A metodologia utilizada para identificar os processos erosivos consistiu em duas
etapas: inicialmente por meio de atividade de campo, nas principais erosões onde foram
coletados pontos no GPS. No segundo momento a partir desses pontos foram criados
chave de identificação para as erosões, o que permitiu o mapeamento sistemático
utilizando uma imagem OLI/Landsat 8.
O município de Ivinhema é observado intensa atividade erosiva nas formas:
laminar, em sulcos, ravinas e voçorocas. Durante a pesquisa foi desenvolvido um
mapeamento sistemático dos pontos significantes de erosão, nos quais foram
identificadas dezenas de processos erosivos (tabela 5), principalmente na zona rural.
Tabela 5- Tipos de erosões identificadas no município de Ivinhema (MS)
Tipo de erosão Área rural Área urbana Total
Laminar 27 - 27
Sulcos 21 - 21
Ravinas 30 01 31
Voçorocas 58 02 60
Elaboração e Organização: Peixoto (2016).
De acordo com os dados levantados em campo, concentra-se a maior quantidade
de processos erosivos na área rural do município (figura 32), cerca de 98%, porém, a
ocorrência de apenas 2% na área urbana apresenta grande relevância, pois é neste local
que estão em atividade as duas maiores voçorocas do município, as que possuem
atividade mais intensa de processo erosivo. Recebem influência das águas pluviais
urbanas, o que dificulta o controle da erosão.
Figura 32 - Localização das erosões
Elaboração e Organização: Peixoto (2016).
As voçorocas na área urbana do município revelam a problemática ambiental, as
águas pluviais mal drenadas e influenciadas pela declividade do terreno. Para Lepsch
(2010, pg.195), “inclinação do terreno influência na concentração e dispersão e
velocidade de enxurrada” acelerando o processo de erosão. A voçoroca “Buracão I”
(figura 33) como consequência das águas pluviais mal drenadas representa as tentativas
de obliterações sem sucesso, nas margens da voçoroca as cercas que dividem os sítios já
foram mudadas de lugar várias vezes, o que demonstra o quanto de solo já foi erodido
engolindo as pastagens das chácaras próximas a voçoroca.
2%
98%
Figura 33 - "Buracão I", voçoroca na área urbana do município de Ivinhema - MS.
Elaboração e Organização: Peixoto (2016).
O “Buracão II”, a segunda voçoroca (figura 34) a oeste da área urbana,
representa a dinâmica erosiva mais atuante. As ravinas laterais avançam sobre a área
urbana, as tentativas de obliteração demonstram ser insuficientes, a silvicultura presente
na área para conter a erosão revela o quanto a vegetação nativa é fundamental para o
equilíbrio do geossistema. O ravinamento lateral avança sobre o cemitério e também o
bairro Triguenã.
Figura 34 - "Buracão II", voçoroca com ravinas laterais na área urbana de Ivinhema - MS.
Elaboração e Organização: Peixoto (2016).
No município de Ivinhema, cerca de 44% dos processos erosivos estão no
estágio de voçorocas, 22% em processo de ravinamento, 19% erosão laminar e 15% em
sulcos (figura 35). O que demonstra o potencial de degradação do solo associado ao uso
das terras e também a fragilidade dos solos quando expostos a intempéries como chuvas
concentradas em curto período de tempo.
Figura 35 - Percentual por tipo de erosão.
Elaboração e Organização: Peixoto (2016).
Na perspectiva de uso das terras (tabela 6), os pontos de identificação de erosão
apresentam maior índice nas áreas de pastagens, seguidas na ordem decrescente para a
cana-de-açúcar e área urbana. Nas áreas de cultura de cana-de-açúcar nota-se a presença
de práticas conservacionistas de solo, porém não é possível afirmar se as mesmas sejam
responsáveis pelo controle da erosão. Os dados obtidos para a análise servem apenas
para identificar o tipo de erosão e uso das terras, sendo insuficientes para mensurar se
existe a tentativa de obliteração da erosão.
Tabela 6 - Distribuição da erosão conforme tipo e o uso das terras
Tipo de
erosão
Pastagens Cana-de-açúcar Área
urbana
Total
Laminar 24 3 - 26
Sulcos 20 1 - 21
Ravinas 29 2 - 31
Voçorocas 44 14 2 60
Elaboração e Organização: Peixoto (2016).
No gráfico (figura 36) podemos observar a distribuição das erosões de acordo
com o uso das terras. 84% das erosões estão localizadas em áreas de pastagens, 14% em
cana-de-açúcar e apenas 2% na área urbana, geralmente degradadas com relevo de
declive próximas a cursos fluviais em áreas de solos hidromórficos de horizonte raso,
em contato com Latossolos de horizonte profundo.
19%
15%
22%
44%
Figura 36 - Distribuição das erosões de acordo com o uso das terras.
Elaboração e Organização: Peixoto (2016).
As pastagens respondem por grande parte do problema das erosões, é também a
atividade que se destaca a mais tempo no município de Ivinhema, nas últimas décadas a
cana-de-açúcar vem ganhando destaque no cenário de uso das terras, ocupa áreas menos
declivosas principalmente as mais elevadas do município. Já a pecuária destaca-se como
sendo a atividade que ocupa áreas de maior declividade e próximas aos cursos fluviais
geralmente desprovidos de mata ciliar. O uso racional do solo é considerado
fundamental para diminuir a degradação, Hernani destaca que:
Em agrossistemas onde os atributos dos recursos naturais apresentam
diferentes níveis de limitação ao uso, a gestão não racional do solo, da
água e da biodiversidade pode promover, em poucos anos, degradação
e queda na produtividade agrícola e impactos negativos ambientais
(HERNANI, et al, 2015, pg. 135).
Fica demonstrado na carta de erosão (figura 37) a síntese dos processos erosivos
(laminar, sulcos, ravinas e voçorocas) destacam-se em áreas de declividade acentuada
próximas aos cursos fluviais principalmente em relevo de Colinas Amplas. Essas
erosões iniciam-se em solo hidromórfico e estendem-se para as áreas de Latossolos, o
que segundo Albuquerque et al, (2015) por serem arenosos são mais suscetíveis a
erosão. As fragilidades desses solos representam na área de estudo os processos de
degradação mais intensos, a erosão que resulta no assoreamento dos cursos fluviais.
84%
14% 2%
As erosões identificadas na área de estudo são resultantes da falta de gestão de
uso do solo, principalmente em áreas de práticas agrícolas que rotativas de ciclos curtos
como o milho, soja e cana-de-açúcar ocupam juntas em (2015) cerca de 31% do
território do município. Mesmo com um intervalo maior entre o plantio e a colheita
(cerca de 10 meses) ocupa as maiores proporções de extensão de terras de cultivo da
cana-de-açúcar requer atenção e carece de estudos mais aprofundados sobre sua
capacidade de degradação do solo naquela área.
Mesmo com as mudanças de cenários nos últimos anos no sistema produtivo da
área de estudo, é imaturo afirmar nesse estudo que a cana-de-açúcar ou outra cultura
tenha provocado maior impacto ambiental. Na avaliação do diagnóstico do material
cartográfico e material de campo, parece acertado que a problemática das erosões e
assoreamento nos últimos 30 anos, são decorrentes da retirada da vegetação nativa, a
antropização e o crescimento da área urbana, associado a eventos climáticos como a
precipitação de chuva em determinados períodos do ano como no verão mais intensas.
Os níveis de fragilidade dos solos na área de estudo estão associados as formas
emergentes de antropização. O que demonstra que uma gestão racional do solo,
assinala-se como um potencial de uso agrícola por muito mais tempo, o que
consideramos o ideal e sustentável. Primeiro é necessário se pensar na sustentabilidade
da paisagem local, por meio de uma visão sistêmica referente ao manejo de solos
frágeis, a declividade do relevo, o regime hídrico, e finalmente a escolha de áreas com
melhores condições para o desenvolvimento do sistema produtivo. Essas medidas
tendem a melhorar a conservação do solo principalmente os arenosos considerados mais
frágeis.
CAPÍTULO 5
No documento
FRAGILIDADE AMBIENTAL E USO DAS TERRAS NO MUNICÍPIO DE IVINHEMA-MS
(páginas 83-92)