MR18 - Adolescência e a Questão Profissional
Coordenadora: Profa Dra. Maria Geralda Viana Heleno
Programa Preventivo com Adolescentes Pré-Vestibulandos. Rebecca de Cássia Daneluci.
Universidade Metodista de São Paulo
RESUMO
O presente artigo relata a experiência do estágio em Psicologia Comunitária e da Saúde no ano de 2006 que teve como objetivo diagnóstico seguido de atendimento em Psicoterapia Breve a estudantes de um cursinho pré-vestibular.
Desta forma, a partir da elaboração de um Programa Preventivo através do questionário E.P.M, E.D.A.O., e Psicoterapia Breve Operacionalizada os adolescentes que apresentaram problemas de adaptação mais acentuados foram atendidos preventivamente para que tivessem suporte e realizassem suas escolhas com menos ansiedade e insegurança.
A necessidade deste programa deu-se de acordo com os resultados apresentados nos estudos intitulados “Estudo sobre a eficácia adaptativa de adolescentes de um cursinho pré-vestibular da região do ABC” (DANELUCI, HELENO, 2005) e “Eficácia Adaptativa e Prevenção: Um Estudo com Adolescentes” (DANELUCI, HELENO, 2005) no qual os adolescentes mostraram-se desamparados e inseguros diante de uma situação tão conflituosa como o vestibular. Acrescentam-se ainda as dificuldades típicas da fase juntamente com a situação social e financeira.
Destaca-se a eficácia dos instrumentos utilizados, pois os casos encaminhados eram que de fato os que necessitavam atendimento com maior urgência.
Contudo, mesmo se tratando de um cursinho pré-vestibular, o foco de nenhum atendimento foi os estudos, sendo que este apareceu algumas vezes, mas como forma de encobrir algo mais ansiógeno, em geral, de caráter sexual ou da crise adolescente e seus lutos.
Referente à Psicoterapia Breve pode-se dizer que nos últimos anos esta tem se fortalecido, em virtude do atual contexto, em que razões como o tempo e honorários, mostram a necessidade emergente de adaptação que os psicólogos devem fazer de acordo a realidade brasileira.
A partir do trabalho realizado foi possível notar a importância de um espaço cedido aos adolescentes nesta etapa em que além da crise pelo término da adolescência se tem a pressão do vestibular, levando-se em conta o fato de estarem no cursinho e com isto, o investimento e expectativas que são depositados neles.
Para um trabalho posterior no cursinho, acredita-se que seja valido também trabalhos ligados à questão da escolha da profissão, da Universidade e também com os pais.
I.Vestibular no mundo Adolescente
O vestibular no Brasil ocorre paralelamente à fase em que os adolescentes encontram-se no processo individuação/separação, que traz consigo repercussões psicodinâmicas (OLIVEIRA e DIAS, 1999).
Adiciona-se a isso a valorização do Ensino Superior e sua condição quase que obrigatória para a inserção no mercado de trabalho (PACHECO, SILVA, VELOSO, SILVA, MACEDO e PINTO, 1999).
Contudo, essa valorização aumenta de acordo com o status da Universidade escolhida, assim quanto mais concorridos os vestibulares, mais os jovens se sentirão e serão valorizados, o que pode ser positivo, quando não é transformado em uma obsessão. Casos em que isso se torna uma obsessão, o adolescente se vê sem alternativa e a situação torna-se mais complexa.
Essa busca incessante por uma aprovação que garanta tal mérito pode muitas vezes estar associada ao preenchimento de alguma lacuna na vida deste jovem, sendo que passar no vestibular seja um meio que este encontrou para resolver este problema.
Neste sentido, pouco se reflete que a entrada em uma Universidade bem reconhecida não lhes assegura sucesso visto que isto dependerá muito da participação do estudante. Desta forma, independente da qualidade do curso acredita-se que o interesse e a dedicação a este é que serão uns dos fatores que colaborarão para um satisfatório desempenho acadêmico e profissional.
Oliveira e Dias (1999) chamam atenção para o atual modo de vida, em que as pessoas costumam se vincular mais com os computadores do que entre si e acabam por
estabelecer relações virtuais. Acrescentam ainda que desta forma “os jovens chegam ao vestibular ansiosos, desejando profissões idealizadas, buscando nelas a segurança do emprego de décadas passadas e procurando, no processo de orientação, soluções prontas” (p.19).
Um contraste a essas citações é de que, segundo dados do Ministério da Educação, apenas 10,4% dos jovens brasileiros entre 18 e 24 anos estão ingressos na faculdade.
Deve-se também ater ao fato de a problemática do vestibular englobar o jovem e sua família e ser vista como um momento em que o adolescente passará para um outro status o que torna esta passagem altamente ansiógena. Se ele ingressar na Universidade, sua passagem estará aberta, caso contrário, ficará de fora (COSTA, 1997 apud OLIVEIRA, DIAS, 1999).
Assim, pode-se dizer que “o processo de decisão por um curso superior e, por conseqüência, por uma profissão, pressupõe o ingresso no mundo adulto e representa para o adolescente um período de estados alterados de ansiedade durante o qual deverá reprogramar os seus papéis sociais, o que exige dele vivenciar sua subjetividade e sua individualidade” (OLIVEIRA, GAMBERINI e CARDOZO, 1999).
II. Programa Preventivo com Adolescentes Pré-Vestibulandos
Os trabalhos anteriores realizados no cursinho, intitulados “Estudo sobre a eficácia adaptativa de adolescentes de um cursinho pré-vestibular da região do ABC” (DANELUCI, HELENO, 2005) e “Eficácia Adaptativa e Prevenção: Um Estudo com Adolescentes” (DANELUCI, HELENO, 2005) em que os adolescentes foram submetidos ao questionário E.P.M (Escola Paulista de Medicina) e posteriormente uma parcela deles a uma entrevista diagnóstica adaptativa através da E.D.A.O. (Escala Diagnóstica Adaptativa) mostraram a necessidade da elaboração de programas preventivos dentro do cursinho, visto que os adolescentes sentiam-se desamparados e inseguros diante de uma situação tão conflituosa como ao vestibular. Acrescentam-se ainda as dificuldades típicas da fase juntamente com as dificuldades referentes às situações social e financeira.
Sendo assim, concluiu-se que transmitir aos adolescentes apenas o que for solicitado na prova não é o suficiente, até porque para realizarem uma prova com bom desempenho, eles necessitam estarem bem consigo mesmos.
o trabalho preventivo parte-se do princípio de que quanto mais rápida for a intervenção, diminuem-se as possibilidades de agravamento da doença, ao mesmo tempo em que se aumentam as expectativas de recuperação (SIMON, 1989).
A medida preventiva dá-se pela prestação de ajuda imediata e necessária logo que se detectam os primeiros sinais de manifestação dos conflitos, podendo desta forma evitar que no futuro estes se tornem distúrbios emocionais graves, diminuindo o sofrimento dos envolvidos, demora no tratamento, recuperação e também gastos financeiros (YAMAMOTO, 1989 apud CURTI, 1993).
Ainda no que diz respeito ao trabalho preventivo deve-se salientar que mesmo tendo diminuído permanece em algumas pessoas a relação entre Psicologia e loucura, sendo estigmatizadas as pessoas que procuram por tal atendimento. Sendo assim, a saída do consultório para a comunidade e instituições pode significar novas relações e compreensões para com o trabalho psicológico (BLEGER, 1992).
De acordo com o autor citado acima, o psicólogo deve extrapolar os muros do consultório e trabalhar não apenas em condições que impliquem em doença.
Caplan (1980) parte do princípio de que a doença pode vir a acontecer para que então seja evitada. Deste ponto de vista, na entrevista clínica preventiva ocorre que é o profissional da saúde quem busca os clientes (FRANCO 2001).
Inclui-se neste leque o trabalho com adolescentes no período pré-vestibular tendo em conta o nível de ansiedade observado nestes estudantes e a necessidade de um serviço de Psicologia que possa atendê-los de forma mais integral.
III. Diagnóstico Adaptativo e Psicoterapia Breve com Adolescentes
Small (1974) discorre a respeito do crescente reconhecimento quanto ao caráter preventivo das Psicoterapias Breves, sendo que através do diagnóstico adaptativo proposto por Simon (2005) o tratamento se baseia na situação-problema apresentada, ou seja, em cima das necessidades do paciente (SIMON, 2005).
Na psicoterapia psicanalítica como na P.B.O. (Psicoterapia Breve Operacionalizada) busca-se “compreender as dificuldades do paciente com o mundo circundante (fatores externos) interagindo com os fatores internos nas soluções encontradas” (SIMON, p.17,2005).
Através do cruzamento entre a teoria da adaptação com a teoria psicanalítica busca-se o como e o por que das escolhas feitas (SIMON, 2005).
No entanto, o foco central da P.B.O. é a situação-problema, sendo que esta abrange as situações novas e significativas que conseqüentemente necessitam de respostas novas que não devem ser adiadas, à não ser quando nos casos em que se instaura uma crise adaptativa (SIMON, 2005).
Pelo fato de a P.B. ser realizada com um tempo pré-determinado faz-se necessário que as entrevistas iniciais coletem o maior número possível de dados e desta forma sejam feitas quantas forem necessárias a fim de detectar as situações-problema, se há uma situação-problema nuclear, as conexões entre estas, como também o histórico de vida do paciente para que se possa saber a respeito de “prováveis padrões psicodinâmicos que se cristalizaram sob a forma de complexos inconscientes, influindo nas soluções às situações-problema pregressas e atuais” (SIMON, p.93, 2005).
Para Simon (2005) cabe ao terapeuta disponibilizar ao paciente o melhor atendimento possível dentro de suas condições possíveis.
Nos casos de crise por perda a pessoa se encontra desamparada, sendo mais fácil detectar a situação problema. São freqüentes sentimentos de culpa, enquanto que nas crises por aquisição são freqüentes os sentimentos de inadequação, insegurança e inferioridade e medo do fracasso. Desta forma, ao se deparar com a situação trazendo consigo tais sentimentos a probabilidade de falhar aumenta grandemente. Nestes casos, a P.B.O. busca que o paciente corrija essa subestimação do self em detrimento de um superestimação do objeto, no qual projetou todas as capacidades e recursos (SIMON, 2005).
Ao se deparar com situações de crise adaptativa o terapeuta atreves da P.B.O. deve ater-se primeiramente nesta situação-problema, a partir de um apoio e acolhimento para posteriormente seguir o procedimento usual que se define por “detectar as situações-problema: qual a nuclear, origens psicodinâmicas, conexões entre estas e as situações-problema anteriores e atuais” (SIMON, p.144, 20O5).
Em suma, “a finalidade da PBO é sempre auxiliar na busca de melhor solução para as situações-problema atuais” (SIMON, p.155, 2005).
Busca-se uma “interpretação baseada no conhecimento da história do paciente através das entrevistas e sessões, aplicando sobre estas a teoria psicanalítica dos dinamismos inconscientes originados nas relações com pessoas significativas da infância- ou na fantasia- e que foram incorporadas como relações objetais internas reprimidas ou dissociadas, formando complexos inconscientes” (SIMON, p.160,2005).
Segundo o autor citado acima, tais complexos fazem com que a pessoa os repita em relações transferenciais o que acarreta em respostas inadequadas visto que se trata de distorções da realidade atual.
Dentro deste processo deve-se “emparelhar passado e presente, confrontar as analogias, as identificações, as relações simbólicas” em função dos dados coletados nas entrevistas (SIMON, p.164,2005).
A postura do terapeuta é sempre ativa e deste modo este deve mostrar ao paciente as situações conflitivas e angustiantes tanto de seu passado como de seu presente como também compará-las, as quais buscam-se respostas mais adequadas, sendo que na PBO destaca-se sempre o lado adulto do paciente em detrimento do infantil (SIMON, 2005).
Segundo Braier (1986), neste tipo específico de psicoterapia por vezes o terapeuta pode se posicionar de forma ativa e direta nos problemas atuais do paciente.
MÉTODO
I.Participantes
Participaram 32 estudantes na primeira fase de aplicação do questionário e três estudantes foram avaliados pela E.D.A.O. e posteriormente atendidos em Psicoterapia Breve.
II.Local
Cursinho pré-vestibular situado na cidade de Santo André-ABC Paulista.
III.Instrumentos
Para a realização deste trabalho utilizado:
Questionário EPM: formulado por Ryad Simon na década de 70, no Serviço de Saúde Mental no Setor de Saúde dos Alunos do Departamento de Medicina Preventiva da Escola Paulista de Medicina, atual Universidade Federal de São Paulo. Este questionário foi validado por Yamamoto (1984) em um estudo para averiguar as condições adaptativas de estudantes universitários; é auto-aplicável e contém 76 questões, em que o participante deverá assinalar “sim” quando percebe a
dificuldade mencionada na questão ou “não”, quando não possui a dificuldade mencionada na questão ou não se deu conta de possuí-la; E.D.A.O.- Escala do Diagnóstico de Adaptação Operacionalizada – , que
por meio de uma entrevista psicológica obtêm-se dados sobre a conduta dos participantes nos quatro setores adaptativos, que serão comparados à tabela de itens de adaptação e avaliados segundo critérios de adequação;
Atendimento em Psicoterapia Breve Operacionalizada (PBO)- técnica psicoterapêutica a qual envolve uma compreensão adaptativa e psicodinâmica. O foco desta técnica é a partir das necessidades emergentes do paciente, tendo objetivo e tempo limitados.
IV.Procedimento
Inicialmente, solicitou-se a permissão ao coordenador do cursinho e passado todas as informações quanto ao objetivo do trabalho a ser realizado. Posteriormente, tais informações foram transmitidas aos alunos para que estes soubessem e tirassem possíveis dúvidas em relação à proposta do trabalho. No dia da aplicação, foi retomado o objetivo e juntamente com o questionário, entregue o termo de consentimento que eles assinaram e entregaram com as questões respondidas.
O questionário E.P.M. foi aplicado em 32 estudantes, e após análise de dados, três estudantes foram chamados para entrevistas (E.D.A.O.) que resultaram em atendimentos no decorrer do ano letivo através da Psicoterapia Breve Operacionalizada.
Os atendimentos foram realizados em uma sala de aula do cursinho.
Resultados e Discussão
Destaca-se a eficácia do questionário E.P.M, pois os casos encaminhados para E.D.A.O. eram que de fato os que necessitavam atendimento com maior urgência, conforme visto nas entrevistas e sessões.
Um ponto a ser destacado é a relação entre cliente e terapeuta, em que a todo o momento é vivida de forma única e o terapeuta deve estar atento a situação global, visto que nele sempre serão transferidas situações vividas pelo paciente, sendo que por vezes o lugar ocupado é de objeto persecutório, objeto bom, entre outros.
A questão do setting também merece destaque, pois ao sair do consultório, o psicólogo deixa também algumas variáveis, que garantem a neutralidade. No entanto, isso não deve ser um empecilho, e sim uma busca de novas variáveis no local em que for atender, de forma a garantir um enquadre que possibilite o trabalho a que se propõe. Neste caso, os atendimentos foram realizados na própria sala de aula, porém sem interrupções, nos dias e horários estabelecidos.
Pode-se dizer também que o setting possibilitou a distância entre os clientes e a terapeuta, pois apesar de idades muito próximas, que poderia ser um fator negativo, levando o adolescente a confundir com uma relação de amizade, houve um distanciamento em que os pacientes conseguirem ver a diferença de relação que o trabalho psicológico necessita, sendo o enquadramento de fundamental importância.
Mesmo se tratando de um cursinho pré-vestibular, o foco de nenhum atendimento foi os estudos, sendo que este apareceu algumas vezes, mas como forma de encobrir algo mais ansiógeno, em geral, de caráter sexual ou da crise adolescente e seus lutos.
Contudo, ressalta-se que muitas vezes a questão referente a Universidades e profissões foram trazidas de forma idealizadas, sem muito conhecimento da realidade.
Dentro disto, pode-se dizer o quanto entrar em uma Universidade, ainda mais reconhecida, e para isso se dedicar obsessivamente, pode fazer com que outras questões sejam deixadas de lado, ou mesmo para preencher tais lacunas.
Outro ponto é o de se trabalhar em cima da dúvida do paciente, investigar o que de fato ele quer saber ou dizer através dos questionamentos feito diretamente à terapeuta, ao invés de respondê-los prontamente e por se tratar de psicoterapia breve operacionalizada considerar o foco do atendimento.
Finalmente, chamou a atenção um fato que ocorreu no final do ano. Alguns estudantes procuraram pelo serviço de Psicologia. Eles foram atendidos e após algumas entrevistas, fez-se o encaminhamento necessário ao caso. Isto confirma a necessidade de um psicólogo nesses locais em que a população se encontra em momentos de transição, ou seja, em crises. Podemos afirmar que uma delas é a crise normal da adolescência, mas soma-se a ela a crise pela necessidade de escolha de uma carreira profissional.
Em suma, em relação à Psicoterapia Breve deve se afirmar que o fato de ser breve não a caracteriza como de menos valia quando comparada a um tratamento psicoterápico de longa duração, tendo em vista os objetivos, e a partir destes é que se foi possível este trabalho.
Ressalta-se a importância de se realizar um trabalho efetivo, dentro das condições e limitações que este pode se realizado.
Considerações Finais
A validade do atendimento em Psicoterapia Breve deve ser mencionada, tendo em visto as condições e objetivos do trabalho, com ressalva à triagem feita, visto que, por não ser possível atender toda a demanda, os adolescentes selecionados foram os que através do questionário e da E.D.A.O. comprovaram precisar mais do atendimento.
Referente a Psicoterapia Breve pode-se dizer que nos últimos anos esta tem se fortalecido, em virtude do atual contexto, em que razões como o tempo e honorários, mostram a necessidade emergente de adaptação que os psicólogos devem fazer de acordo a realidade brasileira.
A partir do trabalho realizado foi possível notar a importância de um espaço cedido aos adolescentes nesta etapa em que além da crise pelo término da adolescência se tem a pressão do vestibular, levando-se em conta o fato de estarem no cursinho e com isto, o investimento e expectativas que são depositados neles.
A presença destas duas situações, consideradas de crise, mostra e justifica a importância da presença do psicólogo nestas instituições de ensino. Elas devem não só priorizar a entrada do estudante na universidade, mas principalmente, criar um ambiente favorável para a promoção da saúde, a prevenção primária ou secundária das doenças.
Por isso, um ponto a ser explorado diz respeito às decisões quanto a que profissão seguir em que se observou pouca reflexão e de modo bastante idealizado, somado a idéia de que ao ingressar em uma Universidade renomeada já se tem a garantia de um sucesso futuro.
Para um trabalho posterior no cursinho, acredita-se que seja valido também trabalhos ligados à questão da escolha da profissão, da Universidade e também com os pais.
De um outro ponto de vista, ir ao encontro da população, através de programas preventivos, em momentos que talvez um apoio psicológico possa ser válido, tendo em
vista as crises de desenvolvimento que se instalam neste período, vai de acordo com o comprometimento que cada curso deva ter com a sociedade da qual faz parte.
Considerando o fato que muitas pessoas por não terem conhecimento, resistem a um trabalho psicológico, sendo que da forma como foi feito no cursinho, pôde ser passada e construída uma nova visão da Psicologia. Ou seja, uma Psicologia comprometida com as questões do cotidiano das pessoas. O fato de o psicólogo ir até os estudantes contribuiu para modificar essa idéia esteriotipada do psicólogo, fato confirmado pela procura espontânea dos adolescentes.
Merece atenção o fato de ser esta a terceira etapa de um trabalho que se realizou com uma pesquisa para a conclusão do curso de Bacharel, que se estendeu para o Trabalho de Conclusão de Curso e para o Estágio de Psicologia Comunitária e da Saúde, o que mostra o quão é possível ao longo da graduação um comprometimento com o que se faz e ao acreditar na eficácia do trabalho, continuar e abrir outras possibilidades.
Faz-se um adendo, que ao se iniciar uma pesquisa, outras dúvidas e necessidades surgem, através de um movimento dialético, e por isso que se deve trabalhar em cima do tema de interesse do pesquisador para que a partir do que foi pesquisado, possa-se atuar, ou seja, aproximar o pesquisado do fazer psicológico.
Em suma, deve ser ressaltado o quanto um Departamento de Psicologia que possa atender de forma integral aos adolescentes, durante o ano letivo, faz-se de suma importância, com a possibilidade de outros estudantes solicitarem o atendimento, caso necessitem, sendo que este trabalho possa servir de base para outros programas preventivos, em locais diversos.
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