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SÃO PAULO, 2011

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VIVIANE MANZIONE RUBIO

UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE

SÃO PAULO, 2011

(2)

UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE FACULDADE DE ARQUITETURA E URBANISMO

VIVIANE MANZIONE RUBIO

PROJETO DE URBANIZAÇÃO DE ASSENTAMENTOS PRECÁRIOS NO RIO DE JANEIRO E SÃO PAULO:

UM INSTRUMENTO DE CONSTRUÇÃO DE CIDADE

Dissertação de Mestrado apresentada à Universidade Presbiteriana Mackenzie como requisito para a obtenção do titulo de Mestre em Arquitetura e Urbanismo.

Orientadora: Profª. Drª Angélica A. Tanus Benatti Alvim

São Paulo 2011

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R896p Rubio, Viviane Manzione

Projeto de urbanização de assentamentos precários no Rio de Janeiro e São Paulo: um instrumento de construção de cidade. / Viviane Manzione Rubio – 2011.

278 f. : il. ; 30cm.

Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo) - Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, 2011.

Bibliografia: f. 235-253.

1. Assentamentos precários. 2. Favelas. 3. Projeto de Urbanização – São Paulo. 4. Projeto de Urbanização – Rio de Janeiro. I. Título.

CDD 711.4

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UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE FACULDADE DE ARQUITETURA E URBANISMO

VIVIANE MANZIONE RUBIO

PROJETO DE URBANIZAÇÃO DE ASSENTAMENTOS PRECÁRIOS NO RIO DE JANEIRO E SÃO PAULO:

UM INSTRUMENTO DE CONSTRUÇÃO DE CIDADE

Dissertação de Mestrado apresentada à Universidade Presbiteriana Mackenzie como requisito para a obtenção do titulo de Mestre em Arquitetura e Urbanismo.

Aprovada em Agosto de 2011

____________________________________________

Profª. Drª Angélica A. Tanus Benatti Alvim

____________________________________________

Prof. Dr. José Geraldo Simões Jr.

____________________________________________

Prof. Dr. Sérgio Ferraz Magalhães

(5)

A todas as pessoas que conheci nas favelas por onde andei e que me fazem pensar e lutar por lugares melhores para viver na cidade.

(6)

AGRADECIMENTOS

O momento de agradecer traz emoções ambíguas, por um lado a alegria do conhecimento adquirido, do trabalho terminado e do dever cumprido, por outro a sensação de incompletude que me faz, por mais insano que possa parecer, querer continuar o processo de investigação e pesquisa.

E é neste momento que fazemos a retrospectiva do caminho percorrido para lembrar o processo, o progresso e das pessoas com quem convivemos durante o curso de Mestrado.

Para mim tudo é bastante intenso, pois foi a retomada de um trabalho iniciado em 2003, na Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ, onde me redescobri entusiasmada pelos estudos.

A pesquisa, então, tornou-se para mim um habito no exercício profissional e uma vontade crescente. Naquele momento não pude concluir a dissertação e defender o tema que me é muito caro.

Retomando os estudos na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie tive a oportunidade de conhecer incansáveis e cuidadosos mestres, preocupados na transmissão de conhecimento e no árduo trabalho de nos fazer compreender o quanto a academia é importante para o desenvolvimento e crescimento da profissão. A eles, todos os professores que trabalham e constroem a qualidade do curso meus agradecimentos sinceros.

Gostaria de agradecer especialmente a Prof. Angélica Ap. Tanus Benatti Alvim, que incansável orientou e corrigiu inúmeras vezes o percurso até aqui e que sem seu apoio este momento não seria possível.

Aos professores que participaram como examinadores: José Geraldo Simões Junior, Maria Isabel Villac, e Sérgio Ferraz Magalhães pelas importantes contribuições no desenvolvimento do trabalho.

(7)

Sem nomeá-los com medo de esquecer alguém, mas com cada um deles na memória e no coração agradeço a todos os meus amigos, novos e antigos, do Rio de Janeiro, de São Paulo, de Serra Branca, de Osasco e do Mackenzie, que contribuíram e sempre me incentivaram na vida pessoal e profissional.

Aos meus superiores e colegas de trabalho pelo respeito e confiança que são fundamentais na construção do perfil e do exercício profissional.

A HAGAPLAN Engenharia e Serviços LTDA. pelo apoio nos primeiros meses do curso de mestrado, e pela confiança depositada até aqui, sem a qual seria inviável continuar na universidade.

A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – CAPES agradeço a concessão da bolsa sem a qual seria bastante difícil concluir o curso.

Ao MACKPESQUISA que através de recursos financeiros viabilizou a realização da pesquisa e a elaboração dos produtos gráficos finais.

Aos amigos e profissionais entrevistados Adalgisa Oliveira, Álvaro Mello, Ana Prado, Andrea Cardoso, Daniela Engel, Hélio Aleixo, Jorge Mário Jauregui, Luiz Paulo França Filho, Marcos Trojan, Sandra Jouan, Sandra Simões, Solange Cavalho, Tânia Braga Tatiana Terry, que trabalharam e ainda trabalham para melhorar a cidade para os menos afortunados.

E finalmente a toda minha família, em espacial a minha Mãe, Maria Antonieta e aos meus filhos Vitor e Augusto pelo apoio, incentivo e confiança que foram fundamentais em todos os momentos vividos até aqui, quer tenham sido bons ou ruins.

introdução

(8)

Uma casa deve ser como uma cidade ou não é verdadeiramente uma casa; uma cidade deve ser como uma grande casa – ou não é verdadeiramente uma cidade.

Aldo van Eyck

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RESUMO

Esta dissertação discute a questão dos assentamentos precários, particularmente as favelas, à luz dos projetos de urbanização implementados como parte das políticas públicas no contexto da democratização brasileira pós 1988. Entende-se que o projeto de urbanização de favelas é parte de um processo amplo de qualificação dos assentamentos precários e sua integração à cidade formal. Tem-se como objetivo geral a contribuição para a ampliação do conhecimento sobre a importância do projeto de urbanização para a integração dos assentamentos precários, particularmente as favelas, à cidade. Busca-se como objetivos específicos, discutir o papel do projeto como principal ferramenta a ser utilizada na construção da cidade dentro dos territórios precariamente ocupados e identificar os princípios norteadores utilizados para a formatação dos programas e dos projetos de urbanização de favelas que podem ser recomendados em outras experiências. Os Programas Favela Bairro no Rio de Janeiro (1994 - 2000) e Bairro Legal em São Paulo (2001 - 2004) são as principais referências desta pesquisa, uma vez que incorporam o projeto de urbanização como ferramenta de integração da favela à cidade. Estabelece-se uma relação entre o processo de urbanização, as origens dos assentamentos precários, tanto no Brasil como no Mundo, bem como as formas de tratamento da precariedade pelas políticas públicas. Procura-se compreender a favela, modalidade de assentamento precário desde sua origem no Brasil à situação recente. A partir do entendimento do conceito de direito à cidade, busca-se situar o panorama das políticas públicas relacionadas à urbanização de favelas no Brasil. Aprofunda-se a questão das favelas nas cidades do Rio de Janeiro e São Paulo e os programas Favela Bairro e Bairro Legal respectivamente. Com base nos estudos de caso dos projetos para urbanização das favelas Fernão Cardim, no Rio de Janeiro, e Gleba K, Heliópolis, em São Paulo, busca-se discutir os limites, os avanços e os desafios destes exemplos.

Recomenda-se alguns princípios norteadores de projeto, observados nos casos analisados, que podem ser replicados na formatação de programas similares para urbanização de favelas em outros contextos, e contribuir para a construção de cidade em assentamentos precários.

(10)

ABSTRACT

The master’s thesis discuss the matter surrounding precarious settlements, particularly the slums, from the point of view of the city planning projects implemented as part of the public policies in the context of the brazilian democratization post 1988 decade. Extends that city planning of slums is part of a broad process and assumptions underlying the qualification of precarious settlements and its integration to formal city. It has the general objective of contributing to the increases of knowledge about the importance of urbanization project for the integration of precarious settlements, particularly the slums, to formal city. Search-specific purposes are to discuss the role of the project as the main tool to be used in the construction of the city within the occupied territories precariously and identify the guiding principles used for the formatting of programs and slum upgrading projects that can be recommended in other experiences.The programs ‘’Favela do Bairro’’

in Rio de Janeiro (1994 - 2000) and ‘’Bairro Legal’’ in São Paulo (2001 - 2004) are the main references to this research, once they incorporate the project of city planning as a tool of integration of slum to the city. Establish now a relation between the process of city planning, the origins of precarious settlements, both Brazil and the world, and the forms of treatment of precariousness by the public policies. Seek to understand the slum, a mode of precarious settlement since his origin in Brazil to the recent situation. From understanding of concept of right to the city, seeks panorama place of public policies related to city planning of slums in Brazil. Deepens to matter of slums in the cities of Rio de Janeiro and São Paulo and the programs ‘’Favela do Bairro’’ and ‘’Bairro Legal’’

respectively. From this point the two examined cases withdrawn of project for city planning of slums Fernão Cardim, in Rio de Janeiro, and Gleba K, Heliópolis, in São Paulo aims discuss the boundaries, the advances, and challenges of these examples. Recommended some northeast principles of project, observed, in analyzed cases which can be replicated in formatting of similar programs to city planning of slums in other contexts and contributed to building the city in precarious settlements.

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LISTA DE FIGURAS CAPA

Montagem elaborada pela autora utilizando imagem do Morro Santa Marta datada de 1979. Fonte: Arquivo do Fotógrafo Fábio Costa.

CAPITULO 1

Figura 1.1: A vida em Veneza no século XVIII, a utilização dos canais.

Fonte: MUNFORD, 1982, seção ilustrada, p. 267.

Figura 1.2: A pequena Rua Collinwood, Bethnel Green, c. Londres, 1900.

Fonte: HALL, 2002, p. 19.

Figura 1.3: Intervenções realizadas em Paris de 1853 a 1870 - Haussmann. Fonte: PINHEIRO, 2002, p. 71.

Figura 1.4: Imagem da quadricula de Cerdà. Fonte:

<http://arquitetandoblog.wordpress.com/2009/05/20/idelfonso-cerda- plano-de-expansão-de-barcelona> acesso em janeiro de 2011.

Figura 1.5: Diagrama de Howard para a Cidade – Jardim. Cidades-jardim do Amanhã. Fonte: HALL, 2002, p. 110.

Figura 1.6: Letchword Garden City. Fonte: O conceito de Cidades- Jardins: uma adaptação para as cidades sustentáveis – ANDRADE, L.

M. S. de. Arquitextos 042.02 ano 04, novembro de 2003.Disponivel em:

<www.vitruvius.com.br>

Figura 1.7: Cidade de Welwyn a segunda cidade-jardim de Howard.

Fonte: MUNFORD, 1982, seção ilustrada IV, p. 521.

Figura 1.8: Casal de escravos forros em Porto Alegre. Fonte: Grupo formado na internet pelo Instituto de Direito Urbanístico – IBDU. Postado em 03/04/2011 por Edesio Fernandes. Nome do arquivo:

198986_213595541987954_100000125305758_903. Disponível em

<ibdu.org.br>.

Figura 1.9: Plano de intervenção realizado na cidade do Rio de Janeiro pelo Prefeitoa Pereira Passos entre os anos de 1902-1906. Fonte:

PINHEIRO, 2002, p. 133.

Figura 1.10: O projeto de uma grande avenida para o Rio de Janeiro, 1875. Fonte: PINHEIRO, 2002, p. 119.

Figura 1.11: Vista do centro da cidade do Rio de Janeiro, 1900.

Fonte: PINHEIRO, 2002, p. 127.

Figura 1.12: O Rio futuro, Cenas futuristas, charge de Raul, 1928. Fonte:

VAZ, 2002, p. 82.

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Figura 1.13: Montagem de imagens dos loteamentos Jardim Flor da Primavera e do Jardim Umuarama. Fonte: BONDUKI, N. e ROLNIK, R., 1979. p. 24 e 76.

Figura 1.14: Montagem de imagens internas da Favela da Rocinha.

Fonte: DAVIS, 2006.

Figura 1.15: Imagem Aérea da Favela da Rocinha. Fonte: Jornal O GLOBO, Rio de Janeiro.

Figura 1.16: Imagem do Morro da Providencia em 1968. Fonte: Arquivo Nacional. Fotografo Pinto. Acervo Correio da Manhã, disponível em:

<www.favelatemmemoria.com.br>.

Figura 1.17: Vista da favela para a cidade. Fonte: Imagem de capa KOWARICK, 2009.

Figura 1.18: Imagem do Assentamento Colinas D’Oeste. Fonte: Arquivo de Projeto e Obras da Secretaria de Habitação e Desenvolvimento Urbano de Osasco – SP, 2006.

Figura 1.19: Imagem aérea da Favela do Andaraí. Fonte: CONDE E MAGALHÃES, 2004.

Figura 1.20: Vista da ocupação urbana da sub-bacia Billings no distrito do Grajaú. Fonte: Pesquisa CNPq – ALVIM, 2009, cedida por Maria Teresa Diniz – SEHAB/PMSP.

CAPITULO 3

Figura 3.1: Casa de Canudos: Foto de Flávio de Barros, fotógrafo do exército. Fonte: VALLADARES, 2009, p. 31.

Figura 3.2: Vista Panorâmica do Morro da Favella. Fonte:

VALLADARES, 2009, p. 38.

Figura 3.3: Montagem das imagens da saudação da destruição do cortiço Cabeça de Porco pelo então Prefeito Barata Ribeiro na Revista Ilustrada. Fonte: ABREU, 2008. p. 51 e VALLADARES, 2009, p. 39.

Figura 3.4: Mapa da Cidade do Rio de Janeiro com a indicação das favelas existentes entre os anos de1948 e 1950. Fonte: ABREU, 2010, p. 108.

Figura 3.5: Vista do Parque Proletário da Gávea. Fonte: VALLADARES, 2009, p. 62.

Figura 3.6: Favelados acampam no Palácio das Laranjeiras em 1964.

Fonte: CONDE E MAGALHÃES, 2004, p. 46.

(13)

Figura 3.7: Imagem da capa do documento “Aspectos Humanos da Favela Carioca”, 1960. Fonte: Disponível em <www.favelatemmemória>

Acesso em abril de 2011.

Figura 3.8: Favela do Humaitá ou Macedo Sobrinho, 1958. Fonte:

ABREU, 2010, p. 106.

Figura 3.9: Imagem do Conjunto Cruzada de São Sebastião. Fonte:

Disponível em: <http://fotolog.terra.com.br/luizd:513>. Acesso em fevereiro de 2011.

Figura 3.10: Imagem de um conjunto habitacional para onde eram levados os moradores removidos das favelas. Fonte: CONDE E MAGALHÃES, 2004, p. 49.

Figura 3.11: Favela Brás de Pina ontem e hoje. Fonte: Arquivo Nacional / Correio da manhã Disponível em: <www.vivario.org.br>. Acesso em março de 2011.

Figura 3.12: Conjunto habitacional na Zona Oeste. Fonte: CONDE E MAGALHÃES, 2004, p. 50.

Figura 3.13: Mapa da Cidade do Rio de Janeiro indicando a Expansão das favelas entre os anos de 1900 e 1995. Fonte: VIAL, 2000, p. 33.

Figura 3.14: Mapa do Município do Rio de Janeiro com a indicação das favelas beneficiadas pelo Programa Favela Bairro. Fonte: PCRJ, 1999.

Disponível em: <www.rio.com.br>.

Figuras 3.15: Favela Praia da Rosa, antes e depois do Favela Bairro, 1998. Fonte: CONDE E MAGALHÃES 2004, p. 71.

Figura 3.16: Detalhes das escadas de acesso das Favelas Parque Boa Esperança, do Andaraí e da Casa Branca na Zona Norte beneficiadas pelo Programa Favela Bairro. Fonte: Acervo equipe PCRJ e CONDE E MAGALHÃES, 2004, p. 85 e 123

Figura 3.17: Reunião com a população. Fonte: CONDE E MAGALHÃES, 2004, p. 103.

Figura 3.18: Mapa do crescimento percentual das áreas das favelas entre os anos de 1999 e 2004.

Fonte: <www.armazemdedados.rio.rj.gov.br>

Acesso em agosto de 2010.

Figura 3.19: Linha do Tempo. Fonte: Concurso Morar Carioca - Prancha 01 da proposta da equipe da qual a autora participou em novembro de 2010.

introdução

(14)

CAPITULO 4

Figura 4.1: Imagem da situação precária das moradias nas favelas em São Paulo. Fonte: KOWARICK, 2009, p. 222.

Figura 4.2: Imagens do projeto para o Conjunto Jandira. Fonte:

FRANÇA, 2009.

Figura 4.3: Mapa de localização das habitações subnormais da cidade de São Paulo entre os anos de 1983 e1987. Fonte: FRANÇA, 2009. p.

116.

Figuras 4.4: Imagem das unidades habitacionais construídas e das obras de melhoria realizadas em Heliópolis por meio de mutirão na gestão da Prefeita Luiza Erundina em 1989. Fonte: Imagem de visita em Dezembro em 2010.e PMSP/GEU – FAVELAS, 1992.

Figura 4.5: Imagem de reunião com os moradores da favela Vila Bela Vista - Vila Prudente. Fonte: PMSP/GEU-FAVELAS, 1992.

Figura 4.6: Imagem de ocupação a beira córrego em São Paulo. Fonte:

Jornal “O Estado de São Paulo”.

Figura 4.7: Maluf decide verticalizar as favelas. Fonte: FRANÇA, 2009 p.129.

Figura 4.8: Imagem do Cingapura Lair Krähenbühl. Fonte: FRANÇA, 2009 p.130.

Figura 4.9: Mapa da evolução da área urbanizada na Região Metropolitana de São Paulo no período entre os anos 1905 e 1997.

Fonte: MEYER, R. M. P.; GROSTEIN, M. D. e BIDERMAN, 2004.

Figura 4.10: Mapa dos programas habitacionais da SEHAB em 2004.

Fonte: PMSP/SEHAB, 2004. p.82.

Figura 4.11: Imagem de um espaço público implantado pelo Bairro Legal.

Fonte: PMSP/SEHAB, 2004 p. 83.

Figura 4.12: Moradoras beneficiadas pelo Programa. Fonte: PMSP/

SEHAB, 2004. p. 83.

Figura 4.13: Imagem das unidades habitacionais construídas pelo Bairro Legal. Fonte: PMSP/SEHAB, 2004 p. 83.

Figura 4.14: Mapa dos programas habitacionais da SEHAB em 2008.

Fonte: PMSP/SEHAB, 2008.

Figura 4.15: Linha do tempo das favelas em São Paulo Fonte:

Montagem feita pela Autora.

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CAPITULO 5

Figura 5.1: Mapa de localização da favela Fernão Cardim na cidade do Rio de Janeiro. Fonte: Mapa com a divisão do município pelas Áreas de Planejamento com tratamento dado pela Autora.

Figura 5.2: A favela e a relação com o entorno imediato e seus acessos.

Fonte: Imagem aérea retirada do <www.maps.google.com.br> com tratamento dado pela Autora.

Figura 5.3: Imagem aérea da ocupação antes do projeto. Fonte: Acervo da equipe da PCRJ, 1996.

Figura 5.4: Imagem da ocupação à beira córrego antes da canalização.

Fonte: VIAL, 2000.

Figura 5.5: Croqui do projeto com anotações do Arquiteto Jorge Mário Jauregui. Fonte: VIAL, 2000.

Figura 5.6: Desenhos de projeto. Fonte: Acervo da equipe da PCRJ, 1996.

Figura 5.7: Imagem do conjunto habitacional ao final das obras. Fonte:

Acervo de equipe da PCRJ, 1996 e do Fotógrafo Fabio Costa.

Figura 5.8: Imagem de moradores das novas unidades habitacionais.

Fonte: Arcervo de equipe da PCRJ, 1996 e do Fotógrafo Fabio Costa.

Figura 5.9: Imagem da Via Canal ao final das obras. Fonte: Acervo da equipe da PCRJ e do Fotógrafo Fábio Costa.

Figura 5.10: Imagens das intervenções ao final das obras. Fonte: Acervo da equipe da PCRJ, 1996 e do Fotógrafo Fabio Costa.

Figura 5.11: Fragmento de planta cadastral. Fonte: PCRJ, 1996.

Disponível em: <www.rio.rj.gov.br>.

Figura 5.12: Imagens aéreas de Fernão Cardim antes e durante a intervenção. Fonte: Acervo da equipe da PCRJ, 1996.

Figura 5.13: Montagem com imagens atuais de Fernão Cardim. Fonte:

Imagens da visita em novembro 2010, arquivo da autora.

Figura 5.14: Mapa de localização da Favela do Heliópolis na cidade de São Paulo, manipulado pela autora. Fonte: <www.prefeitura.sp.gov.br>

Figura 5.15: Localização da Gleba K em São Paulo. Fonte: Montagem a partir de imagem aérea retirada do <www.maps.google.com.br>.

Figura 5.16: Foto aérea com a indicação de algumas glebas da Favela do Heliópolis em São Paulo. Fonte: PMSP, 2008.

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Figura 5.17: Planta da gleba com o limite dos setores sobre levantamento planialtimetrico cadastral elaborado a época do projeto para urbanização. Fonte: Acervo do projeto de urbanização de Gleba K, elaborado pelo Consórcio Núcleo / Planave, 2004.

Figura 5.18: Imagens do conjunto edificado na Estrada das Lagrimas.

Fonte: Acervo do Projeto de Urbanização da Gleba K, elaborado pelo Consórcio Núcleo/Planave, 2004.

Figura 5.19: Imagens de algumas vias internas da Gleba K. Fonte:

Acervo do Projeto de Urbanização da Gleba K, elaborado pelo Consórcio Núcleo / Planave, 2004.

Figura 5.20: Imagens da Av. Almirante Delamare, do Hospital Heliópolis e das habitações edificadas na gestão da Prefeita Luiza Erundina.

Fonte: Imagem de visita há época do projeto em 2003 e em Dezembro de 2010.

Figura 5.21: Imagem das unidades a beira córrego. Fonte: Acervo do Projeto de Urbanização da Gleba K, elaborado pelo Consórcio Núcleo/Planave, 2004.

Figura 5.22: Montagem com as imagens do Espaço Jovem, do Telecentro e da Sede de UNAS. Fonte: Acervo do Projeto de Urbanização da Gleba K, elaborado pelo Consórcio Núcleo/Planave, 2004.

Figura 5.23: Planta geral de implantação da Alternativa 02. Fonte:

Acervo do Projeto de Urbanização da Gleba K, elaborado pelo Consórcio Núcleo/Planave, 2004.

Figura 5.24: Planta de implantação do Setor Mina 01, etapa projeto executivo. Fonte: Acervo do Projeto de urbanização da Gleba K, elaborado pelo Consórcio Núcleo/Planave, 2004.

Figura 5.25: Imagens do CEU, das unidades em construção, e da canalização do córrego Independência. Fonte: Revista da Folha de São Paulo 15 a 21 de agosto de 2010 e registro das obras de canalização na visita em dezembro de 2010.

Figura 5.26: Montagem com planta indicativa das intervenções propostas por HABI / SEHAB em 2010 e imagens atuais do interior da Gleba K.

Fonte: Planta cedida por Arquiteta Vanessa Padiá, e imagens da vista em dezembro de 2010

Figura 5.27: Planta indicativa das principais intervenções e dos pontos de integração de Fernão Cardim com a cidade formal. Fonte: Imagem retirada do Google Earh com tratamento dado pela autora.

Figura 5.28: Planta indicativa das principais intervenções e dos pontos de integração da Gleba K com a cidade formal. Fonte: Imagem retirada de PMSP, 2008 com tratamento dado pela autora.

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LISTA DE SIGLAS

AEIS - Área de Especial Interesse Social AP - Área de Planejamento

APP - Área de Proteção permanente

BID - Banco Interamericano de Desenvolvimento BNH - Banco Nacional de Habitação

CA - Cities Alliance

CASMU - Comissão de Assistência Social Municipal CBUQ - Concreto Betuminoso Usinado a Quente

CDHU - Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo

CDRU - Concessão de Direito Real de Uso CDS - City Development Strategy

CEDAE - Companhia Estadual de Águas e Esgotos - RJ CEF - Caixa Econômica Federal

CEPAM - Centro de Estudos e Pesquisas de Administração Municipal

CEBES - Coordenadoria do bem Estar Social

CEDES - Conselho Estadual de Desenvolvimento Social CEM - Centro de Estudos da Metrópole

CEU - Centro de Convivência Educação e Cultura CFMH - Conselho do Fundo Municipal de Habitação CFUL - Cada família Um Lote

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CHISAM - Coordenação da Habitação de Interesse Social da Área Metropolitana do Grande Rio

CIAM - Congressos internacionais de Arquitetura CME - Comissão de Energia Elétrica

CMH – Conselho Municipal de Habitação

CMO - Conselho Municipal do Orçamento Participativo CMP - Central dos Movimentos Populares

COBES - Coordenadoria do Bem Estar Social

CODESCO - Companhia de Desenvolvimento de Comunidades COHAB - GB Companhia de Habitação da Guanabara

COHAB - RJ Companhia de Habitação do Rio de Janeiro COHAB - SP Companhia de Habitação de São Paulo

COMLURB - Companhia Municipal de Limpeza Urbana - cidade do Rio de Janeiro

CONAM - Confederação Nacional das Associações de Moradores CND – Conselho Nacional de Desenvolvimento

CRU - Coordenadoria de Orientação e Regularização Urbanística das AEIS – cidade do Rio de Janeiro

DEM - Partido Democrata

DOM - Diário Oficial do Município DSS - Divisão de Serviços Social EGJ - Espaço gente jovem

EIA - Estudo de Impacto Ambiental

(19)

EIV - Estudo de Impacto de Vizinhança EMURB - Empresa Municipal de Urbanização ETE - Estação de Tratamento de Esgotos EUA - Estados Unidos da América

FAFEG - Federação das Associações das Favelas do Estado da Guanabara

FAFERJ - Federação das Associações de Favelas do Estado do Rio de Janeiro

FEBEM - Fundação do Bem Estar do Menor FCP - Fundação Casa Popular

FGTS - Fundo de Garantia por Tempo de Serviço FHC - Fernando Henrique Cardoso

FIPE - Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas FJP - Fundação João Pinheiro

FMH – Fundo Municipal de Habitação

FUNAPS - Fundo de Atendimento à População em habitação Subnormal

GEAP - Grupo Especial de Assentamentos Populares GEORIO - Companhia Geotécnica do Rio de Janeiro GEU-Favelas - Grupo Executivo de Urbanização HBB - Habitar Brasil/BID

HABI - Superintendência de Habitação Popular

HABISP – Sistema de Informações de Habitação Social de São Paulo

(20)

IAB/RJ - Instituto dos Arquitetos do Brasil seção Rio de Janeiro IAP - Institutos de Aposentadorias e Pensões

IAPAS - Instituto de Administração da Previdência e Assistência Social

IBAM - Instituto de Administração Municipal

IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBH - Instituto Brasileiro de habitação

INSTITUTO DATABRASIL - Ensino e Pesquisa IPLAN - Instituto Municipal de Planejamento

IPLANRIO - Empresa Municipal de Informática e Planejamento IPP - Instituto Pereira Passos

IPT - Instituto de Pesquisas Tecnológicas IPTU - Imposto Predial e Territorial urbano

LABHAB - Laboratório de Habitação e Assentamento Humanos da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo

LIMPURB - Departamento de Limpeza Urbana MNLM - Movimento Nacional de Luta pela Moradia MNRU - Movimento Nacional pela Reforma Urbana MPO - Ministério de Planejamento e orçamento MUD - Movimento Universitário de Desfavelamento OGU - Orçamento Geral da União

ONG - Organização Não Governamental ONU - Organização das Nações Unidas

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PAC - Programa de Aceleração do Crescimento PAIH - Programa de Ação Imediata em Habitação PAM - Posto Municipal de Saude

PAR - Programa de Arrendamento Residencial PCRJ - Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro PDE - Plano Diretor Estratégico

PGU - Programa de Gestão Urbana das Nações Unidas PMSP - Prefeitura Municipal de São Paulo

PMH - Plano Municipal de habitação

PNDU – Política Nacional de Desenvolvimento Urbano PNH - Política Nacional de Habitação

POUSO - Posto de Orientação Urbanística e Social PRE - Plano Regional Estratégico

PREZEIS - Programa de Regularização de ZEIS

PROAP - Programa de Urbanização de Assentamentos Populares PROFACE - Programa de Favelas da CEDAE

PROFAVELA - Programa Municipal de Regularização de Favelas PROFILURB - Programa de Financiamento de Lotes Urbanizados PRÓ-MORADIA - Programa de Atendimento Habitacional

PRÓ-MORAR - Programa de Erradicação de Submoradia

PRÓ-SANEAMENTO - Programa de Saneamento para População de Baixa Renda

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PROSANEAR - Programa de Saneamento para Populações de Baixa Renda

PROVER - Programa de Melhoramentos em favelas

PSH - Programa de Subsidio à Habitação de Interesse Social PSDB - Partido Social Democrata do Brasil

PT - Partido dos Trabalhadores PU - Pontifícia Universidade Católica

RIOLUZ - Companhia Energia e Iluminação Pública

RIOURBE - Empresa Municipal de Urbanização – cidade do Rio de Janeiro

SABESP - Companhia Estadual de Saneamento Básico de São Paulo

SAGMACS - Sociedade de Analise gráficas e Mecanograficas Aplicadas aos Complexos Sociais

SBPE - Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimos SEAC - Secretaria de Ação Comunitária.

SEBES - Secretaria do Bem Estar Social

SEADE - Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados SEHAB - Secretaria de Habitação – Município de São Paulo SERFHAU - Serviço Federal de Habitação e Urbanismo SFH - Sistema Financeiro de Habitação

SFI - Sistema Financeiro Imobiliário

SMDS - Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social

(23)

SMH - Secretaria Municipal de Habitação SMU - Secretaria Municipal de Urbanismo

SNHIS - Sistema Nacional de Habitação de Interesse Social TPU - Termo de permissão de Uso

UNAS - União de Núcleos de Associações e Sociedade de Moradores de Heliópolis e São João Clímaco

UNMP - União Nacional por Moradia Popular UPP - Unidade de Policia Pacificadora

USAID - United States Agency for International Development VHP - Vilas de Habitação Provisória

ZEIS - Zonas Especiais de Interesse Social

(24)

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO 1

1. URBANIZAÇÃO E ASSENTAMENTOS PRECÁRIOS NO BRASIL

7

1.1 A CIDADE NO SÉCULO XIX NA EUROPA E AS PRIMEIRAS AÇÕES SOBRE A PRECARIEDADE

9

1.2 ESPECIFICIDADES DO PROCESSO DA

URBANIZAÇÃO BRASILEIRA E OS ASSENTAMENTOS PRECÁRIOS

18

1.2.1 A formação dos Núcleos Urbanos: antecedentes 18 1.2.2 Urbanização brasileira no século XX e os

assentamentos precários

20

1.3 MAS AFINAL O QUE SÃO ASSENTAMENTOS PRECÁRIOS?

29

1.3.1 Favela: uma modalidade de assentamento precário

31

1.3.2 Dados recentes das favelas nos grandes centros urbanos brasileiros

38

2. ASSENTAMENTOS PRECÁRIOS E POLÍTICAS PÚBLICAS: A URBANIZAÇÃO DE FAVELAS COMO UM DIREITO À CIDADE

43

.1 DO DIREITO À MORADIA AO DIREITO À CIDADE 45 2.2 POLÍTICA HABITACIONAL BRASILEIRA:

ANTECEDENTES

49

2.3 A CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988 E AS

ALTERAÇÕES NOS RUMOS DA POLÍTICA

HABITACIONAL

54

2.3.1. A urbanização de favelas como parte da política habitacional brasileira

64

3. O PROGRAMA FAVELA BAIRRO NO RIO DE JANEIRO

70

(25)

3.1. AS FAVELAS NA CIDADE DO RIO DE JANEIRO 72 3.2. O PROGRAMA FAVELA BAIRRO: CONCEITOS,

ESTRUTURA E PROJETOS PARA URBANIZAÇÃO DE FAVELAS

95

3.2.1 O Projeto de Urbanização como instrumento do Programa Favela Bairro

105

3.2.2. Favela Bairro: (Des) continuidades e desdobramentos recentes

110

4. SÃO PAULO E O PROGRAMA BAIRRO LEGAL 116

4.1. AS FAVELAS NA CIDADE DE SÃO PAULO 118

4.2. O PROGRAMA BAIRRO LEGAL: CONCEITOS, ESTRUTURA E PROJETOS PARA URBANIZAÇÃO DE FAVELAS

137

4.2.1 O Projeto de Urbanização como instrumento do Programa Bairro Legal

145

4.2.2. Bairro Legal: (Des) Continuidades e desdobramentos recentes

147

5. ESTUDOS DE CASOS: FERNÃO CARDIM (RJ) E GLEBA K, HELIÓPOLIS (SP)

153

5.1. CRITÉRIOS DE ESCOLHA DOS CASOS 154

5.2. METODOLOGIA DE ANÁLISE 156

5.3. O PROJETO PARA A URBANIZAÇÃO DA FAVELA FERNÃO CARDIM

159

5.3.1. Leitura Urbana 159

5.3.2. Concepção, propostas e intervenções previstas 166

5.3.3. Participação social 172

5.3.4 Situação fundiária 174

5.3.5. Situação atual 176

introdução

(26)

5.4. O PROJETO PARA URBANIZAÇÃO DA GLEBA K - FAVELA HELIÓPOLIS EM SÃO PAULO

179

5.4.1 Leitura Urbana 179

5.4.2. Concepção, Propostas e intervenções Previstas 195

5.4.3 Participação social 202

5.4.4. Situação fundiária 204

5.4.5. Situação atual 205

5.5. PRINCÍPIOS NORTEADORES PARA O PROJETO DE URBANIZAÇÃO DE FAVELAS

209

5.5.1. Fernão Cardim 209

5.5.2 Gleba K – Heliópolis 213

5.5.3 Princípios norteadores 216

5.6. PROJETO PARA URBANIZAÇÃO DE FAVELAS:

LIMITES E DESAFIOS

222

CONSIDERAÇÕES FINAIS 228

BIBLIOGRAFIA 235

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INTRODUÇÃO

Esta dissertação discute a questão dos assentamentos precários, particularmente as favelas, à luz dos projetos de urbanização implementados como parte das políticas públicas no contexto da democratização brasileira pós 1988.

Entende-se que o projeto de urbanização de favelas é parte de uma política publica que tem como pressuposto a qualificação dos assentamentos precários e sua integração à cidade formal. Considera-se que a melhoria das condições de vida da população que habita as favelas possibilita a ampliação das oportunidades e, ao mesmo tempo, contribui para o desenvolvimento urbano da cidade contemporânea.

De um modo geral, a sociedade brasileira sempre teve dificuldades para aceitar as ocupações “informais” que surgem nas cidades, pois são consideradas bolsões de pobreza, insalubridade1 e perigo, cujos padrões urbanísticos e estéticos fogem àqueles

“aceitáveis”. Favelas, cortiços, palafitas, dentre outras, são compreendidas como áreas marginalizadas e não como alternativa de moradia para as famílias que não têm acesso ao mercado e ao atendimento formal de habitação, infraestrutura, bens e serviços públicos.

Entre as décadas de 1960 e 1970, as ações do governo federal, frente às áreas ocupadas precariamente, eram voltadas à remoção das famílias e à provisão de habitação por meio da implantação de conjuntos habitacionais em áreas distantes dos

1 Por insalubridade entende-se a falta de condições de ventilação e iluminação naturais, bem como a ausência de água tratada e rede coletora pública dos efluentes sanitários produzidos, que são lançados nas famosas valas a céu aberto.

introdução

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centros urbanos e da oferta de trabalho, sem a infraestrutura adequada e com inúmeras dificuldades de acessibilidade.

A opção pela urbanização das favelas surge na década de 1980, como alternativa frente aos padrões estabelecidos pelo governo federal até então, que de certa maneira não atenderam as demandas e, contribuíram para aumentar o número de áreas precárias encontradas em todo o país.

A partir da promulgação da Constituição Federal de 1988, que dedica um capítulo para a política urbana e outro para a questão habitacional, os municípios passam a ter a responsabilidade pela ordenação do uso do solo urbano e pela provisão habitacional.

Esta configuração da “Carta Magna” brasileira é a convergência de inúmeras aspirações da população organizada em movimentos e organizações sociais que reivindicavam ações mais efetivas para a solução da precariedade da moradia no país. Ao mesmo tempo, reforça o papel da cidade como locus privilegiado de habitação, ampliando a autonomia municipal. Afinal, cerca de 80% da população brasileira vivia, ao final dos anos 1980, em centros urbanos.

A figura do Estado do Bem Estar Social dá lugar à possibilidade de uma cidade democrática, onde todos podem atuar na solução da questão habitacional. Ao mesmo tempo em que são incrementadas as possibilidades de atuação do poder público sobre a cidade, a intensa urbanização ocorrida nos últimos 50 anos contribuiu para o aumento dos assentamentos precários, a escassez dos recursos naturais e econômicos.

Frente a dimensão e o nível de consolidação que diversas áreas apresentavam, a ausência de políticas habitacionais efetivas, principalmente por parte do governo federal, e escassez de recursos financeiros para a provisão de unidades habitacionais para atender a crescente demanda, alguns municípios trataram de atuar sobre os territórios precariamente ocupados, considerando-os como alternativa habitacional e que deveriam ser integrados à cidade formal.

Importantes programas foram implementados, no final dos anos de 1980, tendo como base inicial a implantação de infraestutura básica de água e esgoto para, em seguida, evoluírem incorporando outros elementos como sistema viário e, finalmente, a urbanização completa com a reconfiguração de inúmeras áreas.

Neste contexto, destaca-se o Programa Favela Bairro que foi implementado no município do Rio de Janeiro entre os anos de 1994 e 2000, sendo considerado pioneiro tanto em

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3 seu formato inovador, quanto na abrangência das ações no sentido da urbanização para integração das favelas à cidade.

Dez anos depois, entre 2001 e 2004, o Programa Bairro Legal em São Paulo, resgata alguns princípios do formato do Programa Favela Bairro, na abrangência das ações nas favelas beneficiada, porém com número menor de favelas urbanizadas.

Particularmente dentro dos programas anotados acima, o projeto é o elemento que se destaca como principal ferramenta utilizada nas intervenções para a reconfiguração dos assentamentos precários.

O projeto de urbanização no âmbito dos programas é a ferramenta utilizada para a materialização das políticas e das diretrizes idealizadas. Entende-se que o projeto perpassa as diversas fases necessárias à urbanização de um assentamento precário, como a negociação com a população para a identificação das demandas e alternativas; a identificação e definição dos limites da ocupação, dos elementos estratégicos a serem implementados; a determinação das melhores soluções técnicas e o dimensionamento dos custos para a efetivação da urbanização e, consequentemente, a inserção das favelas no conjunto urbano e social da cidade.

Esta dissertação tem como objetivo geral a contribuição para a ampliação do conhecimento sobre a importância do projeto de urbanização com vistas a integração dos assentamentos precários, particularmente das favelas, à cidade.

A partir de dois estudos de casos - o projeto de urbanização da Favela Fernão Cardim no âmbito do Programa Favela Bairro no Rio de Janeiro e o projeto para a Gleba K da Favela do Heliópolis, elaborado no contexto do Programa Bairro Legal em São Paulo – tem-se, como objetivos específicos: a) discutir o papel do projeto como importante ferramenta a ser utilizada na construção da cidade dentro dos territórios precariamente ocupados e, b) identificar os princípios norteadores utilizados para a formatação dos programas e dos projetos de urbanização de favelas que podem ser recomendados em outras experiências.

A pesquisa tem como recorte temporal o período entre a década de 1980 – época que emergem as primeiras experiências de urbanização de favelas com a abertura política que culminou com a promulgação da Constituição Federal de 1988 - e os anos 2000,

introdução

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particularmente 2004, quando se encerra a experiência do projeto de urbanização da Gleba K da Favela do Heliópolis em São Paulo.

Embora este recorte seja central, a pesquisa busca entender os antecedentes da relação entre a urbanização e a intensificação dos assentamentos precários, com ênfase no contexto brasileiro, e o percurso das políticas urbanas, particularmente as de habitação, que sempre se voltaram à remoção das favelas e à construção de conjuntos habitacionais como solução para o enfrentamento dos assentamentos precários como ponto de partida para a análise dos casos pretendidos.

Assim, a dissertação está estruturada em cinco capítulos:

O capitulo 01 apresenta as principais definições e conceitos relacionados aos assentamentos precários, contextualizando a formação dos assentamentos precários e a urbanização. Inicialmente, busca-se compreender qual é a relação entre o processo de urbanização e a existência dos assentamentos precários no mundo e no Brasil, apresentando os conceitos, definições e suas diversas modalidades, e o que representam para o desenvolvimento urbano na sociedade brasileira, com destaque para a modalidade favela.

No capítulo 02 são apresentados os aspectos relativos ao percurso das políticas públicas habitacionais implementadas no país pós Constituição Federal de 1988 e a urbanização de favelas como importante alternativa da integração destes territórios à cidade.

Os capítulos 03 e 04 tratam dos programas para a urbanização de favelas que se destacaram nas cidades abordadas na dissertação: o Programa Favela Bairro no Rio de Janeiro e o Programa Bairro Legal em São Paulo. Em ambos os capítulos, optou-se por sintetizar as origens das favelas das duas cidades e as principais políticas implementadas ao longo do tempo para, em seguida, discorrer sobre as particularidades de cada Programa, dando ênfase à formatação dos projetos de urbanização.

O capitulo 05 apresenta os estudos de casos escolhidos para uma análise mais aprofundada: Fernão Cardim, implementado no Rio de Janeiro entre os anos de 1995 e 1996, e Gleba K na favela do Heliópolis em São Paulo, em 2004. A partir da observação das semelhanças e diferenças, da leitura e da análise de cada caso, recomendam-se alguns princípios norteadores para a formatação dos programas e projetos para a urbanização de favelas que podem ser considerados em outros casos semelhantes.

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5 Nas considerações finais, apresenta-se uma síntese da pesquisa, procurando reforçar a partir das análises realizadas, que o projeto de urbanização é um importante instrumento que pode contribuir para a construção de cidade nas favelas brasileiras.

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7

1 URBANIZAÇÃO E ASSENTAMENTOS PRECÁRIOS NO BRASIL

Estudar os assentamentos precários em áreas urbanas pode ser correspondente a se embrenhar por um amplo espectro de questões e temas que envolvem as cidades, com abordagens de acordo com vários pontos de vista. Diversos campos de estudo têm discutido a problemática dos assentamentos precários, dentre elas: a filosofia, a política, a ciência política, a sociologia, a psicologia social e ambiental, a antropologia, a geografia, a administração pública, a arquitetura e o urbanismo.

Os estudos produzidos têm o intuito de apreender e aprender com as práticas de uso e ocupação do solo, o modo de vida dos ocupantes destes territórios que, por mais de 100 anos, vem se consolidando no imaginário e no cotidiano dos centros urbanos no Brasil.

Devido à complexidade do tema é impossível tratá-lo apenas por meio de uma visão essencialmente da arquitetura e do urbanismo. Mesmo no âmbito desta pesquisa que é fruto de reflexões que se situam nestes campos de conhecimento, é importante considerar também as diversas abordagens.

A diversidade e a complexidade implícita na abordagem contemporânea dos assentamentos precários podem ser encontradas em diversas publicações que foram divulgadas recentemente: as organizadas pela Organização das Nações Unidas – ONU, no contexto do Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos –

urbanização e

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Un-Habitat; no polêmico livro de autoria de Mike Davis, “Planeta Favela” (2006), que trata de forma bastante ampla e pessimista sobre o tema; no conjunto de trabalhos produzidos pelo Ministério das Cidades, entre outros.

Sem pretender esgotar o tema em todos os seus aspectos, este capítulo pretende apresentar um quadro geral e as principais questões relacionadas aos assentamentos precários no Brasil.

Busca-se, inicialmente, compreender qual é a relação entre o processo de urbanização e a existência dos assentamentos precários no mundo e no Brasil. E posteriormente, apresentar os conceitos e definições para estes assentamentos e suas diversas modalidades, com destaque para a favela, de grande valor representativo para o desenvolvimento urbano da sociedade brasileira. Além de informações estatísticas da atual situação das favelas nos grandes centros urbanos do país.

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1.1 A CIDADE NO SÉCULO XIX E AS PRIMEIRAS AÇÕES SOBRE A PRECARIEDADE

Durante o curso da história, a cidade tem sido associada a diversos aspectos como: o progresso econômico e social; a promoção da alfabetização e educação; melhoria do estado geral de saúde; a possibilidade de maior acesso aos serviços sociais e equipamentos públicos; a participação na produção e usufruto da cultura, além da participação política e religiosa, entre outros.

A cidade, considerada o lugar das trocas, das atividades mistas e do encontro, na visão de Magalhães (2003), é também o local do convívio entre as diferenças e da construção do coletivo. (Figura 1.1)

A noção de cidade de Munford (1982) é otimista, pois enxerga na cidade a possibilidade da melhoria de vida por meio da discussão do sistema de regras intergrupais, ou dos programas de aplicação de investimentos sociais. Melhor dizendo, é o lugar onde as transformações sociais são possíveis, pois é onde existem oportunidades e inúmeras possibilidades de relações.

Nas palavras deste autor (ibidem apud KOHLSDORF, 1996), a cidade é o lugar da história, é onde estão articuladas as funções simbólicas, as atividades de troca (urbs), as atividades de administração (civitas), e a polis, que originará a política; portanto, onde serão formadas as relações de civilidade e cortesia.

A cidade é a grande síntese da sociedade, conforme assinala Ianni (1999, apud ABASCAL; BRUNA e ALVIM, 2008) ao mencionar que é nas cidades que se desenvolvem e refinam as sociedades ao emergirem processos e estruturas próprias à sociabilidade. É a cidade o pólo atrativo de energias que, concentrando-as, faz germinar idéias, movimentos artísticos e culturais, ideologias e revoluções. Desta forma, podemos considerar que é na cidade que acontecem as transformações de território, tanto físicas quanto dos habitantes, as ditas transformações sociais.

Embora a história situe a cidade como o palco e o lugar das mudanças, das oportunidades, das produções culturais, econômicas e das grandes rupturas, foi principalmente no século XIX, com a intensificação da urbanização no contexto mundial, que a cidade também passa a ser considerada o campo das desigualdades sociais e a síntese da pobreza.

urbanização e

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Foi principalmente com a Revolução Industrial, ocorrida nos séculos XVIII e XIX1, que a configuração das cidades passou a apresentar um lado com as oportunidades sociais e econômicas, e outro, com problemas intrínsecos à forma do processo de urbanização, decorrente das intensas mudanças.

Diversos estudos afirmam que o crescimento da população urbana mundial passa a ser expressivo nesse momento, particularmente na Inglaterra, devido às transformações produtivas advindas da Revolução Industrial. O complexo urbano tinha como principais elementos: a fábrica, a estrada de ferro e o cortiço2, sendo este último relativo ao fato de mais de 2000 mil pessoas encontrarem-se reunidas dentro de uma área que podia ser designada com um nome próprio. A fábrica passa a ser o núcleo do novo organismo urbano: “Pode-se admitir que, dado o ritmo com que o industrialismo se introduziu no Mundo Ocidental, o problema de construir cidades adequadas era quase insolúvel”.

(MUNFORD, 1982. p. 507)

A necessidade de mão-de-obra provocada pelas mudanças no sistema produtivo e na economia fez um contingente de população migrar para as áreas urbanas, provocando um adensamento excessivo em áreas próximas às ofertas de emprego e renda, que por sua vez, resultou em agrupamentos e ocupações desordenadas e caóticas. Habitações operárias instaladas em vias estreitas, (Figura 1.2) sem iluminação e ventilação, com alta densidade, associadas aos baixos salários trouxeram como consequência a desnutrição e as epidemias, como as de cólera em 1831 na Inglaterra, onde aproximadamente 30 mil pessoas morreram, e a Gripe Espanhola na Europa, que por sua vez, também atingiu o Brasil em 1918, período da Primeira Guerra Mundial, matando 14.348 pessoas, sendo 2000 só em São Paulo. (KOLATA, 2002)

Nessa ocasião, várias cidades européias experimentaram um expressivo crescimento demográfico que, segundo Choay (2003, p. 1:3), se explica com a afluência da população do campo para a cidade, em decorrência de um desenvolvimento urbano sem precedentes.

1 A Revolução Industrial foi uma profunda mudança no processo produtivo,nas relações sociais e no desenvolvimento econômico, iniciada a partir da introdução de inovações tecnológicas. Este processo de transformação teve inicio na Inglaterra no século XVIII, sendo disseminado em todo o mundo durante o século XIX.

2 Cortiço, como Munford (1982) trata, são as casas de má fama, como eram conhecidas as moradias das classes trabalhadoras ao final do século XVIII e do XIX. Cada região tinha o seu modelo: Prédios altos em Glasgow, Edimburgo e Paris ou edifícios de 02 andares, com quatro, cinco ou até mesmo 06 quartos, em Londres, Brooklin ou na Filadélfia, ou as enormes armadilhas de madeira, chamadas de three-deckers, na Nova Inglaterra.

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11 Figura 1.1: A vida em Veneza no século XVIII, a utilização dos canais. Fonte:

MUNFORD, 1982, seção ilustrada, p. 267.

Figura 1.2: A pequena Rua Collinwood, Bethnel Green, c. Londres, 1900.

Fonte: HALL, 2002, p. 19.

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É quase uma reação em cadeia, um fenômeno que segue a ordem e o nível de industrialização das cidades. Londres, por exemplo, passou de 864.845 habitantes em 1801 para 4.232.118 em 1891, esta variação chega a cinco vezes em menos de um século. Entre os anos 1800 e 1895, o número de cidades com mais de 100 mil habitantes passa de duas para 30 na Inglaterra. No mesmo período, o número de cidades com 100 mil habitantes passa de duas para 28 na Alemanha, já na França passa de três para 12 e, nos Estados Unidos, onde em 1800 não havia nenhuma cidade com 100 mil habitantes, passa a ter seis cidades em 1850. (Ibidem)

Ainda naquele momento uma nova ordem é criada na adaptação das velhas cidades européias à nova sociedade urbana, rompendo com o processo tradicional. Um fenômeno que se repete em todas as cidades: a adaptação e a renovação à nova realidade. Para Choay (Ibidem), a cidade do século XIX começa a tomar forma própria, provocando um movimento novo de observação e reflexão.

Assim, emergem as primeiras tentativas de controlar os efeitos perversos da urbanificação3 do território por meio da implementação de marcos legais e reformas estruturais nos principais centros urbanos. “Entre 1820 e 1900, a destruição e a desordem, dentro das grandes cidades, é semelhante àquela de um campo de batalha, proporcional à própria extensão de seu equipamento e ao poder das forças empregadas”

(MUNFORD, op. cit. p. 484).

Na França, para os prefeitos Calude-Philibert de Rambuteau (1833-1848) e Berger (1848- 1853), a rua larga e reta já era considerada superior à sinuosa e estreita. Na urbanística francesa a percée4 já era aplicada, antes mesmo de Haussmann5 (PINHEIRO, 2002). Em 1841, o Estado francês instituiu a lei da desapropriação que permitiu a execução de grandes obras públicas.

3 Segundo Choay (2003) este é um termo proposto por Bardet para designar o fenômeno espontâneo do desenvolvimento urbano, que acontecia no século XVIII em oposição à expressão organizada que o urbanismo pretende ser e é.

4 Interpreta-se percée como sendo eixos de interligação entre as vias principais e as vias de expansão da cidade.

5 George-Eugene Haussmann, advogado, Barão de Haussmann, foi prefeito do Sena, nomeado por Napoleão III entre os anos de 1853 e 1870, responsável pela modernização da cidade, transformando-a na cidade mais importante da Europa naquele período. Durante 17 anos, com a colaboração de arquitetos e engenheiros renomados de Paris na época, o prefeito Geórge- Eugenne Haussmann planejou uma nova cidade, implantando um novo traçado viário, modificando parques parisienses e criando outros, construindo vários edifícios públicos. Melhorou também o sistema de distribuição de água e criou a grande rede de esgotos, quando em 1861 iniciou a instalação dos esgotos entre La Villette e Les Halles, supervisionada pelo engenheiro Belgrand (PINHEIRO, 2002).

Referências

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