A actividade comercial desenvolvida pelo BCI demonstrou um desempenho superior ao do sector bancário moçambicano, com o crédito a apresentar um crescimento, em termos de moeda local, de 23%, enquanto os depósitos progrediram 32%.
Atendendo à elevada rentabilidade proporcionada pelos títulos emitidos pelas Autoridades monetárias Moçambicanas, o BCI incrementou as suas aplicações nestes activos ao longo do exercício, tendo encerrado o ano com um crescimento de 187% na sua carteira de títulos, posicionando-se o Banco como líder nas emissões de Obrigações do Tesouro.
O resultado líquido do BCI ascendeu a 85 mil milhões de meticais (3,6 milhões de euros), o que se traduziu numa melhoria de 66% face ao período homólogo. Esta evolução foi conseguida em virtude, fundamentalmente, do bom comportamento da margem financeira (+120%), impulsionada pelos juros obtidos com a carteira de títulos.
As comissões cobradas apresentaram igualmente uma variação favorável, em consequência do crescimento da actividade de retalho, atenuando, assim, a diminuição dos ganhos cambiais em operações com USD resultante da menor desvalorização do metical em relação a esta moeda.
BANCO COMERCIAL E DE INVESTIMENTOS
(milhares de euros)
2001 2002
Activo líquido 146 496 176 878
Aplicações em Instituições de Crédito 19 660 14 850
Créditos sobre clientes 66 827 68 500
Débitos para com clientes 112 037 148 895 Capitais próprios e equiparados 20 842 19 116
Cash flow 8 790 7 362 Resultado líquido 2 576 3 551 Capital social 11 167 9 311 % GRUPO CGD 60,0% 60,0% N.º empregados 258 286 Número de agências 18 22
NOTA: Taxa de câmbio EUR: 20 048,2 em 2001 e 24 164,6 em 2002.
Em Novembro de 2002 o banco, juntamente com a IMOBCI, constituiu a BCI ALD, empresa vocacionada para o aluguer de longa duração de veículos automóveis.
4.8. MACAU
A economia do Território continuou a combinar o crescimento económico, estimado em 2,7%, com a deflação, com o índice de preços no consumidor a reduzir-se em cerca de 1,6%. Com a estabilização das exportações o crescimento foi bastante suportado pelo sector que deveria registar grande impulso após a abertura a novos investidores e a construção de novos casinos.
O sector bancário registou um aumento de liquidez, tendo por via da poupança como da diminuição do crédito, nomeadamente no sector imobiliário, apesar da descida das taxas de juro, o que influenciou as margens de intermediação.
Neste enquadramento, o BNU, SA, que comemorou 100 anos de presença em Macau, prosseguiu a aposta na qualidade e personalização do serviço ao cliente. Na área de cartões de crédito, o Banco lançou diversas campanhas promocionais e emitiu novos cartões, nomeadamente por ocasião do Campeonato Mundial de Futebol, consolidando a sua posição no mercado. A Visa
International atribuiu ao Cartão BNU Visa o prémio referente ao maior volume de vendas em Macau em 2002. O banco intensificou também a utilização da internet bem como do cartão multicrédito lançados em 2001.
Paralelamente, o Banco continuará a desempenhar o papel de banco emissor e agente da Caixa Geral do Tesouro.
BNU, SA (MACAU)
A evolução da actividade durante o exercício de 2002 foi marcada pela difícil conjuntura económica, tanto em termos regionais, como ao nível dos mercados de exportação. Assistiu-se a uma retracção na maioria dos componentes do activo, com destaque para a carteira de títulos e para o crédito a não residentes, em virtude da falta de oportunidades comerciais.
A captação de recursos de clientes registou um relevante incremento (+7,6% na moeda local), passando a representar 75% do Activo. O Produto Bancário, por seu lado, cifrou-se em 25 milhões de euros o que, com custos operativos de 14,8 milhões de euros, proporcionou um resultado líquido de 6 milhões de euros (+4,8% na moeda local).
Banco Nacional Ultramarino (Macau)
(milhares de euros)
2001 2002
Activo líquido 1 906 374 1 618 803
Aplicações em Instituições de Crédito 1 127 145 1 023 153 Créditos sobre clientes 460 513 357 977
Carteira de títulos 263 477 185 043
Débitos para com Instituições de Crédito 316 779 188 557 Débitos para com clientes 1 343 767 1 214 291 Capitais próprios e equiparados 79 672 73 012
Cash flow total 15 398 11 281
Resultado líquido 6 817 6 022 Capital social 56 510 47 487 % CGD 97,1% 97,1% % GRUPO CGD 100,0% 100,0% Número de empregados 285 286 Número de agências 11 11
4.9. TIMOR
O Grupo CGD está presente em Timor desde o final de 1999, continuando a actuar como Banco da administração do Território. Tem desempenhado um papel activo no processo de recuperação da economia Timorense através do apoio às pequenas empresas e a projectos de investimento, no quadro de um programa do Banco Mundial (SEP I). A linha de crédito para aquela finalidade, no montante de 4 milhões de dólares, foi esgotada no final de 2001, tendo sido já amortizada em USD 1,8 milhões de dólares.
Considerando igualmente o crédito próprio, a carteira total cresceu de cerca de 3 milhões de USD para cerca de 4,8 milhões de USD.
Depois de em 2001 ter sido inaugurado o Edifício-Sede, em Dili, de se ter patrocinado a criação da Escola de Ofícios de Baucau, a reconstrução de um ginásio em Díli e a inauguração de uma Mediateca, o exercício de 2002 ficou marcado pela inauguração de uma agência em Baucau e pela participação activa nas festas da independência, tendo-se a Sucursal associado a algumas iniciativas locais sob o lema “Todos juntos pelo futuro de Timor”.
4.10. ÁFRICA DO SUL
O desempenho económico da África do Sul, em 2002, foi decisivamente influenciado pelo comportamento do rand em 2001, ano em que se verificou uma desvalorização de 34% da moeda comparativamente a um cabaz das principais divisas que efectuam trocas com a economia sul-africana. Como resultado, assistiu-se no decorrer de 2002 a um aumento das exportações, que se tornaram bastante competitivas em termos de preço, em contraponto com uma forte quebra das importações, cada vez mais dispendiosas. Nestas circunstâncias, o crescimento do PIB cifrou-se em aproximadamente 3%.
No sector bancário, e face ao recrudescimento da inflação que atingiu os 14%, a Reserva Federal Sul Africana aumentou a sua taxa de redesconto até 17%, levando a aumentos correspondentes nas taxas praticadas pelos bancos comerciais, arrastando o abrandamento no crescimento do crédito que passou de 16% para 5% em 2002.
Em 28 de Março de 2002, a Caixa Geral de Depósitos passou a deter o controlo do Mercantile Lisbon Bank Holdings Limited, sociedade que integra o banco Mercantile Bank Limited (MBL),
através do incremento da participação de 28,14% para 64,14%, por via da subscrição de 428 571 428 novas acções pelo valor global de 120 milhões de rands.