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Capítulo

8

Desde o antigo Egito há

relatos de doenças humanas

causadas por animais como o

esquistossomo e a lombriga.

Esses parasitas infestam, ainda

hoje, milhões de pessoas em

todo o mundo, principalmente

em países tropicais e com baixos

índices de desenvolvimento.

Neste capítulo estudaremos as

principais características dos

platelmintos e dos nematódeos.

Conhecer as principais

verminoses humanas nos

possibilita participar

mais conscientemente

de sua prevenção.

8.1 Filo Platyhelminthes (platelmintos)

O filo Platyhelminthes reúne os “vermes” achatados. Seus representantes parasitas mais

conhecidos são as solitárias, causadoras da teníase, e os esquistossomos, que causam esquistossomose.

8.2 Filo Nematoda (nematódeos)

O filo Nematoda reúne os “vermes” cilíndricos de corpo alongado e afilado nas extremidades. Seus representantes parasitas mais conhecidos são as lombrigas, causadoras da ascaridíase, os ancilóstomos, causadores do amarelão, e as filárias, causadoras da elefantíase.

UNIDADE D

Platelmintos

e nematódeos

Micrografia ao microscópio óptico de Fasciola hepatica, platelminto parasita do fígado de carneiros, gado bovino e seres humanos. A boca se localiza na região mais afilada do corpo, onde há ventosas para

fixação ao hospedeiro (colorizada artificialmente; aumento q 303).

v

olker S

te

ger/ Science Pho

to librar y/ la tin S tock

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Repr

odução pr

oibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fever

eir o de 1998. Unidade D • A div er

sidade dos animais

Seção 8.1

Filo Platyhelminthes (platelmintos)

1

Características gerais

dos platelmintos

O filo Platyhelminthes (do grego platys, plano, achatado, e helminthes, verme) reúne animais de corpo achatado, dos quais as planárias são os representantes de vida livre mais conhecidos. Das cerca de 20 mil espécies descritas de platelmintos, aproximadamente 20% são parasitas de animais vertebrados e invertebrados. Entre os que parasitam a espécie humana, os mais conhecidos são as solitárias (ou tênias), que vivem na cavidade intes-tinal e causam teníase, e os esquistossomos, que habitam veias do fígado e de outros órgãos abdominais, causando esquistossomose. (Fig. 8.1) Habilidades

❱❱❱

sugeridas Caracterizar CCCCCC C platelmintos quanto à organização e à simetria corporal; aos locais em que vivem; à alimentação e à digestão; às principais classes; à reprodução. Descrever e CCCCCC C esquematizar as principais etapas dos ciclos de vida do esquistossomo e da tênia; identificar, em cada ciclo, os hospedeiros intermediários e as atitudes que podem prevenir a infestação por esse parasita.

Conceitos principais

❱❱❱

Platyhelminthes planária solenócito célula-flama ocelo trematódeo tênia hospedeiro definitivo hospedeiro intermediário cercária cisticerco teníase cisticercose humana

Figura 8.1 Representantes dos platelmintos. A. Planária marinha (tamanho natural). B. Planária terrestre (aumento q 153) C. Micrografia ao microscópio eletrônico de varredura de casal de esquistossomo, platelminto parasita causador da

esquistossomose (classe Trematoda); o macho (em azul) tem corpo mais grosso, com um sulco onde se aloja a fêmea (em rosa) (colorizada artificialmente; aumento q 103). D. Tênia, ou solitária, platelminto parasita causador da teníase (classe Cestoda); a região anterior, mais fina, é a que se fixa ao intestino do hospedeiro.

A C B D r einhard d ir S cherl/ a lamy/ o ther ima ge S nib S c / Science Pho to librar y/ la tin S tock Pio tr n a S krecki/ m inden/ la tin S tock Fabio c ol ombini

Uma novidade evolutiva apresentada pelos platelmintos, em relação aos cnidários, é a simetria bilateral. Além disso, os platelmintos desen-volvem em sua vida embrionária três folhetos germinativos — ectoderme, mesoderme e endoderme — e são os animais triblásticos mais primitivos da escala zoológica.

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Ocelo Face dorsal Boca Faringe Poro genital Face ventral

Ramo anterior da cavidade

gastrovascular Ramos posteriores da cavidade gastrovascular

A

B

Repr

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oibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fever

eir o de 1998. Capítulo 8 • Pla telmin tos e nema tódeos

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Classes de platelmintos

No sistema de classificação que adotamos, o filo Platyhelminthes é dividido em três classes: Turbellaria (turbelários), Trematoda* (trematódeos) e Cestoda (cestoides).

Classe Turbellaria

A classe Turbellaria reúne os platelmintos de vida livre, conhecidos popularmente como planárias, por apresentarem corpo achatado. As planárias podem ser aquáticas (marinhas ou de água doce) ou viver em ambientes úmidos de terra firme. (Fig. 8.2)

Figura 8.2 A. Representação esquemática de uma planária de água doce. (Imagem sem escala, cores-fantasia.) B. Micrografia ao microscópio óptico de planária, fixada e corada; em vermelho, pode-se ver o intestino muito ramificado. (aumento q 53). Na representação esquemática, a faringe está distendida, enquanto na micrografia está recolhida em uma bolsa.

Alguns sistematas consideram uma quarta classe no filo: Monogenea. Na classificação que adotamos, trata-se de uma

*

das duas subclasses de trematódeos.

Epiderme superior Mesênquima Musculatura transversal Musculatura longitudinal Musculatura circular Epiderme

inferior (ciliada) Glândulas mucosas digestóriaCavidade

Figura 8.3 Representação esquemática do corpo de uma planária em corte transversal. (Imagem sem escala, cores-fantasia.)

As planárias têm o corpo revestido por uma epiderme em que há células glandulares res-ponsáveis pela produção de uma secreção mucosa. As células epidérmicas da face inferior do corpo são ciliadas; o batimento coordenado dos cílios, atuando com a musculatura, permite o deslizamento do animal sobre uma trilha de muco que ele mesmo produz.

O espaço entre a epiderme e a parede da cavidade digestória é preenchido por células muscu-lares e por um tecido denominado mesênquima. A musculatura dispõe-se em diversas direções, e sua contração coordenada permite ao animal executar variados tipos de movimento: alongar-se, encurtar-se e virar o corpo em qualquer direção. As células mesenquimatosas são totipotentes, ou seja, são capazes de se multiplicar e se diferenciar nos vários tipos de células corporais, o que explica a elevada capacidade de regeneração das planárias. (Fig. 8.3)

c arl o S e S tev ã o S imonka c arl o S e S tev ã o S imonka e ric g ra

ve/ Science Pho

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Planárias têm sistema digestório incompleto, constituído por uma cavidade gastrovascular muito ramificada que se comunica com o exterior pela boca, localizada na região mediana ventral do corpo do animal. Embutida na boca há uma faringe musculosa.

A planária estende a faringe sobre o alimento, constituído de animais vivos ou mortos, e se-creta enzimas digestivas produzidas por células glandulares da parede intestinal; o processo de digestão inicia-se fora do corpo do animal. Pela faringe, a planária suga o alimento parcialmente digerido para dentro do intestino, onde a digestão prossegue. Células da parede intestinal en-globam o alimento parcialmente digerido e a digestão é concluída intracelularmente. Planárias apresentam, portanto, duas formas de digestão: extra e intracelular, como os cnidários.

Produtos úteis da digestão difundem-se para todas as células do corpo, o que é facilitado pela grande ramificação do intestino. Os restos não digeridos são eliminados pela boca. (Fig. 8.4)

Ramo anterior da cavidade gastrovascular Cavidade gastrovascular Ramos posteriores da cavidade gastrovascular Faringe Boca Figura 8.4 Representação esquemática de uma planária com parte do corpo removida para mostrar a cavidade gastrovascular e a faringe distendida. Nessa espécie, a cavidade gastrovascular consiste em um ramo anterior e dois posteriores. (Imagem sem escala, cores-fantasia.) Célula-flama Túbulo excretor Excreção Dobras da membrana celular Tufo de flagelos Núcleo Fluxo das excreções

Figura 8.5 Representação esquemática do sistema excretor de uma planária mostrando detalhes da estrutura da célula-flama, em corte. (Imagens sem escala, cores-fantasia.)

Ao longo das laterais do corpo de uma planária localiza-se o sistema excretor, constituído por protonefrídios. Estes são túbulos ramificados mergulhados no mesênquima e que apresentam, em cada extremidade, uma célula excretora, especializada na absorção de água e de excreções que se acumulam nos espaços entre os tecidos corporais. Dependendo da espécie, a célula ex-cretora pode apresentar um único flagelo, sendo então denominada solenócito, ou um conjunto de flagelos, recebendo neste caso a denominação de célula-flama.

A movimentação dos flagelos das células excretoras impulsiona o líquido absorvido ao longo dos condutos excretores. Estes abrem-se em poros excretores, ou nefridióporos, situados la-teralmente na superfície dorsal do corpo. Apesar da presença desse sistema excretor, boa parte da excreção dos platelmintos é realizada por difusão simples pela superfície corporal. (Fig. 8.5)

carl oS eS tev ã o Simonka carl oS eS tev ã o Simonka

O sistema nervoso das planárias é constituído por dois gânglios cerebrais localizados na região anterior do corpo. Os gânglios unem-se a dois cordões nervosos que percorrem longitudi-nalmente o corpo do animal. Dos cordões nervosos partem prolongamentos de células nervosas — nervos — que chegam a todas as regiões do corpo; os nervos controlam os músculos e recebem estímulos captados por células sensoriais.

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Em algumas planárias, receptores que percebem luminosidade organizam-se em órgãos visuais primitivos, os ocelos (do latim ocellus, pequeno olho). O ocelo é capaz de informar o sistema nervoso sobre a intensidade e a direção da luz, mas não de formar imagens.

Os gânglios cerebrais dos platelmintos constituem centros integradores das informações captadas pelas células sensoriais e conduzidas pelos nervos. Essa relativa “centralização” do sis-tema nervoso representa uma novidade evolutiva dos platelmintos em relação aos cnidários, que têm uma rede nervosa difusa, sem nenhum órgão integrador das funções nervosas. (Fig. 8.6)

Boca Ventosas Fêmea Macho Canal ginecóforo

Figura 8.7 Representações esquemáticas de representantes da classe Trematoda. A. Gyrodactylus sp., ectoparasita de peixes de água doce dotado de ganchos para fixação às brânquias do hospedeiro. B. Fasciola hepatica, endoparasita do fígado de carneiros dotado de duas ventosas, uma delas ao redor da boca. C. Casal da espécie Schistosoma mansoni, endoparasita do fígado humano; a fêmea abriga-se em um sulco que há no corpo do macho (canal ginecóforo). Nesses animais, a boca situa-se na ventosa anterior. (Imagens sem escala, cores-fantasia.)

A B C

Ganchos fixadores

Ventosas Boca

As planárias, como os demais platelmintos, não têm órgãos ou sistemas especializados em re-alizar trocas gasosas. Gás oxigênio e gás carbônico são respectivamente absorvidos e eliminados por difusão através da superfície epidérmica. Esses animais apresentam, portanto, respiração cutânea (do latim cutis, pele), como os cnidários.

Classe Trematoda

A classe Trematoda reúne platelmintos ectoparasitas (do grego ectos, fora), que vivem fixados a superfícies externas do corpo dos hospedeiros, e endoparasitas (do grego endos, dentro), que vivem no interior do corpo dos hospedeiros. Exemplos de trematódeos ectoparasitas são as espécies do gênero Gyrodactylus, que vivem aderidos à superfície externa das brânquias de peixes de água doce, como carpas e trutas. Exemplos de trematódeos endoparasitas são Fasciola hepatica, que vive em veias do fígado de carneiro, e Schistosoma mansoni, que vive em veias do fígado humano.

Os trematódeos têm o corpo revestido por uma cutícula resistente, secretada pela epiderme, que protege o parasita de eventuais ataques pelos sistemas de defesa do hospedeiro. A boca localiza-se na região anterior do corpo, abrindo-se em uma faringe musculosa; esta desemboca em um intestino ramificado. Em algumas espécies há ganchos e ventosas, adaptações do parasita para sua fixação ao hospedeiro. (Fig. 8.7)

Figura 8.6 A. Representação esquemática do sistema nervoso de uma planária. B. Representação esquemática da reação de uma planária à luz. As células pigmentadas dos ocelos, representados à direita, absorvem luz, estimulando células fotorreceptoras; estas geram impulsos nervosos, transmitidos aos gânglios cerebrais pelo nervo óptico. Comparando os impulsos provenientes dos dois ocelos, a planária movimenta-se em direção oposta à fonte de luz. (Imagens sem escala, cores-fantasia.)

Células pigmentadas Células fotorreceptoras Raios de luz Nervo óptico Ocelos Fonte de luz Nervos Gânglios cerebrais Cordões nervosos longitudinais ilu S tra çõe S : c arl o S e S tev ã o S imonka ilu S tra çõe S : d aniela weil A B

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Classe Cestoda

A classe Cestoda reúne platelmintos endoparasitas conhecidos popularmente como tênias, ou soli-tárias, cujos adultos vivem no intestino de animais vertebrados, geralmente de mamíferos. Os estágios larvais podem ocorrer em um ou mais hospedeiros, que podem ser invertebrados ou vertebrados.

O termo “tênia” (do grego tainia, fita, tira) refere-se à forma do corpo desses animais. Já o termo “solitária” deve-se ao fato de haver geralmente um único exemplar do platelminto no hospedeiro. Isso acontece porque uma tênia já instalada libera substâncias que impedem outra tênia de se instalar. Essa característica evita a superpopulação de parasitas, que poderia levar à morte do hospedeiro e consequente perda dos benefícios da hospedagem.

Tênias não têm sistema digestório, o que pode ser interpretado como uma adaptação extrema à vida parasitária: elas absorvem os nutrientes diretamente da cavidade intestinal do hospedeiro. A extremidade anterior do platelminto é afilada e termina em uma estrutura denominada escólex, ou escolece, pouco maior que a cabeça de um alfinete. No escólex há ventosas, ganchos ou sulcos adesivos (dependendo da espécie) que auxiliam a fixação do parasita ao intestino do hospedeiro.

O corpo da tênia é formado por centenas ou milhares de partes semelhantes, as proglótides, ou proglotes, que se originam na região junto ao escólex por um processo de divisão transversal do cor-po, a estrobilização*. A produção de novas proglótides é um processo contínuo e elas amadurecem à medida que se distanciam do escólex. Quando atinge a maturidade sexual, a proglótide se autofecunda e fica “grávida”, que é como se denomina uma proglótide repleta de ovos. As proglótides grávidas soltam-se da tênia e são eliminadas do corpo do hospedeiro juntamente com as fezes. (Fig. 8.8)

Relembre, no capítulo anterior, o processo de estrobilização que ocorre em pólipos de certos cnidários, levando à

*

formação de medusas.

Ventosas Sulco

adesivo

D. latus

A

Figura 8.8 A. Representação esquemática comparando os escoleces de três espécies de tênia (Taenia solium,

Taenia saginata e Dibothriocephalus latus). B. Representação esquemática de uma proglótide sexualmente madura, mostrando suas diferentes partes. (Imagens sem escala, cores-fantasia.) C e D. Micrografias ao microscópio eletrônico de varredura de T. solium (colorizada artificialmente; aumento  253) e T. saginata (colorizada artificialmente; aumento  153), respectivamente. E. Fotografia de proglótides grávidas de D. latus, nas quais se pode ver a saliência dos ovos em seu interior (aumento  33).

Canal excretor Ovário Nervo Região em que ficam armazenados

os ovos (útero) Testículos

Cirro (órgão copulador) Poro genital Vagina Glândula de vitelo B Ventosas Ganchos Zona de formação de proglótides T. solium T. saginata Escólex Proglótides imaturas Proglótide grávida Proglótides maduras Canal deferente Glândula da casca C D E ilu S tra çõe S : levi ciobo tarin Pho to take/ a lamy/ o ther ima ge S cnri / Science Pho to librar y/ la tin S tock cnri / Science Pho to librar y/ la tin S tock

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Reprodução dos platelmintos

A reprodução dos platelmintos é bastante diversificada. As espécies parasitas apresentam ciclos de vida complexos, em que podem se alternar fases sexuadas e assexuadas. Além disso, há espécies parasitas que necessitam de mais de uma espécie hospedeira para completar seu ciclo de vida.

As espécies parasitas cujo ciclo de vida completa-se em um único hospedeiro são chamadas de monogenéticas. É o caso, por exemplo, do trematódeo Gyrodactylus sp., platelminto com apenas um hospedeiro, um peixe de água doce. Espécies parasitas que necessitam de dois hos-pedeiros distintos para completar seu ciclo de vida são chamadas de digenéticas. É o caso, por exemplo, do Schistosoma mansoni, causador da esquistossomose, em cujo ciclo de vida há dois hospedeiros: seres humanos e moluscos (caramujos aquáticos). A solitária Taenia solium também é uma espécie digenética, cujos hospedeiros são seres humanos e porcos.

O hospedeiro em que ocorre a fase adulta e sexualmente madura de um parasita digenético é o hospedeiro definitivo, enquanto o hospedeiro em que ocorrem as fases larvais e sexual-mente imaturas é o hospedeiro intermediário. No Schistosoma mansoni e na Taenia solium, os hospedeiros definitivos do platelminto são os seres humanos, ao passo que os hospedeiros intermediários são o caramujo e o porco, respectivamente.

Para exemplificar a diversidade dos modos de reprodução dos platelmintos, apresentamos a seguir a reprodução em três representantes do filo: planária (Turbellaria), esquistossomo (Tre-matoda) e tênia (Cestoda).

Reprodução em planárias

Algumas espécies de planária reproduzem-se assexuadamente por fissão transversal: a parte posterior do corpo adere a algum objeto, e os esforços da planária para libertar-se e locomover--se acabam por rompê-la, deixando um pedaço para trás. Graças à sua grande capacidade de regeneração, ambos os pedaços do corpo recompõem as partes que faltam e assim surgem, assexuadamente, novos indivíduos. Se uma planária for cortada transversalmente em pedaços de até um décimo de seu tamanho, cada pedaço poderá se regenerar e formar um indivíduo completo. (Fig. 8.9) Estrangulamento Cabeça regenerada Cortes Cabeças regeneradas

Figura 8.9 A. Representação esquemática da reprodução assexuada da planária por fissão transversal. B. Representação esquemática da regeneração em planária. A eliminação da parte anterior, seguida de corte longitudinal no corpo, leva à formação de uma planária com duas cabeças. (Imagens sem escala, cores-fantasia.)

A B c arl o S e S tev ã o S imonka

Planárias são monoicas; cada indivíduo tem sistemas reprodutores de ambos os sexos. A parte feminina do sistema reprodutor compõe-se de um par de ovários, cada um ligado a um tubo fino, o oviduto, por onde óvulos maduros deslocam-se rumo ao exterior.

Os ovidutos unem-se na vagina, um ducto que desemboca no átrio genital comum aos dois sistemas reprodutores. Alguns platelmintos têm uma região dilatada da vagina onde os ovos maduros ficam armazenados até serem eliminados do corpo. A parte masculina do sistema reprodutor da planária compõe-se de alguns testículos, cada um deles ligado a um túbulo que conduz os espermatozoides até os ductos deferentes. Por esses ductos os gametas masculinos chegam ao órgão copulador, o pênis, situado no átrio genital.

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Nas planárias ocorre cópula: dois indivíduos sexualmente maduros unem-se e justapõem os poros genitais, cada um introduzindo o pênis no poro genital do parceiro. Após a troca de esper-matozoides, as planárias se separam e, em cada uma delas, os espermatozoides recebidos do parceiro percorrem os ovidutos e se encontram com os óvulos, fecundando-os.

Os zigotos resultantes da fecundação reúnem-se com células nutritivas ricas em vitelo, produ-zidas por glândulas vitelínicas que desembocam nos ovidutos. Os zigotos e as células nutritivas são envoltos por um casulo de cor marrom-escura. Os casulos são expelidos pela abertura do átrio genital e fixados a substratos submersos, em geral folhas de plantas aquáticas. Em cada casulo, diversos embriões, alimentando-se do vitelo acumulado nas células nutritivas, desenvolvem-se em pequenas planárias; ocorre portanto, fecundação interna e desenvolvimento direto. (Fig. 8.10)

Reprodução em esquistossomo

Schistosoma mansoni é uma espécie dioica. A fêmea é esguia, com 10 a 20 milímetros de

comprimento por 0,16 milímetro de largura, e abriga-se em um sulco do corpo do macho, o canal ginecóforo. Machos têm corpo mais curto e mais grosso que o das fêmeas, entre 6 e 13 milíme-tros de comprimento por 1,1 milímetro de largura. Os adultos vivem nas veias do fígado humano, onde se alimentam de substâncias do sangue e se acasalam. A cópula ocorre pela justaposição dos orifícios genitais do macho e da fêmea.

A postura dos ovos pelo platelminto ocorre nos vasos capilares do mesentério intestinal do hospedeiro. Os ovos com cerca de 0,15 milímetro são dotados de um pequeno espinho, que perfura o vaso capilar, permitindo sua passagem para a cavidade intestinal, de onde eles são eliminados juntamente com as fezes do hospedeiro. Ao entrar em contato com água, os ovos eclodem e li-bertam larvas ciliadas denominadas miracídios, de formato oval e com 150 a 170 micrômetros de comprimento por 60 a 70 micrômetros de largura.

O miracídio precisa encontrar, no intervalo de 24 horas, um caramujo da família dos planor-bídeos que lhe sirva de hospedeiro intermediário. Quando isso ocorre, o miracídio penetra no caramujo, perde os cílios e outras estruturas e transforma-se em um saco alongado repleto de células germinativas, o esporocisto primário. Este gera esporocistos secundários, cujas células germinativas se transformam em cercárias.

Poro genital Vagina

Ducto

deferente Testículos

Átrio

genital Pênis Oviduto

Glândulas vitelínicas Ovários Cópula Casulo Jovens planárias Bolsa copulatória (receptáculo seminal)

Figura 8.10 A. Representação esquemática do sistema reprodutor de uma planária de água doce. B. Representação esquemática da posição de cópula em planárias (à esquerda). Os ovos são postos dentro de casulos, onde se desenvolvem diretamente, sem estágios larvais. (Imagens sem escala, cores-fantasia.)

A B c arl o S e S tev ã o S imonka

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eir o de 1998. Capítulo 8 • Pla telmin tos e nema tódeos Esquistossomos adultos nas veias

do fígado Eliminação de fezes contaminadas por ovos Eclosão do ovo liberta o miracídio Miracídio invade caramujo hospedeiro Cercárias libertam-se do caramujo Penetração ativa das cercárias através

da pele Cercárias transformam-se em esquistossomos jovens Fígado

Figura 8.11 Representação esquemática do ciclo de vida do trematódeo Schistosoma

mansoni. O caramujo da espécie Biomphalaria glabrata é o mais conhecido hospedeiro

intermediário de S. mansoni. (Imagens sem escala, cores-fantasia.)

Um único miracídio que penetra no caramujo pode formar cerca de 200 mil cercárias. Estas são larvas adaptadas à vida aquática e dotadas de pequenos espinhos, duas ventosas e cauda bifurcada. Seu corpo mede cerca de 0,2 milímetro de comprimento por 0,07 milímetro de largura; a cauda tem aproximadamente 0,3 milímetro de comprimento. Cercárias maduras atravessam a parede do espo-rocisto, os tecidos do caramujo e saem para a água ao redor, onde passam a nadar ativamente.

Se uma pessoa entrar em contato com a água onde há cercárias, estas poderão penetrar na sua pele. O processo de penetração da cercária pode durar até 15 minutos e causa uma coceira característica; por isso, lagoas onde há cercárias em abundância costumam ser denominadas “lagoas de coceira” .

Durante sua penetração na pele ou nas mucosas do corpo humano (ou de outros animais), as cercárias perdem a cauda e passam a ser chamadas de esquistossômulos. Estes penetram nos vasos sanguíneos ou nos vasos linfáticos do hospedeiro, onde são atacados pelos sistemas de defesa do organismo. Os que sobrevivem a esse ataque podem chegar ao coração e aos pulmões, migrando em seguida para o fígado, onde permanecem até a fase adulta.

O ciclo se completa com a migração dos adultos para vasos capilares presentes no mesentério intestinal do hospedeiro; aí tem início a postura dos ovos. Um esquistossomo adulto pode viver até 30 anos e cada fêmea produz, diariamente, cerca de 300 ovos. (Fig. 8.11)

o S v aldo S anche S S eq uetin

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Cisticerco (comprimento  1,2 cm) Escólex invertida Larva oncosfera (comprimento  100 mm) HOSPEDEiRO iNTERMEDiÁRiO (porco) Porco ingere alimento contaminado por ovos de tênia

Ovo liberado pela proglótide

(diâmetro do ovo  50 mm) Proglótide grávida liberada com as fezes

(comprimento da proglótide  12 mm) Tênia adulta intestino humano Cisticerco everte-se e inicia a formação de uma tênia

Pessoa ingere carne malcozida contaminada por cisticercos HOSPEDEiRO DEFiNiTiVO (espécie humana) Cisticercos na musculatura Repr odução pr

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sidade dos animais

Reprodução em tênia

Os platelmintos cestoides (tênias) são monoicos (hermafroditas). Cada proglótide é dotada de um sistema reprodutor completo, masculino e feminino. Nas proglótides sexualmente madu-ras ocorre autofecundação, tanto entre órgãos reprodutores da mesma proglótide quanto de proglótides vizinhas (relembre a estrutura de uma proglótide na figura 8.8).

Após a fecundação, cada ovo, juntamente com células nutritivas produzidas na glândula vitelínica, adquire uma casca e passa para um compartimento especial (“útero”). Os órgãos da proglótide dege-neram e ela se torna uma bolsa repleta de ovos, passando a ser denominada proglótide grávida.

As proglótides grávidas situadas na parte terminal do corpo da tênia destacam-se e são eli-minadas juntamente com as fezes do hospedeiro. Cada ovo, nesse ponto do ciclo vital, já contém um pequeno embrião em seu interior. Uma única tênia pode liberar diariamente 10 proglótides grávidas, cada uma contendo cerca de 80 mil ovos.

Quando o ovo é ingerido por um hospedeiro intermediário adequado, como um boi, um porco ou um peixe, dependendo da espécie de tênia, sua casca se rompe e libera uma larva denominada oncosfera, que perfura a parede intestinal e chega ao sangue, indo alojar-se na musculatura ou no cérebro do hospedeiro. Nesses locais, a larva se transforma em uma bolsa ovoide e cheia de líquido, o cisticerco.

Se uma pessoa comer carne malcozida contaminada com cisticercos pode adquirir teníase. O cisticerco, no interior do intestino humano, expande um pequeno escólex, que se fixa à mucosa intestinal e dá origem a uma nova tênia. (Fig. 8.12)

Figura 8.12 Representação esquemática do ciclo de vida da tênia-do-porco (Taenia solium). O porco (Sus scrofa)

é o hospedeiro intermediário, abrigando em sua musculatura formas imaturas do platelminto (cisticercos). A espécie humana é a hospedeira definitiva, abrigando o platelminto adulto no intestino delgado. (Imagens sem escala, cores-fantasia.)

o S v aldo S anche S S eq uetin

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CIÊNCIA

E CIDADANIA

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eir o de 1998. Capítulo 8 • Pla telmin tos e nema tódeos

1 Os platelmintos são responsáveis por diversas

parasitoses humanas e constituem um problema de saúde pública em escala mundial, principalmente em regiões pobres e deficientes em saneamento básico. Em certos países asiáticos, por exemplo, cerca de 70% das crianças apresentam algum tipo de verminose.

Esquistossomose

2 A esquistossomose é uma doença causada por

espécies do gênero Schistosoma. Dependendo da espécie, o parasita aloja-se nos vasos sanguíneos da bexiga (Schistosoma haematobium), do intestino (Schistosoma japonicum) ou do fígado (Schistosoma

mansoni). A Organização Mundial de Saúde (OMS)

estima que, na África, na Índia e na América do Sul, haja mais de 200 milhões de pessoas afetadas pela esquistossomose.

Sintomas, tratamento e prevenção da esquistossomose

3 A doença tem uma fase aguda, em que a pessoa

portadora dos parasitas apresenta manifestações clí-nicas como coceiras e dermatites, febre, inapetência, tosse, diarreia, enjoos, vômitos e emagrecimento.

4 A fase crônica é geralmente assintomática e

pode durar vários anos. Podem ocorrer episódios de diarreia alternados com períodos de obstipação (pri-são de ventre). Em algumas pessoas, a doença pode evoluir para um quadro mais grave, com aumento do fígado (hepatomegalia) e cirrose, aumento do baço (esplenomegalia), hemorragias provocadas por rompimento de veias do esôfago, e ascite, conhecida também como barriga-d’água, porque o abdome fica dilatado e proe minente em consequência do acúmulo de plasma nos tecidos.

5 Algumas drogas terapêuticas são capazes de

ma-tar o esquistossomo no organismo humano. Entretan-to, a melhor maneira de combater a esquistossomose é a prevenção. As medidas preventivas consistem em interromper o ciclo de vida do parasita, o que pode ser feito das seguintes maneiras:

a) impedir que ovos de esquistossomo presentes nas fezes da pessoa doente contaminem rios, lagos, açudes e outros reservatórios de água; para isso é preciso construir instalações sanitárias adequadas, com fossas sépticas ou sistemas de esgotos, e aterrar locais propícios ao acúmulo de água de chuva;

b) combater os caramujos transmissores que servem de hospedeiros intermediários para o parasita; isso pode ser feito pela aplicação, na água de lagoas, de substâncias moluscocidas;

c) evitar a penetração das larvas no corpo; para isso, não se deve consumir água de locais onde vivem os caramujos transmissores ou utilizá-la para tomar banho; caso haja necessidade de uso des-sa água, ela deve ser fervida antes da utilização. Atualmente têm sido feitas experiências de criar, em lagos em que há caramujos, certas espécies de peixes que comem as cercárias, como as tilápias, por exemplo.

Teníase

6 Adquire-se teníase pela ingestão de carne

mal-cozida contendo cisticercos. Estes são bolsas ovoides esbranquiçadas e semitransparentes, com cerca de 1,2 centímetros, conhecidas popularmente como “canji-quinhas”, pois seu aspecto lembra um grão de milho de canjica. No intestino dos hospedeiros, o cisticerco se expande e forma um pequeno escólex que se fixa à mucosa intestinal, originando uma tênia.

7 Entre as diversas espécies de tênia, duas são

parasi-tas importantes da espécie humana: Taenia saginata, a tênia-do-boi, que pode atingir até 8 metros de compri-mento, com mais de 1.000 proglotes, e é mais dissemi-nada na África, no Oriente Médio, na América Central, na Europa e na Ásia; e Taenia solium, a tênia-do-porco, que atinge 3 metros de comprimento, com 800 a 1.000 proglotes, sendo mais frequente no México, na América Central e do Sul, na Europa Oriental e na Oceania.

Sintomas e prevenção das teníases

8 A infestação por tênia provoca sintomas

relativa-mente brandos no hospedeiro, como diarreias, prisão de ventre, insônia e irritabilidade. A pessoa atacada pela verminose é geralmente magra, pois o parasita compete com ela pelo alimento ingerido. Além disso, frequentemente ocorre anemia, acompanhada de indisposição e cansaço, provocados por substâncias tóxicas liberadas pelo parasita.

9 Substâncias laxantes são pouco eficazes contra

as tênias, principalmente no caso de Taenia solium. A fixação do escólex no intestino é tão eficiente que, muitas vezes, apesar de a tênia ser eliminada quase por inteiro, o escólex permanece e origina novas proglótides. Atualmente há tratamentos bastante eficazes para eliminar os parasitas do intestino.

Doenças humanas causadas por platelmintos

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Figura 8.13 Carne que passou por fiscalização governamental. Esse controle ajuda a evitar a propagação de doenças parasitárias.

10 Algumas medidas preventivas que ajudam a evitar ou reduzir a

infesta-ção por tênia são:

a) impedir que ovos de tênias sejam ingeridos por animais como porcos e vacas, ou que contaminem rios e lagos, no caso de tênias-de-peixe; para isso é preciso construir instalações sanitárias adequadas, com fossas sépticas ou sistemas de esgotos;

b) evitar comer carne crua ou malcozida, principalmente quando não se conhece a procedência desses alimentos. O cozimento prolongado mata a tênia imatura (cisticerco).

11 Atualmente o número de pessoas infestadas por tênias tem diminuído

graças à maior fiscalização sanitária de matadouros e frigoríficos. É fácil identificar um animal infestado por meio da análise da musculatura da mandíbula, da língua, do coração e do diafragma, onde há maior incidência de formação dos cisticercos. (Fig. 8.13)

Cisticercose humana

12 Se uma pessoa ingerir os ovos da tênia, consumindo alimentos

contami-nados , por exemplo, ela servirá de hospedeira intermediária do parasita. As oncosferas libertam-se dos ovos e podem atingir a musculatura ou o cérebro da pessoa, transformando-se em cisticercos. Quando alojados na muscula-tura, os cisticercos geralmente causam poucos problemas. Entretanto, ao se alojar no cérebro os cisticercos podem provocar convulsões semelhantes às da epilepsia. A doença, nesse caso, é a cisticercose humana.

Cisto hidático (hidatidose)

13 A doença conhecida como cisto hidático, ou hidatidose, é causada pelo

cestoide Echinococcus granulosus. No estágio adulto, o verme mede entre 3 e 6 milímetros de comprimento e vive no intestino do cachorro e de outros canídeos (lobo, chacal etc.). Na fase larval, o parasita pode viver na espécie humana e em animais domésticos como bois, carneiros, porcos etc.

GUIA DE LEITURA

1. O primeiro parágrafo comenta a relação entre

saneamento básico e parasitoses humanas, en-tre elas as causadas por platelmintos. Reflita de que modo fatores como a falta de esgotos e de água adequadamente tratada são importantes para a saúde humana.

2. Leia o segundo parágrafo, que apresenta os

agentes causadores da esquistossomose. Quais são eles e que órgãos do hospedeiro são afetados pela parasitose?

3. Os parágrafos 3 e 4 referem-se aos sintomas da

esquistossomose. Quais são eles?

4. O quinto parágrafo apresenta as principais formas

de prevenção da esquistossomose. Localize, no livro, a ilustração que mostra o ciclo de vida do esquistossomo. Com base nela, crie sua própria

ilustração simplificada em seu caderno, apontan-do, no ciclo que desenhou, os pontos em que se pode atuar para prevenir essa verminose.

5. Sua tarefa, agora, é produzir uma tabela que

resumirá as principais doenças causadas por platelmintos apresentadas neste quadro. Su-gerimos que a tabela relacione cada parasitose a: a) agente causador; b) formas de infestação; c) sintomas; d) prevenção e tratamento. Após construir a tabela, comece seu preenchimento pela esquistossomose.

6. Os parágrafos 6 e 7 referem-se à maneira pela

qual as pessoas adquirem teníase e aos princi-pais agentes causadores dessa verminose. Cer-tifique-se de ter compreendido esses aspectos e continue o preenchimento da tabela iniciada no item anterior. tia go q ueiroZ/ ae Repr odução pr

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Capítulo 8 • Pla telmin tos e nema tódeos

Figura 8.14 A. Micrografia do cestoide Echinococcus granulosus, ao microscópio óptico (aumento q 603). B. Raios X do tórax de uma criança mostrando um grande cisto de E.

granulosus no pulmão esquerdo (imagem colorizada artificialmente).

A B

14 A infestação ocorre pela ingestão de água ou alimentos contaminados por

fezes de cães contendo ovos do equinococo, ou pelo contato direto com animais infestados. No intestino de uma pessoa, os ovos eclodem e libertam larvas que são levadas pelo sangue e atingem diversos órgãos (músculos, pele, vísceras ou cérebro).

15 As larvas se desenvolvem no interior de grandes bolsas esféricas cheias de

líquido, chamadas de cistos hidáticos. Alguns cistos podem atingir o tamanho de uma laranja e, após alguns anos, chegar ao tamanho de uma bola de futebol. Um cisto pode formar cistos secundários, que se espalham pelo corpo, levando a lesões e infecções bacterianas, às vezes com consequências fatais. (Fig. 8.14)

7. Leia o oitavo parágrafo, que se refere aos

sinto-mas da teníase. Continue a preencher a tabela.

8. Os parágrafos 9, 10 e 11 comentam as principais

formas de tratamento e de prevenção da teníase. Localize, no livro, a ilustração que mostra o ciclo de vida da tênia. Com base nela, crie sua própria ilustração em seu caderno, apontando, no ciclo que desenhou, os pontos em que se pode atuar para prevenir essa verminose.

9. Continue o preenchimento da tabela,

resumin-do as formas de tratamento e prevenção da teníase.

10. O parágrafo 12 comenta a cisticercose humana,

causada pelo mesmo agente causador da teníase. Qual é a diferença entre essas doenças? Inclua a cisticercose em sua tabela.

11. Leia o décimo terceiro parágrafo, que apresenta o

agente causador da hidatidose (ou cisto hidático). Qual é ele?

12. Os dois parágrafos finais (14 e 15) referem-se

às maneiras pelas quais se adquire hidatidose. Certifique de tê-las compreendido e continue o preenchimento de sua tabela.

13. Observe a Figura 8.14, que mostra uma fotografia

do verme da hidatidose e uma radiografia do tó-rax de uma pessoa doente, com um grande cisto pulmonar. Seu desafio é desenhar no caderno um ciclo simplificado do agente causador dessa doença, nos moldes dos que fez anteriormente, apontando os locais do ciclo em que se pode atuar preventivamente contra essa verminose.

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Seção 1.1

Filo Nematoda (nematódeos)

1

Características gerais dos nematódeos

O filo Nematoda (do grego nematos, fio) reúne animais triblásticos, com simetria bilateral e corpo cilíndrico, alongado e afilado nas extremidades. Um dos exemplos mais conhecidos de nematódeo é a popular lombriga, parasita do intestino humano.

O tamanho dos nematódeos, também chamados nematos, nematoides ou nematelmintos, pode variar de menos de 1 milímetro de comprimento a mais de 1 metro. Diversas espécies são endoparasitas de plantas e de animais; nossa própria espécie é parasitada por mais de 50 espécies desse filo. A maioria dos nematódeos, no entanto, tem vida livre e habita ambien-tes diversos como solos úmidos e ricos em matéria orgânica, rios, lagos e oceanos. Uma colher de solo fértil chega a conter milhões de nematódeos de tamanho quase microscópico.

Há cerca de 90 mil espécies desse filo descritas na literatura especiali-zada, mas os biólogos acreditam que esse número possa ser 10 vezes maior. Isso colocaria o filo Nematoda em segundo lugar no número de espécies, à frente dos moluscos e atrás apenas dos artrópodes. (Fig. 8.15)

Habilidades

❱❱❱

sugeridas Caracterizar os animais CCCCCC C do filo Nematoda quanto à organização e à simetria corporal; aos locais em que vivem; à alimentação e à digestão; às principais classes; à reprodução. Estar informado sobre

CCCCCC C

algumas das principais verminoses causadas por nematódeos — ascaridíase, ancilostomose, triquinose, filariose e oxiurose — e as atitudes que podem prevenir a infestação por esses parasitas. Conceitos principais

❱❱❱

Nematoda ascaridíase amarelão bicho-geográfico triquinose filariose oxiurose

Figura 8.15 Exemplares do nematódeo

Ascaris lumbricoides, a lombriga

(comprimento q 25 cm).

Seção 8.2

Duas grandes novidades evolutivas apresentadas pelos nematódeos são a presença de uma cavidade corporal preenchida de líquido, o pseudoceloma, e sistema digestório completo, em que há uma abertura para a entrada de ali-mento, a boca, e outra para a eliminação dos resíduos da digestão, o ânus.

Uma característica curiosa do filo Nematoda é que nenhum de seus representantes tem cílios ou flagelos nas células, nem mesmo nos esper-matozoides, que se locomovem por meio de pseudópodes.

2

Anatomia dos nematódeos

O corpo de um nematódeo pode ser descrito como “um tubo dentro de outro tubo”. O tubo interno é o intestino, que começa na boca e termina no ânus. O tubo externo é a parede corporal. Entre esses tubos há uma cavida-de cheia cavida-de líquido cavida-denominada pseudoceloma (relembre no capítulo 7).

A parede do corpo de um nematódeo é revestida externamente por uma epiderme, em geral recoberta por uma cutícula protetora de constituição proteica. A cutícula é trocada periodicamente em um processo chamado ecdise, o que permite o crescimento do animal. Essa característica, junta-mente com outras de natureza genética, permite agrupar os nematódeos, os artrópodes e alguns filos menores em um clado denominado Ecdysozoa.

Sob a epiderme há uma camada de células musculares com fibrilas con-tráteis. Por estarem orientadas unicamente no sentido longitudinal do corpo, essas fibrilas permitem que o animal realize apenas movimentos de flexão.

Fabio

c

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Boca Poro excretor Espículas peniais Abertura cloacal Ovários Região em que ficam armazenados os ovos Vagina intestino Faringe Boca Repr odução pr

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As células musculares têm prolongamentos que as ligam a dois cordões nervosos, um dorsal e um ventral, que percorrem longitudinalmente o corpo do nematódeo. Esses cordões estão ligados a um anel de células nervosas em torno da faringe e dirigem-se tanto para a região anterior quanto para a região posterior do animal. (Fig. 8.16)

A boca localiza-se na extremidade anterior do corpo. A ela segue-se uma faringe curta e musculosa que impulsiona o alimento para o in-testino, um tubo fino e reto que termina no ânus. Os alimentos parcialmente digeridos na cavidade intestinal são absorvidos pelas células da parede do órgão, onde a digestão se completa. Nutrien-tes resultanNutrien-tes dessa digestão intracelular são lançados no líquido do pseudoceloma e difundem--se para as demais células do corpo. O material não digerido é eliminado pela abertura anal.

As excreções resultantes do metabolismo celular, íons excedentes e outras substâncias indesejáveis são também lançadas no líquido do pseudoceloma. Parte delas, principalmente as excreções nitrogenadas, são eliminadas por difusão pela parede do corpo. Outra parte, constituída principalmente por íons, é eliminada por estruturas especiais denominadas renetes.

Um dos tipos mais comuns de renete é uma célula gigante em forma de letra H que percorre todo o corpo do nematódeo, formando dois longos tubos laterais unidos por um canal transversal na porção anterior do nematódeo. No canal transversal há um ducto que se comunica ao poro excretor, pelo qual as excreções são eliminadas do corpo.

Os nematódeos, assim como os platelmintos, não têm órgãos ou sistemas especializados para realizar trocas gasosas. Gás oxigênio e gás carbônico são, respectivamente, absorvidos e eliminados por difusão simples pela superfície corporal. Eles apresentam, portanto, respi-ração cutânea.

3

Reprodução

dos nematódeos

A maioria dos nematódeos é dioica e tem dimorfismo sexual: machos e fêmeas diferem entre si quanto a algumas características mor-fológicas. Machos têm o corpo mais curto que o das fêmeas e sua região posterior é curvada, formando um gancho com o qual seguram a fêmea durante a cópula.

As fêmeas das lombrigas têm um par de ovários longos e finos, cada um ligado a um fino oviduto que se dilata nas proximidades da vagina. Essas regiões dilatadas desembocam na vagina, que se comunica com o exterior pelo poro genital feminino, situado na região ventral do terço anterior do corpo. (Fig. 8.17)

Machos de lombriga têm um único testículo, longo e fino, ligado a um ducto deferente, que desemboca na vesícula seminal, onde os esper-matozoides ficam armazenados até o momento da cópula. A vesícula seminal comunica-se com uma câmara, a cloaca, onde também desemboca o intestino. Na cloaca do macho de lombriga há duas formações semelhantes a espinhos, as es-pículas peniais, que são introduzidas no orifício genital feminino durante a cópula.

Cordão nervoso dorsal

Musculatura Ovário

Pseudoceloma Cordão nervoso ventral Útero com ovos Canal excretor (renete) intestino Epiderme Cutícula

Figura 8.16 Representação esquemática da lombriga, Ascaris lumbricoides, em corte transversal para mostrar a organização interna. (Imagem sem escala, cores-fantasia.)

Figura 8.17 A. Representação esquemática de fêmea e de macho de Ascaris lumbricoides. B. Representação esquemática de uma lombriga-fêmea dissecada, mostrando o intestino e os órgãos reprodutores. (Imagens sem escala, cores-fantasia.)

A B Pa ul o man Z i Pa ul o man Z i

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Ciência e Tecnologia

Doenças humanas causadas por nematódeos

1 Os nematódeos causam diversas doenças em

plan-tas e animais. Geralmente eles não levam à morte do hospedeiro, o que pode ser interpretado como uma grande adaptação à vida parasitária. É vantajoso ao parasita que o hospedeiro resista bem à parasitose pois, se este morrer, o primeiro perderá sua moradia e fonte de alimentação.

2 Há mais de 50 espécies de nematódeos parasitas

da espécie humana. Entre elas destacaremos apenas as mais frequentes e que causam doenças de maior gravidade.

Ascaridíase

3 A ascaridíase, ou ascaridiose, é causada por Ascaris lumbricoides, popularmente conhecido como lom-briga, que vive no intestino humano ou no do porco.

Estima-se que existam, em todo o mundo, mais de 1 bilhão de pessoas infestadas por esse parasita.

4 Nas lombrigas, os espermatozoides colocados pelo

macho na vagina da fêmea deslocam-se por movimen-tos ameboides até os ovidumovimen-tos, onde fecundam os óvu-los. Logo após a fecundação, cada ovo desenvolve uma casca rígida e é eliminado pelo poro genital feminino.

Uma fêmea põe diariamente mais de 200 mil ovos, eliminados do corpo do hospedeiro com as fezes.

5 Os ovos podem contaminar lagos, rios e depósitos

de água potável. Verduras, frutos e legumes regados com essa água também podem ser contaminados e ingeridos por um porco ou por uma pessoa.

6 No tubo digestório do hospedeiro, a casca do ovo

é digerida e dele sai uma pequena larva filamentosa com cerca de 0,2 milímetro de comprimento. Embora já estejam no ambiente em que viverão quando adultas, as larvas ainda precisam empreender uma longa migra-ção pelo corpo do hospedeiro até conseguir se instalar definitivamente no intestino. Nessa migração, elas perfuram a parede intestinal do hospedeiro e entram na corrente sanguínea.

7 Depois de alguns dias, jovens lombrigas com cerca

de 3 milímetros de comprimento atingem os pulmões, onde perfuram os alvéolos pulmonares e sobem pela traqueia. Isso pode causar tosse, fazendo as larvas se-rem lançadas na faringe e engolidas. Dessa forma, os parasitas retornam ao intestino, onde se estabelecem definitivamente, crescem e atingem a maturidade sexual. (Fig. 8.18)

Formas larvais de lombriga migram do pulmão para a traqueia e

são engolidas (comprimento  3mm) Casca Embrião ingestão de água ou alimentos contaminados

por ovos de lombriga

Eclosão dos ovos e libertação das larvas no intestino delgado (comprimento  0,2 mm) Eliminação dos ovos de lombriga com as fezes Nematódeos adultos no intestino delgado (comprimento  20 cm a 30 cm)

Figura 8.18 Representação esquemática do ciclo de vida do nematódeo Ascaris lumbricoides, em que há apenas um hospedeiro, geralmente a espécie humana ou o porco. As setas pretas representam a ingestão dos ovos e a liberação das larvas no intestino. As setas rosas representam a migração pela circulação sanguínea até os pulmões e a subida pela traqueia. As setas azuis representam a chegada do parasita ao seu

ambiente definitivo. (Imagens sem escala, cores-fantasia.)

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Sintomas, tratamento e prevenção da ascaridíase

8 Quando há poucas lombrigas vivendo no intestino

de uma pessoa, elas não causam maiores problemas. Em grande número, porém, podem causar obstrução intestinal; se muitos ovos são ingeridos ao mesmo tempo, a migração das larvas pode causar lesões e in-fecções pulmonares de certa gravidade. As lombrigas, embora raramente, podem invadir as veias do fígado, onde produzem lesões graves e muitas vezes fatais.

9 O tratamento da ascaridíase e de infestações por

ou-tros nematódeos pode ser feito com medicamentos que combatem os parasitas no intestino. É possível prevenir a infestação construindo instalações sanitárias adequa-das, que impeçam a contaminação de água potável e de alimentos. Outro cuidado importante na prevenção da ascaridíase e de outras doenças parasitárias é ferver a água não tratada e lavar bem os alimentos consumidos crus, principalmente as verduras e as frutas.

Amarelão (ancilostomose)

10 O amarelão é uma verminose que pode ser

causada pelos nematódeos Ancylostoma duodenale

e Necator americanus. O primeiro é mais comum e, por isso, o amarelão é também chamado de

ancilostomose.

11 Os ancilóstomos têm cerca de 1 a 1,5 centímetro

de comprimento e seu ciclo de vida é semelhante ao das lombrigas. As formas adultas vivem no intestino delgado da pessoa infestada, onde machos e fêmeas copulam; os ovos são eliminados com as fezes da pessoa doente. Se atingirem o solo eles eclodem e libertam pequenas larvas filamentosas. Estas vivem certo tempo no solo, alimentando-se de bactérias, até se tornarem capazes de penetrar ativamente na pele dos hospedeiros. Pessoas descalças, traba-lhadores rurais e crianças que brincam com terra são os mais atingidos.

12 As larvas atravessam a pele e entram na

cor-rente sanguínea, por onde chegam aos pulmões; aí perfuram os alvéolos pulmonares, sobem pela tra-queia e faringe e são engolidas. Dessa forma, chegam ao intestino, onde se estabelecem definitivamente e atingem a maturidade sexual, completando o ciclo de vida. (Fig. 8.19)

Nematódeos adultos fixados

no intestino

Penetração ativa das larvas através da pele Larvas Pelo Pele Boca Cabeça do Ancylostoma sp. “Dentes”

Não andar descalço Não defecar

ao ar livre

Figura 8.19 A. Representação esquemática da penetração de larvas do ancilóstomo na pele humana. B. Representação esquemática de ancilóstomos fixados à parede do intestino. C. Representação esquemática da boca do ancilóstomo, guarnecida por “dentes” pontiagudos que perfuram a parede intestinal. Observe, nos quadros à direita, dois cuidados para prevenir o amarelão. (Imagens sem escala, cores-fantasia.)

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Sintomas e prevenção do amarelão

13 Os nematódeos do amarelão causam lesões na

parede intestinal, provocando hemorragias. A perda de sangue torna a pessoa anêmica, fraca e desanimada, com uma palidez típica na face (daí o termo amarelão). Esse quadro de sintomas, mais comum em pessoas que vivem em ambientes sem saneamento básico, como algumas áreas rurais, foi retratado por Monteiro Lobato em seu famoso personagem Jeca Tatu.

14 Como no caso de outras parasitoses, pode-se

pre-venir o amarelão construindo instalações sanitárias adequadas, de modo que os ovos do parasita não se espalhem no solo. Outra providência importante é o uso de calçados, que impedem a penetração das larvas pelos pés, a maneira mais comum de contrair a doença. Hoje há medicamentos eficientes no combate desses e de outros parasitas.

Infestação por larva migrans

(bicho-geográfico)

15 Ancylostoma braziliensis é um nematódeo parasita

de cães e gatos, com ciclo semelhante ao dos parasi-tas que causam o amarelão em humanos. Os ovos do parasita são eliminados com as fezes desses animais e contaminam o solo, onde as larvas se desenvolvem. Ao atingir pouco mais de 0,5 milímetro, elas já são capazes de penetrar ativamente através da pele de cães e gatos, completando o ciclo.

16 As larvas também penetram na pele das pessoas,

mas, nesse caso, não conseguem entrar na circulação sanguínea e passam a deslocar-se sob a epiderme, causando lesões em forma de linhas tortuosas. Devido a essa peculiaridade, as larvas de A. braziliensis são conhecidas como larva migrans, ou bicho-geográfico. As infestações são comuns em praias frequentadas por cães, onde as pessoas andam descalças na areia contaminada com fezes desses animais.

Sintomas e prevenção da infestação por bicho-geográfico

17 Os sintomas da infestação pelo bicho-geográfico

são forte coceira e irritação da pele, principalmente à noite, quando os parasitas se tornam mais ativos. Pode-se reduzir a coceira e a movimentação dos para-sitas aplicando gelo sobre o local afetado. Depois de diagnosticado, o tratamento da verminose é relativa-mente simples, pela aplicação de pomadas vermicidas e, em casos mais graves, pela ingestão de vermífugos. A prevenção consiste em andar calçado e evitar que cães e gatos defequem em áreas frequentadas por pessoas, como praias e tanques de areia. (Fig. 8.20)

Triquinose

18 A triquinose é causada por Trichinella spiralis,

conhecido como triquinela, cujas formas adultas vi-vem no intestino delgado de diversos animais, como porcos, ratos, ursos etc.; a espécie humana é uma hospedeira eventual.

19 As fêmeas sexualmente maduras, depois de

fecun-dadas pelos machos, perfuram a parede intestinal do hospedeiro e atingem os vasos linfáticos, onde cada uma elimina cerca de 10 mil ovos. Dos ovos desenvol-vem-se pequenas larvas, que migram para a corrente sanguínea e atingem os músculos, principalmente os do diafragma, da língua e dos globos oculares, onde formam cistos de cerca de 0,5 milímetro de diâmetro. Os animais hospedeiros e pessoas eventualmente contaminadas adquirem o parasita pela ingestão de carne crua ou malcozida contendo cistos.

Sintomas e prevenção da triquinose

20 A migração de grande quantidade de larvas,

geral-mente milhares, é o que causa os maiores problemas ao hospedeiro. A pessoa sente fraqueza e dores mus-culares, os linfonodos inflamam e formam inchaços (ínguas); pode também ocorrer febre. Os sintomas da triquinose são às vezes confundidos com os de outras doenças, como simples problemas intestinais, por exemplo. Casos mais graves podem produzir sintomas parecidos com os da febre tifoide (uma infecção bacte-riana). Dependendo da quantidade de larvas, a pessoa pode sofrer sérias lesões musculares e morrer.

21 A prevenção da triquinose implica medidas

rigoro-sas de inspeção e controle sanitário de matadouros e frigoríficos, para evitar a comercialização de carne de porco contaminada por cistos de T. spiralis. Além disso, é aconselhável não comer carne de porco crua ou mal-cozida. Já foram encontrados mais de 15 mil cistos de triquinela em apenas 100 gramas de carne de porco.

Figura 8.20 Pé de uma pessoa infestada pelo nematódeo

Ancylostoma braziliensis, o popular bicho-geográfico ou larva migrans, que se desloca sob a pele.

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Filariose, ou elefantíase

22 A filariose (ou filaríase) é causada por Wuchereria bancrofti, conhecido como filária, cujos adultos têm

comprimento entre 4 centímetros (machos) e 10 cen-tímetros (fêmeas) e vivem nos vasos linfáticos dos bra-ços, das mamas, do saco escrotal e, principalmente, das pernas, causando grandes inchaços. Daí vem o nome elefantíase, dado a estágios avançados da doença.

23 A filariose é endêmica em certas regiões tropicais da

Ásia, da África e da China, ocorrendo isoladamente em vários pontos das Américas. A Organização Mundial de Saúde estima em mais de 100 milhões o número de pes-soas portadoras de filárias. Os hospedeiros intermediários do parasita são fêmeas de pernilongos do gênero Culex e, em algumas regiões, também do gênero Anopheles.

24 Os machos e fêmeas acasalam-se no interior dos vasos

linfáticos do hospedeiro. A fêmea retém os ovos no corpo até a eclosão de larvas quase microscópicas (0,25- 0,30 mm de comprimento por 7,5- 10mm de diâmetro), as

microfilá-rias. Estas são liberadas na circulação sanguínea e, durante

a noite, migram para os capilares da pele, onde podem ser sugadas por mosquitos hematófagos. As microfilárias perfuram o intestino do mosquito e alojam-se em sua musculatura torácica, onde se desenvolvem, passando para um estágio larval infectante. Ao picar uma pessoa sadia, mosquitos infestados podem transmitir formas larvais infectantes; no organismo humano, as larvas se desenvolvem até as formas adultas, completando o ciclo.

25 A adaptação da filária à vida parasitária é notável:

durante o dia, as microfilárias permanecem nos vasos mais internos do corpo da pessoa. À noite, elas migram para os vasos sanguíneos superficiais da pele, onde há grandes chances de infestar pernilongos de hábitos noturnos, seus hospedeiros intermediários.

Sintomas e prevenção da filariose

26 Na primeira fase da infestação por filárias, o

sis-tema imunitário da pessoa responde provocando o

aparecimento de alergias, febres e inchaço dos lin-fonodos. Nos estágios mais avançados, os parasitas causam obstruções nos vasos linfáticos, o que dificulta a reabsorção de linfa e provoca inchaços denominados edemas linfáticos, principalmente nas pernas. Geral-mente formam-se cistos calcificados na pele, cujo único tratamento é a remoção cirúrgica.

27 A prevenção da filariose consiste em combater os

mosquitos transmissores e proteger as camas com corti-nados. O tratamento das pessoas afetadas é importante para evitar a propagação da doença. (Fig. 8.21)

Oxiurose

28 A oxiurose é causada por Enterobius vermicularis,

conhecido popularmente como oxiúro. Os machos e as fêmeas, com cerca de 0,5 e 1 centímetro de compri-mento, respectivamente, vivem no intestino grosso.

29 As fêmeas fecundadas migram à noite para a região

anal do hospedeiro, onde eliminam os ovos e morrem em seguida. A irritação e o prurido anais causados por essas migrações levam a pessoa a coçar o local, contaminan-do o espaço sob as unhas com ovos contaminan-do parasita. Ao levar as mãos à boca, a pessoa se recontamina facilmente. A infestação primária ocorre pela ingestão de alimen-tos contaminados por ovos do parasita. Calcula-se que mais de 400 milhões de pessoas no mundo sejam portadoras desse nematódeo.

Sintomas e prevenção da oxiurose

30 Infecções leves passam despercebidas. Entretanto,

uma grande quantidade de parasitas no intestino pode causar lesões à parede intestinal e desconforto.

31 Como em outras verminoses transmitidas pelas

fezes, a primeira providência para deter a oxiurose é a construção de instalações sanitárias. A pessoa doente deve tratar-se com vermífugos e manter as mãos sem-pre limpas, escovando o espaço sob as unhas para eli-minar os ovos do parasita eventualmente presentes.

Figura 8.21 A. Micrografia de microfilária Wuchereria bancrofti ao microscópio eletrônico de varredura (colorizada artificialmente; aumento  1.1303). B. Pernas de uma mulher portadora de filariose. A B eye o F Science/Science Pho to librar y/ la tin S tock John g reim/Science Pho to librar y/ la tin S tock

(20)

AtIvIDADEs

Unidade D • A div er

sidade dos animais

GUIA DE LEITURA

QUESTÕES PARA PENSAR E DISCUTIR Questões objetivas

1. O filo Platyhelminthes inclui, entre outros organis-mos, as

a) águas-vivas. b) esponjas. c) lombrigas. d) planárias.

2. Um animal com respiração cutânea é aquele em que as trocas gasosas com o ambiente ocorrem a) pelos pulmões.

b) pelas brânquias. c) pelas traqueias. d) pela superfície corporal. 3. Os platelmintos são animais

a) diblásticos, acelomados e com simetria radial. b) diblásticos, pseudocelomados e com simetria

bilateral.

c) triblásticos, acelomados e com simetria bilateral. d) triblásticos, pseudocelomados e com simetria

bilateral.

4. A eliminação do excesso de água e de parte das excreções do corpo de um platelminto ocorre por meio de

Repr

odução pr

oibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fever

eir

o de 1998.

1. Leia os dois parágrafos iniciais do quadro; no

primeiro, comenta-se que muitas infestações por nematódeos não causam grandes transtornos ao hospedeiro, o que pode ser interpretado como uma adaptação bem estabelecida à vida parasi-tária. Que argumentação foi utilizada para dar suporte a essa ideia?

2. Leia o terceiro parágrafo, que apresenta o agente

causador da ascaridíase. Qual é ele e onde vive no organismo do hospedeiro?

3. Os parágrafos 4 e 5 referem-se à forma de

disse-minação dos ovos da lombriga. A partir da sua leitura, relacione a falta de saneamento básico à disseminação da ascaridíase.

4. O sexto e o sétimo parágrafos descrevem a

infestação de uma pessoa pela lombriga e sua instalação definitiva no organismo hospedeiro. Acompanhe as explicações com a análise da

Figura 8.18 e de sua legenda. Com base nessa

figura, crie, em seu caderno, sua própria ilustração de um ciclo de vida da lombriga, assinalando os pontos em que se pode atuar para prevenir essa verminose.

5. Sua tarefa, agora, é produzir uma tabela que

resumirá as principais doenças causadas por ne-matódeos apresentadas neste quadro. Sugerimos que a tabela relacione cada parasitose a: a) agente causador; b) formas de infestação; c) sintomas; d) prevenção e tratamento. Após construir a tabe-la, comece seu preenchimento pela ascaridíase.

6. Os parágrafos 8 e 9 referem-se aos sintomas,

tratamento e prevenção da ascaridíase. Certi-fique-se de tê-los compreendido e continue a preencher a tabela.

7. O décimo parágrafo apresenta os agentes

causadores do amarelão. Quais são eles? Por que essa parasitose é também chamada de ancilostomose?

8. O parágrafo 11 refere-se à forma de disseminação

dos ovos de ancilóstomos e à contaminação de pessoas. A partir da sua leitura, relacione a falta de saneamento básico à disseminação dessa verminose.

9. O décimo segundo parágrafo descreve a infestação

de uma pessoa pelo ancilóstomo e sua instalação definitiva no organismo hospedeiro. Acompanhe as explicações com a análise da Figura 8.19 e de sua legenda. Com base nessa figura, crie, em seu caderno, sua própria ilustração de um ciclo de vida do ancilóstomo, assinalando os pontos em que se pode atuar para prevenir essa verminose.

10. Leia os parágrafos 13 e 14, que se referem aos

sin-tomas e à prevenção do amarelão. Certifique-se de tê-los compreendido e continue a preencher a tabela.

11. Leia o parágrafo 15, que resume o ciclo de vida

do Ancylostoma braziliensis em cães e gatos. Compare-o ao ciclo dos vermes do amarelão, como sugere o parágrafo.

Referências

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