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O Casamento Civil Brasileiro

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Academic year: 2021

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(1)O Casamento Civil Brasileiro Estela Maria Camargo Regina Coordenadora e Professora do Curso de Direito da Faculdade Comunitária de Campinas - unidade 1. Por meio deste trabalho, objetivamos uma análise reflexiva sobre o instituto do Matrimônio, em alguns de seus aspectos processuais Civis. Sabemos que o Direito não regula os sentimentos humanos, contudo, dispõe ele sobre os efeitos que a conduta determinada pelo afeto pode representar, como fonte de direitos e deveres, criadores de relações jurídicas. Buscamos analisar as possibilidades do Matrimônio ser declarado nulo ou anulável, traçando-se e ressaltando-se alguns paralelos entre os referentes procedimentos processuais. A falta da devida consciência do tema em questão tem por conseqüência resultados variados, inclusive a violação de certos direitos e garantias individuais, enumerados na Carta Constitucional, como por exemplo, o respeito à dignidade da pessoa humana. Iniciamos o presente trabalho, com uma breve, porém crítica, reflexão do todo acima mencionado, tendo em vista, a contribuição acadêmica à devida consciência da importância do tema abordado. Palavras-chaves: Casamento Civil, Legislação Brasileira, A Celebração do Casamento Civil, Legislação Processual Civil.. Mestre em Direito Processual Civil pela PUCCAMP e-mail: [email protected]. Revista de Direito. Resumo. 71.

(2) Estela Maria Camargo Regina. Abstract The purpose of this study is to analyse the Marriage Institution in the Brazilian legislation, into some aspects of Civil Processual Law. We know the Law cannot regulate the human feelings, although, it causes some efects that determinaded conduct can represent, as source of rigths and obligations, who create legal relationships. Through the present study, we´ll try to analyse the possibilities to declare the Marriage null, tracing a confrontation between the judicial proceedings. The lacune of this understanding, has the consequence of a high cost, with diverse results, including the violation of some individual rights and guarantees, related at the Constitucional Letter, for instance, the respect for the human dignity. We begin this study, with a quick but critical reflection of all mencioned aspects, intending to offer an academic contribuition for understanding the aboarded theme´s importance. Key-words: Civil Marriage, Brazilian Law, The Celebration of the Civil Marriage, Civil Processual Law.. Breves Considerações “O Casamento é a união por excelência”. Revista de Direito. (Prof. Miguel Reale). 72. Assim como a bela definição de Miguel Reale, acima mencionada, encontramos outras tantas, igualmente expressivas: “O casamento é um ato solene pelo qual duas pessoas de sexo diferente se unem para sempre, sob promessa recíproca de fidelidade no amor e da mais estreita comunhão de vida.” (Lafayette); “O casamento é a união do homem e da mulher com o fim de criar uma comunidade de existência.” (Van Wetter); “O casamento é um contrato bilateral e solene, pelo qual um homem e uma mulher se unem indissoluvelmente, legitimando por ele as suas relações sexuais;. estabelecendo a mais estreita comunhão de vidas e interesses, e comprometendo-se a criar e educar a prole que de ambos nascer.” (Clóvis Beviláqua); “O casamento é o contrato de direito de família, que tem por fim promover a união do homem e da mulher, de conformidade com a lei, a fim de regularem as suas relações sexuais, cuidarem de prole comum e se prestarem mútua assistência.” (Silvio Rodrigues); “O casamento é o contrato de direito de família que regula a vida em comum entre o varão e a mulher” (Pontes de Miranda). Humildemente, entendemos ser o casamento civil a mais importante e poderosa de todas as instituições de direito privado, por ser uma das bases da família, que é a pedra angular da sociedade. Reza o Artigo 1.511 do nosso Código Civil: “O casamento estabelece comunhão plena de vida, com base na igualdade de direitos e deveres dos cônjuges”.

(3) O casamento é o vínculo jurídico entre o homem e a mulher, através do qual, ensejase o mútuo auxílio material, espiritual, psíquico e financeiro. Através da família, célula base, é constituída uma sociedade, cujos pilares morais, sociais e culturais, devem estenderse à moralidade pública e privada na formação de um país. O matrimônio, na esfera civil, é o ato, cerimônia ou processo pela qual é constituída a relação entre o homem e a mulher. Entende a Profa. Maria Helena Diniz, que existem os chamados caracteres do casamento, quais sejam:1 • a liberdade na escolha do nubente, por ser o matrimônio um ato pessoal; • a solenidade do ato nupcial, pois, a norma jurídica reveste o referente ato de formalidades que garantem a manifestação do consentimento dos nubentes, a sua publicidade e validade; • a legislação matrimonial ser de ordem pública, acima das convenções entre os nubentes; • a união permanente, indispensável para a realização dos valores básicos da sociedade civilizada, como idéia plena de comunidade de vida. A legalidade da união pode ser estabelecida no casamento civil ou religioso com efeito civil e reconhecida pelas leis de cada país. Denomina-se, em Direito, “esponsais” a promessa que o homem a a mulher reciprocamente se fazem e aceitam, de casarem-se em um prazo certo, cuja finalidade é assegurar a realização do casamento. Constituem os esponsais um verdadeiro contrato e, portanto, são-lhes aplicáveis as regras de direito acerca da essência dos atos jurídicos. Geralmente, verifica-se a coincidência entre a data da celebração do casamento e a. data do registro no cartório. No entanto, nos casos de casamentos religiosos com efeito civil pode existir uma diferença entre essa. Recordamos que, o prazo legal para a confirmação do casamento religioso no Cartório do Registro Civil é de 30 (trinta) dias, podendo esse prazo ser ampliado, em casos excepcionais, com a devida autorização da autoridade competente. Uma conseqüência disto é a ocorrência de casamentos num determinado mês que são registrados em Cartório nos meses seguintes ou até mesmo nos anos seguintes. • Mês de Ocorrência - É o mês em que foi celebrado o casamento (civil ou religioso com efeito civil) • Idade - É a idade, em anos completos, que a pessoa tinha na data do registro do casamento. • Local do Registro - É a localização geográfica (Unidade da federação e Município ) do Cartório do Registro Civil de Pessoas Naturais onde foi efetuado o registro do casamento (civil ou religioso com efeito civil ). • Tabelas de Resultados - Estão disponíveis na Publicação do Volume 22 das Estatísticas do Registro Civil. (Inclusive Resultados Municipais). É conturbada a questão referente à Natureza Jurídica do casamento. Seria o matrimônio um contrato ou uma instituição? Seria uma aliança, um consentimento? Por exemplo, para o direito português, o chileno e o canônico, o casamento é considerado um contrato Originária do Direito Canônico, encontra-se a concepção contratualista, considerando-se prioritário o consentimento entre os nubentes, e em segundo plano a presença de um sacerdote, para a formação do vínculo entre o homem e a mulher. Este tipo de pensamento foi aceito pelos jusnaturalistas do século XVIII, penetrando-se no Código Civil francês de 1804, sobrevivendo-se até os nossos dias, na doutrina tida como civilista. O estado em que os nubentes. Revista de Direito. O Casamento Civil Brasileiro. 73.

(4) Estela Maria Camargo Regina. ingressam é o considerado na concepção institucionalista do casamento, entendido como uma grande instituição social, aonde reflete-se situações jurídicas que surgem da vontade dos nubentes, mas, cujas normas e delimitações são estipuladas por leis. Portanto, como o acima mencionado, as Teorias existentes são as seguintes:2 a) Contratualista: o casamento é um contrato que pode ser desfeito; b) Institucionalista: o casamento é uma instituição; c) Mista: o casamento é um misto de contrato e instituição. É a mais adotada pelo direito brasileiro. Aspectos contratuais: livre manifestação de vontade; aspectos institucionais: há o fim da liberdade de vontade a partir da celebração do casamento, quando se passa a aceitar as regras impostas pelo Estado.. Revista de Direito. As Finalidades do Casamento Civil. 74. As finalidades do casamento civil, são sucintamente descritas pela sábia Profa. Maria Helena Diniz:3 a) ainstituição da família matrimonial (Art 1.513 CC); b) a procriação dos filhos, como uma conseqüência lógica e natural, porém não essencial ao matrimônio (Art 226, Parágrafo 7º da CF; Lei 9.263/96); c) a legalização das relações sexuais entre os cônjuges, entendendo-se a comunicação sexual dos cônjuges, durante a vida a dois, plenificando supremamente os dois seres humanos que se necessitam e se integram entre si, uma dinâmica entre o marido e a mulher através do amor, pois, do casamento precedese o amor; d) a prestação do auxílio mútuo, proveniente do convívio entre o marido e a mulher, para enfrentar. juntos a realidade e as expectativas, mesmo numa vida em constante mutação, sendo um para o outro um auxílio mútuo, uma reciprocidade que se leva à comunhão de vida e de interesses, nas mais diversas realidades; e) o estabelecimento de deveres patrimoniais ou não entre os cônjuges, como conseqüência desse auxílio mútuo, desta reciprocidade, no respeito e na consideração,visando-se a manutenção de uma vida com interesses comuns (Art 1566, I e V, CC); f) a educação da prole, especificando-se aos pais deveres e obrigações, pois não há no matrimônio apenas o dever de gerar filhos, mas também, de criá-los, assisti-los e educá-los para uma vida digna (Art 1634 do CC; Art 22 da Lei 8.069/90); g) a atribuição do nome ao cônjuge (Art. 1565, Parágrafo 1º do CC) e aos filhos; a regularização de relações econômicas; a legalização de estados de fato. Os Princípios Norteadores “O Direito é fruto dos relacionamentos humanos, baseados em valores permanentes” (Prof. Miguel Reale). Há, também, a especificação de certos Princípios que devem reger o casamento na esfera civil, na opinião do sempre mestre Orlando Gomes.4 São eles: • a livre união dos futuros cônjuges (capazes civilmente para exprimirem sua vontade) • a monogamia, adotada por nosso ordenamento jurídico (Art 1521, VI do CC); • a comunhão indivisa, valorizando-.

(5) O Casamento Civil Brasileiro. No Direito brasileiro, há previsão de Condições Indispensáveis à existência jurídica do casamento civil. São elas: - a diversidade de sexos; - a celebração de forma prevista em lei; - a presença do consentimento dos noivos. Quanto à validade do ato nupcial, são necessárias as seguintes condições: • possuir a aptidão física para tal (puberdade, potência, sanidade mental) e intelectual (grau de maturidade e consentimento íntegro); • possuir condições de ordem moral e social, descritas em nosso vigente Código Civil, em seus artigos 1521, I a VII, 1548, II, 1523 I, II e IV, 1517, 1519 e 1550, II.. Porém, há também a previsão de condições essenciais à regularidade do matrimônio civil, que são as que se seguem: - a celebração por autoridade competente; - a observância de formalidades legais. Os Efeitos Jurídicos do casamento civil ocorrem nas seguintes esferas: • Social; • Pessoal;. • Patrimonial; Os mais relevantes Princípios Constitucionais referentes ao Matrimônio são os seguintes: • Princípio da “Ratio” (razão) do Matrimônio (art. 226, § 6º da CF): preconiza que o fundamento básico do casamento e da vida conjugal é a afeição (affectio) entre os cônjuges e a necessidade de que perdure completa comunhão de vida. • Princípio da Igualdade Jurídica dos Cônjuges (art. 226, § 5º da CF): segundo este princípio, desaparece o poder marital e a autocracia do chefe de família é substituída por um sistema em que as decisões devem ser tomadas de comum acordo entre marido e mulher, pois os tempos atuais requerem que a mulher seja a colaboradora do homem e não sua subordinada. • Princípio da Igualdade Jurídica de Todos os Filhos (art. 227 CF, § 6º): com esse princípio não se faz distinção entre filho legítimo e natural quanto ao pátrio poder, nome e sucessão: permite-se o reconhecimento de filhos ilegítimos e proíbe-se que se revele no assento de nascimento a ilegitimidade simples. E, para encerrar este ítem, e, somente à título de informação, realizaremos um breve paralelo entre os períodos Pré Constituição Federal de 1988 x Pós Constituição Federal 1988, no concernente ao Direito de Família: a) Pré CF/88: • Qualificação da família como legítima; • Diferença de estatutos entre homem e mulher; • Categorização dos filhos com diversidade de estatutos; • Indissolubilidade do vínculo matrimonial;. Revista de Direito. se assim, a união sexual de dois seres humanos distintos, criando-se uma comunhão de vida entre os cônjuges, nas alegrias e tristezas da vida (Art 1522 do CC). Como o já mencionado, os chamados esponsais, segundo o Prof. Antonio Chaves5, consistem num compromisso de casamento entre duas pessoas desimpedidas (livres, ou seja, com o estado civil solteiro, viúvo ou divorciado), de sexos opostos, com o objetivo de possibilitar que se conheçam melhor, se adequem mutuamente, em seus gostos e afinidades.. 75.

(6) Estela Maria Camargo Regina. • Proscrição do concubinato. b) Pós CF/88: • Reconhecimento de outras forma conjugais ao lado da família legítima; • Igualdade absoluta entre homem e mulher; • Paridade de direitos entre filhos de qualquer origem; • Dissolubilidade do vínculo matrimonial (divórcio); • Reconhecimento da união estável. Direitos e Deveres dos Cônjuges “É muito dignificante ver seres humanos devotando-se, sem reservas, à missão suprema de conviver”.. Revista de Direito. (Prof. Luis Fernando Lobão Morais). 76. A partir do casamento, ambos os cônjuges, possuem direitos e deveres, como reza o Art 1.566 do CC, dentre outros abaixo mencionados: • a fidelidade mútua: A fidelidade a seu turno deve ser entendida no sentido mais completo não se admitindo que a mera separação de fato possa autorizar a liberação de qualquer dos cônjuges para o relacionamento sexual com outrem. O direito e obrigação que decorre do ato jurídico do casamento legal também somente pela separação legal pode ser dissolvido e desobrigado. • a coabitação, • a assistência mútua, • o respeito e consideração mútuos, • a igualdade de direitos e deveres entre o marido e mulher (Art 1.511 CC, Art 226, Parágrafo 5º da CF), • direitos e deveres dos pais para com seus filhos (Artigos 227 e 229 CF; Lei nº 8.069/90); Existe um complexo de deveres e obrigações de um lado, que gera direitos e obrigações também para o outro lado, e. somente esta harmonia de interesses e manifestação de vontade é que sintetiza a completa relação conjugal legal e moral. Novamente ressaltamos que, dentre outros, versa a nossa Constituição Federal, em seu Artigo 226, que a família, considerada a base da sociedade, possui uma proteção especial do Estado, que o casamento é civil e sua celebração gratuita, e que o casamento religioso possui efeitos civis.6 Formalidades Preliminares Dentre as principais Formalidades Preliminares à celebração do casamento encontramos: • a Habilitação Matrimonial, que é um processo perante o oficial do Registro Civil, demonstrando-se assim, que os nubentes são legalmente habilitados para o casamento civil; • os documentos legais, descritos no Artigo 1.525 do Código Civil; • a Publicidade nos órgãos públicos, lavrado pelo oficial do registro Civil os proclamas do casamento, mediante edital que será afixado durante 15 (quinze) dias em local ostensivo de edifício onde celebramse casamentos e publicados pela imprensa (Jornais), com legislação específica; • a Autorização para a celebração do casamento, caso não houver oposição de impedimentos matrimoniais (especificados abaixo, no ítem 2.1.5), o oficial do registro Civil oferecerá aos nubentes uma Certidão declarando-se a habilitação civil dos mesmos, para casarem-se dentro de 90 (noventa) dias imediatos (Art 1531 e 1532 do CC). A Celebração do Casamento Civil Rezam os Artigos 1.533 à 1.541 do.

(7) O Casamento Civil Brasileiro. Os Impedimentos ao Casamento Civil São considerados impedimentos para a realização do Matrimônio Civil, os seguintes: a) Os Impedimentos Dirimentes Públicos ou Absolutos ao casamento civil podem ser brevemente assim descritos: • impedimentos resultantes de parentesco (Ex: Consangüinidade, afinidade e adoção);. • os impedimento de vínculo (Ex: Artigos 1521, VI, 1548 e 1549 do CC; Art 235 CP; Art 226 da CF; Art 2º Parágrafo Único da Lei 6.525/77; RJTJSP, 37:118, 40:45, RT, 393:167, 190:790); • impedimento de crime (Art 1521, VII). b) Os chamados Impedimentos Impedientes ou Causas Suspensivas ao casamento civil, que ocorrem nos seguintes casos: • Para impedir-se confusão patrimonial (Arts 1523, I, III, e Parágrafo Único, 1.641, I e 1.489, II do CC); • Para evitar-se a “turbatio sanguinis” (Arts 1523, II e parágrafo Único, e, 1641, I do CC); • Para evitar-se casamento de pessoas que se acham em poder de outrem, propiciando-se assim seu consentimento não voluntário (Arts 1523, IV e Parágrafo Único, e, 1641, I do CC); • Para evitar-se que pessoas casemse sem a autorização de seus superiores (Dec-Lei nº 9.698/46; 3.864/41, Lei nº 5.42/52 e Dec Lei nº 2/61 e 9.202/46). Ainda falando-se sobre os impedimentos, há a chamada Oposição dos Impedimentos, é o ato praticado por alguém legitimado para tal, que, antes da celebração do casamento, leva ao conhecimento do responsável pela celebração da solenidade, a existência de um dos impedimentos previstos em nosso Código Civil, nos artigos 1521 e 1523, entre as pessoas que desejam contrair núpcias, tais sejam: Art 1.521. “Não podem casar”: I- os ascendentes com os descendentes, seja por parentesco natural ou civil; II- os afins em linha reta; III- o adotante com quem foi cônjuge do adotado e o adotado. Revista de Direito. nosso Código Civil, como deve ser a Celebração do Matrimônio Civil: Uma família nasce do casamento válido e o casamento válido é aquele precedido e finalizado com os requisitos e cerimônia que a lei estabelece. Para que o casamento tenha o valor jurídico, e seja tão significativo na vida social, foi necessário que o legislador adotasse um conjunto de normas para estabelecer regras para a sua celebração. O casamento não se traduz apenas na formalidade escritural, há todo um ritual que deve ser observado e que faz parte dos inúmeros requisitos que a lei estabelece. Para a correta idéia da repercussão jurídica que a lei imprime ao instituto do casamento é importante estudar o artigo 1511 e seguintes do Código Civil, que dispõem sobre a forma e requisitos essenciais para a celebração do casamento. Resumidamente, o Matrimônio Civil deverá ser celebrado com dia, hora e local previamente designados pela autoridade que presidirá o ato, através de uma petição dos nubentes, os quais demonstram estar habilitados para tal, através da certidão do Artigo 1.531 (o Certificado de Habilitação); A cerimônia deverá ser realizada na sede do Cartório, de modo público, a portas abertas, com pelo menos duas testemunhas presentes, parentes ou não dos nubentes, ou então, em casos pré acordados com a autoridade celebrante e as partes contraentes, o local poderá ser outro edifício público ou particular, devendo ficar esse último de portas abertas, durante a celebração.. 77.

(8) Estela Maria Camargo Regina. Revista de Direito. com quem o foi adotante; IV- os irmãos, unilaterais ou bilaterais, e demais colaterais, até terceiro grau inclusive; V- o adotado com o filho do adotante; VI- pessoas casadas; VII- o cônjuge sobrevivente com o condenado por homicídio ou tentativa de homicídio contra o seu consorte. Porém, há as chamadas causas suspensivas do casamento civil, elencadas no Artigo 1.523: Art 1.523: “Não devem casar”: I- o viúvo ou viúva que tiver filho do cônjuge falecido, enquanto não fizer o inventário dos bens do casal e der a partilha aos herdeiros; II- a viúva, ou a mulher cujo casamento se desfez por ser nulo ou ter sido anulado, até dez meses depois do começo da viuvez, ou da dissolução da sociedade conjugal; III- o divorciado, enquanto não houver sido homologada ou decidida a partilha dos bens do casal; IV- o tutor ou o curador e seus descendentes, ascendentes, irmãos, cunhados ou sobrinhos, com a pessoa tutelada ou curatelada, enquanto não cessar a tutela ou a curatela, e não estiverem saldadas as respectiva contas. A Separação Judicial e o Divórcio. 78. Brevemente, recordamos que a Separação Judicial é a causa de dissolução da sociedade conjugal (Art 1.571, III do CC), não rompendo o vínculo matrimonial, de maneira que não permite aos consortes contrair novo casamento civil ou religioso. Ela desobriga marido e mulher de certos compromissos (Art 1.576 a 1.578 do CC), além de ser uma medida preparatória para a Ação de Divórcio, podendo ser. Consensual ou Litigiosa. A Separação Judicial Consensual é a descrita nos Artigo 1.574 do CC, por mútuo consentimento dos cônjuges casados há mais de um ano. O grande mestre Orlando Gomes7 entende que, podemos igualmente considerar consensual a separação quando requerida por um dos cônjuges e aceita pelo outro. Através da referida Separação Judicial, a lei permite que os cônjuges se separem consensualmente, através de uma ação que tem por objetivo legalizar a conveniência dos cônjuges que viverem separados. Dispõe do seu procedimento judicial, o Código de Processo Civil (CPC) em seus arts. 1.120 a 1.124, sob pena de nulidade (Provimento nº 516 do CSMSP), e, as Leis nº 6.015/73 e 6.515/77. A Separação Judicial Consensual só terá eficácia jurídica com a homologação judicial, conforme reza o Art 1.574, in fine, do CC. Já a Separação Judicial Litigiosa, descrita nos Art 1.572 e 1.573 do CC, ocorre mediante processo contencioso, qualquer que seja o tempo de casamento, devendo estar presente as hipóteses legais que tornam insuportável a vida em comum. Poderá ser precedida de separação de corpos (Art 1.575 do CC), deverá obedecer o rito ordinário, tendo o foro competente o domicílio da mulher (Lei nº 6.515, Art.52), e prevendo-se a possibilidade de reconciliação (Lei nº 6.515, Art. 46, parágrafo único). De acordo com as causas previstas em lei, a doutrina considera três espécies de separação não-consensual, que são as seguintes:8 • separação litigiosa como sanção: que ocorre quando um dos cônjuges imputar ao outro qualquer ato que importe em grave violação dos deveres matrimoniais e torne insuportável a vida em comum (Arts 1.572 e 1.573, I a VI, do CC); • separação litigiosa como falência: a qual se efetiva quando qualquer.

(9) O Casamento Civil Brasileiro. Dentre os principais efeitos do Divórcio, elencamos os seguintes: 1. a dissolução do vínculo conjugal civil e cessação dos efeitos civis do casamento religioso inscrito no Registro Público (Lei nº 6.515, art. 24); 2. a cessação dos deveres recíprocos dos cônjuges; 3. a extinção do regime matrimonial, procedendo a partilha conforme o regime; 4. a possibilidade de novo casamento ao divorciado 5. a inadmissibilidade de reconciliação. Referências Bibliográficas CHIOVENDA, Giuseppe. Saggi di Diritto Processuale Civile. Milano: Dott.A.Giuffrè Editore, 1993. (v.1). RODRIGUES, Marcelo Abelha. Elementos de Direito Processual Civil. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2000. (v.2). SEGURADO, Milton Duarte. O Direito no Brasil. São Paulo: Bushatsky, Edusp, 1973. _______. História resumida do Direito Brasileiro. Rio de Janeiro: Editora Rio, 1982. PAULA, Jônatas Luiz Moreira de. Teoria Geral do Processo. Leme: LED-Editora de Direito, 1999. _______. A ideologia do Processo Civil. Revista de Ciências Jurídicas e Sociais da Unipar, Toledo, v.2, n.1, jan./jun. 1999. _______. Comentários ao Código de Processo Civil. Leme: LED-Editora de Direito Ltda, 2001. (v.3). PEREIRA, Caio Mário. Instituições de Direito Civil. 19.ed. Rio de Janeiro: Forense, 1998. (v1). RODRIGUES, Silvio. Direito Civil. 28.ed. São Paulo: Saraiva, 1999. (Parte Geral). THEODORO JR., Humberto. Curso de Direito Processual Civil. Rio de Janeiro: Forens1990. (v.1). _______. Direito de Família. São Paulo: Editora Universitária de Direito LTDA, 1988. (v.1 e 2). GRINOVER, Ada Pellegrini. Teoria Geral do Processo. 17.ed. São Paulo: Malheiros. GRECO FILHO, Vicente. Direito Processual Civil Brasileiro. 14.ed. São Paulo: Saraiva, 2000. (v.2). REALE, Miguel. Lições Preliminares de Direito. 27.ed. São Paulo: Saraiva, 2002. DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro: direito de Família. 18.ed. São Paulo: Saraiva, 2002. (v.5).. Revista de Direito. dos cônjuges provar a ruptura de sua vida em comum há mais de um ano e a impossibilidade de sua reconstituição, não importando-se a razão da ruptura, sendo ainda irrelevante saber qual dos cônjuges foi culpado pela separação, legalizando tão somente uma separação de fato (Art 1.572, parágrafo 1º); • separação litigiosa como remédio: quando o cônjuge a requer pelo fato de estar o outro acometido de grave doença mental, manifestada após o casamento, que torne impossível a vida em comum, desde que após casamento com duração de dois anos e a enfermidade tenha sido considerada incurável (Art 1.572, parágrafo 2º). O Divórcio é a dissolução de um casamento válido, extinguindo o vínculo matrimonial (Arts 1.571, IV e parágrafo 1º, 1.580, parágrafo 2º do CC e Lei nº 7.841/89), permitindo novo casamento civil e religioso, mas, para contrair novas núpcias na Igreja Católica Apostólica Romana, é necessária a declaração de nulidade do casamento anterior, realizada pelo Tribunal Eclesiástico, como mencionamos anteriormente. São duas as modalidades de Divórcio admitidas no Direito pátrio: • divórcio direto: decorre do mútuo consentimento dos cônjuges ou à pedido de um deles, desde que os mesmos estejam separados de fato há mais de dois anos. Pode ser consensual ou litigioso (Art 1.580, parágrafo 1º); • divórcio indireto: quando um dos cônjuges com o consenso do outro ou individualmente, requer a conversão da prévia separação judicial (consensual ou litigiosa) em divórcio (Lei nº 6.515, art 35) e apresenta-se também sob a forma consensual ou litigiosa (Art 1.580, parágrafo 2º).. 79.

(10) Revista de Direito. Estela Maria Camargo Regina. 80. _______. As Lacunas no Direito. 5.ed. São Paulo: Saraiva, 1999. MOREIRA DE PAULA, Jônatas. História do Direito Processual Brasileiro: das Origens Lusas à Escola Crítica do Processo. São Paulo: Manole, 2002. CAHALI, Yussef Said. Divórcio e Separação. 4.ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1984. _______. Do casamento. In: Enciclopédia Saraiva do direito. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1993. (v.13). CHAVES, Antônio. Tratado de direito Civil. 2.ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1994. ARRUDA ALVIM, Teresa. (coord). Repertório de Jurisprudência e Doutrina sobre Direito de Família, aspectos constitucionais, civis e processuais. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1995. (.v1) BEVILÁQUA, Clóvis. Direito da Família. 8.ed. Rio de Janeiro: Livraria Freitas Bastos S/A, 1956. BITTAR, Carlos Alberto. (coord). O Direito de Família e a Constituição de 1988. São Paulo: Saraiva, 1989. GOMES, Orlando. Direito de Família. 11.ed. Rio de Janeiro: Forense, 1999. GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito de família. São Paulo: Saraiva, 1997. LAMARTINE, José. MUNIZ, Ferreira. Curso de Direito de Família. 2.ed. Curitiba: Juruá, 1999. LEVENHAGEN, Antônio de Souza: Do casamento ao divórcio. 2.ed. São Paulo: Atlas, 1978. RAMOS DO LAGO, Lúcia Stella. Separação de fato entre cônjuges: efeitos pessoais. São Paulo: Saraiva, 1989. LEITE, Eduardo de Oliveira. Tratado de Direito de Família: origem e evolução do casamento. Curitiba: Juruá, 1991. OLIVEIRA, Wilson de. Direito de Família. 2.ed. Rio de Janeiro: Forense, 1995. SILVA PEREIRA, Caio Mário da. Instituições de Direito Civil. 11.ed. Rio de Janeiro: Forense, 2000. (v.5). PEREIRA, Lafayette Rodrigues. Direitos de Família. Rio de Janeiro: Tribuna Liberal, 1889. PONTES DE MIRANDA. Tratado de Direito de Família. Campinas: Bookseller, 2001. (v. 1, 2 e 3. Atualizado por Vilson Rodrigues Alves). RODRIGUES, Silvio. Direito Civil. 18.ed. São Paulo: Saraiva, 1993. (v. 6). VENOSA, Silvio de Salvo. Direito Civil: direito de Família. São Paulo: Atlas, 2003. (v.5). WALD, Arnold. O novo direito de família. 12.ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 1999. _______. Direito de Família. 10.ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1995. THEODORO JÚNIOR, Humberto. Direito de Família: família Legítima. São Paulo: Edição. Universitária de Direito, 1988. (v.1). -Constituição da República Federativa do Brasil, 1988; -Código Civil; -Código de Processo Civil; -Legislações pertinentes. Notas DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro: direito de família. 18.ed. São Paulo: Saraiva, 2002. p.46. (v.5). 2 WALD, Arnoldo. Direito de Família. 10ª edição, Editora Revista dos Tribunais, São Paulo, 1995. 3 DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro: direito de família. 18.ed. São Paulo: Saraiva, 2002. p.40. (v.5). 4 Ver Orlando Gomes, Direito, cit., p.65; Domingos S. B Lima, Casamento, cit., p. 386. 5 DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro: direito de família. 18.ed. São Paulo: Saraiva, 2002. p.65. (v.5). 6 Art. 226. “A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado”. § 1º 0 casamento é civil e gratuita a celebração. § 2º 0 casamento religioso tem efeito civil, nos termos da lei. § 3º Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento. § 4º Entende-se, também. como entidade familiar a comunidade formada por qualquer dos pais e seus descendentes. § 5º Os direitos e deveres referentes à sociedade conjugal são exercidos igualmente pelo homem e pela mulher. § 6º 0 casamento civil pode ser dissolvido pelo divórcio, após prévia separação judicial por mais de um ano nos casos expressos em lei, ou comprovada separação de fato por mais de dois anos. § 7º Fundado nos princípios da dignidade da pessoa humana e da paternidade responsável, o planejamento familiar é livre decisão do casal, competindo ao Estado propiciar recursos educacionais e científicos para o exercício desse direito. vedada qualquer forma coercitiva por parte de instituições oficiais ou privadas. § 8º 0 Estado assegurará a assistência à família na pessoa de cada um dos que a integram, criando mecanismos para coibir a violência no âmbito de suas relações. 7 GOMES, Orlando, Direito, cit., p. 243. 8 DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro: direito de família. 18.ed. São Paulo: Saraiva, 2002. p.257. 1.

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Referências

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