RELATÓRIO E CONTAS DE 2002

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RELATÓRIO E CONTAS DE 2002

Actividade Consolidada e Individual

Páginas A. ENQUADRAMENTO MACROECONÓMICO

1. Economia Internacional 1

2. Economia Portuguesa 3

B. GRUPO CAIXA GERAL DE DEPÓSITOS – ÁREAS DE NEGÓCIO

1. Indicadores Gerais 10

Indicadores Gerais 11

Ranking Nacional e Internacional 13

Rating do Grupo 13

2. Evolução do Grupo 14

3. Áreas de Negócio do Grupo em Portugal 18

3.1. Actividade Bancária 18

3.1.1. Análise por Segmentos 18

Recursos de Clientes 18

Crédito a Clientes 21

Empresas 22

Sector Público 24

Particulares 25

Cartões de Crédito e de Débito 29

3.1.2. Mercado de Capitais 31 3.1.3. Banca de Investimento 34 3.2. Actividade Seguradora 39 3.3. Gestão de Activos 42 3.4. Crédito Especializado 49 3.5. Outras Actividades 53

4. Área de Negócio do Grupo no Estrangeiro 55

4.1. Sucursais e Filiais 55

4.2. Espanha 56

4.3. França 58

4.4. Luxemburgo 58

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4.6. Cabo Verde 60

4.7. Moçambique 64

4.8. Macau 65

4.9. Timor 67

4.10. África do Sul 67

4.11. Outras Operações Internacionais 69

5. Gestão do Risco 70

6. Recursos Humanos e Formação Profissional 72

Caixa Geral de Depósitos 73

Formação Profissional 74

Fundo de Pensões do Pessoal da CGD 75

7. Redes de Distribuição 77

8. Novos Canais de Distribuição Electrónicos 79

9. Organização e Sistemas de Informação 81

10. Actividades Culturais e de Mecenato 83

C. CAIXA GERAL DE DEPÓSITOS - ANÁLISE FINANCEIRA

1. Caixa Geral de Depósitos - Actividade Consolidada 87

1.1. Estrutura Patrimonial 87

1.2. Fundos Próprios e Rácio de Solvabilidade 95

1.3. Resultados e Rentabilidade 97

2. Caixa Geral de Depósitos - Actividade Individual 101

2.1. Estrutura Patrimonial 101

2.2. Resultados 102

D. PROPOSTA DE APLICAÇÃO DE RESULTADOS 105

E. NOTAS FINAIS 105

F. EVENTOS SUBSEQUENTES 107

G. ANEXO AO RELATÓRIO DE GESTÃO (artigo 447º do CSC) H. DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS

Balanço e Demonstração de Resultados

Demonstração de Origem e Aplicação de Fundos Demonstração de Resultados por Funções Demonstração dos Fluxos de Caixa

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I. ANEXO ÀS CONTAS ANUAIS (Nos termos do Capítulo VII do Plano de Contas para o Sistema Bancário)

J. ANEXO ÀS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS

K. INVENTÁRIO DE TÍTULOS E PARTICIPAÇÕES FINANCEIRAS L. PARECER DOS AUDITORES EXTERNOS

M. RELATÓRIO E PARECER DO FISCAL ÚNICO N. CERTIFICAÇÃO LEGAL DE CONTAS

O. RELATÓRIO DA AUDITORIA

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A. ENQUADRAMENTO MACROECONÓMICO

1. ECONOMIA INTERNACIONAL

EVOLUÇÃO GLOBAL

O ano de 2002 foi marcado por uma recuperação da economia americana e desaceleração no ritmo de crescimento do PIB na União Europeia. Não obstante a reanimação da actividade nos EUA, o significativo abrandamento que já se registou em 2001 continuou a produzir reflexos negativos sobre a confiança dos investidores e a contribuir para a deterioração do mercado de trabalho e para o aumento do desemprego, factores agravados pelo elevado grau de incerteza associado à situação no Médio Oriente e no Iraque e respectivo efeito nos preços do petróleo e nos mercados financeiros.

Taxas de variação (em %)

PIB Inflação Taxa de

Desemprego 2001 2002 2001 2002 2001 2002 União Europeia 1,5 1,0 2,3 2,1 7,4 7,6 Zona Euro (1) 1,5 0,8 2,6 2,2 8,0 8,2 Alemanha 0,6 0,4 2,5 1,3 7,7 8,1 França 1,8 1,0 1,7 2,0 8,5 8,8 Reino Unido 2,0 1,6 1,7 1,3 5,0 5,0 Espanha 2,7 1,9 3,7 3,6 10,6 11,4 Itália 1,8 0,4 2,3 2,6 9,4 8,9 EUA 0,3 2,3 2,8 1,6 4,8 5,7 Japão -0,1 -0,6 -0,8 -0,9 5,0 5,3

(1) Alemanha, França, Itália, Holanda, Espanha, Portugal, Irlanda, Bélgica, Luxemburgo, Áustria, Finlândia e Grécia.

Fonte: Comissão Europeia.

O crescimento do produto da economia norte-americana teve origem no aumento do consumo privado e das aquisições de bens imóveis residenciais, variáveis que beneficiaram, em grande medida, do incremento do rendimento real disponível das famílias potenciado pela redução dos impostos. A manutenção das taxas de juro de mercado num nível historicamente baixo deu um contributo adicional relevante para o comportamento positivo da procura interna.

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Contrastando com a evolução nos EUA, as principais economias da UE observaram, no decurso de 2002, um significativo abrandamento do crescimento da sua actividade, enquanto no Japão, o PIB apresentou mesmo uma contracção de 0,6%, registando o segundo ano consecutivo de recessão económica.

A manutenção da crise na Argentina e a situação económica e social na Venezuela, na segunda metade do ano, contribuiram também para o agravamento das respectivas economias e da instabilidade financeira na generalidade dos países da América Latina.

No intuito de restabelecer a confiança dos agentes económicos e de incentivar o investimento empresarial, o FED e o BCE mantiveram uma postura expansionista no domínio da política monetária, reduzindo, no final do ano, as suas taxas de referência em 0,5 pontos percentuais.

União Europeia

O abrandamento no ritmo de crescimento do PIB na generalidade dos países membros da UE, que revelou particular acuidade na Alemanha e na Itália, deveu-se às quebras do investimento e, em menor grau, do consumo privado. O crescimento modesto do rendimento disponível real das famílias, aliado ao factor incerteza atrás mencionado, contribuiu, significativamente para a redução no crescimento da procura interna.

Indicadores Económicos da União Europeia

2000 2001 2002

Taxas de variação (em %)

Produto Interno Bruto (PIB) 3,4 1,5 1,0

Consumo privado 3,0 2,2 1,2 Consumo público 1,9 2,0 2,2 FBCF 4,7 -0,2 -2,1 Procura Interna 3,1 1,2 0,7 Exportações 12,1 2,4 0,7 Importações 11,4 1,5 -0,2

Índice Harmonizado de Preços no Consumidor 2,1 2,5 2,1

Emprego 2,1 1,4 0,4

Rácios

Taxa de desemprego 7,8 7,4 7,6

Saldo do Sector Púb. Adm. (em % do PIB) 1,0 -0,8 -1,9 Fonte: Comissão Europeia.

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2. ECONOMIA PORTUGUESA

EVOLUÇÃO GLOBAL

Em 2002, a economia portuguesa apresentou um crescimento real do Produto de apenas 0,5%, contra 1,8% no ano precedente, resultante, em grande medida, da evolução negativa da procura interna, que apresentou um decréscimo de 0,5%.

O comportamento da procura interna reflectiu a desaceleração do consumo privado e a pronunciada quebra do investimento. O primeiro progrediu a uma taxa de 0,4%, contra 1% em 2001, afectado pela estagnação do rendimento disponível real das famílias, pela perspectiva do agravamento do desemprego e pelas restrições financeiras associadas a um elevado grau de endividamento.

Indicadores da Economia Portuguesa

2001 2002

Taxas de variação (em %)

PIB 1,8 0,5

Consumo Privado 1,0 0,4

Consumo Público 2,9 1,5

FBCF -0,4 -4,0

Procura Interna 1,1 -0,5

Exportações de Bens e Serviços 1,7 1,5

Importações de Bens e Serviços 0,1 -1,3

Produção da Indústria Transformadora 1,3 0,3

Inflação – Taxa Média 4,4 3,6

Emprego total 1,6 0,7

Rácios

Taxa de Desemprego 4,1 5,1

Balança Corrente + Balança de Capital (em % do PIB) -8,4 -6,0

Défice do SPA (em % do PIB) 4,1 2,6

Dívida Pública (em % do PIB) 55,4 59,3

Contribuição para a variação real do PIB (em %)

Consumo Privado 0,5 0,2

Consumo Público 0,7 0,3

FBCF -0,1 -1,1

Balança de Bens e Serviços 0,9 1,0

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O investimento (FBCF) registou uma quebra da ordem dos 4%, agravando a redução de 0,4% já registada no ano anterior, tendo esta evolução ocorrido tanto na vertente dos bens de equipamento e material de transporte, como na dos bens imóveis. A manutenção de um elevado grau de endividamento das famílias e a deterioração do mercado de trabalho terão determinado o adiamento das intenções de compra de bens imóveis residenciais.

Contrastando com a evolução da procura interna, as trocas líquidas com o exterior reforçaram o seu contributo positivo para a variação real do PIB. O crescimento ainda que ligeiro das exportações em 1,5%, associado ao decréscimo em 1,3% das compras ao exterior, potenciou a significativa diminuição do impacto negativo que o défice da balança de bens e serviços exerce sobre a formação do Produto.

A inflação posicionou-se em torno dos 3,6%, contra os 4,4% observados no ano anterior, reflectindo o decréscimo da procura interna, aliado à apreciação cambial do euro e à quebra dos preços das importações.

No decurso do ano, ocorreu uma significativa redução do défice do SPA no PIB, que baixou de 4,1% em 2001 para 2,6% em 2002. Para esta diminuição contribuiram não só o aumento das receitas fiscais, como o de algumas receitas extraordinárias resultantes da alienação e cessão de património do Estado.

AGREGADOS MONETÁRIOS

No decurso do ano, o agregado liquidez, representado pela totalidade da moeda na posse do sector residente não monetário, apresentou um incremento médio de apenas 1%, espelhando uma desaceleração da ordem dos 4,1 pontos percentuais relativamente à taxa de crescimento observada em 2001. Esta evolução deveu-se ao comportamento dos depósitos a prazo e de poupança, que registaram uma variação média negativa de 2%, contra um acréscimo de 4% no ano precedente.

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Moeda e Crédito (variação homóloga) -4 -2 0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 Jan. 02

Fev. Mar. Abr. Mai. Jun. Jul. Ag. Set. Out. Nov. Dez.

%

Circulação M o netária e Rep. à Vista Dep. a P razo e P o upança Crédito Interno Crédito a P articulares Crédito a Empresas (excl. Sect.Financeiro )

Por seu turno, a massa monetária em sentido restrito (circulação monetária e responsabilidades à vista) registou um crescimento médio de 8,6%, contra 3,7% verificados em 2001, aceleração que resultou do aumento da preferência dos agentes económicos pelos meios de pagamentos mais imediatos, num contexto de baixas taxas de juro.

O crédito interno (CI) registou um abrandamento do seu ritmo de crescimento de 17,7% em 2001 para 7,3% em 2002, efeito da significativa redução do crédito a empresas e particulares (CEP), que não ultrapassou os 7,8% anuais. A desaceleração no crescimento deste crédito reflectiu a evolução negativa da procura interna e, em menor grau, do arrefecimento da procura externa.

A moderação do CEP ocorreu tanto no âmbito do crédito ao segmento empresas (excluindo o sector financeiro), como também no crédito ao segmento particulares. Assim, o primeiro cresceu a uma taxa de 7,7%, contra 18,2% verificados em 2001, enquanto o segundo desacelerou de 15,9% para 10,6%. No que diz respeito ao crédito à habitação, o crescimento médio situou-se em torno dos 13,5%, reflectindo uma desaceleração de 3 pontos percentuais.

TAXAS DE JURO

Ao longo do ano de 2002, as taxas de juro do mercado monetário apresentaram uma evolução bastante diferenciada, reflectindo o grau de incerteza que caracterizou o enquadramento económico internacional.

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EURIBOR 2,6 2,8 3,0 3,2 3,4 3,6 3,8 4,0 4,2 4,4 4,6 4,8 5,0 Jan. 01

M ar. M ai. Jul. Set. No v. Jan. 02

M ar. M ai. Jul. Set. No v.

%

1 mês 3 meses 6 meses 12 meses

Na primeira metade do ano, ocorreu um rápido ajustamento ascendente das taxas de juro, com particular evidência para os prazos mais longos, movimento que se deveu às expectativas dos agentes económicos em torno do eventual aumento das tensões inflacionistas que o início do processo de recuperação das principais economias da UE poderia desencadear. Todavia, a manutenção do arrefecimento económico na generalidade dos países da UE, aliado à apreciação cambial do euro, criaram condições para a gradual redução das taxas do mercado a partir do mês de Maio, que se intensificou no último trimestre. O BCE acabou por reduzir as suas taxas de referência em 0,5 pontos percentuais, no dia 5 de Dezembro, ajustando-se em parte ao movimento de antecipação de descida das taxas que se vinha verificando nos mercados.

A Euribor registou em todos os prazos de vencimento uma redução, que atingiu 0,6 pontos percentuais para o prazo de 12 meses e um ponto percentual para o prazo de um mês, comportamento que se reflectiu sobre as taxas de juro activas e passivas de mercado. Assim, nas taxas de empréstimos a “Empresas Não Financeiras até 1 ano“ e a “Particulares com prazo superior a 5 anos” verificou-se um decréscimo médio anual de cerca de 1 ponto percentual, enquanto nas taxas passivas a diminuição foi de cerca de 0,7 pontos percentuais.

EVOLUÇÃO NA ÁREA CAMBIAL

Em 2002, o euro evidenciou uma significativa apreciação em relação à divisa americana, espelhando as incertezas dos investidores relativamente ao impacto da situação internacional em torno do Iraque e seus reflexos sobre os preços do petróleo e os mercados financeiros internacionais, conferindo-lhe, assim, o estatuto de moeda refúgio. Simultaneamente, a

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manutenção de um diferencial positivo elevado entre as taxas de juro do euro e do USD contribuiu para reforçar a tendência de apreciação da divisa europeia.

Taxas de Câmbio do Euro

(valores médios mensais)

0,60 0,65 0,70 0,75 0,80 0,85 0,90 0,95 1,00 1,05 1,10 1,15 Jan. 01

M ar. M ai. Jul. Set. Nov. Jan. 02

M ar. M ai. Jul. Set. Nov.

US D e G B P 104 106 108 110 112 114 116 118 120 122 124 126 JP Y USD GBP JPY

No final do ano, a taxa de câmbio do euro face ao dólar americano ascendia a 1,0487, contra 0,8813 no final de 2001 (apreciação de cerca de 19%). Em termos de médias anuais, o euro apreciou-se 5,5% face à divisa norte-americana, 8,6% face ao iene japonês e 1,1% face à libra esterlina.

MERCADO DE CAPITAIS

Em 2002, manteve-se a tendência de queda dos mercados accionistas mundiais, com os principais índices de acções a registar quedas assinaláveis e, em diversos casos, pelo terceiro ano consecutivo. Diversos índices, entre os quais o Dow Jones, o FTSE, o N225, o HSI e o IBEX, caíram mais de 15% no ano.

Durante os primeiros meses do ano, a expectativa de uma retoma económica rápida permitiu que alguns mercados se mantivessem positivos, mas sinais de agravamento das condições económicas e de baixos retornos contribuíram para que as cotações, no 2º trimestre, retomassem a tendência de queda. Um ano após a data do 11 de Setembro e com a descida das taxas de juro de curto prazo do dólar norte-americano e do euro, as expectativas de melhoria económica foram ganhando espaço, permitindo às bolsas uma correcção positiva no último trimestre do ano.

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O mercado accionista português, avaliado pelo índice PSI20, caiu em 2002 pelo 3º ano consecutivo (-25,6%). O volume de transacções reduziu-se em 22,8% e a capitalização bolsista foi, no final do ano, de 73 239 milhões de euros (-5,8% face a 2001).

PSI 20 5 000 6 000 7 000 8 000 9 000 10 000 11 000 12 000 2001 2002

No contexto do euro, a bolsa nacional continuou condicionada pelas determinantes externas, tendo o índice PSI20 baixado nos três primeiros trimestres do ano, de forma contínua, destacando-se as perdas mensais consecutivas de Abril a Setembro. Porém, no último trimestre do ano, ocorreu uma valorização de cerca de 14,1%, que colocou o índice em 5 824,7 pontos, em 31 de Dezembro, e inverteu as suas anteriores tendências de queda.

Esta inversão resultou, sobretudo, da melhoria das expectativas económicas e da descida, para níveis muito baixos, das taxas de juro do dólar e do euro. Posteriormente, o adensar da perspectiva de conflito com o Iraque elevou os níveis de incerteza e condicionou a actividade económica mundial e o investimento em activos de maior risco, factores que poderão ter contribuído para a moderação do índice observada nas últimas semanas do ano.

O mercado obrigacionista nacional registou uma evolução positiva, tendo o mercado secundário de dívida pública elevado o seu volume médio mensal de transacções em cerca de 4% face a 2001, para o que contribuiu a consolidação do MEDIP-MTS Portugal – plataforma electrónica de negociação da dívida pública – que aumentou significativamente os níveis de liquidez e eficiência deste mercado.

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Os yields das Obrigações do Tesouro de 5 e 10 anos mantiveram uma tendência de queda após o 1º trimestre, tendo o das OT a 10 anos diminuído de 5,18% para 4,32% no final de 2002, reflectindo os níveis elevados de aversão ao risco por parte dos investidores. Devido às dificuldades da economia e das finanças públicas alemãs, a baixa dos yields foi menos significativa nos títulos alemães, o que determinou o estreitamento dos spreads da dívida nacional face aos benchmarks, que passou de quase 30 p.b. para 12 p.b. no final do ano.

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GRUPO CAIXA GERAL DE DEPÓSITOS

Indicadores Gerais

Situação em 31 de Dezembro (milhões de euros)

CGD (Activ. Individual) Grupo CGD (Activ. Consolidada) 2001 2002 2001 2002 De balanço:

Aplicações em Instituições de Crédito 5 844 6 738 4 608 5 429 Créditos sobre clientes (bruto) 39 173 41 053 43 144 45 204

Títulos 8 251 6 630 9 085 7 346

Imobilizações financeiras 5 545 5 234 3 725 3 473

Débitos para com Instituições de Crédito 13 660 10 733 11 388 6 904

Depósitos de clientes 39 748 41 392 43 513 45 206

Capitais próprios e equiparados 5 334 5 714 5 089 5 180

Activo líquido 63 321 64 048 66 462 66 581

De exploração:

Margem Financeira 1 256 1 262 1 506 1 416

Margem Complementar 372 492 476 577

Produto bancário 1 627 1755 1 983 1 993

Cash flow total 974 1 031 1 135 1 126

Resultado antes de impostos 644 759 787 781

Resultado líquido de impostos 527 651 654 665

Rácios:

Rácio de solvabilidade (Banco de Portugal) 10,6% 9,8% 9,4% 8,5%

TIER 1 (Banco de Portugal) 9,1% 8,4% 7,4% 6,6%

Rácio de solvabilidade (BIS) 11,6% 10,9% 10,5% 9,7%

Crédito vencido / Crédito total 2,3% 2,4% 2,5% 2,7%

Crédito venc. a mais de 90 dias / Crédito total 2,0% 2,1% 2,1% 2,4% Crédito vencido líquido / Crédito total 0,5% 0,6% 0,7% 0,9%

Cost/Income 47,5% 52,9% 50,1% 55,0%

ROE 14,6% 16,5% 20,7% 20,0%

ROA 1,1% 1,0% 1,0% 1,0%

Quota de mercado em Portugal:

Crédito a clientes 23,9% 23,0% 24,1% 23,2%

Depósitos de clientes 30,8% 32,0% 30,8% 32,0%

Outros indicadores:

Número de empregados 11 480 (a) 11 330 (a) 17 394 17 808 Em instituições bancárias 11 480 11 330 13 519 13 978

Em outras sociedades - - 3 191 3 014

Em outras actividades - - 684 816

Número de agências bancárias 875 851 1 097 1 101

Portugal 823 796 825 803

Estrangeiro 52 55 272 298

Número de escritórios de representação 4 5 8 9

(a) O número da CGD inclui apenas os empregados colocados directamente em funções bancárias. Em 2002, em funções não bancárias e com vínculo à CGD, estavam colocados 326 empregados no Departamento de Apoio à Caixa Geral de Aposentações ,73 nos Serviços Sociais da CGD, 823 em empresas do Grupo e 117 requisitados em serviço público ou em outras situações.

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B. GRUPO CAIXA GERAL DE DEPÓSITOS – Áreas de Negócio

1. INDICADORES GERAIS

1. O Activo Líquido Consolidado do Grupo CGD elevou-se, no final de 2002, a 66,6 mil milhões de euros, apresentando um crescimento de 120 milhões (+0,2%) face ao ano anterior. Para esta progressão contribuíram os Créditos sobre Clientes e as Aplicações em Instituições de Crédito, com aumentos de, respectivamente, 1 974 milhões de euros (+4,7%) e 813 milhões (+17,7%), mais que compensando a redução nas Aplicações em Títulos de 1 912 milhões (-21,7%).

O saldo bruto do Crédito sobre Clientes somou 45,2 mil milhões de euros, distribuído sobretudo pela actividade individual da CGD, com 41,1 mil milhões, pelo Banco Simeón (filial em Espanha), com 1,6 mil milhões, e pelas empresas de leasing (Locapor, Imoleasing e BCI Leasing), com 1,3 mil milhões.

O rácio do crédito vencido face ao crédito total cifrou-se em 2,7% no final de 2002, percentagem que se reduz para 1,6% se excluirmos os créditos vencidos provisionados a 100%. Para a cobertura do crédito vencido, o montante global das provisões afectas ascendeu a 1 301 milhões de euros, valor superior em 119 milhões (+10,1%) ao verificado no final de 2001, o que permitiu um grau de provisionamento de 105,2%.

2. Do lado do Passivo, destacam-se os Depósitos de Clientes, cujo saldo se elevou a 45,2 mil

milhões de euros (+1 693 milhões, +3,9%), bem como os Débitos Representados por Títulos, com um saldo de 6 537 milhões (+3 074 milhões, +88,8%), estes últimos colocados em parte no exterior sob a forma de obrigações emitidas ao abrigo do Programa de “Euro Medium Term Notes” da CGD, melhorando a estabilidade do funding da Instituição. Pelo contrário, os recursos provenientes de outras Instituições de Crédito reduziram em 4 777 milhões de euros, ou seja, cerca de -42,7%.

O saldo global dos recursos de clientes captados na rede comercial do Grupo alcançou 55,6 mil milhões de euros (+3,8% em termos anuais), dos quais 45,2 mil milhões em Depósitos e 9,2 mil milhões através de outras empresas do Grupo, sob a forma de unidades de participação de fundos de investimento (4,8 mil milhões, -1,7%) e seguros de capitalização e PPR (4,4 mil milhões, +15%). Do saldo global captado são de relevar, ainda, as obrigações de caixa colocadas junto de investidores não institucionais, no montante de 1,2 mil milhões de euros (-10,2%).

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3. O montante dos Capitais Próprios e Equiparados da CGD situou-se em 5,2 mil milhões de euros, no final de 2002, valor semelhante ao do ano transacto.

O rácio de solvabilidade consolidado, calculado nos termos dos normativos do Banco de Portugal, apresentou um valor de 8,5% contra 9,4% no ano precedente, enquanto de acordo com as normas do BIS (Comité de Basileia), o rácio de solvabilidade situava-se em 9,7%. Quanto ao rácio TIER 1, o seu valor foi de 6,6%.

4. Em 2002 o Resultado Líquido Consolidado do Grupo Caixa Geral de Depósitos atingiu 665,1

milhões de euros, superior ao do exercício anterior em 11,3 milhões (+1,7%).

O aumento dos resultados consolidados do Grupo foi obtido num contexto marcado pela evolução desfavorável dos mercados financeiros, com impacto na carteira de títulos e de participações financeiras detida directamente, bem como nas detidas pelo fundo de pensões e pela companhia de seguros do Grupo.

O Produto Bancário aumentou 0,5% cifrando-se em 1 992,9 milhões de euros (+9,8 milhões do que no ano precedente), beneficiando da progressão da Margem Complementar em 100,1 milhões (+21%), que mais do que compensou uma redução da Margem Financeira de 90,3 milhões (-6%). O aumento da Margem Complementar reflectiu o comportamento positivo das comissões (+30,3 milhões de euros), do saldo dos lucros e prejuízos em operações financeiras (+63,5 milhões) e dos rendimentos de títulos (+18,1 milhões).

Os Custos Operativos, com inclusão das Amortizações, totalizaram 1 095,2 milhões de euros, o que representou um aumento 100,7 milhões (+10,1%). Estes custos, relacionados com o Produto Bancário, proporcionaram um rácio cost to income de 55%.

A Dotação para Provisões (líquida de reposições e anulações) elevou-se a 250,2 milhões de euros em 2002, montante ligeiramente superior ao ocorrido no ano anterior (+1,2 milhões, +0,5%).

A rentabilidade do activo líquido médio (ROA) e dos capitais próprios médios (ROE) foram de, respectivamente, 1,0% e 20,0%, valores semelhantes aos registados em 2001 (de 1,0% e de 20,7%, respectivamente).

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RANKING NACIONAL E INTERNACIONAL

O Grupo CGD continua a manter uma posição de liderança do sistema bancário, expressa nas diversas quotas de mercado das principais componentes da actividade. Salientam-se os valores alcançados pelas quotas de mercado nos depósitos de clientes, com 32% no final do ano, com destaque para o segmento de particulares, onde sobe para os 37,1%. No crédito concedido a clientes, a quota cifrou-se em 23,2%, elevando-se a do segmento de particulares a 30%, sobressaindo neste o subsegmento do crédito à habitação, onde a quota atinge os 34,8%.

Entre as maiores instituições bancárias mundiais em 2001, a CGD encontrava-se classificada na 117ª posição de acordo com o critério do volume de Activos e na 125ª posição em função do volume de capitais próprios (“The Banker”, edição de Julho de 2002). No contexto europeu, a CGD situava-se na 61ª posição quanto ao valor dos Activos e na 56ª posição segundo o volume dos capitais próprios.

RATING DO GRUPO

As notações atribuídas às responsabilidades financeiras de longo prazo assumidas pela Caixa Geral de Depósitos pelas três principais agências de rating internacionais – MOODY’S,

FITCHRATINGS e STANDARD & POOR’S – e, confirmadas durante o ano, são as mais elevadas

concedidas a um banco português e colocam a CGD na mesma categoria de risco das mais sólidas instituições financeiras internacionais.

Curto Prazo Longo Prazo

MOODY’S Prime –1 Aa3

FITCHRATINGS F1+ AA-

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2. EVOLUÇÃO DO GRUPO

1. Em 2002, prosseguiu o desenvolvimento do Grupo CGD em consonância com o Quadro de

Referência Estratégica definido em 2000, o qual tem como principais vertentes a orientação para o Cliente, a consolidação do funcionamento orgânico do Grupo, o reforço de posições de liderança no sector financeiro nacional e o aprofundamento da internacionalização.

2. No plano da consolidação orgânica do Grupo concluiu-se, em Junho de 2002, a integração

operacional do BNU na CGD com a fusão de todos os sistemas de informação e com o desaparecimento da marca BNU.

Neste âmbito prosseguiu-se, igualmente, com os processos de integração operacional das unidades de negócio por área de especialização (gestão de activos, crédito especializado, seguros e banca de investimento).

Neste capítulo destacam-se, também, os avanços no processo de reestruturação da actividade seguradora do Grupo CGD, visando a consolidação da sua presença no sector, tendo ocorrido em 10 de Setembro a fusão, por incorporação, da seguradora Mundial-Confiança na Fidelidade, com alteração da denominação social para Companhia de Seguros Fidelidade-Mundial, SA e o aumento do respectivo capital social para 400 milhões de euros.

Em Novembro de 2002 procedeu-se à fusão da Caixa Valores no Caixa-Banco de Investimento (Caixa-BI), passando o Banco a disponibilizar os serviços de corretagem full service, servindo uma gama de clientes que vai desde o cliente de retalho de pequena dimensão ao grande cliente institucional internacional.

3. No plano da gestão centralizada e articulada das diferentes áreas de negócio do Grupo, após a

criação em 2002 e em 2001 de holdings sectoriais para as áreas da banca de investimento e capital de risco, de seguros, de gestão de activos e de crédito especializado, assistiu-se à consolidação operacional destas estruturas.

Salienta-se, na área do crédito especializado, a conclusão do processo de reestruturação organizacional, iniciado no ano transacto, processo que abrangeu, de forma transversal, todas as empresas de crédito especializado do Grupo, e desenvolveu-se de forma multidimensional a fim de assegurar ganhos de eficiência, por um lado, e, por outro, de incrementar sinergias entre as unidades e a rede bancária.

(18)

4. Na área internacional do Grupo, destaca-se a fusão das três entidades que constituíam

juridicamente o Grupo CGD em Espanha (Banco Luso Español, Banco Simeón e Banco de Extremadura), adoptando a instituição resultante a denominação Banco Simeón, SA.

De salientar, também, a conclusão do processo de reforço da posição da CGD no capital do Mercantile Lisbon Bank Holdings, instituição de crédito sul-africana onde passou a deter uma posição maioritária (64,1%).

5. No desenvolvimento do Grupo CGD em 2002, há ainda a assinalar os seguintes factos:

- Aquisição de uma participação de 51% do capital social do Crown Bank, NA (Estados Unidos da América);

- Aquisição de 49% do capital social do Banco Postal, SA, instituição que passou a ser detida a 100% pela CGD;

- A dissolução, em Dezembro, da CNUFA – Sociedade Imobiliária, SA, transferindo-se as funções que esta instituição assegurava para a responsabilidade da Imocaixa – Gestão Imobiliária, SA.

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GRUPO Caixa Geral de Depósitos

31 DE DEZEMBRO DE 2002 31 DE DEZEMBRO DE 2002 CAIXA GERAL DE DEPÓSITOS CAIXA GERAL DE DEPÓSITOS IMOPORTAL.COM 63,0% IMOPORTAL.COM 63,0% CAIXA INTERNACIONAL SGPS 100,0% CAIXA INTERNACIONAL SGPS 100,0% LOCAPOR 100,0% LOCAPOR 100,0% IMOLEASING100,0% IMOLEASING 100,0% LUSOFACTOR100,0% LUSOFACTOR 100,0% IMOCAIXA 100,0% IMOCAIXA 100,0% CA. SEGUROS Fidelidade -Mundial 100,0% CA. SEGUROS Fidelidade -Mundial 100,0% CAIXA CAPITAL 100,0% CAIXA CAPITAL 100,0% FUNDIMO 100,0% FUNDIMO 100,0% CAIXAGEST 100% CAIXAGEST 100% CGD LUXEMBURGO100,0% CGD LUXEMBURGO 100,0% CGD PENSÕES 100,0% CGD PENSÕES 100,0% PORTAL EXECUTIVO 75,0% PORTAL EXECUTIVO 75,0% MERCANTILE LISBON B. H. (África do Sul) 64,1% MERCANTILE LISBON B. H. (África do Sul) 64,1% B. COMERCIAL E DE INVESTIMENTOS (Moçambique) 60,0% B. COMERCIAL E DE INVESTIMENTOS (Moçambique) 60,0% CAIXANET 80,0% CAIXANET 80,0% BANCO INTERATLÂNTICO (Cabo Verde) 70,0% BANCO INTERATLÂNTICO (Cabo Verde) 70,0% CAIXA SEGUROS, SGPS 100,0% CAIXA SEGUROS, SGPS 100,0% BANCO NACIONAL ULTRAMARINO (Macau) 100,0% BANCO NACIONAL ULTRAMARINO (Macau) 100,0% BANCO COM. ATLÂNTICO (Cabo Verde) 65,0% BANCO COM. ATLÂNTICO (Cabo Verde) 65,0% CAIXA CRÉDITO SFAC 66,7% CAIXA CRÉDITO SFAC 66,7% BANCA COMERCIAL GESTÃO DE ACTIVOS SEGUROS CRÉDITO ESPECIALIZADO E-BUSINESS SERVIÇOS AUXILIARES BANCA DE INVESTIMENTO E CAPITAL DE RISCO GARANTIA (Cabo Verde) 80,9% GARANTIA (Cabo Verde) 80,9% VIA DIRECTA Companhia de Seguros 100,0% VIA DIRECTA Companhia de Seguros 100,0% GERBANCA SGPS 100,0% GERBANCA SGPS 100,0% A PROMOTORA (Cabo Verde) 62,2% A PROMOTORA (Cabo Verde) 62,2% EAPS - Empresa de Análise, Prevenção e Segurança 100,0% EAPS - Empresa de Análise, Prevenção e Segurança 100,0% GEP - Gestão de Peritagens Automóveis 100,0% GEP - Gestão de Peritagens Automóveis 100,0% HPP-Hospitais Privados de Portugal, SGPS 100,0% HPP-Hospitais Privados de Portugal, SGPS 100,0% CAIXA - GESTÃO DE ACTIVOS, SGPS 100,0% CAIXA - GESTÃO DE ACTIVOS, SGPS 100,0% CAIXA EMPRESAS DE CRÉDITO, SGPS 100,0% CAIXA EMPRESAS DE CRÉDITO, SGPS 100,0% CAIXAWEB, SGPS 100,0% CAIXAWEB, SGPS 100,0% CAIXA GESTÃO DE PATRIMÓNIOS 100,0% CAIXA GESTÃO DE PATRIMÓNIOS 100,0% CAIXA BANCO DE INVESTIMENTO 99,6% CAIXA BANCO DE INVESTIMENTO 99,6% SOGRUPO - Serviços Administrativos ACE

SOGRUPO - Serviços SOG

Administrativos ACE SOGRUPO - Sistemasde Informação ACE

RUPO - Sistemas de Informação ACE

CULTURGEST 90,0%

CULTURGEST

90,0% Gestão de Activos ACE GSOGRUPO III

SOGRUPO III -Gestão de Activos ACE

EPS - Gestão de Sistemas de Saúde 100,0% EPS - Gestão de Sistemas de Saúde 100,0% CAIXA DESENVOLVIMENTO SGPS 100,0% CAIXA DESENVOLVIMENTO SGPS 100,0% BANCO POSTAL 51,0% BANCO POSTAL 51,0% BANCO SIMEÓN (Espanha) 99,6% BANCO SIMEÓN (Espanha) 99,6% CROWN BANK (EUA) 51,0% CROWN BANK (EUA) 51,0% BCI-LEASING (Moçambique) 99,9% BCI-LEASING (Moçambique) 99,9% CARES-Companhia de Seguros e Assistência 96,7% CARES-Companhia de Seguros e Assistência 96,7% SMN - Serviços Médicos Nocturnos 75,0% SMN - Serviços MC-SGII 100,0% MC-SGII 100,0% CAIXA IMOBILIÁRIO SGII 100,0% CAIXA IMOBILIÁRIO SGII 100,0% Médicos Nocturnos 75,0% SOGRUPO IV -estão de Imóveis ACE

SOGRUPO IV -Gestão de Imóveis ACE

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CAIXA

CAIXA

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Outras Participações Financeiras

31 DE DEZEMBRO DE 2002

GRUPO

Caixa Geral de Depósitos

UNICRE 17,6% PORTUGAL TELECOM 4,6% UNIBANCO (Brasil) 12,2% ITAÚ (Brasil) 0,56% Complementos da área financeira Participações Estratégicas Outras Participações SIBS 21,6% EUFISERV 3,9% JETCO (Macau) 0,01% SEAP (Macau) 25,0% INTERBANCOS (Moçambique) 19,96% EDP 4,75% BRISA 5,02% GALP SGPS 13,5% BANCO COMERCIAL PORTUGUÊS 8,4% AdP – Águas de Portugal, SGPS 20,4% TAGUSPARQUE 10,0% SOGESTE (Macau) 15,0% TELEPOST 15,0% REN - Rede Eléctrica

Nacional 19,99%

F. TURISMO, SOC. GEST. FUNDOS

INV. IMOBILIÁRIO 33,5% BANCO INTER. SÃO TOMÉ E PRINCÍPE 22,0%

GCI - SOC. CAPITAL DE RISCO (Moçambique) 39,0% ESEGUR 40,0% 31 DE DEZEMBRO DE 2002 EURONEXT 0,6% 17

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3 . ÁREAS DE NEGÓCIO DO GRUPO EM PORTUGAL

3.1. ACTIVIDADE BANCÁRIA

No decurso de 2002 foi reforçada a estratégia de orientação do Cliente como pilar fundamental da actividade da CGD, na perspectiva da satisfação global, com a oferta de produtos diversificados e de serviços de qualidade. Nesse sentido, continuou-se o aprofundamento da segmentação da base de clientes através de ferramentas como o CRM (Customer Relationship Management), a Data Warehouse (base de dados) e o projecto Gama Alta, os quais se complementam na criação de condições estruturais potenciadoras do desenvolvimento de relações com os melhores clientes.

Com o mesmo objectivo, foram introduzidas melhorias substanciais nos canais de distribuição e alargou-se o leque de produtos disponíveis numa óptica multicanal, bem como se aprofundou a utilização da internet de forma a facilitar o contacto do Cliente com o Banco.

3.1.1. ANÁLISE POR SEGMENTOS

RECURSOS DE CLIENTES

1. No domínio da poupança são objectivos permanentes a fidelização e a captação de novos

aforradores, adequando-se o pricing e demais características dos produtos às condições do mercado financeiro e às necessidades dos clientes. Foram, assim, lançadas durante o ano, várias iniciativas para diversos segmentos específicos, realçando-se, entre os Particulares, um conjunto de produtos estruturados, em que o volume de poupança colocado ascendeu a 1 585 milhões de euros no final de 2002, traduzindo um acréscimo de 14% face ao ano anterior. Salientam-se os produtos estruturados com capital garantido e, de entre estes, o maior peso dos depósitos com taxa de juro pré-determinada "Taxa Crescente", bem como os depósitos com indexação à Euribor com liquidez permanente.

Do conjunto de produtos estruturados lançados durante o ano enumeram-se os seguintes:

- “Caixa Euriprémio 2005”, duas emissões no montante global de 317 milhões de euros, destinadas a investidores que, face à incerteza do mercado de capitais, querem refugiar-se em produtos seguros e com elevada liquidez;

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- “Taxa Crescente”, quatro emissões no montante global de 390 milhões de euros, adequado a clientes que, privilegiando a segurança do seu capital, valorizam taxas de juro pré-determinadas;

- “EuriMais 2005”, no montante de 50 milhões de euros, associado a um investimento simultâneo, ou em alternativa, em produtos do mercado monetário e do mercado accionista. Este produto destina-se a clientes com menor apetência para o risco e que privilegia a liquidez e pagamento periódico de rendimento;

- “Taxa Fixa 2005”, no montante de 75 milhões de euros, para particulares avessos ao risco de mercado accionista e interessados em taxas de juro pré-determinadas;

- “Caixa Poupança Tributus”, quatro emissões no montante global de 39 milhões de euros, para clientes com rendimentos médios/altos e com preocupações de poupança fiscal, interessados em diversificar os seus produtos;

- “Caixa 2 em 1”, no montante de 46 milhões de euros, que constitui para os clientes uma oportunidade de investimento no mercado de capitais, sem arriscar o capital investido;

- “Caixa Poupa Investe”, “Caixa Poupa Investe Mais” e “Caixa Investimento Misto”, várias emissões num montante global superior a 130 milhões de euros, que combina, em partes iguais, a constituição de um depósito a prazo com a subscrição em fundos de investimento;

- Obrigações de caixa subordinadas “Renda Mais 2002/2012”, no montante de 150 milhões de euros, destinadas a clientes que exigem segurança para seu capital e não querem correr riscos no rendimento.

Ainda entre as iniciativas dirigidas aos Particulares, destaca-se a campanha publicitária “Soluções de Poupança e Investimento 100% Transparentes”, assente no conceito de transparência por forma a habilitar os clientes a decisões de poupança e investimento mais adequadas.

Foi também introduzido o novo conceito de “Programa de Poupança Mensal”, incentivando os aforradores para aplicações financeiras em produtos geradores de benefícios fiscais como o Caixa PPR/E Rendimento e Investimento, PPA Caixagest Valorização Fiscal ou a Conta Caixa Habitação, o que potencia adicionalmente a fidelização de clientes e a venda cruzada.

2. O saldo dos Depósitos de clientes geridos pela CGD e Caixa-Banco de Investimento,

alcançou um valor de 41,5 mil milhões de euros, tendo progredido 3,3% no ano, representando o segmento de Particulares cerca de 81% daquele total.

(23)

A quota de mercado dos Depósitos de Clientes da actividade do Grupo em Portugal foi reforçada de 30,8% para 32% no final de 2002, elevando-se a quota dos Particulares a 37,1%.

Depósitos de Clientes (a) (b)

Saldos por segmentos de clientes, em 31 de Dezembro

(milhões de euros)

2001 2002 Variação Quota de Mercado (b)

Absoluta Relativa 2001 2002

Particulares 32 094 33 508 1 415 4,4% 35,1% 37,1% Dos quais: Emigrantes 3 482 3 133 -349 -1,1% 31,9% 35,6%

Empresas 4 008 3 241 -767 -2,4% 13,4% 9,9%

Sector Púb.Administrativo 3 200 3 791 591 1,8% 47,8% 48,2% Depósitos obrigatórios 882 968 86 0,3% 98,2% 99,4%

TOTAL 40 185 41 508 1 323 3,3% 30,8% 32,0%

(a) CGD e Caixa-Banco de Investimento.

(b) Não inclui os depósitos de Instituições de Crédito e inclui Certificados de Depósitos.

3. O saldo dos recursos de clientes captados na rede comercial da CGD e no Caixa-Banco de Investimento elevou-se a 50,1 mil milhões de euros, dos quais 42,7 mil milhões sob a forma de Depósitos e “outros recursos” e 7,5 mil milhões intermediados por outras empresas do Grupo, sob a forma de unidades de participação de fundos de investimento e seguros de capitalização. Em “outros recursos” incluiu-se o funding obtido pela CGD através da emissão de obrigações colocadas junto de investidores não institucionais.

Captação Global de Clientes (a)

Situação em 31 de Dezembro (milhões de euros) 2001 2002 Variação Absoluta Relativa No balanço da CGD /Caixa-BI (b) 41 467 42 657 1 190 2,9% Depósitos de clientes 40 185 41 508 1 323 3,3%

Outros recursos de clientes 1 282 1 149 -133 -10,4%

Recursos captados por empresas do Grupo (c) 6 833 7 479 646 9,5%

Unidades de participação em fundos de investimento 4 725 4 643 -82 -1,7%

Caixagest 4 287 4 088 -199 -4,7%

CGD Luxemburgo 31 23 -8 -26,0%

Fundimo 406 532 126 31,0%

Seguros do ramo vida – Fidelidade 2 108 2 836 728 34,5%

TOTAL 48 300 50 136 1 836 3,8%

(a) CGD e Caixa-Banco de Investimento.

(b) Não inclui depósitos de Instituições de Crédito, nem recursos de investidores institucionais. (c) Através da rede de balcões da CGD.

(24)

CRÉDITO A CLIENTES

1. O crédito bancário registou em 2002 um abrandamento do seu crescimento, o que ocorreu

tanto no segmento de crédito a empresas, como no de crédito a particulares, traduzindo a evolução desfavorável da envolvente económica, designadamente a estagnação do rendimento disponível real das famílias, a perspectiva de agravamento do desemprego e a quebra do investimento.

O Crédito sobre Clientes do Grupo CGD em Portugal (CGD e Caixa-Banco de Investimento) totalizou 41,4 mil milhões de euros, apresentando um aumento de 4,9% (+16,2% em 2001), de que se salientam os crescimentos alcançados pelo segmento de Particulares (+10,8%) e pelo Sector Público (+2,7%). O crédito dirigido às Empresas mostrou, pelo contrário, uma redução de 2,8% no ano.

O segmento de Particulares voltou, assim, a reforçar o seu peso, representando 57,3% do total da carteira de crédito, cabendo ao segmento da habitação 54,5%, enquanto o segmento empresarial passou para 37,5%.

A evolução do crédito apresentada proporcionou uma quota de mercado no sistema bancário de 23,2%, sendo de 30% no crédito a Particulares, 15,9% no crédito às Empresas e 57,5% no crédito ao SPA.

Crédito a Clientes (a) Por segmentos de clientes

Saldos devedores em 31 de Dezembro

(milhões de euros)

2001 2002 Variação Quota de Mercado (b)

Absoluta Relativa 2001 2002

Empresas 15 968 15 524 - 444 -2,8% 17,7% 15,9%

Sector Público 2 106 2 163 56 2,7% 61,5% 57,5%

Particulares 21 396 23 701 2 305 10,8% 29,7% 30,0%

TOTAL 39 470 41 388 1 917 4,9% 24,1% 23,2%

(a) CGD e Caixa-Banco de Investimento.

(b) Calculada a partir de valores agregados das Estatísticas Monetárias e Financeiras do Banco de Portugal.

Para além do crédito concedido pelo Grupo CGD, em Portugal, deve mencionar-se ainda o saldo do crédito registado nas filiais bancárias com sedes no estrangeiro (em Espanha, Moçambique, Cabo Verde, Macau e África do Sul), adiante referidas no capítulo 4.1., cujo montante ascendeu, em 2002, a 2 404 milhões de euros e representou 5,4% do total do Grupo.

(25)

EMPRESAS

2. Para os clientes do segmento empresarial de PME, a CGD dispõe de um canal específico – a rede Empresas & Soluções – que conta, a nível nacional, com um conjunto de 44 gabinetes.

Com o objectivo de oferecer aos clientes empresas as soluções mais adequadas, a CGD continuou a desenvolver ao longo do ano um conjunto de iniciativas e de produtos de crédito, destinados não só a necessidades de financiamento como a apoiar medidas de reforço da sua competitividade e acesso a novos mercados.

No âmbito dos produtos lançados em 2002 para as empresas, merece destaque a linha especial de Crédito Complementar e Garantias Bancárias a projectos de investimento nas áreas de indústria, turismo, comércio e serviços no âmbito do Sistema de Incentivos à Modernização Empresarial (SIME). Ainda associado a projectos de investimento no âmbito do Programa Operacional da Economia (POE), salienta-se a linha de crédito destinada a projectos de investimento aprovados no âmbito do Sistema de Incentivos a Pequenas Iniciativas Empresariais (SIPIE).

Em parceria com o IAPMEI, a CGD, mais uma vez, atribuiu o Estatuto “PME Excelência” e o Estatuto “Distinção PME Madeira”, este segundo em colaboração com o Governo Regional da Madeira, premiando, respectivamente, 602 e 75 empresas dos sectores da indústria, comércio, serviços e turismo, que se destacaram pelo seu desempenho económico-financeiro e capacidade de gestão. As empresas galardoadas passaram a usufruir de condições privilegiadas na CGD.

De referir também o apoio proporcionado às empresas através do projecto Euroinfocentre, desenvolvido em conjunto com a Comissão Europeia, designadamente nas áreas dos serviços de informação, orientação, conselho e cooperação empresarial internacional. Ainda no âmbito do apoio ao processo de internacionalização das empresas, refiram-se os projectos “Correspondente de Comunicação para Portugal” e de integração dos grupos de trabalho especializados “Business Co-operation and Partner Search” e “Market Access”.

3. No financiamento às Empresas, em Portugal, no ano de 2002, registou-se uma redução no

saldo de 444,2 milhões de euros (-2,8%), traduzindo a quebra ocorrida no fluxo de investimento empresarial e o abrandamento e deterioração da conjuntura económica. Verificou-se um esforço de consolidação da posição da CGD junto das empresas onde o seu grau de envolvimento o justificava, e em especial nas PME’s, ponderado os sectores em que se inserem, risco de crédito e rendibilidade proporcionada, a par de uma contenção em

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clientes e sectores de maior exposição, pelo que a quota de mercado neste segmento foi de 15,9% no final de 2002, contra 17,7% no ano precedente.

Por sectores de actividade, destaca-se o aumento do crédito concedido à Construção e Obras Públicas (+48 milhões de euros, +1,3%) e a quebra nos sectores das Indústrias Extractivas e Transformadoras (-5,5%), da Electricidade, Gás e Água (-21,9%) e dos Serviços (-2%).

Crédito às Empresas (a) Por sectores de actividade

Saldos devedores em 31 de Dezembro

(milhões de euros)

2001 2002 Variação

Privado Público Total Absoluta Relativa

Agricultura e pescas 279 277 - 277 - 2 -0,7%

Indústrias extract. e transformadoras 2 909 2 684 65 2 749 - 160 -5,5% Construção e obras públicas 3 656 3 619 85 3 704 48 1,3% Electricidade, gás e água 725 532 34 566 - 159 -21,9%

Serviços 8 399 7 913 315 8 228 - 172 -2,0%

TOTAL 15 968 15 025 499 15 524 - 444 -2,8%

(a) CGD e Caixa-Banco de Investimento.

No crédito às Indústrias Extractivas e Transformadoras, salientaram-se os incrementos de saldo nos subsectores “papel e artes gráficas”, “material de transporte” e “alimentação, bebidas e tabaco”.

Crédito às Empresas - Indústrias Extractivas e Transformadoras (a) Saldos devedores em 31 de Dezembro

(milhões de euros)

2001 2002 Variação

Absoluta Relativa

Indústrias extractivas 125 83 - 42 -33,5%

Indústrias transformadoras 2 784 2 666 - 118 -4,2%

Alimentação, bebidas e tabaco 369 392 23 6,3% Têxteis, vestuário e calçado 543 321 - 222 -40,8%

Madeira e cortiça 272 198 - 74 -27,2%

Papel e artes gráficas 156 257 101 64,6%

Produtos químicos 52 57 5 9,5%

Refinação e derivados do petróleo 165 69 - 96 -58,2% Borracha e matérias plásticas 75 66 - 9 -12,4% Produtos minerais não metálicos 335 296 - 38 -11,5% Metalúrgicas de base e prod. metálicos 199 154 - 45 -22,5%

Máquinas e equipamentos 165 153 - 12 -7,2%

Material de transporte 145 198 53 36,8%

Outras 308 504 196 63,6%

TOTAL 2 909 2 749 - 160 -5,5%

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Crédito às Empresas - Serviços (a) Saldos devedores em 31 de Dezembro

(milhões de euros)

2001 2002 Variação

Absoluta Relativa

Comércio por grosso e a retalho 2 288 1 912 - 376 -16,5%

Alojamento e restauração 389 389 0 0,1%

Transportes, armazenagem e comunicações 857 796 - 61 -7,1%

Actividades financeiras 761 545 - 215 -28,3%

Actividades imobiliárias 1 514 1 325 - 189 -12,5% Aluguer e serviços prestados às empresas 1 770 2 366 596 33,6%

Serviços diversos 820 895 75 9,1%

TOTAL 8 399 8 228 - 172 -2,0%

(a) CGD e Caixa-Banco de Investimento.

SECTOR PÚBLICO

4. O saldo do crédito ao Sector Público, dirigido em mais de 90% a projectos de investimento

promovidos pelas Autarquias, Regiões Autónomas ou Associações de Municípios em áreas como o saneamento básico, viação municipal e habitação social, atingiu, no final de ano, 2 163 milhões de euros, um crescimento de apenas 2,7%, contra +40,2% no ano anterior.

Crédito ao Sector Público (a)

Saldos devedores em 31 de Dezembro

(milhões de euros)

2001 2002 Variação

Absoluta Relativa

Administração Central 450 210 - 241 -53,4%

Municípios 1 656 1 953 297 17,9%

Constr. p/ habitação e obras públicas 1 080 1 240 160 14,8%

Serviços 576 713 137 23,7%

TOTAL 2 106 2 163 56 2,7%

(a) CGD e Caixa-Banco de Investimento.

Salienta-se a acentuada quebra do endividamento da Administração Central (-53,4%), bem como a desaceleração no movimento do crédito por parte dos Municípios, de +31% em 2001 para 17,9% em 2002.

(28)

Do total do crédito em vigor, 817 milhões de euros correspondiam a operações contratadas ao abrigo de linhas especiais de crédito, com destaque para o PER-Programa Especial de Realojamento nas Áreas Metropolitanas de Lisboa e Porto, com 336 milhões de euros, a linha Habitação Social, com 197 milhões, e a diversas linhas negociadas com o BEI-Banco Europeu de Investimento no âmbito dos três Quadros Comunitários de Apoio.

Em termos de novas operações, as Autarquias celebraram, durante o ano, 510 novos contratos no montante de 496 milhões de euros, na sua quase totalidade a longo prazo (91,3%), e dos quais 79 milhões de euros ao abrigo do PER e 23 milhões da linha de crédito Habitação Social. Estas linhas de crédito, destinadas à construção ou aquisição de habitação de custos controlados para arrendamento e fortemente bonificadas, têm tido papel relevante na satisfação das carências habitacionais de populações anteriormente residentes em bairros degradados.

Em Julho de 2002, foram afectos à linha especial de crédito “Projecto CGD/BNU Global Loan IX” empréstimos concedidos aos Municípios no montante de cerca de 120 milhões de euros respeitantes à componente financiada pelo BEI. Esta Linha, destinada a investimento em projectos de infraestruturas de interesse colectivo por parte de Autarquias Locais, Associações de Municípios, Empresas Municipais ou PME, tem um montante global de 150 milhões de euros e um prazo até 20 anos (incluindo 6 anos de carência).

PARTICULARES

Em 2002, apesar de as taxas de juro terem mantido uma trajectória de descida a partir do início do segundo semestre do ano, a procura de crédito por parte dos Particulares continuou a evidenciar um forte arrefecimento, nomeadamente para o consumo e outros fins. Este comportamento reflectiu a crise de confiança das famílias face ao abrandamento significativo da actividade económica, com a diminuição dos salários reais, o aumento da taxa de desemprego e salários em atraso. A estes factores acresce a instabilidade que persiste no mercado de capitais e o elevado endividamento atingido pela generalidade das famílias portuguesas nos anos anteriores.

Com vista ao incremento de negócio com o segmento de particulares, a CGD estabeleceu protocolos financeiros e de cooperação com diversas Associações, disponibilizando em condições vantajosas um conjunto alargado de produtos e serviços, destacando-se o celebrado com a Ordem dos Advogados, com os sindicatos dos Técnicos Administrativos e Auxiliares

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de Educação da Zona Norte, Zona Centro, Zona Sul e Regiões Autónomas e com os Quadros Directivos e Técnicos, colaboradores do quadro de pessoal efectivo e Associados do Sindicato Democrático dos Professores da Grande Lisboa.

Promoveu-se também um acompanhamento mais intenso das situações de incumprimento, tendo-se prosseguido os estudos tendentes a introduzir melhorias na análise do risco de crédito com base no processo de scoring. Salienta-se, ainda, a participação da CGD nos trabalhos do Observatório Sobre o Endividamento dos Consumidores para acompanhamento da evolução do endividamento dos mutuários de crédito à habitação e ao consumo.

5. O crédito concedido ao segmento de particulares totalizou, no final de 2002, um saldo de 23,7 mil milhões de euros, permitindo o reforço da quota de mercado da CGD nesta área de negócio de 29,7% para 30%. A taxa de crescimento deste crédito voltou a mostrar, no ano, uma desaceleração (+10,8%, contra +16,5% no ano anterior), influenciada pelo crédito à habitação, cujo ritmo de aumento abrandou dos 13,7% em 2001 para 11,9%.

Crédito a Particulares

Saldos devedores em 31 de Dezembro

(milhões de euros)

2001 2002 Variação

Absoluta Relativa

Para aquisição de habitação 20 141 22 537 2 396 11,9%

Outras finalidades 1 255 1 164 - 91 -7,2%

TOTAL 21 396 23 701 2 305 10,8%

Crédito Pessoal

6. O Crédito Pessoal no Grupo Caixa, totalizando 1 164 milhões de euros no final de 2002,

dirige-se, na sua maior parte, a financiamentos para aquisição de bens duradouros e a utentes dos cartões de crédito.

Para os estudantes universitários, segmento em que a CGD investe numa perspectiva de fidelização e continuidade da relação a médio e longo prazos, manteve-se activo um elevado número de acordos com entidades de ensino superior que disponibilizam à população escolar produtos e serviços em condições favoráveis. Para além do Projecto CUP-Caixa Universidade Politécnico, são de referir os Protocolos celebrados em 2002 com o IDEFE (ISEG) e a Faculdade de Belas Artes.

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No tocante a novos produtos para este segmento , para além do lançamento do cartão Caixa ISIC (ver capítulo sobre Cartões de Crédito e de Débito), foi disponibilizada a linha de crédito especial “Crédito Pós-Graduação”, destinada a financiar despesas com pós-graduações, mestrados e doutoramentos, ministrados por Universidades com protocolo CUP.

Foram mantidas a linha de crédito especial para os produtos adquiridos durante a realização do certame “ExpoNoivos” e a linha de crédito “CrediCaixa Poupança Fiscal” para aplicar na constituição ou reforço de produtos com benefícios fiscais a utilizar em 2002.

Crédito à Habitação

7. Em 2002, a evolução do crédito à habitação foi influenciada pela extinção dos regimes bonificado e jovem bonificado, anunciada em Maio de 2002 e com efeitos a partir de 1 de Outubro.

Como forma de atenuar os efeitos daquele novo enquadramento legal no acesso ao crédito à habitação, foi publicada legislação permitindo alargar o prazo máximo dos empréstimos à habitação de 30 para 40 anos (sendo 70 anos o limite de idade do proponente), com exclusão dos regimes bonificados em carteira nos bancos.

A concorrência bancária nesta área de negócio manteve-se intensa durante o ano, o que foi visível designadamente através de campanhas publicitárias, onde o crédito à habitação surgiu associado a outros produtos bancários − oferta integrada −, tendo em vista não só a captação de novos clientes e de melhor qualidade, como também dos clientes já detentores de crédito à habitação.

As actividades desenvolvidas pelo Grupo CGD visaram o aprofundamento da relação com os clientes, a qualidade do serviço e a disponibilização de novos produtos competitivos, com destaque para:

- Definição de uma nova política de preços, assente fundamentalmente numa estratégia de reforço do cross-selling e associada ao risco da operação;

- Lançamento de um produto específico para os jovens, designado por “Crédito Jovem Habitação”;

- Desenvolvimento da oferta “Crédito à Habitação Família”, com atribuição de vantagens especiais e redução na taxa de juro aos actuais clientes de crédito à habitação e aos seus

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familiares directos na contratação de novas operações até 31 de Março de 2003, tendo sido o lançamento desta oferta acompanhada de uma campanha publicitária.

- Subscrição do seguro de vida para todas as operações de crédito à habitação, sem que o prazo da operação seja condicionado à idade até à qual o seguro de vida garante as coberturas;

- Adopção do Código Europeu de Conduta Voluntário, conforme o previsto nas Recomendações da Comissão Europeia;

- Em parceria com a Imoportal, desenvolvimento de um conjunto de soluções para responder às necessidades específicas de gestão de Condomínios, abrangendo desde produtos financeiros e de protecção de riscos até o acesso a uma vasta gama de serviços de reparações, entre outros;

- Em colaboração com a Imocaixa, lançamento experimental em duas regiões de Lisboa e do Porto do Serviço de Procuradoria, facultando o tratamento de toda a documentação até à realização da escritura.

Ainda no mercado imobiliário, salienta-se o acordo de cooperação celebrado entre a CGD, a Imoportal e a APEMI-Associação Portuguesa das Empresas de Mediação Imobiliária, visando a obtenção de sinergias e convergência nas áreas de actuação de cada uma das entidades envolvidas.

Os novos contratos de crédito à habitação em 2002 somaram um montante de 4 241 milhões de euros, verificando-se uma maior incidência de contratação no regime não bonificado, que aumentou 20,7%. Assim, na estrutura dos novos contratos, este regime passou a representar 63,6% do total, contra 57,7% no ano anterior.

Financiamento à Aquisição de Habitação

Novos contratos

(milhões de euros)

2001 2002 Variação

Absoluta Relativa

Bonificado pelo Estado 1 636 1 544 -92 -5,6%

Não bonificado 2 233 2 697 463 20,7%

TOTAL 3 869 4 241 372 9,6%

O saldo devedor do crédito à habitação totalizou 22 537 milhões de euros (+11,9%), salientando-se também o crescimento da parcela não bonificada (+21,5%).

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Crédito para Aquisição de Habitação Saldos devedores em 31 de Dezembro

(milhões de euros)

2001 2002 Variação

Absoluta Relativa

Bonificado pelo Estado 10 208 10 472 264 2,6%

Não bonificado 9 932 12 065 2 132 21,5%

TOTAL 20 141 22 537 2 396 11,9%

A quota de mercado em termos do saldo devedor situou-se em 34,8% em 2002, reflectindo a redução de 0,5 pontos percentuais, em parte, a extinção dos regimes bonificados, os quais têm um peso significativo no total do crédito concedido pela CGD.

CARTÕES DE CRÉDITO E DE DÉBITO

No domínio do desenvolvimento de novos produtos, a CGD lançou, em 2002, o cartão Caixa ISIC (International Student Identity Card), em parceria com a Agência de Viagens Tagus, entidade licenciada pela ISTC-International Student Travel Confederation, como emissora do cartão Internacional de Estudante em Portugal. Este cartão é especialmente dirigido aos estudantes universitários e confere ao seu titular o estatuto de estudante internacional, proporcionando-lhe todas vantagens de um cartão de crédito da rede internacional VISA, aceite em todo o mundo, a que se acrescem descontos significativos em viagens, alojamento, compras e entradas em espaços culturais.

Ainda para os estudantes universitários, no âmbito do Projecto CUP-Caixa Universidade Politécnico encontram-se em efectividade 120 protocolos envolvendo 172 estabelecimentos e 364 mil alunos, a quem foram atribuídos cartões CUP. Entre outras vantagens, os clientes titulares destes cartões podem candidatar-se ao Programa de Estágios da AIESEC (associação estudantil com um âmbito de actuação internacional), patrocinados pela CGD, para além dos já tradicionais estágios nacionais também promovidos pela CGD. Adicionalmente, para este segmento estratégico de clientes foi desenvolvida a campanha denominada “Vá de Viagem com 5 Grandes Amigos”, premiando aqueles que mais envolvimento têm com a CGD.

Para incentivar a utilização generalizada de meios de pagamento automático, as áreas de self-banking e os canais alternativos, a CGD dinamizou campanhas pedagógicas através de acções de animação comercial junto dos clientes nas suas agências. Com o mesmo objectivo, foi desenvolvida uma campanha de atribuição proactiva de cartões de débito - Caixautomática

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Maestro. Esta iniciativa veio contribuir para que a CGD consolidasse a sua posição líder no mercado quanto ao universo dos cartões de débito Maestro, representando os cartões emitidos pela CGD cerca de 75% do total em circulação no sistema. Os cartões de débito

VISA Electron emitidos pela CGD permitiram, por sua vez, situar a quota de mercado em

cerca de 25%.

Com vista à promoção dos cartões de crédito VISA, realizou-se a Campanha “8+8”, a qual assumiu contornos de um loyalty program, permitindo aos clientes, de acordo com as compras efectuadas, receber uma oferta directa, com carácter de colecção, campanha bem percepcionada pelos clientes, demonstrada no aumento da utilização dos cartões de crédito. O número de cartões de crédito GOLD, CLASSIC e CAMPUS em efectividade emitidos pela CGD registou, por isso, um aumento significativo (+42%), proporcionando sensível aumento das respectivas quotas de mercado.

O saldo do crédito em vigor pela utilização desses cartões totalizou 110,2 milhões de euros no final do ano.

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3.1.2. MERCADO DE CAPITAIS

Mercado da Dívida Pública

1. O financiamento do Estado em 2002 concentrou-se, sobretudo, na emissão de Obrigações do

Tesouro a taxa fixa (OT) e de Certificados de Aforro, cujos montantes ascenderam a 13,1 mil milhões de euros e 2,3 mil milhões, respectivamente. Em paralelo, prosseguiu o Programa de Troca de Dívida que tem por objectivo aumentar a liquidez da dívida pública e melhorar a gestão do risco de refinanciamento.

Esta actuação inscreveu-se na orientação estratégica de aumentar a liquidez do mercado de OT, consolidando este mercado como fonte de financiamento estável e competitiva, o que conduziu ao reforço das emissões de taxa fixa, em especial nas maturidades mais importantes, elevando o peso das OT na dívida total. Igualmente a dívida transaccionável e a dívida em euros ganhou dimensão na carteira global (ver também Cap. A – Enquadramento Macroeconómico).

2. A CGD continuou a desempenhar as funções de Operador Especializado em Valores do

Tesouro (OEVT) e de market-maker do MTS-Portugal, tendo co-liderado o lançamento da tranche sindicada de uma nova série de OT a 5 anos (novo benchmark), num total de 2 mil milhões de euros, a que se adicionaram 332 milhões no quadro do Programa de Troca de Dívida.

Mercado da Dívida Privada

3. O recurso à emissão de obrigações como forma de financiamento para as empresas

portuguesas continuou a revelar-se de reduzida expressão em 2002, salientando-se, no Grupo CGD, a organização através do Caixa-BI de emissões a 5 anos para a Mota-Engil, SGPS, no montante de 22,5 milhões de euros, e para a Salvador Caetano, no montante de 15 milhões de euros, esta última conjuntamente com uma outra Instituição.

Na vertente accionista, a conjuntura desfavorável determinou o adiamento de algumas emissões em Portugal. Das diversas operações com participação do Grupo CGD, destacam-se as seguintes:

- Organização e montagem da aquisição potestativa, realizada pela Caixa Empresas de Crédito, SGPS, sobre acções representativas do capital social da Imoleasing-Sociedade de Locação Financeira Imobiliária;

- Organização e montagem da Oferta Pública de Distribuição de acções da Abbott Laboratories Inc., reservada a trabalhadores de empresas do Grupo Abbott.

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Emissões Próprias

4. Ao longo do ano, a CGD aprofundou as estratégias de financiamento que visam os seguintes

objectivos: gerir adequadamente as necessidades imediatas de liquidez; alargar a maturidade média da dívida, reduzindo a diferença de maturidades em relação à carteira de activos e consolidar e diversificar as fontes de funding, mantendo uma presença activa no mercado. Estes objectivos foram condicionados pelo estabelecimento de limites máximos de custos para cada nível de maturidade.

Neste contexto, a actuação da CGD baseou-se, em primeiro lugar, na dinamização de operações de colocação privada, que, por regra, respondem à procura de investidores específicos e permitem condições de financiamento e de poupanças muito atractivas e, em segundo, na emissão de uma grande operação pública, que permitiu a consolidação da CGD no mercado enquanto emitente de qualidade.

Assim, foram concretizadas 44 emissões privadas ao abrigo do Programa Euro Medium Term Notes (EMTN), para as quais, devido à qualidade do rating da CGD, se conseguiram condições de remuneração bastante favoráveis face aos respectivos benchmarks.

Foram concretizadas ainda, pela primeira vez, três emissões Schuldschein, um instrumento especial de dívida regido pela lei alemã, e que consiste num crédito, geralmente de montante elevado, de prazo variável, com possibilidade de ser transferido parcial ou totalmente para terceiros.

Ao nível dos mercados públicos, a CGD retomou as emissões através do lançamento de uma emissão obrigacionista a 5 anos, de taxa variável, no montante de 1,25 mil milhões de euros, em Abril de 2002. A forte receptividade desta emissão junto de um número alargado de prestigiados investidores internacionais foi agora reconhecida pela atribuição do prémio “Best Financial Deal of the Year” pela revista financeira “The Banker”. A emissão galardoada, que se expandiu de um montante inicial de mil milhões de euros para 1,25 mil milhões face à forte procura, foi a maior emissão ibérica do ano e uma das dez maiores à escala mundial, distinguindo-se não apenas nas condições de emissão, mas também na estabilidade revelada pelos níveis de negociação em mercado secundário em alguns períodos subsequentes, em que se assistiu a alguma turbulência dos mercados.

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Com a finalidade de diversificar as fontes de financiamento em todos os segmentos da curva de rendimentos, a CGD dinamizou em 2002 a emissão de European Commercial Paper (ECP) ao abrigo de um Programa de 5 mil milhões de euros celebrado no final de 2001. A utilização do ECP permitiu resultados positivos, quer em termos de condições de financiamento no mercado monetário, quer em termos da diversificação dos prazos de financiamento.

Papel Comercial

5. O Grupo CGD continuou a intervir no mercado de papel comercial, afirmando-se como um

dos principais operadores nesta área. No final de 2002, a carteira agenciada pelo Grupo ascendia a 51 Programas, num montante total de 1 722 milhões de euros. Destes, 9 foram lançados em 2002 envolvendo um montante de 328 milhões de euros, dos quais se destacam, pela sua dimensão, os Programas para a REN-Rede Eléctrica Nacional (110 milhões de euros), a Brisa-Autoestradas de Portugal (100 milhões de euros) e o Metropolitano de Lisboa (50 milhões de euros).

Durante o ano, foram efectuadas 352 emissões ao abrigo da totalidade dos Programas, a que correspondeu o montante de 9 352 milhões de euros, dos quais 31% subscritos pelo mercado e os restantes pelas Instituições de Crédito integrantes dos sindicatos de tomada firme.

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Referências

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