Universidade
Católica de
Brasília
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO
STRICTO SENSU EM GESTÃO DO CONHECIMENTO E
TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO
Mestrado
Atributos para análise da colaboração em redes de
compromisso
Autora: Carolina Melo Santana
Orientadora: Profa. Dra. Germana Menezes da Nóbrega
Co-orientador: Prof. Dr. Fernando William Cruz
CAROLINA MELO SANTANA
Atributos para análise da colaboração em redes de
compromisso
Dissertação submetida ao Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Gestão do Conhecimento e Tecnologia da Informação da Universidade Católica de Brasília, como requisito parcial para a obtenção do Título de Mestre em Gestão do Conhecimento e Tecnologia da Informação.
Orientadora: Profa. Dra. Germana M. da Nóbrega
Co-orientador: Prof. Dr. Fernando William Cruz
S232a Santana, Carolina Melo
Atributos para análise da colaboração em redes de compromisso / Carolina Melo Santana – 2009.
105f. : il.; 30 cm
Dissertação (mestrado) – Universidade Católica de Brasília, 2009.
Orientação: Germana M. da Nóbrega Co-Orientação: Fernando William Cruz
1. Fluxo de trabalho. 2. Compressão de dados (Computação). 3. Gestão do conhecimento. I. Nóbrega, Germana M. da, orient. II. Cruz, Fernando William, co-orient. III. Título.
Ficha elaborada pela Biblioteca Pós-Graduação da UCB
AGRADECIMENTOS
Primeiramente a Deus, pois sem Ele nada seria possível.
À minha família que sempre foi a base de minha educação.
De maneira especial ao meu esposo Jean Claudio Faitão, que nos momentos em que pensei desistir, me deu força e me apoiou para que eu seguisse sempre em frente.
A todos os professores do programa MGCTI, ao meu co-orientador Prof. Dr. Fernando William Cruz e, em especial, à minha amiga e orientadora “Profa” Dra. Germana Menezes da Nóbrega pelos sábios conselhos e ensinamentos e, mais importante, pela paciência e dedicação.
Aos professores convidados para a banca examinadora, Prof. Edílson Ferneda e Profa. Lourdes Mattos Brasil, por prestigiarem este trabalho com sua presença e sugestões de melhoria.
Aos demais funcionários da UCB que sempre foram tão prestativos quando requisitados.
RESUMO
A análise da colaboração em ambientes colaborativos de trabalho e aprendizagem apoiados por computador permite identificar e explorar fatores para melhorar a efetividade da colaboração e o apoio às reflexões e auto-avaliação dos participantes do grupo. A literatura sobre Computer Supported Cooperative Work / Collaborative Learning (CSCW/L) traz diferentes abordagens para análise da colaboração em tais sistemas, dentre as quais se encontram aquelas voltadas para análise associada à elaboração de artefatos como diagramas entidade-relacionamento (DER) e mapas conceituais, e também aquelas de cunho mais genérico, onde a análise da colaboração é independente da elaboração de um artefato específico. A escassa literatura a respeito de análise da colaboração em ambiente com tal característica foi o aspecto motivador para este trabalho. O presente trabalho insere-se no engageGrid, um projeto coordenado por pesquisadores do MGCTI/UCB e financiado pelo CNPq, que visa conceber e prototipar uma Rede de Compromissos utilizando como estrutura tecnológica um ambiente grid. A análise de um compromisso exigiu uma investigação sobre a sua estrutura implícita, em especial, em ambientes de trabalho compartilhado, como é o caso do Grid Shared Desktop (GSD), a ferramenta de grid usada nesse projeto. Como resultado dessa reflexão, um compromisso foi modelado como um ciclo composto pelas fases de configuração, negociação, realização, análise e síntese. Em função dessa estrutura, foi feito um aprofundamento das fases de configuração e realização, com o objetivo de caracterizar melhor um compromisso do ponto de vista da colaboração. Essa iniciativa permitiu visualizar um conjunto de atributos para análise de colaboração do grupo envolvido em um compromisso, que é uma das principais contribuições dessa pesquisa. Tais resultados auxiliaram no processo de configuração de um novo compromisso e ofereceram subsídios para inferir, de forma semi-automática, quais seriam os melhores participantes para envolverem-se num compromisso similar futuro.
ABSTRACT
The analysis of collaboration within computer-supported collaborative learning and work environments is important because it allows to identify and to explore the features to improve the effectiveness of collaboration and support for reflection and self-assessment of the participants in a group. The literature Computer Supported Cooperative Work / Collaborative Learning (CSCW/L) brings different approaches to analysis of collaboration in such systems, among which there are those geared for analysis tied to artifacts such as ER diagrams and maps conceptual and also more generic ones, in which the analysis of collaboration is independent of any specific artifact. The lack in the literature on the subject of cooperation in analysis of thus characterized environments was the motivating aspect to this work. The present work is inserted in engageGrid, a project coordinated for researchers of the MGCTI/UCB and financed by the CNPq, that aims at to conceive and to prototype a Net of Commitments being used as technological structure an environment grid. The analysis of a commitment demanded an inquiry on its implicit structure, in special, environments of shared work, as it is the case of the GSD that is the used tool of grid in this project. As a result of this reflection, a commitment was shaped as a composed cycle for the phases: configuration, negotiation, accomplishment, analysis and synthesis. A consequence of this structure is deepening of the configuration phases and accomplishment, with the objective to better characterize a commitment of the point of view of the collaboration. This initiative allowed to visualize a set of attributes for collaboration analysis of the involved group in a commitment, that is one of the main contributions of this research. Such results helped in the process of configuration of a new commitment and offered subsidies to infer, in a semi-automatic way, which would be the best participants to be involved in a future similar commitment.
LISTA DE FIGURAS
Figura 2.1. Captura da tela de uma discussão síncrona utilizando o GSD para
síntese de uma molécula... 20
Figura 2.2. Atividades suportadas pelo sistema DEGREE ... 22
Figura 2.3. Processo de Satisfação do Cliente: visão do ciclo de coordenação de ações ... 23
Figura 2.4. Conteúdo textual de um Registro de Acessos ... 26
Figura 2.5. Visualizações gráficas do Registro de Acessos ... 27
Figura 2.6. Relação entre variáveis calculadas e variáveis inferidas (sombreadas) . 28 Figura 2.7. Sêxtupla de valores para definir um atributo de uma variável ... 31
Figura 2.8. Atributos para o conjunto tamanho ... 32
Figura 2.9. Elementos de um fluxo de trabalho ... 41
Figura 3.1. Ciclo de Vida de um Compromisso no engageGrid ... 45
Figura 3.2. Elementos da Fase de Configuração de uma Proposta de Compromisso conforme Teoria da Atividade ... 48
Figura 3.3. Parte da representação em XPDL do exemplo de compromisso do Quadro 3.2 ... 52
Figura 3.4. Criação dos espaços e subespaços de trabalho no GSD a partir do arquivo XPDL... 53
Figura 3.5. Troca de informações e funções básicas que ocorrem no Espaço de Coordenação da Atividade ... 58
Figura 3.6. Parte da representação em XML de um exemplo de Lista de Mensagens... ... 59
Figura 3.7. Sugestão de interface para adicionar uma nova mensagem ao Espaço de Coordenação da Atividade ... 60
Figura 3.8. Parte da representação em XML de um exemplo de anúncios contidos em uma Tabela de Anúncios ... 61
Figura 3.9. Sugestão de interface para acrescentar uma contribuição conversacional.. ... 64
Figura 3.10. Parte da representação em XML de um exemplo de log paralelo de ações realizadas na sessão do dia 17-06-2009 ... 64
Figura 3.12. Parte da representação em XML de um exemplo de Árvore de
Processo. ... 65
Figura 3.13. Sugestão para visualização da Árvore de Processo ... 66
Figura 3.14. Diagrama de casos de uso para a fase de Configuração de uma
Proposta de Compromisso ... 69
Figura 3.15. Diagrama de casos de uso para a fase de Realização do
Compromisso.. ... 70
Figura 3.16. Relações de troca de informações entre os espaços de trabalho ... 72
Figura 4.1. Dados de entrada para a análise da Colaboração ... 76
Figura 4.2. Sugestão de apresentação do conteúdo textual do log de eventos do GSD ... 78
Figura 4.3. Exemplo de visualização da evolução do acesso de um usuário a todos os espaços de um compromisso ... 79
Figura 4.4. Exemplo de visualização do número de subtipos de contribuições para um espaço de trabalho em um compromisso ... 80
Figura 4.5. Exemplo de visualização da participação dos membros do grupo na atividade Elaborar_estado_arte do compromisso Elaborar_projeto_pesquisa ... 80
Figura 4.6. Relação entre variáveis calculadas e variáveis inferidas (sombreadas) . 83
Figura 4.7. Atributos para o conjunto número_contribuições_ações ... 85
LISTA DE QUADROS
Quadro 2.1. Valores para iniciativa, criatividade, elaboração e conformidade para um
determinado grafo conversacional ... 29
Quadro 2.2. Atributos dos conjuntos das variáveis inferidas para a análise global ... 30
Quadro 2.3. Descrição dos Indicadores de alto-nível da análise de interação ... 38
Quadro 2.4. Indicadores que modelam a realização das tarefas ... 38
Quadro 2.5. Indicadores que modelam o funcionamento do grupo ... 39
Quadro 3.1. Mapeamento entre as terminologias da Rede de Compromissos e o referencial adotado ... 49
Quadro 3.2. Exemplo de um compromisso com uma atividade e duas tarefas ... 49
Quadro 3.3. Tipos de espaços de trabalho ... 51
Quadro 3.4. Espaços de trabalho para a experiência do Quadro 3.2 ... 51
Quadro 3.5. Sugestão para visualização dos anúncios indicados no arquivo da Tabela de Anúncios ... 61
Quadro 3.6. Subtipos dos tipos de contribuição conversacional e ação ... 62
Quadro 3.7. Sugestão de interface em forma de tabela para representar a decisão do coordenador ... 67
LISTA DE TABELAS
Tabela 2.1. Conjuntos para as variáveis calculadas da análise global ... 34
Tabela 2.2. Atributos dos conjuntos das variáveis inferidas para a análise global .... 35
Tabela 4.1. Conjuntos para as variáveis calculadas da análise global ... 86
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
BSCW – Basic Support for Cooperative Work (Suporte Básico para Trabalho Cooperativo)
CSCL – Computer Supported Collaborative Learning (Aprendizagem Colaborativa Apoiada por Computador)
CSCW – Computer Supported Cooperative Work (Trabalho Cooperativo Apoiado por Computador)
DEGREE – Distance Education Environment for Group Experiences (Ambiente de Educação à Distância para Experiências em Grupo )
GSD – Grid Shared Desktop (Área de Trabalho em Grid Compartilhada) SNA – Social Network Analysis (Análise de Rede Social)
SAMSA – System for Adjacency Matrix and Sociogram-based Analysis (Sistema para Análises Baseadas em Matrix de Adjacência e Sociograma)
TWE – Together Workflow Environment (Ambiente de Edição de Fluxos de Trabalho) XPDL – XML Process Definiton Language (Linguagem de Definição de Processos XML)
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO ... 16
1.1 Objetivos ... 17
1.2 Classificação da Pesquisa ... 18
1.3 Organização da Dissertação ... 18
2. REFERENCIAL TEÓRICO ... 19
2.1 Grid Shared Desktop – GSD ... 19
2.2 Coordenação de Ações ... 21
2.2.1 – Sistema DEGREE e a Teoria da Atividade ... 21
2.2.2 – Ciclo de Coordenação de Ações ... 23
2.3 Análise da Colaboração ... 24
2.4 Workflow ... 40
2.5 Considerações finais sobre o capítulo ... 42
3. MODELO INICIAL DE CICLO DE VIDA DE UM COMPROMISSO NO ENGAGEGRID... 44
3.1 Ciclo de Vida de um Compromisso ... 44
3.1.1 Fase de Configuração de uma Proposta de Compromisso ... 46
3.1.2 Fase de Negociação de uma Proposta de Compromisso ... 46
3.1.3 Fase de Realização do Compromisso ... 46
3.1.4 Fase de Análise do Compromisso ... 47
3.1.5 Fase de Síntese ... 47
3.2 Aprofundamento sobre a Fase de Configuração de uma Proposta de Compromisso 47 3.3 Aprofundamento sobre a Fase de Realização do Compromisso ... 55
3.3.1 Espaço de Coordenação do Grupo ... 56
3.3.2 Espaço de Coordenação da Atividade ... 56
3.3.3 Espaço de Tarefa Individual e de Grupo ... 61
3.3.4 Casos de uso para os cenários das fases de Configuração de uma Proposta de Compromisso e Realização de um Compromisso ... 68
3.3.6 Log de eventos do GSD ... 73
3.4 Considerações finais sobre o capítulo ... 74
4. ATRIBUTOS PARA ANÁLISE DURANTE A FASE DE REALIZAÇÃO DO COMPROMISSO ... 75
4.1 Contextualização ... 75
4.2 Análise Quantitativa ... 77
4.2.1 Visualização Textual ... 77
4.2.2 Visualização Gráfica ... 78
4.3 Análise Qualitativa ... 81
4.3.1 Variáveis para realizar a análise ... 81
4.3.2 Modelagem das variáveis para análise global ... 84
4.4 Considerações finais sobre o capítulo ... 90
5. CONCLUSÃO ... 92
REFERÊNCIAS ... 96
ANEXO A – DTD dos arquivos XML ... 99
16
1. INTRODUÇÃO
Surgido a partir dos debates promovidos por Pierre Lévy (Lévy, 1997) sobre as tecnologias da inteligência, o conceito de Inteligência Coletiva é caracterizado por um novo tipo de pensamento sustentado por conexões sociais, e que é inerente ao contexto que as Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) admitem. Dessa forma, ferramentas que dão suporte ao compartilhamento de recursos, como é o caso dos grids computacionais, ganham em relevância, pois potencializam a inteligência coletiva por meio do trabalho colaborativo, assumindo a perspectiva de Aristóteles de que “o todo é maior que a soma das partes” (Dugénie et al, 2006).
Na perspectiva da colaboração citada, é possível perceber uma mudança de paradigma em relação ao espaço de trabalho (desktop) – tradicionalmente visto como um posto de trabalho local – que passa a ser visto como um espaço de trabalho remoto ubíquo, possibilitando o compartilhamento de idéias e, consequentemente, provocando uma maior disponibilidade para compromisso (comprometimento) entre os participantes de um trabalho colaborativo. Motivados por essa mudança, estudos no sentido de compartilhar o espaço de trabalho têm sido realizados, como é o caso dos sistemas colaborativos VDTool de Carlos e Raposo (2006) e o Grid Shared Desktop (GSD) de Dugénie (2007).
A análise da colaboração em ambientes colaborativos de aprendizagem e trabalho apoiados por computador (CSCW/L1) permite (i) identificar e explorar os fatores para melhorar a efetividade da colaboração e (ii) apoiar as reflexões e a auto-avaliação dos participantes do grupo. Nesse sentido, pesquisas em CSCW/L têm apresentado diversas propostas e soluções de apoio à análise da colaboração em sistemas colaborativos, como é o caso dos sistemas COLER (Constantino e Suthers, 2000) e o Synergo (Avouris et al, 2004), que utilizam a elaboração de artefatos como diagramas entidade-relacionamento (DER) para posterior análise da realização de uma atividade em grupo. Abordagens de natureza genérica e livre da elaboração de artefatos que tratam a análise da colaboração nos campos da CSCW/L também são encontradas. Algumas delas focam em um único canal de colaboração, tal como o diálogo (Soller e Lesgold, 2007; Siebra et al, 2006; Barros,
1 Computer Supported Collaborative Learning (CSCL) e Computer Supported Cooperative Work
1999 e Barros e Verdejo, 2000). Outras propõem uma integração de diferentes fontes de dados para a análise da interação do grupo (Daradoumis et al, 2006). Essas últimas abordagens, denominadas genéricas, formam os pilares de sustentação para este trabalho por possuírem características semelhantes às do GSD, estrutura tecnológica base para o projeto engageGrid2 no qual esta pesquisa está inserida.
O engageGrid visa conceber e prototipar uma Rede de Compromissos que deve abrigar uma comunidade no âmbito de uma organização e permitir a formação de grupos para a realização de compromissos. Um dos benefícios pretendidos com a rede é prover a um participante a possibilidade de engajar-se em um compromisso de forma mais segura, não só pelo aspecto de competências técnicas necessárias, mas pela eficácia observada no passado, quando da realização de compromissos similares e bem sucedidos. Assumindo que um compromisso é realizado por um grupo no ambiente GSD, entende-se que um compromisso bem sucedido passa por uma colaboração efetiva e, assim, uma primeira necessidade identificada é prover análise do trabalho do grupo.
1.1 OBJETIVOS
O objetivo geral desta pesquisa é: definir um conjunto de atributos para análise da colaboração em uma rede de compromissos. Espera-se, com isso, orientar estudos futuros na intenção de desenvolver métodos confiáveis para formar equipes que possam se engajar em um compromisso e realizá-lo de forma segura e satisfatória, o que demonstra a relevância deste estudo.
Para alcançar o objetivo geral, foram identificados os seguintes objetivos específicos:
1. Investigar a estrutura de um compromisso dentro de um ambiente computacional colaborativo de apoio à realização de trabalhos em grupo; 2. Propor serviço(s) / produto(s) para prover o planejamento do compromisso; 3. Propor serviço(s) / produto(s) para prover a realização do compromisso.
2 Refere-se a um projeto coordenado por pesquisadores do MGCTI/UCB e financiado pelo CNPq.
18
1.2 CLASSIFICAÇÃO DA PESQUISA
Esta pesquisa pode ser classificada quanto à natureza como aplicada, quanto à abordagem do problema como qualitativa. Quanto aos fins como metodológica e exploratória e, quanto aos meios de investigação como bibliográfica e documental.
A pesquisa é aplicada porque está dirigida à solução de um problema específico que é a avaliação da influência mútua entre participantes de um grupo que utilizam o GSD para realizar as atividades de um compromisso, cujo desafio é a propriedade de imanência deste ambiente, onde não se sabe a priori quais serão as ferramentas incorporadas ao espaço de trabalho do grupo para dar conta da tarefa em mãos. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, pois trabalha com dados sobre análise da colaboração entre indivíduos que se engajam na realização de compromisso e, dessa forma não requer o uso de métodos estatísticos para sua interpretação ou conclusão.
Classifica-se como metodológica e exploratória, pois se refere à manipulação da realidade e à exploração da literatura existente, buscando formas de atingir determinado fim. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica, pois se fundamenta em conceitos da literatura, como por exemplo, os frameworks genéricos para análise da colaboração e o ambiente GSD. Por fim, a pesquisa também pode ser considerada documental, pois faz uso de cenários montados em conjunto com os professores pesquisadores do programa de pós-graduação stricto sensu em Gestão do Conhecimento e Tecnologia da Informação (MGCTI) da Universidade Católica de Brasília, onde o presente trabalho foi desenvolvido.
1.3 ORGANIZAÇÃO DA DISSERTAÇÃO
2. REFERENCIAL TEÓRICO
Buscando dar sustentação à proposta deste trabalho, este capítulo apresenta os referenciais adotados para alcançar o objetivo de análise da colaboração durante a realização de um compromisso. Para isso, está organizado da seguinte forma: a seção 2.1 apresenta o GSD como ambiente para execução de atividades em grupo de forma assíncrona e síncrona; a seção 2.2 apresenta abordagens que tratam da coordenação das ações para realização de trabalho em grupo; a seção 2.3 apresenta formas para análise da colaboração; a seção 2.4 apresenta a linguagem utilizada para modelar o fluxo de trabalho para realização das ações do compromisso e a seção 2.5 mostra as considerações finais para o capítulo.
2.1 GRID SHARED DESKTOP – GSD
Conforme apresentado em Dugénie (2007), o GSD é um ambiente oferecido pela plataforma experimental denominada Agora3, destinada à implantação de espaços colaborativos pela integração de serviços de considerável valor agregado. A arquitetura Agora é governada por três princípios: (i) ubiquidade, que estipula que a implantação de recursos deve ser independente de condições espaciais e temporais de utilização; (ii) percepção, que torna-se indispensável para reforçar o sentimento de presença dos atores no âmbito de um espaço colaborativo por diferentes modalidades de comunicação e (iii) imanência, que desempenha um papel importante na capacidade das organizações de adquirirem autonomia, considerando que seus membros, ainda que não necessariamente se conhecendo, devem poder colaborar com confiança.
Sob a ótica da filosofia contemporânea, a propriedade de imanência embutida na proposta do GSD é essencial em uma teoria da inteligência coletiva humana potencializada pela tecnologia, conforme Prefácio de Pierre Lévy em Dugénie (2007). Para Lévy, no GSD o conceito corresponde à autonomia de decisão e à organização de grupos de trabalho no âmbito de uma comunidade. Tal auto-organização é proporcionada pela dinamicidade na escolha dos serviços pelo próprio grupo que deles fará uso.
20
Dugénie et al (2006) apresentam o GSD como um ambiente colaborativo que provê uma interface multidimensional homem-máquina-homem por meio de múltiplos desktops intrincados. Tecnologicamente falando, “o GSD é uma solução independente de plataforma que tira proveito das vantagens intrínsecas da tecnologia Grid como escalabilidade e segurança”. O GSD foi experimentado com êxito no âmbito da colaboração científica.
No GSD distinguem-se dois níveis de colaboração: Comunidade Virtual (CV), que utiliza serviços em modo assíncrono, tais como compartilhamento de arquivos, agendamento de tarefas, edição de documentos, entre outros, e Sessões Colaborativas (SC), que utilizam colaboração em modo síncrono, tais como chat, áudio-vídeo conferência, tela-branca, quadro-branco, etc. O GSD fornece (i) uma tela-branca, onde cada participante pode propagar um desktop para todos os outros participantes de uma SC e (ii) um quadro-branco, onde se pode agir alternadamente em um desktop comum da SC.
Figura 2.1. Captura da tela de uma discussão síncrona utilizando o GSD para síntese de uma molécula
Fonte: Dugénie (2007)
2.2 COORDENAÇÃO DE AÇÕES
De acordo com as comunidades CSCW/L, o fato de apenas tornar disponível a um grupo um ambiente que provê ambas, conversas e ações coletivas, não garante, a priori, que irá ocorrer uma colaboração efetiva. Por outro lado, a colaboração efetiva é desejável ao considerar que a influência mútua durante as interações podem levar a resultados mais ricos do que os resultados obtidos a partir de soluções individuais (Dillenbourg, 1999; Soller e Lesgold, 2007). Dessa forma, a colaboração, seja ela síncrona ou assíncrona, envolve um fator fundamental que é a coordenação das atividades que visa encontrar soluções adequadas e direcionadas ao objetivo do trabalho.
Nesse sentido, são apresentadas a seguir duas abordagens que tratam de coordenação de ações nos contextos CSCW/L.
2.2.1 – Sistema DEGREE e a Teoria da Atividade
Barros e Verdejo (2000) destacam que a aprendizagem colaborativa apoiada por computador permite o registro de uma grande quantidade de dados sobre os processos de interação e realização de tarefas entre grupos de estudantes. Dessa forma, as abordagens manuais para monitorar e explorar estes dados ficam fora de questão. Nesse contexto, as autoras apresentam uma abordagem para caracterizar, em termos de conjunto de atributos, o comportamento individual e em grupo durante trabalho colaborativo apoiado por computador. Para isto, elas propõem um sistema que compute, automaticamente, esses atributos para processos onde atividades em grupo e as interações sejam realizadas por mensagens semi-estruturadas categorizadas genericamente conforme o tipo de conversação.
Segundo Barros e Verdejo (2000), a teoria sócio-cultural propõe a Teoria da Atividade (Nardi, 1996) para representar as atividades em grupo onde a Tecnologia tem o papel de mediador. Com base nessa teoria, o sistema DEGREE (Distance Environment for GRoup Experiences) foi desenvolvido e se apresenta organizado em quatro níveis: (i) Configuração; (ii) Realização; (iii) Análise e (iv) Organização.
No nível de Rea colaborativas com apoio organizada em atividades tarefas e subtarefas com relacionados a cada grupo
Figura 2.2. Atividades suportada Fonte: Traduzido de Barros (199
No nível de Análise, intervenções, por meio d mensagens e o momento q melhorias. A colaboração é
ealização, os estudantes podem realiz io do sistema. Uma experiência de ap s que por sua vez podem envolver uma espaços de trabalho compartilhados. Tod o e experiência são registrados.
das pelo sistema DEGREE 99)
, as interações dos usuários são analisada de envio de mensagens, de forma a m quando elas são enviadas são registradas é avaliada em termos de pares de
22
lizar atividades prendizagem é a variedade de odos os eventos
das e são feitas melhorá-las. As s para avaliar as
No nível de Organização, os resultados das experiências e os processos de aprendizagem colaborativa são obtidos, selecionados e armazenados. A informação é estruturada e avaliada com propósito de busca e reuso. Ela é armazenada como cases em forma de Memória de Aprendizagem Organizacional.
A Figura 2.2 apresenta os níveis do sistema descritos conforme interpretação de Barros (1999) sobre a Teoria da Atividade.
2.2.2 – Ciclo de Coordenação de Ações
No contexto CSCW, Flores (1994) propõe um ciclo (Figura 2.3) como um modelo de coordenação de ações entre “clientes” e “fornecedores”. De acordo com o autor, garantir a satisfação dos clientes requer duas fases básicas, a saber: estabelecer um compromisso e, realizar o compromisso. A fase na qual o compromisso é estabelecido inclui duas sub-fases denominadas (i) preparação e (ii) julgamentos e negociação. A fase na qual o compromisso é realizado inclui (iii) realização e (iv)aceitação.
Figura 2.3. Processo de Satisfação do Cliente: visão do ciclo de coordenação de ações Fonte: Traduzido de Flores (1994)
24
compromisso e, posteriormente, a realização das ações prometidas. Essas ações formam os primeiros passos para se coordenar as ações na consecução da promessa a ser realizada.
Para efetivação do pedido de um compromisso, assim como na oferta, existem quatro fases bem delineadas e que exigem total atenção do cliente e do fornecedor no sentido de se estabelecer uma boa relação, fundamentada na procura da satisfação do cliente.
Na primeira fase, de preparação do problema, o cliente procura desenvolver uma conversa com seu fornecedor no sentido de lhe fazer um pedido. Este pedido exige do fornecedor toda atenção sobre as necessidades apontadas pelo cliente.
Na segunda fase, de julgamentos e negociação, os atores do processo de pedido fazem um acordo e determinam o que deve ser feito, qual o tipo de compensação frente à execução da ação, qual o tempo disponível para conclusão e como será implementada a ação. Ao final dessa fase, o fornecedor fará uma promessa de executar a ação e o compromisso se fará aceito. Entretanto, a aceitação do fornecedor dependerá das condições de satisfação estarem de acordo com suas necessidades ou de sua capacidade de honrá-lo de acordo com os itens de satisfação manifestos.
Declarado o aceite ao final da fase de negociação, passa-se à fase de realização propriamente dita do pedido compromissado. Durante essa fase, podem ocorrer novos ciclos de coordenação de ações para conclusão do compromisso.
Na fase de avaliação, quarta fase, analisa-se o nível de satisfação do cliente quanto à promessa desenvolvida ou compromisso realizado. Nessa fase, cabem críticas, tornando a experiência fonte de consulta para outros compromissos.
2.3 ANÁLISE DA COLABORAÇÃO
diagramas ER, além de mapas conceituais e diagramas de fluxo. Sobre arquitetura cliente-servidor, Synergo registra as interações e provê a visualização de parâmetros para análise da interação. É possível identificar ainda abordagens de natureza genérica não associadas à elaboração de artefatos e que focam em análise baseada em diálogo, como é o caso de Barros (1999) e Barros e Verdejo (2000). Outras propõem uma integração de diferentes fontes de dados para a análise da interação do grupo, como é o caso de Daradoumis et al (2006). Eles propõem um framework em forma de camadas que resulta da definição de indicadores genéricos e específicos de atividades em grupo, que representam processos de aprendizagem colaborativa.
Considerando que a proposta deste trabalho é propor um mecanismo para análise da colaboração durante a realização de um compromisso utilizando o ambiente GSD (que possui estrutura tecnológica independente de domínio e de tarefas), apenas as abordagens de natureza genérica foram consideradas. Esta seção apresenta a base de sustentação para esta proposta detalhando o nível de análise do sistema DEGREE de Barros (1999) e os indicadores para análise do funcionamento do grupo e realização de tarefas de Daradoumis et al (2006).
No nível de análise do sistema DEGREE, as interações dos usuários são analisadas de forma quantitativa e qualitativa.
26
Figura 2.4. Conteúdo textual de um Registro de Acessos Fonte: Traduzido de Barros (1999)
A visualização gráfica permite selecionar e contabilizar as informações do Registro de Acessos para, em seguida, representá-las em um gráfico. Alguns dos gráficos apresentados pelo sistema DEGREE de Barros (1999) são mostrados na Figura 2.5 e descritos como segue:
1. Evolução dos acessos dos usuários: mostra a evolução do número de acessos dos usuários ao sistema durante o tempo de desenvolvimento da experiência. Permite ver se os usuários ou um usuário em particular está repartindo o tempo de forma uniforme na realização das tarefas ou se, pelo contrário, está acumulando para o final, princípio ou meio.
2. Acessos por hora: permite ver em quais momentos do dia os usuários realizam os acessos à experiência.
Modo de
visualização do log:
texto, gráfico
Relação de experiências de aprendizagem:
ambiente1, ambiente2
Lista de espaços de trabalho da experiência
Ambiente2 e
Atividade1
Lista de usuários participantes da experiência
Ambiente2
Opção para ver todos os campos do
Registro de Acessos
3. Número de contribuições de um espaço: útil para saber quais tipos de contribuições são mais utilizadas e quais não são para, por exemplo, realizar uma redefinição do grafo conversacional para outras experiências.
4. Participação dos usuários: útil para conhecer o grau de participação relativa de cada usuário na experiência. São considerados todos os tipos de acessos, incluindo leitura e troca entre espaços de trabalho.
Figura 2.5. Visualizações gráficas do Registro de Acessos Fonte: Traduzido de Barros (1999)
A análise qualitativa apresenta conclusões a respeito do trabalho do grupo ao realizarem uma experiência de aprendizagem. Para realizar a análise qualitativa são utilizados os dados obtidos a partir das contribuições que formam a árvore de processo4 de cada tarefa, das mensagens de coordenação de cada atividade e da definição da experiência .
4 Árvore de processo é gerada automaticamente pelo sistema DEGREE e representa as contribuições
As variáveis obtida experiência são chamadas e, de acordo com aplicaçã são obtidas as variáveis i variáveis.
Figura 2.6. Relação entre variáv Fonte: Traduzido de Barros (199
As variáveis calcula como segue:
1. Número de Contribuiç que o grupo acrescen contabilizadas e divid experiência.
2. Tamanho das Con conversacionais em u de número de caracte 3. Profundidade da árvo
árvore de um subespa 4. Interatividade do grup tem uma árvore de pr de seu autor.
5. Mensagens de Coorde por todos os usuários
as a partir da árvore de processo e da s de variáveis calculadas. A partir das variáv ção de regras em um processo encadeado inferidas. A Figura 2.6 apresenta a relaçã
veis calculadas e variáveis inferidas (sombreadas) 99)
ladas (não sombreadas) são definidas por
ições: trata-se do número de contribuições c entou ao subespaço de elaboração. As con ididas pelo número de membros do grupo
ntribuições: é o tamanho médio das um subespaço de elaboração. É contabiliza teres de cada contribuição.
rvore de processo: trata-se da profundidad paço de elaboração.
upo: é contabilizada a porcentagem de con processo e que foram respondidas por um us
rdenação: número de mensagens de coorden no espaço de coordenação.
28
da definição da iáveis calculadas o de inferência, ção entre essas
or Barros (1999)
conversacionais ontribuições são o que realizou a
s contribuições izado em termos
ade máxima da
ontribuições que usuário diferente
6. Iniciativa: quantifica o grau de responsabilidade no trabalho que cada contribuição supõe. Por exemplo, uma proposta sugere mais trabalho do que a realização de uma pergunta.
7. Criatividade: quantifica o grau de complexidade, originalidade e riqueza de idéias que supõe a elaboração do texto de cada contribuição. Por exemplo, elaborar uma proposta requer mais criatividade do que fazer um comentário. 8. Elaboração: quantifica o grau de trabalho necessário para elaborar o texto da
contribuição. Por exemplo, elaborar uma contra-proposta implica mais trabalho do que fazer uma pergunta ou comentário.
9. Conformidade: quantifica o grau de acordo que uma contribuição implica com relação àquela que está vinculada. Por exemplo, um acordo indica uma conformidade total, porém a contra-proposta indica conformidade pouca ou nula.
As variáveis iniciativa, criatividade, elaboração e conformidade são obtidas considerando o tipo de contribuição que é acrescentada ao subespaço de elaboração. É utilizada uma faixa de valores subjetivos que variam de -10 a 10. Estes valores são associados a cada tipo de contribuição, como apresentado no Quadro 2.1.
CONTRIBUIÇÃO Iniciativa Criatividade Elaboração Conformidade
I Vk
Proposta 10 10 10 -10
Contra-proposta 10 9 9 -10
Pergunta 2 1 1 3
Comentário 4 3 2 0
Explicação 4 2 2 0
Acordo 0 0 0 10
Val ik
Quadro 2.1. Valores para iniciativa, criatividade, elaboração e conformidade para um determinado grafo conversacional
Fonte: Traduzido de Barros (1999)
É contabilizado o número de contribuições que existe de cada tipo e, para cada tipo, multiplica-se por cada um dos quatro valores que são somados à variável correspondente, denominada Valik. Conforme Barros (1999), cada variável é obtida com a seguinte fórmula:
30
contribuições que tem para cada tipo de contribuição e k é o conjunto de variáveis [iniciativa, criatividade, elaboração, conformidade].
Na análise qualitativa, as variáveis inferidas são obtidas em um processo de inferência difusa. Cada variável é modelada como um conjunto formado por vários atributos, cada um dos quais corresponde a um valor possível do domínio desse atributo. O Quadro 2.2 apresenta os atributos dos conjuntos das variáveis inferidas para a análise da forma de trabalhar do grupo em geral.
CONJUNTOS ATRIBUTOS
Trabalho Pouco | adequado | muito
Argumentação Ausente | mínima | normal | rica
Coordenação Baixa | normal | boa
Cooperação Nula | baixa | normal | boa
Colaboração Ruim | adequado | bom | muito bom
Quadro 2.2. Atributos dos conjuntos das variáveis inferidas para a análise global
Fonte: Adaptado de Barros (1999)
A variável Trabalho oferece uma medida da quantidade de trabalho realizado pelo grupo para gerar a solução da tarefa. A Argumentação oferece uma medida do grau de discussão que teve no grupo. A Coordenação indica o grau de intercomunicação que houve entre os membros do grupo. A Cooperação considera o processo de argumentação levando em conta a atitude conformista (ou não conformista) dos indivíduos e o grau de criatividade utilizado para melhorar a solução em grupo. A Colaboração oferece uma avaliação global da atitude colaborativa do grupo durante a realização da experiência de aprendizagem.
Barros (1999) apresenta três métodos para realizar a análise a partir de diferentes pontos de vista. O primeiro trata um ponto de vista global, em comparação com tarefas similares de outras experiências e utiliza processo de inferência para obter os resultados da análise. O segundo faz uma análise individual de cada participante comparando seu trabalho com os dos demais participantes. No terceiro, é feita uma análise da forma de trabalhar do grupo sem nenhum processo de inferência, apenas organizando os dados por tarefas e usuários para saber como foi a divisão do trabalho e do tempo durante a realização das tarefas. Considerando que o mecanismo para avaliação da colaboração proposto no capítulo 4 deste trabalho toma por base a análise global da forma de trabalhar de um grupo, apenas o primeiro método, ponto de vista global, será detalhado a seguir.
(A)
U
realizadas em outras experiências. Para cada variável, são comparados ambos os valores, gerando dados que são combinados em um processo de inferência para obter o resultado da análise.
Para tratar do aspecto vago e impreciso da informação, em 1965, Lotfi Zadeh desenvolveu a Teoria dos Conjuntos Nebulosos. Tal teoria, quando utilizada em um contexto lógico, como o de sistemas baseados em conhecimento, é conhecida como Lógica Fuzzy. De acordo com Sandri e Correa (1999), na lógica fuzzy, o valor verdade de uma proposição pode ser um subconjunto fuzzy de qualquer conjunto parcialmente ordenado, ao contrário dos sistemas lógicos binários, onde o valor verdade só pode assumir dois valores: verdadeiro (1) ou falso (0). Nos sistemas lógicos multi-valores, o valor verdade de uma proposição pode ser ou um elemento de um conjunto finito, num intervalo, ou uma álgebra booleana. Na lógica nebulosa, os valores verdade são expressos linguisticamente, (e.g. : verdade, muito verdade, não verdade, falso, muito falso, ...), onde cada termo linguístico é interpretado como um subconjunto fuzzy do intervalo unitário.
Embora a literatura sobre lógica fuzzy apresente diversas abordagens para modelagem das variáveis (Pedrycz, 1989; Yager et.al., 1987; Lee, 1990; Albertos, 1992), Barros (1999) escolhe, segundo ela por uma questão de facilidade de cálculo, a representação em forma de trapézio, onde cada variável é modelada como um conjunto composto por atributos ou etiquetas lingüísticas que correspondem a um valor possível do domínio desse atributo. A definição do conjunto correspondente a cada variável é feita por meio de sêxtuplas que formam um trapézio e são definidas pelo usuário. A Figura 2.7 representa esse trapézio.
32
O significado de cada elemento da sêxtupla é o seguinte:
• S1 e S2: indicam, respectivamente, a inclinação das arestas esquerda e direita do trapézio. Valem 1 se a inclinação é positiva, 0 se é nula, -1 se é negativa.
• X1, X2: representam os valores de X que definem a aresta esquerda do
trapézio.
• X3, X4: representam os valores de X que definem a aresta direita do trapézio.
Zadeh (1965) propõe uma caracterização mais ampla, na medida em que sugere que alguns elementos são mais membros de um conjunto do que outros. O fator de pertinência pode então assumir qualquer valor entre 0 e 1, sendo que o valor 0 indica uma completa exclusão e um valor 1 representa completa pertinência.
Formalmente, seja U uma coleção de objetos denominados genericamente por {u}. U é chamado de universo de discurso, podendo ser contínuo ou discreto. Um conjunto fuzzy A em um universo de discurso U é definido por uma função de pertinência A que assume valores em um intervalo [0,1]:
A : U [0,1]
A Figura 2.8 apresenta um exemplo de representação trapezoidal para os atributos da variável Tamanho das Contribuições. O conjunto de atributos para essa variável é chamado tamanho e possui quatro atributos ou etiquetas lingüísticas: curto, normal, longo, muito longo. Barros (1999) define cada um deles com as seguintes sêxtuplas:
• Curto: <1,0,5,-1,50,100>
• Normal: <1,80,100,-1,100,1100> • Longo: <1,500,1100,-1,2000,2100>
• Muito longo: <1,2000,2500,0,2500,10000>
Barros (1999) realiza duas operações com os valores e os conjuntos dos atributos, fuzzificar e defuzzificar. A operação fuzzificar, dado um valor de uma variável para um conjunto, consiste em obter o valor correspondente para cada atributo do conjunto de acordo com a parte correspondente com a área de trapézio que ocupa esse valor no domínio de valores do conjunto. A operação defuzzificar, dado um número de valores para os atributos de um conjunto, consiste em calcular o atributo que melhor se ajusta a esses valores. Existem vários métodos para calcular este valor. Barros (1999) utiliza o método do centróide (Kaehler, 1998), também denominado método do centro da área ou método da média ponderada, que resulta da ponderação de todos os valores da saída nebulosa. Nesse método, os graus de pertinência são utilizados como pesos para o cálculo de uma média ponderada. Confome afirma Cox (1995), esse é o método de defuzzificação mais utilizado visto que possui a propriedade de fornecer respostas que provocam ações suaves para os próximos passos do sistema de controle.
Para a análise global, Barros (1999) introduziu uma nova variável relativa a cada conjunto que indica o ponto médio relativo (PMR) para esse conjunto (que não tem porque ser exatamente o ponto médio do domínio do conjunto). Este PMR indica a posição do valor médio a partir do qual os atributos que formam o conjunto fazem referência. O valor médio permite variar os valores das sêxtuplas dos atributos de um conjunto. Por exemplo, para tarefas muito específicas em que não é necessário escrever muito texto, pode-se considerar que o ponto médio relativo de 500 é muito longo, enquanto que para tarefas mais complexas que é necessário escrever muito texto, 500 caracteres é muito pouco. Considerando esta flutuação de valores, o PMR permite mover o conjunto para uma faixa de valores mais adequada a cada tarefa, levando em conta as faixas existentes.
Para a análise global das experiências de aprendizagem, Barros (1999) utilizou os conjuntos definidos na Tabela 2.1. Para as variáveis inferidas, foram considerados os conjuntos da Tabela 2.2.
34
Para inferir Trabalho, Barros (1999) apresenta o seguinte conjunto de regras que utilizam os conjuntos Número de contribuições, Tamanho das contribuições e Elaboração:
Contribuições_muitas, elaboração_muita, tamanho_muitolongo trabalho_alto Contribuições_muitas, elaboração_muita, tamanho_longo trabalho_alto Contribuições_muitas, elaboração_muita, tamanho_normal trabalho_alto Contribuições_muitas, elaboração_muita, tamanho_curto trabalho_adequado
Barros (1999) destaca que pode-se restringir o número de regras para os casos em que um atributo não tem nenhum efeito sobre o resultado. Por exemplo, ao considerar que sempre as contribuições são poucas, o trabalho será pouco, independente dos valores dos outros atributos. Dessa forma, a seguinte regra representa a situação:
Contribuições_pouca trabalho_pouco
Tabela 2.1. Conjuntos para as variáveis calculadas da análise global
CONJUNTO ATRIBUTO <S1, X1, X2, S2, X3, X4> PMR
Número de contribuições
Pouca <0,0,5,-1,5,15>
50
Adequada <0,12,15,-1,50,55>
Muita <1,50,70,0,70,1000>
Tamanho das contribuições
Curto <1,0,5,-1,50,100>
500
Normal <1,80,100,-1,100,1100>
Longo <1,500,1100,-1,2000,2100>
Muito longo <1,2000,2500,0,2500,10000>
Profundidade de árvore
Baixa <0,0,2,-1,2,3>
5
Normal <1,2,3,-1,7,8>
Alta <1,7,8,0,9,100>
Interatividade
Pouca <1,0,0.3,0,0.3,0.3>
0.5
Bastante <1,0.2,0.4,1,0.7,0.8>
Muita <1,0.8,1,0,1,1>
Criatividade
Baixa <0,0,0.2,-1,0.2,0.3>
0.6
Normal <1,0.3,0.5,-1,0.7,0.8>
Alta <1,0.7,0.8,0,0.8,1>
Conformidade
Baixa <0,0,0.3,-1,0.3,0.4>
0.65
Média <1,0.4,0.6,-1,0.7,0.8>
Alta <1,0.7,0.85,0,0.85,1>
Iniciativa
Pouca <0,0,0,-1,0,0.4>
0.55
Média <1,0.3,0.5,-1,0.7,0.8>
Alta <1,0.8,1,0,1,1>
Mensagens de coordenação
Pouco <0,0,0,-1,0,25>
20
Normal <0,15,25,-1,90,100>
Muito <1,90,100,0,100,1000>
Elaboração
Baixa <0,0,0,-1,0,0.3>
0.4
Normal <1,0.2,0.3,-1,0.4,0.5>
Muita <1,0.4,0.5,-1,0.9,1>
Tabela 2.2. Atributos dos conjuntos das variáveis inferidas para a análise global
CONJUNTO ATRIBUTO <S1, X1, X2, S2, X3, X4>
Trabalho
Pouco <0,0,0,-1,0,0.3>
Adequado <1,0.2,0.5,-1,0.6,0.7>
Alto <1,0.6,0.7,0,0.7,1>
Argumentação
Ausente <0,0,0,-1,0,0.3>
Mínima <1,0.2,0.3,-1,0.4,0.5>
Normal <1,0.4,0.5,-1,0.7,0.8>
Rica <1,0.7,0.8,0,0.9,1>
Coordenação
Baixa <1,0,0.3,0,0.3,0.3>
Normal <1,0.2,0.3,-1,0.6,0.7>
Boa <1,0.6,1,0,1,1>
Cooperação
Nula <1,0,0.2,0,0.2,0.2>
Baixa <1,0.1,0.2,-1,0.2,0.3>
Normal <1,0.3,0.4,-1,0.7,0.8>
Boa <1,0.7,0.8,0,0.8,1>
Colaboração
Ruim <0,0,0,-1,0,0.3>
Adequada <1,0.2,0.3,-1,0.5,0.6>
Boa <1,0.5,0.6,-1,0.8,0.9>
Muito boa <1,0.8,0.9,-1,0.9,1>
Fonte: Traduzido de Barros (1999)
O método para obtenção dos dados inferidos utiliza um algoritmo baseado em inferência difusa. De maneira prévia, são calculados e comparados os dados que serão as condições de entrada do processo de inferência. O algoritmo utilizado por Barros (1999) é o seguinte:
A E
Ti A
Tj Ti
Tj Vj
! Vj
PMR(Vj)
"# $% ! MR(Pj)
& Pj ! MR(Pj)
& "# Ti
Vi*
' "# Entradasi
Vi* ( !
&
"# regras
(
) "# Saídasi
5 Barros (1999) considera que duas tarefas são similares se utilizam o mesmo material de trabalho e
36
* + , *
-Condicõesi = Entradasi + Saídasi
. * )/Conjuntos, Regras Condiçõesi0
1 2 + Condiçõesi
3 Condiçõesi
& "# VRk 45 6
Ti
VRk Condiçõeski
' $ Vik
Ainda no contexto de frameworks para análise da colaboração, Daradoumis et al (2006) propõem um framework inicial para estudo e análise da interação em grupo que é construído por meio da combinação de diferentes aspectos e questões de colaboração, de aprendizagem e de avaliação. O framework é conceitualizado em forma de camadas que resultam da definição de indicadores genéricos de atividades em grupo, os quais representam processos de aprendizagem colaborativa de alto nível, decompostos em indicadores mais específicos.
O projeto dos estudantes foi desenvolvido principalmente de forma assíncrona, mas ocorreram interações síncronas em alguns casos específicos de processos de tomada de decisão. Todas as interações assíncronas foram realizadas utilizando o sistema BSCW (Basic Support for Cooperative Work), uma ferramenta groupware que permite colaboração síncrona e assíncrona utilizando a web (Bentley et al, 1997).
Para estruturar todo o processo de aprendizagem colaborativa, foram configurados dois workspaces particulares: workspace geral e workspace privado do grupo. O workspace geral pode ser acessado por todos os estudantes da classe virtual com o propósito de interação entre os estudantes. Neste workspace são realizados os debates para tomada de decisão. O workspace privado do grupo serve para registrar e estruturar a interação dos membros do grupo que buscam alcançar os objetivos do projeto pela resolução de tarefas e problemas específicos do grupo.
A abordagem apresentada pelos autores integra diferentes fontes de dados, ferramentas e técnicas que permitem que o tutor fiscalize, oriente e avalie o processo de aprendizagem colaborativa.
6 O algoritmo de inferência baseado em inferência difusa utilizado por Barros (1999) é uma variante
dos algoritmos clássicos que modelam conjunto de regras como redes de Petri.
Dados de análise podem vir de diferentes fontes, tais como arquivos de log das atividades do grupo mantidos no sistema de aprendizagem colaborativa. Arquivos de log capturam ações desempenhadas pelos participantes do grupo em espaços de trabalho compartilhados.
Outras importantes fontes são: (i) os conteúdos dessas ações e os produtos da atividade colaborativa; (ii) os relatórios de auto-avaliação do grupo e individual; (iii) os relatórios e/ou logs de reuniões virtuais (comunicação síncrona e interação); e (iv) um questionário de auto-avaliação final.
Ambos os relatórios e questionários destinam-se a extrair informações específicas dos participantes a partir de informações relacionadas com a realização da tarefa (produto da atividade), com os processos de aprendizagem e com a qualidade da colaboração em si.
Ferramentas de software específicas (personalizadamente projetadas) podem ser utilizadas também como apoio para os meios de filtragem e processamento dos dados mencionados acima, bem como para visualização da informação e do conhecimento obtido a partir da análise da interação.
Análises ou técnicas de avaliação podem envolver várias abordagens qualitativas, quantitativas ou outras abordagens que devem ser combinadas apropriadamente para produzir um estudo efetivo e avaliação da interação na aprendizagem colaborativa.
Daradoumis et al (2006) apresentam um framework em camadas que possui hierarquia top-down de importantes indicadores de forma a estar apto a descrever os diferentes aspectos da atividade em grupo em diferentes níveis de detalhe.
Foram especificados quatro indicadores de alto-nível e a cada um foram atribuídos pesos, conforme mostra o Quadro 2.3:
(i) Realização da tarefa (ii) Funcionamento do grupo (iii) Apoio social
38
INDICADORES PESO (%)
Realização da tarefa (RT) 50
RT1 Capacidades dos estudantes de resolver problemas individualmente e
em grupo (metáfora da aquisição). 40
RT2 Comportamento de contribuição dos estudantes durante a realização da tarefa (função de produção e uso de habilidades de aprendizagem ativa).
40
TR3 Desempenho inicial e final dos estudantes individualmente ou em grupo em termos de auto-avaliação.
20
Funcionamento do grupo (FG) 20
FG1 Comportamento de participação ativa. 30
FG2 Crescimento social (contribuições bem balanceadas e cumprimento
dos papéis). 20
FG3 Interação ativa ou processamento de habilidades que monitoram e
facilitam o bom funcionamento do grupo. 30
FG4 Processamento do grupo (examinar se cada membro aprendeu como interagir e colaborar mais eficientemente com seus colegas de equipe). 20
Apoio Social (AS) 15
AS1 Compromisso dos membros com relação à colaboração, à
co-aprendizagem e à realização dos objetivos comuns do grupo. 30
AS2 Nível de envolvimento do par e sua contribuição para o envolvimento
dos outros. 30
AS3 Contribuição dos membros para alcance da confiança mútua. 10
AS4 Apoio motivacional e emocional dos membros do grupo aos seus
pares. 20
AS5 Participação e contribuição para resolução de conflitos. 10
Serviços de ajuda (AS) 15
SA1 Ajuda é apropriada. 25
SA2 Ajuda é relevante para as necessidades dos estudantes 10
SA3 Ajuda é qualitativa. 30
SA4 Ajuda é entendida pelo estudante 25
SA5 Ajuda pode ser prontamente aplicada ao estudante. 10
Quadro 2.3. Descrição dos Indicadores de alto-nível da análise de interação Fonte:Traduzido de Daradoumis et al (2006)
A decomposição desses indicadores de alto-nível para indicadores mais específicos em um nível médio e baixo do framework foi realizada para os dois primeiros indicadores mencionados acima, conforme apresentado nos Quadros 2.4 e 2.5.
Habilidades Sub-habilidades
(contribuição para o resultado da aprendizagem)
Ações (objetos) envolvidas
Habilidades básicas de
aprendizagem ativa Geração de conhecimento / informação Criar documento/anotação
Habilidades de suporte à aprendizagem ativa
Refinamento do conhecimento /
informação Editar documento
Elaboração de conhecimento /
informação Versionar / substituir documento
Revisão de conhecimento /
informação Revisar / sub-dividir documento
Reforçar conhecimento /
informação Criar quadro de anotações, anexar documentos, anotações, URL, etc.
Habilidade de processamento (percepção) de informação
Aceite do conhecimento / informação
Evento de leitura
Habilidades Sub-habilidades
(contribuição para o funcionamento do grupo)
Ações (objetos) envolvidas
Habilidades de
comportamento de
participação ativa e
envolvimento do par
Participação em gestão da informação (gerar, expandir e processar).
Eventos de: criar, modificar, ler
Habilidades de crescimento
social Contribuições balanceadas, atitudes de bem
reação adequadas e
cumprimento do papel
prestado.
Eventos de: criar, modificar, ler, mover
Habilidades de
processamento de tarefas Planejamento da tarefa
Criar link ou apontamento
Criar / modificar acesso WSCalendar Gerenciamento da tarefa (e
conhecimento) Criar pastas
Habilidades de
processamento de tarefas Criar anotações (criar um espaço para debate)
Habilidades de
processamento do espaço de trabalho
Organização e manutenção
do espaço de trabalho Evento de mover (cortar, copiar, apagar, expandir, esquecer)
Habilidades de
processamento de
comunicação
Esclarecimentos /
explicações
Evento de mudar descrição do documento
Mudar descrição url
Avaliação Estimar documento / url
Descrição (ilustração) Editar / modificar descrição da pasta
Alterar descrição Notes
Progresso da comunicação Editar nota
Chvinfo/Chvno/Checkin/Checkout doc
Renomear pastas, notas, documento, url, apontamentos, WSCalendar Acomodação dos encontros e
reuniões Alterar descrição, data, localização.
Quadro 2.5. Indicadores que modelam o funcionamento do grupo Fonte: Traduzido de Daradoumis et al (2006)
O Quadro 2.4 mostra os indicadores de nível médio e baixo na forma de habilidades e sub-habilidades que estudantes devem ter de forma a alcançar desempenho efetivo em grupo e individual com relação à tarefa e dessa forma obter sucesso no produto da aprendizagem. Para medir cada indicador (ou habilidade), foram associados a eles as ações que os estudantes desenvolveram e que representam cada indicador da melhor forma possível. Foi estabelecida a correspondência entre habilidades e ações do BSCW.
40
ação especifica dos estudantes que melhor descreve cada habilidade a ser cumprida.
Para descrever e mensurar esses indicadores específicos, foram desenvolvidas mais duas análises técnicas que, em conjunto com o processo de avaliação qualitativa, provê um framework mais completo para análise da colaboração.
A técnica SNA (Social Network Analysis) foca na análise de dois aspectos muito importantes do funcionamento do grupo: comportamento de participação ativa e crescimento social.
Para apoiar o processo automático de SNA, foi utilizada uma ferramenta chamada SAMSA (System for Adjacency Matrix and Sociogram-based Analysis). Esta ferramenta contém diversos módulos de entrada, nos quais dados vindos dos logs de eventos do BSCW são transformados em arquivos XML representando as interações.
A análise quantitativa apresentada no trabalho é uma análise estatística descritiva que visa prover uma análise complementar e mais focada dos aspectos de realização das tarefas e de funcionamento do grupo.
2.4 WORKFLOW
Conforme Cruz (1998), “Workflow é a tecnologia que possibilita automatizar processos, racionalizando-os e potencializando-os por meio de dois componentes implícitos: organização e tecnologia”. Para Davenport (1994), processo “é uma ordenação específica das atividades no tempo e no espaço, com um começo, meio e fim”, isto é, ele tem como finalidade estabelecer quais são os fluxos de trabalho e por onde as atividades deverão seguir. Em WfMC (2002), workflow é definido como um conjunto coordenado de atividades interligadas que buscam alcançar um determinado objetivo de trabalho, comum aos seus participantes. Por fim, de acordo com Steinmetz (2006) pode-se assumir que workflow é a divisão de um grande trabalho em várias tarefas menores, com pré-requisitos entre elas que devem ser respeitados para o avanço do fluxo do trabalho.
Figura 2.9. Elementos de um fluxo de trabalho
Fonte: Araújo e Borges (2001)
A atividade, segundo Araújo (2000), é “uma atividade em um fluxo de trabalho correspondente a uma tarefa a ser desempenhada dentro do processo”. As atividades são encaminhadas por dentro de fluxos de trabalhos desde seu início até serem concluídas, gerando rotas. As rotas do Workflow são os caminhos que as atividades deverão seguir. O papel define a função e o que cada integrante envolvido no processo fará, conforme suas características e habilidades. No sistema de Workflow existem dois tipos de papéis: usuário e função. O papel-usuário determina o que cada participante do processo deve fazer no fluxo de negócios. O papel-função define os cargos responsáveis na execução de cada atividade. Quando uma atividade de um determinado processo é acionada pelo sistema de Workflow, é criada uma Instância ou caso, possibilitando que esta seja executada com suas devidas regras. No decorrer da execução das atividades, dentro de um processo, são gerados alguns documentos, que facilitarão no futuro manuseio desta atividade.
42
definição é o editor Together Workflow Environment (TWE)8, uma ferramenta visual para criação, gestão e revisão de definições dos processos representados no XPDL.
Dentre os principais elementos do editor TWE estão: package, workflow process, activity set e activity. É possível definir vários processos dentro de um elemento package. Este funciona como um container para agrupar um número de definições de processos individuais e associados à entidade de dados, aplicáveis a todas as definições contidas no processo. Dentre as entidades do package está a definição do workflow process, onde se define os elementos que compõem o fluxo de trabalho. O workflow process contém uma série de dados, onde se destaca o activity set. Trata-se de um conjunto de atividades (activity) que deverão ser realizadas individualmente.
2.5 CONSIDERAÇÕES FINAIS SOBRE O CAPÍTULO
Este capítulo apresentou uma revisão bibliográfica acerca dos pilares que dão sustenção para este trabalho.
O ambiente apresentado no início do capítulo é um ambiente colaborativo que provê compartilhamento, em modo síncrono ou assíncrono, de desktops a grupos de trabalho. É neste ambiente que serão realizados os compromissos a serem configurados no capítulo 3 deste documento.
A coordenação de ações apresenta os referenciais que abordam a coordenação das atividades realizadas no contexto CSCL e CSCW. O sistema DEGREE é um ambiente CSCL que utiliza a Teoria da Atividade para estruturar e organizar as atividades de uma “Experiência de Aprendizagem” configurada pelo professor e realizada pelos alunos com apoio do sistema. As interações são realizadas por meio de mensagens semi-estruturadas, categorizadas conforme tipos específicos de contribuições (Proposta, Contra-proposta, Comentário, etc.). A análise dessas interações é feita a partir de conjuntos de atributos e de um processo de inferência difusa. No contexto CSCW, um modelo de coordenação de ações (ciclo de coordenação de ações) entre “clientes” e “fornecedores” apresenta quatro fases: preparação (cliente conversa com fornecedor com intenção de lhe fazer um pedido), julgamentos e negociação (cliente e fornecedor fazem um acordo e definem
8 TWE – Ferramenta gratuita de edição de workflow. Disponível em:
o que deve ser feito), realização (realização do pedido compromissado, podendo haver recorrência das fases) e aceitação (analisa o nível de satisfação do cliente quanto ao compromisso realizado). Com base nas atividades suportadas pelo sistema DEGREE e na sobreposição dessas atividades com as fases do ciclo de coordenação de ações, um modelo inicial de ciclo de vida do compromisso no âmbito de uma rede de compromissos é proposto no capítulo 3.
No que diz respeito à análise da colaboração, são apresentados dois tipos de análise: quantitativa e qualitativa. A análise quantitativa apresenta em modo texto ou gráfico as informações do “Registro de Acessos” do sistema DEGREE e permite analisar, por exemplo, quais tipos de contribuições são mais utilizadas. A análise qualitativa utiliza o método de análise global, e permite avaliar a colaboração do grupo por meio de conjuntos compostos por atributos e aplicar regras em um processo encadeado de inferência. Ambos os tipos de análise são utilizados para propor o mecanismo de análise da colaboração proposto no capítulo 3.
44
3. MODELO INICIAL DE CICLO DE VIDA DE UM COMPROMISSO NO ENGAGEGRID
Este capítulo propõe, de maneira precursora, um modelo inicial de ciclo de vida de um compromisso – em termos de fases – no âmbito do projeto engageGrid. Para isso, é apresentada uma adaptação das atividades suportadas pelo sistema DEGREE (Barros e Verdejo, 2000), levando em conta a Teoria da Atividade (Nardi, 1996) e o Ciclo de Coordenação de Ações (Flores, 1994). A partir desse modelo inicial, são propostos serviços/produtos para prover o planejamento do compromisso (fase de configuração) e gerar subsídios para alcançar a meta deste estudo que é definir um conjunto de atributos para análise da colaboração em uma rede de compromissos.
O capítulo está organizado da seguinte forma: na seção 3.1, são apresentadas as fases do ciclo de vida de um compromisso no engageGrid. Na seção 3.2, detalha-se a fase de configuração de uma proposta de compromisso abordando a criação dos espaços de trabalho para realização do mesmo. Na seção 3.3, faz-se um aprofundamento na fase de realização do compromisso apresentando o que há em cada espaço de trabalho e os serviços propostos para a implementação das fases de configuração e realização do compromisso na Rede de Compromissos. A seção 3.4 apresenta as considerações finais para o capítulo.
3.1 CICLO DE VIDA DE UM COMPROMISSO
Com base na definição de uma experiência de aprendizagem de Barros (1999), assumiu-se que, sob o ponto de vista estrutural, o compromisso é definido como um processo de realização de um trabalho em grupo, que pode ser formado por uma ou mais atividades. Uma atividade pode ter uma ou mais tarefas que são realizadas por meio de dois tipos de contribuições, conversacional e ação (maiores detalhes na seção 3.2).