários, de acordo com suas necessidades.
Segundo Perez Junior; Begalli (2002, p. 15), “[...] seus objetivos sintetizam-se na produção de informações úteis a diversos interessados. Tais interessados podem ser usuários internos ou externos à empresa”.
Assim, a contabilidade tem como objetivo gerar informações reais sobre a situação do patrimônio para seus diversos usuários, contribuindo como embasamento para as tomadas de decisões.
2.1.4 Técnicas contábeis básicas da contabilidade
A contabilidade utiliza-se de quatro técnicas contábeis através das quais torna-se útil para seus usuários.
Basso (2005, p. 31), apresenta as seguintes técnicas contábeis básicas e suas respectivas caracterizações:
- Escrituração – trata-se dos registros dos fatos contábeis nos livros de escrituração contábil (Diário e Razão) e nos livros auxiliares;
- Demonstrativos Contábeis – relatos econômicos e financeiros originados da escrituração contábil, conhecidos como balancete de verificação, balanço patrimonial, demonstração do resultado do exercício, demonstração das origens e aplicações de recursos e demonstrações de lucros ou prejuízos acumulados (ou demonstração das mutações do patrimônio líquido);
- Auditoria – exame dos procedimentos administrativos, operacionais e das práticas contábeis, envolvendo a escrituração e as demonstrações contábeis, para certificar sua lisura, legalidade, correção e fidedignidade;
- Análise de Balanços – extração de dados e informações para a interpretação, estudos e projeções da situação patrimonial, econômica e financeira da entidade.
No presente estudo utilizou dentre as técnicas, a técnica de análise de balanços, com objetivo de demonstrar como essa técnica é de suma importância para o conhecimento da situação patrimonial, econômica e financeira, contribuindo assim para as tomadas de decisões das organizações.
2.1.5 Princípios e normas de contabilidade
O Conselho Federal de Contabilidade (CFC) instituiu os princípios de contabilidade, através da Resolução nº 750/93, que são considerados como base do sistema contábil das Normas Brasileiras de Contabilidade (NBC).
Segundo Mauss (2012, p. 6),
Os princípios de Contabilidade representam o núcleo central da própria Contabilidade, na sua condição de ciência social, sendo a ela inerentes, com plena fundamentação epistemológica. Eles constituem as vigas-mestres de uma ciência, revestindo-se dos atributos de universalidade e veracidade. No caso da Contabilidade, seus princípios valem para todos os patrimônios, independentemente das Entidades a que pertencem e das finalidades para as quais são usados.
São seis os princípios contábeis, definidos por tal resolução, sendo eles:
- Princípio da entidade: a contabilidade reconhece o patrimônio como seu objeto, garantindo a autonomia patrimonial. “[...] a necessidade da diferenciação de um Patrimônio particular no universo dos patrimônios existentes, independentemente de pertencer a uma pessoa, um conjunto de pessoas, uma sociedade ou instituição [...]”. (Res. CFC nº 750/93). Assim, a agregação do patrimônio de uma pessoa jurídica e uma pessoa física não representa uma entidade, pois são patrimônios distintos.
- Princípio da continuidade: “[...] pressupõe que a Entidade continuará em operação no futuro e, portanto, a mensuração e a apresentação dos componentes do patrimônio levam em conta esta circunstância”. (Res. CFC nº 750/93). Tal princípio evidencia que o patrimônio depende de determinadas condições em que provavelmente se desenvolverão das atividades da entidade.
- Princípio da oportunidade: “[...] refere-se ao processo de mensuração e apresentação dos componentes patrimoniais para produzir informações íntegras e tempestivas”. (Res. CFC nº 750/93). Este princípio determina que o registro do patrimônio e suas variações sejam feito de maneira imediata, independente das causas que as originaram, tornando integro o processo reconhecimento, mensuração e evidenciação da informação contábil.
- Princípio do registro pelo valor original: “[...] determina que os componentes do patrimônio devem ser inicialmente registrados pelos valores originais das transações, expressos em moeda nacional”. (Res. CFC nº 750/93). Esse princípio resulta na unificação da metodologia de avaliação e com isto na qualidade da informação gerada.
- Princípio da competência: “[...] determina que os efeitos das transações e outros eventos sejam reconhecidos nos períodos a que se referem, independentemente do recebimento ou pagamento”. (Res. CFC nº 750/93). Esse princípio não está relacionado com o recebimento e nem tão pouco com o pagamento, pois sua relação está no reconhecimento das receitas geradas e das despesas incorridas no período.
- Princípio da prudência: “[...] determina a adoção do menor valor para os componentes do ATIVO e do maior para os do PASSIVO, sempre que se apresentem alternativas igualmente válidas para a quantificação das mutações patrimoniais que alterem o patrimônio líquido”. (Res. CFC nº 750/93). Nesse princípio apresenta o emprego de precaução no exercício dos julgamentos necessários às estimativas em determinadas condições de incerteza. Para que assim os ativos e receitas não sejam superestimados e os passivos e despesas não sejam subestimados.
2.1.6 Demonstrações Contábeis (DC)
Demonstrações contábeis são relatórios contábeis que apresentam de forma resumida e ordenada dos principais fatos registrado pelo sistema contábil, em determinado período. As demonstrações contábeis são compostas por cinco demonstrativos obrigatórios, sendo eles: balanço patrimonial, demonstração do resultado do exercício, demonstração dos fluxos de caixa, demonstração das mutações do patrimônio líquido e demonstração do valor adicionado. Sendo as duas primeiras demonstrações consideradas básica, que por meio delas são evidenciadas a situação financeira (identificada no balanço patrimonial) e a situação
econômica (identificada no balanço patrimonial e em conjunto na demonstração de resultado do exercício) e as demais complementares.
2.1.6.1 Balanço Patrimonial (BP)
O balanço patrimonial é um relatório contábil que reflete o resultado da situação patrimonial da entidade de forma estática naquele momento, nele são apresentadas de maneira resumida, as contas sintéticas dos elementos que compõem o patrimônio.
Segundo Iudícibus (2010, p. 28), “O Balanço patrimonial (BP) é constituído de duas colunas: a coluna do lado direito é denominada Passivo e Patrimônio líquido. A coluna do lado esquerdo é denominada Ativo”.
Para Assaf Neto (2002, p. 58):
O balanço apresenta a posição patrimonial e financeira de uma empresa em dado momento. A informação que esse demonstrativo fornece é totalmente estática e, muito provavelmente, sua estrutura se apresentará relativamente diferente algum tempo após seu encerramento. No entanto, pelas relevantes informações de tendências que podem ser extraídas de seus diversos grupos de contas, o balanço servirá como elemento de partida indispensável para o conhecimento da situação econômica e financeira de uma empresa.
Já para Sá (2006, p. 34), “[...] o balanço patrimonial é uma demonstração instantânea (de um dado momento), estática (como se encontraria, se estivesse parado o patrimônio) e de equilíbrio entre débito e crédito das contas que representam os elementos que compõem a riqueza patrimonial”.
O balaço patrimonial apresenta todos os bens e diretos da entidade, assim como as obrigações e a diferença destes grupos evidencia o patrimônio líquido. Assim, com base no demonstrativo pode-se observar as fontes de recurso (passivo) e a partir deles onde foram aplicados (ativos).
Segundo Perez Junior; Begalli, (2002, p. 156), “[...] o objetivo básico do Balanço é apresentar o patrimônio da entidade, isto é, seus ativos e passivos em determinado momento”. O balanço patrimonial demonstra quantitativamente a composição e a situação patrimonial da entidade em um dado momento.
2.1.6.2 Demonstração do Resultado do Exercício (DRE)
A demonstração do resultado de exercício é um resumo, de forma ordenada, das receitas e despesas da entidade de um determinado exercício, em que será deduzido das receitas as despesas obtendo-se assim o resultado de período, lucro ou prejuízo.
Para Assaf Neto (2002, p. 75):
A demonstração de resultado do exercício visa fornecer, de maneira esquematizada, os resultados (lucros ou prejuízo) auferidos pela empresa em determinado exercício social, os quais são transferidos para contas do patrimônio líquido. O lucro (ou prejuízo) é resultante de receitas, custos e despesas incorridos pela empresa no período e apropriados segundo o regime de competência, ou seja, independentemente de que tenham sido valores pagos ou recebidos.
Já Basso (2005, p. 275), complementa, descrevendo que a demonstração do resultado do exercício foi “Concebida para demonstrar a formação do resultado final do exercício, ou seja, o lucro ou o prejuízo, a DRE está estruturada de forma a evidenciar as diversas fases do resultado, [...]”.
A demonstração do resultado do exercício é uma demonstração dos aumentos e reduções causadas no Patrimônio Líquido. As receitas representam normalmente aumento do Ativo, através de ingresso de novos elementos, como duplicatas a receber ou dinheiro proveniente das transações. Aumentando o Ativo, aumenta o Patrimônio líquido. As despesas representam redução do Patrimônio Líquido, através de um entre dois caminhos Possíveis: redução do Ativo ou aumento do Passivo Exigível. (MATARAZZO, 2010, p. 30).
Portanto, as movimentações de entradas e saídas que afetam o patrimônio líquido dão origem ao resultado do período, revelando o fluxo econômico, pois está relacionada riqueza da entidade.
2.1.6.3 Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC)
A demonstração dos fluxos de caixa tem como intuito evidenciar de maneira sintética as fontes e aplicações de recursos referentes ao caixa e equivalentes de caixa verificadas no exercício, ou seja, identificar as modificações ocorridas na posição financeira da entidade, de curto prazo representado pelo saldo do disponível.
Segundo Marion (2009, p. 53):
A demonstração dos Fluxos de Caixa indica, no mínimo, as alterações ocorridas no exercício no saldo de caixa e equivalentes de caixa, segregadas em fluxos das operações, dos financiamentos e dos investimentos. Essa demonstração será obtida de forma direta (a partir da movimentação do caixa e equivalentes de caixa) ou de
forma indireta (com base no Lucro/Prejuízo do Exercício). As práticas
internacionais dispõem que essa demonstração seja segregada em três tipos de fluxos de caixa: os fluxos das atividades operacionais, as atividades de financiamento e das atividades de investimentos.
Com relação aos métodos, direto ou indireto, que podem ser utilizados, Ribeiro (2012, p. 367), salienta que,
O que diverge esses dos métodos é a forma de apresentação das atividades operacionais. No método indireto, os recursos derivados das atividades operacionais são indicados a partir do lucro líquido do Exercício, [...]. No método direto, os recursos derivados das operações são indicados a partir dos recebimentos e pagamentos decorrentes das operações normais, efetuados durante o período.
Conforme Perez Junior; Begalli (2002, p. 266), “[...] a DFC apresenta-se pelo chamado regime de caixa, enquanto as demais demonstrações são elaboradas respeitando-se o regime da competência de exercícios”.
Matarazzo (2010, p. 33), descreve que a partir deste demonstrativo, “[...] é possível conhecer como fluíram os recursos ao longo de um exercício: quais foram os recursos obtidos, qual a participação das transações comerciais no total de recursos gerados, como foram aplicados os novos recursos etc.”.
Neste sentido, Mauss (2012, p. 157), salienta que o objetivo da demonstração de fluxo de caixa é “[...] encontrar uma justificativa para o aumento ou a redução das disponibilidades de caixa e seus equivalentes”.
A demonstração dos fluxos de caixa permite a análise da movimentação operacional, de investimento e de financiamento, com a intenção de descobrir qual das atividades impactou o resultado, de posse de estas informações a entidade passa a avaliar os aspectos financeiros, de como obter ou aplicar seus recursos de forma compatível com sua necessidade.
2.1.6.4 Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL)
A demonstração das mutações do patrimônio líquido tem como intuito evidenciar a movimentação das contas do patrimônio líquido da entidade durante o exercício social.
Para Mauss (2012, p. 161), esse demonstrativo “Objetiva mostrar as alterações ocorridas no patrimônio líquido do período, demonstrando se houve aumento ou decréscimo da riqueza”.
A Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido apresenta as variações de todas as contas do Patrimônio Líquido ocorridas entre dois balanços, independentemente da origem da variação, seja ela proveniente de aumento de capital mediante novos aportes ou de incorporação de lucros gerados no exercício, ou de simples transferência entre contas, dentro do próprio Patrimônio Líquido.
Assaf Neto (2002, p. 92), complementa, descrevendo que, “Para a elaboração dessa demonstração são obtidos das fichas de razão as movimentações contábeis que exerceram influências (aumentando ou diminuindo) sobre os saldos das contas do patrimônio líquido”.
Para Braga (2003, p. 107), a demonstração além de facilitar a análise das modificações ocorridas do patrimônio tem um enfoque gerencial, assim “[...] do ponto de vista gerencial, e para a análise, essa demonstração permite uma visão mais adequada do comportamento dos capitais próprios da empresa, possibilitando a identificação das causas de sua evolução ou involução”.
A partir deste demonstrativo pode-se visualizar qual o fator foi o responsável pela variação ocorrida no patrimônio da entidade, o que o torna um demonstrativo importante na gestão da entidade.
2.1.6.5 Demonstração do Valor Adicionado (DVA)
A demonstração do valor adicionado evidencia a formação da riqueza gerada pela entidade e sua distribuição entre aqueles que contribuíram para sua geração. Segundo Klöppel; Schnorrenberger; Lunkes (2013, p. 25), a demonstração do valor adicionado,
[...] constitui-se numa demonstração contábil que possui dois focos de informação. O primeiro apresenta informação econômica, evidenciado a capacidade de geração de valor adicionado e a riqueza recebida em transferência. O segundo, de cunho mais social, mostra como a riqueza gerada foi distribuída entre os diferentes grupos.
Para Basso; Filipin; Enderli (2015, p. 34), o relatório,
Demonstra, de forma resumida, a formação da riqueza gerada pela entidade, a sua distribuição entre os elementos que contribuíram para sua geração, tais como empregado, financiadores, acionistas, governo e outros agentes, bem como a parcela da riqueza gerada e eventualmente ainda não distribuída.
Já para Bruni (2011, p. 21), o demonstrativo,
[...] tem o objetivo de evidenciar para quem e de que forma as rendas geradas pela entidade foram distribuídas. O valor Adicionado representa o conjunto das receitas líquidas subtraído das compras de bens e serviços. A diferença representa o montante de recursos que a entidade gerou com objetivo de remunerar salários, juros, impostos e reinvestimentos no negócio.
Neste mesmo sentido Marion (2009, p. 57), descreve que, “A DVA evidencia quanto de riqueza uma empresa produziu, ou seja, quanto ela adicionou de valor a seus fatores de produção, e de que forma essa riqueza foi distribuída [...] e quanto ficou retido na empresa”.
Deste modo, o relatório demonstrará os fatores geradores do valor adicionado como também sua distribuição para aqueles que contribuíram na sua geração, o que o torna importante no critério de transparência para seus usuários.
2.1.6.6 Notas explicativas
As notas explicativas são informações adicionais, ou seja, uma complementação das demonstrações contábeis.
Bruni (2011, p. 19), descreve que, “As demonstrações devem ser complementadas por notas explicativas e outros quadros analíticos com demonstrações contábeis necessários para esclarecimento da situação patrimonial e dos resultados do exercício”.
Basso; Filipin; Enderli (2015, p. 35), dizem que,
Completam as demonstrações contábeis um conjunto de informações adicionais denominadas Notas Explicativas, divididas em obrigatórias (previstas em leis ou outras normativas), estatutárias (ou contratuais) previstas no estatuto ou contrato social da entidade e, as livres, ou seja, aquelas inseridas livremente pela direção da entidade.
Para Mauss (2012, p. 163), as notas explicativas possuem o intuito de, “[...] fornecer informação adicional às demonstrações financeiras, detalhando e explicando determinados itens ou contas que podem não ser passíveis de compreensão se não tiverem explicações mais detalhadas”.
Portanto, as notas explicativas tornam-se importante para a compreensão de informações relevantes que não foram apresentadas nas demonstrações contábeis, com intuito esclarecerem seus usuários.
2.2 ANÁLISE DE BALANÇOS
A análise de balanços apresenta-se como uma técnica contábil utilizada para interpretação das demonstrações contábeis, além da interpretação tem como função explicar as mutações com o patrimônio, ou seja, a riqueza da entidade como também a situação da mesma.
Deste modo, a técnica de análise de balanços está aliada a gestão empresarial, pois seus métodos representam uma ferramenta de grande importância para evidenciar a realidade patrimonial da entidade.
2.2.1 Caracterização e finalidade da análise de demonstrações contábeis
A análise de demonstrações contábeis tem como finalidade gerar informações para seus usuários, extraídas com base nas demonstrações contábeis. De acordo com Matarazzo (2010, p.3), “A Análise de Balanços objetiva extrair informações das demonstrações Financeiras para a tomada de decisões”.
Para Sá (2006, p. 18),
A Finalidade da técnica analítica contábil é a de conseguir opinião sobre um empreendimento, para suprir a múltiplos objetivos (conceder crédito, julgar gestões, prever continuidade dos negócios etc.) visando a conhecer a “capacidade patrimonial e a do empreendimento” em pagar lucrar, ter vitalidade, equilibrar-se, ser eficiente, proteger-se contra o risco, dimensionar-se, cooperar com os agentes transformadores da riqueza.
Ainda complementa o mesmo autor dizendo que, “[...] o melhor caminho é utilizar os recursos da análise de balanços para realizar os controles”. (SÁ, 2006, p. 19).
Contudo, a análise de balanços apresenta possibilidades como também limitações, como salienta Iudícibus (2010, p. 77):
A análise de balanços deve ser entendida dentro de suas possibilidades e limitações. De um lado, mais problemas a serem investigados do que indica soluções; de outro, desde que convenientemente utilizada, pode transformar-se num poderoso “painel de controle” da administração.
Deste modo, a técnica de análise de balanços traduz os dados das demonstrações contábeis em informações para seus usuários, em virtude disto, as informações devem conter um grau de qualidade para satisfazer as necessidades principalmente da gestão da entidade.
2.2.2 Técnicas de análise de balanços
Na execução das análises das demonstrações contábeis, são utilizadas técnicas, dentre elas pode-se destacar: análise em valores absolutos, análise em valores relativos, análise do balanço de fundos e análise de balanço por índices econômicos e financeiros.
2.2.3 Reestruturação das demonstrações contábeis para análise de balanços
Para melhorar a análise de balanços é necessário reclassificar algumas contas das demonstrações contábeis. Assim, segundo Marion (2009, p. 24), a reestruturação das demonstrações contábeis “Significa uma nova classificação, um novo reagrupamento de algumas contas nas DC, sobretudo no Balanço Patrimonial e na Demonstração do Resultado do exercício. São alguns ajustes necessários para melhorar a eficiência da análise”.
Já para Matarazzo (2010, p. 70), antes de iniciar a análise deve ser examinada de forma detalhada as demonstrações “Este trabalho é chamado Padronização e consiste numa crítica às contas das demonstrações financeiras, bem como na transcrição delas para um modelo previamente definido, [...]”.
Conforme Silva (2008, p. 174), a análise de balanço começa com a reclassificação das demonstrações contábeis, salientando que,
[...] a reclassificação ou padronização das demonstrações contábeis tem como objetivo trazê-las a um padrão de procedimento e de ordenamento na distribuição das contas, visando diminuir as diferenças nos critérios utilizados pelas empresas na apresentação de tais demonstrações contábeis. Outro objetivo é fazer com que as demonstrações atendam às necessidades de análise e sejam apresentadas de forma homogênea, simples de visualizar e fáceis de entender, isto é, de correlacionar os diversos itens, seguindo critérios próprios adotados internamente na empresa que esteja procedendo à análise.
Desta forma, ocorre a padronização de procedimento com intuito de diminuir as diferenças das apresentações das demonstrações contábeis.
2.2.4 Atualização de valores para análise comparativa de balanços
Além da reclassificação das demonstrações contábeis, é necessário efetuar a atualização dos valores dos demonstrativos dos anos anteriores, assim os demonstrativos podem ser comparados com mesma base, evitando assim distorções no resultado, em relação à variação do valor da moeda.
Segundo Assaf Neto (2002, p. 113-114):
[...] nem todos os valores dos balanços encontram-se em moeda de suas respectivas datas de apuração, não sendo, portanto, rigorosamente comparáveis entre si para efeitos de análise. [...] É indispensável, então, que se desenvolva na análise de balanços a correção das diversas contas contábeis para moeda de mesmo poder aquisitivo, permitindo, com isso, revelações reais sobre a evolução apresentada pela empresa em determinado período.
Assim, a análise apresenta uma qualidade maior em relação aos valores históricos, que acabam por limitar a confiabilidade da análise, por apresentar dados irreais.
2.2.5 Análise comparativa de balanços em valores absolutos
A análise comparativa de balanços tem como intuito de comparar as demonstrações contábeis evidenciando assim suas sequências, ou seja, suas variações, tornando-se assim um demonstrativo com base na realidade da patrimonial com conhecimento do passado.
Conforme Vertes; Würch (1990, p. 53),
As comparações dos balanços de anos sucessivos podem ser consideradas como fotografias extraídas em seqüência, como um filme cinematográfico. Esse filme poderia mostrar o andamento dos negócios e facilitaria fazer uma previsão relativamente prudente para o futuro, o que se constitui, em verdade, no maior interesse do analista.
O escopo é conhecer as tendências na vida da empresa durante os anos de funcionamento, porque com base no passado, conhecendo o presente, poderemos prever o futuro.
Neste mesmo sentido, Basso; Filipin; Enderli (2015, p. 56), complementam dizendo que, “[...] fatores interno e/ou externos podem mudar o rumo dos negócios, provocando alterações, ora favoráveis, ora desfavoráveis à empresa, e tais mudanças poderão ser detectadas pela análise comparativa de balanços”.
Deste modo, o balanço com sua característica estática, tornam-se dinâmico, por meio das variações de um ano para outro, permitindo assim conhecer o passado e presente, o que possibilita verificar as tendências futuras da entidade.
2.2.6 Análise de balanços em valores relativos
A análise de balanços em valores relativos surge como uma ferramenta complementar da análise de balanços em valores absolutos, examinando situações financeiras importantes para a entidade. Sendo dividida em dois tipos, análise comparativa dos balanços patrimoniais em percentagens, também chamada como análise vertical e a análise comparativa dos balanços patrimoniais em números índices, também denominada como análise horizontal.
2.2.6.1 Análise vertical (AV)
A partir da análise vertical de balanços apura-se a participação relativa de cada conta do grupo total, e assim sua evolução ao passar do tempo. É processo comparativo, isto é, tendo como parâmetros os valores absolutos e utilizando o mesmo demonstrativo, porém evidenciado em porcentagem.
Para Perez Junior; Begalli (2002, p. 234), “[...] a análise vertical das contas das demonstrações contábeis mostra sua composição percentual e a participação de cada conta em relação a um valor adotado como base (100%)”.
Silva (2008, p. 204), descreve que a análise vertical tem como finalidade primária, a de “[...] mostrar a participação relativa de cada item de uma demonstração contábil em relação a determinado referencial. No balanço, por exemplo, é comum determinarmos quanto por cento representa cada rubrica (e grupo de rubricas) em relação ao ativo total”.
Já para Matarazzo (2010, p. 176), o objetivo da analise vertical é de “[...] mostrar a importância de cada conta em relação à demonstração financeira a que pertence e, através da comparação com padrões do ramo ou com percentuais da própria empresa em anos anteriores, permitir inferir se há itens fora das proporções normais”.
Neste sentido Perez Junior; Begalli (2002, p. 234), completam que sua importância é de “[...] avaliar a estrutura de composição de itens e sua evolução no tempo”.
Deste modo, a análise vertical de balanços é um método útil na avaliação da estrutura da composição dos demonstrativos contábeis, para examinar a situação financeira da entidade.
2.2.6.2 Análise horizontal (AH)
Análise horizontal evidencia a evolução das contas do balanço patrimonial e da demonstração do resultado do exercício, através da comparação dos valores da mesma conta ao longo do tempo.
Segundo Silva (2008, p. 210), “[...] o propósito da análise horizontal (AH) é permitir o exame da evolução histórica de cada uma das contas que compõem as demonstrações contábeis”.
Para Matarazzo (2010, p. 172), a análise horizontal “Baseia-se na evolução de cada conta de uma série de demonstrações financeiras em relação à demonstração anterior e/ou em relação a uma demonstração financeira básica, geralmente a mais antiga da série”.
Já Iudícibus (2010, p. 83), descreve com relação à análise que “A tabela de análise horizontal sempre é realizada em termos de índices. O índice do ano estabelecido como base da série é 100 e os valores dos anos seguintes são expressos em relação ao índice base, 100”.
Assim Matarazzo (2010, p. 176), completa salientando que o objetivo da análise horizontal é “[...] mostrar a evolução de cada conta das demonstrações financeiras e, pela comparação entre si, permitir tirar conclusões sobre a evolução da empresa”.
Desta forma, a análise horizontal permite examinar a tendência passada e futura de cada item dos demonstrativos patrimoniais e de resultado, dos períodos analisados, podendo observar os passos dados pela entidade como também as possíveis tendências, ou seja, uma análise das causas passadas, que poderão influenciar ainda em períodos futuros.
2.2.7 Análise do balanço de fundos
Análise do balanço de fundos indica a movimentação das contas patrimoniais, ou seja, as variações ocorridas nas contas do ativo, passivo e patrimônio líquido.
Para Vertes; Würch (1990, p. 71), o balanço de fundos,
[...] é conhecido também pelo nome de “balanço de origens e aplicação de recursos”. Preliminarmente deve ser esclarecer que a palavra “fundo” deve ser considerada num sentido amplo. Nesta acepção considera-se todas as contas, assim as contas do ativo como as do passivo e as do patrimônio líquido, como fundos de valores. O balanço de fundos tem como objetivo demonstrar as alterações havidas nos valores de dois inventários através das variações sofridas durante o exercício, especialmente as alterações ocorridas nos valores circulantes, que são motivadas pelas alterações dos valores não circulantes.
Segundo Basso; Filipin; Enderli (2015, p. 87),
A metodologia para identificar se determinada conta representou fonte ou aplicação de fundos (recursos) consiste em comparar o saldo inicial com o saldo final da
conta em determinado período. Essa diferença, dependendo da sua natureza –
devedora ou credora-, será uma “fonte de fundos”, ou “aplicação de fundos”. Assim, a conta de natureza devedora, quando tem seu saldo aumentado representará uma aplicação de fundos e quando tem seu saldo diminuído, representará uma fonte de fundos. Já a conta de natureza credora, quando tem seu saldo aumentado, representará uma fonte de fundos no período e quando tem seu saldo diminuído, representará uma aplicação de fundos.
As variações sofridas ao passar do tempo podem ser favoráveis ou desfavoráveis para a situação financeira da entidade, em virtude disto, é importante analisar as demonstrações de fontes e aplicações, que permite uma visão objetiva dos fluxos ocorridos no período examinado.