Michel Aymard*
: A
Lei
da
Dispersão
Bibliográfica
de
Bradford
ihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
C D O 01:31
1 )
MLKJIHGFEDCBA
A v e rd a d e ira le izyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
-I
ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
É p o s s i v e l r e e s c r e v e r a d e m o n s t r a-ç ã o t e ó r i c a d e
GFEDCBA
B r a d f o r d d e m a n e i r a q u e e l a c o r r e s p o n d a e x a t a m e n t e a o s r e s u l t a-d o s e m p z r i c o s . D e v e s e r n o t a d o q u e a c h a -m a d a l e i v e r b a l fo i p u b l i c a d a depois d a l e i g r á fi c a . I n t r o d u z e m - s e o s c o n c e i t o s d e s i t u a ç ã o n o r m a l e d e n o r m a l i z a ç ã o d e u m a p e s q u i s a . A p a r t i r d e u m a l e i g e r a l -m e n t e c o n h e c i d a c o m o s e g u n d a l e i d e Z i p f, p o d e - s e e l a b o r a r u m m o d e l o m a
-t e m á -t i c o a d e q u a d o a o s c a s o s n o r m a i s .
7
Em trabalho recentemente
publi-cado', expressamos a opinião que a
cha-mada lei verbal de Bradford havia sido
desenvolvida e enunciada pelo Autor
depois da descoberta da lei empírica ou
gráfica. Bradford tentava justificar, a
pos-teriori e em teoria, as constatações
fei-tas a respeito dos assuntos Geofísica
apli-cada e Lubrificação; e, 'conseqüentemente,
.díssernos ser o enunciadoempírico, a lei
gráfica, a única expressão correta da lei
da dispersão bibliográfica de Bradford.
Este procedimento -
primeiramen-te a observação e o registro dos fatos, a
seguir a elaboração de uma teoria que
des-creva adequadamente estes fatos e
permi-ta fazer predições a respeito de novos
fa-tos homogêneos - é, aliás', absolutamente
científico e se constitui no próprio
pro-cesso que presidiu e preside à evolução do
conhecimento humano.
O mérito de Bradford não ficaria,
portanto, em nada diminuído pela nossa
asserção.
A teoria, representação adequada da
realidade, é um m o d e l o desta mesma
rea-* Formado pela' Escola Militar das Telecomu-nicações (Auxerre, França), professor de Informática no Departamento de Bíblío-teconomia e Documentação da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo.
lidade. Este modelo pode consistir numa
simples descrição ''verbal'' ou numa
ex-pressão ou conjunto de expressões
mate-máticas; ele é, muitas vezes, uma
simpli-ficação da realidade e, no caso de um
modelo matemático, uma aproximação
estatística dos fatos, a sua idealização.
Assim, as leis de Zipf, quando
ex-pressas matematicamente, correspondem às
curvas de regressão para os conjuntos de
valores das grandezas consideradas.
O equívoco de Bradford, dissemos
ainda, consistiu em afirmar que sua teoria, seu modelo - o enunciado verbal -
corres-pondia exatamente aos fatos descritos - o
que não Ocorre - e é deste equívoco que
resulta a conhecida ambigüidade da lei da
dispersão bibliográfica.
O texto de Bradford mais citado é
aquele publicado em 19482; este texto
apresenta a demonstração teórica cuja
con-clusão - as quantidades de periódicos nas
sucessivas zonas formam uma progressão
geométrica de razão
ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
n - constitui oenun-ciado verbal, juntamente com o
desenvolvi-mento empírico cujo resultado - as
quanti-dades de periódicos acumuladas sobre as
sucessivas zonas formam uma progressão de razão n - é a chamada lei gráfica.
A ambigüidade consiste na não
con-cordância das duas expressões matemáticas
correspondentes aos dois enunciados.
A rigor, a ambigüidade já se encontra no próprio resumo que Bradford dá do seu
desenvolvimento gráfico uma vez que ele,
após ter estabelecido de forma explícita
que os números
GFEDCBA
a ,{3, 1 1 correspondem aquantidades de periódicos a c u m u l a d a s e
di-zer que " ... vemos que os números
natu-raisa ,(3, ~ são relacionados um ao outro
como 1 : n : n2 ," acrescenta algumas linhas adiante: "Assim, a lei de distribuição de
ar-tigos ... quando os números de periódicos
no núcleo e -sucessívas zonas serão como 1 :
ihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
n : n2".
M ich e l A ym a rd
tor; o resumo correto, a conclusão co
. . . d rreta
consistentes com o propno esenvolvinJ '
to gráfico só pode ser: "Assim, a lei de
~no
tribuição de artigos ... quando osnÚrn ~.
de periódicos acumulados sobre onúctos
. - 1 eOe
sucessivas zonas serao como : n :n2 " Nos trabalhos que pudemos con~lt até agora, apenas B.C. Víckery", R.A. par
thorne+, A. Chonezs e E. Nery da Fo;tro
ca6 citam o texto original de Bradford
p~:
blicado em 1934; Por ocasião do levanta. mento bibliográfico realizado para o traba. lho de M.A. Quemel e ta t i i " , este texto foilocalizado na Biblioteca da Escola Po1ité~
nica da USP.
Se bem que já em 1934 Bradford c~
meta a confusão citada acima no resumo
do seu desenvolvimento gráfico, ELE NÃO
APRESENTA O DESENVOLVIMENTO
TEóRICO. *
Assim, a ambigüidade é apenas devf
da a um lapso de Bradford no seu texto o~ ginal reforçado m a i s t a r d e por uma de. ou
monstração teórica correta em sí, porém,dj.. vorcíada da realidade que ela pretende de,
crever; o desenvolvimento teórico ou ver·
bal, por não representar adequadamente r
realidade, NÃO É O MODELO CORRETO.
E,
no entanto, possível reescreveresta demonstração teórica de maneira que
sua conclusão coincida com as observaçêe feitas por Bradford.
Assim:
. quanti·
- sejam ml, m2, m3, ... as
dades de artigos sobre o assunto publicadol
nos periódicos do núcleo e das sucessival
zonas respectivamente
. . antida·
- sejam Pl , P2, P3, ... as qu .
des de periódicos no núcleo e nas sucesslval zonas respectivamente
tida'
- sejam ql, q2, q3, ... as quan .
des de periódicos acumuladas sobre asSU
cessivas zonas, com
* Aparentemente, a formulação teórica foi
p~;
blicada pela 1~ vez em: Bradford S.e.NOr\
o n thc scattering of papers on spccific ~UWC in scientific peridocals. Proc. Brit. Soco Inl
.
Bibliog., 5: 745, 1943.
1 9 8 0
R . b ra s. B ib lio te co n . e D o e . 1 3 (3 /4 ): 1 4 7 -5 6 ,j u l . / d e z .
A contradição é realmente flagante
e a tão poucas linhas de distância, somente
pode resultar de um lapso por parte do Au-
MLKJIHGFEDCBA
1 4 8
A le i d a d isp e rsã o b ib lio g rá fica d e B ra d fo rd
q, =Pi ; q2=ql +P2 =Pi +P2 ; q3= ~ +P3 ==Pi +P2 + P3 (1)
Como necessariamente os Pi são maiores que 0,temos ql
< ~
<
q3 ... (2)- sejam Ml, M2, ~, ... as quantidades de artigos acumuladas sobre as sucessivas
zonas,com: .
Ml = mj ; M2 ==MI + m2 ==m, + m2; M3 ==M2 + m3 ==m, + m2 + m3
(3)
Como necessariamente os mi são maiores que 0,temos: MI < M2 <M3 ... (4)
- sejam Gl, G2, G3, ... as médias aritméticas das acumulações sucessivas de
arti-gOSnas acumulações sucessivas de periódicos (médias progressivas), ou seja:
G Ml' G M2. G M3 .
1==-, 2==-, 3=-,
ql q2 q3
(5)
Determinemos as zonas de forma que: m, = m2 =
Assim: MI = m; M2 = 2m; M3 = 3m;
Gl =..!!!.; G2 = 2m; G3 = 3m; ....
ql ~ ~
q2 G2 = 2m = 2 ou ~ = 2.~ = nl
ql GI m ql G2
m3 =m (6)
(6a)
(7)
(8a)
q3 . G3 = 3 m = ~ ou ...9L= 3 . G2 = n2
q2 . G2 2m 2 q2 2. G3
onden I, n2, ... são constantes maiores que 1 por força .de (2).
Temos então: ql = 1 . ql
q2 = nl ql
q3 = nl . n2 . ql
etc ... (8b)
(9a) (9b) (9c) etc ...
Retomando os próprios termos de Bradford, digamos que:
"Agora, desconhecemos qualquer razão pela qual n., n2, ... deveriam ser diferentes
ea hipótese mais simples que podemos fazer é que eles são iguais, ou seja:
nl = n2 = ... = n
Conseqüentemente, neste caso mais simples, temos:
(10)
ql = 1 . ql
q2 = n . ql
q3 = n 2 . q 1 etc ...
istoé, os valores deq formam uma progressão geométrica de razão n :
1; n; n2 ; •••
e x p r e s s ã o e s t a q u e c o r r e s p o n d e e x a t a m e n t e à e x p r e s s ã o d e r i v a d a , i n d e p e n d e n t e m e n t e , d o s [ a t o s r e a i s " . (O grifo é nosso).
. A figo 1 (pág. seguinte) mostra a diferença nos traçados das conclusões dos
desenvol-\'lInentos teóricos segundo Bradford (texto de 1948) e de acordo com a demonstração
aci-ma no caso da Lubrificação.
(lIa) (llb) (11c)
M ie h e l A ym a rd
ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
~ ~ ~ : ~ : ~ j~ ; ~ ~ ~ ~ _ ~ ~ ; :
f,-~~i'~~~~;~~f;;"~~:-~~~
- ~:~::\~~'~~
zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
~
_4 ••• ._._
. --::::.:::.::'::::-: ~. ==--:::-2?:~
---c== -_.. ::.:__ ~_. .. ---.--- . ,", . -=-=-~
,
o-~;]~~~~~-::-~-"
~:"'"
_:-c-~}~~-:-=-
=:==:
_~ _ _ - ~-~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ l - ~ ~ i i ~ ~ : o
MLKJIHGFEDCBA
. - - - - - - - : : t ';
---.-.-"---.:_~-;~fi~~~/~
e1 5 0
R . b ra s. B ib lio te e o n . e D o e . 1 3 (3 /4 ): 1 4 7 .5 6 , ju l./d e z.
GFEDCBA
1 9 8 0A le i d a d isp e rsã o b ib lio g rá fica d e B ra d fo rd
i= = · m ... ..( ....,
I ~ (Ri.AO i I I
q IN I-T = 'l-- ~..~ ~ --;-- ~ -.
i -- -
- -
-l--:~ -:-.-;
--;-'
.•. O m o d e lo m a te m á tic o : a lg u m a s c o n s id e ra ç õ e s
Os vários autores que estudaram a lei
e Bradford num enfoque matemático
dltÚtiram, aparentemente, que a curva re-:resentativatinha necessariamente a forma
um J mais ou menos inclinado sobre o j]{Odas abcissas.
I
.,
I
!i
[
:1
I
-;7. '/' /'
/
/
/
o,
Em nosso trabalho já citado, sugería-mosque os gráficos apresentados por
Brad-ford a respeito da Geofísica aplicada e da
Lubrificação eram apenas casos particulares
deUma curva mais geral correspondente a
aSSuntos mais amplos ou acervos mais
abrangentes, uma curva em S.
Entre os vários acervos e assuntos en-tão analisados, alguns (9 entre os 35 que
verificavam a lei da dispersão, ou seja
25,70%) eram descritos por esta curva em S
lIlaisou menos marcado, mais ou menos
alongadoe inclinada sobre o eixo das abcis-ias.
Q Para chegar ao modelo (12) e (12a),
rookes interpreta o texto de Bradford
Brookes", por exemplo, propõe um
modelo matemático em duas partes:
R(n) R(n)
{3
a . n para 1:::; n
<
c= k . log n/s para c<n~ N
(12) (12a)
onde os diversos símbolos tem a signiflca-ção indicada na Fig. 2 abaixo.
. t
N
i= rn]
~ 'Rir
i ::i: 1 .,I.
,/
n
-uma vez que ele associa ao eixo das abcissas
(escala logarítmica) do gráfico o número de
ordem dos periódicos classificados de
acor-do com sua produção decrescente de
arti-gos e não as quantidades acumuladas de
pe-riódicos como estabelece Bradford.
Deve-se observar que estas duas gran-dezas ou séries de valores somente seriam
idênticas se nunca houvesse dois ou mais
periódicos que tivessem publicado a mesma
quantidade de artigos cada um durante
todo o período de pesquisa, o que não
ocorre em geral. E A. Chonez se apóia so-bre curvas desenhadas de acordo com
Broo-kes, e não de acordo com Bradford, para
afirmar que "a reta de Bradford não
te" e contestar assim a validade da própria lei de dispersão; notemos, enfim, que várias das curvas apresentadas por Chonez têm a forma de um S.
Num outro trabalho publicado, Broo-kes? escreve ainda: "O Estatístico M.G. Kendall. .. notou ainda que a lei de Brad-ford é muito similar mas, pensou ele, não idêntica àlei de Zipf ... da forma
f.r==C
onde
GFEDCBA
f é a freqüência de ocorrência dapa-lavra com número de ordem
ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
r eihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
C é uma constante para a amostra". É depois destacitação que Brookes se afasta de Bradford e estabelece o modelo matemático já men-cionado.
Em vez de ser muito similar à lei de
Z ip f acima, a lei de Bradford, como já
es-crevemos, é um caso particular de uma se-gunda lei originalmente dada por Zipf, e que R.A. Fairthorne+ diz ter sido formal-mente estabelecida por A.F. Parker-Rho-des eT . Joyce, a saber:
n(f) ==K .f-a (13)
a qual, quando expressa numa simbologia mais próxima daquela de Bradford 'se es-creve
A. ==K R-a
"'I . i (13a) Nesta expressão:
- R, é a quantidade de periódicos que produziram uma quantidade corres-pondente de artigos (coluna A do quadro de Bradford)
- Ai é a quantidade correspondente de artigos durante o período de pesquisa
M ich e l A ym a rd
(coluna B do quadro de Bradford) Se considerarmos a quantidade ~ (cujas somas acumuladas cOnstitueRi .
coluna D do quadro de Bracjford) tell10~a
Ri . Ai = K. Ri . R(a = K . R/-a. (14) Se tomarmos os logaritmos, (J 3a) se escreve
log Ai
=
logK -a . log Ri(I~
Usando a equação (15) como equa. ção da reta de regressão de Ai em R ,o exemplo da Lubrificação de Bradford l~va a
10gAi 1,1006 - 0,548410g Ri
ou seja:
Ai
=
12,6067. R(0,5484 (16a)e
Ri . Ai
=
12,6067. Rio,4516 (16~)A partir da equação (I6b), podemo elaborar um quadro similar ao de Bradfos ao calcular o valor de (Ri.A
i) teórico -no-tado (Ri'~\ - que corresponde a cada~ do levantamento, e as suas somas acum uh
das.
Para maior clareza, transcreveme como Quadro I o levantamento de Bra~· ford e como Quadro IIo quadro teórico para a Lubrificação.
A significação dos valores
i==m
I: (Ri'~)c + C será dada mais adiante i==1
R . b ra s. B ib lio te co n . e D o e . 1 3 (3 /4 ): 1 4 7 -5 6 ,ju l.ld e z.1 9 8 0
(I~
QUADRO 11
A le i d a d isp e rsã o b ib lio g rá fica d e B ra d fo rd
QUADRO I
i ==m i ==m
Ri
I
A~ i ==1I: R
1 .Ri· Ai.I:
(Ri· Ai)o1== 1
1 22 1 22 22
1 18 2 18 40
1 15 3 15 55
2 13 5 26 81
2 10 7 20 101
1 9 8 9 110
3 8 11 24 134
3 7 14 21 155
1 6 15 6 161
7 5 22 35 196
2 4 24 8 204
13 3 37 39 243
25
I
2 62 50 293
102 1 164 102 395
R
1 (Ri· Ai)c
i==m
I: (Ri· Ai)
i== 1 c
31,3935 44,0002 56,6069 73,8473 91,0877 103,6944 124,3991 145,1038 157,71
9
5 188,0667 205,3071 245,4546 299,3946 401,17991
1
1
2 2
1
3 3
1
7 2 13 25 102
12,6067 12,6067 12,6067 17,2404 17,2404 12,6067 20,7047 20,7047 12,6067 30,3562 17,2404 40,1475 53,9400 101,7853
ir= m
.I: (Ri· Ai\ +C
1== 1
12,6067 25,2134 3},8201 55,0605 72,3009 84,9076 105,6123 126,3170 138,9237 169,2799 186,5203 226,6678 280,6078 382,3931
M ich e l A
zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
A Fig. 3 mostra a representação gráfica d i=m
.2; (Ri.Ai)o i= 1
i=m
f (2; Ri) o (observad
i
=
1e
i=m i=m
2; (Ri.Ai\ = f ( 2; Ri) i= 1 i= 1 o
(ca1culad
i;:
ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
m : . 1
.~.. (Ri,Ai) i
j : ~: ~
.:~'!" : • .
! ., j !
,
;
. , i '00 300 . .i200' , '. ' ./ ': .
::: :f:
100 .i,~
i i i i I .,
i
, " i 'I~-Se bem que a isomorfia das duas cur-vas seja notável, o teste do X2 mostra que
para ser o mais adequado possível ao levan-tamento real, o modelo teórico, isto e, o s
i =m
valores sucessivos de ~ (Ri' Ai)c devem
i
=
1ser acrescidos de um fator de correção constante C.
A necessidade e a presença deste fa-tor não deve ser estranhada uma vez que o modelo é elaborado a partir de uma curva de regressão; notemos apenas que este fator C é homólogo a uma constante de integra-ção, se bem que não se possa falar em inte-gração no presente caso em que (Ri' Ai) é,
r
A le i d a d isp e rsã o b ib lio g rá fica d e B ra d fo rd
QUADRO III
I
Assunto K 1 -a Cv
Bibliotecas universitárias 6,4063 - 0,6904 7,5937 Botrytis Cinerea 12,5144 - 0,0029 27,7284
cosméticos 16,3192 0,2101
-. Geofísica aplicada 31,7339 0,2917
-I:J1I'
I J.-eide Bradford 6,8267 0,3868 16,4666,.I 1 jub íflcação 12,6067 0,4516 18,7868
li' i n1
!I
'I i Radiações não ionizantes 9,7387 0,3203 30,1762 ; ,'I' '!
?~
I : I';
il::
, ;1,I ' ,
I,:
;= \i:11 ':
GFEDCBA
. U " T'ti 'I"
, ;' ' ~i!:I:!:~
li!:
,I
r: I-.J.,/,."lJUiIL
, 'I'Ii ,'""'
,,,,,,:1'11111111"1I' "I I! '~ I',
I
i'. 'i I!' I 1'1 • j'!i I i ·1 -I .. !
! I' I
I 1 i i :
I
'
,'i 11 i ', ! ,.,,1:., I, i
I:
I,' ,I 'i:i i •. itil::"
I::
I . :
ilii!l
I ,I !I!
1 0 I! I "
i
i- ·
100
necessariamente, uma grandeza discreta, Para verificar a validade do modelo sugerido, calculamos os valores deK , I- I
e C para alguns casos que verificaram a lei de Bradford (ver nosso trabalho citado sal· vo para o assunto Lei de Bradford). Os re· sultados aparecem no Quadro 111.
Osv a l o r e s . t . C, , / u p r o v i s ó r i o s efO '
r a m e s t a b e l e c i d o s d e ' t o r m a e m p ú i o - nO
. (I'
teste de X2 de adequação do modelo cor
Igido à distribuição real ou observada, pr
o'
curou-se os valores de C que tornasseJl~o~ X2 muito pequeno com relação ao vade cn!"!"c"l'tllldc'llIc':1 0 ruvcl de sigllificânclado
5%, sem, no entanto, o termos torna sistcmaucamcurc m inuuo.
154 R . b ra s. B ib lio te co n . e D o e . 1 3 ( 3 / 4 ) : 1 4 7 -5 6 , ju l./d e z. 1 9 8 0
b ra s.Bibliotecon, e D o e . 1 3 ( 3 / 4 ) : 1 4 7 -5 6 , ju l./d e z. 1 9 8 0 155 A não adequação do modelo nos
dois casos Cosméticos e Geofísica aplica-da resulta, a nosso ver, de alguma pecu-liaridade dos acervos pesquisados; a sua ampliação (aumento do número de títu-los analisados) e/ou ampliação do perío-do de pesquisa (quatro anos para a Geo-física aplicada, três anos para os Cosmé-ticos) poderiam modificar os valores le-vantados e trazer os dois .casos para o modelo matemático.
Não há nesta sugestão nenhuma contradição com o que dissemos no iní-cio deste artigo a respeito das teorias e dos modelos; as duas exceções, ainda que verificando a lei de Bradford como nor-malmente expressa, corresponderiam a casos heterogêneos, mas que poderiam ser tornados homogêneos aos demais.
Propomos, portanto, considerar co-mon o r m a l uma situação - acervo, assun-to e período de pesquisa - que verificar a lei de dispersão de Bradford juntamen-te Com o modelo:
i=m i=m
~ (~ .~ ) = f (~ ~ )
i=1 i=1
calculado a partir de (14), equação esta que deriva da segunda lei de Zipf ou lei de Parker-Rhodes e Joyce.
Assim, no levantamento de uma bibliografia especializada, por exemplo, a normalidade COIllO definida acima
po-deria se constituir num critério e numa garantia maior de abrangência e de com-pletude dos resultados alcançados.
Seria, aliás, interessante verificar o efeito da duração do período de pesqui-sa sobre a configuração da curva de Brad-ford. A este respeito, observemos que Bradford já, em 1934 também, sugeria uma segunda lei bibliométrica pouco ci-tada e estudada: " ... o número de perió-dicos que contêm artigos sobre o assun-to deve aumentar quase linearmente com o período de pesquisa". t pratica-mente certo que o 'modelo de crescimen-to é, ele mesmo, influenciado pela dura-ção do período.
Uma exceção importante ao mo-.delo proposto é o caso em que um só periódico publicou uma certa quantida-de de artigos; os periódicos ordenados por produção decrescente de artigos for-mam uma classificação perfeita; é o caso admitido implicitamente por Brookes, exceção, porém, e não 'caso geral. Neste
caso, os coeficientes K e a da equação (13a) são indeterminados.
Em nossa opinião, tal situação de-ve ser considerada como não normal e suscetível de normalização.
3 - C onclusão
I
GFEDCBA
l
zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
dispersão bibliográfica de Bradford e que
sua expressão correta corresponde ao
de-senvolvimento empírico.
A utilidade prática de um modelo
matemático é muitas vezes discutível;
além de tornar a lei da dispersão um caso
particular de uma lei mais abrangente,
a lei de Zipf, o modelo que sugerimos,
MLKJIHGFEDCBA
R E F E R Ê N C IA S B IB L lO G R A F IC A S
1. AYMARD, M. A respeito da lei de
Brad-ford.
ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
C o m u n i c a ç õ e s e A r t e s ( 8 ) :85-99, 1979 (por ter sido
publica-do de forma incompleta, e por
conter algumas incorreções, este
artigo será republicado sob forma
de separata juntamente com o
fas-cículo 9).
2. BRADFORD, S.C.; D o c u m e n t a t i o n .
Londres, Crosby Lockwood, 194&
3. VICKERY, B.C.; Bradford's law of scatt-ering. T h e j o u r n a l o f D o c u m e n t a -t i o n 4(3):198-203, 1948.
4. FAIRTHORNE, R.A.; Empirical
hyper-bolic distributions
(Bradford-Zipf-Mandelbrot) for bibliometric
des-cription and prediction. T h e J o u r -n a l o f D o c u m e n t a t i o n 2 5 ( 4 ) : 3 1 9 -343,1969.
5. CHONEZ, A.; La dispersion de Ia
litté-rature périodique en science de
M ichel A ym ard
através dos conceitos de pesquisa n0l'lll
e de normalização de uma pesquisa
deria trazer maior objetividade às a~lr
ções da lei de Bradford. Ca.,
Nossos estudos devem prossegu'
mas os resultados iniciais nos pareceral!,
suficientemente consistentes para justifilll
I·
car sua apresentação.
l'information, ou l'imposture
pseudo-scientifique de Ia loí de
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