Faculdade de Direito
SYLLABUS
Código: DES0118
Disciplina: Direito constitucional I Departamento: DES
Professor: Prof. Dr. Virgílio Afonso da Silva Créditos: 3
Horários:
Turma 12, quintas-feiras, das 8:00 às 10:00 (Sala Barão de Ramalho) Turma 11, quintas-feiras, das 10:15 às 12:15 (Sala Barão de Ramalho)
Atendimento aos alunos: Segundas-feiras, das 13:00 às 14:00 h. (agendar com antecedência via Moodle: http://moodle.redealuno.usp.br)
Descrição do curso: Disciplina obrigatória para os alunos do primeiro semestre do curso de direito na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo.
Objetivos do curso: Propiciar ao aluno um espaço de discussão sobre aspectos teóricos e dogmáticos do direito constitucional. Para tanto, o aluno terá que ser treinado para a leitura de textos e para a exposição consistente de argumentos.
Programa / Calendário:
6.3 - Apresentação do curso
13.3 - Constitucionalismo e conceito de constituição 20.3 - *** não haverá aula (semana santa) ***
27.3 - Poder constituinte
3.4 - Eficácia das normas constitucionais
10.4 - Separação de poderes e sistema de governo presidencialista
17.4 - Federalismo e repartição de competências na constituição brasileira 24.4 - Interpretação constitucional
1.5 - *** não haverá aula (dia do trabalho) ***
8.5 - Seminário 15.5 - Seminário
22.5 - *** não haverá aula (corpus christi) ***
29.5 - *** não haverá aula (Congresso USP) ***
5.6 - Seminário 12.6 - Seminário
19.6 - O constitucionalismo brasileiro / Revisão 26.6 - Prova final
Metodologia:
Aulas expositivas: Ministradas pelo professor responsável. Essas aulas pretendem abordar a parte mais teórica do programa. A parte aplicada será abordadas nas discussões em seminário, realizados na segunda parte do curso. Aula expositiva não significa, contudo, mera exposição ou doutrinação. Nela, há também espaço para o debate. Para isso, é fundamental que os alunos leiam os textos sugeridos.
Seminários: A metodologia adotada nos seminários pretende superar a limitação das aulas meramente expositivas tradicionais, nas quais o professor apenas expõe sistematicamente o conteúdo programático da disciplina, sem que haja grande participação dos alunos. Ao mesmo tempo, pretende-se evitar a adoção pura e simples dos seminários nos moldes tradicionais, porque eles apenas substituem a figura do professor-expositor pela do aluno-expositor.
Para evitar as falhas apontadas, as aulas deverão seguir alguns requisitos:
1. Cada tópico do programa e seu respectivo texto base serão apresentados por uma dupla de alunos.
2. O tempo de exposição não poderá ultrapassar 30% do tempo total da aula.
3. O tempo restante será destinado ao debate com os outros alunos, que deverão ter lido o texto.
Como se vê, o cerne da aula é a discussão, não a apresentação dos alunos. Essa serve apenas de mote para aquela. O foco na discussão tem como objetivo capacitar o aluno para o debate. No ensino jurídico tradicional, os estudantes são condicionados ao não-questionamento, a aceitar a
"opinião da cátedra". É com essa forma de ensino que se pretende romper. Mas, para que mesmo com as diretrizes acima mencionadas a aula não se torne um seminário tradicional, é preciso atentar às regras de avaliação abaixo.
Material didático:
Apesar de ser o mais comum no ensino jurídico brasileiro, não será adotado nenhum manual universitário como texto base da disciplina. Isso por uma razão simples. Pretende-se evitar que a aula seja uma mera exposição de um conteúdo que já está no manual, o que torna intercambiáveis as duas ferramentas de ensino - aula e texto. Nesse sentido, bastaria ao aluno escolher uma delas para obter êxito. Partindo do pressuposto de que isso seria um desperdício e também do que já foi mencionado acima sobre o foco no debate, serão utilizados diferentes textos, de autores diferentes e com visões diferentes sobre um mesmo problema. Esses textos não serão simplesmente expostos, mas discutidos nas aulas. O que se pretende, como se vê, é pressupor que aulas e textos são complementares e não alternativos. Além disso, a idéia não é doutrinar os alunos, mas prepará-los para o debate. Os manuais universitários pretendem, em geral, cumprir a primeira e não a segunda dessas tarefas.
No caso dos seminários, o material principal, como já ficou claro acima, são decisões judiciais, especialmente as do Supremo Tribunal Federal. A opção pela jurisprudência não se baseia em um simples argumento de autoridade, ou seja, não se pretende mostrar o certo e o errado a partir da visão do STF. Pelo contrário, as decisões serão sempre analisadas a partir de uma reconstrução crítica da argumentação dos ministros. A opção pela jurisprudência baseia-se na premissa de que, no aprendizado do direito constitucional, tão importante quanto a compreensão de suas características teóricas é o debate sobre os problemas que sua aplicação concreta costuma suscitar.
Ao final do curso, será distribuída uma bibliografia mais abrangente, com o intuito de fornecer, ao aluno interessado, subsídios para um aprofundamento nas matérias tratadas no semestre.
Avaliação
A avaliação dos estudantes é múltipla e constante. A média final de cada um, que determinará sua aprovação ou reprovação, é composta de quatro notas.
• apresentação de seminário
• participação nos seminários
• prova final Sobre as notas:
A primeira nota é definida a partir do êxito do aluno na apresentação clara e consistente do caso abordado, da argumentação utilizada pelos ministros e da contribuição crítica pessoal. Além disso, será avaliada a capacidade dos apresentadores de debater as questões suscitadas pelos monitores ou pela "platéia".
A segunda nota refere-se à participação (inteligente) de cada aluno nos debates ao longo dos seminários no semestre. Importante: essa nota não tem nenhuma relação com a mera presença física dos alunos em sala de aula. Isso significa que estar presente em todas as aulas, mas nunca participar (por qualquer que seja a razão) é praticamente a mesma coisa do que estar ausente. Além disso, ela não tem nenhuma relação com a quantidade de coisas que se diz, mas com a qualidade da participação. Quanto mais se participa com intervenções que pouco contribuem para o debate ou que demonstram que o aluno não leu o material obrigatório, menor será a sua nota de participação.
A prova final será realizada em sala de aula, no dia e no horário do calendário oficial. Não será uma prova na qual será cobrada a exposição sistemática de matéria assimilada por meio de perguntas teóricas, mas sim a resolução de problemas jurídicos com base nessa matéria.
Sobre a média final:
Para a composição da nota final, essas quatro notas serão consideradas com base nos seguintes pesos:
apresentação de seminário - 40%
participação nos debates - 10%
prova final - 50%
Bibliografia básica e leitura complementar (por tópicos do programa):
[os textos marcados com um asterisco estarão disponíveis na minha página no Moodle]
1. Constitucionalismo e conceito de constituição Leitura básica:
Canotilho, J. J. Gomes, Direito constitucional e teoria da constituição, 2. ed., Coimbra: Almedina, 1998, 45-55 [parte I, capítulo 1]
Miranda, Jorge, Manual de direito constitucional, 2. ed., Coimbra: Coimbra Editora, 1983, pp. 7-32 [parte II, título I, capítulo I, § 1°, 1-7].
Silva, José Afonso da, Curso de direito constitucional positivo, 30. ed., São Paulo: Malheiros, 2008, pp. 37-46 [título I, capítulo II, tópicos I e II].
Leitura complementar:
Matteucci, Nicola, "Costituzionalismo e liberalismo", in Nicola Matteucci, Organizzazione del potere e libertá: storia del costituzionalismo moderno, Torino: UTET, 1988, pp. 215-238.
Schmitt, Carl, Verfassungslehre, 8, ed, Berlin: Duncker & Humblot, 1993, pp. 3-44 [parte I, §§ 1 a 5 - há tradução espanhola: Carl Schmitt, Teoría de la constitución, (tradução de Francisco Ayala) Madrid: Alianza, 1982)].
2. Poder constituinte Leitura básica:
Silva, José Afonso da, "Constituinte", in José Afonso da Silva, Poder constituinte e poder popular, São Paulo: Malheiros, 2000, pp. 66-81.
Leitura complementar:
Brito, Miguel Nogueira, A constituição constituinte, Coimbra: Coimbra Editora, 2000, pp. 70-92.
Elster, Jon, "Constitution-making in Eastern-Europe: Rebuilding the Boat in Open Sea", Public Administration 71 (1993): 169-217.
Ferreira Filho, Manoel Gonçalves, "Significação e alcance das 'cláusulas pétreas'", Revista de Direito Administrativo 202 (1995): 11-17.
Holmes, Stephen, "Precommitment and the Paradox of Democracy", in Jon Elster / Rune Salgstad (eds.), Constitutionalism and Democracy, Cambridge: Cambridge University Press, 1988, pp.
195-240.
Silva, Virgílio Afonso da, "Ulisses, as sereias e o poder constituinte derivado", Revista de Direito Administrativo 226 (2001): 11-32.[*]
3. Eficácia das normas constitucionais Leitura básica:
Silva, José Afonso da, Aplicabilidade das normas constitucionais, 7. ed., São Paulo: Malheiros, 2007, pp. 63-87 [título II, capítulo I].
Leitura complementar:
Barroso, Luís Roberto. "A doutrina brasileira da efetividade", in Luís Roberto Barroso, Temas de direito constitucional, v. III, Rio de Janeiro: Renovar, 2005: 61-77.
Silva, Virgílio Afonso, O conteúdo essencial dos direitos fundamentais e a eficácia das normas constitucionais, São Paulo: Tese (titularidade), 2005, pp. 275-334.
4. Separação de poderes e sistema de governo presidencialista Leitura básica:
Bonavides, Paulo, Ciência política, 10. ed., 2. tir, São Paulo: Malheiros, 1995, pp. 134-144 [capítulo 10, "Separação de poderes", tópicos 1 a 6].
Sampaio, Marco Aurélio, "A releitura da separação de poderes", in Marco Aurélio Sampaio, A medida provisória no presidencialismo brasileiro, São Paulo: Malheiros, 2007, pp. 23-38.
Leitura complementar:
Ackerman, Bruce, "The New Separation of Powers", Harvard Law Review 113:3 (2000): 633-729.
[*]
Limongi, Fernando / Figueiredo, Argelina C., "Bases institucionais do presidencialismo de coalizão", Lua Nova 44 (1998): 81-106 [republicado em Figueiredo, Argelina C. / Limongi, Fernando, Executivo e Legislativo na nova ordem constitucional, 2. ed., Rio de Janeiro: FGV, 2001, pp. 19-39].
5. Federalismo e repartição de competências na constituição brasileira Leitura básica:
Almeida, Fernanda Dias Menezes de, Competências na Constituição de 1988, 2. ed., São Paulo:
Atlas, 2000, pp. 47-59 e 74-77 [tópicos 4.1, 4.2, 4.3 e 6.1, 6.2, 6.3]
Leitura complementar:
Abrucio, Fernando Luiz, "A formação do federalismo brasileiro", in Fernando Luiz Abrucio, Os barões da federação, São Paulo: Hucitec, pp. 31-57.
Ackerman, Bruce, "Neo Federalism?", in Jon Elster / Rune Salgstad (eds.), Constitutionalism and Democracy, Cambridge: Cambridge University Press, 1988, pp. 153-193.
Bastos, A. C. Tavares, A província: estudo sobre a descentralização no Brasil, 3. ed., São Paulo:
Cia. Editora Nacional, 1975 (1. ed., 1870), pp. 15-57 [parte I ("Centralização e federação")].
Lane, Jan-Erik / Ersson, Svante, The New Institutional Politics, London: Routledge, 2000, pp.
77-101.
6. Interpretação constitucional Leitura básica:
Barak, Aharon, "Hermeneutics and Constitutional Interpretation", Cardozo Law Review 14 (1992):
767-774.[*]
Canotilho, J. J. Gomes / Moreira, Vital, Fundamentos da constituição, Coimbra: Coimbra Editora, 1991, pp. 51-59 [capítulo I, tópico 2.5 ("Interpretação e integração")].
Leitura complementar:
Barroso, Luís Roberto, Interpretação e aplicação da constituição, São Paulo: Saraiva, 1996, pp.
97-244 [parte II, "A interpretação constitucional"].
Guastini, Riccardo, "Specificità dell'interpretazione costituzionale?", in Paolo Comanducci / Riccardo Guastini, Analisi e diritto, Torino: Giapichelli, 1996. [*] [há tradução espanhola:
Riccardo Guastini, "Peculiaridades de la interpretación constitucional?" (tradução de Miguel Carbonell), in Eduardo Ferrer Mac-Gregor, Interpretación constitucional, v. I, México:
Porrúa/UNAM, 2005, 653-672].
Moreso, José Juan, La indeterminación del derecho y la interpretación de la constitución, Madrid:
Centro de Estudios Políticos y Constitucionales, 1997, pp. 183-238.
Queiroz, Cristina, Interpretação constitucional e poder judicial, Coimbra: Coimbra Editora, 2000, pp. 103-157.
Silva, Virgílio Afonso da, "Interpretação constitucional e sincretismo metodológico", in Virgílio Afonso da Silva (org.), Interpretação constitucional, São Paulo: Malheiros, 2005, pp. 115-143.
[*]
7. O constitucionalismo brasileiro Leitura básica:
Silva, José Afonso da, Curso de direito constitucional positivo, 30. ed., São Paulo: Malheiros, 2008, pp. 72-90 [título I, capítulo III ("Da evolução político-constitucional do Brasil"), tópicos II e III].
Leitura complementar:
Bonavides, Paulo, Curso de direito constitucional, 7. ed., 2. tir., São Paulo: Malheiros, 1998, pp.
327-338 [capítulo 11, "O Estado brasileiro e a Constituição de 1988", tópicos 1, A, B e C e 2]
Miranda, Jorge, O constitucionalismo liberal luso-brasileiro, Lisboa: CNCDP, 2001, pp. 10-11, 23-30, 47-50 [capítulo I, 1 e capítulo III, § 1°, capítulo V, § 1°]