RESPONSABILIDADE
RESPONSABILIDADE CIVIL CIVIL
DOS DOS REGISTRADORES REGISTRADORES
Etimologicamente provém do latim spondeo, fórmula utilizada pelo devedor para afirmar, no contrato verbal, que responderia pelo cumprimento da obrigação.
É a repercussão obrigacional da atividade do homem.
O QUE
O QUE É É RESPONSABILIDADE? RESPONSABILIDADE?
RESPONSABILIDADE & SAN
RESPONSABILIDADE & SAN Ç Ç ÃO ÃO
RESPONSABILIDADE
RESPONSABILIDADE é é a obriga a obriga ç ç ão em ão em que se encontra algu
que se encontra algu é é m de responder m de responder por seus atos ou absten
por seus atos ou absten ç ç ões e de sofrer ões e de sofrer as conseq
as conseq ü ü ências dos mesmos ências dos mesmos . . Conseq
Conseq ü ü ência ência = = san san ç ç ão ão . . KELSEN
KELSEN : quando se diz que algu : quando se diz que algu é é m m responde
responde , isto significa que, diante de , isto significa que, diante de certos fatos, uma
certos fatos, uma san san ç ç ão ão foi foi estabelecida contra ela.
estabelecida contra ela.
SAN SAN Ç Ç ÃO ÃO & & REPARA REPARA Ç Ç ÃO ÃO
REPARAÇÃO é a idéia-força a alimentar a moderna noção de responsabilidade civil.
Responsabilidade civil se define pela
obrigação de reparar o prejuízo
causado a um sujeito de direito: é a
transferência do prejuízo da vítima
ao ofensor.
SINGULARIDADE DO REGISTRO SINGULARIDADE DO REGISTRO
Os serviços notariais e de registro são exercidos em caráter
privado, por delegação do Poder Público (art.236 CF)
A gestão privada, reclamo da
eficiência - princípio da Administração Pública – não exclui a função pública dos
serviços.
ÊNFASE NA RESPONSABILIDADE ÊNFASE NA RESPONSABILIDADE
NOTAS E REGISTROS PÚBLICOS são funções de soberania política
São funções imprescindíveis à segurança jurídica
Daí advém uma responsabilidade
enfatizada.
RESPONSABILIDADE OBJETIVA DO RESPONSABILIDADE OBJETIVA DO
ESTADO ESTADO
Artigo 37, § 6º CF: As pessoas As pessoas jur jur í í dicas de direito p dicas de direito p ú ú blico e as de blico e as de
direito privado prestadoras de servi
direito privado prestadoras de servi ç ç o o p p ú ú blico responderão pelos danos que blico responderão pelos danos que
seus agentes, nessa qualidade, seus agentes, nessa qualidade,
causarem a terceiros, assegurado o causarem a terceiros, assegurado o
direito de regresso contra o direito de regresso contra o
respons
respons á á vel nos casos de dolo ou vel nos casos de dolo ou culpa
culpa . .
POR QUE RESPONSABILIDADE POR QUE RESPONSABILIDADE
OBJETIVA?
OBJETIVA?
Princípio do ubi emolumentum, ibi onus.
O ESTADO detém o monopólio da força. Assenhoreia-se de serviços e assume o risco deles decorrente.
Para maior segurança da cidadania,
hoje explicitou-se que a
responsabilidade do Estado é a
regra e a sua irresponsabilidade é a
exceção.
A RESPONSABILIDADE DO REGISTRADOR A RESPONSABILIDADE DO REGISTRADOR É É OBJETIVA? OBJETIVA
Assim já decidiu o STF: “Responde o Estado pelos danos causados em razão de reconhecimento de firma considerada assinatura falsa. Em se tratando de atividade cartorária exercida à luz do artigo 236 da CF, a responsabilidade objetiva é do notário, no que assume posição semelhante à das pessoas jurídicas de direito privado prestadoras de serviços públicos”
(RE 201.595, Rel. MARCO AURÉLIO,
j.28.11.2000, RTJ. 178/418).
EM SENTIDO INVERSO
Mesma 2
Mesma 2ªª Turma do STF, em Turma do STF, em acacóórdão rdão anterior
anterior: : ““Natureza estatal das atividades Natureza estatal das atividades exercidas pelos serventu
exercidas pelos serventuáários titulares de rios titulares de
cartcartóórios e registros extrajudiciais, rios e registros extrajudiciais, exercidas em car
exercidas em carááter privado, por delegaçter privado, por delegação ão do Poder P
do Poder Púúblico. Responsabilidade objetiva blico. Responsabilidade objetiva do Estado pelos danos praticados a terceiros do Estado pelos danos praticados a terceiros
por esses servidores no exerc
por esses servidores no exercíício de tais cio de tais funfunçções, assegurado o direito de regresso ões, assegurado o direito de regresso
contra o not
contra o notáário, nos casos de dolo ou rio, nos casos de dolo ou culpa
culpa””..
(RE. 209.354, Rel. CARLOS VELLOSO, j.2.3.1999, RTJ. 170/685).
TJSP TJSP
“Fazenda do Estado. Ato de cartorário. Função
delegada. Responsabilidade solidária e objetiva. Solidariedade que implica serem todos devedores do valor integral da indenização. Os notários e oficiais de registro respondem pessoal e objetivamente pelos danos causados a terceiros e decorrentes da atividade por eles exercida (Lei n.8.935, de 18.11.1994, art.22). Por isso a alegação de que o oficial agiu com a devida diligência não afasta o dever de indenizar”.
(AC. 159.914, 1ª Câmara de Direito Público, Rel.
ROBERTO BEDAQUE, 25.6.2002).
ARGUMENTOS A FAVOR DA OBJETIVIDADE ARGUMENTOS A FAVOR DA OBJETIVIDADE
1. Hermenêutica constitucional
Dicção do § 6º do artigo 37 da CF abrange todos os serviços públicos
Interpretação a mais racional: subalternação lógico-formal ou coerência intra-sistemática entre os serviços notariais e registários ao universo de todos os serviços públicos
Constituição cidadã é paradigmática ao conferir tutela ao cidadão, em detrimento da concepção exclusivamente estatal. V.g.:
topografia e amplitude dos direitos
fundamentais petrificados.
A FAVOR DA OBJETIVIDADE
2.2. RevogaRevogaçção do art.28 da Lei 6.015/73 pelo ão do art.28 da Lei 6.015/73 pelo art.22 da Lei 8.935/94
art.22 da Lei 8.935/94..
Art. 28-6015/73: “Além dos casos expressamente consignados, os oficiais são
civilmente responsáveis por todos os prejuízos que, pessoalmente, ou pelos prepostos ou substitutos que indicarem, causarem, por culpa ou dolo, aos interessados no registro”.
Art.22-8935/94: “Os notários e oficiais de registro responderão pelos danos que eles e seus prepostos causem a terceiros, na prática de atos próprios da serventia, assegurado aos primeiros direito de regresso no caso de dolo ou culpa dos prepostos”.
(norma em consonância com o § 6º do artigo 37 da CF).
A FAVOR DA SUBJETIVIDADE A FAVOR DA SUBJETIVIDADE
(DOLO OU CULPA) (DOLO OU CULPA)
A Lei 9.492, de 10.9.1997, definiu a responsabilização subjetiva dos tabeliães de protestos, ao afirmar, no art.38, serem eles “civilmente responsáveis por todos os prejuízos que causarem, por culpa ou dolo,
pessoalmente, pelos substitutos que designarem ou escreventes que autorizarem, assegurado o direito de
regresso”.
O artigo 38 da Lei 9.492/97 O artigo 38 da Lei 9.492/97 é é
inconstitucional
inconstitucional , pois afronta o , pois afronta o princ
princ í í pio da isonomia pio da isonomia – – trata trata mais favoravelmente apenas o mais favoravelmente apenas o
tabelião de protestos
tabelião de protestos – – e e contraria o preceito abrangente e contraria o preceito abrangente e
fundante
fundante do do § § 6 6 º º do artigo 37 da do artigo 37 da Constitui
Constitui ç ç ão da Rep ão da Rep ú ú blica. blica.
CONTRA ARGUMENTO:
CONTRA ARGUMENTO:
1.
1. A A
gestão privadagestão privada dos not dos not á á rios e registradores rios e registradores subtraiu
subtraiu - - os os à à categoria de agentes pol categoria de
agentes políí
ticosticos – – não se dirigem a formar a superior vontade não se dirigem a formar a superior vontade
estatal
estatal – – e e
servidores pservidores p
úú
blicosblicos – – não são pagos não são pagos pelos cofres do Er
pelos cofres do Er ário. São meros á rio. São meros
particularesparticulares colaboradores do Poder P
colaboradores do Poder Pú
ú
blicoblico , assim como , assim como tradutores e int
tradutores e int é é rpretes p rpretes p ú ú blicos, leiloeiros, blicos, leiloeiros, reitores de universidades privadas, etc.
reitores de universidades privadas, etc.
A FAVOR DA SUBJETIVIDADE A FAVOR DA SUBJETIVIDADE
Não sendo agentes, nem funcion
Não sendo agentes, nem funcion á á rios, não rios, não incide a regra da responsabilidade civil incide a regra da responsabilidade civil objetiva
objetiva . .
2. 2. A atua A atua ç ç ão do not ão do not á á rio e do registrador, rio e do registrador, notadamente a
notadamente a f f é é p p ú ú blica blica , , é é pr pr ó ó pria pria à à pessoa f
pessoa f í í sica sica e não e não à à pessoa jur pessoa jur í í dica dica . .
A FAVOR DA SUBJETIVIDADE A FAVOR DA SUBJETIVIDADE
Se o registrador
Se o registrador é é pessoa f pessoa f í í sica sica , , profissional do direito, um
profissional do direito, um jurisprudente jurisprudente que, em nome pr
que, em nome pr ó ó prio, exercita o servi prio, exercita o servi ç ç o o regist
regist á á rio rio mediante pr mediante pr é é vio concurso vio concurso p p ú ú blico, delegado pelo Poder P blico, delegado pelo Poder P ú ú blico, a ele blico, a ele
não se aplicaria a norma do
não se aplicaria a norma do § § 6 6 º º do artigo do artigo 37 da CF.
37 da CF. (Ricardo (Ricardo Dip Dip ). ).
NÃO NÃO É É O PENSAMENTO DO STJ O PENSAMENTO DO STJ
REsp. 476.532-RJ, Rel. RUY ROSADO DE AGUIAR, DJ. 4.8.2003: reconheceu a legitimidade passiva de tabelionato para a ação de indenização movida por usuário do respectivo serviço, em razão de erro na lavratura de escritura pública:
“RESPONSABILIDADE CIVIL. Legitimidade passiva do cartório. PESSOA FORMAL.
Recurso conhecido e provido para
reconhecer a legitimidade do cartório de
notas por erro quanto à pessoa na lavratura
de escritura pública de compra e venda de
imóvel”.
RESPONSABILIDADE OBJETIVA RESPONSABILIDADE OBJETIVA
X X
RESPONSABILIDADE SUBJETIVA RESPONSABILIDADE SUBJETIVA
OBJETIVA: YUSSEF SAID CAHALI, HUMBERTO TEODORO JÚNIOR
SUBJETIVA: RICARDO DIP, RUI
STOCO
DE QUALQUER FORMA
DE QUALQUER FORMA ... ...
REMANESCE A RESPONSABILIDADE
Pela falta, deficiência ou intempestividade na execução do
serviço.
Pelos danos causados a qualquer pessoa, decorrentes dos serviços registrários ou notariais.
Danos na ordem material e danos
morais
O dano moral ingressou na ordem constitucional: artigo 5º, V, e, principalmente, inciso X :
são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito à indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação.
A ESFERA MORAL A ESFERA MORAL
O demandismo, o excesso de advogados, a
sociedade egoísta, materialista, hedonista e
consumista incrementam a indústria do
dano moral.
Já defendi a incidência do CDC – Lei 8.078, de 11.9.1990 – sobre os serviços notariais e de registro (“Responsabilidade Civil dos Notários e Registradores”, Teses do 1º Simpósio Nacional de Serviços Notariais e Registrais, São Paulo, 11 a 13/9/1996, publicação da ANOREG).
O tema continua presente, conforme julgado recente do STJ.
O O C C Ó Ó DIGO DIGO DE DE DEFESA DEFESA DO DO CONSUMIDOR
CONSUMIDOR
No REsp. 625.144
No REsp. 625.144--SP, a Ministra NANCY SP, a Ministra NANCY ANDRIGHI observa que
ANDRIGHI observa que ““o noto notáário brasileiro rio brasileiro não não éé um empregado, um empregado, éé um empregador. E um empregador. E
trabalha
trabalha àà base de clientela prbase de clientela próópria, tal uma pria, tal uma empresa, podendo ganhar mais ou ganhar empresa, podendo ganhar mais ou ganhar
menos, conforme seu comportamento
menos, conforme seu comportamento éético e tico e aprimoramento profissional
aprimoramento profissional””..
STJ & CDC
Caracteriza os serviços notariais e registrais como serviços públicos impróprios ou uti singuli, já que, além de serem prestados por delegação a particulares, são de utilização
individual, facultativa e mensurável, remunerados por taxa.
SERVI
SERVI Ç Ç OS OS UTI SINGULI UTI SINGULI SE SE SUJEITAM AO CDC
SUJEITAM AO CDC
REsp. 609.332-SC, Rel. ELIANA CALMON,
DJ. 5.9.2005: “Os serviços públicos
impróprios ou uti singuli prestados por
órgãos da administração pública indireta
ou, modernamente, por delegação a
concessionários como previsto na CF, são
remunerados por taxa, sendo aplicáveis
aos respectivos contratos o CDC”
CONCLUSÃO
CONCLUSÃO NANCY ANDRIGHI: NANCY ANDRIGHI:
“Desta forma, se até mesmo os serviços públicos prestados por órgãos da administração pública indireta estão submetidos ao CDC, conforme o precedente acima citado, quanto mais os serviços notariais, que são prestados por delegatários do Poder Público, que exercem suas atividades em caráter privado, como é o caso dos tabeliães”
(REsp. 625.144-SP, Rel. NANCY ANDRIGHI,
j. 14.3.2006)
CONCLUSÃO CASTRO MEIRA CONCLUSÃO CASTRO MEIRA
“De fato, o CDC não exclui do conceito de
fornecedor as pessoas físicas ou jurídicas de
natureza pública. Ao contrário, no que
concerne à responsabilidade do fornecedor
pelo serviço prestado, dispõe, em seu artigo
22, que “os órgãos públicos, por si ou por suas
empresas, concessionárias, permissionárias, ou
sob qualquer outra forma de empreendimento,
são obrigados a fornecer serviços adequados,
eficientes, seguros e, quanto aos essenciais,
contínuos”.
ADEMAIS
ADEMAIS ... ...
“...o fato de o serviço notarial ser
remunerado, mesmo sob a forma de preço
público, revela, com precisão, o seu
ajustamento ao conceito de serviço,
constante do CDC, art.3º, § 1º: “serviço é
qualquer atividade fornecida no mercado
de consumo, mediante remuneração,
inclusive as de natureza bancária,
financeira, de crédito e securitária, salvo
as decorrentes das relações de caráter
trabalhista”.
NADA OBSTANTE...
NADA OBSTANTE...
Os Ministros HUMBERTO GOMES DE BARROS, CARLOS ALBERTO MENEZES DE DIREITO e ARI PARGENDLER não aceitaram a incidência, sob argumento de que “o consumo faz parte das relações econômicas, é conceito de Economia protegido pelo Direito, que resguarda os interesses da coletividade ao assumir a acentuada presença da figura do consumidor, bem como sua posição hipossuficiente, na sociedade industrial...Nesse contexto, não se pode dizer que há serviço público prestado no “mercado de consumo”, que é regido pela lei econômica da oferta e da procura e pautado pelas liberdades de concorrência e iniciativa próprias do mercado em geral. Não existe um “mercado de consumo de serviços notariais”, pois, nesse campo, não há liberdade de concorrência e iniciativa”.