UNIVERSIDADE DOS AÇORES
DEPARTAMENTO DE OCEANOGRAFIA E PESCAS
Caracterização Ecológica e Sócio-Económica
do Sítio de Importância Comunitária
Ilhéu de Baixo, Restinga (PTGRA0015)
e Medidas de Gestão Propostas
internos, estatísticos, de cruzeiros e documentais, de edição restrita, realizados por investigadores do Departamento de Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores (DOP/UAç) e do Centro do IMAR da Universidade dos Açores. Estes trabalhos podem não conter conclusões definitivas, podendo fazer referência apenas à aplicação e desenvolvimento de uma técnica de trabalho ou a resultados parciais de uma investigação. Como consequência, as opiniões emitidas nestas publicações comprometem exclusivamente o(s) seu(s) autor(es).
UNIVERSIDADE DOS AÇORES
DEPARTAMENTO DE OCEANOGRAFIA E PESCAS PT-9901-862 HORTA
PORTUGAL
Tel.: (+ 351) 292 200 400 Fax: (+ 351) 292 200 411 http://www.horta.uac.pt
Arquivos do DOP. Série Relatórios Internos
ISSN 0873-2841
Departamento de Oceanografia e Pescas (DOP)
Centro do IMAR da Universidade dos Açores
Arquivos do DOP. Série: Estudos. N.º 19/2004
CARACTERIZAÇÃO ECOLÓGICA E SÓCIO-ECONÓMICA DO
SÍTIO DE IMPORTÂNCIA COMUNITÁRIA ILHÉU DE BAIXO,RESTINGA (PTGRA0015) E MEDIDAS DE GESTÃO PROPOSTAS
Vera Guerreiro, Samanta Vizinho, Frederico Cardigos, Cristina Diez, Vanessa Santos, Rogério R. Ferraz, Fernando Tempera, Pedro Frade & Ricardo S. Santos Departamento de Oceanografia e Pescas, Universidade dos Açores, PT 9901-862
FICHA TÉCNICA
Coordenador
Ricardo Serrão Santos
Redactores Pedro Frade Rogério Ferraz Samanta Vizinho Vanessa Santos Vera Guerreiro Colaboradores Carla Gomes Ricardo Medeiros Autoria
A informação apresentada neste relatório é baseada na recolha de informação efectuada pela Equipa de Caracterização dos Sítios de Importância Comunitária e Sócio-Economia do Projecto OGAMP – Ordenamento e Gestão de Áreas Marinhas Protegidas (Interreg IIIb – MAC/4.2/A2).
Citação (este documento deverá ser citado como)
Sócio-A
GRADECIMENTOSA recolha da informação necessária para a elaboração deste documento não teria sido possível sem a colaboração de diversas instituições e pessoas individuais às quais se agradece:
Direcção Regional do Ambiente Direcção Regional das Pescas Tripulação da L/I Águas-Vivas
Í
NDICE ÍNDICE... I RESUMO ... III CAPITULO I – DESCRIÇÃO ... 1 1. INFORMAÇÕES GERAIS... 1 Localização e Descrição ... 1 Descrição Sumária... 2 Estatutos de Protecção... 2 2. CARACTERIZAÇÃO AMBIENTAL... 6 Características Físicas... 6Características Biológicas / Ecológicas ... 7
3. CARACTERIZAÇÃO SÓCIO-ECONÓMICA... 16
Caracterização Geral da Ilha Graciosa... 16
Caracterização dos Utilizadores da Zona Costeira... 19
Inquérito Geral ... 19
Inquéritos Específicos... 22
Turistas como meio de divulgação ... 27
Aspectos Estéticos e Paisagísticos ... 27
Valores Patrimoniais ... 29
CAPÍTULO II – AVALIAÇÃO E OBJECTIVOS ... 30
1. AVALIAÇÃO DAS COMPONENTES... 30
Critérios de Avaliação Ecológica ... 30
2. CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO SÓCIO-ECONÓMICA... 33
Valor Potencial ... 33
Atractivo Paisagístico... 35
Benefícios Indirectos... 35
3. FACTORES QUE INFLUENCIAM A GESTÃO... 36
Factores Naturais... 36
Factores Introduzidos pelo Homem ... 36
Factores Jurídicos... 37
4. ORIENTAÇÕES E OBJECTIVOS DE GESTÃO... 37
Definição das orientações de gestão... 37
CAPÍTULO III - MEDIDAS DE GESTÃO... 39
1. MEDIDAS, ACÇÕES E ACTIVIDADES... 39
Regras de Utilização ... 39
Monitorização Ambiental e Sócio-Económica... 40
Vigilância e Fiscalização ... 40
Promoção Ambiental... 41
2. CRONOGRAMA DE TRABALHOS POR ÁREA... 42
CAPITULO IV – BIBLIOGRAFIA UTILIZADA ... 43
1. MONOGRAFIAS, ARTIGOS CIENTÍFICOS E RELATÓRIOS... 43
2.FOLHETOS INFORMATIVOS... 43
3. PÁGINAS DE INTERNET... 43
4. LEGISLAÇÃO... 43
ANEXO I – DESCRIÇÃO DOS LIMITES DO SIC ... 45
ANEXO II - PROTOCOLO PARA A MONITORIZAÇÃO E CARACTERIZAÇÃO AMBIENTAL DOS SIC... 46
BIÓTOPOS... 46
Enseadas e Baías Pouco Profundas (1160)... 46
Recifes (1170)... 46
Grutas Marinhas Submersas ou Semi-Submersas (8330) ... 47
Espécies... 47
FICHAS DE REGISTO... 47
Fichas de Mergulho... 47
Fichas de Caracterização Fisiográfica de Biótopo... 49
Fichas de Espécies ... 51
Escala de Abundância SACFOR ... 51
ANEXO IIA – FICHA DE MERGULHO... 54
ANEXO IIB – FICHAS DE CARACTERIZAÇÃO FISIOGRÁFICA DE BIÓTOPOS ... 55
ANEXO IIC – FICHA DE ESPÉCIES... 56
INQUÉRITOS... 61
RECONHECIMENTO DA ÁREA ENVOLVENTE DO SIC ... 61
COMPILAÇÃO DE INFORMAÇÕES... 61
ANEXO VA – INQUÉRITOS UTILIZADOS NA CARACTERIZAÇÃO SÓCIO-ECONÓMICA DOS SIC – INQUÉRITO GERAL ... 62
ANEXO VB – INQUÉRITOS UTILIZADOS NA CARACTERIZAÇÃO SÓCIO-ECONÓMICA DOS SIC – OPERADORES DE ACTIVIDADES MARÍTIMO-TURÍSTICAS... 65
ANEXO VC – INQUÉRITOS UTILIZADOS NA CARACTERIZAÇÃO SÓCIO-ECONÓMICA DOS SIC – PESCADORES... 67
ANEXO VD – INQUÉRITOS UTILIZADOS NA CARACTERIZAÇÃO SÓCIO-ECONÓMICA DOS SIC – CAÇA-SUBMARINA ... 68
ANEXO VE – INQUÉRITOS UTILIZADOS NA CARACTERIZAÇÃO SÓCIO-ECONÓMICA DOS SIC – “TASCAS” E FESTAS ... 69
ANEXO VI – RESULTADOS DA CARACTERIZAÇÃO SÓCIO-ECONÓMICA DOS SIC... 70
ANEXO VII – METODOLOGIA DE AVALIAÇÃO AMBIENTAL ... 71
DIMENSÃO... 71
DIVERSIDADE... 71
NATURALIDADE... 72
Intervenção Terrestre... 72
Exploração Costeira... 72
Modificadores Antropogénicos (Área Marinha)... 73
Espécies Não Nativas... 73
ANEXO VIII – LISTA DE ESPÉCIES MARINHAS INTRODUZIDAS NOS AÇORES ... 76
ANEXO IX – METODOLOGIA DE AVALIAÇÃO SÓCIO-ECONÓMICA... 78
VALOR DO SIC PARA OAMT ... 78
VALOR DO SIC PARA A PESCA... 78
R
ESUMONeste documento é apresentada a Caracterização Ecológica e Sócio-económica do Sítio de Importância Comunitária (SIC) Ilhéu de Baixo, Restinga (PTGRA0015) efectuada no âmbito do Protocolo de Planos de Gestão de Sítios seleccionados nos Açores (celebrado entre a Secretaria Regional do Ambiente dos Açores e o IMAR - Instituto do Mar) e são propostas medidas de gestão para esta área.
A caracterização do ambiente marinho do SIC teve especial incidência nos habitats e espécies constantes nos anexos das directivas, mas também em espécies que possuem algum tipo específico de protecção internacional, nacional ou regional, ou propostas para serem protegidas. Para a realização deste trabalho foram realizados mergulhos de caracterização ao longo de todo o SIC, além de se ter compilado a informação existente para a zona costeira dos Açores, em especial para esta área. A caracterização sócio- -económica do SIC e de toda a área envolvente foi baseada na realização de inquéritos junto dos utilizadores do SIC (população em geral, pescadores, caçadores submarinos, operadores de actividades marítimo-turísticas e turistas), complementados com informação estatística publicada.
C
APITULOI
–
D
ESCRIÇÃO1. Informações Gerais Localização e Descrição Localização e Limites
Fig. 1. Mapa com a localização do SIC Ilhéu de Baixo, Restinga (PTGRA0015) na ilha Graciosa (para descrição dos limites do SIC ver Anexo I) (Carta militar: Série M889 1/25.000; Sistema de projecção: Universal Transversa de Mercator; Datum: WGS84).
Nome do sítio: Ilhéu de Baixo, Restinga Código: PTGRA0015
Ilha: Graciosa População: 4.780 Densidade populacional: 78,75 hab/km2
Número de freguesias: 4
Concelho: Santa Cruz da Graciosa Coordenadas: 27º 57’ 00’’ W – 39º 00’ 50’’ N Área Terrestre: 40 ha
Área Marinha: 203 ha Área Total: 243 ha Total da linha de costa da ilha: 47,84 km
Linha de Costa do SIC: 3 km (6,3% do total da ilha)
Altitude máxima: 178m Altitude mínima: Supra-litoral Profundidade máxima: 50m
Descrição Sumária
O SIC do Ilhéu de Baixo, Restinga (Fig. 1) situa-se na ponta sudeste da ilha Graciosa. A costa E é mais recortada, tendo como saliências principais a ponta do Mouro e a ponta da Restinga, que limitam a pequena baía da Poça. Um pequeno e conspícuo grupo de ilhéus, genericamente conhecidos por Ilhéu de Baixo, ficam distanciados da costa da Restinga cerca de meia milha e são o resultado do desmantelamento pela abrasão marinha de um pequeno aparelho vulcânico. A ponta da Restinga é alta e escarpada e com a ponta do Carapacho, que fica situada a cerca de 500m a W, enquadra uma pequena baía em cuja parte E se encontra um pequeno ilhéu alongado, que é conhecido por Navio. No prolongamento da ponta do Carapacho, estendem-se para S um grupo de rochas e ilhéus, dos quais o mais elevado é de silhueta triangular, conhecido por Gaivota.
O fundo desta área caracteriza-se por possuir aglomerados de blocos de rocha de tamanhos diversificados quer sobre fundo de areia quer leito rochoso (laje). Na laje é possível encontrar algumas caldeiras de abrasão de dimensões variadas, mas não superiores a 3 m de diâmetro. Existem grutas e arcos de tamanhos e amplitude diversos.
Na zona da Restinga existem algumas arribas submarinas, que se prolongam em profundidade até cerca dos 20 m, onde a paisagem do fundo é predominantemente composta por blocos de rocha. A costa da Restinga é formada por materiais de projecção com alguns veios de complexo basáltico. Esta rocha vulcânica domina toda a zona da Ponta da Restinga. O Ilhéu de Baixo é maioritariamente formado por um cone de escórias, tendo toda a sua face sudoeste orlada por andesitos.
Esta área marinha, principalmente a costa da Restinga, é influenciada pelo Homem, seja pelo resultado da exploração de recursos vivos ou do turismo. O Cabeço da Agulha, situado sensivelmente a 2 M a SSE da Ponta da Restinga, é um pesqueiro muito utilizado e cerca de 1 M a S do Carapacho situa-se o pesqueiro do Castelo. É de realçar que esta é uma das zonas da Ilha Graciosa que recebe mais turistas devido à existência de uma zona termal no Carapacho.
A temperatura superficial da água varia entre 16,3ºC em Janeiro e os 26,3ºC em Setembro, tendo como média 18,4ºC (RODRIGUES 2003). Por se situar numa das extremidades da ilha este local encontra-se muito exposto, sendo muito influenciado por correntes oceânicas.
Estatutos de Protecção
Serão considerados apenas os estatutos de protecção que se aplicam à área sujeita à influência do mar, ou seja, aquela que vai desde o limite superior do supra-litoral até à zona subtidal. A classificação deste local como SIC foi baseada na ocorrência de determinados habitats e espécies constantes dos anexos das respectivas directivas†,
abaixo apresentados: Habitats
1160 - Enseadas e baías pouco profundas 1170 - Recifes
1210 - Vegetação anual das zonas de acumulação de detritos de maré 1220 - Vegetação perene das praias de calhau rolado
†
1250 - Falésias com vegetação das costas Macaronésia 8330 - Grutas marinhas submersas ou semi submersas
Espécies
Bulweria bulwerii (Angelito)
Calonectris diomedea borealis (Cagarro) Caretta caretta* (Tartaruga-careta)
Egretta garzetta (Garça-branca-pequena) Oceanodroma castro (Freira-do-Bugio) Pterodroma feae (Alma-negra)
Puffinus assimilis baroli (Frulho) Sterna dougallii * (Garajau-rosado) Sterna hirundo (Garajau-comum) Tursiops truncatus (Roaz)
Flora Azorina vidalli * (Vidália)
Myosotis maritima (Não-me-esqueças) Spergularia azorica
Durante a realização dos trabalhos de caracterização deste SIC, foi ainda identificado 1 habitat, constante na directiva e que não foi incluído na definição do mesmo:
1110 - Bancos de areia permanentemente cobertos por água do mar pouco profunda
Além das espécies constantes nos anexos das respectivas directivas, existem várias outras espécies que possuem algum nível de protecção regional, nacional ou internacional ou são especialmente importantes para o local que devem ser tidas em conta, são elas:
Espécies registadas para o local ‡
Invertebrados Maja brachydactila (Santola)
Megabalanus azoricus (Craca) Palinurus elephas (Lagosta) Patella aspera (Lapa-brava) Patella candei (Lapa-mansa) Scylarides latus (Cavaco)
Peixes Coryphoblennius galerita (Caboz-de-crista) Epinephelus marginatus (Mero)
Gobius paganellus (Bochecha) Mullus surmuletus (Salmonete) Parablennius ruber (Caboz-lusitano) Phycis phycis (Abrótea)
Aves Ardea cinerea (Garça-real)
Arenaria interpres (Rola-do-mar) Calidris alba (Pilrito-sanderlingo)
Charadrius alexandrinus (Borrelho-de-coleira-interrompida) Columba livia (Pombo-da-rocha)
Larus cachinnans atlantis (Gaivota) Larus marinus (Alcatraz-comum) Larus ridibundus (Guincho-comum) Numenius phaeopus (Maçarico-galego)
Cetáceos Delphinus delphis (Golfinho-comum)
Flora
Porphyra sp. (Erva patinha) [Alga comercialmente explorada na costa]
Espécies com importância para a conservação não registadas mas de ocorrência provável no SIC §
Peixes
Diplecogaster bimaculata pectoralis (Peixe-ventosa-dos-ouriços) Gaidropsarus guttatus (Viúva)
Lipophrys pholis (Caboz-gigante) Lipophrys trigloides (Caboz) Mycteroperca fusca (Badejo)
Pagellus bogaraveo (Carapau quando juvenil) Pagrus pagrus (Pargo)
Parablennius incognitus (Caboz-das-cracas)
As diferentes condicionantes legais que se podem aplicar a este local são: CITES (Decreto Lei n.º 114/90 de 5 de Abril);
Convenção de Berna (Decreto Lei n.º 316/89 de 22 de Setembro);
NATURA 2000 (Decreto Lei n.º 140/99 de 24 de Abril, Decreto Legislativo Regional n.º 18/2002/A de 16 de Maio);
Instrumentos de Gestão Territorial (Decreto Lei n.º 380/99 de 22 de Setembro, com a adaptação à região pelo Decreto Legislativo Regional n.º 14/2000/A de 23 de Maio, com as alterações do Decreto Legislativo Regional 38/2002/A de 3 de Dezembro e do Decreto Legislativo Regional 24/2003/A de 12 de Maio);
Lista de SIC (Decisão da Comissão de 28 de Dezembro de 2001 e aprovação para a região pela Resolução n.º 30/98 de 5 de Fevereiro, rectificada pela Declaração n.º 12/98 de 7 de Maio e adaptação à Região do Decreto Lei n.º 140/99 de 24 de Abril pelo Decreto Legislativo Regional n.º 18/2002/A de 16 de Maio);
Introdução de espécies não indígenas (Decreto Lei n.º 565/99 de 21 de Dezembro, Resolução n.º 148/98 de 25 de Junho);
Regulamentação da Pesca (Decreto Regulamentar n.º 43/87 de 17 de Julho); Pesca por Apanha (Portaria n.º 1102-B/2000 de 22 de Novembro);
Pesca à Linha (Portaria n.º 1102-C/2000 de 22 de Novembro, Portaria n.º 101/2002 de 24 de Outubro);
Pesca por Arte de Armadilha (Portaria n.º 1102-D/2000 de 22 de Novembro, Portaria n.º 30/2004 de 22 de Abril com a rectificação pela Declaração n.º 2/2004);
Pesca por Arte de Arrasto (Portaria n.º 1102-E/2000 de 22 de Novembro);
Pesca por Arte Envolvente-Arrastante (Portaria n.º 1102-F/2000 de 22 de Novembro); Pesca por Arte de Cerco (Portaria n.º 1102-G/2000 de 22 de Novembro);
Pesca por Arte de Emalhar (Portaria n.º 1102-H/2000 de 22 de Novembro, Portaria n.º 35/94 de 21 de Julho);
Domínio Público Hídrico (Decreto Lei n.º 468/71 de 5 de Novembro, Lei n.º 16/2003 de 4 de Junho);
Regulamento de faróis (Portaria n.º 537/71 de 4 de Outubro, Decreto Lei n.º 584/73 de 7 de Novembro).
Tamanhos mínimos de captura (Portaria n.º 27/2001 de 15 de Janeiro, Regulamento CE n.º 850/98 de 30 de Março, Portaria n.º 19/83 de 3 de Maio);
Caça submarina (Decreto Legislativo Regional n.º 5/85/A de 8 de Maio);
Regulamento da Observação de Cetáceos (Decreto Legislativo Regional 10/2003/A de 22 de Março, Portaria n.º 5/2004 de 29 de Janeiro);
Apanha de lapas (Decreto Legislativo Regional n.º 14/93A de 31 de Julho, com a Declaração de Rectificação n.º 182/93 de 30 de Setembro, Portaria n.º 43/93 de 2 de Setembro);
Exploração de crustáceos costeiros (Portaria n.º 19/83 de 5 de Maio)
Condicionantes técnico-científicas
Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal 1 o estatuto V: Epinephelus marginatus (Mero);
o estatuto I: Mycteroperca fusca (Badejo), Gaidropsarus guttatus (Viúva);
o estatuto K: Mullus surmuletus (Salmonete), Gobius paganellus (Bochecha),
Coryphoblennius galerita (Caboz-de-crista), Lipophrys trigloides (Caboz), Parablennius incognitus (Caboz-das-cracas), Parablennius ruber (Caboz-lusitano), Diplecogaster bimaculata pectoralis (Peixe-ventosa-dos-ouriços);
o estatuto CT: Pagellus bogaraveo (Carapau quando juvenil), Pagrus pagrus (Pargo), Phycis phycis (Abrótea);
Espécies regionais propostas para o Anexo V da Convenção OSPAR (Oslo - Paris) (Decreto n.º 59/97 de 31 Outubro):
o Patella aspera (Lapa-brava); o Megabalanus azoricus (Craca).
2. Caracterização Ambiental
Na caracterização biológica da parte marinha do SIC do Ilhéu de Baixo, Restinga, na ilha Graciosa, realizaram-se 14 mergulhos em 14 locais diferentes (Fig. 2). No Anexo II são apresentadas as informações relativas aos mergulhos e metodologia aplicada.
Fig. 2. Localização dos 14 locais onde se realizaram os mergulhos de caracterização do ambiente marinho no SIC Ilhéu de Baixo, Restinga.
Características Físicas
O SIC do Ilhéu de Baixo, Restinga, é composto por uma zona costeira caracterizada pelas enseadas e baías de pouca profundidade, mas destaca-se principalmente pela presença de diversas baixas e ilhéus, particularmente o Ilhéu de Baixo e ainda os Ilhéus do Navio e da Gaivota, de menor dimensão.
Os fundos circundantes aos ilhéus são compostos, regra geral, por blocos de rocha de dimensões grandes (superiores a 1m), alojados em sedimento composto maioritariamente por areia grosseira e muitas vezes encaixados uns sobre os outros. As paredes que suportam a própria estrutura dos ilhéus têm inclinações acentuadas (40-80º) normalmente mais próximo da base, tornando-se mais verticais (80-90º) à medida que se aproximam da superfície (Fig. 3c). Existem também inclinações negativas (>90º) e uma elevada ocorrência de fendas de diversas dimensões de abertura, desde 50 cm a menores que 5 cm e profundidades atingindo os 2 a 3 metros.
Fig. 3. Imagens do tipo de fundo encontrado na caracterização do SIC Ilhéu de Baixo, Restinga na ilha Graciosa. a) blocos arredondados grandes (superiores a 1m) predominam; (b) sedimento, de origem mineral, relativamente móvel; c) paredes de inclinações acentuadas (40-80º), tornando-se mais verticais (80-90º) à medida que se aproximam da superfície.
Características Biológicas / Ecológicas
No decorrer das imersões realizadas, foram identificadas 216 espécies distribuídas por 14 filos: 1 espécie protista, 158 espécies animais e 57 espécies de algas. Os filos com maior riqueza específica foram, para as algas, o filo Rhodophycota (29 espécies), e para os animais o filo Chordata (com 45 espécies, todas de peixes), Mollusca (24 espécies), Cnidaria (19 espécies) e Porifera (19 espécies) (Fig. 4).
0 10 20 30 40 50 Phoronida Tunicata Annelida Bryozoa Arthropoda Echinodermata Cnidaria Porifera Mollusca Chordata Sarcomastigophora Chlorophycota Phaeophycota Rhodophycota
Comunidades Bentónicas
Algas
No SIC Ilhéu de Baixo, Restinga, foram registadas 57 espécies de algas. Ao longo do SIC ocorrem espécies que, independentemente da sua abundância, estiveram presentes sistematicamente em todos os mergulhos realizados: as faeófitas Dictyota cf. linearis (Fig. 5a), Zonaria tournefortii (Fig. 5c) e Colpomenia sinuosa, as rodófitas Plocamium cartilagineum e as algas encrustantes não calcáreas de espécie indeterminada e a clorófita Microdictyon calodictyon (Fig. 5b). Para além destas, outras 19 espécies destacam-se pelo facto de terem sido registadas em mais de metade dos locais amostrados do SIC. Desta forma, pode-se dizer que o grupo algal mais disseminado pelo SIC (encontrando-se em mais de metade dos locais amostrados) foi o das algas castanhas (12 espécies), seguido do das algas vermelhas (10 espécies) e das algas verdes (3 espécies).
Fig. 5. Algumas espécies de algas observadas durante a caracterização do SIC Ilhéu de Baixo, Restinga a) Dictyota cf. linearis; b) Microdictyon calodictyon; c) Zonaria tournefortii.
Invertebrados
O grupo dos invertebrados foi representado por uma totalidade de 112 espécies. Tal como foi verificado para as algas, a presença de determinadas espécies foi registada de uma forma geral por todo o SIC. A única espécie que apresentou ocorrência integral em todos as imersões foi o espirógrafo Sabella spalanzanii (Fig. 6a). Contudo, outras espécies foram registadas com uma elevada percentagem de ocorrência pelo SIC, nomeadamente o decápode Calcinus tubularis, os gastrópodes Stramonita haemastoma e Calliostoma zizyphinum (Fig. 6b), os poliquetas da família Serpulidae, o hidrozoário do género Aglaophenia (Fig. 6c) e as esponjas pertencentes ao complexo dos géneros Tedania e/ou Mxiila. O phylum mais bem representado no SIC (com o maior número de espécies a ocorrer em mais de metade dos locais amostrados do SIC) foi o Cnidaria (6 espécies), seguido do Porifera (5 espécies).
Zonação
A localização geográfica desta zona sujeita-a à ondulação predominante (W-SW), tornando-a numa área relativamente exposta, existindo contudo, zonas mais abrigadas, nomeadamente a costa a N da Ponta da Restinga e as faces N dos ilhéus. A constante presença de aglomerados de algas arrancadas no fundo de sedimento e mesmo na coluna de água é um excelente indicador do hidrodinamismo que influencia este SIC. Assim sendo, de uma forma geral, todo o local é caracterizado pela constância de correntes aceleradas e ondulação, havendo no entanto distinções nos habitats e povoamentos bióticos caracterizadores dos diferentes trechos de costa do SIC.
Deste modo, existe uma discrepância no que diz respeito à riqueza específica ao longo do SIC. Quanto à área costeira abrangida pelos mergulhos, constatou-se que a área a NE da Ponta da Restinga aparenta ser mais pobre, encontrando-se, em geral, uma baixa diversidade de espécies, comparativamente aos locais da vertente para SW. Esta diferença pode dever-se ao tipo de fundo presente nos locais de mergulho seleccionados, dominando os blocos sobre sedimento, ao passo que os locais estudados na costa SW providenciaram a prospecção de paredes e leito rochoso, potenciando assim um maior número de habitats para as comunidades lá presentes.
De uma forma geral, a diversidade de espécies foi superior nos vários locais de mergulho dos ilhéus. Mais uma vez, uma das explicações é a existência de um maior número de habitats prospectados, desde os blocos, às paredes e fendas. Pode também dever-se ao facto dos locais seleccionados nos ilhéus permitirem uma prospecção desde maiores profundidades até à linha de água, permitindo assim uma caracterização vertical mais completa. Não são de notar diferenças mencionáveis de riqueza específica entre as faces S e N dos ilhéus.
Zonação horizontal
Algas
Registou-se alguma distribuição horizontal específica de certas espécies de algas ao longo do SIC. Assim, foram descritas espécies cuja presença foi apenas verificada para os ilhéus ou para a costa do SIC. Na primeira situação, os casos mais evidentes foram a alga castanha Cystoseira abies-marina e o estado tetrasporófito da alga vermelha Asparagopsis armata, denominado Falkenbergia rufulanosa. O único registo apenas para a zona costeira é da rodófita Peyssonelia cf. rosa marina. Além destas distinções nítidas, notou-se uma preferência por parte das algas vermelhas Plocamium cartilagineum e algas encrustantes não calcáreas e da alga castanha Chaetomorpha sp., devido ao habitat proporcionado pela zona costeira, onde se registaram em maiores abundâncias.
Fig. 7. Zonação horizontal das algas observadas durante a caracterização do SIC Ilhéu de Baixo, Restinga na ilha Graciosa. As algas apresentadas são as mais características das respectivas áreas.
Invertebrados
Algumas espécies de invertebrados apresentaram um padrão de distribuição ao longo do SIC. Algumas espécies parecem ter uma preferência demarcada para os habitats e condições proporcionados pela zona costeira do SIC, como as esponjas Cliona celata e Oscarella lobularis, a ascídea Cystodites dellechiajei e as posturas do gastrópode Lunatia sp., que têm aqui ocorrência exclusiva. O inverso dá-se para as anémonas Corynactis viridis e Caryophillia inornata, o briozoário Bugula sp., os espongiários Sycon ciliatum, o nudibrânquio Chromodoris purpurea e, curiosamente, para as espécies comerciais Megabalanus azoricus (craca-gigante) e Patella aspera (lapa-brava), cuja presença é muito mais marcada nos ilhéus.
Fig. 8. Zonação horizontal dos invertebrados observados durante a caracterização do SIC Ilhéu de Baixo, Restinga. As imagens apresentadas representam apenas algumas das espécies mais características das respectivas fracções.
Zonação vertical
Algas
Apesar de se encontrarem condições distintas na zona costeira do SIC e nos ilhéus prospectados, a zonação vertical das espécies de algas pareceu ser muito semelhante em todos os locais amostrados (Fig. 9).
Desde a superfície até cerca dos 4 a 5 m de profundidade, são características as rodófitas Asparagopsis armata e as coralináceas erectas, por vezes intercaladas com as faeófitas encrustantes. A partir dessa profundidade, e até cerca dos 7 a 8 metros, parece haver uma fase de transição, onde a alga castanha Stypocaulon scoparium começa a ser registada, juntamente com as anteriores. Abaixo dos 8 metros, a dominância da Asparagopsis armata termina, passando a Dictyota cf. linearis a cobrir a maior percentagem de fundos, acompanhada pelas faeófitas Halopteris filicina e Zonaria tournefortii, presentes a elevadas abundâncias. Esta tendência verifica-se até bem perto dos 20 metros, onde a Zonaria tournefortii passa, então, a ser o registo algal dominante.
Invertebrados
Para os invertebrados, apenas algumas espécies possuem uma distribuição associada à batimetria. As cracas Megabalanus azoricus e os ouriços Paracentrotus lividus estiveram presentes de forma mais notável desde a linha de água até aos 4 metros, à medida que as anémonas-jóia Corynactis viridis estenderam-se
Ilhéu do Carapacho), constituíram a cobertura biótica principal nas batimetrias menores. Os ouriços Arbacia lixula apresenta um limite inferior de profundidade aos 5 e superior aos 10m. Quanto a registos pontuais, o briozoário do género Bugula foi registado apenas aos 5 metros e o briozoário-encrustante-negro (Reptadeonella violacea) apenas aos 30 metros.
Habitats e Abundâncias
Os vários biótopos fornecem habitat a uma série de espécies de algas e invertebrados; consoante as características específicas destas estruturas, pode haver uma maior ou menor afinidade por parte das comunidades bentónicas para se fixarem nelas. Quanto à distribuição da flora e fauna pelos biótopos existentes no SIC do Ilhéu de Baixo, Restinga, efectuaram-se registos especificamente para as espécies identificadas nos blocos, paredes, fendas, fundo de leito rochoso, fundo de sedimento e coluna de água. A abundância de cada espécie por biótopo é apresentada entre parêntesis de acordo com a Escala SACFOR (ver Anexo II para detalhes).
O biótopo que revelou maior riqueza específica (número total de espécies identificadas) foram os blocos, com 123 espécies identificadas, seguido das fendas, com 101 espécies (Quadro I).
Quadro I
Número de espécies identificadas por habitat no SIC Ilhéu de Baixo, Restinga
Biótopo Número de espécies
Parede 98
Fundo de leito rochoso 45
Blocos 123
Fendas 101
Coluna de água 4
Fundo de sedimento 11
É de referir que os peixes não estão contabilizados nesta distribuição por habitats, uma vez que devido à sua grande mobilidade se considerou que raramente estes são uma componente caracterizadora dos mesmos.
Blocos
Fig. 10. Os blocos (a) foram uma constante ao longo do SIC Ilhéu de Baixo, Restinga. Algumas espécies identificadas foram: b) Asparagopsis taxiformis e c) Sphaerechinus granularis.
A presença de invertebrados nos blocos revelou uma grande diversidade (74 espécies encontradas), apesar da densidade de cada espécie ser normalmente muito pouco representativa e a sua disseminação pelo SIC ser pobre. Assim, as espécies que ocorreram sobre os blocos com níveis de abundância mais interessantes foram o espirógrafo Sabella spalanzanii (C), o ouriço Sphaerechinus granularis (O) (Fig. 10c)e os poliquetas serpulídeos (R). Apesar de a baixas densidades na generalidade do SIC, as ascídeas da família Didemnidae (R), o decápode Calcinus tubularis (R), o hidrozoário do género Alglaophenia, o gastrópode Stramonita haemastoma e as esponjas dos géneros Tedania/Myxilla (R), estiveram presentes na maioria dos locais amostrados.
Coluna de Água
A prospecção da coluna de água, apesar de limitada, foi feita em todos os locais de mergulho. Em nenhum foi observada a presença de algas.
No que diz respeito a invertebrados, a água-viva Pelagia noctiluca (R), as salpas da família Salpidae (R) e a caravela-portuguesa Physalis physalis (R) foram os únicos registos para o meio pelágico.
Fendas
Existe informação referente às fendas para 9 locais de mergulho. Foram registadas 25 espécies de algas, sendo as mais caracterizadoras deste biótopo as rodófitas pertencentes à família Delesseriacea (F), as encrustantes não calcáreas (F), e as coralináceas encrustantes (F) (Fig. 11a). São ainda típicas deste habitat as algas clorófitas Codium adhaerens (O), Microdictyon calodictyon (O) e Valonia utricularis (R), as algas faeófitas encrustantes não calcáreas (O) e a Dictyota cf. linearis, cuja presença foi verificada em grande parte do substrato.
Fig. 11. Fendas: um dos habitats onde é possível encontrar muitas espécies (algas, invertebrados e peixes – a) coralináceas encrustantes; b) Calliostoma zizyphinum; c) Antedon bifida.
Fundo de Leito Rochoso
O fundo de leito rochoso (Fig. 12a) foi apenas amostrado num local de mergulho. Registaram-se 23 espécies de algas, em grande parte pertencentes aos filos Rodophycota (10) e Phaeophycota (9). As coralináceas erectas (Fig. 12b), predominantemente da espécie Corallina elongata (S), constituíram a principal cobertura algal. A alga invasora Asparagopsis armata (F) e a alga faeófita Dilophus fasciola (F) foram também descritas a abundâncias elevadas.
Relativamente aos invertebrados, os poliquetas da família Serpulidae (C) cobriam algumas extensões de substrato. O búzio Stramonita haemastoma (C) foi também bastante comum neste biótopo. A menores densidades, mas de relativa importância, foram registados os hidrozoários do género Aglaophenia (F), a estrela-do-mar-vermelha Ophidiaster ophidianus (F) (Fig. 12c), a pina Pinna rudis (F), o espirógrafo Sabella spalanzanii (F), o briozoário Scrupocellaria scrupea (F) e o ouriço Sphaerechinus granularis (F). É, ainda, de referir a presença a densidades elevadas do foraminífero Miniacina miniacea (O).
Fig. 12. a) Leito rochoso: b) coralináceas erectas, que constituíram a principal cobertura algal; c)
Ophidiaster ophidianus.
Fundo de Sedimento
Relativamente aos invertebrados, o método utilizado não permite conhecer a meio-fauna bentónica para além dos organismos que por qualquer condicionante fiquem expostos. Há a referir o gastrópode Lunatia sp. (Fig. 13b), cuja presença foi detectada através das suas posturas em forma de gola de areia. A pina Pinna rudis e a cipreia Luria luridus foram registadas, pontualmente. Conchas de lapa-burra Haliotis coccinea, do gastrópode Columbella adansoni, da lapa Patella aspera e carapaças de santola Maja brachydactyla foram também encontradas sobre o fundo de sedimento.
Fig. 13. Fundo de sedimento (a), apesar de o método utilizado não permitir a caracterização da endofauna existente foi possível identificar algumas espécies presentes neste habitat, como é o caso das posturas de Lunatia sp. (b).
Paredes
O biótopo das paredes (Fig. 14a), nomeadamente dos ilhéu, foi caracterizado em 8 locais seleccionados para a amostragem biológica. Um total de 44 espécies de algas foram identificadas sendo a dominante a faeófota Dictyota cf. linearis (A) (Fig. 14b), que esteve presente em todos os pontos de amostragem, sendo responsável por grande parte do cobrimento algal. A alga invasora Asparagopsis armata (C) foi também registada a elevados níveis de abundância, seguida das coralináceas encrustantes (F), algas vermelhas da família Delessariacea (F), e das castanhas Zonaria tournefortii (F), Halopteris filicina (F) e Dictyota dichotoma (F).
No respeita aos invertebrados, foram 53 as espécies encontradas nas paredes do SIC. As mais comuns e dispersas pelo SIC foram os hidrários Aglaophenia sp. (F) e Diphasia sp. (O), o espirógrafo Sabella spalanzanii (F), a craca-gigante Megabalanus azoricus, a anémona-jóia Corynactis viridis (O) (Fig. 14c), e os equinodermes Ophidiaster ophidianus (O) e Arbacia lixula (O).
Peixes
Um total de 45 espécies de peixes foram identificadas para este SIC. De uma forma geral, as espécies de peixes mais ocorrentes e abundantes ao longo do SIC do Ilhéu de Baixo, Restinga, foram a raínha (Thalassoma pavo) e a castanheta-azul (Abudefduf luridus), cuja presença foi assinalada para todos os locais amostrados.
Nas zonas rochosas (que incluem leito rochoso, paredes e blocos), o peixe-rei Coris julis, a raínha (Thalassoma pavo) (Fig. 15a), a salema (Sarpa salpa), a castanheta-azul (Abudefduf luridus), a castanheta-castanha (Chromis limbata), a garoupa (Serranus atricauda), o bodião-verde (Centrolabrus caeruleus), a veja (Sparisoma cretense) e o rascasso (Scorpaena maderensis) foram as espécies mais significativas.
Fig. 15. Diversas espécies de peixes foram registadas numa grande diversidade de Biótopos: a) Thalassoma pavo, nas zonas rochosas, b) Apogon imberbis, nas fendas, c) Xyrichtys novacula, no sedimento.
Nas fendas são muito comuns e exclusivos deste biótopo, o folião Apogon imberbis (Fig. 15b) e a moreia-preta (Muraena augusti). Outras espécies aparecem também com grande predominância mas não exclusivamente nas fendas e buracos, como o rascasso (Scorpaena maderensis), a garoupa (Serranus atricauda) ou o caboz-de-três-dorsais (Trypterygion delaisi delaisi).
Relativamente a espécies características da coluna de água, no SIC da Graciosa são abundantes espécies como a boga (Boops boops), o enxaréu (Pseudocaranx dentex), a veja (Sparisoma cretense) e a bicuda (Sphyraena viridensis).
No fundo de sedimento, a espécie mais abundante foi o salmonete (Mullus surmuletus). Pontualmente, foram identificados o bodião da areia (Xyrichtys novacula) (Fig. 15c) e a uge (Dasyatis pastinaca), característicos deste substrato.
3. Caracterização Sócio-Económica Caracterização Geral da Ilha Graciosa Demografia populacional
0 2000 4000 6000 8000 10000 12000 1864 1878 1890 1900 1911 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1981 1991 2001 Anos Nº de h abi ta n te s
Fig. 16. Variação do número de habitantes na ilha Graciosa no último século.
De acordo com o Anuário de 2001, em Dezembro de 2000 o número de habitantes do sexo feminino era superior aos habitantes do sexo masculino (2.398 e 2.315, respectivamente) e o maior número de habitantes encontrava-se distribuídos na faixa etária dos 25 aos 49 anos. (Fig. 17).
0 100 200 300 400 500 600 700 800 N º de hab itant es 0 a 14 15 a 24 25 a 49 50 a 64 65 ou mais
Grupo etários (Anos)
sexo masculino sexo feminino
Fig. 17. Número de habitantes por grupo etário e por sexo na ilha Graciosa em 31/12/2000
Actividades económicas
Segundo o Censo de 2001, 47% da população da ilha Graciosa tem actividade económica (empregados e desempregados), sendo a restante constituída por estudantes, domésticas, reformados e incapacitados.
Indicadores de actividades económicas e sociais
Ao longo dos últimos anos (entre 1998 e 2003), não ocorreram oscilações significativas nos indicadores de actividades económicas e sociais na ilha Graciosa.
Quanto a alguns indicadores de actividades económicas, em Santa Cruz da Graciosa, durante o período referido, foram concedidas 159 licenças para construções e obras. No ano de 2003 existiam:
3 estabelecimentos hoteleiros publicitados 6 caixas Multibanco
1 seguradora
Considerando alguns indicadores sociais, existiam em 2003 neste concelho:
20 estabelecimentos de ensino público (8 pré-escolares, 10 do ensino básico, 1 do ensino secundário e 1 escola profissional), totalizando 863 alunos matriculados e 157 docentes
1 ecoteca
1 organização não governamental
Dado o reduzido nível de variação sofrido por estes indicadores nos últimos anos, pode-se considerar que a dimensão da população da ilha se encontra estabilizada, não se prevendo um aumento da pressão antropogénica sobre a área costeira e sobre a área do SIC, em particular.
Despesas com o Ambiente
De seguida será considerado o investimento efectuado na ilha Graciosa com a protecção e qualidade do Ambiente (Quadro II). Para tal foi considerado o investimento na Protecção do recurso água que engloba o tratamento e controlo da qualidade da água para o abastecimento, o sistema de drenagem e o sistema de tratamento de águas residuais; na Gestão de resíduos que inclui a recolha e transporte de resíduos sólidos e infra-estruturas para o seu tratamento e deposição; na Protecção da Biodiversidade e todo o tipo de investimentos nesta área que poderão ter ocorrido.
Ao longo dos últimos anos (1998-2003) o gasto total com a protecção e qualidade do Ambiente, na ilha, foi de cerca de € 1.399.432tendo o maior investimento ocorrido no ano de 1999 (€ 482.726).
Quadro II
Despesas (em euros) da autarquia da ilha Graciosa com a protecção e qualidade do ambiente entre os anos de 1998 e 2003.
1998 1999 2000 2001 2002 2003
Protecção do recurso de água 3.331 0 58.878 0 0 0 Gestão de resíduos 403.617 482.726 279.880 82000 50.000 14.000 Protecção da biodiversidade 0 0 0 7.000 7.000 11.000
Outros 0 0 0 0 0 0
Fonte: Anuário Estatístico. Região Autónoma dos Açores. Açores 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 e 2003.
Utilização da zona costeira
Com base em dados fornecidos pela Direcção Regional das Pescas dos Açores foi possível caracterizar algumas das utilizações da zona costeira.
na ilha Graciosa são 12, ou seja, 2,4% dos licenciados para estas actividades de todo arquipélago. Destas licenças, 6 são para a apanha de polvo, 1 para apanha de algas e 5 para apanha de lapas.
Quanto às actividades de linha de mão, a Região Autónoma dos Açores licenciou em 2004, 466 residentes no arquipélago, deste, 33 são residentes da ilha Graciosa, representando 7% do total dos licenciados.
No mesmo ano foram licenciadas no arquipélago 488 embarcações para a pesca local, das quais 33 se encontram registadas na Graciosa, ou seja, 7% do total de embarcações licenciadas.
Considerando o período entre 1998 e 2003, e segundo dados publicados nos anuários regionais, verificou-se uma diminuição progressiva do número de embarcações registadas na região até 2002, tendo sido registadas em 2003 apenas mais 5 embarcações do que no ano anterior (Quadro III).
Quadro III
Número de embarcações (com e sem motor) registadas na Região Autónoma dos Açores entre 1998 e 2003.
1998 1999 2000 2001 2002 2003
Embarcações com motor 1294 1272 1250 1236 1216 1222 Embarcações sem motor 437 425 420 413 408 407
Total 1731 1697 1670 1649 1624 1629
Fonte: Anuário Estatístico. Região Autónoma dos Açores. Açores 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 e 2003.
Caracterização dos Utilizadores da Zona Costeira
Nesta secção são apresentados dados recolhidos através de inquéritos efectuados directamente aos diferentes utilizadores da zona costeira: pescadores, caçadores submarinos, operadores de actividades marítimo-turísticas e população em geral (Fig. 18).
Fig. 18. Entrevistas aos diferentes utilizadores da zona costeira: pescadores, operadores de actividades marítimo-turísticos e à população em geral.
Inquérito Geral
O inquérito geral diz respeito aos dados gerais recolhidos a todos os inquiridos, independentemente da relação que possam ter com a zona costeira.
Grupo etário, sexo e escolaridade dos entrevistados
0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 N º do s ent rev ist ad o s 0 a 14 15 a 24 25 a 49 50 a 64 65 ou mais
Grupo etário (Anos)
sexo masculino sexo feminino
Fig.19. Grupos etários dos entrevistados.
Relativamente aos níveis de escolaridade, 33% dos inquiridos possuí o nível de instrução do 1º ciclo básico, ou seja, 1ª a 4ª classe (Fig. 20).
0 5 10 15 20 25 30 35 P er cent agem dos ent re vist ado s sem nível de escolaridade
1º ciclo (básico) 2º ciclo (básico) 3º ciclo (básico) secundário complementar
superior
Nível de escolaridade
Fig. 20. Nível de instrução dos entrevistados.
Áreas Marinhas Protegidas (AMP)
Na ilha Graciosa, 55% dos indivíduos questionados mostraram ter conhecimento da existência de áreas marinhas com algum nível de protecção, ou mesmo de alguma Área Marinha Protegida (AMP) na ilha, sendo as mais citadas: o Ilhéu da Praia e a zona do Carapacho.
Dos entrevistados, 91% revelam acreditar na importância da existência de AMP, os quais alegaram que:
“...se não forem protegidas correm o risco de extinção” “...as coisas estão mal, se não for assim aonde vamos parar?” “É bom para o turismo e para a ilha”
A maioria dos inquiridos (89%), concordam com a existência de fiscalização nas AMP, 5% responderam o contrário e 6% optaram por não responder à questão. Na figura 21 é apresentada a opinião dos inquiridos sobre qual a entidade que deve ser responsável por esta fiscalização, sendo que a maioria (67%) se refere à autoridade marítima.
66,67% 11,67% 5% 3,33% 6,60% 6,60% autoridade marítima não opinaram outros
direcção regional do ambiente GNR
autarquias
Fig. 21. Opinião dos entrevistados sobre que entidade deve ser responsável pela fiscalização das AMP.
Sítio de Importância Comunitária (SIC)
Do total de inquiridos, 91% desconhece o significado do termo Sítio de Importância Comunitário (SIC). Os que afirmam conhecer o termo (9%), definem SIC como:
“Algo que a comunidade tem interesse em preservar...” “...tem haver com as áreas protegidas”
“São sítios que interessam a Comunidade Europeia”
“Sítios que por alguma razão, dada a sua importância são protegidos por lei”
Utilização da zona costeira
A zona costeira da Graciosa é frequentada e/ou utilizada por 97% dos inquiridos e apenas 3% dizem não ter contacto com essa zona.
Dentro das diversas actividades que podem ser desenvolvidas nas zonas costeiras, as preferidas pelos inquiridos são as actividades balneares (37%), observação da paisagem (41%) e a pesca de linha a partir da costa (pesca lúdica) (15%) (Fig. 22).
41,48% 37,04% 0,74% 3,70% 2,22% 14,81% observação da paisagem actividades balneares pesca de linha das pedras mergulho
passeio náutico caça submarina
As épocas em que os entrevistados optam por utilizar as zonas costeiras são diversas, sendo que 62% dos inquiridos têm por hábito ir o ano todo e 35% frequenta essas áreas no Verão.
O meio de transporte mais utilizado para a deslocação até as zonas costeiras é o automóvel (59%) (Fig. 23). 35,63% 58,62% 2,29% 3,42% a pé pela costa carro barco a motor outros
Fig. 23. Meios utilizados pelos utilizadores para se deslocarem até as zonas costeiras.
Fauna observada pelos entrevistados
Na ilha Graciosa, os animais marinhos que alegadamente são observados na zona costeira pelos entrevistados encontram-se descrito no quadro IV.
Durante a aplicação dos inquéritos os entrevistados referiram a utilização do cagarro (Calonectris diomedea borealis) na preparação do engodo e da tartaruga marinha (Caretta caretta) como alimento ainda nos dias actuais. Nada foi referido sobre a toninha (Delphinus delphis).
Quadro IV
Aves, mamíferos e répteis marinhos avistados na zona costeira pelos entrevistados na ilha Graciosa.
Nome comum Espécies Percentagem dos entrevistados Aves
Cagarro Calonectris diomedea borealis 72%
Gaivota Larus cachinnans atlantis 72%
Garajau-comum Sterna hirundo 58%
Garajau-rosado Sterna dougallii 2%
Mamíferos marinhos
Toninha Delphinus delphis 74%
Cachalote Physeter macrocephalus 47%
Moleiro Grampus griseus 3%
Golfinho pintado Stenella frontallis 2%
Golfinho riscado Stenella coeruleoalba 2%
Falsa-orca Pseudorca crassidens 2%
Répteis
Tartaruga comum Caretta caretta 61%
Inquéritos Específicos
Operadores de Actividades Marítimo-Turísticas (OAMT)
Na ilha da Graciosa existiam dois OAMT, até Novembro de 2003, que deram início às actividades em 2001.
Um dos operadores oferece aos clientes as actividades de mergulho com escafandro e os passeios náuticos em volta da ilha. O outro oferece as actividades de mergulho com escafandro, os passeios náuticos em volta da ilha, observação de cetáceos e a pesca desportiva (Game fish).
Segundo os operadores há uma maior procura dessas actividades por turistas oriundos do continente.
Características das embarcações das OAMT
Ambos os OAMT são proprietários de embarcações, um possui 1 e o outro 2. As embarcações são semí-rígidas e de fibra e o comprimento das mesmas variam entre os 5 e os 9 metros, com motor outbord. A tripulação varia entre um e dois tripulantes.
Uso e ocupação da zona costeira pelos OAMT
O local preferido pelos operadores para tais actividades é o Ilhéu da Praia e a zona do Carapacho mas também realizam passeio náuticos em volta de toda ilha (Fig. 24).
Fig. 24. Áreas indicadas como utilizadas pelos operadores de actividades marítimo-turísticas na ilha Graciosa.
Emprego directo gerado pelos OAMT
Ambos os operadores são estritamente familiar, ou seja, empregam directamente membros da família. Como consequência das condições climatéricas dos Açores os operadores geralmente não exercem actividades durante os meses de Outono e Inverno estando mesmo com as instalações encerradas durante esse período.
Evolução das actividades
Ambos os operadores relataram um aumento na procura de tais actividades. Brifingue ambiental
Apenas um dos operadores realiza um brifingue ambiental dirigido aos turistas. Este é realizado durante as saídas de barco e o responsável por tal informação é o instrutor de mergulho o qual não tem formação em nenhum ramo da biologia e/ou ambiental. O tempo do brifingue é de aproximadamente, 10 minutos.
Pescadores
Os pescadores inquiridos na ilha Graciosa possuem idades compreendidas entre os 24 e os 58 anos de idade e apresentam um nível de escolaridade intermediário, ou seja, 42% dos entrevistados terminaram o ensino obrigatório (3º ciclo). Destes, 67% depende exclusivamente da actividade piscatória como fonte de rendimento.
Segundo 83% dos entrevistados, a qualidade de vida dos pescadores está: “Cada vez melhor”
“...está melhorando, há mais peixe e de melhor qualidade” “Está melhor, mas ainda não está a 100%”
“O peixe esta a valer muito dinheiro”
Uso e ocupação da zona costeira pelos pescadores
A partir das informações fornecidas pelos pescadores entrevistados, obteve-se que os pescadores pescam em volta de toda ilha, mas ressaltam a importância de algumas zonas como: a zona do Carapacho e a zona do Ilhéu da Praia (Fig. 25).
Caracterização da actividade pesqueira
São proprietários de embarcações 67% dos pescadores inquiridos, sendo que todas as embarcações têm motor inbord. Os comprimentos variam entre os 5 e os 9 metros, são madeira, não cabinadas e com a tripulação a variar entre três e cinco pescadores. As artes de pesca utilizadas são: linha de mão (62%), gorazeira (15%), palagre (15%) e roleta (8%).
O tempo que os pescadores levam a chegar aos pesqueiros varia entre os 30 minutos e 2 horas e o tempo de pescaria é sempre superior as 6 horas, podendo muitas vezes atingir as 12 horas.
Os iscos mencionados com maior frequência foram: a sardinha (Sardina pilchardus), o chicharro (Trachurus picturatus), a cavala (Scomber japonicus) e a lula (Loligo forbesi). Dos pescadores inquiridos, 42% capturam o isco, 33% compram o isco e 25% compram e/ou capturam o isco.
As espécies citadas pelos pescadores como mais capturadas são: a garoupa (Serranus atricauda), a veja (Sparisoma cretense), o goraz (Pagellus bogaraveo), o peixão (Pagellus acarne), o pargo (Pagrus pagrus), o congro (Conger conger), o mero (Epinephelus marginatus), a abrótea (Phycis phycis), a cavala (Scomber japonicus) e o chicharro (Trachurus picturatus). Houve também, referência à captura de lapa (Patella sp), da lagosta (Palinurus elephas) e da sapateira (Cancer bellianos).
Dos pescadores inquiridos, 92% concordam com a obrigatoriedade de descarregar o pescado na Lota, alegando que:
“É onde podemos vender o peixe e assim também há um controle das capturas” “....não se pode vender para fora (da Lota)..”
“É bom por causa dos benefícios de descontar para caixa”
“..há uns anos atrás sé vendíamos (o peixe) na terra e não tínhamos lucro...” “Aqui (Lota) pagam mais do que se fossem em casa...”
Dos inquiridos, 75% observa caçadores submarinos na proximidade das zonas de pesca, mas apenas 25% acreditam que essa actividade origina impactos na pesca. Esses alegam que:
“Eles (caçadores submarinos) apanham todas as espécies e não há controle disso e depois
vendem para quem quiser”
“...ganham muito dinheiro, pois não pagam os impostos”
“Rendimento” da zona costeira para os pescadores
As condições climatéricas e oceanográficas dos Açores dificulta a ida dos pescadores ao mar durante alguns meses do Outono e Inverno, resultando numa alegada insegurança quanto ao rendimento mensal esperado. Sendo assim, a zona costeira da Graciosa rende mensalmente, por pescador, aproximadamente € 643 (em valor bruto).
Futuro da pesca
São filhos de pescadores 50% dos inquiridos, tendo os mesmos aprendido essa arte com os seus antecessores.
Os pescadores (42%), que gostariam que os filhos seguissem a mesma profissão acredita que:
“É rentável”
“...chega o fim do dia e vê que o trabalho teve o seu valor...” “É uma arte (profissão) linda, alegre e divertida”
“Acho que vale a pena continuar”
Turistas
Uma vez que a aplicação de inquéritos para o presente estudo se realizou apenas em Novembro de 2003 (época baixa), não foi possível realizar inquéritos a turistas, assim os dados apresentados baseiam-se no estudo sobre os turistas que visitam os Açores realizado pelo Serviço Regional de Estatística dos Açores (Anón. 2001a).
Dos turistas inquiridos, 70% apresenta idades compreendidas entre os 25 e os 54 anos, observando-se a maior percentagem no escalão dos 25 aos 34 anos. Dos inquiridos, 43% apresentam nível superior universitário.
A maioria dos turistas são residentes de Portugal (72%) e os residentes no estrangeiro no estrangeiro são essencialmente, provenientes dos EUA, Canadá e dos países europeus mais desenvolvidos (Alemanha, Países Nórdicos, Reino Unido e França.
Motivo de viagem
A viagem à região constituía a primeira visita de 41% dos inquiridos.
As características consideradas como importantes na escolha da região e o como principal motivo da viagem foram:
descanso e lazer beleza natural ambiente calmo
novidade e exotismo das ilhas
É importante ressaltar que as características consideradas menos importantes na sua escolha são:
vida nocturna compras
Isto evidencia a imagem de um destino ecológico e tranquilo, aliado ao exotismo próprio dos destinos insulares, que os turistas procuram quando optam pelos Açores.
Actividades praticadas pelos turistas As actividades mais praticadas pelos visitantes são:
apreciar a gastronomia açoreana
fazer compras (apesar de não ser uma característica importante na escolha do destino) visitar monumentos
Pontos fortes e fracos dos Açores segundo os turistas
Os turistas inquiridos ressaltaram como características positivas dos Açores: ambiente natural
hospitalidade dos residentes
segurança
e relataram como as piores características: estradas e sinalização
serviços de restauração
vida nocturna
compra
preços das refeições
preços de alojamento
ligações aéreas
Turistas como meio de divulgação
Dos turistas inquiridos, 84% levam boas recordações dos Açores e pretendem sugerir aos amigos e familiares que também visitem a região, favorecendo, a divulgação e publicidade da região.
Aspectos Estéticos e Paisagísticos
A área envolvente do SIC Ilhéu de Baixo, Restinga caracteriza-se por apresentar diferentes atractivos estéticos e paisagísticos, entre eles destacamos (Fig. 26):
Ilhéus Grutas
Baías e enseadas
Falésias com vegetação das costas macaronésicas Área de pesqueiro
Fig. 26. Alguns aspectos estéticos e paisagísticos do SIC Ilhéu de Baixo, Restinga
Nas algas, há a referir as rodófitas mais atractivas (Plocamium cartilagieneum, Peyssonelia rubra e Meredithia/Rhodymenia) e o formato curioso da faeófita Padina pavonica.
Quanto aos invertebrados, foram registadas as seguintes presenças: anémonas (Caryophyllia sp., Corynactis viridis e Madracis pharensis) ascídeas (Clavelina lepadiformis e Distaplia corolla)
bivalve (Pinna rudis)
burrié-bicudo (Calliostoma zizyphinum) buzina (Charonia lampas)
caranguejo (Percnon gibbesi) crinóide (Antedon bifida)
estrelas-do-mar (Marthasterias glacialis e Ophidiaster ophidianus) foronídeo (Phoronis hippocrepia).
holotúria (Holothuria forskali) lapa-burra (Haliotis coccinea)
nudibrânquios (Berthellina edwardsi, Chromodoris britoi e Tambja ceuta)
ouriços (Arbacia lixula, Centrostephanus longispinus e Sphaerechinus granularis) poliquetas (Hermodice carunculata e Sabella spalanzanii)
Relativamente aos peixes foram identificados: abrótea (Phycis phycis)
bicuda (Sphyraena viridensis) bodião-da-areia (Xyricthyes
novacula)
bodião-verde (Centrolabrus
caeruleus)
bodião-vermelho (Labrus bergylta) bonito (Katsuwonus pelamis) enxaréu (Pseudocaranx dentex) folião (Apogon imberbis) írio (Seriola dumerili)
mero (Epinephelus marginatus)
moreão (Gymnothorax unicolor) moreia-preta (Muraena augusti)
peixe-cão (Bodianus scrofa) peixe-rei (Coris julis)
raínha (Thalassoma pavo) ratão (Dasyatis pastinaca) serra (Sarda sarda)
sopapo (Sphoeroides marmoratus) trombetão (Symphodus
mediterraneus)
Fig. 27. Algumas das espécies com interesse para o turismo encontradas na caracterização do SIC Ilhéu de Baixo, Restinga. a) Padina pavonica, b) Clavelina lepadiformis, c) Corynactis viridis, d) Hermodice
carunculata, e) Sopapo (Sphoeroides marmoratus), f) encharéu (Pseudocaranx dentex).
Valores Patrimoniais
Os valores patrimoniais existentes na área envolvente do SIC são (Fig. 28): Zonas balneares (zona do Carapacho)
Termas do Carapacho Farol
Parque de Campismo Portinho
C
APÍTULOII
–
A
VALIAÇÃO EO
BJECTIVOS1. Avaliação das Componentes Critérios de Avaliação Ecológica Dimensão
O SIC do Ilhéu de Baixo, Restinga, na ilha Graciosa, apresenta uma área marinha (203ha) de dimensões médias que constitui, no entanto, 84% da totalidade do SIC (243ha). Estas dimensões avaliadas encontram-se dentro da média dos SIC do arquipélago, à medida que a linha de costa coloca-se abaixo (Quadro V).
Quadro V
Avaliação da Dimensão do SIC Ilhéu de Baixo, Restinga na ilha da Graciosa. A classificação aplicada é descrita no Anexo VII.
Classificação
Área Marinha Média
Área Total Média
Linha de Costa Inferior
As dimensões do SIC são apresentadas na secção da Localização e Descrição (pag. 1)
Diversidade
Na parte marinha do SIC Ilhéu de Baixo, Restinga, os habitats naturais são diversificados, estando presentes 7 habitats constantes do Anexo I da Directiva Habitats (92/43/CEE), alguns utilizados na definição de SIC. Esta característica confere a este SIC importância a nível europeu.
Relativamente às espécies marinhas constantes no Anexo III da Directiva Habitats, existem registos da presença de roaz (Tursiops truncatus), espécie cuja presença foi registada pelos projectos POPA**, Macetus †† e Cetamarh ‡‡ durante o trabalho de mar realizado entre 1999 e 2004.
Quanto às estruturas de fundo, neste SIC foram descritos 6 biótopos (ver secção Habitats e Abundâncias), cada um fornecendo condições distintas para a fixação, alimentação e/ou abrigo das espécies de algas e animais, daí contribuindo em parte para a diversidade de flora e fauna do local.
Assim, o SIC marinho do Ilhéu de Baixo, Restinga, apresenta uma diversidade biológica média (Quadro VI).
As diferenças na exposição ao hidrodinamismo dos trechos de costa do SIC, parecem ser uma condicionante à diversidade ao longo do SIC. De uma forma geral, os locais mais expostos, como sendo a Baixa da Baía da Poça e as zonas menos abrigadas dos ilhéus, destacaram-se pela presença de um maior número de espécies. É importante realçar, também, que as espécies existentes em cada local são distintas, pelo que as diferenças existentes ao longo do SIC evidenciam-se pela biodiversidade.
**
POPA – Programa de Observação para as Pescas dos Açores ††
Quadro VI
Avaliação da Diversidade do SIC Caloura, Ponta da Galera na ilha de São Miguel. A classificação aplicada é descrita no Anexo VII.
Total Registado no SIC Classificação Características Físicas
N.º Habitats (Anexo I) 7 Superior
N.º Biótopos 6 Superior
Características Biológicas
Espécies (Anexo III) 1 Média
Algas 57 Média
Invertebrados 112 Média
Peixes 45 Média
Total* 216 Média
* O valor apresentado para o Total tem em conta espécies não incluídas nos grupos considerados.
Fragilidade
A potencialidade de perigo de degradação antropogénica da zona marinha do SIC Ilhéu de Baixo, Restinga, parece ser reduzida devido à ausência de acessos regulares por terra, sendo a aproximação ao local feita nomeadamente por mar. Por se situar numa ponta da ilha Graciosa, mesmo o acesso via marítimo é dificultado. Desta forma, este é um local menos explorado pelos pescadores e outros utilizadores, durante os meses de Inverno. É de referir, contudo, que o Ilhéu do Carapacho (que faz parte do SIC) é um atractivo para o turismo e lazer, o que pode levar a um aumento do tráfego nessa zona, nomeadamente nos meses de Verão. Contudo, o turismo náutico não é uma actividade muito desenvolvida na ilha, o que salvaguarda o local do excesso de tráfego marítimo e pressão antropogénica. Por outro lado, a proximidade à localidade do Carapacho, popular pelas suas termas, pode fragilizar a integridade da parte marinha do SIC.
Existem ameaças reais ao local, tais como a exploração de recursos costeiros (caso da exploração comercial da erva patinha (Porphyra sp.), a caça submarina e a exploração ilegal de lapas. Existem também ameaças potenciais, como sendo a observação de cetáceos. Possíveis impactes são também de prever a longo curso, tal como a sobre-exploração de recursos haliêuticos, perturbação de garajaus e outras aves marinhas, e consequente abandono do território, e perturbação de cetáceos, e consequente afastamento da área.
Contudo, a maior parte destas actividades que ameaçam o equilíbrio da área marinha do SIC têm uma incidência mais notória na época estival, quando a aproximação ao local é mais facilitada.
Representatividade
O SIC Ilhéu de Baixo, Restinga, é um local caracterizadamente exposto, com uma zona costeira escarpada. É essencialmente composta por fundos de blocos de tamanhos variados bem assentes sobre areia, que encontram a terra a declives suaves, e ilhéus cujas paredes proporcionam um verdadeiro prazer ao mergulhador, que se depara com uma abundância e diversidade de cor e vida. Por ser uma zona de grande hidrodinamismo e cujo acesso se torna limitado, o estado natural da parte marinha do SIC permite, ainda, a observação de uma grande diversidade de ictiofauna tanto pelágica como bentónica.
castanheta-pavo e bodião-verde Centrolabrus caeruleus. Duma forma geral, a presença de peixes foi elevada por todo o SIC, possivelmente devido à constante reciclagem de nutrientes induzido pelo forte hidrodinamismo do local, proporcionando um local com elevado potencial para a alimentação de espécies marinhas.
Raridade
O Ilhéu de Baixo, Restinga, constitui um marco geográfico de grande interesse. A nível de biótopos, a dominância dos blocos de dimensões variadas e bem assentes na estrutura do fundo e as paredes dos ilhéus que permitem uma abrangência de prospecção desde a linha de água a batimetrias superiores aos 30 metros transformam o habitat subaquático típico deste local.
O mero (Epinephelus marginatus), o caboz-de-crista (Coryphoblennius galerita), o caboz-gigante (Lipophrys pholis), o caboz-das-cracas (Parablennius incognitus) e o caboz-lusitano (Parablennius ruber) foram registados no decurso da caracterização deste SIC. Sendo espécies constantes no Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal, a sua presença confere a este SIC importância nacional. O cavaco (Scyllarides latus), uma espécie que pela sua procura comercial possui medidas de gestão a nível regional, apesar de não ter sido identificado no decurso do presente projecto, foi registado noutras ocasiões, como no projecto TURISUB – “Estudo para o desenvolvimento do turismo subaquático dos Açores”.
O número de outras espécies de interesse neste SIC, nomeadamente de peixes, encontra-se bastante abaixo da média.
Naturalidade
O SIC do Ilhéu de Baixo, Restinga, pode ser considerado como apresentando uma elevada naturalidade (Quadro VII), existindo poucas intervenções (a nível de infra-estruturas) de origem antropogénica na sua área, resumindo-se à presença de um farol.
É um local de preferência para a pesca, sendo também procurado para fins turísticos. No fundo subaquático do SIC são raramente encontradossinais de degradação antrópica, tendo sido apenas avistados uma âncora e uma lata em locais distintos, e alguns objectos à deriva (Fig. 29a). São, visíveis, contudo, modificadores antropogénicos na forma de marcas de apanha de lapas, na zona dos ilhéus e zona costeira.
De resto, não se observam alterações ao meio marítimo desta zona, sendo uma área que oferece uma auto-protecção natural, devido à exposição que sofre da ondulação forte e correntes particulares daquela vertente, tornando-a pouco convidativa às actividades humanas.
Quanto à influência de espécies nativas (ver lista completa de espécies não-nativas registadas para os Açores no Anexo VIII) neste SIC, em geral os habitats naturais estão muito pouco modificados pela sua colonização. Relativamente à flora, há a referir a rodófita Asparagopsis armata, que está disseminada pelo SIC com abundâncias elevadas e que pode, assim, constituir uma ameaça às espécies autóctones. No filo Phoronida, Phoronis hippocrepia surge em poucos dos locais amostrados e com abundância moderada.Quanto às ascídeas, Clavelina lepadiformis(Fig. 29b) foi registada para alguns locais, mas com abundância rara, à medida que Distaplia corolla (Fig. 29c) foi apenas registada para o extremo NE do SIC, a níveis também reduzidos. É de referir que a presença destas duas espécies é tomada como sendo recente, visto que em estudos passados não foram registadas para o local. A ausência de Clavelina oblonga, ascídea não-nativa com grande predominância noutros locais nos Açores, é também interessante de referir.
Quadro VII
Avaliação da Naturalidade do SIC Ilhéu de Baixo, Restinga, na ilha da Graciosa.
Índice Classificação de Naturalidade
Intervenção Terrestre ÌÌÌÌÌ
Efeitos de Exploração Costeira ÌÌ
Modificadores Antropogénicos (área marinha) ÌÌÌÌÌ
Espécies não-nativas ÌÌÌÌ
Ponderação final ÌÌÌÌ
Escala de Importância do Sítio
A escala de importância do SIC é uma avaliação global dos factores acima descritos. Neste sentido, além da importância de cada um dos factores avaliados, é ainda atribuída a relevância desse factor (Quadro VIII). A maior importância atribuída ao SIC Ilhéu de Baixo, Restinga, relaciona-se com a raridade, pela presença de numerosas espécies com interesse a nível nacional no que diz respeito à sua conservação.
Quadro VIII
Escala de Importância do SIC Ilhéu de Baixo, Restinga, na ilha da Graciosa.
Importância Relevância
Dimensão -- Baixa
Diversidade Europeia Média
Fragilidade -- Média
Representatividade Local Média
Raridade Nacional Média
Naturalidade -- Média
2. Critérios de Avaliação Sócio-Económica Valor Potencial
Valor do SIC para OAMT