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UNIDADE VI - JURISDIÇÃO E COMPETENCIAL

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Academic year: 2021

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UNIDADE VI

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JURISDIÇÃO

CONCEITO

Trata de uma das funções do Estado, mediante a qual este se substitui aos titulares dos interesses em disputa para, imparcialmente, buscar a pacificação do conflito que os envolve, com justiça. Em sentido estrito, é o poder de dizer o direito no caso concreto.

PODER-DEVER do Estado declarar e realizar o Direito.

RELAÇÃO JURÍDICA PROCESSUAL e RELAÇÃO JURÍDICA DE DIR. MATERIAL

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DIVISÃO DA JURISDIÇÃO

1º ) Qto à categoria:

Inferior- comarcas(circunscrição judiciária) - 1º grau de jurisdição Superior – tribunais – 2º grau de jurisdição

2º ) Qto á matéria: Penal Civil Eleitoral Militar 3º ) Qto ao organismo Estadual

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4º) Qto ao objeto

contencioso – a ação é proposta com litígio; voluntário – para feitos administrativos;

5º) Qto à função

Ordinária – justiça comum;

Especial – Federal, Trabalho, Eleitoral, STF, STJ, etc.; 6º ) Qto à competência

Plena – juízes nas pequenas comarcas;

Limitada – juízes nas grandes comarcas, onde as competências estão separadas.

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COMPETÊNCIA JURISDICIONAL

Conceito : Área territorial em que o juiz tem exercita a jurisdição. É

necessário delimitar a área de competência jurisdicional para evitar conflito. Nas grandes comarcas, a jurisdição está dividida por matéria (varas especiais). No MP não há conflito de competência, somente de atribuições, que irá ser decida pelo procurador de justiça.

Jurisdição Especial

militar – atua nos crimes do exercício da função;

eleitoral – atua desde o registro das candidaturas até crimes eleitorais;

trabalho – atua nas causas entre patrões e empregados – litígio trabalhista;

federal – atua nas causas em que a União e suas autarquias são partes, seja pólo ativo ou pólo passivo no 1º e 2º graus;

justiça comum ou estadual – atua nas outras causas para as quais não haja foro privilegiado;

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tribunal de justiça - atua nas causas provenientes da justiça comum em 2º grau,

Juizados especiais – há o civil e o penal, sendo que último promove somente a ações de crimes de menor potencial ofensivo.

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COMPETÊNCIA

I – CRITÉRIOS DE FIXAÇÃO DA COMPETÊNCIA (Art. 69)

I – o lugar da infração;

II – o domicílio ou residência do réu; III – a natureza da infração;

IV – a distribuição;

V – a conexão e continência VI – a prevenção

VII – a prerrogativa de função

**Para fixação de competência requer um raciocínio que parte de critérios mais genéricos para critérios mais específicos.

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Espécies de competência:

ratione loci: de acordo com o local em que foi praticado ou consumou-se o crime, ou o local da residência do seu autor;(incs.I e II)

ratione materiae: estabelecida em razão da natureza do crime praticado; (inc. III)

ratione personae: de acordo com a qualidade das pessoas incriminadas; (inc. VII)

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Como saber o Juízo Competente?

1º ) Qual o juiz competente em razão a matéria, isto é em razão da natureza da infração penal; (jurisdição comum e especial)

** Se o julgamento compete à jurisdição comum ou especial (eleitoral – Art. 118/121, militar-art. 124 e política - Senado Federal(atividade

jurisdicional atípica): Art. 52, I e II, CF.

Crimes de responsabilidade: todos os atos atentatórios à Constituição

Federal, especialmente os praticados contra a existência da União, o livre exercício do Poder Legislativo, Judiciário, e Ministério Público, o exercício dos direitos políticos, individuais e sociais, a segurança interna do país, a probidade na administração, a lei orçamentária e o cumprimento das leis e decisões judiciais. (artigo. 85, I a VII, CF) ** Jurisdição Comum Estadual ou Federal:

Jurisdição Federal: Art. 109, IV

Jurisdição Comum Estadual: tudo o que não for jurisdição especial e federal (competência residual)

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2º ) O grau do órgão jurisdicional competente

** De acordo com a prerrogativa de função, que é chamada de competência ratione personae.(foro privilegiado)

Supremo Tribunal Federal (art. 102, I, b e c, CF ) Superior Tribunal de Justiça (art. 105, I, a, CF) Tribunais Regionais Federais (art. 108, I, a, CF)

Tribunais de Justiça: vice-governador, secretario de estado, deputados estaduais, o procurador geral de justiça, o procurador geral do estado, o defensor público, prefeitos municipais.

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Outros critérios para saber qual o juiz competente:

Qual a jurisdição competente? Comum ou especial?

Qual o órgão jurisdicional hierarquicamente competente? O acusado tem foro privilegiado por prerrogativa de função ?

Qual o foro territorialmente competente? Competência ratione loci (lugar da infração ou domicílio do réu)

Qual o juízo competente? Qual a vara competente, de acordo com a natureza da infração penal? Vara comum ou vara do júri? É a chamada competência de juízo.

Qual o juiz competente?(competência interna) Qual o órgão competente para julgar o recurso.

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COMPETÊNCIA MATERIAL

(termo mais amplo do que competência ratione materiae)

É a delimitação de competência dotada por três aspectos:

 Competência “ratione materiae” (artigo 69, III): determinada em razão da natureza do direito material que rege a relação jurídica levada a conhecimento do órgão jurisdicional. Vg. Na Constituição Federal é adotado para estabelecer a competência de vários órgãos.

Competência “ratione personae”(artigo 69, VII): determinada em relação as pessoas envolvidas no litígio. Vg. Prerrogativa de Função

Competência “ratione loci” (art. 69, I e II): determinada em razão do território. Para sua fixação, ora se adota como critério o local em que os fatos ocorreram, ora o local do domicílio ou residência do réu.

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COMPETÊNCIA FUNCIONAL

** Caso em que os atos processuais, ainda que no escopo de um único processo, sejam praticados por juízes diversos.

Distribuição conforme a fase do processo: vg. Proc. Do tribunal do Júri, Execução Penal

Distribuição quanto ao objeto do juízo: os órgãos julgadores apenas podem atuar no processo em relação a um parcela específica do seu objeto. Vg. Procedimento do Júri (juiz e jurados)

Distribuição vertical: podem atuar no processo órgãos julgadores alocados em diferentes instâncias, ao contrário dos critérios anteriores em que atual no processo diferentes juízes situados em mesma instância.

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COMPETENCIA ABSOLUTA E COMPETENCIA RELATIVA

** Competência absoluta é aquela que não admite prorrogação e, a competência relativa admite.

As competências ratione materiae e ratione personae, bem como a funcional, são casos de competência absoluta. Será relativa a competência determinada segundo o critério territorial(ratione loci)

PRORROGAÇÃO DE COMPETENCIA

Necessária: conexão e continência (artigos 76 e 77, CPP)

Voluntária: competência territorial, quando não alegada em momento oportuno (art. 108, CPP), ou no caso de ação penal exclusivamente privada, onde o querelante pode optar pelo foro do domicílio do réu, em vez do foro do local da infração (art. 73, CPP)

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DELEGAÇÃO DE COMPETÊNCIA

Delegação externas: quando os atos são praticados por juízos diferentes. Carta precatórias citatórias (artigo 253) e instrutórias (art. 222, 229 e 230, art. 174, IV etc)

Delegação interna: dentro de um mesmo juízo

COMPETÊNCIA “ratione materiae” na Constituição

Jurisdições especiais: justiça do trabalho (arts. 111 a 116) justiça eleitoral (arts. 118 a 121) justiça militar (arts. 122 a 124) e a chamada jurisdição política, no caso de crime de

responsabilidade praticada por certas autoridades (julgamento pelo Poder Legislativo)

Jurisdição comum ou ordinária: justiça dos Estados (arts. 125 e 126) justiça federal (art. 106 a 110)

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COMPETENCIA PELO LUGAR DA INFRAÇÃO

Teorias (lugar do crime):

a)teoria da atividade: lugar do crime é o da ação ou omissão, sendo

irrelevante o lugar da produção do resultado.

b) teoria do resultado: lugar do crime é o lugar em que foi produzido o

resultado, sendo irrelevante o local da conduta.

c) teoria da ubiqüidade: lugar do crime é tanto da conduta quanto o do

resultado.

Será o foro do local em que for consumada a infração. Art. 70, CPP. Local onde houver ocorrido o resultado da prática

criminosa.

**o critério é diferente daquele determinado pelo artigo 6º do CP, ou seja, não se aplica para determinar o foro competente. A lei processual adotou a teoria do resultado e a lei material adotou a teoria da ubiqüidade.

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 Crimes praticados no território nacional e o resultado produzido no estrangeiro aplica-se a teoria da ambigüidade; O foro competente será o lugar em que foi praticado o último ato de execução no Brasil (art. 70, § 1º ) , ou o local do estrangeiro onde produziu o resultado.

No caso dos crimes de menor potencial ofensivo, sujeitos ao procedimento da Lei n. 9099/95, adotou-se a teoria da atividade. (Artigo 63, da Lei 9099)

1 - Crimes praticados no exterior = art. 88, CPP

2 – Crimes cometidos a bordo de embarcações ou aeronaves – último ou primeiro porto ou aeroporto (art. 89 e 90, CPP)

Critério por prevenção (art. 70, § 3º , CPP) : a) for incerto o limite territorial entre duas ou mais jurisdições; b) for incerta a jurisdição por ter sido a infração consumada ou tentada nas divisas de duas ou mais jurisdições.

Infração continuada (artigo 71, caput, CP) ou permanentes - por

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Crimes plurilocais: crimes aqueles em que a execução e a consumação se verificam em lugares diversos. Nestes casos, aplica-se a teoria do resultado, sendo competente o foro do local em que ocorre o resultado da prática delitiva.(art. 70, CPP)

No homicídio, quando a morte é produzida em local diverso daquele em que foi realizada a conduta, a jurisprudência entende que o foro competente é o da ação ou omissão, e não o do resultado.

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COMPETENCIA PELO DOMICÍLIO OU RESIDENCIA DO RÉU

Artigo 72, 73,CPP;

FIXAÇÃO DO JUÍZO COMPETENTE

Estabelecido o foro competente, se nele houver mais de um juízo com idêntica competência, há que se estabelecer qual deles julgará a causa penal. Os critérios para tanto são a PREVENÇÃO e a DISTRIBUIÇÃO.

- Prevenção: critério residual = quando há pluralidade de juízes igualmente competentes ou com jurisdição cumulativa (art. 83, CPP) - Juízes igualmente competentes = são aqueles que possuem a mesma competência ratione materiae e também ratione loci.

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Prevenção : (art. 70, § 3º , CPP / art. 71, do CPP / §§ 1º e 2º do art.

72 CPP / art. 78, III, CPP / art. 91, CPP)

Competência Relativa = Súmula 706, STF Súmula 151, STJ =

Distribuição: caso não haja um juízo prevento e quando houver na

mesma circunscrição judiciária pluralidade de juízes igualmente competentes.

Art. 75, caput, do CPP

NATUREZA DA INFRAÇÃO

Uma vez firmada a jurisdição (ou Justiça) competente, e determinada a competência territorial, importa identificar o juiz competente para conhecer o feito, caso existam no mesmo foro juízes com jurisdição cumulativa.

Art. 74, caput, do Código de Processo Penal Art. 74, § 1º , CPP

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QUESTÓES ESPECÍFICAS

- crimes praticados por militares que não se inserem na competência da Justiça Militar - Súmula 172/STJ exceção quando a vítima do crime também é militar.

- crime dolosos contra a vida praticados por militares – L. 9299/96 alterou o artigo 9º do Código Penal Militar, transferindo a competência para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida praticado por militar contra civil para a justiça comum.

- julgamento de civis pela Justiça Militar Estadual- é vedado a justiça estadual processar e julgar civis, ainda que as infrações por eles praticadas atentem contra as instituições militares estaduais. Súmula 53/STJ.

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julgamento de civis pela Justiça Militar Federal – a justiça militar federal compete processar e julgar os crimes, além dos processos decorrentes de crimes praticados por militares, também aqueles resultantes de crimes praticados por civis, se praticados contra as instituições militares, pouco importando se houverem agido isoladamente ou em concurso com militares.

Vg. Súmula 298/STF

acidentes de transito envolvendo viaturas da polícia militar – Súmula 6/STJ

crimes praticados fora do território em que é competente a

Justiça Militar estadual local – Súmula 78/STJ. Há doutrinadores que entendem que se a própria CF estabelece a competência da Justiça Milita, inexistem o processo de julgamento de crime militar pela Justiça Comum, e o processo e julgamento por crime comum que tramitou perante a Justiça Militar.

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COMPETENCIA POR CONEXÃO E CONTINÊNCIA

C O N E X Ã O

“é um vínculo que entrelaça duas ou mais ações, a ponto de exigir que o mesmo juiz delas tome conhecimento e as decida.”

a) Conexão intersubjetiva (art. 76, I, CPP): pela existência de

circunstância que relacionam, por um ou outro motivo, os sujeitos da prática delituosa.

Critérios: 1º) Simultaneidade = quando duas ou mais infrações houverem sido praticadas por várias pessoas ocasionalmente reunidas (sem a intenção de reunião);

2º) Por Concurso = ocorre quando duas ou mais infrações são praticadas por várias pessoas em concurso, embora diverso o tempo e o lugar.

3º ) Por reciprocidade = é a hipótese em que duas ou mais infrações sema cometidas por várias pessoas, umas contra as outras.

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b) Conexão objetiva (art. 76, II, CPP)

1 – Teleológica: ocorre quando uma ou mais infrações houverem sido cometidas para facilitar a prática de outras. P. ex. Traficante que mata o policial para garantir a venda.

2 - Conseqüencial: verifica-se sempre que uma ou mais infrações houverem sido praticadas para ocultar a prática de outras, ou para conseguir impunidade ou vantagem em relação a qualquer delas. A conexão, neste caso, tem por finalidade obter a prova da existência da agravante prevista no artigo 61, II, b, do CP e da circunstância qualificadora do crime de homicídio prevista no artigo 121, § 2º, V, do CP.

c) Conexão probatória (instrumental): (art. 76, III, CPP) ocorre

quando a prova de uma infração ou de qualquer de seus elementos influir na prova de outra. Furto e receptação.

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C O N T I N Ê N C I A

Quando uma demanda, em face de seus elementos (partes, causa de pedir e pedido), esteja contida em outra.

Por cumulação subjetiva: quando duas ou mais pessoas forem acusadas pela mesma infração. Do ponto de vista do direito material há que se reconhecer a existência de apenas uma infração, praticada por vários agentes, configurando-se concurso de pessoas.

Por cumulação objetiva: nos casos de concurso formal de crimes (artigo 70 do Código Penal), ou nas hipóteses de erro na execução (aberratio ictus) e resultado diverso do pretendito (aberratio delictius), previstos nos artigos 73 e 74, respectivamente. Ocorrerá cumulação objetiva sempre que a conduta do agente produzir mais de um resultado.

Obs – Concurso de crimes – arts. 69 e 70 CP

formal – uma única ação gera dois ou mais crimes

material – mais de uma ação gera dois ou mais crimes.

Referências

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