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RESPONSABILIDADE CIVIL DOS REGISTRADORES

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Academic year: 2022

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(1)

RESPONSABILIDADE

RESPONSABILIDADE CIVIL CIVIL

DOS DOS REGISTRADORES REGISTRADORES

(2)

Etimologicamente provém do latim spondeo, fórmula utilizada pelo devedor para afirmar, no contrato verbal, que responderia pelo cumprimento da obrigação.

É a repercussão obrigacional da atividade do homem.

O QUE

O QUE É É RESPONSABILIDADE? RESPONSABILIDADE?

(3)

RESPONSABILIDADE & SAN

RESPONSABILIDADE & SAN Ç Ç ÃO ÃO

RESPONSABILIDADE

RESPONSABILIDADE é é a obriga a obriga ç ç ão em ão em que se encontra algu

que se encontra algu é é m de responder m de responder por seus atos ou absten

por seus atos ou absten ç ç ões e de sofrer ões e de sofrer as conseq

as conseq ü ü ências dos mesmos ências dos mesmos . . Conseq

Conseq ü ü ência ência = = san san ç ç ão ão . . KELSEN

KELSEN : quando se diz que algu : quando se diz que algu é é m m responde

responde , isto significa que, diante de , isto significa que, diante de certos fatos, uma

certos fatos, uma san san ç ç ão ão foi foi estabelecida contra ela.

estabelecida contra ela.

(4)

SAN SAN Ç Ç ÃO ÃO & & REPARA REPARA Ç Ç ÃO ÃO

REPARAÇÃO é a idéia-força a alimentar a moderna noção de responsabilidade civil.

Responsabilidade civil se define pela

obrigação de reparar o prejuízo

causado a um sujeito de direito: é a

transferência do prejuízo da vítima

ao ofensor.

(5)

SINGULARIDADE DO REGISTRO SINGULARIDADE DO REGISTRO

Os serviços notariais e de registro são exercidos em caráter

privado, por delegação do Poder Público (art.236 CF)

A gestão privada, reclamo da

eficiência - princípio da Administração Pública – não exclui a função pública dos

serviços.

(6)

ÊNFASE NA RESPONSABILIDADE ÊNFASE NA RESPONSABILIDADE

NOTAS E REGISTROS PÚBLICOS são funções de soberania política

São funções imprescindíveis à segurança jurídica

Daí advém uma responsabilidade

enfatizada.

(7)

RESPONSABILIDADE OBJETIVA DO RESPONSABILIDADE OBJETIVA DO

ESTADO ESTADO

Artigo 37, § 6º CF: As pessoas As pessoas jur jur í í dicas de direito p dicas de direito p ú ú blico e as de blico e as de

direito privado prestadoras de servi

direito privado prestadoras de servi ç ç o o p p ú ú blico responderão pelos danos que blico responderão pelos danos que

seus agentes, nessa qualidade, seus agentes, nessa qualidade,

causarem a terceiros, assegurado o causarem a terceiros, assegurado o

direito de regresso contra o direito de regresso contra o

respons

respons á á vel nos casos de dolo ou vel nos casos de dolo ou culpa

culpa . .

(8)

POR QUE RESPONSABILIDADE POR QUE RESPONSABILIDADE

OBJETIVA?

OBJETIVA?

Princípio do ubi emolumentum, ibi onus.

O ESTADO detém o monopólio da força. Assenhoreia-se de serviços e assume o risco deles decorrente.

Para maior segurança da cidadania,

hoje explicitou-se que a

responsabilidade do Estado é a

regra e a sua irresponsabilidade é a

exceção.

(9)

A RESPONSABILIDADE DO REGISTRADOR A RESPONSABILIDADE DO REGISTRADOR É É OBJETIVA? OBJETIVA

Assim já decidiu o STF: “Responde o Estado pelos danos causados em razão de reconhecimento de firma considerada assinatura falsa. Em se tratando de atividade cartorária exercida à luz do artigo 236 da CF, a responsabilidade objetiva é do notário, no que assume posição semelhante à das pessoas jurídicas de direito privado prestadoras de serviços públicos”

(RE 201.595, Rel. MARCO AURÉLIO,

j.28.11.2000, RTJ. 178/418).

(10)

EM SENTIDO INVERSO

Mesma 2

Mesma 2ªª Turma do STF, em Turma do STF, em acacóórdão rdão anterior

anterior: : Natureza estatal das atividades Natureza estatal das atividades exercidas pelos serventu

exercidas pelos serventuáários titulares de rios titulares de

cartcartóórios e registros extrajudiciais, rios e registros extrajudiciais, exercidas em car

exercidas em carááter privado, por delegaçter privado, por delegação ão do Poder P

do Poder Púúblico. Responsabilidade objetiva blico. Responsabilidade objetiva do Estado pelos danos praticados a terceiros do Estado pelos danos praticados a terceiros

por esses servidores no exerc

por esses servidores no exercíício de tais cio de tais funfunçções, assegurado o direito de regresso ões, assegurado o direito de regresso

contra o not

contra o notáário, nos casos de dolo ou rio, nos casos de dolo ou culpa

culpa..

(RE. 209.354, Rel. CARLOS VELLOSO, j.2.3.1999, RTJ. 170/685).

(11)

TJSP TJSP

“Fazenda do Estado. Ato de cartorário. Função

delegada. Responsabilidade solidária e objetiva. Solidariedade que implica serem todos devedores do valor integral da indenização. Os notários e oficiais de registro respondem pessoal e objetivamente pelos danos causados a terceiros e decorrentes da atividade por eles exercida (Lei n.8.935, de 18.11.1994, art.22). Por isso a alegação de que o oficial agiu com a devida diligência não afasta o dever de indenizar”.

(AC. 159.914, 1ª Câmara de Direito Público, Rel.

ROBERTO BEDAQUE, 25.6.2002).

(12)

ARGUMENTOS A FAVOR DA OBJETIVIDADE ARGUMENTOS A FAVOR DA OBJETIVIDADE

1. Hermenêutica constitucional

Dicção do § 6º do artigo 37 da CF abrange todos os serviços públicos

Interpretação a mais racional: subalternação lógico-formal ou coerência intra-sistemática entre os serviços notariais e registários ao universo de todos os serviços públicos

Constituição cidadã é paradigmática ao conferir tutela ao cidadão, em detrimento da concepção exclusivamente estatal. V.g.:

topografia e amplitude dos direitos

fundamentais petrificados.

(13)

A FAVOR DA OBJETIVIDADE

2.2. RevogaRevogaçção do art.28 da Lei 6.015/73 pelo ão do art.28 da Lei 6.015/73 pelo art.22 da Lei 8.935/94

art.22 da Lei 8.935/94..

Art. 28-6015/73: “Além dos casos expressamente consignados, os oficiais são

civilmente responsáveis por todos os prejuízos que, pessoalmente, ou pelos prepostos ou substitutos que indicarem, causarem, por culpa ou dolo, aos interessados no registro”.

Art.22-8935/94: “Os notários e oficiais de registro responderão pelos danos que eles e seus prepostos causem a terceiros, na prática de atos próprios da serventia, assegurado aos primeiros direito de regresso no caso de dolo ou culpa dos prepostos”.

(norma em consonância com o § 6º do artigo 37 da CF).

(14)

A FAVOR DA SUBJETIVIDADE A FAVOR DA SUBJETIVIDADE

(DOLO OU CULPA) (DOLO OU CULPA)

A Lei 9.492, de 10.9.1997, definiu a responsabilização subjetiva dos tabeliães de protestos, ao afirmar, no art.38, serem eles “civilmente responsáveis por todos os prejuízos que causarem, por culpa ou dolo,

pessoalmente, pelos substitutos que designarem ou escreventes que autorizarem, assegurado o direito de

regresso”.

(15)

O artigo 38 da Lei 9.492/97 O artigo 38 da Lei 9.492/97 é é

inconstitucional

inconstitucional , pois afronta o , pois afronta o princ

princ í í pio da isonomia pio da isonomia trata trata mais favoravelmente apenas o mais favoravelmente apenas o

tabelião de protestos

tabelião de protestos e e contraria o preceito abrangente e contraria o preceito abrangente e

fundante

fundante do do § § 6 6 º º do artigo 37 da do artigo 37 da Constitui

Constitui ç ç ão da Rep ão da Rep ú ú blica. blica.

CONTRA ARGUMENTO:

CONTRA ARGUMENTO:

(16)

1.

1. A A

gestão privada

gestão privada dos not dos not á á rios e registradores rios e registradores subtraiu

subtraiu - - os os à à categoria de agentes pol categoria de

agentes polí

í

ticos

ticos não se dirigem a formar a superior vontade não se dirigem a formar a superior vontade

estatal

estatal e e

servidores p

servidores p

ú

ú

blicos

blicos não são pagos não são pagos pelos cofres do Er

pelos cofres do Er ário. São meros á rio. São meros

particulares

particulares colaboradores do Poder P

colaboradores do Poder Pú

ú

blico

blico , assim como , assim como tradutores e int

tradutores e int é é rpretes p rpretes p ú ú blicos, leiloeiros, blicos, leiloeiros, reitores de universidades privadas, etc.

reitores de universidades privadas, etc.

A FAVOR DA SUBJETIVIDADE A FAVOR DA SUBJETIVIDADE

Não sendo agentes, nem funcion

Não sendo agentes, nem funcion á á rios, não rios, não incide a regra da responsabilidade civil incide a regra da responsabilidade civil objetiva

objetiva . .

(17)

2. 2. A atua A atua ç ç ão do not ão do not á á rio e do registrador, rio e do registrador, notadamente a

notadamente a f f é é p p ú ú blica blica , , é é pr pr ó ó pria pria à à pessoa f

pessoa f í í sica sica e não e não à à pessoa jur pessoa jur í í dica dica . .

A FAVOR DA SUBJETIVIDADE A FAVOR DA SUBJETIVIDADE

Se o registrador

Se o registrador é é pessoa f pessoa f í í sica sica , , profissional do direito, um

profissional do direito, um jurisprudente jurisprudente que, em nome pr

que, em nome pr ó ó prio, exercita o servi prio, exercita o servi ç ç o o regist

regist á á rio rio mediante pr mediante pr é é vio concurso vio concurso p p ú ú blico, delegado pelo Poder P blico, delegado pelo Poder P ú ú blico, a ele blico, a ele

não se aplicaria a norma do

não se aplicaria a norma do § § 6 6 º º do artigo do artigo 37 da CF.

37 da CF. (Ricardo (Ricardo Dip Dip ). ).

(18)

NÃO NÃO É É O PENSAMENTO DO STJ O PENSAMENTO DO STJ

REsp. 476.532-RJ, Rel. RUY ROSADO DE AGUIAR, DJ. 4.8.2003: reconheceu a legitimidade passiva de tabelionato para a ação de indenização movida por usuário do respectivo serviço, em razão de erro na lavratura de escritura pública:

“RESPONSABILIDADE CIVIL. Legitimidade passiva do cartório. PESSOA FORMAL.

Recurso conhecido e provido para

reconhecer a legitimidade do cartório de

notas por erro quanto à pessoa na lavratura

de escritura pública de compra e venda de

imóvel”.

(19)

RESPONSABILIDADE OBJETIVA RESPONSABILIDADE OBJETIVA

X X

RESPONSABILIDADE SUBJETIVA RESPONSABILIDADE SUBJETIVA

OBJETIVA: YUSSEF SAID CAHALI, HUMBERTO TEODORO JÚNIOR

SUBJETIVA: RICARDO DIP, RUI

STOCO

(20)

DE QUALQUER FORMA

DE QUALQUER FORMA ... ...

REMANESCE A RESPONSABILIDADE

Pela falta, deficiência ou intempestividade na execução do

serviço.

Pelos danos causados a qualquer pessoa, decorrentes dos serviços registrários ou notariais.

Danos na ordem material e danos

morais

(21)

O dano moral ingressou na ordem constitucional: artigo 5º, V, e, principalmente, inciso X :

são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito à indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação.

A ESFERA MORAL A ESFERA MORAL

O demandismo, o excesso de advogados, a

sociedade egoísta, materialista, hedonista e

consumista incrementam a indústria do

dano moral.

(22)

Já defendi a incidência do CDC – Lei 8.078, de 11.9.1990 – sobre os serviços notariais e de registro (“Responsabilidade Civil dos Notários e Registradores”, Teses do 1º Simpósio Nacional de Serviços Notariais e Registrais, São Paulo, 11 a 13/9/1996, publicação da ANOREG).

O tema continua presente, conforme julgado recente do STJ.

O O C C Ó Ó DIGO DIGO DE DE DEFESA DEFESA DO DO CONSUMIDOR

CONSUMIDOR

(23)

No REsp. 625.144

No REsp. 625.144--SP, a Ministra NANCY SP, a Ministra NANCY ANDRIGHI observa que

ANDRIGHI observa que o noto notáário brasileiro rio brasileiro não não éé um empregado, um empregado, éé um empregador. E um empregador. E

trabalha

trabalha àà base de clientela prbase de clientela próópria, tal uma pria, tal uma empresa, podendo ganhar mais ou ganhar empresa, podendo ganhar mais ou ganhar

menos, conforme seu comportamento

menos, conforme seu comportamento éético e tico e aprimoramento profissional

aprimoramento profissional..

STJ & CDC

Caracteriza os serviços notariais e registrais como serviços públicos impróprios ou uti singuli, já que, além de serem prestados por delegação a particulares, são de utilização

individual, facultativa e mensurável, remunerados por taxa.

(24)

SERVI

SERVI Ç Ç OS OS UTI SINGULI UTI SINGULI SE SE SUJEITAM AO CDC

SUJEITAM AO CDC

REsp. 609.332-SC, Rel. ELIANA CALMON,

DJ. 5.9.2005: “Os serviços públicos

impróprios ou uti singuli prestados por

órgãos da administração pública indireta

ou, modernamente, por delegação a

concessionários como previsto na CF, são

remunerados por taxa, sendo aplicáveis

aos respectivos contratos o CDC”

(25)

CONCLUSÃO

CONCLUSÃO NANCY ANDRIGHI: NANCY ANDRIGHI:

“Desta forma, se até mesmo os serviços públicos prestados por órgãos da administração pública indireta estão submetidos ao CDC, conforme o precedente acima citado, quanto mais os serviços notariais, que são prestados por delegatários do Poder Público, que exercem suas atividades em caráter privado, como é o caso dos tabeliães”

(REsp. 625.144-SP, Rel. NANCY ANDRIGHI,

j. 14.3.2006)

(26)

CONCLUSÃO CASTRO MEIRA CONCLUSÃO CASTRO MEIRA

“De fato, o CDC não exclui do conceito de

fornecedor as pessoas físicas ou jurídicas de

natureza pública. Ao contrário, no que

concerne à responsabilidade do fornecedor

pelo serviço prestado, dispõe, em seu artigo

22, que “os órgãos públicos, por si ou por suas

empresas, concessionárias, permissionárias, ou

sob qualquer outra forma de empreendimento,

são obrigados a fornecer serviços adequados,

eficientes, seguros e, quanto aos essenciais,

contínuos”.

(27)

ADEMAIS

ADEMAIS ... ...

“...o fato de o serviço notarial ser

remunerado, mesmo sob a forma de preço

público, revela, com precisão, o seu

ajustamento ao conceito de serviço,

constante do CDC, art.3º, § 1º: “serviço é

qualquer atividade fornecida no mercado

de consumo, mediante remuneração,

inclusive as de natureza bancária,

financeira, de crédito e securitária, salvo

as decorrentes das relações de caráter

trabalhista”.

(28)

NADA OBSTANTE...

NADA OBSTANTE...

Os Ministros HUMBERTO GOMES DE BARROS, CARLOS ALBERTO MENEZES DE DIREITO e ARI PARGENDLER não aceitaram a incidência, sob argumento de que “o consumo faz parte das relações econômicas, é conceito de Economia protegido pelo Direito, que resguarda os interesses da coletividade ao assumir a acentuada presença da figura do consumidor, bem como sua posição hipossuficiente, na sociedade industrial...Nesse contexto, não se pode dizer que há serviço público prestado no “mercado de consumo”, que é regido pela lei econômica da oferta e da procura e pautado pelas liberdades de concorrência e iniciativa próprias do mercado em geral. Não existe um “mercado de consumo de serviços notariais”, pois, nesse campo, não há liberdade de concorrência e iniciativa”.

(29)

SEJA COMO FOR...

SEJA COMO FOR...

... é tendencial a intensificação de

demandas fundadas em danos materiais ou morais.

A sociedade contemporânea é altamente conflitiva.

Ninguém mais se envergonha de

demandar.

(30)

O QUE FAZER?

O QUE FAZER?

Aprimorar condutas e técnicas Intensificar a comunicação

Atuar com ética e transparência Manter bom ambiente interno

Contratar seguros

(31)

Muito obrigado

(32)

Texto:

Texto:

Des Des . Jos . Jos é é Renato Renato Nalini Nalini

(33)

Edi Edi ç ç ão ão : : Maria

Maria Osana Osana Cardoso dos Reis Cardoso dos Reis Cria Cria ç ç ão e Design: ão e Design:

Maria

Maria Osana Osana Cardoso dos Reis Cardoso dos Reis

(34)

M M ú ú sicas: sicas:

CUERPO Y ALMA CUERPO Y ALMA

<Milton Nascimento>

<Milton Nascimento>

BLUE IN GREEN BLUE IN GREEN

<

< Miles Miles Davis > Davis >

(35)

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