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Aelurostrongilose felina: uma parasitose de cortar a respiração!

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Aelurostrongilose felina:

uma parasitose de cortar a respiração!

No presente artigo pretende-se alertar a comunidade médico-veterinária para o aumento da prevalência e distribuição de Aelurostrongylus abstrusus, o parasita pulmonar mais comum nos gatos. O seu diagnóstico pode constituir uma tarefa complexa e desafiante, pelo que se pretende também realçar as principais estratégias actualmente disponíveis para os clínicos de medicina felina, assim como as diferentes opções terapêuticas.

Joana Nabais; Ana Margarida Alho; Gonçalo Vicente; Luís Madeira de Carvalho

InTRoDução

nos últimos anos, as parasito- ses respiratórias nos animais de companhia têm vindo a despertar interesse na comunidade científica e a ganhar relevância na prática veterinária. além de se registar um aumento do número de casos descritos, constituem um desafio a nível diagnóstico e representam um risco para a saúde animal.

O parasita pulmonar mais co- mum no gato (Felis catus) é o metastrongilídeo Aelurostrongylus abstrusus, um nemátode capaz de provocar uma pneumonia vermino- sa, de gravidade variável.1

diversos estudos têm sido reali- zados de modo a averiguar a actual prevalência desta e de outras para- sitoses pulmonares, emergentes em vários países, as quais aparentemente estão subestimadas. as razões para a sua crescente ocorrência são ain- da pouco conhecidas, mas variados factores poderão ser apontados como responsáveis, nomeadamente o aquecimento global ou mudanças na epidemiologia do hospedeiro intermediário.2 adicionalmente, uma maior atenção por parte dos clínicos e uma melhoria nos meios de diag- nóstico e vigilância poderão explicar o aumento da sua detecção. ainda assim, a prevalência desta parasitose está provavelmente subestimada, uma vez que determinados exames coprológicos, nomeadamente a técni- ca de Baermann, são utilizados com pouca frequência na prática clínica.1 BIoloGIA

a principal espécie de nemátode pulmonar assinalada em gatos é Ae- lurostrongylus abstrusus (conhecido na literatura anglo-saxónica como feline lungworm) e pertencente à superfamília Metastrongyloideia, or- dem Strongylida e família angiostron- gylidae. apresenta uma distribuição mundial e um ciclo de vida indirecto, dada a existência de um molusco gastrópode como hospedeiro inter- mediário. É o parasita pulmonar mais comum nos felinos e aparece com maior frequência em gatos jovens, de zonas rurais, com hábitos de caça.3

a forma adulta deste parasita, com aproximadamente 10 mm de comprimento, reside no tecido pul- monar, localizando-se geralmente nos bronquíolos terminais e ductos alveolares.3 nestes tecidos, as fêmeas adultas depositam ovos não embrio- nados nos quais se desenvolvem larvas de 1º estádio (L1), que após eclodirem sobem o tracto respirató- rio, através de mobilidade própria, do sistema muco-ciliar e da tosse do hospedeiro. Quando alcançam a fa- ringe são deglutidas e posteriormente eliminadas através das fezes para o ambiente (Figura 1).4

diversas espécies de moluscos gastrópodes (lesmas e caracóis, geralmente terrestres), funcionam como hospedeiros intermediários, nos quais se desenvolvem as lar- vas infectantes do 3º estádio (L3).

Várias espécies de gastrópodes infectados experimentalmente demonstraram funcionar como hospedeiro intermediário, como por exemplo Helicella sp., Limax flavus ou Theba pisana, este último englobado nas espécies existentes em Portugal.5

O hospedeiro definitivo pode ser infectado através da ingestão acidental ou intencional do gas- trópode ou, mais frequentemente, através da ingestão do hospedeiro paraténico, uma vez que os hospe- deiros definitivos são animais carní- voros. Os hospedeiros paraténicos podem ser anfíbios, répteis, aves ou pequenos roedores.5, 6

Joana nabais

Mestre em Medicina Veterinária, Clínica no Pet24 Hospital Veterinário, Amadora.

Ana Margarida Alho Mestre em Medicina Veterinária;

Estudante de Doutoramento em Ciências Veterinárias, Faculdade de Medicina Veterinária, universidade Técnica de lisboa.

Gonçalo Vicente

licenciado em Medicina Veterinária;

Clínico no Hospital Escolar da FMV-uTl.

luís Madeira de Carvalho

Doutoramento em Ciências Veterinárias;

Professor Associado com Agregação de Parasitologia e Doenças Parasitárias na FMV-uTl. CIISA.

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52 Julho/Agosto 2013 Veterinary Medicine Uma vez ingeridas pelo hos-

pedeiro definitivo, as larvas L3 penetram na mucosa do esófago, estômago e intestino, migrando até aos pulmões através da circulação linfática e/ou sanguínea.5 nos pul- mões, as larvas sofrem duas mudas e atingem o estádio adulto, ao fim de oito/nove dias. após quatro semanas as fêmeas começam a depositar ovos, que são embriona- dos nos ductos alveolares, os quais ficam preenchidos e distendidos, assim como os alvéolos adjacentes.

após a quinta semana aparecem larvas nas fezes.7

O período pré-patente varia geralmente entre quatro e oito semanas e alguns adultos podem sobreviver vários anos nos pul- mões, mesmo não havendo larvas nas fezes.6, 8

ePIDemIoloGIA

diversos estudos têm sido realizados nos últimos anos com o intuito de averiguar a prevalência de gatos com infecção por Aelurostrongylus abstrusus, nomeadamente em países europeus. Os valores mais elevados de prevalência de A. abstrusus na europa foram encontrados na croá- cia, itália e Hungria. no primeiro, durante o período de 1990-1998, fo- ram analisados dois grupos distintos, um rural e outro urbano, tendo sido diagnosticados 22% e 3,9% de gatos com esta parasitose, respectivamen- te.9 em itália, A. abstrusus revelou uma distribuição difusa pelo país, com prevalências mais elevadas na região centro (17,3%) e sul (18,5%).10 recentemente, numa zona rural da Hungria foram detectados 14,5% de gatos positivos a este nemátode.11

noutros países, foi observada uma prevalência de infecção bastan- te inferior, exemplo da espanha, em que apenas 1% dos gatos se revela- ram positivos,12 da roménia, onde tal ocorreu em 5,6%,13 e da alemanha, com 6,6%.14 anteriormente, num estudo elaborado entre 1984 e 1991 na alemanha, foram detectados 1%

de gatos positivos a A. abstrusus,15 o que sugere realmente um aumento da prevalência de aelurostrongilose nos últimos anos.

em Portugal, dados da FMV-UtL mostraram uma prevalência global de 1,5% de A. abstrusus em gatos, em 1999-2000.16 contudo, num estudo realizado no Porto, em que foram recolhidas amostras fecais de gatos errantes entre 2003 e 2005, foi observada uma prevalência de 17,4%.4 Mais recentemente, dife- rentes pesquisas desenvolvidas em Lisboa obtiveram resultados muito semelhantes: 11,8%17 e 12%18 de gatos parasitados por este nemátode pulmonar.

FISIoPAToloGIA e SInAIS ClínICoS

Os sinais clínicos presentes em gatos parasitados por A. abstrusus variam consoante a gravidade da infecção, a qual depende de factores como a carga parasitária, a idade do animal, a resposta imunitária e a presença ou não de doenças concomitantes. Ge- ralmente apresentam sintomatologia respiratória, sendo a tosse, a taquip- neia e a dispneia as manifestações mais comuns.1

a idade jovem e um estilo de vida de exterior constituem factores de risco importantes na infecção felina por A. abstrusus. Os gatos com menos de um ano de idade têm maior probabilidade de se infec- tarem devido ao seu maior instinto predador, assim como os gatos que vivam no exterior, por terem maior acesso a hospedeiros intermediários e paraténicos.13, 19 a presença de sin- tomatologia respiratória é também considerada um factor de risco.1 1. Ciclo de vida de A. abstrusus. no pulmão do hospedeiro definitivo (HD), as fêmeas

adultas depositam ovos dos quais eclodem as l1. Estas sobem o tracto respiratório e são deglutidas, sendo depois eliminadas nas fezes. uma vez no solo, as l1 penetram nas lesmas e caracóis utilizados como hospedeiros intermediários (HI), onde sofrem duas mudas até l3 – estádio infectante. O hospedeiro definitivo adquire a infecção por ingestão do HI ou do hospedeiro paraténico (HP), que podem ser aves, anfíbios, répteis ou pequenos roedores.

Já no HD, as l3 penetram o tracto gastrointestinal e migram pela corrente sanguínea/linfáti- ca até aos pulmões, onde sofrem duas mudas e atingem o estádio adulto. Ao fim de quatro semanas, as fêmeas começam a depositar ovos (original).

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nem sem- pre são obser- váveis sinais c l í n i c o s n o s gatos parasita- dos, uma vez que esta doen- ça pode ser as- sintomática ou subclínica. a forma ligeira, mais frequen- te em animais adultos e/ou com baixa car- ga parasitária, pode ser auto- -limitante, com desaparecimen- to gradual dos sintomas.20 as infecções mais g r a v e s , e n - contradas ge- ralmente em gatos jovens, debilitados e/

ou imunode- primidos, são habitualmente acompanhadas de tosse ligeira a intensa, espir- ros, corrimento n a s a l m u c o - - p u r u l e n t o , dispneia grave e taquipneia, podendo ter um desfecho fatal.8 estes sinais são pro- vocados pela produção de ovos e migração larvar ao longo da árvore bronquial, o que desencadeia uma intensa resposta inflamatória, provocando lesões gra- ves nos alvéolos pulmonares, bronquíolos e artérias locais (Figura 2). Geralmente é induzida uma pneu- monia granulomatosa, observando-se hiperplasia e hipertrofia da musculatura lisa do parênquima e das artérias pulmonares.19

Outros sinais, como letargia, depressão ou perda de peso, podem também ocorrer.1

DIAGnóSTICo

O diagnóstico de uma parasitose pulmonar é complexo e pode constituir um verdadeiro desafio. clinicamente não é fácil fazê-lo, tendo em conta a sintomatologia 2. Secção histológica de pulmão de gato

com broncopneumonia. Podem observar-se numerosos ovos embrionados e larvas l1 de Aelurostrongylus abstrusus no interior dos alvéolos pulmonares.20

3. Técnica de Baermann – amostras fecais a repousar em copo cónico (original).

4. l1 de A. abstrusus, ocular 10x e objecti- va 40x (original).

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Para o tratamento da insuficiência cardíaca congestiva canina com origem em insuficiência valvular (regurgitação mitral e/ou tricúspide) ou cardiomiopatia dilatada. Contra-indicações: Não administrar em caso de cardiomiopatias hipertróficas ou em es- tados clínicos em que um aumento do débito cardíaco não seja possível devido a problemas funcionais ou anatómicos (por ex.

estenose aórtica). Espécie-alvo: cães. Posologia e via de administração: A dose diária preferível é de 0,5 mg de pimobendan/

kg de peso corporal. Não ultrapassar a dose recomendada. Determinar com precisão o peso corporal antes do tratamento, de forma a garantir uma correcta dosagem. Os comprimidos deverão ser administrados por via oral numa dose entre 0.2 e 0.6 mg de pimobendan/kg de peso corporal por dia. A dose deve ser dividida em duas tomas (0.25 mg/kg de peso corporal cada), metade da dose de manhã e a outra metade 12 horas depois. A dose de manutenção deverá ser ajustada individualmente pelo veterinário responsável de acordo com a gravidade da doença. Precauções especiais de conservação: Conservar os comprirnidos divididos no blister aberto e administrá-los no prazo de 3 dias. Conservar a temperatura inferior a 30°C. Advertências especiais: O medica- mento veterinário deverá ser administrado com o estômago vazio pelo menos uma hora antes das refeições, uma vez que a ab- sorção é reduzida quando administrado juntamente com comida. Precauções especiais de utilização: (i) Precauções especiais para utilização em animais: O medicamento veterinário é aromatizado. Para evitar a ingestão acidental, os comprimidos deverão ser armazenados fora do alcance dos cães. Num estudo in vitro em tecidos de ratos demonstrou-se que o pimobendan aumenta a libertação de insulina induzida pela glicose, nas células pancreáticas de um modo dose dependente. Se o medicamento veter- inário for administrado a cães diabéticos, os níveis de glicose no sangue deverão ser cuidadosamente monitorizados, uma vez que o pimobendan é metabolizado no fígado, deverá ter-se especial cuidado ao administrar o medicamento veterinário a cães com insuficiência hepática grave. (ii) Precauções especiais que devem ser tomadas pela pessoa que administra o medicamento aos animais: No caso de ingestão acidental, procurar imediatamente conselho médico e mostrar o folheto informativo ou rótulo.

Lavar as mãos após o manuseamento. Aviso aos médicos: a ingestão acidental, em particular por crianças, pode levar à ocorrência de taquicardia, hipotensão ortostática, rubor da face e dores de cabeça. Titular da autorização de comercialização: Eurovet Animal Health BV, Handelsweg 25, 5531 AE Bladel, Países Baixos. Comercializado por: Esteve Veterinaria Av. do Forte, 3 - Edif. Suécia III, 1º 2794-038 Carnaxide, Tel. (351) 21 424 60 27. Número de autorização de introdução no mercado: 351/01/11 DFVPT

Aelurostrongilose felina

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54 Julho/Agosto 2013 Veterinary Medicine inespecífica, encontrada facilmente

noutras condições patológicas. além disso, podem também ocorrer infec- ções subclínicas ou mesmo atípicas.2 acresce ainda o facto das parasitoses pulmonares estarem subestimadas, o que condiciona a preparação dos clínicos para a identificação das mesmas.22

na infecção por A. abstrusus, o gato apresenta sinais clínicos essen- cialmente do foro respiratório, que podem estar presentes em muitas outras doenças respiratórias. assim, o clínico deve considerar diversos processos nos diagnósticos dife- renciais, nomeadamente: infecção viral, bacteriana ou fúngica, doença inflamatória não infecciosa (como pólipo nasofaríngeo e bronquite alérgica), corpo estranho e neoplasia do aparelho respiratório.22

além disso, os achados radiográ- ficos e hematológicos são também frequentemente inespecíficos, não permitindo um diagnóstico etioló- gico e definitivo. Para o alcançar são necessários métodos próprios, i.e., técnicas que permitam a detec- ção directa do agente em amostras biológicas.1, 23

atendendo ao facto deste parasi- ta eliminar L1 nas fezes, a infecção de gatos por A. abstrusus pode ser identificada através de técnicas coprológicas, nomeadamente o es- fregaço fecal directo, a flutuação de Willis ou o teste de Baermann. con- tudo, este último constitui o método de eleição ou gold standard para o diagnóstico de A. abstrusus, dado que as suas L1 vivas exibem hidro e

termotropismo positivos, permitindo a concentração das mesmas no fun- do de um copo (Figura 3).2, 23

a identificação das L1 deve reger-se por determinados parâ- metros métricos e morfológicos: o seu comprimento varia entre 300 e 390µm, apresentam a extremidade posterior em forma de “S” com um entalhe dorsal e uma terminação tipo botão, extremidade anterior cónica e conteúdo granular (Figuras 4, 5 &

6). O seu esófago não rabditiforme ocupa um terço a metade do compri- mento da larva.6, 24 durante o exame microscópico, estas características podem não ser facilmente reconhe- cidas devido à actividade das larvas, pelo que a utilização de Lugol para as fixar e corar pode ser benéfica. as larvas de A. abstrusus devem ser di- ferenciadas de outras menos comuns e pertencentes a outros nemátodes pulmonares, como Oslerus rostratus.

É também importante a distinção de larvas de ancilostomatídeos nas amostras que sofram incubação e cultura e de larvas de nemátodes de vida livre ou de plantas, que possam aparecer em amostras recolhidas a partir do solo.2

Mesmo sendo o método gold standard para a detecção de aelu- rostrongilose, a técnica de migração de Baermann apresenta alguns in- convenientes: é morosa (demora 12 a 24 horas) e requer experiência do operador na observação microscópi- ca. além disso, podem surgir falsos negativos por não ser possível diag- nosticar infecções durante o período pré-patente, assim como pelo facto

da excreção larvar ser intermitente, mesmo na presença de sintomato- logia grave.1 O período pré patente deste parasita é longo e variável, podendo ir de um a dois meses, e a eliminação de larvas afigura-se irregular e intermitente, pelo que é aconselhável a recolha de fezes de três dias consecutivos.8 apesar des- tes factores, a técnica de Baermann constitui o exame coprológico mais sensível para a detecção de infecção por A. abstrusus.1

Outros métodos de detecção de L1 têm sido utilizados em alternativa às técnicas coprológicas, embora com menor frequência. O mais comum é a lavagem traqueal ou bronco-alveolar, embora implique alguns inconvenientes, uma vez que constitui um procedimento in- vasivo, tem potenciais riscos e pode não detectar as L1, quer devido a factores relacionados com a doença (envolvimento pulmonar pouco sig- nificativo, baixa carga parasitária ou infecção pré-patente), quer relacio- nado com uma colheita de amostra insuficiente.1

diversos meios complementares de diagnóstico podem ser úteis no processo (embora não permitam obter um diagnóstico definitivo), auxiliando a avaliação da gravidade da infecção parasitária. a nível ima- giológico, apesar de não serem en- contradas lesões patognomónicas, a realização de radiografias torácicas pode ser bastante proveitosa.1 as primeiras alterações radiológicas observadas em gatos com aeluros- trongilose incluem espessamento dos brônquios e pequenos nódulos dispersos pelo pulmão, com maior incidência nos lobos caudais. Mais tarde poderá surgir um padrão alveolar generalizado, sobretudo nos casos com sinais clínicos mais manifestos, e os padrões brônquico e intersticial são comuns após reso- lução parcial do anterior.25 também a distensão da artéria pulmonar e o derrame pleural já foram descri- tos.26, 27

5. Pormenor da cauda de l1 de A. abstru-

sus, ocular 10x e objectiva 40x (original). 6. Várias l1 de A. abstrusus, ocular 10x e objectiva 10x (original).

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O recurso a tac (tomografia axial computori- zada) permite a obtenção de imagens com melhor resolução, apresentando maior definição das lesões nodulares e das paredes brônquicas. contudo, à semelhança do que sucede com o exame radio- gráfico, a distinção entre aelurostrongilose e outros processos pulmonares inflamatórios ou infecciosos é difícil.28

novas abordagens têm sido estudadas e desen- volvidas com o intuito de melhorar e ultrapassar as limitações dos métodos tradicionais de diagnóstico desta parasitose, particularmente a nível da sero- logia e técnicas moleculares. a nível serológico, vários estudos realizados nos anos 1970 permitiram constatar algumas limitações, sobretudo relaciona- das com reactividade cruzada entre antigénios de outros endoparasitas e a fraca distinção entre infec- ções antigas e recentes.1, 29 Já no campo molecular, para A. abstrusus foi desenvolvido um nested Pcr baseado no uso de marcadores genéticos do adn ribossomal, utilizando diferentes amostras biológi- cas. além de apresentar 100% de especificidade, o método revelou 96,6% de sensibilidade, valor superior ao alcançado pelos métodos tradicionais.30 todavia, devido ao facto de serem métodos mais exigentes em termos materiais e financeiros, têm sido apenas usados em investigação ou em rastreios de carácter epidemiológico, não se utilizando no diagnóstico laboratorial de rotina.

TeRAPÊuTICA

Se por um lado o diagnóstico pode ser uma tarefa complexa, a terapêutica é geralmente bastante sim- ples. diversas opções de tratamento são conhecidas para a aelurostrongilose felina, tendo sido vários os protocolos já utilizados e reportados como eficazes.

Os benzimidazóis e as lactonas macrocíclicas constituem os grupos de fármacos mais ampla- mente utilizados no tratamento desta parasitose. O febendazol mostra-se eficaz quando administrado diariamente durante cinco dias na dosagem de 20 mg/kg31 ou durante três dias a 50 mg/kg, em formulações orais.32 Outros anti-helmínticos foram testados mas com resultados pouco satisfatórios, quer por eficácia controversa, problemas relativos a palatabilidade, dosagens inconvenientes, toxi- cidade ou efeitos secundários.6, 27 Por exemplo, a ivermectina, além de apresentar actividade limitada pode ter efeitos secundários possivelmente fatais em gatos jovens.33 Mais recentemente foi avaliada a eficácia e segurança de dois anti-parasitários, um contendo imidaclopride a 10% e moxidectina a 1%

e outro com emodepside a 2,1% e praziquantel a 8,6%, em formulação spot-on e administrados uma

PHENOLEPTIL®. Composição: Comprimidos de Fenobarbital de 12,5 ó 50 mg. Indicações de utilização, especificando as espéciesalvo: Prevenção das convulsões devidas a epilepsia generalizada em cães. Contra-indicações: Não administrar em caso de hipersensibilidade à substância activa.

Não administrar a animais com a função hepática gravemente diminuida. Não administrar a animais com alterações renais ou cardiovasculares graves.

Advertências especiais para cada espéciealvo: A decisão de iniciar um tratamento farmacológico antiepiléptico com fenobarbital deverá ser avaliada para cada caso individual e depende do número, frequência, duração e gravidade das convulsões nos cães. As recomendações gerais para iniciar o tratamento incluem entre outras, uma convulsão isolada que ocorre mais de uma vez a cada 4-6 semanas, actividade de convulsões agrupadas (isto é, mais de uma convulsão em 24 horas) ou estado epiléptico independentemente da frequência. Para se obter sucesso no tratamento, os comprimidos devem ser administrados à mesma hora todos os dias. A retirada ou transição de outros tipos de terapêutica antiepiléptica deve ser realizada gradualmente para evitar desencadear um aumento da frequência dos ataques. Alguns cães não têm ataques epilépticos durante o tratamento, porém alguns cães apenas mostram uma diminuição dos ataques, e considera-se que alguns cães não respondem. Via de administração e posologia: Oral. A dosagem inicial recomendada é 2,5 mg de fenobarbital por kg de peso corporal duas vezes ao dia. Reacções adversas: Durante o inicio da terapêutica pode ocorrer ataxia, sonolência, indolência e tonturas, no entanto estes efeitos são normalmente passageirose desaparecem na maioria dos animais, mas não em todos, com a continuação da medicação. Alguns animais podem mostrar uma hiperexcitabilidade paradoxal, em particular logo após o início do tratamento. Como esta hiperexcitabilidade não está vinculada a sobredosagem, não é necessário redução da dosagem. Pode ocorrer poliúria, polidipsia e polifagia para concentrações séricas terapêuticamente activas médias ou elevadas; estes efeitos podem-se reduzir limitando a ingestão de alimentos e água. A sedação e a ataxia tornam-se frequentemente preocupações importantes á medida que os níveis séricos alcançam os limites superiores do intervalo terapêutico.

Concentrações plasmáticas elevadas podem estar associadas a hepatotoxicidade. O fenobarbital pode ter efeitos letais sobre as células progenitoras da medula óssea. As consequências são pancitopenia imunotóxica e/ou neutropenia. Estas reacções desaparecem depois da retirada do tratamento. Tratar cães com fenobarbital pode diminuir os níveis séricos da T4 total ou da T4 livre, no entanto isto não constitui uma indicação de hipotiroidismo. O tratamento de substituição com hormona tiroideia só deve ser iniciado se existirem sinais clínicos da doença. Se os efeitos adversos são graves, recomenda-se a diminuição da dose administrada. Apresentações comerciais: PHENOLEPTIL 12, 5 mg (100 comprimidos) 332/01/11DFVPT. PHENOLEPTIL 50 mg (100 comprimidos):

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56 Julho/Agosto 2013 Veterinary Medicine única vez, os quais demonstraram

ser seguros e eficazes no tratamento de gatos infectados naturalmente por A. abstrusus.34

Geralmente, no final do trata- mento ou da resolução dos sinais clínicos é aconselhada a realização de um teste de Baermann, com amostras de três dias consecutivos, para garantir o término da excreção larvar. v

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