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Meta 1. Meta 2. O Plano Nacional de Educação

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O Plano Nacional de Educação

Meta 1

Universalizar, até 2016, a educação infantil na pré-escola para as crianças de 4 a 5 anos de idade e ampliar a oferta de educação infantil em creches de forma a atender, no mínimo, 50% das crianças de até 3 anos até o final da vigência deste PNE.

O texto sancionado nesta meta continuado igual ao anterior, aprovado pelo Senado em 2013. Para o coordenador geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Dara, a meta é um desafio grande. Ele estima que cerca de 3,4 milhões de matrículas precisam ser feitas para cumpri-la. Além das novas matrículas, será preciso recuperar a falta de acesso do passado. “Não podemos tratar a etapa infantil como a principal, mesmo sendo muito importante, pois todas são importantes e devem passar o bastão para a próxima. Uma série de brasileiros não teve acesso a essa etapa, então também temos de recuperar esses alunos”.

Nas estratégias para que a meta se cumpra, foi incluído um levantamento anual da demanda de educação infantil em creches e pré-escolas, que ficará a cargo dos municípios, com colaboração da União e Estados, e servirá para planejar e verificar o atendimento. Entre as demais estratégias, estão a de diminuir a diferença entre as taxas de frequência das diferentes classes sociais das crianças e expandir e melhorar a estrutura física das creches e escolas. “A educação infantil é a que apresenta maior desigualdade entre classe no País. Sobre a infraestrutura, conseguimos avançar em relação ao texto anterior. Crianças que passam a acessar creches com infraestrutura adequada, muitas vezes melhor do que em suas casas, têm um impacto inimaginável em seu repertório escolar”, diz Dara.

A gerente da área técnica do Todos Pela Educação, Alejandra Meraz Velasco, ressalta estabelecer uma proposta pedagógica é essencial para garantir a expansão com

qualidade, sem deixar de contratar professores e se preocupar com a formação adequadas deles. Outra estratégia no texto aprovado é a de estimular o acesso à educação infantil no período integral, para todas as crianças de 0 a 5 anos, mas sem especificar que tipo de atividades seriam incluídas.

Meta 2

Universalizar o ensino fundamental de 9 anos para toda a população de 6 a 14 anos e garantir que pelo menos 95% dos alunos concluam essa etapa na idade

recomendada, até o último ano de vigência deste PNE.

A meta foi sancionada sem grandes alterações no texto. Segundo o Censo Escolar 2013, do Ministério da Educação (MEC), mais de 8,5 milhões de alunos da educação básica

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(cerca de 22,9%) estão com atraso de dois anos ou mais na etapa. Para a gerente da área técnica do Movimento Todos Pela Educação, Alejandra Meraz Velasco, a chave é não deixar as crianças ficarem atrasadas por meio de recuperação de conteúdos e reforço escolar no decorrer do ano. “A reprovação não é uma boa saída para melhorar o desempenho. O melhor é o investimento em programas de reforço escolar no

contraturno. A reprovação desmotiva e desenturma. Segundo o Observatório do PNE, 67% dos jovens de 16 anos concluíram o ensino fundamental, portanto 33% dos jovens no fundamental estão defasados”, informa Alejandra.

Quanto às estratégias, foram incluídas: implantar instâncias que decidam a configuração da base curricular nacional e promover atividades de desenvolvimento e estímulo das habilidade esportivas. “Foi positivo manter essa meta, presente nas últimas discussões, pois o aproveitamento das atividades esportivas, integradas ao projeto

político-pedagógico tem se mostrado eficiente. O impacto do esporte no desempenho escolar é grande, em aspectos como trabalho em equipe, disciplina e até conceitos de matemática dos anos iniciais.

Para Daniel Dara, coordenador geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, a abordagem do tema curricular na estratégias é um avanço, onde se criarão instâncias para definir o currículo do ensino fundamental pelos municípios, Estados e União. A estratégia de criar mecanismos para acompanhamento individualizado aos alunos reforça a tendência de que cada aluno tem suas dificuldades e habilidades, que devem ser trabalhadas separadamente. Dara aponta que o tema da tecnologia poderia ter sido melhor abordado no texto.

Meta 3

Universalizar, até 2016, o atendimento escolar para toda a população de 15 a 17 anos e elevar, até o final do período de vigência deste PNE, a taxa líquida de matrículas no ensino médio para 85%.

O texto da meta não foi alterado em relação à versão do Senado. Segundo dados do IBGE\Pnad, em 2012, a taxa de matrículas de jovens de 15 a 17 anos no ensino médio estava em 54,4%. A gerente da área técnica do Movimento Todos Pela Educação, Alejandra Meraz Velasco, acredita que, se o fluxo escolar for regularizado nos anos iniciais, vai causar impacto positivo no ensino médio e a meta se torna possível.

“Alguns alunos nem mesmo chegam a essa etapa, ou chegam na idade errada. É preciso evitar o fracasso escolar antes de chegar ao ensino médio, pois dentro dele não há solução para a defasagem”, opina. O assunto é tratado na estratégia 5 da meta, que fala em manter e ampliar os programas de correção de fluxo do ensino fundamental, por meio de acompanhamento individualizado e aulas de reforço no turno complementar.

A reformulação do ensino médio vem sendo discutida há muitos anos no País e não ficou de fora do PNE. A primeira estratégia, que já vinha dos textos anteriores, foi mantida e fala em "institucionalizar programa nacional de renovação do ensino médio, a fim de incentivar práticas pedagógicas com abordagens interdisciplinares estruturadas

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pela relação entre teoria e prática...". Alejandra também aponta que é preciso oferecer mais de uma opção de formação no ensino médio, não só focando no ensino superior, mas também focando no ensino técnico - assunto tratado na estratégia 7, que fala em fomentar matrículas gratuitas no ensino médio integrado à educação profissional.

Alejandra lembra que tanto a meta 3 quanto as duas anteriores fazem parte de uma agenda que já deveria ter sido cumprida no Brasil. “São metas quase que puramente de acesso e já deveriam ter sido cumpridas. Tirando a questão das creches, outros países já têm essas metas resolvidas”.

Meta 4

Universalizar, para a população de 4 a 17 anos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação, o acesso à educação básica e ao atendimento educacional especializado, preferencialmente na rede regular de ensino, com a garantia de sistema educacional inclusivo, de salas de recursos multifuncionais, classes, escolas ou serviços especializados, públicos ou conveniados.

No texto sancionado, foi incluída a população com deficiência. Além disso, a polêmica palavra “preferencialmente” foi mantida, frustrando entidades de defesa da inclusão dos alunos deficientes no ensino regular, que afirmam que a meta ficou ambígua, pois deixa margem para que eles continuem sendo educados em escolas especiais. O acesso ao atendimento especializado e a garantia de salas e recursos multifuncionais também foram incluídos no texto.

Segundo a coordenadora da organização Mais Diferenças, Carla Mauch, a palavra já saiu diversas vezes do texto e configura uma discussão política e de concepção de trabalho. “Entendemos o fato da palavra "preferencialmente" ser mantida como um equívoco, pois contraria a convenção da ONU sobre os direitos das pessoas com deficiência, a qual prevê a educação inclusiva e também a política do MEC, de 2008. Existe muita falta de informação. Famílias acreditam na escola especial como único modelo, por causa de um histórico de políticas ineficientes para a população com deficiência”. Segundo dados da organização, em 2004, eram 195.370 mil estudantes com deficiências, Trantornos Globais do Desenvolvimento (TGD) e altas habilidades incluídos em salas regulares. Em 2012, o número havia aumentado 192%, totalizando 570.579 mil alunos.

O deputado Angelo Vanhoni, relator do texto sancionado, afirma que a meta é clara. “O governo brasileiro já tem a política de viabilizar a inclusão na rede pública de todos aqueles que tenham qualquer deficiência, dando apoio técnico a entidades da sociedade civil que complementem o ensino.”

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Meta 5

Alfabetizar todas as crianças, no máximo, até o final do terceiro ano do ensino fundamental.

Antes da versão final, a meta 5 chegou a prever prazos para a alfabetização de acordo com a idade do aluno e com os anos de vigência do PNE. Depois optou-se por um texto sem esse detalhamento. “O texto acerta ao frisar que a alfabetização deve ser plena, ou seja, não apenas a decodificação do alfabeto, o que não seria possível propor para a idade de 6 anos, como havia sido proposto pelo Senado”, afirma Alejandra Velasco, gerente técnica do movimento Todos Pela Educação e responsável pelo Observatório do PNE.

No entanto, ela discorda do uso da série como referência, em vez da idade. “Abre assim a possibilidade das redes de ensino alcançarem a meta retendo os alunos até se

alfabetizarem, piorando assim os índices de distorção idade-série, um problema que já é preocupante no Brasil”, afirma.

As informações mais precisas sobre a alfabetização de crianças de até 8 anos foram geradas pela prova ABC, realizada em 2011 e 2012. Segundo dados de 2012,

divulgados no Observatório do PNE, a porcentagem de crianças do 3º ano do Ensino Fundamental com aprendizagem adequada em leitura é de 44,5%. Em relação à escrita, o número é de 30,1% e sobre a aprendizagem adequada de matemática é de 33,3%. Alejandra revela que, no final de 2013, foi aplicada pela primeira vez a Avaliação Nacional da Afalbetização (ANA), que substituirá a prova ABC e cujos resultados serão divulgados ainda em 2014.

Meta 6

Oferecer educação em tempo integral em, no mínimo, 50% das escolas públicas, de forma a atender, pelo menos, 25% dos alunos da educação básica.

Conforme dados do Ministério da Educação divulgados no site do Observatório do PNE, em 2013, a porcentagem de escola públicas de Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio com matrículas em tempo integral em todo o país era 34,7%.

A doutora em Educação e professora de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Jaqueline Moll, destaca a importância do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) e o Programa Mais Educação no desenvolvimento da educação em tempo integral no país. “Em 2008 eram 1.380 escolas que ofereciam educação integral. Em 2013, o número subiu para 50 mil escolas e a meta para 2014 é que chegue a 60 mil. Mas isso não esgota o debate”, afirma Jaqueline, que participou da elaboração da meta 6, quando era a diretora de Currículos e Educação Integral da Secretaria de Educação Básica do Ministério da Educação.

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Para ela, a educação em tempo integral é uma necessidade que cresce cada vez mais: “Hoje a configuração da família está diferente, com pai e mãe trabalhando. O aluno passando mais tempo na escola contribui não só para formar um profissional, mas também para o desenvolvimento do cidadão como um todo”.

Meta 7

Fomentar a qualidade da educação básica em todas as etapas e modalidades, com melhoria do fluxo escolar e da aprendizagem de modo a atingir as seguintes médias nacionais para o Ideb:

- Nos anos iniciais do ensino fundamental: 5,2 em 2015; 5,5 em 2017; 5,7 em 2019; 6,0 em 2021

- Nos anos finais do ensino fundamental: 5,2 em 2015; 5,5 em 2017; 5,7 em 2019; 6,0 em 2021.

- No ensino médio: 4,3 em 2015; 4,7 em 2017; 5,0 em 2019; 5,2 em 2021.

O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) é um indicador da qualidade da Educação desenvolvido pelo Ministério da Educação (MEC). Seus valores variam de 0 a 10. O indicador é calculado com base no desempenho do estudante nas avaliações realizadas pelo País e nas taxas de aprovação. No Brasil, entre 2005 e 2011, o Ideb dos anos iniciais do ensino fundamental passou de 3,8 para 5,0. No caso dos anos finais, o crescimento foi de 3,5 para 4,1. Já o ensino médio apresenta uma melhora discreta, de 3,4 para 3,7.

Esta meta não sofreu grandes modificações até a aprovação do PNE. Para a gerente técnica do movimento Todos Pela Educação e responsável pelo Observatório do PNE, Alejandra Velasco, medir a qualidade da educação brasileira é um desafio ainda em aberto. "O Ideb é apenas um indicador que se restringe à língua portuguesa e à matemática. Não mede a equidade e a qualidade da educação".

Das 20 metas, a sétima é a que mais tem estratégias. O presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Educação (CNTE), Roberto Franklin de Leão, critica a última, de número 36, que propõe “estabelecer políticas de estímulo às escolas que melhorarem o desempenho no Ideb, de modo a valorizar o mérito do corpo docente, da direção e da comunidade escolar”. Para ele, “não é um bom caminho para a educação estabelecer competições entre as escolas e rotular algumas como boas ou ruins”.

Meta 8

Elevar a escolaridade média da população de 18 a 29 anos, de modo a alcançar, no mínimo, 12 anos de estudo no último ano de vigência deste Plano, para as

populações do campo, da região de menor escolaridade no País e dos 25% mais pobres, e igualar a escolaridade média entre negros e não negros declarados à Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE.

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Conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgados pelo Observatório do PNE, em 2012, a escolaridade média da população de 18 a 29 anos do campo era 7,6 anos. Entre a população negra era 9 anos e os 25% mais pobres era 7,9 anos. Na região do Brasil com menor escolaridade, o Nordeste, a média fica em 8,9 anos.

A gerente técnica do movimento Todos Pela Educação e responsável pelo Observatório do Plano Nacional de Educação, Alejandra Velasco, destaca que essa meta tem o foco em igualar as minorias. Ela também explica que a escolaridade média da população pode balizar, inclusive, o desenvolvimento econômico do País.

Meta 9

Elevar a taxa de alfabetização da população com 15 anos ou mais para 93,5% até 2015 e, até o final da vigência deste PNE, erradicar o analfabetismo absoluto e reduzir em 50% a taxa de analfabetismo funcional.

Segundo o 11º Relatório de Monitoramento Global de Educação para Todos, lançado em janeiro deste ano pela Unesco, há 774 milhões de analfabetos adultos em todo o mundo. Destes, 72% estão em dez países, e o Brasil aparece em 8º lugar no ranking. A Índia lidera a lista, seguida por China e Paquistão.

Para a gerente técnica do movimento Todos Pela Educação e responsável pelo

Observatório do Plano Nacional de Educação, Alejandra Velasco, essa meta se propõe a enfrentar um grande desafio: despertar o desejo e criar condições para que jovens e adultos voltem para a escola. “Quando é uma criança, os pais podem obrigá-la a frequentar a escola. Inclusive podem ser penalizados se não matricularem seus filhos. Porém, para a população mais velha estudar tem que ser pela sua vontade”.

Meta 10

Oferecer, no mínimo, 25% das matrículas de educação de jovens e adultos, nos ensinos fundamental e médio, na forma integrada à educação profissional.

Uma das preocupações dos pesquisadores da área de educação é o modo como esse ensino integrado será aplicado nas escolas. Analise da Silva, professora da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), observa que, muitas vezes, o estudante não tem o direito de escolher o que vai estudar e é forçado a aprender uma atividade de acordo com a necessidade do mercado de trabalho naquele momento. Isso acontece porque o governo fornece bolsas de estudo em instituições privadas de ensino técnico profissionalizante, nesse caso, o chamado sistema S (SENAI, SEBRAE, SESC, SENAC entre outros), carro-chefe desse tipo de formação no Brasil e focado nas demandas do mercado de trabalho, direciona o aprendizado, diz a professora.

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Meta 11

Triplicar as matrículas da educação profissional técnica de nível médio,

assegurando a qualidade da oferta e pelo menos 50% da expansão no segmento público.

Essa foi uma das metas que apresentou mudança de 2013 para 2014. Em um primeiro momento, era assegurada a gratuidade na expansão de vagas (poderiam ser feitas parcerias com instituições privadas). Agora o texto sancionado pela presidente fala em expansão do segmento público. O Censo Escolar do Inep confirma a tendência de crescimento da participação dos cursos técnicos no total de matrículas do ensino médio. Entre 2005 e 2011, a fatia das matrículas em cursos técnicos sobre o total verificado no ensino médio regular passou de 8,2% para 14,9%, alcançando 1,2 milhão de alunos. Para a coordenadora de Registros Acadêmicos e Escolares do Instituto Federal de Goiás (IFG), campus Goiânia, Shirley Virote, a triplicação das vagas é plenamente viável. “Os institutos federais estão atravessando um momento de grande expansão, um exemplo é o próprio IFG. No governo Lula, tínhamos dois campus e um em construção. Hoje temos 13 e mais dois sendo construídos.”

Meta 12

Elevar a taxa bruta de matrícula na educação superior para 50% e a taxa líquida para 33% da população de 18 a 24 anos, assegurada a qualidade da oferta e expansão para, pelo menos, 40% das novas matrículas, no segmento público.

De acordo com o Instituto Nacional de Estudo e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), o número de jovens que chegaram ao ensino superior no País está em ascensão. Em 1995, essa porcentagem era de 5,9%, já em 2011, subiu para 14,9%. A mudança principal nessa meta está na ampliação de matrículas no segmento público, anteriormente, era citado apenas a gratuidade do ensino - podendo ser englobado, também, institutos da rede privada. O aumento de vagas públicas é uma conquista importante, segundo a professora da UFMG Analise da Silva. Contudo ela questiona a qualidade do ensino. “Além de pensar na contratação de professores, é preciso levar em conta o número de funcionários técnico-administrativos necessários para atender os estudantes, bem como infraestrutura de bibliotecas, salas de aula e xerox, por exemplo. Caso contrário, estaremos brincando de educação pública.” Quanto às causas para a entrada tardia no ensino superior ela aponta o alto índice de reprovação, a necessidade de arranjar um emprego e a falta de vagas nas universidades.

Meta 13

Elevar a qualidade da educação superior e ampliar a proporção de mestres e doutores do corpo docente em efetivo exercício no conjunto do sistema de educação superior para 75%, sendo, do total, no mínimo, 35% doutores.

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As estratégias propostas pelo PNE para qualificar esse setor da educação consistem, entre outros tópicos, em processos contínuos de avaliação. Entretanto, a professora da UFMG Analise da Silva garante que a avaliação do ensino não deveria ser quantitativa, baseada no número de artigos publicados, alunos orientados ou seguir padrões

internacionais como os do PISA (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes). “O ideal seria construir com alunos e professores a metodologia a ser aplicada, e procurar conhecer, por exemplo, as condições socioeconômicas da vida do estudante e entender como isso afeta o aprendizado dele”, diz. O ex-coordenador de Relações Internacionais da Unicamp, Leandro Tessler, reconhece a importância do investimento em pesquisa, mas observa que é possível ter boas instituições de ensino mesmo sem investimento na área. “Acredito que deveria haver investimento, também, na educação vocacional, ou seja, na formação de gente qualificada, porque muitas vezes, a

qualificação fundamentada na pesquisa não é o que o aluno procura.”

Meta 14

Elevar gradualmente o número de matrículas na pós-graduação stricto sensu, de modo a atingir a titulação anual de 60 mil mestres e 25 mil doutores.

De acordo com o GeoCapes, em 2011, foram 39,2 mil mestres e 12,2 mil doutores titulados. O PNE pretende, por meio de financiamentos estudantis em pós-graduação e educação a distância, chegar a praticamente o dobro do número atual em 10 anos . Para o professor da Unicamp Leandro Tessler, os números são "incompatíveis com a

realidade". "Pós-graduação não é escola, envolve dedicação à pesquisa e exige investimento em infraestrutura”, diz.

Meta 15

Garantir, em regime de colaboração entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, no prazo de um ano de vigência deste PNE, política nacional de formação dos profissionais da educação de que tratam os incisos I, II e III do caput do art. 61 da Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, assegurado que todos os professores e as professoras da educação básica possuam formação específica de nível superior, obtida em curso de licenciatura na área de conhecimento em que atuam.

O novo texto apresenta duas mudanças. A redação anterior, aprovada no Senado, assegurava também a pós-graduação e a gratuidade na formação continuado dos profissionais da educação. Para o presidente da Confederação Nacional dos

Trabalhadores da Educação, Roberto Franklin de Leão, a meta representa um avanço, mas ainda tem algumas falhas. “É positivo ter uma proposta para a formação, mas defendemos que tudo isto seja realizado através das universidades públicas. Nada contra as instituições privadas, mas elas possuem as suas formas de financiamento.

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Segundo a vice-presidente da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Educação, Leda Scheibe, é necessário investir primeiro na graduação. “A exclusão, aqui, da pós-graduação, está correta. Primeiramente é necessária a graduação de todos os professores e demais profissionais da educação.” Sobre a questão da gratuidade, suprimida no texto, o deputado Angelo Vanhoni (PT-PR), relator do projeto aprovado, entende que o conteúdo não foi alterado.“O regime da gratuidade está mantido. Talvez por um lapso não esteja na redação.” Vanhoni explica também que as o texto foi alterado visando garantir a formação de todos os profissionais da educação.

Meta 16

Formar, em nível de pós-graduação, 50% (cinquenta por cento) dos professores da educação básica, até o último ano de vigência deste PNE, e garantir a todos (as) os (as) profissionais da educação básica formação continuada em sua área de atuação, considerando as necessidades, demandas e contextualizações dos sistemas de ensino.

O texto anterior falava em pós-graduação stricto e latu sensu, o novo é mais genérico. A meta fala em pós-graduação para metade dos professores e garantia de formação

continuada para os demais profissionais da educação. Para o presidente da

Confederação Nacional Trabalhadores da Educação, Roberto Franklin de Leão, a meta não deveria diferenciar os profissionais. “Deveria ser para todo mundo. Todos deveriam ter direito a ser aperfeiçoar sempre que necessário, buscando a valorização dos

profissionais. O resultado disso é a qualidade do ensino.”

Para o deputado Angelo Vanhoni (PT-PR), relator do PNE, a supressão dos tipos de pós-graduação não representa alteração no conteúdo do texto. Ele também salienta que a meta representa um crescimento muito grande em relação à situação atual, e que boa parte dos trabalhadores da educação não possuem formação superior.

Meta 17

Valorizar os (as) profissionais do magistério das redes públicas de educação básica de forma a equiparar seu rendimento médio ao dos (as) demais profissionais com escolaridade equivalente, até o final do sexto ano de vigência deste PNE.

O texto da meta não foi alterado. No entanto, a última estratégia, que falava sobre a prorrogação do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), foi retirada. O deputado Angelo Vanhoni explica que o fundo é alvo de discussões em duas comissões específicas do Congresso. Ele ressalta que os valores instituídos pelo cálculo do Custo Qualidade Aluno e o investimento de 10% do PIB na educação superam o Fundeb.

Já o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Educação, Roberto Franklin de Leão, acredita que a meta é importante para a valorizaçãodosprofessores.

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“Hoje, os professores recebem cerca de 60% do salário de outros profissionais do serviço público com a mesma formação. Equipar o salários valoriza o trabalho dos professores.” Por outro lado, a vice-presidente da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Educação, Leda Scheibe, questiona a forma genérica do texto. “É uma meta necessária , mas, o que significa hoje o rendimento médio dos demais profissionais com escolaridade equivalente?”

Meta 18

Assegurar, no prazo de 2 (dois) anos, a existência de planos de Carreira para os (as) profissionais da educação básica e superior pública de todos os sistemas de ensino e, para o plano de Carreira dos (as) profissionais da educação básica

pública, tomar como referência o piso salarial nacional profissional, definido em lei federal, nos termos do inciso VIII do art. 206 da Constituição Federal.

O texto que estabelece a meta não foi alterado. A única mudança ocorre na estratégia número 4, que fala sobre os incentivos à qualificação dos profissionais da educação. O texto sancionado na Câmara adicionou a proposta de licenças remuneradas para os trabalhadores e limitou o incentivo à pós-graduação stricto sensu. Para o deputado Angelo Vanhoni (PT-PR), relator do PNE, a limitação visa a qualificação. “A ideia é dar preferência ao mestrado e ao doutorado. Queremos qualificar os profissionais, buscando que eles tenham diplomas, não apenas certificados.”

Meta 19

Assegurar condições, no prazo de dois anos, para a efetivação da gestão

democrática da educação, associada a critérios técnicos de mérito e desempenho e à consulta pública à comunidade escolar, no âmbito das escolas públicas, prevendo recursos e apoio técnico da União para tanto.

O texto anterior falava em garantir a gestão democrática da educação básica e superior pública através de leis. A nova redação busca criar condições para assegurar a

democracia na gestão de escolas. Para o presidente da Confederação Nacional dosTrabalhadores da Educação, Roberto Franklin Leão, o texto anterior era “muito impositivo.” O deputado Angelo Vanhoni (PT-PR), relator do PNE, explica que a mudança na redação ocorreu para preservar a autonomia de Estados e municípios. “Não temos como assegurar leis específicas em cada município. O que a União precisa fazer é garantir os meios para que, de fato, a educação tenha uma gestão democrática.”

Meta 20

Ampliar o investimento público em educação pública de forma a atingir, no mínimo, o patamar de 7% do Produto Interno Bruto - PIB do País no quinto ano de vigência desta Lei e, no mínimo, o equivalente a 10% do PIB ao final do decênio.

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O texto aprovado no Senado falava em “ampliar o investimento público em educação”; já a nova redação, sancionada pela presidente, especifica que o investimento deve ser destinado à educação pública. A mudança incomodou os dirigentes de escolas privadas. O presidente do Sindicato do Ensino Privado do Rio Grande do Sul, Bruno Eizerik, entende que as instituições particulares de ensino básico são prejudicadas. “No ensino superior, as faculdades privadas se beneficiam com financiamentos como o FIES", referindo-se à decisão de destinar uma parte do investimento para programas como o ProUni e FIES, contemplada na meta 12. "Na educação básica, o Estado poderia comprar vagas e permitir que as famílias escolhessem onde preferem que o filho estude”, complementa. Para Eizerik, a educação deve ser pensada como um todo, sem criar uma dicotomia entre público e privado.

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