Ciclo Orçamentário 2
AFO
Prof. Sergio Machado
Prof. Marcel Guimarães
Sumário
EXECUÇÃO ORÇAMENTÁRIA E FINANCEIRA ... 4
DESCENTRALIZAÇÃO DE CRÉDITOS ORÇAMENTÁRIOS ... 7
SISTEMA DE PLANEJAMENTO E DE ORÇAMENTO FEDERAL ... 12
Finalidades ... 13
Papel dos agentes do Sistema De Planejamento e de Orçamento Federal ... 14
Sistema de Administração Financeira Federal ... 17
PROGRAMAÇÃO ORÇAMENTÁRIA E FINANCEIRA ... 22
CONTINGENCIAMENTO DE GASTOS ... 28
CONTROLE E AVALIAÇÃO DA EXECUÇÃO ORÇAMENTÁRIA ... 35
QUESTÕES COMENTADAS - FGV ... 42
LISTA DE QUESTÕES - FGV ...49
GABARITO – FGV ... 51
QUESTÕES COMENTADAS - FCC ... 52
LISTA DE QUESTÕES - FCC ...64
GABARITO - FCC ... 68
RESUMO DIRECIONADO ... 69
Dica de um concursado para um concurseiro
Tenha um sistema de cores, sendo que cada uma representa alguma coisa para você. Para ilustrar, eu vou colocar o sistema que eu, professor Sérgio, utilizava:
• Vermelho: vedações, proibições, ressalvas negativas. Por exemplo: “é permitido blá blá, exceto blá blá...”
• Verde: permissões, ressalvas positivas. Por exemplo: “é vedado blá blá, exceto blá blá...”
• Laranja: obrigações, necessidades, deveres, algo indispensável. Por exemplo: “a Administração deve, obrigatoriamente, ...”
• Azul claro: faculdades (algo facultativo), discricionariedades (algo discricionário). Por exemplo:
“ao contribuinte é facultado...”
Se você não estuda com papel, ou seja, estuda em mídias digitais, não tem problema. Você pode utilizar um sistema do mesmo jeito.
Observação: dê preferência a marcadores (de texto) amarelos.
Tenha um sistema de cores
Mentalidade dos campeões 🏆
Uma chave importante para o sucesso é a autoconfiança. Uma chave importante para a autoconfiança é a preparação.
Continuando o nosso estudo sobre ciclo orçamentário (ou processo orçamentário), agora estudaremos a sua terceira e quarta fase, quais sejam:
3. Execução orçamentária;
4. Controle e avaliação da execução orçamentária.
Lembrando que o Poder Executivo elabora e executa, enquanto o Poder Legislativo vota e controla.
Nosso orçamento é do tipo misto!
Sem mais delongas, vamos ao que interessa!
Execução orçamentária e financeira
Muito bem! O Poder Executivo elaborou a proposta orçamentária, o projeto de lei orçamentária foi discutido, votado, aprovado, sancionado e (finalmente) publicado. Agora chegou a hora de colocar a mão na massa, de executar o orçamento, de arrecadar receitas e realizar despesas! E é o Poder Executivo quem irá fazer a execução. Executivo. Execução. Entendeu o nome agora?
“Beleza, mas que execução, professor?”
Execução orçamentária e financeira!
Lembrou de algo? Talvez do nome da nossa matéria? Administração financeira e orçamentária...
A execução orçamentária é a utilização das dotações dos créditos orçamentários consignados na Lei Orçamentária Anual (LOA). Ela é mais restrita e está relacionada ao orçamento público aprovado, ao planejamento e execução desse planejamento, a receitas e despesas orçamentárias daquele exercício financeiro.
A execução financeira, por sua vez, é a utilização de recursos financeiros, com o objetivo de realizar aquilo que foi colocado no orçamento (no planejamento). Portanto, ela é mais ampla e está relacionada com dinheiro, pagamentos, arrecadação, entrada e saída de recursos do caixa, sejam eles orçamentários ou extraorçamentários.
•Legislativo
•Executivo
•Executivo
•Legislativo
Controle e
avaliação Elaboração
Discussão, votação, aprovação Execução
Portanto, sempre que você ver a palavra “financeiro” associe a dinheiro
e sempre que ver a palavra
“orçamentário” associe ao orçamento público .
E aqui vai um segredinho: a execução orçamentária e a execução financeira ocorrem concomitantemente! Elas andam juntas, de mãos dadas! Afinal, de que adianta ter dotação (e autorização) no orçamento, se não há recursos para realizá-la? E de que adianta haver recursos se não há autorização? Lembre- se de que a Administração Pública só está autorizada a executar aquilo que está no orçamento, pois ela está sujeita ao princípio da legalidade!
Questões para fixar
CESPE – TCE-PR – Analista de Controle – 2016
A execução orçamentária corresponde à utilização dos recursos financeiros para a realização das ações orçamentárias atribuídas a determinada unidade.
Comentários:
Saiba diferenciar: a execução orçamentária é a utilização das dotações dos créditos orçamentários consignados na Lei Orçamentária Anual (LOA). A execução financeira é que corresponde à utilização dos recursos financeiros para a realização das ações orçamentárias atribuídas a determinada unidade.
Gabarito: Errado Beleza!
Então estamos na execução. E agora? O que é mesmo que se faz dentro dessa fase? Quais são as etapas?
Bom, primeiro vamos planejar um pouco. Comecemos o processo de planejamento. Nós já temos a nossa despesa fixada. Sabemos qual é o nosso limite de gastos, que estão incluídos nas leis orçamentárias com base nas receitas previstas, a serem efetuados pelas entidades públicas.
Em seguida ocorrem as descentralizações de créditos orçamentários. As descentralizações de créditos orçamentários ocorrem quando for efetuada movimentação de parte do orçamento, mantidas as classificações institucional, funcional, programática e econômica, para que outras unidades administrativas possam executar a despesa orçamentária (veremos mais sobre isso daqui a pouco!).
“Pronto, professor. Já se sabe o limite de gastos e os créditos já foram descentralizados, agora as unidades gestoras já podem começar a gastar, não é?”
Opa! Não tão rápido!
• Orçamento público, execução do planejamento
Execução orçamentária 📓
• Dinheiro, pagamentos, arrecadação
Execução
financeira 💵
Imagine que você é o gestor de um órgão público com 100 funcionários e que recebeu uma dotação de R$ 1.000.000,00 para esse exercício financeiro. Seu órgão também precisa realizar uma obra no mês de outubro E aí? Você vai gastar logo todo esse crédito nos primeiros meses do ano? Claro que não. A obra é só em outubro e os funcionários devem receber suas remunerações ao longo de todo o exercício financeiro! Até porque você não arrecada todas as receitas nos primeiros meses do ano. Elas são arrecadadas ao longo de todo o exercício financeiro. Então, não seria interessante se você fizesse uma programação orçamentária e financeira?
É justamente isso que acontece! A programação orçamentária e financeira consiste na compatibilização do fluxo dos pagamentos com o fluxo dos recebimentos, visando ao ajuste da despesa fixada às novas projeções de resultados e da arrecadação.
Só que a Administração também não pode sair contratando e pagando quem ela bem entender. As obras, serviços, compras, alienações, concessões, permissões e locações da Administração Pública, quando contratadas com terceiros, serão necessariamente precedidas de licitação, ressalvadas as hipóteses previstas em lei (especialmente na Lei 8.666/93).
Pronto! Essa foi a nossa etapa de planejamento da execução. Agora sim estamos prontos para executar, de fato, o nosso orçamento. As despesas serão empenhadas, ficarão em liquidação, serão liquidadas e finalmente pagas. As receitas serão lançadas (ou não), arrecadadas e recolhidas. É isso que acontece na etapa de execução!
Em seguida, vem a etapa de controle e avaliação da execução orçamentária. O detalhe é que ela não ocorre necessariamente após a execução. Existem três momentos do controle: prévio, concomitante e posterior.
Essas, na verdade, são as etapas da despesa orçamentária, previstas no MCASP 8ª edição, resumidas no esquema abaixo:
“Beleza, professor! Entendi. Mas o que é que eu tenho mesmo que saber sobre a etapa de execução do ciclo orçamentário?”
Bom, você tem que entender os seguintes três tópicos (e é sobre eles que nós vamos conversar a seguir):
1. Descentralização de créditos orçamentários 2. Programação Orçamentária e Financeira 3. Contingenciamento de Gastos
Planejamento Fixação da despesa
Descentraliz.
de créd.
orçament.
Programação orçament. e
financ.
Licitação e Contratação
Execução
(da despesa) Empenho
liquidaçãoEm Liquidação Pagamento
Controle
Vamos lá?
Descentralização de créditos orçamentários
Ok! O que é a descentralização de créditos orçamentários?
É a transferência, por uma unidade orçamentária ou administrativa para outra unidade, do poder de utilizar créditos que lhe foram dotados ou àquelas transferidos.
“Espera aí, espera aí, professor. Unidade orçamentária ou administrativa? O que é isso?”
Bem, existem: unidades orçamentárias, unidades administrativas e unidades gestoras.
• Unidade Orçamentária (UO): segmento da administração direta a que o orçamento da União consigna dotações especificas para a realização de seus programas de trabalho e sobre os quais exerce o poder de disposição. São as UOs que recebem dotações. Se você consultar a LOA, encontrará dotações ao lado do nome da UO;
Ressalte-se que uma unidade orçamentária não necessariamente corresponde a uma estrutura administrativa, como ocorre, por exemplo, com alguns fundos especiais e com as unidades orçamentárias “Transferências a Estados, Distrito Federal e Municípios”, “Encargos Financeiros da União”, “Operações Oficiais de Crédito”, “Refinanciamento da Dívida Pública Mobiliária Federal” e “Reserva de Contingência”.
• Unidade Administrativa (UA): segmento da administração direta ao qual a lei orçamentária anual não consigna recursos e que depende de destaques ou provisões para executar seus programas de trabalho;
• Unidade Gestora (UG): pode ser uma UO ou uma UA. Realiza atos de gestão orçamentária, financeira e patrimonial.
A Lei 4.320/64 também define Unidade Orçamentária (UO):
Art. 14. Constitui unidade orçamentária o agrupamento de serviços subordinados ao mesmo órgão ou repartição a que serão consignadas dotações próprias.
Parágrafo único. Em casos excepcionais, serão consignadas dotações a unidades administrativas subordinadas ao mesmo órgão.
Beleza, agora vamos repetir: descentralização de créditos orçamentários é a transferência, por uma unidade orçamentária ou administrativa para outra unidade, do poder de utilizar créditos que lhe foram dotados ou àquelas transferidos.
Então, a unidade orçamentária ou administrativa recebeu uma dotação, ou seja, o poder de utilizar créditos. Transferiu esse poder? Pronto, estamos diante de uma descentralização de créditos orçamentários.
Tranquilo, não é?
Portanto, as descentralizações de créditos orçamentários ocorrem quando for efetuada movimentação de parte do orçamento, mantidas as classificações institucional, funcional, programática e econômica, para que outras unidades administrativas possam executar a despesa orçamentária. As dotações serão empregadas obrigatória e integralmente na consecução do objetivo previsto pelo programa de trabalho pertinente, respeitadas fielmente a classificação funcional e a estrutura programática. Conclusão: quase
tudo permanece igual! A única diferença é que a execução da despesa orçamentária será realizada por outro órgão ou entidade.
As descentralizações de créditos orçamentários também não se confundem com transferências e transposição, pois:
a. Não modificam a programação ou o valor de suas dotações orçamentárias (créditos adicionais); e b. Não alteram a unidade orçamentária (classificação institucional) detentora do crédito orçamentário
aprovado na lei orçamentária ou em créditos adicionais.
Preste atenção!
Quando há descentralização de créditos orçamentários, as classificações institucional, funcional, programática e econômica não se alteram! Elas são mantidas!
Agora é que vem o importante:
• quando a descentralização ocorrer da unidade central de programação orçamentária para órgãos setoriais contemplados diretamente no orçamento, tem-se a figura da
dotação.
• Quando envolver unidades gestoras de um mesmo órgão tem-se a descentralização
i
nterna,também chamada de prov
i
são.• Se, porventura, ocorrer entre unidades gestoras de órgãos ou entidades de estrutura diferente, ter-se-á uma descentralização
e
xterna, também denominada de de
staque.Prestou atenção nas marcações? É isso que você vai usar para memorizar. Letra “i” de descentralização interna e provisão. Letra “e” de descentralização externa e destaque.
Só mais uma informação: quem possui a competência legal em matéria orçamentária é o MPOG – Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão e a realiza através da SOF – Secretaria de Orçamento Federal. A competência financeira é legalmente atribuída ao MF – Ministério da Fazenda que a exerce através da STN – Secretaria do Tesouro Nacional1.
"Professor, mas agora é Ministério da Economia!"
Sim. A Medida Provisória nº 870, de 1º de janeiro de 2019 (que foi convertida na Lei 13.844/19), criou o Ministério da Economia. Com isso, as estruturas dos ministérios da Fazenda; do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão; da Indústria, Comércio Exterior e Serviços; e do Trabalho passaram a integrar um novo ministério chamado Economia.
Mas as atribuições desses antigos ministérios permanecem as mesmas! Elas somente foram englobadas pelo Ministério da Economia, de forma que isso em nada prejudica o seu aprendizado (caso você me veja falando sobre MPOG por aí).
Além disso, você verá que a própria Lei 10.180/01 ainda se refere ao MPOG.
"Então como é que eu vou tratar isso na prova, professor? É MPOG ou Ministério da Economia?"
1 PALUDO, Augustinho. Orçamento público, AFO e LRF, 5ª edição, editora Método, 2015.
Olha, hoje, o certo é Ministério da Economia. Mas se a questão citar a Lei 10.180/01, então você vai considerar que o MPOG ainda existe. Afinal de contas, o MPOG ainda está na lei! E se está na lei, está válido e pode cair em prova desse mesmo jeito!
Esses (MPOG e STN) são os órgãos centrais do Sistema de Planejamento e de Orçamento Federal e do Sistema de Administração Financeira Federal (SIAF), respectivamente. Abaixo dos órgãos centrais, estão os órgãos setoriais. Na elaboração da proposta orçamentária, cabe às unidades orçamentárias (UO) elaborar e apresentar a programação orçamentária detalhada da despesa por programa, ação e subtítulo.
Agora, lembre-se ainda estamos na descentralização orçamentária. Estamos somente movimentando parte do orçamento. Estamos somente transferindo o poder de utilizar créditos. Não há nada de transferências financeiras (transferências de recursos, de dinheiro) ainda!
Ok! Então ficamos assim:
Beleza. Agora que a unidade gestora já tem o poder de utilizar créditos, falta ela ter os recursos, o dinheiro, a “bufunfa”! Chegou a hora da descentralização de recursos.
Aqui é o seguinte:
• A descentralização de recursos financeiros pela STN (órgão central) é denominada
Cota.
• Quando a descentralização envolver unidades gestoras de um mesmo órgão tem-se a descentralização interna, também chamada de
sub-repasse.
• Se, porventura, ocorrer entre unidades gestoras de órgãos ou entidades de estrutura diferente, ter-se-á uma descentralização externa, também denominada de
repasse.
“Esse aí não tem a letra “i” e a letra “e” para diferenciar, professor. Como é que eu vou memorizar?”
Simples. Quando é interna, é uma coisa menor. Por isso, é sub-repasse. Quando é externa, é uma coisa maior. Por isso, é repasse.
Ficamos assim, então:
Repare o seguinte:
• Em matéria orçamentária, fala-se de “dotação”, “crédito”, “despesa”, “empenho”, “provisão”,
“destaque”;
• Em matéria financeira, fala-se de “cota”, “recursos”, “receitas”, “ingressos”, “ordem bancária”,
“sub-repasse”, “repasse”.
Observe a correlação: quem receber créditos na forma de dotação receberá recursos na forma de cota;
quem receber créditos na forma de destaque receberá recursos na forma de repasse; e quem receber créditos na forma de provisão receberá recursos na forma de sub-repasse.
Ou seja: um sub-repasse está associado a uma provisão anteriormente concedida, enquanto um repasse está associado a um destaque anteriormente concedido. Ou seja: um sub-repasse vem de uma provisão. E um repasse vem de um destaque. Primeiro a descentralização orçamentária, depois a transferência financeira.
Mas atenção: uma transferência financeira não necessariamente decorre de uma descentralização orçamentária! Vou falar novamente, com outras palavras: uma descentralização orçamentária não é pré- requisito indispensável para a execução de uma descentralização financeira. A transferência financeira, por exemplo, pode vir de um convênio ou da entrega de recursos para pagamento de restos a pagar. Nesse caso há somente transferência financeira, sem descentralização orçamentária! Por isso que não é possível garantir que um sub-repasse necessariamente provém de uma provisão.
Dotação Cota Destaque Repasse
Provisão Sub-repasse
Resumindo: descentralização orçamentária e descentralização de recursos não necessariamente estão relacionados!
Preste atenção!
Um sub-repasse vem de uma provisão. E um repasse vem de um destaque. Mas descentralização orçamentária e descentralização de recursos não estão necessariamente relacionados!
Outra observação: um órgão, entidade ou unidade que recebeu créditos orçamentários e recursos financeiros por meio de um instrumento podem descentralizar por meio de outro instrumento.Pronto!
Agora que vimos tudo isso, vou lhe passar o bizú: a questão vai tentar lhe confundir, trocar “destaque” por
“repasse”, “provisão” por “sub-repasse”, “dotação” por “cota”. Por isso, o mais importante é você saber distinguir a descentralização orçamentária e a transferência de recursos. Por isso, fiz essa tabelinha para você:
Descentralização
DESCENTRALIZAÇÃO DE CRÉDITOS ORÇAMENTÁRIOS (transferência do poder de utilizar
créditos)
TRANSFERÊNCIAS FINANCEIRAS
Instrumento Dotação Cota
I
nterna Provi
são Sub-repasseE
xterna De
staque RepasseVocê vai resolver muuuuitas questões só com isso! Você vai já ver!
E para fechar com chave de ouro, vamos ver inter-relacionamento entre a execução orçamentária e a execução financeira:
Fonte: ENAP.
Questões para fixar
IADES – APEX Brasil – Analista – 2018
A programação financeira, prevista no artigo 8° da Lei de Responsabilidade Fiscal (Lei Complementar n° 101/2000), ocorre durante a fase de execução do ciclo orçamentário. Acerca do processo de descentralização financeira, assinale a alternativa correta.
A) A liberação dos recursos, em consonância com o cronograma de desembolso, se dá por meio da dotação.
B) O repasse é a movimentação externa de recursos financeiros, recebidos na forma de cota, entre unidades orçamentárias pertencentes a estruturas administrativas diferentes, por exemplo, de um ministério para outro.
C) A descentralização financeira consiste na movimentação de recursos financeiros, sendo realizada por meio de procedimentos denominados dotação, destaque e provisão.
D) A descentralização interna de recursos financeiros ocorre quando os recursos são transferidos de uma unidade orçamentária para uma unidade administrativa a ela vinculada, sempre por meio de provisão.
E) A cota constitui o ato pelo qual os créditos do orçamento são consignados às unidades orçamentárias.
Comentários:
Hum! Questão que engloba muito sobre o que conversamos. Veja como a questão é feita somente trocando os nomes.
Vamos às alternativas:
a) Errada. A liberação dos recursos se dá por meio de cota (dotação é como se dá a descentralização orçamentária).
b) Correta. Tudo certo aí!
c) Errada. A descentralização financeira consiste na movimentação de recursos financeiros, sendo realizada por meio de procedimentos denominados cota, repasse e sub-repasse.
d) Errada. A descentralização interna de recursos financeiros é feita por meio de sub-repasse. Falou em recursos financeiros, estamos falando de transferências financeiras: cota, repasse e sub-repasse.
e) Errada. A dotação é que constitui o ato pelo qual os créditos do orçamento são consignados às unidades orçamentárias.
Gabarito: B
CESPE – TCE-SC – Auditor Fiscal de Controle Externo – 2016
Denomina-se repasse a transferência de parte do crédito orçamentário de uma unidade gestora para entidade integrante da estrutura administrativa de órgão público diverso.
Comentários:
Viu? É só trocar as bolas e a questão está pronta. Na verdade, denomina-se destaque a transferência de parte do crédito orçamentário de uma unidade gestora para entidade integrante da estrutura administrativa de órgão público diverso.
Repasse é quando estamos falando de transferências financeiras.
Gabarito: Errado
Sistema de Planejamento e de Orçamento Federal
Para nos preparar para qualquer questão que venha em nossa direção, temos que conhecer o Sistema de Planejamento e de Orçamento Federal. Esse tema é mais comum em concursos federais, mas também aparece em concursos estaduais e municipais.
A base para estudar esse assunto está na Lei nº 10.180/01 e no Manual Técnico de Orçamento (MTO).
Finalidades
Conforme a Lei nº 10.180/01:
Art. 2º O Sistema de Planejamento e de Orçamento Federal tem por finalidade:
I - formular o planejamento estratégico nacional;
II - formular planos nacionais, setoriais e regionais de desenvolvimento econômico e social;
III - formular o plano plurianual, as diretrizes orçamentárias e os orçamentos anuais;
IV - gerenciar o processo de planejamento e orçamento federal;
V - promover a articulação com os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, visando a compatibilização de normas e tarefas afins aos diversos Sistemas, nos planos federal, estadual, distrital e municipal.
Art. 3º O Sistema de Planejamento e de Orçamento Federal compreende as atividades de elaboração, acompanhamento e avaliação de planos, programas e orçamentos, e de realização de estudos e pesquisas socioeconômicas.
Art. 4º Integram o Sistema de Planejamento e de Orçamento Federal:
I - o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, como órgão central; (Conforme comentei: o órgão central do Sistema de Planejamento e Orçamento Federal é o MPOG);
II - órgãos setoriais;
III - órgãos específicos.
§ 1º Os órgãos setoriais são as unidades de planejamento e orçamento dos Ministérios, da Advocacia-Geral da União, da Vice-Presidência e da Casa Civil da Presidência da República.
§ 2º Os órgãos específicos são aqueles vinculados ou subordinados ao órgão central do Sistema, cuja missão está voltada para as atividades de planejamento e orçamento.
§ 3º Os órgãos setoriais e específicos ficam sujeitos à orientação normativa e à supervisão técnica do órgão central do Sistema, sem prejuízo da subordinação ao órgão em cuja estrutura administrativa estiverem integrados.
§ 4º As unidades de planejamento e orçamento das entidades vinculadas ou subordinadas aos Ministérios e órgãos setoriais ficam sujeitas à orientação normativa e à supervisão técnica do órgão central e também, no que couber, do respectivo órgão setorial.
§ 5º O órgão setorial da Casa Civil da Presidência da República tem como área de atuação todos os órgãos integrantes da Presidência da República, ressalvados outros determinados em legislação específica.
Art. 5º Sem prejuízo das competências constitucionais e legais de outros Poderes, as unidades responsáveis pelos seus orçamentos ficam sujeitas à orientação normativa do órgão central do Sistema.
Art. 6º Sem prejuízo das competências constitucionais e legais de outros Poderes e órgãos da Administração Pública Federal, os órgãos integrantes do Sistema de Planejamento e de Orçamento Federal e as unidades responsáveis pelo planejamento e orçamento dos demais Poderes realizarão o acompanhamento e a avaliação dos planos e programas respectivos.
Papel dos agentes do Sistema De Planejamento e de Orçamento Federal
Quais são os agentes do Sistema de Planejamento e de Orçamento Federal? E quais são os seus papéis?
O que eles fazem? É o que veremos agora!
Secretaria de Orçamento Federal (SOF)
O trabalho desenvolvido pela SOF, no cumprimento de sua missão institucional, é norteado por um conjunto de competências, descritas no art. 57 do Decreto nº 9.745, de 8 de abril de 2019 (e amparado no art.
8º da Lei nº 10.180, de 2001), assim relacionadas:
Art. 57. À Secretaria de Orçamento Federal compete:
I - coordenar, consolidar e supervisionar a elaboração da lei de diretrizes orçamentárias e da proposta orçamentária da União, compreendidos os orçamentos fiscal e da seguridade social;
II - estabelecer as normas necessárias à elaboração e à implementação dos orçamentos federais sob sua responsabilidade;
III - acompanhar a execução orçamentária, sem prejuízo da competência atribuída a outros órgãos;
IV - elaborar estudos e pesquisas concernentes ao desenvolvimento e ao aperfeiçoamento do processo orçamentário federal;
V - orientar, coordenar e supervisionar tecnicamente os órgãos setoriais de orçamento;
VI - exercer a supervisão da Carreira de Analista de Planejamento e Orçamento, em articulação com as demais unidades interessadas, observadas as diretrizes do Comitê de Gestão das Carreiras do Ministério da Economia;
VII - estabelecer as classificações orçamentárias da receita e da despesa;
VIII - acompanhar e avaliar o andamento da despesa pública e de suas fontes de financiamento e desenvolver e participar de estudos econômico-fiscais destinados ao aperfeiçoamento do processo de alocação de recursos;
IX - acompanhar, avaliar e elaborar estudos sobre as políticas públicas e a estrutura do gasto público; e X - acompanhar e propor, no âmbito de sua competência, normas reguladoras e disciplinadoras relativas às políticas públicas em suas diferentes modalidades.
Essa missão pressupõe uma constante articulação com os agentes envolvidos na tarefa de elaboração das propostas orçamentárias setoriais das diversas instâncias da Administração Pública Federal e dos demais Poderes da União.
Órgão Setorial
O órgão setorial desempenha o papel de articulador no âmbito da sua estrutura, coordenando o processo decisório no nível subsetorial (UO). Sua atuação no processo orçamentário envolve:
• estabelecimento de diretrizes setoriais para elaboração e alterações orçamentárias;
• definição e divulgação de instruções, normas e procedimentos a serem observados no âmbito do órgão durante o processo de elaboração e alteração orçamentária;
• avaliação da adequação da estrutura programática e mapeamento das alterações necessárias;
• coordenação do processo de atualização e aperfeiçoamento das informações constantes do cadastro de programas e ações;
• fixação, de acordo com as prioridades setoriais, dos referenciais monetários para apresentação das propostas orçamentárias e dos limites de movimentação e empenho e de pagamento de suas respectivas UO;
• análise e validação das propostas e das alterações orçamentárias de suas UOs; e
• consolidação e formalização da proposta e das alterações orçamentárias do órgão.
Por isso, considera-se que os órgãos setoriais fazem a ligação, a ponte, o meio de campo entre a SOF e a UO.
Unidade Orçamentária (UO)
As UOs, apesar de não integrarem o Sistema de Planejamento e Orçamento previsto no caput do art. 4º da Lei nº 10.180, de 2001, ficam sujeitas à orientação normativa e à supervisão técnica do órgão central e também, no que couber, do respectivo órgão setorial, e desempenham o papel de coordenação do processo de elaboração da proposta orçamentária no seu âmbito de atuação, integrando e articulando o trabalho das suas unidades administrativas, tendo em vista a consistência da programação de sua unidade.
As UOs são responsáveis pela apresentação da programação orçamentária detalhada da despesa por programa, ação e subtítulo. Sua atuação no processo orçamentário compreende:
• estabelecimento de diretrizes no âmbito da UO para elaboração da proposta e alterações orçamentárias;
• estudos de adequação da estrutura programática;
• formalização, ao órgão setorial, da proposta de alteração da estrutura programática sob a responsabilidade de suas unidades administrativas;
SOF Órgãos
setoriais UO
• coordenação do processo de atualização e aperfeiçoamento das informações constantes do cadastro de ações orçamentárias;
• fixação dos referenciais monetários para apresentação das propostas orçamentárias e dos limites de movimentação e empenho e de pagamento de suas respectivas unidades administrativas;
• análise e validação das propostas orçamentárias das unidades administrativas; e
• consolidação e formalização de sua proposta orçamentária.
Lembre-se: são as UOs que recebem dotações na Lei Orçamentária Anual (LOA)!
As atribuições parecem similares. Muitas vezes, o que muda é somente o escopo da ação. Por exemplo, enquanto o órgão setorial coordena as UOs, as UOs coordenam as UAs. Vamos então compará-las (inspirados na lição do professor Giovanni Pacelli):
Órgãos Setorial Unidade Orçamentária
Coordenação do processo decisório no nível subsetorial (UO)
Coordena o trabalho das suas unidades administrativas
Estabelecimento de diretrizes setoriais As UOs são responsáveis pela apresentação da programação orçamentária detalhada da despesa por programa, ação e subtítulo
Definição e divulgação de instruções, normas e procedimentos a serem observados no âmbito do órgão durante o processo de elaboração e alteração orçamentária
Estabelecimento de diretrizes no âmbito da UO para elaboração da proposta e alterações orçamentárias
Fixação, de acordo com as prioridades setoriais, dos referenciais monetários para apresentação das propostas orçamentárias e dos limites de movimentação e empenho e de pagamento de suas respectivas UO
Fixação dos referenciais monetários para apresentação das propostas orçamentárias e dos limites de movimentação e empenho e de pagamento de suas respectivas unidades administrativas
Análise e validação das propostas e das alterações orçamentárias de suas UOs
Análise e validação das propostas orçamentárias das unidades administrativas
Consolidação e formalização da proposta e das alterações orçamentárias do órgão
Consolidação e formalização de sua proposta orçamentária
Resumindo
Sistema de Administração Financeira Federal
Os tópicos anteriores trataram do Sistema de Planejamento e de Orçamento Federal. Agora nós vamos falar sobre o Sistema de Administração Financeira Federal.
O assunto também é abordado na Lei nº 10.180/01, por isso algumas questões simplesmente trocam as finalidades e competências desses dois sistemas (fazer uma questão assim é muito fácil, não é? ).
Portanto, você tem que saber diferenciar esses sistemas. Nossa dica é parecida com aquela sobre execução orçamentária e execução financeira, observe:
• Sistema de Planejamento e de Orçamento Federal: está relacionado a atividades de orçamento e planejamento. Portanto, se você perceber que a questão versar sobre execução orçamentária, classificações orçamentárias, elaboração, implementação e supervisão dos orçamentos, planos e programas, então ela está falando sobre o Sistema de Planejamento e de Orçamento Federal.
Associe ao orçamento público ;
• Sistema de Administração Financeira Federal: está relacionado ao equilíbrio financeiro do Governo Federal, a atividades de programação financeira da União, a direitos e haveres, garantias e obrigações de responsabilidade do Tesouro Nacional. Portanto, se a questão versar sobre
Unidade Administrativa (UA)
Segmento da administração direta ao qual a lei orçamentária anual não consigna recursos e que depende de destaques ou provisões para executar seus programas de trabalho
Unidade Orçamentária (UO)
Segmento da administração direta a que o orçamento da União consigna dotações especificas.
Coordenação do processo de elaboração da proposta orçamentária no seu âmbito de atuação, integrando e articulando o trabalho das suas unidades administrativas.
Órgãos Setoriais
Órgãos setoriais fazem a ligação, a ponte, o meio de campo entre a SOF e a UO. Papel de articulador no âmbito da sua estrutura. Estabelecimento de diretrizes setoriais
Secretaria de Orçamento Federal (SOF)
Constante articulação com os agentes envolvidos na tarefa de elaboração das propostas orçamentárias setoriais. Orientar, coordenar e supervisionar tecnicamente os órgãos setoriais.
Estabelecer as classificações orçamentárias da receita e da despesa.
equilíbrio financeiro do Tesouro Nacional, haveres financeiros e mobiliários, programação financeira, dívida, operações de crédito, então a questão está falando sobre o Sistema de Administração Financeira Federal. Associe a dinheiro
.
Agora, vamos ver a legislação na íntegra (compare as informações sobre os dois sistemas, sempre tendo em mente a dica que eu acabei de dar ):
Seção I
Do Planejamento Federal
Art. 7º Compete às unidades responsáveis pelas atividades de planejamento:
I - elaborar e supervisionar a execução de planos e programas nacionais e setoriais de desenvolvimento econômico e social;
II - coordenar a elaboração dos projetos de lei do plano plurianual e o item, metas e prioridades da Administração Pública Federal, integrantes do projeto de lei de diretrizes orçamentárias, bem como de suas alterações, compatibilizando as propostas de todos os Poderes, órgãos e entidades integrantes da Administração Pública Federal com os objetivos governamentais e os recursos disponíveis;
III - acompanhar física e financeiramente os planos e programas referidos nos incisos I e II deste artigo, bem como avaliá-los, quanto à eficácia e efetividade, com vistas a subsidiar o processo de alocação de recursos públicos, a política de gastos e a coordenação das ações do governo;
IV - assegurar que as unidades administrativas responsáveis pela execução dos programas, projetos e atividades da Administração Pública Federal mantenham rotinas de acompanhamento e avaliação da sua programação;
V - manter sistema de informações relacionados a indicadores econômicos e sociais, assim como mecanismos para desenvolver previsões e informação estratégica sobre tendências e mudanças no âmbito nacional e internacional;
VI - identificar, analisar e avaliar os investimentos estratégicos do Governo, suas fontes de financiamento e sua articulação com os investimentos privados, bem como prestar o apoio gerencial e institucional à sua implementação;
VII - realizar estudos e pesquisas socioeconômicas e análises de políticas públicas;
VIII - estabelecer políticas e diretrizes gerais para a atuação das empresas estatais.
Parágrafo único. Consideram-se empresas estatais, para efeito do disposto no inciso VIII, as empresas públicas, as sociedades de economia mista, suas subsidiárias e controladas e demais empresas em que a União, direta ou indiretamente, detenha a maioria do capital social com direito a voto.
Seção II
Do Orçamento Federal
Art. 8º Compete às unidades responsáveis pelas atividades de orçamento:
I - coordenar, consolidar e supervisionar a elaboração dos projetos da lei de diretrizes orçamentárias e da lei orçamentária da União, compreendendo os orçamentos fiscal, da seguridade social e de investimento das empresas estatais;
II - estabelecer normas e procedimentos necessários à elaboração e à implementação dos orçamentos federais, harmonizando-os com o plano plurianual;
III - realizar estudos e pesquisas concernentes ao desenvolvimento e ao aperfeiçoamento do processo orçamentário federal;
IV - acompanhar e avaliar a execução orçamentária e financeira, sem prejuízo da competência atribuída a outros órgãos;
V - estabelecer classificações orçamentárias, tendo em vista as necessidades de sua harmonização com o planejamento e o controle;
VI - propor medidas que objetivem a consolidação das informações orçamentárias das diversas esferas de governo.
Agora vejamos Sistema de Administração Financeira Federal:
TÍTULO III
DO SISTEMA DE ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA FEDERAL CAPÍTULO I
DAS FINALIDADES
Art. 9º O Sistema de Administração Financeira Federal visa ao equilíbrio financeiro do Governo Federal, dentro dos limites da receita e despesa públicas.
CAPÍTULO II
DA ORGANIZAÇÃO E DAS COMPETÊNCIAS
Art. 10. O Sistema de Administração Financeira Federal compreende as atividades de programação financeira da União, de administração de direitos e haveres, garantias e obrigações de responsabilidade do Tesouro Nacional e de orientação técnico-normativa referente à execução orçamentária e financeira.
Art. 11. Integram o Sistema de Administração Financeira Federal:
I - a Secretaria do Tesouro Nacional, como órgão central; (Conforme comentei: o órgão central do Sistema de Administração Financeira Federal é a STN)
II - órgãos setoriais.
§ 1º Os órgãos setoriais são as unidades de programação financeira dos Ministérios, da Advocacia-Geral da União, da Vice-Presidência e da Casa Civil da Presidência da República.
§ 2º Os órgãos setoriais ficam sujeitos à orientação normativa e à supervisão técnica do órgão central do Sistema, sem prejuízo da subordinação ao órgão em cuja estrutura administrativa estiverem integrados.
Art. 12. Compete às unidades responsáveis pelas atividades do Sistema de Administração Financeira Federal:
I - zelar pelo equilíbrio financeiro do Tesouro Nacional;
II - administrar os haveres financeiros e mobiliários do Tesouro Nacional;
III - elaborar a programação financeira do Tesouro Nacional, gerenciar a Conta Única do Tesouro Nacional e subsidiar a formulação da política de financiamento da despesa pública;
IV - gerir a dívida pública mobiliária federal e a dívida externa de responsabilidade do Tesouro Nacional;
V - controlar a dívida decorrente de operações de crédito de responsabilidade, direta e indireta, do Tesouro Nacional;
VI - administrar as operações de crédito sob a responsabilidade do Tesouro Nacional;
VII - manter controle dos compromissos que onerem, direta ou indiretamente, a União junto a entidades ou organismos internacionais;
VIII - editar normas sobre a programação financeira e a execução orçamentária e financeira, bem como promover o acompanhamento, a sistematização e a padronização da execução da despesa pública;
IX - promover a integração com os demais Poderes e esferas de governo em assuntos de administração e programação financeira.
Programação Orçamentária e Financeira
Muito bem! A programação orçamentária e financeira consiste na compatibilização do fluxo dos pagamentos com o fluxo dos recebimentos, visando ao ajuste da despesa fixada às novas projeções de resultados e da arrecadação.
Todos nós fazemos isso. Examinamos o quanto e quando nós iremos receber algum dinheiro e então programamos os nossos gastos. Por exemplo: você passou no concurso dos seus sonhos e já fez os cálculos de quanto você vai receber durante todo aquele ano: R$ 100.000,00!
Você vai comprar aquele carrão de R$ 100.000,00 logo em janeiro? É claro que não! Você não recebe os R$ 100.000,00 de uma vez só. Você recebe ao longo dos meses! Então você tem que programar a compra desse carrão.
Quer outro exemplo: a Administração sabe que em abril irá receber muito dinheiro vindo de impostos. Então talvez não seja uma boa ideia realizar aquela obra gigante antes de abril. Melhor fazer essa programação orçamentária e financeira aí!
Essa preocupação com o equilíbrio, o “timing”, entre receitas e despesas já existe desde a Lei 4.320/64.
Olha só como era essa regra:
TÍTULO VI
Da Execução do Orçamento CAPÍTULO I
Da Programação da Despesa
Art. 47. Imediatamente após a promulgação da Lei de Orçamento e com base nos limites nela fixados, o Poder Executivo aprovará um quadro de cotas trimestrais da despesa que cada unidade orçamentária fica autorizada a utilizar.
Portanto, logo após (imediatamente após, não era 30 dias depois) a promulgação da Lei Orçamentária Anual (LOA), o governo liberava esse quadro de cotas trimestrais.
“Mas o que era esse quadro, professor?”
Vou explicar com um exemplo:
Imagine que a Unidade Orçamentária X recebeu uma dotação orçamentária de R$ 12.000,00 para o ano todo e o governo achou interessante dividir essa dotação proporcionalmente entre os trimestres do ano. Portanto, dividindo R$ 12.000,00 por 4 trimestres, temos que em cada trimestre a Unidade Orçamentária X fica autorizada a utilizar R$ 3.000,00.
Simplificadamente, o quadro será mais ou menos assim:
Trimestre Cota
1º R$ 3.000,00
2º R$ 3.000,00
3º R$ 3.000,00
4º R$ 3.000,00 Pronto! Só isso!
“Tá certo. Mas pra que isso, professor? Qual era o objetivo dessas cotas?”
Essa eu vou deixar que a Lei 4.320/64 responda para você:
Art. 48 A fixação das cotas a que se refere o artigo anterior atenderá aos seguintes objetivos:
a) assegurar às unidades orçamentárias, em tempo útil a soma de recursos necessários e suficientes a melhor execução do seu programa anual de trabalho;
b) manter, durante o exercício, na medida do possível o equilíbrio entre a receita arrecadada e a despesa realizada, de modo a reduzir ao mínimo eventuais insuficiências de tesouraria.
Interessante observar também que:
Art. 49. A programação da despesa orçamentária, para feito do disposto no artigo anterior, levará em conta os créditos adicionais e as operações extraorçamentárias.
E:
Art. 50. As cotas trimestrais poderão ser alteradas durante o exercício, observados o limite da dotação e o comportamento da execução orçamentária.
Beleza!
Essa era a regra (por isso utilizei o tempo verbal pretérito). Esse mecanismo foi aperfeiçoado na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Ou seja: a regra agora é dada pela LRF! Portanto, fique atento a questões que pedem a resposta “de acordo com a Lei 4.320/64” ou “de acordo com a Lei de Responsabilidade Fiscal”.
Então vejamos essa nova regra (LRF):
Art. 8º Até trinta dias após a publicação dos orçamentos, nos termos em que dispuser a lei de diretrizes orçamentárias e observado o disposto na alínea c do inciso I do art. 4º, o Poder Executivo estabelecerá a programação financeira e o cronograma de execução mensal de desembolso.
Atenção aos seguintes pontos:
• não é mais imediatamente após a publicação da LOA. Agora é 30 dias após a publicação. O governo tem 30 dias para estabelecer programação financeira e o cronograma de execução mensal de desembolso, e ele o fará por meio de um decreto.
• não se fala mais cotas trimestrais. Agora se fala em cronograma mensal de desembolso (programação mensal dos fluxos de caixa).
• Esse dispositivo da LRF só falou do Poder Executivo, mas não é só o Poder Executivo que administra recursos, certo? Portanto, todos os anos a LDO prevê que (observe o exemplo da LDO 2020 da União):
Art. 59. Os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, o Ministério Público da União e a Defensoria Pública da União deverão elaborar e publicar por ato próprio, até trinta dias após a data de publicação da Lei Orçamentária de 2020, cronograma anual de desembolso mensal, por órgão, nos termos do disposto no art. 8º da Lei Complementar nº 101, de 2000 - Lei de Responsabilidade Fiscal, com vistas ao cumprimento da meta de resultado primário estabelecida nesta Lei.
Compare os dois últimos dispositivos (art. 8º, da LRF e artigo da LDO). Você perceberá que somente o Poder Executivo estabelecerá a programação financeira. Assim:
• Programação financeira: somente o Poder Executivo, por meio de decreto (na União, esse decreto ficou conhecido como “decreto de contingenciamento”);
• Cronograma mensal de desembolso: todos os Poderes e órgãos independentes (MP e DP), por ato próprio.
“Beleza, professor. Mas, enfim, o que é essa programação financeira,?”
Vejamos a LRF:
Art. 13. No prazo previsto no art. 8º, as receitas previstas serão desdobradas, pelo Poder Executivo, em metas bimestrais de arrecadação, com a especificação, em separado, quando cabível, das medidas de combate à evasão e à sonegação, da quantidade e valores de ações ajuizadas para cobrança da dívida ativa, bem como da evolução do montante dos créditos tributários passíveis de cobrança administrativa.
Grave o seguinte: metas bimestrais de arrecadação! Bimestrais!
Publicação dos orçamentos
30 dias
Cronograma de execução mensal de desembolso Poderes E, L, J +
MP + DP
“Tá certo, professor. Mas, resumindo, pra que serve essa programação orçamentária e financeira?”
Para garantir o cumprimento dos resultados fiscais, o cumprimento das metas!
Portanto, em decorrência da necessidade de garantir o cumprimento dos resultados fiscais estabelecidos na LDO e de obter maior controle sobre os gastos, a Administração Pública, em atendimento aos arts. 8º, 9º e 13 da LRF, faz a programação orçamentária e financeira da execução das despesas públicas, bem como o monitoramento do cumprimento das metas de superávit primário.
“Ok! O que mais que eu tenho que saber, professor?”
Você tem que saber que a CF/88, meio que sem querer, definiu o cronograma de desembolso dos demais Poderes, observe:
Art. 168. Os recursos correspondentes às dotações orçamentárias, compreendidos os créditos suplementares e especiais, destinados aos órgãos dos Poderes Legislativo e Judiciário, do Ministério Público e da Defensoria Pública, ser-lhes-ão entregues até o dia 20 de cada mês, em duodécimos, na forma da lei complementar a que se refere o art. 165, § 9º.
O Poder Executivo é quem arrecada mais dinheiro na Administração Pública, portanto é ele quem fica, quem guarda, com o dinheiro. Pois bem, o que a regra constitucional está dizendo é que o Poder Executivo irá entregar o dinheiro destinado aos demais órgãos até o dia 20 de cada mês, em duodécimos (duodécimos são uma das 12 partes de um todo).
“E por que que isso significa que a CF/88 definiu (sem querer) o cronograma de desembolso dos demais Poderes?”
Ora, se o Poder Legislativo, por exemplo, sabe que receberá o dinheiro até o dia 20 daquele mês, ele fica praticamente obrigado a pagar os servidores somente após o dia 20. Já pensou se o Poder Legislativo define que o pagamento dos servidores será no dia 10, mas o Poder Executivo só repassa os recursos no dia 15? Assim não dá! Por isso, que essa regra constitucional já define muito do cronograma de desembolso dos demais Poderes.
Preste atenção!
A CF/88 acaba definindo o cronograma mensal de desembolso dos Poderes Legislativo e Judiciário, do Ministério Público e da Defensoria Pública.
“E como é que os duodécimos serão distribuídos, repassados, professor?”
Quem vai definir isso é a Lei Complementar a que se refere o art. 165, § 9º, que ainda não foi elaborada!
Observe que o artigo 168 da CF fala que: será "na forma da lei complementar a que se refere o art. 165, § 9º".
Não se sabe, por exemplo, se as 12 parcelas devem ser iguais, ou se as parcelas de julho ou de dezembro devem ser maiores do que as demais.
Questões para fixar
IDECAN – CFR-SP - Analista – 2018
Na contabilidade pública, o procedimento no qual o gestor compatibiliza o fluxo dos pagamentos com o fluxo dos recebimentos, com o objetivo de ajustar a despesa fixada às novas projeções de resultado é definido como:
A) Fluxo de Caixa.
B) Programação Orçamentária e Financeira C) Descentralização de Créditos Orçamentários.
D) Relatório Resumido da Execução Orçamentária.
Comentários:
A programação orçamentária e financeira consiste na compatibilização do fluxo dos pagamentos com o fluxo dos recebimentos, visando ao ajuste da despesa fixada às novas projeções de resultados e da arrecadação.
Gabarito: B
CESPE – TRE-MT - Analista judiciário – 2015
De acordo com o disposto na LRF — Lei Complementar n.º 101/2000 —, após a publicação da LOA, o Poder Executivo deverá estabelecer metas trimestrais de arrecadação.
Comentários:
Não! A questão quis lhe confundir com as cotas trimestrais previstas lá na Lei 4.320/64. Na verdade, a LRF diz o seguinte:
Art. 13. No prazo previsto no art. 8º, as receitas previstas serão desdobradas, pelo Poder Executivo, em metas bimestrais de arrecadação, com a especificação, em separado, quando cabível, das medidas de combate à evasão e à sonegação, da quantidade e valores de ações ajuizadas para cobrança da dívida ativa, bem como da evolução do montante dos créditos tributários passíveis de cobrança administrativa.
Eu avisei e disse para você gravar: metas bimestrais de arrecadação!
Gabarito: Errado
FGV – TJ-SC - Analista Administrativo – 2015
Durante a execução orçamentária, as receitas e despesas não se executam de forma perfeitamente ajustada, para isso a Lei de Responsabilidade Fiscal dispõe sobre o estabelecimento da programação financeira e do cronograma de desembolsos. De acordo com as disposições legais relativas à programação financeira e ao cronograma de desembolsos:
A) as metas de arrecadação são desdobradas em cotas trimestrais;
B) as operações extraorçamentárias não são incluídas na programação financeira;
C) o cronograma de desembolsos é de execução mensal;
D) os recursos legalmente vinculados não precisam ser desdobrados em metas de arrecadação;
E) por ser objeto de publicação oficial, o cronograma só pode ser alterado com autorização legislativa.
Comentários:
a) Errada. De novo, a mesma pegadinha... As receitas previstas serão desdobradas, pelo Poder Executivo, em metas bimestrais de arrecadação (art. 13, da LRF).
b) Errada. As operações extraorçamentárias são incluídas sim na programação financeira, afinal elas também representam desembolsos (é dinheiro que sai do bolso da Administração Pública). E ainda temos a Lei 4.320/64:
Art. 49. A programação da despesa orçamentária, para feito do disposto no artigo anterior, levará em conta os créditos adicionais e as operações extraorçamentárias.
c) Correta. Isso mesmo. Agora é cronograma mensal de desembolsos, observe (LRF):
Art. 8º Até trinta dias após a publicação dos orçamentos, nos termos em que dispuser a lei de diretrizes orçamentárias e observado o disposto na alínea c do inciso I do art. 4º, o Poder Executivo estabelecerá a programação financeira e o cronograma de execução mensal de desembolso.
d) Errada. Precisam ser desdobrados em metas de arrecadação sim! E são desdobrados em metas bimestrais de arrecadação (art. 13, da LRF).
e) Errada. O cronograma pode ser alterado sem autorização legislativa, afinal ele não é uma lei, é um ato administrativo.
Gabarito: C
Contingenciamento de Gastos
Vamos começar com um exemplo:
Joãozinho vende salgados na porta da universidade. Essa é a sua fonte de renda. Joãozinho até vive confortavelmente: ele tem assinaturas de Netflix, Spotify e também, claro, do EmAudio Concursos, porque ele sonha em passar num concurso público e adora as aulas de AFO do Professor Sérgio Machado lá!
Normalmente Joãozinho fatura R$ 1.500,00 por mês e suas despesas somam R$ 1.000,00, de forma que a cada bimestre ele consegue juntar R$ 1.000,00. A meta, portanto, é chegar ao final do ano com R$ 6.000,00 (6 bimestres x R$ 1.000,00).
O ano letivo começou e estava tudo indo muito bem, até que, em meados de abril, a universidade entrou em greve! As aulas foram suspensas, os alunos (principais consumidores) mal apareciam! Joãozinho contava com aquela receita para alcançar a sua meta, mas, com a inesperada greve, ele viu seu faturamento diminuir.
Porém, Joãozinho é forte! Ele repetia para si mesmo: “não vou diminuir a minha meta. Não vou diminuir a minha meta! Tenho que dar um jeito de continuar fazendo com que sobre R$ 500,00 todo mês. Mas como eu vou fazer isso se minha renda agora caiu para R$ 1.300 e a greve ainda está longe de ser resolvida? Se continuar assim, eu não vou conseguir juntar R$ 1.000 a cada bimestre e não vou alcançar minha meta...
Já sei! Eu posso cortar algumas despesas! Se eu cortar R$ 200,00 das minhas despesas mensais, continuo juntando R$ 1.000,00 por bimestre e assim eu consigo alcançar a minha meta anual de R$ 6.000! Agora, o que cortar primeiro? Tenho que ter critérios! Vou cortar primeiro os supérfluos: Netflix e Spotify. O EmAudio Concursos eu não cancelo nem a pau! Pronto. Decidido! Durante os próximos 30 dias, essas minhas obrigações estarão limitadas!”
O que aconteceu aí nesse exemplo foi um contingenciamento de gastos, uma limitação de empenho e movimentação financeira.
“Como assim, professor? O que é limitação de empenho e movimentação financeira?”
Vamos observar o que diz a LRF:
Art. 9º Se verificado, ao final de um bimestre, que a realização da receita poderá não comportar o cumprimento das metas de resultado primário ou nominal estabelecidas no Anexo de Metas Fiscais, os Poderes e o Ministério Público promoverão, por ato próprio e nos montantes necessários, nos trinta dias subsequentes, limitação de empenho e movimentação financeira, segundo os critérios fixados pela lei de diretrizes orçamentárias.
Então é o seguinte: se for verificado, ao final de um bimestre (não é trimestre e nem quadrimestre), que a realização da receita (não o aumento de despesas) poderá não comportar o cumprimento das metas de resultado primário ou nominal (basicamente a diferença entre receitas e despesas), então, nos 30 dias subsequentes, acontecerá o que chamamos de limitação de empenho e movimentação financeira (LRF, art.
9º).
“Espera aí, rapidinho, professor. Resultado primário? Resultado nominal? O que é isso mesmo?”
O Resultado Primário (RP) é a diferença entre receitas e despesas primárias (ou não-financeiras), ou seja, todas aquelas que não tenham caráter financeiro, referente aos órgãos da administração direta, fundos, autarquias, fundações e empresas estatais dependentes. O RP irá indicar se o ente federativo está ou não vivendo dentro de seus limites financeiros e contribuindo para a redução ou elevação do seu endividamento.
Já o Resultado Nominal (RN) inclui as receitas e despesas financeiras. Portanto, o cálculo seria assim:
(Receitas primárias + Receitas financeiras) – (Despesas primárias + Despesas financeiras) = Resultado Nominal O Resultado Primário indica se houve superávit ou déficit primário. O Resultado Nominal vai mais longe e indica se a economia de recursos primários é suficiente para cobrir as despesas financeiras também, ou se há necessidade de recorrer a empréstimos2.
Beleza. Continuando...
Você lembra do conceito de excesso de arrecadação (uma das fontes para abertura de créditos adicionais)? É o saldo positivo das diferenças acumuladas mês a mês entre a arrecadação prevista e a realizada, ou seja, é arrecadar mais do que o previsto!
Excesso de arrecadação = Rec. Arrecadada – Rec. Prevista
2 PALUDO, Augustinho. Orçamento público, AFO e LRF, 5ª edição, editora Método, 2015.
Abril Agosto Outubro Dezembro
Fevereiro Junho
30 dias subsequentes
Se verificado ao final de um bimestre
Limitação de empenho e movimentação financeira
Rec.
Prevista
(Meta RP) Realização da receita
Poderes e MP
por ato próprio
Receitas
primárias Despesas
primárias Resultado
primário
Perceba, então, que o que acontece aqui na limitação de empenho e movimentação financeira é justamente o contrário do excesso de arrecadação. Aqui está acontecendo frustração de receita, ou seja, a arrecadação está menor do que o previsto.
Por exemplo: a previsão era arrecadar R$ 100.000,00, mas só foram arrecadados R$ 70.000,00. Agora estamos frustrados. Essa é a frustração de receita.
Ok! Então tivemos frustração de receita, temos que limitar o empenho! Mas e se a Administração já tiver feito o empenho e a até mesmo a liquidação dessa despesa? Tarde demais?
Não! Agora nós vamos segurar o próximo estágio da execução da despesa: o pagamento. Portanto, vamos segurar o pagamento! Vamos limitar a movimentação financeira, a saída de recursos da conta da Administração. Por isso que o nome é limitação de empenho e movimentação financeira! Entendeu?
Mas a frustração de receitas não é o único motivo que enseja o contingenciamento de gastos. Este pode ser feito:
• De forma preventiva;
• Por conta da frustação de receitas;
• Por conta de endividamento excessivo (LRF, art. 31, § 1o, II).
Portanto, segundo o MTO 2020, verificada a frustração na arrecadação da receita prevista ou o aumento das despesas obrigatórias, que venham a comprometer o alcance das metas fiscais, torna-se necessária a adoção de mecanismos de ajuste entre receita e despesa.
Mas como fazer isso?
Vejamos um exemplo:
Imagine que as receitas previstas são na ordem de R$ 1.200.000,00. As despesas fixadas somam R$ 1.100.000,00.
Portanto, a meta de resultado é de R$ 100.000,00. De acordo com o planejamento da Administração Pública, a arrecadação de receitas seria constante: todo mês a previsão de arrecadação era de R$ 100.000,00 (equivalente a R$
1.200.000,00 dividido por 12 meses). Até aqui tudo bem.
Acontece que os dois primeiros meses do ano já se passaram e somente foram arrecadados R$ 50.000,00. Olha só!
Esperava-se arrecadar R$ 200.000,00 nesse período, mas somente foram arrecadados R$ 50.000,00. Tem R$
150.000,00 faltando. Enquanto isso, as despesas continuam fixadas. A Administração continua gastando como se tivesse arrecadado R$ 200.000,00 no primeiro bimestre.
Você consegue perceber que se não houver corte de despesas, a coisa vai ficar feia? Desse jeito a Administração não vai alcançar a meta de resultado!
O que fazer então?
Contingenciamento de gastos! Limitação de empenho e movimentação financeira! Se antes a Administração podia empenhar R$ 80.000,00 em determinada dotação, agora não pode mais, porque as metas de resultado estão em risco! Esse empenho será limitado! Agora a Administração só pode empenhar R$
50.000,00 nessa dotação.
“Mas quais gastos serão contingenciados, professor? Por que alguns são mais importantes do que outros, não é mesmo?”
Exatamente! Quais gastos serão contingenciados? Quais serão os critérios que serão utilizados para decidir isso? E de que forma isso acontecerá?
Muito bem! Quem vai definir os critérios e a forma dessa limitação de empenho e movimentação financeira é a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). Perceba que o finalzinho do artigo 9º da LRF diz isso (“segundo os critérios fixados pela lei de diretrizes orçamentárias”) e o artigo 4º da LRF também:
Art. 4º A lei de diretrizes orçamentárias atenderá o disposto no § 2º do art. 165 da Constituição e:
I - disporá também sobre: (...)
b) critérios e forma de limitação de empenho, a ser efetivada nas hipóteses previstas na alínea b do inciso II deste artigo, no art. 9º e no inciso II do § 1º do art. 31;
Importante destacar também que algumas despesas são tão importantes que elas não poderão ser objeto de limitação de despesas!
Vamos ler agora o § 2º, do artigo 9º, da LRF, com redação dada pela Lei Complementar 177, de 2021:
Art. 9º, § 2º Não serão objeto de limitação as despesas que constituam obrigações constitucionais e legais do ente, inclusive aquelas destinadas ao pagamento do serviço da dívida, as relativas à inovação e ao desenvolvimento científico e tecnológico custeadas por fundo criado para tal finalidade e as ressalvadas pela lei de diretrizes orçamentárias.
Outro detalhe importante: os Poderes e o Ministério Público promoverão a limitação de empenho e movimentação financeira por ato próprio! Isso significa que o Poder Executivo não promove (e nem poderá promover) limitações no empenho e na movimentação financeira dos demais Poderes. Isso seria uma afronta ao princípio da separação dos poderes!
“Por que, professor?”
Porque o seguinte dispositivo está suspenso (por conta da ADIN 2.238-5):
Art. 9º, § 3o No caso de os Poderes Legislativo e Judiciário e o Ministério Público não promoverem a limitação no prazo estabelecido no caput, é o Poder Executivo autorizado a limitar os valores financeiros segundo os critérios fixados pela lei de diretrizes orçamentárias. (Vide ADIN 2.238-5)
“Por que está suspenso, professor?”
Porque infringe o princípio da separação dos Poderes!
Assim, mesmo que os demais Poderes e o MP fiquem inertes, o Poder Executivo não poderá promover limitações no empenho e na movimentação financeira dos demais Poderes e do MP. Os Poderes e o Ministério Público promoverão a limitação de empenho e movimentação financeira por ato próprio!
Portanto, eis a lição do mestre Yoda: