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FRANCISLEIDE GONÇALVES DA SILVA MATHEUS

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Academic year: 2021

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CURSO DE BACHARELADO EM HISTÓRIA

FRANCISLEIDE GONÇALVES DA SILVA MATHEUS

LAR VICENTINO EM RIO BRANCO

A INSTITUIÇÃO, O IDOSO E SUAS REPRESENTAÇÕES SOBRE A FAMÍLIA (2002 A 2010).

RIO BRANCO – ACRE MAIO 2012

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FRANCISLEIDE GONÇALVES DA SILVA MATHEUS

LAR VICENTINO EM RIO BRANCO

A INSTITUIÇÃO, O IDOSO E SUAS REPRESENTAÇÕES SOBRE A FAMÍLIA (2002 A 2010).

Monografia apresentada ao curso de Bacharelado em História da Universidade Federal do Acre - UFAC, como requisito parcial para obtenção do título de Bacharel em História, sob a orientação da Profª. Msc. Geórgia Pereira Lima

Rio Branco - Acre Maio 2012.

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suas representações sobre a família (2002 a 2010). Rio Branco, 2012. 65 f. Monografia (Graduação em História) – Centro de Filosofia e Ciências Humanas. Universidade Federal do Acre, Rio Branco. 2012.

Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca Central da UFAC

Bibliotecária:Vivyanne Ribeiro das Mercês Neves CRB-11/600

M427l Matheus, Francisleide Gonçalves da Silva,

Lar Vicentino em Rio Branco: a instituição, o idoso e suas representações sobre a família (2002 a 2010) / Francisleide Gonçalves da Silva Matheus. – 2012.

65f.; 30 cm.

Monografia (Graduação) – Universidade Federal do Acre, Centro de Filosofia e Ciências Humanas, Curso de Bacharel em História. Rio Branco, 2012.

Inclui Referências bibliográficas

Orientador: Profª. Msc. Geórgia Pereira Lima.

1. Idosos – Assistência em instituições - Rio Branco (AC). 2. Lar Vicentino – Asilos para idosos – História – Rio Branco (AC). 3. Velhice – Assistência social. 4. Idoso – Relações com a família – Cuidados. I. Título.

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FRANCISLEIDE GONÇALVES DA SILVA MATHEUS

LAR VICENTINO EM RIO BRANCO

A INSTITUIÇÃO, O IDOSO E SUAS REPRESENTAÇÕES SOBRE A FAMILIA (2002 A 2010).

Monografia apresentada ao curso de Bacharelado em História da Universidade Federal do Acre - UFAC, como requisito parcial para obtenção do título de Bacharel em História, sob a orientação da Profª. Msc. Geórgia Pereira Lima.

Banca Examinadora:

____________________________________________________________ Prof. Msc. Geórgia Pereira Lima (Orientador) – CFCH/UFAC

________________________________________________________________ Prof. Dr. Airton Chaves da Rocha (Membro Titular) – CFCH/UFAC

________________________________________________________________ Prof. Dr. José Dourado de Souza. (Membro Titular) – CFCH/UFAC

Conceito: ________(________________).

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DEDICATÓRIA

Ao meu Esposo Laudeir Matheus, pela força, compreensão e incentivo no decorrer dessa caminhada.

Aos meus pais Raimundo Nonato e Maria Guionélia, pelas preocupações que passaram por minha causa e por terem sido dois heróis em criar 10 filhos ensinando-os, dando amor, carinho e dedicação a todos sem distinção e por estarem ao meu lado, me apoiando e incentivando a estar aqui hoje, dedico essa conquista com eterna gratidão.

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AGRADECIMENTOS

Primeiramente a Deus, pela vida, saúde e pela sua presença constante em minha vida.

Agradeço especialmente aos meus pais Raimundo e minha mãe Maria Guionélia, que creditaram no meu potencial e sempre me incentivaram e apoiaram a prosseguir nesta caminhada. Obrigada, eu amo vocês!

Aos meus irmãos e f a m i l i a r e s pelo carinho e incentivo, em especial a Francilete que me ensinou a batalhar pelos meus objetivos, a ser guerreira passando por várias dificuldades juntas, enfim, se hoje estou aqui foi ela quem contribuiu, para isso, valeu mana, te devo essa, amo você!

Ao meu querido e amado esposo Laudeir Matheus pelo seu amor e compreensão, por me dá força e me incentivar a continuar.

À minha querida orientadora e professora Geórgia Lima, pela prontidão, incentivo, dedicação, paciência e doçura, com que me orientou e me ensinou. Muito obrigada.

Aos professores Airton Rocha, José Dourado e Valdir Calixto que foram ícones de fundamental importância na minha formação acadêmica, por incentivar, auxiliar e estar sempre ao alcance quando precisava. Em nome desses, agradeço todos os demais que fizeram parte dessa caminhada.

A toda equipe e gerência do Lar Vicentino, aos meus entrevistados idosos, que me ajudaram e que estiveram presentes nesta caminhada, assim como os demais, desde a diretora até os funcionários que trabalham na limpeza.

A todos meus amigos e colega de trabalho de trabalho, em especial, Maristela Diniz, Vilaneide Amaro, Siuátila Diniz Ana Cristina e Arisélia Lins, Rosangela França e Wellyton Melo que me incentivaram e me apoiaram e me acolheram nessa fase de construção da monografia e conclusão do curso.

Agradeço também, aqueles que me criticaram, me julgaram e tentaram me denegrir, pois foi através dessas pessoas que tive força pra lutar e mostrar que sou capaz, estando agora honrando a todos os que acreditaram em mim.

Enfim, agradeço a todos os familiares, amigos e profissionais que de alguma forma se fizeram presentes e contribuíram para a conclusão desta etapa de minha vida. A todos, meu muito obrigado!

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O VELHO E SEU NETO

Empatia com os idosos

Era uma vez um velho muito velho, quase cego e surdo, com os joelhos tremendo. Quando se sentava à mesa para comer mal conseguia segurar a colher. Derramava sopa na toalha e, quando afinal, acertava a boca, deixava sempre cair um bocado pelos cantos.

O filho e a nora achavam aquilo uma porcaria e ficavam com nojo. Finalmente, acabaram fazendo o velho se sentar num canto atrás do fogão. Levavam comida para ele numa tigela de barro e, o que é pior, nem lhe davam o bastante.

O velho olhava para a mesa com os olhos compridos, muitas vezes cheios de lágrimas.

Um dia, suas mãos tremeram tanto, que ele deixou a tigela cair no chão, se quebrando. A mulher ralhou com ele, que não disse nada. Só suspirou.

Depois ela comprou uma gamela de madeira bem baratinha, era ali que ele tinha de comer.

Um dia, estavam todos assentados na cozinha, o neto, de quatro anos, estava brincando com uns pedaços de pau.

_ O que é que está fazendo? Perguntou o pai. O menino respondeu:

_ "Estou fazendo um cocho, para papai e mamãe poderem comer quando eu crescer". O marido e a mulher se olharam durante algum tempo e caíram no choro. Depois disso, trouxeram o avô de volta à mesa. Desde então, passaram a comer todos juntos e, mesmo quando o velho derramava alguma coisa, ninguém dizia nada.

Conto de irmãos Grimm, citado em "O livro das virtudes",

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MATHEUS, F. G. S., 2012.

MATHEUS, Francisleide Gonçalves das Silva. Lar Vicentino em Rio Branco: a instituição, o idoso e suas representações sobre a família (2002 a 2010). Rio Branco, 2012. 65 f. Monografia (Graduação em História) – Centro de Filosofia e Ciências Humanas. Universidade Federal do Acre, Rio Branco.

RESUMO

O trabalho de conclusão de curso aqui exposto caracteriza-se em um estudo sobre idosos do sexo masculino que vivenciam suas experiências sociais na instituição "Lar Vicentino" em Rio Branco-AC em caráter asilar, sendo cuidados por terceiros e que ainda possuem ausência mútua da Família, destacando a origem e a importância do "Lar Vicentino", uma instituição filantrópica que valoriza o bem estar do próximo. O estudo foi desenvolvido com o objetivo de conhecer a historicidade da instituição "Lar Vicentino" em sua dimensão social de amparo ao idoso, bem como o papel da família e do Estado no âmbito das políticas publicas expostas na lei de nº 10.741 de 01 de outubro de 2003, visto que atualmente as pesquisas relacionadas ao crescimento populacional apresentam um grande avanço da população idosa no Estado do Acre. Isso mostra também que as famílias foram surpreendidas, encontrando-se despreparadas para oferecer condições dignas a um idoso em seu meio, como carinho e atenção, para que as pessoas possam ter uma velhice mais tranqüila e saudável. Sendo assim, mesmo que contra os princípios da humanidade, torna-se necessário a presença do asilo, já que se permanecerem no seio familiar muitos são submetidos aos mais variados tipos de violência.

Diante de tamanha problemática, foi desenvolvido um trabalho de pesquisa do tipo qualitativa em caráter exploratório, analisando uma pesquisa bibliográfica e documental diversificado, além de entrevistas aos internos daquele espaço, pessoas essas que utilizo como objeto de estudo para uma melhor compreensão do que vem acontecendo com a população em geral por conta do avanço da perspectiva de vida humana.

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MATHEUS, F. G. S., 2012.

MATHEUS, Francisleide Gonçalves das Silva. Lar Vicentino em Rio Branco: a instituição, o idoso e suas representações sobre a família (2002 a 2010). Rio Branco, 2012. 65 f. Monografia (Graduação em História) – Centro de Filosofia e Ciências Humanas. Universidade Federal do Acre, Rio Branco. 2012.

ABSTRAT

The work of conclusion of course displayed here is characterized in a study on aged of the masculine sex that lives deeply its social experiences in the institution “Home Vicentino " in River White in character to put in a home, being well-taken care of for third and that still they possess mutual absence of the Family, detaching the origin and the importance of the “Home Vicentino”, a filantrópica institution that values the welfare of the next one. The study Home Vicentino” in its social dimension of support to the aged one was developed with the objective to know the historicidade of the institution “, as well as the paper of the family and of the State in the scope of the politics you publish displayed in the law of nº 10,741 of 01 of October of 2003, since currently the research related to the population growth presents a great advance of the aged population in the State of the Acre. This sample that the families had been surprendidas, meeting also unprepared to offer worthy conditions to an aged one in its half one, as affection and attention, so that the people can have a calmer and healthful oldness. Being thus, same that against the principles of the humanity, the presence of the asylum becomes necessary, since to be remained in the familiar seio many are submitted to the most varied types of violence.

Ahead of problematic so great, a work of research of the qualitative type in exploratory, analyzing diversified a bibliographical research and documentary character was developed, beyond interviews to the interns of that space, people these that I use as object of study for one better understanding of what it comes in general happening with the population on account of the advance of the life perspective human being.

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SUMÁRIO

INTRODUÇÃO, 11

CAPÍTULO 1 - HISTORICIDADE E O SER IDOSO NA CIDADE DE RIO BRANCO, 18

1.1 - CONCEITO DE VELHICE: UMA CONSTRUÇÃO SOCIOCULTURAL E RELIGIOSA, 18

1.2 – O IDOSO NA CIDADE DE RIO BRANCO: ENTRE O ABANDONO FAMILIAR E O DESCASO SOCIAL, 24

CAPÍTULO 2 – A VELHICE, A FAMÍLIA E A INSTITUIÇÃO “LAR VICENTINO”, 29

2.1 – AS SITUAÇÕES DE VIOLENCIA E ABANDONO INTRIFAMILIAR ATENDIDAS PELO LAR VICENTINO, 29

2.2 – LAR VICENTINO: A CONTRIBUIÇÃO SOCIAL NO AMPARO A VELHICE RIOBRANQUENSE, 34

2.2.1 – O funcionamento da instituição, 39

2.2.2 – as condições institucionais: a estrutura física e financeira, 40

CAPÍTULO 3 – ENTRE A MATURIDADE E A MELHOR IDADE: EXPERIÊNCIAS SOCIAIS NO LAR ACREANO, 42

3.1 – O IDOSO E A FAMÍLIA, 42

3.2 – AS VIVÊNCIAS E EXPRESSÕES DO HUMANO NO LAR VICENTINO, 51

4.0 – CONCLUSÃO, 60

REFERÊNCIA BIBLIOGÁFICA, 62 ENTREVISTAS REALIZADAS, 65

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INTRODUÇÃO

A proposta deste trabalho é compreender como a comunidade idosa do "Lar Vicentino" da cidade de Rio Branco-AC realiza sua experiência social naquele espaço e entender as suas representações sobre família, entre os anos de 2002 a 2010, tendo em vista o crescimento populacional da pessoa idosa, a nível nacional e mundial.

Entretanto, o quadro demográfico da população idosa, particularmente, no Estado do Acre, evidencia a existência de uma desigualdade entre esta demanda e as políticas públicas para atender este sujeito social.

Percebe-se no contexto familiar o agravamento desta situação uma vez que as evidencias mostram o descaso, abandono e a humilhação praticada por familiares aos idosos.

Minha vivência profissional na área de saúde proporcionou entrever em setores públicos, principalmente nos hospitais, as ações praticadas por familiares percebendo o descaso e abandono promovido pela família, bem como, o desrespeito em repartições públicas que atendem esses sujeitos sociais, pois, muitos são portadores de deficiência audiovisual e dificuldades de compreensão e, essa situação não é levada em conta em alguns desses setores.

Diante deste contexto, as inquietações do presente trabalho acerca da pessoa idosa na cidade de Rio Branco, tais como: a omissão da sociedade e do governo acreano frente à situação de descaso com o idoso pode ser um dos fatores condicionadores à existência ou não de violência contra o idoso? As famílias que buscam o "Lar Vicentino" acompanham ou abandonam o seu idoso naquela Instituição? Se há maus tratos contra a pessoa idosa por parte da família, quais as formas mais freqüentes?

As questões deste estudo conduziram a opção do recorte temático do tema "Lar

Vicentino em Rio Branco: A Instituição, o Idoso e suas representações sobre a família (2002 a 2010)". Assim, o objeto deste estudo é o idoso do "Lar Vicentino", sujeitos sociais

que ali se encontram compartilhando suas experiências de vida. Bem como, a própria instituição que se tornou foco de análise, uma vez que os dados e relatos analisados foram elementos produzidos neste ambiente destinado a cuidar da pessoa idosa na cidade de Rio Branco- A c r e .

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Atualmente, com a elevação da perspectiva de vida humana, o número de idosos vem ficando cada vez maior e com isso muitos pesquisadores vêm destacando a questão do envelhecimento. Uma vez que com o crescimento inesperado desse perfil populacional, a sociedade em si também foi pega de surpresa, pois a faixa etária idosa apresenta um dos maiores desafio da sociedade moderna nas diversas áreas, em maior grau a área da saúde.

Desde os primórdios da existência do ser humano a família exerce um papel fundamental. Contudo, a análise mostrou a existência de certas dificuldades, até mesmo pela influencia do capitalismo, em aceitar e entender o envelhecimento de um membro de sua família, desta forma, o ambiente familiar torna-se muitíssimo complexo.

Em razão da lógica capitalista o idoso é considerado financeiramente “inútil”, por não desenvolver uma função economicamente estável que os possam favorecer. Desta forma a própria família, a quem a pessoa idosa dedicou afeto, carinho e garantiu sua existência, agora por não dispor de sua força de trabalho é muitas vezes é encaminhada a viver em abrigos. Assim nasce o presente estudo com o sujeito social do "Lar Vicentino" em Rio Branco – Acre.

Iniciou a pesquisa explorando o universo acadêmico visando conhecer o cenário histórico em que as questões d o estudo conduziram à pesquisa sobre o idoso em instituição de asilo na cidade de Rio Branco Acre. Entretanto, nos deparamos com o silêncio historiográfico acreano, pois poucos historiadores se referem a esses sujeitos sociais. Além de inquietante, motivou querer compreender a situação social enfrentada pelo idoso rio-branquense, procurando saber se havia ou não violência contra o idoso e as formas mais freqüentes de maus tratos por parte da família.

Desta forma, o abandono, partindo-se da falta de interesse e informação por parte dos membros da família e da sociedade acerca dos cuidados de um idoso dependente, além da falta de cultura1, pode ser um dos fatores de possível visibilidade, entre os que abandonam e provocam violência contra a pessoa idosa.

Nesse sentido, questionamos: "será que os homens e mulheres jovens terão o mesmo destino dos nossos velhos e velhas agora"? Benedette (1999) destaca a questão da falta de alternativas para manter um idoso longe dos asilos e que a ausência de idosos seria um fator

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Idoso dependente: termo usado freqüentemente na Instituição Lar Vicente para caracterizar a pessoa idosa que necessita de cuidados em todos os sentidos: alimentação, higiene pessoal, medicação e etc.

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de fundamental importância nesse tipo de instituição que funcionam em caráter asilar

Esta análise revela q u e o " Lar Vicentino" criado e inaugurado em 1º de Maio de 1955 no Acre2, que desenvolve cuidados integrais a idosos, nosso campo de análise em razão de ser a “única” instituição na cidade de Rio Branco- Acre revela o abandono pelo poder público e pela própria família na capital acreana.

Atualmente, a direção do Lar Vicentino em Rio Branco já está bem estruturada, apesar das carências por ser uma instituição filantrópica sem fins lucrativos. Sua organização interna apresenta-se da seguinte maneira: Um presidente, um diretor administrativo, um administrador do lar e a 18 funcionários responsáveis pela limpeza, alimentação e os cuidados necessários dos idosos3.

Em seu início o "Lar Vicentino" abrigava apenas idosos do sexo masculino, dada a maior procura por este segmento e também por causa das próprias condições que eram oferecidas no local. A partir do ano de 2003, com a parceria do governo do Estado do Acre, foi construída uma nova ala, o bloco feminino, passando também a aceitar idosas.

A instituição se propunha a abrigar apenas idosos que não tivessem assistência necessária em casa para sua sobrevivência, mas com o passar do tempo, vendo o que estava acontecendo como muitas pessoas que sofriam com doenças mentais ou que não tinham famílias, também começou a acolher indivíduos excluídos socialmente. Com recursos vindos da Igreja Católica e a colaboração do governo da época, foi possível adequar o espaço as necessidades dos novos internos, já que o local necessitava ampla reforma e estruturação no bloco masculino mais antigo.

Para esse estudo, os idosos do Lar Vicentino, constituem uma parcela importante da sociedade, como sujeitos históricos que contribuíram anonimamente ou não, com seus esforços, para o engrandecimento do nosso Estado.

A exclusão, na forma do menosprezo, pode ser considerada por parte do Estado a partir da visão das políticas públicas destinadas velhice acreana, bem como a realizada pela própria família que outrora só quis se beneficiar, extorquindo e lucrando de tais idosos em épocas produtivas quando da juventude. Agora com fim das suas forças, ainda se apossam

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Informações contidas no Estatuto de Criação do Lar Vicentino, acessado na instituição. 3

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da humilde aposentadoria, tirando-lhes o conforto que os mesmos tanto almejavam, ficando a mercê do abandono nos asilos que os acolhem.

Com o crescimento considerável da população brasileira, percebe-se também aumento do número de idosos entre 2002 a 2010. Esta situação poderia influenciar o crescente abandono desses sujeitos sociais, que se torna preocupante, já que a demanda desse perfil populacional e cada vez maior.

Nessa perspectiva, a abordagem do tema “Lar Vicentino em Rio Branco: idosos em instituição asilar e suas representações sobre família (2002 a 2010)”, procura-se entender o contexto histórico da criação do " Lar dos Vicentinos" no e stado do Acre, que nasce com a Igreja Católica de forma a identificar as práticas familiares que procuram amparo nesta instituição, assim como discutir o papel da família e do Estado no âmbito do Estatuto do Idoso (Lei 10.741/2003).

O Estatuto do Idoso, aprovado em outubro de 2003, tem como objetivo promover a inclusão social e garantir os direitos desses sujeitos por esses serem uma parcela notável da população brasileira que se encontra desprotegidos, apesar de as estatísticas indicarem a importância de políticas públicas devido ao número crescente de pessoas com mais de 60 anos no Brasil.

Segundo Anita Neri o Estatuto do Idoso (Lei 10.741/2003) foi sancionado pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, em 1 de outubro de 2003, e publicada no Diário Oficial da União 3 de outubro de 2003, garantindo e ampliando os direitos dos brasileiros com mais de 60 (sessenta) anos4.

Mais abrangente que a Política Nacional do Idoso, o estatuto considera os mais velhos como prioridade absoluta e institui penas aplicáveis a quem desrespeitar ou abandonar sujeitos idosos. Entre outras coisas, além do direito de prioridade, o que mais podemos perceber e o notório desrespeito, que apesar de ser instaurados penas para quem

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Texto embasado no site.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Estatuto_do_idoso

O Estatuto do Idoso, criado pela Lei nº 10.741, de 1º de outubro de 2003, onde o legislador procurou regular a previsão constitucional, definindo quem é o idoso e estabelecendo medidas de proteção, inclusive na parte criminal, buscando a efetiva proteção contra a violência, inclusive através de políticas de atendimento para os familiares que as cometem. O Estatuto, então, passa a ser visto como um verdadeiro microssistema legal.

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comete esses abusos, ainda acontece com freqüência.

As questões colocadas neste estudo partem das seguintes perspectivas: Que razões sociais levaram a Igreja católica a construir um asilo para idosos na cidade de Rio Branco - Acre? Quais as formas de amparo encontrado pela família no "Lar Vicentino" para o idoso e as garantias do atendido? Tais questões visam entender a integração família-instituição no processo de adaptação do idoso e analisar também as políticas públicas para o idoso a partir da Lei 10. 741/2003.

Diante desta problemática, nosso estudo toma como base o postulado de Renato Veras (1987), que retrata o crescimento da população idosa no Brasil, possibilitando entender a questão do abandono e maus tratos com tendência crescente, pois as famílias não se encontram estruturadas para conviver, dispondo dos cuidados necessários para com um idoso em seu meio.

Ecléa Bosi (1994), em Memória e s o c i e d a d e , l e m b r a n ç a de Velho retrata a relação do idoso em asilo e como esses sujeitos sociais estão expostos a discriminação e ao preconceito. Para saber como a Sociedade é instituída, o Estado Brasileiro propôs através das políticas públicas, para benefício desses sujeitos, o Estatuto do Idoso, que mostra os direitos adquiridos pela pessoa idosa mais que são contrapostos com a realidade, devido à dificuldade de usufruto desses direitos pela população destinada.

No presente trabalho, como metodologia da pesquisa foi utilizada ampla revisão bibliográfica, onde autores como: Ecléa Bosi e Cecília Minayo foram de fundamental importância, documentos sobre o assunto em jornais locais explorando os registros existentes, fontes do IBGE (população idosa no Estado), estatuto da instituição, sites que retratam o tema, obtendo-se uma primeira base teórica sobre o assunto abordado, tentando desmitificar o que já foi posto como verdades, analisando se realmente essa é a “verdade” absoluta.

Também se utilizou a linguagem iconográfica, para análise e interpretação de imagens, e trabalhou-se ainda com a história oral com os sujeitos da pesquisa que vivenciam sua realidade do "Lar Vicentino", e m q u e a t r a v é s d o d i á l o go , s e o b t e v e i n f o r m a ç õ e s f a m i l i a r e s . Com a pesquisa qualitativa que visa examinar os fatos separadamente para melhor entendimento d o objeto de estudo, para que até mesmo o leitor pudesse obter melhor clareza do problema exposto.

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Vicentino em Rio Branco: A Instituição, o Idoso e suas representações sobre a família (2002 a 2010)". Assim, o objeto deste estudo é o idoso do "Lar Vicentino", sujeitos sociais

que ali se encontram compartilhando suas experiências de vida. Bem como, a própria instituição se tornou foco de análise, uma vez que os dados e relatos analisados foram elementos produzidos neste ambiente destinado a cuidar da pessoa idosa na cidade de Rio Branco.

Para consolidar a escrita dessa História, apresenta-se a seguir a estrutura dos capítulos do trabalho monográfico:

O primeiro capítulo “A historicidade e o ser idoso na cidade de Rio Branco”, apresenta uma análise geral do crescimento populacional do idoso em suas várias perspectivas no Brasil, com ênfase para o estado do Acre, retratando as condições de vida que são oferecidas a esses idosos pela família e o Estado, analisando-se as políticas são eficientes para oferecer-lhes uma vida digna suprindo todas suas necessidades sociais para seu bem estar.

Discute-se também a lei 10.741/2003 (Estatuto do Idoso), que garante direito a esses idosos e que, ao analisar ao pé da letra, não s e consegue sair do papel, tornando-se um verdadeiro descaso e abandono por parte de todos incluídos pela lei: família, Estado e s o c i e d a d e , o s q u a i s têm o direito e dever de cuidar dessa classe de dependentes, m a s , que ficam aliviados quando aparece uma instituição que aceite seus entes “queridos” que deveriam estar em sua companhia.

No segundo capítulo “A Velhice, a família e o Lar Vicentino”, se discute a questão da violência intrafamiliar sofrida pelos idosos e apresenta-se a instituição "Lar Vicentino" e a sua relação com as famílias que se dizem incapazes de cuidar do idoso em Rio Branco-Acre.

Expõe-se também desde os primórdios na França passando pelo Brasil, a historicidade de criação deste Lar, sendo dedicada com exclusividade à instituição de Rio Branco-Acre, criada em 1955, estendida até os dias atuais, trabalhando mais focado no período de 2002 a 2010, período de transição em que a instituição só recebia idosos abandonados e do sexo masculino.

Em 2003, com ajuda do então governador Jorge Viana foi possível a construção de um bloco feminino com capacidade e estrutura para receber também as idosas que passaram a procurar a instituição com mais freqüência.

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E ainda, a questão funcional juntamente com as dificuldades enfrentadas pela instituição em relação ao lado financeiro, bem como, analiso a importância de treinamento e capacitação do prestador de serviços pra cuidar de um idoso.

No terceiro capítulo, “Entre a maturidade e a melhor idade: experiências sociais

no lar acreano” aqui se apresentam u m a interpretação da “realidade” existente entre o

idoso asilado e sua família. O que esse sujeito social pensa sobre a família, analisado através de seus depoimentos, reconhecendo ainda, sua história, seu entendimento em relação a o motivo que o levou até aquele local.

Se a família, quando existe, está presente no cotidiano do "Lar Vicentino" enfim, aqui exponho também as revelações que esses sujeitos idosos, residentes no "Lar Vicentino" em Rio Branco – Acre expõe sobre suas famílias.

Enquanto, nas considerações finais, a título de conclusão, foram expostos os resultados alcançados no decorrer da pesquisa, que compõem juntamente com o corpo deste trabalho o entendimento que esta proporcionou acerca da Instituição "Lar Vicentino" e seus idosos, particularmente, da ala masculina.

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CAPÍTULO 1 - A HISTORICIDADE E O SER IDOSO NA CIDADE DE RIO BRANCO.

1.1. CONCEITO DE VELHICE: UMA CONSTRUÇÃO SOCIOCULTURAL E RELIGIOSA.

Só na velhice a mesa fica repleta de ausências. Chego ao fim, uma corda que aprende seu limite após arrebentar-se em música. Creio na cerração das manhãs. Conforto-me em ser apenas homem. Envelheci, tenho muita infância pela frente.

CARPINEJAR 2009

Na sociedade atual, ser velho é sinônimo de “inutilidade”, alguém que não contribui financeiramente, o que significa ser uma pessoa “frágil” e “dependente,” e ainda, “necessitado de cuidados” da família, da comunidade, do Estado, enfim, todos à sua volta que possam favorecer uma vida mais saudável.

Esses e outros sinônimos, usados para definir o idoso no cenário brasileiro, particularmente no acreano, nos remetem a duas situações chaves. A primeira diz respeito à longevidade do ser humano pela melhor qualidade de vida e a segunda, em razão da perplexidade da família, bem como, do Estado como organizador da sociedade e das políticas publica.

A visão parcial demonstra esta situação-contexto do idoso, apontando para um crescimento populacional desse perfil no cenário brasileiro.

Observa-se que, as famílias encontram-se completamente desestruturadas para manter o indivíduo idoso em sua companhia, levando-os muitas vezes a procurar ajuda de instituições que funcionam em caráter de asilo, onde são deixados em completo abandono

O fenômeno do envelhecimento populacional, no Brasil e, particularmente no estado do Acre, aponta o crescimento da população idosa, quando é comparada entre os grupos etários, revelando considerável taxa de crescimento.

Este fator traduziu um grande aumento, tanto do número absoluto quanto do relativo de idosos e no tempo vivido por eles, no envelhecimento de certos segmentos

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populacionais, como a população economicamente ativa.

Dados IBGE ( 2010) mostram que, a população idosa no Brasil em 1990 era de a p e n a s 8,47% passando para 9,2% em 2010, com expectativa de chegar a 13% em 2020. Este fato deixa muitos setores públicos e familiares completamente desestruturados. No Estado do Acre, tal fato tem contribuído com um abandono crescente desta categoria, criando o fenômeno do idoso abandonado, foco principal deste trabalho.

Entre alguns estudiosos, Renato Veras (1987), analista desta temática e de sua problemática, o aumento da população é um fenômeno mundial que muitos já denominam de “revolução demográfica” quantitativa e qualitativa.

Nos últimos 50 anos do século XX a expectativa de vida chegou a alcançar cerca de 20 anos a mais que as décadas anteriores. Alguns fatores se tornaram relevantes nesta revolução demográfica, entre eles elegemos: desenvolvimento tecnocientífico da/na medicina; o domínio farmacológico de doenças crônicas e virais; a qualidade nutricionista da alimentação e a visão holística do ser humano no processo de cura.

Gaspari (2005), em seu a r t i g o , o i d o s o e a r e s s i g n i f i c a ç ã o e m o c i o n a l d o l a z e r , ressalta que:

No século XX, considerado o século da “Terceira Idade”, a sociedade contemporânea viu-se desafiada em suas instâncias pública, privada e do terceiro setor a responder, rápida, qualitativamente e quantitativamente, às inusitadas demandas (GASPARI, 2005. P.01).

Apesar de ser considerado um século “velho”, a tecnologia não evoluiu o suficiente para dar suporte a esse perfil populacional que cresce dia/dia. Havendo certa desenvoltura tecnológica, alguns fatores ainda não são suficientes, já tudo o que é criado em beneficio de um idoso, a sociedade em geral não o leva a sério, deixando esses indivíduos, muitas vezes, a mercê da própria sorte. É necessário que a sociedade acompanhe as evoluções que ocorrem com o passar dos anos e, que dê suporte a essa categoria.

Na maioria dos casos nem a própria família faz questão de favorecer e cuidar desses sujeitos que já deram muito de si e que por falta de não haver acumulado riquezas, hoje em sua velhice acabam sozinhos.

Junto com o crescimento da população idosa, aumenta também a preocupação e o interesse pelas medidas que possam avaliar o valor despendido pelo Estado na manutenção da parcela improdutiva "em termos econômicos" da população (VERAS, 1987).

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Como podemos ver, essa é uma medida importantíssima a ser tomada pelo Estado juntamente com os setores públicos, só que em muitos casos essa preocupação é inexistente.

No caso do Estado do Acre, pouco se fala das políticas públicas para a melhoria desse contingente populacional. A ausência do poder público é suprida pela ação sócio-filantrópica, particularmente da Igreja Católica que pela Pastoral do Idoso tem apresentado significativo trabalho de políticas sociais e cristãs, de amparo da pessoa idosa.

Nesse sentido, as várias concepções a respeito do envelhecimento, inclusive na concepção fisiológica, demonstram o termo "envelhecimento" como um processo de declínio biológico, com mudanças fisiológicas individuais, em que as variações ou implicações socioculturais são consideradas em função da realidade dos diferentes grupos sociais e econômicos dos idosos.

Entretanto, há autores que advogam a tese naturalista do ser velho, devido ao crescimento inesperado da população idosa no país. Estes estão voltados a entender essa temática a partir do pressuposto de que envelhecer é um processo natural pelo qual todos os seres vivos passam um dia.

Contudo, no que tange o processo de envelhecimento dos seres, o homem é compreendido na sua complexidade histórica acenando que este ato humano de envelhecer seja um processo carregado de estigmas e significados.

Nesse sentido, Anita L. Neri em Idosos no Brasil, ressalta que:

O envelhecimento é um processo de mudanças universais, pautadas geneticamente para a espécie e para o individuo, que se traduz em diminuição da plasticidade comportamental, em aumento da vulnerabilidade de morte. (NERI, 2003).

Assim, a autora acaba por diferenciar e identificar a velhice em três categorias: a velhice normal que é aquela com inexistência de doenças; a velhice patológica, carregada de doenças crônicas, mentais entre outras e, a velhice ótima, com caracteres por excelência e existência de uma referencia ideal de bem-estar pessoal e social.

Ecléa Bosi (1994) em Memória e Sociedade (1994), afirma que além de ser um destino do indivíduo, a velhice é uma categoria social, que sendo algo indesejado pela juventude atual, mas se evidencia por ser o futuro de todos alcançá-la, mesmo que cada

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sociedade viva de forma diferente o declínio biológico do homem.

A autora, ainda afirma “a sociedade industrial é maléfica para a velhice". Deixa explícita a visão que esta sociedade tem de um sujeito maior de sessenta anos, vinculando a situação natural de o humano envelhecer como um declínio na produção e em prejuízo desta. Este é o momento exato da substituição por um indivíduo mais jovem, considerado hábil, enquanto, o idoso representa o sentido contrário, inapto, em últimas palavras, um ser inútil.

Bosi (1994), ao fazer distinção entre as sociedades diz que, diferentemente da sociedade industrial nas sociedades mais estáveis, um octogenário pode começar a construção de uma casa, plantação de uma horta, preparar os canteiros e semear um jardim, mesmo que a velhice, ainda se apresente como um ato final do processo humano. A idéia essencial é que seu filho continuará a obra, ou seja, esta sociedade valoriza a experiência de um idoso, permitindo a transmissão de conhecimentos aos seus sucessores.

Nesse sentido, Bosi (1994), acaba por demonstrar a existência binária na forma de compreender o processo de envelhecer, ressaltando que o ser humano só é homem até o dia em que pode trabalhar produzir e sustentar sua família. A chegada da velhice torna-se problema, pois a sociedade vai evoluindo e o que foi realizado por esse sujeito, torna-se algo sem importância para a prole sucessora. H á outros que advogam que o processo de envelhecimento é carregado de valores e experiências de vidas dignas de continuidade.

A partir desta visão binária, o envelhecer torna-se claras as palavras de Bosi (1994) quando retrata que a sociedade industrial rejeita o velho e, não oferece nenhuma sobrevivência a sua obra.

Nesta concepção o mundo do trabalho torna-se o mediador entre o politicamente correto para produção de riqueza e renda. Nesse postulado o velho torna-se sinônimo de força de trabalho sem utilidade repercutindo internamente no lar desse sujeito social que o apresenta como incapaz de continuar sendo a garantia produtiva da família, tornando-se um ser um inútil e desvalorizado no núcleo familiar.

Demonstra-se aqui que, se o ser humano quando jovem não fez mais do que pôde para poder ganhar status social e econômico, quando chega à velhice, torna-se um inútil sem serventia para nada, levando a que a própria família o abandone em asilos, pois o mesmo não conseguiu acumular riquezas para pagar suas despesas, garantindo uma velhice tranqüila.

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Simone de Beauvoir5 faz maravilhosas reflexões sobre velhice. Para ela a criança sente voltar para si os reflexos de amor que a sua imagem desperta. Afinal é um ser que ainda tem toda uma perspectiva de vida e trabalho pela frente, pode ter muitas oportunidades de crescimento profissional, enquanto que o velho, ao contrário, não pode realizar sua imagem, concebê-la como é para outro, chegando aqui para a maioria da sociedade industrial, no fim da linha.

Isto leva a pensar que o velho não tem mais perspectiva de nada, é um ser rejeitado pela sociedade, que acredita que esse sujeito não tem mais como contribuir, nem oferecer um futuro de conquistas para seus dependentes e para quem está ao seu redor. É um fracassado, então se torna uma perca de tempo lutar com o mesmo, e a solução encontrada é abandoná-lo, enquanto que uma criança ainda tem perspectiva de melhorias futuras.

Com a evolução da medicina que contribui para um envelhecimento mais saudável, a sociedade ainda se encontra habituada com os constantes processos de crescimento da população idosa, chegando até mesmo a ficar condicionada em ver tal sujeito apenas como força de trabalho, que é deixado de lado quando a velhice chega carregada de problemas que o impossibilitam de exercer suas funções.

É possível perceber que na cidade de Rio Branco, existem várias programações desenvolvidas para socializar e fazer com que o idoso tenha uma vida cultural ativa, como tem também várias políticas desenvolvidas, ou ao menos criadas com esse objetivo, mas que na prática não funcionam, como o próprio estatuto do Idoso (Lei 10.741/2003), que ressalta em relação aos cuidados do idoso, no artigo 3º os principais direitos do idoso:

É obrigação da família, da comunidade, da sociedade e do poder público assegurar ao idoso, com absoluta prioridade, a efetivação do direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária.

É a parte teórica existente no papel em forma de lei que deveria ser seguida, mas, que ao analisá-la direito percebemos que na prática não funciona. Os idosos são maltratados, menosprezados e violentados pelo poder Público, pela família e pela sociedade em geral, que não cumprem a lei. Sendo ignorados, a própria família os despreza e pratica violências

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físicas, usurpam à aposentadoria o pouco que lhes resta após anos de trabalho, e muitos são abandonados em asilos e em outros vários casos, ficam expostos nas ruas, a mercê dos perigos e cuidados que o mundo os oferece.

Diante deste cenário é possível pensar a Sociedade São Vicente de Paula (SSVP) que surgiu no seio da Igreja Católica, teve como objetivo ajudar o necessitado, não só os idosos mais também jovens, mulheres e crianças.

No estado do Acre a sociedade se apresenta mais claramente a favor dos Idosos, afinal os outros grupos etários recebem ajuda do governo de outros setores públicos e até mesmo privados, enquanto que em relação a estes sujeitos não se houve falar em outras instituições engajadas com objetivos de ajudar, pelo fato de enxergarem o idoso como um ser que não tem mais nada a oferecer futuramente.

Já a Igreja Católica no Acre tem outra concepção sobre o assunto, sustenta o Lar Vicentino no Estado há 57 anos, com o intuito de caridade e ajuda ao próximo.

A manutenção do Lar vicentino pela Igreja é um dos papéis sociais dos cristãos católicos, pois os mesmos têm como objetivo não abandonar os idosos como a maioria da sociedade faz, e sim ampará-los, oferecendo-lhes uma vida digna, com carinho e respeito, a aqueles que se encontram desamparados pelo estado e a família, e que na visão humanista católica, como qualquer outra faixa etária mais jovem, seu papel não é descriminar e sim ajudar o necessitado, pois segundo os cristãos, Deus não faz acepção de pessoas.

O Padre Agnaldo de Paula, baseado em leituras bíblicas diz que:

Jesus percorria as cidades e povoados, ensinando em suas sinagogas, pregando à boa noticia do Reino, e curando todo tipo de doenças e enfermidades. Vendo as multidões, Jesus teve compaixão porque estava cansadas e abatidas, como ovelha que não tem pastor.6

A Igreja Católica ainda tem a visão dos cristãos de 2000 anos atrás, de que todos são iguais perante os olhos de Deus, e também do próprio Ozanan que acreditava na força do cristianismo, e pregam para que a sociedade contemporânea seja viva, sem desigualdades, e a própria Igreja tem a iniciativa de ajudar todos sem distinção, inclusive os idosos que a sociedade capitalista renega.

6

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Mesmo que exista uma corrente valorizadora do idoso, pode-se dizer que a sociedade industrial evidencia elementos de criação e recriação da concepção de “velhice inútil” tendo por base a cadeia material da produção de renda e riqueza, a qual influencia diretamente na forma de tratar o envelhecimento nessas sociedades, sendo que as Casas Asilo na visão filantrópica – cristã no amparo a velhice apropriam- se do discurso bíblico como uma forma de amenizar esse tratamento dispensado pelo mundo do capital.

1.2 – O IDOSO NA CIDADE DE RIO BRANCO: ENTRE O ABANDONO FAMILIAR E O DESCASO SOCIAL.

O velho é sempre esquecido, Esquecido toda hora, Facilmente o mundo esquece Sua vida, sua história. Esquece os anos de luta,

A quantos pode ajudar, Esquece o lar que formou, E a quantos pode amar.

A partir de seus setenta, Mais difícil fica a vida, Se não conta com a ajuda... Se aproxima a despedida!

Há velhos afortunados, Tratados com muito amor,

A maioria, porém, Vive só, com sua dor.

SEVIERO (2007)

Mesmo que possua residência, quando o idoso ingressa no asilo passa por profundas transformações em sua vida. No asilo, como é o "Lar Vicentino", onde sua condição de internato é integral, a rotina é norteada por regras e mudança de laços sociais, mudanças que não são impostas pela instituição e sim pela própria condição do idoso, já que existem alguns que ali residem desde aqueles que não possuem condições físicas nem psíquicas de relacionamento que favoreçam seu convívio, até aqueles com falta de acompanhamento familiar.

Inicialmente, a maior ruptura que ocorre é a perda dos laços com o passado, deixar sua casa, sua família, seus vizinhos, seus objetos pessoais que o acompanharam ao longo da vida. Isso se torna pior, pois ao deixar seus idosos no "Lar Vicentino", a família desaparece, e aos poucos as visitas vão ficando cada vez mais esparsas, chegando à maioria das vezes, ao abandono.

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A instituição sempre possui horário de visitas, o Estatuto do Idoso prevê a manutenção dos vínculos familiares e participação destes nas atividades internas e externas da comunidade, no entanto, a solidão e o isolamento são uma constante para a maioria desses sujeitos sociais.

Em nosso entendimento, não basta apenas o "Lar Vicentino" ser uma instituição aberta para receber familiares, mas também, deveria existir uma alternativa de fazer intervenções ao estabelecimento e manutenção dos vínculos familiares, bem como o desenvolvimento de projetos juntos à comunidade, com o objetivo de diminuir o isolamento social dos idosos residentes nestas instituições.

Os idosos do "Lar Vicentino" realizam suas experiências de vida em quase tudo compartilhado. Tudo se dá em grupo: o dormir, o acordar, a alimentação, o festejar, etc. M esmo que às questões de ordem individual não sejam prioridades por falta de espaço para os objetos pessoais ou pela própria instituição, para um melhor funcionamento, há necessidade de que os internos rompam com seus laços matérias do pouco que ainda lhes resta, facilitando mais o convívio, minimizando a tristeza, a solidão e abandono. São experiências humanas individuais vivenciadas naquela instituição.

Isso implica pensar que na maioria das vezes a vida dos idosos nesta instituição se dá de forma coletiva, no refeitório, nas salas, no corredor, na varanda e nos pátios, até mesmo os quartos e os banheiros que também se constituem em espaços coletivos. Mas, também os bancos, as cadeiras de balanço e as camas são moveis do lar que se tornam lugares onde refletem a solidão, abandono e a tristeza.

Será que no passado um idoso que hoje vivencia o final de sua vida em uma instituição, muitas vezes sofrendo o desprezo por parte de sua família, chegou a imaginar que terminaria assim? Com certeza não, afinal se fosse capaz de prever o futuro provavelmente sua vida hoje seguiria outra direção. Portanto, os contemporâneos, diante desta situação de uma perspectiva crescente do número da população idosa, poderiam se solidarizar com os cuidados a uma pessoa idosa desde já para conseguir alcançar o futuro que querem ter.

Atualmente na capital acreana existe um número maior de receio e desprezo em relação ao idoso, devido à perspectiva de crescimento dos idosos. Tal preconceito tende a aumentar afinal o ser humano de hoje, vê o individuo mais velho como um incapacitado, que precisa de ajuda e não oferece mais nada em troca, fazem questão de lembrar que os

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velhos de hoje são os jovens de ontem e que esse é o destino de todos.

Diante dos fatos, em vez de procurar ajudar e reverter esse quadro, os jovens não se comovem com o que esta acontecendo atualmente em nosso meio, a questão do abandono e de maus tratos da pessoa idosa que não é um fenômeno que acontece apenas no Acre, mais sim na maioria das regiões do nosso país. Os que podem fazer alguma ação para a melhoria do problema levam a questão do preconceito e desrespeito adiante, não pensando estes no futuro que terão. Ecléa Bosi diz que:

A velhice, que é fator natural como a cor da pele, é tomada preconceituosamente pelo outro. Há, no transcorrer da vida, momentos de crise de identificação: na adolescência também nossa imagem se quebra, mas o adolescente vive uma fase de transição, não de declínio. O velho sente-se um individuo diminuído, que luta para continuar sendo um homem. O coeficiente de adversidade das coisas cresce: as escadas ficam mais duras de subir, as distancias mais longas a percorrer, as ruas mais perigosas de atravessar, os pacotes mais pesados de carregar. O mundo fica mais eriçado de ameaças, de ciladas. Uma falha, uma pequena distração é severamente castigada. (BOSI. 1994, p 79).

Apesar da força que uma pessoa tem em mostrar que não é, e que não quer ser considerado um ser idoso inválido e inútil, não vale muita coisa.

A autora acima citada afirma que já que a sociedade tem um conceito formado e assim "existe uma série de cuidados voltados para as crianças”, enquanto o velho fica mais uma vez com a sobra.

Afinal de contas, se pensarmos desta forma acerca da família cabe indagar o seguinte: pra que investir em um velho que não irá beneficiar futuramente e conseqüentemente trará gastos e trabalho?

Norbert Elias em seu livro a solidão dos moribundos retrata o seguinte:

A fragilidade dos velhos é muitas vezes suficiente para separar os que envelhecem dos vivos. Sua decadência os isola. Podem tornar-se menos sociáveis e seus sentimentos menos calorosos, sem que se extinga sua necessidade dos outros. Isso é o mais difícil: o isolamento tácito dos velhos, o gradual esfriamento de suas relações com pessoas a quem eram afeiçoados separação em relação aos seres humanos em geral, tudo o que lhes dava sentido e segurança (ELIAS, 2002, p.08).

O idoso abandonado ou que sofre por violência e maus-tratos da família a quem ele dedicou boa parte de sua vida, sente uma decepção afetiva muito forte que pode levá-lo à depressão. Muitas famílias, por desprezo ou por falta de condições, acabam deixando-os em entidades assistenciais ou transferindo para o Estado a responsabilidade de lhes garantir uma vida digna.

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Rute Bacelar, em seu livro Envelhecimento e produtividade: processos de subjetivação, diz:

Quando falo dessa necessidade urgente e tardia de tomar consciência da velhice, não me refiro ao assistencialismo, à caridade, ao tomar conta, refiro- me, primeiro, a uma conscientização de que não é doença; segundo, a que o velho, sendo saudável deve cuidar de si mesmo, (...); terceiro, além de um tratamento idêntico às pessoas mais novas, a que ele deve ser respeitado, seu direito como pessoa. Como se vê, as soluções para os problemas da velhice residem no social, embora não seja uma tarefa fácil, pois existe uma idéia cristalizada do perfil do “ser velho. (BACELAR, 2002, p. 131)

Apesar de existirem em Rio Branco várias entidades assistenciais que oferecem atividades diversificadas como esporte, cultura, lazer e diversão, as quais teriam por finalidade a prestação de um atendimento adequado ao idoso, sabemos que isso ainda não é o suficiente, pois a responsabilidade maior incide sobre a família e esta repassa a culpabilidade para o Estado. Assim transfere a situação do idoso que deveria ser partilhada, rodeada de carinho, cuidados e atenção em um absurdo como o desrespeito e o abandono de quem tanto já sofreram na vida.

Deve-se saber que, ser velho não significa está no fim da vida, somente pelo fato da concepção de idoso proveniente da sociedade capitalista que considera a pessoa idosa improdutiva. Contudo, nosso olhar para esse ser idoso é de integração, pois ela ainda é capaz de se socializar e expressa carinho e afeto, o que mais importa nesse momento. Desta forma, ultrapassa-se a barreira do capital que renega, menospreza e rejeita fatores que provoca o isolamento, o abandono e o distanciamento da pessoa idosa de sua família em razão do mercado que exclui das atividades produtivas.

O "Lar Vicentino" atualmente desenvolve um trabalho que poderia ser prestado pelas famílias, se a sociedade em geral cumprisse com o regimento do Estatuto do Idoso, onde diz que a família, em primeiro lugar tem o dever de zelar por esses sujeitos, mas que preferem deixar nas mãos de terceiros os cuidados necessários para os idosos dependentes de uma atenção especial para sua sobrevivência no seio familiar, principalmente por que após os 60 anos, o idoso fica mais vulnerável a doenças que os tornam frágeis e, se os cuidadores for alguém que os inspirem confiança, esses irão ter um estimulo maior para lutar pela vida.

Claro que toda responsabilidade não é apenas da família, e sim da sociedade em geral, pois se esta passará a cumprir com suas atribuições, os candidatos atuais a serem velhos, teriam uma velhice com mais qualidade e cuidados.

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Rute Bacelar (2002) em seu livro, envelhecimento e produtividade ressalta que:

É preciso que, valorizando a velhice, o homem se torne mais verdadeiro, mais seguro, mais dono de si, que assuma seu verdadeiro lugar na vida e sinta orgulho de velho; e não apenas o usuário da experiência e da sabedoria, porque está continuando, sem angústia, uma etapa de sua existência. (BACELAR, 2002, p. 135).

Se não tomarmos consciência agora do que estamos fazendo e do que precisamos fazer para ajudar ao nosso próximo, o futuro da nossa sociedade será a desgastante, já que o destino em um futuro bem próximo de todos nos é a velhice, e se não aprendermos a lhe dar com ela e respeitar os seus fatores negativos que vem juntos para assim, estarmos passando adiantes para nossos sucessores, será este também o destino que teremos.

Entretanto, o Estado também tem sua parcela de negligência em relação à pessoa idosa, pois a muito a se fazer em prol desses sujeitos que no passado deram muito de si para a formação e desenvolvimento desse estado e que hoje esse mesmo estado lhes vira as costas, tornando as coisas mais difíceis ainda para esses sujeitos idosos, mas mesmo assim não adianta olhar apenas para o que o Estado deixa de fazer, e sim deve haver uma conscientização geral por toda a sociedade, tendo em vista que a velhice é o futuro que nos espera, então deveríamos estar conscientes do que pode nos ocorrer.

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CAPITULO 2 – A VELHICE, A FAMÍLIA E A INSTITUIÇÃO “LAR VICENTINO”. 2. 1 – AS SITUAÇÕES DE VIOLÊNCIA E ABANDONO INTRAFAMILIAR ATENDIDAS PELO LAR VICENTINO.

Vives das tuas memórias. Olhas o mundo à distância. Voltas ao tempo de infância.

Mágoas e muitas histórias Perdem-se no teu caminho, Velho, que vives sozinho.

Vítor Cintra7

(Poesia. Velhice)

Neste capítulo se evidência a questão da violência8 p r a t i c a d a contra um sujeito idoso no seio do próprio lar, denominada como violência intrafamiliar, que são o abandono, maus tratos entre outras séries de violência que ocorrem pela própria família, mostrando que hoje em nossa cidade existe uma tendência crescente no percentual de pessoas com mais de 60 anos de idade.

Perspectiva esta que se torna preocupante para os representantes de instituições asilares juntamente com o poder público local, já que com o crescimento do perfil populacional idoso, cresce também o número de violência cometida contra esses sujeitos

Diante disso, faz-se necessário um olhar mais analítico para as questões sociais que envolvem a velhice e o envelhecimento principalmente local, fatores que são caracterizados como sendo problemas de natureza socioeconômicas, familiares entre muitas outras, mostrando desta forma, a violência e os maus tratos que são visto com freqüência em meio aos sujeitos idosos

Jaques de Lors em seu artigo „Os quatro pilares da Educação, nos alerta que:

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Poesia retirada do blog de Vitor Cintra no endereço: http://vitorcintra.blogspot.com/2011/09/velhice.html 8

Entende-se por violência aquela descrita por Cecília Minayo (2004), violências e os maus tratos contra os idosos se referem a abusos físicos, psicológicos e sexuais; a abandono, negligências, abusos financeiros e auto - negligências.

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A história da humanidade sempre foi permeada pela violência „mas há elementos novos que acentuam o perigo e, especialmente o extraordinário potencial de autodestruição criado pela humanidade no decorrer do século XX. A opinião pública, através dos meios de comunicação social, torna-se observadora impotente e até refém dos que criam ou mantém os conflitos‟ (LORS, 1999, p. 07).

Isso fica claro ao ligarmos a televisão para assistir um Jornal, tanto faz ser local, regional ou nacional, estará estampado um número alarmante de vítimas acometidas pela violência por minuto e as causas para tamanho absurdo são várias que vão desde conflitos interpessoais dentro da própria família, consumo de álcool e drogas, e também pela própria omissão do poder público, ao deixar de cumprir a lei conforme foi posta em seus regimentos.

E no que se refere à violência contra a pessoa idosa, torna-se um problema bem mais sério do que os casos convencionais, uma vez que ocorre internamente no lar que é pensado para protegê-lo.

Assim, manifesta-se de várias formas que vai desde o abuso físico, econômico, social e psicológico, abandono, negligência intimidação, ameaças entre os vários outros tipos de violência que ocorre dentro de casa causado pela própria família, a qual deveria esta ali para apoiar, dar suporte e oferecer ajuda mútua para seus entes queridos que por causa da conseqüência da idade esteja frágil e desmotivado com os insucessos ocorridos no decorrer da sua vida.

Neste caso, se percebe um desajuste intrafamiliar na relação idoso – família o que torna a situação da pessoa idosa mais vulnerável e sujeita a ocorrência de violências das mais variadas formas.

Entre as notícias de jornais veiculadas na cidade de Rio Branco, uma matéria do Jornal “O Rio Branco”, do dia 22 de novembro de 2010, intitulada “Respeito aos Idosos” nos chamou a atenção por evidenciar o tratamento dispensado ao idoso pela Instituição “Lar Vicentino” e pela Lei 10.741/2003. Nas (Figuras 1 e 2) as imagens analisadas, permitem uma maior compreensão da problemática da pessoa idosa nesta cidade.

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FIGURAS (1 e 2). “O” “Lar dos Vicentinos”, contrariando o Estatuto do Idoso. ( Jornal O Rio Branco)-11/2010

As imagens retiradas do referido jornal, permitem entrever uma situação envolvendo idosos do sexo masculino, negros, sozinhos em suas camas bagunçadas, em horário após o almoço, em pequenos quartos, sem nenhuma perspectiva aparente de melhorias visto que o local não desenvolve atividades para que esses sujeitos possam se envolver para passar o tempo, e as famílias já se desfez dos mesmos e ao chegarem a uma instituição, a qual deveria suprir o lado que falta pela família fazem isso, imagina então o que será desses sujeitos futuramente, já que a grande maioria possui múltiplas dependências?

Sabemos que desde os primórdios da existência humana, a família possui um papel fundamental no fortalecimento e desenvolvimento das relações, seja no meio cultural, social ou até econômico mesmo que muitas vezes essa família encontre dificuldades em entender o envelhecimento e aceitar um idoso entre um membro familiar, tornando, desta forma, a convivência familiar mais difícil.

Tudo isso acontece por que ao chegar à velhice o sujeito idoso perde a posição que antes ocupava no convívio familiar, passando assim, a inverter a situação, se antes ele mandava, passa agora a ser mandado, e por já ter passado da fase produtiva, tornando-se apenas consumista visto como um peso para a família, a qual acha melhor abandoná-lo, quando não fica usurpando o pouco que ainda lhes restam, espancando-os e maltratando-os, já que a intervenção ocorrida no passar da idade não os permite a autodefesa.

Os pais que fazem de tudo para estar ao lado dos filhos acompanhando o seu crescimento, conversando e ajudando em tudo o que precise, e quando chega à velhice, o filho não dispõem de tempo e ainda se desfaz com a presença de um pai idoso,

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desprezando-o e muitas das vezes o abandonando, tirando o pouco que ainda os restam, sua mísera aposentadoria.

A família pode, e influencia o suficiente para estabelecer características ao comportamento de um idoso. Desta forma, uma família bem estruturada (em termos de carinho) de maneira respeitosa, onde predomina a harmonia entre as pessoas de forma que todos possam aprender juntos, mesmo com funções distintas possam conviver amorosamente uns com os outros, incluindo o idoso. Sendo assim, as coisas tornar-se-iam mais fáceis de conviver.

Enquanto que, em uma família desarmoniza e desrespeitosa aos limites do próximo, o convívio entre as pessoas se torna frustrante, levando a um comportamento deprimido e agressivo, onde o idoso torna-se um ser totalmente isolado socialmente com medo de ser punido por alguma falha que possa cometer até mesmo pelos seus desequilíbrios físicos.

E, existem outras famílias que por excesso de cuidados fazem com que os idosos tornem-se completamente dependentes, dando na mão coisas que eles mesmos poderiam fazer deixando-os ociosos e enfraquecidos por causa da falta de movimentos e de atividades que eles poderiam desenvolver para melhorar até mesmo a sua auto-estima.

Esses são fatores característicos pelas diversas maneiras que tem cada família de lhe dar com o envelhecimento.

Hoje, não apenas em nossa cidade, mas como em todo país, podemos ver ainda que, a velhice sem dependência e autonomia não está refletindo positivamente nas pesquisas de contagem populacional, a opinião pública não consegue dar um destaque merecido para esse contingente populacional, pelo fato de que a mesma vem sendo mantido no seio familiar ou mesmo nas instituições asilares, dificultando a visão do poder público e em contrapartida, tirando também o foco político de proteção social, ou seja, o velho hoje está completamente excluído da sociedade, do convívio social, pois quando não se encontra preso dentro de casa, considerado um peso econômico, dependente e depressivo, está em um asilo, curtindo sua desilusão social.

Estudos realizados sobre essa temática nos mostra que cerca de 45% desses sujeitos são dependentes de alguma forma de ajuda mais prática como, por exemplo, fazer compras e administrar as finanças, uma outra parcela bem menor necessita de ajudas mais

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especificas, assim como na sua própria higiene.

A história nos mostra que muitos estados brasileiros vêm desenvolvendo algumas formas de apoio aos seus idosos dependentes, sendo que o papel principal é da família, por falta desta é que o p o d e r p ú b l i c o p a s s a a intervir, mas são fatores que quanto mais se discutem mais crítico fica. Pois se a lei 10.741/2003 nos revela que é dever da família, da comunidade e do poder público assegurar os direitos do idoso, a família sempre quer retroceder, jogando toda a responsabilidade para cima o Estado tornando a questão um verdadeiro jogo de pingue- pongue, jogando de um lado para o outro, sobrando para o idoso sofrer na pele tal descaso, sendo levado para as instituições asilares, as quais deveriam ser um lugar de refrigério e tranqüilidade, mas, que na prática não é bem assim que funcionam.

Enquanto que no artigo 37 da lei 10.741/2003, diz que:

O idoso tem direito a moradia digna no seio da família natural ou substituta, ou desacompanhado de seus familiares quando assim o desejar. (Estatuto do Idoso, Leinº 10.741/2003, p.15)

Mesmo com esse direito assegurado em lei, o que se ver é que os idosos estão sendo postos nos lares e/ou abrigos por vários motivos, mas que em sua quase totalidade, são os próprios filhos que determinam essa condição.

Os próprios funcionários da instituição analisada referem-se às famílias dos idosos internos de uma maneira profundamente negativa, pelo fato dos mesmos estarem negligenciando o contato que deveriam fazer com o idoso, fugindo de suas responsabilidades não fazendo cumprir com o termo assinado na hora de deixar um idoso na instituição.

Mesmo diante do exposto sobre a ausência familiar, vale ressaltar que nem todas as famílias, apesar de um número considerável pequeno, desprezam completamente o idoso pobre. Afinal, dos mais de 60 internos residentes no Lar dos Vicentinos, menos de 03 recebem visitas, e bem esporadicamente.

Deixando claro aqui que, o abandono dos filhos e também dos demais parentes é uma das mais cruéis violências sofridas que chegam ao "Lar Vicentino". Pois antes de chegar àquele local, o idoso já se tem sofrido bastante nas mãos de quem deveria estar zelando por ele e, ao chegar lá o descaso continua, a família desaparece e o próprio idoso muitas das vezes não consegue entender o que está acontecendo.

O problema é que a família o deixa na instituição e não quer mais saber desse sujeito, muitas das vezes quando um chega a falecer nas dependências da instituição (fator esse que

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ocorre com freqüência), o corpo sai de imediato para o Instituto Médico legal IML, até mesmo para não mexer com o emocional dos outros internos, e sendo liberado de lá são levado direto para ser sepultado, por que a família não aparece e não quer saber de modo algum desse sujeito.

Vale lembrar que responsabilizar a família pelo asilamento dos idosos não ajudará em nada, no entanto, se tentarmos compreender os motivos que a levaram a fazer isso, avaliando as condições familiares desses sujeitos, talvez entenderemos as causas que afetam as relações familiares desses idosos, e quais foram os motivos que o fizeram fazer isso.

Desta forma até mesmo os próprios funcionários da instituição poderiam está ajudando as famílias desses idosos internos a aprenderem a lhe dar melhor com essa situação. Pois existem alguns casos que há necessidade psicológica que só podem ser avaliadas positivamente através de um bom diálogo entre as famílias.

2.2 - LAR VICENTINO: A CONTRIBUIÇÃO SOCIAL NO AMPARO A VELHICE RIOBRANQUENSE.

No Estado do Acre, assim como em vários outros Estados existem instituições que visam o atendimento da parte menos favorecida da sociedade.

No caso de Rio Branco, os cuidados aqui expostos e estudados são voltados para os idosos, uma classe desprezada pela sociedade em geral, a instituição "Lar Vicentino" na cidade tem como prioridade, atender esses sujeitos, o qual é descendente da Sociedade São Vicente de Paulo (SSVP).

A SSVP é uma organização católica internacional de leigos e, foi fundada em 1833 em París por um grupo de jovens cristão que acreditavam e pregavam o cristianismo9.

Frederico Ozanam, sendo o mais jovem do grupo com apenas 20 anos de idade, foi o grande mentor dessa idéia.

Em um período de revoluções, estes estudantes se reuniam com um professor para

9

Informações retiradas do site http://ssvpbrasil.org.br/. e no regimento da Instituição Lar Vicentino, acessado no dia 10/11/2011.

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