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REVISTA
BRASILEIRA
DE
REUMATOLOGIA
Artigo
original
A
obesidade
é
um
determinante
da
resistência
à
insulina
mais
importante
do
que
os
níveis
circulantes
de
citocinas
pró-inflamatórias
em
pacientes
com
artrite
reumatoide
Jesus
Castillo-Hernandez
a,∗,
Martha
Imelda
Maldonado-Cervantes
a,
Juan
Pablo
Reyes
a,
Nuria
Pati ˜no-Marin
b,
Enrique
Maldonado-Cervantes
a,
Claudia
Solorzano-Rodriguez
a,
Esperanza
de
la
Cruz
Mendoza
ce
Brenda
Alvarado-Sanchez
daUniversidadAutónomadeSanLuisPotosí,UnidadAcadémicaMultidisciplinariaZonaMedia,LaboratoriodeBiomedicina,SanLuís Potosí,México
bUniversidadAutónomadeSanLuisPotosí,FacultaddeEstomatología,LaboratoriodeInvestigaciónClínica,SanLuísPotosí,México cUniversidadAutónomadeSanLuisPotosí,FacultaddeMedicina,LaboratoriodeMedicinaNuclear,SanLuísPotosí,México
dUniversidadAutónomadeSanLuisPotosí,UnidadAcadémicaMultidisciplinariaZonaHuasteca,LaboratoriodeBiomedicina,SanLuís Potosí,México
informações
sobre
o
artigo
Históricodoartigo:
Recebidoem2demarçode2016 Aceitoem25deoutubrode2016 On-lineem20dedezembrode2016
Palavras-chave: Resistênciaàinsulina Obesidade
Artritereumatoide TNF-␣
r
e
s
u
m
o
Introduc¸ão:ObloqueiosistêmicodoFatordeNecroseTumoral-␣(TNF-␣)nosindivíduoscom artritereumatoide(AR)comresistênciaàinsulina(RI)pareceproduzirmaismelhoriana sen-sibilidadeàinsulinaempacientescomARcompesonormaldoqueempacientesobesoscom AR.Issosugerequeainflamac¸ãosistêmicaeaobesidadesãofatoresderiscoindependentes paraaRIempacientescomAR.
Objetivos:AvaliararesistênciaàinsulinaempacientescompesonormalcomAR(AR-PN), pacientescomsobrepesocomAR(AR-SP),pacientescomARobesos(AR-OB)eindivíduos controlecompesonormal(PN)eobesidade(OB)pareados;eaassociac¸ãocomasprincipais citocinasenvolvidasnapatogênesedadoenc¸a.
Métodos:Asavaliac¸õesincluíram:índicedemassa corporal(IMC),resistência àinsulina comomodelodeavaliac¸ãodahomeostase(Homa-IR),métodoElisaeensaiocolorimétrico enzimático.
Resultados:Osresultadosmarcantesdopresenteestudoincluíram:(1)Empacientescom AR,aRIestavabemcorrelacionadacomoÍndicedeMassaCorporal(quantomaioroIMC, maioraRI),masnãocomosníveisséricosdecitocinas.Naverdade,osníveisdecitocinas eramsemelhantesemtodosospacientescomAR,independentementedeseremobesos, comsobrepesooupesonormal.(2)ARIfoisignificativamentemaiornogrupoAR-PNdoque nogrupoPN.(3)Nãohouvediferenc¸aestatisticamentesignificativaentreaRIdepacientes AR-OBeOB.(4)Comoesperado,osníveiscirculantesdecitocinasforamsignificativamente maioresempacientescomARdoqueemOB.
∗ Autorparacorrespondência.
E-mails:[email protected],[email protected](J.Castillo-Hernandez). http://dx.doi.org/10.1016/j.rbr.2016.10.005
Conclusões: Aobesidadepareceserumacondic¸ãomaisimportantedoqueainflamac¸ãoem produzirRIempacientescomAR.Adissociac¸ãodoscomponentesdainflamac¸ãoeda obe-sidadenaproduc¸ãodeRIsugereanecessidadedeumaestratégiaterapêuticaindependente empacientesobesoscomAR.
©2016PublicadoporElsevierEditoraLtda.Este ´eumartigoOpenAccesssobumalicenc¸a CCBY-NC-ND(http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).
Obesity
is
the
main
determinant
of
insulin
resistance
more
than
the
circulating
pro-inflammatory
cytokines
levels
in
rheumatoid
arthritis
patients
Keywords: Insulinresistance Obesity
Rheumatoidarthritis TNF-␣
a
b
s
t
r
a
c
t
Background:SystemicblockadeofTNF-␣inRheumatoidarthritis(RA)withinsulinresistance (IR)seemstoproducemoreimprovementininsulinsensitivityinnormalweightpatients withRAthaninobesepatientswithRA,suggestingthatsystemic-inflammationandobesity areindependentriskfactorsforIRinRApatients.
Objectives: Toevaluatetheinsulinresistancein:normalweightpatientswithRA(RANW), overweightpatientswithRA(RAOW),obeseRApatients(RAOB),andmatchedcontrol subjectswithnormalweight(NW)andobesity(OB);anditsassociationwithmajorcytokines involvedinthepathogenesisofthedisease.
Methods: Assessmentsincluded:bodymassindex(BMI),insulinresistancebyHOMA-IR, ELISAmethod,andenzymaticcolorimetricassay.
Results: Outstandingresultsfromthesestudiesinclude:(1)InRApatients,IRwaswell correlatedwithBodyMassIndex(thehighertheBMI,thehigherIR),butnotwithlevelsof serumcytokines.Infact,levelsofcytokinesweresimilarinallRApatients,regardlessof beingobese,overweightornormalweight(2)IRwassignificantlyhigherinRANWthanin NW(3)NosignificantdifferencewasobservedbetweenIRsofRAOBandOB(4)Asexpected, levelsofcirculatingcytokinesweresignificantlyhigherinRApatientsthaninOB.
Conclusions: ObesityappearstobeadominantconditionaboveinflammationtoproduceIR inRApatients.Thedissociationoftheinflammationandobesitycomponentstoproduce IRsuggeststheneedofanindependenttherapeuticstrategyinobesepatientswithRA.
©2016PublishedbyElsevierEditoraLtda.ThisisanopenaccessarticleundertheCC BY-NC-NDlicense(http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).
Introduc¸ão
A artrite reumatoide (AR) é uma doenc¸a inflamatória sis-têmica crônica de etiologia desconhecida; manifesta-se principalmente por inflamac¸ão das articulac¸ões. Esse pro-cesso inflamatório envolve múltiplos fatores. Os linfócitos produzem citocinas como o Fator de Necrose Tumoral-␣ (TNF-␣),aIL-6eaIL-1,que resultamno recrutamentode várias outrascélulas imunesao localafetado. Quandonão controlado,issopoderesultaremdestruic¸ãoedeformidade articular.1Portanto,essasconsequênciasincapacitantes jus-tificamcompletamenteousoterapêuticodefármacoscomo os inibidores seletivos do TNF-␣, IL-6 e IL-1, destinados areduzir danosestruturais.1–3 Essascitocinas são produzi-dasprincipalmentepormacrófagos,monócitoselinfócitosT, mas também são produzidas por diferentes tipos de célu-lasnãoimunes,como osadipócitos,ascélulas musculares eascélulasdostúbulosrenais.4–6 Poroutrolado,essas cito-cinaspró-inflamatóriasestãointimamenterelacionadoscom aresistênciaàinsulina(RI).Pordefinic¸ão,aRIéconhecida comoumarespostadiminuídadas célulasàinsulina.Além disso,ahiperinsulinemiacompensatóriaéumacaracterística
clínicabemestabelecidadaRI.Opadrão-ouroparaaavaliac¸ão daRIéoclampeuglicêmico-hiperinsulinêmico.Contudo,esse métodoéarriscado,invasivoerequerintervenc¸ãomédica;no entanto,emmuitosestudospopulacionaiscomoeste,aRIé avaliadacomomodelodeavaliac¸ãodahomeostase(Homa-IR), queestimaahomeostasebasalpormeiodosníveisséricos de jejum deglicose einsulina. Esse método tem umaalta correlac¸ãocomopadrão-ouro.7
metabólica,inclusiveaRIinduzidapelaobesidade.Alémdisso, sabe-sequeospacientescomRItêmelevadosníveis circulan-tesdeTNF-␣.10,11
A obesidade é considerada uma condic¸ão inflamatória crônica de baixo grau, um fator de risco importante para odesenvolvimentodeRI.Otecidoadiposo,particularmente ovisceral,éagorareconhecidocomooprincipalcontribuinte paraasíndromedeRI.12Naobesidadehumana,observam-se níveis plasmáticos aumentados de TNF-␣ e IL-6, que são expressose secretadospelo tecido adiposo humano.Esses níveisdiminuemnosindivíduosobesosapósaperdadepeso. Naverdade,osníveisplasmáticosdessascitocinasestão cor-relacionadoscomoIMC.OTNF-␣tambémtemsidoproposto comoumaligac¸ãoentreaobesidadeeaRI.12,13Naverdade,a RIeaobesidadesãoprevalentesempacientescomAR.14
Estudosrecentessugeremque obloqueiosistêmico dos TNF-␣ (com o uso de infliximabe, etanercept e adalimu-mabe) e dos antagonistas do receptor de IL-6 (com o uso de tocilizumab) pode melhorar a RI em pacientes com AR.3,15 Noentanto, foirelatado queo efeitobenéfico sobre a sensibilidade à insulina é principalmente observado em pacientescompesonormal,masnãoempacientescomAR obesos,16provavelmenteporqueotratamentocomfármacos anti-inflamatórios atue sobreo “componente inflamatório” (citocinaspró-inflamatórias),emvezdesobreoscomponentes daobesidade,nessespacientes.
Assim,opresenteestudoobjetivaavaliararelac¸ãoentre aresistência à insulinae asconcentrac¸ões plasmáticas de TNF-␣,IL-6eIL-1empacientescomARcomesemobesidade paraavaliaropapeldaobesidadecomofatorderiscoparaa RIempacientescomAR.
Método
Participantesdoestudo
EsteestudofoifeitosobasdiretrizesdaDeclarac¸ãode Helsin-quedaWorldMedicalAssociation,queestabeleceosprincípios éticos paraa pesquisaclínicaque envolva seres humanos. Todososparticipantesforneceramumconsentimento infor-mado. Foram recrutados 59 indivíduos adultos entre 19 e 70anos.
Os pacientes com ARincluíram 27 mulheresque aten-deram aos critérios do AmericanCollege of Rheumatology de 1987equeapresentaramdoenc¸aativaadmitidasnohospital geral e no Mexican Institute of Social Security da cidade de Rioverde, no Estado de San Luis Potosí, México. O total depacientescomAR(ARcomousemOB)foidivididoemtrês grupos:setecomARcompesonormal(AR-PN),setecomAR comsobrepeso(AR-SP)e13comARcomobesidade(AR-OB); osgruposdepacientescomARforamsemelhantesquantoa idade,gêneroeanosapósodiagnóstico,emboraestivessem em tratamento com metotrexato (MTX), glicocorticoides (GC)e anti-inflamatóriosnãoesteroides(Aine). Oscritérios deinclusão para ospacientes comARforam odiagnóstico confirmadodeARativa(avaliadapeloDiseaseActivityScore-28 Joints [DAS28]>3,2) enãoterfeitoterapia biológica seletiva comanti-TNF-␣ouanti-IL-6nemanti-IL-1.Oscritériosde exclusão foram história de alergias,infecc¸ões, diabetes ou
qualqueroutradoenc¸asistêmica.OsgruposARcomousem OBeosgruposOBforampareadosporidadeegênero.
DezesseisindivíduoscompesonormalsemAR(PN)foram incluídoscomocontrolenegativoparaaRIe16mulheres obe-sasnãodiabéticassemAR(OB)comocontrolepositivoparaa RI.
Dadosclínicoseantropométricos
Opesocorporalfoimensuradocomumabalanc¸acalibrada.Os participantesvestiamroupasleveseestavamsemcalc¸ados. Aalturafoimedidacomumestadiômetro,semcalc¸ados.O ÍndicedeMassaCorporal(IMC)foicalculadocomadivisãodo peso doindivíduoemquilogramaspelaalturaaoquadrado em metros quadrados. A classificac¸ão doIMC corresponde àquela propostapelaOrganizac¸ãoMundialdeSaúde(OMS) e considerou:peso normal de18,5 a 24,9,excessode peso de25a29,9eobesidade≥30,0(kg/m2).Mediu-sea circunfe-rênciadacinturacomumafitademedidaantropométrica.A medic¸ãofoifeitanopontodemenorcircunferência entrea cristailíacaeacaixatorácica.Alémdisso,apressãoarterial foiobtidapelométodoindiretocomummanguitomanuale umesfigmomanômetro.
Análisesdasamostras
Asamostrasdesanguevenosoforamcoletadasapósumjejum noturno(oitohoras)entre7he9h,porfuncionários treina-doscom ousode protocolosidênticosepadronizados,em tubos sob vácuosem anticoagulantes. O soro foi separado dosanguetotalporcentrifugac¸ão(10minutosa3.000rpm)e armazenadoa−20◦Cparaanáliseposterior.Osorofoiusado para determinaros seguintesparâmetros:glicose, insulina, triglicerídeos, colesteroltotal,HDL-c, TNF-␣, IL-6eIL-1.A glicoseséricafoimedidapelométododaglicoseoxidase,um ensaiocolorimétricoenzimáticopadrão(SpinReactS.A., Espa-nha).Ocolesteroltotalsérico(CT),ocolesterollipoproteínade alta densidade(HDL-C)eostriglicerídeos(TG)foram medi-dos por meio de um ensaio colorimétrico enzimático com umanalisadorquímicosemiautomático(SpinLab,Espanha). Ocolesterollipoproteínadebaixadensidade(LDL-C)foi cal-culado de acordocom afórmula deFriedewald. Ainsulina séricafoideterminadaporimunoensaiode micropartículas quimioluminescentes(Immulite1000system).Omodelode homeostase(Homa-IR) foiusadopara avaliaraRIem paci-entes econtroles(Insulina emjejum[IU/mL]×glicoseem jejum[mg/dL]/405).Estabeleceu-seapresenc¸adeRInos par-ticipantesdoestudoquandooHoma-IRera>2,5.7Osníveis plasmáticosdeTNF-␣,IL-6eIL-1forammedidospelométodo Elisa.OskitsElisaforamadquiridosdaInvitrogenCorporation eoprotocolousadonesteestudoforamasinstruc¸õesdo fabri-cante.Acorproduzidapelareac¸ãoenzimáticafoimedidaa 450nmnoAwarenessStatFax303PlateReader.
Análise
estatística
paramétricosetestedeKruskal-WalliscomtestedeDunns pós-testequandoosdadoseramnãoparamétricosparaa aná-lisedostrêsgruposprincipaisPN,OBeARcomousemOB. 2)TestetnãopareadoparaanáliseentreOBversusAR-OB; AR--PNversusAR-OBeAR-PNversusPN.Aassociac¸ãoentreduas variáveisfoimedidacomorhodeSpearmanparadadosnão paramétricos.Asignificânciaestatísticafoiestabelecida em p<0,05.
Resultados
Dadosclínicosedemográficos
Recrutaram-se para o estudo 59 participantes consecu-tivos. As características clínicas e demográficas foram resumidas natabela 1. Não houve diferenc¸a nos seguintes parâmetros: peso corporal, IMC e circunferência da cin-turaentre osgrupos depeso normal(PN versusAR-PN) ou entre os grupos de indivíduos obesos (OB versus AR-OB). Como esperado, foi encontrada uma diferenc¸a estatistica-mentesignificativaentre os gruposAR-PN, AR-SP eAR-OB nessesparâmetros (p=0,0001).Os níveisde insulinaforam significativamente mais elevados no grupo AR-PN em comparac¸ão com o grupo PN (p=0,003). Por outro lado, o grupo AR-PN apresentou valores de insulina significativa-mente inferiores aos do grupo AR-OB (p=0,03); os níveis
de insulinaentreos gruposOBeAR-OB nãoforam signifi-cativamente diferentes. Os níveis séricos de triglicerídeos foramsignificativamentemaioresnogrupoAR-PNversusPN (p=0,02),masnãoentreossubgruposARouentreosgrupos AR-OBeOB.OíndiceLDL-C/HDL-CfoimaiornogrupoAR-PN versusPN(p=0,001),masnãoentreossubgruposARouentre ogrupoAR-OBeogrupoOB.Dos27pacientescomAR,44% estavamsobtratamentocomMTX;poucomaisde50%com GCeotratamentomaisfrequenteeracomAine(66%).
ARIempacientescomARestáprincipalmenteassociada aoIMC,masnãoaosníveisséricosdeTNF-˛
Comousodomodelohomeostático(Homa-IR),ostatusdeRI foiavaliadoem59indivíduosqueintegraramostrêsprincipais gruposdeestudo.Usou-seumvalorHoma-IR≥2,5para defi-nirapresenc¸adeRI.7Osresultadosmostraramqueosgrupos ARcomousemOBobtiveramvaloressemelhantesde Homa--IR(4,32±0,72e4,86±0,56,respectivamente),cercade4,5a 5vezesmaioresdoquenogrupoPN(0,97±0,13)(fig.1A).
OvalordoHoma-IRaumentouproporcionalmenteaoIMC: AR-PN (2,39±0,61), AR-SP (3,15±0,64) e AR-OB (6,0±1,31, p=0,01versusAR-PN)(fig.1B).Curiosamente,ogrupoAR-PN mostrouumHoma-IRsignificativamentemaiordoqueogrupo PN(2,39±0,61versus0,97±0,13;p=0,008)(fig.1B).Como espe-rado, aanálisedecorrelac¸ãomostrouumaforteassociac¸ão
Tabela1–ParâmetrosclínicosemetabólicosdospacientescomAR
PN (n=16)
OB (n=16)
AR-PN (n=7)
AR-SP (n=7)
AR-OB (n=13)
Idade(anos) 29,0±2,35 40,94±3,51 51,33±5,34a 40,43±3,82 45,31±3,45
Gênero(feminino%) 50 100 100 100 100
Durac¸ãodadoenc¸a(anos) — — 7,0±1,7 5,57±1,7 7,55±1,64
Pesocorporal(kg) 61,28±2,28 82,38±3,2 52,14±2,53 65,57±2,56 81,35±2,60b
IMC(kg/m2) 22,12±0,63 34,19±1,17 22,53±0,91 27,96±0,62 34,12±0,98b
CC(cm) 81,05±1,77 106,8±3,12 88,14±4,33 95,57±2,47 107,5±2,61b
PAS(mmHg) 99,23±2,39 121,3±4,16 118,6±4,0 116,7±4,2 123,6±3,63 PAD(mmHg) 64,62±1,43 79,25±2,13 75,71±3,68a 78,33±4,77 82,27±3,39
Insulina(UI/mL) 4,22±0,60 20,96±2,22 10,96±2,84a 11,96±2,09 23,27±4,35b
Glicose(mg/dL) 93,59±2,73 93,34±3,81 88,57±4,89 105,93±9,15 100,5±4,88 Triglicerídeos(mg/dL) 84,19±9,53 162,2±18,68 125,6±18,22a 168,7±31,62 123,9±16,41
CT(mg/dL) 147,0±7,26 166,2±5,19 166,6±9,55 153,3±9,53 160,4±11,81 HDL-C(mg/dL) 57,88±3,50 44,5±2,09b 42,14±2,53a 43,29±5,19 39,57±3,80
LDL-C(mg/dL) 72,29±7,47 89,25±5,67 99,31±8,04 76,26±6,07 89,20±11,74 LDL-C/HDL-C 1,36±0,16 2,10±0,19 2,44±0,29a 1,98±0,33 2,60±0,29
MTX(%) — — 42,8(3/7) 57,1(4/7) 38,4(5/13)
GC(%) — — 57,1(4/7) 42,8(3/7) 53,8(7/13)
Aine(%) — — 86,7(6/7) 71,4(5/7) 53,8(7/13)
Osdadossãoexpressoscomoamédia±EPM,salvoindicac¸ãoemcontrário.Paracompararamédiadadispersãousou-seotestetnãopareado paraanálisedeOBversusAR-OB,AR-PNversusAR-OBeAR-PNversusPN.Asignificânciaestatísticafoifixadaemp<0,05.
a versusAR-PN. b versusPN.
Mostraram-seapenasascomparac¸õesPNversusAR-PN,AR-PNversusAR-OBeOBversusAR-OB.
PN OB AR w/wo OB PN AR PN AR SP AR OB 0
2 4 6 8
∗∗∗
∗∗
Ho
ma
IR
OB 0
2 4 6 8
∗
Φ
Ho
ma
IR
0 10 20 30 40 50
0 5 10 15
20 r = 0,6056
p = 0,0008
IMC
H
o
ma
-IR
B
A
C
Figura1–OIMCcorrelacionou-secomoHoma-IRempacientescomAR.Osdadossãoexpressoscomoamédia±EPM. A)Aplicou-seotestedeKruskal-WalliscomtestedeDunnetpós-teste.B)Usadotestetnãopareado.C)Encontrou-seuma
correlac¸ãopositivaentreoIMCeoHoma-IRempacientescomAR.Aplicou-seotestedecorrelac¸ãodeSpearmanparaessa análisededados.Asignificânciaestatísticafoifixadaemp<0,05.
AresistênciaàinsulinafoideterminadapeloHoma-IR(modelodeavaliac¸ãodahomeostase);IMC:índicedemassacorporal. Aclassificac¸ãodoIMCcorrespondeàquelapropostapelaOrganizac¸ãoMundialdeSaúde(OMS)econsiderou:pesonormal de18,5a24,9,sobrepesode25a29,9eobesidade≥30(kg/m2);PN,indivíduoscompesonormal(n=16);OB,indivíduoscom
obesidade(n=16);AR,pacientescomartritereumatoide;ARcomousemOB,totaldepacientescomAR,comousem obesidade(n=27);AR-PN,pacientescomARcompesonormal(n=7);AR-SP,pacientescomARcomexcessodepeso(n=7); AR-OB,pacientescomARcomobesidade(n=13).
*versusPN;versusAR-PN.
entreoIMCeoHoma-IR(rhodeSpearman=0,6,p=0,0008)em pacientescomAR(fig.1C).Adicionalmente,osníveisséricos deTNF-␣estiveramsignificativamenteelevadosempacientes comARcomesemOB(14,22±3,08pg/mL)emcomparac¸ão comosgruposPNeOB(4,66±0,74pg/mLe6,12±1,01pg/mL; p=0,01ep=0,05,respectivamente),cercadetrêseduasvezes maior,respectivamente(fig.2A).Alémdisso,verificou-seque osníveisséricosdeTNF-␣dogrupoAR-OBeram significativa-mentemaiselevadosdoquenogrupoOB(14,87±5,36versus 6,12±1,0pg/mL,p=0,02). Além disso, o grupo AR-PN mos-trouníveisséricosdeTNF-␣maiselevadosdoqueogrupoPN (11,7±3,22versus4,66±0,74pg/mL,p=0,007)(fig.2B). Adicio-nalmente,osníveisséricosdeTNF-␣nãosecorrelacionaram nemcomoIMCnemcomoHoma-IRpelotesterhode Spear-man.
OsníveisséricosdeIL-6estãoaumentadosnospacientes comAR,masnãoestãoassociadosaoHoma-IR
A avaliac¸ão dos níveis séricos de IL-6 mostra claramente que eles estão significativamente mais elevados no grupo ARcomousemOB(12,25±4,55pg/mL)emcomparac¸ãocom osgrupos PN eOB (0,81±0,52 e1,15±0,48pg/mL,p<0,001 ep<0,05,respectivamente);sãoquase15 a10vezes maio-resdoquenosgruposPNeOB,respectivamente(fig.3A).Os
níveisséricosdeIL-6nogrupoAR-PNestiveram significativa-mentemaiselevadosdoquenogrupoPN(17,27±10,47versus 0,81±0,52pg/mL;p=0,01)eosníveisdeIL-6nogrupoAR-OB estiveramsignificativamentemaiselevadosdoquenogrupo OB(9,30±5,85versus1,15±0,48pg/mL,p=0,03)(fig.3B). Curi-osamente,empacientescomAR,observou-seumatendência – emboranão significativa– de umarelac¸ão inversamente proporcional entre oIMC e os níveisde IL-6. Aanálise de correlac¸ãoentreaIL-6eoIMCnãofoisignificativa(rhode Spearman=−0,1540,p=0,45,dadosnãoapresentados).Além disso,aanálisedecorrelac¸ãoentreosníveisdeIL-6eHoma-IR nãofoisignificativa(rhodeSpearman=−0,21,p=0,28,dados nãoapresentados).
Avaliac¸ãodosníveisplasmáticosdeIL-1ˇ
PN OB AR w/wo OB PN 0
5 10 15 20
∗
ϕTN
F-α (pg
/m
l)
OB AR PN AR SP AR OB 0
5 10 15 20 25
ϕ
∗
TN
F-α
(p
g/
ml
)
B
A
Figura2–OsmaioresvaloresséricosdeTNF-␣estãodissociadosdoIMCempacientescomAR.Osdadossãoexpressos
comoamédia±EPM;paracompararadispersãodasmédias,foramusados:A)TestedeKruskal-WalliscomtestedeDunn pós-testeparadadosnãoparamétricos.B)Ascomparac¸õesAR-PNversusPNeAR-OBversusOBforamfeitaspelotestetnão
pareado.Alémdisso,nãofoiencontradasignificânciaestatísticaentreossubgruposAR.Asignificânciaestatísticafoifixada emp<0,05.
Aclassificac¸ãodoIMCcorrespondeàquelapropostapelaOrganizac¸ãoMundialdeSaúde(OMS)econsiderou:pesonormal de18,5a24,9,sobrepesode25a29,9eobesidade≥30(kg/m2);PN,indivíduoscompesonormal(n=16);OB,indivíduoscom
obesidade(n=16);AR,pacientescomartritereumatoide;ARcomousemOB,totaldepacientescomAR,comousem obesidade(n=27);AR-PN,pacientescomARcompesonormal(n=7);AR-SP,pacientescomARcomexcessodepeso(n=7); AR-OB,pacientescomARcomobesidade(n=13).
*versusPN;versusOB.
PN OB AR wo/w OB 0
5 10 15 20
∗∗∗
ϕIL
-6
(
pg
/m
l)
PN OB AR PN AR SP AR OB 0
10 20
30
∗
ϕ
∗
ϕ
IL-6
(pg
/m
l)
B
A
Figura3–OsníveisséricosaumentadosdeIL-6nãoestiveramassociadosaoIMCempacientescomAR.Osdadossão expressoscomoamédia±EPM.A)Encontraram-seníveisséricosaumentadosdeIL-6empacientescomAR;aplicou-seo testedeKruskal-WalliscomtestedeDunnpós-teste.B)Ascomparac¸õesAR-PNversusPNeAR-OBversusOBforamfeitas
pelotestetnãopareado.Alémdisso,nãoforamencontradasdiferenc¸asentreossubgruposAR.Asignificânciaestatística
foifixadaemp<0,05.
Aclassificac¸ãodoIMCcorrespondeàquelapropostapelaOrganizac¸ãoMundialdeSaúde(OMS)econsiderou:pesonormal de18,5a24,9,sobrepesode25a29,9eobesidade≥30(kg/m2);PN,indivíduoscompesonormal(n=16);OB,indivíduoscom
obesidade(n=16);AR,pacientescomartritereumatoide;ARcomousemOB,totaldepacientescomAR,comousem obesidade(n=27);AR-PN,pacientescomARcompesonormal(n=7);AR-SP,pacientescomARcomexcessodepeso(n=7); AR-OB,pacientescomARcomobesidade(n=13).
*versuscontrole;versusOB.
entreosníveisdeIL-1 eoHoma-IRempacientes comAR (dadosnãoapresentados).
Discussão
O objetivodeste estudo foi avaliara RI empacientes com ARcomesemobesidadeesuaassociac¸ãocomasprincipais citocinas envolvidas na patogênese da doenc¸a. Este traba-lho indica que a obesidade é o principal determinante da RI na AR. Além disso, o grau de RI observado em indiví-duosobesos(AR-OBouOB)nãoéalcanc¸ávelmesmocomas altasconcentrac¸õesséricasdascitocinasenvolvidasno pro-cessoinflamatório(AR-PN).Essasconclusõessãobaseadasnas
seguintesobservac¸ões:1)OsgruposAR-PN,AR-SPeAR-OBtêm níveissemelhantesdecitocinaspró-inflamatóriaseessessão significativamentemaiselevadosdoquenogrupoOB(figs.2B e3B);2)OHoma-IRentreosgruposOBeAR-OBnãofoi dife-rente(fig.1B);3)Apesardosníveiselevadossemelhantesde citocinaspró-inflamatóriasentreospacientescomAReOB, essesúltimosapresentaramumHoma-IRsignificativamente maisbaixo(fig.1B);4)OHoma-IRfoisignificativamentemaior no grupo AR-PNdoque no grupoPN (fig.1B);5) O Homa--IRcorrelacionou-secomo IMC,masnãocom osníveisde citocinaspró-inflamatóriasnaAR(fig.1C).
Nenhumapacienteusouaterapiabiológicacomdrogas antir-reumáticas modificadoras da doenc¸a (Dmard) no presente estudo(tabela1).OMTXéumfármacoantagonistadoácido fólico,cujoefeitoprincipalacredita-sequevenhadainibic¸ão das enzimas envolvidas na síntese da purina que levam aoacúmulodeadenosinae,assim,inibemaativac¸ãode lin-fócitos T.17 O MTX aparentemente não afeta os níveis de TNF-␣naAR,masosníveisdeIL-6eIL-1sãoefetivamente afetados.18,19 Observou-sequeoprincipaltratamentousado pelaspacientes comARincluídasnopresente estudofoio diclofenaco,uminibidornãoseletivodaciclo-oxigenase(66%), seguidopeloscorticosteroides(≈51%).Estudosrecentes mos-traramqueotratamentocomdoseselevadasdediclofenaco intraperitoneal(500g/mL)nãoafetaosníveisséricosde TNF--␣eIL-6emummodeloanimaldafebre.20Alémdisso,outros autoresdemonstraramqueosAinetêmumligeiroefeitode diminuic¸ãonosníveisdeIL-1,21enquanto osníveislocaise circulantesdeIL-6permaneceminalterados.22Poroutrolado, otratamentocombaixasdosesdeglicocorticoides(<7,5mg deprednisona),conformerecebidoporalgunspacientescom ARdopresenteestudo,nãopareceafetarosníveiscirculantes deTNF-␣ouIL-6,23masosníveisdeIL-1sãomodificados.24 OsníveisbasaisdeTNF-␣nospacientesdopresenteestudo foramsemelhantesaosencontradosporCharlesetal.em paci-entescomAR(14,21±3,08versus15,5pg/mL)25eporPenesová etal.empacientesmagrostratadoscombaixasdosesde pred-nisonaouequivalente(11,70±3,22versus13,6±53,6pg/mL).23 Assim,parecequeostratamentosrecebidospelospacientes comARdopresenteestudonãotiveramumainfluência signi-ficativasobreosníveiscirculantesdeTNF-␣eIL-6.
A obesidade, a RI e a inflamac¸ão estão intimamente relacionadas.Naverdade,ascitocinaspro-inflamatórias fre-quentemente são elevadas em indivíduos com IV, uma “marca” da síndrome metabólica (SM), assim como a inflamac¸ãocrônica.2,11Algunsautoresconcordamqueo TNF--␣,aIL-6eaIL-1promovemaRI;foiaindapropostoqueo TNF-␣atue comoaprincipal ligac¸ão entreaobesidade ea RI.12,13 Neste ponto, valemencionarque nãofoi observada diferenc¸asignificativanosníveisdeTNF-␣eIL-6entreos gru-posPNeOB(figs.2e3,respectivamente),emborahajauma tendência,comoesperado,dequeessesníveissejammaiores nogrupoOB;issoédiscutidomaisadiante.Alémdisso, estu-dosobservacionaismostraramqueaARestáassociadaaum aumentonaprevalênciadeSMemarcadoresinflamatórios.26 Ademais,encontrou-seumaumentonaHoma-IRem pacien-tescomAR.27
Emboraopapel dascitocinas pró-inflamatóriasna pato-gênesedaARsejaclaro,conformeevidenciadopelosefeitos benéficospreventivosdeagentesantirreumáticoscomo eta-nercept e infliximabe (agentes anti-TNF-␣), tocilizumabe (bloqueadordaIL-6R)eanakinra(antagonistarecombinante humanodoreceptorda IL-1),3,17,28,29 seus papéis metabóli-cosaindanãosãocertos.Porexemplo,ainibic¸ão doTNF-␣ resultaemmelhorianasensibilidadeàinsulinaem pacien-tescomAR.3,30–32 IssosugerequeoTNF-␣desempenheum papelimportantenodesenvolvimentodaRIempacientescom AR,oqueécoerentecomumpapelsemelhantedoTNF-␣no desenvolvimentodeRInoscasosdeobesidadeeSM.10,11 Con-tudo,poroutrolado,estudosrecenteslanc¸amdúvidassobre
aimportânciadosníveiscirculantesdeTNF-␣no desenvolvi-mentodeRI.Porexemplo,umestudorecentemostraqueum anodebloqueiosistêmicodoTNF-␣emumgrupode16 paci-entescomARnãoteveumimpactosignificativosobreostatus deRI.33Omesmofoiobservadoem56pacientescomesclerose múltiplatratadoscometanerceptdurantequatrosemanas.34 Osresultadosdopresentetrabalhopodemajudaraconciliar essesachadoscontrastantes,umavezqueacomparac¸ãoentre osgruposAR-PNePNsugerequeoTNF-␣podedesempenhar umpapelmodesto–emrelac¸ãoàobesidade–no desenvolvi-mentodeRIempacientescomAR,masoutrosfatoresligados à obesidade são maisimportantes na determinac¸ão da RI. Portanto,essesfatoresadicionaisdevemserconsideradose podemexplicarasdiscrepânciasentreosdiferentesestudos emrelac¸ãoàRIempacientescomAR.
serexplicadopelofatodeobloqueiosistêmicodoTNF-␣em pacientescomARterummaiorimpactonaRIassociadaao componenteinflamatório(citocinaspró-inflamatórias), mas nãoaoscomponentesdeobesidade.Muitasoutrasmoléculas ditasadipocinas,comoaadiponectina,aresistina,aleptina eaproteínadeligac¸ãoaoretinol4(RBP4),quesão produzi-daspelotecidoadiposo,estãorelacionadascomaRIinduzida pelaobesidade.Elasmediamaregulac¸ãodeváriosórgãose tecidos,comoomúsculoesquelético,osistema cardiovascu-lareopâncreas.36,37 Curiosamenteeaocontráriodeoutros relatos, não foi encontrado aumento nos níveisséricos de citocinaspró-inflamatórias (TNF-␣ eIL-6)(fig.3A)nogrupo OB,embora tenha sido encontrada uma forteRI no grupo OBem comparac¸ão com o grupo PN. Não sepode excluir queo efeitodas citocinas pró-inflamatóriasseria predomi-nantementelocal,emvezdesistêmico,emmodularoutros efeitosindiretosnotecidoadiposo.38,39Porexemplo,oTNF-␣ estimulaaexpressãodemediadoresemcélulasdegordura, comoos AGL(ácidosgraxoslivres)ealeptina, oque pode induziràRIemoutrosórgãos.40 Emparticular,aofertaeo usodosAGLéamplamenteaceitacomoummecanismo indi-retoquecontribuiparaodesenvolvimentodeRInomúsculo esquelético.41
AIL-6éumacitocinapleiotrópicacomumavastagamade atividadesbiológicas,comumpapelfundamentalna fisiopa-tologiadaAR.Éencontradaemabundâncianolíquidosinovial enosorodepacientescomAR.42 Issoéconsistentecomos achadosdopresenteestudo,emquetodososgruposAR apre-sentaramníveiselevadosdeIL-6emcomparac¸ãocomogrupo PN(fig.3A).OsníveisséricosdeIL-6nospacientes do pre-senteestudoforamsemelhantesaosencontradosemoutros trabalhos.18,23 Noentanto,aocontráriodeoutraspesquisas queindicamumacorrelac¸ãopositivaentreosníveisdeIL-6e ograudeobesidade,43verificou-sequeosníveisdeTNF-␣e IL-6nogrupoOBnãoestiveramsignificativamente aumenta-dosemcomparac¸ãocomogrupoPN(fig.3A),emboratenha-se observadoumatendênciadeosníveisseremmodestamente maioresnogrupoOB.Naverdade,essaausênciade significân-ciaestatísticatambémfoirelatadaporoutrosgruposde pes-quisaaomensuraressascitocinasnosangue.39Argumenta-se queemobesososníveismaisaltosnormalmentesão encon-tradosnostecidos,enquantoemalgunscasososníveisséricos podempermanecersemdiferenc¸asvisíveisentreosgruposPN eOB.Aolongodaúltimadécada,relatou-sequeaIL-6temum duploefeitosobreasperturbac¸õesmetabólicaseocontrole dopesocorporal.44Observou-seumatendênciainteressante– quecontudonãoalcanc¸ouníveissignificativos–dequequanto maioréoIMCmenoressãoosníveisséricosdeIL-6em pacien-tescomAR.AsevidênciasdeTekayaetal.evanderHelm-van Miletal.mostraramqueaobesidadeeoIMCtêmefeitos pro-tetoressobreaquantidadededestruic¸ãoarticular,progressão dadoenc¸a45,46 egravidadedadoenc¸a(um IMCelevadoestá associadoaumdesfechodedoenc¸amenosgraveempacientes anti-CCPpositivoscomAR).Esseefeitoprotetordaobesidade poderiasermediadoporumadiminuic¸ãonaIL-6em pacien-tesobesoscomAR.47Umestudofeitoem2009porRugeetal. descobriuqueaIL-6secorrelacionouinversamentecomoIMC empacientescomhiperglicemia.48Issopoderiaexplicara ten-dênciaàcorrelac¸ãoinversaentreoIMCeosníveisdeIL-6que seobservounospacientescomAR.Aslimitac¸õesdopresente
estudoquantoaotamanhodaamostranosimpedemde explo-rarmaisosníveisdeIL-6eIMCnessespacientes;énecessário repetiressaabordagemcomumaamostramaior.Emgeral,são necessáriosmaisestudosparaesclareceropapeldaIL-6em pacientesobesoscomAR.
Poroutrolado,aIL-1éumpotentemediadorinflamatório na AR, descrita como uma citocina ativamente envolvida naprogressãoda doenc¸a pelaativac¸ãode osteoclastosnas articulac¸ões. EmboraaIL-1desempenheumpapel funda-mental,osníveisséricosdeIL-1eramquaseindetectáveis nopresenteestudo.Ébemreconhecidoqueessacitocinaestá presente nasarticulac¸õesnaAR,masédifícilde medirno soro.25 Alémdisso, comomencionado acima,o tratamento usadopelospacientesésuscetíveldediminuirosníveisde IL-1.Portanto,issopoderiaexplicarosníveismuitobaixos dessa citocina nos pacientes do presente estudo (dados não mostrados). Mostrou-se que os níveis plasmáticos de IL-1 diminuem em pacientes tratados com metotrexato e prednisolona.19,24 No entanto, há evidências de que o tratamento com glicocorticoides como a dexametasona desestabilizeoRNAmdaIL-1␣edaIL-1demaneira depen-dentedadoseemmonócitoshumanospordoismecanismos: 1) pela inibic¸ão da transcric¸ão do gene da IL-1 e2) pela diminuic¸ãonaestabilidadedoRNAmdaIL-1,49oquereduz aconcentrac¸ãoplasmáticadeIL-1emmodelosanimaisea produc¸ãoemculturasprimáriasdeadipócitoshumanos.50Os níveisséricosdeIL-1nãosecorrelacionaramcomoHoma-IV (p=0,0853)nopresenteestudo(dadosnãomostrados).
Otamanhodaamostraéaprincipallimitac¸ãodesteestudo. Poucosindivíduospreencheramoscritériosdeinclusão.No entanto,osestudospublicadossemelhantestambém mostra-ramasmesmaslimitac¸ões.16
Aprincipalconclusãodesteestudoéqueaobesidadeéo principaldeterminantedaRIempacientescomAR.Essa con-clusãobaseia-seemcomparac¸õesentreogrupoOB(controle positivodaRI)eostrêsgruposARdiferentes(AR-PN,AR-SP, AR-OB),queforampareadosporidadeegênero.
Asegundalimitac¸ãodesteestudoestárelacionadacomo fatodeogrupoPNnãotersidopareadoporgêneronemidade comorestantedosgrupos.Assim,aobservac¸ãodequeos valo-resdeHoma-IRforamsignificativamentemaiores nogrupo AR-PNemcomparac¸ãocomogrupo PNdeve seranalisada comcautela.Noentanto,comoumargumentoqueapoiaessa limitac¸ãopodenãoserdecisivo,váriosestudosindicamque alterac¸õesmetabólicas,comoaRIeaintolerânciaàglicose, nãosãodependentesdogênero.51,52
se possam descartar alterac¸ões dependentes da idade na liberac¸ãobasalde insulinanos gruposdopresente estudo, observa-sequeogrupoAR-PNtemníveisséricosdeinsulina emjejumaindamaioresdoqueogrupoPN.Essesníveismais elevadosnogrupoAR-PNpoderiamserexplicadospor:1)uma reduc¸ãonadepurac¸ãodainsulinaemcondic¸õesdejejumque nãoéacompanhadapelareduc¸ãorelacionadacomaidadena liberac¸ãodeinsulina.Noentanto,issoéimprovável,porque as reduc¸ões na liberac¸ão e na remoc¸ão em geral ocorrem aomesmotempo.52 2)ARIquenãoestárelacionadacoma obesidade,mascomainflamac¸ão.Issoestáde acordocom asconclusõesdopresenteestudo;osgruposcomosmaiores valores de Homa-IR também têm níveis mais elevados de insulina, mantêmos níveisde glicose muitopróximos aos valoresnormais(tabela1).Dessamaneira,osvaloresde Homa--IR significativamente mais elevados são mais fortemente determinadospelaobesidadedoquepelainflamac¸ão.
Emconclusão,essesresultadosindicamqueaobesidade éumdosprincipaisdeterminantesdaRIempacientescom AR,maisimportante doqueoscomponentesinflamatórios circulantes, considerados em termos dos níveis de TNF-␣, IL-6 e IL-1. Além disso, a maior RI em pacientes com AR compesonormal(AR-PN)emcomparac¸ãocomosindivíduos com peso normal (PN) parece ser explicada apenas pelo impacto dos componentes inflamatórios. Uma vez que a principal conclusão do presente estudoé que aobesidade desempenhaumpapeldominantesobreainflamac¸ãonaRI empacientes comAR, osmédicos devemenfatizar maisa importânciadocontroledopesoaseuspacientes,afimde evitarcomplicac¸ões indesejáveis ou potencialmente graves derivadasdoganhodepesonãosaudável.
Financiamento
BolsaPromep/103.5/11/8623eC12-FAI-03-90.90.
Conflitos
de
interesse
Osautoresdeclaramnãohaverconflitosdeinteresse.
Agradecimentos
Osautoresagradecemaexcelenteassistênciatécnicaprestada pelosalunosdegraduac¸ãoMelissaBadilloReyes,Alejandro Martinez-Mendez,Domitila Mendez,Sayra OlveraeSandra Don-Gonzalez.AgradecemtambémàFamilyMedicineUnit9 doIMSS,HospitalGeraleCentrodeSaúdedePuentedel Car-mendeRioverde,México,pelavaliosaassistênciamédicacom ospacientescomartritereumatoide.
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