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Processo de abertura comercial: um estudo sobre Brasil e Chile

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Academic year: 2021

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UNIVERSIDADE DO SUL DE SANTA CATARINA AMANDA WILLA JUNCKES

PROCESSO DE ABERTURA COMERCIAL: UM ESTUDO SOBRE BRASIL E CHILE

Florianópolis 2018

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AMANDA WILLA JUNCKES

PROCESSO DE ABERTURA COMERCIAL: UM ESTUDO SOBRE BRASIL E CHILE

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Relações Internacionais da Universidade do Sul de Santa Catarina como requisito parcial à obtenção do título de bacharel em Relações Internacionais.

Orientadora: Profª Kátia Regina de Macedo, Msc.

Florianópolis 2018

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AMANDA WILLA JUNCKES

PROCESSO DE ABERTURA COMERCIAL: UM ESTUDO SOBRE BRASIL E CHILE

Este Trabalho de Conclusão de Curso foi julgado adequado à obtenção do título de bacharel em Relações Internacionais e aprovado em sua forma final pelo Curso de Relações Internacionais da Universidade do Sul de Santa Catarina.

Florianópolis, 28 de novembro de 2018.

______________________________________________________ Professora e orientadora Kátia Regina de Macedo, Msc.

Universidade do Sul de Santa Catarina

______________________________________________________ Professor Ricardo Neumann, Dr.

Universidade do Sul de Santa Catarina

______________________________________________________ Professor Vicente de Paulo Nicolau, Dr.

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Dedico este trabalho aos meus pais, pois sem eles nada disso seria possível. Obrigada por todo amor e confiança depositados em mim, amo vocês.

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AGRADECIMENTOS

Gostaria primeiramente de agradecer meus pais, Delene e Tarcisio, por esta oportunidade maravilhosa de cursar Relações Internacionais, pelo incentivo e por todo amor, carinho e paciência durante esta jornada. Sem eles, nada disso seria possível, e serei eternamente grata por toda confiança depositada em mim.

Também estendo meus agradecimentos a Raphael, Agatha e Giulia, que me acompanharam durante essa jornada, sempre ao meu lado nos momentos bons e ruins. Obrigada por tudo, sem o apoio de vocês eu não teria conseguido.

Por último, gostaria de agradecer a todos os mestres do curso que me acompanharam nos últimos quatro anos e, em especial, minha Orientadora Kátia Regina de Macedo, pela confiança e por todo amor e carinho que teve comigo durante este difícil processo. Obrigada por não desistir de mim e por ter me incentivado tanto nesse período.

Por fim, a todos os demais amigos e familiares que estiveram do meu lado nesse momento e que contribuíram para a execução deste trabalho, meu muito obrigada!

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―Ser feliz não é ter uma vida perfeita, mas usar as lágrimas para irrigar a tolerância. Usar as perdas para refinar a paciência. Usar as falhas para esculpir a serenidade. Usar a dor para lapidar o prazer. Usar os obstáculos para abrir as janelas da inteligência.‖ (Augusto Cury).

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RESUMO

A presente monografia tem como objetivo identificar e evidenciar como se deram os processos de abertura comercial do Brasil e do Chile, e quais foram os impactos sobre seus dados socioeconômicos. A análise neste trabalho não se limita a uma abordagem dedicada exclusivamente a um campo de estudo e busca apresentar uma análise diversificada e multidisciplinar, quer seja por uma linha econômica, política ou social. A partir de uma análise elaborada por uma metodologia mista, tanto qualitativa como quantitativa, com forte representação bibliográfica e de dados analíticos, foram encontrados os resultados que apresentam os maiores benefícios dos processos de abertura comercial tanto do Brasil como do Chile, e suas principais comparações.

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ABSTRACT

The objective of this monography is to show and identify how the commercial openings of Brazil and Chile have occurred and what their impacts on their socioeconomical environment. The analysis in this work is not limited to an approach dedicated exclusively to a field of study and seeks to present a diversified and multidisciplinary analysis, whether by an economic, political or social line. The results are presented trough a vast analysis elaborated from a mixed methodology, based on qualitative and quantitative data, with a strong analytical and bibliographic background, and show the benefits from the commercial opening of Brazil and Chile and its comparison.

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LISTA DE GRÁFICOS

Gráfico 1 – Variação entre as importações e exportações entre 1990 e 1998 em

bilhões de US$. ... 52

Gráfico 2 – Variação das importações por setor. ... 54

Gráfico 3 – Variação nos índices de exportação entre 1990 – 1998. ... 55

Gráfico 4 - Índice de abertura econômica do Brasil (1990-2000). ... 56

Gráfico 5 - Investimento Externo Direto no Brasil (%PIB) (41990-1999). ... 59

Gráfico 6 - índice de Desenvolvimento Humano no Brasil (1975-2000) ... 62

Gráfico 7 - índice de Globalização Social (1990-2000). ... 63

Gráfico 8 - Variação entre as importações e exportações do Chile (1973-1989) (bilhões US$). ... 69

Gráfico 9 - Variação das exportações por setor. ... 70

Gráfico 10 - Variação das importações por setor. ... 72

Gráfico 11 - índice de abertura econômica do Chile (1973-1988). ... 72

Gráfico 12 - Investimento externo direto – Chile (1975-1988) (%PIB). ... 77

Gráfico 13 - índice de GINI (renda per capita)... 79

Gráfico 14- Índice de Globalização Social do Chile (1973-1988). ... 80

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LISTA DE TABELAS

Tabela 1 – Volume das importações entre 1990-1998 (em milhões de US$). ... 52

Tabela 2 – Volume de exportações entre 1990-1998 (em milhões de US$). ... 54

Tabela 3 –Taxa de Câmbio brasileira em relação ao dólar americano. ... 57

Tabela 4 – PIB do Brasil durante a década de 1990. ... 58

Tabela 5 – Inflação do Brasil entre 1990 – 2000 (IGP-DI). ... 58

Tabela 6 – Dívida pública do Brasil entre 1991 e 2000 (por % do PIB). ... 60

Tabela 7 – Índice de pessoas desocupadas entre 1992 e 1998. ... 61

Tabela 8 – Índice de Gini no Brasil (1990 – 1999). ... 61

Tabela 9 – índice das exportações chilenas 1973 – 1989 (em milhões de pesos).... 69

Tabela 10 - Índice das importações chilenas entre 1973 - 1989 (em milhões de pesos) ... 71

Tabela 11 – Variação da taxa chilena de câmbio. ... 73

Tabela 12 – Produto Interno Bruto do Chile (1973-1989). ... 74

Tabela 13 – Inflação no Chile (1973–1989). ... 75

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SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ... 12

1.1 EXPOSIÇÃO DO TEMA E PROBLEMA ... 12

1.2 OBJETIVOS ... 14

1.2.1 Objetivo Geral ... 14

1.2.2 Objetivos Específicos ... 15

1.3 JUSTIFICATIVA E RELEVÂNCIA DO TEMA ... 15

1.4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS ... 16

2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ... 18

2.1 SOBRE A GLOBALIZAÇÃO E SUA INFLUÊNCIA ... 18

2.1.2 Sobre a globalização e suas abordagens ... 20

2.1.2.1 Sobre o Realismo e a Globalização ... 20

2.1.2.2 Sobre o Liberalismo e a Globalização ... 21

2.2 SOBRE O COMÉRCIO EXTERIOR E COMÉRCIO INTERNACIONAL ... 22

2.2.1 Sobre o Protecionismo ... 24

2.2.2 Sobre as Tarifas, Barreiras Comerciais e seus tipos ... 26

2.2.3 Sobre os Investimentos Externos e a Abertura Comercial ... 30

2.3 SOBRE AS ORGANIZAÇÕES INTERNACIONAIS ... 34

2.3.1 Sobre a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) ... 34

2.3.2 Sobre a Organização Mundial do Comércio (OMC) ... 35

2.3.3 Sobre a Câmara de Comércio Brasil Chile (CAMCHILE) ... 36

2.3.4 Sobre o Mercado Comum do Sul e as participações do Brasil e Chile ... 37

3 SOBRE A ABORDAGEM DO CONTEXTO SOCIOECONÔMICO BRASILEIRO NO PERÍODO ANTERIOR A SUA ABERTURA COMERCIAL ... 40

3.1 SOBRE O BRASIL NO PERÍODO ANTORIOR A ABERTURA COMERCIAL BRASILEIRA ... 41

3.2 A ABERTURA COMERCIAL BRASILEIRA E SEUS DESDOBRAMENTOS ... 44

3.2.1 Sobre uma Mudança de Rumo Brasileira (1987 – 1998) ... 45

3.3 SOBRE O CONTEXTO DA MUDANÇA ... 46

3.4 SOBRE OS ÍNDICES E TRANSFORMAÇÕES DA ABERTURA COMERCIAL .. 50

3.4.1 Sobre a Balança comercial ... 51

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3.4.3 Sobre os indicadores sociais ... 60

4 SOBRE A ABERTURA COMERCIAL CHILENA ... 65

4.1 O CONTEXTO E A ABERTURA COMERCIAL CHILENA ... 65

4.2 SOBRE OS ÍNDICES DA ABERTURA COMERCIAL CHILENA ... 68

4.2.1 A Balança Comercial Chilena 1970 - 1989 ... 68

4.2.2 Sobre os Índices Macroeconômicos ... 73

4.2.3 Sobre os Indicadores Sociais ... 78

5 CONCLUSÃO ... 82

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1 INTRODUÇÃO

Este capítulo apresentará o tema desta monografia, assim como a pergunta de pesquisa, a qual possui a função de definir qual direção o trabalho irá tomar. Além disto, também serão expostos os objetivos a serem alcançados por esta pesquisa. Após, apresenta-se a justificativa para a escolha do tema, assim como os procedimentos metodológicos utilizados para a construção deste trabalho.

1.1 EXPOSIÇÃO DO TEMA E PROBLEMA

Os processos de abertura comercial podem ser observados e sentidos por toda a sociedade na maior parte dos países. Cada um desses processos, utilizou diferentes ferramentas, passou por diferentes desafios, conquistou ou perdeu mercados e melhorou ou deteriorou os índices socioeconômicos de cada um dos países que se abriu comercialmente. Contudo, um elemento que se apresenta como comum a todos os processos de abertura comercial, é o fenômeno da globalização. Por meio da evolução dos processos comerciais, políticos e tecnológicos, a globalização acabou por criar o estreitamento das relações entre os países. Assim, por muitas vezes, um fenômeno existente em alguma parte do globo, pode acabar alterando de forma profunda alguma outra variável em outra parte do globo, seja em escala política, econômica ou social (ZURN, 2002).

Com isso, segundo Rushford (2005), os processos de abertura comercial dos Estados acabaram por representar importantes momentos históricos nacionais para cada um deles, geralmente de maneira positiva, trazendo aumento no número de empregos, na qualidade de vida e na percepção de conforto e bem-estar. Porém, não deixaram de representar importantes fatores de alinhamento político e econômico com outros membros do Sistema Internacional. Sendo assim, pode-se observar os processos de abertura comercial não só como vetores econômicos que apontam para a globalização, mas também, como importantes ferramentas políticas que alteraram as condições socioeconômicas de praticamente toda a sociedade civil global.

Segundo López e Muñoz (2015), o processo de abertura comercial chileno está profundamente ligado aos fundamentos do liberalismo, dos quais foram formados os grandes pilares do novo posicionamento comercial do Chile, desde a

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década de 1970. Sendo assim, o Chile, por meio de relações comerciais multilaterais, tem boa parte de sua economia condicionada às suas relações com outros países. Foi a abertura comercial liberal que propiciou ao Chile a oportunidade de viver uma das etapas de crescimento econômico mais rápido da história do país. Segundo os mesmos autores, ainda restam problemas a serem resolvidos pelo Chile, como a desigualdade social, índices de educação e a diversificação de suas indústrias. Contudo, o processo de abertura comercial chileno merece destaque, pois foi um dos primeiros a ser colocado em prática, quando comparado com os outros países da região. Após o golpe militar de 1973, encabeçado por Augusto Pinochet, o Chile começou a transformação de sua economia nacional que, até então, como no resto da América do Sul, adotava uma postura de substituição das importações e altas barreiras tarifárias. A substituição das importações, segundo Fonseca (2003), é a simples ideia de substituir produtos que antes eram importados por uma produção nacional, a fim de ajudar o desenvolvimento de indústrias nacionais e se desvencilhar da dependência produtiva externa.

Contudo, ao fim da ditadura militar no Chile, foi quando o país finalmente conseguiu adquirir uma liberalização mais plena, não só no que diz respeito a economia, mas também no que diz respeito às liberdades individuais. Segundo Crouch (2011), foi nesse período que houve uma maior liberalização aduaneira e também um grande processo de privatização de importantes ativos estatais chilenos. Foi ainda, durante esse período, que o Chile começou a participar ativamente no Acordo Geral de Tarifas e Comércio e, posteriormente, se tornou membro fundador da Organização Mundial do Comércio.

Já para o Brasil, o processo de abertura comercial começou, de fato, no início da década de 1990 – pouco antes do início do governo Collor, e foi continuado pelo governo de Fernando Henrique Cardoso. Segundo Moreira (2001), esse período representou a ruptura de um modelo protecionista tarifário, que advinha de um modelo de industrialização que se baseava, assim como no Chile, na substituição das importações e de altas tarifas. O autor ainda coloca que esse período foi importantíssimo na história brasileira. A abertura comercial brasileira – novamente como no Chile – foi acompanhada da privatização de grandes empresas estatais. Nesse caso, uma privatização sem precedentes na história totalizando US$105,9 bilhões até o fim do seu processo.

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No Brasil, o processo de abertura econômica não soa de forma unânime nem na academia, nem no governo e, tampouco, na sociedade civil. A privatização de empresas estatais e uma maior abertura econômica, é visto por muitos como um processo de autoliquidação das riquezas brasileiras para países mais desenvolvidos. Porém, para Moreira (2001), sem as medidas que foram tomadas pelo governo durante o período de abertura comercial, dificilmente a indústria brasileira teria se desenvolvido ao ponto que se encontra hoje. O mesmo vale para a quantidade de produtos importados, que vão desde bens de consumo até alimentos, que alteram a qualidade de vida da sociedade brasileira como um todo. Ainda, deve-se salientar que o processo de abertura econômica do Brasil foi importantíssimo para o sucesso do Plano Real (FREEMAN; SOETE, 2008).

Contudo, houve grandes perdas devido ao modo como se deu o processo de abertura comercial, como falências de empresas nacionais, grandes aquisições de empresas brasileiras por parte de empresas estrangeiras e, durante alguns períodos, queda nos índices de emprego. Porém, os ganhos também foram significativos e a balança entre ambos se mostra positiva. Tanto as perdas como os ganhos econômicos, não só para os brasileiros, como também para os chilenos, serão abordados no decorrer desta obra, trazendo ao leitor uma imparcial e fiel abordagem, além de uma profunda análise das principais obras acerca do tema. O intuito é de apresentar, atualizar e, até mesmo, conscientizar o leitor não só sobre os processos de abertura comercial, mas também sobre as consequências socioeconômicas derivativas desses processos.

A partir do exposto, formula-se a seguinte pergunta de pesquisa: como se

desenvolveram os processos de abertura comercial no Brasil e no Chile, a partir da década de 1990 e 1970, respectivamente?

1.2 OBJETIVOS

1.2.1 Objetivo Geral

Estudar o processo de abertura comercial no Brasil e no Chile e a evolução dos indicadores socioeconômicos de ambos os países.

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1.2.2 Objetivos Específicos

Para alcançar o objetivo geral, é necessário delinear alguns objetivos específicos:

 Apresentar o contexto histórico e socioeconômico do Brasil e do Chile no período de pré-abertura comercial de ambos os países;

 Descrever o processo de abertura comercial brasileira e chilena;

 Apresentar a evolução dos indicadores socioeconômicos do Brasil e do Chile após os processos de abertura econômica.

1.3 JUSTIFICATIVA E RELEVÂNCIA DO TEMA

A globalização transformou o modo como a sociedade internacional se relacionava. A interdependência política, social e econômica atenuou-se de maneira a alterar a vivência da maior parte da população terrestre. Com isso, os Estados, empresas, organizações e indivíduos tiveram de se adaptar à globalização para continuarem o fluxo do seu desenvolvimento. Um processo de abertura comercial trata-se justamente de um processo de adaptação do Estado à globalização (GENNARI, 2002). Esse processo costuma englobar diversos fatores e assume sempre um alto nível de complexidade. Com isso, esse trabalho justifica-se sob a perspectiva da autora, pelo fato de que, após a escrita do mesmo, foi possível compreender a importância e relevância do processo de abertura comercial do Brasil e do Chile, e, por consequência, entender os desdobramentos sociais e culturais que advieram dessa etapa.

Para a área das Relações Internacionais, este trabalho também se justifica, pois evidenciará o comportamento dos Estados durante seus processos de abertura comercial e a maneira pela qual buscaram cumprir seu interesse nacional. Ainda sobre a contribuição desta obra para o campo, é importante salientar que todos os Estados buscam cumprir seus objetivos, mas cada um o faz de maneira diferente, sendo que, muitas vezes, os mesmos podem assumir características subversivas ou até mesmo submissas. Então, caberá também para esta obra, evidenciar para o campo das Relações Internacionais quais foram as principais atitudes tomadas, principalmente por Brasil e Chile, frente aos seus oponentes ou aliados durante seus respectivos processos de abertura comercial.

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Já para a sociedade civil, esse trabalho novamente se justifica, pois, em diversos momentos, será possível compreender de que maneira os processos de abertura comercial alteraram e ainda podem alterar a vida de todos os indivíduos que compõe a sociedade. Essa alteração, seja por meio da qualidade de novos produtos importados, pela geração de empregos ou pelas mudanças culturais trazidas por uma sociedade globalizada será abordada em momento posterior neste trabalho e trará à sociedade civil uma melhor percepção socioeconômica do seu modo de vida atual.

1.4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

Para o desenvolvimento desta pesquisa, foram utilizados os procedimentos metodológicos descritos na sequência.

A seguinte pesquisa pode ser considerada como pesquisa aplicada, que é definida como uma pesquisa em que conhecimentos previamente adquiridos são utilizados para coletar, selecionar e processar fatos e dados, afim de se obter e confirmar resultados, e se gerar impacto (FLEURY; WERLANG, 2017, p. 2).

A natureza da pesquisa se confere como qualitativa, pois está ligada ao levantamento de dados (GIL, 2008), e também se qualifica como descritiva, pois tem como objetivo conhecer e interpretar a realidade, sem qualquer tipo de interação no intuito de modificá-la (CHURCHILL, 1987). Pode-se afirmar que a pesquisa também é bibliográfica, visto que é elaborada a partir do levantamento de referências teóricas já analisadas e publicadas, tanto em forma física como digital. (FONSECA, 2002). (GIL, 2008) afirma que a pesquisa de caráter bilbliográfico documental é constituída por artigos científicos, livros e documentos disponíveis sobre o assunto, assim como a pesquisa realizada.

A presente monografia tem como tema principal a abertura comercial no Brasil e no Chile, e seus consequentes impactos, positivos ou negativos, no âmbito socioeconômico.

Para se concretizar o objetivo maior deste trabalho de conclusão de curso, pretende-se fracionar o conteúdo a ser dissertado em três capítulos – além da fundamentação teórica, capítulo disposto logo após a introdução.

O primeiro capítulo tem como foco fazer um breve delineamento acerca do Brasil e seu histórico comercial e econômico, além de mostrar o contexto de sua

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abertura comercial e as transformações nos índices socioeconômicos que foram consquencia da mesma.

O segundo capítulo, tem o mesmo intuito do primeiro, mas focando no Chile e seu processo de abertura comercial.

Por fim, o ultimo capítulo e a última seção está reservada para a conclusão, que tem como o objetivo de apresentar uma última análise dos dados de cada país e o desfecho do assunto discutido ao longo do desenvolvimento.

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2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

Para que se desenvolva um trabalho que represente – de fato – um acréscimo à comunidade acadêmica, deve-se, em primeira instância, apresentar e detalhar ao leitor interessado, os conceitos fundamentais que servem de base para a construção e a justificação dos elementos que serão constituídos ao decorrer desta obra. Desta forma, uma fundamentação teórica deve seguir o rigor do mais alto nível acadêmico, para que o cerne, de todos os conceitos que serão abordados e construídos, seja rigoroso no que diz respeito a sua qualidade e veracidade junto ao método científico. No decorrer deste capítulo, são abordados temas – em sua maior parte teorias estruturais – que trazem o conhecimento necessário para que o leitor, quer seja do meio acadêmico ou membro da sociedade civil, seja capaz de percorrer cada etapa desta obra com o conhecimento necessário para entendê-la dentro de sua magnitude conceitual. Dessa forma, se propõe realizar uma escrita que siga a genialidade colocada em linhas por Arthur Schopenhauer, em sua obra ‗Parerga e Paralipomena‘, publicada em 1851. Essa realização, se deve, principalmente, ao fato desse capítulo abordar assuntos relacionados às Relações Internacionais e ao Comércio Internacional, que podem fugir, tanto do alcance, como do interesse de alguns leitores, fazendo com que se perca o propósito do trabalho e, até mesmo, o real entendimento desta obra.

[...] deve-se evitar toda prolixidade e todo entrelaçamento de observações que não valem o esforço da leitura. É preciso ser econômico com o tempo, a dedicação e a paciência do leitor, de modo a receber dele o crédito de considerar o que foi escrito digno de uma leitura atenta e capaz de recompensar o esforço (SCHOPENHAUER, 2009, p. 93).

Sendo assim, realizar-se-á a fundamentação teórica dividida em 13 tópicos e subtópicos, para orientar e embasar o leitor ao pleno entendimento deste trabalho.

2.1 SOBRE A GLOBALIZAÇÃO E SUA INFLUÊNCIA

Praticar a análise sobre um tema, colocando-se em uma conjuntura pós-moderna, que é principalmente aceita por filósofos e sociólogos, mas ainda pouco disseminada entre a academia em geral, torna-se mais simples pelo fato de se

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conseguir abordar um fenômeno como um todo, desde o seu início histórico até a sua influencia atual. Steger (2017) apresenta em sua ilustre obra Globalization: A

Very Short Introduction, os principais conceitos apanhados do estudo da

globalização até o presente momento. O autor percorre o livro demonstrando os conceitos de globalização mais bem aceitos na academia até então, de forma a explorá-los sob uma perspectiva de ‘outsider’, que vai de encontro ao ambiente de análise pós-moderno. O autor coloca que a globalização, hoje, é um poder transformativo que alcançou – profundamente – todos os aspectos da vida social contemporânea. Kraidy Marwan, em sua obra Hybridy, or the Logic of Globalization, publicada em 2005, conecta suas ideias com Steger (2017), apoiando o conceito de que a globalização representa uma grande interdependência cultural e econômica global, que alterou o modo de vida em praticamente todos os espaços sociais em nosso planeta. Marwan (2005) ainda complementa, colocando que os próprios meios de comunicação sofreram drásticas alterações no decorrer das últimas décadas, principalmente a favor das nações mais desenvolvidas no Sistema Internacional. Hoje, além da interdependência política, social e econômica, a globalização alterou a forma com que os Estados se comunicam, proporcionando um aumento, ainda mais expressivo, nas relações entre os países. Dentro de um pretexto econômico e comercial, Wrigley e Coe (2017) afirmam que a globalização, muitas vezes, é tratada como um ato de propaganda, para estimular o consumo de marcas globais, onde as empresas multinacionais são vistas como o padrão a ser seguido por toda a indústria.

Contudo, os autores acima abordam uma massificação produtiva em países com menor índice de desenvolvimento, mas que vendem seus produtos globalizados e internacionais – e, portanto, importados – para o mundo inteiro, como se os mesmos tivessem sido produzidos em seus respectivos países. Dessa forma, Wrigley e Coe (2017) mostram que o crescimento da interdependência econômica não se atrela e se desenvolve apenas entre os países desenvolvidos, mas sim, em uma escala global produtiva. Trata-se, nesse momento, da intensificação comercial entre os países, pois cada um teve de se adequar à sua maneira ao processo de globalização. Cada país teve que tomar suas respectivas medidas políticas e econômicas, para que pudesse adequar o interesse nacional frente aos novos desafios da globalização. Tanto o Brasil como o Chile, tiveram de adaptar a abertura de seus mercados à globalização, cada um à sua maneira. Para fins de

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fundamentação teórica sólida, segue-se nesta parte do trabalho um aprofundamento ainda mais extenso sobre a globalização e sua influência.

2.1.2 Sobre a globalização e suas abordagens

Com uma extensão acadêmica em constante crescimento, somada ao processo de amadurecimento dos conhecimentos nas Relações Internacionais, o conceito de Globalização já é abordado nas mais diversas correntes teóricas. É fundamental que – pelo menos de alguma forma – sejam evidenciadas as principais formulações teóricas sobre a globalização; a liberal e a realista.

2.1.2.1 Sobre o Realismo e a Globalização

Como colocado anteriormente, a globalização preenche todos os espaços sociais do nosso planeta (KREIDY, 2005; STEGER, 2017). Com isso, alguns autores Realistas, como Brian (1988), Sheri (1998) e Hansen (2002), sugerem que foi criada – em nível estrutural – uma nova ordem social e econômica no Sistema Internacional. A interdependência também serve como instrumento para que alguns Estados se sobressaiam sobre outros, pois, ao terem mais meios de se impor frente aos outros países, conseguem desenvolver-se melhor tanto politicamente como economicamente.

Randall Hansen, em sua obra Globalization, Embedded Realism, and

Path Dependence, publicada em 2002 pela Universidade de Oxford, coloca que os

Estados considerados como as grandes potências globais ou regionais, usam a globalização como ferramenta para disseminar sua cultura, seus produtos e suas tecnologias, deixando que os Estados menos desenvolvidos acabem por começar a consumir apenas recursos internacionais, e percam parte de sua identidade nacional. Porém, ainda segundo Hansen (2002), existem consequências – vistas como negativas para as grandes potências. Uma delas, que está em grande voga internacional, é a questão dos fluxos migratórios que assolam e assombram, principalmente, a velha guarda da direita política europeia.

A procura por mão de obra mais rentável oriunda de imigrantes que vêm de todos os países do mundo, acabou por criar comunidades estrangeiras dentro dos países que aceitaram os imigrantes. Essas comunidades, por muitas vezes,

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acabaram por se fecharem e ficarem marginalizadas, criando um sentimento de revolta e resultando até mesmo em ataques considerados ‗terroristas‘ na maior parte dos países mais desenvolvidos da Europa e do Ocidente em geral (PAPASTERGIADIS, 2018).

2.1.2.2 Sobre o Liberalismo e a Globalização

Jean-Pierre Lehmann, professor emérito de Política Econômica Internacional na Universidade de Lausanne na Suíça, é um dos grandes estudiosos no mundo sobre a influência da globalização quando analisada por uma ótica Liberal. Em seu artigo What is the Value of Liberalism in a Global Society, publicado em 2002, o autor transcreve de forma exemplar o modo como a Globalização influencia o nosso mundo atualmente. O autor cita o exemplo da China que, ao abrir-se mais para o mundo, acabou por mudar drasticamente o modo de vida da sua população. É fato que os chineses ainda são blindados de muita da influência externa que costuma adentrar facilmente nos países menos estruturados (LEHMANN, 2002).

Contudo, por meio da globalização, a China acabou por ser um fornecedor mundial e disparou como a segunda maior economia do mundo, que poderá, facilmente, nos próximos anos, ultrapassar a dos Estados Unidos da América. Lehmann (2002) coloca que os chineses, hoje, são menos chineses. O processo de abertura do mercado e da globalização, acaba por exterminar algumas partes da cultura dos países, que, quando comparadas ou até mesmo afrontadas com a de outros, podem acabar se extinguindo.

Contudo, existe uma grande tendência entre os autores liberais, de tratarem a globalização, principalmente comercial, como um agente de paz no Sistema Internacional. Autores como Martin, Mayer e Thoenig (2008), colocam e assumem a ideia originária da obra An Inquiry Into the Nature and Causes of the

Wealth of Nations de Adam Smith, publicada originalmente em 1776, de que as

trocas comerciais acabam por apaziguar os conflitos internacionais, devido ao fato de que os Estados, quando possuem relações comerciais com determinado país, tendem a não entrar em conflito com o mesmo, pois o dano causado pela guerra, não se sobressai aos ganhos obtidos pelas trocas comerciais, deixando os Estados liberais em estado de paz.

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Contudo, seja qual for a vertente teórica adotada para analisar os efeitos da globalização, é notável a variedade de influências que a mesma exerce no nosso atual sistema. Seja economicamente, seja pelos imigrantes, seja pela paz ou pela exploração de outros países, a globalização e sua interdependência, são elementos fundamentais para este estudo.

2.2 SOBRE O COMÉRCIO EXTERIOR E COMÉRCIO INTERNACIONAL

É importante determinar a importância do Comércio Exterior e apontar os seus fundamentos, a fim de trazer ao leitor os principais conceitos que serão abordados nas próximas etapas do presente trabalho.

―O Comércio Exterior de um país significa o fluxo de Mercadorias vendidas ou compradas, bem como dos serviços executados por empresas nacionais no exterior ou por empresas estrangeiras em território nacional‖ (SILVA, 2014. p. 5) Ou seja, se refere a termos, regras e normas nacionais, adotadas nas transações. O Comércio Exterior brasileiro, segundo Cervo (1997), é oriundo de um grande debate nacional e esteve sempre atrelado não só a questões comerciais, mas também políticas. Já o Comércio Internacional, segundo Viner (1960), começou a ser difundido principalmente no período histórico mercantilista. O Comércio Internacional é um grande campo de estudos, com um vasto grau de ramificações. Destas, a aproximação Liberal, fundamentada historicamente a partir dos conceitos elaborados por David Ricardo sobre as vantagens comparativas, será a raiz da abordagem a ser utilizada, mas será sobreposta, principalmente, pelo modelo de Hecksher-Ohlin-Samuelson (HOS).

Este trabalho tem o intuito de elaborar comparações entre os processos de abertura comercial do Brasil e do Chile, a fim de ilustrar e situar o leitor acerca das grandes proporções alcançadas por este marco na história política, social e econômica brasileira. Quando se trata de comparações em questões econômicas e industriais, o primeiro modelo que costuma ser conjurado a mente é o Ricardiano, sobre as vantagens comparativas. Contudo, esse modelo desconsidera – ou pelo menos não é assertivo neste aspecto – evidenciar se um país possui vantagens comparativas devido às suas diferentes tecnologias ou dotações fatoriais. Em contrapartida, o modelo de Hecksher-Ohlin-Samuelson é utilizado em um formato hipotético, onde as tecnologias de produção entre os países são as mesmas, mas o

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que os distinguem são as dotações fatoriais. Dessa forma, é possível compreender a questão da influência da Abertura Comercial Brasileira sobre os valores praticados, sobre a qualidade da mão de obra dos trabalhadores no período e o legado – tanto positivo como negativo – deixado para as gerações futuras. Ainda, somam-se considerações relacionadas ao desenrolar da abertura comercial de países considerados como não desenvolvidos quando comprados com as de países já desenvolvidos (SOARES; SERVO; ABACHE, 2001).

De forma a ilustrar o HOS, pode-se assumir o seguinte exemplo hipotético:

[...] existem dois tipos de bens (tecidos e carros) produzidos por dois tipos de fatores (engenheiros e tecelões) empregados em intensidades diferentes em dois países (Estados Unidos e Brasil), cujas dotações fatoriais são desiguais, ou seja, tanto os Estados Unidos como o Brasil produzem tanto tecidos como carros, e com as mesmas tecnologias. Além disso, a tecnologia de produção de carros é intensiva em engenheiros, e a tecnologia de produção de tecidos é intensiva em tecelões — para produzir uma unidade de tecido são necessários muitos tecelões e poucos engenheiros, e para produzir uma unidade de carro são necessários muitos engenheiros e poucos tecelões. Por último, no Brasil, o fator escasso são os engenheiros, e nos Estados Unidos, os tecelões (SOARES; SERVO; ABACHE, 2001 p. 7)1

A partir dessa hipótese, podem ser feitas algumas considerações sobre o quadro analítico de HOS como colocam Soares, Servo e Abache (2001, p. 8):

 Antes de existir comércio entre os dois países, o preço relativo dos tecidos será maior nos Estados Unidos e menor no Brasil em função da falta de tecelões no primeiro país. Já no Brasil, a falta de engenheiros fará com que o preço relativo dos carros seja mais alto;

 O desequilíbrio nos preços relativos será repassado aos seus fatores de produção: enquanto nos Estados Unidos os tecelões serão bem pagos (em relação aos tecelões brasileiros), no Brasil, os engenheiros serão bem pagos (em relação aos engenheiros americanos);

 Quando se verificar livre comércio, os americanos passarão a importar tecidos e pagá-los com carros (e os brasileiros farão o oposto). Isto fará com que o preço dos tecidos caia nos Estados Unidos, e o preço dos carros caia no Brasil; e

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Para fins mais ilustrativos ao propósito deste trabalho, os países utilizados como exemplo foram substituídos, mas de forma em que não alterem o propósito do texto.

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 Do mesmo jeito que o preço alto dos tecidos era repassado ao salário dos tecelões americanos, o novo preço baixo terá impactos negativos sobre seus salários, até que estes se igualem aos dos tecelões brasileiros, que verão seus salários subirem. O inverso ocorrerá com os engenheiros, e no final do processo, os preços dos tecidos e dos carros serão os mesmos nos dois países, assim como o serão os salários dos tecelões e dos engenheiros.

Utilizando a hipótese e até mesmo substituindo o Brasil por toda a gama de países subdesenvolvidos, e os Estados Unidos pelos países desenvolvidos, e fazendo o mesmo com tecelões representando a mão de obra não qualificada e os engenheiros como mão de obra qualificada, pode-se observar que, em um ambiente de livre comércio internacional, a folha de pagamentos dos trabalhadores qualificados subirá nos países desenvolvidos, gerando uma maior desigualdade social, ao mesmo tempo que essa mesma categoria de mão de obra terá desempenho contrário nos países subdesenvolvidos, trazendo índices maiores de igualdade social para a população. Ou, pelo menos, é o que se espera e será analisado posteriormente, no que se diz respeito à abertura comercial brasileira. O entendimento do HOS, dessa forma, se mostra importante como um elemento primário a ser entendido para que as informações relevantes sobre o desenrolar socioeconômico brasileiro seja absorvido.

Dessa forma, são vários os conceitos e atividades relacionadas ao Comércio Exterior e, cabe para este momento, definir os conceitos mais importantes que serão abordados no decorrer do presente trabalho.

2.2.1 Sobre o Protecionismo

Michael Davenport, em sua obra Trade Policy, Protecionism and the Third

World, publicado em 2017, aborda de forma ampla o protecionismo e seus

conceitos. O autor aponta que, na década de 1970 e no início da década de 1980, o protecionismo serviu de forma a substituir o livre mercado internacional por trocas bilaterais ou até mesmo por restrições individuais. Essas restrições vieram para diminuir a importação de produtos considerados sensíveis para os países que as realizavam, de acordo com sua situação econômica e comercial. Oliveira (2007) vai de encontro as ideias apresentadas por Davenport (2017), colocando que o

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protecionismo é um mecanismo dos Estados para beneficiar ou salvaguardar alguma indústria sensível em específico. Os países utilizam-se de medidas protecionistas (em sua maior parte barreiras tarifárias ou não tarifárias) para evitar que produtos produzidos de maneira mais eficiente em outros países sejam importados, a fim de proteger a respectiva indústria e não deixar que a mesma deixe de produzir e arrecadar devido a fatores externos. Arnold (2013) também contribui para o campo, ao analisar o modelo Helpman-Krugman, que coloca o protecionismo com elemento de propulsão para a indústria. Contudo, o protecionismo, segundo Davenport (2017), não é bem visto pela comunidade internacional, apesar de ser comumente praticado. O protecionismo também já é abordado sob outras perspectivas e não apenas atrelada a atmosfera Estatal. Segundo Amaral (2014), o protecionismo é muito bem regulado por meio da Organização Mundial do Comércio (OMC) e, de fato, cumpre sua função de estabelecer uma política contra o abuso por parte dos governos em explorar as barreiras tarifárias e não tarifárias a fim de obter vantagens competitivas. A autora, em seu artigo intitulado como Protecionismo Privado: A

Atuação da Sociedade Civil na Regulação do Comércio Internacional, publicado em

2014, coloca que, para driblar as políticas estabelecidas pela OMC, existe um movimento por parte da iniciativa privada em criar novas barreiras, a fim de proteger os Estados de seu rigor regulador.

No entanto, a nova tendência de estabelecer padrões privados, ou seja, padrões desenvolvidos por organismos não estatais, impõe novo desafio, pois as regras multilaterais da OMC são aplicáveis unicamente aos Membros e não abrangem, dessa forma, padrões elaborados por instituições privadas (AMARAL 2014, p. 202).

No que diz respeito a Sociedade Civil, a autora também aponta que a preocupação por parte da população em relação à segurança e a qualidade dos produtos, acaba também por servir como um agente regulador, transformando-se assim, em uma ferramenta a ser utilizada em prol da melhoria da qualidade das mercadorias que adentram ao país (AMARAL,2014).

Ainda existem autores como Kohler e Ritzel (2017), que abordam a questão de um considerável aumento no protecionismo no decorrer dos últimos anos, principalmente impulsionado pela crise econômica e financeira que atingiu o mundo todo. Os autores citam que uma nova era de protecionismo pode ter consequências terríveis para todos os países, mas em particular para os países mais

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pobres do mundo. Nos últimos anos, a política comercial tornou-se uma pedra angular na política de desenvolvimento das nações industrializadas para promover o desenvolvimento econômico em países emergentes e menos desenvolvidos.

Os autores citam que o protecionismo não é uma boa medida a ser tomada pelos governos, porém, a liberalização da economia deve ser estabelecida de forma inteligente, para que não hajam graves consequências para os países que a realizam. Para que a política comercial seja um elemento efetivo na política de crescimento, é necessário (mas não suficiente) que a liberalização do comércio faça com que o comércio floresça. Em outras palavras, é essencial que os formuladores de políticas saibam se, e por quanto, reduzir as tarifas realmente faz com que o comércio aumente.

Kohler e Ritzel (2017) ainda complementam que, desde o início do novo milênio, há fortes evidências do papel do comércio em ser um componente crítico do crescimento econômico e do desenvolvimento. O comércio pode fazer uma diferença positiva na vida das pessoas. O rápido crescimento econômico, em muitas economias em desenvolvimento ao longo das ultimas décadas, foi combinado com uma integração mais profunda no sistema comercial global. Se o comércio é um motor do crescimento econômico, é mais eficaz se uma política comercial liberal tiver efeitos substanciais nos fluxos comerciais. Por isso, torna-se essencial ter estimativas imparciais sobre os efeitos da eliminação de tarifas. Somente se houver efeitos imparciais dos cortes tarifários, será possível defender com credibilidade uma política de desenvolvimento baseada no comércio, que fomente o crescimento econômico. Uma nova era de protecionismo poderia comprometer fundamentalmente o desenvolvimento econômico dos países menos desenvolvidos.

2.2.2 Sobre as Tarifas, Barreiras Comerciais e seus tipos

Uma tarifa é um valor estipulado por uma nação sobre os bens ou serviços importados de alguma outra. As tarifas são uma ferramenta política que tem sido usada ao longo da história para controlar a quantidade de importações que fluem para um país e para determinar quais nações receberão as condições comerciais mais favoráveis (RUSHFORD, 2005). Tarifas altas criam protecionismo, pois protegem os produtos de uma indústria doméstica contra uma possível concorrência estrangeira.

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Altas tarifas geralmente reduzem a importação de um determinado produto, porque uma tarifa elevada resulta em um preço – também elevado – para os clientes do mesmo. Existem dois tipos básicos de tarifas impostos pelos governos aos bens importados. O primeiro é o imposto ad valorem, que é uma porcentagem do valor do item. O segundo é uma tarifa específica, que é um imposto cobrado com base em uma taxa fixa por número de itens ou por peso (ETHIER, 2005).

As tarifas, ainda segundo Ethier (2005), são geralmente impostas por uma das três razões:

 Proteger as indústrias domésticas recém-criadas da concorrência estrangeira;

 Proteger as indústrias domésticas ineficientes e envelhecidas da concorrência estrangeira;

 Proteger os produtores domésticos contra o ‗dumping’2

por parte de empresas ou governos estrangeiros.

Muitos países em desenvolvimento usam as tarifas para aumentarem as suas receitas. Por exemplo, uma tarifa sobre o petróleo imposta pelo governo de uma empresa que não possui reservas nacionais do produto, pode ser uma maneira de aumentar o fluxo de receita. Desde o início da década de 1990, a tendência tem sido a diminuição das tarifas em escala global, como evidenciado pela aprovação de tratados bem conhecidos, como o Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (GATT) e a Organização Mundial do Comércio (OMC). O mesmo ocorre de maneira bem definida com as barreiras comerciais na União Europeia, que conseguiu até mesmo abolir a maior parte de suas tarifas internas (RUSHFORD, 2005). Essas mudanças refletem a convicção existente entre alguns políticos e economistas de que tarifas mais baixas estimulam o crescimento e reduzem os preços em geral.

Os grandes apoiadores do livre-comércio argumentam que as tarifas prejudicam tanto (ou todos) os países envolvidos – tanto os que as impõe, como os que as enfrentam. Para o país cujos produtos são alvo de tarifas, os custos de produção e preços de venda aumentam e, para a maioria, isso leva a menos

2

O dumping ocorre quando uma empresa estrangeira cobra um preço no mercado interno que está abaixo de seu próprio custo ou sob o custo pelo qual vende o item em seu próprio mercado interno.

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exportações e menos vendas. Um declínio nos negócios leva a menos empregos e propaga a desaceleração da atividade econômica. O argumento de que as tarifas realmente prejudicam o país que as impõe é um pouco mais complexo. Embora as tarifas possam inicialmente ser um benefício para os produtores domésticos, que enfrentam uma concorrência reduzida como resultado das tarifas, esta mesma concorrência reduzida permite, então, que os preços subam.

As vendas dos produtores domésticos devem subir, tudo o mais sendo igual. O aumento da produção e o aumento do preço levam a aumentos domésticos no emprego e nos gastos dos consumidores. As tarifas também aumentam as receitas do governo que podem ser usadas para o benefício da economia (RUSHFORD, 2005). Tudo isso parece positivo, no entanto, Ethier (2005) coloca que os custos das tarifas não podem ser ignorados. Esses custos surgem quando o preço dos bens sobre os quais as tarifas foram impostas aumenta, e o consumidor é forçado a comprar menos desses bens ou menos de alguns outros bens. O aumento de preços pode ser pensado como uma redução na renda do consumidor.

Como os consumidores estão comprando menos, os produtores domésticos de outras indústrias estão vendendo menos, causando um declínio na economia. Apesar desses argumentos de que as tarifas acabam prejudicando todas as partes de um relacionamento comercial, elas têm sido usadas por todas as nações de tempos em tempos. A maioria dos países em desenvolvimento usa tarifas para tentar proteger suas indústrias ou indústrias incipientes, as quais eles sentem que a nação precisa internamente para se manter independente. Os Estados Unidos, de acordo com Allen (2003), usaram as tarifas extensivamente ao longo de seus primeiros anos como nação, e continuam a fazê-lo hoje, quando a vontade política existe e impera sobre os valores tão veementemente propagados.

Mesmo os proponentes do livre comércio, às vezes, afirmam que as tarifas podem servir a um propósito útil. Em 2002, por exemplo, o presidente George W. Bush anunciou a imposição de tarifas de aço por um período de três anos sobre as importações da União Europeia, Japão, China, Coréia do Sul e Taiwan. A reação a essas tarifas foi rápida e ameaçadora. Os EUA acabaram retirando a tarifa em dezembro de 2003, para evitar a guerra comercial que estava se formando em reação à tarifa do aço (ALLEN, 2003). A forma como as empresas são afetadas pelas tarifas difere entre elas, com base em vários fatores como: a proximidade do setor industrial com a tarifa imposta, a forma pela qual os insumos e produtos da

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empresa são diretamente afetados pela tarifa; se a empresa está ou não envolvida na exportação ou importação de determinado bem ou serviço.

As empresas que fazem a maioria de seus negócios dentro de um mercado doméstico, podem se beneficiar da imposição de tarifas sobre produtos competitivos. Se, no entanto, os insumos materiais para os produtos de uma empresa são os alvos das tarifas, então o negócio pode muito bem ser prejudicado pelo aumento dos preços em sua matéria (RUSHFORD, 2005).

Os exportadores, por costume, estão cientes do dano potencial que pode ocorrer caso as tarifas forem inesperadamente impostas a seus produtos e, por essa razão, eles costumam incluir uma isenção de responsabilidade por tais tarifas que são impostas após a assinatura do contrato de compra. Deve-se citar o fato de que as barreiras não tarifárias também são usadas com frequência por nações de todos os tamanhos em tentativas de fortalecer suas próprias economias e proteger seus interesses domésticos. Tais barreiras não tarifárias podem incluir subsídios para bens domésticos, cotas de importação ou regulamentos sobre qualidade de importação (ETHIER, 2005).

Conforme supracitado, no período posterior a criação do GATT em 1947 e da Organização Mundial do Comércio (OMC) em 1995, houve uma grande redução no número de barreiras comerciais impostas pelos países e que, atualmente, as barreiras são classificadas inicialmente de duas formas: tarifárias e não tarifárias. As barreiras, de qualquer natureza, atuam – na maior parte das vezes – como uma ferramenta protecionista para os Estados. A definição das barreiras, segundo o MDIC (2018) pode ser feita da seguinte forma:

 Tarifárias: tratam-se de tarifas de importações e outras taxas diversas;  Não tarifárias: tratam-se de restrições quantitativas, licenciamento de importação, procedimentos alfandegários, valoração aduaneira arbitrária ou com valores fictícios, medidas antidumping, medidas compensatórias, subsídios, medidas de salvaguarda e medidas sanitárias e fitossanitárias. Dentre estas últimas, encontram-se as barreiras técnicas, que são mecanismos utilizados com fins protecionistas.

Os países costumam possuir rigorosos instrumentos para avaliarem suas barreiras, a fim de se manterem em conformidade com as normas internacionais, que são fiscalizadas pela OMC:

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Diversos países têm muitos regulamentos em vigor que estabelecem requisitos de qualidade, segurança, composição, processo produtivo, embalagem e rotulagem para os produtos comercializados em seus territórios. Essas regulamentações nacionais podem consistir, muitas vezes, nas denominadas ‗barreiras técnicas ao comércio'. A adoção e a implementação dessas medidas governamentais podem, contudo, visar à proteção de objetivos legítimos, como saúde, segurança e meio ambiente. Essas justificativas legítimas podem, muitas vezes, servir de explicação para a imposição de exigências técnicas protecionistas (MDIC, 2018 p. 1)

As barreiras não tarifárias ainda pode ser dividas de duas maneiras – técnicas e não-técnicas, conforme o quadro 1.

Quadro 1 – Tipos de barreiras não tarifárias

Barreiras Técnicas

1) Sanitárias e Fitossanitárias

2) Barreiras técnicas para o comércio

3) Inspeção prévia de embarque das mercadorias

Barreiras não-técnicas

1) Medidas de proteção comercial contingente

2) Licenciamento não-automático, quotas, proibições e controle de quantidades

3) Medidas financeiras

4) Restrições em serviços de pós-venda 5) Subsídios

6) Restrição de aquisições governamentais 7) Propriedade Intelectual

8) Regras de Origem Fonte: adaptado de UNCTAD (2012, p. 3).

De qualquer forma, deve-se notar que as barreiras, independente de qual tipo, estão profundamente ligadas a qualidade do comércio entre os países. O sucesso ou não, das trocas comerciais entre dois países, se pesa, na maior parte das vezes, pela existência ou não de barreiras aplicadas aos produtos envolvidos.

2.2.3 Sobre os Investimentos Externos e a Abertura Comercial

Estamos no início de uma quarta revolução industrial, impulsionada por tecnologias de fronteira e avanços de robotização, que tornam a produção melhor, mais barata e mais rápida do que nunca. Esta nova revolução industrial oferece

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enormes oportunidades de crescimento econômico e desenvolvimento sustentável, com benefícios potenciais em uma escala difícil de imaginar. Novas tecnologias prometem possibilidades de modernização industrial. O transporte e a comunicação mais baratos, aliados a uma logística mais eficiente, também podem ajudar os países em desenvolvimento a se ligarem melhor a cadeias globais de valor. Algumas das economias emergentes mais avançadas já estão à beira de se tornar líderes tecnológicos globais em vários setores (UNCTAD, 2018).

No entanto, a nova era econômica e o ritmo acelerado da inovação tecnológica também podem resultar em graves rupturas econômicas e mais desigualdade. Os padrões de investimento existentes, por exemplo, podem passar por mudanças profundas e de longo alcance, em termos de fluxos e conteúdo. O Relatório Mundial de Investimentos de 2017 destacou o impacto estrutural emergente da economia digital no investimento estrangeiro direto. Neste contexto, os países em desenvolvimento e os países menos desenvolvidos, em particular, enfrentam desafios consideráveis. Eles variam de restrições estruturais, como a falta de infraestrutura adequada e escasso acesso a financiamento, até questões estratégicas. A internacionalização da mão de obra para destinos que oferecem custos domésticos mais baratos, se torna menos relevantes em um mundo em que a manufatura se encontra cada vez mais automatizada. Ao mesmo tempo, melhorar as condições de vida, requer a criação de empregos, que, por sua vez, ainda dependem muito da manufatura.

Os países em desenvolvimento com mercados pequenos enfrentam pressão adicional sobre suas políticas de investimento, à medida que as empresas buscam cada vez mais locais de investimento que ofereçam as melhores condições para entregar produtos novos e de alta qualidade rapidamente, próximos do cliente e através de processos de produção flexíveis (UNCTAD, 2018).

Contudo, é interessante para este momento do trabalho, também trazer ao leitor os tipos de investimentos externos que podem ser feitos. Essa informação será essencial para compreender de forma plena como se deram os processos de abertura comercial, tanto do Brasil como do Chile.

Segundo a Agência Brasileira de Promoções de Importações e Investimentos (APEX, 2018), um Investimento Externo Direto (IED) se baseia na movimentação de capitais internacionais para propósitos específicos de investimento, por meio da criação ou aquisição de operações em outro país.

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Segundo Pio (2012), qualquer país, seja com uma economia mais aberta ou mais fechada, poderá se beneficiar dos Investimentos Externos Diretos. Contudo, apenas as empresas estrangeiras que tenham se instalado em uma economia aberta, acabariam por se estimular a realizarem exportações de dentro do país em que investiram. ―Este estímulo natural à exportação seria dado pela combinação da tendência à especialização produtiva nos setores que apresentam vantagens comparativas com um contexto de acirrada concorrência‖ (PIO, 2012, p. 138).

Já os Investimentos Externos Indiretos se baseiam em empréstimos e financiamentos a longo prazo, que geralmente são concedidos por meio de bancos ou outros órgãos e instituições financeiras internacionais. Ambos os tipos de investimentos podem trazer benefícios para as empresas e para o país. Esses benefícios podem ser percebidos como um aumento na produção de empregos, transferência de tecnologias, fontes de financiamento externos e desenvolvimentos estruturais do país que os recebe. Contudo, Pio (2012) coloca que, caso esses investimentos não sejam feitos de maneira coerente, eles podem colocar o país recebedor em posição de submissão ou de profunda dependência, pelo fato de dependerem do valor a ser recebido, para sustentarem suas economias, políticas e desenvolvimento, ficando a mercê de negociações e concessões por parte dos governos frente a entidades privadas.

Como visto anteriormente, o comércio é um fator primordial para o bem-estar de uma sociedade, seja pelos produtos que adentram ao mercado, seja pela geração de empregos que sustenta o sistema capitalista ou para o desenvolvimento e especialização de novas tecnologias e funções. Tudo isso, segundo o relatório de conjuntura elaborado pela Secretaria de Assuntos Estratégicos do Brasil em 2018, funciona – de maneira melhor – quando o comércio se dá de maneira mais livre. Ainda segundo o documento, a liberdade do comércio também faz com que a concorrência entre as empresas deixe os trabalhadores e as empresas mais eficientes, ou seja, competitivas.

Um estudo elaborado por Branco, Cavalcanti e Magalhães (2016), propõe que a abertura comercial de um país realmente é efetiva e traz benefícios para toda a sociedade, mesmo que esse país não seja ainda desenvolvido. O estudo foi feito por meio de uma correlação, em que os autores, através de uma análise da abertura comercial dos estados brasileiros, obtêm resultados que também poderiam se aplicar em uma escala estatal.

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É comumente abordado dentro da sociedade civil, a ideia de que a abertura comercial reflete apenas uma hipótese de que o país a realizar a abertura será dominado e controlado pelos Estados mais fortes no Sistema Internacional. Essa ideia pode ser facilmente encontrada em discursos políticos de cunho nacionalista. Contudo, o discurso é considerado por uma grande maioria da crítica econômica especializada. Um estudo realizado entre os economistas de alto nível que compõe o painel de pesquisa permanente da Escola de Negócios de Chicago, nos Estados Unidos, mostra que 96% dos entrevistados concordam que um comércio mais livre aumenta a eficiência das empresas e representa um ganho na qualidade dos produtos oferecidos à sociedade.

Apesar de que cada processo de liberalização das economias dos países acontece de forma diferente, segundo Canuto (1994), foram quatro os pontos básicos que constaram na maioria das políticas de liberalização das economias da América Latina:

 Eliminação ou redução da cobertura de barreiras não tarifárias, tais como reservas de mercado, quotas, proibições, etc.;

 Diminuição no nível médio das tarifas de importação;  Redução do grau de dispersão na estrutura tarifária;  Diminuição ou extinção de impostos sobre exportações.

De qualquer forma, a abertura comercial dos países é a soma de diversos vetores, e não atua como uma fórmula única ou ciência exata. Como pode ser visto neste capítulo, são vários e diversos os fatores internos e externos que influenciam a economia dos Estados. Contudo, ao decorrer deste trabalho, serão feitas análises e construções empíricas a fim de detalhar como se deu o processo de abertura comercial do Brasil e do Chile e, por meio de uma comparação, estabelecer quais foram os fatores fundamentais que geraram seus respectivos sucessos e fracassos e quais os resultados que devem ser refletidos para o futuro comercial dos dois países.

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2.3 SOBRE AS ORGANIZAÇÕES INTERNACIONAIS

As Organizações Internacionais, quer sejam por meio políticos, econômicos ou regulatórios, exercem importante função no Sistema Internacional. Cabe, para esta parte da fundamentação, trazer as principais organizações internacionais que estão diretamente relacionadas com a parte comercial entre os dois países.

2.3.1 Sobre a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE)

Segundo a própria OCDE (2018), a principal missão da Organização é promover políticas que venham a melhorar a vida de toda a população mundial, por meio do desenvolvimento econômico. A organização busca realizar esse objetivo através da análise de dados fornecidos pelos governos, estudos realizados de forma independente e por meio de um grande Fórum, no qual – de maneira conjunta – os governos podem compartilhar experiências e trazer novas soluções para problemas que são considerados comuns entre todos, ou, pelo menos, entre grande parte dos membros.

A organização também atua para entender os principais fatores que causam as mudanças econômicas, sociais e ambientais. São feitas medições anuais de produtividade dos países, assim também como a contabilização dos fluxos comerciais e de investimentos (OCDE, 2018).

Também analisamos questões que afetam diretamente o cotidiano de todos, como o quanto as pessoas pagam com impostos e seguridade social e quanto tempo de lazer elas podem levar. Comparamos como os sistemas escolares de diferentes países estão preparando seus jovens para a vida moderna, e como os diferentes sistemas de pensão dos países cuidarão de seus cidadãos na velhice (OCDE, 2018 p.1).

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, já atua de forma consolidada para aprimorar e restaurar a confiança nos mercados e nas instituições que os fazem funcionar, sobretudo para os países que mais sofrem com a corrupção institucional, para que os mesmos possam novamente estabelecer elevados níveis de confiança em seus mercados internos, a fim de receber mais investimentos. A OCDE também ajuda, por meio de seu trabalho, a manter a saúde

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financeira pública dos países, para que os mesmos possam estar inseridos em um ambiente econômico seguro para seu desenvolvimento. Isso é feito por meio da fomentação e do apoio a novas fontes de crescimento, através de práticas de inovação e grande respeito a sustentabilidade. Por fim, a organização ainda busca garantir que a população no geral – independente da idade – possa desenvolver habilidades profissionais que se adequem as novas tendências laborais do futuro.

Atualmente, a organização conta com 37 membros e é composta por países com elevado Produto Interno Bruto (PIB) e Índices de Desenvolvimento Humano (IDH). A OCDE tem sua origem no estabelecimento da Organização para a Cooperação Econômica (OECE), em 1948. O Chile é membro da Organização desde 2010, enquanto o Brasil ainda aspira se tornar membro no futuro, pois formalizou seu pedido de adesão em 30 de maio de 2017 (OCDE, 2018).

2.3.2 Sobre a Organização Mundial do Comércio (OMC)

A Organização Mundial do Comércio, é a única Organização Internacional Global a regular o comércio internacional. A OMC foi instituída em 1995, e atualmente conta com um Diretor Geral (cargo mais alto) brasileiro – Roberto Azevedo. Dentre as funções da Organização, pode-se citar: a administração dos acordos comerciais entre os países; a realização de fóruns para debate e negociações comerciais: realização, por meio de seus órgãos internos, da resolução de lides comerciais entre as nações; monitoramento das política comerciais nacionais; além de prestar apoio técnico e treinamento para os países que ainda se encontram em estágio de desenvolvimento (OMC, 2018).

Atualmente, a OMC conta com mais de 160 membros e representa 98% do comércio mundial. Apesar da grande quantidade de países-membros, a OMC pede que aqueles países que desejam se tornarem membros, alinhem suas políticas econômicas e comerciais de acordo com as regras da organização. As adesões também devem ser negociadas com os países já membros, o que pode se tornar um processo não tão simplificado. Atualmente, 20 países estão em processo de adesão à OMC. Tanto Brasil e Chile são membros (OMC, 2018).

O Brasil possui um papel importante dentro da Organização, que vai além da presença de Roberto Azevedo na governança. Segundo o Annual Report da OMC de 2017, o Brasil é o quarto colocado – atrás apenas dos Estados Unidos,

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Canadá e União Europeia – no que diz respeito às disputas comerciais que foram trazidas ou estão sendo intermediadas pela OMC. Ao todo, o Brasil entrou com 30 reclamações desde 1995. O Chile, apesar de não possuir um volume comercial tão elevado quanto o brasileiro, principalmente por suas dimensões geográficas, também é participativo na Organização. O país, em pedido conjunto com a União Europeia, propôs uma maior transparência dos dados fornecidos pelos países membros.

Contudo, segundo a OMC (2018), e dada a sua importância e magnitude, além de sua capacidade de atuação, a Organização conta, atualmente, com 628 funcionários e possui 19 divisões internas. Entre as principais, estão a divisão de Administração e Serviços Gerais, a Divisão de Agricultura e Commodities, Divisão de Desenvolvimento e a Divisão de Revisão de Políticas Comerciais.

Fica claro que a principal função da OMC é regular e, de fato, exercer um papel central e – até certo ponto – supranacional no que diz respeito ao comércio internacional. Sobretudo, a Organização despende sua força no principal objetivo de abrir o comércio para o benefício de toda a população mundial.

2.3.3 Sobre a Câmara de Comércio Brasil Chile (CAMCHILE)

A Câmara de Comércio Brasil Chile foi fundada em 1977 pelo Dr. Ernani Almeida Machado, em conjunto com o até então Cônsul Geral do Chile, Fernando Cisternas. O principal objetivo da instituição é de fornecer o devido auxílio às empresas e investidores que buscam novas oportunidades no que diz respeito ao comércio entre os dois países. A CAMCHILE é uma Organização não Governamental, sem fins lucrativos, onde as empresas, investidores, e instituições privadas ou não, interagem de forma a criar uma melhor relação comercial entre os dois países. Atualmente, a Câmara conta com mais de 30 alianças estratégicas instaladas no Brasil, no Chile, e em todo o mundo, para gerenciar suas operações e expandir sua rede de relacionamento comercial (CAMCHILE, 2018).

A atuação da CAMCHILE se baseia em projetos de inteligência de mercado, desenvolvimento de negócios, consultorias técnicas, entre outros, todos inseridos no âmbito do Comércio Exterior.

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A CAMCHILE também oferece Soluções Jurídicas para abertura de Filiais, Identificação e Nominação de Representantes e Distribuidores Chilenos ou Brasileiros; para isto conta com importantes alianças estratégicas com os principais escritórios de advocacia em ambos os países. A CAMCHILE promove também o investimento e a cidadania empresarial, fornecendo parâmetros e legislações vigentes, atualizações de Acordos e Tratados de Comércio em geral, minimizando a burocracia e, assim, facilitando as negociações ou fechamento de negócios (CAMCHILE, 2018, p. 1).

A associação ainda se compromete em realizar fóruns para debate com frequência, onde participam empresários, convidados, profissionais renomados, entidades governamentais ou não governamentais, além de promover eventos para a disseminação de conhecimentos técnicos, a fim de suprir – com conhecimentos necessários – aspectos da relação entre os dois países que carecem de informações mais detalhadas. Os parceiros da CAMCHILE são compostos por empresas, bancos, Federações Industriais e até mesmo os Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior dos dois países (CAMCHILE, 2018).

2.3.4 Sobre o Mercado Comum do Sul e as participações do Brasil e Chile

O Mercado Comum do Sul (MERCOSUL) é a mais branda e mais bem instalada tentativa de integração comercial entre os países da América do Sul. Criado em 1991 por Brasil, Paraguai, Argentina e Uruguai, o MERCOSUL já conta com mais de duas décadas de existência.

O Tratado de Assunção, instrumento fundacional do MERCOSUL, estabeleceu um modelo de integração profunda, com os objetivos centrais de conformação de um mercado comum - com livre circulação interna de bens, serviços e fatores produtivos - o estabelecimento de uma Tarifa Externa Comum (TEC) no comércio com terceiros países e a adoção de uma política comercial comum (MERCOSUL, 2018, p.1).

O objetivo do MERCOSUL é de remover as barreiras comerciais entre seus membros por meio de um Mercado Comum, onde as alíquotas de importação e exportação sejam gradativamente reduzidas, para que as relações comerciais fiquem o mais perto possível de um Livre-Comércio. Através do Tratado de Ouro Preto, assinado em 1994, consagrou-se o MERCOSUL como um bloco de personalidade jurídica de Direito Internacional. No decorrer dos anos de sua existência e atuação, a qualidade das funções exercidas pela organização aumentou

Referências

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