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ASPECTOS SOCIOCULTURAIS DO ENVELHECIMENTO

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Academic year: 2022

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ASPECTOS SOCIOCULTURAIS DO ENVELHECIMENTO

AULA 6

Profª Tatiane Calve

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CONVERSA INICIAL

O objetivo desta aula será compreender como a sociedade moderna está recebendo o idoso do Século XXI. Para isso, a aula será dividida em cinco temas, nos quais serão abordadas as características do idoso do Século XXI, como o comportamento social, a prática do lazer e do esporte, o turismo, o consumo e o uso da tecnologia.

Como a sociedade moderna está recebendo e se adequando ao comportamento dos novos velhos? Quais são as mudanças econômicas com o envelhecimento global e como a Era Digital está influenciando o comportamento dos idosos desse século? Esses são alguns questionamentos que serão discutidos nessa aula.

TEMA 1 – ENVELHECIMENTO NO SÉCULO XXI

Na sociedade contemporânea, assim como em outras épocas, há supervalorização da beleza e do culto ao corpo, fazendo com que a maturidade não seja vista como algo bom e bonito de se ver. Por isso, inúmeras pessoas dedicam tempo e dinheiro em técnicas, procedimentos estéticos e produtos, para se manterem com aparência jovem.

Não há somente a preocupação com a estética, mas também com a saúde. No Século XX, uma pessoa com mais de 65 anos tinha em torno de 90%

de chances de adquirir uma doença por consequência do processo natural do envelhecimento (Valdejão, 2002) mas, atualmente houve uma redução no número de doenças nessa faixa etária.

Ao pensar em viver 200 anos, os cuidados com a saúde devem iniciar ainda na juventude, pois nosso organismo não está “programado” para viver tanto tempo. Então, para se ter longevidade, é necessário envelhecer lentamente, o que já vem acontecendo quando vemos que a expectativa de vida aumenta cada vez mais.

O que faz uma pessoa envelhecer mais rápido ou mais devagar não é somente a condição física ou fisiológica e sim as características psicossocial e afetiva.

Para Velasco (2006, p. 51) “o que nos faz envelhecer mais rápido é desistir de nossos sonhos”. Mesmo com todas as perdas decorrentes do

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processo natural do envelhecimento, é possível ter uma velhice saudável e feliz.

Para isso, é necessário que a velhice seja reinventada, procurando ter e realizar sonhos todos os dias (Velasco, 2006).

O envelhecimento no Século XXI, por uma série de fatores, como economia, avanço da medicina e das políticas públicas voltadas para o idoso, oferece ao idoso a oportunidade de mudança, de ter uma velhice mais longa e com qualidade de vida. Assim, o tempo de vida que estamos ganhando com as mudanças no processo de envelhecimento deve ser utilizado com sabedoria e disposição.

Fucuta (2019), expõe entrevista feita com Suzane Hall, diretora da unidade de Pesquisa Qualitativa da Ipsos Mori, sobre Os Perennnials, relatório que mapeia idosos que estão reinventando a velhice e fugindo do estereótipo de dependentes e incapazes. Segundo a pesquisa, realizada em 28 países, o conceito de velhice muda de acordo com a faixa etária do indivíduo. Por exemplo, para um idoso com idade aproximada de 60 anos, a velhice propriamente dita chegará depois dos 70, e para jovens entre 16 e 24 anos, pessoas com 60 anos ou mais já são consideradas idosas (Fucuta, 2019).

Essa mudança de percepção da velhice está relacionada com as conquistas dos idosos em diferentes áreas, melhorando a condição de vida das pessoas acima de 60 anos. Portanto, os novos velhos veem a velhice com otimismo, como algo positivo na vida do indivíduo.

Em Portugal, mais de 80% dos idosos vivem sozinhos em suas casas e não possuem déficits cognitivos e motores, sendo pessoas dependentes e saudáveis, realizando todas as atividades da vida diária de maneira satisfatória (Guerreiro, 2020).

O envelhecimento populacional é uma realidade do Século XXI, o que implica mudanças na sociedade contemporânea.

No mundo todo, a cada segundo 2 pessoas celebram seu sexagésimo aniversário – em um total anual de quase 58 milhões de aniversários de 60 anos. Uma em cada 9 pessoas no mundo tem 60 anos de idade ou mais, e estima-se um crescimento para 1 em cada 5 por volta de 2050: o envelhecimento da população é um fenômeno que já não pode mais ser ignorado. (UNFPA, 2012, p. 3)

Uma tendência em vários países, incluindo o Brasil, são os condomínios, repúblicas e vilas para idosos. Os projetos, que em sua maioria, são estaduais e municipais, objetivam atender os idosos que possuem autonomia para morarem sozinhos, necessitando de pouca assistência (Mendes et al., 2020).

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Co-housing é uma expressão utilizada para caracterizar um grupo de pessoas que se organizam em determinado local (casa, condomínio, bairro etc.) para que possam viver juntos (Guerreiro, 2020).

Normalmente, esses complexos de casas para idosos oferecem os mesmos serviços e adaptações físicas que as instituições de longa permanência para idosos (ILPIs), porém, os idosos cuidam de suas casas, refeições, higiene, entre outras tarefas do dia a dia em uma residência. Além disso, têm maior liberdade para sair, ter convívio social fora do condomínio e receber amigos e familiares em casa.

Guerreiro (2020) cita que outra alternativa que vem surgindo na Europa é a junção de idosos e jovens em repúblicas, como o lar em Deventer, na Holanda, onde vivem 160 idosos e 6 jovens universitários. Nessa república, eles dividem a moradia e fazem companhia aos mais velhos, além de trocarem muita experiência de vida.

Essa união entre jovens e idosos permite que a velhice seja encarada de uma nova forma, mudando o pensamento preconceituoso da sociedade em relação aos idosos.

A nova geração de idosos se difere das demais, do passado, pelo avanço da medicina e estética, aumento da expectativa de vida e mudança comportamental da sociedade contemporânea (Guerreiro, 2020).

Hoje, muitos idosos começam a vida depois dos 60 anos, viajando, fazendo exercícios, praticando esportes, estudando, iniciando um negócio, aprendendo um instrumento musical, cantando, entre outras inúmeras atividades das quais se privavam antes de chegarem à terceira idade. Assim, surge uma nova nomenclatura para os idosos que chegam aos 90 ou 100 anos de idade, a quarta idade (Guerreiro, 2020).

O mais importante de tudo é as pessoas se prepararem para a chegada da velhice e que ela seja tão boa quanto a infância, adolescência e a vida adulta, cheia de desafios, sonhos e alegria.

TEMA 2 – ENVELHECIMENTO E PRODUTIVIDADE

A velhice, que antes era vista como sendo sinônimo de improdutividade, gastos públicos e privados, atualmente vem ganhando outros olhares. Isso pelo aumento da população idosa no mundo e avanço da longevidade dos indivíduos.

Valdejão (2002) indica que:

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A longevidade é uma das conquistas mais notáveis da humanidade.

Em 1900, uma criança, ao nascer, tinha uma expectativa de vida de 33,7 anos, média essa que, hoje, já é de 68 anos e, em 2025, será de 75,3 anos.

Há uma grande preocupação com os gastos públicos para manter o grande número de pessoas utilizando o sistema de saúde, medicamentos, e também do sistema previdenciário, com mais de 2 bilhões de pessoas aposentadas e apenas um quarto dessa população pagando impostos (Valdejnão, 2002).

Essa projeção está de acordo com dados demográficos para 2050, com as pessoas vivendo até, aproximadamente, 80 anos (IBGE, 2020; ONU, 2020).

Se a perspectiva de vida aumentar ainda mais, há uma tendência de haver um colapso, com as pessoas precisando usufruir desses benefícios públicos por mais de 100 anos.

Para que o setor público não sinta a defasagem, Valdejão (2002) propõe que as pessoas deverão trabalhar e contribuir até mais tarde. No entanto, se seguirmos a ideia de que os idosos de hoje começaram a trabalhar mais cedo, em torno de 15 anos de idade (IBGE, 2002) e fazer uso dos setores públicos mais tarde, os idosos de amanhã começaram a trabalhar mais tarde e irão começar a usufruir dos direitos a saúde e previdência mais tardiamente também.

Ainda assim, muitos idosos são responsáveis financeiros pelos seus lares, auxiliando seus filhos e netos com as despesas de casa. Segundo dados do IBGE de 2002, 62,4% dos idosos eram responsáveis pelos seus domicílios, enquanto, em 1991, 60,4% dos idosos tinham essa posição. Isso significa que há uma hipótese de que os idosos irão continuar auxiliando financeiramente suas famílias.

Devido à crise econômica global, as pensões dos idosos têm beneficiado famílias inteiras, devido a frequente carência ou perda de empregos dos jovens e suas famílias (UNFPA, 2012).

Em relação à preocupação em ter como se sustentar e ajudar a família, na velhice, Fucunta (2019) e UNFPA (2012) orientam que os jovens devem começar a guardar dinheiro para a aposentadoria, prática não comum entre os brasileiros. Ao contrário de alguns países desenvolvidos como a Inglaterra, em que cerca de 81% da população do país afirma poupar para a velhice (Fucunta, 2019).

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Para UNFPA (2012), investimentos em sistemas de pensão e aposentaria garantem que os idosos tenham segurança econômica após aposentadoria, momento em que há redução dos ganhos, grande preocupação, principalmente em países desenvolvidos, que não querem que a economia diminua. Já em países em desenvolvimento como o Brasil, a baixa renda dos aposentados, muitas vezes, é suprida pelo trabalho informal.

Não há dados conclusivos sobre a influência do aumento populacional de idosos com a queda na economia mundial, entretanto, é cauteloso o estudo sobre implantação de pisos de proteção social e outras reformas públicas e privadas, para que as pessoas tenham como assegurar a renda e usufruir de serviços das áreas da saúde e social, na chegada da velhice.

Fucuta (2019, p. 6) indica dez ações para aumentar as oportunidades dos idosos. São elas:

1. Reconhecimento da inevitabilidade do envelhecimento populacional e a necessidade do preparo adequado de todas as partes interessadas (governos, sociedade civil, setor privado, comunidades e famílias) para o crescente número de pessoas idosas. [...]

2. Garantia de que todas as pessoas idosas possam viver com dignidade e segurança, tendo acesso a serviços de saúde, assistência social e renda mínima, por meio da implementação de pisos de proteção social nacionais e outros investimentos sociais que ampliem a autonomia e independência de idosas e idosos, previnam o empobrecimento no envelhecimento e contribuam para um envelhecimento mais saudável. [...]

3. Apoio a comunidades e famílias visando o desenvolvimento de sistemas de suporte que assegurem a idosas e idosos fragilizados os cuidados de longo prazo que necessitam e promovam o envelhecimento ativo e saudável em nível local para facilitar o processo de envelhecimento em curso.

4. Investimento nos jovens de hoje, promovendo hábitos saudáveis e assegurando oportunidades de educação e emprego, acesso a serviços de saúde e cobertura de previdência social para todos os trabalhadores como o melhor investimento para a melhoria de vida das futuras gerações de idosos. [...]

5. Apoio a esforços internacionais e nacionais que visem o desenvolvimento de pesquisas comparativas sobre o envelhecimento, assegurando que os

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dados e evidências sensíveis a aspectos culturais e de gênero produzidos por essas pesquisas sejam disponibilizados como subsídios para a formulação de políticas.

6. Incorporação da questão do envelhecimento em todas as políticas de gênero e das questões de gênero em todas as políticas de envelhecimento, levando-se em conta as necessidades específicas de mulheres e homens idosos.

7. Inclusão do envelhecimento e das necessidades das pessoas idosas em todas as políticas e programas de desenvolvimento nacionais.

8. Inclusão do envelhecimento e das necessidades das pessoas idosas nas respostas humanitárias nacionais, planos de mitigação e adaptação às mudanças climáticas, programas de prevenção e gestão de desastres.

9. Assegurar que as questões do envelhecimento sejam adequadamente refletidas na agenda de desenvolvimento pós-2015, inclusive por meio do desenvolvimento de metas e indicadores específicos.

10. Desenvolvimento de uma nova cultura do envelhecimento baseada em direitos humanos, com uma mudança de mentalidade e atitudes sociais relacionadas ao envelhecimento e às pessoas idosas, de beneficiários da previdência social a membros contribuintes ativos da sociedade. [...]

Com o exposto acima, podemos considerar a necessidade do aumento de estudos e mudanças em relação aos sistemas de pensão e aposentaria, objetivando garantir a segurança econômica dos idosos após aposentadoria e manter a economia em desenvolvimento.

TEMA 3 – INCLUSÃO DIGITAL NA TERCEIRA IDADE

O envelhecimento global, incluindo o Brasil, na idade contemporânea, está fazendo com que os idosos se interessem cada vez mais pela tecnologia.

Além disso, muitos equipamentos estão sendo pensados e utilizados para facilitar a vida dos idosos da sociedade moderna.

A estimulação do ambiente físico para a pessoa idosa, permite que ela tenha maior independência e, consequentemente, melhor qualidade de vida.

Pensando nisso, UNFPA (2012) afirma que o uso de tecnologias inovadoras pode estimular o envelhecimento ativo, seja em relação ao ambiente físico ou

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como facilitador do contato social. Portanto, os estudos na área tecnológica também devem estar atrelados às necessidades do idoso moderno.

Guerreiro (2020) indica que em um condomínio para idosos, em Portugal, há quatro robôs sociais, os quais possuem um simulador de diálogo, que conseguem, pela inteligência artificial (IA), detectar emoções e interagir com os idosos da comunidade. A implantação dos robôs no condomínio ocorreu a partir de uma parceria entre a GrowMeup – projeto internacional de robótica financiado pela União Europeia e a Universidade de Coimbra, tendo como objetivo testar e aperfeiçoar os robôs para interagir com pessoas acima de 65 anos de idade (Guerreiro, 2020).

Não somente os robôs, mas inúmeros outros tipos de tecnologia podem ser usufruídos pelos idosos, na atualidade, aumentando a interação com a vida moderna. Para Morato (2018), estão havendo mudanças até mesmo na aquisição de diferentes produtos e serviços com o uso da internet.

Mesmo aqueles que não tiveram oportunidade de estudar na infância e adolescência estão buscando aprender a usar a tecnologia, principalmente o computador, tablet e celular, incluindo seus aplicativos e softwares para ampliar a comunicação com amigos e familiares, tendo uma vida social mais ativa, realizando buscas de produtos e serviços on-line, com o uso da internet.

O direito sobre a aprendizagem e o uso da tecnologia é assegurado por lei, aos idosos. O Estatuto do Idoso (Lei n. 10.741/03) determina esse assegurar:

com absoluta prioridade, a efetivação do direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária [...]

Em relação a inclusão digital, especificamente, o Art. 21, parágrafo 1º obriga o Poder Público a criar (Estatuto do Idoso, Lei 10.741/03) “oportunidades de acesso do idoso à educação, adequando currículos, metodologias e material didático aos programas educacionais a ele destinados” por meio de “cursos especiais para idosos” que “incluirão conteúdo relativo às técnicas de comunicação, computação e demais avanços tecnológicos, para sua integração à vida moderna”.

Com isso, inúmeros programas do governo, ONGs e instituições privadas, estão oferecendo programas de inclusão digital para o público da terceira idade, para que adquiram autonomia no uso desses recursos tecnológicos,

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aumentando as possibilidades de comunicação, socialização e interação com familiares, amigos e a sociedade de maneira geral.

Mesmo com o aumento de usuários idosos em relação à tecnologia, ainda não é expressivo o número de pessoas acima de 60 anos que fazem uso de tecnologias da informação (TI). No Brasil, o maior uso é de smartphones para comunicação com familiares e amigos, além de acesso às redes sociais (Hapycode, 2018; Amorim et al., 2018).

Além do uso das TIs para relacionamento social, eles também são utilizados, pelos idosos, como ferramenta para controle de atividade física. Os aplicativos de contagem de passos, distância percorrida, tempo de atividade física e controle de frequência cardíaca são os mais procurados e utilizados pelos idosos em relação à atividade física e saúde (Amorim et al., 2018).

Com todo o exposto, devemos ficar atentos ao estímulo e orientação da terceira idade em relação à inclusão digital, para que cada vez mais, possam fazer uso das TIs para ampliar a socialização e prática de atividade física.

TEMA 4 – TURISMO PARA TERCEIRA IDADE

O aumento da expectativa de vida proporcionou aos idosos saudáveis aposentados, com maior disponibilidade de tempo, a possibilidade de viajar em qualquer época do ano.

Entre os idosos que viajam, roteiros no Brasil são os mais procurados, pelas belezas naturais, culturais e históricas (Rodrigues et al., 2016; Souza, 2006).

O turismo contribui para a saúde psicossocial, intelectual e cultural ao público idoso (Rodrigues et al., 2016). Assim, o turismo entre os idosos torna-se importante também para ampliar as relações sociais e maior qualidade de vida para os que viajam.

Além dos momentos de prazer que a viagem proporciona ao público da terceira idade, eles também são grandes consumidores de produtos locais, souvenirs, vídeos, fotos, para que possam guardar de recordação.

Os profissionais que acompanham os idosos nas viagens, devem se atentar às características comportamentais desse público exigente que procura:

 Participar de viagens em grupo;

 Qualidade no atendimento e serviços;

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 Conforto e diferentes benefícios;

 Conhecer novos lugares;

 Valorizar o bem-estar;

 Vivenciar novas experiências;

 Adquirir produtos.

Segundo Rodrigues et al. (2016), 19% da renda nacional dos turistas consumidores são pessoas com mais de 50 anos de idade. Assim, programas e políticas públicas de incentivo ao turismo voltado a terceira idade devem ser estimulados no país.

Pensando nisso, o Ministério do Turismo brasileiro implantou, em 2007, o programa Viaja Mais Melhor Idade, criado para incentivar idosos aposentados e pensionistas a viajarem mais, proporcionando inclusão social e fortalecer o turismo no Brasil, pois, como indicado anteriormente, podem viajar em qualquer época do ano (Farias; El Tassa, 2015).

Indicados por Farias e El Tassa (2015), os objetivos específicos do programa são:

 Proporcionar oportunidades de viajar e de usufruir os benefícios da atividade turística para pessoas com mais de 60 anos, aposentados e pensionistas;

 Fortalecer o mercado interno, proporcionando maior estabilidade ao setor de serviços;

 Estimular a atividade turística, principalmente em períodos de baixa ocupação, reduzindo os efeitos da sazonalidade;

 Iniciar o hábito de viagem, proporcionando ao público-alvo maior conhecimento do país e seus inúmeros atrativos;

 Fomentar e viabilizar ofertas de produtos de qualidade e acessíveis ao público-alvo;

 Estimular o desenvolvimento de um mercado turístico adequado ao público idoso;

 Estimular o aprimoramento e a diversificação dos produtos turísticos já comercializados para o público idoso;

 Fortalecer o desenvolvimento econômico das pequenas e médias empresas, que compõem a maior parte da atividade turística nacional.

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Mesmo com o crescimento do turismo voltado a terceira idade, e incentivo público para atendimento a esse público, esse nicho ainda não detém grandes investimos por parte do setor de turismo e entretenimento brasileiro.

Dessa maneira, faz-se necessário estudar e conhecer melhor esse público, para desenvolvimento de projetos, elaboração de roteiros de viagens e atividades para a terceira idade.

TEMA 5 – OS JOVENS VELHOS NO ESPORTE

Todos sabem que a expectativa de vida das pessoas acima de 60 anos vem aumentando de maneira significativa nas últimas décadas, no Brasil e no Mundo.

Assim como o aumento populacional de idosos, a prática de exercícios físicos por essa população também teve aumento de maneira significativa nos últimos anos (Saviole Neto et al, 2004).

A prática de exercícios físicos regulares permite ao idoso aumentar a expectativa de vida e, acima de tudo, melhorar as condições de vida durante o processo de envelhecimento (Gremeaux, 2012; Nelson et al., 2007).

Além dos benefícios físicos e fisiológicos, o idoso que pratica exercícios físicos regularmente, usufrui de melhora da execução das Atividades da Vida Diária (AVDs), das Atividades Instrumentais da Vida Diária (AIVDs) e, também, os aspectos cognitivos, psicossociais e afetivos do indivíduo.

Os benefícios da prática regular de exercícios são tão grandes que surge uma categoria de idoso chamada idoso atleta, o qual é definido como sendo o indivíduo com mais de 60 anos praticante de exercícios de alta intensidade.

Os atletas idosos, segundo Saviole Neto et al. (2004, p. 388), são aqueles

“indivíduos com idades iguais ou superiores a 65 anos, praticantes de atividades físicas regulares e de alta intensidade [...]”.

Os idosos atletas são subdivididos em três categorias (Saviole Neto et al, 2004).

 Grupo 1 – idosos atletas que foram altamente competitivos na juventude e que, ao chegarem à terceira idade, continuam treinando de maneira intensa.

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 Grupo 2 – idosos praticantes de exercícios físicos e esportes desde a juventude – são aqueles que desde a juventude sempre praticaram exercícios físicos e esportes, mas sem caráter de alto rendimento.

 Grupo 3 – idosos não-atletas na juventude – são idosos que iniciaram o treinamento físico após a chegada à terceira idade.

Os grupos se diferem pela intensidade de exercícios físicos realizados, porém, todos apresentam grande desempenho e alterações estruturais e funcionais.

O organismo dos idosos frente a prática de exercícios físicos, principalmente sistema cardiovascular, é diferente do adulto jovem, com declínio da Frequência Cardíaca, da capacidade aeróbia e do VO2máx (Healh et al., 1998 citado por Saviole Neto et al, 2004). Entretanto, a prática de exercícios de alta intensidade por idosos, proporciona menor enrijecimento das paredes arteriais (Saviole Neto et al., 2004) e redução do número de problemas respiratórios.

Outros benefícios da prática de esporte de alto rendimento são observados nos idosos, tais como melhora da inclusão social, dos aspectos físicos, diminuição do índice de depressão e aumento da qualidade de vida. Além desses, Meurer et al. (2013) afirmam que os idosos atletas apresentam mais cuidado com a nutrição e com o controle emocional.

O direito a prática esportiva está assegurado pelo Estatuto do Idoso, 1o de outubro de 2003, Lei Orgânica do Estado Brasileiro (Lei n. 10.741, de 1º de outubro de 2003):

Art. 3o É obrigação da família, da comunidade, da sociedade e do Poder Público assegurar ao idoso, com absoluta prioridade, a efetivação do direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária.

Com os direitos garantidos aos idosos, inúmeras são as modalidades oferecidas a essa população, como corridas de rua, triátlon, ciclismo, natação, tênis, basquetebol, futebol, pole dance, entre outras. A participação em competições municipais, regionais, nacionais e internacionais motivam e melhoram consideravelmente a qualidade de vida dos idosos.

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NA PRÁTICA

O conceito de idoso vem se modificando de acordo com a maior longevidade e expectativa de vida do indivíduo após os 60 anos, quando é considerado idoso. Assim, os novos velhos se beneficiam e gozam de inúmeros benefícios da vida moderna. Dessa maneira, indique três atividades que os idosos têm realizado na atualidade, citadas no texto.

FINALIZANDO

Nessa aula, foram abordados alguns conceitos importantes e interessantes sobre a caracterização do idoso moderno, considerado novo velho.

Foram exploradas diferentes atividades realizadas pelos idosos da sociedade moderna, como uso da tecnologia, participação em atividades de turismo e prática de esportes de alto rendimento.

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REFERÊNCIAS

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MEURER, S. T.; ANTES, D. L.; FERRARI, E. P.; SILVA, D. A. S.; BENEDETTI, T. R.B. Perfil do estilo de vida de idosos atletas. Estud. interdiscipl. envelhec., Porto Alegre, v. 18, n. 2, p. 401-409, 2013.

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