Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa
Stricto Sensu em Planejamento em Gestão Ambiental
DIAGNÓSTICO ESPACIAL DA EXPANSÃO DA CANA-DE-
ÁÇUCAR E SUA RELAÇÃO INDIRETA COM A ATIVIDADE DA
PECUÁRIA NOS ESTADOS DE SÃO PAULO, GOIÁS E MATO
GROSSO DO SUL
Brasília - DF
2012
DIAGNÓSTICO ESPACIAL DA EXPANSÃO DA CANA-DE-AÇÚCAR E SUA RELAÇÃO INDIRETA COM A ATIVIDADE DA PECUÁRIA NOS ESTADOS DE
SÃO PAULO, GOIÁS E MATO GROSSO DO SUL
Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Planejamento e Gestão Ambiental da Universidade Católica de Brasília, como requisito parcial para obtenção do Título de Mestre em Planejamento e Gestão Ambiental.
Orientadora: Renata Marson T. de Andrade, PhD
Tese de autoria de Edna da Silva Piau, intitulada DIAGNÓSTICO ESPACIAL DA EXPANSÃO DA CANA-DE-AÇÚCAR E SUA RELAÇÃO INDIRETA COM A ATIVIDADE DA PECUÁRIA NOS ESTADOS DE SÃO PAULO, GOIÁS E MATO
GROSSO DO SUL apresentada como requisito parcial para obtenção do Título de
Mestre em Planejamento e Gestão Ambiental da Universidade Católica de Brasília, defendida e aprovada pela banca examinadora abaixo assinada:
Aprovado pelos membros da mesa examinadora em 26/06/2012, com menção ____________________________________________________.
Mesa Examinadora:
____________________________________________________ Orientadora: Renata Marson T. de Andrade PhD Curso de Mestrado Gestão Ambiental UCB
_____________________________________________________ Integrante: Perseu Fernando dos Santos, PhD Curso de Mestrado Gestão Ambiental UCB
Membro interno
______________________________________________________ Integrante: Fabiano Toni, PhD
Membro externo
Dedico aos meus filhos, Diego e Arthur.
AGRADECIMENTOS
Agradeço a vida que é um presente e a natureza que está ao redor dos homens.
Agradeço pela orientação e dedicação da Professora Renata Marson Teixeira Andrade.
Agradeço ainda aos colegas, professores e demais participantes do NUGOBIO.
É triste pensar que a natureza fala e que o gênero humano não a ouve.
LISTA DE FIGURAS
Figura 1 Mapa de Biomas do Brasil...23
Figura 2 - Corte esquemático de uma vereda...27
Figura 3 - Mapa do Índice Geral de Degradação (IGD) das 73 MRH do núcleo do Cerrado localizadas nos estados de TO, PI, MS, MG, BA, GO, MA, MT, 1995-1996...28
Figura 4 Comparação entre a área de vegetação original do cerrado em 1960 e 2002...29
Figura 5 Direcionamento da expansão da cana no país...31
Figura 6 Cana-de-açúcar expansão territorial...32
Figura 7 Gado bovino expansão territorial...33
Figura 8 Área de expansão da agricultura de energia...34
Figura 9 Ocupação territorial da cana...35
Figura 10
Expansão da pecuária no país...37
Figura 11 Evolução do rebanho bovino por região geográfica no país...42
Figura 12 Valor da produção X área ocupada...46
Figura 13 Estrutura da cadeia de carne bovina brasileira...46
Figura 14 Localização das Usinas de Etanol e cana-de-açúcar no país...51
Figura 15 Matriz da agroenergia...54
Figura 16 Produtividade de cana e etanol no Brasil 1975-2004...55
Figura 17 Esquema indicativo da integração cana-pasto com aproveitamento dos resíduos...60
Figura 18 Emissões Totais das Principais Atividades Econômicas no Brasil em mil Gg de CO2 Equivalente...63
Figura 19 A expansão da cana-de-açúcar no estado de São Paulo entre os anos de 2003/04 e 2008/09...68
Figura 20 - Classe de solos do Estado do Mato Grosso do Sul. IBGE/Embrapa Solos...74
LISTA DE QUADROS
LISTA DE TABELAS
Tabela 1 Área ocupada por cobertura natural vegetal natural em cada unidade da
federal coberta pelo bioma do cerrado...24
Tabela 2: Principais usos da terra no Cerrado...25
Tabela 3 Fatores de emissões de GEE associados substituição de Cerrado por cana...33
Tabela 4 Volumes financeiros movimentados com a atividade agropecuária...46
Tabela 5 Indicadores X disponibilidade de bagaço...60
Tabela 6 Valores dos estoques de carbono acima do solo (tC/ha)...65
Tabela 7 Emissões de GEEs devido à substituição de várias culturas por cana sem queimar...65
Tabela 8 Área de cana-de-açúcar e substituição do uso da terra entre 2002 e 2006 em diferentes estados do Brasil...67
Tabela 09 Pecuária em Mato Grosso do Sul em 1900...73
Tabela 10 - Área de cana-de-açúcar no estado de Mato Grosso do Sul - Ano safra 2011/12...77
Tabela 11 - Total de cana-de-açúcar cultivado no Mato Grosso do Sul...77
Tabela 12 - Tabela 16 Área cultivada com cana por classe no estado do Goiás (Fonte: CANSAT, INPE)...79
Tabela 13 Ano de 2004 produção de grãos , cereais e pecuária nos municípios maiores produtores de cana-de-açúcar no estado de São Paulo...80
Tabela 14 Percentagem de crescimento das culturas de grãos, cana e pecuária nos municípios maiores produtores de cana no estado de São Paulo...80
Tabela 15 Ano de 2010 produção de grãos , cereais e pecuária nos municípios maiores produtores de cana-de-açúcar no estado de Goiás...81
Tabela 16 - Percentagem de crescimento das culturas de grãos, cana e pecuária nos municípios maiores produtores de cana no estado de Goiás...81
Tabela 17 Ano de 2004 produção de grãos, cereais e pecuária nos municípios maiores produtores de cana-de-açúcar no estado de Mato Grosso do Sul...82
LISTA DE SIGLAS
COFINS - Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social CONAB Companhia Nacional de Abastecimento
FAO - Food and Agriculture Organization GEE Gases de efeito estufa
ILUC - Mudança no uso indireto do solo LUC Mudança no uso direto do solo
MAPA - Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento
OECD - Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação PIS - Programa de Integração Social
USDA/FAS - Serviço Exterior de Agricultura do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos
RESUMO
Referência: PIAU, Edna da Silva. Diagnóstico espacial da expansão da cana-de- açúcar e sua relação indireta com a atividade da pecuária nos estados de São
Paulo, Goiás e Mato Grosso do Sul. 2011. 93 fls. Tese do Curso Stricto Sensu em
Gestão e Planejamento Ambiental. Universidade Católica de Brasília, Brasília, 2011a.
No Brasil o setor sucroalcooleiro se afirma no cenário nacional como pilar do desenvolvimento econômico, graças a expansão da cana-de-açúcar no cerrado, que teve seu grande boom de produção após o ano de 2005. A cultura da cana-de-açúcar nos estados de São Paulo, Goiás e Mato Grosso do Sul, vem deslocando outras culturas, gerando mudança direta e indireta no uso do solo. Essa dissertação utilizou-se do método quantitativo e revisão da literatura para evidenciar essa substituição, para isso foram levantados dados de produção de grãos e a população de bovinos nos municípios de Barretos, Morro Agudo e Piracicaba em São Paulo, Itumbiara, Quirinopólis e Mineiros em Goiás e Sonora, Rio Brilhante e Nova Alvorada em Mato Grosso do Sul. Após análise dos dados coletados não podemos afirmar que a expansão da agroenergia está impulsionando o deslocamento de áreas de pastagens para áreas de florestas ou cerrado, entretanto indícios dessa mudança são evidentes e merecem novos estudos e pesquisas.
ABSTRAC
In Brazil the sugar cane sector is stated on the national scene as a pillar of economy development thanks to expansion of sugar cane in the savannah which had its big boom of production after year 2005. The culture of sugar cane in São Paulo, Goiás and Mato Grosso do Sul, has been shifting other cultures, generating direct and indirect change use impacts of biofuels. This dissertation we used the quantitative method and literature review to show that replacement, for this data were collected for grain production and cattle population in the towns of Barry, Morro Agudo and Piracicaba in Sao Paulo, Itumbiara, Quirinópolis and Miners in Goiás and Sonora, and New Dawn Bright River in Mato Grosso do Sul After analyzing the data collected can not be said that the expansion of agrofuels is driving the displacement of grazing areas to areas of forest or cerrado, though evidence of this change are clear and deserve new studies and research.
SUMÁRIO
1.INTRODUÇÃO...16
1.1 JUSTIFICATIVA...18
1.2 OBJETIVOS...19
1.2.1 Objetivo Geral...19
1.2.2Objetivo Específico...19
1.3 APRESENTAÇÃO DA PESQUISA...19
2. REFERENCIAL TEÓRICO METODOLÓGICO...21
2.1 INSTRUMENTOS DE COLETA DE DADOS...21
2.2. INSTRUMENTOS DE ANÁLISE DE DADOS...22
3. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA...22
3.1 O CERRADO...23
3.1.1 Cerrado - fitofisionomia, solo, perfil e berço das águas...23
3.1.2 A pecuária no bioma do cerrado...25
3.1.3 A agroenergia no bioma do cerrado...30
3.2 A PECUÁRIA NO BRASIL...36
3.2.1 Características, histórico e expansão...36
3.2.2 Pecuária e os gases de efeito estufa (GEE)...38
3.2.3 Sustentabilidade Boi Verde e Boi Quente...44
3.3 CANA-DE-AÇÚCAR e AGROENERGIA...50
3.3.1 A questão entre produção de alimentos e agroenergia...57
3.3.2 Mudança direta do uso do solo (LUC) e Mudança indireta do uso do solo (ILUC)...61
3.4 A EXPANSÃO DA AGROENERGIA E DA PECUÁRIA NOS ESTADOS DE SÃO PAULO, GOIÁS E MATO GROSSO DO SUL...67
3.4.1 São Paulo...67
3.4.2 Goiás...68
3.4.3 Mato Grosso do Sul...70
4. ANÁLISE DE DADOS...76
CONSIDERAÇÕES FINAIS...87
16
1 INTRODUÇÃO
A expansão da cana-de-açúcar e da pecuária no Brasil é uma realidade irrefutável e importante para a economia do país. No entanto, é importante considerar que o cerrado, que já era um bioma que recebia interferências antrópicas devido à produção de grãos e à criação de gado, também está sendo considerado como a melhor opção para incrementar o setor sucroenergético hoje. Essa é uma questão que deve ser analisada sobre a ótica de que existem impactos socioambientais diretos e indiretos devido à mudança do uso do solo e também de que a produção de cana-de-açúcar destinada a biocombustíveis precisa se expandir sem, necessariamente, precisar deslocar outras culturas, o que exige o estabelecimento de práticas sustentáveis e do uso adequado do solo.
O cerrado é o segundo maior bioma brasileiro, sendo superado apenas pela Amazônia. Ele ocupa 21% do território nacional e, segundo projeção de Machado et al. (2004), se as tendências de ocupação continuarem causando perda anual média de 2,2 milhões de hectares de áreas nativas, o bioma cerrado será totalmente destruído até 2030. O cerrado sequer é considerado como um bioma de acordo com a Constituição Federal e, devido às restrições impostas sobre o desmatamento do bioma Amazônico, ele é considerado a última fronteira agrícola e pecuária do país (BOURLAUG, 2002). Ou seja, entende-se que o cerrado é o último espaço físico destinado ao atendimento da demanda crescente da agropecuária e da agroenergia. Embora, devido à diversidade de sua flora, o cerrado esteja entre os sítios de alta necessidade de conservação para a importância da biodiversidade do planeta (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 1992; Myers et al., 2000).
17
do Uso do Solo não são comuns no Brasil, e os debates têm sido realizados nos Estados Unidos e na Europa de forma inconclusiva, devido a muitas incertezas na identificação da causalidade da mudança nas escalas regionais e nacionais.
Alguns estudos mostram que a fronteira agroenergética empurra as outras culturas e em especial a pecuária para regiões de floresta (FARREL et al 2008, RSB 2010). Em contrapartida, cientistas brasileiros e americanos dizem que ILUC não deve ser colocado nos padrões de certificação de biocombustíveis porque as incertezas quanto a modelagem e dados são muito grandes (GOLDEMBERG and Teixeira 2009, UNICA 2009, Farrel et al 2008). Plevin and Ohare 2009, por outro lado sugerem que ILUC esteja incluído na tomada de decisão quanto a sustentabilidade de combustíveis com baixo teor de carbono (emitidos durante o ciclo de vida do biocombustível). No meio dessa discussão, a pecuária é uma das grandes vilãs pela emissão de carbono.
Este estudo irá contextualizar como a pecuária tem entrado em novas áreas de Cerrado na região do Mato Grosso do Sul nos últimos 15 anos. Existe toda uma literatura que chama a atenção sobre o impacto indireto da mudança do uso do solo (sigla ILUC em inglês). Alguns estudos mostram que a fronteira agroenergética empurra as outras culturas e em especial a pecuária para regiões de floresta (FARREL et al 2008, RSB 2010). Em contrapartida, cientistas brasileiros e americanos dizem que ILUC não deve ser colocado nos padrões de certificação de biocombustíveis porque as incertezas quanto a modelagem e dados são muito grandes (GOLDEMBERG e Teixeira 2009, UNICA 2009, Farrel et al 2008). Plevin and Ohare 2009, por outro lado sugerem que ILUC esteja incluído na tomada de decisão quanto a sustentabilidade de combustíveis com baixo teor de carbono (emitidos durante o ciclo de vida do biocombustível). No meio dessa discussão, a pecuária é uma das grandes vilãs pela emissão de carbono (BARRETO, PEREIRA, ARIMA; 2008, p. 11). A agricultura e o ILUC são capazes de remover CO2 da atmosfera, dependendo do tipo de conversão da terra (CERRI et al, 2010).
18
que ocasiona maiores emissões de GEE. E a discussão a respeito de LUC e ILUC se encontra justamente neste ponto, por se ligar à proposição de que as mudanças de uso do solo geram desmatamento que pode resultar em maior emissão de gases de efeito estufa. Este estudo parte do princípio de que há mudança direta e indireta do uso do solo e que existem fronteiras agropecuárias sendo empurradas ou substituídas pela expansão da cana.
Esta pesquisa quali-quantitativa sobre o avanço da agroenergia no Cerrado destaca a mudança no uso do solo nos municípios onde houve o maior crescimento da cultura da cana de açúcar nos estados de São Paulo, Goiás e Mato Grosso do Sul. O primeiro por ser o maior produtor de cana-de-açúcar do país e ponto de migração da atividade pecuária e da agricultura de grãos para outros estados, o segundo por ser um dos estados de cerrado nativo mais impactado pela expansão da agroenergia e da pecuária e o terceiro por ser um dos estados onde a expansão da cana nesses últimos 05 anos foi de maior expressão.
1.1 JUSTIFICATIVA
Assim, esta pesquisa justifica-se pelo fato de que existe uma grande lacuna dentro das metodologias do ILUC para identificar o quanto a expansão da agroenergia está retirando florestas pelo deslocamento de pastagens. Busca-se, então, oferecer uma contribuição para o preenchimento dessa lacuna, ao determinar se existe ou não ILUC, fazendo o caminho reverso, identificando áreas de substituição direta dentro dos municípios onde houve o maio crescimento de cana de açucar (que pode ser a partir de novas áreas de pastagens ou substituindo áreas designadas a outros grãos/culturas). Considera-se que este estudo é relevante para pesquisas em políticas públicas que controlem a expansão sustentável dos biocombustíveis em áreas de pastagens e grãos e que busquem criar novos controles de regulação para essa questão.
1.2.1 Objetivo Geral
Estudar a dinâmica da expansão da agroenergia nos municípios de maior crescimento da cana de açúcar nos estados de São Paulo, Goiás e Mato Grosso do Sul, descrevendo as relações atuais entre a expansão da agroenergia e substituição da pecuária e os seus impactos no cerrado.
1.2.2 Objetivos Específicos
1. Caracterizar a expansão da cana-de-açúcar nos estados de São Paulo, Goiás e Mato Grosso do Sul.
2. Identificar e caracterizar os municípios com maior taxa de expansão nos últimos 05 anos nesses estados.
3. Análise sócio-econômica nesses municípios, em relação a outras culturas para observar se houve substituição por cana ou eucalipto em áreas de pastagem (número de cabeça de gado) ou outras culturas.
1.3 Apresentação da Pesquisa
Com o intuito de alcançar os objetivos traçados na pesquisa, o trabalho foi dividido em cinco capítulos, a primeira é a introdução do estudo, que apresenta a justificativa e os objetivos pretendidos.
20
respeito do bioma do cerrado são analisados os aspectos naturais - fitofisionomia, solo, perfil e berço das águas, os impactos das atividades pecuária e agroenergética neste bioma e a ocupação do cerrado em três estados específicos: São Paulo, Goiás e Mato Grosso do Sul.
21
2 REFERENCIAL TEÓRICO METODOLÓGICO
Este estudo irá se constituir em uma pesquisa quali-quantitativa através de revisão da literatura especializada.
A coleta de dados primários e secundários foi realizada através de revisão da literatura especializada. Utilizou-se de métodos quantitativos para a análise dos dados com informações obtidas através de dados primários e secundários nos municípios maiores produtores de cana dos estados de São Paulo, Goiás e Mato Grosso do Sul.
2.1 INSTRUMENTOS DA COLETA DE DADOS
O quadro 2.1 apresenta os instrumentos de coleta em bases de dados e da literatura especializada além da análise de dados utilizados para o alcance dos objetivos e resultados esperados neste estudo.
Quadro 2.1 Instrumentos de coleta e análise de dados. OBJETIVOS
ESPECÍFICOS DADOS A SEREM
COLETADOS
MÉTODO DE COLETA DE
DADOS
MÉTODO DE
ANÁLISE RESULTADOS ESPERADOS
- Caracterização da expansão da cana, utilizando dados do IBGE nos municípios
de maior
produção nos estados de Goiás, São Paulo e Mato Grosso do Sul.
- Identificar e caracterizar os municípios com maior taxa de expansão nos últimos 05 anos.
- Análise sócio-
- Dados sócio-econômicos obtidos em pesquisas do IBGE.
- Dados de áreas cultivadas obtidos em pesquisa do IBGE de 2005 e 2010.
- Dados
geoespacias da expansão da cana de açúcar publicados pelo INPE.
- Pesquisa no site INPE CANASAT.
- Pesquisa no site IBGE.
Quadro 2.1 Instrumentos de coleta e análise de dados. Fonte: Elaborado na pesquisa.
- Taxa de crescimento dessas áreas e apresentação espacial desses municípios.
- Ranqueamento dos municípios. - Análise das áreas plantadas por cultura, observando as diferenças.
22
econômica nesses municípios utilizando dados do IBGE, em relação a outras culturas, no intuito de observar se houve
substituição dessas culturas por cana.
grãos e com isso gerar ILUC.
- No caso específico de Ribas do Rio Pardo, identificar como a fronteira do gado se expandiu
naquele
município nos últimos 05 anos.
- Caracterização sócio-econômica da expansão da pecuária no município de Ribas do Rio Pardo.
-Estudar e investigar a relação indireta
(ILUC) do
crescimento da atividade de pecuária no município com o o fenômeno de expansão da cana do país.
- Dados do IBGE referente a áreas de pastagens nos anos de 2005 e 2010.
- Informações qualitativas e quantitativas obtidas nos sindicatos, associações e entidades de classe de acordo
com os
questionários.
- Dados sócio-econômicos (PIB) obtidos através de pesquisa site IBGE.
-Pesquisa de dados
publicados pelo IBGE
-Aplicação de questionários e entrevistas com os sindicatos, associações e entidades escolhidas para a pesquisa.
- informações
Analise e
sistematização das obtidas pelos
questionários - Sistematização
dos dados
obtidos pelo IBGE
e entrevistas.
- Informações e dados referente a atividade pecuária e seu crescimento no município.
- Indícios e evidencias deste da crescimento atividade da pecuária no município estar relacionado com uma migração
de outras
regiões forçada pela expansão da cana
Fonte: Elaborado na pesquisa.
2.2 INSTRUMENTOS DE ANÁLISE DE DADOS
3 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
A revisão bibliográfica desta pesquisa teve o intuito de trazer elementos para a análise de dados e buscou coletar dados na bibliografia especializada a respeito dos três eixos norteadores da pesquisa: agroenergia, cerrado e pecuária. Em relação à agroenergia, procurou-se fazer um mapeamento da expansão, principalmente da cana-de-açúcar pelo país. Na parte a respeito do bioma do cerrado aborda-se as características desse meio físico em relação a geologia, tipos de solos, clima e vegetação; e uma análise da expansão da cana e da pecuária neste bioma. Na parte do referencial que trata sobre a atividade agropecuária e feita uma explanação sobre a produção bovina e os impactos advindos na biodiversidade do cerrado, com estudo sobre a pecuária de corte e leiteira, sistemas de produção a nível nacional, políticas públicas e emissão de gás carbônico na camada de ozônio, rastreabilidade e confinamento de bovinos. O referencial também apresenta dados de pesquisas voltadas ao estudo de LUC e ILUC no bioma do cerrado e os dados referentes aos impactos socioambientais do crescimento da atividade agropecuário nos municípios maiores produtores de cana dos estados de São Paulo, Goiás e Mato Grosso do Sul.
3.1 O CERRADO
3.1.1 Cerrado - fitofisionomia, solo, perfil e berço das águas
24
Figura 1: Mapa de Biomas do Brasil
Fonte: IBGE (2004)
A figura 1 mostra no mapa os principais biomas presentes no território brasileiro. O cerrado caracteriza por uma formação do tipo savana tropical e possui uma área de 204,7 milhões de hectares, ele está presente nos seguintes estados: Bahia, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, São Paulo, Piauí, Tocantins e no Distrito Federal. Sendo que apenas 5,2% do bioma do Cerrado é protegido através de áreas de conservação. Além da atividade pecuária, as cultura agrícolas que predominam nesse bioma são: milho, soja, feijão, algodão, café e cana-de-açúcar (SANO et al, 2007).
Na área do Cerrado, os dois solos que predominam são o Latossolo Vermelho Escuro (LE) e o Latossolo Vermelho Amarelo (LV) (AZEVEDO E MONTEIRO, [20??]) e as suas variações: Nitossolos, Neossolos Quartzarênicos, Podzólicos e Gleissolos (WAGNER, 1987 apud Bizarro, 2006).
abril a setembro. Os remanescentes de Cerrado desenvolveram-se sobre solos muito antigos, intemperizados, ácidos, depauperados de nutrientes, e que possuem concentrações elevadas de alumínio. Cerca de metade dos 2 milhões de km² originais do Cerrado foram transformados em pastagens plantadas, culturas anuais e outros tipos de uso (KLINK E MACHADO, 2005).
Segundo estudo apresentado por Klink e Machado (2005), 55% do Cerrado já foram desmatados ou transformados pela ação humana, o que equivale a uma área de 880.000km², ou seja quase três vezes a área desmatada na Amazônia brasileira.
A tabela 1 apresenta a representatividade do bioma do cerrado em cada um dos estados que ele está presente:
Tabela 1: Área ocupada por cobertura natural vegetal natural em cada unidade da federal coberta pelo bioma do cerrado.
Estado Porcentagem do Bioma no
Estado
Cobertura vegetal natural
São Paulo 33% 13%
Paraná 2% 32%
Mato Grosso do Sul 61% 32%
Distrito Federal 100% 37%
Goiás 97% 44%
Minas Gerais 57% 53%
Mato Grosso 40% 66%
Bahia 27% 74%
Tocantins 92% 79%
Maranhão 65% 89%
Piauí 37% 91%
Fonte: Sano et al (2007, p. 30), com adaptações.
Segundo estudo realizado por Sano et al (2007), o bioma do cerrado apresenta uma porcentagem de 60,5% de cobertura vegetal natural. Para chegar a esse número, os autores consideraram áreas de pastagens nativas como de cobertura natural vegetal, por entenderem que as áreas de criação de bovinos são áreas naturais, uma vez que a vegetação natural continua preservada. Em estudos onde as áreas destinadas à pecuária são consideradas como antrópicas, a cobertura vegetal natural do cerrado atinge uma porcentagem de apenas 45%. Como exemplo na tabela 2 são especificados os principais usos do solo no cerrado.
O cerrado possui solo de baixa fertilidade natural, acidez acentuada e reduzido teor de matéria orgânica (de 3 a 5%), além de submeter-se a sazonalidade do clima (Cunha et al, 2008).
26
composto por três formações vegetais:
i) Campestre engloba espécies herbáceas e algumas arbustivas, mas sem presença de árvores na paisagem. Representa 7% do bioma do cerrado.
ii) Savânica presença de árvores e arbustos espalhados sobre espaço graminoso, sem a formação de dossel contínuo. Representa 61% do bioma do cerrado.
iii) Florestal presença de dossel contínuo ou descontínuo, com presença de espécies arbóreas. Representa 32% do bioma do cerrado.
Tabela 2 - Principais usos da terra no Cerrado
Uso da Terra % área central do bioma
Áreas nativas 44,53
Pastagens plantadas 41,56
Agricultura 11,35
Florestas plantadas 0,07
Áreas Urbanas 1,9
Outras 0,59
Fonte: Machado et al., 2004 apud Klink e Machado (2005, p. 149). Com adaptações.
3.1.2 A agropecuária no bioma do cerrado.
Em âmbito internacional há especulação de que a expansão da cana, mesmo em São Paulo, pode induzir deslocamento de atividades agrícolas para a região Amazônica e o Cerrado, causando desmatamento (SILVA, 2009, p. 62). O Cerrado, apesar de toda a potencialidade de uso de sua biodiversidade, é uma das 25 áreas do mundo consideradas críticas para a conservação, devido à riqueza biológica e à alta pressão antrópica a que vem sendo submetido. As principais transformações da agricultura no cerrado aconteceram a partir de 1960, com o Plano de Metas desenvolvido, voltando-o para a produção de grãos, visando atender o aumento do consumo mundial de soja. As transformações ocorridas na paisagem do cerrado ocorreram com rapidez nos últimos 40 anos e hoje há uma cobertura de cerca de apenas 20% da vegetação do natural do cerrado (BIZARRO et al, 2006).
As áreas mais atingidas pelos desmatamentos foram savana florestada (cerradão), savana arborizada (Cerrado, campo-Cerrado), floresta estacional semidecidual (mata seca, mata calcaria) e savana estépica florestada (mata chaquenha, mata) (SILVA et al,1998,p.1744 apud Azevedo e Monteiro, 20??, p. 8).
cerrado, Azevedo e Monteiro ([20??], p. 9-10) explicam que:
Neste ritmo, muitas espécies raras e/ou peculiares podem se mostrar bastante vulneráveis. No estudo realizado pelo PCBAP(1997), aparecem algumas destas espécies. Entre elas, estão a Dilkae margaretae (maracujá arbustivo), Lychnophora sp. (gênero de medicinais) Gomphrena officinalis (paratudo-do-campo ou ginseng), Esterrhazia splendida (ornamental), Zornia fluminensis (leguminosa forrageira). Além disso, o estudo mostra que é grande a degradação das vegetações presente nos brejos, buritizais e cabeceiras dos córregos por assoreamento, desmatamento direto ou indireto, causando um desequilíbrio com a invasão destes habitats por espécies dominadoras como a taboa (Typha dominguensis) e a Brachiaria arrecta. Esta invasão irá influenciar na presença da ictiofauna e o restante da fauna aquática já nas nascentes dos rios do Pantanal. Ainda, alguns tipos de gramíneasafricanas como a Brachiaria decumbens e a Andropogon gayanus e em menor escala a Hyparrhena rufa (Jaraguá) também são muito invasivas e extremamente competitivas com as gramíneas naturais e plantas herbáceas dos campos e Cerrados. Além disso, existe o fato associado ao de que nenhum plano de reposição estar sendo executado. Outro ponto a se destacar é que, quando a reposição acontece, por vezes, estabelecem-se nos locais desmatados verdadeiras monoculturas de espécies exóticas ao ambiente. Este mesmo autor já advertia que, na região do pantanal, a descaracterização das cordilheiras (pequenas elevações), as formações isoladas (capões) e as matas ciliares vinham acontecendo de maneira assuntosa, pela conversão destes sítios em gramíneas. Entre as espécies vegetais potencialmente afetadas, o estudo detectou 10 ameaçadas, 19 muito vulneráveis e 11 vulneráveis (veja tabela completa em anexo A). Dentre as espécies mais ameaçadas, estão algumas populares como Aroeira (Astronium urundeuva), pequi (Caryocar brasiliensis), pau ferro (Caesalpinia férrea), jatobá-mirim (Hymenaea stilbocarpa), entre outras. Além destas, na listagem dos vegetais ameaçados de extinção, feita pelo IBAMA (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente) em 1992, aparecem algumas que têm incidência na BAP (Bacia do Alto Paraguai). Entre elas, estão o mogno (Swietenia macrophylla), cerejeira (Torresea acreana) e Aspilia grazielae. As espécies perdidas são importantes não só pelo valor econômico das mesmas, mas como reguladora dos ciclos ecológicos existentes dentro do ecossistema. Por exemplo, a extração de vegetação arbustiva e arbórea influencia diretamente no ciclo hidrológico, via perda de água por transpiração dos vegetais, notadamente, em plantio convencional onde o solo fica sem cobertura temporária.
28
Figura 2: corte esquemático de uma vereda
Fonte: Castro, 1980, p. 329 apud Azevedo e Monteiro ([20??], p. 29)
A degradação ambiental no Brasil e, em especial no Cerrado, decorrente da exploração da agropecuária, tem transformado consideravelmente o seu perfil, resultando em excesso de desmatamento, compactação do solo, erosão, assoreamento de rios, contaminação da água subterrânea, e perda de biodiversidade, com reflexos sobre todo o ecossistema. Na região dos Cerrados o problema maior tem raízes no modelo de exploração agrícola e que se constitui também em fator de risco para a segurança alimentar, a medida que a degradação ambiental se instala nesse bioma, com serias restrições a economia e a cadeia alimentar (CUNHA et al, 2008).
A questão do uso da terra e, como veremos ao longo do artigo, especificamente, o uso da terra em áreas já desmatadas no Cerrado, será extremamente relevante para o desempenho e competitividade da agricultura brasileira por uma série de questões sócio-econômicas e ambientais. E, a dinâmica de uso da terra na produção de alimentos
versus de biocombustíveis , deverá provocar considerável mudança no custo de oportunidade das atividades agrícolas (MULLER E MARTA JR, 2008, p. 2).
No Cerrado os sistemas de produção mais utilizados são os chamados extensivos, com uso de espécies forrageiras normalmente e preferencialmente adaptadas a região.
Figura 3: Mapa do Índice Geral de Degradação (IGD) das 73 MRH do núcleo do Cerrado localizadas nos estados de TO, PI, MS, MG, BA, GO, MA, MT, 1995-1996.
Fonte: Cunha et al (2008, p. 314)
Ainda de acordo com Cunha et al (2008), o desenvolvimento econômico vigente apontou para incompatibilidade entre o crescimento econômico e a preservação dos recursos naturais, em especial no Cerrado. A questão toma conotação preocupante, considerando-se que o modelo de ocupação de espaço e de produção adotado no Cerrado, para atender as exigências do mercado internacional e a busca de divisas, impõe limites ao próprio crescimento econômico, com serias restrições a economia e a cadeia alimentar.
inicia-30
se os investimentos para o agronegócio no cerrado, no segundo mapa temos o retrato atual do cerrado, a vegetação que ainda resta do bioma. Pastagens e agricultura tem avançado cada vez mais sobre as áreas de cerrado, muitas fazendas não respeitam as leis ambientais e desmatam mais do que o permitido por lei, não preservam nascentes e os rios, a exploração do cerrado é alarmante, e merecem destaque com o objetivo de alertar para a forma com que tem se desenvolvido, é preciso repensar as formas produção e os interesses do capital (BIZARRO et al, 2006).
Figura 4 Comparação entre a área de vegetação original do cerrado em 1960 e 2002.
A expansão da agropecuária, entretanto, tem causado prejuízos ao cerrado. As matas ciliares são destruídas e as reservas permanentes, desmatadas, cedendo lugar ao gado bovino e às plantações. Na região das nascentes do rio Araguaia, há focos de erosão provocados pelo desmatamento para a implantação de pastagens, o que produz as voçorocas - erosões profundas, praticamente incontroláveis, que atingem o lençol freático. Algumas chegam a medir 1,5 km de extensão, por 100 m de largura e 30 metros de profundidade. Esses problemas, aliados ao assoreamento dos rios, fazem com que Goiás enfrente crise no abastecimento de água (BIZARRO et al, 2006).
O Cerrado sempre foi considerado por muitos órgãos do governo e também pelos agricultores uma vegetação sem muito valor econômico, com solos mais fracos e, por isso mesmo, sempre relegado ao esquecimento, sobretudo, pelas políticas públicas. Atualmente se observa que só existem aproximadamente 20% da área de Cerrado com vegetação original intacta no Brasil. O Cerrado ocupa 197 milhões de hectares aproximadamente, sendo que Mantovani e Pereira (1998) indicam que 67,1% deste bioma estão perturbados ou altamente modificados. Ainda, Dias (1993) confirma em trabalho anterior que 79% do Cerrado está de alguma forma alterado pela agricultura ou pecuária. Assim, restam praticamente 20% da área deste bioma em forma original, estando incluída em área de proteção em unidades de conservação federais somente 1,34% (2.642.661 ha.). Entretanto, apesar de nos estados também existirem unidades de conservação com este bioma, o total das UCs não deve ultrapassar 3% de sua superfície total. No planalto, especialmente, os campos Cerrados sobre os chapadões estão sendo substituídos pela lavoura mecanizada. (AZEVEDO E MONTEIRO, [20??], p. 9)
3.1.3 A agroenergia no bioma do cerrado
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Simultaneamente, cerrados e florestas são derrubados para dar lugar a novos pastos nas frentes pioneiras, deslocados pelo avanço da produção de grãos e biocombustíveis em outras regiões do estado e no centro-sul brasileiro (Lindoso, 2009).
A figura 5 apresenta o direcionamento da expansão da cana no país:
Figura 5 Direcionamento da expansão da cana no país.
Fonte: (Bizarro et al, 2006).
A valorização das terras no Centro-Sul, principalmente por conta da cana-de-açúcar para a produção de etanol, desloca outras atividades (como a pecuária) que dependem menos da proximidade dos grandes centros consumidores para serem viáveis. Esse deslocamento cria novos vetores de desmatamento e de expansão da fronteira agrícola (FOCUS, 2010).
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demanda mão de obra menos numerosa e pode se instalar em solos de baixa fertilidade e com custo reduzido (FOCUS, 2010).
Um estudo realizado por Seabra e Macedo (2008 apud Silva, 2009) demonstra que, em 2006, 50% das áreas de expansão da cana ocuparam áreas antes ocupadas com pastagem, e os 50% restantes áreas antes ocupadas com outros cultivos agrícolas.
Nas figuras 6 e 7 as áreas de expansão da cana e da pecuária são demonstradas nos mapas, de forma que podemos comparar essa tendência no ano de 2010.
Figura 6 Cana-de-açúcar expansão territorial
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Figura 7 Gado bovino expansão territorial
Fonte: Focus (2010)
A estratégia de biocombustíveis traria um impacto indireto de 2,15 milhões de hectares no caso do biodiesel, e de 2,35 milhões de hectares no etanol. A mediana dos 15 modelos formulados pela CE implica que a estratégia de biocombustíveis da UE provocará um impacto na mudança do uso do solo de 4,5 milhões de hectares de terra em 2020. Os números usados nesse cálculo estão no extremo conservador da faixa de variação (ECODEBATE, 2008)
Tabela 3- Fatores de emissões de GEE associados substituição de Cerrado por cana
Hipóteses Emissões de GEE (gCO2eq/MJ)
Expansão da cana, com colheita manual (manejo com queima pré-colheita em
32,8% da área) em áreas de Cerrado do tipo Campo Limpo Latossolo -24,12 Expansão da cana, com colheita manual (manejo com queima pré-colheita em
32,8% da área) em áreas de Cerrado do tipo Campo Limpo Quartzarênio
1,78
Expansão da cana, com prática de colheita totalmente mecanizada em áreas
de Cerrado do tipo Campo Limpo Latossolo -34,80
Expansão da cana, com prática de colheita totalmente mecanizada em áreas
de Cerrado do tipo Campo Limpo Quartzarênio; -2,01
Expansão da cana, com colheita manual (32,8% mecanizada) em áreas de
Cerrado do tipo Cerradão Latossolo 192,21
Expansão da cana, com colheita manual (32,8% mecanizada) em áreas de Cerrado do tipo Cerradão Quartzarênio;
71,95
Expansão da cana, com prática de colheita totalmente mecanizada em áreas
de Cerrado do tipo Cerradão Latossolo 181,53
Expansão da cana, com prática de colheita totalmente mecanizada em áreas
de Cerrado do tipo Cerradão Quartzarênio 68,16
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A pressão por terras nas regiões sul, sudeste e centro-oeste para a expansão da cana-de-açúcar tem empurrado a atividade pecuária para novas fronteiras (Smeraldi e May, 2008). Na tabela 3 podemos exemplificar a expansão da cana com diferentes graus de emissão de GEE.
Na figura 8 o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento indica as regiões onde a agricultura de energia está se expandindo.
Figura 8 Área de expansão da agricultura de energia.
Fonte: Plano Nacional de Agroenergia 2006-2011, p. 51.
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estados também existirem unidades de conservação com este bioma, o total das UCs não deve ultrapassar 3% de sua superfície total. No planalto, especialmente, os campos Cerrados sobre os chapadões estão sendo substituídos pela lavoura mecanizada. (AZEVEDO E MONTEIRO, [20??], p. 9)
Figura 09- Ocupação territorial da cana.
Fonte: Focus, 2010.
Estudos elaborados com sistema de informação geográfica (GIS) em áreas de pasto demonstram que biomas de savanas e de campo estão entre os que mais abrigam a atividade pecuária, o que provoca mudanças na estrutura desses ecossistemas causadas pela conversão de florestas em pasto. Isso ocorre porque a variação na cobertura de pastagem causa uma variação concomitante na estrutura da vegetação e nos processos biogeoquímicos, atmosférico, e hidrológicos No entanto, o nível de da desertificação ou desmatamento que essas alterações podem causar depende da interação entre fatores ecológicos, climatológicos, e sócio-econômicos do local. (ASNER et al, 2004)
3.2 A PECUÁRIA NO BRASIL
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A introdução do gado no Brasil Colônia se deu em torno de 1530, após a vinda dos portugueses ao Brasil. Os primeiros espécimes advieram de Cabo Verde, país que também era colônia de Portugal. A época, o gado servia como auxílio no desenvolvimento de outras atividades como nas plantações de cana-de-açúcar na região nordeste, sendo considerada força de trabalho, pois com a energia desses animais movimentavam-se os moinhos dos engenhos.
O início da pecuária brasileira ocorreu no nordeste do país, nos estados de Salvador, Pernambuco, Maranhão e Piauí, em áreas interioranas, pois a prevalência na região litorânea era da cultura canavieira. A expansão da produção de gado bovino se estendeu a outras regiões como o sudeste, sul e centro-oeste.
Destarte, a criação bovina inseriu para o seu desenvolvimento estudos e tecnologia e atualmente o Brasil possui o segundo maior rebanho bovino, com cerca de 200 milhões de cabeças. Além disso, desde 2004, assumiu a liderança nas exportações, com um quinto da carne comercializada internacionalmente e vendas em mais de 180 países.(MAPA: 2008).
O Brasil abriga o segundo maior rebanho do mundo (Jornal do Comércio PE/Clipping Express, 2012) e possui o maior rebanho bovino comercial do mundo. (GREIF, 2011). Atualmente, temos no Brasil 211(duzentos e onze) milhões de hectares em pastagens, 57 (cinquenta e sete) milhões em agricultura e ainda existem cerca de 103 (cento e três) milhões de hectares que podem ser desmatados no país sem violar o Código Florestal em vigor. (WWF 2011).
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por 81,3% do rebanho nacional de bovinos. Em termos municipais, Corumbá (MS) foi o maior produtor de bovinos, com cerca de 1,973 milhão de cabeças, representando 1,0% do efetivo nacional, seguido, de perto, por São Félix do Xingu (PA), com 0,9%, e Ribas do Rio Pardo (MS), com 0,6% (IBGE, 2010)
Figura 10 Expansão da pecuária no país.
Fonte: (Martins-Costa, 2006, p. 6)
milhões de toneladas exportadas em 2008, totalizando U$ 4,8 bilhões. A pecuária extensiva predomina no Brasil e é a atividade agropecuária que ocupa maior área, são 199 milhões de hectares que abrigam um rebanho de 200 milhões de cabeças de gado. Considerada uma das atividades de maior impacto ao meio ambiente, a pecuária está associada ao avanço da fronteira agrícola e responde por cerca de 60% das emissões totais de Gases do Efeito Estufa do país. No entanto, o conjunto das atividades pecuárias (mesmo incluindo frangos, porcos, etc) respondeu, em 2006, por apenas 20,7% da receita total, configurando-se como uma das atividades que menos gera renda (Focus, 2010). De acordo com estudo realizado por Cunha et al (2008) verifica-se que o estado de Mato Grosso do Sul apresentou maiores valores médios da intensidade de pecuária. Pelo fato de ter baixo coeficiente de variação, pode-se considerar que suas microrregiões possuam homogeneidade quanto a intensidade de pecuária. O estado de Goiás também se destacou como um dos que detém maior intensidade de pecuária, porem com maior assimetria microrregional em comparação a Mato Grosso do Sul.
O Mato Grosso do Sul é reconhecido como um dos estados que tem maior produtividade em referência à produção bovina no estado brasileiro. O Brasil possui o segundo maior rebanho mundial, sendo superado pela Índia, entretanto este não utiliza a pecuária bovina para fins comerciais. Mesmo sendo o maior exportador, possuímos taxas produtivas (abate, produção de bezerros), menores que nossos principais concorrentes.
3.2.2 Pecuária e os gases de efeito estufa (GEE)
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Estima-se que as emissões globais oriundas da pecuária totalizem 80 milhões de toneladas de metano (22% das emissões antrópicas de metano), sendo que, no Brasil, a atividade é responsável por 9,2 milhões de toneladas de metano (cerca de 12,0% das emissões mundiais do setor), correspondendo a 96% das emissões agrícolas nacionais (EMBRAPA, 2003). Desta fração, a maior parte é de bovinos e apenas uma pequena parcela corresponde a outras categorias de animais (LINDOSO, 2009).
O agronegócio gera emissões de carbono muito maiores que a agricultura familiar, principalmente quando se considera o ciclo de vida global, com os diversos fluxos de energia, insumos, máquinas beneficiamento e transporte (BELLARBY et all 2008).
Assim fica evidente a necessidade de considerar o feedback mútuo antrópico-climático. A savanização da Amazônia e a aridização do Cerrado, decorrentes de interação sinérgica entre o aquecimento global e a ação humana, além de efeito em outros biomas, em termos de biodiversidade, abastecimento de água, disponibilidade de água para agricultura, e, sobretudo, na geração de energia elétrica. Trata-se de uma questão de segurança nacional (SAWYER, 2009).
Quanto a implementação de novas técnicas, a Embrapa desenvolve desde a década de 1980, técnicas com o fim de trazer uma maior eficiência na produção de leite e carne bovina, como por exemplo: inseminação artificial, transferência, bipartição, congelamento e identificação do sexo dos embriões, além da produção de embriões in vitro (EMBRAPA: 2007)
A criação bovina participa de maneira significativa nas emissões de GEE no Brasil, sendo majoritariamente extensiva. A produção de carnes é uma das atividades agropecuárias mais importantes para a economia brasileira. Em nível de Brasil, a cadeia de valor de carnes representa em torno de 18% do agronegócio brasileiro. A dinâmica do crescimento do rebanho brasileiro configura um avanço da pecuária de corte para a região Centro-oeste, com destaque para o Estado do Mato Grosso do Sul que tem se configurado como importante pólo de produção de carne bovina e de animais para a reprodução, e para a região norte do País acompanhado a expansão da fronteira agrícola na esteira do processo de desmatamento.
respondem por 9% do total das emissões do país. Esses índices somados indicam que a criação de carne bovina responde por pelo menos 65% das emissões de GEE do país, mais que o triplo da média global, que a FAO estima em 18% (FOCUS, 2010).
As regiões que apresentam as maiores dinâmicas de crescimento são justamente aquelas que se localizam ao longo do arco do desflorestamento que se estende desde o sul do Pará, passando pelo norte do Mato Grosso, norte de Rondônia, sul do Amazônia e estado do Acre. Nesta região, as taxas de crescimento situam-se entre 6,8% a 16,20% ao ano revelando o potencial de crescimento da pecuária regional em contraste com as regiões tradicionais de produção pecuária bovina em que se observa, inclusive taxas negativas de crescimento do efetivo de gado de corte, como, por exemplo, a região sul do pais e o próprio estado do Mato Grosso do Sul. (MARTINS-COSTA, 2006).
Historicamente, a pecuária de corte brasileira se desenvolveu por expansão da fronteira agrícola, incorporando, ao sistema extensivo de produção, novas áreas incultas, em regiões desprovidas de infra-estrutura, e pela utilização de terras esgotadas pela produção de grãos.A pecuária de corte brasileira se caracteriza pelo uso de grandes áreas de pastos naturais e de pastagens cultivadas. A criação extensiva, cuja alimentação é baseada em pastagens, e os animais são, predominantemente, de grande porte (em muitas regiões predominam raças zebuínas), resulta em um potencial maior de emissões de metano. Contudo, nos últimos anos, vem crescendo de forma expressiva as práticas de confinamento e de semiconfinamento de animais no Brasil. Na engorda em confinamento, durante a seca, possibilitando a engorda e o abate em idade precoce de forma intensiva. (MARTINS-COSTA, 2006).
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representava 34% do total nacional e a região Norte já respondia por quase 20% desse total (FOCUS, 2010).
A produção animal representa um pouco menos do que 20% da produção de metano, sendo que aproximadamente 5% são provenientes dos dejetos animais e de seu tratamento e 15% provem dos próprios animais. Globalmente, os animais domésticos produzem em torno de 80 milhões de toneladas de metano por ano, respondendo por aproximadamente 22% das emissões de metano mundiais oriundos de atividades humanas. Considerando-se um bovino adulto, este é uma diminuta fonte de emissão, emitindo apenas 80-120 quilos de metano (MARTINS-COSTA, 2006).
Estudo realizado por Martins-Costa (2006) demonstra que a região Centro-Oeste é a principal responsável pela emissão de metano na pecuária de corte, provavelmente em função do tamanho do seu rebanho. Observou-se, também, que, com exceção da região Centro-oeste e, principalmente da região Norte, nas demais regiões o padrão de emissões tende a permanecer constante. A figura 10 apresenta a evolução no aumento de bovinos nas regiões do Brasil entre os anos de 1996 e 2007.
Figura 10 Expansão da pecuária no país.
O desflorestamento é responsável por mais da metade das emissões de gases de estufa do país, essa situação tem recebido muita atenção de autoridades públicas,instituições não-governamentais e vários stakeholders nacionais e internacionais (CERRI et al, 2010). O impacto da destruição e desmatamento de áreas para a criação bovina no Brasil é assombroso, pois a cada dia aumenta o número de cabeças de gado concomitantemente com a sua área de criação, ocorrendo essa demanda por causa da busca do mercado internacional pela carne bovina brasileira.
Como fatores para essa demanda, temos o controle da febre aftosa pelos pecuaristas brasileiros, doenças encontradas na criação de gado de criadores de outros países e a desvalorização da moeda brasileira, a qual fez com que os criadores de gado buscassem os mercados internacionais.
Em todo o Brasil, a pecuária tem grande importância para a economia e nos estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul representa 65% (sessenta e cinco por cento) da atividade econômica. O Mato Grosso do Sul, é uma região que possui uma extensão de 357.145,836 km², tendo sessenta e um por cento de cerrado, que atualmente sofre com os efeitos do aumento da produção de carne bovina, na figura 11 podemos visualizar a evolução do rebanho bovino por região.
Com base nessa realidade, a criação da pecuária orgânica, ou ainda, o Boi Verde é utilizado no desenvolvimento da pecuária neste estado, objetivando tornar-se sustentável.
Com a evolução do mercado bovino, nesses últimos anos, surge ainda a exigência do mercado consumidor nacional e internacional e da sociedade para uma pecuária mais sustentável (WWF 2010).
A rastreabilidade é um método utilizado na pecuária bovina que identificar o gado em todo o segmento desenvolvimento, com um número de identificação, do nascimento, abate e corte.
No Brasil, o IBD (Instituto Biodinâmico) é um dos agentes que respondem pela certificação do Boi Verde, o qual tem sua produção feita sem o uso de agrotóxicos, fertilizantes químicos, substitui medicamentos por homeopatia e conta com a rastreabilidade completa, desde a fazenda até o frigorífico. (Gazeta Mercantil, 2001).
44
GEE, sugerindo que o Boi Verde pode contribuir para agravar a mudança do clima, além de interferir na biodiversidade local e global de ecossistemas sensíveis e de alta biodiversidade, como o Cerrado.
Em contrapartida, a Embrapa Pecuária Sudeste, afirma que o rebanho nacional não responde nem a 2% de todo o gás emitido pelas atividades humanas e que o boi não é um elemento isolado do ecossistema, e que mesmo emitindo carbono o manejo das pastagens é capaz de sequestrar carbono e minimizar os impactos da emissão.
Segundo Salvador (2005), quanto ao aquecimento global a pecuária desenvolvida no Brasil é responsável por aproximadamente cinquenta por cento das emissões de gases do efeito estufa, sendo assim, um bilhão de toneladas ao ano, e quanto estiver ocorrendo desmatamentos para a abertura de pastagens, na Amazônia o índice é de setenta e cinco por cento e no Cerrado chega a cinquenta e seis por cento.
Assim, somando todas essas emissões de gases advindas da flatulência bovina, das queimadas e degradação de terras feitas para abertura de pastos, do uso da energia na cadeia produtiva da carne, como a lavagem, o preparo dos filés, transporte e armazenamento, todas essas quantidades de gases advindos da produção bovina seria maior que os gases expelidos dos automóveis e de chaminés. (SALVADOR: 2005).
3.2.3 Sustentabilidade Boi Verde e Boi Quente
Além dos herbicidas, fungicidas e inseticidas empregados na produção, é comum o uso de hormônios, antibióticos e suplementos na ração, que podem deixar resíduos no leite e na carne, bem como contaminar rios e outros corpos d água. Em contato com o solo, essas substâncias são levadas pela água da chuva, contaminam áreas vizinhas, e ficam retidas no solo, transferindo-se para outras culturas e pastagens. (FOCUS, 2010).
No Brasil, noventa por cento dos criadores são adeptos do chamado Boi Verde, que nada mais é do que os animais alimentados por pastos e não de rações ou sub-produtos. Neste tipo de criação são preservadas as condições que àqueles animais estariam se permanecessem em seu habitat natural. Porém há grandes controvérsias quanto a produção do Boi Verde ser sustentável ou não, em especial quando ocorre expansão de novos pastos em áreas de florestas e cerrado.
Quando este problema existe, o Boi Verde se torna Boi Quente sob ponto de vista da emissão de GEE. Em 2006 a FAO, Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação, afirmou que os bovinos geram mais gases de efeito estufa que o setor de transporte. Afirmam ainda que a pecuária é responsável por 37% de metano de atividades humanas. Segundo Hennig Steinfeld, um dos autores do estudo, é preciso uma ação urgente para fazer frente a essa situação.
Para medir até que ponto a expansão agroenergética tem empurrado a pecuária para regiões antes ocupadas pelo bioma Cerrado, temos que entender, quais são os mecanismos e incentivos dados aos produtores para levarem seus rebanhos de uma região de pastagens já estabelecidas para outra região de Cerrado nativo.
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para o centro da região. Entre 2005 e 2006 o rebanho caiu no Mato Grosso (2,2%), Pará (3,1%) e Tocantins (2,5%), enquanto ficou estável ou cresceu nos demais Estados. (BARRETO, PEREIRA, ARIMA; 2008, p. 17)
A figura 12 apresenta a relação entre o valor da produção e a área ocupada nas atividades de agricultura e de pecuária no país. É visível que a pecuária possui um valor de produção menor, enquanto ocupa uma área bem maior de terra para o seu desenvolvimento.
Figura 12 Valor da produção X área ocupada
Fonte: IBGE (censo agropecuário 2006 apud Focus 2010).
Os chamados boi verde e boi orgânico possuem suas diferenças seja na alimentação, utilização de medicação, entre outros aspectos. O propósito dessas duas determinações é a conquista do mercado externo, assim como o interno e, apesar do boi verde ou orgânico ter uma denominação como boi ecológico , os mesmos possuem grandes diferenças em seus métodos de criação.
O boi orgânico é criado com o método agroecológico, isto é, sem adubação química no pasto e sem agrotóxico. Utiliza-se o próprio esterco do animal. A adubação é necessariamente verde, observando a proibição da uréia. Os medicamentos são diferenciados, pois a base deles está nos medicamentos homeopáticos.
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produção de carne bovina aumentou 227%. (CNPC: 2009).
Outros dados enfocados por Salvador (2005) se referem aos pastos, pois os mesmos ocupam em torno de trinta por cento das superfícies emersas, sendo que quarenta por cento de cereais colhidos são direcionados a alimentação dos rebanhos bovinos que estão em confinamento. No Brasil são contabilizados 170 milhões de hectares para o pastoreio de 200 milhões de reses bovinas. Assim sendo, se para cada quilo de carne consumida são emitidos 300 kg de CO2 equivalente, então um boi, redondinho, gera cerca de 9 toneladas de CO2.
No mercado bovino, as expectativas é que cresçam ainda mais as exportações, apesar de muitos exportadores entenderem que a tendência seria a diminuição das exportações porque o bloco europeu voltou a exportar, mas o Brasil possui atualmente negociações com a Coréia do Norte e assim, deverá investir mais nos quesitos de qualidade e rastreabilidade.
A tabela 4 apresenta os volumes financeiros que são movimentados com a atividade agropecuária.
Tabela 4 Volumes financeiros movimentados com a atividade agropecuária
Segmento
2009- 2010 US$ (milhões) T Eqc* US$ (milhões) T Eqc
In natura 1.359 667.686 1.841 714.580 Industrializada 336,1 210.069 294 179.631 Miúdos 93,9 43.383 100,3 42.692 Outros 125,7 33.898 116,3 33.811
Total 1.915 955.036 2.352 970.714
Fonte: Anuário Brasileiro de Agropecuária (2010, p. 27)
No Brasil há um controle higiênico, assim como o desenvolvimento positivo da rastreabilidade na maioria dos estabelecimentos de produção bovina e atualmente os produtores brasileiros lutam para aumentar o numerário de exportação da carne bovina. Houve ainda em maio de 2010, a constatação de resíduos de vermífugo para bovinos no lote exportado para os Estados Unidos, o que trouxe a suspensão da exportação de carne processada para este país.
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Destarte, não foram bem vistas no exterior e, mesmo com toda essa problemática o Brasil ainda tenta credenciar novas fazendas que trabalham com a produção de corte bovino. A figura 13 demonstra a estrutura da cadeia de carne bovina brasileira.
Figura 13 - Estrutura da cadeia de carne bovina brasileira.
Fonte: Anuário 2010 apud CNA, SEcex.
A pecuária bovina brasileira tem crescido nesses últimos anos, seja por causa da competitividade comercial quanto a venda da carne bovina para outros países, assim exigindo-se mais técnica e uma melhor estruturação, produtos com valores acessíveis e maior qualidade. Atualmente, muitos criadores incluem a rastreabilidade na criação de seus gados, que torna a compra do gado de corte interessante para os frigoríficos, atacadistas e varejistas, pois o mercado criou este novo sistema para haja um maior controle da cada importada e exportada para do Brasil.
cadeia produtiva bovina, tendo um desenvolvimento mais extenso em localidades como no sul e no centro-oeste, que são reconhecidos tradicionalmente como exportadores de carne bovina, com ele pode-se identificar a região que originou o produto, dessa forma o mercado pode monitorar novas fronteiras e os desmatamentos não autorizados ou em áreas indígenas e de preservação (SEBRAE: 2000).
De acordo com Jank (2003), o objetivo da rastreabilidade é garantir ao consumidor um produto seguro e saudável, por meio do controle de todas as fases de produção, industrialização, transporte/distribuição e comercialização, possibilitando uma perfeita correlação entre o produto final e a matéria prima que lhe deu origem, além de possibilitar a remontagem das transações pelas quais passou o produto, dando nome e endereço aos seus agentes.
O confinamento é um método utilizado para a criação de bovinos em áreas restritas, com fornecimento de alimento e água para os animais. O sistema é mais utilizado antes do abate do animal, envolve o acabamento da carcaça que será comercializada. A qualidade da carcaça produzida no confinamento é dependente de um bom desempenho obtido na fase de cria e recria. No Brasil, o confinamento é mais utilizado em épocas de seca, por ser o período de escassez de forragem para pastejo. A terminação em confinamento depende de: fonte de animais para terminação; fonte de alimentos e preços e mercado para o gado confinado (CARDOSO, 2000).
A partir disso, podem ser enumeradas como condições básicas para a adoção do sistema de engorda em confinamento a disponibilidade de animais com potencial para ganho de peso; a disponibilidade de alimentos em quantidade e proporções adequadas e gerência. (CARDOSO, 2000)
O confinamento de bovinos é uma prática que atualmente é utilizada por alguns pecuaristas, a qual contribui para a diminuição do aumento do CO2, pois há redução na idade do abate do animal e outros fatores que contribuem para a diminuição, como a engorda rápida.
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aumentando o aproveitamento do animal (cria-recria), o uso da forragem excedente de verão, a liberação de áreas de pastagens durante o confinamento, o uso mais eficiente de maquinários, insumos e mão-de-obra e maior flexibilidade na produção. Há ainda a criação em semiconfinamento, técnica que é muito usual para a terminação de bovinos a pasto, isto é, na etapa que antecede o abate. Além de incrementar o ganho de peso dos animais, ela oferece boa cobertura de gordura na carcaça (FOCUS, 2010).
O confinamento do boi orgânico deverá ocorrer noventa dias antes de seu abate e sua alimentação deverá ter além do pasto, alimentos de origem vegetal, e em sua maioridade, orgânicos. Apesar do emprego de medicamentos homeopáticos, a vacinação contra a aftosa é usada, pois há obrigatoriedade por lei. A inseminação artificial e o sal mineral também podem ser utilizados no boi orgânico.
No boi verde também é utilizado o sistema agroecológico em seus pastos, mas há abertura para a utilização de adubos e fertilizantes sintéticos, assim como o emprego da uréia e a utilização de antibióticos no gado, quando necessário. Projeções demonstram que um aumento da temperatura de 3ºC (aumento médio previsto pelo Painel Intergovernamental de Mudança do Clima, IPCC, até 2100) pode levar a um prolongamento do período de seca em áreas de pastagem, causando a perda de até 25% da capacidade de pastoreio para bovinos de corte. Isso levará a uma dependência cada vez maior de grãos para alimentar o gado (FOCUS, 2010).
3.3 A CANA DE AÇÚCAR E AGROENERGIA
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fontes fósseis de energia (ALVES e SZMRECSÁNYI, 2008). Como seria natural de se esperar, o cultivo de cana-de-açúcar se expandiu pelo país e impactou a produção de grãos, a pecuária e o bioma do cerrado.
Segundo o Plano Nacional de Agroenergia (2006, p. 73), a energia renovável deve ser consolidada como o grande negócio do século 21, cabendo à biomassa papel de destaque nesse contexto, em particular à cana-de-açúcar . Mas isso envolve a implementação de modelos de produção que favoreçam a expansão da cana-de-açúcar sem prejudicar o meio ambiente e o desenvolvimento de outras culturas, bem como da atividade pecuária. Os dados apresentados a seguir demonstram o potencial financeiro da agroenergia para o país:
Conforme números da safra 2006/2007, o agronegócio da cana-de-açúcar, que engloba a produção de cana, açúcar e bioetanol, movimentou em 2007 cerca de R$ 41 bilhões, correspondentes a faturamentos diretos e indiretos. Foram processados 420 milhões de toneladas de cana, produziram-se 30 milhões de toneladas de açúcar e 17,5 bilhões de litros de bioetanol e foram exportados 19 milhões de toneladas de açúcar (US$ 7 bilhões) e 3 bilhões de litros de bioetanol (US$ 1,5 bilhão), representando 2,65% do produto interno bruto (PIB) nacional. Além disso, foram recolhidos R$ 12 bilhões em impostos e taxas e realizaram-se investimentos anuais de R$ 5 bilhões em novas unidades agroindustriais (BNDES e CGEE, 2009).
A figura 14 apresenta a distribuição das usinas de etanol e cana-de-açúcar no país. Através dela, é possível verificar a sua alta concentração na região sudeste e crescente expansão para outras regiões.
Figura 14 Localização das usinas de etanol e cana-de-açúcar no país
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O Plano Nacional de Agroenergia (2006) também apresenta que a cana ocupa 10% da área agrícola atual do País e há grande disponibilidade de terras agricultáveis a serem incorporadas, principalmente no Cerrado. Há a estimativa de que a expansão da oferta de cana da ordem de 220 milhões de toneladas implicará na necessidade de incorporar quase 3 milhões de hectares em áreas de plantio, ao longo de 8 anos. A importância de boas práticas de cultivo da cana pode ser observada a partir da perspectiva de que a meta de 3 milhões de hectares plantados pode ser substancialmente reduzida se houver ganhos contínuos e substanciais na produtividade da cultura e no aumento do teor de sacarose.
Por causa do elevado rendimento fotossintético observado na produção da cana-de-açúcar e do processo eficiente para sua conversão em biocombustível, a utilização de bioetanol obtido dessa matéria-prima permite reduzir, de forma importante, as emissões de gases de efeito estufa, em comparação com o uso do combustível fóssil (gasolina), para um mesmo efeito útil final em veículos. Essa contribuição para a redução do câmbio climático é um dos aspectos mais importantes associados ao bioetanol de cana-de-açúcar . No entanto é importante verificar o passivo ambiental que pode ser gerado pela cadeia produtiva do etanol, levando em consideração o LUC e ILUC provocado por ela (BNDES e CGEE, 2009).
dos tratos culturais do clima local. Também as taxas de liberação e acúmulo de carbono, posteriores ao plantio regular da matéria-prima, dependem de muitos fatores. Avaliações desse tipo de impacto apresentam o bioetanol produzido com base na cana-de-açúcar no cerrado brasileiro como a alternativa de menor impacto entre os biocombustíveis estudados são resultados preliminares (BNDES e CGEE, 2009).
Os resíduos da produção sucroalcooleira que podem ser utilizados na produção de eletricidade via co-geração são o bagaço, a palhada e os ponteiros da cana, além do vinhoto das destilarias de álcool. Do total da energia contida na cana, o álcool responde por cerca de um terço. A co-geração é o processo de transformação de determinada forma de energia em mais de uma forma de energia útil. (PLANO NACIONAL DE AGROENERGIA, 2006).
A co-geração, a importância energética do etanol e os co-produtos derivados da cana que se constituem em alternativa aos fabricados a partir de fontes fósseis estão levando à expansão da produção da cana e de sua fronteira agrícola para áreas de agropecuária:
Em 2007, a área plantada com cana para a produção de etanol era 3,4 MHa, correspondente a 1% da terra arável total disponível no Brasil. 63% do Etanol produzido no Brasil vem do Estado de São Paulo, onde a produtividade é mais elevada, ultrapassando 7 mil litros por hectare. A maior parte da expansão recente está acontecendo na região Centro-Oeste do país, em terras degradadas de pasto (CORTEZ et al, 2010, p. 27).
Em 2008, o total da área de cana-de-açúcar no Brasil aumentou em mais de 16,5% e 8,2 milhões de hectares (IBGE 2008), dos quais 7,5 milhões (85% por cento) foram na região sudoeste (NOVO et al, 2010). De acordo com o Plano Nacional de Agroenergia (2006) a expansão de lavouras que se destinam à produção energética deve ocorrer com incentivo à instalação de projetos de agroenergia em regiões com oferta abundante de solo, radiação solar e mão-de-obra, propiciando vantagens para o trabalho e para o capital, dos pontos de vista privado e social, considerando-se as culturas agrícolas com maior potencialidade.