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Memória e identidade no cenário da formação de professores

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V

xwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

ALESKA FORTES DE OLIVEIRA I

MEMÓRIA E IDENTIDADE NO CENÁRIO DA FORMAÇÃO DE

PROFESSORES

(M E M O R Y A N O

IO E N T IT Y IN T H E F O R M A T IO N

O F T E A C H E R 5 )

RESUMOZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

E s t e a r t i g o , e l a b o r a d o a p a r t i r d e q u e s t õ e s l e -v a n t a d a s p o r d u a s p e s q u i s a d o r a s ' d e á r e a s d i fe r e n -t e s , a p r e s e n -t a d a s e m d o i s e v e n t o s c i e n t í fi c o s , t a m b é m d i fe r e n t e s , a b o r d a n d o o t e m a d a m e m ó r i a e d a i d e n t i -d a -d e n o â m b i t o d a e d u c a ç ã o , s e p r o p õ e d a r c o n t i n u i -d a -d e a o -d e b a t e , a p a r t i r d e a l g u n s p o n t o s c o m u n s a o s d o i s t e x t o s , a c r e s c e n t a n d o o u t r o s . D e s t a c o a p e r t i n ê n c i a d a d i s c u s s ã o e m t o r n o d o t e m a d a m e -m ó r i a , e n o c e n á r i o e d u c a c i o n a l , o t r a b a l h o c o m a m e m ó r i a e d u c a t i v a n a fo r m a ç ã o d e p r o fe s s o r e s , a s -s i m c o m o , o d e b a t e e m t o r n o d a p r o d u ç ã o d e s u b j e t i -v i d a d e s e m c o n t r a p o s i ç ã o àc o n c e p ç ã o i d e n t i t á r i a .

Palavras-chave: memória, identidade, subjetivida-des, professores.

ABSTRACT

T h i s a r t i c l e w a s e l a b o r a t e d a fi e r q u e s t i o n s r a i s e d b y t w o r e s e a r c h e r s fr o m d i ffe r e n t a r e a s a n d p r e s e n t e d i n t w o d i s t i n c t s c i e n t i fi c e v e n t s a p p r o a c h i n g

t h e t h e m e s o f m e m o r y a n d i d e n t i t y i n t h e e d u c a t i o n fi e l d . I t i n t e n d s t o c o n t i n u e t h e d e b a t e b y t a k i n g i n t o

a c c o u n t s o m e c o m m o n p o i n t s i n b o t h t e x t s a n d r a i s i n g s o m e o t h e r r e l e v a n t a s p e c t s . T h e i m p o r t a n c e o f d i s c u s s i n g a b o u t m e m o r y h a s t o b e h i g h l i g h t e d i n l h e s c e n e r y o f l h e e d u c a t i o n a l fi e l d , a s w e l l a s l h e w o r k w i t h t h e e d u c a t i o n a l m e m o r y i n t h e fo r m a t i o n o f t e a c h e r s a n d t h e d e b a t e a b o u t t h e p r o d u c t i o n o f s u b j e c t i v i t y c o n t r a r i l y t o t h e c o n c e p t o f i d e n t i t y .

Key words: memory, identity, subjectivities, teachers.

Este artigo se propõe dar continuidade ao

de-bate em tomo da memória e da questão identitária no âmbito da formação de professores. O objetivo deste

encaminha a discussão feita na perspectiva de Chillemi

(1998:3), "onde é possível afirmar que os estudos

so-bre memória de professores pode fundar-se numa

con-cepção identitária ou numa concepção que busca

agenciar as diferentes forças que concorrem para a

memória dos professores."

A partir deste cenário podemos nos aproximar

da hipótese levantada por esta pesquisadora de que

"se as pesquisas sobre memórias de professores

base-arem-se numa concepção identitária vão dizer o que é

ser professor, a partir de uma visão de história que é

linear e homogênea." A memória, nessa concepção,

estaria sendo uma ferramenta de recuperação de

tra-ços identitários ordenados, como uma recuperação de

experiências, de acontecimentos, de experimentações

que produziram marcas registradas e trazidas pelo

tra-balho da memória como forma de organização de um

álbum de lembranças, produzindo a aproximação das

representações que uma pessoa faz de si mesma.

No trabalho de Chillemi (1998, pA) temos um

ponto significativo para ampliar o debate em tomo da

memória e da identidade, que é a "importância de

pro-vocar 'crise' nestas mesmas figuras. Não é o caso de

tomar a crise no sentido comumente dado a esta noção:

como algo negativo. Mas de tomá-Ia como 'crítica'."

A crítica que propõe a desestabilização, que propõe

pensar o instituído a partir de outros referenciais.

Nessa perspectiva o debate traz para nossa

refle-xão, como aponta Stephanou (1998:35), "Processo que

provoca tanto a desestabilização exacerbada, quanto à

persistência da referência identitária, ante o temor de

'virar um nada' ..." . Tendo a concordar com Stephanou

IDoutora em Filosofia da Educação - Professora Titular do Departamento de Fundamentos da Educação - UFSM -RS

2O primeiro texto é de STEPHANOU, Maria. P r o b l e m a t i z a ç õ e s e m t o r n o d o T e r n a M e m ó r i a e H i s t ó r i a d a E d u c a ç ã o , apresentado no painel "Memória e História: questões teóricas e metodológicas", promovido pela ASPHE, em Santa Maria, RS. O segundo, de CHILLEMI, Margaret M. M e m ó r i a e E s q u e c i m e n t o : ferramentas para a pesquisa transdisciplinar, apresentado num simpósio da 50' Reunião da SBPC, em Natal, RN.

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que "tomam-se insuportáveis os vazios de sentido,

por-que são vividos como esvaziamento da própria

subjeti-vidade e não de

uma

de suas figuras." Mas é preciso

acrescentar alguns elementos que poderiam ser

consi-derados substratos necessários nessa discussão.

Trago novamente Chillemi (1998:4)

destacan-do o significadestacan-do da crise nas nossas definições, nas

nossas escolhas, nas nossas territorializações,

afirman-do a importância de dar passagem para a crise não

como uma apologia à desestabilização, mas a

possibi-lidade de "entrar em contato com as zonas de

inquietude, a deixar atravessar a vida no seu

movi-mento de expansão."

Um balanço da discussão sobre a questão

identitária permite, como aponta Lopes (1996),

visualizar as diferentes abordagens e apropriações

dessa categoria. Nos estudos com enfoque

antropoló-gico, sociolóantropoló-gico, histórico e educacional, a

identida-de tem sido associada às questões de etnia, gênero e classe social. Na perspectiva da filosofia e da

psico-logia a identidade tem sido tematizada a partir do

as-pecto individual e psicossocial. Afirma ainda Lopes

(1996, p.128), que as análises filosóficas e

psicológi-cas destacam a construção do "sujeito" enquanto

"re-presentação propiciada pelo repertório coletivo, que

os sujeitos isolados atualizam cotidianamente". Acrescento ainda que o conceito de identidade

não tem sido somente categoria de investigação das diferentes áreas de conhecimento, mas abordado a

par-tir de diferentes olhares, de diferentes trajetos

teóri-cos da produção acadêmica.

Abordagens da subjetividade e dos processos

de subjetivação têm levantado à nossa reflexão a

per-gunta colocada por Rolnik (1997): "A figura moder-na da subjetividade, com sua crença na estabilidade e

sua referência identitária, agonizante desde o final do

século passado, estaria chegando ao fim?"

Afirma a autora que a resposta não é tão

sim-ples assim, pois "identidades locais fixas

desapare-cem para dar lugar a identidades globalizadas flexíveis

que mudam ao sabor dos movimentos do mercado e

com igual velocidade".

Esse é o empreendimento no qual se lançam

Félix Guattari, Gilles Deleuze e Suely Rolnik quando propõem que se pense na subjetividade "maquínica"

- do desejo e do inconsciente, pensada a partir de

pro-cessos sociais, políticos, culturais implicados na vida

dos sujeitos. Uma subjetividade produzida e

produto-ra, contra outra compreendida como uma espécie de

"essência" .

Uma outra concepção de subjetividade é

pro-posta a partir da inserção como aponta Gadelha

(1999:63) "do desejo na produção, e da produção no

desejo, ( ...) não mais restrita apenas ao psicológico,

mas voltada também para aspectos não imediatamente

antropológicos."

O delineamento de uma concepção de

subjetivi-dade maquínica, produzida, modelada, envolveria

pro-cessos de subjetivação acionando "máquinas de

expressão" extrapessoais (sistemas econômicos,

tecnológicos, midiáticos, entre outros) e infrapessoais

(cognição, afetos, valores, entre outros).

Contrariando o entendimento da subjetividade

como essência, como substância universal, como um

núcleo íntimo, é proposta uma subjetividade

produzi-da e produtora tanto de processos

massificadores/con-sumo, padrões pré-fabricados, qu~nto de movimentos

instituintes, criadores (processos singularizantes,

pro-dução de subjetivação livre).

Nessa perspectiva, a questão identitária

reme-teria a um dever-ser, na perspectiva da lógica do re-banho, como bem evidenciou Nietzsche, que agrega

pelo o que é comum, que tendem a reprodução do

idêntico, ao contrário da lógica da diferença, devir-outro, a possibilidade da alteridade radical.

CBA

O campo do devir é movimentado pelos pro-cessos disparadores e desequilibradores, por vetores que afetam aos que estão dispostos a processos que

prevêem outras territorialidades, outros possíveis

pro-cessos de existência.

Ao contrário do que aponta Stephanou (1998: 135),

abordando o processo a partir de dois movimentos na

insistência em relação à questão identitária: "de uma parte,

o enrijecimento de identidades locais e, de outra, a

ame-aça de pulverização total de toda e qualquer

identida-de", a lógica da diferença é a possibilidade de viver "o

estranho em nós", o inusitado, sem que este nos leve à

desagregação, a "virar um nada".

Como aponta Chillemi (1998:4),

ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

n o d e v i r ; n ã o a t i n g i r a u m a fo r m a d e t e r m i n a

-d a , e n c o n t r a r u m a z o n a d e v i z i n h a n ç a , u m a

z o n a d e i n d i fe r e n c i a ç ã o , n ã o s i g n i fi c a , s e g u n

-d o D E L E U Z E (1997), a l g o i m p r e c i s o e g e r a l ,

m a s i m p r e v i s t o , n ã o p r e e x i s t e n t e . E s t e " j e i t o d e

s e r " p r o fe s s o r , p o r t a n t o , n ã o fu n c i o n a c o m o u m

m o d e l o , a o c o n t r á r i o , r e fe r e - s e a u m p r o c e s s o

q u e , p e r m a n e n t e m e n t e , é m a r c a d o p o r

s i n g u l a r i z a ç õ e s . I s t o é , fo r m a s q u e n ã o e n g e s s a m

o s e r , m a s e n g e n d r a - o àp r o d u ç ã o d e d e v i r e s ,à

p r o d u ç ã o d e d i fe r e n ç a s .

Nas pesquisas que têm sido realizadas na área

da educação, mais especificamente, na história da

(3)

educação e na formação de professores, a questão da

identidade, tendo a memória como ferramenta, o

de-bate tem assumido pelo menos duas perspectivas: a

proposta de construir um conceito de referenciação,

ou, com um outro sentido: a construção de uma

me-mória coletiva, na perspectiva de Pollak de

substitui-ção de memórias subterrâneas, de memórias coletivas em história oficial.

Na segunda perspectiva, Pollak (1989) aponta

que as características das histórias de vida podem ser

consideradas como instrumentos, como ferramentas

de reconstrução da identidade e não apenas como

re-latos. Afirma o autor que "através desse trabalho de

reconstrução de si mesmo o indivíduo tende a definir

seu lugar social e suas relações com os outros."

Pesquisadores na área educacional que têm

to-mado a memória como referência, utilizando-a na

in-vestigação com professores, têm apostado no seu

potencial instituinte de um outro imaginário no

magis-tério e sobre dele.

Esta é a tendência assumida por Nóvoa,

quan-do na história da educação de Portugal nas últimas

décadas, segundo Silva (1996, p.258),

ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

e v i d e n c i a r a m - s e p r o c e s s o s d e d e s p r o fi s s i o n a -l i z a ç ã o d e v i d o p r i n c i p a l m e n t e a : e x p a n s ã o e s c o l a r , a u m e n t o d o p e s s o a l d o c e n t e , i n c e r -t e z a s s o b r e a s fi n a l i d a d e s e o p a p e l d a e s c o -l a ; s u r g i m e n t o d e c o r r e n t e s p e d a g ó g i c a s d e s t a c a n d o - s e a d e s e s c o l a r i z a ç ã o , a e d u c a -ç ã o p e r m a n e n t e e a c o n s o l i d a ç ã o d o s e s p e c i -a l i s t -a s p e d a g ó g i c o s c o l o c a n d o à m a r g e m a c o m p e t ê n c i a d o s p r o fe s s o r e s . E s s e s p r o c e s -s o -s t i v e r a m c o m o c o n s e q u ê n c i a : d e s m o -t i v a ç ã o p e s s o a l , a b a n d o n o d a c a r r e i r a e i n s a t i s fa ç ã o p r o fi s s i o n a l .

CBA

Étambém esta a proposta de pesquisadores bra-sileiros que vêm trabalhando tanto na investigação

da história da educação, como na formação de

profes-sores, utilizando-se das histórias de vida através do

trabalho da memória: a construção do imaginário da

profissionalização do magistério.

A aproximação dos processos de construção

do professor, do ser professor, levam as pesquisas

que têm apostado no trabalho com histórias de vida

a fazer referência aos processos identitários

(pensan-do que são muitos, mutáveis, e, em vários momentos

da vida), nunca como modelos rígidos a serem

recuperados. Discutindo o que entendemos por

construção da identidade do professor Pimenta

(1996:75-76), afirma que

A

ideraidade

n ã o éu m d a d o i m u t á v e l . N e m e x t e r -n o , q u e p o s s a s e r a d q u i r i d o . M a s éu m p r o c e s s o e c o n s t r u ç ã o d o s u j e i t o h i s t o r i c a m e n t e s i t u a d o . A p r o s ã o d e p r o e s s o r , c o m o a s d e m a i s , e m e r g e e m d a d o c o m e x i o e m o m e n t o h i s t ó r i c o s , c o m o r e s -p o s t a a n e c e s s i d a d e s q u e e s t ã o p o s t a s p e l a s s o c i -e d a d -e s , a d q u i r i n d o -e s t a t u t o d -e l -e g a l i d a d -e . A s s i m , a l g u m a s p r o fi s s õ e s d e i x a r a m d e e x i s t i r e o u t r a s s u r g i r a m n o s t e m p o s a t u a i s . ( . . ) O u t r a s n ã o c h e -g a m a d e s a p a r e c e r , m a s s e t r a n s fo r m a m a d q u i -r i n d o n o v a s c a -r a c t e -r í s t i c a s p a r a r e s p o n d e r e m a n o v a s d e m a n d a s . E s t e

é

o c a s o d a p r o fi s s ã o d e p r o fe s s o r .

A autora coloca a construção da identidade do

professor como questão profissional, ou melhor, como o desafio ao professor de se pensar profissional.

Con-tinua no mesmo texto dizendo que

U m a i d e n t i d a d e p r o fi s s i o n a l s e c o n s t r ó i , p o i s , a p a r t i r d a s i g n i fi c a ç ã o s o c i a l d a p r o fi s s ã o ; d a r e v i s ã o c o n s t a n t e d o s s i g n i fi c a d o s s o c i a i s d a p r o fi s s ã o ; d a r e v i s ã o d a s t r a d i ç õ e s . M a s t a m b é m d a r e a fi r m a ç ã o d e p r á t i c a s c o n s a g r a -d a s c u l t u r a l m e n t e e q u e p e r m a n e ç a m s i g n i fi -c a t i v a s . P r á t i c a s q u e r e s i s t e m a i n o v a ç õ e s p o r q u e p r e n h e s d e s a b e r e s v á l i d o s à s n e c e s -s i d a d e -s d a r e a l i d a d e . ( . . ) C o n s t r ó i - s e , t a m -b é m , p e l o s i g n i fi c a d o q u e c a d a p r o fe s s o r , e n q u a n t o a t o r e a u t o r , c o n fe r e à a t i v i d a d e d o c e n t e n o s e u c o t i d i a n o a p a r t i r d e s e u s v a l o r e s , d e s e u m o d o d e s i t u a r - s e n o m u n d o , d e s u a h i s t ó r i a d e v i d a , d e s u a s r e p r e s e n t a ç õ e s , d e s e u s s a b e r e s , d e s u a s a n g ú s t i a s e a n s e i o s , d o s e n t i d o q u e t e m e m s u a v i d a o s e r p r o fe s s o r . A s s i m c o m o a p a r t i r d e s u a r e d e d e r e l a ç õ e s c o m o u t r o s p r o fe s s o r e s , n a s e s -c o l a s , n o s s i n d i -c a t o s e e m o u t r o s a g r u p a m e n t o s .

As pesquisas através das histórias de vidas dos

professores têm investido na reconstituição do que

estamos chamando de "saberes da docência" e na

cons-trução da identidade profissional.

No trabalho de formação continuada, as

histó-rias de vida, através do trabalho da memória, têm

aci-onado a processos reflexivos sobre modelos, padrões,

marcas registradas e reproduzidas, na melhor das

hi-póteses, recriadas no cotidiano das salas de aula. A

formação continuada tem, nos "materiais" trazidos ao

presente pelo trabalho da memória, o suporte para a

reflexão sobre o processo de produção do ser

profes-sor. Nos repertórios trazidos pelos professores é dada

visibilidade aos acontecimentos, aos modelos, aos

(4)

r-

xwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

rformances que produziram marcas,

vivi-- histórias

de escolaridades enquanto alunos e

essos de formação profissional.

Esse trabalho da memória educativa é organi-.~ de repertórios que participam da produção do

essor. Nos cursos de formação inicial as

ranças trazidas pelo trabalho da memória sobre cepções didáticas, performances, e, sobretudo o

ginário daqueles que jamais se pensaram

profes-seres. permite a reflexão de uma história de

escolari---':e. vivida no passado e reconstruída no presente a

de outros desafios.

a pesquisa "Imagens de Professor: signifi-- s do trabalho docente", apoiada por dois anos

CWq e a F APERGS, desenvolvida por três

gru-:-~5 de universidades do Rio Grande do Sul, as his-térias de vida profissional, através dos relatos orais

,_ escritas autobiográficas se constituíram não

somen-te a metodologia de investigação, mas um dos aportes

teóricos dos pesquisadores envolvidos. Buscamos

ém

de cartografar as imagens construídas sobre a cocência por professores de diferentes níveis de

en-o e realidades de atuação profissional, instituir .r_~essos de formação continuada, onde os temas

alhados eram extraídos das histórias de vida dos

fessores investigados.

A escrita autobiográfica, por exemplo, não foi

somente um dos nossos recursos metodológicos para

conhecimento dos imaginários construídos sobre a

ência, mas a ferramenta que acionou com

proces-s como: narrar a proces-si, organizar "utenproces-sílioproces-s

existenci-5", valorizar-se como grupo e como pessoa pela

escolha profissional (um cuidado de si).

Como na perspectiva apontada por Perpétua

997: 172) ao dissertar sobre a escrita autobiográfica,

- professores narraram os seus movimentos, rompendo

com um anonimato, e, desejando a saída deste. "Nas

zarrativas das misérias do cotidiano, o sujeito aqui

re-resentado tenta se fazer inteiro".

Nessa perspectiva os professores eram

catego-'as da pesquisa, ou melhor, o conhecimento dos seus

ocessos de formação, dos processos que os

produ-ziram professores era nossa categoria de investigação.

Mesmo sendo nosso propósito estabelecer uma

. terlocução com a produção na área de formação de

rofessores de outros países, por exemplo, com Nóvoa

e pesquisadores que reúne nas suas coletâneas, não

os propomos trabalhar na perspectiva identitária, apontando para a realização de um modelo de ser

pro-fessor a ser recuperado pela memória, ao contrário,

nosso propósito é de discutir as imagens de professor reconstruídas pelos alunos-professores (formação ini-

CBA

r1

cial e continuada de professores) dando passagem a

performances que vão se construindo através das

his-tórias de vida, dos processos de formação, e,

princi-palmente, a partir dos desafios do nosso tempo (que

não são poucos!).

Nosso propósito ao trabalhar com a memória

educativa tem sido o de possibilitar a organização de materiais existenciais, principalmente os relacionados

à profissão, proporcionando uma reflexão que acione

novos possíveis existenciais.

Não desconsideramos a necessidade de um

ou-tro imaginário social com relação aos professores,

in-cluindo aqui, instâncias responsáveis pela instituição

das representações que a docência tem na sociedade, por exemplo, as políticas públicas, a questão salarial,

a produção de imagens pela mídia, mas acreditamos

que a autoprofanação do magistério precisa ser

tematizada e discutida nos diferentes ambientes e

es-paços de formação.

Como bem destaca Hypolito (1999:86),

ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

H á v á r i a s i n d i c a ç õ e s d e q u e o c r e s c i m e n t o d a a c e i t a ç ã o ' c o n s e n s u a l ' d e u m a p r o fi s s i o -n a l i z a ç ã o d o c e n t e , m a i s d o q u e c o n t r i b u i r p a r a a r e a l i z a ç ã o d o s o n h o p r o m e t i d o , m u i t a s v e -z e s t e m c o n t r i b u í d o , c o n c r e t a m e n t e , p a r a a r e a l i z a ç ã o d o s o n h o n e g a d o .

Acrescentamos a investigação de Ferreira

(1998:97), constatando um movimento onde

"des-sacralizou-se o professor e, desse modo, se profanou o magistério", a autoprofanação do magistério como objeto

de pesquisa necessário de ser tematizado e discutido nos

diferentes ambientes e espaços de formação. A

autoprofanação é uma hipótese que precisa ser investigada

tanto no cotidiano das salas de aula, das diferentes redes

e níveis de ensino, quanto pelos professores que têm

atu-ado nas instituições de formação de professores, sob pena

de estarmos desconsiderando um elemento que, pelo seu

caráter simbólico, tem muito a revelar no processo de construção da profissionalização do magistério.

Nosso empreendimento com relação ao

traba-lho da memória é partilhar de um movimento que se

propõe a instituir uma outra cultura no magistério. Ao

narrarem suas histórias de vida, permitindo uma

re-flexão sobre os movimentos de produção de

subjeti-vidades, os professores são convidados a partilhar da

experiência de se produzirem, como obras de arte, a

partir de um "cuidado de si". Aqui nos situamos num

território de virtual idades e não de afirmação de

iden-tidades, portanto na possibilidade e, às vezes,

necessi-dade do esquecimento.

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BIBLIOGRAFIA

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Referências

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