CONHECENDO O INIMIGO
Trabalho
Processo do
Execução Trabalhista
PRINCÍPIOS
a) EFETIVIDADE: O direito material reconhecido em um título judicial ou extrajudicial deverá ser realizado, implementado e efetivado;
b) MEIO MENOS GRAVOSO PARA O DEVEDOR: Quando o credor puder promover a execução por vários meios, o juiz mandará que se faça pelo modo menos gravoso para o devedor.
c) IMPULSO OFICIAL: Juiz do trabalho ou tribunal competente deverá promover ex officio a execução trabalhista – mesmo na inércia da parte ou qualquer interessado;
d) PATRIMONIALIDADE: Devedor responde, para o cumprimento de suas obrigações, com todos os seus bens presente e futuros, salvo restrições estabelecidas em lei.
ANALOGIA
Importante salientar que a execução trabalhista altera a ordem de aplicação subsidiária da normativa processual. Enquanto que no processo de
conhecimento se aplicam as disposições do CPC naquilo que não for incompatível com o processo do trabalho, na execução a aplicação subsidiária é das normas da Lei de Execuções Fiscais, restando o CPC em última posição.
Sendo assim será observada a seguinte ordem: CLT;
Lei 6830/80; CPC;
Tipos de atos: de acertamento; de constrição e de alienação.
Atos de Acertamento: são todos aqueles praticados com a finalidade de dar liquidez à sentença que transitou em julgado. A liquidação pode ser
realizada por meio de simples cálculo, por arbitramento e por artigos de liquidação.
Atos de Constrição: Atos de constrição são os praticados para compelir o devedor ao cumprimento da obrigação determinada pela coisa julgada. Atos de Alienação: Atos de alienação são atos praticados para tornar efetiva a expropriação do patrimônio do devedor e, assim, com o resultado dessa alienação, satisfazer a obrigação.
Execução de títulos judiciais (CLT, art. 876) 1) Decisões passadas em julgado;
2) Decisões das quais não tenha havido recurso com efeito suspensivo; 3) Acordos, quando não cumpridos
4) Créditos previdenciários decorrentes de sentença condenatória Execução de títulos extrajudiciais (CLT, art. 876)
1) Termos de ajustamento de conduta firmados perante o MPT 2) Termos celebrado na Comissão de Conciliação Prévia (CCP) 3) Certidão da dívida ativa da União (multas da fiscalização)
A Justiça do Trabalho executará, de ofício, as contribuições sociais previstas na alínea a do inciso I e no inciso II do caput do art. 195 da Constituição Federal, e seus acréscimos legais, relativas ao objeto da condenação constante das sentenças que proferir e dos acordos que homologar.
Art. 878. A execução será promovida pelas partes, permitida a execução de ofício pelo juiz ou pelo Presidente do Tribunal apenas nos casos em que as partes não estiverem representadas por advogado.
Espécies de execuções:
a) Provisória: durante algum recurso pendente na fase de conhecimento, até a penhora. Art. 899 da CLT
Art. 899 - Os recursos serão interpostos por simples petição e terão efeito meramente devolutivo, salvo as exceções previstas neste Título, permitida a execução provisória até a penhora.
Permite a apresentação e julgamento dos embargos à execução e realizar os atos que têm função preparatória.
Os autos principais sobem à Instância Superior com o recurso admitido no efeito devolutivo.
Após a penhora ou o julgamento dos embargos, os autos deverão ser sobrestados até o retorno da execução definitiva.
b) Definitiva:
Art. 876 e ss da CLT
Sentença irrecorrível, transitada em julgado.
Art. 883-A. A decisão judicial transitada em julgado somente poderá ser levada a protesto, gerar inscrição do nome do executado em órgãos de proteção ao crédito ou no Banco Nacional de Devedores Trabalhistas (BNDT), nos termos da lei, depois de transcorrido o prazo de quarenta e cinco dias a contar da citação do executado, se não houver garantia do juízo.
Objetivo: fazer com que a obrigação decorrente da sentença judicial seja satisfeita pelo devedor, integralmente, utilizando-se as medidas coercitivas previstas em lei.
Cita-se o executado para que pague em 48 ou garanta a execução sob pena de penhora. Art. 880 CLT.
Depreende-se a necessidade da expedição de nova citação ao executado. O mandado de citação deverá conter a decisão exequenda ou o termo de acordo não cumprido e será feita por Oficial de Justiça.
Se o executado, procurado por 2 (duas) vezes no espaço de 48 (quarenta e oito) horas, não for encontrado, far-se-á citação por edital, publicado no jornal oficial ou, na falta deste, afixado na sede da Junta ou Juízo, durante 5 (cinco) dias.
Nesse sentido é de se observar que não se aplica o procedimento do artigo 475-J, do CPC antigo (art. 513 CPC novo) com a intimação da parte para pagamento sob pena de multa. Isso porque a CLT não é omissão quanto à disciplina da execução nesse tópico.
O artigo 889 determinou de forma expressa que os trâmites e incidentes do processo da execução são aplicáveis, naquilo em que não contravierem ao disposto na CLT, os preceitos que regem o processo dos executivos fiscais para a cobrança judicial da dívida ativa da Fazenda Pública Federal.
Formas de Execução:
Execução para entrega de coisa
Execução das obrigações de fazer ou não fazer – anotar CTPS, reintegrar servidor, entregar guias, etc.
Execução de Prestações Sucessivas – complementação de aposentadoria
EMBARGOS À EXECUÇÃO
Os Embargos à execução, ou Embargos do Executado, está previsto no Art. 884 da CLT.
Fique atendo ao Prazo: 5 dias contados da garantia ou penhora. O prazo começa a fluir do depósito da importância da condenação ou assinatura do termo de penhora.
Os embargos à execução têm por finalidade a desconstituição do título Executivo e a insubsistência da penhora que recaiu sobre os bens do embargante.
Fique atendo também!!! Art. 884 da CLT – Pressuposto de Admissibilidade dos Embargos: Garantia do juízo;
Dispensa do cumprimento: Fazenda Pública (art. 910 NCPC)
EMBARGOS DE TERCEIROS
Os Embargos de Terceiro, por sua vez, buscam defender terceiro no processo.
NCPC, Art.674. Quem, não sendo parte no processo, sofrer constrição ou ameaça de constrição sobre bens que possua ou sobre os quais tenha direito incompatível com o ato constritivo, poderá requerer seu
desfazimento ou sua inibição por meio de embargos de terceiro. Objetivo: proteger posse ou a propriedade de bens de terceiros (desconstituir a constrição)
Momento de interposição
1) Fase de conhecimento: qualquer tempo antes do trânsito em julgado. 2) Fase de execução: até 5 dias depois da arrematação, adjudicação ou remição, mas antes da assinatura da respectiva carta.
Intimação do embargado para contestar: prazo 10 dias
Súmula nº 419 do TST
COMPETÊNCIA. EMBARGOS DE TERCEIRO. EXECUÇÃO POR CARTA
PRECATÓRIA. JUÍZO DEPRECADO. (alterada em decorrência do CPC de 2015) - Res. 212/2016, DEJT divulgado em 20, 21 e 22.09.2016
Na execução por carta precatória, os embargos de terceiro serão oferecidos no juízo deprecado, salvo se indicado pelo juízo deprecante o bem constrito ou se já devolvida a carta (art. 676, parágrafo único, do CPC de 2015).
EXCEÇÃO DE PRÉ-EXECUTIVIDADE
Trata-se de construção doutrinária e jurisprudencial, como forma de defesa na execução, sem a necessidade de garantia do juízo.
Fique ligado com as situações cabíveis: a) ausência de citação no processo de conhecimento; b) Incompetência da JT; c) Litispendência, coisa julgada, perempção; d) Prescrição intercorrente; e) Excesso de execução, quitação, novação.
Não há produção de provas.
RESPONSABILIDADE DO SÓCIO (DESCONSIDERAÇÃO)
Existem duas teorias sobre a desconsideração da personalidade jurídica: 1ª teoria objetiva (teoria menor):
Basta insuficiência de bens na PJ (CDC, art. 28) 2ª teoria subjetiva (teoria maior):
Insuficiência de bens na PJ + Comprovação de fraude ou de abuso de direito (CC/02, art. 50).
PENHORA
Na execução, se o executado não pagar ou garantir o juízo, serão penhorado seus bens.
Sobre essa penhora, é necessário analisar alguns pontos:
A penhora em dinheiro tem preferência sobre todos os demais bens, de maneira que não cabe Mandado de Segurança, conforme súmula 417.
AGRAVO DE PETIÇÃO
O recurso de agravo de petição é adequado para impugnar as sentenças proferidas na execução no processo do trabalho.
Importante!!! Necessidade de delimitação da matéria e valores impugnados (exceção quanto à delimitação de valor - matéria exclusivamente de direito)
Súmula nº 416 do TST
MANDADO DE SEGURANÇA. EXECUÇÃO. LEI Nº 8.432/1992. ART. 897, § 1º, DA CLT. CABIMENTO (conversão da Orientação Jurisprudencial nº 55 da SBDI-2) - Res. 137/2005, DJ 22, 23 e 24.08.2005
Devendo o agravo de petição delimitar justificadamente a matéria e os valores objeto de discordância, não fere direito líquido e certo o prosseguimento da execução quanto aos tópicos e valores não especificados no agravo. (ex-OJ nº 55 da SBDI-2 - inserida em 20.09.2000)
DISSIDIOS COLETIVO
É o conflito resultante a infrutífera negociação havida entre os sindicatos patronais e dos trabalhadores.
É interposto no TRT se a discussão for a âmbito regional ou estadual e no TST se a discussão for a âmbito nacional.
1. REQUISITOS
São requisitos para a interposição dos Dissídios Coletivos:
Frustação da Negociação Coletiva; Não chegando as partes a um consenso quando ao conteúdo de eventual acordo ou convenção coletiva de coletiva de trabalho.
Comum acordo entre as partes: Dispõem o art. 114, §2º, da CF que, “recusando-se qualquer das
partes à negociação coletiva ou à arbitragem, é facultado, de comum acordo, ajuizar dissídio coletivo de natureza econômica, podendo a Justiça do Trabalho decidir o conflito, respeitadas as disposições mínimas legais de proteção ao trabalho, bem como as convencionadas anteriormente”.
ESPÉCIES DE DISSÍDIOS COLETIVOS:
DE NATUREZA ECONÔMICA: objetivam a criação, a extinção ou a modificação de normas ou condições de trabalho em geral (cláusulas econômicas e sociais), por meio de uma sentença normativa constitutiva. DE NATUREZA JURÍDICA: pretendem conferir interpretação judicial a uma norma coletiva controvertida, por meio de uma sentença normativa
declaratória. Na elaboração de uma norma coletiva – acordo e convecção coletiva de trabalho e sentença normativa – podem ocorrer dúvidas acerca de sua correta interpretação ou aplicação.
DE GREVE: Os dissídios coletivos de greve (natureza mista) apenas poderão se ajuizados diante uma paralisação do trabalho. Sua natureza se deve à concomitância do cunho jurídico e econômico na mesma ação coletiva. Essa espécie de dissídio coletivo serve para que, em ocorrendo paralisação
coletiva dos trabalhadores, o Tribunal do Trabalho declare a paralisação abusiva ou não abusiva.
PODER NORMATIVO DA JUSTIÇA DO TRABALHO
De maneira sucinta, o poder normativo é a possibilidade de a Justiça Especializada do Trabalho apreciar e julgar os dissídios coletivos ajuizados. A competência originária é da Seção de Dissídios Coletivos do Tribunal Regional do Trabalho. A decisão tem efeito vinculativo aos sindicatos litigantes. É originado da sentença normativa do dissídio coletivo.
Conforme dispõe o art. 868, § único da CLT, a sentença normativa não terá vigência superior a quatro anos.
Observações:
• O não-esgotamento das tentativas extrajudiciais de conciliação é causa de extinção, sem exame do mérito, de dissidio coletivo de natureza econômica. • O dissidio coletivo constitui ação originária do Tribunal, podendo o seu
presidente, no entanto, delegar ao Juiz de Vara a tentativa de conciliação, quando o dissídio ocorrer fora da sede do Tribunal.
• O dissídio coletivo será instaurado mediante representação escrita ao Presidente do Tribunal Regional.
• Não havendo acordo em dissídio coletivo e não comparecendo ambas as partes em audiência designada, o Presidente do Tribunal deverá submeter o processo a julgamento, depois de realizadas as diligências que entender necessárias.
• Nos dissídios coletivos, as categorias ainda não organizadas em sindicatos poderão se fazer representar pelas federações ou, na falta destas, pelas confederações.
• A competência para apreciação dos dissídios coletivos que excedam a competência dos Tribunais Regionais do Trabalho é do Tribunal Superior do Trabalho.
• A decisão, em dissídio coletivo, sobre novas condições de trabalho, poderá ser estendida a todos os empregados da mesma categoria profissional compreendida na mesma jurisdição do tribunal.
• O prazo máximo para duração da sentença normativa é de 4 anos • Pode o dissídio ser ajuizado pelo MPT, em caso de greve em atividade