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A INCLUSÃO DO JOVEM ADULTO COM TDAH NO ENSINO SUPERIOR

Priscila Ferreira Santana1 Núbia Gonçalves da Paixão Eneterio2

Resumo:

A prevalência do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) na vida adulta é de 60 a 70% dos casos, tema que tem gerado discussão devido às dificuldades que a tríade aluno, instituição e família tem de enfrentar para que o processo de aprendizado seja o mais efetivo.

Tendo como objetivo geral, analisar de que modo o acadêmico com TDAH é influenciado pela legislação para inclusão no Ensino Superior, essa pesquisa intenta, especificamente, descrever as demandas do TDAH no jovem adulto, compreender a legislação que ampara a inclusão no ensino superior e relacionar os dois assuntos. Trata-se de uma pesquisa descritiva, qualitativa, na qual foi realizada uma revisão bibliográfica. Percebeu-se que a atual legislação brasileira de inclusão possibilitou o acesso de muitos alunos com deficiência ao ensino superior, e tem se mostrado um facilitador para sua permanência, comparando-se aos tempos antes da sua existência. Conclui-se que o transtorno persiste até a vida adulta, acompanhando o indivíduo durante todo seu processo de aprendizado e que este lhe causa dificuldades na vida social, profissional e acadêmica.

Palavras- Chave: TDAH. inclusão. legislação

INCLUSION OF YOUNG ADULTS WITH ADHD IN HIGHER EDUCATION

Abstract

The prevalence of Attention Deficit Hyperactivity Disorder (ADHD) in adult life is 60-70% of cases, a topic that has generated discussion due to the difficulties that the triad student, institution and family must face in order for the learning process be effective. The purpose of this study is to analyze how ADHD students are influenced by legislation for inclusion in higher education. This research specifically aims to describe the demands of ADHD in young adults, to understand legislation that supports inclusion in higher education, and to relate the two subjects. It is a descriptive, qualitative research, in which a bibliographic review was carried out. It was noticed that the current brazilian legislation of inclusion allowed the access of many students with disabilities to higher education, and has been a facilitator for their permanence, comparing to the times before their existence. It is concluded that the disorder persists until adulthood, accompanying the individual throughout his learning process and that this causes him difficulties in social, professional and academic life.

Keywords: ADHD. inclusion. legislation.

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1987

1Acadêmica do Curso de Psicologia da UniEvangélica. Email: [email protected]

2Mestre em Tecnologias Ambientais. Docente nos cursos de Psicologia e Pedagogia da UniEvangélica.

Email: [email protected]

1. Introdução

O presente trabalho se fundamenta em duas áreas de conhecimento: inclusão no Ensino Superior e o Transtorno de Déficit de Atenção/hiperatividade (TDAH), no afinco de compreender a relação entre essas duas variáveis, mais especificamente como a legislação de inclusão no ensino superior ampara o acadêmico com TDAH. Torna-se, assim, relevante conhecer os fatores positivos e negativos da lei, e sua influência no processo de aprendizado e permanência em Instituições de Ensino Superior (IES).

Atualmente o Manual Diagnóstico e Estatísticos de Transtornos Mentais V (DSM V, 2014) reconhece que o TDAH, em sua maioria, persiste até a vida adulta, causando dificuldades na vida social, profissional e acadêmica do indivíduo. Segundo Mattos et al.

(2006), a prevalência do transtorno na vida adulta é de 60 a 70% dos casos diagnosticados na infância. O DSM V (2014) calcula que ele ocorre em cerca de 2,5% dos adultos. É devido a essa prevalência na vida adulta que o TDAH é um tema que tem gerado frequentes discussões, isso devido as dificuldades que a tríade aluno, instituição e família tem de enfrentar para que o processo de aprendizado seja o mais efetivo.

Segundo Cabral (2007), a inclusão de alunos deficientes é um tema que vem ganhando importância desde os meados da década de 90, quando se iniciou o trato do assunto. Mas ainda assim, é um tema de pouco conhecimento e com déficits na sua prática.

No Brasil, essa discussão é muito recente. Em 2015, foi criada a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (BRASIL, 2015), que tem como objetivo promover e assegurar o exercício dos direitos da pessoa com deficiência, através de tecnologias assistivas, livre acesso, adaptações, comunicação, mobilidade urbana, capacitação de profissionais etc.

A vivência pessoal no estágio de inclusão no curso de Psicologia, exercido dentro

do Núcleo de Inclusão de uma instituição, ofereceu a esta pesquisadora uma visão

específica de como ocorre a inclusão de acadêmicos com deficiência, mostrando os

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déficits dessa área e os variados obstáculos que se ainda tem de percorrer para que ocorra a inclusão de fato.

Essa experiência ainda proporcionou a oportunidade de conhecer mais afinco a

vivência de um acadêmico com TDAH no ensino superior, chamando atenção para uma

abrangente gama de dificuldades que o sujeito enfrenta na vida acadêmica.

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1989

Tal trabalho então é de grande relevância para se discutir esse possível elo faltante na legislação, que tem se visto na prática, e propor uma fomentação desse tema, contribuindo para possível formação de novas estratégias de inclusão que venham assistir um acadêmico com TDAH.

Essa investigação pretende descrever as demandas do TDAH no jovem adulto, compreender a legislação que ampara a inclusão no ensino superior e relacionar os dois assuntos. Tendo como objetivo geral, analisar de que modo o acadêmico com TDAH é influenciado pela legislação para inclusão no Ensino Superior.

Foi realizado uma revisão bibliográfica, modalidade essa que é desenvolvida a partir de um material já elaborado, sendo principalmente livros e artigos científicos. (Gil, 2002). Trata-se ainda de uma pesquisa descritiva, qualitativa. Segundo Gil (2002, p. 42)

“a pesquisa descritiva tem como objetivo primordial a descrição das características de determinada população. Uma de suas características mais significativas está na utilização de técnicas padronizadas de coleta de dados”. Já uma pesquisa qualitativa não se detém em dados numéricos, mas se preocupa com a compreensão de um determinado grupo social. Gerhardt e Silveira (2009, p. 32) cita que “os pesquisadores que utilizam os métodos qualitativos buscam explicar o porquê das coisas, exprimindo o que convém ser feito, mas não quantificam os valores e as trocas simbólicas nem se submetem à prova de fatos, pois os dados analisados são não-métricos (suscitados e de interação) e se valem de diferentes abordagens.”

A partir dessa revisão bibliográfica foi possível perceber que a atual legislação brasileira de inclusão possibilitou o acesso de muitos alunos com deficiência ao ensino superior, e tem se mostrado um facilitador para sua permanência, comparando-se aos tempos antes da sua existência. Segundo Pletsch e Melo (2017, p.1614) a Lei Brasileira de Inclusão e a chamada Lei de Cotas (BRASIL, 2015), são divisores quando se fala em inclusão no ensino superior. Mas é importante frisar que, esse crescimento ainda está longe do ideal, pois apenas 0,37% da participação no ensino superior se refere ao montante de estudantes que se encontram nessa situação. Aliás, cabe dizer que ainda enfrenta-se enormes desafios para garantir o acesso e a permanência dessa população em todos os níveis de ensino. (PLETSH e LEITE, 2017).

Especificamente sobre os alunos com TDAH, é percebido que este obtém

variadas e específicas demandas. Barkley (2011) cita que “provavelmente não há nada

mais difícil para pessoas com TDAH do que conseguir uma formação educacional. Isso

vale tanto para crianças, como para adultos. O TDAH prejudica o desempenho

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acadêmico, conduz a problemas de comportamento na escola e reduz o número de anos de educação concluídos com sucesso.”

Comparando a Lei com os relatos apresentados por artigos, tratando de alunos com TDAH no ensino superior, é possível perceber um elo faltante, o qual mostra que a legislação não tem assistido de forma efetiva as demandas específicas e variadas de um aluno com TDAH, dificultando, não apenas o seu ingresso, como também a sua permanência na IES e a posterior inserção no mercado de trabalho.

2. Conclusão:

Conclui-se que o TDAH persiste na vida adulta, acompanhando o indivíduo durante todo seu processo de aprendizado, desde a escola até as IES, e que este lhe causa desafios na vida social, profissional e acadêmica. Seu acesso ao ensino superior é garantido pela atual legislação de inclusão, mas o caminho ainda é árduo para que se possa garantir de fato a inclusão de maneira adequada dessa população.

Para se atingir uma compreensão dessa realidade, essa pesquisa teve como objetivos específicos, descrever as demandas do TDAH no jovem adulto, compreender a legislação que ampara inclusão no ensino superior e relacionar os dois assuntos, de forma a analisar de que modo o acadêmico com TDAH é influenciado pela legislação para inclusão no Ensino Superior.

Os caminhos que se devem percorrer para que o jovem aluno com TDAH seja plenamente assistido por essas leis são muitos. É importante então que haja discussões sobre o possível elo faltante na legislação e propor a fomentação desse tema, contribuindo a formação de novas estratégias que venham assistir o aluno com TDAH nas IES, e possibilitar que o processo de aprendizado seja efetivo e que garanta o acesso ao mercado de trabalho com a formação adequada.

A educação é um direito de todos garantido por lei, cabe a nós tirá-la do papel e fazê-la acontecer de fato em nossa sociedade.

Referências

BARKLEY, R. A. (2011). Vencendo o TDAH Adulto. Porto Alegre, Artmed.

CABRAL, L. S. A. (2017). Inclusão do brasileiro: histórico, políticas e práticas.

público – alvo da Educação Especial no Ensino Superior Revista Educação - PUC Campinas, 22 (3), 371-387.

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1991

GERHARDT, T. E. e SILVEIRA, D. T. (2009). Métodos de Pesquisa. Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 1ª ed. Rio Grande do Sul.

GIL, A. C. (2002). Como elaborar projetos de Pesquisa. Atlas, 4ª ed. São Paulo.

Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5. (2014). Porto Alegre, Artmed, 5.

Ed.

BRASIL. MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. Lei n. 13.146, de 06 de julho de 2015. (2015). Institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência).

Brasília.

_____. Lei n. 12.711, de 29 de agosto de 2012. (2012). Dispõe sobre o ingresso nas universidades federais e nas instituições federais de ensino técnico de nível médio e dá outras providências. Brasília.

PLETSCH, M. D. e LEITE, L. P. (2017). Análise da produção científica sobre a inclusão no ensino superior brasileiro. Educar em Revista, 33, 3, 87-106. Curitiba.

PLETSCH, M. D. e MELO, F. R. L. V. (2017). Estrutura e Funcionamento dos Núcleos de Acessibilidade nas Universidades Federais da Região Sudeste. Revista Ibero – Americana de Estudos em Educação, 12(3), 1610-1627.

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