UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE
MARCELO NUNES MOTA
LITERÁCIA FINANCEIRA DE EDUCADORES:
um estudo na rede pública do município de Sorocaba
São Paulo
2016
MARCELO NUNES MOTA
LITERACIA FINANCEIRA DE EDUCADORES:
um estudo na rede pública do município de Sorocaba
Dissertação apresentada ao Programa de Pós- Graduação em Ciências Contábeis da Universidade Presbiteriana Mackenzie, como requisito parcial à obtenção do título de Mestre em Controladoria Empresarial.
ORIENTADORA: Profª. Drª. Ana Maria Roux Valentini Coelho Cesar COORIENTADORA: Profª. Drª. Larissa Margareta Batrancea
São Paulo
2016
MARCELO NUNES MOTA
LITERACIA FINANCEIRA DE EDUCADORES:
um estudo na rede pública do município de Sorocaba
Dissertação apresentada ao Programa de Pós- Graduação em Ciências Contábeis da Universidade Presbiteriana Mackenzie, como requisito parcial à obtenção do título de Mestre em Controladoria Empresarial.
Aprovada em
BANCA EXAMINADORA
_____________________________________________
Profª. Drª. Ana Maria Roux Valentini Coelho Cesar Universidade Presbiteriana Mackenzie
_____________________________________________
Profª. Drª. Larissa Margareta Batrancea Universitate Babes-Bolyai
_____________________________________________
Prof. Dr. Denis Forte
Universidade Presbiteriana Mackenzie
_____________________________________________
Profª. Drª. Ana Paula Matias Gama Universidade Beira Interior
M917l Mota, Marcelo Nunes.
Literácia financeira de educadores: um estudo na rede pública do município de Sorocaba / Marcelo Nunes Mota – 2016.
98 f.; il.; 30 cm.
Dissertação (Mestrado em Controladoria Empresarial) – Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, 2016.
Orientação: Profª. Drª. Ana Maria Roux Valentini Coelho Cesar.
Bibliografia: p. 90-95
1. Literacia financeira. 2. Literácia financeira de
educadores. 3. Educação financeira. 4. Finanças pessoais. 5.
Administração do dinheiro. I. Título.
CDD 658.15
A Deus em primeiro lugar pela capacitação, à minha esposa, pelo constante incentivo e apoio; a meus pais, pela confiança na realização deste trabalho.
AGRADECIMENTOS
Agradeço a Deus, pois sem Ele nada disso seria possível;
Aos meus pais, Nair e José Paulo por me conduzirem sempre para o melhor caminho, e por me darem todo a apoio necessário desde o início;
À Andresa minha amada esposa que esteve presente em todos os momentos dando o apoio fundamental para que eu chegasse até aqui;
À Profª. Drª. Ana Maria Roux Valentini Coelho Cesar, que foi muito além do processo de orientação, esteve sempre prestativa e me incentivando a continuar;
À Secretaria de Ensino do Município de Sorocaba pela confiança em disponibilizar suas escolas e professores para a realização desse estudo;
Aos 236 professores que aceitaram o convite para participar da pesquisa que viabilizou este trabalho;
Ao professor André Wakamatsu pela colaboração na análise estatística;
Aos familiares, amigos e colegas de trabalho que me incentivaram durante este longo período.
"O sucesso nasce do querer, da determinação e persistência em se chegar a um objetivo. Mesmo não atingindo o alvo, quem busca e vence obstáculos, no mínimo fará coisas admiráveis." (José de Alencar)
RESUMO
Entende-se que as decisões financeiras, das mais simples às mais complexas, estejam sempre presentes na vida das pessoas. Neste sentido, destacam-se a importância de fundamentos sobre os variados recursos utilizados em compras, negociações, aplicações, e outras ações que demandam um mínimo de discernimento financeiro. A esse conjunto de conhecimento chamamos educação financeira. Este trabalho tem como objetivo determinar o nível de literácia financeira em suas três dimensões (conhecimento, comportamento e atitude) dos professores do ensino fundamental e médio de escolas da rede do município de Sorocaba. Destaca-se a importância da educação financeira na infância e adolescência do indivíduo, momento de formação de seus hábitos e princípios, reforçando o aspecto diferenciado do educador que pode contribuir significativamente para futuras decisões financeiras destas pessoas. Para a coleta de dados foi utilizado um instrumento de pesquisa com três partes. A primeira era composta por dados demográficos relacionados ao sujeito ou à sua atuação como professor. A escala proposta para esta parte era categórica ou métrica (idade e tempo de experiência). A segunda parte era um questionário com perguntas relacionadas a três dimensões: conhecimento, comportamento e atitude.
As dimensões analisadas foram propostas por Potrich et al (2015). Os indicadores (variáveis) de cada dimensão foram adaptados do instrumento de Potrich e inspirados no instrumento proposto pela OCDE para levantamento dos níveis de literácia financeira. A terceira parte do questionário foi baseada em S&P de Klapper, Lusardi e Oudheesden (2014), na qual o sujeito avalia algumas situações relacionadas a investimento e ao valor do dinheiro no tempo. A escala proposta para esta parte do questionário era nominal, sendo que cada alternativa indicava um comportamento diferente. Foram feitas análises fatoriais que mostraram inconsistências nas dimensões propostas. Ainda dentro das dimensões propostas foram feitas estratificações em três categorias de clusters para cada dimensão, sendo consideradas as categorias: baixa, média e alta literácia financeira. No decorrer do estudo é mostrado como o tema tem sido desenvolvido no mundo e também no Brasil, bem como evidencia que com o fomento a ações de disseminação do assunto e a redução da barreira da inclusão financeira, pode ser gerada uma consciência maior sobre o tema. Das conclusões retiradas do trabalho, espera-se contribuir para que as
lacunas relativas à Literácia Financeira sejam exploradas, bem como a criação de instrumentos de ensino voltados à educação financeira possa ser inserido junto aos professores da educação fundamental e do ensino médio.
Palavras-chave: 1.Literacia financeira. 2. Literacia financeira de educadores. 3.
Educação financeira. 4. Finanças pessoais. 5. Administração do dinheiro.
ABSTRACT
It is understood that financial decisions, from the simplest to the most complex, are always present in people´s lives. In this sense, we can highlight the importance of foundations on the several resources used in purchasing, negotiation, applications, and other actions that require a minimum of financial insight. This set of knowledge is called financial education. Thus, this study aims to measure and determine the level of financial literacy of teachers in municipal primary and middle schools of Sorocaba, in its three dimensions (knowledge, behavior and attitude), with the use of studies about the extent of research on the theme, their metrics and their approaches. It highlights the importance of financial education during a person´s childhood and adolescence, and the formation of habits and principles as well, reinforcing the fact that one well informed educator can significantly contribute to future financial decisions of those individuals. A survey instrument, divided in three parts, was used for data collection. The first part was composed of demographic data about the teachers and their professional performance. The proposed scale for this part was categorical or metric (age and experience). The second part consisted of questions related to three dimensions: knowledge, behavior and attitude. These analyzed dimensions were proposed by Potrich et al (2015). The indicators (variables) of each dimension were adapted from Potrich’s instrument, and inspired by an OECD proposed survey for detecting levels of financial literacy as well. The third part of the questionnaire was based on S&P Klapper, Lusardi and Oudheesden (2014), when the teachers evaluated some investment-related situations and the value of money across the time. The proposed scale for this part of the questionnaire was nominal, being that each alternative showed a different behavior. Some of the factor analysis showed inconsistencies in the proposed dimensions. These proposed dimensions were stratified in three categories of clusters for each dimension, i.e. low, medium and high financial literacy. This study shows how that theme has been developed in the world and also in Brazil, as it turns evident that as far as there is a reduction of the barrier for financial inclusion, an awareness on the subject can be generated. Conclusions drawn from this work build an expectation to contribute to the evolution of the practice of financial education among the teachers of primary and secondary schools.
Keywords: 1. Financial literacy. 2. Financial literacy of teachers. 3. Financial Education.
4. Personal Financial. 5. Cash Management.
SUMÁRIO
CAPÍTULO 1: INTRODUÇÃO 13
1.1 Contextualização do Tema ... 13
1.2 Problema de Pesquisa ... 17
1.3 Objetivos ... 18
1.3.1 Objetivo Geral...18
1.3.2 Objetivos Específicos...18
1.3.2.1 Objetivo Específico 1...18
1.3.2.2 Objetivo Específico 2...18
1.3.2.3 Objetivo Específico 3...19
1.3.2.4 Objetivo Específico 4...19
1.3.2.5 Objetivo Específico 5...19
1.4 Justificativa e Contribuições ... 19
1.5 Desenvolvimento do Texto...20
CAPÍTULO 2: REFERENCIAL TEÓRICO 21
2.1 Conceitos sobre Literácia Financeira ... 22
2.2 A importância e o Desenvolvimento da Literácia Financeira no Mundo ... 25
2.3 Literácia Financeira no Brasil ... 45
CAPÍTULO 3: PROCEDIMENTO METODOLÓGICO 48
3.1 Tipologia de estudo ... 48
3.2 Método ... 49
3.2.1 Etapas da Pesquisa...49
3.2.2 População e Amostra...49
3.2.3 Procedimento e Coleta de Dados...50
CAPÍTULO 4: APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS 52
4.1 Análise Descritiva ... 52
4.1.1 Análise Preliminar do Banco de Dados...53
4.1.2 Análise Demográfica dos Respondentes...54
4.1.3 Análise Descritiva das Variáveis de Mensuração do Modelo...54
4.2 Análise Multivariada ... 62
4.2.1 Análise Fatorial...62
4.2.2 Análise de Clusters...70
4.2.3 Análise Discriminante...81 CAPÍTULO 5: CONSIDERAÇÕES FINAIS 86
REFERÊNCIAS 90
APÊNDICE
CAPÍTULO 1: INTRODUÇÃO
1.1 CONTEXTUALIZAÇÃO DO TEMA
No decorrer da vida as pessoas são obrigadas a realizar diversas escolhas que envolvem questões financeiras. Dentre essas escolhas, algumas são mais simples, como a compra de um produto doméstico, na qual se pode escolher entre pagar à vista e parcelado, ou situações mais complexas, como as que envolvem uma obrigação de longo prazo (como a compra de um imóvel ou veículo) ou a decisão de efetuar uma aplicação de recursos poupados, (nas mais diversas opções como caderneta de poupança, renda fixa, variável ou mercado de ações). Nesse contexto, o conhecimento sobre juros simples, compostos, taxas nominais, taxas reais, relação entre risco e retorno, são os mínimos necessários para que o indivíduo possa tomar decisões financeiras adequadas. A esse conjunto de conhecimento chamamos educação financeira.
Educação financeira é um tema que tem sido percebido por toda a sociedade como importante pelo seu potencial de gerar reflexos importantíssimos para a economia como um todo.
Os fundamentos da educação financeira promovem o desenvolvimento de competências pessoais necessárias para tomar decisões financeiras apropriadas;
além disso, proporciona aos cidadãos compreenderem a economia e suas políticas sociais. A educação financeira também contribui para reduzir a barreira da inclusão financeira, pois permite que o indivíduo crie consciência de seus direitos financeiros, sinalizando caminhos que o levem à inclusão.
No contexto brasileiro é correto afirmar que o assunto ainda é algo embrionário pois embora existam pesquisas e estudiosos dedicados ao assunto, bem como um esforço do governo em dar força ao tema, principalmente em sua disseminação à sociedade, todo o esforço feito ainda é muito recente.
A emergência deste tema no cenário brasileiro também se justifica pelas características do país, um país em desenvolvimento e que passou nas últimas três
décadas por mudanças muito importantes no campo econômico e que começaram a traçar uma nova realidade à população.
De acordo com Giambiagi e Moreira (1999, p.14) a década de 80 sofreu profundamente com a estagnação do nível de atividade, pelos desequilíbrios macroeconômicos e, em especial, pela hiperinflação. No período entre os anos de 1980-1993, a taxa de crescimento média da economia brasileira foi muito baixa, de apenas 2,1% a.a. O crescimento do produto interno bruto foi também muito irregular, alternando anos de grande expansão com outros de significativo declínio.
Conforme descreveu Giambiagi e Moreira (1999, p.14) a questão da inflação foi um capítulo árduo na história brasileira,
Nesse mesmo período de 1980 a 1993, a taxa de inflação, medida pelo IGP-DI, atingiu o patamar médio de 438% a.a. Paradoxalmente, ao mesmo tempo que se tentava conter a inflação, iam sendo criados mecanismos que objetivavam torná-la suportável, o que acabava facilitando a sua aceleração. O fracasso de uma sequência de planos heterodoxos de estabilização em curto período de tempo – cinco planos em cinco anos – contribuiu para aumentar a instabilidade na economia, intensificando a aceleração da inflação.
Em 1994 o Brasil instituiu um novo plano econômico que tinha como principal objetivo abolir a inflação. Giambiagi e Moreira (1999, p.22) explicam que:
O Plano Real foi lançado em fins de junho de 1994, depois do fracasso dos cinco programas de estabilização anteriores, desde 1986 tais planos tiveram, como característica comum, o congelamento de preços, que levava a uma queda imediata da inflação, com posterior aceleração da taxa de crescimento dos preços, conduzindo a uma rota hiperinflacionária. Em junho de 1994, a inflação brasileira, medida pelo IGP-DI acumulado em 12 meses, era de 5.154%. No tocante à queda da inflação, o êxito do Plano Real não poderia ter sido maior: pela primeira vez na história do índice, a inflação calculada pela Fundação Getúlio Vargas registrou queda por cinco anos consecutivos, caindo para 1,7% em 1998.
Sem dúvida, o principal êxito do Plano Real, no primeiro mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso, foi a eliminação do maior problema da economia brasileira até 1994: o fenômeno da “superinflação”.
Para o ambiente brasileiro, a implantação do plano Real foi muito positiva, pois trouxe inúmeros benefícios à população, dentre elas: a migração da classe pobre para a classe média, cidadãos que antes não dispunham de dinheiro e nem de crédito para compra de bens essenciais e básicos passaram a ter, em muitas situações, dinheiro sobrando, além de acesso a limites de crédito antes impensáveis.
Os cidadãos, que antes sofriam com o descontrole inflacionário e não conseguiam ter perspectiva de médio e longo prazo, agora passavam a ter mais previsibilidade econômica, porém não estavam habituados a planejar seu futuro financeiro e a cuidar de suas finanças; ou seja, não se preocupavam com sua educação financeira. Esse cenário também se repetia nas agendas governamentais, isto é, o tema não tinha a devida importância nas iniciativas de políticas públicas.
Sendo assim, a educação financeira não fez parte dos parâmetros do ensino brasileiro entre os anos de 1980 até 2008.
De acordo com Gruber (2012, p.153),
[...] desde então, houve uma clara recuperação socioeconômica e a afirmação dos princípios democráticos no Brasil, como mostram as pacíficas transferências presidenciais, a manutenção de um razoável índice de preços, o aumento do PIB, o forte incremento das reservas internacionais e uma intensa evolução no setor financeiro. Isso explica o reduzido impacto sofrido pelo país após a crise financeira internacional em 2008.
A crise financeira internacional de 2008 foi o evento mais marcante dos últimos anos no mercado financeiro mundial, e teve como origem as hipotecas subprimes americanas, fato que mostrou ao mundo os efeitos prejudiciais que decorrem do despreparo financeiro das pessoas.
Paula e Filho (2011, p.316) descrevem quais foram os passos para a crise subprime, explicando que
[...] a necessidade de ampliação de escala levou as instituições financeiras a incorporarem segmentos de baixa renda em condições de “exploração financeira” — no caso do subprime, com taxas de juros variáveis (baixas no início e se elevando ao longo do tempo) — que acabou resultando em um processo de estrangulamento financeiro do tomador de crédito. A securitização, que serviria para diluir riscos, na prática serviu para esconder riscos — títulos lastreados em hipotecas eram emitidos por instituições financeiras de grande porte, sendo tais ativos classificados como grau de investimento por uma agência de rating. Tais ativos, como resultado da globalização financeira, passaram, por sua vez, a ser comprados por investidores de diferentes nacionalidades. Criaram-se, assim, novos instrumentos financeiros que não foram devidamente regulamentados pelas autoridades.
Mecanismos de auto regulação mostraram-se falhos devido ao caráter pró-cíclico da tomada de risco: projetos que eram considerados ruins na desaceleração passaram a ser visto como bons no boom cíclico.
[...]
No entanto, mesmo não trazendo consequências econômicas de grande vulto ao Brasil, o advento da crise trouxe ao mundo a necessidade de dar mais atenção à literácia financeira. Diversos países e órgãos começaram a olhar a problemática da educação financeira com outros olhos. Dentre diversos órgãos, destaca-se o banco mundial com o estudo feito em 2009 sobre o tema, intitulado The Case for Financial Literacy in Developing Countries.
Nesse estudo o Banco mundial (The Case for Financial Literacy in Developing Countries, 2009) menciona que a crise de 2008 destacou vulnerabilidades criadas pela inovação financeira e o crescimento da complexidade do mercado financeiro. Os produtos de empréstimos tornaram-se demasiadamente complexos para os consumidores entenderem, assim como a divulgação sobre esse tipo de operação foi insuficiente para esclarecer os riscos. Até mesmo as áreas comerciais das instituições financeiras não tinham conhecimento da extensão dos riscos que estavam assumindo.
A visão do banco mundial (2009) sobre literácia financeira, no auge da crise financeira de 2008, era de que o tema é especialmente importante por diversas razões, dentre elas a redução de acesso ao crédito e o aumento de custos em mercados em desenvolvimento, como ocorreu nos Estados Unidos e Europa.
Segundo a visão do banco, a literácia financeira pode ajudar a preparar consumidores para tempos financeiros difíceis, promovendo estratégias que mitiguem risco, como poupar recursos, diversificar ativos e comprar seguros. O estudo ainda argumenta que a literácia financeira reforça o controle das finanças evitando pagamento
desnecessário de juros e a manutenção do acesso a crédito em tempos de aperto econômico.
Olhando para essas transformações que a sociedade brasileira passou em função da melhora econômica vivida pelo país, e também observando a crise sub- prime vivida nos mercados externos, e a atenção dada por outros países e órgãos renomados acerca da educação financeira ao redor do mundo, o governo brasileiro instituiu a Estratégia Nacional de Educação Financeira (ENEF) no ano de 2010, através do decreto 7397/2010, publicado no Diário Oficial de União de 22 de dezembro de 2010, (ENEF, 2015).
O objetivo da ENEF é contribuir para o fortalecimento da cidadania ao fornecer e apoiar ações que ajudem a população a tomar decisões financeiras mais autônomas e conscientes. A estratégia foi criada através da articulação de oito órgãos e entidades governamentais e quatro organizações da sociedade civil, que juntos integram o Comitê Nacional de Educação Financeira – CONEF (ENEF, 2015).
Pensar na educação financeira de cidadãos requer também pensar naqueles que irão transmitir esse conhecimento, ou seja, os professores. O professor, enquanto educador, participa de um momento fundamental na formação de crianças e jovens, especialmente aqueles que atuam no período que vai da infância à adolescência. É nesse período que o aprendizado se enraíza e posteriomente é levado para toda a vida, através de hábitos e princípios.
Sthepahni (2005, p.12) explica que:
Cada indivíduo participante do processo de formação do ser humano tem uma parte de responsabilidade nesse processo de mudança pela qual a educação passa. E a educação financeira vem ser um elo entre várias áreas do conhecimento, no sentido de fazer com que trabalhem juntas e formem na epistemologia do aluno, conceitos capazes de instrumentalizá-lo para a construção de sua autonomia.
1.2 PROBLEMA DE PESQUISA
Considerando-se o papel do professor do ensino fundamentla e médio para a disseminação da educação financeira, este estudo está focado na análise da literácia
financeira de professores desse segmento, trazendo como problema de pesquisa:
Qual o nível de literácia financeira de educadores do ensino fundamental e médio da rede pública de ensino do município de Sorocaba?
1.3 OBJETIVOS
1.3.1 Objetivo Geral
Determinar o nível de literácia financeira em suas três dimensões (conhecimento, comportamento e atitude) junto aos professores do ensino fundamental e médio de escolas da rede do município de Sorocaba.
1.3.2 Objetivos Específicos
1.3.2.1 Objetivo específico 1
Identificar o nível de literácia financeira de professores do ensino fundamental e médio de escolas da rede do município de Sorocaba, utilizando o instrumento de pesquisa adaptado de Potrich et al (2015), sendo:
Objetivo específico 1.a: Identificar o nível de literácia financeira na dimensão do conhecimento;
Objetivo específico 1.b: Identificar o nível de literácia financeira na dimensão comportamento;
Objetivo específico 1.c Identificar o nível de literácia financeira na dimensão atitude;
1.3.2.2 Objetivo específico 2
Identificar o nível de literácia financeira de professores do ensino fundamental e médio de escolas da rede do município de Sorocaba, na dimensão conhecimento, utilizando questionário adaptado do instrumento de pesquisa de S&P de Klapper, Lusardi e Oudheesden (2014).
1.3.2.3 Objetivo específico 3
Confirmar se os indicadores utilizados para captar conhecimento, comportamento e atitude se agrupam dentro das dimensões propostas para a amostra estudada.
1.3.2.4 Objetivo específico 4
Analisar se é possível discriminar grupos de professores com alto ou baixo grau de alfabetização financeira tendo como critérios sua experiência anterior com o tema, seu interesse e a percepção que têm do interesse dos pais e dos alunos sobre o tema literácia financeira.
1.3.2.5 Objetivo específico 5
Identificar se variáveis demográficas (gênero, tempo decorrido desde a graduação, idade, tipo de curso feito na graduação, a disciplina que leciona, o nível de aperfeiçoamento) influenciam o grau de alfabetização financeira do professor.
1.4 JUSTIFICATIVA E CONTRIBUIÇÕES
Uma vez que este estudo aborda a importância da literácia financeira e seu papel em todos os estágios de vida das pessoas, entende-se que seja bastante importante trabalhar a literácia financeira na infância e adolescência do indivíduo, momento em que ele está formando seus princípios e adquirindo hábitos que ele levará por toda a vida. O aprendizado adquirido neste momento será para o jovem uma ferramenta essencial para a condução de suas decisões financeiras no decorrer de sua existência.
Sendo assim, um importante disseminador da literácia financeira para os indivíduos que se encontram nesta fase da vida é o professor dos ensinos fundamental e médio. Por esta ótica, esse profissional possui um poder multiplicador de conhecimento pois pode, através de ferramentas e exercícios práticos, mostrar ao aluno a importância do tema e a importância de aprender conceitos que o ajudarão na gestão financeira do seu dia a dia, bem como no seu planejamento futuro, como aposentadoria, poupança e investimentos.
Para que o professor cumpra esse papel de multiplicador é preciso que ele compreenda a importância do tema para a sociedade e para si próprio, de modo que possa disseminar esse conhecimento.
Objetivando contribuir para que essa prática evolua nessa categoria de profissionais, este trabalho pode contribuir para o desenvolvimento de ações de desenvolvimento de literácia financeira à medida que mapeia o conhecimento dos professores nessa área, sinalizando possíveis lacunas a serem trabalhadas em cursos de formação específica para que esses professores ocupem o papel de disseminadores da educação financeira. Essa formação deve propor conteúdos e aspectos didáticos para que esse professor possa transmitir aos seus alunos uma educação financeira de qualidade e que esses ensinamentos sejam práticos, atrativos e se tornem importantes para suas decisões financeiras futuras.
A cidade de Sorocaba foi escolhida como base para a pesquisa porque é hoje umas das regiões economicamente mais desenvolvidas do Estado de São Paulo, com uma população estimada em 644 mil habitantes. A cidade se destaca pelo desenvolvimento de sua indústria, comércio e serviços.
1.5 DESENVOLVIMENTO DO TEXTO
Este capítulo introdutório, conforme já visto, aborda a contextualização do tema, trata da questão de pesquisa, dos objetivos propostos e das justificativas para o estudo.
O segundo capítulo aborda conceitos sobre educação financeira, a importância da educação financeira e o estado da educação financeira no Brasil, sendo este capítulo o arcabouço teórico do trabalho.
O terceiro capítulo apresenta os procedimentos metodológicos adotados no estudo.
No quarto capítulo apresentam-se e discutem-se os achados do estudo.
O texto finaliza com a conclusão, onde serão retomados os objetivos gerais propostos e a forma como foram contemplados no estudo.
CAPÍTULO 2: REFERENCIAL TEÓRICO
Para explorar o tema literácia financeira, proposta desta dissertação, fez-se uma revisão sistemática da literatura, buscando-se as publicações relacionadas aos temas educação financeira e literácia financeira, especialmente para verificar aquelas que têm interação com o problema de pesquisa deste trabalho. A revisão foi feita em 4 periódicos internacionais, considerando-se o período compreendido entre os anos de 2010 a 2015, sendo eles:s i) International Journal of Consumer Studies; ii) Journal of Banking & Finance; iii) Journal of Economic Psychology; iv) The Journal of Consumer Affairs. Esses periódicos foram selecionados por terem fator de impacto maior do que 1,0 e por terem como foco editorial assuntos correlatos ao tema deste trabalho.
Além da revisão sistemática desses quatro períodicos, este trabalho também analisou outros artigos de diferentes periódicos e produçôes acadêmicas (dissertações e teses) disponibilizados em meio eletrônico.
2.1 CONCEITOS SOBRE LITERÁCIA FINANCEIRA
A literatura traz muitas definições conceituais para os termos literácia financeira e educação financeira, alguns autores enxergam diferenças e dividem alguns pontos entre um e outro termo, outros consideram os dois termos como tendo o mesmo significado, todavia ainda não há uma definição clara, porém de forma geral essas definições são convergentes, ou seja, caminham para a mesma direção. Este trabalho aborda os dois termos, considerando uma convergência em seus objetivos.
Sendo assim, para um melhor entendimento é importante navegar sobre as várias definições dadas por diferentes autores, pesquisadores e órgãos/instituições que tratam do assunto.
De acordo com Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE, 2015), Educação financeira é definido como sendo:
O processo pelo qual os consumidores financeiros/investidores melhoram a sua compreensão dos produtos financeiros, conceitos e riscos, e através da informação, instrução ou aconselhamento objetivo, desenvolvem habilidades e confiança para se tornar mais consciente dos riscos e oportunidades
financeiras, para fazer escolhas assertivas, saber onde procurar ajuda, e tornar outras ações efetivas para melhorar seu bem estar financeiro. (OCDE, 2005a)
Segundo a OCDE (2005) esta definição pode ser interpretada como a necessidade individual em diferentes contextos socioeconômicos. A educação financeira começa com noções básicas, como as características de produtos financeiros e progride até conceitos mais sofisticados, como o de investimentos em mercados acionários e de câmbios.
Fica claro que a educação financeira passa por estágios de conhecimento, que vão desde o básico até conceitos mais sofisticados.
Outro organismo internacional que trata do assunto é a Financial Consumer Agency of Canada (2016). A Financial Consumer Agency of Canada foi criada pelo governo Canadense em 2001 para atuar como fomentadora do conhecimento financeiro, entre suas funções estão as de proteger e informar consumidores sobre produtos e serviços financeiros.
A Financial Consumer Agency of Canada (2016) define Educação Financeira com sendo: Literácia Financeira é ter o conhecimento, habilidades e confiança financeira para tomar decisões financeiras responsáveis. Onde: i) Conhecimento refere-se a um entendimento de questões financeiras pessoais e mais amplas; ii) Habilidades referem-se à capacidade de aplicar esse conhecimento financeiro na vida cotidiana; iii) Confiança significa ter a autoconfiança para tomar decisões importantes;
iv) Decisões Financeiras Responsáveis referem-se à capacidade dos indivíduos de utilizar o conhecimento, as habilidades e a confiança que eles ganharam para fazer escolhas apropriadas para suas próprias circunstâncias.
A importância da criação de órgãos que visem fomentar mundialmente esses conceitos, bem como o incentivo à pesquisadores do tema são fundamentais para a disseminação de conhecimento e nivelamento da população mundial com relação à literácia financeira.
Brackin (2007, p. 6) argumenta que literacia financeira tem sido definida como
"a capacidade de fazer julgamentos informados e tomar decisões eficazes em relação ao uso e gestão de dinheiro".
Worthington (2006 apud BRACKIN 2007, p. 6) argumenta que,
Embora os decisores políticos e pesquisadores têm tentado definir, a literacia financeira pode significar coisas diferentes para pessoas diferentes. Pode ser um conceito amplo que envolve uma compreensão da economia, ou, alternativamente, um conceito mais restrito centrado principalmente na administração básica dinheiro.
Sherraden e Johnson (2007) acrescentam o acesso a serviços e instituições como algo importante, segundo eles sugerem, a capacidade financeira engloba não só o conceito de educação financeira, ou seja, o conhecimento, mas também o acesso a serviços e instituições, pois segundo os autores, se não houver acesso aos recursos e instituições financeiras, principalmente para aqueles “desbancarizados”, não será possível que as pessoas alcancem um estilo de vida de pessoas financeiramente alfabetizados.
Na visão de Lusardi (2008, p. 2),
literácia financeira afeta as decisões financeiras, a falta de conhecimento sobre conceitos financeiros básicos podem ser relacionados com a posterior falta de plano de aposentadoria, a ausência de participação no mercado de investimentos, mercado acionário, e tem reflexo na contração de empréstimos inadequados.
Para Lusardi e Mitchel (2006, 2008, 2009) literácia financeira está associada ao comportamento, por exemplo, pessoas menos alfabetizadas financeiramente são menos propensos a planejar suas aposentadorias e menos propensos a investir no mercado de ações.
Segundo, Remund (2010), literácia financeira é a competência pessoal de administrar o dinheiro.
Huston (2010) expõe uma visão interessante a respeito do conceito. Para ela, literácia financeira pode ser conceitualizada em duas dimensões de entendimento: o conhecimento de finanças pessoais e a habilidade e confiança na aplicação desses conhecimentos em finanças pessoais.
Figura 1: Dimensões da Literácia Financeira retratadas por Huston.
Fonte: Huston (2010, p.307).
Huston (2010) também argumenta que literácia financeira é um componente do capital humano que pode ser usado em atividades para melhorar o bem-estar financeiro. Ela também demonstra que outras influências como viés comportamental, problemas de autocontrole, família, colegas de trabalho, problemas econômicos e comunidade podem afetar o comportamento financeiro das pessoas. Porém, segundo a autora, uma pessoa alfabetizada financeiramente, que tem conhecimento financeiro, pode talvez não apresentar divergência de comportamento em função dessas outras influências.
Em seu estudo Hastings, Brigitte e Skimmyhorn (2013) mencionam que a literácia financeira tem assumido diversos significados, em muitos casos ela é utilizada para se referir aos conhecimentos relacionados a produtos financeiros, em outras situações é relacionada a conhecimentos e conceitos financeiros como inflação, diversificação e scoring de crédito. A habilidade matemática necessária para tomada de decisões financeiras também é lembrada como sendo um dos significados do termo literácia financeira.
Conforme Mavlutova, Sarnovics e Armbruster (2015), a literácia financeira é composta de um conjunto de competências que permite às pessoas gerirem de forma eficaz seus recursos, bem como lhes permite ver várias oportunidades de melhorar sua qualidade de vida.
Ainda de acordo com Mavlutova, Sarnovics e Armbruster (2015), cientistas e especialistas concordam que literácia financeira é apenas uma parte da economia e da literácia geral.
Para Remund (2010 apud, ASAAD 2015, p.1) literacia financeira,
é uma medida do grau em que se compreende principais conceitos financeiros e que se possui a habilidade e confiança necessárias para gerir as finanças pessoais através de uma adequada tomada de decisões de curto prazo e do planejamento financeiro de longo prazo, diante dos eventos e mudanças nas condições econômicas no decorrer da vida.
Ainda em seu texto Mandell (2009 apud ASSAD, 2015, p.2) descreve literácia financeira como “a habilidade dos consumidores em tomar as melhores decisões financeiras para seus interesses no curto e longo prazo”.
Remund (2009 apud ASSAD, 2015, p.2) em seu nível mais básico “literácia financeira refere-se à competência pessoal para a administração do dinheiro a é tipicamente mensurado a nível individual e em seguida agregados por grupos”.
Segundo Potrich, Vieira, Coronel e Filho (2015), literácia financeira é conhecida como uma habilidade essencial dos cidadãos que precisam operar de uma forma mais complexa cenários financeiros.
2.2 A IMPORTÂNCIA E O DESENVOLVIMENTO DA LITERÁCIA FINANCEIRA NO MUNDO
A educação financeira tem se tornado cada vez mais importante na vida das pessoas, mesmo que estas não sejam investidores ativos ou traders do mercado financeiro, ocupando desta forma papel importante no desenvolvimento individual em qualquer cenário.
Conforme Savoia, Saito e Santana (2007, p.1122), na sociedade atual, “os indivíduos precisam ter domínio de um conjunto amplo de propriedades formais que
proporcione uma compreensão lógica e sem falhas das forças que influenciam o ambiente e as suas relações com os demais”. Parte deste domínio, é atingido através da educação financeira, compreendida como um processo de transmissão de conhecimento que proporciona o desenvolvimento de habilidades nos indivíduos, para que eles possam tomar decisões fundamentadas e seguras, melhorando o gerenciamento de suas finanças pessoais; a partir do momento em que aprimoram tais capacidades, os indivíduos passam a ser mais integrados à sociedade e se tornam mais atuantes no âmbito financeiro, ampliando o seu bem-estar.
Em seus objetivos estão os de auxiliar as pessoas na administração dos seus rendimentos, as suas decisões de poupança e investimento, aposentadoria, compra de bens imóveis, consumo de forma consciente e prevenção de situações de fraude, etc.
Diante disso, é possível enxergar a importância da educação financeira pessoal na sociedade, pois isto influencia diretamente as decisões econômicas dos indivíduos e das famílias e consequentemente tem reflexo importante no ambiente econômico de toda a população.
De acordo com Johnson e Sherraden (2007) a literácia financeira é uma parcela de contribuição, mas não é suficiente. A participação na vida econômica deveria maximizar as chances de vida e permitir que as pessoas levassem vidas mais plenas.
Isso requer conhecimentos e competências, habilidade para agir sobre esse conhecimento e a oportunidade para fazê-lo. Isso envolve o uso de métodos pedagógicos que permitam às pessoas praticar e ganhar competência naquelas funções.
Savoia, Saito e Santana (2007, p.1122) explicam que,
A educação financeira tornou-se uma preocupação crescente em diversos países, gerando um aprofundamento nos estudos sobre o tema. Embora haja críticas quanto à abrangência dos programas e seus resultados, principalmente entre a população adulta, é inegável a importância do desenvolvimento de ações planejadas de habilitação da população.
Nas últimas duas décadas, três forças produziram mudanças fundamentais nas relações econômicas e sociopolíticas mundiais: a globalização, o desenvolvimento tecnológico e alterações regulatórias e institucionais de caráter neoliberal. Isso levou os países desenvolvidos a reduzirem o escopo e o dispêndio de seus programas de seguridade social, ou seja, houve o rompimento do paradigma paternalista do Estado.
Figura 2: FORÇAS PRODUTORAS DE MUDANÇAS FUNDAMENTAIS Fonte: Savoia, Saito e Santana (2007, p.1122)
Na visão de Lusardi (2008) os indivíduos precisam mais do que nunca possuir habilidade financeiras pois, segundo ela, esse conhecimento está tipicamente focado em conhecimento em economia e finanças, e seus efeitos recaem sobre as decisões financeiras relacionadas à poupança, planejamento de aposentadoria e escolha de investimentos dos indivíduos.
Na visão de Lusardi (2008), aqueles indivíduos que estudam economia na escola ou na faculdade estão mais propensos a apresentar níveis mais elevados de literácia financeira na vida adulta.
Conforme o Banco Mundial (2009), argumenta que os consumidores financeiramente alfabetizados teriam sido mais cautelosos em assumir crédito que não pudessem arcar, pois tanto nos países pobres quanto nos desenvolvidos as habilidades financeiras são importantes, sendo a literácia financeira um conceito amplo que inclui comportamento e informação de relevância, independentemente da sua riqueza ou renda. Para pobres e ricos a literácia financeira proporciona maior controle do futuro financeiro, utilização mais eficaz dos produtos e serviços financeiros, e redução da vulnerabilidade.
O mesmo artigo menciona que a literácia financeira é a principal forma de capacitar e educar os consumidores com intuito de deixá-los bem informados sobre finanças de uma forma relevante para suas vidas, e possibilitá-los usar esse conhecimento para avaliar produtos e tomar decisões bem informadas. Este estudo evidencia ainda que aqueles que são menos financeiramente alfabetizados são mais
propensos a ter problemas com endividamento, poupam menos, envolvem-se em crédito de alto custo e não planejam o futuro, argumentando que a literácia financeira permite que além das pessoas tomarem melhores decisões financeiras, exijam assim seus direitos e responsabilidades como consumidores de produtos financeiros, compreendam e gerenciem riscos. O estudo finaliza afirmando que os consumidores mais do que nunca precisam de um nível de entendimento financeiro adequado para avaliar e comparar os produtos financeiros, tais como: contas bancárias, produtos de poupança, crédito e opções de empréstimo, instrumentos de pagamento, investimentos, seguros, entre outros.
Torna-se explícita que a falta de literácia financeira pela incapacidade do indivíduo gerenciar suas finanças pessoais, estabelecer e reservar para momento de dificuldades de obtenção de renda, etc., pode trazer consequências desastrosas.
Muitas pessoas não possuem o hábito de poupar recursos, e isso é algo ruim, pois a falta de poupança pode trazer inúmeros problemas relacionados à gestão financeira pessoal no decorrer de suas vidas.
Nos estudos avaliados, também se destacou a importância do quesito poupança na gestão financeira pessoal do indivíduo.
De acordo com (Financial Literacy and Emergency Saving, 2013) a poupança pessoal por parte dos consumidores é um elemento essencial na acumulação de riqueza e influencia tanto o micro quanto o crescimento macroeconômico (GAO 2001).
O mesmo estudo menciona que a taxa de poupança baixa não só apresenta problemas potenciais em termos de insegurança financeira a longo prazo, mas ainda, no curto prazo, preocupações sobre a capacidade das famílias para atender despesas inesperadas relacionadas com as suas necessidades presentes. Como notado por Chase et al. (2011) , a investigação relacionada com poupança pessoal tende a enfatizar a segurança da aposentadoria ao invés de preocupações financeiras de curto prazo, e estudos sobre poupança de emergência são relativamente raros.
Em seu estudo sobre poupança, Kennickell e Lusardi (2006)examinaram os valores alvo da poupança que os indivíduos calculam que precisam para situações de emergência, e relatam que tais poupanças representam cerca de 8 % da riqueza total das famílias.
O quesito crédito também é ressaltado nos estudos relacionados ao tema.
Na visão de Gerardi, Goette, e Stephan (2010), a melhoria do acesso ao crédito, como tal, oferece os benefícios de suavização do consumo ao longo do tempo, pois o modelo padrão em economia assume que os agentes são racionais e compreendem perfeitamente seu ambiente.
De acordo com a OCDE,
Governos de todo o mundo estão cada vez mais preocupados com os baixos níveis de literacia financeira entre os seus cidadãos. Eles reconhecem que as boas habilidades de literacia financeira capacitaria os indivíduos a tomar melhores decisões em um mercado financeiro cada vez mais complexo , e que por sua vez, estas bem decisões poderiam ter repercussões positivas nos mercados financeiros e na economia como um todo. (OCDE,2012)
Ainda segundo a OCDE (2012), a literácia financeira tem sido globalmente reconhecida como uma habilidade fundamental à vida e como um elemento importante da estabilidade e desenvolvimento econômico e financeiro da sociedade.
Nesta linha, diversos autores e organismos mundo afora têm estudado a importância da educação financeira para os indivíduos e a sociedade. Apresenta-se, a seguir, o ponto de vista de alguns deles.
Hastings, Brigitte, e Skimmyhorn (2013) argumentam que a falta de literácia financeira é um problema que torna os indivíduos incapazes de aperfeiçoar seu bem estar financeiro, especialmente quando os riscos são altos. Os autores argumentam ainda que as consequências são óbvias para o bem estar individual e social.
Para Njehia (2014), literácia financeira ajuda a capacitar e educar investidores para que sejam bem informados sobre finanças e isso os torne capaz de usar esses conhecimentos na avaliação de produtos e na tomada de decisões financeiras.
Com esta mesma ideia, Njehia (2014) enfatiza em seu estudo que literácia financeira prepara investidores para tempos de crise financeira através de meios que mitiguem riscos, como constituição de poupança, a diversificação de investimentos e a aquisição de seguros. A autora argumenta ainda que a literácia financeira facilita a gestão pessoal de pagamento das contas, a tomada de empréstimos pessoais e que
ela também contribui para o crescimento econômico, sistemas financeiros sólidos e redução da pobreza.
Os autores citados evidenciam a importância do conhecimento financeiro e a influência da falta deles na vida dos indivíduos, principalmente por seus reflexos em decisões financeiras que afetarão suas poupanças, plano de aposentadoria e escolhas financeiras que poderão conduzí-los ao endividamento. A importância é tida como um diferencial muito grande no desempenho financeiro das pessoas ao longo de suas vidas. Quem as possui está mais preparado para entender o ambiente econômico, bem como mais apto a tomar decisões assertivas. Os autores reforçam o reflexo disso na sociedade, que pode tornar-se um problema sistêmico.
Em alguns estudos percebe-se que é dada importância às fases nas quais a literácia financeira é aplicada aos indivíduos.
Alguns autores argumentam que a educação financeira não é o único agente de importância neste processo, pois a participação das pessoas no processo econômico, o acesso ao sistema financeiro e ao crédito são, da mesma forma, fatores destacados como de grande importância.
Também se argumenta em alguns estudos que a regulamentação da educação financeira pelos órgãos governamentais seja algo fundamental, mas que de qualquer forma é necessário fomentar o desenvolvimento facultativo do tema.
Conforme explanação de Araújo e Souza (2012),
[...] o reconhecimento de que a educação financeira não é um remédio universal para todos os males auxilia na correta decisão sobre seu uso, como formulação de políticas públicas ou no desenho de produtos financeiros, entre outros. As descobertas das limitações mostram que é necessário, para garantir e alavancar os benefícios trazidos pela educação financeira, o fortalecimento da rede de proteção ao consumidor e a correta regulação das instituições financeiras.
Todas as opiniões e argumentações convergem para um único caminho, ou seja, que a educação financeira é tema de grande importância para o desenvolvimento de uma sociedade economicamente saudável.
Bernheim, Garrett, e Maki (2001), Grimes, Rogers e Smith (2010 p. 3) apud Assad (2015) argumentam que os indivíduos que estudaram economia ou negócios na escola são menos propensos a ser indivíduos desbancarizados.
Em seus estudos, Assad (2015) aponta a confiança como um componente crítico na tomada de decisões financeiras do indivíduo; sua análise explora o excesso de confiança, por ele chamado de overconfidence, ou o excesso de confiança.
Assad (2015) identifica ainda que na maioria das situações a confiança financeira é benéfica, porém em algumas situações ela é altamente prejudicial, principalmente em situações que envolvem análise de risco.
Estudos feitos no Reino Unido apontam que a assimetria de informações é um fator importante na relação entre consumidores e emprestadores de dinheiro naquele local.
Leyshon et al. (2006 apud CLARK, 2013), usam termos como "parasitismo" e
"mutualismo simbiótico" para conceituar a relação entre consumidores e agiotas nos centros urbanos do Reino Unido. Eles alegam que esse tipo de relacionamento é produzido por aqueles que têm a ganhar com geografia assimétrica de conhecimento e informação e a incapacidade dos consumidores de compreender as maneiras nas quais podem se tornar vulneráveis.
French et al. (2011, p.1 apud CLARK, 2013) com estudos semelhantes comentam que consumidores não educados em literácia podem ter pouca escolha.
Mapas de literácia financeira fornecem serviços de oportunidades da indústria financeira de explorar a ignorância e falta de juízo. Em algumas configurações, os baixos níveis de literácia (geral), combinadas com a discriminação e a pobreza (FULLER e MELLOR, 2008) podem efetivamente excluir pessoas do que Scott (2008, 2010) e outros têm referido como "cognitivo capitalismo". Testes formais de literácia financeira podem ser tangenciais, na melhor das hipóteses, e para muitos indivíduos em suas comunidades.
Conforme argumenta Fagan (2007), pessoas jovens requerem ser apoiados no desenvolvimento de entendimento de uma gama de questões econômicas que eles irão encontrar tanto pessoalmente quanto profissionalmente.
Hutchings et al. (2002, apud Fagan 2007) descrevem que é vital que os indivíduos tenham o poder de lidar com a economia diária de consumo, empréstimos e poupança em um mundo que está cada vez mais complexo economicamente.
O cidadão comum na Europa de hoje precisa entender sobre as taxas de juros, empréstimos, cartões de crédito e débito, regime de previdências, modalidades de financiamento público e privado, e assim por diante. Aqueles que não conseguem compreender são impotentes e podem ficar desfavorecidos financeiramente.
De acordo com Lachance (2007, p. 1) “com a complexidade cada vez maior no universo de produtos financeiros, o desenvolvimento da literatura financeira é mais que nunca fundamental para os consumidores”.
Ainda em seu estudo, Lachance (2007), apud Lusardi e Mitchell (2011) ressalta que infelizmente muitos estudos revelam que há baixos níveis de conhecimento financeiro na população, sendo mulheres, minorias, e os menos instruídos os mais vulneráveis.
O que se discute no texto de Mandell e Klein (2009) é que os que estudam literatura financeira geralmente concordam que muitos, se não a maioria, dos consumidores têm falta de conhecimento de literatura financeira necessária para tomar decisões importantes sobre seus interesses financeiros.
O ano de 2010 apresenta estudos que englobam o tema literácia financeira através de várias vertentes. Estudos selecionados mostram o envolvimento da literácia financeira em assuntos como endividamento do consumidor, confiança em investimentos, conhecimentos financeiros para aplicação em planos de aposentadoria, regras dos pais em relação ao comportamento dos filhos em idade escolar, bem como aspectos de influência da educação financeira em escolas de ensino básico, impactos do consumo sem o conhecimento ou com o baixo conhecimento em literácia financeira e a preocupação em diversas partes do mundo sobre o tema.
Cäzilia Loibl (2010) relata em seu estudo que o endividamento dos consumidores americanos chamou a atenção para o papel do currículo do Ensino Médio para preparar os consumidores a tomar boas decisões financeiras. Estas
análises são vertentes de vários estudos de anos anteriores que se refinam em alguns aspectos e, em outros, abrem um leque de possibilidades de estudos.
Sendo a literácia financeira um estudo que evolui, percebe-se que conforme os anos vão avançando, as pesquisas neste campo ganham mais atenção e importância.
“Participantes informados ajudam a criar um mercado mais competitivo e mais eficiente”. (BRAUNSTEIN, S.; WELCH, C., 2002, p. 445).
Nas afirmações de Braunstein e Welch (2002, p. 447),
Os esforços dos órgãos governamentais para melhor compreender o empréstimo predatório, em geral, descobriram que a distorção ou uso inadequado de provisões para crédito, juntamente com a complexidade inerente de empréstimos hipotecários, às vezes resulta em mutuários se enrolando em um atoleiro de crédito financeiramente devastador. Os mutuários que não estão familiarizados com operações de crédito e desconhecem as implicações das condições de empréstimo podem ser vulneráveis a estratégias de vendas dos credores antiéticos. Embora proteções regulamentares e remédios legais são importantes, a educação do consumidor é vista como um elemento essencial para o combate e prevenção aos empréstimos predatórios.
Estudos de Braunstein e Welch (2002) concluem que após senso de 2000 nos EUA, a população tornou-se diversa devido à imigração de famílias, as quais geraram uma grande importância no mercado consumidor; no entanto, como grande parte dos grupos advém de populações carentes, estas usualmente não têm familiaridade com práticas contábeis norte-americanas ou não têm acesso a sistemas financeiros tradicionais, e acabam pagando altas taxas por transação.
Idioma, barreiras educacionais e culturais podem desencorajar algumas populações de estabelecer uma relação bancária para adquirir serviços financeiros. Em vez disso, eles podem usar prestadores alternativos para realizar transações básicas, tais como descontar cheques, obtenção de empréstimos ou fundos de fiação. (BRAUNSTEIN, S.; WELCH, C., 2002, p.
447).
Na Austrália estudos sobre conhecimento fiscal ou literácia fiscal estão em crescimento. Em 2004 o governo australiano financiou uma força tarefa de pesquisa que obteve resultados em junho de 2005, e através deste grupo de trabalho foi lançada a Fundação Financial Literacy.
A participação do governo Australiano foi decidida através dos resultados daquela pesquisa que sugeriram que a melhoria das competências financeiras e a promoção da educação são fundamentais para a prosperidade econômica global e que os baixos níveis de literácia financeira atuam como uma barreira à participação do sistema financeiro. Uma grande investigação foi feita, tanto na Austrália como no exterior em relação aos níveis de literácia financeira em diferentes grupos demográficos, bem como a avaliação de programas de literácia financeira.
Sherraden e Johnson (2007, p. 3), comentam que “o governo americano reconhece a importância da educação financeira” e criou em 2002 e 2003 o Escritório de Educação Financeira dentro do Departamento do Tesouro dos EUA e da Comissão de educação de literácia financeira nacional, respectivamente.
Em função desta importância, em 2006 os Estados Unidos lançaram uma estratégia nacional de literácia, “estabelecendo ligações gratuitas, hotline e câmara de compensação da educação financeira e de materiais de literácia (MYMONEY, 2016), bem como conferências regionais e encontros para criar a consciência pública e construir parcerias público-privadas”.
A literácia financeira tem um papel preponderante na seguridade social de um país. Para as economias pobres, decisões de investimento podem ter implicações sérias na segurança financeira em longo prazo, pois populações que têm menos conhecimentos financeiros nos EUA são menos propensas às práticas financeiras recomendadas, como o planejamento para uma aposentadoria. (HUNG, PARKER e YOONG, 2009).
Uma iniciativa interessante pode ser observada nos estudos em conjunto efetuados pela organização Microfinance Opportunities e Freedom from Hunger para desenvolvimento de um currículo de educação financeira para a indústria de micro finanças.
A organização Freedom from Hunger trabalha em países em desenvolvimento onde a fome crônica acomete uma grande parte da população de um país. O foco está em regiões rurais, onde a pobreza e a fome se apresentam na sua pior forma.
Atualmente a fundação trabalha em diversos países, tais como Benim, Bolívia, Brasil, Burkina Faso, Camboja, Colômbia, Equador, El Salvador, Gana, Guatemala, Haiti,
Honduras, Índia, Madagascar, Mali, México, Níger, Peru, Filipinas, Senegal, África do Sul, Togo, Uruguai e Vietnã.
Com este propósito, iniciaram o lançamento do Programa de educação financeira global para populações de baixa renda em países em desenvolvimento através de,
análises de mercado em que os clientes compartilharam suas metas financeiras e desafios, e seus atuais conhecimentos, habilidades, atitudes e práticas como relacionados para administrar o dinheiro. Como resultado deste programa, um currículo único adaptado para baixa renda populações dos países em desenvolvimento foi desenvolvido. Em dois anos e meio aproximadamente 350.000 clientes de micro finanças receberam formação em educação financeira e 19 milhões tiveram acesso a algumas das mensagens-chave de educação apresentadas através de rádio, televisão, imprensa e teatro de rua. (GRAY, SEBSTAD, COHEN, STACK, 2009, p.9)
Os módulos do programa estavam sendo finalizados e priorizavam a formação dos eventos de treinamento para o instrutor. Sendo assim, desenvolveram um quadro para avaliar os resultados e impactos da educação financeira. (GRAY, SEBSTAD, COHEN, STACK, 2009)
Entradas Saídas Resultados Impactos
Concepção e oferta de educação
financeira
INDICADORES:
* Qualidade de treinamento
* Número de participantes
Curto Prazo:
Melhora de conhecimentos,
habilidades e atitudes Financeiras
Longo prazo:
Melhora do comportamento
que melhora os resultados financeiros
NÍVEL DE INDICADORES Aumento de ativos
Vulnerabilidade reduzida Melhorar bem- estar financeiro
Experiências de aprendizagem
financeiras
MÉTODOS:
* Divulgação de Acompanhamento
* Lista de Verificação de
Observação
MÉTODOS:
* Pré-E
* Pós testes
* Técnicas Foco- grupo de discussão
e Participativa
INDICADORES FINANCEIROS DE
NÍVEL
* O desempenho financeiro melhorou
* Melhor capacidade de
resposta Figura 3 – Estrutura para assessoria de resultados e impactos de educação financeira
Fonte: Autor GRAY, SEBSTAD, COHEN, STACK, 2009. Disponível em:
<https://www.freedomfromhunger.org/can-financial-education-change-behavior-lessons-bolivia-and- sri-lanka-0> Acesso em: 23 set. 2016.
O desenvolvimento da educação financeira, bem como as estratégias de aprendizagem financeira são referidas como as entradas para o programa.
As saídas consistem na qualidade de treinamentos entregues e a avaliação de participantes em atividades de educação financeira através de lista de verificação padronizada que foi desenvolvida para que organizações monitorem a qualidade da educação empregada na implementação.
Os indicadores de resultados a curto e longo prazo foram desenvolvidos para cada um dos módulos, compostos por: indicadores de conhecimentos, habilidades, atitudes e comportamentos esperados. Estes indicadores foram considerados genéricos para que pudessem suportar os módulos.
Aqueles indicadores são adaptáveis aos parceiros da organização, dependendo dosobjetivos das principais aprendizagens. Abordam-se aqui também os métodos de captação de dados e informações para alimentação dos indicadores.
O impacto é avaliado por indicadores tanto no nível de clientes quanto no nível de instituições financeiras, assim como as formas de redução, implementação ou incremento nestes níveis.
O estudo apresenta resultados satisfatórios em treinamento de educação financeira para povos em desenvolvimento através de três modalidades de projetos que dão ênfase em gestão de dívidas, poupança e orçamento.
Na Europa, O EBF 1 (2009) produziu um relatório com as várias iniciativas feitas em educação financeira pelos membros de países europeus das promoções de melhores práticas entre instituições financeiras e o encorajamento de provisões de um alto nível de educação financeira no panorama das iniciativas europeias. O relatório salienta ainda a importância da abordagem de políticas de responsabilidade social corporativa.
Para o EBF (2009, p. 2), literácia financeira é:
1 European Bank Federation
central no complexo mercado financeiro de hoje. É um componente essencial do empoderamento do consumidor, uma vez que lhes dá uma compreensão de como gerenciar suas finanças na real economia, a fim de evitar riscos desnecessários, dívida excessiva e possível exclusão financeira. Além disso, ele permite que às pessoas melhorem sua compreensão das oportunidades financeiras que os produtos que estão disponíveis a eles podem oferecer.
Um dos pontos de preocupação do relatório EBF (2009), é que para a maior parte dos membros o assunto mais comum ainda seria em programas de educação básica, como por exemplo: formas de utilização de conta bancária, habilidades de orçamentação e gestão de crédito e débito.
De acordo com a pesquisa, “as questões de investimento, poupança e aposentadoria, seguros e gestão de risco têm menos destaque, indicando que estas podem ser áreas que requerem maior atenção” (EBF, 2009, p. 14).
O relatório identifica várias atividades feitas por entidades de países europeus, destacando que as iniciativas não são somente direcionadas aos consumidores e bancos, mas também para o público em geral.
Destaca em especial os benefícios de ensino às crianças sobre orçamentação e poupança, referenciando que a educação financeira poderá ajudá-los a compreender o valor do dinheiro, e mais que isso, proporcionar habilidades de extrema importância para a vida independente, tal como gerir empréstimos estudantis.
Reforça aos adultos a habilidade para gerir grandes eventos tais como:compra de casa, planejamento de filhos para o casal e, principalmente, a habilidade e cultura de provisão financeira para situações de imprevistos, bem como investir de forma inteligente e também poupar para a aposentadoria.
As iniciativas dos membros do EBF também visam a que pessoas com educação financeira ajudem outras pessoas a evitar armadilhas de fraude de pagamento.
As pessoas que melhor entenderem questões financeiras fazem melhores escolhas de serviços financeiros para a sua necessidades específicas e são mais inclinados a dar ouvidos às advertências de risco regulatórias. Eles são menos propensos a comprar produtos que não precisam, ser amarrados em produtos que eles não entendem, ou assumir riscos que poderiam colocá-las em dificuldades financeiras. (EBF, 2009, p. 59)
Neste sentido, ajudar outras pessoas com menos educação financeira sugere certa habilidade em transmitir seus conhecimentos de forma que a pessoa a ser ajudada consiga compreender os conhecimentos transmitidos.
A escolaridade tem, então, profundo impacto, pois conforme Lusardi (2010, p.
17),
literácia financeira é fortemente correlacionada com o comportamento que é indicativo da capacidade financeira. Mesmo que estas sejam correlações simples e não se controle outros determinantes do comportamento, aqueles com maior escolaridade são mais propensos a planejar a aposentadoria, são mais propensos a ter um fundo de emergência, e são menos propensos a se envolver em comportamentos de cartão de crédito que gere grande interesse em pagamentos e taxas.
Conforme Lusardi (2010) os resultados daquela época da pesquisa nacional sobre literácia levantaram um preocupante estado da capacidade financeira da população adulta dos EUA.
Em suas palavras,
a maioria dos indivíduos não planeja para a aposentadoria ou toma providências contra choques. Gestão de empréstimos e da dívida muitas vezes resulta em interesse de pagamentos consideráveis e taxas e é notável quantas pessoas usaram métodos de alto custo de empréstimos nos últimos cinco anos. Níveis de conhecimento financeiro são notavelmente baixos e, além disso, há uma desconexão nítida entre o quanto as pessoas pensam que sabem e o que eles realmente sabem. ( LUSARDI, 2010, p. 19)
Percebe-se grande movimentação em vários países sobre ações de pesquisa em educação financeira que com o passar do tempo acabam refinando os estudos, buscando métricas e frameworks que possam cada vez mais fazer análises comparativas entre países e cenários diferenciados.
A Inglaterra em 2003 também investiu em uma estratégia nacional para a capacitação em habilidade financeira, inclusive aprovando o currículo para capacitação de crianças do Ensino Fundamental (TAYLOR, JENKINS, SACKER, 2011).
Estas pesquisas geraram dados e métricas para medição da capacidade de conhecimento financeiros no país, propiciando aos pesquisadores Atkinson, McKay, Kempson, e Collard (2006, 2007) identificarem cinco domínios contributivos: fazer face