Identificação anatômica de madeiras como ferramenta auxiliar da sustentabilidade dos recursos florestais madeireiros

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Identificação anatômica de madeiras como ferramenta auxiliar da

sustentabilidade dos recursos florestais madeireiros

Joelma de Alencar Araújo1; Claudete Catanhede do Nascimento2; Claudene Menezes Atayde Calderon3; Rafael de Azevedo Calderon3

Resumo

O manejo e exploração dos recursos florestais madeireiros na Amazônia sempre foi tema de inúmeras pesquisas, o que é de grande importância para o uso sustentável deste recurso tão cobiçado, principalmente quando se trata de madeiras amazônicas. O número de espécies madeireiras exploradas comercialmente se situa em torno de trezentas, mas grande parte do volume explorado fica restrito a um número ainda mais reduzido de espécies, aumentando a pressão sobre estas. Tal pressão se deve à qualidade superior dessas madeiras e ao uso tradicional que passa por gerações. O setor madeireiro do município de Cruzeiro do Sul – AC, localizado a oeste do estado com cerca de 78.000 habitantes, trabalha com madeiras que possuem qualidade tecnológica extensamente comprovada, assim como espécies pouco conhecidas. Em geral, a comercialização dessas madeiras é feita por seu nome popular. No entanto, sua correta identificação é essencial, tanto por razões ambientais quanto comerciais. Neste contexto, este trabalho buscou identificar as madeiras comercializadas no referido município, no sentido de procurar conscientizar o setor madeireiro local da importância da identificação científica destas madeiras. Na primeira etapa foram levantadas as empresas do setor, que foram visitadas para coleta de informações e amostras de madeira para identificação anatômica. Esta identificação foi feita pelo Laboratório de Anatomia da Madeira do INPA. Após esta etapa foi possível verificar que diferentes espécies são comercializadas pelo mesmo nome popular como: Virola molissima Warb. (Myristicaceae) e Guazuma ulmifolia Lam. (Sterculiaceae), comercializadas como mutamba; Cariniana decandra Ducke (Lecythidaceae) e Protium tenuifolium Engl. (Burseraceae) como tauarí; Hymenolobium excelsum Ducke (Fabaceae) e Vatarireopsis iglesiasiie Ducke (Fabaceae), como angelim; Aspidosperma cylindrocarpon Mull. Arg. como amarelinho e marfim; e Ruiozterania albiflora Marcano (Vochysiaceae) e Licaria aritu Ducke (Lauraceae) comercializadas como cocão. Os resultados foram divulgados aos empresários do setor madeireiro por meio de palestras e banners, no sentido de conscientizá-los da questão do uso sustentável, assim como da correta identificação das espécies. Dessa forma, pode-se concluir que a identificação anatômica de espécies madeireiras pode ser aplicada como ferramenta auxiliar na gestão e fiscalização da cadeia produtiva da madeira, e, consequentemente, favorecendo o manejo florestal sustentável na Amazônia.

Palavras-chave: Manejo Florestal Sustentável, Madeiras da Amazônia, Anatomia da

Madeira.

1 Universidade Federal do Amazonas-UFAM, joelmaalencar3@gmail.com

2 Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia-INPA, catanhed@inpa.gov.br

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Anatomical identification of woods as an auxiliary tool of the

sustainability of timber forest resources

Abstract

The management and exploitation of timber forest resources in the Amazon has always been numerous research theme, which is of great importance for the sustainable use of this coveted resource, especially when it comes to Amazonian woods. The number of commercially exploited timber species is around three hundred, but much of the explored volume is restricted to an even smaller number of species, increasing the pressure on them. Such pressure is due to the superior quality of the wood and the traditional use that goes through generations. The timber sector in the city of Cruzeiro do Sul – AC, located west of the state with about 78.000 population, works with wood that have widely proven technological quality as well as little known species. In general, the commercialization of these woods is made by its popular name. However, correct identification is essential, both for environmental reasons and commercial. In this context, this study aimed to identify the timber sold in the municipality, in seeking to educate local timber industry of the importance of scientific identification of these woods. In the first stage we were lifted companies in the sector, which were visited to collect information and samples of wood for anatomical identification. This identification was made by the Anatomy Laboratory of INPA Madeira. After this stage we found that different species are marketed by the same common name as: Virola molissima Warb. (Myristicaceae) and Guazuma ulmifolia Lam. (Sterculiaceae), marketed as mutamba; Cariniana decandra Ducke (Lecythidaceae) and Protium tenuifolium Engl. (Burseraceae) as tauarí; Hymenolobium excelsum Ducke (Fabaceae) and Vatarireopsis iglesiasiie Ducke (Fabaceae), as angelim; Aspidosperma cylindrocarpon Mull. Arg. as amarelinho and marfim; and Ruiozterania albiflora Marcano (Vochysiaceae) and Licaria aritu Ducke (Lauraceae) marketed as cocão. The results were reported to entrepreneurs in the timber industry through lectures and banners, to aware it from the sustainable use issue, as well as the correct species identification. Thus, it can be concluded that the anatomical identification of timber species can be applied as an auxiliary tool in the management and supervision of the wood production chain, and thus favoring sustainable forest management in the Amazon.

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Introdução

A crescente demanda por madeiras da Amazônia brasileira alerta para a necessidade de utilização racional e sustentada desse recurso natural. Assim, cada vez mais tem se colocado o desafio de buscar o desenvolvimento econômico aliado à conservação dos recursos naturais (SILVA, 2015). Nesse aspecto, a anatomia da madeira é uma ferramenta de suma importância para aplicação no manejo e exploração dos recursos florestais madeireiros.

Segundo Burger & Richter (1991), a anatomia da madeira tem por finalidade identificar espécies, distinguir madeiras aparentemente idênticas, predizer utilizações adequadas de acordo com suas características e compreender o comportamento da madeira no que diz respeito à sua utilização. Essa distinção é imprescindível para minimizar prejuízos econômicos e contribuir para o controle da manutenção da biodiversidade, através do manejo correto das espécies.

A coleção de madeiras existente na Xiloteca do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia – INPA conta com um total de mais de 10 mil espécimes registradas (LOUREIRO et al., 1997). Destas, cerca de 300 espécies são exploradas comercialmente e já foram tecnologicamente estudadas sob todos os aspectos, oferecendo a sociedade informações detalhadas para que fosse possível manejar e manter essa floresta de forma produtiva (FREITAS & VASCONCELOS, 2010).

Mesmo assim, a maior parte do volume explorado fica restrito a um número ainda mais reduzido de espécies, aumentando a pressão sobre estas. Tal pressão se deve às excelentes propriedades dessas madeiras e ao uso tradicional que passa por gerações. Conforme o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal (1981), apenas 10 espécies amazônicas são bem conhecidas nos mercados interno e externo e as demais são denominadas “menos conhecidas” para fins de comercialização.

No estado do Acre o setor madeireiro desempenha um papel fundamental no cenário socioeconômico. No período de 1998 a 2009 registrou aumento na receita bruta, passando de R$ 21 milhões para R$ 182 milhões, gerando 4.641 empregos diretos e indiretos, de acordo com o Serviço Florestal Brasileiro e do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (2010).

No município de Cruzeiro do Sul, o segundo maior no estado do Acre, o setor madeireiro apresenta grande importância econômica para o desenvolvimento da região (ARAÚJO et al., 2014). Segundo o Plano Territorial de Desenvolvimento Rural Sustentável do Vale do Juruá – Acre (GOVERNO DO ESTADO DO ACRE, 2011), o município consumiu 5.800 m³ de madeira em tora no ano de 2009, equivalente a 4,8% do consumo estadual, o que indica o potencial econômico para este município. Nele está instalado o Parque Industrial Florestal de Cruzeiro do Sul, que trabalha com madeiras que possuem qualidade tecnológica extensamente comprovada, assim como espécies pouco conhecidas. Em geral, a comercialização dessas madeiras é feita por seu nome popular. No entanto, sua correta identificação é essencial, tanto por razões ambientais quanto comerciais.

De acordo com Freitas & Vasconcelos (2010), o mercado acostumado a uma tradição de comercialização baseada em denominações populares, não estimula o conhecimento da nomenclatura botânica das espécies, que é universal e exclusiva, isto é, o nome de uma espécie não sofre variação e não pode ser utilizado para outras espécies, seu uso obedecem às regras contidas no Código Internacional de Nomeclatura

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Botânica permitindo a comunicação e informação entre pessoas de diferentes regiões sobre a mesma espécie com segurança.

Neste contexto, este trabalho buscou identificar as madeiras comercializadas nas empresas do município de Cruzeiro do Sul – Acre, no sentido de procurar conscientizar o setor madeireiro local da importância da identificação científica destas madeiras.

Material e Métodos

Neste estudo foram levantadas as empresas madeireiras que faziam parte Cooperativa dos Marceneiros e Moveleiros e as instaladas no Parque Industrial Florestal do município de Cruzeiro do Sul, localizado a oeste do Acre e segunda cidade mais populosa do estado com cerca de 78.000 habitantes (IBGE, 2010).

O levantamento foi realizado por meio de visitas a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Florestal, da Indústria, do Comércio e dos Serviços Sustentáveis (SEDENS), e consultada a lista das empresas.

Na segunda fase foram sorteadas aleatoriamente seis empresas, das 25 que estavam associadas à Cooperativa. Nestas, realizou-se visitas para coleta de informações e amostras de madeiras das espécies comercializadas com seus respectivos nomes vulgares.

A terceira fase consistiu na identificação científica das espécies, por meio de métodos aplicados usualmente pela anatomia da madeira, relacionando a nomenclatura científica com a denominação vulgar, comparando-as com base no material xilológico científico depositado na coleção Botânica/Xiloteca do Laboratório de Anatomia da Madeira – LAM, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia – INPA, e verificando a validade dos nomes vulgares atribuídos na comercialização de madeiras nas empresas.

A preparação e descrição anatômica macroscópica dos corpos de prova seguiram as normas COPANT (1974) e CORADIN & MUÑIZ (1991). As seções anatômicas foram observadas com o auxílio de lupa conta fios 10x de aumento, nas superfícies previamente preparadas (polimento com instrumentos cortantes afiados), em ambiente com iluminação adequada.

Resultados e Discussão

Foi possível identificar 25 empresas ativas que faziam parte da Cooperativa dos Marceneiros e Moveleiros. Destas, 17 estavam instaladas no Parque, em pleno funcionamento (Tabela 1).

Tabela 1 - Empresas instaladas no Parque Industrial Florestal do município de Cruzeiro do Sul-AC, no ano de 2016.

EMPRESA NOME FANTASIA

1 Móveis Araújo

2 Móveis Moura

3 Marcenaria Silva

4 Móveis Sombra

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6 Marcenaria Arte do Juruá

7 Estrela do Juruá

8 Marcenaria Serra Dourada

9 Móveis M & E 10 Móveis Couto 11 Requinte Móveis 12 Madeireira Brito 13 Madeireira Cruzeiro 14 Móveis Farias 15 Móveis Kelly 16 Marcenaria Rodrigues 17 Marcenaria Nauense

Fonte: Próprio Autor (2016).

Segundo o presidente da Cooperativa, o Parque foi planejado com capacidade para 15 marcenarias/movelarias, pois apenas estas faziam parte da associação e buscaram aprovação do projeto do Parque junto ao Governo do Estado. Após, a inauguração mais dois galpões foram construídos para instalação de novas empresas associadas, porém, não foi possível atender toda demanda. Hoje, 8 empresas ainda ocupam áreas para a execução de suas atividades em prédio próprio localizadas fora do Parque, o que pode apontar que o mercado deste setor esteja promissor na região de estudo.

Calderon (2012), Identificando e caracterizando o segmento moveleiro da região do Alto Juruá, município de Cruzeiro do Sul – AC, constatou que 25 empresas faziam parte da Associação dos Moveleiros, e estavam cadastradas no Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Estado do Acre – SEBRAE/AC, no ano de 2009. Essas empresas moveleiras, geralmente eram localizadas em fundos de quintais ou em terrenos vizinhos à residência do proprietário. Nota-se, que o número de empresas associadas a Cooperativa permanece o mesmo até o ano em questão, demonstrando estabilidade deste setor. Vale ressaltar que, assim como este autor, não foram consideradas as empresas que não faziam parte da Cooperativa dos Moveleiros, o que poderia elevar este número.

Estas serrarias e marcenarias/movelarias estão hoje utilizando matéria-prima oriundas de áreas manejadas do Projeto de Assentamento Florestal (PAF) do Ramal do Havaí, situado entre Rodrigues Alves – AC e Mâncio Lima – AC, por meio de licença de desmate expedido pelo Instituto de Meio Ambiente do Acre – IMAC, projeto do Governo. Segundo Calderon (2012), ações do Governo como incentivo a obtenção de madeiras provenientes de áreas de manejo, pode ter causado um impacto positivo neste segmento tão importante na região.

Em estudo Silva et al. (2015) observarama partir dos planos de manejo florestal submetidos ao Instituto do Meio Ambiente do Acre (IMAC) que a área e o volume de madeira licenciados apresentaram um crescimento no período de 2005 a 2012; e que foram autorizados um volume médio 15,8 m³.haˉ¹/ano. Esse resultado confirma a utilização de madeira manejada pelas indústrias do setor madeireiro do Estado.

A Fundação de Tecnologia do Estado do Acre (2006), afirma que o apoio a este setor se apresenta-se como estratégia fundamental para o seu desenvolvimento e garantia de produtos competitivos e com agregação de valor dentro do próprio estado.

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De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (1991), o desenvolvimento regional baseado na utilização de recursos naturais é necessário e pode ser viável, desde que, levando-se em consideração os princípio de sustentabilidade destes recursos, objetive buscar alternativas que possam balancear as necessidades social, econômica e ecológica para a região.

Com a coleta e identificação científica das espécies, verificou-se que nas empresas madeireiras do município de Cruzeiro do Sul são comercializadas 35 espécies florestais, distribuídas em 30 gêneros e 15 famílias botânicas (Tabela 2).

Tabela 2 - Lista das espécies madeireiras comercializadas no município de Cruzeiro do Sul – AC, no ano de 2016, e seus respectivos nomes vulgares atribuídos na comercialização.

FAMÍLIA NOME CIENTÍFICO NOME VULGAR

APOCYNACEAE Aspidosperma cylindrocarpon Müll.

Arg. Amarelinho, marfim

BOMBACACEAE Ceiba pentandra Gaertm. Samaúma

BURSERACEAE Protium tenuifolium Engl. Tauarí

CAESALPINIACEAE Peltogyne catingae Ducke Roxinho

CAESALPINIACEAE Peltogyne subsessilis W. Rodr. Roxinho CAESALPINIACEAE Apuleia molaris Spruce ex Benth. Miratoá

CLUSIACEAE Moronobea coccinea Aubl. Bacurí

FABACEAE Dalbergia spruceana Benth. Jacarandá

FABACEAE Diplotropis martiusii Benth. Sucupira

FABACEAE Bowdichia virgilioides Kunth. Sucupira-amarela

FABACEAE Vataireopsis iglesiasii Ducke Sucupira-amarela

FABACEAE Hymenolobium excelsum Ducke Angelim

FABACEAE Swartzia ulei Harms. Violeta

FABACEAE Torresea acreana Ducke Cumarú

FABACEAE Vatairea guianensis Abl. Amargoso

LAURACEAE Licaria cannella (Meisn.) Kosterm. Cocão, louro-chumbo LAURACEAE Licaria brasiliensis (Nees.) Kosterm. Louro-roxo

LAURACEAE Aniba hostmaniana (Nees.) Mez. Louro-amarelo

LAURACEAE Ocotea myriantha Mez. Louro-abacate

LAURACEAE Licaria aritu Ducke. Louro-preto

LAURACEAE Licaria mahuba Kosterm. Maúba

LECYTHIDACEAE Cariniana decandra Ducke Tauarí

LECYTHIDACEAE Bertholletia excelsa Humb. & Bonpl. Ouremboque

MELIACEAE Cedrela odorata L. Cedro-vermelho

MELIACEAE Swietenia macrophylla King. Mogno

MIMOSACEAE Cedrelinga catenaeformis Ducke Cedro-água

MIMOSACEAE Inga paraensis Ducke Louro-gibóia

MORACEAE Clarisia racemosa Ruiz. Guariúba

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MYRISTICACEAE Virola molíssima Warb. Mutamba MYRISTICACEAE Virola surinamensis (Rol.) Warb. Melancieira

SIMAROUBACEAE Simarouba amara Aubl. Marupá

STERCULIACEAE Guazuma ulmifolia Lam. Mutamba

VOCHYSIACEAE Ruizterania albiflora Marcano Cocão

VOCHYSIACEAE Qualea acuminata Spruce ex Warm. Milho-cozido Fonte: Próprio Autor (2016).

As famílias mais representativas, em número de gêneros, foram: a Fabaceae (oito) e Lauraceae (três). As famílias Caesalpiniaceae, Lecythidaceae, Meliaceae, Mimosaceae, Moraceae e Vochysiaceae, apresentaram dois gêneros e as demais apenas um gênero (Figura 1).

Figura 1 – Número de espécies madeireiras por famílias botânicas comercializadas no município de Cruzeiro do Sul – AC. Fonte: Próprio Autor (2016).

A família Fabaceae, portanto, foi a mais expressiva com oito gêneros: Bowdichia, Dalbergia, Diplotropis, Hymenolobium, Swartzia, Torresea, Vatairea e Vataireopsis, com uma espécie cada.

As espécies mais utilizadas pelas empresas, no período em análise, de acordo com informações dos proprietários, segundo o nome popular e em ordem decrescente são: angelim (Hymenolobium excelsum), cedro (Cedrela odorata), cumarú (Torresea acreana), marupá (Simarouba amara), tauarí (Protium tenuifolium e Cariniana

decandra), cedro-água (Cedrelinga catenaeformis), morapiranga (Brosimum

rubescens), milho-cozido (Qualea acuminata), amarelinho (Aspidosperma

cylindrocarpon), miratoá (Apuleia molaris), sucupira (Diplotropis martiusii), bacurí (Moronobea coccínea) e louro-abacate (Ocotea myriantha).

Silva & Silva (1999), pesquisando sobre marketing de produtos madeireiros de Rio Branco, constataram que no ano de 1995 aproximadamente 89% das serrarias

1 1 1 3 1 8 6 2 2 2 2 2 1 1 2 0 2 4 6 8 10 Nº d e E sp éc ies Famílias Botânicas Nº de Espécies por Família

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consumia madeira de cumaru (Dipterex alata), 67% cerejeira (Torresea acreana) e 58% cedro (Cedrela sp).

Silva (2003), afirma que em 1996 a maioria das indústrias do mercado madeireiro de Rio Branco explorava, basicamente, cedro (Cedrela odorata) e cerejeira (Torresea acreana), espécies bastante demandadas, também pelas serrarias que comercializavam com mercados externos ao Acre.

Brilhante (2000), em entrevistas realizadas em 16 serrarias da capital Rio Branco que estavam funcionando em 1998, verificou que as doze espécies mais comercializadas eram: amarelão (Apuleia moralis), angelim (Hymenolobium sp), cedro (Cedrela odorata), cerejeira (Torresea acreana), copaíba (Copaifera sp), cumaru-cetim (Coumarouna odorata), cumaru-ferro (Coumarouna ferrea), ipê (Tabebuia sp), jatobá (Hymenaea courbaril), mogno (Swietenia macrophylla), mulateiro (Calycophyllum spruceanum), e samaúma (Ceiba pentandra), sendo que esta lista podia chegar até um número de 47 espécies utilizadas.

Percebe-se nesses resultados, que a comercialização concentra-se em poucas espécies, e que a preferência por algumas espécies continua até o período em questão, o que pode aumentar o risco de extinção local dessas espécies tradicionalmente exploradas ao longo do tempo.

Em estudo realizado no estado do Acre, Araújo & Silva (2000), observaram nos inventários florestais um total de 620 espécies florestais lenhosas com potencial ao uso para construção civil, móveis, embarcações, artesanatos, construção rústica, artefatos e outros. Porém, segundo a Fundação de Tecnologia do Estado do Acre, em 2006, apenas 16 espécies possuíam um percentual acima de 10% de uso nas empresas madeireiras entrevistadas em 7 municípios do Estado. Este resultado, demonstra o número reduzido de espécies exploradas comercialmente na região.

Silva et al. (2015) ao avaliarem as principais espécies florestais exploradas entre 2005 a 2012, constataram que os 15 principais gêneros e espécies licenciadas pelo Instituto de Meio Ambiente do Acre (IMAC), correspondiam a 62,26% do volume autorizado no período de estudo, embora representassem apenas 5,59% do número total de espécies identificadas apenas pelo nome comum e que estavam licenciadas neste mesmo período. A inserção de novas espécies de madeira no mercado pode ser considerada um grande desafio, visto que, apesar de haver uma diversidade de espécies na Amazônia brasileira com potencial madeireiro, poucas são conhecidas pelo mercado consumidor, que geralmente busca por espécies mais populares e tradicionais.

Em relação aos nomes vulgares atribuído na comercialização, foi possível observar que diferentes espécies são negociadas pelo mesmo nome popular como: Virola molissima Warb. (Myristicaceae) e Guazuma ulmifolia Lam. (Sterculiaceae), comercializadas como mutamba; Cariniana decandra Ducke (Lecythidaceae) e Protium tenuifolium Engl. (Burseraceae) como tauarí; Hymenolobium excelsum Ducke (Fabaceae) e Vatarireopsis iglesiasiie Ducke (Fabaceae), como angelim; Aspidosperma cylindrocarpon Mull. Arg. como amarelinho e marfim; Ruiozterania albiflora Marcano (Vochysiaceae) e Licaria aritu Ducke (Lauraceae) como cocão; Peltogyne catingae Ducke (Caesalpiniaceae) e Peltogyne subsessilis W. Rodr. (Caesalpiniaceae) como roxinho; Bowdichia virgilioides Kunth (Fabaceae) e Vataireopsis iglesiasii Ducke (Fabaceae) como sucupira-amarela (Tabela 2).

Por ser um material de origem biológica, cada espécie de madeira apresenta variação e propriedades específicas como densidade, estabilidade dimensional, flexão,

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compressão, tração e dureza. As quais, definem o método de secagem, processamento e beneficiamento da madeira para comercialização, bem como, o uso final. Deste modo, a denominação de uma espécie com diferentes nomes vulgares, ou o agrupamento de várias espécies em um único nome torna inviável a correta definição de seu uso tecnológico. Também, pode ocasionar pressão quanto a exploração de um número ainda mais reduzido de espécies, o que ameaça a conservação da diversidade de espécies florestais madeireiras e a sustentabilidade do desenvolvimento do setor que utiliza esse recurso natural como matéria-prima.

De acordo com Freitas & Vasconcelos (2010), é comum na Amazônia, assim como em outras regiões do país, a utilização de vários nomes vulgares, para designar e identificar espécies da nossa flora, pois trata dos nomes que o povo atribui para caracterizar uma espécie, bem como, diferentes espécies que se assemelham por algum aspecto são denominadas com o mesmo nome comum, os quais variam muito de uma região para outra ou até dentro de uma mesma região. Acrescentam ainda que, é necessário reforçar junto aos órgãos competentes a importância da identificação botânica a nível de espécie para comercialização da madeira, sendo necessário capacitar pessoas e incentivar o uso de métodos e técnicas que visem à identificação de forma segura e adequada.

Os resultados desta pesquisa foram divulgados aos empresários do setor madeireiro do município por meio de palestras e banners, no sentido de conscientizá-los da questão do uso sustentável, assim como da correta identificação das espécies.

Conclusões

Pode-se concluir que a identificação anatômica de espécies madeireiras pode ser aplicada como ferramenta auxiliar na gestão e fiscalização da cadeia produtiva da madeira, e, consequentemente, favorecendo o manejo florestal sustentável na Amazônia.

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