AS FORMAS DE FINANCIAMENTO DO DÉFICIT
PÚBLICO E O PROCESSO INFLACIONÁRIO:
"
ANTÔNIO HELDER MEDEIROS REBOUÇAS
AS FORMAS DE FINANCIAMENTO DO DÉFICIT
PÚBLICO E O PROCESSO INFLACIONÁRIO: UMA
EVIDÊNCIA PARA O CASO BRASIL
Dissertação
apresentada
à
Coordenação do Curso de Mestrado
em
Economia
CAEN
da
Universidade
Federal
do Ceará
-UFC,
como
requisito
parcial
à
obtenção do Título de Mestre em
Economia.
Esta dissertação foi submetida como parte dos requisitos necessários a obtenção
do Grau de Mestre em Economia, outorgado pela Universidade Federal do Ceará,
e encontra-se à disposição dos interessados na Biblioteca Central da referida
Universidade.
A citação de qualquer trecho desta Dissertação é permitida, desde que seja feita
de conformidade com as normas da ética científica.
Antônl
DISSERTAÇÃO APROVADA EM 22 DE ABRIL DE 1994.
Prof. Osmundo Evangelista
ebouças
Orientador da Tese
(
AzyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
Deus
Aos meus pais
AGRADECIMENTOS
zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAToda tarefa de cunho científico, por exigir método e trabalho de pesquisa, requer ampla dedicação pessoal.
Apesar do esforço individual, os objetivos perseguidos não se concretizam de forma solitária. A participação de outros estudiosos, nesse contexto, tem primordial relevância.
Assim, a realização da presente Dissertação de Mestrado é resultado também do auxilio valioso do corpo docente do CAEN, quer seja pelo conteúdo teórico adquirido pelo autor, quer seja pelas consultas formuladas.
Agradeço, portanto, ao Professor Osmundo Rebouças pela orientação e pela visão prática em tomo do tema, ao Professor Emerson Marinho pelo peculiar e indispensável trabalho na formulação do segmento quantitativo e ao Professor Carlos Magno pelo rigor teórico de suas considerações
Reconheço, adicionalmente, o estímulo dado pelos professores Assuero Ferreira, Ronaldo Arraes e Ivan Castellar, para a realização desta Dissertação.
Ressalto, ainda, o convívio saudável com os alunos Cruz, Chico Marcelo, Wander, Falcão, Daniella, Flávio Ataliba, Sales, João Mário e Paulo Marcelo.
Não poderia deixar de lembrar a figura do Kleber, verdadeira difusão informal da ciência econômica.
R E S U M OihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
o
zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAobjetivo desta dissertação é analisar o processo inflacionário no Brasil levando-seem conta os mecanismos tradicionais de financiamento do setor público: moeda e títulos. A
análise contempla também um estudo empírico aplicado
à
economia brasileira. O enfoque considera principalmente os mercados monetário e de títulos públicos, admitindo-se que osagentes econômicos formam suas expectativas inflacionárias através da sinalização das taxas de
A B S T R A C TzyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
The objective of this thesis is to examine the inflationary process in Brazil, taking
into account the financing mechanisms of the public sector, that is, money and treasure bills.
The approach adopted considers mainly the money and bond markets, supposing that
inflationary expectations are formed according to signal extraction that orinate from the rate of
s U M Á R I OzyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
1INTRODUÇÃO . . 09
2 ABORDAGEM TEÓRICA 12
2.1 Revisão da Literatura '" 12
2.2 Formulações Teóricas sobre o Financiamento do Déficit Público e a Inflação 13
2.2.1 A análise de Cagan e o Imposto Inflacionário 13
2.2.2 O modelo de Rodriguez 16
2.2.2.1 O modelo sem déficit fiscal 16
2.2.2.2 Uma estrutura com déficit fiscal 22
2.2.3 A desagradável aritmética dos monetaristas: a abordagem de Sargent e Wallace 25
2.2.4 O modelo de Me. Callum 30
2.2.5 O modelo de Aghevli-Khan: O caso dos países em desenvolvimento 35
2.2.6 O déficit público: financiamento, variáveis reais e inflação 39
2.2.6.1 Oferta monetária e preços: uma análise em Kaynes . .40
2.2.6.2 Títulos Públicos e Inflação 41
2.2.7 Juros, Expectativas e Inflação 43
2.2.8 Conclusões 47
3. ENDIVIDAMENTO PÚBLICO NO BRASIL: HISTÓRICO, CO CEITOS E
ASPECTOS INSTlTUCIONAIS 49
3. 1 A estatização da dívida externa e o déficit público no Brasil 50
3.2 O endividamento público: ajuste interno e o desempenho da economia brasileira 54
3.3.1 Necessidades de Financiamento do Banco Central . . 58
3.3.2 Necessidade de Financiamento do Setor Público . . 61
3.3.3 Dívida Líquida do Setor Público 63
3.3.4 A medição do déficit público num ambiente inflacionário: uma digressão 65
3.4 Tesouro Nacional e Banco Central: A questão do financiamento
monetário recente no Brasil 71
3.5 A dívida interna no Brasil 73
3.6 Os agregados monetários 75
3.7 Conclusões 78
4. EVIDÊNCIA EMPÍRICA 80
4. 1 O modelo econométrico .. . .. ... ... ... .... .. . 80
4. 1. 1 O mercado monetário 81
4. 1.2 O mercado de títulos públicos 83
4.1.3 O mercado de bens 86
4. 1.4 O modelo completo 88
4.2 Metodologia e os resultados 89
4.2.1 As variáveis e as fontes 89
4.2.2 Apresentação dos resultados 90
4.3 Déficit Público e Inflação: Uma Análise de Causalidade 93
4.4 Conclusões 97
5 CONCLUSÃO 100
9fedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
1 I N T R O D U Ç Ã O
Em princípio, não existe uma relação compulsória entre déficit público e inflação.
Muitos países detentores de significativo endividamento público, por exemplo, passaram por
experiências inflacionárias relativamente amenas, quando comparadas ao caso brasileiro.
Dessa forma, o montante do déficit parece não ser () ceme da questão inflacionária
Nesse caso, caberia investigar se as formas de financiamento do déficit público é que, dentre
outras coisas, podem causar o processo inflacionário.
A tabela a seguir mostra os estoques de dívida pública em relação ao PIB para
vários países, inclusive o Brasil. Como se percebe, economias estabilizadas detêm expressivos
endividamentos, reforçando a idéia de que a forma de financiamento desses débitos afigura-se
como elemento relevante na explicação dos impactos globais sobre o sistema econômico.
T A B E L A 1
R e la ç ã o D ív id a Pública/Plfl
Países %
Israel (1989) Itália (1988) México (1986) EUA (1991)
Reino Unido (1986) Canadá (1987) França (1990) Alemanha (1990) Brasil (Abr 1993)
122,0 106,0 77,0 50,1 42,2 39,9 25,6 15,6 8,0
10
Geralmente. ao se tratar das formas de financiamento do déficit do governo, a
literatura econômica enfatiza a expansão da base monetária ou o incremento da dívida pública.
Assim, examinar o impacto inflacionário das fontes de financiamento do déficit significa testar
as hipóteses de que a expansão da base monetária e/ou a emissão de dívida pública geram
inflação.
Em relaçãoihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAà expansão da base monetária e o processo de inflação, as teses
monetaristas têm um conjunto de pilares teóricos que levam a concluir que o déficit público
produz pressões altistas continuas nos preços em função do financiamento monetário. Nesse
caso, o endividamento atra és de títulos públicos passaria a ter caráter neutro na explicação da
inflação Este debate é bastante rico e polêmico, estando presente ao longo de todo o capítulo
2 deste trabalho, onde serão vistas diversas posições em relação ao assunto.
A distinção entre moeda e títulos públicos no Brasil apresenta um complicador. O
fato de o governo assegurar liquidez diária aos seus papéis acaba por transformá-I os numa
"quase-moeda", modificando inclusive o conceito relevante de agregado monetário. Sob essa
ótica, uma investigação do caráter inflacionário dos títulos do governo recairia no teste da
hipótese monetarista.
A economia brasileira, principalmente a partir do término de afluxos externos de
capitais para o pais. em meados de 1982, passou a enfrentar inúmeros problemas que
resultaram numa situação de extrema instabilidade. O setor público, nesse contexto não ficou
imune aos diversos ajustes implementados para a estabilização econômica requerida,
resultando numa área sobremaneira endividada.
A dívida pública está associada, portanto, a um risco, face
à
baixa capacidade de endívidamento do setor. Manter o financiamento do déficit através de títulos emitidos por umgoverno debilitado financeiramente certamente exigina um prêmio elevado, dado o risco
envolvido.
Considerando o grau de informações dos agentes detentores da dívida pública, o
governo necessitaria compatibilizar o retomo de seus papéis com a taxa de inflação esperada.
11
Neste sentido, o financiamento do déficit público, efetuado através da divida.
poderia tomar-se tão inflacionário quanto o financiamento monetário, contrariando o ideário
monetarista.
o
objetivo central deste trabalho é identificar qual ou quais as formas de financiamento do déficit público que são relevantes para explicar o processo inflacionário noBrasil. O período considerado para a análise é 1982-1989.
Afora o objetivo central, outros objetivos específicos são perseguidos: a) sintetizar
os aspectos teóricos que tratam do tema objeto deste estudo; b) explicar a origem do
endividamento no setor público brasileiro; c) apresentar as formas de medição do déficit
público no Brasil, bem como discutir os aspectos institucionais do seu financiamento.
O objetivo específico "a" é explorado no âmbito do capítulo 2, ficando reservado ao
capítulo 3 os objetivos "b" e "CihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAU O capítulo 4 é dedicado ao exame econométrico do assunto,
visando às conclusões de caráter ernpírico. As conclusões gerais do trabalho serão efetuadas
12fedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
2 A B O R D A G E M T E Ó R I C A
2 .1 R e v is ã o d a L ite r a tu r a .
Os estudos acerca do déficit público em sua grande maioria apresentam conclusões
em relação aos seus impactos sobre a demanda agregada. As discussões evoluíram a partir das
análises dos neoclássicos, tendo sido reformulada sob a égide da Doutrina Ricardiana e
passado por uma total revolução com o advento da Teoria Geral de Keynes. Uma breve
exposição dessas idéias será efetuada a seguir! , visto que o tema central refere-se
à
relação déficit público-inflação.o
paradigma neoclássico considera o déficit público como sendo redutor da . acumulação de capital. Isso decorre do fato de que os individuos levam em conta o seuconsumo intertemporal, de tal forma que o desequilíbrio nas contas do governo, associado
à
cobrança futura de impostos, provoca um aumento no consumo corrente. Com isso, apoupança passa a declinar, elevando a taxa de juros e reduzindo o nível de investimentos,
afetando negativamente a acumulação de capital.
A visão Ricardiana, apesar de também considerar a questão intertemporal,
acrescenta uma ligação altruística entre as gerações. Dessa forma, a geração atual, diante de
um déficit público, percebe uma cobrança futura de impostos cujo valor ela desconta e reserva
em forma de poupança, visando a não onerar os seus sucessores. Em sendo equivalente a uma
taxação, o déficit público não seria relevante em seus efeitos
Na ótica Keynesiana, o déficit público (seja por incrementos nos gastos ou por
redução dos tributos) causa expansão na demanda agregada através do conhecido
multiplicador, afetando favoravelmente a acumulação de capital.
13
Os modelos aqui selecionados para investigar o papel das formas de financiamento
do déficit público em relação ao processo inflacionário procuram. uns explorar a questão da
emissão monetária em seu sentido mais "ortodoxo", sendo que em outros, as abordagens
captam mais especificamente o problema dos títulos públicos. Ao final, introduz-se um exame
do lado real da economia, baseando-se nos postulados de Keynes. além de discutir o papel das
expectativas em relaçãoihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAàtaxa de juros dos títulos públicos.
Dessa forma, os aspectos que privilegiam a questão monetária serão discutidos em
CAGAN (1956), que trata do imposto inflacionário e RODRIGUEZ (1978), onde são
incluídas as variáveis do setor externo para avaliar os impactos do déficit sobre a inflação.
Adicionalmente, examinar-se-á o modelo de AGHEVLI-KHAN (1978) que aborda a
causalidade moeda-preços a partir do déficit fiscal.
No tratamento dos títulos públicos, serão apresentacos os modelos de SARGENT e
WALLACE (1985) e M e. CALLUM (1984). O primeiro descreve uma aritmética que
"desagrada" aos monetaristas, por considerar a emissão de títulos tão inflacionária quanto a de
moeda. O segundo trabalho é referendado pela Doutrina Ricardiana e discute o efeito
inflacionário dos títulos, quando o déficit inclui ou não a parcela dos encargos financeiros.
O entendimento desses modelos irá subsidiar a verificação empírica do problema.
Cada um deles possui aspectos relevantes que darão supone teórico às conclusões deste
trabalho.fedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
2 .2 F o r m u la ç õ e s T e ó r ic a s s o b r e o F in a n c ia m e n to d o D é fic it P ú b lic o e a I n fla ç ã o .
2 .2 .1 A A n á lis e d e C a g a n e o I m p o s to I n fla c io n á r io .
Ao analisar o fenômeno de hipennflação para alguns países, CAGAN (1956, p.
25-117) desenvolveu um exame acerca da receita que os governos poderiam obter através da
emissão de moeda objetivando o financiamento do déficit; trata-se de um estudo clássico em
tomo da questão do imposto inflacionário e da senhoriagem
A sua teoria parte da equação quantitativa de Cambridge, relativa aos encaixes reais,
onde se evidencia o fato de que o nível de encaixes reais da economia é proporcional à renda
real, ou seja, (M/P
=
Kx; k=
constante). Adicionalmente, considera-se que as variações nos14zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
Na realidade, os encaixes são uma função de outras variáveis. No modelo ora
analisado, são identificadas as seguintes: a) a riqueza real; b) o nível de renda: e c) o retomo
esperado dos diversos ativos em poder dos agentes econômicos.
Para incrementos na riqueza real dos indivíduos, espera-se que parte desse aumento
seja mantido em forma de moeda, pela sua liquidez imediata. No caso de aumento de renda, os
agentes procurarão substituir alguns ativos de baixa liquidez, demandando assim um volume
maior de moeda.
Na hipótese de alteração nas taxas esperadas de retomo dos ativos, elabora-se o
seguinte raciocínio: quando o retomo esperado se eleva, ocorre um declinio no preço dos
ativos, reduzindo a riqueza dos indivíduos e, consequentemente, provocando uma queda no
nível desejado de encaixes.
Estabelecidas essas relações cornportamentais, veja-se a problemática dos preços.
Segundo esta. teoria, as quantidades ofertadas e demandadas dos bens e os respectivos preços
relativos são determinadas fora do mercado monetário. No caso dos preços absolutos, a sua
formação se dá através da quantidade de moeda ofertada, dado um certo nível de encaixes
reais desejado. Assim, tem-se que cada indivíduo não consegue alterar a quantidade de moeda
em circulação (em termos nominais), embora possa modificar seus encaixes, influenciando,
portanto, os preços dos bens e serviços.
A ligação entre quantidade de moeda e aumento dos preços foi verificada durante os
períodos de hiperinflação. O processo inflacionário gerava uma verdadeira fonte de receita
para o governo, mediante o imposto inflacionário. Essa forma de receita apresenta vantagens
operacionais: a primeira delas diz respeito ao fato de não haver necessidade de uma legislação
específica para esse "imposto inflacionário". A outra envolve a questão de que, para arrecadar,
basta tão somente emitir moeda.
Caracterizando o imposto inflacionário, diz-se que a sua base sào os saldos reais
(M/P) e a taxa eqüivale à variação dos preços. Assim, a receita do imposto pode ser vísta
como sendovutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
~1t)
=
MJP(dP/dt.l/P)15
MIP . (dP/dt . l/P)ihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA== dM/dt . l/P -vutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAd(MIP) / dt
Com base na última identidade, verifica-se que a receita do imposto inflacionário se
eleva com o próprio processo de inflação, decorrente da emissão de moeda. Por outro lado, a
elevação dos preços causa uma redução no valor dos encaixes reais e, consequentemente. na
receita do imposto. Esse último efeito estipula um limite para que a inflação contribua com o
financiamento do governo. O gráfico da figura 2.1 indica o comportamento da receita do
imposto inflacionário em relação
à
taxa de inflação.R1t Fig 2.1
Nota-se que, ao atingir determinado nivel máximo de inflação, a receita começa a
declinar. Com essa redução, ampliam-se as necessidades de financiamento do déficit público,
sem que o governo possa se utilizar eficientemente da aceleração inflacionária no sentido de
reestruturar suas fontes de financiamento.
Um outro aspecto relevante a ser observado no gráfico anterior refere-se
à
possibilidade de se financiar um mesmo déficit mediante dois niveis distintos de inflaçãoAssim, um déficit que absorva a receita (R]) poderia ser financiado tanto num cenário de
inflaçãoZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA1 t ] , como noutro ao nível de 1 t 2 . Numa circunstância de altas taxas de inflação, o
governo poderia estimular a demanda por encaixes reais, fazendo com que houvesse um
incremento na receita do imposto inflacionário e, portanto, gerando uma redução na taxa de
inflação. O estímulo
à
elevação da demanda por encaixes reais pode ser favorecido através de políticas governamentais que modifiquem as condições monetárias da economia. Taismodificações, como observa DALL'ACQUA (1989), é que fazem com que as relações entre
16
o
imposto inflacionário se configura. portanto, numa "fonte" de financiamento do déficit público, sustentada pela alta taxa de crescimento dos preços. A sua eficiência, noentanto, se verifica até certo patamar de inflação, a partir do qual a taxa de declinio dos
encaixes reais passa a sensibilizar negativamente a receita do imposto.ihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
o
contexto histórico da análise de CAGAN é própria de economias de guerra, onde os governos, não podendo aumentar impostos. têm que financiar seus gastos com defesaatravés da emissão de moeda' .fedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
2 .2 .2 O M o d e lo d e R o d r ig u e z .
A emissão de moeda, como vista anteriormente, se constitui numa forma alternativa
de financiamento do déficit público.
Em estruturas econômicas onde convivam Banco Central e Tesouro, o pnmeiro
pode amparar os déficits fiscais do segundo mediante compra de dívida, ou seja, emitindo
moeda. Nesse caso, diz-se que houve uma monetização da dívida. Tal fato conduz a uma
expansão da base monetária e provoca pressões sobre os preços.
Outra forma pela qual pode ocorrer expansão da base monetária refere-se aos
processos de desvalorização da moeda doméstica em relação
à
moeda estrangeira. Esse mecanismo propicia superávits na balança comercial e, posteriormente, gera uma troca dedivisas por moeda local. criando poder de compra na economia.
A expansão da base monetária e suas relações com o déficit público, taxa de câmbio
e a inflação são analisados no modelo de RODRIGUEZ (1978). Dessa forma, serão
apresentadas as linhas básicas do modelo em duas etapas: a primeira opera numa situação em
que não ocorre déficit fiscal; na segunda etapa, introduz-se o déficit fiscal para descrever o
problema da inflação.
2 .2 .2 .1 O M o d e lo s e m D é fic it F is c a l.
Para desenvolver o presente esquema, considerar-se-á uma economia cujos bens e
serviços exportáveis tenham seus preços domésticos equivalentes
à
taxa de câmbio (E). Aprodução e o consumo desses bens serão denotados por (Qt) e (Ct), respectivamente.vutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
2 C4RDOSO (1989) cita o caso daZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAN t c a r à g v a . no qual o governof o i forçado a emitir moeda para financiar o
17
A economia produz outros bens de consumo doméstico, de tal forma que (Qh)
e
(Ch) indicam, respectivamente, produção e consumo. O preço desses bens será denotado por
Estando o processo produtivo operando com pleno emprego dos recursos.
estabelece-se que a oferta dos dois tipos de bens (domésticos e exportáveis) irá depender dos
preços relativos dos mesmos (EIPh
=
e), ou seja, da taxa de câmbio real.Com isso, tem-se que:
A oferta de produtos para exportação se comporta positivamente em relação a
acréscimos da taxa de câmbio real. De maneira análoga, a oferta de produtos domésticos reage
inversamente à taxa de câmbio real.ihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
>0vutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
oe
<O
ce
A demanda tanto para bens exportáveis como domésticos é assumida ser uma
função dos preços relativos entre os bens e do estoque nominal de moeda.
Ct = Ct (e,m)
Ch
=
Ch(e,m) (2.2)onde m =M!Ph é o estoque de moeda deflacionado pelo índice de preço doméstico.
18zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
(2.2)
--->0 >0
ôe
êMo
modelo introduz agora o estoque de reservas internacionais, cuja variação depende exclusivamente dos superávits na balança de pagamentos, admitindo-se que nãoocorre afluxo de capitais externos para a economia.
R= dR/dt =Qt (e) - Ct (e,m) (3)
Percebe-se que os alores elevados de (e) melhoram os resultados da balança de
pagamentos, tendo em vista que estimulam a oferta de exportáveis (Qt) e reduzem
parcialmente o consumo interno desses bens (Cj).
Na hipótese de que sempre haja equilíbrio no mercado de bens domésticos, é válida
a seguinte representação:
Qh (e)
=
Ch (e,m) (4)Supondo ainda que, tanto o estoque nominal de moeda _ como a taxa de câmbio
(E) se mantenham constantes, o equilíbrio em (4) dá-se a partir de movimentos nos preços
domésticos (Ph). Assim, estabelece-se uma relação como a seguir. e representada no gráfico da
figura 2.2, exemplificada por um aumento de (m).
m =H(e) com H(e)<O 3 (5)vutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
19fedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
F ig .2 .2
e
Quando da substituição da equação (5) em (3), obtém-se:
R
=
f(e)=
Qt(e) - Ct [e,H(e)], (6) onde=
C
ihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAt. H
(e)O
m
(6.1 )
e
e
A expressão em (6 1) é positiva, por ( .1) (2.2) e (5). Obviamente, a taxa de
variação no volume de reservas internacionais se dá no mesmo sentido das alterações na taxa
de câmbio real.
No modelo ora proposto, assume-se que existe algum alor de (e) que garanta urna
não variação nas reservas, ou seja, que assegure que o excesso de oferta de bens exportáveis
seja nulo, ou seja,
R=O
Em denominando essa taxa de câmbio real de (e), o equilíbrio no mercado de bens
domésticos exigirá que, a partir de (5), se tenha:
-m
=
H(e)Na ausência da criação doméstica de moeda, o estoque nominal de moeda é alterado
20
M
=
E . R ou com base em (6)ihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAM
=
f(e) 4 (7)E
o
Gráfico da figura 2.3 mostra o inter-relacionarnento entre a taxa de câmbio real e o estoque real de moeda. Supõe-se que a curva HH seja o "Iocus" dos pontos em que hajaequilíbrio no mercado de bens domésticos. A linha vertical ao nível de e refere-se às
combinações em que R
=
M =O e a linha de coeficiente angular MZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA( t o ) lE o mostra um conjuntode pontos em que mie é constantes.
A interseção da reta M(to)lEo com a curva HH, ponto "a", indica o par (~o; mto)
representativo de uma situação em que ocorre equilíbrio no mercado de bens para uma
determinada relação entre estoque real de moeda e taxa de câmbio real.
Os pontos da reta M(to)lEo situados abaixo de "a" indicam excesso de oferta de
bens domésticos, visto que estão associados a níveis de taxas de câmbio inferiores às taxas de
equilíbrio e, portanto, a maiores valores de Ph. Da mesma forma, estariam associados a
estoques reais de moeda mais elevados, o que representa aumento de demanda e,
consequentemente, pressões sobre os preços domésticos.
Como (e) diz respeito ao crescimento nulo das reservas, a taxa de câmbio real eo e indica a existência de déficit na balança de pagamentos. Então, como as reservas começam a
declinar, através de (6), ocorre um declínio no estoque nominal de moeda. Tal fato faz com
que a linha M ( t o ) lE o tenha uma rotação para direita, encontrando um novo ponto sobre a
curva HH. Esses movimentos se repetirão até que se chegue ao ponto e, para que se obtenha
um equilíbrio do tipo "Steady State", onde haja estabilidade de preços e balança de
pagamentos equilibrada.
4vutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAAssim. JfE será maior (menor) que zero sempre que ocorra superávit (déficit) no balanço de pagamentos.
5 Como . \ 1 E m . \ 1
m = --- e e = ----, logo --- E
21zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
Fig.2.3 M=R=O
M(tO)/tO
HH
e
e
A proposta desse modelo foi basicamente demonstrar que, na ausência de um déficit
fiscal, a economia pode atingir estabilidade no nível de preços compatível com o equilíbrio na
balança de pagamentos, mesmo diante de uma "monetização" oriunda dos saldos do comércio
exterior.
A desvalorização do câmbio real, dados os preços dos produtos exportáveis, implica
uma sobrevalorização dos produtos domésticos. ou seja, uma elevação de Ph
Esse movimento ascendente nos preços, como visto anteriormente, tende a
estabilizar-se. Admitindo-se que haja um outro mecanismo de criação de moeda na economia,
como o déficit fiscal, por exemplo, as razões do processo inflacionário podem ficar obscuras.
No entanto, como observa RODRIGUEZ (1978)'
"With the possibility of the devaluation taking place when the price levei has finally
stabilized, there is the temptation of blaming the resulting inflation on the devaluation, and
attention may be diverted away from the more basic underlyind disequilibrium, which is the
fiscal déficit"
A segunda etapa do modelo irá tratar da questão dos déficits fiscais no processo
2 .2 .2 .2
r
m a E s tr u tu r a c o m D é fic it F is c a l.zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBADada a presença do governo na estrutura do modelo, assume-se que haja um gasto
(go) de bens exportáveis, cujo financiamento será efetuado pela autoridade monetária
Estabelecem-se, portanto, dois focos de ex-pansão monetária: o incremento das reservas
internacionais (R) e o crédito concedido ao governoZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA( D ) .
=E.R+D (8)
Quando da divisão de (8) por E, obtém-se:ihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
1 D
=
R +--E
E
(9)
A taxa D I E representa os gastos do governo em termos de bens exportáveis, ou
seja, equivale
a
(go), então, com base em (9) temos:(10) E
Através da equação (6), identificava-se a taxa de variação das reservas como sendo
decorrente do excesso de oferta de bens exportáveis. Agora que se introduz o consumo
governamental de bens exportáveis, tem-se a seguinte representação para as alterações de
reservas
ou
(11 )
Será feita a suposição, como anteriormente, de que existe uma taxa de câmbio real
(ê) que tome R igual a zero. Essa taxa necessita ser superior a (e), tendo em vista amenizar o
23
Ao substituir (l l ) em (10), obtém-se:ihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
M
-- =
f(e) E(12)
Dessa forma, para que a relação
MIE
seja igual a zero,é
necessário que (e) seja igual a (e). Agora, o nível de taxa de câmbio real consistente com a estabilidade do estoquenominal de moeda é menor que aquele requerido para o equilíbrio externo". O modelo agora
opera com duas taxas de câmbio relevantes, sendo uma delas necessária para assegurar um
crescimento nulo do estoque nominal de moeda (e), e a outra, (ê), própria para que R = O.
O gráfico da figura 2.4 ilustrará o novo processo de ajustamento. A curva I-ll-I é
representativa do equilíbrio no mercado de bens domésticos. As linhas verticais em e
ê
indicamM=O e R=O, respectivamente. A reta com coeficiente angularZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAM ( t o ) lE o refere-se a uma
determinada relação estoque de moeda/preços externos, num periodo to.
Fig. 2.4
mvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAM=O R=O
m(to)
b )M(tO)1E1
-r---~ ...:c I-ll-I
e ê e
Na ausência de déficit fiscal, o equilíbrio sustentado se dava ao nível do ponto "a".
Considerando os gastos governamentais (go), em quantidades de bens exportáveis, a linha R=O
se desloca para a direita até (ê), onde f{ê) - go
=
°
24zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
Inicialmente, a nova demanda governamental não impacta o nível dos preços dos
bens domésticos, já que o financiamento dessas compras decorre de uso das reservas. a
verdade, o excesso de demanda por bens exportáveis tende a equilibrar-se mediante queda nas
reservas.
SejamvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA(Ra) e (Rm) os níveis inicial e mínimo de reservas internacionais. Ao se
atingir Rm, pressupõe-se que o banco Central intervenha no mercado promovendo uma
desvalorização cambial objetivando que as reservas retomem ao seu nível inicial Ra.
Todos os gastos do governo (go) e a queda no nível de reservas, o Banco Central
efetua uma desvalorização no câmbio que, mantidos os preços domésticos, provoca uma
elevação nos preços dos bens exportáveis. Admite-se que a elevação dos preços internos dos
produtos de exportação conduza a uma realocação de recursos de tal forma que a produção de
bens domésticos passa a ser privilegiada. Da mesma maneira. verifica-se uma maior demanda
por bens domésticos.
Na hipótese de que essa demanda por produtos domésticos pressione os preços
(Ph), a variação desses últimos deverá ser inferior à variação na taxa de câmbio nominal, visto
que a desvalorização objetiva o incremento na taxa real de câmbio.
Obviamente, com o incremento nas reservas internacionais e o crédito adicional
dado ao governo, espera-se que ocorra uma expansão na quantidade de moeda na economia. A
demanda por bens domésticos é estimulada e, novamente, aparece uma pressão sobre o nível
dos preços domésticos e impacta a taxa de câmbio real no sentido de valorização. Os recursos
que inícialmente haviam sido transferidos para a produção de bens domésticos, são atraídos
novamente para o segmento de exportáveis.
A desvalorização do câmbio é usada até o instante em que se obtém a regularização
dos saldos externos. A moeda, no entanto, continua se expandindo para financiamento do
déficit fiscal. Esse persistente crescimento dos meios de pagamento, como dito antes, faz com
que a taxa de câmbio real decline, via inflação interna. A fase seguinte é o retomo ao
desequilibrio no balanço de pagamentos.
No gráfico da figura 2.4, pode-se observar a ocorrência de três momentos distintos,
relativos a mudanças nos preços domésticos: i) uma fase de estabilidade, ao nível do ponto "a";ihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
25
c) uma positiva, embora desacelerada. elevação dos preços. representada pelo movimento de
"b" até "a" ao longo de HH.
o
ponto central do modelo ora analisado foi mostrar que, apesar de a desvalorização cambial causar uma inflação transitória, quem a determina, ao longo do restantedo ciclo, são as emissões de moeda para financiamento do déficit público.
De qualquer forma, os modelos simples de senhoriagem (não incluindo variáveis
externas e/ou variáveis do mercado financeiro) deixam de esclarecer esses fenômenos. Nessa
abordagem verificou-se que, na ausência de déficit fiscal, os problemas do setor externo não
respondem pelo persistente aumento dos preços domésticos.
Ademais, alguma estimação econométrica que busque identificar as implicações do
déficit público sobre a inflação poderá apresentar resultados insatisfatórios caso venha a omitir
a questão das reservas, sob a ótica da rnonetização da dívida e seus efeitos temporários sobre o
nível de preços.
Até o presente instante, foram delineadas questões inerentes
à
relação moeda-preços, através de políticas de financiamento de gastos do governo. O convívio de umaautoridade fiscal com outra responsável pelo controle da moeda implica situações que dizem
muito acerca do processo inflacionário. O esquema a seguir tratará dessa temática.
2.2.3fedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAA D e s a g r a d á v e l A r itm é tic a d o s M o n e ta r is ta s : A A b o r d a g e m d e S a r g e n t e W a lla c e .
A análise de SARGENT e W ALLACE (1981) procura mostrar que, mesmo em uma
economia que satisfaça as hipóteses monetaristas, o governo não consegue exercer controle
permanente sobre a inflação quando a política monetária é centrada em operações de "open
market".ihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
As premissas monetaristas aqui referidas estabelecem basicamente o seguinte: a)
existe uma relação muito forte entre base monetária e preços; b) o governo pode gerar receitas
oriundas da emissão de moeda, ou seja, através da senhoriagem.
A demanda dos agentes econômicos por dívida pública implica restrições
à
atuação do governo. A alternativa do endividamento através de títulos, por exemplo, tem como limite acompatibilidade com o tamanho da economia. Por outro lado, a demanda apenas reagirá
26
atividades do tesouro e a definição das taxas de juros a cargo da autoridade monetária, o
espaço para tornada de decisões de política fiscal e monetária dependerá de quem detiver a
hegemonia.
Quando a política monetária se sobrepõe à política fiscal, o banco central, ao
preestabelecer a quantidade de moeda a ser emitida, sinaliza que receita o tesouro poderá
auferir através da senhoriagem. Dessa forma, além de a autoridade fiscal não poder formar
déficits orçamentários que sejam incompatí eis com o tamanho da economia, deixa de contar
com o poder de pressão exercido sobre a emissão de moeda. A expansão da base monetária é,
nesse caso, controlada, assegurando-se igualmente o controle da inflação.
Na hipótese de hegemonia da autoridade fiscal, o tesouro tem autonomia para
formar seus déficits ou superávits, bem corno para determinar a receita de senhoriagem e da
venda de títulos que irão financiá-Io. O banco central atua de forma a complementar os
recursos necessários ao financiamento do tesouro, tendo em vista a limitação da venda de
títulos públicos.
Com a predominância da política fiscal, a forma da demanda por títulos públicos
toma-se importante para determinar se a autoridade monetária poderá ou não controlar
permanentemente a inflação. Uma demanda por títulos que requeira taxas de juros acima da
taxa de crescimento da economia, na presença de um déficit fiscal, impossibilita a autoridade
monetária de controlar a expansão da base monetária e/ou da inflação."
Dado que o governo pode se financiar através da expansão da base monetária e da
venda de títulos, suponha que a segunda opção seja a escolhida. Caso esse endividamento
cresça rapidamente, de forma a elevar o prêmio sobre os títulos, e atinja o limite relativo aovutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
Seja DihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA= iD - Ga representação da dinâmica da divida pública, ondeZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA( i ) é a taxa de juros e (G) o déficit primário, então:
D iD
G
- = - - - , y =PIB y y y
Ocrescimento de (D'Y)pode ser expresso por: D.
r -
D.r
D D y iD G D Y d ( D ', V ) = ---.,
= . = .-r
vvv
y yyyD y G
logo d / D í y } = -(i - -) - -. e supondo ( G 'y ) constante y y y
27zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
da senhoriagem, o que requer aumento da base monetária. esse contexto, o resultado é
inflação adicional.
Para formalizar aquele resultado, são adotadas as seguintes hipóteses para a
economia: a) tanto a renda real como a população cresçam a uma mesma taxa "n"; b) o retomo
sobre os títulos públicos excede a taxa "n"; c) a velocidade de circulação da moeda é tida como
constante.
o
déficit do governo será representado em termos reais e sem a inclusão dos juros. Ao longo do tempo, os déficits aparecem na seqüênciaihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAD( 1), D( ),... D t . e dizem respeitoà
política fiscal adotada. A política monetária, por seu turno, é descrita pela seqüência deestoques de base monetária H(I), H(2), ..., H(t).
A restrição orçamentária do governo tem, portanto, a seguinte forma:
H(t)-H(t-I)
D(t)
= ---
+ [B(t) - B(t-1 )] [1 + R(t-1 )] (1 ) P(t)onde:
R (t-I)
=
taxa de juros sobre os títulos públicos entre os períodos t-I) e tB(t)
=
valor dos títulos medidos em bens do período 1.P(t)
=
nível de preços ao período 1.o
crescimento da população é dado pela taxa tonto,como dito anteriormente. Assim, se N(t) é população no tempo t, tem-se que:N(t+ 1)
=
(1+n).N(t) (2)Ao dividir a equação (1) por N(t), tem-se a seguinte expressão da emissão de titulos
per-capita para o período t:
B(t) 1 + R(t-I) B(t-I) D(t) H(t) - H(t-I)
28zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
Supõe-se, agora, que a base monetária irá crescer a uma taxa 0, exceto H(1) que é
tida como dada' . Então, estabelece-se um intervalo de H(2) até H(T) onde T ~ 2. para o qual
O prevalece. Após o período T, admite-se que o estoque de títulos per-capita se mantenha
constante no mesmo nível do períodoihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAT. Pode-se, portanto, estabelecer uma relação para H(t),
visto que H( 1) é dado.
H(t) = (1+e).H(t-l) para t = 2,3, ...T (
No modelo era analisado, os títulos não são indexados e os agentes econômicos
tomam conhecimento, em t=l, da seqüência de déficits D(t) bem como dos estoques de base
monetária H(t) até o período T.
Retomando as premissas "a" e "c" especificadas anteriormente para uma economia
do tipo monetarista, percebe-se que o nível de preços, em algum penodo. é proporcional ao
estoque da base monetária per-capita H(t)lN(t).
P(t) = 1/h .ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA[ H ( t ) lN ( t ) ] onde h = constante positiva (5)
1 (1+0).H(t-l) ou P( t)
= -- .
---h (1+n) .N .(t-1 )
(5.1)
Através de (5. 1), percebe-se que o crescimento dos preços ira depender da relação
(1+0/1 +n). Como os agentes econômicos possuem informações acerca da olitica monetária e,
portanto, de O, conhecem antecipadamente a taxa de inflação para os peno o = 2,3 ...T.
Resta agora especificar o comportamento da inflação para os periodos subsequemes
a t. Antes havia se admitido que a relação B ( t ) lN ( t ) seria constante e igual a do período T,
para t > T. Considere-se que essa relação seja denotada por bo(T).
Neste modelo, objetiva-se mostrar de que forma a taxa de inflação dos períodos
além de T é influenciada pela taxa inflação anterior a T.
Em primeiro lugar, a inflação para t > T depende do estoque de dívida real, atingido
no período T9
. Por sua vez, este estoque é função de " Usando as equações (4) e (5) e
substituindo-as em (3), considerando ainda que b(t) = B ( t ) lN ( t ) , obtém-se:
8vutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAComparativamente. uma política monetária será mais contracionista que outra se apresentar um menor valor de O.
29
1ihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA+ R(t-1) Dít) ho b(t)
= --- .
b(t-1) + - ----1 + n N(t) 1+0
(6)
o
termo hO/(1+0) decresce com urna política monetária do tipo contracionista, elevando o endividamento através de títulos e, consequentemente, determinando um nível maiselevado para a inflação dos periodos seguintes. Essa é a conclusão básica desse modelo.
Restringir a expansão da base monetária presente implicaria mudanças na presente
taxa de inflação':' Para dar resposta a essa indagação, é necessário en olver a questão da
demanda por moeda.
Na análise precedente, tornou-se urna função de demanda por moeda na forma
simples da teoria quantitativa da moeda, desprezando os aspec os das expectativas
inflacionárias na determinação daquela demanda.
Ao assumir que a demanda por moeda depende da taxa esperada de inflação, o nível
corrente de preços passa a depender tanto da oferta corrente corno esperada de moeda. Assim,
o controle monetário passa a ser endogeneizado, estando as expectativas dos agentes
econômicos a desempenhar um relevante papel.
o
artigo clássico de Thomas Sargent e Neil Wallace, em sin ese. mostra que o financiamento do déficit público por criação de dívida pode tomar-se mais inflacionário que ofinanciamento via emissão monetária.
A próxima análise levará em conta especificamente um financiamen o do déficit
público através de títulos, testando a hipótese de que isso implica um processo inflacionário.
Na realidade, o modelo apresentado a seguir procura examinar a veracidade da hipótese
monetarista de que o déficit pode ser inteiramente financiado por títulos sem consequências
inflacionárias.ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
B ( t ) B ( t - J )vutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
bott) = - = -- e H(t) =h . N t t t . p t t ) na equação (3),
. \ '( t ) . \ '( I - J )
obtendo-se para t T a seguinte expressão:
D ( t ) s a - n »
bott)
J P(t-l) . \ '( 1 ) l+n
30fedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
2 .2 .4 O M o d e lo d e M C C a llu m .
o
presente modelo, formulado por Me. Callum 19 exarnrna a questão da neutralidade do déficit público financiado por títulos, considerando o papel da inclusão dosjuros na menstruação do mesmo. Trata-se de uma abordagem Ri ardiana e, portanto,
monetarista, que utiliza o esquema de equilíbrio competitivo de IDRA SK1 (1967),
acrescentando-se o mercado de títulos públicos.
A visão monetarista do déficit público admite que o seu financiamen o via títulos do
governo não tem implicações importantes sobre o nível de demanda agregada. Assim, um
financiamento efetuado inteiramente através da dívida não afetaria a taxa de inflação.
A emissão de dívida pública eqüivaleria
à
prática de taxação, no sentido de que os agentes econômicos, levando em conta um eventual endividamento do governo, assumiriamque o Estado iria recorrer
à
cobrança futura de imposto, descontando aqueles valores e reservando-os para os pagamentos futuros das taxas, aliviando a carga sobre as geraçõesposteriores'". Isso diz respeito basicamente ao teorema da Equivalência Ricardiana.
A neutralidade dos títulos refere-se ao fato de que os agentes econômicos não
alterarão as suas restrições intertemporais, não havendo impactos significativos sobre a
demanda agregada e o nível dos preços, numa economia de crescimento zero.
Considere-se uma economia em que cada agente econômico procure maximizar a
sua função utilidade no tempo, formada pelo consumo (Ct), pelo estoque real de moeda (Mt=MtlPihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAt), sendo Pt o preço de um bem "padrão" no periodo t. Escreve-se, pois, que:
ondeZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAB = 1 /( 1 +A) é o fator de desconto temporal, para o qual (A) representa
um parâmetro que capta as preferências para cada período.
Admite-se ainda que os indivíduos têm acesso a uma função de produção
homogênea de grau um, para os insumos capital e trabalho. Considerando uma oferta inelástica
de trabalho, a função poderia ser especificada como f(kt) onde kt é o estoque de capital ao
31
tempo t. O capital tem o seu preço fixado na sua taxa de retomo entre (t) e (t+ I), ou seja, f
(Kt+ I).
A dívida através de títulos é dada em função do estoque anterior de títulos e do
próprio déficit (sem incluir os juros), de tal forma que:
bihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAt
=
(l + r) bt - I + d (I + r) (2)onde: bt
=
estoque real de títulosr
=
taxa de juros real (constante)d
=
déficitse d > O, bt ----;0 quanto t ----;00
As famílias e os indivíduos podem adquirir títulos do governo ao preço monetário
(Qt). Tais "papéis" são resgatados em (t+I),cujo retomo entre (t) e t-I
é
dado por:1 - Qt Rt
=
---Qt
A taxa de juros real é captada pela relação entre o retomo dos rulo e a taxa de
inflação, sendo expressa por:
I + Rt Pt + 1 - Pt 1 - rt
= ---
onde---1+ Pt Pt
A posição fiscal do governo é transferi da para os agentes econômicos e será
denominada Vt Assim Vt>Oimplica transferências para as famílias e Vt«> se traduz na cobrança
de impostos.
Dessa forma, para cada período "t", a restrição orçamentária das fanúlias é dada
32zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
Para determinar as condições ótimas de cada indivíduo é formado o seguinte
langrangeanc" :
As condições de otimização de primeira ordem de Euler são:
(4)
(5)ihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
(6)
(7)
(8)
Por outro lado, devem ser atendidas as seguintes condições de transversalidade de
horizontes infinitos:
lim mt+ 1 3t-1 t(1vutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA+Tet)
=
O t~:x:(9)
lim kt+l 3t-1 t
=
Ot~:x:
(10)
t
lim bt+1 3t-1 ----
=
O 1+rt(11 )
disponível pode ser vista como sendo o estoque de capital das famílias adicionado ao montante de
transferências do governo: Yd =Kt - vt. Retomando a restrição de fluxos, tem-se que: Yd = Kt - vt = Ct -SI. Se considerada como sendo a variação do estoque de capital mais a variação dos saldos reais, a poupança será representada por. St = (Kt - 1) - (mt 1 - mt). A equação (3)é derivada das duas restrições citadas. acrescentando-se o mercado de títulos do governo.ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
33
Considere-se a seguir a restrição orçamentária do governo, representada pelas
formas de financiamento do déficit:
( 12)
Em termos reais, a equação (12) é expressa por:
onde gt são as compras governamentais em termos de produto.
A junção das restrições orçamentárias tanto dos agentes privados como do governo,
conforme (3) e (13), respectivamente, gera o seguinte resultado.
(14)
A partir destes pontos, busca-se mostrar que a hipótese monetarista do déficit
apenas é verdadeira quando este não inclui a parcela dos juros, ou seja, quando é representado
por um déficit "primário".
Admitindo-se um financiamento exclusivamente através de títulos. pode-se afirmar
que no período relevante de análise é válida a seguinte relação, referente ao crescimento do
estoque real de moeda:
1S
Substituindo-se a equação (15) em (13), tem-se que:
t=1,2, ... ( 16)
A questão (16) pode ser reformulada e apresentada como função do termo b 1
bt+lihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA=bl(1+r)t/r + d(1 +r)t+ l/r - d(l+r)/r (16.1
Supondo agora que a taxa de juros (r) seja uma "proxy" da taxa de preferência de
3~ihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
1 f3=
---1 + r
1
f3t-1
=
_
(1 + r)t-l
(17)
Para verificar se a condição de transversalidade em (11) é atendida, multiplique-se o
segundo termo
à
direita de (16.3) por (3t-1 )/(1+r}, que gera o resultado abaixo:bt+lf3t-1 t/(I+r)
=
bj t/r + d t(1+r)/r - d t(l-r)/r(1-r)t (18)Percebe-se claramente que, fazendo t tender para o infinito. a expressão em (18) se
aproxima da soma dos seus dois primeiros termos do lado direito. violando a condição de
transversalidade indicada por (11).
o
conceito adotado até o presente instante para o déficit não considerou a parcela dos juros. Dessa forma, tratou-se de uma espécie de déficit "primário".Utilizando, pois, aquele conceito, conclui-se que não é possível o financiamento do
déficit público inteiramente através de títulos, visto que não se atinge o equilíbrio competitivo
numa economia do tipo monetarista.
Resta agora examinar a questão de um déficit no qual são computados os juros da
dívida. Assuma-se, portanto, que Bt = Bt/( 1+Rt -1) representa os encargos de juros sobre a
dívida no periodo 1. Novamente, fazendo com que Mt+ 1 - Mt
=
O, a restrição orçamentária dogoverno em (12) passa a ser:
(19)
Admitindo-se que, em termos reais, o lado direito de (19) se mantenha constante
para um dado déficit d=g-+v-, e que, com a estabilidade da expansão monetária, os preços
também sejam constantes, é válido concluir que as variações nos pagamentos da dívida serão
oriundas dos juros sobre os títulos:
bt+ 1 - bt
=
d (l +r) (20)A equação (20), em termos de bj ,é:
35
o
procedimento adotado anteriormente para exanunar a condição de transversalidade em (lI) será efetuado para testar, nesta nova situação, a validade da hipótesemonetarista de que o déficit público pode ser inteiramente financiado através de títulos sem
que isso acarrete inflação.
Tomando o valor de ht+ 1 em (20 I) e substituindo na condição (Ll ), tem-se que:ihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
t
lim ht+1 Bt-I
---t ~vutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAix: (1+r)!
t
=
lim [b 1 + dt (1 +r)] [---]=
Ot ~ o: (l +r
garantindo a
maxirnização
da satisfação dos agentes econômicos, sjet
os às restrições já mencionadas, no âmbito de uma economia do tipo monetarista.Dessa forma, o modelo mostra que a questão da neutralidade do déficit público em
relação ao processo inflacionário irá depender do conceito adotado no senti o de que venha
ou não a considerar os juros da dívida.
A despeito do aspecto formal com que foi tratado o tema, cabe in gar afinal, por
que a inclusão ou não da parcela de juros é crucial para verificar a alidade da hipótese
monetarista. No caso de o déficit (sem juros) ser inteiramente financiado por títulos que outra
fonte iria responder pela parcela financeira, tendo em vista que a expansão da moeda é tida
como nula') Como se observa, em sendo a restrição orçamentária do go emo formada por
títulos e moeda, o modelo não comportaria uma solução não inflacionária, ou seja, não se
encontraria na estrutura formal da restrição outra saída para o impasse. A solução reside
portanto, em incluir o montante financeiro do déficit no seu cômputo.
2.2.5 O Modelo de AGHEVLI-KHAN: O Caso dos Países em Desenvolvimento.
As questões até aqui tratadas envolviam o déficit público e as pressões por ele
exercido sobre a quantidade de moeda, estabelecendo uma relação de causalidade entre moeda
e preços, sempre na direção do primeiro para os segundos.
Esses modelos são fundamentados no estudo de CAGAN (1956) e consideram a
36
Uma formulação que leve em conta esse fato poderia analisar o efeito da inflação
ampliando o déficit fiscal financiado pelo banco central e que conduziria a incrementos na
oferta da moeda, realimentando o processo inflacionário. Haveria, portanto, uma seqüência do
tipo PihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA-» DF -»M -» P, identificando-se a dupla direção de causalidade entre moeda e preços.
Feitas estas considerações, o estudo de AGHEVLI-KHAN (1978) procura explorar
estes aspectos, levando em conta as reações do déficit fiscal
à
elevação dos preços. Ressalte-se que o referido exame foi realizado para quatro países (Brasil Colômbia, República Donúnicanae Tailândia).
Serão estabeleci das relações comportamentais para o nível de preços, gastos do
governo, receitas do governo, oferta de moeda e expectativas inflacionárias A discussão será
feita a seguir.
Para a determinação dos preços, será formulada uma demanda real por moeda que
dependa tanto do nível de renda como do custo de oportunídade para manter ati os em forma
de moeda. É razoável que supor que, em países em desenvolvimento esse custo seja medido
pela taxa esperada de inflação. Seja então:
logvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA(MIP)dt
=
aO+ a 110gYt - a2m (1o
estoque atual de moeda real é tido por ajustar-se de acordo com a relação entre a demanda presente por moeda e o estoque real de moeda do periodo anterior. ou seja:10g(MIP)
=
a [log(MIP)Dt - log (MIP») (2)sendo um coeficiente de ajustamento tal que O< a < 1.
Analogamente, a taxa esperada de inflação se ajusta de forma proporcional
à
diferença entre a taxa corrente de inflação e a taxa esperada do periodo anterior:(3)
com O<B < 1.
37
Através da substituição de (1) em (2), é obtida a seguinte relação:
log Pt
= -
ihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAcx ao - cx ajlogy, T cx a2m - (1-c )
log(MIP)t_1 + logMt (4)Tendo sido colocado anteriormente que o déficit fiscal do governo se intercala no
processo de inflação, toma-se relevante especificar as suas funções de receitas e gastos.
Neste modelo, assume-se que o nível real desejado de gastos do governo depende
da renda real, sendo esta última tida como exógena. Logo, escreve-se que:
logZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA( G I P P
=
go +gllogyt (5)Pelo lado das receitas, admite-se que estas (em termos nominais estão relacionadas
com o nível de renda nominal vigente, ou seja:
log Rt
=
to + ti (logy, +10gPt) 6)Os gastos do governo se ajustam com base na diferença entre os gastos desejados e
os gastos reais do período anterior.
log ( G I P )
=
À [log(GIP)Dt - log (GIP)t_I],()
sendo À o coeficiente de ajustamento.
A equação (7) evidencia a hipótese de que o governo tenta manter os seus gastos
reais constantes, diante dos aumentos nos preços.
O ajustamento das receitas governamentais se dá com base na diferença entre o nível
de receita desejada e a receita obtida no período anterior:
10gRt
=
L (logR Dt - logRt -I) (8)Substituindo (5) em (7), e (6) em (8), obtém-se os seguintes resultados para as
funções gastos e receitas, respectivamente:
10gGt= À go + À gl log Yt+ (1- À) log (GIP)t_1 + À 10gPt (9)
38
No caso de países em desenvolvimento é razoável a suposição de que os gastos
governamentais se ajustam mais rapidamente que as receitas, dado os incrementos na renda
nominal oriundos do processo inflacionário. Mesmo que seja adotada uma política de
contenção de gastos, existirá: dificuldade para redução das obrigações em termos reais. Dessa
forma.. para países desenvolvidos, as receitas nominais geralmente mais que acompanham a
evolução dos preços, ao passo que, em países em desenvolvimento, as receitas se defasem em
relação
à
inflação13 .A quantidade ofertada de moeda na economia será considerada como sendo uma
proporção da base monetária, tal que:
M,
=
m.H onde m=
multiplicador dos meios de pagamento (11)A base monetária (H) varia de acordo com o comportamento das reservas
internacionais, bem como com as pressões exerci das pela área fiscal do governo e pelos bancos
comerciais sobre a autoridade monetária. Então,
HtihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA= CGt + BR
onde CGt
=
"pressão" fiscal para emissãoBR
=
variação das reservas e atuação dos bancos comerciaisA equação (12) pode ser expressada por:
Ht
=
CGt + BR + Ht-l (12.1Admitindo-se que CGt seja um reflexo do déficit, (12.1) é reformulada para gerar:
(12.2)
onde Et = BR + Ht-1
Tomando a expressão da base monetária em (12.2) e substituindo na equação de
oferta de moeda, obtém-se:ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
39
(13)
Objetivando simplificar o modelo, evitando que a equação (13 tenha forma não
linear para as variáveis, procedeu-se a uma aproximação linear a avés da logaritimização tal
que:
log M,
=
log mtihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA+ Ko +K110gGt - K210gRt - K lo~onde Ko, K J, K 2 e K 3 são parâmetros relacionados m ... as amostrais dos
logaritmos de G, R e E.
o
modelo completo é, portanto, formado pelas equações l ). (9), (10) e (14), possuindo três variáveis exógenas (renda real, muItiplicador dos m o e pagamento e ocomponente das reservas internacionais adicionado às pressões dos ancos comerciais sobre o
banco central), e sendo endógenos os preços domésticos, os gastos o do governo, a
receita nominal do governo, o estoque de moeda e a taxa esperada de .
Para examinar o processo inflacionário relativo ao modelo. supõe-se que ocorra uma
alteração em E, por exemplo, fazendo com que haja uma expansão na ofena de moeda.
Recorrendo à equação (4. 1), nota-se a resultante elevação dos preço q e. por sua vez,
repercute positivamente sobre as receitas e despesas do governo eq ações 9 e 10,
respectivamente) .
Considerando que os incrementos nas despesas do governo supera o crescimento da
receita., a conseqüência é a expansão do déficit fiscal. Isso provoca uma nova expansão de base
monetária, fazendo repetir-se todo o processo.
Diante das hipóteses adotadas, conclui-se que o déficit fiscal se constitui no
principal elemento desestabilizador da inflação, evidenciando o fato de que uma política fiscal
passiva, em períodos de alta nos preços, toma-se extremamente perigosa.fedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
2 .2 .6 O D é fic it P ú b lic o : F in a n c ia m e n to , V a r iá v e is r e a is e I n fla ç ã o .
Na apresentação dos modelos anteriores, a ligação entre o déficit público e a
inflação se deu basicamente através das formas de financiamento, que terminavam por serem
40
A
base daqueles argumentos essencialmente é encontrada na Teoria Quantitativa daMoeda, que relaciona moeda e preços. Dessa forma, o financiamento do déficit de governo via
expansão monetária ou através de títulos (com conseqüências sobre a oferta de moeda), nesse
contexto teórico, se configura num verdadeiro elemento de pressão inflacionária.
Quando se estabelece uma relação entre moeda e preços, como na Teoria
Quantitativa, é necessário verificar que, no decorrer de um movimento aparentemente
mecânico e automático, estão envolvidas diversas variáveis de cunho real, cujo
inter-relacionamento por vezes se toma muito complexo. No caso da Teoria Quantitativa, moeda
determina variação nos preços pelo fato de se supor que uma expansão monetária cause
primeiramente uma modificação no nível de despesas dos agentes privados J
Toma-se relevante, portanto, examinar os aspectos ineren es ao decorrer" desse
processo, no intuito de avaliar teoricamente o peso de expansão o aria enquanto
determinante inflacionário. Da mesma forma, necessita-se averiguar q e o " relações reais
estão inseridas na questão inflacionária relativa aos títulos públicos. Para . orar a questão
monetária, será utilizado o referencial teórico de Keynes.
2.2.6.1 Oferta Monetária e Preços: Uma análise em Keynes.
Identificar o problema da relação entre déficit público e infla - o. e uma forma
explícita, na discussão teórica Keynesiana seja tarefa talvez até impossrve . .a erdade, o
contexto histórico da Teoria Geral exigia respostas a outras questões. . almente ao
desemprego. Apesar disso, a partir das colocações acerca dos determinan: os preços é
possível derivar processos que englobem o déficit do governo e a infla - oihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAâm no de
Keynes.
No processo produtivo, existem certas tendências "naturais" de elevação dos preços.
Uma delas refere-se
à
negociação dos salários, que tende a afetar os custos das firmas e, consequentemente, o nível de preços.A
outra, relacionadaà
produtividade decrescente de trabalho, também contribui para a elevação dos custos, mediante a expansão do emprego, quepor sua vez seria decorrente do aumento da demanda agregada.ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
41zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
Fixemo-nos nessa última questão. Suponha que o governo, no intuito de financiar
seu déficit, utilize-se de uma política monetária expansionista, ampliando a base monetária.
Para Keynes, tal movimento implica na queda da taxa de juros, repercutindo sobre os
investimentos e elevando a demanda agregada 15 . A partir dai é de se esperar um aumento do
emprego da economia, admitindo um certo nível de capacidade ociosa.
Como já explicado anteriormente, devido
à
produtividade decrescente do fator trabalho, o incremento no nível de emprego será também acompanhado pela elevação doscustos e, portanto, dos preços dos bens finais. No entanto, o principal efei o do aumento do
emprego da economia é sobre o nível de produto, que irá se expandir Tem-se, dessa forma,
que as variações na quantidade de moeda se traduzem, em parte, numa eleva - o dos preços e,
em parte, num aumento da produção.
No caso especial em que a economia esteja operando a nive de le o emprego, a
expansão monetária implicaria, ao final, apenas elevação dos preços É esse o limítrofe (o
pleno emprego) que definiria os efeitos inflacionários ou não da mo _.as situações de
capacidade ociosa, a expansão monetária seria, como o próprio Keynes re eria, apenas uma
"questão de grau", nada se podendo afirmar acerca do seu caráter inflacionário'
2.2.6.2fedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBATítu lo s P ú b lic o s e I u fla ç ã o .
Novamente se buscará nas relações teóricas keynesianas ele e os capazes de
subsidiar a questão inflacionária, agora sob o prisma dos títulos público Com isso, será
analisado o impacto da emissão de dívida pública sobre a demanda agrega e 50 re a taxa de
juros, tendo em vista que a expansão monetária advinda das operações de mercado aberto
pode ser entendida com base nas considerações do subtópico anterior.
o
governo, ao emitir títulos de sua dívida, coloca à disposição dos di ersos agentes privados mais um ativo que irá compor as carteiras individuais. Na hipótese de se considerartais títulos como sendo riqueza, é possível que os agentes econômicos enham a elevar seus
gastos, afetando a demanda agregada 17 .ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
1 5vutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAOs investimentos reagem ao movimento da taxa de juros conjugada com a eficiência marginal do capital, ou retomo esperado sobre os investimentos.
16 Essas conclusões, como se sabe, dizem respeito ao periodo de curto prazo. So longo prazo, Kevnes considera que o efeito sobre os preços irá depender basicamente da elevação dos custos das firmas em relação ao aumento da eficiência dp sistema produtivo.
42zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
Considerando o nível de capacidade da economia. o aumento da demanda agregada
via "efeito-riqueza" dos títulos poderia ser inflacionário ou não. Tendo em vista que seria
preciso evidenciar empiricamente o efeito-riqueza, além da necessidade de se constatar que ele
é canalizado para aumento dos gastos agregados, as conclusões a respei o do impacto
inflacionário dos títulos públicos, sob essa ótica, fariam pane de o tro trabalho mais
específico.
o
efeito da dívida pública sobre a taxa de juros pode conclusões acerca de seus efeitos sobre a inflação. Um caminho seriados investimentos, que afetariam a demanda agregada e iriam
dependendo do nível de capacidade da economia. Esse tipo de
anteriormente.
conduzir a melhores
ex ansão-redução
os preços,
analise ja foi realizado
Outro canal de transmissão seria através dos custos das empresas.
por aumentos nas taxas de juros. Refere-se, portanto, ao custo financeiro
significativo aumento, dada uma política de endividamento público basea .
"prêmios" elevados com vistas a garantir o financiamento da dívida _
raciocínio admite que as empresas recorrem freqüentemente ao crédito an
financiar a produção, ou o fato de que a taxa de juros funciona como
economia, estando presente em todas as transações.
e se elevariam
que teria
o agamemo de
entalo Esse
-no. no sentido de
eço dentro da
Além disso, a fixação dos juros que remunerem os títulos do go 'e o pode sinalizar,
em ambientes inflacionários, boas ou más expectativas, balizando a a - e dos diversos
agentes econômicos em relação aos preços futuros. Esse componente de e ectarivas apesar
de complexa aferição, exerce um papel fundamental dentro do processo inflacionário
No caso brasileiro, como salienta TOLEDO (1992), o nível de taxa de juros pago
sobre a dívida interna