RESNICK, HALLIDAY, KRANE, FÍSICA, 4.ED., LTC, RIO DE JANEIRO, 1996.
FÍSICA 3
CAPÍTULO 31 – CAPACITORES E DIELÉTRICOS
01. Um eletrômetro é um aparelho usado para medir cargas estáticas. Uma carga desconhecida é colocada nas armaduras de um capacitor e após isto medimos a diferença de potencial entre elas. Qual é a menor carga que pode ser medida por um eletrômetro cuja capacitância vale 50 pF e tem sensibilidade à voltagem de 0,15 V?
(Pág. 92) Solução.
A carga a ser medida pelo eletrômetro é acumulada num capacitor, de capacitância C, do instrumento e deve satisfazer à relação fundamental de capacitância:
50 10 F 0,15 V9 7,5 10 C9
qCV
7,5 pC q
04. Um capacitor de armaduras paralelas é construído com placas circulares de raio 8,22 cm e 1,31 mm de separação entre elas. (a) Calcule a capacitância. (b) Qual a carga que aparecerá nas armaduras, se aplicarmos uma diferença de potencial de 116 V entre elas?
(Pág. 92) Solução.
(a) A capacitância de um capacitor de placas paralelas, não importando a forma geométrica de suas placas, é dada por:
12 2 2
0 0 10
3
8,85 10 F/m 0, 0822 m
1, 4340 10 F 1,31 10 m
A r
C d d
143 pF
C
(b) A carga q vale:
1, 4340 10 10 F 120 V 1, 7208 10 C8
qCV
17, 2 nC q
r
d
q q
da capacitância C com a temperatura T é dada por
1 1
dC dA dx
dT C A dT x dT
,
onde A é a área das armaduras e x, a distância entre elas. (b) Se as armaduras forem de alumínio, qual deve ser o coeficiente de dilatação térmica dos espaçadores para que a capacitância não varie com a temperatura?
(Pág. 92) Solução.
(a) A capacitância de um capacitor de placas paralelas de área A, cuja distância de separação é d, é dada por:
0A C d
(1)
Sendo A e d funções da temperatura, ou seja, A(T) e d(T), podemos derivar C em relação a T:
0 0
0 2
dA dx dA dx
x A x A
A A
dC dT dT dT dT dA x A dx
dT x x xA x dT xA xA dT
Substituindo-se (1) na equação acima, teremos:
1 1
dC dA dx
dT C dT A x dT
(2)
(b) A variação do comprimento (x) dos espaçadores é dada por:
x espx T
onde αesp é o coeficiente de expansão térmica dos espaçadores. Em termos de notação diferencial, teremos:
dxespxdT (3)
De forma similar, a variação da área das placas do capacitor é dada por:
2 Al
dA AdT (4)
Na Eq. (4), o termo 2αAl é o coeficiente de expansão superficial do alumínio das placas (lembre-se que o coeficiente de expansão superficial é aproximadamente duas vezes o coeficiente de expansão linear). O enunciado exige que a capacitância não varie com a temperatura, o que implica em dC/dT
= 0. Logo (veja Eq. 2):
1 1
dA dx
dT A x dT (5)
Substituindo-se (3) e (4) em (5), teremos:
2
1 espxdT AlAdT 1
x dT dT A
6 1
2 2 23 10 C
esp Al
6 1
46 10 C
esp
13. Ache a capacitância equivalente à combinação na Fig. 25. Suponha que C1 = 10,3 F, C2 = 4,80
F e C3 = 3,90 F.
(Pág. 93) Solução.
Em primeiro lugar, vamos resolver a associação em série de C1 e C2, cuja capacitância equivalente chamaremos de C12 e, em seguida, resolveremos a associação em paralelo entre C12 e C3, cuja capacitância equivalente chamaremos de C123.
2 1
12 1 2 1 2
1 1 1 C C
C C C C C
1 2 12
1 2
10,3 F 4,80 F
3, 2741 F 10,3 F 4,80 F
C C C
C C
A capacitância equivalente final vale:
123 12 3 3, 2741 F 3,90 F 7,1741 F
C C C
123 7,17 F
C
17. (a) Três capacitores estão ligados em paralelo. Cada um deles tem armaduras de área A, com espaçamento d entre elas. Qual deve ser a distância entre as armaduras placas de um único capacitor, cada uma com área também igual a A, de modo que a sua capacitância seja igual à da associação em paralelo? (b) Repita o cálculo supondo que a associação seja em série.
(Pág. 93) Solução.
(a) A capacitância da associação em paralelo (Cassoc) é igual à capacitância do capacitor isolado (Cisol).
Logo:
assoc isol
C C
0A C C C
l
3 0A
C l
0 0
3 A A
d l
3 ld
(b) A capacitância da associação em série (Cassoc) é igual à capacitância do capacitor isolado (Cisol).
Logo:
assoc isol
C C
1
1 1 1 0A
C C C l
0
3 A C
l
0 0
1 3
A A
d l
3 l d
20. Imagine que você disponha de vários capacitores de 2,0 F, capazes de suportar, sem ruptura dielétrica, 200 V. Como seria possível combinar esses capacitores, de modo a obter um sistema capaz de resistir à diferença de potencial de 1.000 V e com uma capacitância de (a) 0,40 F e (b) 1,2 F?
(Pág. 93) Solução.
(a) É possível satisfazer a condição do enunciado por meio de uma associação em série de cinco capacitores de C1 = 2,0 F.
C A, d
C A, C A,
C A, l
C A, d
C A, d
C A, d
C A, l
C1/5 5V
= C1
V V
V V
V
C1 C1 C1 C1
1 1 1 1 1 1
1 1 1 1 1 1 5
Ceq C C C C C C
1 2, 0 F
5 5
eq
C C
0, 40 F Ceq
Associando-se em série cinco capacitores que suportam individualmente uma tensão de 200 V, a tensão total que a associação poderá suportar é:
5 5 200 V
Veq V V V V V V 1.000 V
Veq
(b) No item anterior, a associação em série de cinco capacitores de 2,0 F produziu uma
capacitância equivalente de 0,40 F. Para produzir uma capacitância equivalente de 1,2 F seria necessário associar em série cinco capacitores de:
2
1 5
Ceq C
2 5 eq 5 1, 2 F 6, 0 F
C C
É possível construir um capacitor equivalente a 6,0 F associando-se três capacitores de 2,0 F em paralelo.
1 1 1 3 1 3 2, 0 F 6, 0 F Ceq C C C C
É preciso lembrar que todos os capacitores que participam de uma associação em paralelo estão sujeitos à mesma diferença de potencial do capacitor equivalente. Isto faz com que a limitação da voltagem total também seja satisfeita. A associação total é representada no esquema abaixo, onde todos os quinze capacitores têm capacitância C1 = 2,0 F:
21. A Fig. 28 mostra dois capacitores em série, com uma seção central rígida, de comprimento b, que pode se mover verticalmente. Mostre que a capacitância equivalente a esta associação independe da posição da seção central, sendo dada por
0A C a b
,
C2 = 3C1
= C1
C1 C1 V
V
(Pág. 93) Solução.
A capacitância equivalente (Ceq) de uma associação em série de dois capacitores (C1 e C2, onde C1 é o capacitor superior da Fig. 28 e C2 é o inferior) é dada por:
1 2
1 1 1
Ceq C C (1)
Se chamarmos de x a distância de separação de C1, a separação de C2 será a – b – x. Logo, teremos:
0 0 0 0 0
1 1 1
eq
x a b x a b
A A
C A A A
x a b x
Portanto:
0 eq
C A
a b
24. Quando giramos a chave S da Fig. 30 para a esquerda, as armaduras do capacitor de capacitância C1 adquirem uma diferença de potencial V0. Inicialmente, C2 e C3 estão
descarregados. A chave S é agora girada para a direita. Quais os valores das cargas finais q1, q2, e q3 sobre os capacitores correspondentes?
(Pág. 94) Solução.
Considere a seqüência de operações no circuito mostradas no esquema abaixo:
No circuito B, a chave S é girada para a esquerda. O capacitor C1 adquire diferençca de potencial igual à da bateria (V0) e carga q0 igual a:
0 1 0
q C V (1)
No circuito D, a chave S é girada para a direita. A carga q0 é distribuída entre os três capacitores. A diferença de potencial de C1 ,V1, diminui enquanto que a de C23 (capacitor equivalente a C2 e C3), ,V23, aumenta até ficarem iguais. Podemos desenvolver o seguinte cálculo:
1 23
V V
23 1
1 23
q q
C C (2)
Como C23 é uma associação em série de capacitores, teremos:
2 3 23
2 3
C C C
C C
(3)
e
23 2 3
q q q (4)
Portanto, a distribuição de carga entre os capacitores fica da seguinte forma:
0 1 2 1 3
q q q q q
2 0 1
q q q (5)
Substituindo-se (4) em (2):
1 2 1
23
q C q
C (6)
Substituindo-se (5) em (6):
1 0 1 1 0 1 1
1
23 23 23
C q q C q C q
q C C C
1 0 1
1
23 23
1 C C q
q C C
1 0 23
1 1 0
23 1 23 1 23
1 C q C
q C q
C C C C C
(7)
Substituindo-se (3) em (7):
C1
C2
C3
V0
+ + +
C1
C2
C3 V0
q V2, 2
q V3, 3
q V1, 1
C1
C2
C3
V0
q V0, 0
+ + +
C1
C2
C3
V0
q V0, 0
+ + +
+ + +
+ + +
A B C D
2 3
1 1 0 1 0
2 3 1 2 1 3 2 3
1
2 3
1 C C
q C q C q
C C C C C C C C
C C C
(8)
Substituindo-se (1) em (8):
1 2 1 3
1 1 0
1 2 1 3 2 3
C C C C q C V
C C C C C C
Da Eq. (5), temos:
1 2 1 3 1 2 1 3
2 1 0 1 0 1 0
1 2 1 3 2 3 1 2 1 3 2 3
C C C C 1 C C C C
q C V C V C V
C C C C C C C C C C C C
1 2 1 3 2 3 1 2 1 3
2 1 0
1 2 1 3 2 3
C C C C C C C C C C q C V
C C C C C C
2 3
2 1 0
1 2 1 3 2 3
q C V C C
C C C C C C
Como q2 = q3:
2 3
3 1 0
1 2 1 3 2 3
q C V C C
C C C C C C
26. Um capacitor de armaduras planas, mas não paralelas, é constituído por duas placas quadradas que formam entre si um ângulo , conforme na Fig. 32. O lado do quadrado é igual a a. Mostre que a capacitância deste capacitor, para valores de muito pequenos, é
2
0 1
2
a a
C d d
(Sugestão: O capacitor pode ser dividido em faixas infinitesimais que estejam efetivamente em paralelo.)
(Pág. 94) Solução.
Considere o esquema abaixo:
dx a
d
y
x
Tomando-se dois elementos de placas de comprimento dx e largura a, o conjunto representa um capacitor de placas paralelas de capacitância dC que possui área dA e distância de separação entre as placas l. Capacitância dC:
0 0 0
tan dA adx adx dC l d y d x
O capacitor da figura pode ser considerado como sendo uma associação em paralelo de capacitores dC e, neste caso, somam-se (integram-se) as capacitâncias:
0
0 tan
a adx
C dC
d x
0 tan
tan ln 1
a a
C d
(1)
No Apêndice H deste livro vê-se que a função ln (1+x) pode ser expandida em série de Taylor, sendo o resultado:
1 2 1 3
ln 1 1
2 3
x x x x x
Considerando-se tan x a
d
e tomando-se apenas os dois primeiros termos da série:
2 2
2
tan tan tan tan tan
ln 1 1
2 2
a a a a a
d d d d d
Considerando-se 0, isto implica em tan . Logo:
ln 1 tan 1
2
a a a
d d d
(2)
Substituindo-se (2) em (1):
0 1
2 a a a
C d d
2
0 1
2
a a
C d d
27. A diferença de potencial fornecida pela bateria B da Fig. 33 é igual a 12 V. (a) Calcule a carga em cada capacitor após ter sido fechada a chave S1. (b) Idem, quando também estiver fechada a chave S2. Suponha que C1 = 1 F, C2 = 2 F, C3 = 3 F e C4 = 4 F.
(Pág. 94) Solução.
(a) Considere o esquema a seguir:
C1 C3
C2 C4
V
C13
C24
V
=
Os capacitores C1 e C3 estão associados em série. Isto significa que:
1 3 13
1 3
C C C
C C
1 3
q q
O mesmo é verdadeiro para os capacitores C2 e C4:
2 4 24
2 4
C C C
C C
2 4
q q
Como a ddp entre as placas de C13 e C24 é igual a V, temos:
1 3 2 4
V V V V V Tomando-se:
1 3 1 1
1 3
1 3 1 3
q q q q
V V V
C C C C
1
1 3
1 1
V q
C C
1 3 1
1 3
q V C C
C C
1 3 9 μC
q q De forma semelhante:
2 4 2
2 4
q V C C
C C
2 4 16 μC q q
(b) Considere o esquema a seguir:
C1 C3
C2 C4
V
C1 C3
C2 C4
V V
C12 C34
= =
12 34
12 34
12 34
q q V V V
C C
Onde, por se tratar de uma associação de capacitores em série:
12 34
q q Logo:
12
12 34
1 1
V q
C C
12 34
12 34
12 34
q q V C C
C C
Como C12 e C34 são associações de capacitores em paralelo, temos:
1 2
3 4
12 34
1 2 3 4
C C C C
q q V
C C C C
12 34 25, 2 μC q q
Mas:
12 12
12
8, 4 μC V q
C Logo:
1 12 1
q V C
1 8, 4 μC q
2 12 2
q V C
1 16,8 μC q
De forma semelhante:
3 10,8 μC q
1 14, 4 μC q
30. As tentativas de construção de um reator de fusão termonuclear controlada que, se bem-
sucedidas, poderiam fornecer uma enorme quantidade de energia a partir do hidrogênio pesado
energia armazenada, (a) em joules e (b) em kW.h.
(Pág. 95) Solução.
(a) A energia potencial acumulada num capacitor carregado, de capacitância C sujeito à uma diferença de potencial V, é dada por:
22 3 3 6
1 1
61, 0 F 10, 0 V 3, 05 J
2 2
U CV
3, 05 MJ U
(b) Lembrando-se que:
7 3
kW h
1 J W s 2, 777 kW h
10 W 3.600 s
Teremos:
3, 05 6 J 2, 777
7 kW h
0,84722 kW hU
0,847 kW h
U
32. Dois capacitores, um de 2,12 F e outro de 3,88 F são ligados em série, com uma diferença de potencial de 328 V entre os terminais da associação. Calcular a energia total armazenada nos capacitores.
(Pág. 95) Solução.
Podemos representar a associação em série dos capacitores C1 e C2 pelo capacitor equivalente C12:
1 2 12
1 2
C C C
C C
A energia potencial acumulada no capacitor C12 sujeito à diferença de potencial V vale:
2 12
1 U 2C V Logo:
6 6
2 2 1 2
6 6
1 2
2,12 10 F 3,88 10 F
1 1
328 V 0, 073745 J
2 2 2,12 10 F 3,88 10 F
U C C V
C C
73, 7 mJ U
34. Um banco de capacitores ligados em paralelo, contendo 2.100 capacitores de 5,0 F cada, é usado para armazenar energia elétrica. Quanto custa carregar este banco até a diferença de potencial nos terminais da associação atingir 55 kV, supondo um custo de 3 centavos por kW.h?
(Pág. 95) Solução.
Considere o seguinte esquema:
A tarifa total T a ser paga pelo carregamento dos N capacitores é o produto da tarifa t pela energia acumulada nos N capacitores (CN).
T t UN NtU
Na expressão acima, U é a energia acumulada em cada um dos capacitores da associação.
2 2
1 1
2 2
T Nt CV NtCV
7
6 2
1 cents kW.h
2.100 3, 0 2, 78 5, 0 F 55.000 V 13, 2449 cents
2 kW.h J
T
13 cents T
38. Seja um capacitor cilíndrico de raios iguais a a e b, respectivamente como ilustra a Fig. 4.
Mostre que a metade da sua energia potencial elétrica está acumulada no interior de um cilindro de raio igual a
r ab. C V
C C
C V
}
U U U
U
1 2 3
2.100
a b
r
+
+ +
+ + + + +
Capacitância de um capacitor cilíndrico:
2 0
ln C L
b a
Energia potencial elétrica acumulada num capacitor cilíndrico:
2 2
0
ln
2 4
q b a U q
C L
(1)
Densidade de energia (u) entre as placas de um capacitor cilíndrico:
u dU
dV
2 0
1 . .2 .
dU udV 2 E L r dr (2) Campo elétrico entre as placas de um capacitor cilíndrico:
2 0
E q
Lr
(3)
Substituindo-se (3) em (2):
2
0 2 2 2 2
4 0
dU q Lrdr
L r
2
4 0
dU q dr
Lr
(4)
Condição que resolve o presente problema:
2
r a
dU U
(5)Substituindo-se (1) e (4) em (5):
2 2
0 0
1 ln
4 2 4
r a
q b a q dr dr
Lr r L
ln 1ln 2
r b
a a
2
ln r lnb
a a
r 2 b
a a
r b a a r ab
40. Mostre que as armaduras de um capacitor plano de placas se atraem mutuamente com uma força igual a
2
2 0
F q
A
Obtenha este resultado calculando o trabalho necessário para aumentar a separação entre as armaduras x para x + dx.
(Pág. 95) Solução.
Considere o seguinte esquema, em que temos um capacitor de placas planas e paralelas, separadas por uma distância x e carregado com carga q.
A placa da direita é movida para a direita através de uma distância dx. O trabalho W realizado pela força F pode ser calculado da seguinte forma:
cos dW F ds Fdx
dW Fdx (1)
O mesmo trabalho é equivalente à variação de energia potencial do sistema:
0
0 2 2 20 0
1 1
2 2 2
q q q
dW dU U U U U
C C C C
2 2
0 0 0
2 2
q x x dx q
dW x x dx
A A A
2
2 0
dW q dx
A
(2)
Comparando-se (1) e (2):
q2
F
dx
+q q
x F
ds
F
42. Uma bolha de sabão R0 adquire lentamente uma carga elétrica q. Por causa da repulsão entre as cargas superficiais, o raio aumenta ligeiramente até o valor R. A pressão do ar dentro da bolha diminui, por causa da expansão, até p(V0/V) onde p é a pressão atmosférica, V0 é o volume inicial e V é o volume final. Mostre que
2 2 3 3
0 0
32
q pR R R ,
(Sugestão: Considere as forças atuantes sobre um elemento de área da bolha carregada. Elas são devidas a (i) pressão do gás, (ii) pressão atmosférica, (iii) tensão eletrostática; veja o Problema 41).
(Pág. 95) Solução.
Considere o seguinte esquema da situação, onde pi e pf são as pressões internas da bolha antes e após a deposição das cargas, respectivamente:
Vamos analisar as forças que agem sobre um elemento de área A da bolha carregada. De fora para dentro da bolha age a força devida à pressão atmosférica, Fatm. De dentro para fora agem a força devida à pressão do ar no interior da bolha, Fint, e a força devida à tensão eletrostática, Feletr (veja o enunciado do Problema 41). O estudante deve notar que a tensão superficial da bolha, que tende a reduzir seu volume, foi desprezada. O somatório dessas forças deve ser nulo.
0 F
int eletr atm
F F F
As forças devidas a cada uma das pressões são iguais às respectivas pressões multiplicadas pelo elemento de área considerado (F = p A), enquanto que a tensão eletrostática (força por unidade de área) é obtida como resultado do Problema 41.
2 0
1
f 2
p A E A p A
A bolha comporta-se como um condutor em relação às cargas, que se espalham homogeneamente por sua superfície. O campo elétrico no interior da bolha é nulo, enquanto que na superfície externa
vale /0 (ver Capítulo 28 – Campo Elétrico). O valor de pf é dado no enunciado do problema.
Assim, teremos:
2 0
0 0
1 2
pV p
V
A densidade superficial de cargas corresponde à razão entre a carga total q e a área superficial da bolha.
2 3
0 2
0
3 0
4
3 1 4
4 2
3 R q
p R p
R
3 2
0
2 4 3
0
32 1
R
q p
R R
2 2 3 3
0 0
32
q pR R R
44. É dado um capacitor de 7,40 pF com ar entre as armaduras. Você é solicitado a projetar um capacitor que armazene até 6,61 J com uma diferença de potencial máxima de 630 V. Qual dos dielétricos da Tabela 1 você usará para preencher o espaço entre as armaduras do capacitor, supondo que todos os dados são exatos, isto é, a margem de erro é zero?
(Pág. 95) Solução.
Se a capacitância do capacitor com vácuo entre as placas for C0, com ar entre as placas for C1 e com outro dielétrico for C2, valem as seguintes relações:
1 1 0
C C
2 2 0
C C
1 0 1
2 2 0
C C
C C
2
2 1
1
C C
(1)
A energia potencial acumulada no capacitor C2 vale:
2
2 2 2
1
U 2C V (2)
Substituindo-se (1) em (2):
2 2
2 1 2
1
1
U 2 C V
Resolvendo-se para 2:
6 1 2 2 1, 00 6, 61 J
2U 4,501099
De acordo com a Tabela 1 (Pág. 86), o material com = 4,5 corresponde ao ÓLEO DE TRANSFORMADOR.
46. Um capacitor de armaduras, cujo dielétrico é o ar, tem capacitância igual a 51,3 pF. (a) Se as armaduras têm área de 0,350 m2, qual é a sua separação? (b) Se a região entre as armaduras for preenchida agora com material de constante dielétrica igual a 5,60, qual é a nova capacitância?
(Pág. 95) Solução.
(a) Um capacitor com placas planas e paralelas de área A e separação d possui capacitância C0 dada por:
0 0
C A d
Logo:
12 2
0
12 0
8,85 F/m 0,350 m
0, 06038 m
51,3 F
d A C
6, 04 cm d
(b) Preenchendo-se o espaço entre as placas com dielétrico , a nova capacitância C será:
12
10
0 5, 60 51,3 F 2,8728 F
CC 287 pF
C
48. Uma certa substância tem constante dielétrica 2,80 e sua rigidez dielétrica é 18,2 MV/m. Se é usada como dielétrico em um capacitor de armaduras paralelas, qual a área mínima das armaduras para que a capacitância seja 68,4 nF e o capacitor possa resistir a uma diferença de potencial de 4,13 kV?
(Pág. 95) Solução.
A capacitância C de um capacitor de placas planas e paralelas com material dielétrico entre as placas é dada por:
CC0
Na equação acima, C0 é a capacitância do mesmo capacitor sem o material dielétrico entre as
placas. Esta capacitância é dada pela equação a seguir, em que A é a área das placas e d é a distância de separação entre elas.
0 0
C A d
Logo:
0A
C d
0
A Cd
Multiplicando-se e dividindo-se a equação acima por Vmax, teremos:
max max
0 max 0 max
1
CV d CV
A V E
9 3
max 2
12 6
0 max
68, 4 F 4,13 V
0, 62637 m
2,80 8,85 F/m 18, 2 V/m
A CV
E
0, 626 m2
A
50. Você foi encarregado de projetar um capacitor portátil que possa armazenar 250 kJ de energia e escolhe um capacitor de armaduras paralelas com dielétrico. (a) Qual o menor valor possível para o volume do capacitor, se for usado um dielétrico selecionado entre aqueles listados na Tabela 1 e para os quais é dado o valor da rigidez dielétrica? (b) Capacitores modernos de alto desempenho e que podem armazenar 250 kJ têm volumes iguais a 0,087 m3. Supondo que o dielétrico usado tenha a mesma rigidez dielétrica do item (a), qual deve ser a sua constante dielétrica?
(Pág. 95) Solução.
(a) O campo elétrico entre as placas de um capacitor, carregado com carga q e preenchido com dielétrico , vale:
0 0
E q
A
Na expressão acima, é a densidade de carga em cada placa do capacitor. Resolvendo-se a equação acima para A e multiplicando-se ambos os membros por d, a distância de separação das placas, teremos:
2
0 0 0
q q V qV
Ad d
E E E E
Reconhecendo-se que Ad é o volume entre as placas e que q é o produto da capacitância C pela diferença de potencial entre as placas V, teremos:
22 2
0 0
CV V CV
Ad E E (1)
A energia potencial acumulada no capacitor é dada por:
1 2
U 2CV Logo:
2 2
CV U (2)
Substituindo-se (2) em (1):
2 0
2U
Ad E (3)
Na condição-limite apresentada pelo problema (volume mínimo), o campo elétrico E corresponde à rigidez dielétrica suportada pelo material dielétrico. Como o volume Ad é inversamente
3
3 2
12
2 250 J
0, 40868 m kV 1.000 V 1.000 mm
5, 4 8,85 F/m 160
mm kV m
Ad
0, 41 m3
Ad
(b) Resolvendo-se (3) para a constante dielétrica:
2 0
2U Ad E
3
2
3 12
2 250 J
25,3669 F kV 1.000 V 1.000 mm
0, 087 m 8,85 F/m 160
mm kV m
25 F
51. Uma chapa de cobre de espessura b é introduzida exatamente no meio das armaduras de um capacitor plano, que estão separadas pela distância d (veja a Fig. 35). (a) Qual o valor da capacitância, depois da introdução da placa? (b) Se a carga nas armaduras mantém o valor constante q, ache a razão entre a energia armazenada antes e depois da introdução da placa. (c) Qual o trabalho realizado sobre a placa para inseri-la? A placa é puxada para dentro do
capacitor ou você tem de empurrá-la?
(Pág. 95) Solução.
Considere o seguinte esquema:
(a) A introdução de um material condutor entre as placas de um capacitor carregado causa separação de cargas no condutor. Como o campo elétrico no interior do condutor deve ser zero (equilíbrio eletrostático), deduz-se que a separação de cargas no condutor gerou um campo elétrico
E0
d
+q C ,V0 0 q
d
+q C,V q
b
E0 E0
q +q
que neutralizou o campo produzido pelas cargas nas placas. Para que isso seja possível, as cargas induzidas no condutor devem ser iguais, em módulo, às cargas nas placas. O efeito líquido da introdução do material condutor é a criação de dois capacitores em série, de carga q, área A, separação das placas (d b)/2 e capacitância C’. Chamando-se C a capacitância da associação em série, ou seja, do capacitor original mais a placa de cobre introduzida, teremos:
1 1 1 2
' ' '
C C C C
0
0
0
2 ' 2 2
2 2 2 2
A d b A
C d b A
C d b
0A C d b
(b) A razão entre a energia armazenada antes (U0) e depois (U) da introdução da placa, vale:
0 2
2 2 0
0 0 0 0 0
2 2
2 0
0
1 2 1 2
A E d
U C V C V d
U CV CV A E d b
d b
U0 d U d b
A introdução da lâmina faz com que a energia potencial do sistema diminua.
(c) Por definição, o trabalho realizado pela força elétrica vale:
0
0W U U U U U
2
22 2 0 0
0 0 0 0
1 1 1 1
2 2 2 2
A A
W C V CV E d E d b
d d b
2 2
0 0 0 0
1 1
2 2
W AE d AE db
0 0
2 0
W AE E d db
0 0
2 0
W AE E b
(1) Chamando-se de a densidade de cargas em cada placa do capacitor, o campo elétrico E0 valerá:
0
0 0
E q
A
(2)
0AE0 q
(3)
Substituindo-se (2) e (3) em (1):
2 W q q b
A
O trabalho realizado por uma força externa é o negativo desse trabalho:
2 ext
2 0
W W q b
A
Quando a lâmina de cobre começa a ser introduzida no espaço entre as placas do capacitor, as cargas já existentes na s placas polarizam a extremidade da lâmina e as cargas induzidas são atraídas para dentro do capacitor. Como as cargas induzidas estão presas na lâmina, esta também é atraída para dentro do capacitor. Logo, a força externa precisa puxar a lâmina para fora das placas para neutralizar a força de atração e manter constante a velocidade de entrada da placa de cobre. A atração da lâmina pelas placas e sua aproximação, fazem com que a energia potencial do sistema diminua, como revelou o resultado do item (b).
54. Um capacitor de armaduras paralelas contém dois dielétricos diferentes, como mostra a Fig. 36.
Mostre que o valor de sua capacitância é dado por
0 1 2
2
e e
C A d
Verifique a correção deste resultado em todos os casos particulares que você for capaz de imaginar. (Sugestão: Você pode justificar a idéia de que este sistema é equivalente a dois capacitores ligados em paralelo?)
(Pág. 96) Solução.
Quando o capacitor acima for carregado, toda a superfície de cada placa deve estar no mesmo potencial, uma vez que cada placa estará conectada diretamente à fonte de potencial. Isto implica em que a área das placas que envolverem o dielétrico 1 terá carga q1 e capacitância C1 e a área das placas que envolverem o dielétrico 2 terá carga q2 e capacitância C2.
1 0 2 0
1 2
1 2
0 0
C V C V q q
C C C
V V
Note que a expressão acima corresponde a uma associação de capacitores em paralelo.
0 0 0
1 2 1 2
2 2 2
C C C
C
Na expressão acima, C0 é a capacitância do capacitor sem os dielétricos presentes.
0
1 2
2 C A
d
55. Um capacitor de armaduras paralelas contém dois dielétricos, como mostra a Fig. 37. Mostre que o valor de sua capacitância é dado por
0 1 2
1 2
2 e e
e e
C A d
Verifique a correção deste resultado para todos os casos particulares que for capaz de imaginar.
(Sugestão: Você pode justificar a idéia de que este sistema é equivalente a dois capacitores ligados em série?)
(Pág. 96) Solução.
O cálculo da capacitância C é feito por meio da equação fundamental da capacitância, em que q0 é a carga nas placas do capacitor e V é a diferença de potencial entre as placas:
q0
C V (1)
Ao longo do dielétrico 1, a diferença de potencial é V1 e o campo elétrico é E1. Ao longo de 2, V2 e E2. Logo, a diferença de potencial vale:
0 0 0
1 2 1 2
1 2 1 2
1 1
2 2 2 2 2
E E E d
d d d d
V V V E E
Na equação acima, E0 é o campo elétrico entre as placas sem os dielétricos.
0 1 2
1 2
2
V V
(2)
Substituindo-se (2) em (1):
0 1 2 1 2
0
0 1 2 1 2
2q 2
C C
V
Nas equações acima, C0 é a capacitância do capacitor sem as camadas de dielétrico e V0 é a diferença de potencial entre suas placas. Logo:
0 1 2
1 2
2 A
C d
Esta expressão é a mesma que será obtida se considerarmos que o capacitor do problema é uma associação em série de capacitores C1 e C2, que possuem dielétricos 1 e 2, respectivamente.
56. Qual é a capacitância do capacitor da Fig. 38? A área de armadura é A.
Considerando-se o resultado dos Problemas 54 e 55, podemos considerar o capacitor acima como uma associação de capacitores C1, C2 e C3, sendo que C2 e C3 estão em série e C1 está em paralelo com C23, que é o capacitor equivalente à associação de C2 e C3. Logo:
1 23
CC C (1)
A capacitância C1 vale:
1 0
1 0 1
2
2 4
A C A
d d
(2)
A capacitância da associação C23 vale:
2 0 3 0
2 3 0 2 3
23
2 0 3 0
2 3 2 3
2 2
2
2 2
A A
C C d d A
C C C A A d
d d
(3)
Substituindo-se (2) e (3) em (1):
1 0 0 2 3 0 1 2 3
2 3 2 3
4 2 2 2
A A A
C d d d
0 2 3
1
2 3
2 4
C A d
59. Duas placas paralelas de área igual a 110 cm2 possuem cargas de sinais opostos e módulo igual a 8,9 107C. A intensidade do campo elétrico no interior do material dielétrico que preenche o espaço entre elas é de 1,4 106 V/m. (a) Calcule o valor da constante dielétrica do material. (b) Determine o valor da carga induzida em cada superfície do dielétrico.
(Pág. 96) Solução.
(a) A constante dielétrica é dada pela razão entre o campo elétrico entre as placas sem a presença do dielétrico, E0, e o campo no interior do dielétrico, E:
E0
E
O campo sem o dielétrico vale:
0 0
0 0
E q
A
Logo:
7 0
12 4 2 6
0
8,9 C
6,5301
8,85 F/m 110 m 1, 4 V/m
q
AE
6,5
(b) Considere a aplicação da lei de Gauss ao capacitor com o dielétrico, de acordo com o esquema abaixo:
0 d q0 q'
E A 0EA q0 q'
7
12
6
4 2
0 0
' 8,9 C 8,85 F/m 1, 4 V/m 110 m
q q EA ' 7,5371 7 C
q ' 0, 75 C q
61. Um capacitor tem armaduras paralelas cuja área é de 0,118 m2 e estão separadas por 1,22 cm.
Uma bateria carrega as armaduras até que a diferença de potencial entre elas seja 120 V, sendo então desligada. Uma placa de dielétrico, de espessura de 4,30 mm e constante dielétrica 4,80, é então colocada simetricamente entre as armaduras do capacitor. (a) Ache a capacitância antes da introdução do dielétrico. (b) Qual a capacitância após introduzirmos o dielétrico? (c) Qual o valor da carga livre q antes e depois da introdução do dielétrico? (d) Qual o campo elétrico no espaço entre as armaduras e o dielétrico? (e) Qual o campo elétrico no interior do dielétrico? (f) Com o dielétrico colocado, qual a diferença de potencial entre as armaduras? (g) Qual o
trabalho externo realizado no processo de inserir o dielétrico?
(Pág. 96) Solução.
(a) A capacitância C0 antes da introdução do dielétrico vale:
12 2
0 11 0
8,85 F/m 0,118 m
8,5598 F
0, 0122 m C A
d
0 85, 6 pF C
(b) Ver adiante.
(c) A carga livre q0 nas placas, antes da introdução do dielétrico, vale:
11 8
0 0 0 8,5598 F 120 V 1, 0271 C
q C V
0 10,3 nC q
Como o capacitor estava desconectado da bateria quando o dielétrico foi introduzido, não há mudança na quantidade de carga nas placas do capacitor. Seja q a carga após a introdução do dielétrico. Logo:
10,3 nC q
+q0 q0
E
+q’
q’