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AUTOR(ES): Buchaim, Roberto ANO: 2012

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Av. Brigadeiro Faria Lima, 1993 – cj. 61 – São Paulo/SP– 01452-001 – fone: (11)3938-9400

www.abece.com.br – [email protected]

TÍTULO: Momento-curvatura em Seções de Concreto Protendido

AUTOR(ES): Buchaim, Roberto ANO: 2012

PALAVRAS-CHAVE: Concreto Protendido; Flexão Simples;

Armadura Simples; Seção retangular; Momento-curvatura

(2)

ENTECA 2011

VIII Encontro Tecnológico da Engenharia Civil e Arquitetura

8 - 10Novembro 2011 ISSN 1808-3625

MOMENTO-CURVATURA EM SEÇÕES DE CONCRETO PROTENDIDO

Roberto Buchaim

1

RESUMO

Mostra-se neste trabalho a obtenção da relação momento-curvatura nos Estádios I, II e III, na flexão simples de seções retangulares com armadura simples, visando aplicações nos Estados Limites de Serviço e Últimos, e, ainda, em ensaios de laboratório para a determinação da carga última e correspondentes deformações. O foco da solução está na determinação da precedência de uma deformação notável, no aço ou no concreto, atingida em alguma fase de solicitação da seção, o que é facilitado pela adoção de uma lei constitutiva bilinear também para o concreto, que atenda às mesmas três fases com suficiente precisão. Com isto, não há necessidade de iteração na solução numérica. Para essa relação determinam-se todos os pontos notáveis e os trechos entre eles. As figuras apresentadas abrangem os quatro diferentes comportamentos da seção: ruptura do aço e o concreto ainda elástico, ruptura do aço e o concreto já plastificado, ruptura do concreto e o aço já plastificado, e, finalmente, ruptura do concreto e o aço ainda elástico. Mostra-se também a comparação das curvas momento-curvatura obtidas com duas leis do concreto: a parábola-retângulo, usualmente tomada como referência, e a bilinear adotada neste trabalho.

Palavras-chave: Concreto protendido. Flexão simples. Armadura simples. Seção retangular.

Momento-curvatura.

1

Prof. Dr., Universidade Estadual de Londrina-UEL, Cento de Tecnologia e Urbanismo-CTU, Departamento de Estruturas, [email protected]

(3)

1. INTRODUÇÃO

O presente trabalho em concreto protendido abrange um trabalho anterior em concreto armado (BUCHAIM, 2005) e refere-se à obtenção do diagrama momento-curvatura nos Estádios I, II e III, antes e após a fissuração, antes e após o escoamento de um ou de ambos os materiais. O problema é particularizado para a flexão simples de seções retangulares com armadura simples. A obtenção dos pontos do diagrama, à medida que cresce a curvatura, fica facilitada por meio da adoção de leis constitutivas bilineares para ambos os materiais, e pela determinação prévia de qual deformação notável, no aço ou no concreto, tem precedência ao longo da seqüência crescente de curvaturas. Esta seqüência é definida entre os seguintes eventos: a fissuração da borda oposta àquela em que se posiciona a armadura protendida (evento tomado como início do diagrama), a fissuração da borda próxima a essa armadura, a plastificação de um dos dois materiais ou de ambos e a ocorrência de uma deformação limite, no aço ou no concreto. Admite-se haver aderência entre as barras da armadura e o concreto circundante, e armadura longitudinal mínima, de forma a impedir com segurança o seu escoamento imediatamente após a fissuração. As hipóteses adotadas permitem resolver o problema sem iteração na equação da força normal, usada para obter a profundidade da linha neutra correspondente a uma curvatura escolhida dentro da mencionada seqüência. Posto o problema em sua forma mais simples, pode-se destacar outros aspectos importantes e mais gerais – ressaltados ao longo da explanação –, enfatizando-se que o foco deste trabalho, evidentemente, está nos Estádios II e III.

2. LEIS CONSTITUTIVAS. EQUAÇÕES DE COMPATIBILIDADE E DE EQUILÍBRIO

A Figura 1 mostra as leis constitutivas adotadas para ambos os materiais.

Figura 1 – Leis constitutivas dos materiais

Para o concreto tem-se, cf. Figura 1(a): 0

c

 : cEcsc se abs(c)cyfc Ecs, e c fc se cyabs(c)c,lim

0  c  : cEcscfct,fl (1a) (1b) em que: c

f : resistência do concreto, a definir conforme a finalidade do diagrama momento-

curvatura. Em ensaios (rápidos), adota-se o valor médio da resistência f medida cm

σc ec Ecs -fc -ec,lim -ec,y fct fpy Ep 1 1 ep,y e p,lim ep σp

(4)

experimentalmente, no projeto substitui-se f por c fcmfck 8 em MPa, cf. o CEB-FIP MODEL CODE 1990 (MC90). No dimensionamento da seção, usa-se no lugar de f o c

valor de cálculo 0,85fck /c. Para deformabilidade do concreto em caso de efeitos de segunda ordem, f é substituído por c fck /1,2, cf. o MC90 ou 1,1fck/cfck/1,27, cf. a NBR 6118: 2004.

Ecs: módulo de elasticidade secante do concreto, igual a Ecs 0,855600 fc , em MPa; cy

 : encurtamento do concreto no início do patamar de escoamento, cy 0;

lim , c

 : encurtamento limite do concreto, c,lim 0; ] ) 100 ( 5 , 1 [ ] ) 100 ( 5 , 1 1 [ 0,7 0,7 , h h f

fct flct  : resistência do concreto à tração na flexão;

h : altura da seção em mm;

ct

f : resistência à tração axial do concreto (quantil estabelecido conforme a análise).

A resistência fct,fl em função da altura da seção está dada no MC90 e também no

BULLETIN 55: MODEL CODE 2010. O módulo E pode ser adaptado às leis bilineares indicadas cs

para dimensionamento de seções transversais (não apenas retangulares) tanto no EUROCODE 2, quanto no BULLETIN 55: MODEL CODE 2010 (neste último, para concretos até Classe 120), fazendo-o igual ao quociente entre a resistência atribuída ao concreto no patamar de escoamento e a deformação do início desse patamar, conforme sejam os valores adotados nessas duas referências. O mesmo pode ser feito, para o caso de deformabilidade do concreto para efeitos de segunda ordem, como mencionado acima.

Para o aço tracionado, tem-se, cf. Figura 1(b):

p p p E    se p py py pf  se pyp p,lim (2a) (2b) em que: py

f : resistência ao escoamento do aço de protensão. Em ensaios, usa-se o valor médio

dessa grandeza, medido experimentalmente. No projeto, troca-se fpy pelo valor

característico fpyk na deformabilidade e por fpydfpyk/s no dimensionamento da seção; p

E : módulo de elasticidade do aço de protensão, medido experimentalmente, ou igual a

GPa

200 , cf. a NBR 6118: 2004;

p py pyf E

 : alongamento do aço de protensão no início do patamar de escoamento;

lim , p

 : alongamento limite do aço de protensão, igual ao valor característico último, 35

puk

 ‰ para cordoalhas de 7 fios, cf. a NBR 7483, e igual ao valor do alongamento plástico residual, após a ruptura, medido no comprimento da barra igual a dez diâmetros,

60 50

10  ou

 ‰ para fios, cf. a NBR 7482. No dimensionamento, deve-se tomar 10 ‰

somado ao valor de cálculo do alongamento de neutralização (ou pré-alongamento), geralmente após as perdas progressivas de protensão, ou seja, p,lim10‰ppn, e

. 9 , 0

p 

 Ver a seguir a definição de pn.

(5)

Figura 2 – Seção transversal em flexão composta normal: geometria, deformações e esforços solicitantes

As equações de compatibilidade – válidas para os três Estádios – ligando as deformações à curvatura da seção, pondo  103d,  103 e  x /d, resultam iguais a:

x d x x d p cy cy c c p                1 1                     1 103 1 1 p cy cy c c p d (3a) (3b) em que:

: curvatura da seção, igual ao gradiente das deformações da seção, ddz;

d   3 10  : curvatura adimensional; pn p p     

 : acréscimo de deformação na armadura protendida a partir do estado nulo de

deformação na seção (ou estado de neutralização); p é a deformação total na armadura protendida. pn é o alongamento de neutralização (ou pré-alongamento), na pré-tração igual

ao alongamento da armadura na pista de protensão. Se for considerada a perda progressiva de protensão, Pshcr 0, por retração (sh) e fluência (c) do concreto, e pela relaxação (r) do aço, a esse alongamento soma-se algebricamente a queda de alongamento dada por

)], 1 ( [ 11Pshcr EpAp com 11pp(1z2pAi Ii); cs p pE E: coeficiente de equivalência; i p pA A

: taxa geométrica da armadura referida à área da seção homogênea;

1 c

 : deformação (encurtamento) do concreto na borda mais comprimida;

x : profundidade da linha neutra, ou distância da linha neutra à borda correspondente ao

encurtamento c1; cy

x : distância entre a linha neutra e a fibra correspondente ao encurtamento cy;

d : altura útil da seção;

z: ordenada, a partir do eixo ideal da seção homogênea, positiva para baixo;

A força de protensão PnEpAppn, aplicada na seção homogênea, e os esforços solicitantes do carregamento (N,M), produzem as deformações no Estádio I:

z I E z P M A E P N z i cs p n i cs n i i         (4) d b h Ap pn p p       1 c   N M cy x cy   Eixo da seção homogênea (ou ideal) i-i x zp 1 z 2 z z>0 i iz i i c       2 c

(6)

No presente caso de flexão simples tem-se N0, com o que o carregamento consegue anular apenas a curvatura, mas não o encurtamento axial. A fissuração da seção é atingida nas bordas superior e inferior quando ocorrer, em cada uma delas, a deformação fct,fl/Ecs. Com isto, obtêm-se de (4) os momentos de fissuração e respectivas curvaturas:

1 , 2 1 , n( p) ct fl i cr P k z f W M     , cr n p cs i I I E z P M cr,1 ( ,1 )  2 , 1 2 , n( p) ctfl i cr P k z f W M    , I cr n p cs i I E z P M cr,2 ( ,2  )  (5) e (6) (7) e (8) Nas Equações (4) a (8), Ai, I e i Wi,1Ii z10,Wi,2Ii z2 0, 0 , 0 2 1 2 1I Azk I Az

k i i i i são, respectivamente, a área, o momento de inércia, os módulos

de resistência das bordas e as distâncias nucleares superior e inferior, referidos à seção homogênea. Nos Estádios II e III, as equações de equilíbrio consideram a possibilidade de plastificação dos materiais [M/(bd2fc) é o momento adimensional]:

cy py p p p c A ou A f sex x bx   1  2 (9a) cy py p p p cy c A ou A f sex x x x bf  )   2 ( (9b) cy py p c c sex x x d f A ou x d bx f bd M     )  3 ( ) 3 ( 2 1 2   (10a) cy cy cy cy cy c c d x x sex x x x x d x x bf f bd M         )]  3 2 ( 2 ) 2 )( [( 2  (10b)

3. INÍCIO DA PLASTIFICAÇÃO DOS MATERIAIS. ÚLTIMO PONTO DA CURVA M() Através de quatro estados de deformação na seção transversal, obtêm-se quatro forças normais (positivas se tração), propriedades da seção, a serem comparadas com a força normal efetivamente atuante na seção, N0. Os quatro estados decorrem das seguintes deformações na borda comprimida e na armadura: (a): (cy,py), (b): (c,lim,p,lim), (c): (cy,p,lim), (d):

) ,

(c,lim py , com p,limp,limpn e pypypn.

Desta comparação, a condição de força normal pode ser traduzida equivalentemente em taxa mecânica da armadura, definida por:

) ( c py pf bdf A   (11)

Dos quatro estados de deformação resultam as seguintes condições.

(a) O aço plastifica-se antes do concreto se y, com:

)] ( 2 [ cy py cy y       (12)

(7)

(b) Com ambos os materiais plastificados, o que se dá no intervalo up uc, ver (c) e (d), o aço atinge seu alongamento limite antes da ocorrência do alongamento limite do concreto se u, com: )] [ ] 5 , 0

[ c,lim cy c,lim p,lim

u    

    (13)

Se a desigualdade inverter o sentido, o concreto atinge seu encurtamento limite primeiro. Identificada qual deformação limite tem precedência, resulta uma relação entre a profundidade da linha neutra e a curvatura do último ponto da relação momento-curvatura, M()ou (), a saber:

u c u u p u   ou  

 1 ,lim/  ,lim/ (14a) e (14b)

Feita a escolha de uma destas equações e substituindo u de cada alternativa, obtêm-se:       

u ( p,lim0,5 c,y)/(1 )ou u ( c,lim0,5 c,y)/ (15a) e (15b) (c) O aço atinge seu alongamento limite antes do início da plastificação do concreto se

up   , com: )] ( 2 [ cy p,lim cy up       (16)

Se valer esta desigualdade obtêm-se a profundidade da linha neutra e a correspondente curvatura últimas das seguintes equações:

lim , lim , (1 ), 2 / ) 1 / 4 1 ( 5 , 0 up up u p u up cy p u   e   com           (17) e (18)

(d) O concreto atinge seu alongamento limite antes do início da plastificação do aço se

uc   , com: )] [( ] 5 , 0 [ c,lim cy c,lim p,y uc         (19)

Analogamente, para esta desigualdade resultam:

)] 2 ( /[ 2 , ) 1 / 4 1 ( 5 , 0 ,lim 2 lim , lim , u uc c py c cy c u uc uc u   e   com             (20) e (21)

A posição da fibra em que se tem cyé simplesmente igual a cy cy/u.

4. ESTÁDIOS II E III

No Estádio II é válida a lei de Hooke para ambos os materiais. Desprezando a resistência à tração do concreto, as duas equações de equilíbrio determinam a posição da linha neutra e o momento correspondente MMcr,2, escolhida a curvatura dentro da seqüência crescente de

(8)

) 3 ( 6 ] 1 ) ( 2 1 [ 2 2                    cy c pn p p p p f bd M e (22) e (23)

Para a seção fissurada, a taxa geométrica da armadura é igual a pAp (bd).

Note-se que, no Estádio II, a profundidade da linha neutra decresce com a curvatura crescente, diferentemente do que acontece no concreto armado. Estas equações resolvem facilmente o problema, quando se arbitra a curvatura. Entretanto, pode ser necessário obter a profundidade da linha neutra diretamente do momento fletor, para o que se resolve a seguinte equação cúbica:

0 6 6 ) 1 ( 3 2 3     pn cy pn cy pn cy p p               (24)

Em particular, obtém-se desta equação a profundidade cr 2II, da linha neutra no Estádio II correspondente ao momento de fissuração Mcr,2 oucr,2Mcr,2 (bd2fc), já obtido no Estádio I. Com estes dois valores resulta a curvatura:

) 3 ( ) ( 6 2 , 2 2 , 2 , 2 , II cr II cr cy cr II cr        (25)

No Estádio III, um dos dois materiais ou ambos encontram-se plastificados, e é preciso separar os casos em que o concreto ou o aço entra primeiro no patamar de escoamento, o que se faz a seguir.

(a) O concreto plastifica-se antes do aço: y cy [2(cypy)]

A profundidade da linha neutra no início da plastificação do concreto resulta da equação 0 2 ) 1 ( 2 2 p p cy cy pn p p cy      

 . Para pncy 1, a raiz desta equação vale:

p p cy     2 (26) Variando pncy , obtém-se: ] 1 ) 1 ( 2 1 )[ 1 ( 2       cy pn p p cy pn p p cy          (27)

valendo o sinal positivo que antecede o radical se pncy 1, o que é usual para o concreto

protendido. Se, por outro lado, 0pncy 1, deve-se considerar o sinal negativo. Para pn 0,

recai-se na conhecida equação do concreto armado, na qual não há influência da curvatura, nem do momento fletor. Calculada a profundidade da linha neutra, resulta a curvatura:

(9)

cy cy cy  

  / (28)

Para curvaturas superiores a esse valor, com o aço ainda elástico, obtém-se a equação que une a linha neutra à curvatura arbitrada:

)] ( 2 [ )] ( 2 [ cy py pn py d x               (29)

Conhecidas a curvatura e a profundidade da linha neutra, obtém-se cy cy/ e o momento de (10b). Continuando a aumentar a curvatura, o aço pode entrar no patamar de escoamento. Se isto ocorrer, resultam a linha neutra e a correspondente curvatura, com as quais se obtém o respectivo momento fletor:

py py py pn py cy pn py cy py cy py cy py py e d x                               1 ) ( 2 ) ( 2 2 2 (30) e (31)

Nos pontos subseqüentes da curva M()ou(), há plastificação de ambos os materiais, e a relação entre a linha neutra e a curvatura arbitrada resulta da equação:

) 2 (     x d   cy (32)

O último ponto da curva M()ou() já foi obtido no item 3. (b) O aço plastifica-se antes do concreto: y cy [2(cy py)]

No início da plastificação do aço, com o concreto ainda elástico, resultam a profundidade da linha neutra e a respectiva curvatura, com as quais se obtém o momento correspondente, como segue: py py py cy py py cy py py e d x                    1 ) 1 2 1 ( (33) e (34)

Para curvaturas subseqüentes e o concreto ainda elástico, as forças internas permanecem constantes, a profundidade da linha neutra diminui, mas o braço de alavanca aumenta, ainda que pouco. A relação entre a linha neutra e a curvatura, neste caso, é:

  

 x d  2 cy (35)

O início da plastificação do concreto, se ocorrer antes do último ponto, corresponde a:     cyxcy d 2 e cycy 2 (36) e (37)

(10)

5. APRESENTAÇÃO DE RESULTADOS E OBSERVAÇÕES FINAIS

A seqüência de cálculo mostrada possibilita obter os vários segmentos da curva )

( )

( ou 

M , desde o Estádio I até a fissuração da borda inferior da seção, prosseguindo no

Estádio II até o início da plastificação do concreto, passando pelo início da plastificação do aço, ou vice-versa, e terminando no ponto correspondente a uma deformação limite em um dos dois materiais. Alternativamente, pode haver a plastificação de um material apenas, até o último ponto da mencionada curva, como se mostrou. A Figura 5 dá um exemplo da teoria exposta, abrangendo os quatro diferentes comportamentos da seção: ruptura do aço e o concreto ainda elástico (

% 05 , 0  p

 ), ruptura do aço e o concreto já plastificado (p 0,20%), ruptura do concreto e o aço

já plastificado (p 0,40%), e, finalmente, ruptura do concreto e o aço ainda elástico (p 1%).

Figura 5 – Momento-curvatura, flexão simples, seção retangular protendida, MPa f MPa f mm d h b/ / 200/400/360 , c 30 , ct,fl 3,63 , Ecs 26,07MPa,c,lim3,5, 15 , 1 07 , 26 / 30 ,y   c, aço CP-190 RB, Ep200GPa, 65 , 6 , 10 , 1710  ,lim   p pn py MPa f  

Nessa figura pode-se ver que: (a) os segmentos no Estádio I são praticamente paralelos, dada a pequena influência da taxa geométrica da armadura nas características geométricas da seção; (b) o aumento da taxa da armadura (ou da força de protensão, para o mesmo pré-alongamento) aumenta ambos os momentos de fissuração, Mcr,1eMcr,2; (c) o salto na curvatura no instante da fissuração

diminui com o aumento da força de protensão; (d) a extensão do patamar de escoamento aumenta até a taxa mecânica correspondente à ruptura simultânea dos dois materiais, cf. Equação (13). No

exemplo, tem-se 0,38% 1710 30 217 , 0 , 217 , 0 10 5 , 3 15 , 1 5 , 0 5 , 3 , 5 , 13           py c u p u u f f     . Em

seguida, esta extensão diminui para taxas de armaduras maiores; (e) no Estádio II, a relação momento-curvatura é não-linear, o que fica visível na figura para as duas taxas de armadura maiores; (f) para taxas muito baixas, o momento de fissuração supera o momento resistente último, quer dizer, a seção ao fissurar passa, com um salto vertical, diretamente do Estádio I ao III, situação que deve ser excluída no projeto, com a adoção de armadura mínima.

-0,05 0,00 0,05 0,10 0,15 0,20 0,25 0,30 0,35 0,40 0,45 -2 0 2 4 6 8 10 12 14 Ap / (bd) = 1 % Ap / (bd) = 0,40 % Ap / (bd) = 0,20 % Ap / (bd) = 0,05 % Mo ment o r es is ten te rel at ivo : µ= M/( bd ^ 2fc ) fc) Curvatura relativa: 1000κd

(11)

Anais do VIII Encontro Tecnológico de Engenharia Civil e Arquitetura Figura 6 – Momento-curvatura, flexão simples, seção retangular protendida,

5 , 3 , 07 , 26 , 63 , 3 , 30 , 360 / 400 / 200 /

/h dmm fcMPa fct,flMPa EcsMPa c,lim

b,

aço CP-190 RB, Ep 200GPa,p,lim 10,pn6,65/5,32/0,p 0,2%

A Figura 6 mostra para a mesma seção, mantida constante a taxa da armadura p 0,2%, os resultados para três valores do pré-alongamento, indo desde pn 0 (concreto armado), até

65 , 6

pn

 , passando pelo valor pn 5,32, o qual simula uma perda de protensão de 20%. Além de observações da figura anterior, pode-se notar ainda: (a) o efeito da protensão especialmente nos Estádios II e III corresponde a um recuo grande na curvatura da seção protendida em relação à mesma seção em concreto armado, para o mesmo momento fletor; (b) no trecho final, em que coincidem as curvas, não há influência do pré-alongamento na resistência da seção, nem na curvatura do último ponto. Por outro lado, se essa mesma seção fosse armada com CA-50, a taxa

s

 seria fpyk/ fyk 1710/5003,42 vezes maior, para manter a mesma taxa mecânica, donde a relação de rigidezes à flexão no Estádio II (EI)II,CP/(EI)II,CA1/3,420,30.

Figura 7 – Momento-curvatura para as leis parábola-retângulo e bilinear (demais dados idem Figura 5)

A Figura 7 mostra, para a mesma seção da Figura 5, as curvas () resultantes de duas leis constitutivas do concreto: a parábola-retângulo, usualmente tomada como referência, e a bilinear admitida neste trabalho. O mesmo foi feito para a seção em concreto armado, com taxas 3,42 vezes maiores, embora não apresentado aqui. Como se pode notar, apesar da grande diferença de valores das deformações do início do patamar da duas leis ( cy 1,15 na bilinear e cy 2 na

0,00 0,05 0,10 0,15 0,20 0,25 0,30 0,35 0,40 0,45 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 Parábola-retângulo Ap/(bd)=1,0% Bilinear Ap/(bd)=1,0% Parábola-retângulo Ap/(bd)=0,4% Bilinear Ap/(bd)=0,4% Parábola-retângulo Ap/(bd)=0,2% Bilinear Ap/(bd)=0,2% Curvatura relativa:1000κd Mo ment o r es is ten te rel at ivo : M/( bd ^ 2fc) Curvatura relativa:1000κd Mo ment o res is ten te rel at ivo : µ= M/ (bd ^ 2 fc )

(12)

parábola-retângulo), as curvas são praticamente coincidentes, tanto em resistência quanto em deformabilidade. Assim, a lei bilinear adotada para o concreto é tão boa quanto qualquer outra lei consagrada, com as vantagens adicionais da linearidade.

A seção retangular – muito aplicada nas lajes lisas de edifícios, em radiers, etc. – é por vezes considerada inadequada para a protensão, uma conclusão baseada apenas em dados do Estádio I. Entretanto, após a fissuração a seção retangular se aproxima da seção T já no Estádio II, e mais ainda no Estádio III.

Como se disse antes, as leis constitutivas apresentadas podem ser usadas tanto nos estados limites de serviço, quanto últimos, em ensaios e na consideração da deformabilidade do concreto, seja em peças esbeltas, seja na estimativa da capacidade de rotação plástica. No Estado Limite Último – flexão simples, estão contemplados, através do último ponto da curva M(), os domínios 2, 3 e 4 da NBR 6118: 2004, conforme seja a deformação limite atingida, p,lim 10‰, no domínio 2, e c,lim 3,5‰ nos domínios 3 (aço plastificado) e 4 (aço elástico). Vale mencionar novamente que a lei bilinear adotada para o concreto é indicada no Eurocode 2, item 3.1.7.(2) e no Bulletin 56: Model Code 2010, item 7.2.3.1.5, Figuras 7.2-8 e 7.2-10, para o dimensionamento de seções transversais (não apenas retangulares) e consideram também as classes de concreto de alta

resistência. Além disso, as equações dadas incluem o concreto armado, bastando anular o

pré-alongamento do aço, e adotar as grandezas referentes ao aço escolhido (CA-50 ou CA-60) no lugar daquelas usadas para os aços de protensão. Por último, aplicam-se também na pós-tração com aderência posterior, especialmente nos Estádios II e III, com a definição adequada do pré-alongamento, uma vez que a peça e a seção correspondente se alteram ao longo de sua construção.

REFERÊNCIAS

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT NBR 6118: Projeto de estruturas de concreto: procedimento. Rio de Janeiro, 2004.

_______ – ABNT NBR 7482: Fios de aço para concreto protendido. Rio de Janeiro, jun. 1991.

_______ – ABNT NBR 7483: Cordoalhas de aço para concreto protendido. Rio de Janeiro, jun. 1991.

BUCHAIM, R. O diagrama momento-curvatura sem iteração. In: V ENCONTRO TECNOLÓGICO DA ENGENHARIA CIVIL E ARQUITETURA – ENTECA 2005. Maringá. Anais... Maringá: UEM, 2005. CD-ROM.

BUCHAIM, R. Concreto Protendido: Tração Axial, Flexão Simples e Força Cortante. Londrina: Eduel, 2007.

COLLINS, M. P.; MITCHELL, D. Prestressed concrete basics. Ottawa: Canadian Prestressed Concrete Institute , 1987.

COMITE EURO-INTERNATIONAL DU BETON – CEB-FIP Model Code 1990. London: Thomas Telford, 1993.

EUROPEAN STANDARD. Eurocode 2: design of concrete structures – Part 1-1: general rules and rules for buildings. EN 1992-1-1. Brussels: European Committee for Standardization, 2004.

FÉDÉRATION INTERNATIONALE DU BÉTON (fib). Bulletins 55 et 56: Model Code 2010. First complete draft –Volumes 1 and 2. April 2010.

Referências

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