UNIVERSIDADE DE TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO
ESCOLA DE CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAISDEPARTAMENTO DE ECONOMIA, SOCIOLOGIA E GESTÃO
DINÂMICA DAS EXPORTAÇÕES NA ÁREA DO EURO
Dissertação de Mestrado em Ciências Económicas e Empresariais
MICAEL QUEIROGA DOS SANTOS
Trabalho efetuado sob a orientação de: Prof.ª Doutora Sofia Helena Cerqueira de Gouveia
UNIVERSIDADE DE TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO
ESCOLA DE CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAISDEPARTAMENTO DE ECONOMIA, SOCIOLOGIA E GESTÃO
DINÂMICA DAS EXPORTAÇÕES NA ÁREA DO EURO
Dissertação de Mestrado em Ciências Económicas e Empresariais
MICAEL QUEIROGA DOS SANTOS
Trabalho efetuado sob a orientação de: Prof.ª Doutora Sofia Helena Cerqueira de Gouveia
Composição do Júri:
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Este trabalho foi expressamente elaborado como dissertação original para efeito de obtenção do grau de Mestre em Ciências Económicas e Empresariais, sendo apresentado na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro.
Dedicatória Aos meus Pais, À minha família, À minha orientadora e Aos meus amigos.
AGRADECIMENTOS
Este trabalho aqui presente concluiu-se graças ao meu esforço e empenho, mas também graças a pessoas importantes e preciosas que me acompanharam durante este período e por isso não poderia deixar de agradecer a essas mesmas pessoas.
Em primeiro lugar, tenho que agradecer aos meus pais, José Manuel Monteiro dos Santos e Ana Maria Rodrigues Queiroga dos Santos, pelo carinho e pelo apoio emocional e financeiro, sendo que sem eles este trabalho não seria possível.
Em segundo lugar, tenho que agradecer à minha orientadora, Prof.ª Doutora Sofia Helena Cerqueira de Gouveia, que sempre acreditou em mim e na concretização deste trabalho. Também tenho que agradecer pela sua paciência, esforço, ajuda, apoio, disponibilidade e cortesia.
Por último, quero agradecer à minha colega de mestrado, Marina dos Santos Alves, pela companhia durante esta etapa e pela motivação e incentivo que me deu em finalizar este trabalho.
RESUMO
A crise económica e financeira teve um impacto no comércio internacional mundial, caindo 15% durante o final de 2008 e início de 2009. Esse impacto também foi sentido na Área do Euro (AE). Este problema veio juntar-se aos desequilíbrios já existentes das balanças comerciais dos diferentes Estados-membros. Outro fator que alterou o panorama do comércio internacional, foi a ascensão de países emergentes, principalmente da China, que parece ter influenciado as quotas de mercado das exportações da tríade (Estados Unidos da América, do Japão e da União Europeia). Neste trabalho é feita uma análise da evolução das exportações na Europa e no Mundo, recorrendo ao indicador de quotas de mercado das exportações, concluindo-se que a tríade dominava o panorama de comércio internacional em 1999, mas em 2014 é ultrapassada pela China. A análise das exportações dos Estados-membros da AE no período compreendido entre 1999 e 2014 sugere o aumento do grau de abertura desses países, o aumento do peso das exportações de produtos com intensidades tecnológicas mais elevadas e o acentuar dos desequilíbrios da balança comercial na AE.
A revisão de literatura permitiu identificar três grandes grupos de determinantes do desempenho das exportações: a competitividade preço, a competitividade não-preço e a procura.
Neste estudo, utilizando um modelo econométrico de dados em painel aplicado à equação da procura de exportações, procura-se explorar os determinantes da dinâmica das exportações da indústria transformadora, em doze países da AE, no período 2000-2014. Mais concretamente consideraram-se como variáveis explicativas das exportações da indústria transformadora, a procura externa, a competitividade preço, a produção industrial, a procura interna e a composição das exportações. Os resultados obtidos sugerem que um aumento da procura externa, da procura interna e da produção industrial têm um efeito positivo sobre as exportações da indústria transformadora. Confirma-se que uma valorização da taxa de câmbio efetiva real tem um efeito negativo nas exportações da indústria transformadora. Em contraste, os resultados sugerem que a composição das exportações não é uma determinante do desempenho das exportações na AE.
Palavras-chave: Exportações, Área do Euro, Competitividade, Crise económica, Desequilíbrios comerciais, Dados em painel.
ABSTRACT
The economic and financial crisis had an impact in the world international trade, falling 15% in late 2008 and early 2009. This impact was also felt in the Euro Area (EA). This problem is in addition to the existing imbalances in the trade balances from the different Member States. Other factor that changed the panorama of international trade, was the rise of emerging countries, especially China, which had appear to have influenced the market share of exports of the triad (United States of America, Japan and the European Union).
This paper presents an analysis of the evolution of exports in Europe and in the world, using the indicator of market share in exports, concluding that the triad dominated the panorama of international trade in 1999, but in 2014 is surpassed by China. The analysis of exports from Member States of EA in the period between 1999 and 2014 suggest the increased openness of these countries, the increase in the weight of exports of products with higher technological intensity and the increase of trade imbalances in EA.
The review of the literature identified three major groups of determinants of export performance: a price competitiveness, a non-price competitiveness and demand. This study use a panel data econometric model applied to the equation of export demand, seeks to explore the determinants of the dynamics of manufacturing exports in twelve countries of EA in the period from 2000 to 2014. In particular, are considered as explanatory variables of manufacturing exports, external demand, price competitiveness, industrial production, domestic demand and export composition. The results suggest that an increase in external demand, domestic demand and industrial production have a positive effect on manufacturing exports. It is confirmed that an appreciation in real effective exchange rate has a negative effect on manufacturing exports. In contrast, the results suggest that the composition of exports is not a determinant of export performance in the EA.
Keywords: Exports, Euro Area, Competitiveness, Economic crisis, Trade imbalances, Panel data.
ÍNDICE
LISTA DE FIGURAS ... II LISTA DE TABELAS ... III LISTA DE ABREVIATURAS E ACRÓNIMOS ... IV
CAPÍTULO 1 - INTRODUÇÃO ... 1
CAPÍTULO 2 - EVOLUÇÃO DAS EXPORTAÇÕES ... 5
2.1INTRODUÇÃO ... 6
2.2EVOLUÇÃO DAS EXPORTAÇÕES MUNDIAIS ... 7
2.3EVOLUÇÃO DAS EXPORTAÇÕES NA UNIÃO EUROPEIA ... 12
2.4EVOLUÇÃO DAS EXPORTAÇÕES NA ÁREA DO EURO ... 15
2.4.1 Evolução do grau de abertura ... 15
2.4.2 Evolução das exportações por intensidade tecnológica ... 17
2.4.3 Desequilíbrios comerciais na Área do Euro ... 23
2.5SÍNTESE ... 27
CAPÍTULO 3 - TEORIAS E DETERMINANTES DAS EXPORTAÇÕES NO ÂMBITO DE UMA UNIÃO MONETÁRIA ... 29
3.1INTRODUÇÃO ... 30
3.2ATEORIA DAS ÁREAS MONETÁRIAS ÓTIMAS (TAMO) ... 30
3.2.1 Contributos Clássicos ... 30
3.2.2 Desenvolvimentos Recentes ... 36
3.2.3 A UEM à luz da TAMO ... 39
3.3DETERMINANTES DO DESEMPENHO DAS EXPORTAÇÕES ... 44
3.3.1 Conceitos ... 44
3.3.2 Competitividade Preço ... 53
3.3.3 Competitividade não-preço ... 61
3.3.4 Procura ... 68
3.4SÍNTESE ... 70
CAPÍTULO 4 - ESTUDO EMPÍRICO SOBRE AS DETERMINANTES DAS EXPORTAÇÕES DA INDÚSTRIA TRANSFORMADORA NA ÁREA DO EURO ... 73
4.1INTRODUÇÃO ... 74
4.2LITERATURA EMPÍRICA SOBRE DETERMINANTES DO DESEMPENHO DAS EXPORTAÇÕES ... 74
4.3DADOS E METODOLOGIA ... 87
4.3.1 Variáveis, dados e estatísticas descritivas ... 87
4.3.2 Modelo e métodos ... 93
4.4ESTIMAÇÃO EMPÍRICA E RESULTADOS ... 98
4.5CONCLUSÕES ... 103
CAPÍTULO 5 - CONCLUSÕES ... 105
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ... 110
LISTA DE FIGURAS
Figura 1 - Quotas das Exportações de Produtos Top 15, em 1999 e 2014 ... 9
Figura 2 - Quotas das Exportações de Produtos da Tríade e da China, em 1999 e 2014 ... 10
Figura 3 - Peso das Exportações de produtos dos países membros da UE nas exportações de produtos da UE28, 1999 e 2014 ... 14
Figura 4 - Evolução das Exportações de bens e serviços na AE12 em biliões de €, 1991-2014 ... 15
Figura 5 - Crescimento das Exportações da AE12 ... 15
Figura 6 - Peso das Exportações de bens e serviços no PIB nacional ... 16
Figura 7 - Peso das exportações por intensidade tecnológica nas exportações totais nacionais dos países da AE12, de 1990 a 2011 ... 19
Figura 8 - Balança comercial da AE12, em % do PIB, 1999-2013 ... 25
Figura 9 - Esquema da Competitividade Microeconómica e Macroeconómica ... 46
LISTA DE TABELAS
Tabela 1 - Composição geográfica das exportações de produtos. Top dos 15 maiores exportadores mundiais de
mercadorias, em %, 1999 e 2014 ... 7
Tabela 2 - Quotas de Mercado das Exportações de Produtos da UE28, da AE12, EUA, Japão e BRIC, 1999 e 2014... 10
Tabela 3 - Quotas de Mercado das Exportações de Produtos dos Estados-membros da UE, 1999 e 2014 ... 12
Tabela 4 - Resumo da literatura recente sobre determinantes das exportações na AE ... 84
Tabela 5 - Descrição dos dados e fontes ... 90
Tabela 6 - Estatísticas descritivas das variáveis ... 93
Tabela 7 - Determinantes das exportações nos países da área euro, 2000-2014 ... 102
Tabela 8 - Sinais esperados e resultados dos coeficientes das variáveis explicativas do desempenho das exportações ... 102
Tabela A 1 - Classificação das indústrias transformadoras em 4 categorias segundo a intensidade de I&D dos produtos ...117
LISTA DE ABREVIATURAS E ACRÓNIMOS
AE Área do Euro
AE12 Área Euro dos 12 países
AMECO Annual Macro-economic Database (Comissão Europeia)
AMO Área Monetária Ótima
BCE Banco Central Europeu
BRIC Brasil, Rússia, Índia e China
CUTET Custos Unitários de Trabalho na Economia Total
CUTIT Custos Unitários de Trabalho na Indústria Transformadora DOTS Direction of Trade Statistics
DPIB Deflator do Produto Interno Bruto
ECM Error Component Model
EGLS Estimated Generalized Least Squares
EUA Estados Unidos da América
FBCF Formação Bruta de Capital Fixo FGLS Feasible Generalized Least Squares
FMI Fundo Monetário Internacional
GATT Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio
GLS Generalized Least Squares
GMM Generalized Method of Moments
I&D Investigação e Desenvolvimento
ICH Indicadores de Competitividade Harmonizados IDE Investimento Direto Estrangeiro
IFS Information Finantial Statistics
INS Information Notice System
IPC Índice de Preços no Consumidor
ISIC International Standard Industrial Classification
OCDE Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico
OLS Ordinary Least Squares
OMC Organização Mundial do Comércio
PECO Países da Europa Central e Ocidental PIB Produto Interno Bruto
SITC Standard International Trade Classification
TAMO Teoria das Áreas Monetárias Ótimas
TCE Taxa de Câmbio Efetiva
TCEN Taxa de Câmbio Efetiva Nominal TCER Taxa de Câmbio Efetiva Real
UE União Europeia
UE28 União Europeia dos 28 países
UEM União Económica e Monetária
UN United Nations
UNCTAD United Nations Conference on Trade and Development USPTO U.S. Patent Trademark Office
__________
Capítulo 1
1. Introdução
Durante a recente crise económica e financeira sentiu-se uma queda da produção em todas as economias desenvolvidas, que foi acompanhada por quebras ainda mais fortes no comércio internacional. Este período foi designado de “o grande colapso do comércio” e foi a maior queda do comércio internacional que se fez sentir num passado recente, tendo o comércio mundial caído 15% durante o final de 2008 e início de 2009 (Lewis & De Schryder, 2015). Para além disso, a crise apresentou uma elevada sincronização com a queda das exportações em todas as economias avançadas e em quase todas as indústrias (Baldwin, 2009).
O contexto de crise económica, que o mundo enfrentou, realçou ainda mais os desequilíbrios vividos entre os Estados-membros da Área do Euro (AE). Estes desequilíbrios notaram-se ao nível da balança comercial dos países. Na União Económica e Monetária (UEM) Europeia, os países membros apresentam diferentes saldos na balança comercial e é de salientar que os países do sul apresentam saldos deficitários, enquanto que os países do centro e norte exibem saldos superavitários. A balança comercial demonstra o desempenho externo de cada país e o seu poder de competir a nível mundial com outros países. Neste sentido, torna-se relevante investigar o porquê de existirem estes desequilíbrios dentro da AE. Estes desequilíbrios, levam a crer que a AE está longe de ser uma área monetária ótima, estando ainda sujeita a choques assimétricos1 que podem por em causa a sustentabilidade dessa união monetária. Os desequilíbrios vividos na AE podem estar relacionados com os diferentes desempenhos das exportações que os Estados-membros apresentam. E porque é que as exportações são mais relevantes do que as importações? De acordo com Wierts, Van Kerkhoff, e De Haan (2014), as exportações são um indicador mais importante porque refletem o poder competitivo dos países, enquanto que as importações são principalmente influenciadas pela procura interna. Para além do impacto da crise económica e financeira, o emergir de certos países no panorama do comércio internacional, também parece ter tido impacto no desempenho das exportações da AE. Por exemplo, a grande ascensão da China, teve repercussões no peso do comércio internacional da AE e da União Europeia (UE) no mundo. O evoluir dos países emergentes no comércio internacional, fez deslocar muita da produção da AE, principalmente
1 Os choques assimétricos ocorrem quando um acontecimento económico atinge apenas um grupo de países ou
dos países periféricos para países em ascensão, sendo que os que mais parecem ter sofrido com isso foram os países da periferia.
Este trabalho de investigação pretende aprofundar o estudo de vários problemas vividos no comércio internacional e na AE: os desequilíbrios comerciais vividos na AE, o contexto de crise económica e financeira e a ascensão de países emergentes em contrapartida da perda de quotas de mercado das exportações da AE.
O objetivo geral desta Dissertação de Mestrado é identificar, analisar e avaliar as determinantes das exportações da AE e como objetivos específicos mais importantes elegemos os seguintes:
• Analisar a evolução das exportações da AE e dos seus Estados-membros, tendo em conta as grandes potências mundiais, os países em ascensão no comércio internacional, o grau de abertura, os produtos por intensidade tecnológica e os desequilíbrios da balança comercial;
• Expor as determinantes das exportações, centrando a problemática do bom funcionamento de uma união monetária; e
• Avaliar empiricamente o papel da taxa de câmbio, da procura externa, da procura interna, da composição das exportações e da produção na dinâmica das exportações da indústria transformadora na AE.
Em termos metodológicos, neste trabalho procede-se a uma recolha de dados estatísticos, à construção de indicadores de competitividade das exportações, à sua análise e interpretação. De seguida, faz-se o levantamento da literatura associada à dinâmica das exportações numa união monetária, nomeadamente da teoria sobre a viabilidade de uma união monetária e das determinantes que podem influenciar o desempenho das exportações numa união monetária. Após o levantamento da literatura empírica sobre as determinantes do desempenho das exportações, realiza-se um estudo empírico com base no modelo tradicional da dinâmica das exportações de Goldenstein e Khan (1985), estimando uma regressão econométrica de dados em painel da equação das exportações da indústria transformadora em função da taxa de câmbio, da procura externa e interna, da composição das exportações e da produção industrial, com recurso aos estimadores pooled ols, modelo de efeitos fixos e modelo de efeitos aleatórios.
O trabalho está estruturado em cinco capítulos. No capítulo 1 é feita uma introdução, onde se fundamenta a escolha do tema “Dinâmica das Exportações na AE”, e onde se expõem os problemas de investigação, os objetivos a alcançar, a metodologia e a organização da dissertação. O segundo capítulo analisa a evolução das exportações do conjunto da AE e dos seus Estados-membros, comparando-a e contextualizando-a na Europa e no Mundo, tendo em conta as economias mais relevantes no panorama do comércio internacional. O terceiro capítulo procura identificar as determinantes das exportações de uma união monetária, tendo em conta o bom funcionamento da mesma. No quarto capítulo realiza-se um estudo empírico do desempenho das exportações da indústria transformadora, tendo em conta os estudos já realizados. Por último, no capítulo 5, são apresentadas as conclusões gerais, as limitações do estudo e pistas de investigação futura.
__________
Capítulo 2
Evolução das
2.1 Introdução
O emergir de alguns países no comércio internacional, como por exemplo a China, tem alterado os padrões de comércio mais remotos e teve impacto no comércio internacional da zona euro. Chen, Milesi-Ferretti, e Tressel (2013) referem que a ascensão da China teve impacto positivo no desempenho das exportações da Alemanha, porque fez disparar a procura de máquinas e equipamentos exportados pela mesma, enquanto que teve impacto negativo nos países periféricos da zona euro, sendo que parte das exportações destes países foram deslocadas para a China. Sendo assim, um dos objetivos deste capítulo é analisar a evolução das exportações mundiais, através de quotas de mercado das exportações de mercadorias, para analisar quais os países que estão a emergir e a melhorar o desempenho das exportações e quais os países que mais sofreram uma perda e estão a diminuir a sua importância no panorama do comércio internacional.
A crise económica e financeira com começo em 2008/2009 e a posterior crise da dívida soberana atingiram a economia mundial, sendo que a AE também foi afetada. A AE, desde a sua existência, nunca viu sofrer tantos desajustes e momentos de pressão como nos últimos anos (Chen et al., 2013). A crise parece ter afetado a AE e contribuído para o acentuar dos desequilíbrios comerciais entre estados membros. Outro objetivo do capítulo é analisar a evolução das exportações da AE, dando destaque ao período de crise, analisando indicadores importantes como o grau de abertura, o peso das exportações por intensidade tecnológica e os saldos da balança comercial de bens e serviços.
Este capítulo está estruturado em cinco secções. Na secção 2.2, faz-se uma análise da evolução das exportações mundiais de mercadorias de 1999 para 2014, que analisa a evolução dos maiores exportadores mundiais (top 15), das grandes potências ou tríade (União Europeia, Estados Unidos da América e Japão) e dos países em ascensão, os BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) através do índice de quotas de mercado, ou seja do peso das exportações de mercadorias nacionais no total de exportações de mercadorias mundiais. Na secção 2.3, faz-se uma análise da evolução das exportações na UE de 1999 para 2014, que analisa a evolução da quota de mercado das exportações dos países membros da UE e da AE. Na secção 2.4, faz-se uma análise da evolução das exportações na AE que se divide em três subsecções: evolução do grau de abertura (2.4.1); evolução das exportações por intensidade tecnológica (2.4.2); e
desequilíbrios comerciais na AE (2.4.3). Por fim, na secção 2.5 é apresentada um síntese contendo as principais conclusões decorrentes da análise realizada.
2.2 Evolução das Exportações Mundiais
Nesta secção tenta-se dar um contexto de como se encontram e como evoluíram as exportações mundiais calculando a quota de mercado das exportações de cada país nas exportações totais mundiais. Este indicador foi escolhido para analisar o desempenho das exportações, porque revela muito acerca do desempenho das exportações dos países, tendo em conta que quanto maior for a sua quota de mercado maior o seu desempenho comercial e isto é apontado e estudado pela literatura como por exemplo por Cheptea, Fontagné, e Zignago (2014).
Primeiro, começa-se por apresentar os 15 países com maiores quotas de mercado das exportações a nível mundial (Tabela 1 e Figura 1). A Tabela 1 apresenta as quotas de mercado das exportações a nível mundial em 1999 e 2014, bem como a sua alteração de 1999 para 2014. Sendo assim a Tabela 1 apresenta o peso das exportações de bens de cada país no total das exportações de bens mundiais, bem como as mudanças efetuadas de um ano para o outro.
Tabela 1 – Composição geográfica das exportações de produtos. Top dos 15 maiores exportadores mundiais de mercadorias, em %, 1999 e 2014 País/Ano 2014 1999 1999-2014 País/Índice Quota de Mercado Posição Quota de Mercado Posição Variação em p.p .das Quotas de Mercado Variação (%) China 14,31% 1º 3,56% 8º 10,75 301,5 EUA 9,90% 2º 12,67% 1º -2,77 -21,8 Alemanha 9,23% 3º 9,92% 2º -0,69 -7,0 Japão 4,18% 4º 7,64% 3º -3,46 -45,3 Holanda 3,51% 5º 3,12% 11º 0,39 12,6 França 3,46% 6º 5,41% 4º -1,95 -36,1 Itália 3,23% 7º 4,30% 7º -1,07 -24,8 Hong Kong 3,20% 8º 3,19% 10º 0,01 0,4 Reino Unido 3,12% 9º 4,85% 5º -1,73 -35,7 Rússia 3,04% 10º 1,33% 20º 1,71 128,1 Canadá 2,89% 11º 4,37% 6º -1,48 -33,8 Bélgica 2,88% 12º 3,27% 9º -0,39 -11,9 Singapura 2,50% 13º 2,10% 15º 0,40 19,2 México 2,43% 14º 2,49% 13º -0,06 -2,5 Espanha 1,95% 15º 2,04% 16º -0,09 -4,3
Fonte: UN Comtrade Database, cálculos próprios.
Notas: (1) Os países encontram-se ordenados pelas quotas de mercado de 2014. (2) A Coreia do Sul não dispõe de dados para 2014.
Analisando a Tabela 1, nota-se que no panorama mundial os países que dominavam o mercado de exportações com as maiores quotas de mercado em 1999, eram os Estados Unidos da América (EUA) (12,67%), a Alemanha (9,92%), o Japão (7,64%), a França (5,41%) e o Reino Unido, (4,85%). Este top 5 ilustra que o comércio mundial era dominado pela Tríade (EUA, UE e Japão), as três potências apontadas pela literatura na época. Em 2014, é de salientar a mudança da primeira posição no ranking, tendo os EUA perdido a sua posição para a China. Assim o top 5 de quotas de mercado em 2014 é constituído pela China (14,31%), EUA (9,9%), Alemanha (9,23%), Japão (4,18%) e Holanda (3,51%). Regista-se a entrada da China e da Holanda e a saída da França e do Reino Unido.
A China destaca-se, passando da 8ª posição para a 1º de 1999 para 2014 de uma quota de mercado de 3,56% para uma quota de 14,31%, respetivamente, com uma variação de 10,75 pontos percentuais, tendo um impressionante crescimento. O segundo país que apresentou um bom crescimento da quota de mercado de 1999 para 2014 foi a Rússia, que saltou da 20ª posição para a 10ª, de uma quota de mercado de 1,33% para uma quota de mercado de 3,04%, respetivamente, e com uma variação de 1,71 pontos percentuais. Outros países que acentuaram a sua quota de mercado mundial foram Singapura de 2,10% para 2,50% e a Holanda de 3,12% para 3,51%, subindo no ranking da 15ª posição para a 13ª e da 11ª posição para a 5ª posição, respetivamente.
Já relativamente aos países que baixaram as suas quotas de mercado, destaca-se o Japão e os EUA com as maiores variações de -3,46% e de -2,77% pontos percentuais, respetivamente. Em primeiro lugar, o Japão desceu da 4ª para a 3ª posição de uma quota de 7,64% para 4,18% e em segundo lugar os EUA, com uma queda da 1ª posição para a 2ª posição, perdendo o seu lugar para a China como já descrito, sendo que a sua quota baixou de 12,67% para 9,90%. Em relação ao crescimento das quotas de exportação de 1999 para 2014, ressalta-se a China com um crescimento excecional de 301,5%, seguido da Rússia com um crescimento de 128,1%. Já quanto aos decréscimos da quota de mercado de 1999 para 2014 destaca-se o Japão com um decréscimo de -45,3%, seguido da França 36,1%), do Reino Unido 35,7%), do Canadá (-33,8%), da Itália (-24,8%) e dos EUA (-21,8%).
Pela observação da Figura 1 constata-se que os outros países têm uma pequena força e poder no panorama mundial, pois apenas 3 países (China, EUA e a Alemanha, em 2014, ou EUA, Alemanha e Japão, em 1999) representavam 33% e 31%, respetivamente, das exportações de produtos mundiais, ou seja, eram responsáveis por um terço das exportações de produtos
mundiais. Tanto em 2014, como em 2009, os 15 países com maior peso nas exportações mundiais representavam 70% das exportações mundiais, sobrando apenas 30% das exportações de produtos mundiais para todos os outros países.
Figura 1 – Quotas das Exportações de Produtos Top 15, em 1999 e 2014 Fonte: UN Comtrade Database, cálculos próprios.
A Tabela 2, apresentada em baixo, é semelhante à Tabela 1, mas expondo as quotas de mercado das exportações de grandes potências (UE, EUA e Japão) e dos países em ascensão, que são os BRIC. Nesta tabela, apresenta a UE com 28 países membros e a AE com 12 países membros, comparando estas uniões com os restantes países já mencionados. Sendo assim a Tabela 2 analisa a tríade (UE, EUA e Japão) em comparação com os BRIC, dois grandes grupos com grande relevância a nível do comércio internacional.
China 4% EUA 13% Alemanha 10% Japão 8% Holanda 3% França 5% Itália 4% Hong Kong 3% Reino Unido 5% Rússia 1% Canada 4% Bélgica 3% Singapura 2% México 2% Espanha 2% Outros 30% 1999 China 14% EUA 10% Alemanha 9% Japão 4% Holanda 4% França 3% Itália 3% Hong Kong 3% Reino Unido 3% Rússia 3% Canada 3% Bélgica 3% Singapura 3% México 2% Espanha 2% Outros 30% 2014
Tabela 2 – Quotas de Mercado das Exportações de Produtos da UE28, da AE12, EUA, Japão e BRIC, 1999 e 2014 País/Ano 2014 1999 1999-2014 País/Índice Quota de Mercado Posição Quota de Mercado Posição Variação em p.p. das Quotas de Mercado Variação (%) UE28 36,89% - 41,41% - -4,52 -10,9 AE12 27,18% - 32,00% - -4,82 -15,1 China 14,31% 1º 3,56% 8º 10,75 301,5 EUA 9,90% 2º 12,67% 1º -2,77 -21,8 Japão 4,18% 4º 7,64% 3º -3,46 -45,3 Rússia 3,04% 10º 1,33% 20º 1,71 128,2 Índia 1,94% 16º 0,68% 31º 1,26 187,4 Brasil 1,38% 21º 0,88% 28º 0,50 56,7
Fonte: UN Comtrade Database, cálculos próprios.
Através da Tabela 2, podemos enfatizar a conclusão anterior de que a tríade tem perdido quota de mercado para os países emergentes, neste caso para os BRIC. Além do crescimento espetacular já relatado da China, os restantes BRIC não ficam muito atrás, pois temos a Índia com um crescimento de 187,4%, seguida da Rússia (128,2%) e, por último, mas não menos importante, o Brasil com um crescimento de 56,7%. Aqui denota-se, que realmente a tríade perde quota para os países emergentes, neste caso para os BRIC, mas essa perda foi maior para o Japão e EUA, do que para a UE28 ou para a AE12 e isto vai ao encontro das conclusões referidas por Cheptea, Emlinger, Fontagné, Orefice, e Pindyuk (2014) e Cheptea, Fontagné, et al. (2014).
Figura 2 - Quotas das Exportações de Produtos da Tríade e da China, em 1999 e 2014 Fonte: UN Comtrade Database, cálculos próprios.
UE28; 36,89% China; 14,31% EUA; 9,90% Japão; 4,18% Outros; 34,72% 2014 UE28; 41,41% China; 3,56% EUA; 12,67% Japão; 7,64% Outros; 34,72% 1999
A Figura 2 apresenta as quotas de mercado mundial das exportações de produtos para a tríade e para a China e através da sua observação podemos ver que estas potências representam mais de 65% das exportações mundiais de produtos tanto em 2014 como em 1999, apenas restando cerca de 35% para os outros países. Verifica-se um crescimento enorme da China em contrapartida do decréscimo da UE28, EUA e Japão e é de notar que o crescimento da China é igual à queda destas três potências. Apesar da tríade ter perdido quota de mercado para a China, foi no Japão e nos EUA que a perda foi mais significativa.
2.3 Evolução das Exportações na União Europeia
A Tabela 3 apresenta as quotas de mercado das exportações de produtos de cada um dos Estados-membros da UE e do agregado UE28 e do conjunto dos doze países iniciais da AE nos anos de 1999 e de 2014.
Tabela 3 - Quotas de Mercado das Exportações de Produtos dos Estados-membros da UE, 1999 e 2014
País/Ano 2014 1999 1999-2014
País/Índice Quota de Mercado Posição Quota de Mercado Posição
Variação em p.p. das Quotas de Mercado Variação (%) Un iã o E u ro p ei a 28 p aí se s UE28 36,89% - 41,41% - -4,52 -10,9 Bulgária 0,18% 54º 0,07% 66º 0,11 151,1 Chipre 0,01% 94º 0,02% 91º -0,01 -35,4 Croácia 0,08% 64º 0,08% 65º 0,01 8,5 Dinamarca 0,67% 32º 0,90% 26º -0,22 -24,9 Eslováquia 0,53% 35º 0,18% 51º 0,34 186,4 Eslovénia 0,19% 53º 0,16% 52º 0,03 19,8 Estónia 0,11% 60º 0,06% 68º 0,05 95,5 Hungria 0,69% 31º 0,46% 38º 0,23 50,8 Letónia 0,08% 65º 0,03% 78º 0,05 164,7 Lituânia 0,20% 52º 0,05% 69º 0,14 261,7 Malta 0,03% 82º 0,04% 76º -0,01 -15,8 Polónia 1,32% 22º 0,50% 33º 0,81 162,8 Reino Unido 3,13% 9º 4,85% 5º -1,72 -35,4 República Checa 1,07% 24º 0,49% 34º 0,57 117,1 Roménia 0,43% 39º 0,16% 53º 0,27 175,6 Suécia 1,01% 26º 1,38% 19º -0,38 -27,1 Ár ea Eu ro 1 2 p aí se s AE12 27,17% - 31,99% - -4,82 -15,07 Alemanha 9,23% 3º 9,92% 2º -0,69 -7,0 Áustria 1,04% 25º 1,08% 22º -0,04 -3,7 Bélgica 2,88% 12º 3,27% 9º -0,39 -11,9 Espanha 1,95% 15º 2,04% 16º -0,09 -4,4 Finlândia 0,45% 38º 0,76% 30º -0,31 -40,8 França 3,46% 6º 5,41% 4º -1,95 -36,0 Grécia 0,22% 51º 0,20% 50º 0,02 10,0 Holanda 3,51% 5º 3,12% 11º 0,39 12,5 Irlanda 0,72% 30º 1,30% 21º -0,58 -44,6 Itália 3,23% 7º 4,30% 7º -1,07 -24,9 Luxemburgo 0,09% 61º 0,14% 54º -0,05 -35,7 Portugal 0,39% 43º 0,45% 39º -0,06 -13,3
Fonte: UN Comtrade Database, cálculos próprios.
Conforme se pode observar na Tabela 3, a UE28 e a AE12 representam 37% e 27%, respetivamente, do comércio mundial de exportações de produtos, em 2014, no entanto em
1999, representavam 41,41% e 31,99% respetivamente. De 1999 para 2014 a UE28 perdeu 4,52 pontos percentuais de quota de mercado das exportações, enquanto que a AE12 perdeu quase 5 pontos percentuais, o que representa um decréscimo de cerca de 11% no primeiro caso e de 15% no segundo caso. Comparando a UE28 com a AE12, em primeiro lugar, constatamos que os 12 países da AE são os que detêm maiores quotas de mercado de exportação de produtos. No entanto foi este grupo que sentiu os maiores decréscimos de 1999 para 2014, visto que todos os países da AE12 diminuíram a sua quota, à exceção da Holanda e da Grécia com um crescimento da quota de 12,5% e de 10%, respetivamente. Em segundo lugar, nota-se que os países pertencentes à UE28, mas não pertencentes à AE12, demonstram uma evolução mais positiva que os países da AE12, sendo que alguns contam mesmo com elevadas taxas de crescimento das suas quotas de mercado de exportações de produtos. Os países da UE28, não pertencentes à AE12, que obtiveram maiores crescimentos da sua quota de mercado de 1999 para 2014 foram a Lituânia (261,7%), a Eslováquia (186,4%), a Roménia (175,6%), a Letónia (164,7%), a Polónia (162,8%) e a Bulgária (151,1%), podendo ver-se que são os países que entraram mais tardiamente na UE que estão a ter melhor desempenho. Ainda de referir que dos países da UE não pertencentes à AE12, apenas 5 obtiveram um crescimento negativo da quota das exportações de produtos, que foram o Reino Unido, o Chipre, a Suécia, a Dinamarca e Malta enquanto os restantes 11 países conseguiram um crescimento positivo das suas quotas. Observamos ainda que quase todos os Estados-membros da AE12 diminuíram a quota de mercado de 1999 para 2014, com exceção da Holanda e da Grécia que cresceram ligeiramente e à volta dos 10%. Apesar do crescimento das exportações de 1999 para 2014 a rondar os 10% da Grécia e Holanda, este crescimento comparado com outros crescimentos das exportações de países da UE é diminuto.
A Figura 3 apresenta o peso das exportações de produtos dos países da UE nas exportações de produtos totais dos 28 países membros da UE, ou seja a quota das exportações de cada Estado-membro da UE no total das exportações da UE28.
Figura 3 – Peso das Exportações de produtos dos países membros da UE nas exportações de produtos da UE28, 1999 e 2014
Fonte: UN Comtrade Database, cálculos próprios.
Com a observação da Figura 3, constata-se que a Alemanha tem um enorme peso nas exportações da UE, representando cerca de um quarto das exportações da UE28 tanto em 2014 como em 1999, sendo por isso o maior responsável pela grande quota de mercado mundial de exportações de produtos da UE28. Constata-se também, que os 7 países (Alemanha, Holanda, França, Itália, Reino Unido, Bélgica e Espanha) apresentados na figura, representam cerca de três quartos das exportações da UE28 em 2014 e de quatro quintos em 1999. Destacando a Alemanha, esta tem uma quota de mercado semelhante à dos restantes 21 países da UE28 representados na figura por outros em 2014 e em 1999 a sua quota até era superior à dos restantes 21 países. É de denotar que apenas a Alemanha e a Holanda crescem em quota de mercado de exportação de produtos de 1999 para 2014 no mercado da UE28, caindo todos os restantes países exibidos. Em termos de repartição da quota de mercado, esta parece ter melhorado de 1999 para 2014, sendo que os países representados como Outros (21 países restantes), aumentaram a sua quota de cerca 21% para cerca de 26%. No entanto, a conclusão que se pode retirar é que continua a existir uma repartição das exportações desigual e um domínio da Alemanha no panorama europeu cada vez mais marcado.
Alemanha ; 25,04% Holanda; 9,52% França; 9,39% Itália; 8,76% Reino Unido; 8,47% Bélgica; 7,83% Espanha; 5,28% Outros; 25,71% 2014 Alemanha ; 23,96% Holanda; 7,53% França; 13,07% Itália; 10,37% Reino Unido; 11,72% Bélgica; 7,89% Espanha; 4,92% Outros; 20,54% 1999
2.4 Evolução das Exportações na Área do Euro
2.4.1 Evolução do grau de aberturaA Figura 4 apresenta a evolução das exportações da AE12 em biliões de €, dividindo as exportações em três categorias: bens e serviços (total), bens e serviços.
Figura 4 – Evolução das Exportações de bens e serviços na AE12 em biliões de €, 1991-2014 Fonte: Base de dados da AMECO, exportações a preços constantes, ano base 2010
Com a análise da Figura 4 constata-se que as exportações da AE12 evoluíram positivamente durante o período 1991 a 2014, exceto no ano de 2009, em que as exportações viram um decréscimo.
A Figura 5 apresenta o crescimento das exportações registado na AE desde o período de 1992 a 2014, dividindo as exportações em total, de bens e de serviços.
Figura 5 - Crescimento das Exportações da AE12
Fonte: Base de dados da AMECO, exportações a preços constantes, ano base 2010, cálculos próprios
Analisando a Figura 5, que mostra o crescimento das exportações na AE12, verifica-se que durante todo o período as exportações de bens e serviços cresceram, com os maiores
1405,33 4125,53 1056,91 3130,39 358,39 995,42 0 1000 2000 3000 4000 5000
Exportações totais Exportações de Bens Exportações de Serviços
-15% -10% -5% 0% 5% 10% 15%
crescimentos registados em 1997, 2000, e 2010 de mais de 10%. No entanto houve um decréscimo forte em 2009, causado pela crise económica e financeira recente. Esta queda é identificada por Lewis e De Schryder (2015), designando-a como o grande colapso do comércio, afirmando que o comércio mundial caiu 15% no final de 2008 e início de 2009. Ainda em relação à Figura 5 também se denota um decréscimo nas exportações de serviços em 2003 embora ligeiro.
A Figura 6 apresenta o peso das exportações de bens e serviços dos Estados-membros da AE no PIB nacional, nos anos de 1999 e 2014.
Figura 6 – Peso das Exportações de bens e serviços no PIB nacional Fonte: Base de dados da AMECO, cálculos próprios
Segundo a Figura 6, todos os países aumentaram o peso das exportações no PIB, o que demonstra uma crescente abertura ao comércio internacional por parte destes. De referir um caso extraordinário que é o Luxemburgo que aumentou este indicador e em 2014 apresenta o volume de exportações duas vezes superior ao do seu PIB, pois as exportações representam quase 200% do PIB. Outros países também apresentam este indicador maior do que a média da AE12, como a Irlanda, a Bélgica, a Holanda, a Áustria e a Alemanha. Por outro lado, os países com piores resultados neste indicador são por ordem a França, a Itália, a Grécia, a Espanha e Portugal. Denota-se então que os países do sul da Europa são os que apresentam piores pesos de exportações de bens e serviços em relação ao seu PIB.
141,8% 74,2% 61,9% 56,3% 37,0% 25,5% 28,7% 31,8% 22,8% 24,0% 19,2% 21,8% 22,7% 196,0% 111,9% 85,4% 82,2% 53,9% 46,9% 43,6% 39,6% 38,9% 30,9% 30,2% 29,2% 28,6% 0% 20% 40% 60% 80% 100% 120% 140% 160% 180% 200% 1999 2014
2.4.2 Evolução das exportações por intensidade tecnológica
A Figura 7 apresenta o peso das exportações de produtos da indústria transformadora utilizando quatro categorias diferentes de produtos (alta, média-alta, média-baixa e baixa tecnologia) no total das exportações de bens da AE12, para cada um dos Estados-membros iniciais da AE, no período compreendido entre 1990 e 2011.A decomposição das exportações é baseada na classificação da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) - International Standard Industrial Classification (ISIC), revisão 3. Nesta classificação as indústrias transformadoras são divididas em categorias segundo a intensidade de Investigação e Desenvolvimento (I&D) dos produtos (ver anexo A). Este indicador é importante porque reflete a competitividade não preço dos países, mais precisamente a composição das exportações, sendo a intensidade tecnológica uma proxy da composição das exportações. Este indicador é apontado pela literatura, por exemplo por Cheptea, Fontagné, et al. (2014) e Wierts et al. (2014), como um indicador importante e como um determinante positivo da dinâmica das exportações. Um país com maior peso de produtos exportados de alta tecnologia terá uma maior capacidade de inovar tecnologicamente e irá adquirir uma maior competitividade tecnológica, pois estes produtos são a saída de inovação e a fonte de rendimento de um país. Para além disso, trabalhos que assentam na investigação do desempenho das exportações como Cheptea, Fontagné, et al. (2014) e Wierts et al. (2014) também no seu estudo estudaram este mesmo indicador, no primeiro caso analisaram o peso das exportações de alta tecnologia para o ano de 2010 e a sua variação de 1995 para 2010 e no segundo caso observaram o peso de todas as intensidades tecnológicas (alta, média-alta, média-baixa e baixa tecnologia) nas exportações totais e no PIB do país em causa desde 1988 a 2009. Neste caso, optou-se por analisar todas as intensidades tecnológicas no total das exportações nacionais nos períodos que estavam disponíveis para os países, que na maior parte era de 1990 a 2011, exceto a Áustria que só tinha disponível dados de 1995 a 2011, a Espanha de 1990 a 2010 e o Luxemburgo de 1999 a 2011.
13,2% 17,3% 51,0% 47,1% 15,8% 15,6% 13,3% 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 Alemanha 9,1% 12,6% 35,9% 39,1% 21,1% 22,4% 29,7% 21,3% 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 Áustria 6,3% 16,1% 35,6% 36,0% 23,7% 21,5% 16,6% 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 Bélgica 7,2% 10,0% 37,9% 38,0% 21,2% 21,2% 20,3% 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 Espanha 8,6% 10,5% 26,3% 30,7% 17,9% 29,6% 44,4% 23,9% 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 Finlândia 14,8% 23,9% 37,0% 34,2% 16,8% 15,9% 22,4% 18,7% 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 França 1,6%6,6% 7,6% 11,5% 24,3% 47,6% 45,9% 19,9% 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 Grécia 12,7% 20,9% 24,8% 28,2% 17,1% 22,8% 24,2% 19,3% 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 Holanda
Figura 7 – Peso das exportações por intensidade tecnológica nas exportações totais nacionais dos países da AE12, de 1990 a 2011
Fonte: OCDE - STAN Bilateral Trade Database by Industry and End-use category, cálculos próprios.
Na Alemanha predominam as exportações de produtos de média-alta tecnologia a rondar os 50% em todo o período, apesar da tendência de decréscimo. Nesse país o peso das exportações de alta tecnologia cresceu de 13,2% em 1990 para 17,3% em 2011. Quanto às exportações de média-baixa tecnologia não se alteraram muito ao longo do período, mas as exportações de baixa tecnologia parecem ter vindo a perder peso. Em suma, na Alemanha regista-se um aumento do peso das exportações de altas tecnologias em detrimento de uma perda no peso das exportações de média-alta tecnologia e da baixa tecnologia, ou seja, a Alemanha verifica ao longo do período um crescimento do peso das exportações de produtos com intensidade tecnológica mais alta em detrimento das exportações de baixa tecnologia. No caso da Áustria, denota-se uma predominância das exportações de produtos de média-alta tecnologia que se veio a reforçar ao longo do período (de 35,9% em 1995 para 39,1% em 2011), ao contrário das exportações de baixa tecnologia que perderam relevância, passando da
31,6% 52,1% 19,6% 28,2% 7,7% 4,0% 32,3% 13,0% 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 Irlanda 9,8% 10,0% 36,2% 37,5% 18,1% 23,8% 32,0% 24,6% 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 Itália 10,6% 8,6% 24,5% 21,1% 44,0% 45,8% 16,9% 17,1% 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 Luxemburgo Alta Média-alta 5,8% 7,4% 19,9% 29,4% 12,4% 24,3% 57,8% 33,4% 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 Portugal Média-baixa Baixa
segunda categoria com maior peso em 1995 para o terceiro posto em 2011. Observando as exportações de alta tecnologia, a Áustria viu o seu peso subir consideravelmente ao longo do período 1995-2011 de 9,1% para 12,6%, enquanto que as exportações de média-baixa tecnologia permanecem quase inalterados ao longo do período. Em suma, a Áustria viu as suas exportações subirem a nível de intensidade tecnológica, com um crescimento do peso das exportações de alta e média-alta tecnologia a par do decréscimo do peso das exportações de baixa tecnologia.
Quanto à Bélgica verifica-se um crescimento do peso das exportações de alta tecnologia de 6,3% em 1990 para 16,1% em 2011, mas um decréscimo do peso das exportações de baixa tecnologia de 23,7% em 1990 para 16,6% em 2011. Em relação ao peso das exportações de média-alta e média-baixa tecnologia não houve grandes alterações, mas as exportações de média-alta tecnologia são as que mais predominam na Bélgica com um peso de aproximadamente 36%.
No caso da Espanha predominam as exportações de média-alta tecnologia a rondar os 38% sem grandes alterações ao longo do período em análise. Quanto ao peso das exportações de média-baixa e baixa tecnologia estas permanecem inalteradas ao longo do período por volta dos 20 e 21%. Regista-se ainda um crescimento do peso das exportações de alta tecnologia de 7,2% para 10%.
A Finlândia regista uma queda do peso das exportações de baixa tecnologia para quase metade do peso obtido em 1990, de 44% para 23,9%, que assim passou da categoria com maior peso em 1990 para a terceira em 2011. Quanto ao peso das exportações de média-alta e média-baixa, ambas tiveram um crescimento no período observado, embora o crescimento para as exportações de média-baixa tenha sido mais elevado. O peso das exportações de alta tecnologia verificou um aumento de 1990 até por volta de 2000, verificando oscilações até 2005 e a partir daí decresce. No entanto, em geral, houve uma tendência de crescimento, de 8,6% em 1990 para 10,5% em 2011. Em suma, na Finlândia houve uma queda elevada no peso das exportações de baixa tecnologia em contrapartida do crescimento do peso das restantes intensidades tecnológicas.
Na França são as exportações de produtos de média-alta tecnologia que predominam durante todo o período apesar da tendência de decréscimo. Também se constata o crescimento do peso das exportações de alta tecnologia, que em 1990 eram a categoria com menor peso (14,8%)
passando em 2011 para 23,9% das exportações totais, As exportações de baixa e média-baixa tecnologia verificaram uma diminuição do peso durante o período analisado, com maior decréscimo notado nas exportações de baixa tecnologia. Em suma, a França viu o peso das suas exportações de alta tecnologia aumentar em detrimento da queda do peso das exportações das restantes intensidades tecnológicas.
O caso da Grécia é o mais preocupante da AE12 em termos de intensidade tecnológica, porque durante todo o período (1990-2011) são as exportações de produtos de baixa e média-baixa tecnologia que predominam com um maior peso. Embora as exportações de intensidade tecnológica mais baixa predominem, houve uma melhoria ao longo destes anos, pois o peso das exportações de baixa tecnologia diminuíram, enquanto que as restantes tecnologias mais altas aumentaram. Apesar da melhoria do peso das intensidades tecnológicas mais altas, as exportações de alta e média-alta tecnologia continuam a ser as exportações com menor peso na Grécia. Mesmo assim as exportações de alta tecnologia cresceram, de 1990 de 1,6% para 7,6%, ou seja, quase cinco vezes mais.
Na Holanda as exportações de baixa tecnologia perderam peso de 1990 para 2011, em detrimento do crescimento do peso das restantes exportações de intensidades mais elevadas. O crescimento mais notório foi para o peso das exportações de alta tecnologia que aumentou de 12,7% para 22,8%.
Na Irlanda destaca-se o crescimento do peso das exportações de alta tecnologia de 31,6% em 1990 para 52,1% em 2011 e o decréscimo das exportações de baixa tecnologia de 32,3% em 1990 para 13% em 2011. É de referir também que o peso das exportações de produtos de média-alta tecnologia aumentou durante o período, enquanto que o peso das exportações de média-baixa tecnologia diminui. Em 2011 as intensidades de alta e média-alta tecnologia eram as categorias que predominavam nas exportações irlandesas. Em suma, a Irlanda teve um desenvolvimento bastante positivo, visto que as duas intensidades tecnológicas mais elevadas aumentaram em detrimento das duas intensidades mais baixas.
Na Itália, as exportações por nível de intensidade parecem pouco inalteradas ao longo do período em análise (1990-2011) verificando-se uma diminuição do peso das exportações de baixa tecnologia em detrimento do crescimento das exportações de média-baixa tecnologia. Durante todo o período foram as exportações de média-alta tecnologia que predominaram no país seguido das exportações de baixa tecnologia.
No Luxemburgo, de 1990 para 2011 tudo parece inalterado com as exportações de média-baixa tecnologia a predominarem com cerca de 45%, seguido das exportações de média-alta tecnologia e tendo, por último, as exportações de alta tecnologia que até parece ter tido um ligeiro decréscimo apresentando em 2011 um peso de 8,6%.
Na situação portuguesa denota-se um decréscimo do peso das exportações de produtos de baixa tecnologia, de 57,8% em 1990 para 33,4% em 2011, mas continuam a ser as exportações com maior peso. Pelo contrário, todas as restantes intensidades tecnológicas mais elevadas cresceram no período de 1990 a 2011. As exportações de produtos de alta tecnologia são a intensidade com menor peso no país representando 7,4% em 2011.
Em síntese, todos os países viram em geral o peso das exportações dos produtos de intensidades tecnológicas mais altas aumentarem durante o período de 1990 a 2011, apenas os últimos anos parecem ser menos positivos. Mas o peso das exportações de produtos com intensidades mais baixas diminuiu. Outro aspeto a referir é que a Grécia é o país a que apresenta uma estrutura de exportações com intensidades tecnológicas mais baixas logo seguida de Portugal. Somando o peso das exportações de baixa e média-baixa tecnologia, a Grécia apresenta 67,5% das exportações totais gregas e Portugal exibe um valor de 57,7%, contrapondo com um peso das exportações de alta e média-alta tecnologia somadas de 19,1% para a Grécia e de 31,7% para Portugal em 2014. Contrariamente à Grécia e a Portugal, a Irlanda, a Alemanha e a França são os países que expõem pesos superiores nas exportações de produtos com intensidades tecnológicas mais elevadas e pesos inferiores nas exportações de produtos com intensidades tecnológicas mais baixas.
Agora considerando apenas as exportações de alta tecnologia, os cinco países com maiores pesos em 2014 são a Irlanda (52,1%), a França (23,9%), a Holanda (20,9%), a Alemanha (17,3%) e a Bélgica (16,1%) e os 5 países com menor peso são Portugal (7,4%), a Grécia (7,6%), Luxemburgo (8,6%), a Itália (10%) e a Finlândia (10,5%). Estes tops referidos atrás não incluem a Espanha porque somente há dados até 2010, mas se considerarmos o seu peso em 2010 de 10%, inclui-se nos países com menor peso de exportações de alta tecnologia. Daqui podemos concluir que os países do sul (Portugal, Espanha, Grécia e Itália) muitas vezes apontados como os países com piores desempenhos de exportação estão também com os piores desempenhos tecnológicos, o que poderá ser consistente com a hipótese de que
quanto mais elevado for o peso das exportações de alta tecnologia maior o seu desempenho ou vice-versa. Isto está em linha com o trabalho de Wierts et al. (2014).
2.4.3 Desequilíbrios comerciais na Área do Euro
As balanças comerciais (total, de bens e de serviços), em percentagem do PIB, dos 12 Estados-membros iniciais da AE, de 1999 a 2013, são ilustradas na Figura 8. Nesta figura, os países apresentam a mesma escala de -20% a 20%. No entanto, o Luxemburgo e a Irlanda têm escalas diferentes porque apresentam balanças comerciais com um elevado peso no PIB. Outro aspeto importante a referir é que o Luxemburgo não disponibiliza dados para a balança de serviços e para a balança de bens e serviços de 1999 até 2001. Com este indicador podemos verificar a evolução das balanças comerciais, os superavits e os deficits e ainda verificar se existem ou não grandes desequilíbrios entre Estados-membros.
0,55 6,00 -20 -15 -10 -5 0 5 10 15 20 1999 2001 2003 2005 2007 2009 2011 2013 Alemanha 0,41 3,71 -20 -15 -10 -5 0 5 10 15 20 1999 2001 2003 2005 2007 2009 2011 2013 Áustria 6,98 0,29 -20 -15 -10 -5 0 5 10 15 20 1999 2001 2003 2005 2007 2009 2011 2013 Bélgica -1,86 2,81 -20 -15 -10 -5 0 5 10 15 20 1999 2001 2003 2005 2007 2009 2011 2013 Espanha
7,51 0,05 -20 -15 -10 -5 0 5 10 15 20 1999 2001 2003 2005 2007 2009 2011 2013 Finlândia 2,52 -1,26 -20 -15 -10 -5 0 5 10 15 20 1999 2001 2003 2005 2007 2009 2011 2013 França -7,67 -0,16 -20 -15 -10 -5 0 5 10 15 20 1999 2001 2003 2005 2007 2009 2011 2013 Grécia 4,58 10,99 -20 -15 -10 -5 0 5 10 15 20 1999 2001 2003 2005 2007 2009 2011 2013 Holanda 12,67 23,16 -20 -15 -10-5 0 5 10 15 20 25 30 1999 2001 2003 2005 2007 2009 2011 2013 Irlanda 2,04 2,47 -20 -15 -10 -5 0 5 10 15 20 1999 2001 2003 2005 2007 2009 2011 2013 Itália
Figura 8 - Balança comercial da AE12, em % do PIB, 1999-2013
Fonte: Elaboração própria com base em dados da Confererência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD stat)
Primeiro, começamos por destacar os países do sul, mais concretamente a Grécia, Portugal e Espanha, que parecem deter balanças comerciais semelhantes, mostrando uma balança comercial de bens sempre negativa e uma balança comercial de serviços sempre positiva durante todo o período. Adicionalmente, tais países exibem uma balança comercial de bens e serviços negativa durante quase todo o período analisado, tendendo a ser positiva ou nula nos últimos anos, devido principalmente ao desagravamento do deficit da balança comercial de bens e à melhoria do superavit da balança comercial de serviços. De notar que estes três países apresentam um melhor desempenho nas exportações de serviços, podendo ter a ver com o sector de turismo muito presente nestes países. No entanto, vê-se que o seu desempenho comercial nas exportações de bens parece ser fraca. Dos três países, a Grécia parecer ser o país mais frágil, por ter um deficit da balança de bens ao longo do período com maior peso no PIB, seguida de Portugal e da Espanha.
Outros dois países, a Itália e a França, têm em comum que o saldo da balança comercial é inferior a 5% do PIB durante o período de 1999 a 2013. Quanto à França esta passou de uma balança comercial de bens e serviços positiva a uma balança negativa de 2004 para 2005, devido ao acentuar do deficit da balança comercial de bens. Relativamente à Itália nota-se que o saldo da balança comercial se aproxima do equilíbrio. No entanto, nos últimos dois anos, denota-se um superavit da balança comercial de bens e serviços com tendência de crescimento. 26,66 39,38 -20 -10 0 10 20 30 40 50 1999 2001 2003 2005 2007 2009 2011 2013 Luxemburgo Bens Serviços -10,43 1,70 -20 -15 -10 -5 0 5 10 15 20 1999 2001 2003 2005 2007 2009 2011 2013 Portugal Bens e Serviços
Luxemburgo e a Irlanda são dois países que apresentam um superavit na balança comercial de bens e serviços, embora de origens diferentes, pois no Luxemburgo o que sustenta este
superavit é a balança comercial de serviços cobrindo com grande amplitude o deficit da
balança comercial de bens, enquanto que na Irlanda passa-se precisamente o contrário, sendo a balança de bens positiva que cobre largamente o deficit da balança de serviços, embora nos últimos anos as duas se apresentem positivas. De notar que o saldo da balança de bens e serviços nos últimos anos no Luxemburgo é cerca de 40% do PIB e na Irlanda ronda entre os 20 e os 25% do PIB.
A Alemanha, a Áustria e a Holanda, apresentam superavits na balança comercial de bens e serviços que aumentaram durante o período em análise. No entanto há diferenças nestes três países, no caso da Alemanha, o que sustenta o superavit da balança comercial de bens e serviços é a balança positiva de bens, que acaba por cobrir largamente o deficit da balança comercial de serviços. Ao contrário, a Áustria detém uma balança comercial positiva dos serviços e uma balança comercial negativa de bens. No entanto, o superavit da balança dos serviços supera largamente o deficit da balança de bens. No caso da Holanda ambas as balanças apresentam saldos positivos, superiores a 10% do PIB, em 2014.
A Finlândia e a Bélgica, de 1999 para 2014 têm vindo a diminuir o superavit da balança comercial de bens e serviços em % do PIB. Ambos partem de uma balança comercial de bens e serviços com um peso no PIB a rondar os 7% em 1999 e em 2014 registam um peso dessa balança perto de 0%.
Sintetizando, constata-se que os países da AE, têm balanças comerciais muito divergentes com evoluções diferentes, verificando-se uma desigualdade grande entre países, traduzindo-se em desequilíbrios comerciais existentes entre Estados-membros. Por um lado, temos países como a Grécia, Portugal e Espanha que sobressaem com saldos negativos da balança comercial de bens e serviços com grande peso em % do PIB, durante quase todo o período de análise. Por outro lado, temos países como a Alemanha, a Áustria, a Holanda, a Irlanda e o Luxemburgo, que expõem saldos da balança comercial de bens e serviços positivos e com um peso considerável no PIB e ainda todos estes países apresentam uma evolução de 1999 a 2013 do saldo da balança comercial de bens e serviços em % do PIB com um crescimento durante o período. Visto isto, as diferenças entre países são enormes na AE, tendo alguns países saldos bastante negativos e outros bastante positivos.
2.5 Síntese
Uma das conclusões do desenvolvimento das exportações a nível mundial, é que a tríade dominava os mercados internacionais em 1999 e foi perdendo a sua quota para a China até 2014. Isto poderá demonstrar o que a literatura descreve, segundo Cheptea, Fontagné, et al. (2014), que é o emergir de países em crescimento como os BRIC em contrapartida da perda de quota para a tríade, visto que se denota um grande crescimento da China e da Rússia em troca do decréscimo da quota de mercado dos EUA, Japão e dos países da Europa.
Relativamente à análise da evolução das exportações da UE, conclui-se que a UE viu diminuir a sua quota de mercado principalmente devido aos países da AE12 e dos países membros mais antigos, pois os novos países membros da UE até têm apresentado taxas de crescimento das suas quotas bastante elevadas. Ainda se denota uma liderança consistente bastante significativa da Alemanha nas exportações de mercadorias na UE, que se opõe a uma quota de mercado de exportações de outros países membros bastante pequenas.
No caso das exportações da AE, a análise mostra um aumento contínuo do volume de exportações de 1991 para 2014, apenas com uma quebra em 2009, que reflete o impacto negativo que a crise económica e financeira teve no comércio internacional da AE. No que diz respeito ao grau de abertura da AE, mais precisamente ao peso das exportações de bens e serviços em percentagem do PIB, verifica-se que a AE é uma economia bastante aberta ao comércio internacional e tem aumentado esta abertura comercial de 1999 para 2014. Diagnosticando o peso das exportações de produtos por intensidade tecnológica no total das exportações de produtos nacionais, pode-se constatar em primeiro lugar que todos os países viram o peso das exportações de alta tecnologia aumentar no período de 1990 a 2011, com exceção da Itália, que viu esse peso quase inalterado e do Luxemburgo que diminuiu esse peso. Também se constata que todos os países verificaram uma melhoria no peso das exportações por intensidade tecnológica, aumentando o peso das exportações de intensidades tecnológicas mais elevadas em contrapartida das intensidades tecnológicas mais baixas, com exceção do Luxemburgo que viu o peso das exportações de alta tecnologia diminuírem em contrapartida do aumento das restantes intensidades tecnológicas mais baixas.
No que respeita à comparação dos saldos das balanças comerciais em % do PIB na AE, em primeiro lugar denota-se grandes saldos negativos da balança de bens e serviços em % do PIB dos países do sul, concretamente de Portugal, Espanha e Grécia, sendo os países com piores
desempenhos em termos de saldos da balança comercial no período de 1999 a 2013. Pelo contrário, apresenta-se a Alemanha, a Áustria, a Holanda, a Irlanda e o Luxemburgo com saldos da balança de bens e serviços positivos com pesos significativos no PIB. Isto denota as desigualdades e desequilíbrios vividos entre os Estados-membros da AE.
Sintetizando, retiram-se as seguintes conclusões: a perda de quotas de mercado das exportações da Tríade para os BRIC e países em ascensão; a liderança notória da Alemanha em termos de quota de mercado na AE; o impacto negativo da crise económica em 2009; o aumento da abertura ao exterior por parte da AE; uma melhoria do peso das exportações de intensidades tecnológicas mais elevadas da AE; e, por fim, saldos das balanças comerciais muito desiguais entre Estados-membros, com os países do sul a mostrarem os piores desempenhos.
__________
Capítulo 3
Teorias e Determinantes das
Exportações no âmbito de
uma União Monetária
3.1 Introdução
Neste capítulo serão abordados quais os fatores ou variáveis que influenciam de alguma forma o desempenho das exportações dos países. O que condiciona o desempenho das exportações? De que forma um país pode ver o seu desempenho no comércio internacional melhorar? Quais os instrumentos que um país pode usar para melhorar a sua balança comercial? Todas estas perguntas podem ser mais facilmente respondidas identificando as determinantes das exportações que é o que vai ser analisado ao longo deste capítulo. Estas respostas são importantes, por exemplo, para os países com deficits na balança comercial, sobretudo para os países periféricos da AE, mas não só, pois todos os países se preocupam com tais questões.
Este capítulo está estruturado em quatro secções. Na secção 3.2 é abordada a Teoria das Áreas Monetárias Ótimas (TAMO) que assenta num levantamento dos contributos clássicos, nos desenvolvimentos mais recentes e na caracterização da UEM à luz da TAMO. Na secção 3.3 é feita uma revisão da literatura recente sobre as determinantes do desempenho das exportações. Por último, na secção 3.4, é realizada uma síntese do capítulo.
3.2 A Teoria das Áreas Monetárias Ótimas (TAMO)
3.2.1 Contributos ClássicosComo o objetivo desta dissertação é analisar o desempenho das exportações na AE, que é uma área monetária, será importante estudar a TAMO, que se apresenta a seguir.
A TAMO pretende explicar quais os critérios e aspetos a ter em conta para se obter uma região que aproveite ao máximo os benefícios e elimine ao máximo os custos de se integrar numa união monetária, obtendo a máxima eficiência de partilhar uma moeda comum entre os países membros. Esta teoria apresenta um debate sobre a utilização de taxas de câmbio flexíveis e a utilização de taxas de câmbio fixas (Dellas & Tavlas, 2009), e sobre a sustentabilidade de uma união monetária. Segundo Mongelli (2005), a TAMO é um quadro que permite analisar se os benefícios de integrar uma área monetária são superiores aos custos de participar numa união monetária.
monetária a mobilidade do trabalho. Este autor verifica que pode haver choques que afetem mais umas regiões do que outras provocando desequilíbrios entre estas, mas que a mobilidade do trabalho da região afetada negativamente pelo choque para a região afetada positivamente pelo choque pode melhorar a situação de ambas as regiões, resolvendo o problema de desemprego na primeira e de inflação na segunda. Para além disto, o autor afirmou que a mobilidade de trabalho diminui a necessidade de alterações de taxa de câmbio para corrigir desequilíbrios externos.
Uma outra característica que determina se um país/região deve utilizar um regime de taxas de câmbio fixas e entrar numa união monetária, identificado por Mundell (1961), é a existência de salários flexíveis que pode ajudar a estabelecer o equilíbrio sem ser necessário alterações da taxa de câmbio. Por exemplo, a existência de um aumento da procura no país A, provoca um aumento dos salários, que por sua vez leva à diminuição da oferta e aumento do nível de preços, enquanto que no país B ocorreria exatamente o oposto. Esta variação de preços iria fazer com que se começasse a comprar mais bens do país B do que do A estabelecendo-se de novo o equilíbrio.
Segundo Dellas e Tavlas (2009), Mundell apoia a existência de áreas monetárias relativamente grandes, apontando como razões o facto de que a existência de várias moedas não é tão eficiente, pois há uma perda de eficiência que se traduz em maiores custos de transação (meios de troca) e custos de informação. Mundell debruçou-se sobre a assimetria dos choques, a mobilidade dos trabalhadores, a flexibilidade dos salários e os custos de transação. No entanto, surgiram outros autores, como McKinnon (1963) que abordou o grau de abertura ao comércio externo e Kenen (1969) que enfatizou a diversificação da produção.
McKinnon (1963) aborda como um dos critérios para a integração monetária, o grau de abertura da economia ao exterior. Este autor considera que o output se divide em bens comercializáveis e bens não comercializáveis e estuda o choque da mudança dos preços relativos dos bens comercializáveis e dos bens não comercializáveis no nível geral de preços de uma economia aberta e de uma economia fechada. Sendo assim, McKinnon (1963) compara os efeitos registados numa economia mais fechada com os de uma economia mais aberta, quando se desvaloriza a moeda para atenuar os