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FRAGILIDADE AMBIENTAL E USO DAS TERRAS NO MUNICÍPIO DE IVINHEMA-MS

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FRAGILIDADE AMBIENTAL E USO DAS TERRAS NO MUNICÍPIO DE IVINHEMA-MS

CARLOS SIQUEIRA PEIXOTO

DOURADOS

2016

(2)

UNIVERSIDADE FEDERAL DA GRANDE DOURADOS FACULDADE DE CIÊNCIAS HUMANAS

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM GEOGRAFIA – PPGG

CARLOS SIQUEIRA PEIXOTO

FRAGILIDADE AMBIENTAL E USO DAS TERRAS NO MUNICÍPIO DE IVINHEMA-MS

DOURADOS, MS

2016

(3)

CARLOS SIQUEIRA PEIXOTO

FRAGILIDADE AMBIENTAL E USO DAS TERRAS NO MUNICÍPIO DE IVINHEMA-MS

Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Geografia Strictu Senso Área de Concentração: Produção do Espaço Regional e Fronteira em nível de Mestrado, da Faculdade de Ciências Humanas, da Universidade Federal da Grande Dourados, em Dourados (MS) como requisito para obtenção do título de Mestre em Geografia.

Orientador: Prof. Dr. Charlei Aparecido da Silva

Coorientador: Prof. Dr. Sérgio Henrique V. Leme de Mattos

DOURADOS, MS

2016

(4)

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP).

Ficha catalográfica elaborada automaticamente de acordo com os dados fornecidos pelo(a) autor(a).

©Direitos reservados. Permitido a reprodução parcial desde que citada a fonte.

P378f Peixoto, Carlos Siqueira

Fragilidade ambiental e uso das terras no município de Ivinhema - MS/

Carlos Siqueira Peixoto -- Dourados: UFGD, 2016.

116f. : il. ; 30 cm.

Orientador: Charlei Aparecido da Silva

Co-orientador: Sérgio Henrique Vannucchi Leme de Mattos

Dissertação (Mestrado em Geografia) - Faculdade de Ciências Humanas, Universidade Federal da Grande Dourados.

Inclui bibliografia

1. Ivinhema -MS. 2. Uso das terras. 3. Fragilidade ambiental. I. Título.

(5)

CARLOS SIQUEIRA PEIXOTO

FRAGILIDADE AMBIENTAL E USO DAS TERRAS DO MUNICIPIO DE IVINHEMA-MS

DISSERTAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE

EXAMINADORES

_________________________________________________

Prof. Dr. Charlei Aparecido da Silva (Orientador) FCH – UFGD

_________________________________________________

Prof. Dr. Lindon Fonseca Matias - Unicamp / Membro Titular

_________________________________________________

Prof. Dr. Marcos Norberto Boin – UFGD / Membro Titular

_________________________________________________

Prof. Dr. Edvaldo Cesar Moretti – UFGD / Membro Suplente

DOURADOS, MS

2016

(6)

EPIGRAFE

O que permite a distinção entre vigília e sonho, imaginário e real, subjetivo e objetivo é a atividade racional da mente, que apela para o controle do ambiente (resistência física do meio ao desejo e ao imaginário), para o controle da prática (atividade verificadora), para o controle da cultura (referência ao saber comum), para o controle do próximo (será que você vê o mesmo que eu?), para o controle cortical (memória, operações lógicas). Dito de outra maneira, é a racionalidade que é corretiva.

Por Edgar Morin (2000, pg.28)

(7)

AGRADECIMENTOS

O fato de estar ou não estar nesta lista não diferencia o carinho e gratidão por aqueles que contribuíram com minha jornada na Universidade Federal da Grande Dourados.

Primeiramente agradeço a Deus por me dar sabedoria, coragem e persistência.

Por sempre me guiar pelos milhares de quilômetros rodados em cima de uma “caranga”

motocicleta, sobre sol forte, madrugada fria e chuvosa, noites escuras e luas espetaculares que iluminavam meu caminho em um planalto que não acabara mais.

Essas intensas mudanças de paisagens contribuíam para minha reflexão geográfica deste pedaço de chão.

Agradeço a minha família, que sempre esteve por perto me auxiliando, encorajando a nunca desistir, meu pai, minha mãe, sem palavras sua importância em minha vida.

Aos amigos e colegas, de Pós-Graduação que sempre estiveram ao meu lado quadro precisei, seja no aconchego de seus lares, ou na luta por aquilo que acreditamos.

Ao meu orientador Prof. Dr. Charlei Aparecido da Silva no qual contribui muito com a minha formação, mas também me ensinou a ser mais humano, sincero e a conviver com o caos. Lembro de suas primeiras palavras ao telefone quando passei na seleção: “O corpo não sei a quem pertence seu Carlos, mas a alma é minha”.

Ao professor Dr. Marcos Norberto Boin, pela sua disposição em contribuir com a minha formação, pelo companheirismo nas atividades de campo e geoprocessamento.

Ao professor Dr. Sérgio Mattos pela coorientação.

Em peso aos amigos e colegas do LGF: Bruno, Nathalia, Maísa, Patrícia Ferreira, Patrícia Martins e o grande amigo Fabio Orlando Eichenberg por me fazer acreditar na pós-graduação, obrigado pelo incentivo, pelo acolhimento em sua residência sempre que preciso.

A CAPES pelo apoio financeiro com a bolsa e demais custeios em eventos científicos.

Grato a todos!

(8)

SUMÁRIO

LISTA DE FIGURAS... 10

LISTA DE TABELAS... 12

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ... 13

RESUMO ... 14

ABSTRACT ... 15

INTRODUÇÃO ... 16

CAPÍTULO 1 ... 22

TEORIA GEOSSISTÊMICA E A ESCALA DE ANÁLISE GEOGRÁFICA ... 22

1.1 TEORIA GEOSSISTÊMICA ... 23

1.2 ESCALA DE ANÁLISE GEOGRÁFICA ... 27

CAPÍTULO 2 ... 31

CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA DA PESQUISA ... 31

2.1 CARACTERIZAÇÃO SOCIOECONÔMICA ... 32

2.2 INTERPRETAÇÃO DE IMAGENS E ELABORAÇÃO DAS CARTAS DE USO DAS TERRAS ... 35

2.3 O USO DAS TERRAS NO MUNICÍPIO DE IVINHEMA ... 39

CAPÍTULO 3 ... 46

METODOLOGIA E CARACTERIZAÇÃO DO GEOSSISTEMA DE IVINHEMA (MS) ... 46

3.1 MÉTODOS , PROCEDIMENTOS E TÉCNICAS ... 47

3.2 LEVANTAMENTO BIBLIOGRÁFICO ... 47

3.2.1. Os dados secundários e sua importância ... 47

3.2.2 A aquisição de dados primários, os trabalhos de campo ... 48

3.3 A ESCALA E O TÁXON DE ANÁLISE ... 50

3.4 O GEOSSISTEMA DO MUNICÍPIO DE IVINHEMA ( MS ) ... 54

3.4.1 Clima ... 54

3.4.2 Hidrografia ... 60

3.4.3 Geologia ... 63

3.4.4 Relevo ... 66

3.4.5 Solos ... 68

3.5 TRATAMENTO DE IMAGEM SRTM E GERAÇÃO DE MAPA DE HIPSOMETRIA E DECLIVIDADE ... 71

CAPÍTULO 4 ... 76

EROSÃO DE SOLOS, IMPACTOS AMBIENTAIS: A RELAÇÃO HOMEM NATUREZA ... 76

4.1 O HOMEM E O SOLO ... 77

4.2 EROSÃO DO SOLO ... 78

4.3 TIPOLOGIA DAS EROSÕES DO SOLO ... 79

4.3.1 Erosão hídrica ... 80

4.4 OS PROCESSOS EROSIVOS NO GEOSSISTEMA DE IVINHEMA ( MS ) ... 83

CAPÍTULO 5 ... 91

FRAGILIDADE AMBIENTAL DO MUNÍCIPIO DE IVINHEMA ... 91

5.1 PRESSUPOSTOS TEÓRICOS DA FRAGILIDADE AMBIENTAL ... 92

5.2 METODOLOGIA ... 95

5.3 FRAGILIDADE POTENCIAL ... 99

5.4 FRAGILIDADE EMERGENTE ... 102

CONSIDERAÇÕES FINAIS ... 106

(9)

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ... 108

APÊNDICES ... 113

ANEXOS ... 117

(10)

LISTA DE FIGURAS

Figura 1 - Esboço de uma definição teórica de geossistema. ... 29

Figura 2 - Produção Agrícola no município de Ivinhema em 2014. ... 34

Figura 3 - A expansão da cana-de-açucar no municipio de Ivinhema. Elaboração e Organização: Peixoto (2016) ... 35

Figura 4 - Chave de interpretação das imagens OLI/Landsat 5 e 8. ... 37

Figura 5 - Paisagens utilizadas para a classificação supervisionada. ... 38

Figura 6 - Porcentagem de uso das terras no ano 2000. ... 41

Figura 7 - Uso das Terras em 2000... 42

Figura 8 - Porcentagem de uso das terras no ano 2015. ... 43

Figura 9 - Uso das Terras em 2015... 44

Figura 10 - Atividade de campo como subsidio para a elaboração das cartas. ... 49

Figura 11 - Mapeamento sistemático das unidades de paisagens. ... 52

Figura 12 - Taxonomia da escala de estudo do geossistema de Ivinhema. ... 53

Figura 13 - Classificação climática da área de estudo. ... 56

Figura 14 – Gráfico Termopluviométrico para o município de Ivinhema (MS) 1961 – 1990. Fonte: ZEE/MS, 2002. ... 57

Figura 15 - Precipitação mensal no município de Ivinhema (MS) em 2015. ... 58

Figura 16 - Estragos causado pela chuva em janeiro de 2016. ... 59

Figura 17 - principais rios do município de Ivinhema - MS. ... 61

Figura 18 - Hidrografia do município de Ivinhema. ... 62

Figura 19 - Geologia do município de Ivinhema. ... 65

Figura 20 - Relevo do município de Ivinhema. ... 67

Figura 21 - Perfil de solos encontrados em Ivinhema - MS. ... 69

Figura 22 - Carta de Solos do Município de Ivinhema... 70

Figura 23 - Classes hipsométricas atribuídas a área de estudo. ... 71

Figura 24 - Classes de declividade da área de estudo... 72

Figura 25 - Hipsometria do município de Ivinhema... 73

Figura 26 - Declividade do município de Ivinhema. ... 74

Figura 27 - Erosão hídrica. ... 81

Figura 28 - Erosão laminar na área de estudo. ... 81

Figura 29 - Erosão laminar na área de estudo. ... 82

Figura 30 - Formação de ravinas na área urbana de Ivinhema (MS). ... 82

Figura 31 - Voçorocas no município de Ivinhema (MS). ... 83

Figura 32 - Localização das erosões ... 84

Figura 33 - "Buracão I", voçoroca na área urbana do município de Ivinhema - MS. .... 85

Figura 34 - "Buracão II", voçoroca com ravinas laterais na área urbana de Ivinhema - MS. ... 86

Figura 35 - Percentual por tipo de erosão. ... 87

Figura 36 - Distribuição das erosões de acordo com o uso das terras. ... 88

Figura 37 - Síntese das erosões no município de Ivinhema. ... 89

Figura 38 – Camadas Raster e pesos utilizados no conjunto dos componentes utilizados

para obter a fragilidade ambiental. ... 98

(11)

Figura 39 - Classes de Fragilidade Potencial. ... 100

Figura 40 - Fragilidade potencial do município de Ivinhema. ... 101

Figura 41 – Classes de fragilidade emergente. ... 102

Figura 42 - Fragilidade emergente do município de Ivinhema. ... 105

(12)

LISTA DE TABELAS

Tabela 1- Estimativa populacional do município de Ivinhema (MS). ... 32

Tabela 2- Produção agrícola no município de Ivinhema (MS). ... 34

Tabela 3 - Dados das imagens Landsat utilizadas no trabalho. ... 36

Tabela 4 – Área de uso das terras no município de Ivinhema – MS. ... 40

Tabela 5- Tipos de erosões identificadas no município de Ivinhema (MS) ... 84

Tabela 6 - Distribuição da erosão conforme tipo e o uso das terras ... 87

Tabela 7- Classes de tipos de geologia e seus respectivos graus de fragilidade. ... 96

Tabela 8 - Classes de tipos de solos e seus respectivos graus de fragilidade. ... 96

Tabela 9 – Classes de relevo e seus respectivos grau de fragilidade. ... 97

Tabela 10 – Classes de declividade e seus respectivos grau de fragilidade. ... 97

Tabela 11 – Tipos de uso e coberturas das terras e seu grau de proteção. ... 97

Tabela 12 - Índice de avaliação da fragilidade potencial. ... 100

Tabela 13 – Índice de avaliação da fragilidade emergente. ... 103

(13)

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

CPRM Serviço Geológico do Brasil GPS Global Positioning System

IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística INMET Instituto Nacional de Meteorologia

INPE Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais LANDSAT Land Remote Sensing Satellite

MDE Modelos Digital de Elevação

MEC Massa Equatorial Continental

MPA Massa Polar Atlântica

MTA Massa tropical Atlântica

MTC Massa Tropical Continental

MS Mato Grosso do Sul

OLI Operational Land Imager

SEPLAM Secretaria de Planejamento

SIDRA Sistema IBGE de Recuperação Automática SIG Sistema de Informações Geográficas

SIRGAS Sistema de Referência Geocêntrico das Américas SOMECO Sociedade e Melhoramentos e Colonização SRTM Shuttle Radar Topography Mission

TGS Teoria Geral dos Sistemas

TM Thematic Mapper

UPG Unidade de Planejamento e Gestão USGS United States Geological Survey UTM Universal Transversa de Mercator

ZEE-MS Zoneamento Ecológico-Econômico do Mato Grosso do

Sul

(14)

RESUMO

O modelo de colonização privado implantado no município de Ivinhema- MS em 1957, pela SOMECO-SA, teve como objetivo a derrubada da mata para a exploração da madeira e consequentemente a venda de sítios e chácaras.

Passados décadas, o cenário no campo mudou e o uso das terras tornou-se mais intenso o que provoca novas dinâmicas pouco estudadas. Para avaliar esse cenário, foi elaborado duas cartas de uso e ocupação (2000 e 2015) que permitiram identificar e quantificar as parcelas de cada tipo de uso (vegetação nativa, silvicultura, pastagens, lavoura temporária e solo exposto). Para analisar as mudanças ocorridas nesse período utilizou-se imagens de satélite OLI/Landsat 5 e 8, dos respectivos anos (2000 e 2015). Essas cartas revelam a expansão da atividade agrícola (soja, milho e cana-de-açúcar), o que representa um aumento das áreas no período de aproximadamente 500%. O inventário cartográfico do geossistema (geologia, relevo, solos, hidrografia, clima, declividade, hipsometria, cobertura e uso das terras) revelam que os fluxos de matéria e energia já ultrapassaram os níveis de resiliência, demonstrado pelo grande número de processos erosivos identificados no geossistema. A fragilidade ambiental emergente na área estudada, demonstra-se vulnerável ao uso e ocupação das terras, principalmente a expansão da monocultura de cana-de- açúcar. Essa atividade associada a outras de cultivo rotativo representam um médio grau de fragilidade e ocupa 47% da área do geossistema, isto indica que as proposições de cenários futuros sejam ainda piores.

PALAVRAS CHAVE: Ivinhema-MS, Uso das terras, Fragilidade ambiental.

(15)

ABSTRACT

The private settlement model implemented in Ivinhema-MS country in 1957, by SOMECO-SA, had the objective of clearing the forest for the exploitation of wood and consequently the sale of estate and farmstead. After decades, the scenary in the countryside has changed and the use of land has become more intense which causes new dynamics little studied. In order to evaluate this scenary, two use and occupation charts (2000 and 2015) were used to identify and quantify the plots of each type of use (native vegetation, silviculture, pasture, temporary and exposed soil). OLI / Landsat 5 and 8 satellite images of the respective years (2000 and 2015) were used to analyze the changes that occurred during this period. These charts reveal the expansion of agricultural activity (soybean, maize and sugar cane), which represents an increase in areas in the period of approximately 500%. The mapping of the geosystem (geology, relief, soil, hydrography, climate, slope, hypsometry, land cover and use) reveals that the flows of matter and energy have already surpassed the levels of resilience, demonstrated by the large number of erosive process identified in the Geosystem.

Emergent environmental fragility in the study area is proving vulnerable to the use and occupation of land, mainly the expansion of sugar cane monoculture. This activity associated with other rotational crops represents a medium degree of fragility and occupies 47% of the geosystem area, this indicates that the future scenary propositions are even worse.

KEYWORDS: Ivinhema, Land use, Environmental fragility.

(16)

INTRODUÇÃO

O presente trabalho tem por objetivo estudar a dinâmica do uso das terras no município de Ivinhema – MS. Para tanto, estudos acadêmicos necessitam de uma base teórica que assinale a metodologia e os pressupostos da pesquisa apontados na proposição inicial.

Dessa forma, foi eleita a Teoria Geral dos Sistemas (TGS) de Ludwig Von Bertalanffy 1 (1977), que surge como uma perspectiva de análise nas ciências, sendo introduzida na Geografia com pressupostos de uma visão sistêmica. Esse modelo passa a ser amplamente discutido nas escolas da Geografia no século XX, principalmente na escola russa por Sotchava (1962) e Bertrand (1972) na escola francesa. No Brasil os expoentes Christofoletti (1980), (1981) e Monteiro (2001) apresentaram as primeiras proposições teóricas e metodológicas referenciando a teoria Geossistêmica, contribuindo para o desenvolvimento da Geografia Física.

Na concepção sistêmica, Bertalanffy (1977) reconhece que a proposição de modelos é essencial para o rompimento de analogias simplistas (reducionismo), o que visa a hierarquização dos elementos do sistema e a correlação entre os demais processos desencadeados. O teórico refere-se à elaboração de uma concepção de mundo pós- moderno, articulado por diversas formas de poder, desenvolvimento econômico/desigual, informacional, explosão demográfica, e inserido em uma diversidade de ecossistemas em diferentes lugares do planeta.

De modo similar o campo das ciências é fragmentado, e necessita de novos métodos e técnicas para analises mais complexas que surgem da demanda de excedentes provocadas pelas constantes mudanças nos sistemas de produção.

Face ao exposto, a geografia no campo das ciências sociais insere-se na perspectiva de constituir um esboço conceitual e metodológico e passa a ater-se nos pressupostos da teoria sistêmica. O que reforça o campo da geografia, principalmente a geografia física, campo este que muitos consideravam como ciência da descrição do planeta Terra.

Deriva como pressuposto teórico e metodológico a concepção de geossitema dos estudos de Sotchava (1962); e Bertrand (1972), postulam acerca da concepção de

1

Teoria Geral dos Sistemas – A obra original é de 1933, deriva da insistência de Bertalanffy discordar do

pensamento cartesiano, unificando os campos das ciências sociais.

(17)

geossistemas terrestres e o que os difere são as categorias de análise principalmente na escala do espaço geográfico.

O geossistema é um sistema natural, complexo e integrado onde há circulação de energia e matéria e onde ocorre a exploração biológica, inclusive aquela praticada pelo homem. Pela ação antrópica poderão ocorrer apenas alterações no sistema, afetando algumas de suas características, porém estes serão perceptíveis apenas em microescala e nunca com tal intensidade que o Geossistema seja totalmente transformado, descaracterizado ou condenado a desaparecer (TROPPMAIR; GALINA; 2006, p. 81).

A área de estudo enquadra-se como um subsistema aberto que neste estudo trataremos como geossistema, com características físicas similares ao geossistema da região a UPG- Rio Ivinhema. Porém, com dinâmicas de uso ocupação diferenciadas, um dos pressupostos analisado neste estudo.

O município de Ivinhema – MS, emancipa-se de um modelo de colonização privado visando a comercialização das terras por meio de loteamento de frações da área urbana e rural pela (SOMECO/SA) no amo de 1957, o que consolidou um sistema fundiário visando especificamente o lucro pela renda da terra (SOMECO, 1984).

Segundo Lima (2006) as transformações da paisagem na região tinham como objetivo um certo desenvolvimentismo, e havia precedentes de que a mata marcava o fim de uma era de retrocesso e o começo da era do desenvolvimentismo. Portanto a derrubada da mata e a comercialização da madeira são o marco inicial de análise da dinâmica do uso das terras na região.

Dada à relevância dos processos ocorridos na região e a dinâmica da ocupação do espaço, esse trabalho frisa verificar o uso e ocupação das terras na região a partir do ano 2000, e na contemporaneidade, e se a fragilidade ambiental é do meio físico que ao ser ocupado deflagra os processos de degradação.

Os cenários de uso das terras neste trabalho são fundamentais para compreender as dinâmicas da relação natureza e sociedade. Se por um lado, os cenários nos trazem a dimensão das paisagens naturais do passado, por outro demonstra com clareza como as paisagens foram alteradas na tentativa de satisfazer o sistema socioeconômico hegemônico.

Segundo Verdum (2012, p. 10) “estudar a relação natureza e sociedade na

perspectiva de análise de paisagem é possível compreender, em parte, a complexidade

do espaço geográfico em um determinado momento”. Para o autor os mosaicos de

(18)

paisagem são importantes para que possamos entender como as estruturas estabelecidas no local se organizam.

Para fim desse estudo a fundamentação teórica e metodológica e analítica que foram notoriamente abordadas a partir da concepção sistêmica de Bertalanffy (1977); as concepções de paisagem e geossistema de Bertrand (1972); Christofoletti (1999) com seu modelo de geossistema e sistema socioeconômico que diante da complexidade de elementos da paisagem do município de Ivinhema-MS, torna-se fundamental como modelo de análise; a concepção de paisagem de Verdum (2012) que contribui com a análise dos cenários e perspectivas de compartimentação de paisagens no geossistema de Ivinhema-MS.

A concepção de um modelo geossistêmico podemos considerar como parte de estudos dos elementos físicos, como o relevo, solos, hidrografia, clima e vegetação em determinada escala formam a ideia de ambiente natural que oscila entre o equilíbrio e desequilíbrio. Esse ambiente natural está sujeito a intervenções antrópicas, que transformadas passam a formar mosaicos de interação a um sistema socioeconômico, esteticamente alterado com forma e função especifica. São resultantes das transformações territoriais carregadas de elementos históricos culturais relacionadas as práticas humanas.

O presente estudo é fruto da perspectiva de análise sistêmica. Visa, objetiva, correlacionar às dinâmicas do uso e ocupação das terras, e possíveis impactos que incidem na dinâmica territorial do município de Ivinhema e aproxima da concepção de Lima (2006).

A transformação da paisagem dessa região intensificou-se a partir do momento em que se iniciou o processo de colonização, que introduziu na área lavouras, pastagens artificiais e extração de madeira de forma indiscriminada. A abertura das propriedades por processos rudimentares, fazendo-se uso quase que exclusivamente da roçada, derrubada e queimada da vegetação de floresta ia transformando a paisagem rural em lavoura e pastagem. (LIMA, 2006, p.98).

A dinâmica territorial iniciou-se a partir do processo de colonização da região

Sul do então Estado de Mato Grosso em meados do século XX. Nessa inserção atropo-

(19)

natural 2 , o território foi submetido a transformação social que modificaram a paisagem natural dando lugar a formas complexas.

Pinto Junior et al (2014) destaca a nova dinâmica territorial estabelecida pelo setor canavieiro na UPG-Ivinhema (MS) como:

A criação de estruturas e infra-estruturas para esse aporte transforma as paisagens locais e inserem novas dinâmicas na vida dos munícipes, tanto na área rural como urbana. As transformações, no que tange aos impactos na paisagem, se associam cujo matiz forma uma complexa relação que nem sempre são identificáveis imediatamente. No cotidiano as transformações socioeconômicas, os impactos ambientais negativos não são compreendidos imediatamente, esses são suprimidos em função de ganhos econômicos, a paisagem se transforma sobrepondo os tempos e as transformações são acompanhadas no ir e vir e com isso um novo mosaico vai formando- se. Novas plantas industriais, novas usinas, surgem, passam a fazer parte do contexto da paisagem, o caminho antes demarcado pela monotonia do relevo e da pastagem incorpora a cana-de-açúcar como elemento essencial do tempo presente e das novas dinâmicas (PINTO JUNIOR, SILVA E BEREZUK, 2014, p.42).

Nesse contexto, as transformações socioeconômicas presentes no cenário atual deixam claro que o ganho econômico é mais importante que o custo ambiental e social.

A técnica se apresenta com a ideia de desenvolvimento como entreposto para justificar o progresso da humanidade fazendo com que a relação homem-natureza vivencie um tecnocentrismo, ou seja, o paradoxo: Progresso/Desenvolvimento, versus Dominação da Natureza. Não podemos afirmar que a técnica é a responsável pelos problemas ambientais contemporâneos, mas sim, quem faz o uso dela, como afirma Gonçalves:

“Apesar da técnica ser um sistema organizado, ordenado, visando um maior controle que se possa ter de seus efeitos, todavia ela está inserida em um mundo complexo onde convivem o caos e a ordem” (GONÇALVES, 2013, p.79).

Em longo prazo a atual dinâmica econômica e social, e a maneira em que o homem se apropria dos recursos naturais, colocam em risco os recursos hídricos, a vegetação, a fauna, o solo provocando um desequilíbrio ambiental, gerando impactos ambientais de diversas magnitudes. Dessa forma podemos associar o estágio atual da sociedade como a forma que faz uso da técnica, como o homem domina através dos meios de produção na natureza.

2

Concepção de paisagem natural transformada onde novas formas sociais alteram o ambiente natural,

também conhecida como paisagens atuais ou contemporâneas (RODRIGUES, et al. 2010, pág. 15).

(20)

As políticas públicas atuais subsidiadas pelo Estado, são influenciadas pela demanda de produtos agrícolas, principalmente associado ao milho, soja e cana-de- açúcar, que atualmente vem proporcionando a ampliação de novas fronteiras agrícolas.

Essas, são produzidas por um sistema socioeconomico de alta tecnologia, mas negligente quanto aos riscos ambientais que a atividade implica no geossistema.

Lima (2006), Pinto Junior et al, (2014) destacam as principais transformações ocorridas na UPG/Ivinhema nos últimos 50 anos, o que representa o geossistema regional. Ambos ressaltam que o modelo de colonização implantado na região inicialmente cumprira com os seus objetivos, de preencher os vazios do território nacional, inserindo novas fronteiras agrícolas.

Os resultados obtidos no estudo do geossistema de Ivinhema demonstram que a organização do espaço regional de atividade antrópica, revelam que a intensidade das intervenções antrópicas determina o impacto ambiental do geossistema.

O geossistema de Ivinhema em seu potencial físico (solos, relevo, declividade, geologia) apresenta-se vulneravelmente estável. Porém, ao inserirmos o uso e ocupação como componente fundamental deste estudo é possível notar que a ação antrópica é determinante e contribui fortemente para o aumento das erosões, do assoreamento dos rios, o que revela o quanto as dinâmicas territoriais inseridas no município a partir do ano 2000, incidem diretamente no equilíbrio dos fluxos de energia e matéria, provocando impactos ambientais.

Inicialmente foi realizada a revisão bibliográfica com temas referentes a teoria sistêmica, o que atende de modo especial os pressupostos metodológicos da pesquisa. O segundo objetivo foi concretizado com a elaboração das cartas cenários de uso das terras (2000 e 2015) e componentes físicos do geossistema (geologia, solos, relevo hidrografia, declividade, hipsometria e síntese das erosões).

E por último após as análises do geossitema, a proposição da carta de fragilidade ambiental. Cujo o objetivo é compreender como o geossitema reage aos impactos ambientais provocados pela ação antropo-natural, que se divide em dois níveis de fragilidade: a fragilidade potencial atribuída a resiliência do geossistema e a fragilidade emergente, que consiste no cruzamento das cartas de fragilidade potencial com o cenário de uso das terras em 2015.

Com o intuito de elucidar os objetivos propostos neste trabalho, foram adotados

procedimentos teóricos e metodológicos para a fim de avaliar a magnitude dos impactos

ambientais. O primeiro capítulo postula sobre a corrente teórica da visão sistêmica, e

(21)

sua aplicabilidade em Geografia Física. O segundo o contexto socioeconomico da área de estudo. O terceiro é a indicação de uma proposta metodológica que aproxime a análise dos dados. O quarto a dimensão dos impactos ambientais presentes na área de estudo e seus desdobramentos. E o quinto não menos importante é a fragilidade ambiental, o que aponta como o geossistema reage as formas de uso e ocupação.

(22)

CAPÍTULO 1

TEORIA GEOSSISTÊMICA E A ESCALA DE ANÁLISE GEOGRÁFICA

(23)

1.1 TEORIA GEOSSISTÊMICA

A teoria geossistêmica deriva da “teoria geral dos sistemas” a TGS de Ludwig Von Bertalanffy (1977) que “tem por finalidade enunciar princípios que se aplicam aos sistemas em geral ou a subclasses definidas – sistemas fechados e abertos –, fornece técnicas para sua investigação e descrição e aplicar estas técnicas aos casos concretos”

(BERTALANFFY, 1977, p. 38).

Partindo desse pressuposto, o autor propõe que as dinâmicas estabelecidas na sociedade a partir dos meados do século XX, certamente colocariam o pensamento científico em questão, pois a complexidade de relações estabelecidas entre as dinâmicas produtivas, organização do Estado Nação e o início de um mundo globalizado, coloca em xeque a concepção de território como um espaço fixo de relações e poder, refletem diretamente no modo de se fazer ciência. Isso porque a ciência sempre esteve encapsulada em “casulos” em que cada disciplina é vista como uma gaveta de um armário, incapaz de interligar-se, porém debatem temáticas que exigem alto grau de interdisciplinaridade para que se sejam entendidas.

Nessa perspectiva ainda no final do século XX, novas concepções e metodologias associadas a essa demanda de uma nova abordagem científica, começam a fundamentar-se na teoria geral dos sistemas, principalmente a que tange a física, a biologia, a matemática e as ciências sociais (BERTALANFFY, 1977). Nesse contexto, a física quântica, a biologia molecular, a estatística, a psicologia e seus subgrupos hierárquicos sociais, dão conta da dimensão da complexidade de seus elementos. Nesse caso “é necessário estudar não somente partes e processos isoladamente, mas também resolver os decisivos problemas encontrados na organização da ordem que os unifica, resultante da interação dinâmica das partes, tornando o comportamento das partes diferentes, quando estudadas isoladamente e quando tratadas no todo”

(BERTALANFFY, 1977, p. 53).

No ponto de vista da teoria sistêmica Bertalanffy (1977, p.262) ressalta que “a ciência social busca compreender a organização da sociedade pela esfera ‘sociocultural;

já a ciência natural trata de entidades físicas no tempo e no espaço, partículas, átomos e

moléculas, sistemas vivos em vários níveis, conforme o caso”. Na teoria dos sistemas o

homem é considerado parte de um sistema que podemos chamar de “biossocial”, o

biológico é todo universo de relações e de interação com o natural, já o social é

resultante simbólico da relação humana com o natural. Essa perspectiva é perceptível na

(24)

justificativa da sociedade em explicar as desordens dos sistemas e a falta de compreensão da organização dos subsistemas reduz a capacidade de análise e explicação das desordens provocadas da natureza, o que é justificada pelo simbolismo.

Segundo Capra (1996, pg. 36) a TGS pode ser resumida em pontos chave: “O primeiro critério, e o mais geral, é a mudança das partes para o todo; o segundo é sua capacidade de deslocar a própria atenção de um lado para o outro entre níveis sistêmicos”. Essa organização segundo Capra resulta na consolidação do pensamento sistêmico de Bertalanffy, as “partes” fragmentadas é o foco da visão reducionista, já a concepção de “todo” engloba um entendimento de fluxos contínuos de interação, o que elimina a ideia de objeto, passando a ser considerado o todo como relações sistêmicas.

Dessa forma as relações sistêmicas presente na natureza são processuais, sedimentada em equilíbrio e desequilíbrio. Para Capra, não existe outra possibilidade no pensamento sistêmico até hoje conhecido que permita outras analogias, pois, os sistemas de limitam a receber e liberar energia. Entende-se que o equilíbrio responda pela estabilidade do sistema, e o desequilíbrio é resultante da soma da entrada de energia e a incapacidade de o sistema absorver todo o impacto.

No universo das ciências sociais compreender a natureza humana requer acentuar importantes concepções que Capra (2006, p. 291) institui que “os seres humanos são dotados de dimensões físicas e psicológicas, mas também de manifestações sociais e culturais”. Nesse contexto a sociedade humana em seu universo é responsável por uma auto-organização de valores simbólicos que justificam o caos das relações sociais coletivas, pela não compreensão da interação com o ambiente natural.

De acordo com Silva:

A mudança de foco possibilitou uma melhor compreensão dos processos de interrelações e interdependências dos fenômenos responsáveis pela organização dos sistemas presentes no planeta. As causas e as consequências dos processos, verificadas nos sistemas socioculturais, político econômicos e naturais, passaram a ser melhor compreendidos. O mundo passou a ser percebido na forma de uma rede de interconexões e não mais por meio de sistemas isolados (SILVA, 2006, p. 45).

Nesse contexto as dinâmicas estabelecidas na sociedade atual que Capra (2006,

p. 292) aponta como “fruto da interação de dois mundos interno e externo, dos

indivíduos e das sociedades, da natureza e da cultura” tornam-se objetos de

questionamentos e busca por respostas que consigam explicar como um todo complexo

pode estar anexado a fatores da simbiose da natureza como o advento da evolução das

(25)

sociedades humanas. Nessa concepção a ciência clássica cartesiana fragmenta-se, pois não dá conta de explicar as dinâmicas estabelecidas, e o holismo passa a difundir-se em diversas disciplinas, tanto aquelas que estão relacionadas ao universo físico, biológico e as sociais.

A teoria dos sistemas destaca-se como uma forma de pensamento cientifico, que permite o pesquisador observar seu objeto de estudo por diferentes perspectivas. Porém, ela não possui um padrão metodológico de análise dos processes que substituía os mais diversos campos da ciência, portanto cabe propriamente a geografia desenvolver mecanismos, dispositivos que resultem na elaboração de uma metodologia que consiga atender as demandas dentro da escala de análise geográfica (VALE, 2012).

Devido a concepção no final do século XX e início do século XXI, muitos trabalhos se utilizam do pensamento sistêmico para elucidar uma base teórica consistente e uma metodologia que visa ser interdisciplinar com capacidade de propor análises nunca antes realizadas.

Desse modo Andreozzi destaca que:

A Teoria Geral dos Sistemas se propõe a ser aplicável por todos os ramos da ciência. Uma das suas maiores qualidades reside no fato de poder congregar em um mesmo estudo informações provenientes de várias áreas do conhecimento, por exemplo, informações vindas da meteorologia, da economia e da agronomia em um estudo sobre produtividade agrícola. O trato destas informações de fontes diversas fez com que se elaborassem linguagens representativas que pudessem ser compreendidas e compartilhadas pelas várias especialidades envolvidas (ANDREOZZI, 2005, p. 21).

A possibilidade de unir diversas informações de áreas diferentes do

conhecimento é o grande diferencial da concepção sistêmica, mas isso só é possível se

houver uma organização dos dados e ordem na composição das informações. Para tal,

Andreozzi (2005, p. 23) salienta que “a elaboração de diagramas gráficos para a

representação sistêmica representa um primeiro passo para o uso da análise de sistemas

como um instrumento altamente aplicável às várias disciplinas científicas”. Essa

concepção está presente como pressuposto teórico que antecede o conceito de

geossistema, uma unidade de análise de paisagem em geografia física que

conceitualmente vem se destacando no âmbito das ciências aplicadas por autores

subsequentes.

(26)

No âmbito das possibilidades que a TGS, proporcionou ao conhecimento cientifico, destaca-se o reconhecimento que os sistemas são abertos ou fechados, capazes de absorver as entropias nele depositadas. Porém, essa linha de raciocínio permite observar que os sistemas são alimentados por energia, responsáveis pela sua própria regulação e que o excedente forma o ambiente de desequilíbrio. Pensando dessa maneira, podemos destacar que quando Bertalanffy faz suas analogias, ele converge para um reconhecimento da racionalidade humana, em que o homem tem a noção de parâmetros ambientais estáveis, porém se julga superior a esse sistema o que o deixa vulnerável.

A TGS destaca-se como um pressuposto teórico fundamental para o saber ambiental. Nela é perceptível a mudança de paradigma adotada por diversos campos da ciência, trouxe a clareza da organização sistemática do planeta Terra, e a forma em que o homem ocupa os espaços nele. Considera como o grande desafio da sociedade acompanhar o seu próprio desenvolvimento, ou seja, o saber ambiental precisa ser coerente aos sinais de desiquilíbrio provocados pelos sistemas produtivos.

Leff (2011) destaca que:

As distintas percepções da problemática ambiental – as causas da crise de recursos, as desigualdades do desenvolvimento econômico, a distribuição social dos custos ecológicos, a nova racionalidade produtiva fundada no potencial ambiental de cada nação, região, território, população, comunidade – geram demandas diferenciadas de conhecimentos teóricos e práticos (LEFF, 2011, pg. 317).

O que o autor propõe está relacionado aos enfoques utilizados para cada escala de análise da problemática ambiental, a unidade adotada em diferentes escalas permite ações que satisfaçam os interesses e demandas preexistentes. Podemos considerar que quanto menor a escala de análise das relações sociais com os sistemas ambientais, maior é a entrada de energia no sistema, é essa a unidade de análise que está no topo, a que carece de maior intervenção para mitigar os impactos.

A concepção sistêmica no âmbito das ciências sociais permite estudar qualquer estudar diversos sistemas, possui um enfoque metodológico com uma visão dialética que permite compreender qualquer objeto como um sistema regulado por diversas categorias (RODRIGUEZ, 2010).

E necessário sublinhar que a visão sistêmica sustenta a construção teórico

metodológica para compreender o objeto de análise. Como foi colocado neste capitulo o

pensamento sistêmico nos permite observar o objeto de pesquisa com um enfoque que

(27)

relaciona os fluxos de matéria e energia do geossistema, porém, contribui para entender outros fluxos, como o ambiente reage a sucessivas mudanças antrópicas nas formas de uso das terras.

O geossistema em seu potencial ambiental mesmo em equilíbrio, é um sistema complexo de interação continua entre seus componentes. As inserções antropo- ambientais são responsáveis por determinar os níveis de resiliência em que esse sistema suporta tamanha intervenção o que pode resultar em impacto ambiental.

Com relação aos autores citados, ambos deixam claro a importância da dialética entre os diversos campos da ciência para a concepção metodológica que seja capaz de compreender os impactos ambientais revelados na área de estudo. Para isso o presente trabalho propõe-se a um analise integrada de elementos naturais e antrópicos do geossistema.

1.2 ESCALA DE ANÁLISE GEOGRÁFICA

Sotchava (1962) e Bertrand (1972), apresentam suas concepções em um ensaio geográfico na busca de estabelecer um padrão ou modelo geossistêmico aplicável em todos os ambientes terrestre, porém a escala dessas análises conforme Sotchava e Bertrand salientam, é o grande desafio para estabelecer um geossistema global.

Fundamentando-se desse pensamento Christofoletti (1999) e Monteiro (2001), propõem novas abordagens que neste trabalho são determinantes.

Certamente o conceito de geossistema pode ser considerado uma construção por diversos autores que divergem uma das outras em torno de seus objetos específicos de estudo. A geografia das paisagens é o pressuposto para o surgimento do conceito de geossitema, que no ponto de vista hierárquico serve para determinar subconjuntos a serem analisados em um determinado espaço. Nesse espaço Bertrand (1972, p.141) considera a paisagem como o “resultado da combinação dinâmica, portanto instável, de elementos físicos, biológicos e antrópicos que, reagindo dialeticamente uns sobre os outros, fazem da paisagem um conjunto único e indissociável, em perpetua evolução”.

Por outro lado, a corrente de Sotchava, atesta que:

Embora os geossistemas sejam fenômenos naturais, todos os fatores

econômicos e sociais, influenciando sua estrutura e peculiaridades

espaciais, são tomados em consideração durante seu estudo e suas

descrições verbais ou matemáticas. Modelos e gráficos de

geossistemas refletem parâmetros econômicos e sociais influenciando

as mais importantes conexões dentro de um geossistema, sobretudo no

(28)

que se refere às paisagens grandemente modificadas pelo homem (SOTCHAVA, 1977, p.6-7).

No Brasil, os estudos de análise de paisagem em Geografia Física surgem a partir da década de 1970. Os pioneiros, Carlos Augusto de Figueiredo Monteiro e Antônio Christofoletti, ambos referenciados pela escola francesa e russa convergem em disseminar o conceito de geossistema; primeiramente Christofoletti (1999), destaca a importância dos modelos de análise que contribuem para a sistematização e hierarquia dos elementos que compõe uma dada unidade de paisagem.

Sobre o “conceito” de geossistema, Christofoletti (1999), propõe uma articulação para resolver o problema da escala dos ambientes de estudo. Para o autor os termos “ambiente e ambiental” vêm sendo utilizado de forma generalizada, fato que dificulta a concepção de um modelo eficaz para estudos que envolvem sistemas complexos de pequena e grande escala. Dessa forma o autor sistematiza os conceitos propondo como base de estudos o “sistema ambiental” que forma a ideia de que:

Os sistemas ambientais representam entidades organizadas na superfície terrestre, de modo que a espacialidade se torna uma das suas características inerentes. A organização desses sistemas vincula- se com a estruturação e funcionamento de (e entre) seus elementos, assim como resulta da dinâmica evolutiva. Em virtude da variedade de elementos componentes e dos fluxos de interação, constituem exemplos de sistemas complexos espaciais (CHRISTOFOLETTI, 1999, p. 35).

Na análise de Christofoletti (1999) o geossistema regula-se a partir da interação com outro sistema, o sistema socioeconômico. A intensidade de ação antrópica na natureza tem como resultante os problemas ambientais que afetam diretamente a sociedade, como por exemplo, os eventos climáticos extremos, a degradação e a perda de fertilidade do solo e a poluição de ambientes aquáticos (rios e mananciais), além de problemas que afetam a vida nos sistemas ambientais em áreas urbanizadas.

A rigor, devido à complexidade do sistema ambiental físico o autor forma a ideia de um modelo que contemple as mais diversas escalas de análise. As organizações espaciais associadas aos sistemas ambientais físicos, destacando-se o sistema ambiental físico, respondem pelo sistema socioeconômico, isso devido ao seu potencial ecológico.

A clareza do modelo elaborado por Christofoletti demonstra quais perspectiva de

análise devemos atentar-se no estudo. Devemos considerar o sistema socioeconômico

como o espaço da interação antrópica com o sistema ambiental físico; a medida em que

(29)

ampliam as formas de inserção desse sistema no espaço geográfico, as paisagens mais vulneráveis aos primeiros impactos antroposociais respondem dando sinais de desordem no sistema.

A interação no geossistema podem responder pelo grau de auto-regulação, o tempo e origem, e a natureza da atividade humana implica diretamente nas mudanças das paisagens, produzindo espaços degradados e muitas das vezes tornam-se irreversíveis a recuperação.

A utilização do termo paisagem por Bertrand é substituída pelo modelo que ele prefere chamar de “esboço teórico” (figura 1) que resulta no conceito de geossistema.

Para esse estudo foi definida a tipologia de modelo de Bertrand (1972), que versa por três categorias: um potencial ecológico, a exploração biológica e a ação antrópica. O primeiro destaca-se o clima, os cursos fluviais e os condicionantes do relevo; o segundo a exploração biológica responde pelos elementos da vegetação nativa, solo e fauna; já o terceiro é a exploração antrópica que permite elencar diversos elementos que são os componentes intimamente ligados a cada lugar.

Figura 1 - Esboço de uma definição teórica de geossistema.

Fonte: Bertrand (1972). Desenho: Peixoto (2016).

Para Bertrand (1972) “o geossistema está em estado de clímax quando há um

equilíbrio entre o potencial ecológico e a exploração biológica”. Dessa forma o

equilíbrio depende da relação espaço-tempo entre os componentes, porém o geossistema

sofre interferência da ação antrópica o que dificulta o geossistema assimilar novos

padrões de equilíbrio. Nas dinâmicas espaciais a ação antrópica tem maior capacidade

(30)

de alterar determinado espaço, o que difere do tempo de recuperação e equilíbrio do geossistema.

O esboço teórico e metodológico referente a escala de análise geossistêmica de Bertrand (1972) é coerente com o estudo realizado em Ivinhema. Nessa perspectiva “o geossistema situa-se entre a 4° e 5° grandeza têmporo-espacial, definida como por alguns quilômetros quadrados”. É resultado da combinação de fatores geomorfológicos, declividade e dinâmica das vertentes, combinados com o clima regional, solos e hidrografia (BERTRAND, 1972. p. 146-147). A unidade taxonômica de analise deste estudo que é de grande escala, o que aproxima o sistema ambiental físico do socioeconomico.

Para isso, a caracterização da área da pesquisa, sua condição socioeconômica é

fundamental para subsidiar as análises propostas neste trabalho. A investigação

socioeconômica é um parâmetro essencial para articular as cartas temáticas de uso e

ocupação das terras. Compreender o cenário atual, o quadro de fragilidade ambiental se

dá apenas se for compreendido como o território é utilizado e sob que forma ocorre a

relação homem-natureza, como será verificado no capítulo seguinte.

(31)

CAPÍTULO 2

CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA DA PESQUISA

(32)

2.1 CARACTERIZAÇÃO SOCIOECONÔMICA

O município de Ivinhema possui uma área territorial de 2.052,168 km², com uma estimativa de densidade demográfica de 11,41 hab./km² (IBGE, 2014). Tem sua emancipação nos meados da década de 1950, pois se consolidou dentro de um processo de colonização privado, na qual a empresa (SOMECO/SA – Sociedade e Melhoramentos e Colonização Agropastoril Ivinhema Ltda.) fundada pelo senhor Reynaldo Massi. O objetivo central da SOMECO/SA, foi de implantar um projeto de colonização com duas frentes; sendo a primeira a implantação de um projeto urbano que contemplasse uma população de cerca de sessenta mil habitantes localizada no altiplano entre o Córrego Azul e Córrego Ponta Porã. Frente a esse primeiro objetivo se consolidou o segundo, a criação de glebas na área rural, cuja função estaria em abastecer a cidade com produtos agrícolas (SOMECO,1984).

As primeiras glebas foram loteamentos adquiridos com cerca de 2,5 hectares, e tinham como compradores pessoas interessadas em implantar a agricultura familiar de subsistência, na qual o excedente tem como destino abastecer o mercado na área urbana.

No decorrer do tempo, novos loteamentos surgiram e mudaram também o perfil dos compradores que necessitavam de uma área maior para o desenvolvimento da sua atividade agrícola ou pecuária.

O município apresenta uma população superior na área rural até o início da década de 1990 (tabela 1), com números expressivos de densidade demográfica. No ano de 2000 é possível notar uma redução de cerca de 1/3 da população total, a área urbana se manteve com um saldo positivo, enquanto o êxodo rural foi de quase 2/3 do que existia no censo anterior.

Tabela 1- Estimativa populacional do município de Ivinhema (MS).

Anos População/ total Urbana (%) Rural (%)

1980 23.605 9.522 40 14.083 60

1991 32.426 14.993 46 17.433 54

2000 21.643 15.088 70 6.555 30

2010 22.341 17.274 77 5.067 23

Fonte: Censo demográfico – IBGE (2014).

Elaboração e organização: Peixoto (2016).

(33)

No ano de 2010, o censo apresenta valores positivos, cerca de (77%) da população residia na área urbana, e (23%) na área rural. O que permite concluir que houve um significativo recuo da população rural nas últimas décadas, o modelo de colonização implantado no município prosperou até a da década de 1990, já a partir do ano 2000 o êxodo rural pode ser notado com bastante clareza, e não coincide com a migração apenas do campo para a cidade, mas sim do campo para outros municípios. A dinâmica na área rural do município é resultado da mudança econômica, a lavoura temporária de cana-de-açúcar, soja e milho ganham destaque na economia local e regional, impulsionado o arrendamento das terras para esse tipo de atividade (IBGE, 2010).

A dinâmica econômica estabelecida é o ponto fundamental para consolidar o uso e a ocupação das terras em Ivinhema. Tal dinâmica foi capaz de desenvolver um sistema que se fundamenta na apropriação dos recursos naturais, visando embelecer um ciclo de desenvolvimento que garantiria por décadas a devastação da vegetação nativa e a degradação dos solos e recursos hídricos.

A longo prazo a atual dinâmica econômica e social, e a maneira em que o homem se apropria dos recursos naturais, colocam em risco os recursos hídricos, a vegetação, a fauna, e o solo provocando desequilíbrio ambiental, e gerando danos ambientais de diversas magnitudes.

É importante destacar que as transformações ocorridas no processo de ocupação das terras ao longo de décadas, sobre influência de técnicas de produção que linearmente avançaram, tem como contraditório a grande degradação da paisagem provocando a erosão e o assoreamento dos rios. Não obstante, o município de Ivinhema se insere como um dos mais importantes da UPG-Ivinhema e nas últimas duas décadas, passou por modificações socioeconômicas que alteraram sua paisagem, principalmente com a ampliação da área destinada ao plantio de cana-de-açúcar (PINTO JUNIOR, SILVA E BEREZUK, 2014).

A área plantada de cana-de-açúcar no município de Ivinhema nas últimas

décadas aumentou significativamente (tabela 2). No ano 2000, a área não passava de

(6.125 hectares), com destaque da cultura de mandioca com cerca de (5.000 hectares)

seguida de soja e milho. A cana-de-açúcar ainda não existia dados contabilizados o que

demonstra que sua inserção naquele município ocorrera após esse período. Até então,

consolida um território produção agrícola diversificada.

(34)

Tabela 2- Produção agrícola no município de Ivinhema (MS).

Ano 2000 2010 2014

Área total plantada em (Hectares)

6125 20807 40515

Cana-de-açúcar - 13939 30290

Mandioca 5000 4200 4000

Milho (em grão) 400 850 2500

Soja (em grão) 530 1308 3500

Fonte: Produção agrícola – IBGE.

Elaboração e Organização: Peixoto (2016).

Em 2014, a amostragem realizada pelo (IBGE) demonstra uma mudança fundamental no uso das terras (figura 2). A área plantada em hectares é de (40.515 hectares) o que corresponde a um aumento de 661% quando comparado ao ano de 2000, a cana-de-açúcar aparece no cenário atual com 75% dessas áreas plantadas, seguida pela mandioca 10%, soja 9% e o milho 6%.

Figura 2 - Produção Agrícola no município de Ivinhema em 2014.

Fonte: IBGE, 2015.

Elaboração e Organização: Peixoto (2016).

A cana-de-açúcar representa a mudança na dinâmica territorial, cujo a expansão de áreas plantadas visa atender a produção industrial nas usinas sucroenergética da região. A atividade canavieira necessita de grandes áreas para produzir, devido a essa característica, sítios, fazendas são arrendadas para o plantio da cultura (figura 3), transformando a paisagem da área rural.

75%

10%

6%

9%

Cana-de-açucar

Mandioca

Milho

Soja

(35)

Figura 3 - A expansão da cana-de-açucar no municipio de Ivinhema. Elaboração e Organização: Peixoto (2016)

O cenário representado demonstra o potencial dessa atividade econômica e sua representação no município. Inicialmente neste capítulo apresentamos os dados demográficos que confirmam o êxodo rural em ascensão nas últimas décadas, no qual pode ser entendido a partir das paisagens formadas: fazendas, chácaras e sítios abandonados são resultados do novo padrão de inserção social no campo. As máquinas e implementos agrícolas sofisticados realizam boa parte do serviço, necessitam de mão- de obra especializada e cada vez mais a tecnificação do campo substitui a força de trabalho em boa parte do processo.

2.2 INTERPRETAÇÃO DE IMAGENS E ELABORAÇÃO DAS CARTAS DE USO

DAS TERRAS

(36)

Para a elaboração das cartas de uso das terras foram utilizadas imagens Landsat disponíveis no United States Geological Survey (USGS). As imagens (tabela 3) em estágio bruto apresentam-se distorcidas, o que requer a correção geométrica. As imagens do sensor TM/Landsat 5, foram corrigidas de modo manual utilizando o software Arqgis, onde determinado ponto de coordenadas extraído da ferramenta Google Earth é inserido como novo valor de coordenadas UTM para a imagem.

A imagem do sensor OLI/Landsat 8 já se encontram ortorretificadas, o que significa que não necessita realizar a correção geométrica, ou processo de georreferenciamento. Porém, essas imagens do sensor são concedidas na Projeção UTM Datum WGS 84 orientadas para o Hemisfério Norte e necessita reprojetar para o Hemisfério Sul. A imagem foi reprojetada utilizando a ferramenta do ArcTollBox/Data Management Tolls/Projections And Transformations/Raster/Project em ambiente do ArcGis 10.2.2.

Tabela 3 - Dados das imagens Landsat utilizadas no trabalho.

Elaboração e Organização: Peixoto (2016).

A interpretação das imagens por meio do Sensoriamento Remoto representa a forma de identificar a organização do espaço através dos mosaicos formados a partir da união dos pixels (figura 4), que nas imagens são de (30 metros).

Ano Sensor Data Órbita/Bandas

2000 TM/Landsat – 5 25/04/2000 224-075/076

2015 OLI/Landsat – 8 22/01/2015 224-075

(37)

Figura 4 - Chave de interpretação das imagens OLI/Landsat 5 e 8.

Elaboração e organização: Peixoto (2016).

Segundo Moraes (2002, pg. 7) “o Sensoriamento Remoto pode ser entendido como um conjunto de atividades que permite a obtenção de informações dos objetos que compõem a superfície terrestre sem a necessidade de contato direto com os mesmos”.

Por isso o processo de chaveamento é fundamental para identificação das diversas

formas de uso sucessivo das terras.

(38)

A classificação de imagens no Sensoriamento Remoto, significa associar pontos de uma determinada imagem formando grupo de classes de uso, que nesse estudo foram identificadas e classificadas em: vegetação nativa, silvicultura, pastagens, lavoura temporária e solo exposto (FIGUEIREDO, 2005).

As classificações de imagens podem ser divididas em supervisionadas e não supervisionadas. A supervisionada necessita de algum conhecimento prévio do comportamento espectral dos alvos (assinatura espectral), para que possa treinar o programa a reconhecer cada classe de uso. Já a classificação não supervisionada é útil quando não se tem o reconhecimento da área, as classes são geradas automaticamente pelo programa (FIGUEIREDO, 2005).

Para a classificação do uso das terras da área de estudo, foram testadas ambas as técnicas, sendo considerada mais eficiente o método supervisionado, pois possibilitou classificar a imagem de acordo com as classes pré-identificadas em campo. A atividade específica de campo (figura 5) para com esse objetivo consistiu em identificar as formas de uso em pontos estratégicos.

Figura 5 - Paisagens utilizadas para a classificação supervisionada.

(39)

Elaboração e organização: Peixoto (2016).

2.3 O USO DAS TERRAS NO MUNICÍPIO DE IVINHEMA

O reconhecimento e mapeamento dos usos e cobertura das terras é fundamental para o planejamento ambiental. Com esse método é possível verificar áreas que requerem maior atenção devido à expansão de atividades que implicam diretamente no equilíbrio de um ambiente.

Entende-se por levantamento de Uso das Terras, o conjunto de operações necessárias à elaboração de uma pesquisa temática que pode ser sintetizada por meio de mapas. O levantamento da Cobertura e do Uso da Terra indica a distribuição geográfica da tipologia de uso, identificada por meio de padrões homogêneos da cobertura terrestre.

Envolve pesquisas de escritório e de campo, voltadas para a interpretação, análise e registro de observações da paisagem, concernentes aos tipos de uso e cobertura da terra, visando sua classificação e espacialização por meio de cartas (IBGE, 2013. pág.

36).

Uso e Ocupação das Terras é um termo recente inserida nos estudos geográficos, descende do conceito de território, lugar, mas que representa na atualidade uma ligação direta com o conceito de paisagem. O mapeamento sistemático de classificação de uso supervisionada de uso das terras consiste na identificação da homogeneidade de determinados objetos que cobrem a superfície terrestre (IBGE, 2013).

A evolução do mapeamento do uso das terras trouxe contribuições significativas para a pesquisa em Geografia. As sucessivas intervenções humanas associadas ao desenvolvimento tecnológico provocam mudanças principalmente no espaço agrícola e merecem serem atualizadas constantemente (BORGES, et al, 1993).

As mudanças provocadas pela mecanização do campo, o cultivo de culturas pouco ainda estudadas em determinados tipos de solos e sob condições climáticas adversas, merecem ser monitoradas constantemente. Embora o mapeamento por meio de imagens de satélite permite identificar as formas de uso, o trabalho de campo é primordial e indispensável e pode revelar os impactos ambientais como erosão, assoreamento dos rios resultantes do mal-uso agrícola.

A metodologia para identificar as formas de uso e ocupação, consistiu em

atividades de campo sistemáticas, foram fotografadas diversas áreas e que serviram para

(40)

identificar a partir das imagens TM/Landsat, e assim realizar a classificação supervisionada utilizando o software Arqgis 10.2.2.

Após a classificação supervisionada o arquivo Raster foi transformado e polígono, o que permitiu calcular a área em hectares de cada tipo de uso. Desses quando comparados podemos notar (tabela 4) que houve uma redução significativa de cerca de 2655 hectares de vegetação nativa, que corresponde ao desmatamento. O solo exposto que representa pastagens degradas reduziu significativamente nas últimas décadas, isso devido a mudança no sistema produtivo do município, essas áreas degradadas deram lugar a lavouras de cana-de-açúcar o que representa a dinâmica de maior impacto.

Tabela 4 – Área de uso das terras no município de Ivinhema – MS.

Tipo de uso Área (ha)

Ano 2000

Área (ha) Ano 2015

Vegetação nativa 14.380 16.122

Solo exposto 28.652 10.583

Pastagem 129.230 97.168

Lavoura temporária 24.148 64.264

Vegetação secundária 1.733 9.494

Massa d’ água 2.198 2.719

Elaboração e Organização: Peixoto (2016)

É possível notar algumas mudanças nos padrões de uso quando comparado os dois cenários – 2000 e 2015 – a vegetação nativa representa um aumento no espaço temporal dos respectivos anos, devido a resposta espectral das imagens de satélites. A imagem de 2000, foi tirada no mês de julho que coincide com o período de estiagem na região, e a de 2015, no mês de janeiro associado o que na região representa um alto índice de precipitação. Essa condição de fotointerpretação implicou no aumento da massa d’ água de um cenário para outro.

O solo exposto houve uma redução entre os dois cenários, assim como as áreas

de pastagens. Esse fator pode ser explicado no significativo aumento das áreas de

lavoura, e também a vegetação secundária que são representadas pela forma de campo

sujo e silvicultura.

(41)

Figura 6 - Porcentagem de uso das terras no ano 2000.

Elaboração e Organização: Peixoto (2016)

Convém ressaltar que o uso das terras em 2000, 65% do território é formado por áreas de pastagens (figura 7). A vegetação nativa corresponde a 7% da área, enquanto o solo exposto predomina em 14% e são representados pela área urbana com pouca pavimentação e áreas degradadas de pastagens.

As áreas de lavoura representam 12% do território seguida pelas massas d’ água e vegetação secundária com 1%.

7%

14%

1%

65%

12%

1%

Vegetação nativa Solo exposto Massa d'água Pastagem

Lavoura temporária

Vegetação secundária

(42)

Figura 7 - Uso das Terras em 2000.

(43)

Em 2015, o uso das terras apresenta diferentes resultados, primeiro por ter dados referentes ao ano 2000 para compará-los, e consequentemente estar representado pelo cenário mais próximo e que permite compreender melhor o uso e ocupação das terras.

A vegetação nativa no cenário atual representa 8% do território, e o aumento representa a melhor resposta espectral da imagem de 2015 quando comparado ao anterior. As áreas de pastagem reduziram para 49% do território. Assim como o solo exposto com 5% que deram lugar a lavoura que aumento para 32%, um aumento de 20% quando comparado ao cenário de 2000. Nesse período a silvicultura correspondendo a 5% da área.

Figura 8 - Porcentagem de uso das terras no ano 2015.

Elaboração e Organização: Peixoto (2016).

Na composição das cartas cenários de 2000 e 2015, foi utilizado a intepretação de imagens por meio de sensoriamento remoto para cada tipo de uso e ocupação de acordo com o IBGE (2013).

As áreas no cenário anterior (2000) que apresentavam degradadas (solo exposto) em 2015, revelam a expansão da cana-de-açúcar (figura 9). Na medida em que novas culturas agrícolas são inseridas na dinâmica territorial é possível notar que os mosaicos tendem ser mais técnicos, ou seja, formam conjuntos homogêneos em relevo plano o que mais favorece o plantio e a colheita.

8%

5% 1%

49%

32%

5%

Vegetação nativa Solo exposto Massa d'água Pastagem

Lavoura temporária

Vegetação secundária

(44)

Figura 9 - Uso das Terras em 2015

Referências

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