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Marisqueira com Orgulho, Quilombola para Sempre!

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Academic year: 2021

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RELATÓRIO DE APRENDIZADOS DA CAMPANHA

PROGRAMA PESCA PARA SEMPRE

BRASIL - CICLO 1

Campanha

Marisqueira com Orgulho, Quilombola para Sempre!

Fundação Vovó do Mangue Coordenador: Daniel Souza Andrade

Maragogipe, Bahia, Brasil

(2)

2

Índice

I. Resumo Executivo ... 3

II. Contexto e Planejamento ... 4

a) Contexto: social, político, econômico, biológico, etc. ... 4

b) Teoria da Mudança e Objetivos SMART ... 7

c) Responsabilidades ... 12

d) Estratégia de Mudança de Comportamento ... 14

e) Reserva Extrativista/ACRES / Estratégia de Pesca ... 18

f) Estratégia de Remoção de Barreiras ... 19

g) Plano de Monitoramento e Avaliação ... 22

III. Aprendizagem ... 27

a) Análise Preliminar dos Resultados ... 27

b) Análise Preliminar do Plano de Trabalho ... 30

c) Análise do Impacto e Resultados ... 30

d) Lições Aprendidas e Melhores Práticas ... 36

e) História de Sucesso ... 39

f) Aprendizados Pessoais ... 41

g) Recomendações ... 42

IV. Próximos Passos ... 42

(3)

3

I.

Resumo Executivo

A iniciativa atuou em duas frentes. A primeira é a realização de uma campanha de comunicação voltada para as marisqueiras de Capanema e Baixão do Guaí, comunidades extrativistas e quilombolas de Maragogipe. As mulheres são as principais extrativistas de ostras e outros moluscos, e responsáveis pelo sustento das famílias. A partir da valorização da origem e saberes das comunidades tradicionais e fortalecimento da autoestima destas mulheres, a campanha visa a adoção de novas condutas no dia-a-dia do trabalho delas, como a realização da vigilância comunitária nas áreas do cultivo de ostras, o trabalho coletivo e a não comercialização de ostras menores que cinco centímetros, fundamental para garantir o ciclo de reprodução da espécie.

A logomarca da campanha, criada com a participação e aprovação das marisqueiras, mostra a mão da extrativista retirando da natureza ostras, peixes e outros alimentos para o seu sustento. Acompanhada pelo slogan Pescar, Conservar, Prosperar, ela reforça o compromisso com a conservação do meio ambiente como garantia de mesa farta no futuro.

O outro foco de atuação da campanha é a implantação do cultivo de ostras de base comunitária. O empreendimento envolve 30 famílias, 15 em cada comunidade, escolhidas por critérios elaborados pelas próprias marisqueiras. Além de gerar renda extra para as famílias, o cultivo de ostra diminuirá o esforço de mariscagem desta espécie em vida livre, fazendo com que o estoque volte a crescer no estuário e nos manguezais, além de colaborar na disseminação de novas sementes de ostras no ambiente.

O modelo de cultivo utilizado é o mesmo desenvolvido com sucesso nas comunidades do Kaonge e Dendê, em Santiago do Iguape, distrito de Cachoeira, que há mais de 15 anos cultivam ostras nativas. Com estruturas feitas de bambu, coletores de sementes produzidos com garrafas PET e gestão compartilhada, o empreendimento com base na economia solidária promove a autonomia das marisqueiras com sustentabilidade e sem prejuízo ao meio ambiente.

As estratégias e tecnologia social aplicadas no projeto preocuparam-se em promover a autonomia das mulheres e realizar uma campanha ‘com elas’ e não ‘para elas’, de forma que hoje elas tomam iniciativas, propõem atividades e realizam trabalhos sozinhas, sem a necessidade da presença do coordenador.

(4)

4

II.

Contexto e Planejamento

a) Contexto: social, político, econômico, biológico, etc.

- Na literatura disponível não foi encontrado um consenso sobre o número de comunidades inseridas na RESEX, que compreende áreas dos municípios de Maragogipe, Cachoeira e São Félix. As informações variam entre os autores que, em geral, desenvolveram os seus trabalhos em localidades específicas da reserva, mas com o processo de identificar as famílias beneficiárias da reserva o ICMBio estimou em 92 comunidades, que utilizam diretamente os recursos da resex. O município de Maragogipe possui 450 quilômetros quadrados e cinco distritos além da sede - Coqueiros, Guaí, Guapira, Nagé e São Roque do Paraguaçu - e limita-se com os municípios de Jaguaripe, Nazaré, Salinas das Margaridas, São Felipe, São Felix e Cachoeira.

- Para estimar o número de comunidades envolvidas com o extrativismo de recursos pesqueiros, o ICMBIO reuniu dados obtidos em oficinas, reuniões do Grupo de Trabalho e na literatura para a elaboração de um mapa da RESEX Baía do Iguape, ilustrando a localização aproximada das comunidades extrativistas da área, além de elaborar o Perfil do Beneficiário da Reserva Extrativista Marinha Baía do Iguape. Nesta compilação chegou-se a 93 comunidades beneficiárias da unidade, das quais 82 estão localizadas no anexo 6. Somente na sede do município de Maragogipe, 19 comunidades estão situadas às margens de manguezais e dependem diretamente da pesca para a sua sobrevivência, e outras duas (Alto do Cruzeiro e Alto do Japão) que não alcançam a margem de rios ou manguezais, mas também são compostas, em sua maioria, por extrativistas. Há ainda nas adjacências da reserva um grande número de comunidades quilombolas, já reconhecidas pela Fundação Cultural Palmares, algumas delas, inclusive, com territórios delimitados e outras com o processo de reconhecimento de suas terras em andamento.

- Acerca das comunidades onde foi aplicada a Campanha por Orgulho (Capanema e Baixão do Guaí), a estrada que leva a essas comunidades é a mesma utilizada para se chegar à Maragogipe, a BR 420. São 14 quilômetros da sede de Maragogipe até Capanema. As duas comunidades compõem o distrito do Guaí, que ainda conta com as comunidades da Lagoa; Samambaia do Meio; Tamancas; Topa de Cima; Topa de Baixo; Piedade; Mutamba; Guarucú; Bom Jardim; Terra Seca; Carobas; Rio Grande; Fanu Leite; Tabatinga 1 e 2; Cascalheira; Quilombo; Salaminas; Enseadinha; Guerém; Sítio Gramador; Palma de Cima; Quizanga/Socorro; Entrada Rural de Capanema; Rio Grande (Piedade);

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5 Água Boa; Traíras/Rio das Pedras/ Tijuca; Santa Ângela; Camarão de Baixo; e Porto da Pedra, sendo

todas estas predominantemente comunidades rurais. O número aproximado de moradores das comunidades envolvidas da Campanha são: 250 famílias em Capanema e 140 famílias no Baixão do Guaí.

- A Reserva Extrativista Marinha Baía do Iguape tem uma população de pescadores e marisqueiras de aproximadamente 12.180 pessoas conforme o diagnóstico socioeconômico realizado pela Universidade Federal de Viçosa (Prof. Ferreira Neto, José Ambrósio, 2014), sendo que, deste número, 74% residem no município de Maragogipe. A atividade de mariscar é predominantemente feminina e, em muitos casos, as mulheres são as principais responsáveis pelo sustento das famílias, que dependem do manguezal e dos mariscos para obter a sua renda. Num dia típico de trabalho, uma marisqueira cata em média um quilo e meio de ostras e vende a sua produção a um atravessador local, que revenderá para restaurantes e mercados, sobretudo, da capital - Salvador, ou vende diretamente para a vizinhança.

- Com o cultivo em funcionamento, as marisqueiras organizam-se para buscar novos mercados e vendas diretas para os consumidores finais, vendendo as ostras em dúzias – e não mais a quilo -, utilizando o princípio da economia solidária e em coletividade.

- Apesar do cultivo já estar implantado, as marisqueiras ainda não pararam de retirar as ostras em vida livre, utilizando um utensílio chamado farracho. Trata-se de um facão inutilizado, técnica que não agride o manguezal. Porém quando as ostras do cultivo começarem a ser comercializadas diminuindo assim o esforço de mariscagem da ostra, juntamente com a aprovação do Acordo de Gestão da Resex Baía do Iguape, no qual ficou definido que não se deve capturar ostras menores que 5 centímetros, acreditamos que conseguiremos aumentar os estoques de ostras nativas em vida livre.

- Quando vão catar a lambreta, as marisqueiras também utilizam o farracho, enfiando-o na lama para encontrar os mariscos. Quando o farracho toca na lambreta, a marisqueira sente e também ouve o barulho do metal batendo na casca deste molusco. Daí então ela retira o farracho e coloca a mão na lama até alcançar a lambreta e retirá-la. Elas armazenam o catado em um cesto feito de cipó e repetem estes movimentos durante horas.

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6 Figura 1: Modelo conceitual da Campanha por Orgulho na RESEX Baía do Iguape

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7

b) Teoria da Mudança e Objetivos SMART

Qual é o objeto ou o

resultado desejado de conservação?

Como estratégia de estabilização dos estoques de ostras e lambretas em vida livre vamos trabalhar com alternativas sustentáveis de manejo pesqueiro como a implantação do cultivo familiar de ostras e rodízio técnico das áreas de mariscagem. E também na defesa do território, através do empoderamento do cultivo além do orgulho da cultura tradicional quilombola. Medir através de indicadores de biomassa ou CPUE os resultados de conservação dos mariscos em vida livre.

Qual é a principal ameaça para este ecossistema ou espécie que você deseja reduzir através do programa?

Na Reserva Extrativista Marinha Baía do Iguape a principal ameaça que o ecossistema enfrenta é a Usina Hidrelétrica Pedra do Cavalo, pela modificação da hidrodinâmica das águas do Rio Paraguaçu, contudo, o Programa Pesca para sempre irá focar nas comunidades de Capanema e Baixão do Guaí que ainda possuí uma hidrodinâmica não muito alterada por causa do Rio Cachoeirinha, o aumento do esforço na cata das ostras e lambretas pela desvalorização comercial dos produtos através dos atravessadores causando-lhes falta de alternativas de renda.

Quais são os novos

comportamentos que você

quer gerar no programa?

Orgulho e auto-estima em ser Quilombola e pescador com o objetivo de utilizar das politicas públicas da RESEX (Conselho Deliberativo, Acordo de Gestão, Plano de Manejo etc.) para melhor conservação dos estoques de moluscos e de defesa do território pesqueiro diante das ameaças externas.

A redução do esforço da mariscagem em vida livre através do cultivo familiar de ostras e lambretas, o rodízios nas áreas de mariscagem e de agregação de valor comercial dos mariscos na cadeia produtiva de valor, pretende viabilizar o restabelecimento das populações destas espécies.

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8 Quais são as remoções de

barreiras para facilitar a adaptação da nova proposta de comportamentos indicados/desejados?

Fornecer a infraestrutura e capacitação técnica para a cultivo familiar de ostras e lambretas nas comunidades envolvidas, outra estratégia para remoção de barreiras será trabalhada, capacitando e treinando para gerenciar todo o cultivo até 2017 para minimizar, por partes das comunidades envolvidas, a descrença em projetos que não divulgam resultados de melhorias na qualidade de vida das marisqueiras, através da construção horizontal e participativa de todas etapas do projeto.

Que conversas e processos

de validação devem ocorrer

para motivar as pessoas a adotar os novos

comportamentos indicados/desejados?

As marisqueiras discutem entre elas como o cultivo serão uma boa alternativa de renda e conservação dos manguezais em 2017. Conversam nas reuniões de como agregar valor ao seu produto e organização em relação à questão da vigilância comunitária ao cultivo até 2017.

Que atitudes devem ser incentivadas para motivar as pessoas a adotar novos comportamentos, indicados para o tema da pesca?

Redução do esforço de pesca em vida livre, através da cultivo familiar e da agregação de valor comercial aos mariscos com a maior participação dos atores envolvidos na vigilância comunitária com maior engajamento nas politicas públicas da RESEX e dos Quilombos para defesa do território.

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9 Que novos conhecimentos

serão necessários para a mudança de

comportamento em relação ao tema da pesca?

As marisqueiras conhecem como são importantes os benefícios do cultivo artesanal de ostras para obter uma alternativa de renda, levando em consideração o rodízio emprico tradicional nas áreas de mariscagem e a vigilância para a preservação dos estoques e do meio ambiente.

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10 Figura 2: Cadeias de Resultados da Campanha por Orgulho na RESEX Baía do Iguape

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11 Tabela 2) Objetivos SMART

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12

c) Responsabilidades

Tabela 3) Tabela RACI da Campanha por Orgulho na RESEX Baía do Iguape

Atividade Responsável Aprovado por Consultado Informado

Diagnóstico Preliminar da Área

Coordenador de Campanha

Gerente da Rare Supervisor,

Comunidade e Chefe da RESEX

Outros parceiros

importantes na cada área

Modelo Conceitual Coordenador de Campanha

Gerente da Rare Comunidade,

Supervisor

Colaboradores das comunidades e parceiros.

Cadeias de Resultados Coordenador de Campanha

Gerente da Rare Comunidade,

Supervisor

Colaboradores, parceiro implementador

Teoria da Mudança Coordenado de Campanha

Gerente da Rare Comunidade,

Supervisor, Chefe da Resex

Parceiro Implementador

Tabela RACI Coordenador de

Campanha

Gerente da Rare Supervisor Parceiro Implementador

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13

Campanha Supervisor

Implementação da Campanha

Coordenador Comunidades/ Chefe da Unidade Parceiros / Supervisor Comunidade/ Parceiros Cursos SPM SPM – Secretaria de Políticas para as Mulheres da Bahia Coordenador/ Parceiro Implementador

Supervisor/ Rare Comunidades

Intercâmbio Coordenador Quilombo do Dendê/ Rare/

Parceiro Implementador

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14

d) Estratégia de Mudança de Comportamento

Plano do Público-Alvo Declaração do Problema

O público-alvo da campanha foram os moradores das comunidades de Capanema e Baixão do Guaí de maneira geral e, mais especificamente, as marisqueiras destas regiões, visto que são elas que extraem as ostras e lambretas, nossas espécies-alvo. Nos últimos anos houve uma diminuição significativa no número destes moluscos encontrados em vida livre, sobretudo, por conta dos impactos da Usina Hidroelétrica de Pedra do Cavalo e da construção do estaleiro Indústria Naval na Enseada do Paraguaçu. Como consequência, essas mulheres viram a suas rendas diminuírem e, por conta disso, passaram a extrair e comercializar ostras e lambretas em tamanhos cada vez menores, prejudicando o ciclo reprodutivo destas espécies.

Caracterização do Público-Alvo

O público-alvo no que se diz respeito da implantação do cultivo artesanal de ostras foram escolhidas através das próprias lideranças das comunidades, onde aplicamos os esforços para implantação do cultivo. Sobre o rodízio das áreas de mariscagem com informações técnicas, as marisqueiras não aderiram por entenderam que a maneira que os pesquisadores passaram era impossível de implantar nas comunidades pelo fato de apenas trinta famílias participarem ativamente da Campanha, mesmo com os cursos e treinamentos aplicado em conjunto com a UFRB e a SPM (Secretaria de Políticas para as Mulheres do Estado da Bahia) para que eles pudessem a fazer os rodízios dessas áreas corretamente. Na vigilância do cultivo, foi traçado um plano para saber o que era preciso e como fazê-lo, pois, elas conversam e entendem que é preciso vigiar o cultivo contra roubos da produção e equipamentos. Informamos através de reuniões, cursos e treinamento para que todas as famílias envolvidas façam a vigilância coletivamente e agindo conforme as regras do cultivo.

Persona do Público-Alvo

A persona do nosso público-alvo são as marisqueiras que estamos envolvendo na Campanha por Orgulho. São em torno de 30 famílias. A maioria dessas marisqueiras tem uma faixa etária entre 25 a 50 anos de idade, tem pouca ou quase nenhum nível escolar, 80% delas são mulheres, quilombolas, afrodescendentes e povos tradicionais.

Elas passarão a trabalhar coletivamente no cultivo de ostras, mas elas não aderiram fazer o rodízio das áreas de mangues, com base teórica e científica.

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15 Os valores dessas marisqueiras são: a família, o manguezal de onde tiram o sustento do dia-a-dia, o

meio ambiente e a terra.

Estão interessadas na ampliação do cultivo, nos cursos para gestão e manutenção e futuramente numa cooperativa, mas têm muito receios e preocupações com os furtos e roubos no cultivo.

Atualmente essas famílias fazem o rodízio empiricamente e continuaram a realizá-los da mesma forma que seus pais lhes passaram, catando individualmente os mariscos, apesar de ir com as pessoas que mais se identificam para o mangue fazer a cata, mas a comercialização é feita individualmente. Um dos maiores benefícios do comportamento atual das marisqueiras é que elas catam as ostras com qualquer tamanho para conseguir render mais e assim obter uma renda maior na semana.

Uma das maiores barreiras que enfrentaremos é a não confiança das outras pessoas da comunidade que não farão parte do cultivo, acham que elas podem prejudicar de alguma forma o progresso do projeto depois de implantado. Por outro lado, o que mais as motivaram, foram ter tido cursos, informações e técnicas de beneficiamento e, é claro, a implantação do cultivo.

Troca de Benefícios

Como alternativa à mariscagem e captura das espécies em vida livre, será oferecido o cultivo de ostras, atividade sem impactos ao meio ambiente e economicamente viável. O objetivo é que, com a ostreicultura, o esforço de pesca da ostra por parte das marisqueiras seja reduzido e o estoque desta espécie volte a crescer no estuário. Além disso, as marisqueiras serão incentivadas a realizar rodízios nas áreas de mariscagem. Algumas delas relatam conhecer e fazer o rodízio de forma empírica, portanto, o nosso objetivo é ampliar e aprofundar o conhecimento delas acerca da importância do rodízio e a melhor forma de fazê-lo. Para isso, contaremos com a parceria de pesquisadores da UFRB que mostrarão como é simples organizar o rodízio coletivamente, beneficiando todas as marisqueiras.

Tom

Buscamos com as imagens, elementos que representem autoestima, prosperidade, identidade e lutas com ações coletivas, sustentáveis e de conservação.

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16 Foto3) Logomarca da Campanha por Orgulho

Produto

De maneira geral, as mudanças de comportamento que almejamos para as marisqueiras é que elas e suas famílias participem do cultivo familiar de ostras e que trabalhem coletivamente.

O nosso produto principal é o aumento ou recuperação dos estoques pesqueiros da ostra; este, por sua vez, depende do produto real que é a adoção por parte das marisqueiras do novo comportamento relacionado ao cultivo, ou seja, que mais famílias participem do cultivo; por fim, o produto aumentado é todo o processo que envolve a viabilização do cultivo, ou seja, aquisição de equipamentos, busca de novos mercados, realização de cursos técnicos, consultoria de pesquisadores, dentre outras ações.

Preço

O nosso objetivo é alcançar duas mudanças principais de comportamento: a adoção do cultivo (e consequente diminuição da mariscagem em vida livre) e que trabalhem coletivamente. Para a adoção do cultivo, as primeiras barreiras a serem vencidas foi a aquisição de equipamentos e a realização de cursos técnicos para as marisqueiras em parceria com a Bahia Pesca, SPM e os quilombos do Kaonge e do Dendê. Estes cursos, por sua vez, atacaram outra barreira, que é a de desmistificar a ideia de que o cultivo é algo complicado e difícil de ser realizado. O objetivo conquistado foi que as marisqueiras perceberam que o esforço de trabalho e o tempo que elas terão que dedicar ao cultivo todos os dias é bem menor que aquele que elas despendem na cata das ostras e que, além disso, ainda terão um produto mais valorizado no mercado. Portanto, a troca do atual comportamento para o novo é bastante vantajoso.

Por fim, outra barreira que impactou a mudança de comportamento visada é a de que as marisqueiras não trabalham coletivamente. Apesar de saírem juntas, em grupos, para mariscar a produção e a comercialização é individualizada. A expectativa é que, além dos cursos técnicos, o curso/ treinamento

(17)

17 de gestão que foram realizados em conjunto com Secretaria de Políticas para as Mulheres do Estado da

Bahia as convença de que todas elas saem ganhando quando trabalham coletivamente.

Praça

Nas comunidades de Capanema, Baixão do Guaí e sede de Maragojipe, onde banners, cartazes e informativos da campanha foram expostos e distribuídos nas reuniões, no evento de lançamento da campanha, na igreja, faculdades, escolas e outros locais de grande circulação de pessoas, como o porto de desembarque do marisco e da pesca, mercados, bares e Colônia dos pescadores, ampliando assim o canal do boca-a-boca.

Promoção

Dentre os materiais que foram utilizados na Campanha por Orgulho estão banners, cartazes, outdoors, camisas, bonés, botas de neoprene, adesivos e informativos. O principal público alvo da campanha são as marisqueiras e as mensagens passaram a ideia de que a conservação dos manguezais depende também das ações delas; que trabalhar coletivamente é mais vantajoso e as fortalece; que ser marisqueira e quilombola é motivo de orgulho. Exemplos: “Marisqueira legal respeita o tamanho mínimo. Ostra só de 5 centímetros! ”; “Marisqueira forte marisca junto! ”; “Marisqueira consciente faz rodízio de áreas de mariscagem”, “Fazer rodízio hoje para ter ostra amanhã”.

Através do trabalho de assessoria de imprensa, buscaremos espaço de mídia espontânea em jornais, programas de TV e sites da Bahia. No lançamento da campanha, foi realizado um grande evento que contou com a participação de parceiros como representantes da UFRB, ICMBio, Bahia Pesca e Secretaria de Política para as Mulheres, que ampliará a visibilidade pública da campanha.

Posicionamento

O posicionamento, no caso da ostreicultura, é mostrar que o cultivo é mais simples do que elas imaginam e que demanda menos trabalho e tempo que a mariscagem tradicional de ostras, além de oferecer um produto final mais valorizado no mercado. Já com relação à adoção de novas práticas de comercialização, o posicionamento foi mostrar que as técnicas indicadas pelas instrutoras da SPM não são complicadas, podem ser facilmente incorporadas ao dia a dia de trabalho das marisqueiras e que os resultados serão vistos positivamente pelo restante das comunidades.

Plano de Mobilização da Comunidade

O lançamento da Campanha por Orgulho foi realizado no campo de grama localizado em Capanema, onde armamos uma lona de circo. Para a abertura do evento, foram convidados representantes de parceiros como o ICMBio, a UFRB, a Bahia Pesca, Secretaria de Políticas para as Mulheres e Secretaria de Desenvolvimento Social; foram distribuídos kits promocionais com bonés, camisetas e informativos; foi

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18 dado o ponta pé inicial do cultivo com distribuição dos primeiros travesseiros e colocação das primeiras

sementes de ostras; exposição de artesanato feito com conchas; demonstração de beneficiamento das conchas; e para encerrar, apresentação de grupo de samba de roda do quilombo. Ainda no lançamento, a comunidade foi informada e convidada a participar dos cursos técnicos e de capacitação relacionados ao cultivo, que foram abertos para toda a comunidade, não apenas às famílias contempladas com o cultivo. Após o lançamento, outras atividades de mobilização e reflexão foram realizadas como debates e mostras de vídeo.

e) Reserva Extrativista/ACRES / Estratégia de Pesca

As propostas de estratégias da Campanha por Orgulho foram:

1) Respeito ao tamanho mínimo proposto no Acordo de Gestão; 2) Rotatividade das áreas de mariscagem;

3) Estabelecimento de áreas sem pesca – próximo aos cultivos; 4) Cotas de captura;

5) Cultivo de ostras;

As únicas estratégias que as comunidades adotaram foram: tamanho mínimo de captura e o cultivo de ostras para aliviar a pressão de captura em vida livre. As outras estratégias foram descartadas pelo Conselho Deliberativo, por motivos de abrangência da Campanha que não cobriria todas as comunidades da Resex e por haver divergência ao modo tradicional de captura das ostras e lambretas. Essas abordagens podem voltar as discussões, através destas informações obtidas pela pesquisa de monitoramento, que até o momento ainda não foram concluídas e finalizadas.

Área do Projeto:

A Resex Baía do Iguape está localizada entre os municípios de Cachoeira, Maragogipe e São Felix, no estado da Bahia, Brasil.

Nome/Área: Reserva Extrativista Marinha Baía do Iguape - Área total da RESEX 10.082,45ha.

Anexo 6 - mapa da área do projeto com os limites da RESEX, localização das comunidades e meios de

acesso.

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19 Na nossa reserva, as comunidades e o próprio ICMBio em conjunto com o Conselho Deliberativo, não

aprovaram a proposta de fechamento de uma área para conservação, visto que, na reserva existem 93 comunidades e a Campanha só abrangeriam apenas duas comunidades, impedindo com que as outras comunidades que não eram participantes da Campanha pudessem utilizar essa área.

f) Estratégia de Remoção de Barreiras

JUSTIFICATIVA

As marisqueiras beneficiárias da Campanha por Orgulho e o cultivo de ostras já possuem o conhecimento necessário sobre ostreicultura e gestão do empreendimento, mas a comercialização é uma etapa importante e, muitas vezes, complicada. Por isso, estamos buscando uma parceria com a Prefeitura Municipal de Maragogipe para realizar a primeira comercialização de ostras depuradas, na festa do padroeiro da cidade de Maragogipe, em agosto, com isso, pode dar a oportunidade para que elas possam prospectar clientes, negociar e apresentar os seus produtos. Além disso, a única forma que elas possuem para escoar a produção da ostra e outros mariscos é através do atravessador, que trabalha com preços injustos e desvaloriza a produção, gerando a possibilidade de novos canais para comercialização.

Para ajudar na comercialização e escoamento da produção, as marisqueiras precisam fortalecer também sua associação que está em fase de formalização, precisando registrar toda a documentação necessária para gerir este e outros projetos, ajudar na criação de selos e certificados verdes e conquistar a certificação da vigilância sanitária do Estado da Bahia.

OBJETIVO

Os principais objetivos são:

 Possibilitar a conquista de clientes para a comercialização das primeiras ostras produzidas no cultivo;

 Oportunizar para as marisqueiras a vivência do contato e da negociação com possíveis clientes a fim de garantir uma real autonomia para essas mulheres;

(20)

20  Instalação da depuradora na sede da associação;

 Compra de Balança semi-analítica e reagentes.

 Desenvolver atividade de educação ambiental que envolva a totalidade da população residente nas localidades de Capanema e Baixão.

ATIVIDADES

1. FORMALIZAÇÃO DA ASSOCIAÇÃO:

Levantar a documentação necessária para o registro da associação de marisqueiras e quilombolas, por exemplo, CNPJ, registro das atas e estatuto e realizar formalização da assiciação.

2. TESTES E INSTALAÇÃO DA DEPURADORA:

Realizar testes na depuradora na sede da Faculdade de Engenharia de Pesca da Universidade Federal do Recôncavo (UFRB), em Cruz das Almas, antes da sua instalação na sede provisória ou própria da associação das marisqueiras.

3. AQUISIÇÃO DE BALANÇA E REAGENTES:

A compra da balança será para realizar as biometrias das sementes e ostras cultivadas nas unidades implantadas nas duas comunidades beneficiadas. O álcool será utilizado para fixar alguns exemplares para estudos genéticos.

4. AQUISIÇÃO DE CANOA (FIBRA OU PAU ÚNICO) COM MOTOR DE RABETA:

A compra da canoa é para o trabalho no cultivo, pois identificamos que um barco seria muito grande para manejar entre as bancadas, o motor servirá para agilizar o processo de levar os travesseiros para terra firme para limpeza e também na coleta de sementes.

(21)

21 Envolver, ao longo de duas semanas, atividades educativas específicas voltadas ao público formal (06

escolas, 40 professores e discentes); não formal (5 comunidades religiosas, 2 comunidades esportivas, 2 associações de moradores) e informal (campanha de rádio e/ou carro/moto de som, TV). As atividades visam ampliar aspectos afetivos, cognitivos e comportamentais ligadas ao processo de gestão dos recursos naturais. Trata-se de uma ação integrada que culminará com um dia de culminância, com forte apelo e iniciativa das comunidades envolvidas. A totalidade da campanha de educação ambiental terá duração de 3 semanas, embora o monitoramento subsequente dependerá do acompanhamento contínuo de algumas atividades de pesquisa, especialmente o monitoramento do desembarque e do crescimento de ostras em situação de engorda/cultivo.

Tabela 4) INDICADORES (MEIO DE VERIFICAÇÃO e FREQUÊNCIA)

ATIVIDADE INDICADOR FREQUÊNCIA

Pesquisa diagnóstica de Educação Ambiental com uma amostra da comunidade escolar para verificar a Rede Semântica Natural frente ao estímulo “Ostra” ou “Mariscos” ou “Manguezal”.

- Ficha da Rede Semântica aplicada a 10% da Comunidade Discente Escolar das 06 escolas.

- Atividade a ser realizada (aplicação) ao longo de um único dia, com subsequente análise. Essa atividade pode ser repetida após a Campanha Educativa, de modo a verificar mudanças cognitivas na comunidade discente. Produção de material didático

destinado aos públicos

específicos (formal, não formal e informal); portanto, com linguagem apropriada a cada grupo.

- 02 outdoors ou placas. - 06 banner.

- 250 cartazes, tamanho A4. - 50 brochuras para professores, tamanho A4 (duas folhas internas, frente e verso, mais capa).

- 15 brochuras para lideranças comunitárias, tamanho A4 (duas folhas internas, frente e verso, mais capa).

- 05 programas radiofônicos em formato MP3 (5

minutos/programa)

- Exibição de vídeo e/ou slides com informações da pesquisa.

- Cada outdoor/placa em intervalo de duas semanas. - 01 banner em cada escola, ao longo de três semanas;

- 250 cartazes para divulgação de informações educativas em pontos estratégicos das comunidades;

- 01 brochura para cada professor, com orientações ao desenvolvimento de atividades, ao longo de duas semanas; - 01 brochura para cada liderança comunitária, com orientações ao desenvolvimento de atividades, ao longo de duas semanas;

- Os programas serão divulgados ao longo de duas semanas, em rádios e/ou

(22)

22

carro/moto de som. Slides e vídeos podem ser apresentados durante um dia em cada comunidade envolvida. Dia de Culminância

“Marisqueira com Orgulho”

Evento festivo a ser realizado na comunidade, culminando com a reunião da comunidade e celebração de um novo momento.

- Sugere-se uma campanha em espaço público, aberto, em um dia de movimento na

comunidade. Provavelmente será necessária estrutura de som, com microfone.

Formalização da associação Documentos devidamente

registrado e emitidos pelos órgãos competentes.

Emitir o CNPJ da associação e registrar a ata e o estatuto

Teste e Implantação da Depuradora

Teste de funcionamento do equipamento pela UFRB

O equipamento passará 30 a 40 dias em testes no campus da UFRB para estudos e testes para futura instalação na

comunidade

Balança e Reagentes Um balança e reagentes termo

de doação para universidade

Realização de biometrias das ostras e sementes do cultivo

Canoa e motor Trabalhos nos cultivos O equipamento ajudará nos

afazeres do cultivo

g) Plano de Monitoramento e Avaliação

MONITORAMENTO DA LAMBRETA (Lucina pectinata) e da OSTRA (Crassostrea rhizophorae)

 Início: Maio de 2016 a Junho 2017;

 Pesquisador: Prof. Moacyr Serafim Junior (UFRB)

(23)

23 Gráfico 1) CPUE das lambretas

A CPUE – captura por unidade de esforço da lambreta demonstrou um pico no mês de agosto, entretanto, necessitamos de dados do ano inteiro para analisar a variação sazonal. Os dados finais constaram no relatório do monitoramento biológico.

Gráfico 2) Comprimento das lambretas O comprimento médio de captura da lambreta está em torno de 45-50 mm.

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24 Gráfico 3) Comprimento da Lambreta no Guaí

O comprimento médio de captura da lambreta está em torno de 50 mm, não há um acordo sobre o tamanho mínimo de captura, mas a pesquisa de monitoramento mostrou que, a fase gonadal da lambreta ocorre entre 35 e 45 mm.

Gráfico 4) CPUE das Ostras

A CPUE – captura por unidade de esforço de ostras demonstrou picos nos meses de fevereiro e novembro e baixo valor em abril.

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25 Gráfico 5) Comprimento das ostras em Capanema

O comprimento médio de captura da ostra está em torno de 35-40 mm, portanto, em Capanema as marisqueiras ainda continuam capturando ostras menores que os 50 mm, descumprindo a regra que está no Acordo de Gestão da Resex. Fato esse que poderá mudar assim que o cultivo estiver em pleno funcionamento.

Gráfico 6) Comprimento das ostras no Baixão do Guaí

No Baixão do Guaí, as marisqueiras estão respeitando mais o Acordo de Gestão, pois o gráfico acima mostra que elas vêm capturando as ostras com um comprimento médio em torno de 45-50 mm, ajudando assim as ostras a se reproduzirem. Precisamos adotar outras formas de manejo através de educação ambiental e tentar no futuro, um plano de rodízio das áreas, já que esta proposta de manejo

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26 foi rejeitada como uma opção viável de conservação pelas as comunidades e pelo órgão gestor da

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III.

.Aprendizagem

a) Análise Preliminar dos Resultados

Gráfico 7) Pesquisa CAP - Conhecimento

No gráfico sobre o conhecimento das marisqueiras sobre os benefícios do cultivo vemos que superamos as expectativas do alvo, pois elas sabem hoje que o cultivo é uma realidade e veem os benefícios que o cultivo trás as pessoas que participam ativamente da Campanha. Mas no quesito que se refere ao rodízio, vemos uma queda de mais de 30%, pois o resultado pré-campanha mostra que elas conhecem o que é o rodízio das áreas, mas a questão que levaram elas a “não” realizar o rodízio é porque se tratava do rodízio científico e não o tradicional, que elas praticam e que foi passado pelos seus pais.

0 20 40 60 80 100 Você conhece os benefícios do cultivo familiar de ostras? Você conhece o que é o rodízio de áreas de mariscagem? Voce faz o rodizio?

Como você faz o rodízio?

Porcent

agem

Conhecimento

Conhecimento

Frequência Relativa Pré-campanha Frequência Relativa Pós-Campanha Alvo

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Gráfico 8) pesquisa CAP - Atitude

Nos gráficos de atitude indicam que a frequência relativa pós-campanha sofreram uma redução, em alguns casos, bem significativas. No primeiro gráfico a marcação pré-campanha atingiu 100% dos entrevistados, isso ocorreu porque todos acreditavam que o cultivo é uma boa alternativa, mas por causa da quantidade de pessoas que foram entrevistados pós-campanha que não faziam parte da campanha a marcação pós-campanha recuou. O mesmo aconteceu com a segunda pergunta, mas com a diferença que as pessoas entenderam que o sistema de rodízio não poderia sem implantado nas áreas por causa da abrangência, mas houve sucesso no terceiro conjunto de gráfico, que reflete uma conquista para as marisqueiras, que foi a implantação do sistema de vigilância do cultivo.

0 20 40 60 80 100

Você acredita que o cultivo familiar é uma boa alternativa de renda?

2.1. Você acredita que é possível organizar o sistema

de rodízios entre as marisqueiras de sua

comunidade?

3.1. Você acredita que é possível organizar com a comunidade a vigilância do cultivo para evitar roubos?

3.2 Você acredita que um pesquisador da Universidade pode contribuir com seus

conhecimentos na implantação do cultivo e na organização do rodízio? Porcent agem Atitudes

Atitude

Frequência Relativa Pré-campanha Frequência Relativa Pós-Campanha Alvo

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29 Gráfico 9) Pesquisa CAP – Mudança de Comportamento

Aqui também ocorre o mesmo problema do público entrevistado, que extrapolou a participação da campanha, no primeiro gráfico além de participaram do cultivo, as pessoas que não faziam parte, manifestam o seu desejo de poder fazer parte do projeto futuramente.

Já nos dois próximos gráficos vemos a mudança de comportamento desejada e superada, agora elas trabalham de forma coletiva e fazem a fiscalização das áreas do cultivo.

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b) Análise Preliminar do Plano de Trabalho

Figura 4) Linha do Tempo

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31 Tabela 6) Desenho de Implementação da Campanha ano 2016/2017.

- REMOÇÃO DE BARREIRAS - GESTÃO PESQUEIRA

- ADOÇÃO DE COMPORTAMENTO

A Campanha caminhou desde seu princípio em busca de melhores práticas e complementação de renda para as marisqueiras, trabalhamos fortemente o elemento de sucesso de apoio comunitário com formação de conceitos e princípios da economia solidária, promoção e apropriação coletiva dos meios de produção e suas responsabilidades e benefícios, com utilização de ferramentas administrativas, construção da viabilidade econômica, construção de preço entre outros.

Estamos implementando a partir do mês de maio de 2017 a remoção de barreiras, que impactará diretamente as comunidades no seu total, jovens, mulheres e homens, escolas e igrejas com educação ambiental e quem sabe, até promover uma regra local de rodízio de mariscagem, unindo o conhecimento científico ao tradicional para criar uma adesão maciça das comunidades.

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c) Análise do Impacto e Resultados

APOIO COMUNITÁRIO

O apoio das comunidades à campanha foi conquistado em um processo lento e progressivo que contou com a ajuda de algumas lideranças locais, sobretudo, Elizabete Soares, em Capanema – que mais tarde se afastou devido a problemas pessoais –, e Janete Senna, no Baixão do Guaí.

O primeiro passo foi começar a participar de reuniões realizadas nas comunidades e conhecer as pessoas. Alguns meses depois já tínhamos um pequeno grupo inicial de marisqueiras, que convidou outras marisqueiras para o projeto, chegando ao número de 30 mulheres envolvidas, sendo 15 em cada comunidade.

A elevação da autoestima e a valorização das marisqueiras já são perceptíveis através das mudanças de postura e comportamento delas, agora mais empoderadas e conhecedores dos seus direitos; mais confiantes e seguras, elas se posicionam, defendem suas opiniões e falam em público. Elas passaram a trabalhar e pensar de forma coletiva; o trabalho de vigilância do cultivo, por exemplo, tem sido organizado e realizado por elas sem interferência da coordenação do projeto. A autonomia delas dentro do projeto, incentivada desde o início, já é perceptível através das iniciativas que elas tomam sozinhas e se organizam para realizar como, por exemplo, na construção de novas bancadas e coletores, que elas já fazem sozinhas, e na captura de novas sementes.

Tudo isso mostra o quanto elas estão envolvidas e engajadas na campanha. E além do apoio das 30 mulheres que participam diretamente da campanha e do cultivo, pode-se dizer que a iniciativa possui apoio das comunidades de maneira mais geral. As próprias marisqueiras relatam que outras mulheres as procuram para saber se há vaga para novas participantes. Segundo elas, há uma lista de espera.

Isso também ficou claro durante a realização da última pesquisa qualitativa. Quando perguntávamos a outras marisqueiras das comunidades se elas acreditam que o cultivo de ostra pode gerar renda para as famílias e se elas gostariam de participar caso fossem convidadas, a resposta era “sim”.

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MANEJO DE PESCA

Com a implantação do cultivo, novas práticas de manejo foram introduzidas no dia a dia de trabalho das marisqueiras. Agora, faz parte da rotina delas irem até o cultivo, olhar se há ostras mortas para retirar dos travesseiros, observar os tamanhos das ostras, se já é necessário fazer a limpeza e a troca de travesseiros, visitar os locais onde estão fixados os coletores e ver se já há sementes.

Além disso, o dia da limpeza das ostras do cultivo, que leva um dia inteiro de trabalho - pois é necessário trazer os travesseiros do cultivo até a costa, limpar e separar as ostras, recolocá-las nos travesseiros e levá-los de volta ao cultivo -, é algo novo para elas. A primeira grande limpeza e troca dos travesseiros já foi realizada nas bancadas do cultivo em Capanema e a expectativa e que isso se repita a cada dois ou três meses, a depender do crescimento das ostras. Importante também salientar que a limpeza foi feita e organizada entre as marisqueiras, sem a presença do coordenador.

A visita aos quilombos do Dendê e Kaonge para um dia de vivência do cultivo e de troca de experiências com outras comunidades foi fundamental para que as marisqueiras entendessem a importância de se realizar esta limpeza e aprender como fazer.

Outra mudança de comportamento com relação ao manejo das ostras é que, se antes elas capturavam e vendiam ostras pequenas, agora elas preferem capturá-las e coloca-las no cultivo para que cresçam. Com isso, as marisqueiras passam também a respeitar as regras do Acordo de Gestão da RESEX, que proíbe a comercialização de ostras menores que cinco centímetros.

ACESSO A MERCADOS

A maioria das marisqueiras sobrevive com menos de um salário mínimo por mês. Apesar de a ostra ser um marisco valorizado no mercado, elas não conseguem chegar diretamente ao consumidor final e acabam reféns de atravessadores que pagam muito pouco pelo produto. Ou seja, apesar delas terem grande importância na cadeia de produção de mariscos, são invisibilizadas e exploradas no processo econômico. O cultivo vai permitir que as marisqueiras acessem novos mercados, tornando-as independentes dos atravessadores e valorizando a produção dos mariscos.

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34 Outra mudança de comportamento almejada pela campanha é que as marisqueiras deixem de vender as ostras por quilo e passem a vender a dúzia. Para ter uma ideia, as marisqueiras de Maragogipe vendem um quilo de ostras “desconchadas”, limpas e aferventadas - equivalente a oito dúzias - por R$ 18, enquanto o cultivo do Dendê e Kaonge vende uma dúzia pelo mesmo valor.

Apesar do extenso litoral baiano com águas propícias para o desenvolvimento das ostras nativas ou ostras de mangue, o mercado consumidor local vem sendo abastecido pelos moluscos produzidos em Santa Catarina, estado responsável por 90% das ostras consumida no país. A espécie produzida lá é a Crassostrea gigas, de

origem japonesa, também conhecida como ostra do Pacífico, que prefere águas frias e climas temperados.

Portanto, há mercado local para ostras, ou seja, o empreendimento possui viabilidade econômica, mas ainda há poucos ostreicultores no estado da Bahia.

Além de tudo isso, as marisqueiras já sentiram a necessidade de criação de uma associação para que elas possam gerir o empreendimento e participarem mais ativamente da política da RESEX; a diretoria já foi eleita e a associação está em fase de formalização. Portanto, o empreendimento já está caminhando para a formalização através de uma associação que, futuramente, pode-se tornar uma cooperativa de mariscos.

ÁREA DE CONSERVAÇÃO E REPRODUÇÃO DE ESTOQUES - ACRES

Proposta descartada pelo Conselho Deliberativo e pela gestão da RESEX, devido à abrangência da Campanha, a qual atende apenas duas das 91 comunidades que fazem parte da Reserva. O motivo da não engajamento à esta estratégia de gestão da pesca foi que não seria possível proibir o acesso de pescadores e marisqueiras das outras comunidades que não fazem parte da Campanha. A ideia de rotatividade das áreas de cata das ostras no mangue estará sendo planejadas no decorrer do projeto, tentado compatibilizar o conhecimento ecológico local das marisqueiras e seu saber tradicional com o conhecimento científico promovido pelos pesquisadores da UFRB.

MONITORAMENTO E AVALIAÇÃO

O monitoramento das ostras coletadas nos manguezais de Capanema e Baixão do Guaí comprova qualidade e segurança para o consumo, uma vez que elas estão livres de metais pesados, salmonela e outras bactérias. Este foi o resultado das primeiras pesquisas apresentadas pela equipe de pesquisadores da UFRB responsável pelo

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35 monitoramento da espécie e do meio ambiente. As amostras de água também apresentaram baixa presença de coliformes fecais, com exceção daquela coletada próxima às casas em Capanema, em virtude da falta de esgotamento sanitário adequado.

Além dos resultados parciais da pesquisa, os professores Moacyr Serafim Júnior, Renato Almeida, Norma Barreto e Carla Macedo, detalharam o projeto de monitoramento para as 30 marisqueiras participantes da campanha e do cultivo de ostras, e mostraram como estes estudos poderão colaborar no futuro para a melhoria da gestão da Reserva Baía do Iguape. Esta troca de informações entre pesquisadores e marisqueiras tem se mostrado como uma importante ferramenta de colaboração e construção conjunta do manejo dos mariscos na região da campanha.

Também foi realizado o georeferenciamento das áreas de mariscagem, análise da qualidade da água e saúde do manguezal, avaliação do crescimento e mortalidade das ostras, biomassa e dados biométricos, preço e custos da mariscagem. Para ajudar a equipe da UFRB, duas jovens estudantes filhas de marisqueiras foram selecionadas para trabalharem no projeto como bolsistas de iniciação científica. Monique Lima de Capanema e Idiane Santos de Baixão do Guaí ficaram responsáveis pelo preenchimento dos diários de bordo com informações como quantidade de ostras mariscadas, horários de saída e chegada das marisqueiras, além das medidas de tamanho e peso das ostras.

SISTEMA DE FISCALIZAÇÃO LOCAL

Com o empoderamento e as conquistas que as marisqueiras que participaram da Campanha obtiveram, elas construíram, em conjunto com a Secretaria de Políticas para as Mulheres da Bahia, um plano de fiscalização coletivo das áreas do cultivo. Elas se organizaram em grupos de três pessoas, cada um responsável pela vigilância em um dia da semana para assim, fiscalizarem o empreendimento contra roubos de equipamento e das ostras.

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d) Lições Aprendidas e Melhores Práticas

Estratégias de adoção de comportamento

Conceitualizar

- Trabalhar coletivamente, implantação do cultivo de ostras (pró) - Não ter os equipamentos (contra);

Planejar

- Planejamento participativo em conjunto com as comunidades mais as parcerias (pró); - Buscar recursos, escolha das famílias (contra);

Implementar e Monitorar

- Captação de recursos extras, compra de equipamentos, implantação das bancadas, identificar as áreas para o cultivo (pró);

- Roubos de equipamentos e ostras do cultivo (contra);

Analisar, utilizar e adaptar

- Capacitação com os princípios da economia solidária, promoção e apropriação coletiva dos meios de produção (prós);

- Comercialização (contra);

Documentar e compartilhar

- Em fase de construção;

- Aquisição do terreno e construção da sede (contra); Metas - Implantar o cultivo nas duas comunidades

Resultados Alcançados

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Reserva/ ACRES /Estratégia de pesca

Conceitualizar

- Tamanho mínimo de captura de 5cm aprovada pelo Conselho Deliberativo da Resex (Pró) - Fiscalização inexistente (contra)

Planejar

- Reuniões com o Conselho e com as comunidades com a ajuda dos pesquisadores da UFRB (pró) - Logística para as reuniões, e a não adesão as regras do acordo de gestão (contra)

Implementar e Monitorar

- Monitoramento biológico nas áreas da Campanha e na área controle, Ostras maiores que 5 cm no cultivo; (pró);

- Ainda continuam a mariscar ostras em vida livre (contra);

Analisar, utilizar e adaptar

- Selecionar as ostras maiores que 5 cm no cultivo (pró); - Falta da estrutura de beneficiamento das ostras (Contra);

Documentar e Compartilhar

- Aguardando a publicação do Acordo de Gestão (pró); - Tempo (contra);

Metas

- Que as marisqueiras respeitem o tamanho mínimo de captura de 5cm;

Resultados alcançados

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Estratégias de Remoção de Barreiras Conceitualizar

- Prospectar clientes, Registro da Associação, desenvolver atividades de educação ambiental (Prós); - Atraso na implementação da RB (Contra);

Planejar

- Em planejamento e organização do plano (Pró); - Tempo (Contra);

Implementar e Monitorar

- Sem Implementação (Contra)

Analisar, utilizar e adaptar

- Sem Implementação (Contra)

Documentar e Compartilhar

- Plano de remoção de barreiras em elaboração (Pró); - Tempo (Contra);

Metas

- Oportunizar para as marisqueiras a vivência do contato e da negociação com possíveis clientes a fim de garantir uma real autonomia para essas mulheres;

- Desenvolver atividade de educação ambiental que envolva a totalidade da população residente nas localidades de Capanema e Baixão;

Monitoramento e Avaliação Conceitualizar

- Monitorar as espécies alvo da Campanha e mais outras espécies da região; - Certificação da qualidade dos mariscos (prós).

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Planejar

- Inserção do conhecimento tradicional ao cientifico;

- Abordagem e devoluções simples para as comunidades (prós) - Abrangência reduzida (contra);

Implementar e monitorar

- Coleta de dados biológico;

- Coleta de dados de desembarque; - Salinidade + Reprodução + DNA (prós)

- As informações coletadas dos desembarques, realizado pelas monitoras são maiores em uma comunidade do que na outra (contra)

Analisar, utilizar e adaptar

- Fazer a devolutiva final das atividades do monitoramento (em andamento) (Pró);

Documentar e Compartilhar

- Resistência as alternativas sugeridas pelos pesquisadores de manejo pelas comunidades e gestão da resex (Contra)

e) História de Sucesso

1. A elevação da autoestima e a valorização das marisqueiras já são perceptíveis através das mudanças de postura e comportamento delas, agora mais empoderadas, orgulhosas e conhecedores dos seus direitos; mais confiantes e seguras, elas se posicionam, defendem suas opiniões e falam em público;

2. A autonomia delas dentro do projeto, incentivada desde o início, já é perceptível através das iniciativas que elas tomam sozinhas e se organizam para realizar como, por exemplo, na construção de novas bancadas e coletores, que elas já fazem sozinhas;

3. As marisqueiras passaram a trabalhar e pensar de forma mais coletiva; elas já costumavam ir para o mangue em grupos, mas a comercialização sempre foi individualizada; agora, com o cultivo, todas as tarefas são coletivas, incluindo a limpeza, a vigilância e a comercialização;

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40 4. O trabalho de vigilância do cultivo, que foi organizado pelas próprias marisqueiras, vem sendo realizado com êxito e dado resultado;

5. O cultivo está implantado e já é uma realidade; o empreendimento está crescendo e já conta com 11 bancadas e 80 travesseiros, cada um com mais ou menos 65 ostras, totalizando cerca de 443 dúzias de ostras, algumas já em tamanho ideal de comercialização;

6. Os coletores de ostras estão dando resultado em Capanema e já produziram mais de 2000 sementes, o que garante a autossustentabilidade do cultivo, uma vez que a compra de sementes produzidas em laboratório inviabilizaria o empreendimento;

7. Agora, ao invés delas capturarem ostras pequenas para venderem, elas as colocam no cultivo e aguardam os moluscos crescerem, respeitando o Acordo de Gestão da RESEX que proíbe a comercialização de ostras menores que cinco centímetros;

8. Resultados do monitoramento já indicam o aumento da disseminação de sementes de ostras no ambiente, confirmam a eficácia do rodízio de áreas de mariscagem feito empiricamente pelas marisqueiras e comprovam a qualidade da água e das ostras do cultivo, que estão livres de metais pesados, coliformes fecais e bactérias;

9. As marisqueiras já compreendem que precisam deixar de vender as ostras desconchadas a quilo e passar a vendê-las a dúzia, como no cultivo do Kaonge e Dendê, para valorizarem a produção;

10. Os equipamentos necessários para implantação do cultivo já foram adquiridos, incluindo uma depuradora – uma das mais modernas do mercado no valor de R$ 18.000,00 -, travesseiros, freezers, caixas térmicas, botas de neoprene, dentre outros;

11. As marisqueiras já sentiram a necessidade de criação de uma associação para que elas possam gerir o empreendimento e participarem mais ativamente da política da RESEX; a diretoria já foi eleita e a associação está em fase de formalização.

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Perspectivas e Próximos Passos

1. Elaborar plano de negócio e captar clientes para escoar a produção do cultivo e concluir o ciclo de produção,

gerando renda para as marisqueiras;

2. Compra de terreno e construção da sede da associação que também funcionará como sede do empreendimento e local de trabalho das ostreicultoras, inclusive, para guardar os equipamentos adquiridos;

3. Aquisição de um automóvel para realizar a entrega dos produtos.

f) Aprendizados Pessoais

Eu acredito que com pequenas mudanças em nossa comunidade, podemos alcançar grandes resultados, agindo localmente e pensando globalmente. E os principais protagonistas dessa mudança foram as marisqueiras, ou seja, pessoas que vivem e trabalham dentro da reserva. O meu trabalho foi organizar e mobilizar essas pessoas e, para conseguir isso, busquei construir uma relação de confiança e respeito com as pessoas e as comunidades envolvidas.

Hoje eu posso dizer que fomos mais longe e criamos uma relação de amizade, e isso tem sido fundamental para nos manter motivados no trabalho e alcançar nossos objetivos. Portanto, creio que o primeiro passo no meu trabalho para a conservação da natureza foi criar laços com as pessoas e entre elas. Hoje temos um grupo mais unido e vigilante no qual as pessoas cobram umas as outras, mas também se apoiam mutuamente.

Coordenar a campanha me permitiu aprimorar a capacidade de liderança, de influenciar pessoas, de solucionar conflitos, de transformar um grupo de pessoas numa equipe trabalhando por um objetivo comum. Acredito que todo o processo foi um aprendizado para mim e todos os envolvidos, sobretudo, pela forma como as atividades e trabalhos foram conduzidos. Desde o início, buscamos ser transparentes, valorizar a participação de todos e todas, ouvir uns aos outros, respeitar as diferenças, e assim, criar um ambiente democrático e acolhedor.

Outro grande aprendizado foi buscar parcerias e captar recursos para a campanha. Visitar instituições e órgãos do governo, apresentar o projeto e convencê-los a colaborar foi um desafio novo na minha vida profissional. A

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42 parceria entre as instituições envolvidas na campanha, assim como a vontade e o comprometimento dos técnicos que estiveram à frente, também foi fundamental para o êxito do trabalho.

Posso dizer que coordenar a Campanha por Orgulho na Reserva Extrativista Marinha Baía do Iguape foi o trabalho mais motivador que eu já tive e isso me faz querer continuar atuando em projetos socioambientais e trabalhando com comunidades, buscando preservar o meio ambiente e melhorar a vida das pessoas, pois acredito que essas duas coisas precisam andar lado a lado. Para preservar o meio ambiente e garantir a vida no planeta é preciso, antes, acabar com a pobreza e dar dignidade às populações.

g) Recomendações

i) Recrutamento

 Dialogar mais com as esferas municipais e estaduais; ii) Métodos e Plano de Pesquisa (social e biológica)

 Integrar a pesquisa biológica com as atividades da Campanha;  Promover devolutivas mais simples e mais frequentes;  Adequar o tempo e o conhecimento tradicional ao científico. iii) Treinamentos (fases universitárias, oficinas, outros)

 Organizar o tempo fora das áreas para poder se mais produtivo e menos estressante; iv) Acompanhamento (mentoria e visitas de acompanhamento)

 Promover mentorias com mais frequência; v) Implementação da Campanha

 Aplicar a implementação da Campanha depois do início do monitoramento biológico vi) Gestão e Operações

 Adequar os relatórios para que sejam mais simples e menos repetitivo; vii) Outros

 Promover mais interações de intercâmbio para os futuros coordenadores.

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43 - Elaborar plano de vendas para escoar a produção do cultivo e concluir o ciclo de produção, gerando renda para as marisqueiras;

- Estruturação física da sede da associação para guardar os equipamentos adquiridos, bem como para o beneficiamento da produção;

- Reuniões periódicas para elaboração de propostas para projetos futuros e busca de financiamento para a continuidade;

- Discursões para transformar a associação em cooperativa.

Tabela 7) metas, objetivos, atividades, métodos e indicadores

META

OBJETIVO

ATIVIDADE

MÉTODO

INDICADORES

Elaborar plano de vendas Escoar a produção do cultivo Ação de venda na festa de agosto em Maragogipe Construção e execução participativa Vendas com sucesso Estruturação física da sede da associação - Guarda os equipamentos; - Beneficiamento dos mariscos. - Proteção dos equipamentos; - Limpeza das ostras. Construção e execução participativa - Sede alugada ou comprada com recursos extras Reuniões periódicas - Elaboração de projetos; - Devolutivas das atividades finais da campanha. - Café Social; - Rodada de discussões. Construção e execução participativa - Mais projetos aprovados e em execução. Apresentar o que é uma Cooperativa Gestão do empreendimento do cultivo Palestra com parceiros (SPM e Bahia Pesca) Construção e execução participativa As marisqueiras conhecerão a diferença entre uma associação e uma cooperativa

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V.

Anexos

Anexo 1. Linha do tempo da campanha em fotos

Apresentação da Campanha – Engajamento das lideranças

Workshop Rare

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Escolha das famílias

Primeiro CAP

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46 Primeira fase universitária

Primeira visita da Rare nas comunidades

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47 1ª visita do Bahia Pesca nas comunidades e construção dos primeiros coletores

1ª visita da UFRB nas comunidades

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48 Início dos Cursos da Secretaria de políticas para as Mulheres da Bahia – SPM

2ª Fase Universitária

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49 Lançamento da Campanha por Orgulho

Construção das bancadas do cultivo de ostras nas comunidades.

Início do Monitoramento Biológico

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50 Mapeamento Comunitário

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51 Oficina de meio termo Brasília

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52 Entrega dos Certificados e conclusão da capacitação da SPM.

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Anexo 2. Fotografias de todos os Materiais da Campanha

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54 Banners

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55 Boné Boné Legionário

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56 Camisas da Campanha

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57 Informativo

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