Túmulo do vizir Ramose (TT 55)
1 – Duas estelas não acabadas.
2 – Lintel exterior: o defunto ajoelhado em adoração. Ombreiras: Textos na parte superior, Ramose sentado, na parte inferior. Espessura esq. O defunto e a esposa em adoração, hino a Ré. Espessura dir. o defunto entrando com o seu pessoal. Interior das ombreiras, hinos e títulos. Pl. III-V, XLI [2, 3].
3 – O defunto consagra oferendas seguido por oficiais e por três oficiais, com caules de papiro. Sub-cena: três cantores, magarefes e portadores de oferendas. Pls. VI, VII, XIII [2], XLVI (dir.), XLVII (dir.).
4 – Dois registos: I, Convidados diante do defunto, representado com um ganso, como animal de estimação, esposa e pais. II, Quatro casais diante do defunto e esposa, e Amen-hotep, o irmão, filha e esposa, com um gato e um ganso debaixo da cadeira. Pls. VIII-XII, XLVII (esq.).
5 – Dois registos: Procissão funerária, incluindo sacerdotes, carpideiras, nove amigos e oficiais. Pls. XXIII-XVII, XLIX.
6 – Dois registos: I, o defunto e a esposa entoam um hino de adoração a Osíris e outras divindades. II, quatro representações do morto diante do túmulo e dos portões. Pls. XXII, XXVIII [2].
7 – O defunto oferecendo os ramos de flores de Amon e de Ré-Horakhti a Amen-hotep IV, entronizado junto de Maet. Pls. XXIX-XXXI, LII (esq.), LV [4].
8 – O defunto, na companhia da esposa e de portadores de oferendas, verte incenso sobre uma braseira. Sub-cena: Portadores de oferendas e magarefes. Pls. XIII [1], XIV, XV, XV, XLIV.
9 – Dois registos. I, três raparigas com sistros e menats diante do defunto e da esposa. II, purificação da estátua de Ramose. Pls. XVIII, XXI (dir.), XLVIII e frontispício. 10 – Dois registos. I, duas filas de sacerdotes apresentam oferendas de unguentos a Ramose, esposa e pais. II, um sacerdote sem celebra ritual diante do defunto, sua esposa e de Amen-hotep e sua esposa. Pls. XVI, XVII, XIX-XXI (esq.).
11 – O defunto recebe ramos de flores vindos do templo. Pl. XXXVIII.
12 – Dois registos: I, o defunto é recompensado e aclamado pelos cortesãos. II, o defunto recebe cortesãos e delegados estrangeiros (núbios, asiáticos e um líbio). Pls. XXXIV (dir.), XXXV, XXXVI (dir.), XXXVII, LIV. 13 – Ramose, perante Amen-hotep IV e Nefertiti. Pls. XXXII-XXXIV (esq.), XXXVI (esq.), LII (dir.), LIII 14 – Entrada para a câmara interior. Lintel exterior: cena dupla com o defunto diante do nome de Hórus e da cartela de Amen-hotep III. Ombreiras: textos, na parte inferior o defunto sentado. Espessura esq.: O morto e a esposa en-trando, hino a Ré. Espessura dir. O defunto e seu acompanhamento regressando ao túmulo. Texto autobiográfico e hino aos deuses da Duat.
Fig. 1 – Planta do túmulo de Ramose, TT 55, e localização iconográfica, segundo PORTER e MOSS, TBAE, vol. I, p. 106 e SILIOTI, Alberto, El valle de los reyes y los templos y necrópolis de Tebas, p. 156
Fig. 2 – Localização da rampa de acesso à câmara funerária do túmulo do vizir Ramose. TONIC, François, La Tombe de Ramose.p. 13.
Embora já conhecido desde 1860, o túmulo do vizir Ramose (figs. 1-2) só em 1884 foi alvo dos primeiros trabalhos de investigação, dirigidos por Henry Stuart-Villiers1, consistindo na
libertação da parede Sul. O trabalho prosseguiu com Arthur Weigall2, em 1904, mas houve que
esperar até 1924 para que o TT 55 fosse completamente livre de areia e escombros, no decorrer da intervenção conjunta de Sir Robert Mond3 e Walter Emery4. Em 1927, Émile Baraize5 reconstruiu
as colunas, inserindo os fragmentos que foi possível encontrar, e construiu um novo tecto para protecção do monumento. O primeiro estudo científico do túmulo e da sua iconotextualidade só foi publicado em 1941 e é da autoria de Norman de G. Davies6. A descrição que, seguidamente se faz,
do túmulo de Ramose é baseada neste estudo, bem como na obra actualizada de François Tonic7.
1TONIC, François, La tombe de Ramose p. 14. Henry Stuart-Villiers, 1827-1925. Militar, clérigo, parlamentar
e estudioso inglês. Depois da intervenção da Inglaterra no Egipto em 1882 foi para ali enviado para reportar acerca das suas condições de vida.
2 Arthur Weigall, 1880-1934. Egiptólogo inglês. Substituiu Howard Carter em Luxor, onde permaneceu até
1911. Trabalhou com Sir Alan Gardiner nos Túmulos dos Nobres.
3 Sir Robert Mond, 1867-1938. Químico e egiptólogo inglês. Trabalhou na necrópole tebana com Percy
Newberry, Howard Carter e Arthur Weigall.
4 Walter B. Emery, 1902-1971. Egiptólogo inglês. Integrado na Egypt Exploration Society, trabalhou nas
escavações de Amarna, bem como em Sakara e Lucsor. A sua acção decorreu igualmente na Núbia e no Sudão.
5 Émile Baraize, 1874-1952. Egiptólogo francês. Sucedeu em 1912 a Alessandro Barssanti como director do
Egyptian Antiquities Service. Trabalhou na reconstrução de vários monumentos, nomeadamente a Grande Esfinge de Giza.
6DAVIES, Norman de G., The Tomb of the vizier Ramose. Mond Excavations at Thebes 1, London: The Egypt
Exploration Society, 1941
O túmulo segue o modelo básico de estrutura em T mas as zonas normais ao eixo sofreram um grande desenvolvimento8. Daqui resulta uma larga sala hipostila, 5, dotada de trinta e duas
colunas, e uma câmara interior, 7, bastante mais estreita e com oito colunas.
O local de enterramento que contém o ataúde e o mobiliário funerário, 11, situa-se a um nível inferior, fig. 2. O acesso faz-se através de uma rampa, 9-10-11, que sai da região superior, à esquerda de quem entra, passa por baixo do túmulo até atingir a câmara funerária, 11. O túmulo não foi acabado9. A câmara 7 e a capela 11 não receberam qualquer decoração e as estátuas previstas
para os vários nichos desapareceram ou talvez não tenham sido executadas. O local foi reocupado e três túmulos ali foram cavados, ao nível do pátio, na época ramséssida.
As imagens de Akhenaton e Nefertiti e suas respectivas cartelas foram marteladas, em clara manifestação anti-atonista, embora o protocolo «clássico» de Amen-hotep IV não tenha sofrido quaisquer depredações10. A beleza das suas figuras tornou este túmulo num dos mais visitados de
todo o Vale dos Nobres mas, tal como o autor pôde comprovar pessoalmente, a zona visitável do TT 55 limita-se à escadaria, pátio e sala hipostila, terminando no ponto 6, que está obstruido por grandes pedras.
A porta de entrada, sobrepujada por uma bela cornija, foi parcialmente reconstituida. Mostra o defunto em adoração e possui restos de texto.
Fig. 3 − Túmulo do vizir Ramose, TT 55. Lintel e exterior da porta, (restaur.). DAVIES, Norman de G., The Tomb of the vizier Ramose, Pl. III.
8TONIC, François, La tombe de Ramose, p. 12. 9 Ibidem, p. 15
A iconografia do túmulo reparte-se por cinco assuntos principais: 1 – Banquete funerário Pls. VI, VII, XII [2]; VIII-XII (3+4)11.
2 – Cortejo funerário Pls. XXIII-XXVII; O defunto e a esposa diante dos deuses, hino a Osiris Pls. XXII, XXVIII [2] (5+6). Este conjunto de cenas é estudado no Cap. VII.
3 – Purificação de Ramose. O vizir verte incenso no brazeiro, Pls XIII [1], XIV, XV, duas jovens agitam sistros diante do vizir e sua esposa, purificação da estátua de Ramose, Pls. XVIII, XXI (dir.). Duas filas de sacerdotes com unguentos diante do defunto (com um ganso sob a cadeira), esposa e pais, o sacerdote sem com a lista das oferendas diante do casal e de Amen-hotep e esposa, Pls. XVI, XVII, XIX-XXI (8+9+10).
4 – Oferenda de ramos de flores, provenientes da tríade tebana (Amon, Mut e Khonsu) e de Ré-Horakhti, a Amen-hotep IV acompanhado pela deusa Maet Pls. XXIX-XXXI, (7).
5 – Recompensa do vizir Ramose, Pls. XXXII-XXXIV (esq.)XXXIV (dir.), XXXV, XXVI (dir.), XXXVII, (13+12). Ramose recebe flores do Templo de Karnak, Pl. XXXVIII, (11).
2. Cargos, títulos e epítetos do vizir Ramose
r-pat HAty-a Senhor e membro da elite
sp r-pat Smaw ta-mHw
Administrador do Alto e do Baixo Egipto mrt nTr
Amado do deus (o rei)
r shr r m tA rDr
Uma boca que dá satisfação à terra inteira smr aA n mr(w)t
Companheiro grandemente amado
Hry-tp n tA r-Dr Superintendente da terra inteira smr-wa
Companheiro único
sAb Dignitário12
sDAw bity
Chanceler do rei do Baixo Egipto
sAb tAty Dignitário da cortina 13 imy-r niwt Governador da cidade r-Nxn(y) Boca de Nekhen
11 A numeração romana refere-se às pranchas de DAVIES, Norman de G., The Tomb of the vizier Ramose. Os
números árabes referem-se à sua localização das cenas de acordo com PORTER. Bertha e MOSS, Rosalind L. B.,
TBAE, vol. I. The Theban Necropolis, Part One: Private tombs..
12 Juiz, na tradução de Davies, embora este fosse designado por termos como DADAt ou qnbt. 13 Um epíteto do vizir.
TAt(y) Vizir
Hm-nTr MAat
Sacerdote (da deusa) Maet imy-r kAtw m mnw wrw
Superintendente dos trabalhos nos grandes monumentos
sAb m wpwt iwnwt
Juiz encarregado do inventário dos bens dos deuses de Heliópolis14
imy-r sSw
Superintendente dos documentos
wpi mAat O que faz justiça
wpi mAat m Xrt-hrw Hnk.sy r ah n nb.s
O que faz justiça diariamente e apresenta-a no palácio ao senhor dela15
iri mAat msdt bin SsyA
O que pratica a maet e odeia os preceitos do mal imy-r Hmw-nTr SmAw tA-mHw
Chefe dos sacerdotes do Alto e do Baixo Egipto imy-r Hwt-nTrw nbw
Superintendente dos templos de todos os deuses wr mAw
Grande dos videntes16
Hry sStA m(w)dw nTr
O que está no segredo das palavras divinas sSm n Htpw nTr
O que lidera as oferendas do deus Hry sStA n wAD iarty
14 wpwt, «inventário, lista». Quanto à palavra seguinte, pertence ao campo semântico de iwn,
«coluna» e permite, tendo em conta o plural, uma tradução como iwnyt, «sala hipóstila». Por outro lado, se se admitir um erro de escrita é possível considerar Iwnw, «Heliópolis» ou «os habitantes (divinos) de Heliópolis». Ramose poderia ser o «juiz encarregado do inventário dos bens dos deuses de Heliópolis», na verdade era sumo-sacerdote do seu templo. Daqui, a tradução que foi feita.
15 Amen-hotep IV, sempre se considerou como vivendo «em maet». Não seria essa a opinião dos seus
sucessores.
O que está nos segredos das duas deusas-serpente17
rh Dsrw nTrw nbw
O que conhece os segredos de todos os deuses rh StAw dwAt
O que conhece os segredos da Duat
rx Dsrw Iwnw Smaw
O que conhece todos os mistérios de Iunu do Sul (Tebas)
aqw sStAw nw pt n tA
O que entra nos segredos do céu e da terra
sm
Sacerdote-sem
Xrp Sndyt nbt
O que está à cabeça de todos os funcionários18
tkn m nb.f
O que tem proximidade com o seu senhor
irty @r m pr.f
(Os dois olhos) de Hórus na sua casa smnx mnw.f
O que põe em ordem os seus monumentos
mH ib mnx nb tAwy
O que tem a plena confiança do senhor (das Duas Terras)
Hry sStA pt nsw
O que está nos segredos da casa do rei
mn Hswt xr nb tAwy
o que é firme no favor do senhor das Duas Terras mr r nb tAwy Hry Hm nit.f
A quem o senhor das Duas Terras ama pelas suas virtudes
Hsy mri nb tAwy
O que é favorecido e amado pelo senhor das Duas Terras
Hsi n nfr-nTr
O que é favorecido pelo deus bom
aq r aH pri Xr Hswt
O que entra e sai em favor do palácio (r)di tp-rd n Snyt
(O que) estabelece as regras da aristocracia19
wr wrw
O maior dos grandes
saH smrw Hri tw Hr priw n r.f
17 Uadjit foi, por excelência, a serpente protectora da monarquia egípcia. Representava a coroa real
divinizada. Existiam outras deusas-serpente, como Ueret-Hekau, «grande em magia», considerada como esposa de Ré. Ver SALES, As Divindades Egípcias. Uma chave para a compreensão do Egipto antigo, pp. 198-202, 267.
18 Lit. «dos saiotes».
19 Lit. «os que estão no círculo»; de Sni, «delimitar por uma circunferência». O texto refere-se aos que
Líder dos companheiros20 As pessoas ficam satisfeitas com o que sai da sua
boca wa m (r ) n rx(y)t
Um que está na (boca) do povo
sHtp ib n Hnmmt
(O que) apazigua o coração do povo de Heliópolis21
Sr m HAt (n) rx(y)t Um oficial que está à frente do povo
nD xrt tA pn
Um que investiga esta terra
3. Entrada. Recesso sul22
Fig. 4 − Túmulo de Ramose, TT55. Entrada, recesso sul. Saudação ao deus solar, por Ramose e sua esposa, Merytptah, emergindo do túmulo. As palavras da senhora perderam-se, as do vizir são parcialmente legíveis.
DAVIES, Norman de G., The Tomb of the vizier Ramose, Pl. IV
1
(iAw n Ra-Hr-Axty in … ) r-pat HAty-a iry Nexn
(Louvores a Ré- Horakhty pelo …23) senhor e membro da elite, o de Nekhen24
2
sAb m wpwt iwnwt (… TAt(y) Rams mAa-Xrw)
Juiz encarregado do inventário dos bens dos deuses de Heliópolis (… o vizir Ramose, justificado, ele diz:) 25
20 De saH, «dignitário»; do campo semântico de saAy, «tornar grande, promover». 21 Hnmmt, «povo de Heliópolis, povo do Sol». Note-se o erro h por H. 22 Recesso. Designa a espessura da parede de uma janela ou porta.
23 Tradução possível.
24 Hieracompólis, Kom el-Ahmar, no Alto Egipto. 25 Reconstrução possível.
3
psd.k psd mwt.k xay nsw im pt nsw
Tu brilhas no dorso de tua mãe, apareces em em glória como rei no céu, como rei… 4
… … … mr dswy … r m Htpw sbi
… … … o Lago das duas Facas … está em repouso, 5
sbi xrw awy.f … … xrw r nmt.sn
o rebelde foi derrubado e os seus braços (amarrados) … … (e levado) de rastos até ao lugar de execução deles (dos rebeldes)
6
nTrw ib.sn nDm wnn Ra …
(Quanto aos) deuses, o seu coração está alegre e Ré está … 7
nTrw rstyw nTrw mxtyw nTrw imntyw nTrw iAbtyw dwA.k
Os deuses do Sul, os deuses do Norte, os deuses do Ocidente e os deuses do Oriente adoram-te.
Recesso norte, (Pl. V)
Fig. 5 − Túmulo de Ramose, TT 55. Entrada, recesso norte. Saudação ao deus solar, por Ramose, reentrando do túmulo. DAVIES, Norman de G., The Tomb of the vizier Ramose, Pl. V.
8
… aq(w) Xr Hswt nTr-nfr r Htp m … …TAt(y) Rams mAa-Xrw… …
… (Trazendo) provisões, trazendo jarros de água, pelo deus perfeito, para o repouso… do vizir Ramose, justificado.
9
… H .k … … s … … m r ….. prw niwt nbw sSm n Htpw nTrw
… … … … casas e todas as aldeias, (o que) conduz as divinas oferendas26
10
rx Dsrw Iwnw Smaw
e conhece todos os mistérios de Iunu do Sul (Tebas) 11
…s nsw-bit(y) xai m Sw… Hb-sd… nbw m Haawt… H..
… o rei do Alto e do Baixo Egipto que aparece em glória como a luz do Sol… jubileu… e todos estão em júbilo…
Xr st Hr.f
trazendo para o seu lugar 12
… … m d(w)At Ddw … … Wnn-nfr(w) nb Dt … … …t.f … … na Duat e em Djedu (Busíris27)… Uenen-nefer28, senhor da eternidade … dele
13
… n rk.i… ti n nb… sn tA.k
… do meu tempo… do senhor… beijar a tua terra29
26 Referência ao conhecimento da liturgia dos rituais de oferenda aos deuses, por parte de Ramose. 27 Busíris, cidade do Delta, cujo patrono era Osíris.
28 Lit. «aquele que está sempre feliz». Epíteto de Osíris ressuscitado.
m… .k iw iri(.n.i) como…te. Eu actuei30
14
… … mtr(i) n pHty(.k) … t… . i … … dou testemunho da tua força31 … -me …
Abertura da porta de entrada, recesso sul, Oração a Ré-Horakhti
15
rdit iAw n Ra-¡r-Axty Dando graças a Ré-Horakhti32
16
…r-pat HAty-a mrt nTr r shr m tA r Dr.f sm
… o senhor, o nobre, o amado do deus 33, uma boca que dá satisfação à terra inteira, o sacerdote sem,
30 Sobre a forma iw.n.iri, ver GARDINER, p. 385.
31 Tradução possível se o original for mtr.i pHty.k, «dou testemunho da tua força».
Note-se que no original as extremidades superiores dos signos T14 estão voltadas para a direita.
32 Trata-se de uma reconstituição possível, com base em textos contemporâneos. 33 O rei.
Fig. 6− Túmulo de Ramose, TT 55. Abertura da porta de entrada, recesso sul. Saudação ao deus solar, por Ramose e de Meryt-Ptah, saindo do túmulo. DAVIES, Norman de G., The Tomb of the vizier Ramose,
Pl. XXXIX.
17
Aqw sStAw nw pt n tA
o que está à frente de todos os funcionários e penetra nos segredos do céu e da terra, 18
imy-r niwt TAt(y) Rams mAa-xrw Dd.f
o governador da cidade, o vizir Ramose, justificado. Ele diz34:
19
Hy.i.k Imn-Ra-Itm- @r-Axty nb pt nb tA Eu te saúdo, Amon-Ré-Atum-Horakhti, senhor do céu e da terra, 20
Iri Xrw Hrw nb r Dr
o que fez os que estão em baixo e os que estão em cima, senhor de tudo (o que existe), 21
KAmwt.f nsw n Iwnw wr WAst… xnty itrtyw
Kamutef, soberano de Heliópolis, príncipe de Tebas, … o que está à frente dos dois santuários, 22
bs Dsr imy m Hwt-bnw
o que foi iniciado nas coisas sagradas da Casa do Benu, 23
sxaw m Imn-Ra ib(h)tw sqdy
obra gloriosa de Amon-Ré, mandada construir em pedra de Ibhet em toda a sua volta. 24
…qnw Tsi.i nmt(.i) xft-Hr-nbs nb tmw
…o que está completo (Atum?) e que eu exalto ao atravessar Khefet-her-nebes (Tebas), o senhor de todos os seres humanos,
25
it mn(iw) nTrw ity SmAw ta-mHw iw nTrw m nbsw
pai e pastor dos deuses, soberano de Alto e do Baixo Egipto, de quem os deuses se aproximam, reverentes
26
psDt tm Hr tiXt.sn
e toda a Enéade em prostração (lit. «sobre os seus ventres»).
27
(pt n) Hsyw sbAw (m Haa)wt n.f
O céu (rompe) em louvores e as estrelas (estão cheias) de alegria por causa dele, 28
Imyw dAt iri hy hnw
Os que estão na Duat fazem aclamações e louvores. 29
THw TA nb m nfrw.f
Toda a terra está alegre com a tua beleza 30
wa Hr xw.f… (m) Sfty(.f) pXr n bAw… manDt
única e sem par… (na sua) dignidade e os bau (esvoaçam) em redor da barca da alvorada. Também Merytptah, esposa do vizir, faz uma oração:
31
dwA Ra wbn.f m Dw Xrt-hrw nt ra-nb
32
in snt.f Smayt nt Imn nbt-pr PtH-mryt mAat-xrw pela sua esposa, a cantora de Amon, a dona de casa, Merytptah, justificada.
Abertura da porta de entrada, recesso norte
33
Dd-mdw in r-pat HAty-a Hry sStA pr-nsw imy-r niwy TAt(y) Rams mAa-xrw
Palavras ditas pelo senhor e nobre, o que está nos segredos do palácio, o governador da cidade, o vizir Ramose, justificado:
34
ii.n.i m http r is.i Xr Hswt n nTr-nfr
Eu vim em paz para o meu túmulo (mantendo) o favor do deus perfeito.
Fig. 7 − Túmulo de Ramose, TT 55. Abertura da porta de entrada, recesso norte. Ramose saúda os deuses da Duat. Norman de G., The Tomb of the vizier Ramose, Pl. XL.
35
iri.n.i Hsst nsw rk.i nn HDi tp-rd wDt.n.f
Fiz o que era agradável ao rei do meu tempo e não desobedeci às leis decretadas por ele, 36
nn iri.i isft r rmT n mrwt Htpy Hrt smt.i
não pratiquei mal contra o povo, a fim de que (pudesse vir a estar) em paz (sob) o céu, na minha necrópole
Hr wnmy wr r WAst
que está sobre a mão direita de Tebas35.
37
Dd-mdw in r-pat HAty-a r shr m tA rDr.f sm Xrp Sndyt nbt
Palavras ditas pelo senhor e nobre, uma boca que dá satisfação à terra inteira, o sacerdote sem, o que está à frente de todos os funcionários,
38
sDAw-bity imy-r niwt TAt(y) Rams mAa-xrw
o chanceler do Baixo Egipto, o governador da cidade, o vizir Ramose, justificado. 39
i.i nTrw nbw d(w)At DADAt imyt tA Dsr
Ó (vós) todos os deuses da Duat (e vós) concílio divino que estais na terra sagrada, 40
sra-wAt tnwy n nb (n)HH dwA.i sw qmA.i
encaminhai-me até ao Senhor da Eternidade para que possa adorá-lo e apresentar(-lhe)
SfSfywt(.i) os (meus) respeitos. 41
wsx n.i st sn tA m-m wrw imyw Smsw.k
Possa eu ter um lugar espaçoso para beijar a terra entre os grandes que são teus (seus) seguidores. 42
Ssp.i Awt Xft Hmwt.sn m snw
35 Isto só é válido, atendendo a que os antigos egípcios se orientavam virados para a nascente do Nilo, para
Possa eu receber as oferendas diante de Suas Majestades, como oferendas de alimento
n Wnn-nfr de Uennefer. 43
irt nw n.i m ib mry r wDAw iri.n.i tp tA
Fazei isto para mim com o coração (pleno) de boa-vontade, tal como eu o fiz (para vós, quando estava) sobre a terra.
44
iw drp.n.i n nTrw Dwi.n.i psDt tm Eu ofereci aos deuses, chamei até mim toda a Enéade 45
wab nbwy twri nbwy Xr xt m-bAH KAmwt.f
(para uma oferenda) − quão limpa e quão pura! − trazendo dádivas à presença de Kamutef. 46
iw snm.n.i n nsw bitAw
Eu alimentei os reis do Alto e do Baixo Egipto, 47
mrr n Imn m pr.f Hmyt-nsw msw-nsw smrw Hsi n kA.f
amados por Amon, no seu templo, as esposas e os filhos reais e os companheiros, tal como aprazia ao seu ka.
48
nn m h(y).i Hr dm.i rn.sn mt Xrt-hrw nt ra-nb
Não fui negligente (em) pronunciar o nome deles ao longo do dia e em todos os dias.
Parede oriental. Metade sul.
A seguir à entrada, na parede oriental, tem lugar uma grande cena de oferenda aos deuses e o banquete funerário que junta o vizir, seus familiares, colegas e amigos (Figs. A.1-A.2)
Fig. 8 − Túmulo de Ramose, TT55. Parede oriental, lado sul. Ramose faz uma oferenda aos deuses solares, DAVIES, Norman de G., The Tomb of the vizier Ramose, Pl. VI.
49
smAa xt nbt nfrt wabt (n) Imn-Ra nsw-nTrw (n) Ra-@rAxty (n) Itm n xpry
Efectivação de uma oferenda de todas as coisas boas e puras (a) Amon-Ré, rei dos deuses, a Ré-Horakhti, (a) Atum e a Khepri
50
n (irt).f n dt.f n Dt.f ao seu (olho), à sua mão e ao seu corpo, 51
n (msktt) (n) mandt
à barca Meseketet e à barca Menedet36,
52
n nTrw rsy (n nTrw) mHty aos deuses do sul e aos deuses do norte, 53
n nTrw imnt n nTrw iAbty
aos deuses do ocidente e aos deuses do oriente,
36 Referência às duas barcas a bordo das quais Ré efectua o seu percurso. A barca Meseketet é a barca da noite
54
(n) nTrw nbw (n nTrwt nbwt) (a) todos os deuses e (a todas as deusas) 55
(Hr-tp) nsw-bit(y) nb tAwy… (Rams dd.f dwA Ra-@rAxty) wbn.f
e (em favor) do rei do Alto e do Baixo Egipto, senhor das Duas Terras. (O vizir Ramose, ele diz: Adoração de Ré-Horakhti) quando ele nasce.
56
di.f wnn.i m-ma Smsw.f Htp bA.i (m)sktt
Permita ele que eu esteja entre os seus seguidores e repouse o meu ba na barca da noite,
mt Xrt-hrw nt ra-nb no decurso do dia e por todos os dias Sob o cotovelo de Ramose:
57
wab n kA.k Imn-Ra O teu ka é puro, ó Amon-Ré!
Fig. 9 − Túmulo de Ramose, TT55. Parede oriental, centro. Portadores das oferendas aos deuses solares. As colunas do centro e da direita ostentam marcas a tinta vermelha onde seriam distribuídos os hieróglifos.
DAVIES, Norman de G., The Tomb of the vizier Ramose, Pl. VII. Registo superior. Frente ao primeiro membro do cortejo:
58
… iw NbmHyt iri.n sS Iry… … é Nebmehyt e fez o escriba Iry. Linha horizontal
59
ms xt-nbt nfrt wabt n kA.k
Trazendo todas as coisas boas e puras para o teu ka, 60
Imn-Ra nsw nTrw nbw
ó Amon-Ré, senhor de todos os deuses! 61
wab awy r-pat HAty-a Hmy nb tAwy
O sacerdote de mãos puras, o senhor e membro da elite (da) Majestade do senhor das Duas Terras… A região inferior da Pl. VII mostra não só os portadores de oferendas mas os açougueiros que desmancham a carcassa de um boi acabado de matar. Um deles transporta a cabeça do animal.
Fig. 10 − Túmulo de Ramose, TT55. Parede oriental, centro. Portadores das oferendas aos deuses solares e magarefes. DAVIES, Norman de G., The Tomb of the vizier Ramose, Pl. XIII-2.
62
I(A)w m pt hnw m Hwt-aAt ihhy m Xnw wsxt Louvor no céu, júbilo na Casa Grande37, exultação na corte:
63
tAwy @r m Haawt ( Imn Hr st wrt wbn.f m Imn-Ra nb (tAwy) As Duas Terras estão em júbilo (quando) Amon, no seu trono poderoso, se ergue
m Imn-Ra nb (tAwy)
como Amon-Ré, senhor das Duas Terras 64
swAH.f Nb-MAat-Ra di anx di.f aHaw.f smA m (n)HH
e faz perdurar Nebmaetré, dotado de vida, concedendo-lhe o seu tempo de vida,38 unido com a
continuidade,
rnpwt.f dmd m Hfnw
com os seus anos (de vida), num total de centenas de milhar. 65
niwt TAt(y) Rams mAa-xrw Hsiwt nb.k Imn-Ra
Ó governador da cidade, ó vizir Ramose, justificado, concede-te favores o teu senhor, Amon-Ré,
m pr.k anxw na tua Casa dos Vivos. 66
nTrw nbw imnty tA Haa(wt) m mrw.k iw wdn.k
Todos os deuses do ocidente estarão em júbilo por tua causa, quando fizeres39
67
htp di nsw n Imn-Ra-@r-Axty
38 O tempo de vida de Amon isto é, a eternidade. Recorde-se que o rei é sempre aA m
aHaw.f, «grande no seu tempo de vida».
“Uma oferenda que o rei faz” a Amon-Ré-Horakhty40, a Atum, senhor de Iunu,
68
n irt.f n Drt.f n Dt.f Wsir ¢nty-imntyw ao seu olho, à sua mão e ao seu corpo, a Osíris-Khentamentiu41
69
n @t-Hr Hry.T smt n I(n)pw nb tA-Dsr A Hathor, senhora da necrópole, a Anúbis, senhor de Ta-djeser 70
nTrw nbw dwAt
e a todos os deuses da Duat. 71
mAaw wabw n kA.k Oferendas puras para teu ka,
Frente aos três primeiros membros do cortejo: 72
Sspwt nt Smayt recebidas pela cantora. 73
… Ha wr n (iwA n) ntrw nbw WAst Imn nb tAwy
… boa carne (de boi para) todos os deuses de Uaset (Tebas) e para Amon, senhor das Duas Terras.42
Parede oriental. Lado Norte
Ramose faz uma oferenda aos deuses43
74
40 Início da Coluna 6.
41 «Osíris, o que está à frente dos ocidentais» isto é, os mortos. 42 Trata-se apenas de uma reconstituição possível.
Wdn (xt-nbt wabt nfrt) antyw snTr Oferecendo todas as coisas puras e boas, mirra e incenso 75
(n Imn-Ra… n) Inpw nb qAA.f
(A Amon-Ré… a) Anúbis, senhor da sua colina,
Fig. 11 − Túmulo de Ramose, TT55. Parede oriental, lado norte. Ramose faz uma oferenda aos deuses. DAVIES, Norman de G., The Tomb of the vizier Ramose, Pl. XIV.
76
n @t-Hr Hry.T smt …n (msktt) (n) mandt
a Hathor, senhora da necrópole, …à barca Meseketet e à barca Menedet.
n kA.k Ssp bw nfr (Sbw Imn-Ra) Para o teu ka. Recebe a boa (comida, Amon-Ré44)
Região abaixo da Pl. XIV.Portadores de oferendas e magarefes
Fig. 12 − Túmulo de Ramose, TT55. Parede oriental, lado sul. Portadores das oferendas aos deuses solares e magarefes. DAVIES, Norman de G., The Tomb of the vizier Ramose, Pl. XIII-1.
Frase no extremo direito da figura:
77
… … Hr awy imy-r niwt TAt(y) r-Nxn(y) Hm-nTr mAat Rams mAa-xrw … … imediatamente, o governador da cidade, o vizir, a boca de Nekhen, … o sacerdote de Maet, Ramose, justificado.
Fig. 13 − Túmulo de Ramose, TT55. Parede oriental, lado norte. Oferendas realizadas pela esposa de Ramose, que agita um sistro na mão esquerda, DAVIES, Norman de G., The Tomb of the vizier Ramose, Pl. XV.
78
… MA(nw) … .f n imiw DwAt di.f
… Ma(nu)45 … a ele, entre os que estão na Duat, concede-lhe,
79
niwt TAt(y) Rams mAa-xrw Hsiwt nb.k Imn-Ra m-a Sms…
ao governador da cidade, ao vizir Ramose, justificado, que esteja com (os que) se-guem… 80
45 Posível referência a r MAnw, «porta de Manu», um epíteto de Amon. Vejam-se os hinos do túmulo de
(Hw)t ¡r Spsw nis tw.f mi w aim.sn
Na casa do Hórus (o palácio real)46, os nobres referem-se-lhe como o único deles47
nn skt bA.f r (n)HH
não há destruição para o seu ba, ao longo da eternidade À esquerda da esposa de Ramose.
No registo médio, três funcionários48 caminham com oferendas de aves e flores. Diante do primeiro,
que também conduz um vitelo gordo, pode ler-se: 81
Dd.f wab n kA n Imn m Ipt nnw m Drt TAt(y) Rams
Ele diz: Puro para o teu ka, ó Amon, que vieste do Nun49, pela mão do vizir Ramose
No registo inferior: 82
Dd.f Ssp… m Drt TAt(y) Rams
Ele diz: Recebe … pela mão do vizir Ramose, por Bakenamon (nome do ofertante).
Parede oriental. Metade sul, (Pls. VIII-XII)
46 É uma reconstrução possível.
47 Isto é, Ramés é o nobre por excelência.
48 Distinguem-se dos outros pelas suas cabeleiras bem cuidadas.
49 Poderia ler-se: Dd.f wab n kA n Imn m Ipt, «Ele diz: Puro
para o teu ka, Amon de Ipet, «Amon de Lucsor». Davies prefere traduzir por «Amon de Karnak», Imn-m-Ipt-swt. Ora, no original apenas se distinguem três signos iguais que não parecem pertencer a este nome e são seguidos por .
A tradução proposta, «Amon, que vieste do Nun» afigura-se possível. Amon assume o aspecto de Atum, o demiurgo primordial.
Fig. 14 − Túmulo de Ramose, TT55. Parede oriental, metade sul. Os sogros de Ramose, May e sua esposa Uernuer. Norman de G., The Tomb of the vizier Ramose, Pl. VIII.
83
Ssp Aw(t) m Xrt-Hrw prt m-bAH Imn
Recebendo as oferendas diárias que vêm da presença de Amon 84
Iw wab sp sn n kA n imy-r ssmwt n nb tAwy
e são puras (repetir). Pelo o ka do intendente dos cavalos do senhor das Duas Terras, 85
ipwty n nsw n Hr xst nbt mH-ib mnx ity
mensageiro do rei através de todas as terras, fiel e eficiente para com o soberano, 86
mnx Hswt xr nb tAwy May mAa-xrw
firme no favor do senhor das Duas Terras, May, justificado, 87
snt.f mryt.f Hs(y)t n Mwt nbt ISrw
e a sua amada esposa, a cantora de Mut, senhora de Icheru,
A dona de casa Uernuer50.
88
Htp Hr DfAw m Xrt-Hrw m snw n nb nTrw
Oferecendo alimentos quotidianamente, como oferendas do senhor dos deuses, 89
n kA n imy-r nw n rsw Imn KSy mAa-xrw
pelo ka do intendente dos guardas51 de Amon, Kechy, justificado.
Fig. 15 − Túmulo de Ramose, TT55. Parede oriental, metade sul. O irmão e o sobrinho de Ramose. Norman de G., The Tomb of the vizier Ramose, Pl. IX.
90
Hry sStA n wAD iarty Hr(y)-tp n tA r Dr
O que está nos segredos das duas deusas-serpente, que têm autoridade sobre a terra inteira, 91
imy-r hmw-nTr SmAw tA-mHw imy-r niwt TAt(y) Rams mAa-Hrw Dd.f
o chefe dos sacerdotes do Alto e do Baixo Egipto, o governador da cidade, o vizir Ramose, justificado. Ele diz:
92
Ink… n kA(w) tn inr ainw xA m xt nbt nfrt wabt
Eu (ofereço?), aos vossos kau, pedra de Ainu e um milhar de todas as coisas boas e puras:
50 Poderá tratar-se de um nome de ressonância cananeia, Uer-nu-El, referindo o deus El /Ilu. O mesmo
acontece com o nome do vizir Aper-El que viveu no tempo de Akhenaton.
93
xA m mrHt xA m a Tw xA m Hnqwt xA m kAw Apdw
um milhar de vasos de unguento, um milhar de travessas de pão, mil jarros de cerveja, um milhar de bois e de aves
94
… wabt sp sn xA m… a smr-tpy m smrw m-HAt
(como uma oferenda?) duplamente pura. Um milhar de … o primeiro amigo dos amigos que estão que estão diante (do rei?)
95
(imy)-ra Smaw tA-mHw imy-r nfrw Imn-Htp mAa-xrw m Xr(t)-nTr
O administrador do Alto e do Baixo Egipto, o intendente dos recrutas, Amen-hotep52, justificado, na
necrópole. 96
sn.f r-pa(t) smr tpy n nb tAwy mH- ib mnx (n) ity
Seu filho53, o membro da elite, o que está à frente dos amigos do senhor das Duas Terras, o que tem
a confiança54 e é eficiente (para com) o soberano.
97
Hsy mry nb tAwy imy-r wr n nsw n spAt (n) Inb-HD… .. .f
O que é favorecido e amado pelo senhor das Duas Terras, o grande mordomo real do nomo de Mênfis (Amen-hotep) …seu (irmão).
…xr nTr aA … sob o deus grande 98
… wab (nb) Iwn-mwt.f … deus puro, «Pilar de sua Mãe»55…
52 Ámen-hotep Huy, meio-irmão de Ramose 53 O Sobrinho de Ramose, Ipy.
54 Lit. «enche o coração».
99
rh StAw dwAt sm m At
Conhece os segredos da Duat56, sacerdote sem em …
Fig. 16 − Túmulo de Ramose, TT55. Parede oriental, metade sul. Ramose, sentado numa bela cadeira sob a qual se encontra um ganso, talvez um animal de companhia, faz um gesto de saudação aos antepassados.
DAVIES, Norman de G., The Tomb of the vizier Ramose, Pl. X. 100
… snw.i imiw Xrt-nTr qaH n Xr-HAt.i
(Saúdo os) meus irmãos que estão na necrópole. Curvo o meu braço a(os que existiram) antes de mim57
101
tr.i Xr… w.f iritw… Spsw smn…
(e d)o meu tempo58 sob… … é feito … o nobre permanece
Sob a mesa de oferendas, ricamente servida: 102
xA m t Hnqt kA Apdw
Esta tradução não é única, poderia, de acordo com Davies, ler-se … Gb, o deus Geb. Se este filho de Amen-hotep, tivesse ocupado o cargo de sacerdote de Geb é de crer que o termo Hm.nTr estivesse a seguir ao nome do deus, de acordo com a habitual anteposição honorífica. Se se optar pela tradução apresentada, o qualificativo «deus puro» referir-se-à ao deus Hórus, uma vez que o epíteto «Pilar de sua Mãe» lhe pertence.
56 Tradução hipotética.
57 Ramose saúda os seus antepassados. No original está . Segundo Davies,trata-se de um erro. Ver
DAVIES, op. cit., p. .
Um milhar de pães de (vasos de) cerveja, de bois e de aves. 103
… Xkryt nsw Smayt nt Imn nbt pr Hsyt…
… ornamento real59, cantora de Amon60 , dona de casa, favorita…
104
… mryt… qaH xrw m Xrt-nTr
… Meryt(ptah61. Ela diz:) Curvo o meu braço (diante da) voz (dos que estão)
na necrópole.
Diante de Neby, pai de Ramose que se encontra sentado na companhia da esposa, Apuya 105
Htp-di-nsw (n) Imn… di.f pri.nb
Uma oferenda que o rei faz a Amon… para que ele dê tudo (o que vem) 106
Hr xAwt.f Hr Hb(w) xt-nbt
das (suas mesas de oferendas62), todas as coisas (que vêm dos festivais)
107
(n) pt n tA m tpy trw nbw
do céu e da terra, no início de todas as estações e 108
… r m Ipt-swt Ssp mDt
(que se realizam) em Karnak (e nas quais se) recebe unguento,
59 Título ostentado por algumas damas da corte.
60 Ou . Ver ARAÚJO, O Clero do Deus Amon no Antigo Egipto, p. 206. 61 Esposa de Ramose.
62 Esta reconstrução é meramente hipotética, embora acompanhe a de DAVIES. Compare-se com o Terceiro
Hino de Ay:
di.k n.i snw wabw pri m-bAH.k m spyt.k it.k Itn, «Concede-me os alimentos puros das oferendas que vêm à tua presença, como o que sobeja de teu pai Aton.»
109
Xt.f Hr m sfxt n st wrt nfr
quando as suas coisas são removidas do Lugar Grande 110
smA xt nfrt wabt Sbwt nTrw m-xt
(e há) uma participação em todas as coisas (boas e puras) depois da comida dos deuses. 111
mi iri tw mAaty s nb
tal como é feito para todo o homem justo.
112
n kA n … (imy-r) kAw (n Imn) m spAwt imyw TA-mHw
Pelo ka do … (intendente) do gado (de Amon nos nomos que estão63 no Baixo Egipto
Nby mAa-xrw Neby, justificado)64.
Sobre a figura de Apuya, segunda esposa de Neby: 113
Hmt.f mrit.f nbt-pr ApwyA mAat-xrw Sua esposa amada, a dona de casa, Apuya, justificada, 114
nbt imAx(yt) xr Wsir
e senhora venerável, sob (= por decreto de) Osíris.65
115
63 Repare-se nesta grafia para o plural de imy, o qual poderia escrever-se na forma . Há no texto
uma anteposição com intuitos estéticos.
64 Ver PL XI, onde se referem o nome e o título deste funcionário, nem mais menos que o pai do vizir
Ramose.
65 Que Osíris proclamou, estar absolvida/justificada, pelo seu tribunal e ser digna de reverência, pelas suas
Dd irt http di nsw wab sp sn xA m tw Hnqt kAw Apdw xt nbt nfrt wabt
Palavras ditas: Efectivação de «uma oferenda que o rei dá», duplamente pura, (consti-tuída por) mil pães, cerveja, gado e aves e todas as coisas boas e puras,
116
a.i qaHw Xr Df(A)w rnpwt nbt tr.s
A minha mão está inclinada para os alimentos e toda a espécie de vegetais próprios da estação
117
xAw nb nDm sty iw wab sp sn n kA n it.i
e toda a espécie de plantas de doce odor. Elas são duplamente puras para o ka de meu pai,
Fig. 17 − Túmulo de Ramose, TT55. Parede oriental, metade sul. Pais e irmãos de Ramose. DAVIES, Norman de G., The Tomb of the vizier Ramose, Pl. XI.
115
Dd irt http di nsw wab sp sn xA m tw Hnqt kAw Apdw xt nbt nfrt wabt
Palavras ditas: Efectivação de «uma oferenda que o rei dá», duplamente pura, (consti-tuída por) mil pães, cerveja, gado e aves e todas as coisas boas e puras,
116
a.i qaHw Xr Df(A)w rnpwt nbt tr.s
A minha mão está inclinada para os alimentos e toda a espécie de vegetais próprios da estação 117
xAw nb nDm sty iw wab sp sn n kA n it.i
e toda a espécie de plantas de doce odor. Elas são duplamente puras para o ka de meu pai, 118
mwt.i n snw.i imyw Xrt-nTr
de minha mãe e dos meus irmãos que estão na necrópole. 119
imy-r niwt TAt(y) Rams Dd.f O governador da cidade, o vizir Ramose, ele diz: 120
Ink Ax ib iri MAat nsw n rki.i
Eu tenho um coração abençoado, praticando a Maet para o rei do meu tempo
Amen-hotep, irmão de Ramose e sua esposa May, fazem uma oferenda aos kau de Neby e de Apuya, sua primeira esposa, e mãe de Amen-hotep:
121
r-pat HAty-a mH ib n nTr nfr imy-r Hmwt nbt nsw n
O senhor e membro da elite, confidente do deus perfeito, o superintendente de todos os trabalhos do rei
122
Mn-nfr sS n nsw mri.f Imn-htp mAa-xrw
no nomo de Mênfis, escriba do rei e amado por ele, Amen-hotep, justificado 123
Hmt.f mryt.f Smayt nt Imn … nbt-pr May mAat-xrw
e a sua mulher, sua amada, a cantora de Amon… a dona de casa May, justificada e
nbt imAx senhora venerável. 124
prrt nbt wDHw n Wnn-nfr nb Dt
(Recebe) tudo o que vem sobre a mesa de oferendas de Uennefer, senhor da eternidade. 125
sst TAw nDm mHyt Ssp snw
Respirando a doce brisa do norte, enquanto recebe oferendas de alimentos 126
Hr xAt.f mi wrw imyw nyw Smsw.f
da sua mesa de oferendas (a de Uennefer), tal como os príncipes que fazem parte dos seus seguidores,
m Xrt-Hrw nt ra-nb
no decurso do dia e de todos os dias. 127
n kA n imy-r iHw n Imn imy-r Snwty n Imn m tA-mHw
Pelo ka do superintendente dos rebanhos de Amon, o superintendente do duplo celeiro de Amon no Baixo Egipto,
128
sS Nby mAa-Xrw xr nTr-aA
o escriba Neby, justificado sob o deus grande. 129
n kA n snt.f mryt.f Hsyt n @wt-@r nbt-pr IpwiA mAat-Xrw Pelo ka da sua esposa, sua amada, a cantora de Hathor, a dona de casa Apuya, justifi-cada. 130
nbt imAH Hr Wsir sSp Aw(t) m Xrt-Hrw
Senhora venerável (por decreto de) Osíris. Recebe as oferendas diárias
131
que vêm da presença de Amon.
Fig. 18 − Túmulo de Ramose, TT55. Parede oriental, metade sul. Ramose e a família do irmão. DAVIES, Norman de G., The Tomb of the vizier Ramose, PL. XII.
132
Hsi.k wi Hr(-tp) sni.i
Celebra os ritos em meu favor, ó tu que passas por mim!66
133
rdi.n.f wi m HAt smrw i irt sxrw nw tA pn Sndyt nbt
Ele (o rei) colocou-me à frente dos companheiros na administração desta terra e todos os saiotes 134
Dhnt.sn n.i sary mdw(t) (n @r m aA)
se curvavam (diante de ) mim, quando eu apresentava petições ao Hórus no palácio,
Xrt-Hrw nt ra-nb
ao longo do dia e durante todos os dias. 135
Dd in it.f mwt.f imy-r niwt TAt(y) Rams
Palavras ditas por seu pai e sua mãe: “Ó governador da cidade, ó vizir Ramose 136
wnn rn.k mn m rw m Hwt.k n HHw
possa o teu nome (continuar a) existir nas bocas (dos homens), no teu templo dos milhões de anos 137
bA(.k) xr(.k)… HAty(.k) (tpiw-a.k)
que o teu ba esteja contigo…o teu coração, como os teus antepassados! 138
HAty-a Ssp.k Hknw.i m wiA n HHw wn nsw m nTr
Ó nobre senhor, recebe as minhas orações na barca dos milhões (de anos) e sê um como um deus,
nn xftyw.k Dt sp sn sem inimigos na eternidade. (Repetir) 139
snt.f mryt.f Smayt nt Imn nbt-pr Mryt-PtH mAat-xrw xr nTr aA Dt A irmã dele (sobrinha), sua amada, a cantora de Amon, a dona de casa Merytptah (filha de Amen-hotep Huy), justificada sob o deus grande, eternamente.
140
sn.f r-pat HAty-a Hsy mri nb tAwy
O irmão dele, o senhor e membro da elite, favorito e amado do senhor das Duas Terras 141
r wrw r.f iri iqrw.f st.f
de acordo os seus príncipes, que os faz excelentes, no seu lugar. 142
imy-r prwy hD nbw Hmtw nbt (imy-r) n nsw sS nsw mAa mri.f
O superintendente da “Dupla Casa da Prata e do Ouro” e de todas as obras do rei, o verdadeiro escriba real, seu amado,
imy-r pr n nsw n sSm m Hb xr n nTrw nbw o mordomo real, o guia do festival de todos os deuses
m Inb-HD Imn-htp mAa-xrw
no nomo de Mênfis, Amenhotep, justificado. 144
sAt.f mrt.f n st.f ib.f Smayt nt Imn nbt-pr
A sua filha (de Amen-hotep), sua amada (diz): Que o seu coração esteja no lugar dele!. (Pel)a cantora de Amon, a dona de casa
145
Mryt-PtH maat-xrw xr Wsir Meryt-Ptah, justificada, por decreto de Osíris 146
mwt.s Smayt nt Imn nbt-pr Hsy(t) nt nbt tAwy
Sua mãe, a cantora de Amon, a dona de casa, a favorita da senhora das Duas Terras, 147
May mAat-xrw nbt imAH
May (esposa de Amen-hotep), justificada, senhora bem-aventurada.
Fig. 19 − Túmulo de Ramose, TT55. Parede oriental, metade norte. Recepção de unguentos. DAVIES, Norman de G., The Tomb of the vizier Ramose, Pl. XVI.
148
hA Wsir imy-r niwt Tat(y) Rams mAa-xrw m Dt.k
Ó Osíris, governador da cidade, vizir Ramose, justificado, vem com o teu corpo,
149
m-a iw m xprw.k m-a iw iriw.k wnn tp tA
vem com as tuas transformações, vem com a tua forma que existe sobre a terra. 150
Ssp.k iArw nDm sty.k dmd.kiw m m-a nTrw (di.k) Ah.sn
Recebe todas as plantas de suave perfume, une-te aos deuses, e que eles te concedam o seu akh 151
Tw wab.k nTry.k Sm.k tw iw.k m StA Tu és puro, tu és divino, tu vais e vens em segredo, 152
mn.k nw mrHt Spsy aA n sn.k Taw
tu conservas estes unguentos, grandemente preciosos para inalar os seus odores 153
n imiw pr hn.k nTrw mrw.sn Ha.k
e que estão no teu peito. Os deuses enfaixam o teu corpo 154
Xnm.sn r.k TAt(y) Rams mAa-xrw e o seu odor é para ti, ó vizir Ramose, justificado. 155
snt.f, mrit.f Smayt nt Imn Xkrw-nsw nbt-pr A sua esposa, a cantora de Amon e ornamento real, a dona de casa
Mryt-PtH mAat-xrw Merytptah, justificada. 156
Ssp(.k) mDt an tA mrHt ibr
Recebe o belo unguento, este bálsamo e o óleo iber 157
iArw nb nDm sty.k anxt nTr(w) im sn ib
e todas as plantas de suave perfume, pelas quais os deus(es) vive(m) no coração 158
mrHt Spsy Ts nDm.f xnm hn.k
O precioso unguento entranha-se67 e a sua doçura e o (seu) odor (enchem) o teu peito
159
n kA n it.f imAHy xr Wsir
pelo ka de seu pai, proclamado bem-aventurado por Osíris. 160
imy-r Snwty imy-r iHw n Imn m- a mHtt
O superintendente do duplo celeiro de Amon68, superintendente dos rebanhos de Amon no norte,
161
sS Nby mAa-xrw xr nTr aA Dt
o escriba Neby, justificado pelo deus grande, eternamente. 162
snt.f mryt.f nbt-pr IpwiA
A sua irmã (esposa), sua amada, a dona de casa Apuya
67 Verbo Ts, «ligar, unir». A presente tradução parece contudo mais próxima do texto.
68 Snuwt é a palavra para «celeiro» com o determinativo O51. Ora, este não aparece no texto, sendo
substituído por algo parecido com dois pães Sns sobre uma casa invertida e assim poder-se-ia ler como prwy-Snswy, «a dupla casa dos dois pães», o que cabe perfeitamente na ideia de «duplo celeiro».
163
mAat-xrw xr wsir ntr aA nb tA Dsr
justificada por Osíris, deus grande, senhor da terra sagrada (a necrópole).
Fig. 20 − Túmulo de Ramose, TT55. Parede oriental, metade norte.Apresentação de unguentos. DAVIES, Norman de G., The Tomb of the vizier Ramose, Pl. XVII.
Primeiro ofertante: 164
n kA.k st(y)-Hb nwdw isw prwy
Para o teu ka o odor festivo, os perfumes 69 (que vêm) dos juncos dos dois templos de Osíris,
m xA pn rnp(w)t n Wsir neste milhar de ano(s)
Linha horizontal 165
wab n MAat pA wAHy Purificado em Maet, o ofertante. Segundo ofertante
166
n kA.k Hknw…
Para o teu ka, óleo hekenu… ( repetição das palavras do primeiro ofertante)
69 Normalmente com a grafia nwdw, «unguentos, perfumes». Excepcionalmente, aparece sob as
Linha horizontal 167
imy-r niwt TAt(y) Rams sA n.k Imn o governador da cidade, o vizir Ramose, teu filho Amon
As oferendas a seguir discriminadas, seguem a fórmula das duas primeiras e não exibem inscrições horizontais. Temos assim:
Ofertante Oferenda 3
sft, «óleo sefet» 4
Arf msmDt wnn siAty, «um saco de pintura para os olhos e duas peças de tecido»70
5
ti-Spsy, «goma ti-chepsi »71
6
ibr, «óleo iber» 7
nHaas, «goma nehââs) 8
mDt, «óleo medjet» 9
TwA, «óleo tjuá» 10
nXnm, « um jarro de óleo nehnem» 11
anD, «um jarro de óleo ândj» 12
mrHt Hsqt, «gordura heseket»72
13
mrHt wt, «gordura para embalsamar» 14
rnpw nb nDm st(y), «todas as ervas de suave perfume»
70 Uma peça de tecido é designada normalmente por siAt. Note-se, no texto, a inclusão de dois
signos S88.
71 É a tradução de DAVIES.O termo Spsy pode traduzir-se por «nobre, valioso». qmyt, «resina,
goma» não aparece no texto, nem algum determinativo que o sugira.
Fig. 21 − Túmulo de Ramose, TT55. Parede oriental, metade norte. Ramose toca objectos sagrados. DAVIES, Norman de G., The Tomb of the vizier Ramose, Pl. XVIII.
Da esquerda para a direita 168
nTrw Axtw m mAa-xrw m rk.n Dt mw nTr pri m Wsir
Os deuses dos horizontes (declaram-te) justificado no teu tempo de eternidade, (deram-te) a água do deus, que vem de Osíris.
169
snty n.k iw.k wabty hna kA.k
as tuas duas irmãs sacerdotisas vêm a ti e ocupam-se do teu ka, 170
m Hapy wHm.k rnpy mi rnpy mw wAH.k
numa inundação de água fresca, como a água fresca colocada para ti. 171
mi pt Dd.k anx.k anx m xt.f snxx.f rS.k
Tal como para ti é duradouro o céu, tu vives através dele, ele renova a tua respiração para que te alegres
HHw m sAH.f smn.f n.k nb Imn
(com) milhões de concessões da terra dele. A firmeza dele está em ti, (a do divino) senhor, Amon 173
wni ti n nbw tAwy
ele abriu-te a totalidade das Duas Terras 174
sSp.n.k st diw Hsi.s sSSwt mnwty m Imn-Ra
e tu recebeste-a como uma dádiva, ela canta (agitando) os sistros e os colares menat de Amon-Ré 175
Dd-mdw (i)my-r niwt TAt(y) Rams mAa-xrw n kA.k
Palavras ditas pelo governador da cidade, o vizir Ramose, justificado: Pelo teu ka, Inscrição da esquerda
176
r-pa HAty-a n mr(w)t wpi mAat m Xrt-hrw Hnk.sy r ah n nb.s
(Para) o nobre, o príncipe, o amigo grande em amor, o que faz justiça no decorrer do dia, exercendo-a no palácio do seu senhor73,
177
Imy-r TAt(y) r-NHn(y) Hm-nTr (m) MAat Rams mAa-xrw
o governador da cidade, o vizir, a boca de Nekhen, o sacerdote de Maet, Ramose, justificado. 178
snt.f, mrt.f Xkrw-nsw Smayt nt Imn Mryt-PtH mAat-xrw
a sua esposa, sua amada, o ornamento real, a cantora de Amon Meryt-Ptah, justificada. 179
Ssp snw m dqrw rnpwt prrt
Recebe as oferendas de vegetais e frutos que vêm 180
m Xnw n pr-nw pr Spsi ssnt snt-nTr do interior do santuário do nobre templo, o odor do incenso
Fig. 22 − Túmulo de Ramose, TT55. Parede oriental, metade norte. Ramose e o irmão tomam uma refeição, DAVIES, Norman de G., The Tomb of the vizier Ramose, Pl. XIX.
181
an tA mrHt Hr Nxbt wnm Snw TA-Wr i
e este belo unguento da (deusa) Nekhebet. (Possas tu) comer (tudo o que foi deposto dentro) dos limites de Tauer (Abidos),
182
i m-a hnw Htp-ib m irpw Hnqt iArw nb nDm sty
juntamente com um jarro de vinho, para apaziguar o coração, cerveja, todas as plantas de suave perfume
183
rnpwt nbt r tr.s
e todas as plantas, na sua estação (própria). 184
Iw wab sp-sn nkA.k r-pat mrt nTr Hry sStA n wAD iarty Hr-tp tA r Dr.f
Tu estás purificado (repetir). Pelo teu ka, Osíris, senhor amado do deus, o que está nos segredos das duas deusas-serpentes, em nome da terra, na sua inteireza,
wr m iAt aA m saH.f (m) ta-wr m HAty-a rxyt
poderoso na grande função do seu posto em Tauer (Abidos) como chefe do povo, 186
imy-r katw m mnw wrw sAb imy-r sSw
o superintendente dos trabalhos nos grandes monumentos, o superintendente dos docu-mentos, 187
Imy-r niwt TAt(y) Rams mAa-xrw o governador da cidade, o vizir Ramose, justificado 188
Hmt.f mryt.f Xkrw-nsw Smayt nt Imn nbt-pr Mryt-PtH
A sua esposa, sua amada, o ornamento real, a cantora de Amon, a dona de casa Meryt-Ptah,
mAat-xrw xr nTr aA justificada pelo deus grande.
189
htp di nsw (n) Wsir HqA Dt di.f prt-xrw qbHw irpw
Uma oferenda que o rei faz a Osíris, senhor da eternidade, para que ele conceda invocações-oferendas74 de bois e aves, libações de vinho
190
irt(t) mnxt Ss bAs mrHt drp dqrw rnpwt nbt
e leite, vestuário, alabastro75 e uma jarra de unguento, e ofereça todos os vegetais e frutos
191
Xt-nbt nfr wab nTr anxt im.sn
e todas as coisas boas e puras, pelas quais os deuses vivem.
74 Lit. «o que sai da boca (do deus)». Quando Osíris «lê» em voz alta cada uma das numerosas oferendas que
foram feitas, ou se diz que o foram, as suas palavras materializam-nas para que o Osíris Ramose delas possa usufruir.
192
Htp Hr Df(A)w m Xrt-hrw Hr WdHw n Wnn-nfr
Uma oferenda de provisões no decurso do dia, (vinda) das mesas de oferenda de Uennefer. 193
n kA n r-pa(t) HAty-a wa mnx mry nb tAwy
Pelo ka do senhor e nobre, o único que é eficiente e amado pelo senhor das Duas Terras 194
mr(yt) r ity bitw(.f) imy-r prwy HD nbw
amado pelo soberano pelas (suas) qualidades, o superintendente da Dupla Casa da Prata e do Ouro, 195
imy-r pr n nsw m Mn-nfr sS-nsw mAa mr.f
o mordomo real do nomo de Mênfis, o verdadeiro escriba real, seu amado 196
Imn-htp mAa-xrw xr nTr aA nb Dt
Amen-hotep, justificado pelo deus grande, senhor da eternidade 197
snt.f mryt.f n st.f Smayt nt Imn
e a sua esposa, sua amada, na sua categoria de cantora de Amon, 198
May mAat-xrw xr Wsir May, justificada por Osíris
Fig. 23 − Túmulo de Ramose, TT55. Parede oriental, metade norte.Consagração dos alimentos para o banquete ffunerário. DAVIES, Norman de G., The Tomb of the vizier Ramose, Pl. XX.
Nos dois primeiros registos, discriminam-se alimentos, tais como: − Diversos tipos de pão
psn, tm, qmH, pAt e t ASr,
«pão torrado». − Bolos
xnfw, Sns.
− Peças de carne
xpS, «quarto de boi»; iwA, «coxa de bovino» spHt, «costeletas», ASrt, «carne assada».
− Vinhos de diversas procedências
irp TA-mHw, «vinho do Delta», p. ex. − Outros alimentos
waH, «sementes de alfarroba»; frutos da árvore iSd
No registo inferior, sacerdotes , Xry-Hbt, «sacerdotes-leitores», fazem purificações rituais.
199
St wabwy Hr n Wsir imy-r niwt TAt(y) Rams
Lugar duplamente puro para o Osíris, o governador da cidade, o vizir Ramose. 200
Xry-Hbt rdit aab mw ntr anx
O sacerdote-leitor oferece uma taça de água ao deus vivo, 201
rdit mw qbb tw nTr im Wsir imy-r niwt TAt(y) Rams oferece água fresca ao deus, ao Osíris governador da cidade, o vizir Ramose. 202
Xry-Hbt irt sntr wab sp-sn
O sacerdote-leitor oferece incenso duplamente puro. 203
Dd-mDw int rd …i nb
Palavras ditas, ao remover todas as pegadas76.
Fig. 24 − Túmulo de Ramose, TT55. Parede oriental, metade norte.Purificação do vizir Ramose. DAVIES, Norman de G., The Tomb of the vizier Ramose, Pl. XXI.
76 Ver FAULKNER, A Concise Dictionary …, p. 154. Esta legenda acompanha um sacerdote-leitor, no acto de
abandonar a cena. Tem na mão algo que pode ser uma pá ou uma vassoura e que se destina a limpar quaisquer vestígios presenciais depois da purificação do lugar.
204
irt htp di nsw wab sp-sn xA mtw xA m Hnkwt xA m iAw xA m Apdw
Realização de uma «oferenda que o rei dá», duplamente pura, de um milhar de pães, um milhar de jarros de cerveja, um milhar de bois e um milhar de aves
205
xA m Ss mnxt xA m bAsw mrHt xA m qbHw irp
um milhar de vestes, alabastro, um milhar de vasos de unguento e um milhar de libações de vinho. 206
Iri irtt xA m di dqrw xA m xt nbt nDm xA m rnpwt nbt
Apresentação de leite, de um milhar dádivas de frutos e de todas as coisas plenas de doçura, de um milhar de todo o tipo de vegetais
207
xA xt nbt nfrt wabt iwn mwt.f swab m ©wty wdn.f
e um milhar de todas as coisas boas e puras (provenientes do) «pilar de sua mãe77» e que ele fez
purificar (segundo o que foi estabelecido) por Tot e (com as quais) faz uma oferenda 208
kA n Wsir r-pa HAty-a mrt nTr mn Hswt Xr nb tAwy imy-r niwt TAt(y) Pelo ka do Osíris senhor e nobre, amado pelo deus estável, (gozando dos) favores do senhor das Duas Terras, o governador da cidade, o vizir
Rams mAa-xrw Ramose, justificado. 209
Ssp.k snw wab n mAat pA wAHy(t) Htp dqrw rnpwt prrt
Recebe as oferendas purificadas em maet e a abundância de oferendas de frutos e vegetais que vêm
m-bAH Imn
da presença de Amon.
77 O epíteto «pilar de sua mãe» pertence a Hórus, é também um título sacerdotal. O decorrer do texto mostra
210
Sx tw xpSw n kA.k HAtyw n sHa(y) anx Spsy.k wn bA.k
Os quartos de boi foram cortados, pelo teu ka, os corações aclamaram a tua nobre vida e abrem (passagem para) o teu ba
211
anx r (n)HH nn skt xr Dt
que vive para sempre, sem perigo, e eternamente. À direita, dois sacerdotes-leitores estão sentados. 212
… Hsy n nb tAwy Wsir r-pat HAty-a
… favorecido pelo senhor das Duas Terras, para o Osíris, o senhor e nobre. 213
irt sAxw in Xryw-Hbt aSAw
Realizando as recitações rituais por parte dos sacerdotes-leitores ordinários78.
Junto ao vizir Ramose, que está ser purificado pela água. 214
Irt abw n Wsir Imy-r niwt TAt(y) Rams m Hwt.f
Efectuando a purificação do Osíris governador da cidade, do vizir Ramose na sua morada, imit imntt(y)
entre os que habitam no Ocidente.
Um sacerdote semer verte água sobre Ramose 215
Dd-mdw in Xry-Hbt smr dbn HA.f sp fdw m dSrt sp fdw nt mw
Palavras ditas pelo sacerdote-leitor semer, girando à volta dele por quatro vezes e vertendo por quatro vezes água de um vaso decheret
216
Dd-mdw sp fdw wab sp sn Wsir imy-r niwt Tat(y) Rams mAa-xrw
Palavras ditas quatro vezes, pelo duas vezes purificado Osíris governador da cidade, o vizir Ramose, justificado.
Um sacerdote sem verte, igualmente, água sobre Ramose 217
Dd-mdw in Xry-Hbt sm dbn HA.f sp fdw m nmst sp fdw nt mw
Palavras ditas pelo sacerdote-leitor, girando à volta dele, por quatro vezes e vertendo por quatro vezes água de um vaso nemeset.
218
Dd-mdw sp fdw wab sp sn Wsir imy-r niwt Tat(y) Rams mAa-xrw
Palavras ditas quatro vezes pelo duas vezes puro Osíris, o governador da cidade, o vizir Ramose, justificado.
No registo inferior, dois sacerdotes estão ajoelhados 219
Dd-mdw in Xry-hbt sm smr nTr-anx m Sdi.tn sAxw
Palavras ditas pelo sacerdotes-leitor e pelos sacerdotes sem e semer ao deus vivo, ao ler-vos, em voz altas, as invocações rituais:
220
Rw.tn Hr Wsir mn Hm Tw H3 Nb tAwy imy-r niwt Tat(y) Rams mAa-xrw Pelas vossas bocas, em benefício do Osíris, firme como a majestade do senhor das Duas Terras, o governador da cidade, o vizir Ramose, justificado.
Debaixo da elegante curva traçada pela água que tomba, o vizir ostenta numa das mãos o seu bordão e noutra um bastão com a forma de bd, «natrão». Está portanto duplamente purificado pelo mesmo banho que os sacerdotes tomavam antes dos seus deveres nos templos.
221
imAxy xr Ra imy-r niwt TAt(y) Rams mAa-xrw
(Foi) abençoado por Ré, o governador da cidade, o vizir Ramose, justificado 222
Rn.n tw.f ra m mst.f r
Foi-lhe dado o seu nome, no dia do seu nascimento, pela boca do 223
bA nTry sxntw.f m-ma
ba divino que é anterior a ele.
Parede sul, metade superior. O cortejo ffunerário do vizir Ramose
O cortejo fúnbre do vizir Ramose está descrito no seu túmulo, mais concretamente, na parede sul, metade superior, da sala hipóstila (fig. 3). Na obra de Davies, distribui-se ao longo das Pls. XXVII (1-2), XXVI, XXV (1-2), XXIV (1-2) e XXIII (1-3) XXII. Toda esta cerimónia foi analisada no Capítulo VII, § 6.2, dedicado à morte do funcionário e às suas envolventes religiosa e ritual.
Fila superior, A
224
… .k qrs… imy-r niwt TAt(y) Rams mAa-xrw xr nTr aA
[Acompanhando] o sarcófago do governador da cidade, o vizir Ramose, justificado pelo deus grande
225
Sms Dw n Hsy n nTr nfr imy-r niwt TAt(y) Rams mAa-xrw
Acompanhando o cortejo do favorito do deus bom, o governador da cidade, o vizir Ramose, justificado,
226
r imntt WAst m http m Htp in Hm-nTr tpy (n Imn) m Htp sp sn até ao ocidente de Tebas, em paz, (repetir). Pelo sumo-sacerdote (de Amon), em paz, (repetir), 227
Hm-nTr nw 2 n Imn Hm-nTr nw 3 n Imn Hm-nTr nw 4 n Imn SA Imn mAa-xrw
(pelo) segundo sacerdote de Amon, (pelo) terceiro sacerdote de Amon (e pelo) quarto sacerdote de Amon, Siamon, justificado79.
Fig. 25 − Os quatro sacerdotes de Amon que fazem parte do cortejo e o primeiro catafalco.
À direita, tal como no túmulo. À esquerda, segundo DAVIES, Norman de G., The Tomb of the vizier
Ramose, Pl. XXVII – A.
228
rmT Dp STAt imy-r niwt TAt(y) Rams mAa-xrw
Os homens de Dep conduzem o governador da cidade, o vizir Ramose, justificado
r imntt WAst m Htp m Htp
para o ocidente de Tebas, em paz, (repetir)80.
79 Túmulo de Ramose, TT 55, lns. 232-235. 80 Túmulo de Ramose, TT 55, ln. 236.
Fig. 26 − Segundo catafalco. Em cima, segundo DAVIES, Norman de G., The Tomb of the vizier Ramose, Pl. XXVII – A. Em baixo, tal como no túmulo
É igualmente transportado numa barca disposta sobre um trenó. Exibe uma
decoração análoga ao primeiro e está também ornamentado com altas flores de papiro. Ísis
e Néftis protegem o precioso conteúdo:
229
imAxy xr Imn mri nb tAwy
Um que é abençoado por (Amon) e amado pelo senhor das Duas Terras, 230
Imy-r miwt TAt(y) Rams mAa-xrw
o governador da cidade, o vizir Ramose, justificado81,
O trenó da grande barca é puxado por quatro
231rmTt P Dp Wnw SAw…[Hwt] – wr-[iHw]
homens de Pe, Dep, Unu (Hermópolis), Sau (Sais) e (Hutueriu)82…
Fig. 27 − Grupo de homens, arrastando o tekenu. À esquerda, segundo DAVIES, Norman de G., The Tomb of
the vizier Ramose, Pl. XXV – A. À direita, tal como no túmulo.
O trenó, contem o tekenu.
232
sTAt tknw in rmT NTr-(BHdt) … ii
Arrastando o tekenu pelos homens de Netjer-Behedet 83… vir, (ln. 238)
Sobre o tekenu:
239-233
sTAt tknw in niwty nsw irt wAt nfrt
Arrastando o tekenu pelos parentes do rei e fazendo uma bela caminhada por terra 234
r aAwy Axt r st.f imiw Htpw
82 Lit. «Casa Grande dos Bois», local, propriedade ou templo desconhecidos. A palavra está parcialmente
apagada e Davies leu Heturkau. Na presente tradução optou-se por seguir ASSMANN, Jan, Death and Salvation
in Ancient Egypt, p. 308.
83 Edfu, cidade do segundo sepat do Alto-Egipto onde Hórus era especialmente cultuado. O resto da frase está
ilegível. Davies apresenta a seguinte tradução: «Men of the district of the three (?) pools entering and leaving». Ver DAVIES, Norman de G., The Tomb of the vizier Ramose, Mond Excavations at Thebes 1, London: The Egypt Exploration Society, 1941, p.
em direcção às duas portas do horizonte, até ao seu lugar de repouso (junto dos) que estão em terra santa,
235
r sar imy-r niwt TAt(y) r-Nxn(y Hm-nTr MAat Rams mAa-xrw
para fazer subir o governador da cidade, o vizir, a boca de Nekhen, o sacerdote (da deusa) Maet, Ramose, justificado,
236
r Xr(t)-nTr htp.f rd wi(.f) rwD XAt.f sp sn r nHH
em direcção à necrópole, para que ele repouse e a sua múmia prospere e perdure o seu corpo eternamente (repetir) e para sempre.84
237
Swab m irtt Xr-HAt Wsir imy-r niwt TAt(y) Rams mAa-xrw
Executando uma purificação com leite diante do Osíris governador da cidade, o vizir Ramose, justificado85.
238
Irt snt-nTr qbHw wabt r tA Dsr Xrt-HAt Wsir…
Fazendo (uma defumação com) incenso e uma libação. Purificando o caminho até à terra sagrada, diante do Osíris…
239
r Htp m st.f imy Xr(t)-nTr Dt
para que repouse em paz no seu lugar, entre os que estão na necrópole, eternamente86.
84 Túmulo de Ramose, TT 55, lns. 239-242. 85 Túmulo de Ramose, TT 55, ln. 243. 86 Túmulo de Ramose, TT 55, lns. 244-245.
Fig. 28 − Vacas e touros, arrastando o grande catafalco. Em cima, segundo DAVIES, Norman de G.,
The Tomb of the vizier Ramose, Pls. XXIV, XXV-A. Em baixo, tal como no túmulo.
.
Seguem-se dois grupos de quatro homens de braços erguidos, fig. V.20, gritando:
240
qAi wrwt.k mi mnw.k mnw imy-r niwt TAt(y) Rams (mAa-xrw)
O teu poder é exaltado, tal como os teus monumentos são firmes, (ó) governador da cidade, vizir Ramose (justificado)87
Fig. 29 − Em frente ao grupo de homens e animais, o sacerdote leitor lê um texto alusivo à
cerimónia. DAVIES, Norman de G., The Tomb of the vizier Ramose, Pl. XXIV – A
Leitura do sacerdote:
241
Irt qrst nfrt n Wsir imy-r niwt TAt(y) Rams mAa xrw
Efectivação do belo serviço fúnebre do Osíris, governador da cidade, o vizir Ramose, justificado, 242
Sart nTr r Axt.f
e da ascensão do deus até ao seu horizonte 88 ,
243
Sms n imy-r TAt(y) Rams mAa-xrw r wart Xr(t)-nTr m Htp Htp
Seguindo o governador da cidade, o vizir Ramose, justificado, até à região da necrópole que está em paz absoluta89,
244
wDA m htp r pt r Axt sxt iArw
Avançando em paz, rumo ao céu, ao horizonte, aos Campos de Iaru. 245
88 No original está . O verbo é iar que acabou por perder o i inicial; o causativo sar tem o
sentido de «fazer ascender», ver GARDINER, op. cit., p. 551.
O deus a que o texto se refere é o vizir defunto, agora transformado em Osíris Ramose.
89 A partícula sp sn indica que há uma repetição, «duplamente em paz». Pode também significar que as