UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES
PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU”
AVM FACULDADE INTEGRADA
FAMÍLIA E ESCOLA: CONTEXTO HISTÓRICO FAMILIAR E OS
DISTÚRBIOS DO APRENDIZADO
Por: Maria Margarida de Assunção Bordalo Pessoa
Orientador Profª. Fabiane
Rio de Janeiro 2015
UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES
PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU”
AVM FACULDADE INTEGRADA
FAMÍLIA E ESCOLA: CONTEXTO HISTÓRICO FAMILIAR E OS
DISTÚRBIOS DO APRENDIZADO
Apresentação de monografia à AVM Faculdade Integrada como requisito parcial para obtenção do grau de especialista em Psicopedagogia Institucional Por: Maria Margarida de Assunção Bordalo Pessoa
AGRADECIMENTOS
A todo corpo docente da Universidade Candido Mendes. Aos amigos da Pós-Graduação que sempre demonstraram parceria e união. A minha família que com carinho e paciência me apoiou mesmo nas horas difíceis.
DEDICATÓRIA
Dedico esta monografia ao meu marido aos meus filhos e ao meu neto que dão sentido a minha vida afetiva e profissional.
RESUMO
Busca-se evidenciar nas instituições escolares do ensino fundamental as vertentes interligadas ao aprendizado do aluno frente aos aspectos relacionados ao meio social e de caráter familiar na qual o mesmo está inserido. Surge então, a importância de contextualizar as relações históricas dos laços familiares, levantando questões sobre as contribuições dessas relações para com a formação do indivíduo, sendo elas positivas ou negativas ao aprendizado. Assim, procura-se analisar quais fatores externos implicam e comprometem o aprendizado do aluno. Pretende-se, como forma de esclarecimento, enumerar alguns transtornos que possam ser identificados como causa da dificuldade no aprendizado. Assim como, destacar as contribuições do psicopedagogo no processo facilitador à prática do ensino-aprendizado.
Palavras-chave: Família; Filhos; Aprendizagem; Escola; Transtornos;
METODOLOGIA
A metodologia utilizada destina-se ao estudo bibliográfico, de conteúdo teórico voltado para a análise de livros e artigos publicados na internet, tendo como foco principal o aprendizado dos alunos nas instituições escolares do ensino fundamental, assim como o contexto social e familiar da criança e suas implicações ao ensino-aprendizado e também buscar esclarecer as dificuldades referentes aos transtornos mentais que de alguma forma, interferem na formação cognitiva e comportamental do aluno. Por fim, trazer ao nosso conhecimento, as intervenções e ações que podem ser desenvolvidas pelos psicopedagogos de forma colaborativa e facilitadora para o ensino-aprendizado.
O primeiro capítulo, Contextos familiares e suas implicações na
formação de uma criança, traz o conhecimento histórico sobre fatos ocorridos
na idade média que ajudam a entender o processo relativo à mentalidade de uma época e o posicionamento da criança em relação a sua infância e permitir fazer uma linha do tempo com suas considerações até os dias atuais. Para isso, é citado o autor Philippe Ariés.
No segundo capítulo, Fatores externos que comprometem
desenvolvimento cognitivo do aluno e contribuem para fracasso escolar,
é apresentada a obra da autora Anny Cordie para enfatizar a questão da família, da sociedade em relação a escola. Traz em suas contribuições, a necessidade de conhecermos o contexto histórico-social e familiar do indivíduo para elucidar os problemas que ocorrem nas escolas pela dificuldade de se obter o aprendizado.
Já no terceiro capítulo, Dificuldades e transtornos do aprendizado, podemos destacar os artigos de Flávia Nayara e Fernanda Machado, com suas contribuições sobre os transtornos mentais que, por vezes, podem estar relacionados ao fracasso escolar.
Para finalizar, o quarto capítulo, As contribuições e intervenções do
que brilhantemente vem levantar questões que envolvem o psicopedagogo, ou seja, sua atuação, seu trabalho de intervenção junto à família, escola e o seu trabalho destinado a melhorar o desempenho do aluno quanto ao aprendizado. Além desses autores citados, tiveram participação para realização deste trabalho outros autores tão importantes quanto esses, que puderam acrescentar e abrilhantar a pesquisa bibliográfica. Todos foram de grande importância, pois trouxeram grandes considerações para a realização e conhecimento das questões aqui apresentadas.
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO 9 CAPÍTULO I - Contextos familiares e suas implicações na formação
de uma criança. 12 CAPÍTULO II - Fatores externos que comprometem o desenvolvimento
cognitivo do aluno e contribuem para o fracasso escolar. 19 CAPÍTULO III – Dificuldades e transtornos do aprendizado. 26
CAPÍTULO IV – As contribuições e intervenções do Psicopedagogo
rumo ao aprendizado. 33 CONCLUSÃO 40 BIBLIOGRAFIA CONSULTADA 42 ÍNDICE 43 FOLHA DE AVALIAÇÃO 44
INTRODUÇÃO
Na busca por norteadores que venham esclarecer junto às áreas do conhecimento, as causas do fracasso escolar, o tema desta monografia intitulada por Família e Escola: Contexto Histórico Familiar e os Distúrbios do Aprendizado, procura estabelecer relações frente ao desempenho do aluno na escola com os aspectos relevantes ao meio social e familiar na qual o mesmo está inserido.
Diante do baixo rendimento dos alunos em diversas áreas do conhecimento, mas em especial em uma escola pública do ensino fundamental, localizada em uma área de comunidade com grande índice de pobreza e violência doméstica, este trabalho tem como objetivo ampliar o olhar para o universo familiar e desenvolver um estudo sobre as causas relacionadas à esse contexto histórico social que implicam no aparecimento das dificuldades do aprendizado.
Neste sentido, torna-se também muito importante desenvolver um estudo sobre o papel do psicopedagogo, numa abordagem inclusiva e efetiva frente às dificuldades e possíveis transtornos cognitivos.
Considerando-se que o primeiro contato de uma criança desde o seu nascimento é a sua família e que o indivíduo inicia a sua construção de valores e essência comportamental através da mesma, surge a inquietação quanto à formação inicial dessas crianças e de que forma as famílias estão cuidando para que elas cresçam e ingressem ao campo educacional de forma positiva e saudável.
O estudo teórico que perfaz este trabalho monográfico, tende esclarecer os fatores externos co-relacionados à família, que podem favorecer a queda do rendimento do aluno na escola. Entretanto, reconhecer também os aspectos positivos que contribuem para o avanço do aprendizado.
Por essa razão, entende-se que o aluno ao ingressar na escola, traz consigo uma bagagem de conhecimento a qual adquiriu junto a sua família e ao seu meio sócio-cultural.
Em verdade, diante da angústia de vários educadores que, quando se deparam com alunos agressivos, sem motivação ou com quaisquer dificuldades de aprendizado, procuram respostas e acima de tudo, uma forma de intervenção que os ajudem a transformar essa realidade conhecida, mas não determinada, num instrumento facilitador ao sucesso do aluno.
Este trabalho monográfico está dividido em quatro capítulos, onde o primeiro intitulado por Contextos familiares e suas implicações na formação de
uma criança têm como objetivo reconhecer os diferentes espaços históricos, os
valores atribuídos pela família e o meio social relativo ao seu grupo cultural e econômico.
No segundo capítulo, Fatores externos que comprometem o
desenvolvimento cognitivo do aluno e contribuem para fracasso escolar, vem
referenciar uma abordagem ampla sobre os conflitos existentes no ambiente familiar que podem contribuir para desencadear inúmeras dificuldades do aprendizado.
Na seqüência o terceiro capítulo, Dificuldades e transtornos do
aprendizado, traz ao nosso conhecimento as características de alguns
transtornos ou dificuldades que, por vezes, podem resultar no comprometimento do aprendizado do aluno na escola.
O último capítulo, As contribuições e intervenções do Psicopedagogo
rumo ao aprendizado, tem como princípio transpor um roteiro esclarecedor e
informativo sobre o trabalho relacionado ao campo da Psicopedagogia que ressalte sua prática de intervenção e sua competência nas ações junto à escola, em benefício ao aprendizado do aluno.
No mais, este trabalho procederá de maneira que sejam aqui analisadas
algumas citações de importantes teóricos, para nos permitir concordar ou discordar sobre o assunto em questão.
CAPÍTULO I
CONTEXTOS FAMILIARES E SUAS IMPLICAÇÕES NA
FORMAÇÃO DE UMA CRIANÇA
Neste primeiro capítulo faz-se necessário à princípio, destacar que há responsabilidades quanto à família, sociedade e o poder público no cumprimento dos seus deveres para com a criança. Para isso, é destacado inicialmente a lei que dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente Art. 4º onde diz que:
É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do Poder Público assegurar, com absoluta prioridade, a
efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária.
No que se diz respeito à família, é preciso sinalizar o fato que, não existe na sociedade um padrão, ou seja, um modelo específico da mesma. Desta forma, as famílias se diferenciam por vários fatores, como por exemplo, o seu poder aquisitivo, cultura, religião entre outros. O cumprimento desta lei mencionada acima perfaz a totalização e a responsabilidade de todos os envolvidos em integrá-la ao favorecimento da criança. Esses elementos básicos citados na lei, só serão possíveis se houver engajamento principalmente daqueles detentores do poder. Visto que, numa família que vive situações complicadas, haverá mais chance de desenvolver danos a essas relações e conseqüentemente a estrutura física e emocional de uma criança poderá ser abalada. Entende-se desta forma, que uma família em crise, seja por desemprego, drogas, saúde ou qualquer outra perda, trará possivelmente conseqüências avassaladoras na educação dos seus filhos.
Acreditamos que na medida em que a civilização se transforma, os sujeitos vão se adaptando ao seu novo contexto-histórico e constroem seus próprios meios de sobrevivência. No entanto é preciso legitimar a idéia de que o indivíduo, sendo um ser reflexivo, tem a capacidade de reconhecer essas questões sociais e culturais num processo inacabado. Por essa razão, não há como não citar o mestre Paulo Freire, quando diz que o educando deve: “Assumir-se como ser social e histórico como ser pensante, comunicante, transformador, criador, realizador de sonhos, capaz de ter raiva porque capaz de amar.” (1996 p.41)
Daí a importância de reconhecer esses efeitos causados por situações conflitantes que podem interiorizar e reproduzir numa criança vários problemas, inclusive no seu aprendizado. É notório que em casos onde a família apresenta comportamentos de violência doméstica ou de dependência química, haverá uma grande possibilidade dessa criança também desenvolver algum tipo de dificuldade tanto física como emocional, que poderá interferir no seu desempenho escolar.
Assim, Vigotsky nos traz a seguinte contribuição:
(...) para estudar o desenvolvimento na criança, devemos começar com a compreensão da unidade dialética das duas linhas principais e distintas (a biológica e a cultural). Para estudar adequadamente esse processo, então, o investigador deve estudar ambos os componentes e as leis que governam seu entrelaçamento em cada estágio do desenvolvimento da criança. (2010 p.152 -153)
Fato esse que nos leva a pensar que a criança diante das suas experiências, simbolismos e estímulos, adquire características subjetivas que irão contribuir para sua formação como indivíduo pensante.
Paulo Freire (1996 p.30), nos alerta para o fato de que ensinar exige o respeito pelo saber que cada indivíduo carrega provenientes de suas
experiências quando diz que: “Por que não estabelecer uma intimidade entre os saberes curriculares fundamentais aos alunos e a experiência social que eles tem como indivíduos?”, assim fazendo-nos compreender que o aluno ao chegar à escola, se predispõe de uma vivência que deve ser analisada, não pelo conformismo e sim pela sua condição transformadora de superação.
Na verdade, não podemos ser alheios ao contexto histórico familiar do aluno que, ao chegar à escola, já traz consigo experiências que tanto podem ajudar e alimentar seu aprendizado, como podem contribuir para o seu fracasso.
Visto que todo sujeito é integrante de uma sociedade histórico transitória, precisamos compreender melhor essas questões familiares, estudando também essas relações ocorridas no passado. Diante disso é possível destacar que a criança na idade média, era vista como adulto e era submetida a trabalhos igualmente sugeridos aos adultos. Suas relações afetivas com a família eram restritas, já que as crianças desse tempo eram conduzidas para fora dos enlaces familiares. Por essa razão, o artigo Portal Educação enfatiza que:
(...) a passagem da criança pela própria família era muito breve e as comunicações sociais e as trocas afetivas eram realizadas fora do círculo familiar num composto de homens, mulheres, vizinhos, amos e criados, velhos e crianças. (2013)
Ainda no decorrer desse processo transitório, foi no final do século XVII que a criança passou a exercer um papel diferenciado na história. Assim, a igreja com sua doutrina religiosa, se manifestou a favor da valorização da criança, contribuindo desta forma para que a figura da mesma fosse comparada à anjos, compreendendo o seu papel na sociedade pela a inocência e pureza. Considerações estas que verificamos no artigo Portal Educação, o qual destaca que:
A Igreja teve fundamental importância, na época, ao associar a imagem das crianças com a de anjos, sinônimo de inocência e pureza divina. Segundo a Igreja, Deus favorece as crianças devido à sua singeleza, que se aproxima muito de sua impecabilidade, impondo uma necessidade de se amar as crianças e colocar a educação na primeira fileira das obrigações humanas, contrariando a indiferença de outrora. (2013)
Ainda na Idade Média no século XVII, passou-se a integrar a criança ao meio escolar. Uma educação direcionada ao ensinamento dos clérigos, mas segundo o autor Philippe Ariés, essas crianças eram separadas pela boa educação. Assim, Ariés ressalta que:
Uma nova noção moral deveria distinguir a criança, ao menos a criança, escolar, e separá-la: a noção da criança bem educada. Essa noção praticamente não existia no século XVI, e formou-se no século XVII. Sabemos que se originou das visões reformadoras de uma elite de pensadores e moralistas que ocupavam funções eclesiásticas ou governamentais. (1981 / 2. Ed. p. 185)
Neste caso, é possível compreender que já no passado, a criança era submetida a um processo sócio-cultural, que de alguma forma, nos parece ser excludente. Fato esse que diferem os sujeitos pela boa educação, e desta forma, considerados inferiores aos demais. Para tanto, o próprio autor diz que: “A criança bem educada seria preservada das rudezas e da imoralidade, que se tornariam traços específicos das camadas populares e dos moleques.” (Ariés, Philippe 1981 2ed. p.185)
Na verdade, naquela época não havia um monopólio de classes, e sim da “boa educação”, que poderia vir do pobre ou do rico. Também não se separava a criança do adulto, as idades eram misturadas e os sujeitos eram separados apenas pelo comportamento aceitável, que eles consideravam ser
de boa conduta. Assim, todos eram acolhidos, porém separadamente. Fato esse, que verificamos na seguinte contribuição que o autor, Philippe Ariés nos traz: “Ela acolhia da mesma forma e indiferentemente as crianças, os jovens e os adultos, precoces ou atrasados, ao pé das cátedras magisteriais.” (1981 p.187)
Ainda no século XVII, essa educação também se apresentava excludente quanto ao sexo, já que a mulher não era incluída nesse processo escolar, onde o autor Philippe destaca em sua obra que: “ Se a escolarização no século XVII ainda não era monopólio de uma classe, era sem dúvida o monopólio de um sexo. As mulheres eram excluídas.” (1981 p.189).
Essas contribuições sobre o início da criança na escola nesse período da idade média, nos fazem entender melhor esse processo evolutivo sócio-cultural que também reflete, direta ou indiretamente, nas relações familiares. Isso porque, a todo o momento verificamos a presença de uma ideologia política nesse contexto.
Avançando pela história, não podemos deixar de destacar que no século XIX, o papel da mulher na sociedade se transforma com a Revolução Industrial. A mulher deixou de se dedicar apenas à família e passou a exercer o seu papel no mercado de trabalho. Fato este presente até os dias de hoje, quando presenciamos famílias que, ao ocuparem o mercado de trabalho em consideração à sua renda familiar, abnegam-se também do seu tempo junto à família. Por essa razão o artigo Portal Educação (2013), afirma que: “Como conseqüência da Revolução Industrial, algumas mulheres entraram no mercado de trabalho, deixando de se dedicar exclusivamente à família.”
Na verdade esse quadro se estende até os dias de hoje e toma força pelo acúmulo de informações atribuídas à modernidade, na era da informatização global. Essa clareza nos traz a idéia de que a criança é envolvida por inúmeras propriedades associadas aos avanços históricos e tecnológicos. Esses avanços passam a refletir na criança através de exigências atribuídas à ela pela sociedade e muitas vezes pelos próprios pais.
Embora o artigo Portal Educação afirme que: “Os pais agem dessa forma, para que as crianças possam acompanhar o mundo e para que possam sobreviver no futuro”.
Sabendo-se da existência complexa das mudanças no decorrer dos séculos, é difícil afirmar que as famílias atuais passam por dificuldades em suas relações, devido aos avanços de uma sociedade moderna. Esse processo dialógico familiar que observamos nos dias atuais, também teve consideráveis representações no passado. E como visto anteriormente essas mudanças pleiteadas no passado, tinham como motivação o reconhecimento da criança em sociedade.
Essas questões entre o passado e o presente nos fazem compreender a importância do não conformismo antes citado pelo mestre Paulo Freire e traz ainda à consciência que todos os sujeitos são fazedores da própria história. Sendo assim, podemos acreditar que em sociedade existam diferentes caminhos a percorrer, que podem nos levar a construir uma família mais saudável ou não e conseqüentemente melhor ou não, para a formação de nossas crianças.
Destacando um dos grandes pensadores da educação, podemos contemplar essa idéia de nos sensibilizar através de um olhar apurado que vem da poesia, uma forma diferente de se contar e ouvir uma história e que essa seja fortalecida pela alma. O inesquecível Rubem Alves nos diz em sua obra Educação dos Sentidos que:
Temos dois ouvidos. Com um escutamos os ruídos do tempo, passageiros, que desaparecem. Com o outro ouvimos a música da alma, eterna, que permanece. A alma nada sabe sobre a história, o encadeamento dos eventos no tempo que acontecem uma vez e nunca mais se repetem. Na história a vida está enterrada no “nunca mais”. A alma, ao contrário, é o lugar onde o que estava
morto volta a viver. Os poemas não são seres da história. (2005 p. 36)
Assim, diante dessa brilhante maneira de se contemplar a vida pelo o olhar poético de Rubem Alves, acreditamos ser possível retirar da história apenas a história, sabendo que a fluidez do amor vem da forma que as situações são internalizadas e pelo o olhar atribuídos a elas. Esse olhar que, como o autor mesmo sugere em outras palavras, venha da alma que renasce e revigora o ser. Por isso, é preciso que entendamos esse processo histórico como algo do passado, onde possamos retirar dele apenas o que venha a favorecer o indivíduo na sua essência humana.
Somos seres que vivemos muitas histórias ao longo do tempo e que de século em século modificam o nosso espaço sócio-cultural. Entretanto, essas transformações podem ser utilizadas à modo que venha a favorecer para que tenhamos um mundo melhor e conseqüentemente crianças mais felizes.
Por essa razão, no próximo capítulo algumas questões serão apresentadas para que possamos compreender melhor os fatores externos, que de alguma forma são responsáveis pelo sucesso ou fracasso do aluno na escola.
CAPÍTULO II
FATORES EXTERNOS QUE COMPROMETEM O
DESENVOLVIMENTO COGNITIVO DO ALUNO E
CONTRIBUEM PARA O FRACASSO ESCOLAR
Quando nos deparamos com experiências fracassadas de uma criança, quanto à aquisição do conhecimento sugerido como adequado aos padrões curriculares da escola, surge a dúvida e inquietação onde todos se perguntam: De quem é o erro?
Procurando relatar em sua obra, “Por que nosso filho tem problemas?”, a autora Anny Cordie traz considerações bastante esclarecedoras, onde através de fatos e experiências apuradas, nos revela situações que nos fazem repensar sobre a singularidade de cada indivíduo diante de comportamentos inadequados, que por vezes, comprometem o desempenho do aluno na escola. Então, diante disso, é comum ocorrer a cobrança e a necessidade de se buscar a origem para tal dificuldade. Haveria, portanto, o pré-conceito por respostas imaturas em busca de culpados que venham, de alguma forma, amenizar o peso dessa enfermidade educacional. Fato esse, que Cordie nos leva às considerações quando diz que: “Quando há fracasso escolar é preciso encontrar um responsável, quando não um culpado. A opinião pública propõe vários.” (2005. P.111)
Na verdade, essa necessidade em esclarecer as causas que conduzem ao problema em questão, pode estar relacionada à sociedade, família, ou ao sistema educativo. Embora essas considerações sejam de grande importância para elucidar os fatos, Anny Cordie nos revela que num contexto familiar a singularidade de cada indivíduo perfaz de inúmeras situações e amplitude que podem estar relacionadas à pobreza econômica, cultural, às carências educativas e as afetivas. Assim, quando consideramos que a culpa é da
família, devemos estar atentos para suas condições e os enlaces que estão por trás dessas questões. Em um de seus pareceres Anny nos revela que:
A culpa é das famílias. As condições socioculturais das famílias são invocadas em vários casos de fracasso escolar; pobreza econômica, pobreza cultural, carências educativas, carências afetivas, vemos todos os dias as conseqüências disso; os educadores, os trabalhadores sociais ou os políticos deparam permanentemente com esse estado de coisas. (Cordie, Anny 2005. P.111)
Assim, considerando que quando uma criança dá indícios de algum tipo de dificuldade no aprendizado, é possível que a mesma esteja efetivamente carregando em sua bagagem existencial, vários fatores que conseqüentemente contribuíram para o seu fracasso. E neste caso, Anny Cordie também nos alerta para o fato de que não é possível apontar uma única razão para o problema. Desta forma, consolidando essa idéia, ela diz que: “... nunca há uma causa única do fracasso escolar; entram em jogo vários fatores que se cruzam, se combinam, agem uns sobre os outros numa espécie de engrenagem de efeito amplificador.” (2005. p. 112)
Portanto, podemos considerar que alguns fatores podem bloquear e comprometer o avanço do intelecto de uma criança. Fatores esses que podem estar relacionados à “pobreza cultural”, ou seja, a pouca oferta que, por vez, pode estar associada a “pobreza material”. Neste caso, uma família que luta para oferecer condições de sobrevivência aos seus, nem sempre pode oferecer atividades interativas culturais que requerem condições aquisitivas favoráveis. Além disso, por estarem na maior parte do tempo ocupados com seus trabalhos, não encontram tempo disponível para essas possibilidades sócio-culturais. Essa indagação é apresentada por Anny Cordie quando destaca em sua obra que:
A pobreza cultural está muitas vezes associada à pobreza material. As famílias obrigadas a lutar para sobreviver estão pouco inclinadas a investir em outras atividades culturais além das habituais mídias audiovisuais. (Cordie, Anny. 2005 p.114)
A ausência da família pela busca da sobrevivência, muitas vezes podem impedir que os laços afetivos fluam naturalmente e, ao contrário disso, em muitos casos podem ocorrer a rejeição, a impaciência e até mesmo o abandono. Assim, a criança perde a sua referência, desencadeando um ciclo afetivo de carência, que possivelmente tenha sido a mesma oferecida aos seus pais quando crianças. Desta maneira, Anny diante de suas pesquisas e estudo de caso citado em sua obra, nos faz um alerta com seu questionamento:
Devemos buscar no passado desse casal suas dificuldades para se tornarem pais? Sabemos que ambos não têm família, ambos foram rejeitados por seus pais. Como criar bem os próprios filhos quando não se tem nenhum modelo, nenhuma referência e se conheceu o abandono (foi sem dúvida esse destino comum que os aproximou). Vemos pais desprovidos de recursos de ante de suas responsabilidades de educadores, não sabem o que fazer, eles gritam, batem, desistem. (Cordie, Anny. 2005 p.115)
Na verdade, percebemos que há um ciclo de conceitos construídos e repassados que são projetados para frente e que se não houver uma intervenção transformadora significativa, não haverá bons resultados. Isso porque, não haverá aprendizado se não houver novos olhares. Para tanto, como inserir um campo de possibilidades relacionais familiares se as mesmas carregam fortes marcas de suas próprias experiências?
Quando há a consolidação desses fatos, pode segundo Anny, surgir na criança, a necessidade de construir uma identidade que a faça, de alguma forma, encontrar possibilidades para reagir sintomaticamente aos seus problemas. São ferramentas expressivas do seu inconsciente que surgem como escudo para o seu enfrentamento existencial, que conseqüentemente vão fazer parte do seu processo de formação. Para Anny:
O sintoma se inscreve no processo de construção do sujeito, algo engripa nessa elaboração da identidade e o sujeito tem de achar uma forma de acomodamento entre tendências contraditórias que o assaltam e enfrentar uma angústia existencial que ele tenta recalcar.
Assim, para lidar com o seu sofrimento e atenuar a sua carência, a criança cria mecanismos para reagir aos seus distúrbios relacionais e os transfere para si de maneira sintomática, formando “sua marca identitária”
(Anny p.118).
Diante da possibilidade de se atribuir o fracasso escolar aos conflitos adquiridos pelas suas experiências em relação a sua origem é possível destacar a diferença entre duas situações relevantes que devem ser compreendidas. A primeira, como citada anteriormente, de ordem sintomática atribuída por fatos que contribuíram para sua formação e a segunda por distúrbios orgânicos que comprometem o seu lado físico, como por exemplo, a visão, audição e retardo mental. Desta forma, quando não é identificado no indivíduo um comprometimento orgânico, ou seja, uma deficiência sensorial, Anny Cordie acredita que:
A questão que irá se colocar não será mais: que déficit é responsável por esse fracasso? De que essa criança sofre? Da linguagem? Da ortografia? A questão passará a ser: quem é ela para sofrer assim? Ela não é má, não é boba, não faz de propósito. Ela revela um “bloqueio”,
mas tudo isso tem um sentido que ela mesma terá de decifrar. É isso o que digo diante dos pais e da criança quando acho que o fracasso é de natureza sintomática. (Cordie, Anny. 2005 p 122 – 123)
A questão relevante seria, neste caso, a dicotomia referente ao que é inato ou adquirido. Isso porque, a inteligência pode ser afetada por carências afetivas, por falta de estímulos ou serem remetidas a um problema inato de características orgânicas. Essas considerações também aparecem como priori para Cordie que identifica uma debilidade adquirida como, “... debilidade profunda devia-se a uma ausência de humanização por abandono afetivo, tratava-se efetivamente de uma debilidade adquirida.”(2005 – p.137)
Já uma debilidade inata como uma deficiência mental, pode ter sido repassada por seus genitores que contribuíram para sua má formação congênita. Neste caso as drogas, doenças na gravidez como a rubéola entre outros. Assim, Anny Cordie considera que: “Uma deficiência mental da criança pode ser congênita, ou seja, presente desde o nascimento, tendo sua origem na vida intra-uterina.” (2005 – p.140)
Uma criança quando nasce passa a receber estímulos, que contrário a sua condição inicial, cria uma percepção evolutiva que contribui para o desenvolvimento de sua capacidade de identificar e dar significado aos seus estímulos. No entanto, as crianças que ,por diferentes caminhos ou por situações adversas, não puderam receber tais estímulos, adquirem algum tipo de dificuldade ou até mesmo retardo mental. Como explica Anny: “ Com efeito, a ausência de estimulação precoce deixa o cérebro num estado imaturo, incapaz de cumprir sua função de sede da inteligência.” (2005 p.142)
Como podemos perceber, essa área do conhecimento que se desenvolve desde o nascimento vai se aprimorando a partir do oferecimento de simbolismo e criatividade através dos estímulos. Assim, é possível considerar que o aprendizado começa desde o seu nascimento e evolui conforme as experiências atribuídas e consolidadas de forma favorável e
prazerosa a sua formação. Portanto, o sujeito adquire novas possibilidades cognitivas quando lhe é dado estímulos para que isso aconteça. Cordie destaca essa idéia como questionamento ao nosso conhecimento: “Como o cérebro, imaturo ao nascer, vai se tornar operacional? Para isso, ele terá de ser “ativado”, estimulado, graças aos processos de aprendizagem que podemos relacionar com o processo educativo.” (2005 p. 143)
Então, devemos repensar sobre esse processo educativo onde todos são responsáveis. Neste caso, a família, a sociedade e a escola têm o compromisso mútuo de oferecer ao processo de formação desse sujeito, práticas que inviabilizam a superação de seus déficits e favoreça a criação de uma nova realidade.
Uma das expressivas mudanças nas relações familiares ocorre ao verificarmos que hoje o modelo de família é bem diversificado. Assim, não há mais um padrão de família a ser apresentado. Trata-se de uma nova consciência, onde encontramos famílias de pais separados, pais do mesmo sexo, mães que assumem dupla responsabilidade e muitas outras situações que fazem parte desse novo contexto familiar. Provavelmente poderão surgir questões sobre tais escolhas e como isso pode resultar em fracassos. No entanto, o que se faz importante é a forma que se conduz afetivamente essas relações. Devemos entender que é um engano achar que o fato de não seguir um padrão irá influenciar para o caos num processo de formação de uma criança. Nesse sentido, podemos com clareza salientar a citação de Pires:
Filhos adotivos, gerados por inseminação artificial ou criados por casais homossexuais não modificam o principal objetivo da família: ser um espaço que proporciona a convivência, o amor e a segurança entre seus integrantes. (PIRES, 2009, p.14)
A família da atualidade não é uma instituição homogenia que tem como base de sua sustentação uma única característica. Por isso, não deve ser
estereotipado como tal. Essa concepção distorcida nos traz à necessidade de um olhar mais amplo que obviamente perfaz nas relações afetivas.
Na verdade, o que precisamos ter como relevância é o equilíbrio emocional onde se insere a criança. Verificando de que forma a mesma tem sido conduzida à essas novas relações e saber também se nesse meio que lhe é oferecido, comporta o respeito, o amor e a segurança. Assim, Pires vem confirmar essa idéia quando nos chama a atenção para o fato que:
... desde que a criança saiba qual o lugar dela dentro desse novo núcleo familiar e sinta-se segura para solicitar o que precisa e o mais importante tenha a sua individualidade respeitada. (PIRES, 2009 P.12)
Parece claro que as mudanças existem não para serem reprovadas e julgadas, mas para serem percebidas como fatos da nossa história que vão se modificando. Isso porque, estamos diante de uma cultura social em movimento, mas que também requer atenção, já que essas transformações sociais podem ser positivas ou negativas, dependendo como são conduzidas. Então, essas relações e apegos ou desapegos emocionais devem ser trabalhados para que não haja uma inversão de valores e a criança seja envolvida num desligamento afetivo que poderá, no futuro, refletir no seu aprendizado e nas suas relações sociais.
Na medida em que percebemos que algo está errado com a criança quando a mesma apresenta um comportamento que foge ao que é considerado “normal” ou verificamos baixa estima, agressividade entre outros, buscamos respostas para tais questões. O fato é que precisamos conhecer quais as dificuldades e os transtornos que uma criança pode apresentar que interferem no seu aprendizado.
CAPÍTULO III
Várias são as inquietações que os sujeitos envolvidos na educação demonstram quando se deparam com situações que fogem dos padrões relativos às áreas de conforto, onde se espera do ensino-aprendizado, resultados positivos. Fato esse, por existirem casos dentro das escolas, onde há alunos apresentando agitação, agressividade, falta de atenção, não conseguem terminar as tarefas programadas, não aprendem a ler, tem dificuldade na escrita, na comunicação, nos relacionamentos, não aprendem a matemática e assim adiante. No entanto, é preciso identificar nesses indivíduos se são dificuldades de causas naturais, comuns a todos, que em determinados momentos da vida, caso hajam fatores que possam vir a comprometer o seu aprendizado, poderão acontecer ou se são transtornos mentais, onde podemos citar: os relacionados ao intelecto; Ansiedade; a Comunicação; o Espectro Autista; o TDAH (Transtornos de Déficit de Atenção Hiperatividade); TDO (Transtornos de Desafio Opositivo) entre outros. (DSM V)
Na verdade, esses profissionais da área da educação gritam por socorro, pois desconhecem e não recebem orientação de como identificar e encaminhar esses indivíduos que, por algum motivo, não acompanham o aprendizado. Assim, uma intervenção psicopedagógica seria imprescindível nas escolas para ajudá-los, orientá-los com essas delicadas situações. E assim, caso seja identificada alguma possibilidade de vir a ser um transtorno, o aluno seria rapidamente encaminhado para uma avaliação por profissionais preparados para realizar um diagnóstico seguro e um tratamento adequado ao aluno. Profissionais esses, como Psicólogo e Fonoaudiólogo.
Com a intervenção do Psicopedagogo e o encaminhamento a um Fonoaudiólogo, a criança poderá obter grandes avanços, melhorando a atenção, o relacionamento com os colegas e o professor e conseqüentemente o seu aprendizado.
Como visto anteriormente e considerando-se algumas classificações de transtornos de aprendizagem , podemos aqui destacar o TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção Hiperatividade). Algumas características atribuídas ao TDAH acabam circulando nas escolas e muitas vezes sem um embasamento seguro para tal, sendo apontado como o causador do baixo rendimento escolar, talvez pelo fato do sujeito apresentar agitação e desatenção na sala de aula. No entanto, deve-se ter cuidado para que não haja um pré-julgamento e se desenvolva um estereotipo de que toda criança agitada seja diagnosticada como TDAH. Neste caso, nos esclarece Flávia Nayara em seu artigo o fato de que:
É importante deixar claro que nem toda criança agitada deve ser rotulada de hiperativa. A agitação pode ser sintoma de doenças graves, como o autismo, hipertireoidismo, depressão infantil, assim como pode ser resultado de problemas de comportamento. O portador de TDAH costuma ter muita dificuldade em manter a atenção, não costuma notar detalhes, erra por descuido em atividades escolares e tem como a principal característica a combinação dos sintomas de desatenção, inquietude e impulsividade, ou seja, é preciso diferenciar o comportamento da criança que é cheia de vontades pela falta de limites.(SOUZA, Flávia 2008)
Pela falta de informação, de despreparo, de orientação e de apoio adequado à família e aos educadores, essas crianças acabam sendo vítimas de preconceitos e sendo rotuladas como incapazes. Ésse é o caso de pessoas consideradas com TDAH, que mesmo antes de serem diagnosticadas, são taxadas como pessoas desorganizadas, egoístas, desinteressadas. Isso porque, algumas das características de TDAH são: a falta de concentração, dificuldade de terminar o que começou, a distração, dificuldade de memorização, interpretação, a desatenção e dificuldade de
autocontrole. Características estas que, se não tratadas, acabam causando problemas no meio familiar e na escola.
Podemos verificar essas considerações no artigo de Fernanda Machado quando se refere ao Transtorno da Hiperatividade destacando que:
O comportamento hiperativo interfere na vida familiar, escolar e social da criança. As crianças hiperativas têm dificuldade em prestar atenção e aprender. Como são incapazes de filtrar estímulos, são facilmente distraídas. Essas crianças podem falar muito, alto demais e em momentos inoportunos. As crianças hiperativas estão sempre em movimento, sempre fazendo algo e são incapazes de ficar quietas, são impulsivas, não param para olhar ou ouvir.
Estudos nos revelam que não há um marcador biológico que esteja associado ao TDAH e que o contexto social e familiar onde está inserida a criança, não é o causador do transtorno. O que pode ocorrer quando há conflitos e desordem social e familiar é o despertar, o acelerar deste transtorno prejudicando ainda mais o seu estado. Desta forma, o meio influencia na sua condição de superação e conquistas que resultem em seu aprendizado.
Outro transtorno atribuído ao fracasso escolar tem como principal característica o desempenho do aluno na leitura e na escrita. Neste caso, conforme estudos relacionados a esse transtorno, Laura Monte Serrat em seu artigo, traz ao nosso conhecimento científico que:
Muitos estudos têm sido desenvolvidos desde então e em sua maioria, essas dificuldades receberam o nome de dislexia (para ler) e disgrafia (para escrever) e foram consideradas dificuldades específicas da área da linguagem. Os dois termos têm sido utilizados como resultados diagnósticos e estão descritos no “Manual
Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – DSM – IV”: Dislexia – como um outro nome dado ao transtorno de leitura; Disgrafia – como um outro nome dado ao Transtorno de Escrita.
Segundo Laura, essas denominações não devem ser repassadas aos pais como algo que vá gerar uma preocupação, já que esses termos científicos não são do conhecimento da família e acabam desencadeando aflição e dúvidas, que de nada irão contribuir à favor. No mais, Laura em seu artigo sugere que se promovam a investigação sobre o que possa estar relacionado ao transtorno e só então revelar a origem, o histórico que permite esclarecer e orientar a família à procurar ajuda certa e necessária para a superação. Laura confirma que:
Informar o diagnóstico de uma dificuldade para ler com a palavra dislexia, seu sinônimo, é bem diferente de dizer para um pai que seu filho apresenta aquela dificuldade devido a mecanismos visuais e/ou auditivos, decorrentes da sua pouca idade; ou que sua dificuldade está atrelada às dificuldades familiares nessa área da linguagem desde X geração; ou que ela tem uma relação com as recorrentes infecções de ouvido, havidas até os três anos de idade; ou que está relacionada ao alto nível de ansiedade dos pais para que o filho não apresente nenhuma falha na aprendizagem da escrita.(2005. P. 232)
Ainda em seu artigo, Laura destaca que o sujeito com a Distexia ou Disgrafia pode, por exemplo, estar atrelado ao “amadurecimento neurológico” o que pode não significar ser um “obstáculo funcional, aquele referente ao funcionamento do organismo”. Ou também pode estar relacionado ao “obstáculo de caráter afetivo” que é determinado pela precariedade afetiva ou até a total ausência, que acabam
retardando o aprendizado. Assim, para Laura, “Quando o sujeito está confuso, pode trocar letras, esquecer do traçado, aglutinar palavras e produzir ações que podem ser confundidas com falhas neurológicas.”(Laura, p. 235)
Seguindo uma apresentação prévia dos transtornos que se destacam mais nas escolas, podemos citar também o Transtorno de Ansiedade onde o sujeito apresenta um quadro de “preocupação excessiva, com prejuízo funcional”, “a permanente ansiedade”, “medo excessivo e irracional”, “prejuízo no funcionamento social e escolar...”
Não podemos nos esquecer de destacar o Transtorno de Espectro Autista, que tem em suas características a dificuldade do indivíduo em se desligar da proposta anterior e considerar outro foco; a ausência de simbolismo, movimentação repetitiva das mãos e dedos quando ansiosos; expressão facial limitada; desajeitamento motor e fuga do olhar... Além disso, características como: “ Muitas vezes, não conseguem entender expressões emocionais, gestos, símbolos e metáforas”; “Crianças com TEA, muitas vezes, emitem palavras e/ou frases sem a intenção de se comunicar”... (Fonte de pesquisa: Guia de orientação dos professores 2014). Ocorre que essas crianças têm o direito garantido para freqüentar as escolas e assim deve ser. Porém, os professores, muitas vezes despreparados, se vêem diante de uma situação que são incapazes de enfrentar sozinhos, pois lhes faltam na maioria das vezes, uma orientação, apoio e conhecimento.
Várias podem ser as dificuldades de um aluno com TEA na escola, como por exemplo, na linguagem verbal e não verbal; de âmbito social; comprometimento visual; na realização segmentada das tarefas entre outras. Entretanto, ao ser incluído em uma sala regular, deve-se proporcionar a eles, meios de integrá-los ao grupo e oferecer a eles metodologias que respeitem o seu tempo e permitam que a criança obtenha avanços no seu aprendizado. Para isso, é preciso que a escola e seus profissionais, em suas práticas educativas, busquem trabalhar juntos, ou seja, família, professor(a), psicopedagogo e toda equipe pedagógica para orientar e buscar parcerias de profissionais capacitados em diagnosticar, medicar se preciso. Profissionais estes, como destacado anteriormente, representados por Fonoaudiólogos e Psicólogos.
Muitas podem ser as características que revelam algum tipo de dificuldade no aprendizado e neste caso o professor, a escola e psicopedagogo tem um papel importantíssimo, pois podem ser eles os facilitadores, ou seja, o ponta pé inicial para a identificação de possíveis transtornos. A família neste caso também deve colaborar junto à escola, relatando as necessidades e as experiências vivenciadas pelo aluno. Assim, quando se obtem conhecimento desses fatores externos, a escola passa a ter subsídios que esclareçam os fatos que prejudicam, de alguma forma, o seu desempenho escolar. Afinal, temos que oferecer ao sujeito que apresenta algum tipo de transtorno, um ambiente favorável ao seu ciclo de formação, sem causar danos maiores ao seu processo cognitivo, pois os mesmos precisam aprender a se relacionar, conviver com a sociedade. Para tanto, integrá-lo ao meio social e desenvolver um processo menos doloroso a todos os envolvidos. Assim, podemos, segundo o Guia de orientação dos professores, dizer que:
Os seres humanos são essencialmente sociais, ou seja, vivem e pertencem a vários grupos, relacionam-se com diferentes pessoas o tempo todo. Por meio dessa socialização são passadas as regras da sociedade e, assim, são aprendidas as maneiras adequadas de comunicar-se, de aprender e de desenvolver-se. (Guia de orientação dos professores – 2014)
Partindo desse raciocínio, a escola e todos os envolvidos devem favorecer a socialização, a integração e o aprendizado de todos os alunos de forma que, os mesmos tenham direito a educação. Todavia, para que isso não fique na utopia, é preciso que haja envolvimento e sejam traçados caminhos, alternativas compartilhadas, que facilitem essa idéia de inclusão social.
Ainda assim, no caso de uma escola pública onde a família não tem poder aquisitivo para levar sua criança a um consultório especializado e não
lhes é oferecido pelo Estado ou Município, parcerias de profissionais capacitados no atendimento de Fono e de Psicologia, entre outros, possivelmente está criança terá a sua chance de obter um diagnóstico seguro e um tratamento adequado comprometido. Além disso, não precisa ser feita uma consulta detalhada para saber que, na sua maioria, não existe um Psicopedagogo atuando nas escolas, proporcionando a orientação necessária à família e ao professor, no caso de suspeita de transtorno. O que vemos são professores que sabem dos problemas, tentam resolver ou amenizá-los, mas que sozinhos são muitas vezes incapazes de obter um resultado positivo.
No desejo de novas parcerias e pensando em uma escola capaz de oferecer muito mais que um depósito de crianças fora da rua, nós como educadores e psicopedagogos, devemos criar possibilidades de intervir rumo ao consenso e ao desejo de superação desses conflitos. E assim, resgatarmos a idéia de que somos capazes de transformar todo e qualquer obstáculo em trilhas educativas que viabilizam o aprendizado e sobre tudo em detrimento da qualidade de vida do aluno dentro e fora da instituição escolar.
Comunicação Comportamento
AS CONTRIBUIÇÕES E INTERVENÇÕES DO
PSICOPEDAGOGO RUMO AO APRENDIZADO
Como anteriormente foi apresentado neste trabalho monográfico, a função de um psicopedagogo em relação ao aprendizado do aluno na escola, vem entre tantas premissas, a de orientar e intervir para que o professor se sinta seguro e capaz de conduzir uma situação problemática que envolva a criança e o seu possível transtorno e também ser o facilitador pela busca do contexto histórico dessas relações, que envolvam a família, o aluno e a escola. Facilitador este, que indicará caminhos para que a família e o aluno encontrem meios através de ajuda de profissionais específicos, que possam somar para que hajam resultados satisfatórios, através de um tratamento adequado e seguro.
Para sermos mais plausíveis no envolvimento do psicopedagogo em relação a aprendizagem, é preciso entender, em primeiro lugar, que ele atua a favor da criança em todas as instâncias que lhes são atribuídas através das observações adquiridas em suas relações sociais, seu histórico familiar e genético.
A partir da idéia de se obter melhorias no aprendizado da criança, é preciso entender a inteligência, o desejo e a significação simbólica que a criança expressa, para poder entender o que realmente pode estar acontecendo. Essa relação do desejo inconsciente e a inteligência tem sido objeto de estudo, como explica Fernández:
O psicopedagogo, a partir do confronto com a resolução do problema de aprendizagem, objetivo alheio tanto ao psicanalista como ao epistemológico, encontra o terreno ideal para observar a inteligência submetida ao desejo, não podendo desconhecer nem a um nem ao outro, facilitando-se-lhe a compreensão do tipo de relações
que se estabelecem entre uma estrutura de caráter claramente genético, que vai se autoconstruindo, e uma arquitetura desejante, que, ainda que não seja genética, vai entrelaçando um ser humano que tem uma história. (1981 – p.67)
Verificamos então o elo correspondente ao conhecimento e o desejo, onde segundo a autora, fazem parte dos “quatro níveis que intervêm necessariamente em todo processo de aprendizagem: organismo, corpo, inteligência e desejo”(1991 – p.68) . Ao caso que, a inteligência como estrutura lógica citada em sua obra e brilhantemente destacada pela teoria de Piaget, está referenciada a “estrutura genética”. Sendo, neste caso, a inteligência diferente do conhecimento. Assim, Fernández traz em contribuição a idéia de Piaget quando diz que: “A estrutura lógica, segundo Piaget, é uma estrutura genética. O conhecimento se constrói. O humano deve passar por um processo, fazer um trabalho lógico para chegar ao mesmo.” (1991 – p.70). Onde todavia, para a psicanálise, o inconsciente seria o enlace necessário para o desenvolvimento dos estudos sobre as dificuldades do aprendizado.
Ocorre-nos que o Psicopedagogo deve estar atento para essas divisões comuns ao sujeito, onde em muitos casos, o comportamento do aluno e a dificuldade do mesmo podem estar atrelados a uma dimensão maior, que se diz respeito ao seu processo interativo ao meio social, mas também deve atentar para a inteligência do indivíduo, como dito antes pela teoria de Piaget, a “estrutura lógica”. Em sua obra Fernández nos faz refletir quando destaca a importância dada a essa questão,
...um psicopedagogo, cujo objeto de estudo e trabalho é a problemática de aprendizagem, não pode deixar de observar o que sucede entre a inteligência e os desejos inconscientes.
Quando falamos da inteligência, referimo-nos a uma estrutura lógica, enquanto que a dimensão desejante é simbólica, significante e alógica. (1991 – p.70)
Na verdade, percebemos esse dualismo bem conectado ao processo do desenvolvimento do sujeito em seu aprendizado de forma que, compreendemos a ligação do conhecimento adquirido pelas ações apresentadas ao indivíduo e o que ele processa em seu organismo para desenvolver a sua subjetividade em forma de equilíbrio.
Quanto ao Psicopedagogo nas instituições educativas e suas possíveis intervenções diante das diferentes particularidades de cada sujeito envolvido, deve ter em seu posicionamento a certeza de que, antes mesmo de se regulamentar uma situação “problema” nas escolas, deve permitir que através de ações positivas, se desenvolva um trabalho preventivo educacional. Mas, se for o caso de se encontrar diante de uma situação que precise de apoio e orientação, o psicopedagogo deverá intervir junto ao espaço escolar e a família para que sejam amenizadas essas questões. De forma a esclarecer esse pensamento, Fernández explica que:
Para resolver o fracasso escolar, quando provém de causas ligadas à estrutura individual e familiar da criança (problemas de aprendizagem – sintoma ou inibição), vai ser requerida uma intervenção psicopedagógica especializada: grupo de tratamento psicopedagógico à criança, grupo de orientação paralelo de mães, tratamento individual psicopedagógico, oficina de trabalho, recreação e expressão com o objetivo terapêutico, entrevistas familiares psicopedagógicas, etc. (1991 – p. 82)
No entanto, além do fator do sintoma e inibição destacada acima, Fernández nos faz compreender que há também os fatores que correspondem
a “estrutura psicótica” e também de “deficiências orgânicas” e que em diferentes situações haverá algum tipo de comprometimento do aprendizado. Desta forma, Fernández diz que: “Em ambas as situações, em geral, ainda que por diferentes causas, não pode a criança estabelecer uma comunicação compreensível com a realidade, quer dizer que terá dificuldades para aprender.” (1991 – p. 82). E neste caso é possível compreendermos que a busca por profissionais especializados, ou seja, fonoaudiólogo, psicólogo entre outros, serão de grande importância para somar e agir de forma a tratar da patologia em questão.
O psicopedagogo, quando diante de motivações peculiares ao não aprendizado da criança, deve procurar informações e estar atento com um olhar diferenciado para a família, de forma a transparecer o que, de fato, pode estar oculto por traz de um comportamento inadequado e/ou a dificuldade do aluno em aprender. Assim, a eficácia de um possível diagnóstico será o resultado de um conjunto de possibilidades observadas junto à criança. É o que nos permite entender Fernández nessa dimensão, onde nos fala que:
Todo ser humano acha-se transversalizado por uma rede particular de vínculos e significações em relação ao aprender, conforme seu grupo familiar. Circunstância que se destaca facilitando a observação, ao encontrar-se o paciente em um quadro onde divide momentos com todo grupo, outros com seus irmãos e outros somente com o terapeuta. (1991 – p.92 - 93)
Enquanto atuante de suas funções de psicopedagogo, a escuta e o olhar devem ser prioridades iniciais, não como monólogo onde só a criança fala, mas dando a oportunidade da criança se expressar e demonstrar os seus interesses, opiniões, significações e suas manifestações em diferentes situações. Para tanto, o psicopedagogo não deve aprisionar o seu olhar para uma única escuta e sim levantar inúmeras possibilidades de fazer transparecer
o que ainda possa estar oculto. Nessa direção de pensamento, Fernández afirma que:
A intervenção do psicopedagogo, no primeiro momento da relação com o paciente, supõe escutas-olhar e nada mais. Escutar não é sinônimo de ficar em silêncio, como olhar não é de ter os olhos abertos. Escutar, receber, aceitar, abrir-se, permitir, impregnar-se.
Olhar, seguir, procurar, incluir-se, interessar-se, acompanhar.
O escutar e o olhar do terapeuta vão permitir ao paciente falar e ser reconhecido, e ao terapeuta compreender a mensagem. (1991 – p.131)
Diante da procura por uma consulta, a partir de um determinado motivo as entrevistas devem ocorrer, segundo Fernández, onde todos estejam situados em diferentes possibilidades: a família sem a criança, a criança com a família, a criança sozinha, o brincar, o jogar e a suas ações diante dos diferentes materiais oferecidos para a “dinâmica da aprendizagem” que permitirá alcançar os enlaces que de alguma forma tem causado o bloqueio em seu processo do aprendizado. Para Fernández,
A hora de jogo psicopedagógica supera a dicotomia testes projetivos-testes de inteligência e, principalmente, ajuda a observar, em seu operar, aqueles aspectos que tradicionalmente foram estudados de forma isolada e somente em seus produtos (através dos testes de performace, de psicomotricidade, de maturidade visomotora, de dominância lateral, etc.). A hora do jogo permite observar a dinâmica da aprendizagem. (1991 – p.,168)
Conforme essa idéia, a intenção é desenvolver um ambiente propício ao despertar das manifestações obscuras pelos fatos, que a princípio eram ditos
como notórios e que ao decorrer das entrevistas serão lapidados e estarão, de alguma forma, desmitificados ou comprovados pela suspeita inicial. Para tanto, certamente o psicopedagogo, como falado anteriormente, deverá estar atento para todas as vertentes que posicionam o caso.
Percebemos que quando uma família procura ajuda de um psicopedagogo, precisa de respostas para o seu problema, mas é preciso cautela no desenrolar de uma consulta deixando fluir os pensamentos de forma gradual e espontânea do paciente e da família, já que, em muitos casos, a reclamação é justamente a falta do pensar. Seguindo essa linha de pensamento, Fernández nos diz que:
Destaco a palavra pensar, pois estamos trabalhando especialmente com pacientes trazidos por esta dificuldade; então, será de suma importância devolver aos pais a possibilidade de pensar sobre o que está acontecendo com seus filhos, e em que medida eles estão implicados. É imprescindível que os pais, os irmãos, comecem a compreender de que se trata, e sejam participantes, junto com o paciente, da cura. (1991 – p.229).
Dito isto, podemos refletir que não há uma fórmula milagrosa, aonde os pais chegam ao consultório procurando respostas e soluções imediatas. Ocorre que há sim um processo mútuo, onde a família e os profissionais juntos irão viabilizar maneiras eficazes ao tratamento. Além disso, é desnecessário atribuir a culpa disso ou daquilo à família, pois a mesma já se encontra em situação de desconforto diante de um problema e está em busca de orientação e ajuda. Fernández nos traz em contribuição a essa idéia, que:
A atitude bastante comum de considerar os pais culpados não ajuda, já que eles também são pessoas que sofrem, e devemos pensar que, ainda antes de ser
pais, ele queriam seus filhos. Em geral, os pais comparecem achando que fracassaram, que não fizeram as coisas bem, vêm com essa carga e as diferentes defesas contra essa angústia; nós trataremos de demonstrar que, em algum lugar de seu ser, amam a esse filho. (1991 – p.230)
Verificamos com isso, que é preciso desenvolver uma estratégia que deixe a família e o paciente confortáveis e abertos para a demonstração das suas relações afetivas e dos percalços vivenciados em família. A partir disso, resgatar a certeza que o agir de maneira segura pode resultar em transformação. Assim, desenvolver um trabalho onde a família e a criança se tornem capazes de avançar pela busca de possibilidades, para atingir o aprendizado. Afinal, quando há o compromisso de todas as partes, haverá a chance de um viver melhor.
Na verdade, concretizando a ação do psicopedagogo, segundo Fernández,
Se for “devolução” entendemos recuperação do pensar, dos afetos sepultados, circulação do conhecimento e do saber, reencontro com os aspectos sadios, devolução em um espelho da identidade do paciente, e não o caracterizamos como entrega diagnóstica onipotente, podemos continuar usando o termo devolução. Sabendo que o que tentamos é ajudar a recuperar o prazer esquecido de aprender a viver. (1991 p.231)
Quanto a isso, nos faz refletir que o envolvimento de um psicopedagogo pode e deve alcançar fronteiras guardadas bem no fundo da identidade do sujeito, onde envolve suas relações familiares, seu organismo como fato biológico, seus desejos, seus bloqueios, suas limitações, sua história de vida e
muito mais. Assim, a intervenção psicopedagógica inclui diversos posicionamentos e procedimentos que valorizam a superação.
CONCLUSÃO
Como podemos observar, muitas são as motivações que levam a criança a desenvolver o fracasso escolar. Muitos são os fatores externos que interferem no aprendizado do aluno. Fato que, a família tem em especial o seu fundamental papel na formação inicial da criança. Isso porque, foi possível compreender que o contexto histórico social influência direta ou indiretamente para que o indivíduo adquira em seu processo de aprendizagem, simbolismos que podem ser favoráveis ou não a sua identidade educacional. Desta forma, foi possível compreender que situações conflitantes, resultantes de fatores externos, como por exemplo emocionais, econômicos, perdas afetivas entre outras, podem provocar alterações e desencadear bloqueios desfavoráveis ao seu aprendizado.
Vimos que há também fatores associados aos transtornos neurológicos que podem contribuir para a desordem funcional do aprendiz. Porém, se identificado o transtorno e tratado com responsabilidade, possivelmente será controlado e o indivíduo poderá adquirir uma boa socialização e bom desenvolvimento cognitivo dentro de suas limitações.
Conclui-se ainda que o papel do psicopedagogo, quando identificada uma situação problema, deverá ser contribuir para que se ofereça ao aluno um ambiente favorável a sua socialização e ao seu aprendizado. Dito que, o psicopedagogo poderá ser o facilitador, o orientador e em casos que se perceba alterações de possíveis transtornos neurológicos, intervir junto a família para que a criança seja encaminhada a um profissional especializado e só então realizado um diagnóstico seguro.
As considerações apresentadas foram de fundamental importância para aprofundar nossos estudos, desenvolver um olhar diferenciado sobre as relações que envolvem o aluno, deixando de lado o pré-conceito sobre
determinadas situações. Um olhar diferenciado para a atuação do psicopedagogo, suas competências junto ao processo educacional, em parceria com profissionais específicos como fonoaudiólogo e psicólogo e também de forma a mobilizar a família para a busca da ajuda necessária ao sucesso da criança, seja em seu aprendizado, seja na socialização, seja na afetividade, seja para derrubar barreiras, seja apenas para ser feliz.
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
Alves, Rubem. Educação dos sentidos e mais..., Campinas, SP 2005.
Ariés, Philippe. História social da criança e da família. 2. Ed Rio de Janeiro: LTC< 1981.
Barbosa, Laura Monte Serrat. Artigo da Revista da Associação Brasileira de
Psicopedagogia. Nº 69 . 2005
Brasil / Rio de Janeiro: Câmara Municipal, 1996. Estatuto da criança e do
adolescente: Justiça da infância e juventude do Rio de Janeiro
Fernández, Alicia. A inteligência aprisionada. Porto Alegre. 1991.
Freire, Paulo. Pedagogia da autonomia: Saberes necessários à prática
educativa. (1996)
Guia de Orientação a Professores: Manejo Comportamental de Crianças
com Transtornos do Espectro do Autismo em Condição de Inclusão Escolar – Supervisão editorial: Silvana Santos - © Programa de
Pós-graduação em Distúrbios de Desenvolvimento da
Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, SP, 2014.
Pires,K.M. Os seus, os meus, os nossos. IN: A&E Atividades e
Experiências- Especial Família. 2009.
Portal da Educação. Histórico do desenvolvimento da infância desde a
idade média até os dias de hoje. 2013
Souza, Flávia Nayara Magalhães. Artigo 19 – Criança Hiperativa: a
importância do contexto familiar. Belo Horizonte, 2008.
Vigotsk,L.S. A Formação Social da Mente: O desenvolvimento dos
processos psicológicos superiores. (2007)
BIBLIOGRAFIA CITADA
Alves, Rubem. Educação dos sentidos e mais..., Campinas, SP 2005.
Ariés, Philippe. História social da criança e da família. 2. Ed Rio de Janeiro: LTC< 1981.
Barbosa, Laura Monte Serrat. Artigo da Revista da Associação Brasileira de
Psicopedagogia. Nº 69 . 2005
Brasil / Rio de Janeiro: Câmara Municipal, 1996. Estatuto da criança e do
adolescente: Justiça da infância e juventude do Rio de Janeiro
Fernández, Alicia. A inteligência aprisionada. Porto Alegre. 1991.
Freire, Paulo. Pedagogia da autonomia: Saberes necessários à prática
educativa. (1996)
Guia de Orientação a Professores: Manejo Comportamental de Crianças
com Transtornos do Espectro do Autismo em Condição de Inclusão Escolar – Supervisão editorial: Silvana Santos - © Programa de
Pós-graduação em Distúrbios de Desenvolvimento da
Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, SP, 2014.
Pires,K.M. Os seus, os meus, os nossos. IN: A&E Atividades e
Experiências- Especial Família. 2009.
Portal da Educação. Histórico do desenvolvimento da infância desde a
idade média até os dias de hoje. 2013
Souza, Flávia Nayara Magalhães. Artigo 19 – Criança Hiperativa: a
importância do contexto familiar. Belo Horizonte, 2008.
Vigotsk,L.S. A Formação Social da Mente: O desenvolvimento dos
processos psicológicos superiores. (2007)
ÍNDICE
FOLHA DE ROSTO AGRADECIMENTO DEDICATÓRIA RESUMO METODOLOGIA SUMÁRIO INTRODUÇÃOCAPÍTULO I – Contextos familiares e suas implicações na formação de uma criança.
CAPÍTULO II – Fatores externos que comprometem o desenvolvimento cognitivo do aluno e contribuem para o fracasso escolar.
CAPÍTULO III – Dificuldades e transtornos do aprendizado.
CAPÍTULO IV – As contribuições e intervenções do Psicopedagogo rumo ao aprendizado.
CONCLUSÃO
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA BIBLIOGRAFIA CITADA