Programas e campanhas de promoção da ativi d a de física

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Texto

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Programas e campanhas

de promoção da ativi d a de física

Programs and campaigns

to prom o te physical activi ty

1 L a bora t ó rio de Ativi d ade Física e Promoção da Sa ú de (LA B S AU ) , U er j. Rua São Fra n c i s co Xavi er, 5 2 4 , sala 8.133 bl oco F, Ma rac a n ã , 2 0 5 5 0 - 9 0 0 , Rio de Ja n ei ro RJ. m s a n to s @ u er j. br 2 E s cola Nac i onal de Sa ú de P ú bl i c a .

Ma rcos Sa n tos Ferrei ra1

Al berto Lopes Na jar2

Ab s tract In cen tive for regular physical activi ty has be en co n s i d ered an impo rtant line of a cti o n in public health, stimulating initiatives with wide popu l a tion re a ch su ch as pro grams and cam-pa i gns aimed at pro m oting active life s tyl e s . On the pre sent pa per, we make some co n s i d era ti o n s a b out the pro cess of a d h eren ce to regular phys i c a l a ctivi ty and the lines of a ction usu a lly adopted in p hysical activi ty pro m otion pro grams (espe ci a lly Agita São Paulo and Pro grama de Educação e Saúde através do Ex erc í cio Físico e do Es po rte ) . We found that these pro gra m s’ obje ctive s , s tra te-gies and eva l u a tion are fo c u sed on the increm en t of popu l a tion physical activi ty and knowl ed ge of p hysical activi ty ben ef i t s . G iven the co m pl exi ty of p hysical activi ty adheren ce , we bel i eve that it is n e ce s s a ry to incre a se the nu m ber of va ri a bles on wh i ch actions and eva l u a tion of pro grams shou l d be ba sed . In our op i n i o n , besides the nu m ber of physically active individuals, variables such as fa-ci l i ties ava i l a bi l i ty, a cce s s i bi l i ty and quality shou l d be co n s i d ered in ord er to dem o n s tra te the ef fe c-tiveness of lines of a ction adopted , i m proving the design and evaluation of physical activity promo-tion programs with wide populapromo-tion reach. Key word s Physical exercise, Public policies, Ad-herence

Re su m o O incen tivo à pr á tica regular da ativi-dade física vem sendo apontado como importante ação na área da saúde públ i c a , o que vem en se-jando iniciativas de larga abrangência populacio-nal, na forma de programas e campanhas em prol de estilos de vida ativo s . Ne s te arti go, f a zemos re-f l exões sob re o pro ce s so de adesão à pr á tica reg u-lar de atividades físicas e sobre as ações costumei-ra m en te adotadas nesse sen tido em pro gcostumei-ramas de promoção da atividade física (espe ci a l m en te Agi-ta São Paulo e Pro grama de Educação e Saúde a través do Ex erc í cio Físico e do Es po rte ) . Id en ti f i-camos que os objetivo s , e s tra t é gias e ava l i a ç õ e s dos pro gramas en focam o aumen to do nível de a tividade física da população e a ampliação de seus co n h e ci m en tos sob re os ben ef í cios da ativi-dade física. Tendo em vista a co m pl exiativi-dade da adesão à pr á tica de atividades físicas, a po n t a m o s a necessidade de se ampliar o número de va ri á-veis sob re as quais devem repousar as ações e a avaliação dos pro gra m a s . A nosso ver, além do q u a n ti t a tivo de pe s soas fisicamen te ativa s , é pre-ci so co n s i d erar va ri á veis como ofert a , a ce s s i bi l i-dade e qualii-dade de espaços para traduzir melhor o desempenho das ações adotadas, tornando mais consistentes a elaboração e a avaliação desses pro-gramas de promoção da atividade física de larga abrangência populacional.

Pa l avra s - ch ave Ex erc ício físico, Pol í ticas públ i-cas, Adesão

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2 0 8 2 0 8 2 0 8 2 0 8 2 0 8 2 0 8 2 0 8 2 0 8 In trodu ç ã o

A nece s s i d ade de se com preen derem os con d i-cionantes e as conseqüências da adesão ao exer-cício físico esten de-se de s de o con tex to de pro-gramas médicos su pervi s i on ados até o dom í-nio da saúde públ i c a . Esse campo de estu do, cujo ac ú mulo de con h ec i m en tos ainda é pe-qu eno diante de sua importância (pri n c i p a l-m en te no Bra s i l ) , não pode ser vi s to col-mo do-mínio exclu s ivo de uma área de con h ec i m en to e s pec í f i c a .

De fato, prof i s s i onais das mais divers a s á reas como psico l ogi a , educação física, m ed i c i-n a , ei-n tre outra s , vêm se ded i c a i-n do cada dia mais ao estu do dessa tem á ti c a . Apesar disso e da rel a tiva consolidação da adesão ao exerc í c i o como área de estu do s , não há mu i to o que co-m eco-m orar no que diz re s pei to à sua difusão. Com efei to, já em meados da década de 1990, Dishman (1994) apon t ava não ter havi do ava n-ços sign i f i c a tivos no nível de pr á tica de exerc í-cios em nações indu s tri a l i z ad a s . Essa situ a ç ã o p a rece perdu ra r, h a ja vista que mais de 60% da população adulta em quase todos os países de-s envo lvi dode-s e nade-s áreade-s urbanade-s do mu n do me-nos de s envo lvi do apre s enta níveis insu f i c i en te s de ativi d ade física (CDC , 2 0 0 0 ) .

A com preensão e a even tual alteração de s s e qu ad ro requ erem ações de larga abra n g ê n c i a , envo lven do prof i s s i onais de várias áre a s , qu e tenham em comum o interesse em difundir a a tivi d ade física na pers pectiva da promoção da s a ú de . Nesse con tex to, i n tervenções na área de po l í ticas públicas são parti c u l a rm en te impor-t a n impor-te s .

Ten do essas questões pre s en te s , ref l ete - s e , n e s te arti go, s obre o processo de adesão à ativi-d aativi-de física, como em preen ativi-d i m en to na área ativi-da s a ú de , e sobre as ações co s tu m ei ra m en te ado-t adas nesse sen ado-ti do. A parado-tir do recon h ec i m en-to da mu l ti d i m en s i on a l i d ade e com p l ex i d ade do fen ô m eno da ade s ã o, su gerimos que mais va ri á veis sejam con s i deradas na avaliação de ações em prol da pr á tica regular de ativi d ade s f í s i c a s .

Ativi d a de física e saúde

Q u em nunca ouviu dizer que “a tivi d ade física faz bem à saúde”? Embora ex pressa pelo dito pop u l a r, essa afirmação ex tra pola sua dimen-são de senso comu m . De fato, h oj e , a pr á tica re-gular de exercícios vem sen do apon t ada com o

i m port a n teação na área de saúde pública (Sa l-lis & Mcken z i e , 1 9 9 1 ) . Essa po s s i bi l i d ade en-con tra su porte te ó ri co na influência ben é f i c a da ativi d ade física no s t atu s de saúde (Og u m a

et al., 2 0 0 2 ; An ders en et al. , 2000) qu e , por su a ve z , se fundamenta na difundida associação en-tre exercício e indicadores de morbi m ort a l i d a-de qu e , há anos, vem sen do inve s ti gada por di-feren tes autore s , con forme re su m i do no qu a-d ro 1.

Con tu do, a pesar da associação feita en tre pr á tica regular de exercícios e saúde , é impor-t a n impor-te aponimpor-tar que essa relação vem sen do qu e s-ti on ad a . Há qu em argumen te , por exem p l o, que ela pode ser lida de outro modo : as pe s s oa s pra ticam exercícios porque gozam de mel h or s a ú de , e não o invers o, o que caracteri z a ria um probl ema de “en dogen ei d ade”.

Wi lliams (2003), por exem p l o, a ponta limi-tações metodo l ó gicas nos estu dos que co s tu-mam propor tal rel a ç ã o. O autor dem on s tro u que as con clusões obtidas por Blair et al. (1995) poderiam ser atri buídas a erro de med i-da na determinação dos níveis de aptidão física nas diferen tes categori a s . Seg u n do o autor, t a l a rtef a to estatísti co poderia ser aplicado em ou-tros estu dos com del i n e a m en to metodo l ó gi co s i m i l a r.

So l om on (1991), por sua ve z , a l erta sobre os peri gos da “febre” de exercícios como form a de se obter saúde e cita vários estu dos cujos re-su l t ados fra gilizam a idéia de que o exerc í c i o aumenta a longevidade. Boa parte de suas argu-m entações é corroborada por Ca rvalho (1995), a utora que cri tica o discurso da ativi d ade física como sinônimo de saúde , o con sumismo em geral a ele assoc i ado e a ac ri ti c i d ade das discus-sões a re s pei to da tem á ti c a .

Sobral (1990) também adverte que a asso-ciação sem re s ervas en tre exercício físico e saú-de , numa relação saú-de causalidasaú-de , posaú-de levar ao c a m po do “o timismo ingênu o”, uma vez que os ben efícios do exercício depen dem fundamen-t a l m en fundamen-te da forma como é pra fundamen-ti c ado. De fafundamen-to, v á rios autores argumentam que ao de s envo lvi-m en to da aptidão física não corre s pon de ne-ce s s a ri a m en te uma mel h oria do s t atu s de saú-de (Ha s kell et al. , 1985) e que nem todas as re-percussões do exercício físico e do de s porto são benéficas à saúde (Mei n ber g, 1 9 8 9 ) . Há estu-do s , por exem p l o, que dem on s tram que o trei-n a m etrei-n to ao qual os atletas do de s porto de retrei-n- ren-d i m en to são su bm eti ren-dos poren-de leva r, anos mais t a rde , a seq ü elas no or ganismo (Meeu s en & Borm s , 1 9 9 2 ) .

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Q u a d ro 1

Re sumo dos principais estu dos que apontam associação en tre pr á tica regular de exercícios físicos e indicadores de morbi m ort a l i d ade .

E s t u do s Morri s , JN et al. ( 1 9 5 3 ) . Pa f fen b a r ger, RS et al.( 1 9 7 0 ) . Pa f fen b a r ger, RS & Ha l e , AB (1975). Pa f fen b a r ger, RS et al. ( 1 9 8 6 ) . Bl a i r, SN et al. ( 1 9 8 9 ) . Morri s , JN et al. ( 1 9 9 0 ) . Bl a i r, SN et al. ( 1 9 9 5 ) . An ders en , LB et al. ( 2 0 0 0 ) . D el i n ea m en to s

E s tu do que analisou os regi s tros de saúde de 31.000 f u n c i on á rios do tra n s porte rodovi á rio (motoristas e cobradores) de Lon d re s , com idades en tre 35 e 64 a n o s , p a ra buscar relações en tre o ti po de tra b a l h o exec ut ado e a incidência de doenças coron a ri a n a s . E s tu do lon gi tudinal que acompanhou 3.263 e s tivadores da baía de São Fra n c i s co, com o obj etivo de iden tificar associações en tre nível de ativi d ade f í s i c a , f a tores de ri s co e mort a l i d ade .

Em seqüência ao estu do anteri or, 6.351 estivadore s foram acom p a n h ados por 22 anos, até morrerem ou até com p l et a rem 75 anos, no que diz re s pei to ao nível de ativi d ade física e mortes por doen ç a s coron a ri a n a s .

E s tu do que examinou a pr á tica regular de exerc í c i o s f í s i cos e outros hábi tos de vida de 16.936 alunos e ex - a lunos de Ha rva rd , de 35 a 74 anos de idade , por um per í odo de 16 anos.

E s tu do lon gi tudinal em que 10.224 hom ens e 3.120 mu l h ere s , a gru p ados em cinco categori a s , de s de s eden t á rios até mu i to ativo s , foram acom p a n h ado s por mais de oi to anos, com vistas a iden tificar os níveis de aptidão física ao ri s co de mort a l i d ade . E s tu do lon gi tudinal em que 9.376 hom en s , en tre 45 e 64 anos e sem históri co cl í n i co de doen ç a s c a rd i ova s c u l a re s , foram acom p a n h ados du ra n te 9 anos no toc a n te aos hábi tos de vida e i n tercorrências médicas.

E s tu do lon gi tudinal (po u co mais de 5 anos) em que 9.777 hom ens en tre 20 e 82 tiveram a apti d ã o física ava l i ad a , com vistas a iden tificar a assoc i a ç ã o dos re su l t ados ao ri s co de mort a l i d ade .

E s tu do que acompanhou 13.375 mu l h eres e 17.265 h om en s , de 20 a 93 anos, du ra n te 14,5 anos em média, com o obj etivo de rel ac i onar taxas de mort a l i d ade (e os ri s cos rel a tivos) com o nível de ativi d ade física no lazer e no tra b a l h o.

Con clu s õ e s

A ativi d ade física mais intensa da ativi d ade do s cobradores foi o motivo en con trado para explicar a men or incidência e mort a l i d ade rel ac i on adas a coron a ri op a tias nesse gru po.

A ativi d ade física pode ter maior influência no infarto do mioc á rdio do que na atero s cl ero s e .

Hom ens cuja ativi d ade laboral ex i gia ga s to s c a l ó ri cos el evados apre s en t a ram men or ri s co p a ra de s envo lver doença coron a ri a n a .

O estu do su gere uma associação po s i tiva en tre a pr á tica regular de exercícios físicos e as taxas de morbi d ade e mort a l i d ade do gru po estu d ado.

Ap a ren tem en te , n í veis mais altos de ativi d ade física po s ter gam todo ti po de mort a l i d ade pri n c i p a l m en te devi do a taxas mais baixas de doença card i ova s c u l a r e câncer.

O exercício físico vi goroso pode ser um fator de prevenção da doença coron a ri a n a .

Hom ens que mantiveram ou mel h ora ram apti d ã o física adequ ada apre s en t a ram men or prob a bi l i d ade de morte por todas as causas e doen ç a

c a rd i ovascular du ra n te o acom p a n h a m en to do que hom ens pers i s ten tem en te seden t á ri o s . A ativi d ade física pra ti c ada no lazer esteve i nvers a m en te assoc i ada à mort a l i d ade por todas as causas tanto em hom ens qu a n to em mu l h eres em todos os gru pos et á ri o s .

Ainda que o deb a te acerca da relação en tre exercício físico e saúde esteja lon ge de findar, com base no ex po s to até o mom en to, p a rece -nos ra zo á vel aceitar o exercício como um do s f a tores que podem con tri buir po s i tiva m en te p a ra a saúde de indiv í duos e comu n i d ades e, a o

mesmo tem po, recusar a relação de causalidade en tre el e s . O fato é que a po s s i bi l i d ade de o exercício físico con tri buir po s i tiva m en te para a s a ú de vem dando su porte a iniciativas que vi-sam en ga jar populações em uma vida fisica-m en te ativa .

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A relação ade s ã o / a ce s s o

A maioria dessas iniciativas tem por obj etivo ampliar o con h ec i m en to da população sobre a pr á tica e os ben efícios dos exerc í c i o s . No en-t a n en-to, se isso fosse su f i c i en en-te , e s pera r-se-ia qu e países que já vêm se debru ç a n do sobre a pro-bl em á tica do seden t a rismo há alguns anos, co-mo Estados Un i do s , Ca n ad á , Gr ã - Bretanha e Au s tr á l i a , a pre s en t a s s em taxas mais animado-ras de adesão ao exercício físico. Seg u n do Ki n g

et al. ( 1 9 9 5 ) , a pesar das evidências dos ben ef í-cios da pr á tica regular de exercíí-cios para a saú-de , a maioria dos americanos perm a n ece inati-va . Esse qu ad ro parece ser o mesmo em mu i to s países indu s tri a l i z ado s , nos quais o nível de ati-vi d adefísica dos adu l tos perm a n ece bem aqu é m do recom en d ado (CDC , 2 0 0 0 ; Di s h m a n , 1 9 9 4 ) . Com efei to, p a rece não haver evidências qu e su s ten tem o fato de que apenas o maior con h e-c i m en to sobre exere-cíe-cio leve as pe s s oas a uma vida fisicamen te ativa . Seg u n do Dishman et al. ( 1 9 8 5 ) , m enos de 5% da população ac red i t a que um maior con h ec i m en to sobre os ben ef í-cios do exercício con tri bu i ria para um aumen-to de sua pr á ti c a .

A questão da motivação e adesão ao exerc í-cio é, port a n to, mu l ti d i m en s i onal (Wel k , 1 9 9 9 ; Sa llis et al. , 1 9 8 9 ; Bi d dl e , 1 9 8 7 ; Dishman et al. , 1 9 8 5 ) , o que torna com p l exo o estu do e estabe-l ec i m en to de diretri zes que vi s em à ade s ã o. De f a to, a litera tu ra revela que a adesão à pr á ti c a de ativi d ades físicas e de s portivas sof re a in-f luência de mu i tos in-fatore s , com o : ex peri ê n c i a s a n teri ores na pr á tica de s portiva e de exerc í c i o s f í s i co s ; a poio do cônju ge e de familiares (Ki n g

et al. , 1 9 9 2 ) ; acon s el h a m en to médico (Bu ll & Ja m roz i k , 1 9 9 8 ) ; conveniência do local de exer-citação (An d rew et al. , 1 9 8 1 ) ; a s pectos bi o l ó gi-co s / f i s i o l ó gi gi-cos (Kl on of f et al. , 1 9 9 4 ; Di s h m a n , 1 9 8 1 ; Dishman & Get tm a n , 1 9 8 0 ) ; g ê n ero ( G a rcia et al. , 1 9 9 5 ) ; a utom o tivação para a pr á-tica do exercício (Fa ri n a t ti , 1 9 9 8 ) ; d i s pon i bi l i-d ai-de i-de tem po (Jo h n s on et al. , 1 9 9 0 ) ; con i-d i ç ã o s oc i oeconômica (Mon tei ro et al. , 1 9 9 8 ; Ra u d-s epp & Vi i ra , 2 0 0 0 ) ; con h ec i m en to d-sobre exer-cício físico e acesso a instalações e espaços ade-qu ados à pr á tica de exercício físicos (Sa llis et

a l. , 2 0 0 0 ; Wel k , 1 9 9 9 ) . É import a n te assinalar que a importância rel a tiva de cada um de s s e s f a tores na adesão à pr á tica do exercício pode va riar de acordo com o loc a l , a população ou o per í odo de tem po estu d ado.

No que se refere aos fatores ambi en t a i s , em bora não sejam mu i tos os estu dos (King et

a l., 1 9 9 5 ) , é po s s í vel afirmar que o ambi en te i n f lu encia a pr á tica da ativi d ade física (Wel k , 1 9 9 9 ) . Por é m , como a litera tu ra sobre ade s ã o em prega o termo “a m bi en te” de forma abra n-gen te para se referir à influência de fatores ex-ternos à pe s s oa , a produção científica nessa á rea específica acaba se torn a n do um po u co di-fusa no toc a n te à influência dos fatores am-bi en t a i s . Pa ra se ter uma idéia, e s tu dos que tra-tam da influência do ambi en te na adesão abor-dam fatores bem diversos que vão de s de a in-f luência da in-família (pais, c ô n ju ge s ) , de co l ega s e de prof i s s i onais de saúde até a influência do clima e do acesso a instalações, p a s s a n do ainda pela dispon i bi l i d ade de tem po e de rec u rsos fi-n a fi-n cei ro s .

No que con cerne ao ambi en te físico, há es-tu dos que apontam uma associação en tre a prox i m i d ade de instalações privadas e a fre-qüência na pr á tica de exercícios vi gorosos (Sa l-lis et al. , 1 9 9 0 ) . À con clusão sem el h a n te ch ega-ram Brown ell et al. ( 1 9 8 0 ) , que iden ti f i c a ra m que modestas alterações no ambi en te físico são c a p a zes de influ enciar a ativi d ade física re a l i z a-da no co ti d i a n o. No estu do em qu e s t ã o, o uso de um cartaz que en cora java o uso da escad a em locais públ i co s , e s tra tegi c a m en te po s i c i o-n ado eo-n tre ela e uma escada ro l a o-n te , re su l to u no aumen to do número de pe s s oas que opt a-vam pela escada du ra n te o per í odo de ex po s i-ção do cart a z . L i n en ger et al. (1991) prom ove-ram alterações no ambi en te físico e social de uma base naval ameri c a n a . Den tre as adequ a-ções do ambi en te físico estavam a con s tru ç ã o de uma cicl ovia e a com pra de novos equ i p a-m en tos para o exerc í c i o. Após ua-m ano, os auto-res iden ti f i c a ram uma mel h ora sign i f i c a tiva no tem po do te s te de uma milha e mei a .

Em que pe s em os po u cos estu dos sobre a i n f luência do ambi en te físico na adesão ao exerc í c i o, o exame da litera tu ra indica que o acesso a instalações é, provavel m en te , uma va-ri á vel ambi ental que interfere na escolha da pe s s oa em se exercitar (Sa llis et al. , 1 9 9 0 ) . Se-g u n doesses autore s , a ri queza na oferta de ins-talações para a pr á tica do exercício além de ser-vir de estímulo vi su a l , ch a m a n do a atenção das pe s s oas para a questão da pr á tica do exerc í c i o, reduz barrei ras físicas e psico l ó gicas assoc i ad a s ao exerc í c i o, uma vez que a prox i m i d ade do lo-cal de exercitação diminui o tem po de de s l oc a-m en to da pe s s oa .

A importância das condições ambi en t a i s p a ra a pr á tica de ativi d ades físicas também é com p a rti l h ada por mais autore s . Pa ra Hu n ter

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( 1 9 9 4 ) , os espaços ao ar livre obvi a m en te co n

tri-bu em de modo poten cial pa ra uma vida ativa , além de co n s ti tu í rem pa rte sign i f i c a tiva da iden-tidade co mu n i t á ri a. Ivers on et al. (1985) afir-mam que mud a nças no ambi en te co mu n i t á ri o

perm i tem ampliar as opo rtunidades pa ra as pe s-soas se en ga ja rem na pr á tica de atividades físi-c a s. Hu n ter (1994) segue o mesmo rac i oc í n i o ao defen der a nece s s i d ade de as pe s s oas terem uma maior independência em relação à pr á ti c a de ativi d ades físicas, no que tange ao uso de re-c u rsos pr ó pri o s , da vizinhança e de agênre-cias de l a zer e de aptidão física na adoção do estilo de vida pr ó pri o. De acordo com King (1994), d a-das a abrangência e a com p l ex i d ade do probl e-ma da inativi d ade física, a alteração desse qu a-d ro requ er a su p l em entação e a expansão a-de ações nos níveis ambi en t a l , or ga n i z ac i on a l , i n s-ti tu c i on a l , s ocial e legi s l a s-tivo. Nesse con tex to, i n tervenções ambi entais e na área de po l í ti c a s p ú blicas são parti c u l a rm en te import a n tes para a promoção da ativi d ade física, porque ambas são el a boradas para influ enciar gra n des gru po s pop u l ac i on a i s .

Con s i dera n do toda essa com p l ex i d ade , a s ações ado t adas por mu i tos países em prol da pr á tica regular da ativi d ade física devem ser amplas o su f i c i en te para dar conta do fen ô m e-no da ade s ã o. Por é m , é po s s í vel afirmar qu e programas e campanhas de promoção de esti-los ativos de vida são as ações que vêm se de s-t ac a n do den s-tre as ess-tra s-t é gias ado s-t adas pelo po-der públ i co.

Programas de promoção da ativi d a de f í s i c a : a experiência bra s i l ei ra

No Bra s i l , os programas parecem assumir po s i-ção de de s t a qu e , ainda que possa haver diferen-ças no mon t a n te de rec u rsos públ i cos de s ti n a-dos à promoção da ativi d ade física, às pe s qu i-sas e ao estabel ec i m en to de po l í ticas públ i c a s na áre a . De fato, nos últimos anos, essa preoc u-pação com a saúde pode ser sen tida em algu-mas iniciativas que vêm sen do ado t adas pel o poder públ i co.

Em 1986, por exem p l o, foi cri ado o Progra-ma Nac i onal de Educação e Sa ú de através do Exercício Físico e do Esporte , pelos Mi n i s t é ri o s da Sa ú de e da Educação e do De s porto, envo l-ven do, re s pectiva m en te , suas Coorden adori a de Doenças Cr ô n i co - Degen era tivas e Sec ret a-ria de Educação Física. O programa su r giu com o obj etivo de con tri buir para o aumen to da

pr á tica de s portiva e de ativi d ades físicas pel a pop u l a ç ã o, con s c i en ti z a n do-a sobre a impor-tância da ativi d ade física como fator de saúde e e s ti mu l a n do o de s envo lvi m en to de hábi to s mais saudáveis de vi d a .

Em 1987/1988, o Programa foi implantado em 14 Estados através de convênios com uni-vers i d ades públicas e a Sec ret a ria de Edu c a ç ã o Física e Esportes do MEC. A Po l í tica Nac i on a l do Programa foi implem en t ada por uma Co-missão In term i n i s terial – Mi n i s t é rios da Sa ú de e da Educação – e por um Comitê As s e s s or, s em pre obj etiva n do a discussão do bi n ô m i o exercício físico - s a ú de . Mais recen tem en te , em 1 9 9 8 , foi insti tu í do o Comitê Técnico Ci en t í f i-co de assessora m en to das ações do Progra m a a través da port a ria nº 3.711/1998 do Mi n i s t é-rio da Sa ú de (Bra s i l , 1 9 9 8 ) .

A coordenação geral do Progra m a , que ho-je é uma re a l i d ade em 27 Estados bra s i l ei ro s , está sed i ada na Un ivers i d ade Estadual de Ca m-pinas (Un i c a m p ) . Por conta disso, é na Fac u l-d al-de l-de El-ducação Física l-da Unicamp que está o Núcl eo de Educação à Distância em Exerc í-cio Físico e Sa ú de que tem a função de ori en t a r e divu l gar as ações do progra m a . Den tre as ações implem en t adas por esse programa estão a edição de materiais de educação à distância s obre Ativi d ade Física e Sa ú de , p u bl i c ados em 1986 (1aedição) e 1996 (2aed i ç ã o, revista e a tu a l i z ad a , com ti ra gem de 2.000 exem p l a re s ) .

Além desse su porte e da coordenação gera l , há coorden adores em cada Estado da federa ç ã o form a n do, a s s i m , uma rede nac i onal de infor-mações sobre o de s envo lvi m en to das ações vo l-t adas à promoção da pr á l-tica de al-tivi d ades físi-c a s . O último en físi-con tro do Programa – III En-con tro Nac i onal do Programa de Educação e Saúde através do Exercício Físico e do Esporte – re a l i zou-se de 6 a 10 de novem bro de 2001 na c i d ade de Sa lvador. Nesse III Encon tro rei tera-ram-se os obj etivos do progra m a , den tre os quais está a implementação, em parceria com as universidades federais e estaduais, de estratégias e de equ i pes locais para o fom en to de progra-mas de atividade física e saúde à população.

Em de zem bro de 1996, foi lançado o Pro-grama Agita São Paulo pelo Cen tro de Estu do s do Labora t ó rio de Aptidão Física de São Caet a-no do Sul (Cel a f i s c s ) , a ten den do à solicitação da Sec ret a ria de Sa ú de do Estado de São Pa u l o de criar um programa para prom over saúde por meio da ativi d ade física. Os obj etivos pri n-cipais do Agita São Paulo são (a) increm entar o con h ec i m en to da população sobre os ben ef

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í-2 1 í-2

cios da ativi d ade física e (b) aumentar o envo l-vi m en to da população com a atil-vi d ade física. Pa ra isso, o Programa el ege como alvos pri n c i-pais os esco l a res (crianças e ado l e s cen te s ) , o s tra b a l h adores (co l a rinho bra n co e azul) e os i dosos (Cel a f i s c s , 1 9 9 8 ) .

Pa ra tanto, o Agita São Paulo conta com o a poio do poder públ i co (na figura do govern o do Estado de São Paulo e de suas Sec ret a rias de Sa ú de e da Juven tu de , E s porte e Lazer ) , de vá-rias insti tu i ç õ e s , u n ivers i d ade s , além de nu m e-rosos assessores cien t í f i co s . Em sua estrutu ra or ga n i z ac i on a l , o programa po s sui um co l egi do, com po s to de várias insti tuições (govern a-m entais e não-govern a a-m en t a i s ) , que se re ú n e peri od i c a m en te para definir as ações e estra t é-gias a serem implem en t adas no ano, que se tra-du zem notad a m en te na el a boração de materi a l edu c a tivo (cart a ze s , f ô l dere s , m a nu a i s , s l id e s e v í deos) e na or ganização de inúmeros even to s , den tre os quais de s t acam-se o Dia do Esco l a r Ativo (30 de ago s to ) , o Dia do Tra b a l h ador Ati-vo (1ode maio) e o Dia do Idoso Ativo (28 de

s etem bro) (Cel a f i s c s , 1 9 9 8 ) . De s de a sua cri a-ç ã o, o Agita São Paulo vem prom oven do a ca-p acitação de agen tes de ca-promoção da ativi d ade física (os ‘a gen tes Agi t a’) e mu l ti p l i c a n do seu s programas em várias cidades bra s i l ei ra s .

A difusão do Programa Agita São Paulo se deu de forma tão ex pre s s iva qu e , em 2001, o poder públ i co federal o esco l h eu para paut a r suas ações estra t é gicas de promoção da ativi-d aativi-de física em nível nac i on a l . Con h ec i ativi-do com o Agita Bra s i l , o Programa Nac i onal de Prom o-ção da Ativi d ade Física foi ado t ado pelo Mi n i s-t é rio da Sa ú de (Bra s i l , 2001) como forma de

i ncrem entar o co n h e ci m en to da população sob re os ben ef í cios da atividade física, chamando a a tenção pa ra a sua impo rt â n cia como fator pre-d o m i n a n te pre-de proteção à saúpre-de, no intu i to pre-de en-volvê-la na pr á tica de tais ativi d a d e s( Bra s i l , 2 0 0 2 ) . Pa ra tanto, além das cri a n ç a s , ado l e s cen-te s , tra b a l h adores e ido s o s , o Agita Brasil in-clu iu os port adores de doenças crônico - dege-n era tivas como um de seus gru pos foc a i s .

A men s a gem uti l i z ada pelos Progra m a s “Agi t a” p a ra a promoção de estilos ativos de vi-da apóia-se na recom envi-dação ado t avi-da por pro-gramas dos EUA e, na pr á ti c a , a s sume o seg u i n-te enu n c i ado : Ativid ade física é saúde: acumu l e

30 minu tos por dia(...) na maioria dos dias da

sem a n a , se po s s í vel tod o s , de fo rma co n t í nu a( . . . )

ou em sessões acumuladas de 10, 15 ou 20 minu-to s( Cel a f i s c s , 1 9 9 8 ) .

A questão do seden t a rismo en d ê m i co

Em que pe s em iniciativas de promoção do exercício em âmbi to edu c ac i on a l , t a lvez a mais difundida na soc i ed ade bra s i l ei ra (seja em con-gressos cien t í f i co s , pela mídia ou por meio de ações govern a m entais) esteja mesmo nos pro-gramas em prol de estilos ativos de vi d a . No en t a n to, o esforço desses programas em pro-m over a pr á tica regular da ativi d ade física pa-rece não estar su rti n do os efei tos esperado s , uma vez que gra n de parte da população bra s i-l ei ra perm a n ece fisicamen te inativa . E m bora não sejam mu i tos os dados sobre seden t a ri s m o e ainda haja uma certa dificuldade em obt ê - l o s , há pe s quisas que nos perm i tem ter um panora-ma da situação bra s i l ei ra .

E s tu do re a l i z ado no final da década de 1980, en com en d ado pelo Mi n i s t é rio da Sa ú de , reve-lou números bastante escl a recedores acerca da prevalência do seden t a rismo na população bra-s i l ei ra . Dabra-s 2.003 pe bra-s bra-s oabra-s en trevi bra-s t ad a bra-s , 3 3 % decl a ra ram pra ticar exercícios reg u l a rm en te e s om en te 10% ad m i ti ram fazê-lo com freq ü ê n-cia su peri or a duas ve zes semanais (Bra s i l , 1988). O principal motivo alegado para a pr á ti-ca do exercício foi a manutenção da saúde e da resistência física.

Em fins da década de 1990, o In s ti tuto Bra-s i l ei ro de Geografia e EBra-statíBra-stica (IBGE) em convênio com o Ba n co Mundial con du z iu a Pe s quisa sobre Padrões de Vida (PPV) , na qu a l cerca de 5.000 domicílios em 554 setores nas regiões Norde s te e Su de s te do país foram pe s-qu i s ados com o obj etivo de forn ecer inform ções adequ adas para o planeja m en to, acom p a-n h a m ea-n to e aa-nálises de po l í ticas ecoa-nômicas e programas sociais em relação aos seus impac-tos nas condições de vida domiciliar (Bra s i l , 1 9 9 9 ) . No que se refere ao exercício físico, o es-tu do iden ti f i cou que 19,2% das pe s s oas decl a-ra a-ram pa-ra ticá-lo sem a n a l m en te . Por é m , qu a n-do con s i derada freqüência igual ou su peri or a três ve zes por semana e du ração igual ou maior que 30 minuto s , a proporção de decl a ra n tes fi-s i c a m en te ativofi-s redu z iu-fi-se para 7,9%. Di fe-ren tem en te do estu do anteri or, qu a n do inda-gadas sobre os principais motivos para a pr á ti-ca do exercício físico, certi-ca de 74,5% das pe s-s oas-s que decl a ra ram pra ticar exercício s-sem a-n a l m ea-n te apoa-n t a ram o lazer, a diversão e a es-t é es-ti c a . Nesse gru po, a penas 10,4% apon es-t a ram a s a ú de , a fisioterapia e o acon s el h a m en to médi-co médi-como motivos para a pr á tica de exerc í c i o s f í s i co s .

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n en hum ti po de ativi d ade física é de 11% na população to t a l , a ti n gi n do o patamar de 20% en tre os indiv í duos mais idosos e de men or ní-vel soc i oecon ô m i co.

Ainda que alguns desses dados não seja m tão recen tes e alguns deles não possam ser com p a rados diret a m en te , ten do em vista a di-ferença de metodo l ogias uti l i z ad a s , p a rece - n o s ra zo á vel ad m i tir que a maioria da pop u l a ç ã o bra s i l ei ra não pra tica ativi d ade física reg u l a r-m en te , o que inclu s ive é con f i rr-m ado por vári o s a utores (Mon tei ro et al. , 2 0 0 3 ; Bra s i l , 2 0 0 2 ; Le-m o s , 2 0 0 1 ; Ma t su do et al. , 2 0 0 1 ) . No que se re-fere à motivação para essa pr á ti c a , por é m , o s re su l t ados dos estu dos em nível nac i onal (Bra-s i l , 1 9 9 9 ; 1988) (Bra-são con f l i t a n te (Bra-s , co l oc a n do em d ú vida a idéia, ra zoavel m en te aceita pelo sen s o comu m , de que a saúde é o principal motivo que leva as pe s s oas à pr á tica de exerc í c i o s .

D i s c uti n do alguns el em en tos p a ra a avaliação de progra m a s

Pelo ex po s to até o mom en to, é po s s í vel afirm a r que programas e campanhas se apre s entam co-mo o que há de mais con s i s ten te no que se re-fere a ações para a promoção da ativi d ade físi-ca em nível nac i on a l . E m bora haja estu dos e propostas para que a Educação Física esco l a r a s suma como uma de suas funções a prom o ç ã o de estilos ativos de vida como forma de com-b a ter o seden t a rismo da população com-bra s i l ei ra e, por con s eg u i n te , reduzir o índice de doen ç a s crônicas não-tra n s m i s s í veis (Nahas & Corbi n , 1 9 9 2 ; Gu edes & Gu ede s , 1 9 9 2 ; 1 9 9 3 a ; 1 9 9 3 b ; 1 9 9 4 ) , elas não ch egam a con s ti tuir um movi-m en to de escopo nac i onal e de caráter gover-n a m egover-n t a l . Um dos doc u m egover-n tos que poderi a m su gerir esse direc i on a m en to para a Edu c a ç ã o Física escolar bra s i l ei ra seria o que estabel ece os Pa r â m etros Cu rri c u l a res Nac i onais (PCN), p u bl i c ado em 1998 pelo Mi n i s t é rio da Edu c a-ç ã o. Os PCN, de fato, m a rcam a íntima rel a a-ç ã o que os con te ú dos da Educação Física (jogo, e s-porte , d a n ç a , gi n á s tica e luta) podem ter com o tema tra n s versal “s a ú de”, no en t a n to, não pare-cem su gerir que a essa disciplina escolar cabe-ria o papel pri m ei ro de con tri buir para a redu-ção dos índices de seden t a rismo da pop u l a ç ã o bra s i l ei ra .

Não ob s t a n te , a Educação Física escolar não fica imune a interferências dos programas pr ó -a tivi d -ade físic-a. O Progr-am-a Agit-a São P-a u l o, por exem p l o, também visa influ enciar a Edu c a-E m bora de men or abrangência pop u l ac i

o-nal e envo lven do gru pos diferen te s , há outro s e s tu dos que de certo modo corroboram os ach ados sobre seden t a rismo na população bra-s i l ei ra . Pe bra-s quibra-sa re a l i z ada no final da década de 1980 apon tou uma prevalência de seden t a ri s-mo de 69,3% para a população do mu n i c í p i o de São Paulo (Rego et al. , 1 9 9 0 ) . Mais recen te-m en te , G ote-mes et al. (2001) iden ti f i c a rate-m qu e 59,8% dos hom ens e 77,8% das mu l h eres re s i-den tes no município do Rio de Ja n ei ro com 12 anos ou mais de idade rel a t a ram nunca ter pra-ti c ado apra-tivi d ade física de lazer. N í veis sem e-l h a n tes de seden t a rismo foram iden ti f i c ado s em estu d a n te s . Tom a n do por base amostra de 325 alu n o s , Si lva & Malina (2000) en con tra ra m alta prevalência de seden t a rismo em ado l e s cen-tes da rede pública de ensino do município de Ni terói (RJ), uma vez que 85% dos meninos e 94% das meninas foram con s i derados seden t á-ri o s . Va l ores mu i to próximos a esses foram en-con trados por Gu edes et al. (2001) em alu n o s do ensino médio do município de Lon d ri n a ( P R ) . Cerca de 94% das moças e 74% dos ra p zes foram con s i derados inativos ou moderad a-m en te ativo s , o qu e , s eg u n do os autore s , n ã o a ten de às recom endações qu a n to à pr á tica de a tivi d ade física que possa alcançar impacto sa-ti s f a t ó rio à saúde .

Por outro lado, há estu dos que apon t a m prevalências de seden t a rismo um po u co men o-re s . Pe s quisa o-re a l i z ada no início da década de 1 9 9 0 , com 1.157 indiv í duos en tre 15 e 64 anos de idade , re s i den tes no município de Porto Al egre , i den ti f i cou uma prevalência de seden-t a rismo geral de 47% (Duncan eseden-t al. , 1 9 9 3 ) . Mais recen tem en te , O eh l s ch l aeger et al. ( 2 0 0 4 ) veri f i c a ram prevalência de seden t a rismo de 39% no município de Pelotas (RS), mas com base numa amostra de 960 ado l e s cen tes com i d ades en tre 15 e 18 anos, comu m en te mais ati-vos que adu l to s .

Pa ra em b a raçar ainda mais a situ a ç ã o, va l e citar a pe s quisa con duzida pela Fundação Os-w a l do Cruz (Fioc ru z ) / O r ganização Mundial da Sa ú de (OMS) (Szwarc w a l d , 2 0 0 4 ) , cujos re su l-t ados prel i m i n a res aponl-tam uma preva l ê n c i a de seden t a rismo inferi or à en con trada nos es-tu dos anteri ore s . No que diz re s pei to à ativi d a-de física (no lazer ou rel ac i on ada ao tra b a l h o ) , s eja vi goro s a , m oderada ou caminhad a , 2 4 % dos en trevi s t ados rel a t a ram pra ticar men o s que 150 minutos por sem a n a , o que é con s i de-rado insu f i c i en tede acordo com os cri t é rios da O M S . O percen tual de pe s s oas que não re a l i z a

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2 1 4

ção Física escolar a prom over estilos ativos de vida e a mel h orar a qu a l i d ade das aulas, a u-m en t a n do o teu-m po real de ativi d ade física nas mesmas (Cel a f i s c s , 1 9 9 8 ) . Além disso, são re a-l i z ados even tos reu n i n do escoa-las estadu a i s , municipais e boa parte das escolas parti c u l a re s do Estado de São Paulo para discutir com alu-n o s , profe s s ore s , pais e diri gealu-n tes esco l a res a a tivi d ade física como forma de promoção da s a ú de (Agita Galera) e distri bu í dos materi a i s i n s tru c i onais (cart a ze s , c a rtilhas etc.) pela Se-c ret a ria de Estado de EduSe-cação de São Paulo e pelo pr ó prio progra m a .

Essas con s i derações apenas vêm con f i rm a r a prepon derância qu e , ousamos afirm a r, o s programas têm em relação à to t a l i d ade das ações em prol da pr á tica sistem á tica de ativi d a-des físicas implem en t ada pelo poder públ i co bra s i l ei ro. O ra , con s i dera n do que esses progra-mas são su b s i d i ados em boa parte com rec u r-sos públ i cos (Ma t su do et al. , 2 0 0 3 ) , sua perm a-n ea-n te avaliação é fua-ndamea-ntal a-não só para se analisar a pertinência do inve s ti m en to públ i co, mas também das ações e estra t é gias ado t ad a s , tom a n do-se como referência os obj etivos pro-po s tos e a corre s pro-pondência com os re su l t ado s obti do s . Em linhas gera i s , pode-se dizer que os programas visam ampliar o con h ec i m en to da população acerca da importância da pr á tica re-gular de ativi d ades físicas para a saúde e au-m entar a parcela da população fisicaau-men te ati-va de modo a con tri buir para a prevenção das doenças crônicas não-tra n s m i s s í vei s . Isso se ex pre s s a , por exem p l o, nos obj etivos do Pro-grama de Educação e Sa ú de através do Exerc í-cio Físico e do Esporte : (a) capa citar prof i s s i

nais das áreas de Edu c a ç ã o, a través de metod ol o-gia de ensino à distânci a , em Ex erc í cio Físico e Saúde; (b) impl em entar( . . . ) e q u i pes locais pa ra

o fo m en to de pro gramas de atividade física e saú-de junto à população; (c) produzir material pa ra a população em geral e pa ra os profissionais das á reas de Educação e Saúde sob re a impo rt â n ci a da pr á tica da atividade física como fator de pro-moção de saúde; e (d) impl em entar o Pro gra m a j u n to às Secret a rias Es t a duais e Mu n i ci pais de Saúde e ou tros( . . . ) como instru m en to de pro m

o-ção e re c u perao-ção da saúde, de preveno-ção das d oen ç a s , de mel h o ria do bem-estar so cial e da qualidade de vi d a( Un i c a m p, 2 0 0 1 ) .

Obj etivos sem el h a n tes também podem ser ob s ervados no Agita Bra s i l , pri n c i p a l m en te no que se refere à preocupação com a difusão de con h ec i m en tos sobre a pr á tica de ativi d ades fí-sicas e o fom en to da adesão a estilos ativos de

vida com vistas à redução de doenças crônicas não tra n s m i s s í veis na pop u l a ç ã o. Senão veja-mos: (a) divulgar informações relativas aos

bene-f í cios da atividade bene-física e pro m over o envolvi-m en to da população nestas pr á ti c a s , en f a ti z a n d o a sua impo rt â n cia como fator essen cial de prote-ção à saúde, em espe cial no caso de po rt a d o res de d oenças crônicas nãtra n s m i s s í veis; (b) pro m o-ver ações e atividades que induzam as pe s soas a a d ot a r, de fo rma reg u l a r, a pr á tica de ativi d a d e s físicas como um hábi to de vida; (c) co n s ti tu i r- se i n s tru m en to de su s ten t a bilidade e efetividade às ações de prevenção e co n trole de doenças cr ô n i c a s n ã o - tra n s m i s s í veis; e (d) desenvolver estudos e fo r-mular metod ol o gias nacionais capa zes de co m-provar benefícios e avaliar impactos da promoção da atividade física na alteração de hábi tos de vi-da e no controle e prevenção vi-das doenças crônicas não-transmissíveis(Brasil, 2001).

Sen do assim, a avaliação do de s em pen h o desses programas deve paut a r-se em indicado-res que ex pre s s em o alcance dos obj etivos ante-ri orm en te formu l ado s . Nesse sen ti do, e s pe-ram-se estu dos qu e , tom a n do como refer ê n c i a determ i n ada região atendida por programas de promoção de ativi d ades físicas e re s pei t a n do tem po mínimo nece s s á rio para se ob s erva rem mu d a n ç a s , a pon tem , por exem p l o, o percen-tual da população fisicamen te ativa , o nível de con h ec i m en to acerca da importância e da pr á-tica regular de ativi d ades físicas propri a m en te dita e a prevalência de doenças crônicas não-tra n s m i s s í vei s .

Nesse parti c u l a r, a pesar da escassez de estu-dos de âmbi to nac i onal (ou de larga abra n g ê n-cia pop u l ac i onal) que avaliam inin-ciativas de promoção da ativi d ade física, p a rece haver uma certa convergência desses po u cos em apon t a r que programas e campanhas são efetivos em m el h orar o nível de con h ec i m en to da pop u l a-ção e suas ati tu des em relaa-ção à pr á tica de ati-vi d ades físicas, por é m , l i m i t ados em ampliar o n í vel de adesão a essa pr á tica (Si m p s on et al. , 2 0 0 3 ; Wa rdle et al. , 2 0 0 1 ; Cavi ll , 1 9 9 8 ; Hi ll s don

et al. , 2 0 0 1 ) . Um dos motivos apre s en t ados está na dificuldade que programas teriam para alte-rar o qu ad ro social de s f avor á vel à pr á tica reg u-lar de ativi d ades físicas (Cavi ll , 1 9 9 8 ) .

Por outro lado, há estu dos que apon t a m progressos no hábi to de a população pra ti c a r a tivi d ades físicas reg u l a rm en te . Na Finlândia, por exem p l o, em 25 anos de um programa na-c i onal para redução de fatores de ri s na-co para doenças card i ova s c u l a res [North Ka relia Pro-j ect ] , i den ti f i cou-se um aumen to no tem po

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de-d i c ade-do à pr á tica de-de ativi de-d ade-des físicas no lazer ( Pu s k a , 2 0 0 2 ) . No Ca n ad á , a pr á tica de ativi d a-des físicas aumen tou nas décadas de 1980 e 1990 (Craig et al., 2004). Nos EUA, estudo leva-do a cabo pelo CDC apon tou que o seden t a ri s-mo no lazer sof reu redu ç ã o, em bora s-mode s t a , no per í odo de 1988 a 2002, e s pec i a l m en te após 1 9 9 6 . No Bra s i l , o programa Agita São Pa u l o também vem iden ti f i c a n do reduções nos nívei s de seden t a rismo da população de São Pa u l o pri n c i p a l m en te qu a n do rel ac i on ados ao con h e-c i m en to da men s a gem prine-cipal do progra m a ( Ma t su do et al. , 2 0 0 3 ; Ma t su do et al. , 2 0 0 2 a ; Ma t su do et al. , 2 0 0 2 b ) . Como vi m o s , esses re su l-t ados são, de cerl-to modo, d iver gen l-tes aos iden-tificados em outros países (Simpson et al., 2003; Wa rdle et al. , 2 0 0 1 ; Cavi ll , 1 9 9 8 ; Hi ll s don et al, 2001).

E n tret a n to, a par da inconsistência de s s e s ach ado s , é gra n de o reclamo para os el evado s n í veis de seden t a rismo das populações de dife-ren tes países e a nece s s i d ade de mudanças nes-se qu ad ro (CDC , 2 0 0 4 ; Craig et al. , 2 0 0 4 ; Pa t-ters on et al. , 2 0 0 4 ; Bra s i l , 2 0 0 2 ; Lem o s , 2 0 0 1 ; Bra s i l , 2 0 0 1 ; W H O / C DC , 2 0 0 0 ; Bern s tein et al. , 1 9 9 9 ) . Esse cen á rio nos leva a su por que cam-panhas e programas em prol da pr á tica reg u l a r de ativi d ades físicas tenham re su l t ados tími-do s . H á , port a n to, n ece s s i d ade de se ava l i a r mais prof u n d a m en te tais iniciativas e rev ê - l a s , se for o caso, em ben efício de ações mais prof í-c u a s , í-con s i s ten tes e du rado u ras de prom o ç ã o da ativi d ade física na pop u l a ç ã o. Cavi ll (1998) ch ega a pon to de argumentar que não se pode

e sperar que campanhas sejam re s po n s á veis pel a reversão de co m po rt a m en tos so cial e ambi en t a l-m en te co n s tru í d o s.

Em outras palavra s , programas e campa-nhas não teriam condições de alterar o qu ad ro de seden t a rismo da população se re s tritas a ini-c i a tivas de ampliação do ini-con h eini-c i m en to da po-pulação sobre ativi d ades físicas. Com efei to, h á a utores que argumentam que a inform a ç ã o, por si só, é insu f i c i en tepara induzir mu d a n ç a s ou incorporação de hábi tos de vida (Di s h m a n

et al. , 1 9 8 5 ; Si eden top, 1 9 9 6 ) . Sen do assim, ações que se con cen trem em modificar os fato-res de ri s co em indiv í du o s , s em levar em con s deração o con tex to social em que vivem , d i f i-c i l m en te prom overiam mel h oras sign i f i i-c a tiva s ( Si eden top, 1 9 9 6 ) .

Nesse sen ti do, é probl em á ti co ad m i tir que a avaliação de progra m a s , como o Agita Brasil por exem p l o, possa se limitar a q u a ntif icar e analisar

as atividades e ações desenvolvidas nos níveis

lo-cais de estímulo à atividade físicae a q u a ntif icar e

analisar a inco rpo ração do co n h e ci m en to da po-pulação sob re os ben ef í cios da pr á tica de ativi d a d e f í s i c a , que re s i d em nas cidades onde o Pro gra m a foi impl a n t a d o( Bra s i l , 2 0 0 1 ) . O ra , se um dos ob-j etivos finais do programa é levar as pe s s oas a adotar a pr á tica de ativi d ades físicas como um h á bi to de vi d a , há que se ter indicadores qu e permitam avaliar até que pon to esse obj etivo foi a l c a n ç ado. Sem dúvida que a men su ração do ní-vel de ativi d ade física da população deve ser um dos indicadores a serem con s i derados na ava l i a-ção de programas cujos obj etivos são ampliar a adesão à ativi d ade física.

Con s i derações finais

Q u eremos tra zer para o deb a te , en tret a n to, a po s s i bi l i d ade de se con s i dera rem outros indi-c adores para a avaliação desses progra m a s , qu e ex pre s s em outras va ri á veis interven i en tes no processo de adesão à pr á tica de ativi d ades físi-c a . Tal físi-con s i deração é perti n en te uma vez qu e , como foi vi s to, também é obj etivo desses pro-gramas criar condições favor á veis e prom over

ações (...) que induzam as pe s soas a adot a r, d e fo rma reg u l a r, a pr á tica de atividades físicas co-mo um hábi to de vi d a( Bra s i l , 2 0 0 1 ) .

Con s i dera n do que a adesão é um fen ô m e-no com p l exo, e que deve ser en ten d i do com o um proce s s o, o hábi to de pra ticar ativi d ades fí-sicas ex pre s s a , a ri gor, o com port a m en to final a l m ejado. Assim sen do, ter em conta esse com-port a m en to como o único indicador da efetivi-d aefetivi-de efetivi-de programas e efetivi-de iniciativas efetivi-de prom o-ção de ativi d ades físicas seria en f a tizar o pro-duto e de s con s i derar o proce s s o, o qu e , a nosso ver, não seria ju s to. Isso significa dizer que é po s s í vel que a maioria de determ i n ada pop u l a-ção não pra ti que ativi d ades físicas reg u l a rm en-te , m a s , ao mesmo en-tem po, condições favor á vei s à sua pr á tica tenham sido cri adas por progra-mas ou outras iniciativas do poder públ i co. E m o utras palavra s , s eria plausível afirmar qu e , a pesar de não ter ocorri do uma redução sign i-f i c a tiva na prevalência de seden t a rismo da po-pulação de determ i n ada regi ã o, pode ter havi-do uma mel h oria na po s s i bi l i d adede seus mem-bros aderi rem à pr á tica de ativi d ades físicas, ex pre s s a , por exem p l o, numa maior oferta de espaços públ i cos de s ti n ados ao lazer ativo. Por-t a n Por-to, a iden Por-tificação e avaliação dessas con d i-ções (leiam-se va ri á veis) aju d a riam a ex pre s s a r, por exem p l o, o po tencial de adesão à pr á tica de

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a tivi d ades físicas em determ i n ado con tex to e, em última análise, a eficácia (em sen ti do l ato) de programas e de iniciativas em prol da ativi-d aativi-de física.

In i c i a tiva nesse sen ti do foi con duzida pel a Prefei tu ra da cidade de Belo Hori zon te . Com o obj etivo de mon i torar os impactos das ações e i n tervenções públicas para o cidadão e perm i-tir uma distri buição mais ef i c i en te e justa do s rec u rsos públ i cos mu n i c i p a i s , c riou-se um Í n d i ce para a Qualidade de Vida do Lu gar Ur-bano (IQVU) com base no acesso à oferta de bens e serviços (Prefei tu ra de Belo Hori zon te , 2 0 0 1 ) . Pa ra tanto, def i n i ram-se on ze vari ávei s ( Ab a s tec i m en to ; Assistência Soc i a l ; E du c a ç ã o ; E s porte s ; Cu l tu ra ; Ha bi t a ç ã o ; In f ra - e s trutu ra Urb a n a ; Meio Am bi en te ; Sa ú de ; Serviços Ur-b a n o s ; Seg u rança UrUr-bana) que foram divi d i d a s em co mpon ente s qu e , por sua ve z , produ z i ra m

i nd ic ad ore sp a ra ex pressar nu m eri c a m en te a qu a n ti d ade e a qu a l i d ade da oferta dos servi ç o s pe s qu i s ados em cada regi ã o.

Uma dessas va ri á vei s , definida como “ E s-porte s”, teve como com pon en tes “ Equ i p a m en-tos Esportivo s”, ava l i ados pela “ á rea por habi-t a n habi-te de qu ad ra s , p i s c i n a s , c a m po s , clu bes e con g ê n ere s”, e “ Promoções Esportiva s”, a n a l i s a-das com base no “número de eventos esportivos e freqüência de públ i co” ( Q u ad ro2). E m bora a definição dessa va ri á vel tivesse por trás a inten-ção de avaliar ações do poder público na área de esportes e lazer sem uma preocupação imediata de inferir o po tencial de determ i n ada região de f avorecer a pr á tica de ativi d ades físicas, esse é um bom exemplo de como outras va ri á veis po-dem ser incluídas na avaliação de programas e campanhas em prol da atividade física.

Ac re s cen te-se a isso o fato de a pr á tica re-gular de ativi d ades físicas ser um com port

a-m en to coa-m p l exo (bea-m diferen te do uso habi-tual do cinto de seg u ra n ç a , por exem p l o ) . E m mu i tos casos, a adesão é ef ê m era ; há aumen to na pr á tica de ativi d ades físicas qu a n do há estí-mulos para tal sen do con s t a n tem en te vei c u l a-do s . Uma vez reti raa-do s , a adesão ten de a vo l t a r aos níveis iniciais (Brown ell et al. , 1 9 8 0 ) . Sen-do assim, a alteração da prevalência Sen-do seden-t a rismo requ er ações nos níveis ambi en seden-t a l , or-ga n i z ac i on a l , i n s ti tu c i on a l , s ocial e legi s l a tivo.

Essas con clusões poderiam ser estendidas a todo e qu a l qu er com pon en te dos modos de vi-d a . As influências ambi en t a i s , port a n to, vi-devem s er analisadas sob uma pers pectiva que ex tra po-le a dimensão da estrutu ra física, depen den do também do en torno soc i a l . A prob a bi l i d ade de que a ativi d ade física passe a fazer parte da ro ti-na de um gru po, por exem p l o, p a rece-nos au-m en t ada se foreau-m re a l i z adas au-mudanças no en-torno soc i a l , de s de o de s envo lvi m en to de uma consciência co l etiva no que toca ao recon h ec i-m en to de sua ii-mportância até alterações nas re-lações en tre tem po de trabalho e lazer, o que im-plica repensar fatores como jorn ada de tra b a l h o, ren d i m en to s , s i s tema de tra n s porte públ i co, ofert a , d i s tri buição e ace s s i bi l i d ade de equ i p a-m en tos de s portivos e espaços públ i cos para a pr á tica de ativi d ades físicas, den tre outro s .

A nosso ver, a avaliação de programas pr ó -a tivi d -ade físic-a poderi-a ser feit-a com b-ase n-a análise de um número maior de va ri á vei s , con-tem p l a n do mel h or o fen ô m eno da ade s ã o. A definição de outras va ri á vei s , em a n adas de uma ex a u s tiva revisão de litera tu ra e da re a l i-zação de estu dos em p í ri co s , se apre s enta com o um passo import a n te para uma avaliação mais con s i s ten te e fided i gna de programas de pro-moção da ativi d ade física de larga abra n g ê n c i a pop u l ac i on a l .

Q u a d ro 2

Com pon en tes e indicadores da va ri á vel Esporte s .

Va ri á vel

E s porte s

Com pon en te s

Equ i p a m en tos esportivo s

Promoções esportiva s

In d i c a dore s

Á rea por habi t a n te de qu ad ra s , p i s c i n a s , c a m po s , clu bes e con g ê n ere s

N ú m ero de even tos esportivos e freqüência de públ i co

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Arti go apre s en t ado em 22/12/2004 Aprovado em 4/03/2005

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Referências

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