Avaliação do transporte apical em canais radiculares curvos
preparados com diferentes técnicas de instrumentação, por
meio de tomografia computadorizada
Dissertação apresentada ao Programa de Pós-graduação em Odontologia da Universidade de Ribeirão Preto, como parte dos requisitos para obtenção do título de Mestre em Odontologia, sub-área Endodontia.
Orientador: Prof. Dr. Antonio M. da Cruz Filho
Ribeirão Preto
2008
Ficha catalográfica preparada pelo Centro de Processamento Técnico da Biblioteca Central da UNAERP
- Universidade de Ribeirão Preto -
Alencar, Charles Stefani Moreira de, 1981
-A257a Avaliação do transporte apical em canais radiculares curvos preparados com diferentes técnicas de instrumentação, por meio de tomografia computadorizada / Charles Stefani Moreira de Alencar. - - Ribeirão Preto, 2008.
84 f. + anexos.
Orientador: Prof. Dr. Antonio Miranda da Cruz Filho.
Dissertação (mestrado) – Departamento de Pós-Graduação em Odontologia da Universidade de Ribeirão Preto, área de concentração: Endodontia. Ribeirão Preto, 2007.
1. Odontologia. 2. Endodontia. 3. Odontologia – Preparo do canal. 4. Odontologia – Tomografia computadorizada. 5. Canal radicular – Tratamento. I. Título.
Este trabalho foi realizado no Laboratório de Pesquisas em Odontologia da Universidade de Ribeirão Preto e no Laboratório de Pesquisas em Odontologia da Universidade Católica de Brasília.
Dedicatórias
Dedico essa obra à minha noiva Jordanna, meu amor, minha amiga e companheira, paciente e incentivadora de todas as minhas aspirações profissionais. Te amo.
Aos meus pais Cirilo e Eliete, por todo apoio nesses anos todos, sendo sempre meus amigos, porto seguro e por terem me encaminhado sempre no lado do bem. Amo vocês.
Aos meus irmãos a quem tanto amo, Charleston e Charleny que sempre me inspiraram a ser uma pessoa melhor.
Ao meu orientador Prof. Dr. Antônio Miranda da Cruz Filho,
coordenador do Curso de Odontologia da Universidade de Ribeirão Preto - UNAERP, pelos ensinamentos, dedicação e profissionalismo em nossas reuniões, cuja mente brilhante “plantou” a idéia deste trabalho. O considero meu amigo, onde desde os tempos de graduação me ensinou e me ajudou com seus conhecimentos na Endodontia. Levarei de exemplo sempre.
aumentar meu conhecimento intelectual e profissional.
À coordenadora do curso de pós-graduação Profa. Dra. Yara T.
Corrêa Silva Sousa, pela dedicação na coordenação do Curso de Mestrado em
Odontologia, sub-área Endodontia.
Ao Prof. Dr. Jacy Ribeiro de Carvalho Júnior, pela ajuda no
desenvolvimento deste trabalho, onde dedicou seu conhecimento e tempo, sendo uma pessoa muito prestativa do começo ao fim.
À Profa. Dra. Melissa A. Marchesan , pelas novas idéias que trouxe
para este trabalho, ajudando e enriquecendo muito esta pesquisa.
Ao Prof. Dr. Luiz Pascoal Vansan, por me ajudar na elaboração deste
trabalho, por me estimular sempre em nossas conversas com seu amplo conhecimento na vida e na Endodontia.
Ao Prof. Celso Bernardo Sousa Filho e Prof. Dr. Silvio Rocha
Corrêa da Silva pela valiosa colaboração na análise estatística.
Ao Prof. Dr. Manoel D. Sousa Neto, pela oportunidade de cursar o
Ao Prof. Dr. Ricardo Gariba Silva pelos valiosos ensinamentos sobre Endodontia desde os tempos de graduação, colaborando com minha formação acadêmica.
Aos demais Professores do Curso de Pós-Graduação, Lisete Diniz Ribas Casagrande, Raphael Carlos Comelli Lia, Renato Cássio Roperto,
Neide Aparecida, Edson Alfredo. Suas informações e sabedoria foram muito
importantes para o meu crescimento.
Aos colegas de turma André Marcusi Lara, Marcos Arantes Marino, Alessandro Rogério Giovani, Volmir João Fornari, Fernando Carneiro Ribeiro, Priscila de Oliveira Silva Pobbe, Gisele Aihara Haragushiku, Fabio Henrique Pasqualin, José Estevam Vieira Ozorio, João Gonçalves Junior, Larissa Lustosa Dias Lima, Alexandra Conca Alves Mozini, Sylvia Maria
Bin Nomelini, pelos momentos em que abdicaram de suas coisas para me
auxiliarem e pela convivência sempre tão cordial nesta jornada em que caminhamos juntos.
Aos amigos de todas as horas Pablo Dallari Ramalho Lucas, Lalo Boretti, Elton Carlos Pichotano, Rodrigo Sola, Nelson Dias de Moraes,
Rodrigo Vidigal, por me acolherem em suas casas e em suas vidas.
___________________________________________________________________________________Resumo
O objetivo deste estudo foi avaliar o transporte apical em canais radiculares curvos preparados com diferentes técnicas de instrumentação, por meio da tomografia computadorizada. Raízes mesio-vestibulares de molares superiores humanos extraídos (n=40), com ângulos de curvatura entre 20º e 40º, foram distribuídas em 4 grupos experimentais, de acordo com as técnicas de instrumentação utilizadas: GI – instrumentação manual com limas de aço-inoxidável tipo K (Flexofile®); GII – instrumentação automatizada com movimento rotatório
contínuo (Profile®); GIII – instrumentação automatizada com movimento rotatório alternado (contra-ângulo Endo-Gripper + limas FlexoFile®); GIV – associação entre
as técnicas automatizadas de movimento rotatório contínuo e movimento rotatório alternado. As raízes foram incluídas até o terço médio, em base de silicone de condensação, obtendo-se os corpos-de-prova que foram escaneados por meio da tomografia computadorizada i-CAT´s cone beam 3D antes e após a biomecânica. Os canais foram preparados até o diâmetro cirúrgico de 0,35 mm, por um único operador. O transporte apical foi mensurado a partir das menores distâncias entre a parede interna do canal e as faces mesial e distal das raízes, nos 4 primeiros milímetros apicais, a partir do batente apical de cada espécime, por meio de topogramas obtidos nos dois exames tomográficos. A análise estatística acusou diferença significante (p<0,001) entre o grupo da técnica de instrumentação manual (0,62 ± 0,018) e os demais grupos de instrumentação automatizados, sendo estes estatisticamente semelhantes entre si (p>0,001). Concluiu-se que as técnicas de instrumentação automatizadas com movimentos rotatórios contínuo e alternado, promoveram menor transporte apical em canais radiculares curvos em relação a técnica de instrumentação manual.
_________________________________________________________________________Summary
The purpose of this study was to evaluate apical transportation in curved root canals prepared with different techniques, by computed tomography. Roots mesio-buccal of extracted human maxillary molars (n = 40), with angles of curvature between 20 and 40, were divided into 4 experimental groups, according to the instrumentation techniques: GI - manual stainless-steel type K (Flexofile ® files); GII - automated instrumentation with continuous rotary motion (Profile ®); GIII - automated instrumentation with reciprocating movement (contra-angle Endo-Gripper + files FlexoFile ®); GIV - association of automated rotary and reciprocating techniques. Roots were included on basis of silicone condensation, up to the middle third, obtaining specimens that were scanned by i-CAT's 3D cone beam computed tomography before and after instrumentation. The canals were prepared up to a surgical diameter of 0.35 mm by a single operator. Apical transportation was measured between the smaller distances of the inner root canal wall and the distal and mesial regions of the roots, at the first 4 mm of the apical region. Statistical analysis showed a significant difference (p <0.001) between the group instrumented manually (0.62 ± 0.018) and the groups instrumented with automated instrumentation, which are statistically similar (p> 0.001). It can be concluded that the automated instrumentation techniques with continuous rotary or reciprocate movements lead to smaller apical transportation in curved root canals.
RESUMO SUMMARY INTRODUÇÃO ... 01 REVISTA DA LITERATURA ... 06 PROPOSIÇÃO ... 38 MATERIAL E MÉTODOS ... 40 RESULTADOS ... 53 DISCUSSÃO ... 57 CONCLUSÕES ... 62 REFERÊNCIAS ... 64 ANEXO
_____________________________________________________________________Introdução 2
O preparo biomecânico tem por objetivo promover a limpeza, desinfecção e modelagem do canal radicular, por meio do emprego de instrumentos endodônticos e da irrigação-aspiração com substâncias ou soluções químicas auxiliares (HUSLMANN et al., 2001).
Na biomecânica de canais curvos, a obtenção dos objetivos almejados torna-se ainda mais difícil, devido à maior possibilidade de ocorrências de iatrogênias comuns à esse tipo se canal, como o transporte apical (GLOSSON et al., 1995; DUMMER et al., 1997, BERGMANS et al., 2002; BERGMANS et al. 2003; DUMMER et al., 2005; OZGUR et al., 2006).
Dentre os fatores que contribuem para a ocorrência do transporte apical, podem ser citados: anatomia interna do dente, flexibilidade do instrumento e o emprego de técnicas de instrumentação inadequadas (KOSA et al., 1999; GARIP; GÜNDAY, 2001; HATA et al., 2002; KFIR et al., 2004; TASDEMIR et al., 2005; LOIZIDES et al., 2006).
A rigidez e resistência à deformação das limas de aço inoxidável impedem a adaptação adequada do instrumento à curvatura do canal radicular, o que, conseqüentemente, favorece o transporte apical. Esse tipo de acidente dificulta a limpeza adequada do canal radicular, deixando áreas sem atuação dos instrumentos, favorecendo a presença de remanescentes de tecido necrosado ou em decomposição. Em contra partida, outras áreas são excessivamente
desgastadas, removendo-se dentina desnecessariamente, dificultando ou até mesmo impedir o selamento apical (BRISEÑO; SONNABEND, 1991).
Em 1988, WALIA et al., visando suprir deficiência dos instrumentos endodônticos de aço inoxidável em relação à falta de flexibilidade, preconizaram o uso de uma liga constituída de níquel-titânio (NiTi) para a confecção de instrumentos manuais e rotatórios.
Os instrumentos de níquel-titânio apresentam como característica principal a manutenção da sua forma original após serem submetidos à deformações, uma vez que a liga apresenta memória de forma e super elasticidade (GLOSSON et al., 1995). Tais propriedades permitem realizar a terapêutica endodôntica de forma mais segura, rápida e eficaz (DUMMER et al., 2005; GARIP; GENCOGLU, 2006; SCHAFER et al., 2006). Além disso, permitem o movimento de rotação contínua (360o) em canais curvos, podendo impedir ou minimizar o desvio apical durante o
preparo (HÜLSMANN et al., 2005), o que não ocorre com os instrumentos de aço inoxidável (GLOSSON et al., 1995; SHORT et al., 1997; BERTRAND et al., 2001; GARIP; GÜNDAY, 2001; GLUSKIN et al., 2001; TASDEMIR et al., 2005; LOIZIDES et al., 2006).
Os instrumentos de NiTi podem ser acionados por motores elétricos ou pneumáticos com rotação reduzida, enquanto os de aço inoxidável são empregados com rotação alternada ou recíproca, conhecido como sistema oscilatório.
_____________________________________________________________________Introdução 4
De acordo com LEONARDO (2005), o movimento oscilatório consiste em um conjunto de movimentos alternados à direita e à esquerda com a finalidade de propiciar ação mais eficiente do instrumento ao longo das paredes dos canais radiculares, fazendo com que fique mais centralizado, propiciando menor transporte apical e permitindo que a área apical dos canais curvos possa ser ampliada com instrumentos de maior calibre em relação ao convencional, com menores alterações na trajetória original do canal radicular. Este sistema é considerado versátil, uma vez que permite o encaixe da maioria dos instrumentos manuais.
A introdução do uso da tomografia computadorizada na Endodontia por TACHIBANA; MATSUMOTO (1990) possibilitou a análise do transporte apical, em três dimensões (3D). Com o advento das novas gerações de tomógrafos, permite-se empregar uma metodologia não-destrutiva, quantíficavel e reproduzível, possibilitando ao pesquisador uma infinidade de imagens e avaliação completa e detalhada do canal radicular em todos os planos sem perda de dados (RHODES et al., 1999; PETERS et al., 2000; RHODES et al., 2000; BERGMANS et al., 2001; GARIP; GUNDAY, 2001; GLUSKIN et al., 2001; BERGAMNS et al., 2002; TADESMIR et al., 2005).
Em virtude das várias opções de técnicas e motores encontrados no mercado, cabe analisar, o transporte apical em canais radiculares curvos após o
preparo biomecânico com movimentos rotatórios, oscilatórios, quando utilizados isoladamente e ou associados entre si, em comparação com a instrumentação manual.
SCHNEIDER (1971) propôs um método para mensuração do ângulo de curvatura da raiz. Para isto, a partir da radiografia do elemento avaliado, traçava-se uma linha paralela ao longo do eixo do dente. Em traçava-seguida, uma traçava-segunda linha, traçada a partir da saída do forame apical, que encontrava com a primeira no ponto onde o canal começava a sair do longo eixo do dente, em razão da curvatura. O ângulo agudo formado seria considerado como o ângulo de curvatura da raiz. O autor concluiu que um ângulo de curvatura ≥ 20° seria considerado como severo.
Em 1985, ROANE et al. propuseram um novo conceito para o preparo biomecânico de canais radiculares curvos, denominado Força Balanceada. Sua essência foi baseada no uso da magnitude de força no sentido de se criar um maior controle sobre o corte do instrumento em regiões não desejadas durante o preparo desse tipo de canal. Neste sentido, os autores desenvolveram novos instrumentos e apresentaram diagramas de avaliação, cálculos matemáticos, ilustrações esquemáticas, além de casos clínicos como registro das vantagens de seu uso em canais curvos quando comparados com as técnicas convencionais, até então preconizadas.
WEISZ et al. (1985) avaliaram, radiograficamente, o transporte apical antes e após a instrumentação automatizada de canais curvos. E verificaram que, apesar da flexibilidade dos instrumentos de aço inoxidável, recomenda-se que a instrumentação de canais excessivamente curvos seja efetuada até a lima #25,
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uma vez que os seguintes são menos flexíveis e, se forçados poderão levar à formação de degraus ou deformações.
Com o objetivo de investigar as propriedades de torção e dobramento das ligas de Nitinol, WALIA et al. (1988) utilizaram limas fabricadas a partir de 0,020 polegadas de diâmetro com fios da referida liga, partindo de hastes de secção transversal triangular. As limas de Nitinol foram concebidas para ter de duas a três vezes mais flexibilidade no dobramento e torção, bem como superior resistência à fratura torsional, comparada com as limas de aço inoxidável do mesmo diâmetro, manufaturada por meio do mesmo processo. Os resultados sugeriram que as limas de Nitinol poderiam ser promissoras para a instrumentação em canais curvos.
IANNO; WEINE (1989) compararam a incidência do transporte apical em canais simulados de blocos de resina, preparados com dois tipos de contra-ângulos de movimentos oscilatórios, o Giromatic® e o Kerr M-4®. Durante a biomecânica,
analisou-se também a formação de degraus, zips e perfurações. O grupo do Giromatic® apresentou, de uma forma geral, melhores resultados evidenciando
menor transporte apical, no entanto, nenhum dos sistemas testados foram capazes de impedir o transporte lateral do canal simulado.
TACHIBANA; MATSUMOTO (1990) empregaram, in vivo, pela primeira vez, a tomografia computadorizada como ferramenta para diagnóstico em Endodontia. Os autores consideraram como vantagens a possibilidade de visualização de estruturas não identificadas pela radiografia convencional, bem como a
possibilidade de reprodução em três dimensões (3D) dos canais radiculares e dentes. Contudo, consideraram como desvantagens, a alta dose de radiação, o tempo de escaneamento, o custo e o tamanho do aparelho, além da resolução inadequada para detalhamento do diagnóstico de pequenas áreas ou quando da presença de objeto metálico na área avaliada.
BRISEÑO; SONNABED (1991) compararam a capacidade de nove instrumentos endodônticos manuais de marcas diferentes (Alargadores®, K-files®,
Hedstroen®, K-flex®, Flexofiles®, Unifiles®, Flexicut® e Flex-R®) na manutenção da
geometria original dos canais radiculares simulados em 180 blocos de resina. Comparou-se o resultado do preparo com o canal original, por meio do método da dupla exposição radiográfica. Concluíram que, independente do tipo de instrumento, nenhum conseguiu um resultado ideal. Todavia, resultados clinicamente aceitáveis podem ser obtidos com todos eles.
GLOSSON et al. (1995) analisaram o transporte do canal radicular no terço apical promovido por instrumentos manuais de níquel-titânio acionados a motor e instrumentos manuais de aço inoxidável. Os autores utilizaram 60 canais mesiais de molares inferiores humanos que foram divididos aleatoriamente em 5 grupos. As raízes foram incluídas em resina incolor e seccionadas nas regiões apical e média. No grupo I, os canais foram instrumentados usando-se a técnica de ¼ de volta e tração com limas K-flex®. No grupo II, os canais foram preparados com limas manuais de níquel-titânio (Mity files®) empregando-se a mesma técnica que
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a do grupo I. O grupo III foi preparado com limas de níquel-titânio acionadas a motor NT Sensor®. No grupo IV foi empregado instrumentos manuais de níquel-titânio Canal Máster U® e no grupo V, instrumentos rotatórios de níquel-titânio
Lightspeed®. Os instrumentos de níquel-titânio acionados a motor (Lightspeed® ou
NT Sensor®) ou manuais (Canal Máster U®) causaram significantemente menos transporte do canal (p<0,05). Os autores concluíram que dentro dos parâmetros estudados, a instrumentação acionada a motor, foi mais eficiente em relação ao parâmetro estudado, que a manual.
DOBO et al. (1996) compararam o transporte apical do canal radicular produzido por diferentes instrumentos endodônticos. Foram utilizadas 460 raízes de dentes humanos extraídos, as quais foram distribuídas da seguinte forma: grupo I - raízes curvas em toda sua extensão, grupo II - raízes retas e grupo III - raízes com curvatura no terço apical. Cada grupo foi subdividido em sete subgrupos de acordo com o tipo de instrumento ou técnica utilizada no preparo biomecânico: A- instrumentação manual; B- instrumentação com limas K-Flexiona, C- instrumentação oscilatória com LD; D- instrumentação oscilatória com 3-LDSY; E- preparo com limas Excalibur; F- preparo com limas MM 1400; G- instrumentação ultra-sônica com Endo Sonic. A análise do transporte apical foi realizada por meio da comparação radiográfica antes e após a instrumentação das raízes. Os resultados mostraram que a maioria das amostras sofreu desvio do leito original do canal radicular. A lima K-Flexiona apresentou menor grau de transporte
do canal radicular em relação aos demais instrumentos. Houve perda significante do comprimento de trabalho durante o preparo com instrumentos 3-LD e 3-LDSY.
GAMBILL et al. (1996) avaliaram o transporte apical por meio de tomografia computadorizada. Os canais radiculares foram preparados manualmente com instrumentos endodônticos de níquel-titânio (Ni-Ti) e de aço inoxidável. Trinta e seis dentes unirradiculares foram divididos em três grupos e, submetidos à tomografia computadorizada antes e após a biomecânica. No grupo I, os canais foram instrumentados com limas de aço-inoxidável K-flexionam com ¼ de volta/tração. No grupo II, os canais foram preparados com as limas manuais de Ni-Ti (limas de Mity) com a mesma técnica do grupo I. No grupo III, os canais foram preparados com limas manuais de Ni-Ti (limas de Mity) pela técnica de alargamento. Os autores concluíram que os instrumentos de Ni-Ti (lima de Mity) causaram significativamente menor transporte apical que os instrumentos de aço inoxidável (p<0,05), removeram significativamente menor volume de dentina (p<0,05), requereram um menor tempo de preparo biomecânico (p<0,05) e produziram preparos mais centralizados. Os autores salientam que o tomógrafo computadorizado é um método passível de reprodução e não invasivo.
DOWKER et al. (1997) utilizaram a micro tomografia computadorizada, com resolução isotrópica de 0,40 µm, para avaliação do preparo endodôntico em três dentes extraídos. A reconstrução tridimensional foi feita com topogramas obtidos a partir de cortes axiais. Os autores concluíram que, apesar de ótima ferramenta
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para ensino e pesquisa em Endodontia, ela não poderia ser utilizada em pacientes devido aos altos níveis de radiação necessárias para obtenção das imagens.
DUMMER et al. (1997) avaliaram o transporte apical, por meio da comparação de imagens digitalizadas pré e pós preparo biomecânico de canais simulados. Foram selecionados 40 canais com diferentes angulações, os quais foram preparados com limas Hedströen acopladas a peça de mão M4®. As imagens
pré e pós-operatórias dos canais foram realizadas com uma câmera de vídeo e armazenadas em um computador dotado de um software específico para análise de imagens. Os resultados evidenciaram que os canais com angulação de 20 graus de curvatura foram preparados mais rapidamente que os canais com 40 graus de curvatura, sendo que neste último grupo houve remoção excessiva de material na parte interna da curvatura criando “zonas de perigo”. Os autores salientaram que limas Hedströen acopladas a peça de mão M4® apresentam grandes possibilidades
de perfurar o canal de raízes com grau de curvatura severa.
SHORT et al. (1997) avaliaram a capacidade de manter a centralização do canal radicular durante a biomecânica endodôntica realizada por 4 sistemas de instrumentação (sistemas Profile®, Lightspeed®, McXim® e limas manuais
Flex-R®). O transporte do canal radicular foi avaliado por comparação de imagens
radiográficas pré e pós-instrumentação, nos 3 terços (cervical, médio e apical). Os autores não observaram diferença estatística significante entre os sistemas de níquel-titânio em nenhum dos terços estudados. A diferença no transporte entre as
limas manuais e de níquel-titânio foi mais pronunciada na lima #40 que na #30. Os autores concluíram que os sistemas de níquel-titânio foram todos significativamente mais rápidos que os manuais.
BJØRNDAL et al. (1999) estudaram, por meio de micro tomografia computadorizada, a anatomia interna e externa das raízes de cinco molares superiores extraídos. Os autores correlacionaram o número e posição dos canais em relação às raízes e, secção transversal do canal radicular em relação à morfologia externa da raiz. Concluíram que a micro tomografia computadorizada era uma ferramenta importante para pesquisa em Endodontia.
KOSA et al. (1999) pesquisaram a manutenção da centralização do canal radicular após o preparo biomecânico empregando sistema Profile series 29®, Quantec 2000®, limas manuais Flexofile® no contra ângulo Endo Gripper® e Limas
Hedstroen na peça de mão M4®. Os resultados obtidos mostraram que o sistema
Quantec 2000® promoveu sistematicamente mais transporte apical quando
comparado ao Profile series 29®, não havendo diferença entre os demais sistemas.
O tempo de preparo biomecânico foi avaliado, e os autores verificaram que o tempo de preparo curto, para o Profile series 29®, seguido pela Flex-R® no Endo
Gripper®, Quantec 2000® e Hedstroen M4®.
SYDNEY et al. (2000) realizaram uma revisão da literatura “sistema de rotação alternada em Endodontia”. Os autores descreveram os diferentes contra
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ângulos encontrados no mercado, suas divergências, apontando as vantagens e desvantagens do sistema rotatório alternado e sugeriram técnica de emprego.
RHODES et al. (2000) compararam, por meio da microtomografia computadorizada, o transporte apical lateral em 30 canais de 10 molares inferiores humanos preparados com limas manuais Nitiflex® e com o sistema rotatório Profile .04®. Os resultados mostraram que ambas as técnicas produziram canais bem
centralizados e cônicos, não havendo diferença entre os grupos quanto ao transporte, volume de material excisado e tempo de preparo.
BERTRAND et al. (2001) estudaram o transporte do canal radicular nos terços apical, médio e cervical, por meio do sistema de mufla. Foram utilizados no experimento 24 canais de molares inferiores humanos com curvatura ≥20° preparados com limas manuais de aço inox ou com sistema Hero 642®. Após a
execução da metodologia, os canais foram comparados pela sobreposição de imagens digitalizadas dos canais pré e pós-instrumentados. Os resultados mostraram que não houve diferença na quantidade de dentina excisada, mas houve um maior transporte do canal radicular no grupo dos instrumentos manuais. Os autores concluíram que, a manutenção do leito original do canal foi melhor no terço apical quando utilizado o sistema rotatório Hero 642®.
GARIP; GÜNDAY (2001) compararam o transporte nos terços médio e apical de 80 canais simulados em blocos de resina transparente, com curvatura de 20° e 30°. Os canais simulados foram preparados com limas manuais de NiTi e aço
inoxidável tipos K e Hedströen e comparados, por meio de imagem tomográfica computadorizada, antes e após o preparo biomêcanico. Os resultados mostraram que não houve diferença significante, sendo considerado o tipo de instrumento e o ângulo de curvatura mas, foram observados maiores desgastes na porção interna da curvatura pelo uso de limas de aço inoxidável no terço médio e de NiTi no terço apical. Contudo, os menores valores de transporte foram obtidos no grupo de NiTi. Os autores concluíram que os instrumentos de NiTi prepararam os canais com melhor conicidade, alargamento e menor transporte do canal.
GLUSKIN et al. (2001) analisaram o transporte apical, após a instrumentação de 54 canais de raízes mesiais de molares inferiores preparados por estudantes de odontologia pela técnica coroa-ápice. Foram comparadas as limas de aço inoxidável Flexofile® e sistema rotatório Profile GT®, por meio de
tomografia computadorizada. Os resultados mostraram menor ampliação dos terços cervical e médio, menor transporte em direção a furca no terço médio, menor tempo médio de preparo e também fratura de dois instrumentos no grupo GT®. Os autores concluíram que o sistema Profile GT® permitiria a alunos de odontologia preparar canais curvos com um menor transporte, maior conservação de estrutura e uma maior velocidade.
GRIFFITHS et al. (2001) avaliaram o transporte apical, em 40 canais simulados em blocos de resina transparente, com diferentes angulações e posições de curvatura. Os canais simulados foram preparados com sistema Quantec SC®, e
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avaliados por meio de imagens digitalizadas antes e após o preparo. Os resultados mostraram que o tempo médio de preparo dos canais de 12 mm de comprimento foi menor que os de 8 mm de comprimento e que não houve fratura de nenhum instrumento. A patência apical foi mantida em todos os canais apesar da perda do comprimento de trabalho em 52% da amostra. O maior número de alterações foram observadas no uso do instrumento 7 e o maior número de perfurações com instrumento de número 10. Verificou-se a presença de zip em 15% da amostra, excesso de material removido no aspecto externo da curvatura em 65%, transporte em 8% e perfuração em 13%. Os autores concluíram que os instrumentos Quantec SC® produziram muitas alterações a partir do uso do
instrumento 7, e que assim, cuidados deveriam ser tomados quando esta numeração fosse utilizada in vivo.
HUSLMANN et al. (2001) pesquisaram o transporte apical, por meio do sistema de mufla, em canais de 50 molares inferiores humanos, com curvaturas entre 20° e 40°. Os canais radiculares foram preparados com o sistema Quantec SC® e Hero 642®. Os resultados mostraram que, ambos os sistemas mantiveram a curvatura dos canais com grau de retificação médio de 2,3° para o Quantec SC® e
de 1,6° para o Hero 642®. No grupo Quantec SC® ocorreram cinco fraturas, três
bloqueios apicais e oito casos de perda do comprimento de trabalho, enquanto que no grupo Hero 642® houve três bloqueios e uma perfuração. O grupo Quantec SC® resultou em canais arredondados em 24% da amostra, ovais em 29% e
irregulares em 47%. Já o grupo Hero 642® resultou em canais arredondados em
63% da amostra, ovais em 24% e irregulares em 17%. O tempo médio de preparo foi menor com o sistema Hero 642® (52 segundos) que o Quantec SC® (117
segundos). A avaliação da limpeza foi feita por microscopia eletrônica de varredura após secção longitudinal das raízes, verificando-se melhor remoção de debris no grupo Hero 642®, e similar remoção da camada de smear layer entre os grupos.
Os autores concluíram que, ambos os sistemas apresentaram aceitável manutenção do leito original do canal e limpeza, contudo, o sistema Quantec SC®
apresentou maior deficiência em relação à segurança de uso.
IMURA et al. (2001) avaliaram o transporte apical, por meio do sistema de mufla, em 72 canais de raízes mesiais de molares inferiores humanos. Os canais foram preparados com limas manuais Flex-R®, com os sistemas Profile .04® e
Pow-R®. A análise das amostras foi baseada em imagens sobrepostas dos canais
radiculares antes e após o preparo. Os resultados mostraram que, no terço médio de canais moderadamente curvos o grupo Flex-R® cortou mais que o sistema
Pow-R® no lado lingual. Considerando o grau de curvatura no terço apical, o grupo Profile .04® cortou mais no lado mesial de canais moderadamente curvos que em
canais pouco curvos. O tempo médio de preparo com Profile .04® foi menor que o
dos instrumentos manuais. Os autores concluíram que, a ausência de fratura de instrumentos durante o experimento, foi devido ao uso de cada instrumentos em seis canais apenas.
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SCHÄFER (2001) pesquisou o transporte apical, em 48 canais simulados em blocos de resina transparente, com curvaturas de 28° e 35°. Os canais foram preparados com o sistema Hero 642® e limas K-Flexofile® de aço inoxidável, e
comparados por meio da sobreposição de imagens digitalizadas dos canais pré e pós-instrumentados. Os resultados mostraram que o sistema Hero 642® apresentou menor desvio e maior rapidez no preparo em ambas as variações de curvatura, contudo, melhor manutenção do comprimento de trabalho foi observado apenas em canais com 35° de curvatura. Os autores concluíram que, apesar de apresentar três instrumentos fraturados, o sistema rotatório preparou os canais com maior rapidez, menor alteração no comprimento de trabalho e menor transporte no aspecto externo da curvatura.
BERGMANS et al. (2002) compararam, por meio de tomografia computadorizada, o transporte apical, em canais mesiais curvos de molares inferiores humanos. Os canais foram preparados com os sistemas rotatórios Profile GT® e Lightspeed®. Os resultados mostraram que, ambos os grupos apresentaram
tendências à retificação do canal, contudo, com pequenos valores absolutos de transporte e nenhuma alteração significativa, apesar do sistema Profile GT® ter
removido mais dentina nos terços médio e apical que o sistema Lightspeed®. Os
autores concluíram que as diferenças de desenho do sistema Lightspeed® não
alteraram as características morfológicas do canal, quando comparadas as do sistema Profile GT®.
CALBERSON et al. (2002) analisaram o transporte apical, em 40 canais simulados em blocos de resina. Os canais foram preparados com angulação e posição de curvatura variados, com emprego do sistema Profile GT®, em cinco
regiões. Os resultados demonstraram que o sistema GT® proporcionou uma
modelagem adequada dos canais curvos e constritos. Os autores concluíram que o comprimento da porção reta do canal influenciou mais a direção do transporte que o ângulo da curvatura e que, em curvaturas de 60°, houve alta incidência de deformidades nos instrumentos com conicidade .04.
GALLINA et al. (2002) compararam o transporte apical de canais radiculares, por meio de tomografia computadorizada, após instrumentação manual com lima Flexofile®, sistema rotatório Quantec SC® e sistema rotatório Quantec LX®. O comprimento de trabalho foi estabelecido a 0,5mm aquém do
ápice. Foram realizadas varreduras com tomógrafo antes e após a instrumentação das raízes. Os resultados sugeriram que na presença das curvaturas acentuadas o sistema rotatório Quantec SC® causa significativamente mais transporte apical
lateral. Ao mesmo tempo, as limas de NiTi, com corte (Quantec SC®) e sem ponta de corte (Quantec LX®), causam a ampliação excêntrica do forame apical em
canais curvos. Conseqüentemente, os instrumentos acionados a motor devem ser usados com cuidado em curvas acentuadas do canal evitando a ampliação ou o transporte do forame apical, provavelmente porque as limas rotatórias de NiTi podem deslizar fora do controle do operador, desviando a posição original do
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forame. Na presença de curvas severas, os autores sugerem modificar a seqüência operacional alternando instrumentos de NiTi giratório com manuais de NiTi ou aço inoxidável, especialmente no preparo do terço apical.
HATA et al. (2002) avaliaram o transporte apical, nos 5 mm apicais de 160 canais simulados em blocos de resina transparente, com curvaturas de 20° e 30°. Os canais foram preparados com limas manuais Flex-R® com Força Balanceada e
com sistemas rotatórios Profile® e GT®. A partir da sobreposição de imagens
digitalizadas, pré e pós-instrumentação fez-se a comparação das amostras. Os resultados apontaram transporte na porção externa da curvatura no milímetro final do canal, com exceção do grupo Flex-R® que removeu uma maior quantidade de
dentina na porção interna. Os autores concluíram que o tempo de preparo foi menor com os sistemas rotatórios, e que poderiam contribuir para a redução na fadiga do operador.
BERGMANS et al. (2003) compararam, por meio da tomografia computadorizada, o volume, grau de curvatura, remoção de dentina e o transporte apical de canais mesiais curvos de molares inferiores humanos. Os canais foram preparados com os sistemas ProTaper® e K3 Endo®. A quantidade média de
dentina removida foi de 1,21± 0,66 mm³ para o grupo ProTaper® e 1,06 ± 0,23
mm³ para o K3 Endo®. A média de transporte foi de 8-212 µm para o grupo
ProTaper®, mais pronunciado na região cervical, e 4-187 µm para o K3 Endo®, e mais pronunciado no lado externo da curvatura da região apical. Os autores
concluíram que o desenho das limas ProTaper® sofreu menor influência do ângulo
de curvatura do canal que as limas K3 Endo®, mantendo-se bem centralizado na
região apical, contudo, tendendo a transportar em direção a furca, na região cervical.
FARINIUK et al. (2003) pesquisaram o transporte apical em canais radiculares simulados, os quais foram preparados por meio de instrumentos rotatórios de aço inoxidável Endoflash® e sistema de níquel-titânio Profile® (.04 e
.06 e Orifice Shapers). Os autores utilizaram 24 canais simulados com 30° de curvatura, os quais foram aleatoriamente distribuídos em dois grupos e instrumentados por um único operador. As comparações antes e após a instrumentação mostraram diferenças significantes entre os grupos, com um aumento no transporte dos canais para o grupo dos instrumentos Endoflash®.
Segundo os autores, o sistema Profile® foi mais eficiente, no que diz respeito à
minimização do transporte apical que os instrumentos Endoflash®.
IQBAL et al. (2003) analisaram o transporte apical, radiograficamente, em 60 canais mésio-vestibulares de molares inferiores humanos. Os canais foram preparados com técnica coroa-ápice e ápice-coroa pelos sistemas Profile Series 29® e Profile GT®, respectivamente. Os resultados não mostraram diferença
significante no transporte ou manutenção do comprimento de trabalho entre os grupos. Houve correlação negativa entre o transporte e o raio de curvatura a 0,5 e 5 mm aquém do comprimento de trabalho. Os autores concluíram que a seqüência
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operacional dos sistemas Profile Series 29 .06® e Profile GT®, não tiveram relação
com o transporte ou perda do comprimento de trabalho.
AYAR; LOVE (2004) estudaram o transporte apical, em 20 canais simulados em blocos de resina transparente, com diferentes ângulos e raios de curvatura. Os canais foram preparados com os sistemas Profile® e K3 Endo®, com batente apical padronizado com o instrumento #40. As amostras foram comparadas, por meio da sobreposição de imagens radiográficas pré e pós-instrumentação. Os resultados mostraram que, de forma geral, os instrumentos removeram maior quantidade de material na parede externa que na interna, no terço apical. No grupo Profile® não
houve diferença na quantidade de material removido entre os terços, contudo, no grupo K3 Endo® houve maior quantidade de material excisado na parede externa da curvatura no terço apical dos canais com 20°. Os autores concluíram que ambos os grupos prepararam os canais simulados de forma adequada e com mínimo transporte apical.
CALBERSON et al. (2004) pesquisaram o transporte apical em 40 canais simulados em blocos de resina, com diferentes ângulos e posições de curvatura. Os canais foram instrumentados com o sistema ProTaper®, de acordo com o
fabricante e comparados por meio de sobreposição de imagens dos canais pré e pós-instrumentados. Os resultados mostraram que houve um instrumento fraturado (S1) e 10 deformados (nove S3 e um S1) e alterações na forma do canal apenas após o uso dos instrumentos F2 e F3. Os autores concluíram que o sistema
ProTaper® produziu canais com boa conicidade, contudo, o uso dos instrumentos
F2 e F3 produziram alterações significativas que, em canais curvos, poderiam levar a uma excessiva remoção de material na porção interna da curvatura, criando zonas de perigo.
GONZÁLES-RODRÍGUES; FERRER-LUQUE (2004) avaliaram o transporte de canais radiculares, utilizando o sistema de mufla, nos terços apical, médio e cervical de 30 canais mesiais curvos (com grau de curvatura de 25° a 40°) de molares inferiores humanos. Os canais foram preparados com os sistemas Profile®,
Hero 642® e K3 Endo® e, a partir da imagem digitalizada, compararam os canais
pré e pós-instrumentados. Os resultados mostraram que o sistema Hero 642®
promoveu maior excisão de dentina em todos os níveis, e que todos os grupos preparados com o sistema Hero 642® apresentaram o maior número de
alterações.
KFIR et al. (2004) compararam o transporte apical, in vivo, em 221 canais radiculares preparados por estudantes. Os dentes foram instrumentados empregando-se técnicas manual e rotatória com o sistema Lightspeed®. A análise do transporte apical foi realizada por meio de comparação de radiografias dos canais radiculares pré e pós-instrumentados. Os resultados mostraram que nos canais preparados pelo sistema rotatório, não houve presença de obstruções ou fratura, havendo transporte em apenas 4% da amostra. A instrumentação manual apresentou 24% de canais transportados, 8% de obstruções e uma fratura. Os
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autores concluíram que, o uso do sistema rotatório por alunos permitiu que uma menor quantidade de erros fosse observada durante o preparo dos canais radiculares.
MIGLANI et al. (2004) analisaram o transporte apical, por meio do sistema de mufla, em 45 canais curvos de dentes pré-molares inferiores humanos (Método de Schilder). Os canais foram preparados com instrumento manual tipo K, sistemas rotatórios Hero 642® e Profile® .04 e .06. Os resultados evidenciaram que os
sistemas rotatórios apresentaram melhor centralização no terço apical que a instrumentação manual. No terço coronário houve similaridade entre os grupos e, no terço médio, o grupo Profile® obteve o melhor resultado. Os autores concluíram
que o sistema Profile® apresentou melhor capacidade de centralização do canal radicular que o sistema Hero 642®.
PEREIRA et al. (2004) avaliaram o transporte apical, em 36 canais artificiais curvos simulados, comparando limas manuais Nitiflex® com pontas ISO (Grupo I) e
as limas manuais Profile Series 29® (Grupo II). Com auxilio de uma plataforma
metálica especialmente confeccionada, foi empregada a técnica de dupla exposição radiográfica. As radiografias foram digitalizadas (40 X) e a aferição do transporte apical foi realizada por meio do software Digora for Windows 1.21. Os dados obtidos foram avaliados estatisticamente pela análise de variância (Anova) em nível de significância de 5%. Não foram observadas diferenças estatísticas significantes entre os dois grupos experimentais, com relação à intensidade de
transporte apical. O tempo médio despendido para instrumentação dos canais do grupo I foi significantemente menor.
SCHAFER; VLASSIS (2004), por meio de uma investigação comparativa do transporte apical, avaliaram a capacidade dos instrumentos ProTaper® e RaCe®
em manter o longo eixo de canais simulados após a biomecânica. Os pesquisadores observaram que, em média, os canais preparados com instrumentos RaCe®, mantiveram-se mais centrados que os com ProTaper®. Três instrumentos
RaCe® e dois ProTaper® fraturaram durante o preparo. Tanto em canais
radiculares retos quanto em curvos, o preparo com os instrumentos Race® foi
significantemente mais rápido em relação ao ProTaper® e RaCe®. Os autores
salientaram que os instrumentos RaCe® respeitaram melhor a curvatura original do canal que os ProTaper®, os quais tenderam a transportar os canais em direção à
parte externa da curvatura.
SONG et al. (2004) avaliaram o transporte apical, pelo sistema de mufla, em 48 pré-molares humanos unirradiculares , com curvatura de 15° a 45°. Os canais foram preparados com limas GT® manuais com técnica de Força Balanceada reversa, limas NitiFlex® com Força Balanceada e limas tipo K em aço inoxidável
com técnica step-back. Os canais foram comparados por meio de superposição das imagens dos canais antes e após a instrumentação. Os resultados mostraram diferença apenas em nível apical onde a quantidade de transporte e dentina removida nos grupos GT® e NitiFlex® foram menores que no grupo com aço
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inoxidável. Os autores concluíram que as limas de NiTi apresentaram melhor capacidade de centralização e menor transporte em canais curvos que limas de aço inoxidável.
ATLAS et al. (2005) estudaram o transporte apical em canais curvos e as mudanças na anatomia da raiz provocada pelo uso de limas Flexionam-r®, Onyx-R® e de Nitiflex® com a técnica de força balanceada. Sessenta molares inferiores
foram selecionados para a avaliação da angulação da curvatura e do transporte do canal. Por meio de radiografias pré e pós-instrumentação foram feitos exames do aspecto mesio-distal e buço-lingual de cada dente. As radiografias foram projetadas em uma folha transparente, os contornos de cada dente e lima foram esboçados e a curvatura do canal foi medida com um compasso de calibre micrométrico. Os resultados mostraram que todos os instrumentos reduziram significativamente a curvatura do canal. O transporte no sentido mesio-distal não foi estatisticamente significante, ocorrendo resultados representativos apenas no sentido buço-lingual.
BERTOCCO (2005) pesquisou a ocorrência de transporte apical em canais radiculares curvos simulados após a instrumentação realizada por quatro sistemas de instrumentação rotatória de níquel-titânio: ProFile®, RaCe®, K3® e ProTaper®.
O pesquisador utilizou 40 blocos de resina acrílica transparente contendo canais radiculares curvos simulados, padronizados em 17 mm de comprimento e curvatura de 58º. Os blocos foram distribuídos em quatro grupos de dez
elementos, de acordo com os sistemas rotatórios e técnicas utilizadas correspondentes, proposta pelos respectivos fabricantes. O autor concluiu que, nenhum dos sistemas evitou o transporte do canal após a biomecânica. Os sistemas Profile® e RaCe® proporcionaram o menor grau de desvio dos canais
simulados, enquanto o sistema K3® apresentou desvio moderado. O transporte do canal foi maior quando se empregou o sistema ProTaper® sendo mais
pronunciado a partir do instrumento #25 (F2), sem diferença estatística significante para o instrumento #30 (F3).
COLOMBO et al. (2005) avaliaram a interferência do preparo cervical sobre o transporte apical em 40 canais mesio-vestibulares de molares inferiores humanos, por meio da comparação entre duas técnicas de instrumentação manual com limas de aço inoxidável. No Grupo I (20 canais) foi realizado o preparo cervical pela técnica da Inversão Seqüencial e, no Grupo II (20 canais), a técnica Escalonada, sem preparo cervical. Os resultados mostraram que o Grupo I produziu menor quantidade de transporte apical do que o Grupo II, com diferença estatística significante. Os resultados deste trabalho evidenciaram que o preparo cervical diminui a incidência de transporte apical.
DUMMER et al. (2005) analisaram o transporte apical, proporcionado por instrumentos de NiTi do sistema RaCe®, em quarenta canais simulados. As
imagens pré e pós-operatórias nos vários estágios do preparo foram documentadas para comparação. Os resultados mostraram que 33 canais
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simulados (83%) mantiveram o comprimento de trabalho, 3 instrumentos deformaram e nenhum fraturou. Sob as condições do estudo os instrumentos prepararam canais simulados rapidamente e com sucesso, com pouca mudança no comprimento de trabalho e com poucas deformidades dos instrumentos.
GUELZOW et al. (2005) avaliaram, radiograficamente, o preparo endodôntico dos canais mesiais de 147 molares inferiores com limas Hedströen ou com os sistemas FlexMaster® ,ProSystem GT® , HERO® , K3 Endo®, ProTaper® e
RaCe® . Os resultados mostraram que não houve diferença entre os sistemas
rotatórios quanto à manutenção do comprimento de trabalho, havendo pouca alteração no ângulo de curvatura. O preparo mais regular foi observado com o sistema ProTaper®, apesar do maior índice de fraturas (n=3). Os autores concluíram que os sistemas rotatórios permitiriam preparos bem centralizados e rápidos, sendo que o sistema ProTaper® apresentou canais mais regulares em
termos de diâmetro.
HÜLSMANN et al. (2005) revisaram os conceitos e técnicas de preparo do sistema de canais radiculares. Os autores enfatizaram que, apesar das inúmeras pesquisas clínicas publicadas em relação à qualidade do tratamento endodôntico, a evidência científica final a respeito da influência de diferentes instrumentos e técnicas de preparo ainda permanecia obscura em virtude, principalmente, das diferenças metodológicas que dificultavam ou impediam comparações entre os diferentes estudos. Os autores concluíram que, apesar destas dificuldades,
poder-se-ia considerar como certo que o preparo mecânico promove a redução significativa de bactérias, aumentando a quantidade de debris e camada de smear layer. Além disto, o diâmetro cirúrgico deveria ser definido de acordo com as características anatômicas de cada canal.
PAQUÉ et. al. (2005) avaliaram o transporte apical, volume de material excisado, área de superfície e erros no preparo de raízes curvas de molares superiores instrumentadas com o Endo-Eze® (AET). Os resultados mostraram que
os canais radiculares foram transportados significativamente durante o preparo (P < 0.002). Concluíram que, os instrumentos Endo-Eze® (AET) deram forma aos
canais das raízes dos molares superiores com transportes substanciais, e particularmente nos canais mesio-bucais das raízes. O preparo com este instrumento removeu volume elevado de dentina, mesmo que o diâmetro do batente apical fosse o tamanho #30. Baseado nos resultados atuais, Endo-Eze®
(AET) não pode ser recomendado para a instrumentação de canais curvos.
PEREZ et al. (2005) compararam o transporte apical, em 34 canais simulados em blocos de resina, com curvatura de 35°. Os canais foram instrumentados até os instrumentos 30.04 do sistema Hero Shaper® (NiTi) e 30
.02 do sistema ENDOflash® (aço inoxidável), com velocidade de rotação de 400 a
250 rpm, respectivamente. As amostras foram comparadas por meio de imagens digitalizadas dos canais antes e após a instrumentação. Os resultados mostraram ausência de fraturas ou perda do comprimento de trabalho nos dois grupos. O
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grupo ENDOflash® apresentou maior quantidade de zips e perfurações, além de
menor centralização do preparo. Os autores concluíram que o sistema ENDOflash®
apresentaram maiores riscos de uso durante o preparo de canais curvos.
TASDEMIR et al. (2005) avaliaram, ex vivo, com o uso de tomografia computadorizada helicoidal o transporte do canal radicular nos terços apical, médio e cervical de 20 canais mesio-vestibulares de molares superiores com curvaturas entre 25° e 35°. Os canais foram preparados com limas manuais tipo K ou pelo sistema rotatório Hero 642®. A comparação dos canais foi realizada por meio das
tomografias pré e pós-instrumentação. Os resultados permitiram concluir que o sistema Hero 642® apresentou menor transporte, principalmente nos terços
cervical e médio, e melhor capacidade de manter o canal centralizado.
VELTRI et al. (2005) avaliaram, radiograficamente, 30 canais de molares extraídos, com ângulo de curvatura entre 24° e 69°, preparados com os sistemas Mtwo® e Endoflare HERO Shaper®. Os resultados mostraram que ambos os grupos
resultaram em preparos sem alterações, não havendo fratura de instrumento. O tempo de preparo foi, em média, de 124,4” no grupo Mtwo® e 141,3” no grupo Endoflare HERO Shaper®. Os autores concluíram que os sistemas testados eram
efetivos e seguros para o preparo de canais curvos.
YOSHIMINE et al. (2005) pesquisaram o transporte apical em 30 canais simulados, em forma de S, em resina acrílica transparente. Os canais foram instrumentados com os sistemas K3®, RaCe® e ProTaper® até o instrumento #30.
A comparação do transporte foi realizada por meio de imagens radiográficas digitalizadas dos canais pré e pós-instrumentados. Os resultados mostraram que o sistema ProTaper® apresentou maior tendência de alargamento, transporte e
formação de “zip” no terço apical. Os autores concluíram que, em caso de canais com curvaturas severas, instrumentos rotatórios mais flexíveis seriam os mais indicados.
AGUIAR; CÂMARA (2006) avaliaram, por meio de superposição radiográfica, a ocorrência de desvios do canal radicular no terço apical de molares inferiores humanos, após instrumentação com 2 sistemas rotatórios e instrumentação manual. Sessenta dentes foram incluídos em resina acrílica e divididos em 3 grupos: I- Canais preparados pelo Protaper Manual®; II- Sistema rotatório ProTaper®; e III- Sistema rotatório RaCe®. Os grupos I e II foram instrumentados
até o limite apical com instrumento F2, e o grupo III, com 25. 02. Os resultados mostraram que apesar da instrumentação com o sistema manual e sistema rotatório ProTaper® apresentarem 25% dos canais com desvio e o sistema
rotatório RaCe® ,apenas 20%, estatisticamente, não houve diferença significante entre os grupos.
AL-SUDANI; AL-SHAHRANI (2006) analisaram a capacidade de três sistemas rotatórios (Profile®, K3® e RaCe® ) em manter a centralização do canal radicular
durante a instrumentação. Sessenta raízes mesiais de molares inferiores com curvatura entre 15° e 40° foram distribuídas aleatoriamente em três grupos de 20
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raízes cada. Essas raízes foram seccionadas horizontalmente em 3mm, 5mm e 8mm aquém do ápice. Os dentes foram remontados e instrumentados de acordo com a técnica preconizada pelo fabricante. Imagens digitalizadas foram realizadas antes e depois do preparo das raízes e inseridas em um software para avaliar a habilidade de centralização, de extensão e o sentido do transporte. Os resultados mostraram que o sistema RaCe® apresentou maior grau de transporte do canal
radicular (p<0,05), enquanto o sistema Profile® mostrou-se melhor para todas as
variáveis medidas neste estudo.
GARIP; GENCOGLU (2006) avaliaram o transporte apical de canais radiculares, comparando os sistemas rotatórios Profile®, GT® e o Hero 642®.
Foram utilizadas 30 raízes mesiais curvas de primeiros e segundos molares inferiores humanos, as quais foram comparadas por meio de radiografias obtidas pré e pós-instrumentação. Os resultados revelaram que o sistema GT® removeu
mais dentina no lado interno, enquanto o sistema Hero 642®, do lado externo à
curvatura. Os autores concluíram que todos os instrumentos mantiveram a curvatura original do canal radicular.
LOIZIDES et al. (2006) avaliaram o transporte apical, em canais simulados instrumentados pela técnica coroa-ápice com sistema rotatório Profile® de Ni-Ti, e
com a técnica step-back executada com limas manuais de aço inoxidável Flexofile®. As imagens radiográficas pré e pós-instrumentação foram sobrepostas, onde foram avaliados os canais nos comprimentos de 1, 2, 4, 5 e 6 mm aquém do
ápice. Os autores concluíram que o sistema Profile® produziu um menor desvio
nos comprimentos de 1 e 2 mm aquém do ápice.
OZGUR et al. (2006) fizeram uma avaliação comparativa do transporte apical, por Tomografia Computadorizada, utilizando 3 sistemas rotatórios de NiTi: Hero Shaper®, ProTaper® e RaCe®. Foram utilizadas raízes mesiais dos molares inferiores, nas quais realizaram-se tomografias para comparação pré e pós-instrumentação. Por meio de um software de análise de imagens foi possível comprovar que houve um aumento transversal do canal radicular em todos os grupos, sendo a diferença não significativa entre os sistemas (p > 0.05). O sistema RaCe® transportou significativamente os canais no terço cervical (p < 0.05) e o
ProTaper® removeu significativamente mais dentina que o HERO Shaper® (p < 0.05).
PÉCORA; CAPELLI (2006) relataram uma mudança sobre o paradigma na instrumentação de canais curvos a partir do uso de novos instrumentos confeccionados com diferentes ligas e novas concepções de design. Segundo os autores, o paradigma do preparo de canais radiculares curvos com instrumentos de aço-inoxidável se restringia à ampliação apical até a lima #25, haja vista que o uso de instrumentos mais calibrosos causarem maior risco de promover alterações indesejadas como, transporte, zip, perfurações, dentre outros. Este paradigma permaneceu vigente até o inicio do século atual quando surgiram novos instrumentos confeccionados com liga de níquel-titânio. Os instrumentos
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confeccionados com este tipo de liga mostraram-se eficientes na ampliação apical com diâmetros acima do #45, proporcionando melhor limpeza com menor índice de desvio apical lateral. Os autores concluíram que embora seja possível a boa modelagem de canais curvos com instrumentos #25.04 ou #25.06, sua porção apical permaneceria sub-instrumentada, sendo importante a determinação previa do diâmetro anatômico real do canal, de forma mais acurada, por meio da pré-ampliação dos terços cervical e médio.
SCHAFER et al. (2006) analisaram os sistemas rotatórios Mtwo®, K3® e
RaCe®, em relação à limpeza e modelagem de canais curvos. Foram utilizados 60
canais de molares inferiores e superiores com angulações de 25° a 35°. Os dentes foram avaliados em relação ao ângulo e raio de curvatura para quantificar o transporte apical lateral. A comparação foi realizada por meio de radiografias pré e pós-instrumentação. Os resultados elucidaram que não houve nenhum instrumento fraturado, e os Mtwo® foram mais rápidos para preparar os canais curvos
promovendo menor transporte em relação aos sistemas K3® e RaCe®.
SCHIRRMEISTER et al. (2006) compararam o transporte apical em 150 canais simulados, com curvatura de 20°, os quais foram instrumentados empregando-se os sistemas rotatórios FlexMaster®, GT®, Profile®, ProTaper® e
RaCe®. No grupo controle foi empregada a técnica manual com limas Hedströen.
Os canais foram distribuídos em 6 grupos de 25 cada. Os canais foram preenchidos com uma pasta radiopaca para avaliação da área pré e pós–preparo,
medida em milímetros por um software analisador de imagens. Os resultados levaram a concluir que o sistema RaCe® promoveu uma técnica segura e mais
eficaz comparada aos demais.
STEFFEN et al. (2006) compararam o transporte apical em canais radiculares curvos simulados usando as limas manuais tipo K (VDW) e o sistema rotatório Profile® 0.06/0.04 (Dentsply Maillefer). Um total de 72 canais simulados
foram preparados por estudantes devidamente instruídos. As imagens realizadas pré e pós-operatórias dos canais foram examinadas por um dentista para uma avaliação da quantidade e a posição de material removido durante o preparo. Os resultados mostraram que os instrumentos rotatórios Profile® 0.06/0.04
forneceram preparos bem-centrados, enquanto que o uso de limas manuais tipo K resultou em alterações freqüentes do canal simulado. Na porção apical, ambas as técnicas mostraram áreas não preparadas. Não houve nenhuma fratura de instrumento durante o experimento. A instrumentação manual foi mais rápida que a rotatória, porém sem diferença estatística significativa. Os autores concluíram que sob as condições do estudo, o sistema rotatório é simples e fornece preparos melhores que os da instrumentação manual.
VERSIANI (2006) comparou o tempo de trabalho, transporte apical, direção do transporte, índice de centralização e o aumento percentual da área em canais preparados com três sistemas rotatórios, por meio de tomografia computadorizada helicoidal. Molares inferiores (n= 40) com ápices completamente formados,
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ângulos de curvatura ≥ 20º e raio de curvatura <10 mm foram selecionados e distribuídos em três grupos experimentais, de acordo com os sistemas rotatórios utilizados: ProTaper™ (Grupo I), Profile™ (Grupo II) e ProSystem GT™ (Grupo III). Os dentes foram incluídos em uma base de resina acrílica transparente e escaneados por meio de tomografia computadorizada helicoidal. Conclui-se que o tempo de trabalho foi menor com o sistema ProSystem GT™; não houve diferença, entre os grupos, quanto ao transporte, índice de centralização e aumento da área preparada; houve maior tendência de transporte no sentido mesial e maior aumento percentual da área no terço cervical; não foi observada correlação entre o transporte e o aumento percentual da área preparada no terço apical em função do ângulo de curvatura, do raio de curvatura e do comprimento de trabalho.
IQBAL et al. (2007) avaliaram comparativamente o transporte apical produzido pelos instrumentos rotatórios LightSpeed LS1® e LightSpeed LSX® em
30 canais simulados. A comparação foi motivada pela diferença na parte ativa dos instrumentos rotatórios na qual, a parte ativa do instrumento LS1® apresenta-se
em forma de U e do instrumento LSX® em forma de pá. A avaliação foi realizada por dupla exposição radiográfica digital. As radiografias foram analisadas pelo software AutoCAD 2007®, o qual determinou a centralização das limas 20, 35, 50,
e 70 padronização ISO (0,02). O grau de transporte apical foi avaliado há 0, 1, e 3 milímetros do batente apical. O teste de analise de variância não mostrou nenhuma diferença significativa entre grupos com respeito ao grau de transporte
apical ou na manutenção do comprimento de trabalho. Não houve fratura de nenhum instrumento. Os resultados indicaram que os instrumentos recentemente projetados Lightspeed LSX®, mantêm a mesma eficácia dos instrumentos
rotatórios LightSpeed LS1®, em relação ao transporte apical lateral e a capacidade
de manter o comprimento de trabalho.
JAVAHERI; JAVAHERI (2007) avaliaram o transporte apical promovido por três instrumentos rotatórios de Ni-Ti. A finalidade deste estudo era comparar o transporte apical e a mudança na curvatura do canal produzido pelos instrumentos Hero 642®, RaCe® e ProTaper®. Os canais mesiolinguais de 60 primeiros molares
inferiores (com ângulos de curvatura entre 25° e 35°) foram preparados com controle-torque no motor low-speed®. As raízes foram preparadas usando a técnica coroa-ápice até o instrumento #30. Por meio de uma plataforma radiográfica, imagens pré e pós-instrumentação foram examinadas para avaliar o grau de transporte apical a 1 milímetro aquém do comprimento de trabalho. Os dados foram analisados pelo teste de analise de variância, que mostrou haver diferença estatística significante no transporte apical no grupo do ProTaper®. Os autores sugeriram que o sistema de limas rotatórias ProTaper® seja executado em
combinação com outros sistemas mais flexíveis e menos afilados, como o RaCe®,
O presente estudo teve como objetivo avaliar o transporte apical em canais radiculares curvos preparados com diferentes tipos de instrumentação por meio de tomografia computadorizada.
Para melhor entendimento e facilidade de leitura, o capítulo de Material e Métodos será abordado nos seguintes tópicos: seleção da amostra, preparo do corpo-de-prova, exame tomográfico inicial, preparo biomecânico, exame tomográfico final, avaliação experimental da direção do transporte apical e análise estatística.
1. SELEÇÃO DA AMOSTRA
Após aprovação, sem restrições, do projeto desta pesquisa pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade de Ribeirão Preto (Anexo), foram selecionados 40 (quarenta) primeiros molares superiores humanos extraídos, mantidos em solução de timol a 0,1% até o momento de uso. Os dentes foram lavados em água corrente por 24 horas e, em seguida, tiveram sua superfície radicular externa limpa por meio de raspagem com ultra-som (Profi II Ceramic, Dabi Atlante Ltda, Ribeirão Preto, SP, Brasil). A amostra foi selecionada de acordo com os seguintes critérios:
Os molares foram examinados visualmente, com objetivo de se constatar a formação completa da raiz. Na seqüência, os dentes foram radiografados individualmente, para comprovar ausência de calcificações na raiz mesio-vestibular, empregando-se filme AGFA (Agfa Gevaert NV, Bélgica), com tempo de exposição de 0,5 segundos, distância objeto-filme de 10 cm com potência de 70 Kvp e corrente de 10mA (Figura 1). O processamento radiográfico foi realizado
____________________________________________________________________Material e Métodos 42
manualmente em câmara escura portátil (VH Produtos, São Paulo, Brasil). O tempo de revelação foi padronizado em 1 minuto, seguido por 1 minuto de lavagem em água, 20 minutos de fixação e 2 minutos de lavagem em água corrente. A secagem ocorreu à temperatura ambiente.
Figura 1 – Radiografia de molar superior pré-selecionado.
As radiografias foram digitalizadas após o escaneamento computadorizado e o ângulo de curvatura das raízes foi determinado pela ferramenta Angle do software ImageTool 3.0 for Windows (University of Texas Health Science Center, San Antonio, TX, EUA). A partir da embocadura do canal, traçou-se uma linha no
sentido do longo eixo do canal (x). Em seguida, uma segunda linha (y), traçada a partir do forame apical, cruzou com a primeira no ponto onde o canal radicular começava a desviar, em razão da curvatura. O ângulo agudo formado (
α
) foi considerado como o ângulo de curvatura da raiz (Figura 2).Os molares incluídos na amostra foram os que apresentaram raízes mesio-vestibulares com curvaturas entre 20° e 40°, classificadas como severas por SCHNEIDER (1971).
Figura 2 – Determinação do ângulo de curvatura.
____________________________________________________________________Material e Métodos 44
A identificação da porção mesial da raiz foi realizada com esmalte de coloração vermelha (Risque® ,lnd. Brasileira, São Paulo - SP) aplicado na referida
face de cada uma das raízes.
As coroas dos molares foram seccionadas transversalmente, a 2 mm da junção cemento-esmalte, com broca troncônica em alta rotação, sob refrigeração. As raízes foram separadas, selecionando-se para este estudo apenas as raízes mesio-vestibulares portadoras de canal único.
Para determinação do comprimento de trabalho, a embocadura do canal radicular foi abundantemente irrigada com hipoclorito de sódio a 1% e uma lima #08, tipo K (Dentsply, Maillefer, Ballaigues, Suíça), foi cuidadosamente introduzida no interior do canal radicular, até que sua ponta coincidisse com o forame apical. Em seguida, recuou-se 1 mm do comprimento obtido, estabelecendo-se, assim, o comprimento de trabalho.
2. PREPARO DO CORPO-DE-PROVA
As 40 raízes selecionadas foram distribuídas, aleatoriamente, em 4 grupos (n=10).
Com o intuito de manter alinhados os ápices, os terços apical e médio foram incluídos em uma base de silicone de condensação (Optosil-Xantopren®, Heraeus
Kulzer, Alemanha), adaptada em matriz de aço inoxidável (100 X 80 X 6 mm), de forma que as raízes fossem igualmente distribuídas em duas fileiras, de cinco
A B B
raízes cada, com seus eixos vestíbulo-lingual e mesio-distal em um mesmo sentido. Após a presa do silicone de condensação, o conjunto raízes/base de silicone foi removido da matriz de aço inoxidável e denominado, a partir de então, de corpo-de-prova (Figura 3).
Figura 3. A – Esquema do corpo-de-prova visto por cima; B – vista lateral dos corpos-de-prova com as áreas analisadas.
Foram confeccionados 4 corpos-de-prova os quais foram mantidos em recipiente fechado à temperatura ambiente com 100% de umidade. Os 4 corpos-de-prova foram identificados por meio da inserção de extremidades posteriores de pregos na base de silicone em número correspondente ao do grupo por apresentarem radiopacidade suficiente para a identificação dos grupos nas imagens tomográficas. B 1 mm 2 mm 3 mm 4 mm A B